“The Pitt” | Aclamado drama médico da HBO Max ganha reforço no elenco da 2ª temporada com Lawrence Robinson

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Desde que estreou em janeiro de 2025, The Pitt” vem dando o que falar. Misturando drama, adrenalina e muita humanidade, a série médica da Max conseguiu se destacar num gênero já bastante explorado, justamente por apostar em algo diferente: cada episódio acompanha uma hora dentro de um plantão de 15 horas no movimentado (e fictício) Pittsburgh Trauma Medical Hospital. E se a primeira temporada já foi um soco no estômago com momentos de tirar o fôlego, a segunda vem aí prometendo ainda mais intensidade — e romance também.

É isso mesmo. Segundo informações divulgadas com exclusividade pelo site Deadline, o ator Lawrence Robinson acaba de entrar para o elenco da segunda temporada. Ele vai interpretar Brian Hancock, um paciente doce, gentil e charmoso que dá entrada no hospital depois de se machucar jogando bola. O que poderia ser só mais um caso entre tantos acaba se transformando em algo maior — afinal, tem médica de olho no rapaz.

Quem é Lawrence Robinson?

Você pode até não reconhecer o nome de cara, mas Robinson vem construindo uma carreira sólida e sensível. Um dos seus papéis mais elogiados foi na minissérie Shelter Street, em que interpretava um pai enlutado, tentando seguir em frente depois de uma tragédia familiar. A crítica adorou, o público se emocionou e, agora, ele dá um novo passo ao entrar numa das séries mais comentadas do ano.

Robinson tem aquele tipo de presença que não precisa de muito para chamar atenção. Ele não faz estardalhaço, mas entrega personagens cheios de emoção e profundidade. E é exatamente esse tipo de atuação que combina com o estilo de The Pitt, que prioriza o realismo e as emoções contidas, mas poderosas.

Um elenco afiado e uma série que pega na veia

A série estreou com tudo no começo de 2025. Criada por R. Scott Gemmill, que tem no currículo produções como ER e NCIS: Los Angeles, a série chegou ao catálogo da Max com uma proposta ousada: mostrar o que acontece em um plantão de 15 horas no hospital, hora por hora. É quase como se cada episódio fosse uma peça de um quebra-cabeça — e ao final da temporada, você entende o tamanho da bagunça emocional que aquilo representa.

O elenco é daqueles que segura a barra com talento de sobra — e parte do sucesso da série vem justamente dessa mistura afiada entre veteranos e nomes em ascensão. Noah Wyle, que marcou uma geração como o Dr. John Carter em ER, retorna ao ambiente hospitalar com a mesma entrega, agora na pele do Dr. Michael “Robby” Robinavitch, um profissional calejado e respeitado. Ao lado dele, Tracy Ifeachor brilha como a Dra. Heather Collins, médica de coração firme e ética afiada, enquanto Patrick Ball entrega um Dr. Frank Langdon cheio de camadas e dilemas. Katherine LaNasa impõe presença como Dana Evans, diretora que equilibra burocracia e humanidade. Já o núcleo jovem — formado por Supriya Ganesh, Fiona Dourif, Taylor Dearden, Isa Briones, Gerran Howell e Shabana Azeez — traz frescor, diversidade e muita verdade nos conflitos pessoais e profissionais. Com esse time, cada cena pulsa com autenticidade, fazendo o espectador se importar de verdade com quem está ali, lutando entre a vida e a morte. A chegada de Lawrence Robinson promete adicionar ainda mais emoção, reforçando o que a série tem de melhor: pessoas que nos tocam mesmo nos momentos mais caóticos.

Uma estreia de impacto

Lançada em 9 de janeiro, o seriado chegou com dois episódios de cara e depois passou a ser exibida semanalmente até abril. A repercussão foi imediata. No Rotten Tomatoes, a série conquistou 93% de aprovação, com uma média de 7,8 entre os críticos. Já no Metacritic, a pontuação foi de 76, indicando que a crítica, em geral, ficou bastante satisfeita com o que viu.

E o romance? Vem aí?

Bom, tudo indica que sim. A presença de Brian Hancock deve mexer com o emocional de uma das médicas, ainda não se sabe qual. Talvez alguém que passou a temporada anterior fechada, distante, e agora encontre nesse paciente um motivo pra baixar a guarda. Ou talvez seja um daqueles casos que começa como distração e acaba virando transformação.

The Pitt já mostrou que sabe lidar com relacionamentos de forma madura. Não é uma série sobre casais fofinhos trocando olhares no corredor (nada contra, mas não é o foco aqui). Quando o afeto entra, ele entra com peso, com dilemas, com aquela tensão de quem sabe que tem vidas em jogo. Isso torna qualquer aproximação ainda mais carregada de significado.

O que esperar da segunda temporada?

A Max confirmou a renovação no dia 14 de fevereiro de 2025, e desde então os fãs vêm especulando o que vem por aí. A temporada anterior terminou com vários ganchos — um caso de transplante que mexeu com todos, a saída inesperada de um médico, decisões éticas controversas… Muita coisa ficou no ar.

Netflix anuncia “Guerreiras do K-Pop” como sua animação original mais assistida

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Quando o universo da música pop encontra a fantasia de um mundo habitado por caçadores de demônios, o resultado é algo único e inesquecível. Essa é a essência de Guerreiras do K-Pop, a animação original da Netflix que, desde seu lançamento em 20 de junho de 2025, não para de bater recordes e arrebanhar fãs ao redor do globo. Com 61,1 milhões de visualizações oficiais, o longa tornou-se o filme de animação original mais assistido da plataforma, superando marcas consolidadas e conquistando um espaço especial no coração dos espectadores.

Um fenômeno que vai além da tela

O sucesso de Guerreiras do K-Pop vai muito além da quantidade impressionante de visualizações. O filme alcançou com facilidade a atenção da crítica, da indústria do entretenimento e, principalmente, do público jovem, que vê ali um reflexo de suas próprias batalhas e sonhos. O título une o encanto da cultura pop coreana com uma trama envolvente, carregada de emoção, ação e, claro, muita música.

Por trás dessa produção vibrante está a Sony Pictures Animation, conhecida por seus projetos inovadores, e a Netflix, que reforça sua posição como plataforma que aposta na diversidade cultural e em histórias que dialogam com a atualidade global. O filme não apenas celebra o K-pop como fenômeno mundial, mas o reinventa em uma narrativa que mistura fantasia, mitologia e o poder transformador da música.

Nasce de uma paixão: a visão de Maggie Kang

A inspiração para o filme veio de uma vontade muito pessoal de Maggie Kang, diretora e co-roteirista da obra. Coreana-americana, Maggie desejava contar uma história que falasse sobre suas raízes de maneira autêntica, sem perder a universalidade que a cultura pop pode proporcionar. Em parceria com Chris Appelhans, Danya Jimenez e Hannah McMechan, ela criou um universo onde o K-pop se torna a arma mais poderosa contra o mal.

Essa busca por uma narrativa verdadeira e impactante levou a equipe a investir em uma animação que fizesse jus à riqueza visual dos shows de K-pop, à energia dos videoclipes e à delicadeza dos dramas coreanos. O resultado é uma estética única, que mistura iluminação de palco, fotografia editorial e a dinâmica característica dos animes japoneses.

Uma história que mistura fantasia, música e emoção

A trama se passa em um mundo onde o mal se manifesta em demônios que roubam as almas humanas para alimentar seu tirano, Gwi-Ma. Para conter essa ameaça, um trio de caçadoras de demônios, que ao longo das gerações usa o poder da voz para selar esses seres, mantém a barreira mágica chamada Honmoon. Hoje, essa missão é assumida pelo grupo feminino de K-pop Huntr/x, composto por Rumi, Mira e Zoey.

Enquanto brilham nos palcos com coreografias impecáveis e músicas contagiantes, as meninas vivem uma vida dupla como caçadoras de demônios. Mas o segredo mais difícil de Rumi guardar é sua própria origem: meio demônio, ela teme que essa verdade possa destruir tudo o que construíram.

Quando a rivalidade com a boy band demoníaca Saja Boys começa a ameaçar a segurança da barreira e a estabilidade do mundo, Rumi é forçada a confrontar seus medos, seu passado e sua verdadeira identidade. É uma narrativa carregada de temas profundos, como a vergonha cultural, a aceitação e a força da amizade.

Personagens complexos para uma geração que busca identificação

Um dos grandes acertos do filme está no elenco de vozes que dão vida a esses personagens tão ricos. Arden Cho, conhecida por suas atuações em séries de sucesso como Chicago Med e Teen Wolf, interpreta Rumi, a líder vocal do Huntr/x. Sua voz consegue transmitir a dualidade da personagem, dividida entre seu lado humano e demoníaco, enquanto sua voz de canto, feita por Ejae, dá o brilho necessário às cenas musicais.

May Hong, Audrey Nuna, Ji-young Yoo, Rei Ami e Andrew Choi completam o grupo, cada um trazendo sua personalidade e talento para compor o trio principal e seus antagonistas, como Ahn Hyo-seop no papel de Jinu, líder da boy band rival. O passado complexo de Jinu adiciona camadas de drama e empatia ao personagem, rompendo com clichês do “vilão unidimensional”.

Outro destaque do elenco são nomes como Yunjin Kim, Ken Jeong e Daniel Dae Kim, que interpretam personagens coadjuvantes essenciais, equilibrando humor, mistério e emoção na narrativa.

A diversidade do elenco e o envolvimento de dubladores e cantores de várias origens refletem a vontade da produção de fazer algo culturalmente rico, acessível e, ao mesmo tempo, fiel às suas raízes coreanas.

A música como alma do filme

Não seria exagero dizer que a trilha sonora de Guerreiras do K-Pop é protagonista tanto quanto os personagens. Com composições originais do renomado Marcelo Zarvos, o filme mistura pop, hip-hop e baladas de uma forma que amplifica a emoção e o ritmo da história.

Músicas como “Golden” e “Takedown” são mais que faixas para embalar cenas; elas são armas narrativas, que impulsionam o desenvolvimento dos personagens e das relações entre eles. O sucesso da trilha sonora nas paradas da Billboard, Spotify e outras plataformas comprova o impacto da produção no cenário musical atual.

Esse casamento perfeito entre imagem e som elevou o filme a um patamar de sucesso multidimensional — não apenas entretendo, mas criando uma experiência sensorial completa.

O legado de uma produção que respeita e inova

O cuidado com que a equipe de criação abordou o projeto desde seu início, em 2021, é visível em cada detalhe. O desafio de contar uma história tão culturalmente específica para um público global foi enfrentado com respeito, pesquisa e muita paixão.

A Sony Pictures Animation, com sua experiência em filmes inovadores como Homem-Aranha no Aranhaverso, trouxe um alto padrão técnico e criativo. A Netflix, por sua vez, deu o suporte necessário para que a produção tivesse alcance internacional, reforçando seu compromisso com narrativas diversas e inclusivas.

O resultado não é apenas um filme de entretenimento, mas um marco para a indústria da animação e para a representação cultural na mídia.

Aclamado por crítica e público

Desde sua estreia, a recepção foi esmagadoramente positiva. Críticos destacaram a qualidade da animação, o roteiro equilibrado entre ação e emoção, a profundidade dos personagens e, claro, a trilha sonora que conquistou as paradas musicais.

Fãs da cultura coreana, do K-pop e da animação encontraram na obra uma produção digna e emocionante. Além disso, o filme atingiu audiências que normalmente não estariam tão próximas, aproximando mundos e fortalecendo pontes culturais.

Por que você precisa ver essa animação?

Se você gosta de histórias com protagonistas femininas fortes, música envolvente e temas atuais, este filme é para você. Ele combina batalhas épicas e dilemas pessoais com a energia contagiante do K-pop, criando uma experiência única que fica na memória e no coração. Mais que um entretenimento, é um convite para refletir sobre quem somos, de onde viemos e o poder que temos para superar nossos medos.

“Sr. Blake ao Seu Dispor” | John Malkovich retorna aos cinemas em drama delicado sobre luto, recomeços e afeto inesperado

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Um novo capítulo na carreira de John Malkovich (Quero Ser John Malkovich, Império do Sol) está prestes a chegar aos cinemas brasileiros. O aclamado ator norte-americano, conhecido por suas performances intensas e marcantes, protagoniza “Sr. Blake ao Seu Dispor”, uma delicada comédia dramática de origem francesa que estreia por aqui no dia 18 de setembro. Com direção de Gilles Legardinier, a produção combina o humor sutil europeu com um olhar profundamente humano sobre a solidão, a perda e a redescoberta do afeto em meio ao inesperado. Confira abaixo o pôster revelado pelo site Omelete.

Uma viagem que vira ponto de virada

A trama gira em torno de Andrew Blake, um empresário britânico viúvo que, desde a morte da esposa, Diane, vive à deriva. Em busca de alguma conexão com o passado, ele decide embarcar para a França — mais precisamente, para a região onde viveu momentos inesquecíveis ao lado dela. A intenção inicial é apenas revisitar memórias e, quem sabe, encontrar algum conforto. No entanto, os planos saem do trilho: ao chegar, Blake acaba assumindo o papel de mordomo numa imponente mansão comandada pela excêntrica Madame Beauvillier (interpretada por Fanny Ardant).

Ali, cercado por uma equipe tão peculiar quanto cativante — a cozinheira Odile (Émilie Dequenne), o teimoso caseiro Philippe (Philippe Bas) e a jovem empregada Manon (Eugénie Anselin) —, o protagonista mergulha em uma rotina completamente fora da sua zona de conforto. O que era para ser uma estadia breve se transforma num aprendizado profundo sobre convivência, empatia e, principalmente, sobre a capacidade de renascer mesmo quando tudo parece perdido.

Um elenco afinado com o tom intimista da narrativa

Além de John, que entrega uma atuação contida e sutilmente melancólica, o elenco reúne nomes expressivos do cinema europeu. Fanny Ardant (8 Mulheres, A Mulher do Lado), uma das figuras mais icônicas do cinema francês, adiciona imponência e elegância à sua personagem. Émilie Dequenne (Rosetta, A Garota no Trem), premiada em Cannes em 1999, traz uma presença calorosa e espirituosa no papel da cozinheira. Completam o time Philippe Bas (Perfume da Memória), Eugénie Anselin (Colônia), Al Ginter (Tenet), Anne Brionne (O Segredo do Lago) e Christel Henon (Além das Palavras), em atuações que ajudam a costurar, com precisão, os tons de drama e leveza propostos pelo roteiro.

Bastidores e cenários que ampliam a experiência

As filmagens aconteceram em locações encantadoras da Bretanha francesa, incluindo o imponente Château du Bois-Cornillé, além de trechos rodados em Londres, o que adiciona à história uma atmosfera entre o clássico e o contemporâneo. O cenário da mansão, com seus jardins e salões majestosos, não é apenas um pano de fundo estético: ele atua como personagem silencioso, carregado de simbolismo — um lugar de memórias e, ao mesmo tempo, de novas possibilidades.

A produção começou a ser rodada no início de 2022 e entrou em pós-produção em maio do mesmo ano. Desde então, tem chamado atenção por onde passa. O filme teve sua première mundial no Festival de Cinema de Newport Beach, nos Estados Unidos, em outubro de 2023, e chegou aos cinemas franceses em novembro do mesmo ano. Em junho de 2024, foi exibido no Festival de Cinema Francês da Polônia, ampliando sua presença em festivais europeus.

Uma história sobre recomeçar, sem alarde

O roteiro, adaptado de um best-seller francês escrito pelo próprio diretor Gilles Legardinier, não busca grandes reviravoltas ou catarse emocional. Ao contrário, a força da narrativa está na simplicidade dos gestos, no afeto que se constrói aos poucos, no humor que nasce do cotidiano. Andrew Blake, ao se ver rodeado por pessoas tão frágeis quanto ele — cada uma com suas dores e dilemas —, reencontra no outro aquilo que pensava ter perdido para sempre: um sentido para seguir em frente.

A dinâmica entre os personagens oferece ao espectador uma paleta de emoções sutis, mas intensas. O filme propõe um olhar generoso sobre as relações humanas, fugindo de fórmulas fáceis e apostando na sensibilidade das interações. É o tipo de história que aquece aos poucos, como uma xícara de chá numa tarde fria — conforto, familiaridade e acolhimento em forma de cinema.

Expectativa para o público brasileiro

O longa chega aos cinemas do Brasil com a promessa de tocar corações de quem já enfrentou o luto, sentiu-se deslocado ou precisou se reinventar diante das adversidades. O carisma de Malkovich, aliado à leveza da produção, deve atrair um público que aprecia narrativas mais introspectivas e humanizadas.

Quem deve assistir o filme?

Para quem busca um filme capaz de emocionar sem ser melodramático, fazer rir com delicadeza e, acima de tudo, inspirar novas formas de enxergar a vida, o novo longa é uma bela pedida. Mais do que um drama sobre perdas, é uma celebração do inesperado, da amizade e da coragem de se abrir para o novo — mesmo quando tudo parece já ter se encerrado.

“Cais” cruza fronteiras e estreia nos EUA: documentário brasileiro ganha espaço no BlackStar Film Festival, na Filadélfia

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O coração de uma filha enlutada encontra espaço para respirar entre as margens de dois rios, nos interiores da Bahia e do Maranhão. Foi assim, em um movimento delicado de escuta e travessia, que nasceu “Cais“, o filme de Safira Moreira que estreia no próximo dia 31 de julho nos Estados Unidos, integrando a programação do BlackStar Film Festival, na Filadélfia.

A sessão será realizada às 19h (horário local) no Suzanne Roberts Theatre, marcando a abertura da mostra de longas-metragens do festival, que se tornou referência global por celebrar criações audiovisuais de artistas negros e racializados. A exibição internacional consolida o impacto do longa, que já havia arrebatado três importantes prêmios no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba: escolha do júri oficial, da crítica e do público.

Quando a ausência guia o caminho

O que impulsiona a diretora à frente da câmera não é a vontade de contar uma história linear. É o desejo, íntimo e silencioso, de compreender a ausência de sua mãe, Angélica, falecida dois meses antes do início das filmagens. Em vez de parar, Safira decidiu partir: cruzou o Rio Paraguaçu, na Bahia, e o Rio Alegre, no Maranhão, em uma busca não por respostas, mas por sinais, por memórias vivas nas pessoas, nos rostos, nas águas e nas paisagens que a cercavam.

Esse percurso revela um cinema sensível, onde o tempo não é cronológico, mas emocional. A diretora se permite sentir antes de narrar, captando com delicadeza os detalhes que a maioria não vê: o modo como alguém olha para o rio, o silêncio entre duas frases, a forma como uma lembrança escapa de quem tenta contê-la. Cais se constrói assim: na borda entre o visível e o que se carrega por dentro.

Uma escuta que transcende o individual

Ainda que parta de uma experiência íntima, o filme atinge algo coletivo. Safira Moreira convida o público a atravessar com ela esse processo, não com explicações, mas com presença. O impacto disso foi sentido com intensidade em Curitiba, onde o longa foi exibido pela primeira vez. Plateias emocionadas permaneceram em silêncio após os créditos finais — como se o filme pedisse um tempo para ser absorvido antes que qualquer palavra pudesse quebrar sua vibração.

E não é por acaso que Cais encontra acolhimento em um festival como o BlackStar. Criado em 2012, o evento se tornou símbolo de resistência e visibilidade para produções independentes criadas por cineastas negros e indígenas. A escolha de exibir o filme logo no primeiro dia do festival evidencia o reconhecimento internacional de uma narrativa que, mesmo profundamente enraizada no Brasil, ecoa além das fronteiras geográficas.

Uma rede por trás do filme

Por trás da potência emocional da obra, existe uma equipe alinhada com os mesmos valores de escuta, cuidado e representatividade. A produção executiva ficou a cargo de Flávia Santana, e o filme é fruto da colaboração entre a baiana Mulungu Realizações Culturais, a Omnirá Filmes e a Giro Planejamento Cultural.

A Mulungu, com sede em Salvador, tem desempenhado um papel fundamental no fortalecimento do audiovisual protagonizado por mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+. Seu portfólio reúne títulos como “Como Nasce um Rio”, “Menarca”, “Receba!” e a produção internacional “Mulheres Negras em Rotas de Liberdade”, que reúne nomes como Sueli Carneiro, Conceição Evaristo, Luedji Luna, Erica Malunguinho, Mirtes Renata e Carla Akotirene.

A realização do projeto também foi possível graças a incentivos de destaque no cenário nacional e internacional, como o Rumos Itaú Cultural, o Fundo Avon Mulheres no Audiovisual (FAMA) e o prestigiado Sundance Documentary Fund, que reconheceu o valor e a originalidade da obra ainda em fase de desenvolvimento.

Safira Moreira e a construção de um cinema com alma

O trabalho de Safira já havia chamado atenção em “Travessia”, curta-metragem de 2017 no qual ela refletia sobre a ausência de fotografias de famílias negras em acervos públicos e privados no Brasil. Em seus filmes, a diretora parece sempre propor a mesma pergunta: o que acontece com a memória quando ela não pode ser vista?

Com Cais, essa questão se transforma. Agora, a memória não precisa ser visual para existir — ela pulsa nas águas, nos gestos herdados, nos rostos que lembram outros rostos. A câmera de Safira não busca o espetáculo. Ela prefere o murmúrio, o sopro, o resíduo que fica depois que o momento já passou.

Seu cinema é o da escuta e da espera. E isso, em tempos acelerados, se torna revolucionário.

O que o público leva consigo

Não é exagero dizer que muitos espectadores deixam a sala de exibição diferentes de como entraram. O filme não oferece uma catarse imediata, mas convida à introspecção. Há quem lembre da própria mãe, da avó, da infância. Há quem se reconheça no silêncio da diretora, na fluidez dos rios, na tentativa de reorganizar o mundo interno depois de uma perda.

Ao fim, Cais entrega muito mais do que uma narrativa: entrega uma experiência sensorial. Seu maior valor talvez esteja em tudo que não é dito. No tempo que se leva para compreender o que foi sentido. E nos ecos que o filme deixa mesmo depois de encerrada a sessão.

Um porto seguro para histórias que resistem

A estreia em solo americano marca não apenas a conquista de um espaço no circuito internacional, mas também a confirmação de que o cinema brasileiro tem, sim, histórias urgentes a serem ouvidas — especialmente quando contadas por mulheres negras, com autonomia estética, política e emocional.

Safira Moreira representa essa geração que filma a partir do próprio corpo, da própria história, da própria escuta. E o filme que ela oferece ao mundo agora atravessa o oceano não como produto, mas como ritual. Um gesto íntimo que encontra abrigo no outro. Um barco que carrega saudade, mas também possibilidade de reencontro.

Na Tela de Sucessos desta sexta (01/08), SBT mergulha no suspense com “Do Fundo do Mar 2”

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Na próxima sexta-feira, 1º de agosto, o SBT exibe um dos thrillers aquáticos mais comentados dos últimos anos na sua “Tela de Sucessos”: Do Fundo do Mar 2 (Deep Blue Sea 2), sequência espiritual do cultuado longa lançado em 1999. Com direção de Darin Scott e protagonizado por Danielle Savre e Michael Beach, o filme mergulha em águas perigosas onde a ciência se transforma em ameaça, e a sobrevivência passa a ser a única missão possível.

Com pouco mais de 1h30 de duração, a produção entrega ação, tensão e um alerta que reverbera além da ficção: até onde a humanidade está disposta a ir quando o lucro e o ego se sobrepõem à ética científica?

O retorno ao terror das profundezas

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, o filme começa como uma visita de rotina a uma instalação científica localizada abaixo da superfície do oceano. Lá, conhecemos a Dra. Misty Calhoun (interpretada com intensidade por Danielle Savre), uma especialista em preservação marinha e pesquisadora dedicada ao estudo dos tubarões. Convidada pelo misterioso bilionário Carl Durant (Michael Beach) para atuar como consultora em um projeto sigiloso, Misty é atraída pela promessa de um avanço científico: a ideia de utilizar anticorpos de tubarões como chave para o tratamento de doenças humanas.

Mas rapidamente essa proposta idealista se mostra apenas a superfície de algo muito mais sombrio. O que Misty descobre ao chegar na base submersa é alarmante: Durant está conduzindo experimentos com tubarões-cabeça-chata — espécies notoriamente imprevisíveis e agressivas — geneticamente modificados para se tornarem mais inteligentes, rápidos e mortais.

Aos poucos, o espectador é conduzido por uma espiral de horror tecnológico. A cada cena, fica mais evidente que os limites da ética foram deixados para trás, substituídos por uma obsessão com o poder, o controle e a ideia de dominação por meio da engenharia genética. O que era para ser uma missão científica se transforma em um jogo mortal de sobrevivência.

Carl Durant: o vilão contemporâneo

Interpretado com presença marcante por Michael Beach, Carl Durant é o típico antagonista moderno. Inteligente, carismático e convicto de suas ideias, ele não se vê como um vilão. Ao contrário, acredita estar à frente de seu tempo.

Durant representa uma figura cada vez mais comum na ficção contemporânea: o magnata da tecnologia movido por um narcisismo intelectual, que acredita ter todas as respostas e o direito de brincar de Deus. Seus experimentos com os tubarões modificados não têm limites morais. Para ele, o sofrimento de outras espécies — e até de seres humanos — é apenas um efeito colateral de um bem maior: o progresso.

Michael Beach, veterano de séries e filmes de ação e drama, consegue dar profundidade ao personagem, evitando caricaturas. Seu Durant é complexo, inquietante e, acima de tudo, humano em sua falibilidade, o que o torna ainda mais perigoso.

Danielle Savre e uma heroína realista

Do outro lado dessa equação moral está Misty Calhoun, vivida por Danielle Savre — atriz que já demonstrou versatilidade em séries como Station 19. Sua performance em Do Fundo do Mar 2 é marcada por uma entrega física e emocional que confere credibilidade à personagem.

Misty não é uma heroína com superpoderes. Ela é uma cientista, movida por ética, empatia e racionalidade. Quando se vê encurralada em um ambiente claustrofóbico e hostil, sua força não está em armas ou explosões, mas na inteligência, no conhecimento sobre os animais e na resistência diante do absurdo.

A atriz consegue equilibrar o lado técnico da personagem com a vulnerabilidade necessária para que o público se identifique com ela. Misty é alguém que luta não só pela própria sobrevivência, mas pela preservação da vida marinha — mesmo diante da morte.

O terror subaquático como crítica social

Embora seja um filme de entretenimento, repleto de cenas de ação, tensão e criaturas assassinas, Do Fundo do Mar 2 também convida o público à reflexão.

Assim como outros filmes do subgênero “terror científico”, como Esfera, O Enigma do Horizonte ou o próprio primeiro Do Fundo do Mar, esta continuação expande o debate sobre os limites da ciência e os perigos de ultrapassá-los sem responsabilidade.

A ideia de manipular a genética de tubarões — animais já naturalmente poderosos e imprevisíveis — para potencializar suas habilidades é uma metáfora para o desequilíbrio da relação entre ciência e ética. A mensagem é clara: quando o conhecimento é usado apenas como instrumento de poder, o resultado é o caos.

Ambientação claustrofóbica e cenas impactantes

Grande parte da tensão do longa-metragem vem de sua ambientação. A base subaquática onde se passa a maior parte da trama é opressiva, cheia de corredores estreitos, portas automáticas que podem trancar a qualquer momento e sons constantes de água e metal se comprimindo.

A sensação de confinamento, somada à ameaça invisível dos tubarões espreitando pelas janelas e túneis de acesso, cria um ambiente de paranoia crescente. A qualquer momento, tudo pode ruir — literalmente.

A direção de Darin Scott aposta em planos fechados e câmeras em movimento para transmitir a instabilidade emocional dos personagens e a insegurança do ambiente. As cenas de ataques são bem coreografadas, equilibrando sustos com efeitos especiais relativamente modestos, mas eficientes.

O destaque vai para uma sequência em que os personagens precisam atravessar um corredor parcialmente inundado, sabendo que há algo à espreita. A tensão é real, construída sem pressa, e culmina em um momento de brutalidade surpreendente.

Uma sequência que não tenta superar o original, mas segue outro caminho

Lançado em 1999, o primeiro Do Fundo do Mar conquistou o público com uma mistura inusitada de suspense, ação e cenas memoráveis — como o ataque repentino que levou um dos protagonistas no meio de um discurso inspirador.

A sequência de 2018, no entanto, não tenta emular completamente o estilo do original. Ela caminha por sua própria trilha, mais voltada ao terror psicológico e à crítica tecnológica. Ainda que não tenha o mesmo impacto cultural, Do Fundo do Mar 2 consegue manter o espírito de perigo constante, enquanto atualiza o enredo para dialogar com os medos contemporâneos: inteligência artificial, manipulação genética, ganância corporativa e negligência científica.

Um elenco eficiente e funcional

Além de Savre e Beach, o elenco conta com Rob Mayes como Trent, um dos técnicos de segurança da base; Kim Syster como a corajosa Leslie; e Darron Meyer como Craig, um cientista dividido entre a lealdade à pesquisa e o medo crescente do que está por vir.

Embora os personagens secundários não sejam tão desenvolvidos, cada um cumpre bem seu papel no jogo de tensão da narrativa. As interações entre eles ajudam a construir o senso de urgência e a noção de que qualquer um pode não sair vivo dali.

Frank Grillo entra em cena em “Pacificador” com sinceridade, suor e bom humor: “Fui um guerreiro”

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Quando você pensa em Frank Grillo, a última coisa que vem à mente é uma coreografia sincronizada ao som de glam rock dos anos 80. A gente imagina o cara socando vilões, perseguindo bandidos, explodindo coisas e mantendo o olhar sério em cenas de ação, não girando os bracinhos em ritmo de música. Mas foi exatamente isso que aconteceu — ou quase — nos bastidores da segunda temporada de “Pacificador“, a série da DC que conseguiu o improvável: fazer todo mundo se importar com um herói babaca, cheio de problemas e vestindo um capacete ridículo.

De acordo com informações do Entertainment Weekly, durante o evento Comic-Con, Grillo contou sem nenhum filtro que a ideia de dançar na abertura da nova temporada não o deixou nem um pouco animado. “Sou péssimo nisso”, confessou, com aquele tom de sinceridade que só alguém calejado por Hollywood e por muitos rounds de jiu-jitsu pode ter. E ele não estava sozinho: Tim Meadows, outro novato no elenco, também sofreu. “Eu fui horrível. Todo mundo achou que eu seria bom, e não quero nem dizer o porquê”, disse, rindo — e deixando no ar um mistério que só o elenco parece entender.

James Gunn, o cérebro por trás da série (e agora chefão do universo DC), não perdoou: “Ele é um péssimo dançarino. Mas foi um guerreiro!”. E pronto: estava armado o clima de zoeira e camaradagem que parece definir os bastidores desse novo ano da produção.

Menos glamour e mais insanidade

Pra quem ainda não mergulhou nesse universo bizarro, a trama não é só mais uma série de super-herói. Longe disso. É uma mistura de tiroteio, piada de mau gosto, drama familiar mal resolvido, trilha sonora nostálgica e personagens que você ama odiar — e depois simplesmente ama. Estrelada por John Cena (num papel que, convenhamos, nasceu pra ele), a série surgiu como um spin-off de O Esquadrão Suicida e acabou ganhando vida própria.

O personagem principal, Christopher Smith, é um sujeito que acredita em alcançar a paz a qualquer custo. Literalmente. Se precisar matar meia dúzia no caminho, tudo bem. O cara é como um Rambo com consciência zero e coração escondido em algum lugar bem fundo — que, aos poucos, vai aparecendo. No meio do sarcasmo, da ação exagerada e dos dilemas existenciais, Pacificador conseguiu ser original, engraçada e surpreendentemente emocional.

E agora, com a estreia da segunda temporada marcada pro dia 21 de agosto, os fãs mal conseguem conter a ansiedade. Afinal, além do retorno dos personagens já queridos (como Harcourt, Adebayo, Vigilante e Economos), ainda teremos a adição de rostos novos, como Frank Grillo, que promete agitar — e muito — essa nova fase.

Grillo na dança e no tapa

A verdade é que ver Frank Grillo dançando já seria um evento à parte. Mas ele não veio só pra isso. O ator entra na série com o peso de uma carreira cheia de testosterona. Ele já foi antagonista em filme chinês bilionário (Lobo Guerreiro 2), vilão da Marvel (Capitão América: O Soldado Invernal), protagonista em filmes como The Purge: Anarchy, e ainda arrumou tempo pra fazer séries marcantes como Kingdom e Billions.

Se você o viu em cena, sabe: ele é daqueles que chegam botando pressão. Sempre com cara de quem acabou de sair de uma luta ou tá prestes a entrar em uma. Nascido e criado no Bronx, Grillo é ítalo-americano raiz. Começou a lutar cedo, estudou com Rickson Gracie, virou faixa-marrom de jiu-jitsu e quase virou executivo de Wall Street antes de a vida dar uma guinada num comercial de cerveja.

Agora, aos quase 60 anos (acredite, ele não aparenta), Grillo mostra que ainda tem fôlego — mesmo que não tenha tanto ritmo na dança. “Foi estranho, mas divertido. E o Tim, coitado, sofreu mais que eu”, brincou ele, mostrando que entrou no espírito da coisa. E esse é justamente o segredo da série: não se levar a sério demais.

A abertura que virou lenda

Vale lembrar que a abertura da primeira temporada virou um fenômeno. A coreografia ridícula, feita com todo mundo sério e duro como estátua, ao som de “Do Ya Wanna Taste It?” da banda Wig Wam, viralizou. Virou TikTok, virou cosplay, virou festa temática. E James Gunn, sabendo do impacto, decidiu repetir a dose na nova temporada — só que agora com mais gente e mais caos.

A proposta, segundo o próprio diretor, nunca foi dançar bem. Era parecer esquisito mesmo. Um jeito de dizer: “Aqui não tem glamour. Aqui tem bizarrice.” E deu certo. Quando você vê John Cena dançando com a expressão de quem está pagando uma promessa, entende que Pacificador não está tentando se encaixar em nenhum molde de super-herói tradicional.

E agora, com Grillo e Meadows entrando pra essa dança esquisita, a promessa é de mais vergonha alheia e diversão.

Bastidores de um universo em expansão

A série é mais um fruto do casamento entre James Gunn e a HBO Max (agora só Max), numa fase de reorganização do universo DC. Gunn escreveu todos os episódios da primeira temporada durante a pandemia, no meio da pós-produção de O Esquadrão Suicida, e filmou a série em Vancouver. O resultado foi uma produção enxuta, criativa e com personalidade.

Além disso, a série serviu como um laboratório pro estilo que Gunn quer implementar no novo DCU, do qual ele agora é o comandante-mor. A série não tem medo de mexer com temas pesados: abuso paterno, lealdade cega, fanatismo político e emocional. Tudo isso embalado em piadas escatológicas e violência estilizada.

É esse equilíbrio entre escracho e profundidade que tornou a série um sucesso. E a nova temporada promete manter — ou até exagerar — essa pegada.

John Cena no centro do furacão

John segue como o coração (e o músculo) da série. O ex-lutador de WWE mostrou um timing cômico surpreendente e uma entrega emocional que ninguém esperava. Seu Pacificador é arrogante, impulsivo e, às vezes, detestável — mas também carrega um peso emocional que o torna mais real do que muita gente vestida de capa por aí.

Na primeira temporada, vimos ele confrontar seu passado tóxico, seus medos, suas perdas. E tudo isso sem perder a piada, o soco ou a dancinha. Na segunda temporada, o personagem parece pronto para encarar novas feridas e novos inimigos — inclusive internos. E, com Frank Grillo no elenco, pode apostar que vai ter porrada das boas.

Tim Meadows e o tempero da comédia

Outro reforço importante pro elenco é Tim Meadows, um veterano da comédia americana. Conhecido por anos de Saturday Night Live, ele entra com o charme do “tio engraçado que se mete em confusão”. E, pelo que ele mesmo contou, não foi nada fácil acompanhar a galera na tal abertura dançante. “Todo mundo achava que eu tinha talento, e eu decepcionei bonito”, disse, rindo de si mesmo.

E o que mais vem por aí?

Se os detalhes da trama ainda estão sendo guardados a sete chaves, o que já se sabe é que James Gunn continua no comando criativo da série, mesmo agora assumindo o leme de todo o universo DC. A temporada deve mergulhar ainda mais fundo nas consequências das escolhas do anti héroi, nos dilemas éticos (ou falta deles) e nas maluquices que só esse grupo de desajustados é capaz de viver.

A Max já prepara um esquema de divulgação pesado para o lançamento, e os fãs estão sedentos por qualquer teaser, pôster ou rumor. E com razão: depois de uma primeira temporada que ninguém esperava amar tanto, a expectativa agora é altíssima.

Haruka em carne e osso! Novo trailer do live-action de “Wind Breaker” revela lutas intensas

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Foto: Reprodução/ Internet

O novo trailer do aguardado live-action de Wind Breaker chegou com a força de um cruzado bem encaixado. Em quase dois minutos de vídeo, é possível vislumbrar o que a produção reserva: não apenas combates intensos e coreografias bem executadas, mas também novos personagens, dramas urbanos, dilemas juvenis e uma sensível transformação do protagonista. O teaser entrega mais do que ação — ele sinaliza uma história que vai além da superfície, onde as lutas externas se misturam a conflitos internos, e onde o barulho dos punhos esconde silêncios profundos. Tudo isso sob a direção precisa de Kentarō Hagiwara, que volta a trabalhar com juventudes desajustadas e complexas após projetos como Tokyo Ghoul e Blue Period. Abaixo, veja o vídeo divulgado:

Filmado entre fevereiro e abril deste ano em Okinawa, o longa encontrou nas ruas reais um cenário perfeito para dar vida ao universo urbano da trama. A produção chegou a alugar e redesenhar completamente um distrito comercial da cidade, transformando-o em Makochi — a cidade fictícia onde se passa a narrativa. A Warner Brothers apostou alto em autenticidade, substituindo fundos verdes por tijolos de verdade, letreiros artificiais por fachadas reais e figurantes digitais por pessoas de carne e osso. E essa escolha dá ao filme um tom palpável, quase documental, que amplia o alcance emocional da história.

O roteiro ficou nas mãos experientes de Yōsuke Masaike, vencedor do Prêmio da Academia do Japão, responsável por obras como Anime Supremacy! e A Girl & Her Guard Dog. Com seu estilo focado na transformação íntima de personagens e nos embates emocionais tanto quanto físicos, ele tem o desafio de adaptar uma história que nasceu como mangá e ganhou o coração de milhares de leitores por causa de seus dilemas humanos, não apenas por suas cenas de briga

Haruka e o vazio que se preenche aos poucos

Haruka Sakura não é o típico herói de histórias colegiais. Nem carismático, nem sociável, nem idealista. Ele é duro, calado, e parece carregar nos olhos um peso maior do que sua idade deveria permitir. Sempre à margem, aprendeu desde cedo que as pessoas julgam antes de escutar. E, diante de tanto julgamento, preferiu se calar — e lutar.

Mas em Furin High, escola que parece mais um campo de batalha urbano do que uma instituição de ensino, ele encontra algo que não esperava: acolhimento. A escola tem fama de abrigar delinquentes, mas a verdade é que ali está um grupo peculiar de jovens que usa a força para proteger a cidade de Makochi. Chamam-se “Bofurin” — não apenas um bando de valentões, mas uma irmandade que defende a comunidade das ameaças que rondam seus becos e avenidas.

Haruka chega com um único objetivo: ser o mais forte. Mas o que começa como uma busca egoísta se transforma em algo maior. Ao lutar ao lado dos colegas — e não contra eles — ele descobre algo que nunca experimentou: confiança mútua. Pela primeira vez, ele não precisa provar seu valor com agressividade. Basta estar presente. Em silêncio, ele percebe que existe mais coragem em proteger do que em atacar.

Da marginalidade ao reconhecimento

A jornada de Haruka não é uma fantasia de superação rápida. A cada episódio, a cada página, ele luta mais contra si mesmo do que contra os outros. A força física sempre foi seu escudo, mas agora ele precisa aprender a usar empatia, escuta e lealdade — armas muito mais difíceis de dominar.

É essa transformação que conquistou fãs desde o lançamento do mangá, em janeiro de 2021. Criada por Satoru Nii e publicada pela Kodansha na plataforma digital Magazine Pocket, a obra começou como um sucesso moderado, mas logo se espalhou como um segredo compartilhado entre leitores apaixonados por histórias intensas, mas com alma. Até junho de 2025, já somava 22 volumes encadernados e uma legião fiel de leitores que viram na trajetória de Haruka algo mais do que ação: viram um espelho.

Um sucesso que cruzou oceanos

A adaptação para anime, produzida pelo estúdio CloverWorks, estreou em abril de 2024 e durou até junho, com uma segunda temporada lançada no começo de abril deste ano. A recepção foi calorosa. O estilo de animação moderno e vibrante combinou perfeitamente com o dinamismo da história. Mas o que mais chamou atenção foi o cuidado com o desenvolvimento emocional dos personagens. Cada diálogo, cada expressão animada carregava nuances — e isso fez com que a obra ganhasse status de fenômeno, não apenas entre adolescentes, mas entre adultos que reconhecem o peso dos silêncios, das máscaras sociais e da busca por aceitação.

No Brasil, o mangá foi licenciado pela Panini em 2023 e já alcançou boas vendas e resenhas positivas. A identificação com os personagens foi imediata. Afinal, muitos brasileiros também conhecem o peso de crescer em cidades partidas, de encontrar apoio onde menos se espera e de sobreviver à base de resiliência.

A Okinawa transformada em Makochi

Para dar vida à cidade fictícia onde se passa a história, a produção não poupou esforços. Okinawa foi escolhida não apenas por sua paisagem urbana realista, mas também por sua alma. O distrito comercial alugado pela equipe foi completamente reconfigurado: placas foram trocadas, prédios envelhecidos artificialmente, grafites pintados por artistas convidados, e figurantes locais incluídos nas cenas. Em vez de recriar Makochi digitalmente, o filme a construiu no mundo real.

Esse cuidado traz uma camada extra à experiência do espectador. Ao ver Haruka correndo por ruas que parecem de verdade, ao assistir combates em becos com sujeira e rachaduras reais, há uma imersão quase tátil. E quando os personagens caem, se erguem ou se olham em silêncio, é possível sentir que estamos ali, como parte daquela cidade que sangra, pulsa e espera ser protegida.

As lutas dizem mais do que palavras

O novo trailer revelou também cenas inéditas de combate, com coreografias que prometem elevar o nível da ação. Mas não espere pancadaria gratuita. As lutas aqui têm peso narrativo. Cada soco, cada esquiva, cada queda carrega intenções, frustrações, memórias. A equipe de dublês e coordenadores de ação trouxe uma mistura de técnicas de rua com artes marciais tradicionais, construindo um estilo visual que é brutal, mas ao mesmo tempo coreografado com elegância.

O diretor Kentarō Hagiwara deixou claro, em entrevistas recentes, que o objetivo era fazer com que cada briga contasse uma história. “Lutar, nesse filme, é uma forma de se comunicar”, disse ele. “É uma linguagem que esses personagens dominam porque o mundo nunca os escutou. E agora, eles finalmente estão sendo ouvidos.”

O lado humano do caos

Para além da estética de lutas e da ambientação urbana impecável, o que mais chama atenção na adaptação é a intenção de mergulhar fundo nos dilemas humanos dos personagens. O grupo Bofurin é diverso: há o impulsivo, o introspectivo, o que ri demais para esconder a dor, o que não fala por medo de se expor. Cada um traz uma bagagem emocional que vai sendo desvelada aos poucos.

Haruka, o centro da narrativa, representa todos aqueles que foram rotulados cedo demais. Mas ao redor dele estão jovens que também precisam de aceitação, mesmo que usem a violência como armadura. É nesse ponto que a produção emociona — quando mostra que, às vezes, o maior ato de coragem é baixar a guarda.

Estreia, expectativas e futuro

A estreia está marcada para 5 de dezembro nos cinemas japoneses. Ainda não há confirmação oficial sobre distribuição internacional, mas especula-se que o filme chegue a streamings como HBO Max ou Netflix em 2026. A expectativa é alta, não apenas entre os fãs do material original, mas também entre cinéfilos atentos a adaptações cuidadosas e cheias de propósito.

Se a recepção for positiva, é bem possível que a história se desdobre em mais produções — talvez uma sequência, talvez uma série. Material não falta. O mangá segue em publicação ativa, e a base de fãs cresce a cada mês. O mundo criado por Satoru Nii é rico, atual e emocionalmente potente. Há muito mais a explorar.

“A Voragem” | HBO Max mergulha na selva da alma humana em nova série colombiana

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Foto: Reprodução/ Internet

Existe algo na selva que não pode ser explicado — só sentido. Um tipo de silêncio espesso, de verde que parece eterno, de calor que invade a alma. É nesse cenário ao mesmo tempo mágico e ameaçador que A Voragem, nova série da HBO Max, se desenrola. Mas engana-se quem acha que se trata apenas de mais uma aventura exótica. A série, inspirada na célebre obra do escritor colombiano José Eustasio Rivera, mergulha fundo nas contradições humanas e transforma um romance clássico de 1924 em uma experiência audiovisual intensa e atual.

Com uma primeira temporada de oito episódios — três já disponíveis na plataforma e os dois últimos programados para 7 de agosto —, A Voragem estreia com ambição e sensibilidade. Ao invés de apenas contar uma história, ela convida o espectador a atravessá-la, como quem caminha por dentro da mata fechada, tropeçando em emoções, conflitos e escolhas irreversíveis.

De Bogotá à floresta: uma fuga que vira provação

A série começa com um gesto de rebeldia. Arturo Cova, um poeta idealista interpretado com intensidade por Juan Pablo Urrego (Distrito Salvaje, El Patrón del Mal), foge da capital com Alicia (vivida pela expressiva Viviana Serna, de Narcos: México), uma jovem que se recusa a aceitar um casamento arranjado. A fuga romântica, impulsiva e cheia de promessas se transforma rapidamente numa viagem sem retorno.

Eles partem rumo aos llanos — as planícies colombianas — e depois penetram a selva amazônica, acreditando que encontrarão liberdade e paz longe da sociedade opressora. Mas o que os espera é uma realidade muito mais crua, onde a natureza, ao invés de acolher, engole. É nesse caminho que conhecem Clemente Silva, personagem vivido por Nelson Camayo, que dá voz e corpo a um homem forjado pelo sofrimento e pelas perdas que só a selva é capaz de impor.

Essa é, em essência, a espinha dorsal da trama: uma jornada em busca de um paraíso idealizado que, aos poucos, se revela um pesadelo profundo.

A selva não é só cenário. Ela é personagem.

Uma das maiores forças da série está em como ela retrata a floresta. Nada nela é pintado com cores de cartão-postal. O que vemos é uma natureza viva, imprevisível, e às vezes, francamente hostil. A selva aqui não é pano de fundo — ela reage, molda e transforma quem se atreve a atravessá-la. Ela é personagem central, silenciosa, mas presente o tempo inteiro.

A fotografia é um espetáculo à parte. Com planos que exploram a densidade das folhas, o vapor da terra molhada e a luz filtrada entre as copas, a série constrói uma atmosfera quase hipnótica. Os sons — de bichos, de água, de vento — são tão importantes quanto os diálogos. Tudo contribui para essa sensação de que estamos, junto com os personagens, sendo lentamente engolidos por algo maior do que nós.

O diretor Luis Alberto Restrepo, conhecido por trabalhos densos como La Ley del Corazón e Garzón, orquestra a narrativa com firmeza e sensibilidade. Ele não se apressa. Deixa que a selva dite o ritmo, que os silêncios falem tanto quanto as palavras.

Um clássico da literatura que ganha nova vida

Adaptar um livro como La Vorágine, com seu estilo rebuscado e seu caráter alegórico, não é tarefa fácil. José Eustasio Rivera escreveu a obra em tom de denúncia e poesia, combinando uma crítica feroz à exploração de trabalhadores na indústria do látex com uma profunda reflexão sobre a alma humana.

A série faz um trabalho cuidadoso ao respeitar esse espírito. Não se trata de uma transposição literal — e isso é uma virtude. A Voragem pega o núcleo emocional do livro e o transforma em drama visual. Os diálogos são mais acessíveis, os personagens têm mais nuances, e há um foco claro em tornar a história relevante para o público atual.

Ainda assim, há momentos em que o texto original ecoa. Frases que soam como poemas surgem em meio ao caos. E isso não acontece à toa. A produção teve consultoria literária e cuidou para que a adaptação não perdesse a alma da obra.

Amor, obsessão e liberdade

No centro da história está o casal Arturo e Alicia. Ele é apaixonado por liberdade, por ideias, por poesia — mas também por controle. Com o passar dos episódios, Arturo deixa de ser o herói romântico idealista e revela um lado possessivo, até mesmo violento. Já Alicia é a alma livre que paga um alto preço por não querer se submeter. O embate entre os dois é carregado de tensão emocional, e a atuação de Urrego e Serna sustenta cada reviravolta com autenticidade.

A presença de Clemente, por sua vez, funciona quase como um espelho do que Arturo pode se tornar. Ele é o retrato do homem que já enfrentou a floresta — e saiu quebrado, mas sobrevivente. Sua experiência traz densidade à narrativa e abre espaço para discussões sobre masculinidade, poder e redenção.

Tapete vermelho, emoção e resgate cultural

O lançamento da série foi celebrado com um evento especial em Bogotá, no último dia 24 de julho. O Teatro Colón recebeu elenco, equipe técnica, jornalistas e convidados especiais. Tapete vermelho, coquetel, discursos emocionados e muita expectativa marcaram a noite. Não era apenas uma estreia — era a chegada de um projeto que busca reconectar o público com um dos maiores símbolos da literatura colombiana.

A HBO Max apostou alto na produção, que também conta com produção executiva de Jorge López Abella, Rous Mary Muñoz e José Lombana. O plano de lançamento foi cuidadosamente pensado: os três primeiros episódios já estão disponíveis na plataforma; outros três estreiam na próxima semana; e os dois últimos serão lançados em 7 de agosto. A série também será exibida no canal TNT a partir de sábado, 26 de julho, sempre à meia-noite.

Uma série sobre o que nos move — e o que nos destrói

Assistir A Voragem é como entrar num terreno desconhecido. A cada episódio, o espectador é desafiado a abandonar certezas, a rever ideias sobre liberdade, civilização e amor. A narrativa não entrega respostas fáceis, mas provoca. Ao final, a pergunta que fica não é “o que aconteceu?”, mas sim “quem nos tornamos ao atravessar essa floresta?”.

A série fala sobre paixão, mas também sobre obsessão. Sobre fugir das amarras da sociedade, mas acabar prisioneiro dos próprios impulsos. E principalmente, sobre o que resta quando o mundo idealizado desmorona.

Para quem é essa série?

Essa não é uma série para quem procura ação frenética ou soluções rápidas. A Voragem exige tempo, atenção e entrega. É uma obra que conversa com quem gosta de literatura, de drama humano, de paisagens que falam e silêncios que gritam. Mas também é, curiosamente, uma porta de entrada para quem nunca leu Rivera. A série pode funcionar como convite à leitura do livro — ou até como substituto sensorial para quem prefere vivenciar histórias com os olhos e os ouvidos.

“O Agente Secreto” | Kleber Mendonça Filho transforma Recife no palco de um dos filmes mais esperados do ano

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Foto: Reprodução/ Internet

Tem filmes que não são apenas filmes. São reencontros. Fragmentos de vida que voltam à tona por meio da câmera, da música, do silêncio e, sobretudo, da memória. O agente secreto, novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, é um desses casos raros em que o cinema deixa de ser só entretenimento e se torna também um gesto de retorno, escuta e resistência.

No dia 10 de setembro, essa história começa seu percurso em solo brasileiro — e o local escolhido para esse pontapé inicial é simbólico e carregado de emoção: o Cinema São Luiz e o Teatro do Parque, dois espaços históricos no coração do Recife, serão os palcos simultâneos das primeiras exibições do filme. E não é por acaso. Fundado em 1952, o São Luiz foi restaurado recentemente e, além de acolher a estreia, também serviu como locação para o próprio longa. O Teatro do Parque, inaugurado em 1919, compartilha o mesmo fôlego de resistência e memória. Ambos se tornaram mais do que lugares: são guardiões da história afetiva da cidade.

Essas sessões inaugurais contarão com a presença do diretor Kleber Mendonça Filho, da produtora Emilie Lesclaux, da distribuidora Silvia Cruz e de boa parte do elenco estelar do filme, incluindo nomes como Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Tânia Maria, Carlos Francisco, Isabel Zuaa, Robério Diógenes e Laura Lufési. A pré-venda dos ingressos começa no dia 4 de agosto e, para quem conhece a força do cinema de Kleber, é bom garantir lugar logo: não há dúvidas de que será uma noite memorável para o Recife.

Recife como cenário, personagem e pulsação

O agente secreto se passa em 1977, período em que o Brasil vivia sob a sombra da ditadura militar. O protagonista Marcelo, interpretado por Wagner Moura, é um técnico em eletrônica que retorna à sua cidade natal, o Recife, após anos afastado. A busca por um recomeço, no entanto, se revela um mergulho em territórios instáveis — tanto na cidade quanto em sua própria alma. A trama se desenrola como um thriller político, tenso e atmosférico, mas sem perder a dimensão profundamente humana dos filmes de Kleber.

A escolha de ambientar a narrativa no Recife não é apenas geográfica. É existencial. A cidade não é pano de fundo — é corpo, tempo, cheiro, memória. Ela influencia as escolhas de Marcelo, suas angústias, suas fugas. O centro da cidade, com suas esquinas marcadas pelo abandono e pela beleza decadente, torna-se um espelho do próprio país naquele momento histórico.

Kleber, que já havia filmado o Recife com maestria em O som ao redor e Aquarius, volta a colocar a cidade no centro da discussão. E o faz sem idealizações: há beleza, mas também sujeira; há poesia, mas também tensão. É um Recife de carne e osso.

A estreia que é também um manifesto

Não é exagero dizer que o lançamento do filme no Cinema São Luiz e no Teatro do Parque tem um peso quase histórico. Em um Brasil onde cinemas de rua seguem fechando as portas e teatros são constantemente ameaçados por cortes de verba e abandono, reocupar esses espaços com uma obra que dialoga diretamente com o país e seu passado é, também, um ato político.

Kleber Mendonça Filho nunca escondeu seu compromisso com o cinema de resistência. Seja por suas escolhas estéticas ou por suas posturas públicas, ele é hoje uma das vozes mais potentes do audiovisual brasileiro. E nesse novo trabalho, a ideia de resistência aparece não só no conteúdo, mas na forma: ao estrear o filme nesses espaços emblemáticos, ele reafirma o valor da experiência coletiva da sala escura — aquela em que o público se emociona junto, em silêncio.

Além disso, o evento ganha contornos ainda mais emocionantes por acontecer na cidade onde tudo começou. Kleber nasceu e cresceu no Recife. Começou sua carreira como crítico, fez curtas-metragens experimentais e construiu sua filmografia de forma orgânica, quase artesanal, sempre com os pés fincados na cidade. O agente secreto, nesse sentido, é também uma volta para casa — mas uma volta crítica, inquieta, disposta a mexer nas feridas.

Um longa que já conquistou o mundo

Antes mesmo de estrear nos cinemas brasileiros, O agente secreto já coleciona prêmios e aplausos nos quatro cantos do mundo. O filme fez sua estreia mundial no Festival de Cannes, onde foi aclamado pela crítica e saiu com quatro prêmios importantes: Melhor Diretor, para Kleber Mendonça Filho; Melhor Ator, para Wagner Moura; o Prêmio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema; e o Prêmio Art et Essai, concedido pela AFCAE (Associação Francesa de Cinema de Arte).

Desde então, passou por festivais como o New Horizons, na Polônia; o Festival de Cinema de Sydney, na Austrália; o Cinéma Paradiso Louvre, na França, onde foi exibido ao ar livre nos jardins do museu; e mais recentemente, esgotou todas as sessões de pré-estreia em Portugal. O próximo passo da jornada internacional será o Festival de Toronto (TIFF), onde integra a cobiçada seleção Special Presentations — espaço dedicado a filmes com potencial artístico e impacto global.

O que torna tudo isso ainda mais impressionante é o fato de que o filme já tem lançamento garantido em nada menos que 94 países, incluindo gigantes como Estados Unidos, China, Coreia do Sul, México, Alemanha, Grécia, Índia, Nova Zelândia e Finlândia. A comercialização internacional está sendo feita pela MK2, uma das maiores distribuidoras da Europa, o que reforça o alcance da obra.

No Brasil, a estreia oficial está marcada para o dia 6 de novembro, em circuito comercial. Mas as exibições especiais — que começam por Recife — seguirão por outras capitais em setembro e outubro.

Uma rede de talentos por trás e diante das câmeras

O elenco de O agente secreto é um espetáculo à parte. Além de Wagner Moura, um dos atores brasileiros mais reconhecidos internacionalmente, o filme conta com nomes como Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Hermila Guedes, Carlos Francisco, Isabel Zuaa, Alice Carvalho, Tânia Maria, entre muitos outros. É um elenco diverso, comprometido, que entrega atuações densas e carregadas de subtexto.

E não é só na frente das câmeras que a força se revela. A produção é assinada por Emilie Lesclaux, parceira de Kleber desde os primeiros projetos, e é uma coprodução entre o Brasil (CinemaScópio), a França (MK Productions), a Holanda (Lemming Film) e a Alemanha (One Two Films). No Brasil, o filme será distribuído pela Vitrine Filmes, responsável por trazer ao público nacional alguns dos títulos mais relevantes do cinema contemporâneo. No exterior, os direitos foram adquiridos por distribuidoras de peso como NEON (nos EUA e Canadá) e MUBI (no Reino Unido, Irlanda, Índia e América Latina, com exceção do Brasil).

Mais que um filme, um convite ao olhar

Com O agente secreto, Kleber Mendonça Filho mais uma vez prova que é possível fazer cinema autoral e, ao mesmo tempo, impactante. O filme não oferece respostas fáceis, não cai em maniqueísmos. Ele provoca. Cutuca. Incomoda. E talvez por isso mesmo seja tão necessário.

Num país que insiste em esquecer, Kleber filma para lembrar. Filma para costurar as brechas da história com poesia, crítica e humanidade. E se o cinema ainda é uma forma de enxergar o mundo — e de transformar esse olhar em ação —, então O agente secreto chega na hora certa.

Elenco completo

Albert Tenório (Olho por Olho, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias), Alice Carvalho (O Som ao Redor, Bacurau, Marighella), Aline Marta (O Grande Circo Místico, O Outro Lado do Paraíso), Buda Lira (Cidade dos Homens, Dois Irmãos), Carlos Francisco (Tatuagem, Bacurau, Marighella), Edilson Silva (Bacurau, O Doutrinador), Enzo Nunes (Cidade Invisível), Erivaldo Oliveira (O Outro Lado do Paraíso), Fabiana Pirro (Bacurau), Fafá Dantas (Tatuagem), Gabriel Leone (Dom, Bacurau, Onde Está Meu Coração), Geane Albuquerque (Cidade Invisível), Gregorio Graziosi (Sessão de Terapia, Malhação), Hermila Guedes (O Auto da Compadecida, O Som ao Redor), Igor de Araújo (Sob Pressão), Isabel Zuaa (Bacurau, Marighella), Isadora Ruppert (Aruanas), Ítalo Martins (Malhação, Desalma), João Vitor Silva (Filhos da Pátria), Joalisson Cunha (Marighella), Kaiony Venancio (Cidade dos Homens), Laura Lufési (O Som ao Redor, Bacurau), Licínio Januário (Bacurau), Luciano Chirolli (Marighella), Marcelo Valle (Sob Pressão, Dom), Márcio de Paula (Bacurau), Maria Fernanda Cândido (O Outro Lado do Paraíso, A Muralha), Nivaldo Nascimento (Bacurau, Marighella), Robério Diógenes (Bacurau), Robson Andrade (Bacurau), Roney Villela (Bacurau), Rubens Santos (Marighella), Suzy Lopes (Amor de Mãe), Tânia Maria (Cinema Novo), Thomás Aquino (Bacurau, O Som ao Redor), Udo Kier (Melancolia, Drácula de Bram Stoker) e Wilson Rabelo (Marighella).

“Juntos” | Diamond Films libera pôster e trailer do filme que funde romance e horror corporal

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Foto: Reprodução/ Internet

Sabe aquela expressão “virar um só”? Normalmente usada por casais apaixonados, ela ganha um significado muito, mas muito mais literal — e grotesco — no novo filme de terror “Juntos”, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 14 de agosto. Mas não se engane: essa não é uma história de amor comum. É uma viagem intensa, perturbadora e cheia de sangue sobre o que acontece quando duas pessoas decidem se manter unidas a qualquer custo. Mesmo que isso custe sua identidade, sua sanidade e… seus próprios corpos.

Protagonizado por Alison Brie (Glow, Bela Vingança) e Dave Franco (Anjos da Lei, Vizinhos), que também são casados na vida real, o filme brinca com a intimidade do casal para explorar o lado mais sombrio da convivência e da codependência emocional. O resultado é uma mistura entre romance torto e horror visceral, que já está dando o que falar desde sua estreia no Festival de Sundance.

Dirigido por Michael Shanks — que aqui faz sua estreia na direção de longas — a trama de terror chega ao Brasil pelas mãos da Diamond Films, e se você é fã do gênero, essa história vai colar na sua cabeça. Literalmente.

Quando o amor não basta (e vira dor)

A premissa do filme parece simples: Millie, uma professora de inglês, e Tim, um músico tentando manter a carreira viva, deixam a cidade grande para começar uma nova vida no interior. É aquela ideia clássica do recomeço, da esperança de que a calmaria do campo vai salvar uma relação que já não anda lá essas coisas.

Mas o que deveria ser um novo capítulo se transforma em um conto grotesco de horror e confusão emocional. Logo nos primeiros dias, o casal se envolve em um acidente bizarro: caem em uma caverna durante uma tempestade e acordam com as pernas coladas por uma substância grudenta. Estranho? Sim. Mas só o começo.

Tim começa a agir de forma estranha, se sentindo atraído por Millie de maneira quase incontrolável, mesmo após um longo tempo de distanciamento entre eles. E quanto mais tentam retomar a normalidade, mais o corpo deles insiste em… fundir. Isso mesmo: pele com pele, os dois passam a literalmente se colar um ao outro. E o que deveria ser uma relação amorosa se transforma em algo quase parasitário.

Um filme que te suga para dentro da intimidade (e do caos)

É impossível assistir a produção americana sem se sentir desconfortável. Mas esse desconforto não vem só do sangue, das cenas de fusão corporal ou das imagens grotescas que povoam a tela. Ele vem, principalmente, do que o filme diz sobre nós, sobre a forma como amamos, e sobre a dificuldade de encontrar um equilíbrio entre estar com alguém e ainda ser você mesmo.

Ao colocar Alison Brie e Dave Franco no centro dessa história, o diretor não só aproveita a química real entre eles, mas também testa seus limites emocionais. A intimidade dos dois transborda para a tela, o que torna tudo ainda mais incômodo — especialmente quando eles estão tentando desesperadamente se desgrudar, com serras, gritos, lágrimas e tudo o mais.

Mais do que um filme de monstros, a obra é um filme sobre os monstros internos que criamos quando negligenciamos quem somos por causa de quem amamos.

Jamie, o vizinho bizarro e o culto da “unificação”

Nem só de Tim e Millie vive o filme. O personagem Jamie, interpretado pelo sempre surpreendente Damon Herriman, entra em cena como o vizinho que recebe o casal na nova cidade. Mas Jamie guarda segredos — e não são pequenos. A certa altura, ele revela ser fruto de uma fusão entre dois homens apaixonados que participaram de um estranho ritual naquela mesma caverna.

A revelação joga uma nova luz sobre tudo o que está acontecendo com o casal. E a coisa fica ainda mais sinistra quando Jamie começa a pressionar Millie a “completar o processo” com Tim. Afinal, segundo ele, é na fusão completa que reside o verdadeiro amor. Ou seria o verdadeiro fim?

O horror simbólico se torna literal. O amor que cola, que sufoca, que derrete identidades até sobrar apenas uma coisa nova, indefinida. Algo nem humano, nem completamente consciente — apenas um corpo, um amálgama.

Quando a intimidade vira prisão

Um dos pontos mais poderosos do filme é como ele trata a sexualidade. Em um momento especialmente desconcertante, Tim e Millie fazem sexo e acabam ficando colados pelas genitálias. Sim, a cena é tão bizarra quanto parece. E é justamente essa bizarrice que faz o espectador se questionar: até onde a fusão é consentida? Onde termina o desejo e começa a violência emocional?

Millie, inicialmente disposta a fazer o relacionamento funcionar, começa a perceber que está se perdendo nesse processo. Tim, por sua vez, flutua entre o desespero e o desejo de união, como se o trauma e a culpa o empurrassem para esse fim inevitável.

A direção cuidadosa de Michael Shanks não deixa espaço para interpretações simplistas. Tudo é ambíguo, desconfortável e emocionalmente complexo. O terror aqui não está só no grotesco físico, mas na fragilidade dos laços que nos unem — e na força brutal com que eles podem nos destruir.

Crítica social, terror e uma dança ao som de “2 Become 1”

A cena final do filme é, ao mesmo tempo, absurda e profundamente simbólica. Tim tenta se sacrificar cortando a própria garganta para impedir que Millie acabe como ele. Mas é tarde demais. Ferida, sangrando e emocionalmente dilacerada, ela aceita que talvez o único caminho possível seja a fusão.

E então eles dançam. Juntos. Ao som de “2 Become 1”, das Spice Girls. Sim, você leu certo. Uma balada pop dos anos 90 embala a união final desse casal em ruínas — agora, literalmente, um só ser.

É grotesco? Sim. Mas também é triste, bonito e melancólico. O que começa como um filme de terror termina como uma tragédia romântica corporal — um lembrete de que nem sempre o amor nos completa. Às vezes, ele nos consome.

Recepção explosiva e prestígio nos festivais

O longa-metragem estreou em janeiro no Festival de Sundance e imediatamente virou queridinho da crítica e do público. Com 98% de aprovação no Rotten Tomatoes e uma das maiores vendas do festival (a distribuidora Neon desembolsou US$ 17 milhões pelos direitos), o filme já chegou com status de “cult instantâneo”.

No Brasil, a Diamond Films aposta alto no lançamento, promovendo trailers legendados e dublados, pôsteres variados e uma estratégia que foca no público que gosta de terror com profundidade — tipo Jordan Peele encontra Cronenberg.

JUNTOS — ou solitários?

No fim das contas, o maior terror de Together talvez não seja o gore, o sangue ou os corpos derretendo um no outro. Talvez o pior seja a pergunta que o filme deixa no ar: estamos amando alguém… ou apenas tentando preencher um vazio nosso? Até onde vai a conexão e onde começa a destruição?

Se você já viveu um relacionamento onde sentiu que estava desaparecendo, onde sua identidade se perdeu em nome de uma convivência “em paz”, este filme vai te tocar fundo. E, talvez, te fazer repensar o que realmente significa estar — ou querer estar — junto.

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