
Depois de ser um dos destaques da cena teatral em 2024, Um Pássaro não é uma Pedra volta aos palcos para uma curta temporada no Teatro Poeira, no Rio de Janeiro. O monólogo, protagonizado por Lucas Oradovschi, será apresentado entre os dias 7 e 29 de julho, sempre às terças e quartas-feiras, às 20h.
A peça parte de um episódio real para discutir como a arte pode sobreviver mesmo em contextos marcados pela violência. Em vez de reconstruir os conflitos políticos do Oriente Médio de forma convencional, o espetáculo escolhe um caminho mais íntimo, acompanhando a história do Stone Theatre (Teatro de Pedra), iniciativa criada nos anos 1980 no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia, pela israelense Arna Mer e pela palestina Samira Zubeidi.
Voltado para crianças e adolescentes da região, o projeto utilizava o teatro como ferramenta de educação e acolhimento em uma comunidade profundamente afetada pela guerra e pela ocupação militar. Anos depois, o espaço foi destruído durante os confrontos na região, mas sua história não terminou ali. Em 2000, o trabalho foi retomado pelos filhos das fundadoras com a criação do Freedom Theatre, grupo que mais tarde chegou a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz.
Em cena, Lucas Oradovschi narra essa trajetória por um ponto de vista incomum. Quem conduz a história é uma pedra retirada dos escombros do teatro destruído, recurso dramatúrgico que aproxima memória, destruição e permanência em um mesmo discurso.
O texto foi desenvolvido coletivamente por Lucas ao lado de Adriana Schneider, Cátia Costa, Daniel Bueno e Mar Mordente. A direção também reúne Schneider, Costa e Mordente, responsáveis por construir uma encenação que combina narrativa, música e imagens sem recorrer a grandes aparatos cênicos.
De ascendência judaica, Oradovschi encontrou na história do Teatro de Pedra um ponto de partida para discutir encontros possíveis entre povos frequentemente retratados apenas pelo conflito. Em vez de transformar o palco em espaço para discursos políticos, a montagem concentra seu olhar em iniciativas culturais que nasceram em meio às dificuldades e encontraram na criação artística uma forma de resistência cotidiana.
Quando estreou, em 2024, Um Pássaro não é uma Pedra recebeu boa repercussão da crítica especializada. O espetáculo conquistou o Prêmio APTR de Melhor Direção Musical e também figurou entre os indicados ao Prêmio Shell na categoria de Melhor Direção.
















