Foto: Reprodução/ Internet

Nem sempre um fenômeno da internet consegue repetir o mesmo sucesso quando chega aos cinemas. Com Backrooms: Um Não-Lugar, porém, o cenário parece ser diferente. A adaptação da popular série criada por Kane Parsons para o YouTube começou sua trajetória nas telonas com US$ 10,4 milhões arrecadados apenas nas sessões de pré-estreia, um resultado que colocou o longa entre os lançamentos mais comentados do momento.

Antes da estreia, a expectativa do mercado apontava para uma abertura entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões nos Estados Unidos. Agora, após os primeiros números divulgados, analistas já consideram a possibilidade de o filme encerrar o fim de semana acima dessa faixa. As informações são da Variety.

O dado chama ainda mais atenção quando comparado ao orçamento da produção. Segundo informações divulgadas pelos estúdios, Backrooms custou menos de US$ 10 milhões para ser produzido. Na prática, isso significa que o longa está muito perto de recuperar todo o investimento inicial em poucos dias de exibição.

Para quem ainda não conhece a história, o filme leva para os cinemas uma das lendas urbanas digitais mais populares dos últimos anos. Os Backrooms surgiram na internet a partir de imagens de corredores vazios, salas iluminadas por luzes fluorescentes e escritórios sem pessoas. A ideia era simples: e se existisse um lugar escondido da realidade, formado por ambientes infinitos dos quais ninguém consegue escapar?

A proposta parecia estranha quando apareceu pela primeira vez em fóruns online, mas acabou conquistando milhões de pessoas justamente por mexer com um medo bastante específico. Não se trata de monstros aparecendo a todo momento ou sustos constantes. O desconforto surge da sensação de estar preso em um local que parece comum à primeira vista, mas que se torna cada vez mais errado conforme você observa os detalhes.

No filme, a história acompanha Clark, interpretado por Chiwetel Ejiofor. Dono de uma loja de móveis, ele encontra algo impossível escondido no porão do estabelecimento: uma passagem que leva a um labirinto gigantesco de salas e corredores aparentemente intermináveis.

O que começa como curiosidade rapidamente se transforma em obsessão. Convencido de que encontrou algo extraordinário, Clark decide explorar o local com a ajuda de Kat, funcionária da loja, e Bobby, namorado dela. Conforme o grupo avança pelos corredores, surgem ruídos estranhos, fenômenos difíceis de explicar e sinais de que existe algo circulando por aquele espaço.

Quando Clark desaparece sem deixar rastros, a história passa a acompanhar a terapeuta Mary Kline, interpretada por Renate Reinsve. Na tentativa de descobrir o que aconteceu com seu paciente, ela entra nos Backrooms e acaba enfrentando seus próprios medos enquanto procura uma saída.

Um dos aspectos mais interessantes do projeto é justamente sua origem. Kane Parsons não chegou a Hollywood depois de dirigir grandes produções ou acumular anos de experiência na indústria. Ele ficou conhecido ainda adolescente ao publicar vídeos dos Backrooms no YouTube. Os curtas chamaram tanta atenção que acabaram despertando o interesse de produtores e estúdios, algo raro mesmo em uma época em que conteúdos virais surgem diariamente.

Essa trajetória ajuda a explicar parte da curiosidade em torno do filme. Muitas pessoas estão acompanhando não apenas a adaptação de uma história popular, mas também a evolução de um criador independente que saiu da internet para comandar uma produção distribuída mundialmente.

Chiwetel Ejiofor, visto em Doutor Estranho e vencedor do BAFTA por 12 Anos de Escravidão, lidera o elenco ao lado de Renate Reinsve, destaque do aclamado A Pior Pessoa do Mundo. A produção também traz Mark Duplass (The Morning Show e Creep), Finn Bennett (True Detective: Terra Noturna), Lukita Maxwell (Shrinking), Avan Jogia (Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City) e Krista Kosonen (Beforeigners).

O sucesso inicial indica que o longa de ficção científica e terror conseguiu atrair tanto quem já conhecia a história original quanto espectadores que nunca tiveram contato com a série do YouTube. Isso costuma ser um dos maiores desafios para adaptações de conteúdos virais: expandir o público sem depender exclusivamente da base de fãs que já existe.

O longa segue em cartaz nos cinemas brasileiros.

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