No Cinema na Madrugada deste sábado (26/07), Band exibe a comédia “As Excluídas”

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Na madrugada deste sábado, 26 de julho de 2025, o Cinema na Madrugada da Band exibe o filme As Excluídas (The Outskirts, no título original), uma comédia norte-americana que propõe uma divertida, porém reflexiva, jornada sobre aceitação, amizade e revolta juvenil contra as normas rígidas da popularidade escolar. Lançado originalmente em 2017, o longa ganha nova exibição na TV aberta e pode surpreender quem busca mais do que piadas colegiais: há aqui um olhar afiado sobre o papel de quem não se encaixa e como o poder pode facilmente corromper — mesmo quando vem com boas intenções.

Uma guerra declarada contra os padrões do ensino médio

Dirigido por Peter Hutchings e roteirizado por Dominique Ferrari e Suzanne Wrubel, As Excluídas mergulha na estrutura clássica das high schools norte-americanas: cheerleaders, jogadores de futebol americano, clubes científicos, góticos e artistas performáticos convivendo em corredores que funcionam quase como uma versão adolescente da sociedade capitalista. Nesse universo, Jodi (Victoria Justice) e sua melhor amiga Mindy (Eden Sher) são as típicas “nerds” que sobrevivem à margem da popularidade — até que se tornam vítimas de um bullying cruel orquestrado pela rainha da escola, Whitney (Claudia Lee).

O que poderia ser apenas mais uma comédia colegial sobre vingança se transforma quando Jodi e Mindy decidem fazer algo inusitado: unificar todos os “excluídos”, os chamados outcasts, para uma revolução social dentro da escola. Assim surge um movimento inesperado que questiona as estruturas sociais escolares e coloca à prova a hierarquia que define quem pode ou não ter voz.

Elenco carismático e diversidade de arquétipos

Victoria Justice, conhecida por seu papel em Brilhante Victória da Nickelodeon, assume o protagonismo com carisma e uma entrega sincera que dá camadas à personagem de Jodi. Eden Sher, lembrada pelo papel de Sue em The Middle, brilha com seu timing cômico e traz coração à jornada de Mindy, que, em meio à revolução social escolar, começa a questionar o verdadeiro preço da popularidade e até mesmo da própria amizade.

Além delas, o elenco é recheado de jovens talentos da televisão americana. Ashley Rickards (de Awkward) interpreta Virginia, uma artista excêntrica com um passado obscuro, enquanto Peyton List (de Jessie e Cobra Kai) dá vida à impassível Mackenzie. Avan Jogia, que também já contracenou com Justice, aparece como Dave, interesse amoroso de Jodi, e ajuda a ilustrar como o romance adolescente pode ser tanto um alívio cômico quanto uma armadilha emocional.

Claudia Lee encarna Whitney com precisão cirúrgica: a típica “mean girl” que, embora estereotipada em alguns momentos, serve como símbolo das pressões e ilusões criadas pela busca incessante por status e controle social.

Mais do que comédia: um comentário social disfarçado

Ainda que envolto em cores vivas, figurinos extravagantes e situações cômicas, As Excluídas propõe uma análise bastante atual sobre as dinâmicas de poder nas instituições. O colégio, aqui, é tratado como uma miniatura do mundo adulto: quem detém poder, influência ou beleza dita as regras, enquanto quem se desvia do padrão precisa encontrar maneiras alternativas de existir — ou lutar para mudar o jogo.

A proposta de unir todos os “desajustados” ecoa movimentos sociais reais, ainda que com uma abordagem leve. Góticos, nerds, LGBTs, artistas, alunos com deficiências, entre outros, se unem por uma causa comum. A metáfora da união das minorias frente ao poder hegemônico é evidente, e embora o roteiro se mantenha superficial em suas críticas, há mensagens importantes sendo transmitidas, especialmente para um público jovem.

O filme também fala sobre identidade: como adolescentes (e adultos também) moldam sua autoestima a partir de como são vistos pelos outros. Jodi e Mindy percebem que o poder pode ser tão sedutor quanto destrutivo — e que liderar uma revolução pode significar também abrir mão da essência de quem você é.

O risco da inversão dos papéis

Um dos grandes acertos do filme é quando ele começa a mostrar as consequências imprevistas da ascensão dos excluídos ao topo. A aliança entre os grupos antes marginalizados começa a apresentar rachaduras e, lentamente, Jodi e Mindy percebem que estão se tornando aquilo que criticavam. A narrativa, nesse ponto, dá uma guinada interessante: será que inverter a pirâmide social realmente resolve os problemas ou apenas perpetua o ciclo de opressão, com novos rostos nos velhos cargos de poder?

Essa reflexão, mesmo que suavemente tocada, dá profundidade ao longa e o distancia de outras comédias adolescentes rasas. O roteiro, embora pontuado por exageros e situações caricatas, encontra espaço para explorar dilemas morais e questionar os limites da popularidade conquistada.

Direção funcional e estética pop

A direção de Peter Hutchings é funcional e ágil, mantendo o ritmo leve e dinâmico. Os 94 minutos passam rapidamente, com uma montagem que alterna bem entre cenas cômicas, momentos emocionais e algumas viradas surpreendentes — ainda que previsíveis para o gênero. Visualmente, o filme aposta em uma estética pop: cores vibrantes, trilha sonora energética e figurinos que contrastam deliberadamente os grupos sociais representados.

Nova York serve de cenário para as gravações, mas o ambiente escolar genérico poderia ser em qualquer lugar — uma decisão que, de certa forma, reforça o caráter universal da história. A luta por pertencimento, o desafio de se encaixar (ou rejeitar o sistema) e a descoberta de quem realmente somos são dilemas comuns a jovens do mundo todo.

Uma boa pedida para a madrugada e além

Ao exibir As Excluídas, a Band aposta em um título que mistura entretenimento e leve crítica social, atingindo tanto o público nostálgico que cresceu assistindo a comédias colegiais quanto os jovens que ainda vivem os dilemas retratados no filme. É uma oportunidade para rir, se identificar e, quem sabe, repensar certos rótulos que persistem até hoje — tanto nas escolas quanto nas redes sociais e ambientes profissionais.

Além disso, o filme está disponível no Prime Video, o que facilita para quem quiser assisti-lo novamente ou recomendar a amigos. Com um elenco jovem e carismático, uma narrativa acessível e uma mensagem que ainda ressoa em tempos de cancelamento, bullying virtual e busca por pertencimento, As Excluídas se revela mais do que um passatempo adolescente: é um lembrete de que o mundo pode (e deve) ser mais inclusivo — mesmo que a revolução comece nos corredores da escola.

Crítica | “Quarteto Fantástico – Primeiros Passos” é um recomeço corajoso, imperfeito e estranhamente poético para a Primeira Família da Marvel

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“Ele não é como a gente. Ele é mais.” Essa frase, dita em um momento chave de Quarteto Fantástico – Primeiros Passos, sintetiza a ambição do filme: tentar reimaginar heróis exaustos por adaptações falhas com um olhar que seja, finalmente, mais. Mais maduro. Mais humano. Mais à altura do que o público sempre quis ver nessas figuras que, embora cósmicas, nasceram da intimidade disfuncional de uma família.

Dirigido com competência e senso de estrutura por Matt Shakman, o novo Quarteto Fantástico entrega, acima de tudo, funcionalidade. E isso, vindo de um histórico cinematográfico que inclui um desastre de 2015 e uma tentativa esquecível em 2005, já é motivo de celebração. Mas o filme vai além do básico. Ele entrega um frescor emocional inesperado, uma sobriedade elegante e até um toque poético que confere ao longa sua própria identidade dentro do saturado Universo Marvel.

Um drama quase existencial por trás das malhas e poderes

Diferente de outras produções do MCU, que se apoiam demais em piadas ou explosões, Primeiros Passos tem um ritmo que beira o contemplativo em certos trechos. A formação da equipe não é tratada como um grande evento, mas como uma consequência melancólica de decisões tomadas por amor à ciência — e, muitas vezes, por medo de envelhecer no anonimato.

Reed Richards (interpretado com precisão nerd, mas emocionalmente acessível por Pedro Pascal é o centro gravitacional do grupo — o cérebro que sonha alto demais. Sue Storm (vivida por Vanessa Kirby é mais do que a esposa do cientista: ela é um ventre metafórico e literal para o futuro. A comparação que o filme faz entre um buraco negro em expansão e a dilatação uterina durante o parto pode soar absurda no papel, mas em cena, curiosamente, funciona. É o tipo de imagem que nos lembra que super-heróis não são apenas armas — são espelhos de nossas esperanças mais primitivas.

Johnny Storm, por sua vez, é um personagem que o filme trata com certa hesitação. Há tentativas de construí-lo como um jovem gênio com instabilidade mental, numa espécie de cruzamento entre Tocha Humana e John Nash (Uma Mente Brilhante), mas essa proposta nunca deslancha por completo. Seu arco parece colado, como se estivesse em busca de um filme próprio. Ben Grimm, o Coisa, sofre ainda mais: sua tragédia pessoal — um homem transformado num monstro de pedra — merecia mais tempo de tela e mais coragem narrativa. O filme insinua seu sofrimento, mas logo recua, como se temesse deixar a sessão de cinema pesar demais.

O tempo, o vácuo e a luta contra o fim

Se há um inimigo real em Primeiros Passos, ele não usa capa nem armadura. É o tempo. Ou melhor: o vácuo. A inevitabilidade do nada. O filme é obcecado por buracos — negros, emocionais, temporais. E nessa obsessão, encontra uma beleza rara. A narrativa é pontuada por imagens que representam o ciclo da existência: bebês em incubadoras, foguetes em lançamento, anéis de acoplamento, cordões umbilicais rompidos pela ciência, pelo destino, pela ambição. Tudo começa e termina em algum tipo de vazio — e o Quarteto é convocado a preenchê-lo com o que há de mais frágil: a esperança.

Não é uma proposta exatamente divertida. Mas é honesta.

O cansaço do gênero… e o sopro de uma resistência

Há quem diga que o cansaço dos filmes de super-herói é inevitável. E talvez seja. Thunderbolts, lançado recentemente, parecia mais um sinal de exaustão do que de reinvenção. Mas Primeiros Passos desafia esse destino com dignidade. Mesmo dentro de um universo já sobrecarregado, o filme encontra espaço para perguntar: o que deixamos para os nossos filhos? Que legado nasce da destruição? Como proteger uma família que nasceu da exposição ao desconhecido?

Nessa perspectiva, o longa se aproxima mais de Os Incríveis do que dos próprios filmes da Marvel. E faz isso sem vergonha. Ao contrário: homenageia, implicitamente, aquela que continua sendo a melhor narrativa cinematográfica sobre super-famílias até hoje. E essa autoconsciência — essa humildade criativa — é um dos grandes trunfos da produção.

Limitações, sim — mas também uma nova promessa

É verdade que o filme peca em momentos importantes. O segundo ato é acelerado, sem o aprofundamento emocional que o primeiro promete. Há uma certa pressa em resolver conflitos, como se o roteiro ainda estivesse tentando atender a checklists impostos pelo estúdio. A química entre os quatro protagonistas funciona mais pela ideia do que pela execução. E, claro, a ausência de um vilão realmente memorável (o retorno de Victor Von Doom, embora estilizado, é tímido) impede que o clímax atinja sua potência máxima.

Mas talvez isso seja parte do projeto. Primeiros Passos parece menos interessado em criar um épico definitivo e mais em assentar bases sólidas para um futuro — algo que as adaptações anteriores jamais conseguiram.

Um recomeço com alma

Quarteto Fantástico – Primeiros Passos não é perfeito, nem revolucionário. Mas é humano. E, neste ponto da história do gênero, isso já é quase um milagre. Ao optar por um tom mais contemplativo, por metáforas inesperadas e por perguntas incômodas, o filme se aproxima de uma nova linguagem dentro do cinema de super-heróis — uma linguagem que não despreza o espetáculo, mas que coloca o afeto e o significado no centro da cena.

“Eita, Lucas!” deste sábado (26/07) desembarca em Governador Valadares com MC Daniel

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Foto: Divulgação/SBT

Não tem tempo ruim quando a energia é boa e o povo é caloroso. E é com essa vibe que o “Eita, Lucas!” segue sua caravana pelos quatro cantos do Brasil, levando alegria, desafios inusitados e histórias emocionantes para a televisão aberta. Neste sábado, 26 de julho de 2025, a Arena do programa estaciona em Governador Valadares, no coração de Minas Gerais, antes de seguir rumo à ensolarada Itabuna, na Bahia. E como já virou marca registrada, o público pode esperar muito mais do que risadas: tem talento, música, superação e, claro, prêmios em dinheiro!

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Governador Valadares: quando a voz vale 5 mil reais (ou um banho gelado)

Em solo mineiro, o quadro “Chuveiro ou Dinheiro” promete arrancar gargalhadas e aplausos em medidas iguais. A proposta é simples, mas o nervosismo é real: subir ao palco, cantar com garra e tentar convencer o público – e os jurados – de que merece embolsar até 5 mil reais. Mas se desafinar… o castigo vem de cima: um banho de chuveiro na frente da plateia lotada!

“Tem que ter coragem e carisma. Aqui a gente valoriza quem se arrisca, quem coloca o coração na voz, mesmo que desafine um pouquinho”, brinca Lucas Guimarães, apresentador da atração, que se mostra cada vez mais à vontade nesse papel que mistura comunicador, parceiro e incentivador do povo.

E para deixar tudo ainda mais animado, o convidado especial da semana é ninguém menos que MC Daniel. O funkeiro, que tem arrastado multidões por onde passa, chega com o sorriso largo e uma playlist cheia de sucessos. Ele também entra na dança do quadro, ajudando Lucas a decidir quem leva o prêmio e quem vai sair de banho tomado.

“Adoro estar perto do povo. Esse programa tem uma vibe boa demais. É leve, engraçado, mas também tem histórias que tocam a gente”, comentou Daniel, que aproveita para cantar os hits que o consagraram como um dos nomes mais populares do funk atual.

De Minas à Bahia: emoção na estrada com o “Gaga de Itamotinga”

Após a folia mineira, a equipe do “Eita, Lucas!” ruma para o sul da Bahia. Em Itabuna, o público acompanha uma verdadeira jornada de superação e carisma com o quadro “Carona da Sorte”. Nele, Felipe – mais conhecido como “Gaga de Itamotinga” – embarca em uma carona especial com Lucas Guimarães pelas ruas da cidade, enfrentando provas, conversando com moradores e revelando sua história de vida com bom humor e autenticidade.

Felipe se tornou um fenômeno local não só por sua forma divertida de se expressar, mas por sua capacidade de rir de si mesmo e inspirar os outros com leveza e simpatia. Ao lado de Lucas, ele encara o desafio de vencer a inteligência artificial Áurea em uma série de perguntas e missões que testam memória, agilidade e sensibilidade.

O ápice da carona acontece em uma plantação de cacau, cenário típico da região cacaueira baiana. Lá, Felipe precisa cumprir um desafio envolvendo a colheita e o processamento do fruto, valendo até 10 mil reais em prêmios. Entre suor e risadas, o momento rende imagens lindas e uma conexão direta com a cultura local.

Um programa que é cara do Brasil

Mais do que um programa de auditório, “Eita, Lucas!” tem se consolidado como um verdadeiro retrato do Brasil profundo. Com linguagem popular, locações reais e histórias que misturam humor e emoção, o programa busca dar visibilidade a personagens comuns que, de repente, se tornam protagonistas em rede nacional.

Lucas Guimarães, que ficou conhecido nas redes sociais, mostra no palco da televisão que tem carisma e empatia de sobra. Ele escuta, vibra, brinca, abraça e se envolve com cada participante de forma genuína. Não à toa, a atração tem conquistado cada vez mais público e elogios pela abordagem humanizada.

“É muito mais do que um programa de prêmios. A gente quer levar alegria, autoestima e mostrar que o povo brasileiro é cheio de histórias lindas. E também sabe se divertir como ninguém!”, resume Lucas.

Convidados especiais que somam à festa

A cada edição, o “Eita, Lucas!” recebe artistas e personalidades que, além de entreter, também compartilham um pouco da própria trajetória. No palco, eles se misturam à plateia, participam dos quadros e cantam seus sucessos.

MC Daniel, por exemplo, não poupou elogios à experiência. “Ver a alegria desse povo, cantar junto, dar risada com Lucas… é tudo de bom. O Brasil precisa de mais coisas assim”, comentou o artista, que aproveitou para divulgar sua nova música e ainda surpreender um fã que estava na plateia.

Cultura local valorizada

O “Eita, Lucas!” também se destaca por integrar elementos regionais em cada cidade por onde passa. Seja numa plantação de cacau, em uma feira popular, ou em rodas de conversa com moradores antigos, o programa respeita as tradições locais e as transforma em cenários vivos de afeto e reconhecimento.

Em Itabuna, por exemplo, a produção destacou a importância histórica da cultura cacaueira na economia e na memória da cidade. Já em Governador Valadares, a música mineira e o jeitinho acolhedor dos valadarenses foram o pano de fundo perfeito para os quadros.

Prêmios, mas também autoestima

Ao fim de cada episódio, o saldo vai além dos valores distribuídos. Participantes saem transformados, cheios de histórias para contar e com um brilho diferente nos olhos. O público também se sente representado, vendo pessoas parecidas consigo ocupando o centro do palco, com dignidade e humor.

Felipe, o “Gaga de Itamotinga”, resumiu o sentimento com um sorriso largo e olhos marejados: “Nunca pensei que ia aparecer na televisão assim, sendo eu mesmo, com meu jeito, minhas falas… E ainda sair com um prêmio! Mas o melhor foi o carinho das pessoas”.

No Domingo Maior (27/07), Globo exibe o thriller de ação francês “Anna – O Perigo Tem Nome”

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Neste domingo, 27 de julho de 2025, o Domingo Maior da TV Globo apresenta um suspense eletrizante que mistura espionagem internacional, glamour e violência silenciosa: “Anna – O Perigo Tem Nome”. O longa francês, dirigido por Luc Besson, mergulha o público em uma trama repleta de reviravoltas, com uma protagonista que vive à sombra de duas identidades: de um lado, a modelo cobiçada por grifes de luxo ao redor do mundo; do outro, uma das assassinas mais mortais da KGB.

Estrelado pela estreante Sasha Luss, o filme reúne também um elenco de peso com Helen Mirren, Luke Evans e Cillian Murphy em papéis que ampliam as camadas de tensão e manipulação. Lançado originalmente em 2019, o thriller é, ao mesmo tempo, uma história de ação acelerada e um retrato sombrio de como governos, sistemas e até o glamour da moda podem ser usados para prender uma pessoa dentro de uma vida que ela nunca escolheu.

Anna – O Perigo Tem Nome propõe mais do que entretenimento. Propõe um mergulho psicológico na vida de uma mulher usada como arma, objeto de desejo e peça de um tabuleiro geopolítico no qual suas emoções são ignoradas e seu único desejo — a liberdade — parece inalcançável.

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Anna Poliatova: entre passarelas e silêncios mortais

A história de Anna começa em Moscou, no fim dos anos 80. A jovem Anna vive em meio à miséria, sem expectativas, vendendo pequenas bugigangas e tentando escapar da violência doméstica. Tudo muda quando é “descoberta” por um olheiro de modelos e convidada a se mudar para Paris, onde poderia ter uma nova vida.

A promessa de liberdade, no entanto, é ilusória. O que Anna realmente encontra é um novo tipo de prisão: ela é recrutada pela KGB, e sua verdadeira função será executar missões secretas como assassina de elite, eliminando alvos estratégicos sob o comando direto da agente Olga (Helen Mirren). Treinada para matar sem hesitação e para se adaptar a qualquer ambiente, Anna passa a viver uma vida dupla — modelo internacional durante o dia, agente letal durante a noite.

O contraste entre a vida de modelo e a rotina de agente secreta se torna o grande conflito interno da personagem. Anna é apresentada como uma mulher fria, calculista e disciplinada. Mas aos poucos, o filme revela suas fraturas: os traumas, a ansiedade contida e o medo constante de que tudo à sua volta seja apenas mais uma mentira.

Sasha Luss: uma protagonista que carrega tensão e vulnerabilidade

A escolha de Sasha Luss, modelo russa de passarelas, para o papel principal pode ter surpreendido na época do lançamento. Ainda que não tivesse uma carreira consolidada como atriz, sua presença em cena é hipnótica. Ela entrega um desempenho que equilibra fragilidade e brutalidade, silêncio e explosão. Seus olhos carregam mais do que a beleza das campanhas de moda — carregam peso, raiva, dúvida.

Anna é uma personagem que poucas vezes diz tudo o que sente. Grande parte de sua atuação está nos gestos sutis, na rigidez do corpo, no olhar que oscila entre o desejo de fugir e a conformidade com o destino que lhe impuseram. Não se trata de uma heroína clássica, tampouco de uma vilã. Anna é humana, é falha, e justamente por isso é fascinante.

Helen Mirren: frieza elegante em forma de comando

Do outro lado dessa relação de poder está Olga, interpretada por uma Helen Mirren afiadíssima. Ela é a agente responsável por comandar a operação da KGB da qual Anna faz parte. Sua performance mistura sarcasmo, autoritarismo e uma frieza quase maternal. Olga não é uma antagonista caricata. Ela representa o sistema: calculista, impiedosa e ao mesmo tempo dependente das pessoas que manipula.

Helen Mirren transforma Olga em uma figura contraditória. Ela protege Anna, treina Anna, admira Anna — mas está sempre pronta para descartá-la. É a típica liderança que valoriza os resultados e despreza a pessoa por trás da função. Em vários momentos, suas falas soam como conselhos, mas têm o tom de ameaça.

Espiões, traições e o jogo duplo com a CIA

Enquanto lida com a pressão de Olga e as missões impostas pela KGB, Anna também se vê envolvida com Leonard Miller, agente da CIA vivido por Cillian Murphy. Esse novo envolvimento oferece uma falsa esperança de liberdade. Miller propõe a Anna um acordo: se colaborar com a CIA, ela poderá escapar da KGB e reconstruir sua vida.

Mas o que parece ser uma saída é apenas mais um círculo vicioso. Anna passa a trabalhar como agente dupla, correndo riscos de ambos os lados. Luke Evans interpreta Alex Tchenkov, outro membro da KGB que mantém um relacionamento ambíguo com Anna — misto de paixão e vigilância. A sensação é de que, não importa o caminho que escolha, Anna está sempre cercada.

O roteiro aposta em flashbacks e saltos temporais para ir revelando as camadas ocultas das ações de Anna. Nada é o que parece. Cada cena adiciona uma nova perspectiva, forçando o espectador a reconstruir o passado da personagem a partir de peças soltas. Isso intensifica a tensão e transforma o filme quase em um quebra-cabeça narrativo.

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O glamour como disfarce: o submundo da moda

A ambientação do universo da moda cumpre um papel crucial na narrativa. Anna desfila em Paris, viaja para Milão, posa para campanhas, vive cercada por câmeras e holofotes. Mas esse brilho é apenas uma fachada para suas ações sombrias. O filme expõe como o luxo pode servir como cortina de fumaça para o horror — e como Anna usa a superficialidade da indústria fashion para se esconder à vista de todos.

A direção de arte e os figurinos reforçam essa dualidade. Enquanto a personagem brilha com roupas elegantes, por baixo do tecido há sempre um coldre escondido, uma arma na bolsa, uma rota de fuga. O filme desafia o espectador a enxergar além da aparência, tanto da protagonista quanto do mundo ao seu redor.

Luc Besson retorna ao seu território mais conhecido

Com Anna, Luc Besson revisita o gênero que o consagrou. Depois de sucessos como Nikita (1990) e O Quinto Elemento (1997), ele volta a colocar uma mulher no centro de uma trama violenta e ambígua. A estética do diretor está presente: os ângulos estilizados, as sequências de ação coreografadas como dança, e os dilemas morais disfarçados de suspense.

No entanto, Anna tem um tom mais melancólico e cínico. Não há promessas de redenção ou de justiça. O que existe é uma mulher tentando sobreviver — e, quem sabe, encontrar uma brecha para finalmente viver sob seus próprios termos.

Recepção e legado: um filme subestimado?

Apesar de sua proposta ousada e estilo visual refinado, Anna – O Perigo Tem Nome teve uma recepção morna da crítica. Com 33% de aprovação no Rotten Tomatoes, foi visto por muitos como um repeteco de fórmulas anteriores. No entanto, entre o público, a resposta foi consideravelmente mais positiva, com aprovação de 75% no mesmo site e um “B+” no CinemaScore.

O filme arrecadou pouco mais de 31 milhões de dólares ao redor do mundo — uma bilheteria modesta, mas que não impediu Anna de conquistar um espaço cult entre fãs de thrillers de espionagem. Há quem defenda que o longa seja redescoberto, especialmente por sua protagonista complexa e pelo subtexto sobre abuso de poder e opressão institucional.

Anna, o perigo e a liberdade como ilusão

No centro de tudo, está Anna Poliatova. Uma mulher que, em busca de uma saída, é jogada em caminhos cada vez mais sombrios. Seu maior inimigo não é a CIA, nem a KGB. É o sistema que a força a viver papéis que não escolheu. É a constante sensação de que sua liberdade nunca será plena enquanto ela for útil a alguém mais poderoso.

No fim, Anna – O Perigo Tem Nome é sobre identidade, manipulação e resistência. É sobre como, mesmo em silêncio, uma mulher pode lutar para ser mais do que uma função. E sobre como, às vezes, o mais perigoso não é o que se vê — mas o que se esconde por trás de um sorriso ensaiado, de um salto alto e de um olhar frio.

Onde posso assistir?

Além da exibição na Record TV, o público que quiser conferir Anna – O Perigo Tem Nome também pode assistir ao filme em diferentes plataformas de streaming. Assinantes da Netflix e do Telecine têm acesso liberado ao título por meio da assinatura, aproveitando toda a imersão do thriller de espionagem com qualidade e praticidade. Já para quem prefere alugar o longa, a opção está disponível no Prime Video, com valores a partir de R$ 14,90

Remix de Rick Bonadio une gerações e continentes com Bruno Martini e Double You

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Quando o passado e o presente se encontram na música, o resultado pode ser eletrizante. E é exatamente esse o caso do mais novo lançamento da Midas Music: Runaway Child (Rick Bonadio Remix), uma reimaginação energética da faixa que nasceu da improvável — e poderosa — união entre a banda italiana Double You, ícone da música dance dos anos 90, e o brasileiro Bruno Martini, um dos DJs e produtores mais relevantes da cena eletrônica atual. Agora, o produtor Rick Bonadio, conhecido por lançar e consolidar carreiras que marcaram a história da música brasileira, como Mamonas Assassinas, Rouge e NX Zero, traz uma nova roupagem à canção, tornando-a ainda mais universal, dançante e ousada. As informações são do Sessão Cinéfila.

O remix já está disponível em todas as plataformas digitais, e é mais do que uma simples reinterpretação: é uma declaração artística que conecta gerações e geografias.

A alquimia sonora de uma faixa que não para de crescer

O lançamento de “Runaway Child” já carregava em si um DNA poderoso. De um lado, o carisma e a voz inconfundível de William Naraine, vocalista do Double You — grupo que eternizou sucessos como “Please Don’t Go” e “Part Time Lover” nas pistas dos anos 90. Do outro, Bruno Martini, produtor versátil, filho do cantor Gino Martini (o que por si só já sugere uma linhagem artística), que soma mais de 1,9 bilhão de streams no Spotify e já colaborou com artistas como Alok, Timbaland, IZA e Avicii.

Com a nova versão assinada por Rick Bonadio, o projeto ganha um terceiro vértice — e com ele, ainda mais potência. “Esse remix une Brasil e Itália com elementos que falam diretamente com o público global. É uma leitura mais ousada da faixa original, feita para a pista e com identidade própria”, explica Bonadio, com a experiência de quem sabe exatamente como tornar uma música um sucesso multiplataforma.

A nova versão, embora mantenha a alma da canção original — suas melodias nostálgicas e letras que evocam a sensação de liberdade, fuga e descoberta —, ganha uma pulsação mais intensa, sintetizadores vibrantes e uma estrutura que convida à dança sem pudor, como nas melhores noites de pista.

“Rick traduziu a música para um novo mundo”

Bruno Martini é só elogios ao parceiro de remixagem. “Rick trouxe uma perspectiva completamente nova para a música. Ele conseguiu manter a essência da faixa, mas transportando tudo para um ambiente ainda mais pulsante e contemporâneo”, diz.

Segundo Bruno, o remix surgiu de uma troca muito natural. “A gente já trabalha juntos na Beeside, temos afinidade criativa e visão de longo prazo. Quando mostrei a música, o Rick já começou a imaginar caminhos para ela dentro do universo da pista, e o resultado superou minhas expectativas.”

Não é para menos. Rick Bonadio tem o dom raro de saber onde colocar cada batida, cada respiro e cada silêncio. Seu remix não apenas reveste a faixa com uma nova sonoridade: ele a recontextualiza para uma audiência que consome música de forma rápida, plural e globalizada. Ao mesmo tempo, entrega valor para quem ainda busca emoção na pista e memória no fone de ouvido.

De volta às pistas — e ao coração do público

“Runaway Child (Rick Bonadio Remix)” é mais do que um lançamento estratégico. É parte de uma narrativa pensada para dar longevidade à faixa, criando momentos diferentes para públicos distintos. A primeira versão, lançada há poucas semanas, celebrou o encontro entre gerações e a qualidade da produção internacional. Agora, o remix vem para expandir a faixa para o circuito dos clubes e playlists voltadas ao dance pop contemporâneo.

Mas a história não para por aí. Nas próximas semanas, uma versão acústica de “Runaway Child” será disponibilizada, mostrando que a música tem força até mesmo quando despida dos beats. “É uma música que se sustenta só com voz e violão, e isso é raro no pop eletrônico”, afirma Bruno.

Essa multiplicidade de formatos não é mero acaso: ela traduz uma estratégia moderna de lançamento, em que uma mesma música pode — e deve — ter diversas vidas. Para Rick Bonadio, é também um reflexo da maturidade da cena musical brasileira. “Hoje temos artistas e produtores com capacidade técnica e sensibilidade artística para dialogar com o mundo sem perder a identidade. Esse projeto mostra isso com clareza.”

O retorno de Double You e o poder da nostalgia bem construída

O envolvimento do Double You no projeto adiciona uma camada extra de valor simbólico. Para muitos fãs da dance music, ouvir novamente a voz de William Naraine em uma faixa inédita é como reencontrar um velho amigo depois de anos — e perceber que ele continua incrível.

Desde os anos 90, quando dominou pistas e rádios com sucessos que cruzaram oceanos, o Double You manteve-se como referência no gênero, mesmo com hiatos criativos. Com o retorno ao estúdio e o reencontro com o público global por meio dessa colaboração, a banda mostra que está longe de ser apenas uma lembrança nostálgica. Ela se reinventa — e se reconecta.

Para William, o projeto é uma chance de se reconectar com uma nova geração. “Quando Bruno nos convidou, sentimos que era o momento certo. A música tem uma energia moderna, mas ao mesmo tempo carrega emoção e intensidade que sempre buscamos. O remix do Rick só reforça isso”, declarou o cantor em entrevista recente à mídia italiana.

O selo Beeside: onde talento encontra liberdade

A faixa também representa a força da Beeside Records, selo fundado por Bruno Martini, Rick Bonadio e Edo Van Duijn. Criado com o objetivo de fomentar colaborações criativas entre talentos de diferentes partes do mundo, o selo tem como marca registrada a liberdade estética e o foco na qualidade sonora.

“A Beeside nasce da vontade de criar algo além do convencional. A gente acredita na música como linguagem global, e é isso que estamos mostrando aqui”, conta Edo, parceiro estratégico do projeto. Segundo ele, o sucesso de “Runaway Child” — em suas múltiplas versões — já está servindo como blueprint para novas colaborações.

Entre beats e emoções, uma faixa que corre livre

“Runaway Child”, em sua essência, fala sobre fuga, sobre sair do conhecido, correr atrás de algo maior — talvez uma paixão, um sonho ou simplesmente liberdade. É essa metáfora que atravessa todas as versões da faixa. E é isso que torna o remix de Rick Bonadio tão potente: ele não altera a alma da canção, apenas troca as roupas, deixando-a pronta para uma nova viagem.

Para Rick, produzir esse remix foi mais do que um trabalho: foi um reencontro com a essência de fazer música com emoção e propósito. “É muito mais do que remixar uma faixa. É sobre traduzir sentimentos para novos formatos. É isso que me move como produtor”, conclui.

Apple TV+ revela trailer de “Pluribus”, nova série de Vince Gilligan – Um drama filosófico sobre infelicidade, protagonizado por Rhea Seehorn

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Imagine um mundo onde ser feliz deixou de ser um ideal para se tornar uma obrigação. Onde sorrisos são fiscalizados, medos reprimidos e qualquer manifestação de tristeza é vista como um erro sistêmico a ser corrigido. É nesse cenário intrigante — e assustadoramente familiar — que nasce “Pluribus”, nova série criada por Vince Gilligan, o mesmo cérebro por trás de Breaking Bad e Better Call Saul.

O Apple TV+ revelou nesta sexta-feira, 25 de julho, a primeira imagem oficial da produção e, com ela, acendeu uma centelha de expectativa que se espalha rapidamente entre fãs, críticos e entusiastas da boa televisão. A estreia mundial está marcada para 7 de novembro, com os dois primeiros episódios disponibilizados de uma vez, seguidos por lançamentos semanais até 26 de dezembro. E antes mesmo de chegar às telas, a série já está renovada para uma segunda temporada — sinal de que a Apple sabe o que tem nas mãos. As informações são do Deadline.

E o que tem nas mãos? Uma história que tem tudo para cutucar feridas contemporâneas com precisão cirúrgica: “a pessoa mais infeliz da Terra precisa salvar o mundo da felicidade”.

A imagem que diz tudo e quase nada

Na imagem divulgada pela plataforma, vemos Rhea Seehorn — a brilhante intérprete de Kim Wexler em Better Call Saul — sentada sozinha em um banco de praça, sob um céu cinzento. Ela não chora. Também não sorri. Apenas… está. Ali, estática, desconectada de um mundo que parece ter seguido em frente sem ela.

É uma fotografia sutil, mas carregada de significado. A solidão não é um detalhe, é o cenário. E essa mulher, aparentemente comum, carrega um universo de ruídos dentro de si. O nome dela é Ellie Kimble, e ela não quer salvar ninguém — muito menos a si mesma.

Gilligan descreve a personagem como “alguém que desistiu de lutar, até descobrir que sua própria dor é a chave para evitar algo muito pior: a total homogeneização da emoção humana”.

Um mundo feliz demais

Pluribus parte de uma pergunta inquietante: e se a felicidade fosse tratada como uma política pública, um bem mensurável, imposto, cobrado, regulado? Em um mundo futurista, mas perigosamente parecido com o nosso, a tristeza se torna não apenas indesejável, mas ilegal. Algoritmos regulam sentimentos, remédios calibram o humor, empresas vendem experiências “positivas” em pacotes de assinatura.

E nesse cenário, surge Ellie — uma ex-funcionária pública com histórico de depressão resistente a tratamento, que se torna uma anomalia estatística. Alguém que não se encaixa. Que não melhora. E que, por isso mesmo, é convocada para cumprir uma missão que beira o absurdo: impedir que o mundo seja feliz demais.

Gilligan em novo território

Conhecido por transformar anti-heróis em figuras inesquecíveis — vide Walter White e Saul Goodman — Vince Gilligan agora se aventura em uma distopia emocional, onde os grandes vilões não são traficantes ou advogados corruptos, mas a padronização da experiência humana.

“Vivemos em uma era que patologiza qualquer desconforto. A tristeza virou defeito, não sinal de alerta. A série nasce do incômodo que sinto com isso”, disse Gilligan em entrevista recente. “Não é sobre fazer apologia à infelicidade. É sobre reconhecer que há valor na dor, no luto, na solidão. Que nem toda cura começa com um sorriso.”

A proposta de Pluribus é ousada — um drama filosófico com doses de ficção científica, suspense psicológico e crítica social. Algo entre The Leftovers e Black Mirror, mas com a pegada narrativa paciente e reflexiva que é marca registrada de Gilligan.

Rhea Seehorn: o centro do furacão

Quando se fala em potência emocional, Rhea Seehorn é uma das poucas atrizes capazes de carregar o silêncio com a mesma força de um monólogo. Sua performance em Better Call Saul foi um dos grandes trunfos da série, e sua ausência em indicações a prêmios gerou revoltas nas redes sociais.

Agora, ela protagoniza sua primeira série como a estrela absoluta. E não poderia ser mais merecido.

Ellie Kimble, sua personagem, não tem frases de efeito, nem heroísmo épico. Ela é frágil, cínica, arredia. Mas carrega consigo uma lucidez que o mundo ao seu redor parece ter perdido. “Ela não quer salvar o mundo. Só quer ser deixada em paz. E isso é revolucionário quando todos esperam que você sorria o tempo todo”, comentou Seehorn durante uma leitura do piloto.

Quem está por trás

A série é produzida pela Sony Pictures Television, com um time afiado de veteranos. Além de Gilligan, o projeto conta com nomes como Gordon Smith (roteirista de episódios icônicos de Breaking Bad), Alison Tatlock (Better Call Saul), Diane Mercer, Allyce Ozarski, e Jeff Frost. A produção executiva tem ainda Jenn Carroll, responsável por El Camino: Um Filme de Breaking Bad, e Trina Siopy, que passou por A Casa do Dragão.

O elenco também brilha pela diversidade e profundidade. Karolina Wydra interpreta uma executiva de tecnologia que vê na padronização emocional uma solução econômica. Carlos-Manuel Vesga, aclamado por seu trabalho em The Hijacking of Flight 601, vive um padre que desafia os dogmas da “felicidade compulsória”. Há ainda participações especiais de Miriam Shor e Samba Schutte, completando um painel rico de personagens que orbitam o epicentro existencial de Ellie.

Quando ser feliz vira imposição

A série é mais que uma crítica. É um espelho. Em tempos de redes sociais, filtros de alegria, coaches da plenitude e aplicativos que monitoram nosso sono e nossos passos, Pluribus soa como um sussurro incômodo: e se tudo isso for demais?

O drama não está em salvar o mundo de uma catástrofe física, mas de uma catástrofe emocional — a perda da autenticidade dos sentimentos.

“Estamos nos tornando incapazes de sofrer. E isso, paradoxalmente, nos torna menos humanos”, diz uma das personagens da série. A frase, simples, encapsula o espírito da obra: um chamado para resgatar a inteireza da condição humana — com suas alegrias, sim, mas também com suas dores.

Estreia em novembro: o início de um incômodo necessário

A primeira temporada de Pluribus terá nove episódios, com estreia global em 7 de novembro, exclusivamente no Apple TV+. Os dois primeiros episódios chegam juntos; depois, um novo a cada sexta-feira, encerrando a temporada no dia 26 de dezembro, ironicamente um feriado dedicado à celebração — e, quem sabe, à solidão silenciosa de muitos.

Di Paullo & Paulino e Henrique & Diego emocionam o público no “Viver Sertanejo” deste domingo (27/07)

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Foto: Reprodução/ Internet

Neste domingo, dia 27 de julho de 2025, a música sertaneja ocupará seu lugar de honra na programação da TV aberta com um episódio especial do Viver Sertanejo, apresentado por Daniel, logo após o Globo Rural. No centro do palco, duas duplas que representam diferentes eras e vertentes do gênero: Di Paullo & Paulino, veteranos da raiz sertaneja com mais de 40 anos de trajetória, e Henrique & Diego, representantes do romantismo moderno que conquistaram o público jovem com letras envolventes e melodias dançantes.

O programa desta semana vai muito além de performances musicais. Ele mergulha em histórias de vida, superações, memórias e afetos que ajudam a entender por que o sertanejo segue como um dos gêneros mais amados do país. E, sobretudo, promove um tributo emocionante à eterna Marília Mendonça, que completaria 30 anos neste mês de julho e cuja presença é sentida em cada acorde, em cada silêncio reverente, em cada verso cantado com alma.

Duas histórias, um mesmo sentimento

De um lado, os irmãos Di Paullo & Paulino chegam com sua trajetória moldada na terra, no rádio AM, nos circos e nas festas do interior de Minas Gerais. De outro, Henrique & Diego, amigos de infância que saíram de Cuiabá e atravessaram os palcos do Brasil com hits que marcaram os anos 2010. Embora suas rotas pareçam opostas — raiz e pop, estrada e streaming, viola e beats —, há um elo invisível e poderoso entre eles: a fidelidade à emoção e à verdade que carregam em suas canções.

O encontro não é só musical, mas simbólico. É o sertanejo se olhando no espelho da própria história e se reconhecendo múltiplo, vivo, em constante renovação. Ao longo do programa, o público é presenteado com performances, conversas íntimas e muitas surpresas que fazem desta edição uma das mais marcantes da temporada.

Di Paullo & Paulino: da infância mineira aos palcos do Brasil

Quem vê Di Paullo & Paulino hoje, com suas camisas xadrez impecáveis, chapéus de feltro e vozes afinadas pelo tempo, talvez não imagine que tudo começou de forma modesta. Naturais de Martinho Campos, Minas Gerais, os irmãos Elias e Geraldo começaram a cantar ainda crianças, influenciados pelo pai, que tocava violão e incentivava a musicalidade dos filhos.

“Nosso pai colocava discos do Tonico & Tinoco pra tocar enquanto cuidava da lavoura”, relembra Paulino, no palco do Viver Sertanejo. “A gente ia pegando no ouvido, treinava escondido. Quando ele viu, já tinha dupla formada.”

A infância simples e o ambiente rural forjaram não só o repertório da dupla, mas também seu modo de ver a música. Cada canção de Di Paullo & Paulino carrega uma melodia quase ancestral, como se cada nota viesse carregada de pó da estrada, cheiro de fogão a lenha e lembranças de amores antigos.

No programa, eles cantam sucessos como “Amor de Primavera”, “Cama Triste” e a clássica “Passarinho do Sertão”, relembrando ainda histórias saborosas dos bastidores dos anos 1980 e 1990. Em um dos trechos mais curiosos da conversa com Daniel, Paulino conta que afinou a viola de Leandro & Leonardo antes de um importante festival em Goiânia. “Eles ganharam aquele dia. Depois disso, quando lancei nosso primeiro disco, fui pedir ajuda pra entrar na gravadora. Eles abriram portas pra gente. É por isso que digo: no sertanejo, gratidão é uma estrada de mão dupla.”

Henrique & Diego: entre o samba, o pagode e o sertanejo pop

Se a trajetória dos veteranos começa em plantações e rádios de pilha, a de Henrique & Diego tem tons mais urbanos e contemporâneos. Nascidos e criados em Cuiabá, ambos tiveram contato com a música em contextos diferentes. Diego veio da escola de samba, onde cantava puxando enredos com apenas 11 anos. Henrique, por sua vez, começou como roadie e depois como backing vocal em bandas locais.

O reencontro dos dois, após uma breve pausa na carreira de Diego para se dedicar aos estudos, foi decisivo. “Eu já tinha desistido. Mas o Henrique me chamou de volta. Disse que via futuro na gente. A partir dali, nunca mais parei”, diz Diego, emocionado.

A dupla fez de tudo no início: tocou em barzinho, em casamentos, em festas universitárias. O sucesso veio em 2011 com “Top do Verão”, mas foi com “Suíte 14”, parceria com MC Guimê, que eles estouraram de vez, alcançando as paradas do Brasil inteiro.

No Viver Sertanejo, eles revisitam esses momentos com leveza e bom humor. Cantam seus maiores hits e falam sobre a importância de manter os pés no chão. “A gente vem do pagode, mas encontrou no sertanejo o jeito mais sincero de se expressar”, diz Henrique. “Aqui a gente fala de amor, de perda, de esperança. É isso que toca as pessoas.”

Marília Mendonça: uma estrela que segue brilhando

O ápice emocional do episódio acontece quando as duas duplas se unem para cantar “Estrelinha”, canção lançada em 2018 por Di Paullo & Paulino com participação de Marília Mendonça. A música, que ganhou enorme projeção após a trágica morte da artista em 2021, virou um hino silencioso da saudade.

No estúdio, as luzes se apagam suavemente. As primeiras notas da viola ecoam como uma oração. Paulino entra com a voz tremendo, Henrique segura a emoção. A plateia se cala. Cada verso é um sopro de memória. Quando Diego entoa o refrão, há lágrimas. Muitas. Em Daniel, nos músicos, nos olhos discretos das câmeras. É mais que uma performance: é um ritual coletivo de saudade, amor e reverência.

Marília completaria 30 anos nesta semana. E, como lembra Daniel, “não há como falar do sertanejo atual sem lembrar da revolução que ela causou.” Jovem, talentosa, combativa e generosa, Marília Mendonça abriu caminhos para mulheres, para compositores, para a emoção crua. Sua ausência é sentida, mas sua presença é constante.

Um programa que respira Brasil

O sucesso do Viver Sertanejo não é acidental. Criado com a missão de resgatar e celebrar a essência da música sertaneja, o programa tem direção artística de Gian Carlo Bellotti, produção executiva de Anelise Franco e produção de Nathália Pinha, sob a direção de gênero de Monica Almeida. A apresentação de Daniel — ele próprio um ícone do gênero — garante não só credibilidade, mas acolhimento, emoção e afeto.

Daniel conduz as conversas com naturalidade, fazendo perguntas certeiras e emocionando-se junto aos convidados. É evidente que ali há troca verdadeira, não apenas roteiro. O cenário intimista, a luz quente e a plateia pequena criam um clima de encontro, e não de espetáculo.

O sertanejo como espelho de um Brasil que sente

Mais do que músicas de sucesso, o episódio deste domingo entrega ao público um mergulho na alma do sertanejo. Um gênero muitas vezes simplificado pelos estereótipos, mas que, na verdade, é complexo, emocional e profundamente ligado às raízes culturais do Brasil.

Ao reunir Di Paullo & Paulino e Henrique & Diego, o programa cria pontes entre o ontem e o hoje. Entre o campo e a cidade. Entre o modão que embala o amanhecer na fazenda e o hit que toca nos fones de ouvido nas metrópoles. E mostra que, mesmo com linguagens diferentes, o que importa é a verdade emocional.

“Lutando por Você” – Uma série que une ação, suspense e emoção disponível no Viki

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Foto: Reprodução/ Internet

No cenário cada vez mais diversificado das produções asiáticas para streaming, “Lutando por Você” destaca-se como um drama que combina ação, suspense e uma profunda carga emocional. Disponível na plataforma Viki, a série vem conquistando o público com uma trama que transcende o mero entretenimento, oferecendo uma reflexão sobre escolhas difíceis, relações humanas e o preço da sobrevivência.

Uma trama envolvente em meio a dilemas morais

A narrativa acompanha Da Hei, interpretado por Andy Ko, um jovem que enfrenta graves dificuldades financeiras em decorrência de despesas médicas. Para garantir sua subsistência, ele ingressa em uma organização misteriosa que oferece trabalhos de toda natureza, que vão desde tarefas corriqueiras, como encontrar animais perdidos, até atividades perigosas e moralmente ambíguas, incluindo ações violentas.

Neste ambiente repleto de incertezas, Da Hei conhece Xiao Bai (Nelson Ji), seu colega de quarto e parceiro nas missões. Porém, há um segredo por trás dessa convivência: Xiao Bai é, na verdade, um agente secreto infiltrado com a missão de desmantelar a organização da qual Da Hei faz parte.

A série constrói, ao longo dos episódios, uma dinâmica complexa entre os dois protagonistas, que desenvolvem uma relação de confiança e cumplicidade que desafia suas obrigações profissionais e pessoais, conduzindo a uma narrativa carregada de tensão e emoção.

Personagens que vão além dos estereótipos

Um dos pontos fortes de “Lutando por Você” está na construção dos personagens centrais. Da Hei é um personagem profundamente humano, que enfrenta dilemas cotidianos com coragem e vulnerabilidade. Andy Ko entrega uma atuação convincente, retratando o conflito interno de um jovem que precisa se reinventar em um ambiente hostil sem perder sua essência.

Já Xiao Bai, interpretado por Nelson Ji, traz a complexidade do agente infiltrado dividido entre seu dever e os laços que cria. Sua jornada mostra que, mesmo aqueles com missões claras, podem ser movidos por sentimentos e questionamentos pessoais.

Essa dualidade dos protagonistas é o que dá ritmo à série, mantendo o público engajado e interessado em seus destinos.

Qualidade técnica e narrativa

Sob a direção de Cai Fei Qiao, a série apresenta uma produção que alia qualidade técnica a um roteiro inteligente. A ambientação reforça a atmosfera de suspense e perigo, enquanto a edição equilibra cenas de ação com momentos introspectivos.

A trilha sonora é utilizada com precisão, ressaltando as tensões dramáticas e acentuando os vínculos emocionais entre os personagens. O roteiro evita clichês e oferece reviravoltas que enriquecem a narrativa, além de abordar questões sociais relevantes, como desigualdade e os desafios das camadas mais vulneráveis.

A relevância da série no panorama atual

A obra dialoga com uma audiência global que busca produções que misturem entretenimento de qualidade com temas profundos. Em um momento em que as plataformas de streaming investem em conteúdo diversificado, esta série asiática oferece uma perspectiva autêntica sobre a realidade de muitos jovens, suas batalhas internas e externas.

A série também contribui para ampliar a representatividade no gênero de dramas de ação, ao dar voz a personagens que refletem nuances reais, longe do maniqueísmo tradicional.

Disponibilidade e como assistir

A série está disponível no Viki, plataforma especializada em conteúdo asiático, que oferece legendas em diversos idiomas. O público pode optar por assistir gratuitamente com anúncios ou assinar o serviço VIP para acesso antecipado e sem interrupções.

“Altas Horas” promete uma noite inspiradora com Ney Matogrosso, Alex Atala, Ana Carolina Raimundi, Débora Falabella e Milton Cunha

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Foto: Reprodução/ Internet

Neste sábado, 26 de julho de 2025, o programa ‘Altas Horas’, comandado por Serginho Groisman, traz ao público uma edição especial que vai muito além do entretenimento tradicional. O palco da atração receberá cinco personalidades de diferentes universos — o cantor Ney Matogrosso, o chef Alex Atala, a jornalista Ana Carolina Raimundi, a atriz Débora Falabella e o carnavalesco e pesquisador Milton Cunha — para uma conversa rica em histórias de vida, reflexões culturais e homenagens que prometem emocionar e inspirar os telespectadores.

Um encontro de trajetórias diversas, mas unidas pela arte e cultura brasileiras

A força do programa deste sábado está na pluralidade e no talento reunidos. Cada convidado carrega consigo uma trajetória marcada por desafios, superações e um compromisso profundo com sua área de atuação. A partir do diálogo aberto com Serginho Groisman, o público poderá mergulhar em memórias pessoais, conquistas e visões que refletem as múltiplas facetas da cultura brasileira.

Ney Matogrosso: ousadia, resistência e legado

Ícone da música nacional, Ney Matogrosso é sinônimo de coragem e inovação artística. Com uma carreira que ultrapassa cinco décadas, ele se transformou em símbolo da liberdade de expressão, rompendo padrões e abrindo caminho para uma música mais autêntica e plural. Durante a conversa, Ney relembra os momentos de dificuldade que enfrentou no início da carreira, quando chegou a ser desencorajado por um produtor. Mas a recusa em desistir o fez construir um repertório único, com canções que são verdadeiros hinos da música brasileira, como “Mesmo Que Seja Eu” e “Balada do Louco”.

A edição também reserva um momento especial de homenagem, com depoimentos de artistas que reconhecem sua importância cultural e o impacto transformador de sua obra. Ney Matogrosso sobe ao palco para encantar com sua voz inconfundível, reafirmando seu lugar como um dos maiores artistas do Brasil.

Débora Falabella: emoção e entrega em 30 anos de carreira

A atriz Débora Falabella celebra três décadas dedicadas à arte da interpretação, um percurso construído com paixão e intensidade. Conhecida por personagens marcantes como Nina, em “Avenida Brasil”, ela compartilha com o público a importância de se conectar verdadeiramente com cada papel, entregando uma atuação que vai além da técnica para tocar a alma dos espectadores.

Débora fala sobre o compromisso ético do ator e a responsabilidade de dar vida a histórias que reverberam no cotidiano das pessoas. Seu testemunho revela uma profissional que se reinventa e emociona há anos, mantendo-se fiel à essência do que a fez amar o teatro e a televisão.

Alex Atala: a gastronomia como expressão cultural e sustentável

Mais do que um chef renomado, Alex Atala é um defensor da valorização da cultura brasileira através da culinária. No programa, ele comenta sua experiência como jurado no reality show “Chef de Alto Nível” e enfatiza a importância de resgatar e preservar as raízes da cozinha nacional, dialogando com os pequenos produtores locais e defendendo uma relação sustentável com a terra.

Sua visão amplia o conceito de gastronomia para além do sabor, mostrando-a como um ato político e cultural que fortalece identidades e promove o respeito ao meio ambiente. O público poderá conhecer o lado mais humano e engajado de Atala, que acredita no poder da comida como ferramenta de transformação social.

Ana Carolina Raimundi: a renovação do jornalismo com sensibilidade

Recém-estreada como repórter do programa “Fantástico”, Ana Carolina Raimundi representa a nova geração do jornalismo brasileiro. Ela compartilha seus desafios iniciais, inspirações e momentos inesquecíveis, como o encontro com Paul McCartney e a experiência de cobrir os desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.

Com uma visão sensível e comprometida, Ana Carolina fala sobre o papel do jornalista na construção de narrativas que aproximam o público da realidade, com respeito e humanidade. Sua trajetória inspira jovens profissionais e reforça a importância da diversidade e renovação nos meios de comunicação.

Milton Cunha: guardião da memória e da cultura do Carnaval

Especialista em Carnaval, Milton Cunha traz ao programa sua rica experiência como pesquisador e carnavalesco. Ele destaca a importância histórica das escolas de samba, que surgiram como expressão cultural da negritude periférica carioca, transformando o abandono social em festa, resistência e identidade.

Com seu olhar profundo, Milton mostra como o Carnaval é muito mais que uma festa popular — é um fenômeno cultural que carrega histórias de luta, criatividade e pertencimento. Sua fala é um convite para refletirmos sobre o valor das tradições e o papel social do evento mais emblemático do Brasil.

A edição do ‘Altas Horas’ deste sábado será uma oportunidade rara de conhecer os bastidores das trajetórias de grandes nomes que representam a arte, a cultura, a gastronomia, o jornalismo e o patrimônio imaterial do país. Além das histórias pessoais, o programa reserva momentos de música, emoção e conexão, reafirmando o poder da cultura para unir, inspirar e transformar.

Crítica | “Amores Materialistas” é um filme visualmente impactante com propostas ambiciosas

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Foto: Reprodução/ Internet

Logo nos primeiros minutos de Amores Materialistas, uma certeza se impõe: algo está profundamente fora do lugar. Uma cena inicial de homens das cavernas — sim, homens das cavernas — tenta lançar alguma metáfora sobre desejos primitivos, evolução social ou instinto amoroso. O problema é que essa sequência se torna, ironicamente, o momento mais honesto do filme. Tudo o que vem depois se perde em uma encenação que, embora tente parecer sofisticada, não consegue esconder sua essência: um romance esvaziado, montado sob a lógica de um algoritmo, onde cada batida emocional parece pré-programada para maximizar cliques e agradar investidores.

Sob a direção de Celine Song, cujo trabalho anterior (Vidas Passadas) comoveu plateias mundo afora por sua delicadeza e humanidade, era de se esperar uma obra que, ao menos, soubesse lidar com silêncios, olhares e hesitações — elementos que ela soube transformar em poesia. Mas Amores Materialistas é o exato oposto. Aqui, o silêncio não comunica, apenas se arrasta. Os personagens não hesitam; eles travam. O amor não floresce — é mecanicamente colocado em cena como um produto qualquer de consumo rápido, sem alma, sem risco, sem verdade.

Entre closes e clichês: um romance solitário

Uma das decisões mais desastrosas da direção é a insistência em filmar os protagonistas quase sempre em planos fechados e isolados, como se estivessem em monólogos paralelos. O famoso “plano e contraplano”, ferramenta clássica para criar conexão e tensão entre dois personagens, é tratado aqui como um luxo dispensável. Resultado? Um romance visualmente desarticulado, que transmite mais afastamento do que aproximação. É como se o filme tivesse medo de deixar seus personagens, e o público, se envolverem de fato.

Essa escolha de linguagem não seria um problema se viesse acompanhada de diálogos fortes ou de uma proposta ousada de desconstrução romântica. Mas o que temos é uma sucessão de falas truncadas, longos silêncios sem função narrativa e uma superficialidade emocional gritante. O romance se desenrola como um jogo de tabuleiro sem jogadores: as peças se movem porque é o que o roteiro exige, não porque algo real esteja sendo vivido ou sentido.

Quando a autoconsciência sufoca a emoção

Há também um desejo constante do roteiro de parecer mais inteligente do que realmente é. A comédia romântica autoconsciente, que ironiza seus próprios clichês, já foi bem explorada por filmes como 500 Dias com Ela ou Ruby Sparks. No caso de Amores Materialistas, no entanto, essa tentativa se torna um peso. O filme quer ser sarcástico e profundo ao mesmo tempo, mas esquece de ser, antes de tudo, minimamente engraçado ou comovente.

Os protagonistas — que deveriam conduzir o espectador por essa jornada amorosa — parecem existir num vácuo. São pessoas sem vínculos afetivos, sem amigos, sem vida além do roteiro. A impressão é que o filme esqueceu de dar contexto aos seus personagens, confiando que o carisma dos atores e a bela fotografia dariam conta do recado. Não deram.

Um romance sobre o nada — com celebridades demais

É inevitável a comparação com Vidas Passadas, justamente porque Celine Song parecia ser a cineasta perfeita para repensar o amor em tempos modernos. Naquele filme, ela mostrou que ainda há espaço para histórias sensíveis, de dor e reencontro, que fogem dos binarismos hollywoodianos. Já Amores Materialistas representa tudo o que Vidas Passadas não era: um produto calculado, com casting estrelado (e, curiosamente, carregado de nomes da Marvel) e um roteiro formatado para testes de audiência, não para a verdade emocional.

O que mais dói não é o fracasso da comédia ou o vazio do romance, mas o potencial desperdiçado. Celine Song poderia ter escolhido qualquer caminho após sua estreia brilhante — uma história mais íntima, um projeto autoral, ou até mesmo um salto ousado para outro gênero. Ao aceitar dirigir Amores Materialistas, parece ter embarcado num projeto que contradiz tudo o que sua arte representava.

Essa é a velha armadilha hollywoodiana: transformar diretores com voz própria em engrenagens de uma máquina que privilegia previsibilidade em detrimento da autenticidade. E o público, cada vez mais atento e exigente, sente quando isso acontece.

Uma crítica à indústria — que o próprio filme reforça

O título Amores Materialistas até poderia funcionar como uma crítica à forma como o amor é vendido como mercadoria nos dias de hoje. Poderia. Mas o filme nunca se aprofunda nesse comentário social. Em vez disso, parece apenas reforçar o materialismo que finge criticar: há mais fetiche por apartamentos modernos, roupas de grife e diálogos vazios do que qualquer reflexão real sobre sentimentos ou escolhas.

Enquanto isso, personagens femininas são reduzidas a vetores de desejo, e os homens dividem-se entre o arrogante bem-sucedido e o sensível-sem-rumo — dois arquétipos esgotados, que já não surpreendem ninguém. Mesmo as tramas paralelas, que poderiam oferecer algum alívio cômico ou humanização, são apenas ruído. O que resta, ao final, é a sensação de que tudo foi uma grande tentativa de embalar um presente bonito, mas vazio.

Amar é verbo, não fórmula

Amores Materialistas fracassa como comédia, falha como romance e decepciona como cinema. É um filme que parece não confiar em sua própria história, nem em seu público. A produção aposta em fórmulas que já não funcionam e esquece que, para contar uma boa história de amor, é preciso mais do que um par de rostos bonitos e uma trilha sonora genérica. É preciso conexão, conflito, verdade — tudo o que Celine Song já mostrou saber fazer, mas que aqui parece ter sido suprimido por decisões comerciais mal calculadas.

Mais do que um filme ruim, Amores Materialistas é um sintoma de algo maior: o modo como a indústria tenta transformar até o sentimento mais essencial em uma planilha de retorno financeiro. E nessa equação, quem perde não são só os cineastas ou o público — perde também o próprio cinema, que deixa de ser arte para virar apenas estratégia de marketing.

Em tempos onde se consome tudo com pressa, talvez não seja coincidência que o filme mais vazio seja também aquele que mais tenta parecer importante. Mas autenticidade não se forja. E o amor — mesmo o fictício — precisa, no mínimo, parecer real. Neste caso, não parece.

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