Foto: Reprodução/ Internet

Depois de dirigir Meu Nome É Gal, a cineasta baiana Dandara Ferreira troca a ficção por um dos capítulos mais delicados da história recente do país. Em Anatomia do Caos, a diretora volta aos acontecimentos da pandemia de Covid-19 para reconstruir, a partir dos trabalhos da CPI da Covid, como decisões políticas influenciaram o enfrentamento da maior crise sanitária vivida pelo Brasil nas últimas décadas.

O documentário estreou nos cinemas em 2 de julho, com distribuição da Descoloniza Filmes, e terá duas exibições especiais no Recife. A primeira acontece neste sábado, 4 de julho, às 18h, no Cinema São Luiz. Depois da sessão, o público poderá participar de um debate com a diretora Dandara Ferreira, a médica sanitarista e presidente da Hemobrás, Ana Paula Sotter, e o médico André Longo. No domingo, 5 de julho, o longa também será exibido no Armazém do Campo.

Em vez de olhar para aquele período apenas pelo lado estatístico, Anatomia do Caos acompanha de perto os bastidores da CPI da Covid. A câmera registra reuniões, depoimentos e momentos decisivos da comissão instalada no Senado em 2021, revelando como senadores buscaram reunir documentos, ouvir especialistas e investigar a condução da pandemia no Brasil.

O filme também resgata decisões do governo do então presidente Jair Bolsonaro durante a crise sanitária e apresenta registros inéditos que ajudam a contextualizar um período marcado por disputas políticas, desinformação e uma emergência de saúde pública que resultou na morte de mais de 700 mil brasileiros.

A ideia do documentário nasceu quando Dandara Ferreira decidiu viajar para Brasília para acompanhar a CPI de perto. Em vez de reconstruir os fatos anos depois, a diretora registrou os acontecimentos enquanto eles ainda estavam acontecendo. Essa escolha aproxima o público do clima de tensão que dominava o Congresso e o país naquele momento.

Outro ponto importante do longa é a discussão sobre o impacto da desinformação durante a pandemia. O documentário mostra como narrativas políticas, ataques à ciência e informações falsas passaram a fazer parte do cotidiano brasileiro justamente quando milhões de pessoas buscavam respostas sobre uma doença ainda pouco conhecida.

Sem tentar oferecer respostas fáceis, Anatomia do Caos também levanta uma discussão sobre memória e responsabilização. O filme questiona o que acontece quando uma investigação termina, mas muitas das consequências daquele período continuam presentes na vida de quem atravessou a pandemia.

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