Christopher Nolan voltou a provar que seu nome, sozinho, ainda consegue mobilizar o público. A Odisseia estreou arrecadando US$ 264 milhões em todo o mundo, um resultado que coloca o longa entre as maiores aberturas dos últimos anos e registra a melhor estreia da carreira do diretor. Do total, US$ 124,5 milhões vieram dos Estados Unidos e US$ 139,6 milhões dos demais mercados internacionais.

Os números impressionam porque se trata de uma adaptação de um poema escrito há quase três mil anos. Em vez de apostar em uma franquia já consolidada ou em personagens conhecidos do grande público, Nolan escolheu levar para as telas a obra de Homero. A resposta nas bilheterias mostra que havia espaço para um projeto dessa escala quando conduzido por um cineasta que conquistou a confiança do público ao longo de mais de duas décadas.

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A produção acompanha Odisseu, rei de Ítaca, interpretado por Matt Damon, durante o difícil retorno para casa após a Guerra de Troia. O caminho é marcado por encontros com figuras da mitologia grega, como o Ciclope Polifemo, a feiticeira Circe e a ninfa Calipso, enquanto Penélope aguarda seu marido resistindo à pressão dos pretendentes que disputam o trono.

Além de Matt Damon, o elenco reúne Tom Holland (Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, Uncharted) como Telêmaco, filho de Odisseu; Anne Hathaway (Interestelar, Os Miseráveis) no papel de Penélope; Zendaya (Duna, Euphoria) como a deusa Atena; Robert Pattinson (The Batman, Mickey 17) interpretando Antínoo; e Charlize Theron (Mad Max: Estrada da Fúria, Atômica) vivendo a ninfa Calipso.

Também participam Lupita Nyong’o (Pantera Negra, Um Lugar Silencioso: Dia Um), Jon Bernthal (O Justiceiro, The Bear), Samantha Morton (The Walking Dead, Minority Report), Benny Safdie (Oppenheimer, Joias Brutas) e John Leguizamo (John Wick, Encanto), que interpretam figuras centrais da mitologia grega e acompanham Odisseu em diferentes momentos de sua trajetória.

Matt Damon passou por uma preparação física intensa para interpretar o protagonista. O ator perdeu peso, seguiu uma dieta rigorosa e deixou a barba crescer durante um ano. A decisão partiu do próprio Nolan, que preferiu evitar próteses para manter uma aparência mais natural em cena.

O projeto também representa um marco técnico na carreira do diretor. Com orçamento estimado em US$ 250 milhões, é o filme mais caro que Nolan já realizou e o primeiro totalmente registrado com câmeras IMAX de 70 mm. As gravações aconteceram entre fevereiro e agosto de 2025 em locações espalhadas por Marrocos, Grécia, Itália, Escócia, Islândia e Saara Ocidental, buscando cenários reais para reproduzir a dimensão da história.

Outro ponto que ajuda a explicar o interesse do público é a proposta do filme. Embora seja inspirado em um clássico da literatura, Nolan trata a mitologia de maneira mais física e dramática, concentrando a narrativa na sobrevivência de Odisseu, nos efeitos da guerra e na longa distância entre o herói e sua família. A fantasia está presente, mas serve como parte do percurso, e não como o centro da história.

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