
Disponível na Netflix, A Colega Perfeita chega com uma proposta que pode surpreender ou afastar, dependendo da expectativa de quem dá o play. Dirigido por Chandler Levack, o longa evita o caminho fácil das comédias universitárias cheias de exageros e situações absurdas. Em vez disso, aposta em algo mais próximo da realidade, onde o humor nasce do desconforto.
Aqui, não espere grandes piadas ou momentos escancarados. O filme trabalha com pequenas tensões do dia a dia, aquelas situações que qualquer pessoa que já dividiu espaço com alguém vai reconhecer. Bagunça, hábitos irritantes e falta de limites viram combustível para uma narrativa que cresce aos poucos. É aquele tipo de filme que faz rir, mas também deixa uma sensação de incômodo, justamente por parecer tão real.
Sobre o que é a história?
A trama gira em torno de duas universitárias que decidem dividir o mesmo quarto. De um lado, temos a caloura mais ingênua, cheia de expectativas sobre essa nova fase da vida. Do outro, uma estudante mais confiante, popular e aparentemente no controle de tudo. O encontro entre essas duas realidades cria um contraste interessante logo de início.
O problema é que essa convivência, que começa até de forma promissora, vai se desgastando com o tempo. O roteiro de Jimmy Fowlie e Ceara O’Sullivan não aposta em grandes acontecimentos, mas sim no acúmulo de pequenas frustrações. E é justamente aí que o filme encontra sua força. Os conflitos não explodem de uma vez. Eles vão se acumulando, crescendo em silêncio, até que o ambiente fica praticamente insustentável. É uma disputa emocional dentro de um espaço pequeno, onde cada atitude ganha um peso maior do que deveria.

O elenco funciona?
Funciona, e muito por causa da química entre Sadie Sandler e Chloe East. As duas seguram o filme praticamente sozinhas, e o interessante é que existe um desequilíbrio claro entre elas, algo que parece intencional e que funciona muito bem dentro da história.
Enquanto uma personagem domina o espaço com naturalidade, a outra vai sendo engolida aos poucos pela situação. Essa diferença cria uma tensão constante, que prende a atenção mesmo quando aparentemente nada está acontecendo. As participações de Natasha Lyonne e Nick Kroll ajudam a dar respiro em alguns momentos, mas o foco nunca sai da relação central, o que se mostra uma escolha acertada.
A polêmica dos “nepo babies” atrapalha?
Antes mesmo de estrear, A Colega Perfeita já estava sendo comentado por outros motivos. A presença de Sadie Sandler, filha de Adam Sandler, gerou críticas e reacendeu o debate sobre nepotismo em Hollywood. E ela não está sozinha, já que outros nomes do elenco também têm conexões familiares fortes na indústria.
Mas sendo direto, isso interfere pouco na experiência do filme. Dá para entender a discussão, mas dentro da narrativa o que importa é a entrega. A atuação pode não ser revolucionária, mas cumpre bem o papel e funciona dentro da proposta.
Vale a pena assistir?
A resposta mais honesta é que depende do que você procura.
A Colega Perfeita não é um filme feito para agradar todo mundo. Ele tem um ritmo mais lento, uma abordagem mais observacional e um tipo de humor que nem sempre é confortável. Em vários momentos, a sensação é mais de tensão do que de diversão, e isso faz parte da proposta.
Por outro lado, se você gosta de histórias focadas em comportamento, relações humanas e conflitos que crescem aos poucos, o filme pode funcionar muito bem. Ele acerta justamente por ser contido e por confiar na construção dos personagens.



















