A Hora do Mal | Nova cena intensa revela Julia Garner e Josh Brolin em confronto — e Benedict Wong completamente fora de si

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Se você estava esperando por mais pistas sobre “A Hora do Mal“, novo filme de terror do diretor Zach Cregger (Noites Brutais, Acompanhante Perfeita e Noite de Abertura), pode comemorar (ou se preparar para arrepiar os cabelos): uma nova cena foi divulgada e, além de deixar o clima ainda mais sinistro, traz Julia Garner, Josh Brolin e Benedict Wong no centro de um momento tenso, perturbador e inesperado.

A sequência inédita mostra Julia e Josh debatendo sobre o sumiço das crianças da trama — até que tudo muda. Sem aviso, Benedict Wong aparece do nada, correndo de forma descompassada, com o olhar perdido e o corpo completamente entregue a alguma força desconhecida. Sim, do mesmo jeitinho assustador que as crianças já tinham aparecido em outros teasers, quase como se fossem marionetes de algo maior.

Wong parte pra cima de Julia Garner, num ataque bruto e descontrolado. Mas Brolin intervém a tempo, interrompendo o que parecia ser um surto — ou uma possessão? A cena termina no auge da tensão, sem explicações, deixando só perguntas no ar. E a sensação de que o pior ainda está por vir.

Uma cidade, 17 crianças e um mistério sem respostas

A trama do longa-metragem é daquelas que grudam na mente e fazem a gente dormir de luz acesa. Tudo começa com o desaparecimento de 17 crianças de uma mesma sala de aula, em uma noite comum. Elas simplesmente fogem de casa na calada da madrugada, sem deixar qualquer sinal de sequestro, invasão ou violência. Apenas uma criança permanece. Por quê? Ninguém sabe.

A cidade, uma comunidade pequena e tradicional da Flórida, entra em colapso. Os pais se desesperam. As autoridades tateiam no escuro. E a cada dia que passa, os acontecimentos ganham contornos mais estranhos. Algo está profundamente errado — mas ninguém consegue apontar o quê.

Muito além de sustos: rituais, trauma e crítica social

O que A Hora do Mal promete entregar vai bem além de cenas assustadoras. O próprio diretor e roteirista Zach Cregger já deixou claro que o longa mergulha em múltiplas tramas interligadas, conectando o sumiço das crianças a temas espinhosos como corrupção policial, bruxaria, rituais de sangue, abusos religiosos e traumas geracionais.

Ou seja: o medo aqui não vem só do que está escondido no escuro, mas do que já está entranhado na sociedade — e dentro das pessoas.

Não por acaso, Cregger cita “Magnólia” (1999), de Paul Thomas Anderson, como inspiração. Um filme que costura diferentes histórias, cheias de dor, humanidade e esquisitices — mas todas fazendo sentido juntas. Pode esperar um terror que não subestima o espectador.

Elenco de peso no centro do caos

O elenco do filme é daqueles que não passam despercebidos. Se o roteiro já chamava atenção, o time de atores só confirma que esse é um dos projetos mais ambiciosos do terror recente. Josh Brolin, por exemplo, entra em cena no lugar de Pedro Pascal e traz no currículo sucessos como Onde os Fracos Não Têm Vez, Sicario, Deadpool 2 e o icônico Thanos da saga Vingadores. Julia Garner, que conquistou a crítica com Ozark e Inventando Anna, também brilhou em The Assistant e Maniac.

Alden Ehrenreich, além de viver o jovem Han Solo em Solo: Uma História Star Wars, chamou atenção em Ave, César! e mais recentemente em Oppenheimer. Benedict Wong, sempre carismático, mostrou versatilidade em Doutor Estranho, Aniquilação, Marco Polo e A Fundação. Austin Abrams, conhecido por Euphoria e Dash & Lily, também passou por This Is Us e Chemical Hearts. E pra fechar, o time ainda conta com a veterana Amy Madigan (Campo dos Sonhos, Gone Baby Gone), a versátil June Diane Raphael (Grace and Frankie, The Disaster Artist) e o jovem promissor Cary Christopher, visto em Days of Our Lives. Ou seja, é uma mistura poderosa de talentos veteranos, estrelas em ascensão e queridinhos do público indie — todos jogados no meio de uma história onde o caos reina e ninguém parece estar seguro.

A produção que todo mundo queria

A briga por esse roteiro foi real e acirrada. Em janeiro de 2023, quando Weapons ainda era só uma ideia no papel, o texto de Cregger causou um verdadeiro leilão entre gigantes como Netflix, Universal Pictures, TriStar e New Line Cinema.

No fim, a New Line levou a melhor, garantindo um contrato dos bons: Cregger ganhou corte final garantido, um baita salário de oito dígitos e o compromisso de que o filme teria lançamento exclusivo nos cinemas. Ou seja: vem coisa grande por aí.

Vale lembrar que o diretor já tinha feito barulho com o ótimo Barbarian (2022), um dos terrores mais elogiados daquele ano — e que virou cult instantâneo. Agora, ele parece pronto pra ir além.

Estreia marcada (e ansiedade lá no alto)

O longa-metragem estreia nos cinemas dos Estados Unidos no dia 8 de agosto de 2025, com distribuição da Warner Bros. Pictures. Ainda não há data confirmada para o Brasil, mas a expectativa é que o lançamento por aqui aconteça na mesma semana — ou muito próximo disso. Até lá, os fãs de terror seguem de olho em cada teaser, pôster e pedacinho divulgado. A nova cena, inclusive, reforça a aposta de que o filme vai brincar com terror psicológico, elementos sobrenaturais e um mistério que se estende até os limites da loucura.

O que esperar?

Se for pra arriscar um palpite, a produção tem tudo pra ser um dos grandes filmes de terror de 2025. Não só pelo talento envolvido, mas pela forma como a história parece querer dialogar com algo maior: o medo coletivo, os traumas da infância, as instituições em colapso e o peso do que a gente não consegue explicar.

Não vai ser só mais um filme de susto — e isso, num mercado saturado de fórmulas, já é um alívio.

Marcelo Mansfield relembra trajetória no humor e anuncia peça comemorativa no programa “Companhia Certa” desta segunda (28/07)

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Foto: Reprodução/ Internet

Sabe aquele cara que você talvez não lembre o nome de primeira, mas assim que ele aparece na tela você pensa “pô, esse aí marcou minha infância”? Pois é. Esse cara é Marcelo Mansfield, e ele vai estar na madrugada desta segunda-feira, 28 de julho de 2025, a partir da meia-noite, batendo um papo dos bons com Ronnie Von, no programa “Companhia Certa”, da RedeTV!.

Com quase quatro décadas de carreira, Mansfield é uma daquelas figuras que seguram a marra do riso sem forçar a barra. Ele transita do teatro à TV com a mesma naturalidade com que muda de personagem no palco. E agora, num momento pra lá de especial, ele anuncia um novo espetáculo solo, “O Show do Mansfield”, que estreia em agosto, em São Paulo, pra celebrar suas quatro décadas de estrada.

Mas não espere uma entrevista certinha, com roteiro fechado e frases prontas. O que vai ao ar é mais parecido com uma conversa de bar entre dois amigos que se admiram de verdade — recheada de lembranças, piadas e até uns desabafos sobre a arte de fazer humor no Brasil.

Quem é esse tal de Mansfield?

Se você cresceu nos anos 90 e assistia TV Cultura, é bem provável que tenha visto um sujeito de jaleco, meio doido e totalmente carismático chamado Dr. Barbatana, no programa “Rá-Tim-Bum”. Adivinha quem era? Sim, ele mesmo, Marcelo Mansfield.

Mas a história dele vai muito além disso. O cara foi um dos primeiros a apostar no tal do stand-up comedy por aqui, quando ainda era novidade e ninguém entendia direito o formato. Lá por 2005, ele fundou o Clube da Comédia Stand-Up, e trouxe junto uma galera que depois ficou gigante, tipo Danilo Gentili, Oscar Filho e Marcelo Adnet.

“Eu só queria rir das coisas e fazer os outros rirem também”, conta Mansfield durante o programa. E não é modéstia. A verdade é que ele ajudou a desenhar um novo jeito de fazer humor no país — mais direto, mais cru, mais verdadeiro.

Dos palcos ao sofá da sala

Se você ainda acha que não conhece Mansfield, talvez tenha cruzado com outro personagem icônico dele: o impagável “Seu Merda”, figura ácida, debochada e um tanto revoltada, nascida no projeto “Terça Insana” e que depois foi parar no “Agora É Tarde”, da Band. Politicamente incorreto no melhor dos sentidos, o personagem fazia graça justamente por ser um retrato do absurdo da sociedade.

Mansfield sempre teve essa pegada: humor com conteúdo, com um pé no teatro e outro no cotidiano. Ele não tem medo de cutucar a ferida, mas faz isso com tanta inteligência que até quem se sente atingido, ri. E isso, convenhamos, é uma arte.

O novo espetáculo: Mansfield por ele mesmo

E é justamente isso que ele traz de volta com “O Show do Mansfield”. A peça não é só um show de stand-up, nem uma coletânea de personagens — é quase uma autobiografia cômica no palco, onde ele revisita momentos marcantes, personagens inesquecíveis e situações bizarras da vida de um artista brasileiro que nunca quis ser celebridade, mas acabou virando referência.

“É como se eu estivesse abrindo meu baú de memórias e deixando o público brincar com tudo”, brinca Mansfield. E esse “baú” vem cheio: tem história de bastidores, cenas de teatro, trechos da infância, encontros e desencontros com a fama, reflexões sobre a TV e, claro, aquelas piadas que só quem viveu o palco entende.

Para quem já acompanhava, é um reencontro. Para quem não conhece, é um convite. E para quem ama comédia com alma, é um prato cheio.

O começo da caminhada: de Boston a Barbatana

Nem todo mundo sabe, mas a carreira artística de Mansfield começou longe do Brasil. Nos anos 80, ele morou nos Estados Unidos, passou por Boston e Los Angeles, participou de grupos de teatro, estudou sitcoms e absorveu muito da comédia americana — o que, mais tarde, moldou sua visão sobre o stand-up.

Quando voltou ao Brasil, ele já era um artista com pegada internacional, mas com alma paulistana. Entrou para o grupo Harpias, fez teatro alternativo, criou e apresentou programas de humor na TV Gazeta, foi roteirista de filme cult, escreveu colunas em jornais, e ainda arrumou tempo pra fazer mais de 500 comerciais de TV.

E mesmo com esse currículo de fazer inveja, ele nunca perdeu o jeito simples e o olhar aguçado pra vida. “Acho que só continuei porque me diverti fazendo tudo isso. Se não fosse pra rir, nem teria graça”, ele diz.

Humor, coração e crítica

Durante o papo com Ronnie Von, Mansfield deixa claro que nunca viu o humor só como “entretenimento por entretenimento”. Pra ele, rir também é resistir, é pensar, é se conectar com o outro. “A piada pode te derrubar, mas também pode te levantar”, filosofa.

Essa sensibilidade atravessa toda a conversa. Entre risadas e histórias, ele fala dos amigos que fez (e perdeu), dos perrengues da profissão, da relação com o público e da importância de continuar criando, mesmo depois de tanto tempo de estrada.

“Eu nunca quis ser o mais famoso, só queria continuar sendo eu mesmo. Se isso tocou alguém, então valeu a pena”, resume Mansfield, num dos momentos mais sinceros da entrevista.

Rita Lee ganha homenagem emocionante em Manaus com espetáculo estrelado por Mel Lisboa

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Foto: Reprodução/ Internet

Manaus se prepara para viver dias de arte, emoção e reencontros com grandes histórias brasileiras. Nos dias 9, 10, 16 e 17 de agosto, a capital do Amazonas será palco da 1ª Mostra de Teatro Águas de Manaus, um evento cultural gratuito que promete reunir nomes consagrados e talentos locais em uma celebração cênica diversa e afetiva. E nada melhor para dar o tom da abertura do que uma figura que misturava rebeldia, poesia, música e liberdade como ninguém: Rita Lee.

A estreia da mostra acontece no dia 9 de agosto, às 20h, no anfiteatro da praia da Ponta Negra, zona oeste da cidade. E o espetáculo escolhido para abrir o evento é “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”, estrelado pela atriz Mel Lisboa, que mergulha de corpo e alma na história da rainha do rock brasileiro.

Trata-se de uma produção que já emocionou mais de 90 mil pessoas pelo país e que agora chega a Manaus como uma ode viva à mulher, artista e fenômeno cultural que foi — e continua sendo — Rita Lee.

Uma história cantada e sentida

A peça é uma adaptação livre da autobiografia lançada por Rita em 2016, que se tornou um dos livros mais vendidos da década no Brasil. Mas não espere uma simples leitura dramatizada. O que o público verá no palco da Ponta Negra é um espetáculo que mistura música, teatro e emoção em uma narrativa envolvente e generosa, conduzida com humor, afeto e sem medo de encarar os fantasmas — como a própria Rita sempre fez.

Mel Lisboa dá vida a Rita com uma entrega admirável. Ela não apenas interpreta: ela incorpora o espírito da artista, caminhando com desenvoltura entre os episódios mais marcantes da sua vida. Desde a infância em uma família paulistana de classe média alta, passando pelas primeiras bandas, como Os Mutantes e Tutti-Frutti, o período de repressão e prisão durante a ditadura militar, até o reencontro com o amor ao lado de Roberto de Carvalho, os filhos, o ativismo animal e os momentos mais íntimos de vulnerabilidade e glória.

O texto costura a narrativa com canções que marcaram gerações e ainda hoje ressoam com força. Estão no repertório sucessos como “Saúde”, “Mania de Você”, “Doce Vampiro”, “Reza”, “Desculpe o Auê” e, claro, “Ovelha Negra”, uma espécie de hino libertador que embala gerações de pessoas que, como Rita, nunca se sentiram completamente encaixadas.

Mel Lisboa: a atriz que encontrou Rita dentro de si

Mel Lisboa não é uma novata quando o assunto é interpretar Rita Lee. Seu encontro com a artista começou anos atrás, quando protagonizou a peça “Rita Lee Mora ao Lado”, inspirada na biografia homônima escrita por Henrique Bartsch. Desde então, um vínculo quase espiritual se formou entre atriz e personagem. Um elo que se aprofunda neste espetáculo que mistura memória e música com emoção genuína.

Por sua atuação, Mel foi reconhecida com o Prêmio Shell de Teatro, uma das maiores honrarias da cena teatral brasileira. Mas mais do que prêmios, o que a atriz transmite em cena é o sentimento de alguém que compreendeu Rita não apenas como mito, mas como ser humano: frágil, ousada, amorosa, contraditória e absolutamente autêntica.

“Não se trata de imitar. É sobre captar a alma, a vibração, o olhar que ela lançava sobre o mundo. Rita era muitas coisas, às vezes tudo ao mesmo tempo. E é essa complexidade que a torna tão fascinante de representar”, afirmou Mel em entrevistas anteriores.

Um presente para Manaus — e um convite à memória afetiva

A escolha de abrir a Mostra de Teatro Águas de Manaus com esse espetáculo não é apenas um acerto artístico — é também uma decisão simbólica. Rita Lee representa a força da arte que dialoga com todas as gerações. Sua história se mistura com a história recente do Brasil e convida o público a olhar para si mesmo, para os próprios sonhos e rupturas.

Segundo Aline Mohamad, do Instituto Brasileiro de Teatro (iBT), a curadoria da mostra buscou obras que dialogassem com a memória coletiva e com temas universais.

“A Rita é símbolo de liberdade, irreverência, criatividade e coragem. Ela foi — e é — inspiração para artistas, mulheres, ativistas, sonhadores. Começar com esse espetáculo é também uma forma de dizer: estamos aqui para falar de arte que transforma, emociona e resgata histórias que não podem ser esquecidas”, explica Aline.

A atriz e o espetáculo são produzidos pela Turbilhão de Ideias, companhia reconhecida por apostar em narrativas biográficas que cruzam arte e identidade brasileira.

Teatro para todos: uma cidade em cena

A Mostra de Teatro Águas de Manaus vai muito além da abertura estrelada. O projeto contempla apresentações em diversos bairros da capital, com peças que abordam desde temas históricos até reflexões do cotidiano manauara. A proposta é descentralizar a produção teatral e aproximar o público de diferentes territórios à arte.

As apresentações serão realizadas nos dias 9, 10, 16 e 17 de agosto, sempre com acesso gratuito. Além do espetáculo de Mel Lisboa, a mostra contará com companhias locais, trazendo vozes potentes da cena teatral amazônica.

Simony Dias, gerente de Relações Institucionais da Águas de Manaus — empresa responsável pelo apoio à mostra — destaca a importância da democratização do acesso à cultura:

“É uma honra participar de um projeto que leva teatro para todos os cantos da cidade. Cultura é direito, é pertencimento. E com essa mostra queremos oferecer à população de Manaus a chance de assistir espetáculos de altíssima qualidade, tanto locais quanto nacionais, como é o caso da peça da Rita Lee.”

A programação completa será divulgada nos próximos dias pelas redes sociais da Águas de Manaus e do Instituto Brasileiro de Teatro.

Rita além da música

A vida de Rita Lee foi — e continua sendo — um exemplo de como arte e atitude podem caminhar juntas. Durante mais de cinco décadas de carreira, ela rompeu barreiras de gênero, desafiou padrões, lutou contra o machismo na indústria musical e usou sua voz para causas sociais, ambientais e políticas.

Mesmo depois de sua partida, em 2023, aos 75 anos, Rita deixou um legado que não se apaga. Ela segue viva nas letras que escreveu, nos discos que gravou, nas entrevistas ácidas, nas roupas coloridas, nas causas que abraçou e, agora, também nos palcos que levam sua história adiante.

Para quem cresceu ouvindo Rita ou está conhecendo sua obra agora, o espetáculo é uma oportunidade rara de vê-la sob uma nova luz — sem filtros, sem censura, com a dose certa de ironia, poesia e humanidade.

Uma chance de reencontro

Num tempo em que a pressa consome e o excesso de informação distrai, parar para ouvir uma história pode ser um gesto revolucionário. Ainda mais quando essa história é a de uma mulher que fez da própria vida uma trilha sonora de coragem e originalidade.

“Rita Lee – Uma Autobiografia Musical” é mais do que teatro. É um reencontro com o que somos, fomos e ainda podemos ser. Em Manaus, diante do pôr do sol da Ponta Negra, ao som de “Ovelha Negra”, talvez você se descubra, entre lágrimas e sorrisos, dizendo: “essa história também é um pouco minha”.

“Profissão Repórter” desta terça (29/07) mostra como Belém está mudando para receber a COP-30: esperança, desafios e cicatrizes de uma transformação acelerada

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Foto: Reprodução/ Internet

Nesta terça-feira, 29 de julho de 2025, o programa Profissão Repórter estreia uma reportagem especial que vai além dos números e obras, para contar as histórias que estão sendo escritas nas ruas, nas comunidades e nos canteiros de obras de Belém. A cidade se prepara para receber a COP-30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, marcada para novembro deste ano — um evento que colocará a capital do Pará no centro das atenções do planeta. As informações são da TV Globo.

Com a expectativa da chegada de cerca de 50 mil visitantes — entre autoridades, cientistas, ativistas e jornalistas —, Belém vive um momento de pressa, transformação e também de questionamentos. Quais os reais impactos dessa mudança acelerada? Para quem a cidade está sendo preparada?

Obras, promessas e um ritmo frenético

Se você andar pelas ruas de Belém hoje, vai perceber o quanto a cidade está sendo transformada. São dezenas de canteiros de obra espalhados pela capital, obras que envolvem bilhões de reais e que buscam preparar a infraestrutura para o grande evento.

O Parque da Cidade, que será o centro das negociações da COP-30, está passando por uma verdadeira revolução. Centenas de trabalhadores se revezam entre estruturas, equipamentos e instalações, tentando deixar tudo pronto para o mês de novembro. A revitalização da Nova Doca, antiga área portuária, também avança — com a ideia de criar um novo cartão-postal, que traga vida e turistas para a região.

Mas as obras não se limitam ao centro. Novas avenidas estão sendo abertas, ruas reformadas e o sistema de transporte passa por mudanças, numa tentativa de dar conta da demanda que virá com o evento e, de quebra, melhorar o cotidiano dos moradores.

O brilho das obras e o peso da transformação

Para muitos moradores, as obras representam a possibilidade de emprego, de renda e até de mudança de vida. Na construção civil, quem estava há meses desempregado agora encontra uma chance real de trabalhar, receber salário e ter uma rotina mais estável. No comércio e serviços, o movimento já começa a esquentar, com a expectativa da chegada dos visitantes.

Mas, junto com as oportunidades, vêm também as perdas. Em vários bairros, especialmente em áreas ribeirinhas e periféricas, famílias já foram obrigadas a sair de suas casas para que projetos considerados estratégicos sejam realizados. Muitas dessas pessoas vivem da pesca, do extrativismo ou do pequeno comércio e agora enfrentam a difícil tarefa de recomeçar em outro lugar, muitas vezes longe da comunidade e sem garantias sólidas.

Um exemplo emblemático é a construção da Avenida Liberdade, uma via expressa que atravessa reservas ambientais e áreas tradicionais, gerando o deslocamento de centenas de famílias. Esse é um dos pontos mais sensíveis da preparação para a COP-30, pois envolve equilíbrio delicado entre desenvolvimento e respeito à vida das pessoas.

O saneamento básico: um nó que ainda precisa ser desatado

Enquanto a cidade tenta se preparar para o mundo, parte da sua população ainda enfrenta problemas básicos, que a maioria considera direitos fundamentais.

Belém está entre as capitais brasileiras com pior cobertura de saneamento, um dado preocupante diante do discurso ambiental que será protagonista da COP-30. Em áreas como a Vila da Barca — uma das maiores comunidades de palafitas do país — as condições sanitárias são precárias, com esgoto a céu aberto e dificuldade no acesso à água limpa, colocando em risco a saúde e o bem-estar de milhares de pessoas.

Essa situação mostra que sustentabilidade não é só questão de investimento em obras sofisticadas, mas também de garantir qualidade de vida para todos.

A movimentação do turismo e o impacto na cidade

Com a aproximação da COP, a expectativa de receber milhares de turistas movimenta a economia local. Muitos moradores, percebendo essa oportunidade, investem em melhorias em suas casas para oferecer hospedagem. Quartos reformados, imóveis anunciados em plataformas digitais, tudo para captar o movimento que deve chegar.

Esse boom pode significar um alívio financeiro para algumas famílias, mas também acende um alerta: a valorização imobiliária pode afastar moradores antigos das áreas centrais, aumentando a desigualdade e expulsando aqueles que construíram a cidade.

E depois da festa, o que fica?

Um dos grandes questionamentos que surgem é: qual será o legado da COP-30 para Belém? Será que as melhorias serão permanentes e beneficiarão a população mais vulnerável? Ou a cidade vai voltar à rotina de sempre, com os problemas estruturais ignorados depois que as luzes do evento se apagarem?

É comum que grandes eventos tragam avanços pontuais, mas nem sempre consigam transformar de forma duradoura as desigualdades e desafios que já existiam.

O desafio de fazer diferente

Para que a COP-30 deixe um impacto real, é necessário pensar no futuro da cidade de forma inclusiva. Isso significa escutar e atender às necessidades das comunidades ribeirinhas, indígenas e das populações periféricas, garantindo que o desenvolvimento aconteça de forma justa e sustentável.

É urgente que saneamento básico, moradia digna e proteção ambiental deixem de ser apenas promessas para se tornarem realidade palpável para todos.

Belém entre o ontem e o amanhã

A COP-30 pode ser um momento histórico para Belém, uma oportunidade para que a cidade se mostre para o mundo e para si mesma. Mas, para que isso aconteça de verdade, é preciso que as mudanças alcancem todos, não só as áreas nobres ou os setores econômicos mais poderosos.

A história que está sendo escrita agora é cheia de desafios, incertezas, mas também de esperança. A decisão que a cidade tomar poderá ser um exemplo de como unir desenvolvimento, justiça social e sustentabilidade, ou um alerta sobre o preço que pagamos quando deixamos muitos para trás.

“Para Sempre Minha” | Terror psicológico que promete te deixar desconfiando até de quem você ama ganha data de estreia no Brasil

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Foto: Reprodução/ Internet

Você realmente conhece quem dorme ao seu lado?

Essa pergunta, tão simples e tão perturbadora, é o ponto de partida do novo filme de terror psicológico “Para Sempre Minha” (Keeper, no original), dirigido por Osgood Perkins, o mesmo responsável por pérolas sombrias como O Macaco (2025) e o perturbador Longlegs (2024). Com estreia confirmada nos cinemas brasileiros para 13 de novembro, a produção traz no elenco a sempre intensa Tatiana Maslany (de Orphan Black e She-Hulk) e Rossif Sutherland (Possessor, Reign), em uma história onde o terror vem de dentro, do silêncio, do isolamento… e do outro.

Esqueça sustos fáceis e fantasmas barulhentos. Aqui, o medo é construído no olhar que dura tempo demais, no quarto que parece pequeno demais, na pergunta que fica no ar: o que eu não sei sobre a pessoa que amo?

Fim de semana romântico, só que não

A trama é relativamente simples — e esse é justamente o truque. Para Sempre Minha acompanha o casal Liz (Maslany) e Malcolm (Sutherland), que decide fazer uma escapada romântica até uma cabana isolada no meio do nada. O clima é intimista, tranquilo, e tudo parece correr bem. Mas, de repente, Malcolm recebe um chamado misterioso e precisa voltar à cidade às pressas, deixando Liz sozinha no local.

Até aí, nada que a gente já não tenha visto em outros filmes. Só que o que começa como um “momento de silêncio e vinho quente” se transforma rapidamente em uma descida ao desconhecido. Liz começa a perceber que não está sozinha naquela casa. Mas o que está ali com ela não é exatamente alguém. É algo. Um mal indescritível, quase invisível, que aos poucos vai revelando segredos enterrados — e perturbadores — sobre aquele lugar, sobre Malcolm e até sobre Liz mesma.

E aí fica a dúvida: o perigo está na cabana ou estava com ela o tempo todo?

O terror da dúvida (e da intimidade)

Em entrevista recente, o diretor Osgood Perkins — que, vale lembrar, é filho de Anthony Perkins, o eterno Norman Bates de Psicose — explicou que a essência de Para Sempre Minha está na desconfiança silenciosa que pode crescer dentro de uma relação. “É um filme sobre quem é seu parceiro, o que você acha que sabe sobre ele, e o desejo de voltar no tempo para quando tudo parecia mais simples”, disse Perkins. “É sobre intimidade e ilusão. E o quanto isso pode ser aterrorizante.”

A proposta do diretor não é entregar um “terror de sustos”, mas sim um terror psicológico sutil, que vai se enroscando no espectador como uma dúvida que não se resolve. É sobre se sentir preso em uma situação em que tudo parece normal — até que você começa a perceber que nada é o que parece.

E isso, convenhamos, é muito mais assustador do que qualquer espírito com cara deformada.

Tatiana Maslany: mais uma vez, entregue e vulnerável

Tatiana Maslany é daquelas atrizes que não têm medo de ir fundo. Em Orphan Black, ela interpretou quase uma dezena de personagens diferentes com uma entrega impressionante. Em Para Sempre Minha, ela carrega praticamente o filme inteiro nas costas — e na expressão.

Sua Liz é, ao mesmo tempo, sensível, esperta e assustada. Não é uma daquelas protagonistas que corre gritando pela floresta. Liz observa, pensa, tenta entender. E justamente por isso, quando o terror começa a se manifestar, ele é absorvido pelo espectador com a mesma intensidade emocional que ela sente. Não há alívio. Só inquietação.

Rossif Sutherland, por sua vez, entrega um Malcolm enigmático, com uma calma quase irritante. Ele é carinhoso, gentil, mas há algo nele que incomoda. Aquelas pequenas pausas antes de responder. A forma como ele evita certos assuntos. Como ele desaparece.

E quando ele vai embora da cabana… bom, as perguntas começam a gritar.

Uma produção discreta, mas promissora

O roteiro é assinado por Nick Lepard, e a produção ficou por conta de Chris Ferguson e Jesse Savath, pela produtora Oddfellows. O filme foi gravado de forma bastante contida — uma locação principal, elenco enxuto — mas isso só reforça a proposta: o horror vem da intimidade, não da grandiosidade.

As filmagens foram concluídas em julho de 2024, e o longa foi rapidamente apresentado ao mercado de Cannes, onde a Neon (mesma distribuidora de Parasita nos EUA) garantiu os direitos para o território americano e também para vendas internacionais. No Canadá, a distribuição será da Elevation Pictures. No Brasil, quem traz o filme para as telonas é a Diamond Films, que já confirmou: estreia em 13 de novembro de 2025.

Originalmente, o lançamento estava previsto para outubro, mas o estúdio decidiu adiar para novembro — provavelmente para fugir do congestionamento de estreias de Halloween e dar ao filme o espaço mais intimista que ele merece.

O estilo Osgood Perkins: terror que conversa baixinho (mas arrepia fundo)

Quem já viu outros filmes de Osgood Perkins sabe o que esperar — ou melhor, o que não esperar. Ele não gosta de pressa. Seus filmes são silenciosos, elegantes, quase poéticos. Ele faz o horror parecer uma lembrança triste. Ou um segredo mal resolvido.

O Macaco, lançado no início de 2025, dividiu opiniões, mas foi elogiado pela crítica por seu estilo atmosférico e sua narrativa introspectiva. Longlegs, com Nicolas Cage, foi um sucesso entre os fãs de terror mais hardcore, mas também se destacou pelo visual onírico e pelo desconforto crescente.

Para Sempre Minha parece unir o melhor desses dois mundos: uma narrativa de horror emocional com elementos sobrenaturais sutis, mas intensos. Um filme que não precisa gritar para te deixar com medo — ele só precisa olhar pra você de volta.

Para quem é esse filme?

Se você gosta de histórias de casa assombrada, mas está cansado das fórmulas repetidas…

Se você curte filmes em que o medo cresce devagar, como uma rachadura no teto…

Se você já duvidou da pessoa que ama, mesmo sem motivo aparente…

Então Para Sempre Minha é pra você.

É aquele tipo de terror que não te deixa dormir porque faz você pensar demais, e não porque te deu um susto barato. É sobre como o amor pode esconder coisas feias, e como o medo às vezes mora bem ali, do lado da saudade.

Expectativas? Lá no alto.

Mesmo sem ser uma megaprodução de estúdio, Para Sempre Minha vem cercado de boas expectativas:

  • Um elenco forte e elogiado;
  • Um diretor que entende de terror como construção emocional;
  • Uma estreia em um mês estratégico, perto do Oscar (sim, filmes de terror andam entrando nessa briga também);
  • E uma temática que, de tão íntima, acerta onde dói.

Além disso, a distribuição pela Neon nos EUA é um ótimo sinal. A empresa tem apostado em narrativas autorais, arriscadas e com grande apelo entre público e crítica. Eles não compram qualquer coisa — e quando compram, geralmente entregam algo que vale a pena.

“Pluribus” | Nova série de Vince Gilligan, chega com teaser enigmático e promete mexer com a nossa cabeça

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Foto: Reprodução/ Internet

Se você já surtou assistindo Black Mirror, ficou obcecado tentando decifrar Dark, ou passou noites em claro com teorias malucas sobre Severance, então segura essa: Vince Gilligan tá de volta com uma nova série — e parece que ele quer bagunçar a sua cabeça de vez.

O nome da série é Pluribus, e a estreia está marcada para 7 de novembro, no Apple TV+. E sim, o criador de Breaking Bad e Better Call Saul resolveu agora brincar com ficção científica — mas não do tipo com ETs e sabres de luz. Aqui, o que parece estar em jogo é a própria noção de realidade. E a vibe tá mais “WTF?!” do que “só mais uma série”.

O que já foi revelado? Um teaser meio esquisito, um número de telefone que você pode LIGAR (e sim, tem mensagem e SMS) e uma atriz que a gente ama muito: Rhea Seehorn, que interpretou a inesquecível Kim Wexler.

Mas calma que tem mais coisa estranha vindo aí.

Tem algo de errado. Mas o quê, exatamente?

A trama de Pluribus ainda tá cercada de mistério. Tipo, de verdade. A única coisa que a Apple TV+ confirmou é que a história se passa em Albuquerque, Novo México — mesmo cenário de Breaking Bad — e que alguma coisa grande e bizarra acontece com o mundo. O mundo “desliza”, por assim dizer. A realidade muda. Talvez nem exista mais uma realidade só.

É confuso? Um pouco. Mas é aquele tipo de confuso bom, que dá vontade de maratonar, fazer teoria no Twitter e ficar paquerando os easter eggs escondidos em cada episódio.

No teaser (que tem menos de 30 segundos), rola uma frase dita por uma voz feminina — “sem pressão” —, algumas imagens enigmáticas, e… um número de telefone. Quem teve a curiosidade de ligar, ouviu uma mensagem da personagem Carol (da Rhea Seehorn), e recebeu logo depois um SMS dizendo:

“Lembre que sua vida te pertence. Faça suas próprias escolhas.”

Sério. Que tipo de série manda um SMS criptografado na sua cara antes mesmo de estrear?

Rhea Seehorn = protagonista absoluta = TUDO pra gente

Se tem alguém que merece brilhar como protagonista, essa pessoa é Rhea Seehorn. Ela segurou a emoção de Better Call Saul como poucos, deu aula de atuação, e agora, em Pluribus, parece que veio com tudo.

Ela interpreta Carol, uma mulher comum (pelo menos no início), que começa a perceber que o mundo ao redor está… estranho. Coisas mudam, se repetem, se distorcem. O que é sonho? O que é delírio? O que é manipulado? A gente não sabe. E ela também não.

O elenco ainda tem Karolina Wydra (que você deve lembrar de True Blood ou House) como Zosia, e Carlos Manuel Vesga, ator colombiano que interpreta Manusos. Ambos têm papéis misteriosos — claro. Gilligan não ia dar o ouro tão fácil assim.

Vince Gilligan: o homem que nunca nos deixa em paz (no bom sentido)

Vamos combinar: quando Vince Gilligan lança algo novo, a gente presta atenção. O cara criou duas das maiores séries de todos os tempos. E agora resolveu entrar no mundo da ficção científica — mas com um pé fincado no mundo real.

Em entrevista recente, ele resumiu assim:

“Não é sobre naves ou lasers. É sobre o que acontece quando a realidade começa a falhar. Quando tudo o que parecia certo começa a escorregar.”

Ou seja: é sci-fi, sim. Mas com crises existenciais, dilemas éticos e aquele climão de que tudo pode desmoronar a qualquer momento.

Gilligan se inspirou em obras como O Homem do Castelo Alto, A Zona do Crepúsculo e até em acontecimentos recentes da vida real — tipo pandemia, redes sociais, inteligência artificial, guerras de informação. Tudo isso vira pano de fundo pra uma trama que tem cara de distopia, mas alma bem humana.

E a Apple TV+ já renovou pra segunda temporada?

Sim, Pluribus nem estreou e já garantiu duas temporadas. A primeira vai ter nove episódios, com os dois primeiros lançados logo no dia 7 de novembro. Depois, sai episódio novo toda semana, até 26 de dezembro. Natal, inclusive, vai ter season finale. Coincidência? Provavelmente não.

Se tem uma coisa que o Apple TV+ aprendeu, é que confiança no criador é tudo. E Gilligan, convenhamos, não costuma decepcionar.

Uma campanha de divulgação que virou ARG (quase)

Desde que o teaser saiu, fãs estão mergulhando em detalhes que nem deveriam estar ali. Um número de telefone virou ponto de partida. Um site escondido (sim, escondido mesmo!) foi encontrado por fãs fuçando o código-fonte do vídeo. O nome do site? Pluralidade 339 — que, aparentemente, era o nome provisório da série durante as filmagens.

No site, só uma tela preta, com um traço branco piscando tipo cursor antigo de computador. E ele muda todo dia. A galera já tá dizendo que tem código binário ali, enigma, talvez até… IA? Não se sabe ainda.

É tipo um ARG (Alternate Reality Game), mas sem a confirmação oficial. Ou seja: tudo pode ser só mais uma camada da série. Ou pode ser só paranoia coletiva. Mas é exatamente esse o ponto, né?

Albuquerque, o lar do estranho

A cidade onde tudo foi filmado é bem familiar pra quem ama Breaking Bad. Mas, dessa vez, o cenário parece mais… distorcido.

A equipe de arte revelou que cada cena tem um detalhe “errado” de propósito. Pode ser um semáforo piscando no tempo errado, uma sombra invertida, uma vitrine duplicada. “A ideia era dar aquela sensação de que algo não bate, mas você não sabe explicar”, disse a diretora de arte em um evento recente.

Resumindo: a série vai fazer você duvidar dos seus próprios olhos. E talvez até de si mesmo.

O que podemos esperar?

Olha, se for pra apostar, dá pra dizer que Pluribus vai ser:

  • Daquelas séries que você assiste duas vezes, só pra entender a primeira;
  • Cheia de camadas, como uma cebola sci-fi;
  • Recheada de atuações incríveis (Seehorn, estamos com você);
  • E com aquele ritmo tenso, de “meu Deus, o que tá acontecendo?!”.

Vai ter reflexão? Sim. Vai ter piração? Com certeza. Vai ter teoria maluca? Já tá tendo.

E por que esse nome?

“Pluribus” vem do latim e quer dizer “de muitos”. É a palavra usada no lema dos EUA, E Pluribus Unum — “De muitos, um”.

Mas aqui, parece que o sentido é outro. Pode ser múltiplas realidades, múltiplas versões da mesma pessoa, ou múltiplas escolhas. Uma série sobre identidade, sobre se manter inteiro quando tudo ao redor começa a se fragmentar. Rhea Seehorn definiu assim:

“Carol tenta manter a sanidade, o afeto, o cotidiano, enquanto tudo ao redor dela racha. E talvez a gente esteja vivendo um pouco isso hoje em dia.”

Tá, e o que a gente faz até novembro?

Bom, primeiro: assista ao teaser. Segundo: liga pro número. Terceiro: entra no site escondido (ou espera alguém decifrar por você). E depois disso? Torce pra não enlouquecer até o dia da estreia.

Porque Pluribus não é só mais uma série. É um convite pra questionar tudo. Inclusive você mesmo.

HBO divulga pôster oficial de ‘Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente’, nova minissérie sobre a epidemia de AIDS no Brasil

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Foto: Reprodução/ Internet

Tem histórias que a gente escuta e guarda. Tem outras que gritam. E há aquelas que, mesmo silenciadas por anos, sobrevivem por entre afetos, cicatrizes e memórias — e que, quando enfim ganham voz, vêm como avalanche. É esse o caso de Máscaras de Oxigênio (não) Cairão Automaticamente, nova minissérie brasileira da HBO que estreia em 31 de agosto e já chega com o peso de um marco.

Abaixo, veja o novo pôster oficial, divulgado nesta segunda-feira (28). A imagem carrega o tom emocional e simbólico da minissérie: em primeiro plano, o personagem de Johnny Massaro aparece com o olhar fixo em algum ponto distante, enquanto, ao fundo, rostos parcialmente desfocados evocam sensações de urgência, solidão e resistência. A composição é atravessada por uma faixa sutil com o clássico aviso de segurança dos voos — “coloque sua máscara de oxigênio antes de ajudar outros” — agora subvertido pelo título impactante da produção.

Com cinco episódios intensos e profundamente humanos, a série parte de uma pergunta simples, mas poderosa: quem cuidou de quem quando o país virou as costas? A resposta se revela em uma trama inspirada em fatos reais que ilumina um período sombrio da história brasileira — a explosão da AIDS nos anos 1980, marcada pela desinformação, pelo preconceito e, principalmente, pela omissão do Estado.

A guerra invisível por sobrevivência

O enredo gira em torno de um grupo de comissários de bordo que, diante da escalada da epidemia e da falta de medicamentos no Brasil, decide se organizar para contrabandear AZT — primeiro tratamento conhecido contra o HIV — dos Estados Unidos para o país. Não são heróis de capa, são pessoas comuns enfrentando o medo, a dor e a urgência de manter vivos os seus.

Liderado por Alex (Johnny Massaro), um chefe de cabine soropositivo que vê os amigos adoecendo um a um, o grupo opera em silêncio. Na era pré-internet, pré-celular, pré-tudo, a resistência acontecia de forma quase artesanal: escondendo comprimidos em malas, reunindo dinheiro entre os poucos aliados, enfrentando aeroportos e olhares desconfiados.

Mas a força real da série está justamente aí: nos gestos pequenos. Em cada abraço, em cada cena de cuidado, em cada tentativa de manter acesa alguma chama de esperança mesmo quando tudo ao redor diz que acabou.

Elenco de peso, roteiro afiado, emoção sem maquiagem

Johnny Massaro entrega talvez uma das interpretações mais marcantes de sua carreira. Seu Alex é um homem em constante equilíbrio entre o colapso emocional e a necessidade de ser firme para os outros. Ícaro Silva, como seu companheiro, imprime uma sensibilidade rara em cena. Já Bruna Linzmeyer — que também assina o roteiro junto a Patricia Corso e Leonardo Moreira — interpreta Clara, uma enfermeira aliada à causa, responsável por conectar o grupo à militância de ONGs da época.

O elenco ainda conta com Andréia Horta, Lucas Drummond, Igor Fernandez e Duda Matte, todos alinhados com a proposta da série: emocionar sem apelar, denunciar sem panfletar.

“É uma série sobre dor, mas é também uma carta de amor. À amizade, à coragem, à vida”, define Bruna Linzmeyer. “A gente quis falar das mortes, sim. Mas também da alegria de estar junto, da força de quem viveu e não foi lembrado.”

A estética da verdade

Ambientada no Rio de Janeiro dos anos 80, a série acerta em cheio na reconstituição de época. A direção de arte, assinada por Cláudia Libório, mergulha o espectador num Brasil em transição — entre a abertura política e o colapso sanitário. A fotografia aposta em tons quentes e granulados que remetem a filmes da época, enquanto a trilha sonora costura clássicos da MPB com músicas internacionais que marcaram aquela geração.

“Queríamos que o espectador sentisse o cheiro das ruas, ouvisse o barulho dos bondes, visse as propagandas da época e, ao mesmo tempo, percebesse a ausência: de políticas públicas, de cuidado, de amparo”, comenta Marcelo Gomes, um dos diretores da produção ao lado de Carol Minêm.

A série consegue ser política sem ser panfletária, emocional sem ser piegas e histórica sem parecer uma aula. O mérito está na construção cuidadosa do roteiro, que prioriza os vínculos humanos em vez de números ou datas. É uma história de pessoas, com todas as suas contradições.

Reconhecimento lá fora — antes de chegar aqui

Antes mesmo de estrear oficialmente no Brasil, Máscaras de Oxigênio (não) Cairão Automaticamente já estava chamando atenção no exterior. Foi exibida fora da competição oficial no Festival de Berlim e recebeu uma menção honrosa da Queer Media Society, que destacou a “coragem narrativa e a potência emocional” da obra. No Festival Internacional de Valência – Cinema Jove, venceu o prêmio de Melhor Série de TV e Melhor Roteiro Original.

“Ver essa história ser abraçada em outros países é emocionante, mas também nos obriga a pensar: por que demoramos tanto para contá-la por aqui?”, questiona Carol Minêm. “Talvez porque mexe em feridas abertas. Mas contar também é curar.”

O título que ecoa — e que dói

O nome da série, por si só, já é um soco no estômago: Máscaras de Oxigênio (não) Cairão Automaticamente. Uma clara subversão do aviso padrão de segurança dos voos comerciais, usado aqui como metáfora para o abandono. Ninguém veio salvar. As máscaras não caíram. Foi preciso improvisar, correr, resistir — ou morrer.

“Essa frase define tudo. Porque ali, nos anos 80, se você não fosse salvo por alguém do seu círculo, dificilmente alguém mais apareceria. O Estado não apareceu. A igreja virou o rosto. A imprensa criminalizou. A sociedade ignorou. E mesmo assim, teve gente que ficou. Que cuidou. Que chorou. Que cantou no velório. Que segurou a mão até o fim”, resume Patricia Corso.

Uma memória coletiva em tempos de retrocesso

É impossível assistir à série sem pensar no presente. Em tempos de fake news, discursos de ódio e ataques constantes aos direitos da comunidade LGBTQIAPN+, Máscaras de Oxigênio (não) Cairão Automaticamente funciona como um espelho e um lembrete: não estamos tão distantes daquele Brasil, e talvez por isso seja tão necessário voltar a ele.

A série também contribui com o esforço coletivo de reconstruir a memória LGBTQIA+ no país, frequentemente apagada ou marginalizada. Ao dar protagonismo a personagens gays, trans e aliados que atuam na linha de frente da crise, ela reafirma a importância da representatividade com responsabilidade.

“Essas pessoas existiram. Essas histórias aconteceram. E se hoje temos medicamentos, prevenção e uma rede de cuidados maior, é porque alguém arriscou tudo lá atrás”, afirma Carlos Henrique Martins, ativista e historiador que atuou como consultor histórico da série.

Uma estreia aguardada — e necessária

A minissérie estreia dia 31 de agosto, com episódios semanais exibidos na HBO e liberados simultaneamente na HBO Max. A expectativa é de impacto. Mas mais do que audiência ou prêmios, os criadores esperam abrir conversas — nas escolas, nas famílias, nas redes sociais — sobre temas que ainda hoje enfrentam resistência: HIV, homofobia, abandono institucional, e, acima de tudo, cuidado.

“Não queremos que ninguém assista e simplesmente diga ‘que bonito’. Queremos que as pessoas fiquem incomodadas. Que pensem. Que abracem. Que procurem saber. Que não esqueçam”, diz Johnny Massaro.

“Estranho Jeito de Amar” emociona e conquista 8 indicações no Festival MT Queer Premia 2025

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Foto: Julio Andrade/ Reprodução

“A gente não quer só amor. A gente quer ser visto, compreendido e respeitado.” A frase é dita por um dos protagonistas de Estranho Jeito de Amar, mas poderia facilmente resumir o impacto social e artístico dessa websérie que, desde sua estreia no YouTube, tem arrebatado uma legião de fãs e conquistado elogios da crítica. Agora, a produção independente acaba de atingir um novo marco em sua trajetória: recebeu oito indicações ao MT Queer Premia 2025, um dos mais relevantes festivais dedicados à diversidade no audiovisual brasileiro.

Protagonizada por Rodrigo Tardelli e Allan Ralph, Estranho Jeito de Amar mergulha com sensibilidade e coragem em uma temática que ainda é pouco explorada na ficção brasileira: relacionamentos abusivos entre homens gays. Com roteiro denso, atuações emocionantes e uma estética marcada pela intimidade e crueza, a série traz à tona feridas abertas e silêncios impostos, revelando as múltiplas camadas de afeto, dor, dependência e superação que atravessam a vida de seus personagens.

Um amor que fere — e liberta

A primeira temporada da série apresenta o cotidiano do casal interpretado por Rodrigo e Allan: um relacionamento que, à primeira vista, parece repleto de cumplicidade e paixão. Mas à medida que os episódios avançam, a relação vai se revelando marcada por ciúmes excessivos, manipulação e violência emocional, num retrato potente do ciclo de abusos que muitas pessoas LGBTQIAPN+ enfrentam — e que raramente encontram espaço para ser discutido na ficção.

Rodrigo Tardelli, que além de ator é um dos idealizadores do projeto, conta que a ideia surgiu da necessidade de retratar formas de violência muitas vezes invisibilizadas, especialmente entre casais do mesmo sexo. “Durante muito tempo, a única imagem que tínhamos de casais LGBTQIAPN+ na mídia era ou a caricatura ou o romance idealizado. Mas existem dores que a gente precisa nomear. E a violência em relações afetivas queer é uma delas.”

A produção foi toda realizada com recursos próprios e por uma equipe enxuta, formada majoritariamente por profissionais LGBTQIAPN+.

“Cada cena era pensada com muito cuidado. A gente não queria apenas mostrar o que é um relacionamento tóxico, mas também mostrar como isso afeta profundamente a autoestima, a saúde mental, a percepção do outro e de si mesmo”, completa Allan Ralph, indicado junto de Rodrigo na categoria Melhor Ator (Drama).

Indicações refletem potência artística e relevância social

As oito indicações recebidas pela série não vieram por acaso. O reconhecimento abrange desde categorias técnicas, como Melhor Fotografia e Melhor Produção, até prêmios de destaque, como Melhor Roteiro (Drama), Melhor Direção, Melhor Elenco e Melhor Série.

“É emocionante ver que uma história como a nossa, feita com tanta garra, está sendo reconhecida em tantas frentes. O MT Queer Premia entende que a representatividade vai além de colocar personagens LGBTQIA+ na tela. Trata-se de mostrar nossas dores, nossos amores, nossas contradições — tudo com humanidade e respeito”, comenta Rodrigo, visivelmente emocionado.

O Festival MT Queer Premia é realizado anualmente em Cuiabá, capital de Mato Grosso, e já se tornou um dos principais eventos culturais do Centro-Oeste. Criado em 2016, o coletivo MT Queer é uma iniciativa que combina arte, militância e educação, promovendo ações de visibilidade, capacitação e acolhimento voltadas à comunidade LGBTQIAPN+ em todo o Brasil.

A premiação deste ano está marcada para o dia 19 de outubro, e promete reunir grandes nomes do cinema queer brasileiro, além de artistas independentes, militantes, produtores e entusiastas da diversidade.

Um festival para quem ousa narrar o silenciado

“A presença de Estranho Jeito de Amar entre os indicados não é só uma conquista artística. É uma conquista política. É a afirmação da potência das nossas histórias contadas com coragem, verdade e afeto”, diz Rodrigo. Ele destaca que o festival valoriza “quem ousa narrar o que ainda é silenciado”, e acredita que essa representatividade genuína pode transformar vidas.

Para a organização do MT Queer, o impacto de obras como essa ultrapassa a tela. “Quando vemos uma série que trata de abuso em relações homoafetivas com essa profundidade e sensibilidade, percebemos o quanto o audiovisual pode ser uma ferramenta de conscientização, empatia e transformação”, comenta Laís Farias, uma das curadoras do festival.

Segundo ela, Estranho Jeito de Amar marca um novo momento da produção audiovisual independente LGBTQIAPN+ no Brasil: “Estamos vendo narrativas que não têm medo de tocar em feridas, de problematizar, de provocar debate. E isso é fundamental para que a arte cumpra também seu papel social.”

Vozes que ecoam

Desde que estreou no YouTube, a websérie acumulou milhares de visualizações e uma base fiel de fãs, que não apenas assistem, mas compartilham, comentam e se sentem representados. Muitos relatos nas redes sociais mencionam como a história ajudou pessoas a identificarem abusos em suas próprias relações.

“Eu estava num relacionamento muito parecido e não conseguia nomear aquilo como abuso até ver a série. Foi um choque. Mas também um alívio. Eu percebi que não estava sozinha”, escreveu uma seguidora no Instagram da produção.

Outros fãs exaltam a atuação do elenco, em especial a entrega de Rodrigo e Allan em cenas intensas e emocionalmente exigentes. “Eles vivem aquilo de um jeito tão verdadeiro que a gente se sente parte daquela dor. A série me fez chorar, mas também me fez pensar”, comentou outro usuário.

Now United chega ao Brasil em novembro com turnê “Now or Never”: Veja as datas e cidades

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Foto: Reprodução/ Internet

O Brasil vai vibrar com a energia contagiante de um dos grupos musicais mais globais da atualidade. O Now United anuncia sua turnê “Now or Never” e passa por seis cidades brasileiras em novembro de 2025: Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Recife. Essa é a chance que fãs de todas as idades terão para ver de perto uma banda que não é apenas pop, mas também um símbolo da união entre culturas, línguas e histórias de vida.

Para quem acompanha o Now United desde seus primeiros passos, essa volta ao Brasil traz uma sensação de reencontro. Para os novos fãs, uma oportunidade de mergulhar no universo vibrante de um grupo que tem reinventado o conceito de banda internacional — com integrantes de diferentes partes do mundo que dançam e cantam juntos como uma só voz.

Mais que música: uma bandeira pela diversidade

O Now United não é um fenômeno à toa. Criado em 2017 pelo empresário Simon Fuller, o grupo surgiu com a ideia ousada de reunir jovens talentos de países distintos para formar uma banda pop única, que pudesse representar a diversidade do planeta. Essa mistura cultural não só é um diferencial estético, mas um verdadeiro manifesto de inclusão e globalização.

Cada integrante carrega sua cultura, sua língua, suas tradições — mas o que os une é a paixão pela música e pela mensagem positiva. “Quando você vê um show do Now United, não está só assistindo a uma apresentação; está vivenciando a história de um mundo conectado, em que diferenças são celebradas, não apagadas”, diz Lucas Mendes, fã do grupo há cinco anos.

O reencontro com o público brasileiro

O Brasil sempre foi um dos países onde o Now United encontrou maior conexão. Entre os membros brasileiros, Any Gabrielly foi uma das estrelas que encantou fãs pelo país, antes de seguir carreira solo. Hoje, a brasileira Desirée Silva carrega essa bandeira, trazendo um novo frescor ao grupo.

A turnê Now or Never vai passar por seis cidades estratégicas, incluindo capitais de diferentes regiões, o que mostra a força e o carinho dos fãs brasileiros. “Teremos shows em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Recife. Cada lugar tem um público especial, que vai receber o grupo com muita emoção”, conta a produção local.

Uma nova fase, novas músicas e muita emoção

Além do show, a turnê marca uma fase nova para o Now United. Depois de um processo natural de mudanças nos integrantes — muitos seguindo carreiras solo — o grupo se renova. Novos membros foram selecionados, garantindo que a essência multicultural continue viva, mesmo com as transformações.

No palco, a expectativa é de um espetáculo cheio de energia, com coreografias incríveis, figurinos coloridos e uma setlist que mescla clássicos com músicas inéditas. É a mistura do que o público ama com o que o futuro da banda reserva.

O impacto para além da música

A influência do Now United vai muito além das paradas de sucesso. O grupo se tornou um símbolo de esperança para jovens que buscam espaços para ser quem são, independentemente de origem ou cor. Suas redes sociais são um espaço de empoderamento e diálogo, onde temas como racismo, inclusão e saúde mental ganham voz.

Para fãs como Ana Clara, de Recife, isso faz toda a diferença. “Eu me sinto representada por um grupo que valoriza a diversidade, que me inspira a acreditar que posso conquistar o que quiser. E poder vê-los ao vivo é a realização de um sonho.”

A conexão digital que virou realidade

Parte do sucesso do Now United vem do forte vínculo criado com os fãs pelas redes digitais. Plataformas como TikTok, YouTube e Instagram são palco para coreografias virais, desafios e interações constantes entre os integrantes e o público.

Agora, essa conexão digital se transforma em experiência real, quando o grupo sobe aos palcos das cidades brasileiras, levando para o público a emoção de cantar junto, dançar e se sentir parte de algo maior.

Expectativas para os shows

Os ingressos para a turnê já começam a movimentar o mercado e as redes sociais, onde fãs trocam dicas de viagem, se organizam em grupos e compartilham expectativas. Os produtores prometem uma estrutura moderna, acessível e segura, com cuidados especiais para que todos possam aproveitar ao máximo.

“Queremos que cada show seja uma celebração de música, cultura e amizade”, diz Ana Luíza Costa, produtora responsável pela turnê no Brasil. “Além do espetáculo, estamos atentos para criar momentos de conexão entre fãs e artistas.”

A força da música para unir o mundo

Em um momento em que o mundo ainda vive desafios de polarização e distanciamento, o Now United surge como um lembrete de que a música é capaz de construir pontes. Ao reunir jovens de diferentes países, o grupo celebra a beleza das diferenças e mostra que, quando unidos, podemos criar algo muito maior do que cada um sozinho.

Foto: Reprodução/ Internet

Confira as datas dos shows:

Turnê Now United — Now or Never Brasil 2025

  • 11 de novembro — Porto Alegre (RS)
  • 12 de novembro — Curitiba (PR)
  • 15 de novembro — São Paulo (SP)
  • 19 de novembro — Rio de Janeiro (RJ)
  • 20 de novembro — Belo Horizonte (MG)
  • 25 de novembro — Recife (PE)

“Roda Viva” desta segunda (28/07) recebe Miguel Nicolelis para debate sobre ciência, tecnologia e futuro

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Foto: Reprodução/ Internet

“Nem inteligente, nem artificial.” A frase, carregada de sarcasmo e ceticismo, resume em poucas palavras a visão provocadora de Miguel Nicolelis sobre o que hoje é considerado uma das maiores revoluções tecnológicas do século: a Inteligência Artificial. Mas, para ele, não passa de um nome pomposo dado a um conjunto de estatísticas sofisticadas. Essa crítica, direta e desconcertante, já dá o tom do que promete ser uma das edições mais incendiárias do Roda Viva em 2025.

Na próxima segunda-feira, 28 de julho, às 22h, a TV Cultura transmite ao vivo a entrevista com um dos neurocientistas mais renomados — e controversos — do mundo. Conhecido por romper fronteiras entre ciência, filosofia e política, Nicolelis não mede palavras quando o assunto é o futuro da humanidade, a ética na tecnologia ou o papel da ciência na transformação social. Seu retorno ao centro da roda acontece em um momento crucial de debates sobre o avanço da IA, o papel do cérebro humano no século digital e o lugar do pensamento crítico em um mundo hiperconectado, mas nem sempre lúcido. As informações são da TV Cultura.

A entrevista poderá ser acompanhada também pelo app Cultura Play e nas redes sociais oficiais da emissora — YouTube, X (antigo Twitter), TikTok e Facebook. E, como manda a tradição do programa, o cartunista Luciano Veronezi estará ao vivo registrando em traços os momentos mais emblemáticos da conversa.

Um brasileiro que ouviu o cérebro

Miguel Ângelo Laporta Nicolelis nasceu em São Paulo, em 27 de março de 1961. Filho da escritora Giselda Laporta Nicolelis e do juiz Ângelo Nicolelis, cresceu em um ambiente que valorizava o conhecimento e o pensamento crítico. Desde cedo, aprendeu a questionar verdades prontas — uma postura que carregaria consigo ao longo da vida.

Formado em Medicina pela USP, Nicolelis escolheu um caminho pouco convencional: queria ouvir o cérebro, entender como os neurônios se comunicavam em tempo real, e, mais ousadamente, como essa comunicação poderia ser decodificada e traduzida em ação física. Na virada dos anos 1990, seu trabalho com neuroengenharia começou a ganhar visibilidade nos Estados Unidos, onde se estabeleceu como pesquisador e professor na Duke University.

Foi pioneiro no desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina, tecnologia que permite a pacientes com paralisia movimentarem membros robóticos ou próteses a partir da leitura da atividade elétrica cerebral. Um feito que rompeu com paradigmas científicos e colocou seu nome entre os mais citados da neurociência global.

O chute que o mundo nunca esqueceu

Se há um momento que sintetiza a ousadia de Nicolelis e sua visão de futuro, ele aconteceu em 12 de junho de 2014. Na abertura da Copa do Mundo, no estádio do Corinthians, em São Paulo, um jovem paraplégico deu o chute simbólico inicial da partida com o auxílio de um exoesqueleto robótico controlado por sinais do próprio cérebro.

Foi a concretização do projeto Andar de Novo, coordenado por Nicolelis no Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra, em Natal (RN). A imagem correu o mundo: um brasileiro, usando um aparato futurista, demonstrando que era possível caminhar — ainda que simbolicamente — sem movimentar os próprios músculos.

Mas a comunidade científica, como de costume, dividiu-se. Algumas revistas classificaram a demonstração como “limitada” ou “publicitária”. Houve quem aplaudisse o avanço da interface, e quem a visse como sensacionalismo. Nicolelis, no entanto, permaneceu fiel ao seu objetivo: “Foi um passo simbólico para milhões de pessoas no mundo que precisam saber que a ciência pode oferecer esperança.”

A política da ciência

Não é de hoje que Miguel ultrapassa as barreiras do laboratório. Durante a pandemia de Covid-19, foi uma das vozes mais ativas na imprensa, em redes sociais e em artigos de opinião. Seu posicionamento crítico frente às políticas públicas negacionistas do governo Bolsonaro o transformou em alvo de ataques, mas também em referência para setores que defendiam a ciência como pilar das decisões emergenciais.

Nicolelis coordenou, junto a outros pesquisadores, estudos epidemiológicos no Brasil e ofereceu alternativas ao colapso do sistema de saúde, propondo lockdowns regionais e testagens em massa. Em muitos momentos, sentiu que sua voz foi ignorada — algo que, segundo ele, custou vidas. “Fomos preteridos por um governo que escolheu o caos como política”, declarou em entrevistas à época.

Essa atuação reforçou uma faceta pouco explorada da ciência brasileira: a de cientistas que não se escondem em publicações técnicas, mas que falam à sociedade com clareza, assumindo os custos e riscos da exposição pública.

A entrada na ficção: “Nada Mais Será Como Antes”

Em 2025, Nicolelis surpreendeu ao lançar seu primeiro romance de ficção: Nada Mais Será Como Antes. A obra, um thriller distópico recheado de reflexões filosóficas e críticas sociais, mostra um futuro no qual a humanidade se vê refém de uma tecnocracia global controlada por algoritmos.

Inspirado em experiências reais e em sua leitura crítica do presente, o livro propõe uma reflexão inquietante: e se estivermos entregando nosso destino a máquinas que não pensam, mas decidem? O título, emprestado da canção de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, é um manifesto: não há retorno possível quando cruzamos certos limiares éticos e tecnológicos.

A recepção foi positiva. Além de garantir uma adaptação cinematográfica em fase inicial, a obra consolidou Nicolelis como um intelectual multifacetado, que transita entre ciência, política e arte com fluidez — algo cada vez mais raro em um mundo de especialistas isolados.

Uma crítica à inteligência que não pensa

Um dos pontos mais controversos — e mais aguardados — da entrevista no Roda Viva será o debate sobre Inteligência Artificial. Nicolelis tem sido uma das vozes mais contundentes contra o “fetichismo tecnológico” em torno da IA. Para ele, atribuir inteligência a algoritmos é um erro conceitual grave.

“Não há nada de artificial na inteligência, e muito menos inteligência nesses sistemas”, afirma. “Eles apenas identificam padrões estatísticos. Não têm consciência, não têm emoção, não sabem que existem. Nós, humanos, sabemos. Essa é a diferença fundamental.”

Ele reconhece os avanços da IA em tarefas específicas, como diagnósticos por imagem ou previsões de tráfego. Mas alerta para o risco de projetarmos nesses sistemas capacidades que eles não possuem. “O problema não é o que a IA pode fazer. É o que as pessoas acreditam que ela possa fazer. Esse descompasso pode custar caro.”

A participação de Nina da Hora, pesquisadora de tecnologia com foco em ética e inclusão, promete tensionar e enriquecer essa discussão. Nina tem pautado o debate sobre racismo algorítmico e governança digital no Brasil e no exterior, e deve trazer contrapontos à visão de Nicolelis, ainda que ambos partam de preocupações semelhantes sobre os rumos da tecnologia.

A bancada que pensa

O programa desta segunda reunirá uma bancada plural e qualificada para entrevistar Nicolelis. Além de Nina da Hora, estarão presentes:

  • Denis Russo Burgierman, jornalista e escritor, conhecido por traduzir ciência com linguagem acessível;
  • Pedro Teixeira, repórter da Folha de S.Paulo especializado em tecnologia e inovação;
  • Petria Chaves, da CBN, com uma abordagem mais sensível e humanizada;
  • Rafael Garcia, jornalista de ciência do jornal O Globo, com olhar técnico e preciso.

A presença desses nomes sugere uma entrevista que deve ir além do factual. Espera-se que temas como espiritualidade, paternidade, desigualdade social e o papel do Brasil na ciência global também estejam na pauta.

O cérebro coletivo como modelo de civilização

Entre as contribuições mais ousadas de Nicolelis está a ideia do “cérebro coletivo”. Ele propõe que, assim como neurônios operam em conjunto para formar pensamentos, emoções e ações, sociedades humanas deveriam aprender a agir como redes neurais complexas, em sincronia.

Essa teoria, que extrapola a biologia e entra no campo da filosofia política, defende a cooperação como elemento central da evolução humana. Em tempos de hiperindividualismo e tribalismo digital, sua proposta soa quase utópica — mas profundamente necessária.

“O futuro da humanidade depende da nossa capacidade de pensar em conjunto, não de competir uns com os outros. A natureza do cérebro é coletiva. E nós esquecemos disso”, afirma.

Um legado que inspira

Nicolelis é um cientista, mas também é um educador. Em Natal, no Instituto Santos Dumont, ele investe há mais de uma década na formação de jovens de comunidades periféricas. Lá, ciência é também afeto, inclusão e cidadania. O Instituto oferece desde atendimento em reabilitação até cursos técnicos e oficinas de robótica.

Esse lado menos visível de sua atuação talvez seja o mais transformador. Ele não quer apenas construir máquinas comandadas por pensamento — quer construir uma sociedade em que todos tenham acesso ao pensamento crítico. E, para isso, aposta na educação, na ciência cidadã e na autonomia local.

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