
A Record TV exibe Até o Último Homem na Super Tela deste sábado, 5 de setembro. Lançado em 2016, o drama de guerra dirigido por Mel Gibson acompanha a história real de Desmond Doss, soldado americano que serviu como médico de combate durante a Segunda Guerra Mundial sem carregar uma arma.
Interpretado por Andrew Garfield, Doss se alistou no Exército dos Estados Unidos depois da entrada do país no conflito, mas deixou claro desde o início que não pretendia matar. Integrante da Igreja Adventista do Sétimo Dia, ele seguia o princípio religioso de não trabalhar aos sábados e se recusava a portar armas de fogo.
A decisão provocou conflitos durante seu treinamento militar. Seus superiores chegaram a tentar afastá-lo das Forças Armadas, e parte dos colegas passou a tratá-lo como covarde. A situação chegou aos tribunais quando Doss foi acusado de insubordinação por não aceitar o treinamento convencional com armas.
O personagem, porém, não desistiu. A legislação americana protegia objetores de consciência em determinadas circunstâncias, permitindo que pessoas com convicções religiosas ou morais contrárias ao combate armado servissem ao país em funções que não envolvessem o uso de armas.
Doss acabou sendo autorizado a atuar como médico de combate.
Da Virgínia para o campo de batalha
O filme começa antes da guerra, apresentando a infância de Desmond Doss na zona rural da Virgínia. Sua relação com a violência é marcada por um episódio ocorrido durante a infância, quando quase matou o irmão Hal durante uma brincadeira.
A formação religiosa da família influencia diretamente sua visão sobre o ato de matar. A relação com o pai, Tom Doss, veterano da Primeira Guerra Mundial interpretado por Hugo Weaving, também ocupa espaço importante na narrativa.
Já adulto, Desmond trabalha e desenvolve interesse pela área médica. Depois de ajudar um homem ferido em um acidente, conhece a enfermeira Dorothy Schutte, vivida por Teresa Palmer. Os dois iniciam um relacionamento, e Dorothy acompanha de perto a decisão do namorado de se alistar após o ataque japonês a Pearl Harbor.
Antes de partir para o treinamento, Desmond pede Dorothy em casamento. A guerra, porém, coloca o relacionamento em segundo plano e leva o protagonista a enfrentar um problema que ele não havia previsto: seus próprios companheiros.
A recusa em pegar no fuzil
No treinamento básico, Doss se destaca nos exercícios físicos, mas enfrenta dificuldades por não aceitar pegar em uma arma. O sargento Howell, personagem de Vince Vaughn, passa a pressioná-lo, enquanto outros soldados interpretam sua postura como uma tentativa de escapar do combate.
A situação piora quando Doss se recusa a revelar quem o agrediu fisicamente durante uma noite. Ele prefere suportar as consequências a denunciar os colegas.
O conflito chega ao limite quando o soldado é preso por insubordinação. Doss mantém sua posição mesmo diante da possibilidade de ser condenado. Seu pai intervém apresentando uma carta de um antigo comandante, que ajuda a demonstrar que suas convicções estavam protegidas pela legislação americana.
Depois do processo, Doss consegue continuar no Exército como médico de combate.
Essa primeira metade do filme é importante porque estabelece o motivo pelo qual sua presença no campo de batalha causa tanta desconfiança. Quando ele finalmente chega ao front, seus colegas ainda não acreditam que alguém possa participar de uma guerra sem usar uma arma.
Okinawa muda a percepção dos soldados
A história muda de escala quando a unidade de Doss chega ao Pacífico e participa da Batalha de Okinawa. O cenário é a Escarpa de Maeda, conhecida pelos americanos como Hacksaw Ridge, uma posição estratégica protegida por tropas japonesas e marcada por combates extremamente violentos.
Doss atua como médico e passa a atender soldados feridos diretamente na área de combate. Durante os confrontos, ele salva companheiros que haviam ficado para trás depois da retirada das tropas americanas.
Entre eles estão homens que, poucas horas antes, ainda desconfiavam de sua capacidade de enfrentar uma situação de guerra.
O filme dedica boa parte de sua segunda metade a esses resgates. Doss retorna repetidamente à região sob fogo inimigo para localizar sobreviventes e levá-los até um ponto seguro. Em uma das sequências centrais, ele utiliza uma corda para retirar os feridos da escarpa, descendo cada homem individualmente.
A narrativa registra esse momento como o ponto de virada na relação entre Doss e os demais soldados. Sua escolha de não portar armas deixa de ser vista apenas como uma limitação e passa a ser compreendida dentro da função que decidiu exercer.
A história real por trás do filme
Desmond Doss realmente serviu como médico de combate na Segunda Guerra Mundial e participou da Batalha de Okinawa. Segundo os registros oficiais, ele ajudou a retirar dezenas de soldados feridos da região da Escarpa de Maeda durante os combates.
Doss recebeu a Medalha de Honra, a mais alta condecoração militar dos Estados Unidos por bravura em combate. A cerimônia ocorreu em 1945, quando o então presidente Harry S. Truman entregou pessoalmente a medalha ao soldado.
O filme encerra sua narrativa com imagens de arquivo e informações sobre a vida posterior de Doss. Ele permaneceu casado com Dorothy até a morte dela, em 1991, e morreu em 23 de março de 2006, aos 87 anos.
A produção também utiliza esses registros reais para aproximar o espectador da figura histórica retratada por Garfield.
Andrew Garfield no papel principal
Andrew Garfield recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator por sua interpretação de Desmond Doss. O papel exigia uma mudança gradual na postura do personagem: ele começa como um jovem determinado, mas inseguro diante do ambiente militar, e termina como um soldado respeitado pelos homens que antes questionavam sua coragem.
O elenco inclui ainda Sam Worthington como o capitão Jack Glover, Luke Bracey como Smitty Ryker, Richard Roxburgh como o coronel Stelzer e Rachel Griffiths como Bertha Doss, mãe de Desmond.
Mel Gibson dirigiu o longa a partir de um roteiro escrito por Andrew Knight e Robert Schenkkan. A história teve como uma de suas bases o documentário The Conscientious Objector, lançado em 2004, que também aborda a trajetória de Doss.





















