“O Homem de Toronto” agita o Supercine deste sábado (26/07) com a química explosiva de Kevin Hart e Woody Harrelson

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No próximo sábado, 26 de julho de 2025, o Supercine da TV Globo reserva uma noite cheia de adrenalina, risadas e muita confusão com a exibição do filme “O Homem de Toronto”, produção de 2022 que une ação e comédia numa mistura surpreendentemente eficaz. Sob a direção de Patrick Hughes, o longa conta com o talento da dupla Kevin Hart e Woody Harrelson em uma trama onde identidades se confundem, desencadeando uma sequência de eventos inesperados e hilários. As informações são do AdoroCinema.

Um encontro improvável entre o ordinário e o letal

A história começa simples: Teddy (Kevin Hart) é um típico nova-iorquino azarado, cheio de inseguranças, tentando salvar seu casamento e dar um novo rumo para a sua vida. Ao alugar um Airbnb para um fim de semana romântico, ele é confundido com Randy (Woody Harrelson), o temido assassino conhecido como “O Homem de Toronto”. A partir desse erro, a vida de Teddy se transforma em um caos absoluto.

Randy, o verdadeiro “Homem de Toronto”, é um profissional frio, calculista e quase implacável, com um olhar capaz de congelar qualquer ambiente. O contraste entre a vulnerabilidade desastrada de Teddy e a frieza certeira de Randy cria uma dinâmica irresistível, que é ao mesmo tempo engraçada e cheia de tensão.

Essa dupla improvável é o motor que guia o filme. Enquanto Teddy tenta navegar em um mundo que não conhece, cercado por agentes secretos, assassinos rivais e armadilhas, Randy precisa lidar com a invasão de sua vida controlada e solitária.

Humor e ação: a receita do filme

O filme é uma celebração da comédia de ação dos anos 80 e 90, com piadas rápidas, perseguições alucinantes e cenas de luta bem coreografadas. Kevin Hart imprime em Teddy sua assinatura: um personagem nervoso, falho, mas sempre com uma ponta de bom humor e carisma, mesmo quando tudo parece prestes a desmoronar.

Woody Harrelson, por sua vez, equilibra a figura de assassino letal com momentos de leveza e até um toque de ironia. A tensão entre os dois personagens rende diálogos memoráveis e uma química natural que sustenta a narrativa.

O elenco de apoio complementa esse universo. Kaley Cuoco aparece como Maggie, adicionando uma camada emocional e humorística, enquanto Ellen Barkin, Tomohisa Yamashita e outros nomes trazem mais intensidade à trama, expandindo o espectro de personagens e situações.

Por trás das câmeras: desafios e superações

A jornada para a realização de O Homem de Toronto não foi fácil. Originalmente, Jason Statham deveria estrelar ao lado de Kevin Hart, mas sua saída pouco antes das filmagens exigiu uma rápida reestruturação. Woody Harrelson entrou para preencher esse vazio, trazendo uma energia diferente que, no fim, ajudou a definir o tom do filme.

Além disso, a pandemia de COVID-19 interrompeu a produção, que só foi retomada em outubro de 2020, em Toronto — coincidência curiosa com o título do filme. Os atrasos e mudanças exigiram flexibilidade da equipe e reforçaram a resiliência dos envolvidos.

A trilha sonora, composta por Ramin Djawadi, famoso por seu trabalho em Game of Thrones, acrescenta uma camada emocional que equilibra ação e comédia, elevando cenas de perseguição e momentos mais introspectivos.

Recepção e legado

Apesar da recepção crítica dividida — com avaliações negativas no Rotten Tomatoes e Metacritic — o filme conquistou público e fãs por seu humor e pela química dos protagonistas. A estreia na Netflix em 2022 ampliou seu alcance global, permitindo que um público diverso conhecesse a proposta leve e divertida do longa.

O Homem de Toronto não se propõe a ser um filme de ação revolucionário, mas sim uma produção que entretém com eficiência, combinando humor, ritmo e personagens memoráveis.

Reflexões além da comédia

O que diferencia esse filme de outras comédias de ação é sua reflexão sutil sobre identidade e expectativas. Teddy é um homem comum forçado a encarnar uma figura muito maior e mais temida — o que o obriga a confrontar seus medos e limitações. Randy, o assassino, por sua vez, revela desejos humanos inesperados, como o anseio por uma vida mais simples.

Entre tiros e perseguições, o filme fala sobre como, às vezes, somos obrigados a reinventar a nós mesmos, mesmo que isso signifique vestir máscaras desconfortáveis.

“Stick” | Comédia esportiva da AppleTV+ é renovada para a 2ª temporada com Owen Wilson à frente

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Na contramão dos clichês de superação esportiva, Stick chegou ao catálogo da AppleTV+ no início de junho de 2025 como quem não queria nada — com um humor seco, uma trilha sonora suave e uma trama sobre fracassos pessoais mais do que sobre vitórias no green. Mas bastaram poucos episódios para que o público se afeiçoasse a Pryce Cahill, o ex-jogador de golfe vivido com precisão melancólica por Owen Wilson, e ao mundo disfuncional, cômico e tocante que a série apresenta.

Agora, para alegria dos fãs, Stick acaba de ser renovada para a segunda temporada. O anúncio veio justamente na semana do último episódio da primeira leva, o que fez com que a comoção nas redes se transformasse em celebração. As informações são do Variety.

“Acho que todos nós nos divertimos muito fazendo isso”, disse Owen Wilson em comunicado. “É muito bom ver a série se conectar com as pessoas e saber que temos a chance de continuar a história.”

Uma comédia sobre falhas — e como conviver com elas

Criada por Jason Keller, Stick não tenta pintar o golfe como um campo de glórias, e sim como um espaço de confrontos interiores. Logo no primeiro episódio, somos apresentados a Pryce Cahill, um ex-atleta que já esteve nos holofotes, mas hoje vive à sombra de seus próprios erros e lutos. Vendedor de tacos de golfe em uma loja mediana e com um humor amargo, ele é uma figura entre o cômico e o patético — o retrato de alguém que caiu do pedestal e ainda está tentando entender o que fazer no chão.

A série, no entanto, evita qualquer tentativa óbvia de redenção. É nas entrelinhas, nos silêncios, nos olhares e nas relações quebradas que Stick encontra sua força dramática. A chegada de Santi Wheeler (Peter Dager), um jovem golfista prodígio que desistiu do esporte após traumas familiares, estabelece a dupla improvável no centro da trama. Pryce vê em Santi a chance de resgatar não só uma carreira, mas também um sentido para a vida.

Não se trata de mentor e aprendiz nos moldes clássicos, mas de dois homens tentando se reconstruir — cada um à sua maneira. Enquanto Santi lida com as feridas deixadas por um pai ausente, Pryce tenta encontrar redenção pela perda de seu filho Jett, uma dor que ainda ecoa em cada flashback, cada conversa atravessada, cada momento de silêncio desconfortável.

A leveza que vem do amargo

O humor da série é um dos seus trunfos. Stick acerta ao inserir pitadas de comédia onde menos se espera, usando o sarcasmo de Pryce, os tropeços sociais dos personagens e as situações absurdas que surgem entre uma tacada e outra para quebrar o drama com naturalidade.

Personagens como Zero (Lilli Kay), uma barman de espírito livre, e Mitts (Marc Maron), o ex-caddie e parceiro de derrotas de Pryce, oferecem uma camada extra de humanidade à trama. Cada um carrega suas dores, seus dilemas, suas fraturas — mas ninguém se leva a sério demais. É como se todos estivessem apenas tentando sobreviver, com um taco de golfe na mão e uma piada pronta na ponta da língua.

Owen Wilson em sua melhor forma

Famoso por papéis cômicos, muitas vezes excêntricos, Owen Wilson entrega aqui uma de suas performances mais densas e contidas. Pryce não é um herói. Tampouco um vilão. É apenas um homem quebrado tentando juntar os cacos com os recursos que tem — o cinismo, a ironia, a dor mal resolvida e uma nostalgia que nunca cessa.

A atuação de Wilson equilibra perfeitamente humor e vulnerabilidade, o que torna o personagem fascinante mesmo nos momentos mais controversos. Ao lado de Peter Dager, que brilha com sutileza e intensidade como o jovem Santi, ele constrói uma das duplas mais complexas e emocionantes da atual televisão americana.

O elenco que dá alma à série

Além de Wilson e Dager, o elenco de Stick é um espetáculo à parte. Mariana Treviño emociona como Elena, a mãe solo que tenta manter Santi em uma linha tênue entre esperança e frustração. Lilli Kay, como a espirituosa Zero, ilumina cada cena com sua presença descomplicada e libertária.

Entre os rostos recorrentes, Judy Greer rouba a cena como Amber-Linn, a ex-mulher de Pryce, enquanto Timothy Olyphant surge com charme e rivalidade no papel de Clark Ross, antigo parceiro de jogos e atual espinho no sapato do protagonista.

As participações especiais — como as de jogadores reais de golfe e comentaristas — conferem um toque de realismo e autenticidade aos torneios exibidos na série, como o fictício ReadySafe Invitational.

Uma história de luto, legado e reinvenção

O que torna Stick tão especial é que, por trás do pano de fundo esportivo, existe uma história sobre luto. Sobre paternidades falhadas. Sobre relações que precisam ser desenterradas, lavadas e remendadas. É sobre o peso do que não foi dito — e o esforço constante para encontrar uma nova forma de existir.

A figura do filho falecido de Pryce, Jett Cahill, é um fantasma silencioso que ronda toda a série. Interpretado por três atores em diferentes idades, o personagem aparece em lembranças fragmentadas, em sonhos, em vislumbres emocionais que nunca são explícitos, mas sempre profundos. É nesse subtexto que a série mais comove.

AppleTV+ aposta na continuidade

A renovação para a segunda temporada vem como resposta à boa recepção da crítica e do público. Embora o golfe seja o pano de fundo, a trama consegue atravessar as barreiras esportivas e emocionar até quem nunca segurou um taco na vida.

A AppleTV+ vem apostando em produções que mesclam originalidade e sensibilidade — e Stick é um exemplo claro dessa curadoria cuidadosa. Com uma abordagem moderna, personagens tridimensionais e um roteiro que valoriza o não-dito, a série conquistou um espaço próprio na plataforma.

O que esperar da segunda temporada?

Embora detalhes sobre a nova temporada ainda não tenham sido divulgados, a renovação abre portas para aprofundar os conflitos familiares de Santi, os fantasmas de Pryce e os desafios futuros no circuito profissional.

Será interessante ver como a parceria entre mentor e pupilo se desenvolve agora que os papéis estão menos claros. Pryce, afinal, também precisa ser salvo. E Santi talvez seja sua única chance real de encontrar paz — ou pelo menos, perdão.

Além disso, os desdobramentos com Amber-Linn, os atritos com Clark Ross e as questões não resolvidas com Elena prometem ganhar mais força.

“Five Nights at Freddy’s 2” ganha trailer eletrizante e aquece os fãs antes da Comic-Con 2025

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Foi sem aviso, sem contagem regressiva, sem teaser antecipado. Horas antes do painel oficial da franquia na San Diego Comic-Con 2025, a Blumhouse Productions e a Universal Pictures surpreenderam o mundo do entretenimento com o lançamento do primeiro trailer de “Five Nights at Freddy’s 2” — sequência direta do filme de terror lançado em 2023, baseado na popular e sombria série de videogames criada por Scott Cawthon.

Com menos de dois minutos, o vídeo entregou uma amostra poderosa do que está por vir: um mergulho ainda mais profundo no trauma, na possessão e nos mistérios sombrios que assombram a Freddy Fazbear’s Pizza — o restaurante infantil que, há mais de uma década, deixou de ser apenas um cenário de horror digital e se transformou em símbolo de uma geração marcada pelo medo inteligente, psicológico e inesperado.

Previsto para chegar aos cinemas em 5 de dezembro de 2025, o novo filme traz de volta nomes já queridos pelos fãs — como Josh Hutcherson, Elizabeth Lail, Piper Rubio e Matthew Lillard —, e ainda amplia seu elenco com nomes de peso como Skeet Ulrich, Wayne Knight, Mckenna Grace e Teo Briones. Um time formado por veteranos e jovens talentos, pronto para sustentar uma narrativa que equilibra tensão emocional, horror prático e um universo mitológico que não para de crescer.

O retorno à pizzaria que marcou uma geração

Para entender a magnitude desse lançamento, é preciso voltar ao início: 2014. Foi naquele ano que um jogo independente, com gráficos simples e atmosfera claustrofóbica, ganhou a internet — e o coração de milhões de jovens e adultos. “Five Nights at Freddy’s”, desenvolvido por Scott Cawthon, convidava os jogadores a passar cinco noites como seguranças noturnos em uma pizzaria onde os animatrônicos criavam vida durante a madrugada. Uma premissa aparentemente banal, mas que escondia um terror latente, psicológico, construído sobre silêncio, sons metálicos, ruídos de respiração e o constante temor do que poderia surgir do escuro.

A partir daí, a franquia cresceu em diversas mídias: jogos, livros, teorias de fãs, animações e, por fim, o aguardado salto para o cinema. Em 2023, o primeiro filme chegou cercado de expectativas — e, apesar de dividir opiniões da crítica, foi um sucesso estrondoso de bilheteria, superando os 270 milhões de dólares em arrecadação. O recado estava dado: o público não só conhecia a mitologia FNAF, como queria explorá-la ainda mais.

“Five Nights at Freddy’s 2”: uma produção com sangue novo e feridas abertas

A sequência foi anunciada em janeiro de 2024 pelo próprio Josh Hutcherson, que interpreta Mike Schmidt, o protagonista marcado pelo desaparecimento do irmão e pela culpa que carrega desde então. Em abril do mesmo ano, a Blumhouse confirmou oficialmente a produção do novo filme, mantendo Emma Tammi na direção e Scott Cawthon no roteiro — uma combinação que, agora, tem a missão de expandir o universo com mais profundidade e maturidade.

As filmagens ocorreram entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, em um set envolto por segredo. O que se sabe é que a Creature Shop de Jim Henson está de volta, responsável por dar vida aos animatrônicos — agora com novos rostos conhecidos dos jogos: Toy Freddy, Toy Chica, Toy Bonnie e The Puppet, ícones do segundo game.

Além do retorno de Mike, Abby (Piper Rubio) e Vanessa (Elizabeth Lail), o filme introduz Henry Emily, interpretado por Skeet Ulrich, personagem central na mitologia dos jogos e cofundador da Freddy Fazbear’s Pizza, com um passado tão perturbador quanto o de Afton. Os papéis de Wayne Knight, Mckenna Grace e Teo Briones ainda são mantidos sob sigilo, mas os fãs especulam: novos sobreviventes? Fantasmas do passado? Ou mais vilões na espreita?


Trailer: um aperitivo sombrio, denso e emocional

O trailer liberado mostra um salto narrativo e estético em relação ao primeiro filme. A atmosfera está mais carregada, o ritmo mais sufocante, e os temas parecem ganhar camadas existenciais. Logo nos primeiros segundos, vemos Abby, agora mais conectada com os animatrônicos, presa em uma sala escura, onde olhos brilham no escuro e vozes infantis ecoam em sussurros sinistros. Mike, mais fragilizado, revisita traumas familiares e tenta desvendar, junto com Vanessa, o legado macabro deixado por William Afton (Matthew Lillard).

O momento mais simbólico — e provavelmente mais comentado — do trailer mostra Henry Emily observando fotografias antigas da pizzaria, enquanto narra, com voz embargada: “Nós construímos aquilo para fazer as crianças sorrirem… mas enterramos gritos entre os brinquedos.”

Com essa fala, o filme parece propor um terror que ultrapassa o susto: um horror com memória, culpa e intenção.

Matthew Lillard, o peso do vilão com alma

Em entrevistas recentes, o ator Matthew Lillard demonstrou entusiasmo ao aprofundar ainda mais seu papel como William Afton — personagem com um contrato para três filmes. “O Afton do segundo filme é mais humano. O que o torna ainda mais monstruoso. Veremos suas motivações despidas, os limites que ele rompeu por obsessão, e o rastro de dor que ele deixa atrás de si”, disse o ator, emocionado ao relembrar como o papel mexeu com suas próprias questões como pai e artista.

Emma Tammi também compartilhou sua visão: “Neste capítulo, nosso foco é o peso das decisões. O que acontece quando o mal não morre? Quando ele se reinventa em outros corpos, outras máquinas, outras gerações? O horror de ‘FNAF 2’ não está só no que vemos, mas no que herdamos.”

Fãs, teorias e a promessa de um novo clássico do terror pop

A base de fãs de Five Nights at Freddy’s é uma das mais ativas e apaixonadas da cultura pop. Teorias surgem a cada novo frame, e o trailer já reacendeu debates antigos: será que o filme mostrará o “Bite of ’87”? Os animatrônicos serão possuídos por crianças assassinadas, como nos jogos? Vanessa seguirá o destino de sua contraparte nos games, Vanny?

Na internet, os fóruns já fervilham. Uma simples sombra no fundo da pizzaria ou um corte abrupto entre cenas são motivos para vídeos de 15 minutos no YouTube com títulos como: “Você percebeu isso no trailer de FNAF 2?” ou “Henry está vivo ou é só mais uma ilusão?”

E esse engajamento espontâneo é exatamente o que garante a longevidade da franquia: FNAF não é apenas sobre monstros. É sobre luto, culpa, inocência corrompida e a eterna tentativa de proteger o que restou da infância.

5 de dezembro: uma nova noite se aproxima

A estreia de Five Nights at Freddy’s 2 marca mais do que o lançamento de uma sequência. É a confirmação de que o terror pode ser autoral, simbólico e ainda assim, popular. Que é possível construir medo não só com sangue, mas com silêncio. Que um urso de pelúcia animatrônico pode carregar mais peso emocional do que muitos vilões com mil falas.

O segundo filme tem todos os ingredientes para se consolidar como o capítulo mais sombrio — e mais poderoso — da saga. Com um elenco afiado, uma equipe criativa conectada à alma da franquia e uma comunidade de fãs que nunca abandona seus personagens, o futuro parece promissor.

A pergunta que fica é: você está pronto para mais cinco noites?

Amandha Lee revisita trajetória com arte, disciplina e superação em entrevista ao podcast “Que Não Saia Daqui”

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“Eu estava sendo comida por formigas no pé, mas não queria sair de cena.”
Essa poderia ser apenas uma anedota curiosa dos bastidores da televisão. Mas, na voz serena e vibrante de Amandha Lee, torna-se um símbolo de entrega, foco e presença. A atriz, que marcou gerações com papéis densos e desafiadores, é a convidada do novo episódio do podcast Que Não Saia Daqui. E, ao longo da conversa, mais do que falar de personagens ou novelas, Amandha compartilha sua história com uma franqueza rara — e uma sensibilidade que atravessa a escuta.

Aos 47 anos, com quase quatro décadas de carreira, Amandha tem muito a contar. Mas não é da fama ou dos holofotes que ela fala com mais entusiasmo. É do processo. Das transformações invisíveis. Dos tombos que não viraram manchete. “A arte sempre me chamou para dentro. Me ensinou a escutar, a ter disciplina, a respeitar o silêncio”, diz, em tom contemplativo.

Das ruas de Copacabana ao palco da vida

Criada em Copacabana, bairro emblemático do Rio de Janeiro, Amandha foi uma criança elétrica — “espivitada”, como ela mesma diz — que encontrou no teatro um caminho para canalizar sua energia. Aos nove anos, começou a fazer aulas no tradicional Teatro Glauce Rocha. Foi ali que o palco se apresentou não como brincadeira, mas como destino.

“Minha mãe me colocou no teatro para eu gastar energia. Mas, sem saber, me deu um caminho para a vida”, conta.

Não demorou para que os testes, os papéis e os estudos se tornassem parte da rotina. Ainda adolescente, já entendia que atuar não era apenas interpretar personagens, mas mergulhar em emoções que muitas vezes ela ainda nem havia vivido. “Eu precisei amadurecer cedo. Porque a arte pede isso. Você se coloca no lugar do outro, e para isso precisa ter empatia, escuta, entrega.”

A cena que mudou tudo — e que quase ninguém viu

Um dos momentos mais emocionantes do episódio é quando Amandha revisita o dia em que tudo mudou. Durante as gravações de um episódio da série Carga Pesada, ela vivia Maria, uma mulher forte, do campo, conectada à terra. Em uma das cenas, ajoelhada no chão, começou a sentir formigas mordendo seus pés. Mas não parou.

“Eu entrei num estado de presença tão forte que nem sentia mais dor. Eu ouvi o ator com quem contracenava como nunca antes. Aquela foi a primeira vez que entendi o que era realmente estar em cena. E isso não tem volta.”

A cena não virou meme, não ganhou prêmio, não foi destaque na imprensa. Mas para Amandha, foi ali que ela se tornou atriz de verdade.

Entre o corpo e a personagem: o desafio de viver Margarida

Com o mesmo comprometimento visceral, ela aceitou um dos maiores desafios físicos de sua carreira ao interpretar Margarida, na novela Vidas em Jogo, da Record TV. A personagem passava por uma transformação corporal durante a trama. Amandha topou engordar 17 quilos sob supervisão médica — e depois emagrecer gradualmente, durante as gravações.

“Eu achei que ia ser tranquilo, porque sempre gostei de comer. Mas comer para engordar com qualidade e depois emagrecer com saúde exigiu uma disciplina absurda. Foi um processo de autoconhecimento e superação.”

Ela lembra que o corpo se tornou espelho da jornada interna da personagem. “Eu sentia a Margarida na carne. Literalmente. Cada cena era atravessada por essa vivência física. E foi doloroso, mas também muito libertador.”

A digitalização das novelas e o reencontro com o passado

O streaming, segundo a atriz, trouxe um presente inesperado: a chance de reencontrar o público — e ser descoberta por uma nova geração. “A arte tem essa coisa de resistir. De permanecer. E quando vejo jovens comentando cenas de A Casa das Sete Mulheres, fico emocionada. Porque aquilo foi feito com tanto amor, tanta entrega, e agora está vivo de novo.”

Amandha vê nesse movimento digital uma oportunidade rara de valorização da memória artística brasileira. “Temos um acervo riquíssimo. E hoje, com a internet, essas histórias não morrem. Elas se renovam. E isso é muito bonito.”

O esporte como refúgio e estrutura

Fora das câmeras, há quase uma década, Amandha se encontrou no triatlo. A corrida, a natação e o ciclismo entraram em sua rotina não como hobby, mas como um compromisso consigo mesma. “O esporte virou meu terapeuta. Quando tudo parecia fora do lugar, eu colocava o tênis e ia correr. E ali, as ideias se ajeitavam.”

O hábito virou filosofia de vida — e estendeu-se à sua família. Casada com um atleta, ela lembra com carinho do tempo em que levava os filhos de bicicleta para a escola. “Era nosso momento juntos. E eles cresceram vendo o esporte como parte da vida, não como obrigação.”

Ela reconhece que o esporte a ajudou a desenvolver algo essencial para a vida — e também para a arte: foco. “Sem foco, a gente se perde. E o esporte me ensinou a ter rotina, a respeitar limites, a persistir.”

Entre a leveza e a profundidade: um retrato raro de uma artista completa

A grandeza da entrevista não está nos feitos — que são muitos — mas na forma como Amandha fala de tudo isso: sem glamour excessivo, sem fórmulas prontas. Há algo profundamente humano na forma como ela compartilha suas vivências. É uma atriz que, mesmo com décadas de carreira, continua aberta ao aprendizado. É uma mulher que escolheu a consistência em vez da pressa. A verdade, em vez da performance.

“Eu continuo me reinventando todos os dias. E nem sempre é bonito. Mas é real.”

Essa autenticidade transforma o episódio de Que Não Saia Daqui em algo maior que uma entrevista. É um encontro. Com a artista, com a mulher, com a força que há em não desistir de si mesma.

Para ouvir com calma — e com o coração aberto

Em tempos de discursos acelerados e superficialidade, ouvir Amandha Lee é um sopro de profundidade. Uma lembrança de que resistir, cuidar do corpo, da mente e da arte é uma escolha diária. E que essa escolha pode, sim, ser feita com leveza — mas nunca sem coragem.

Ao fim da conversa, quando perguntada sobre o que a move, Amandha responde com simplicidade:

“Eu quero deixar alguma coisa boa. Se uma pessoa se sentir inspirada a cuidar de si, a voltar pra arte, a se reconectar com o corpo… já valeu.”

Dica no Viki: “Erro Semântico” é um romance que une gênios opostos e cativa com humor e emoção

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O universo dos dramas coreanos, especialmente do gênero BL (Boys’ Love), vem ganhando espaço e encantando uma legião crescente de fãs pelo mundo. Entre tantas produções que chegam a plataformas de streaming, uma série de 2022 se destaca por sua narrativa leve, autêntica e emocionante: Erro Semântico (Semantic Error). Com apenas 8 episódios, esta série sul-coreana traz uma história que, apesar da simplicidade aparente, mergulha em temas profundos como identidade, amizade, aceitação e o delicado florescer de um amor inesperado.

Se você ainda não assistiu, esta é a hora de descobrir por que Erro Semântico virou sensação entre os fãs de dramas BL, conquistando público e crítica com uma química avassaladora entre seus protagonistas e um roteiro que combina humor e emoção de forma magistral.

A origem da série

A obra é baseada no webtoon homônimo criado por J. Soori, que já contava com uma legião fiel de leitores antes de virar série. Webtoons são histórias em quadrinhos digitais muito populares na Coreia do Sul, e adaptar essas obras para o audiovisual tem sido uma tendência que vem rendendo ótimos resultados.

A série foi dirigida por Kim Su Jeong, que soube dar ritmo e leveza a um roteiro que equilibra cenas divertidas com momentos de introspecção e emoção genuína. Essa direção sensível e moderna ajudou a série a se destacar dentro do universo de dramas BL, que muitas vezes oscilam entre o melodrama e o humor, mas raramente encontram um equilíbrio tão delicado e natural como aqui.

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Quando dois mundos colidem e se atraem

A trama gira em torno de Chu Sang Woo (interpretado por Jae Chan), um estudante exemplar, metódico e perfeccionista, e Jang Jae Young (vivido por Park Seo Ham), seu completo oposto — mais relaxado, despojado e com uma atitude despreocupada.

Tudo começa com um conflito bastante realista: Sang Woo está frustrado porque os colegas de classe não colaboram no trabalho em grupo. Para se vingar, ele remove os nomes de todos no projeto, atitude que desencadeia uma série de desentendimentos e provocações. Jae Young, principalmente, começa a azucrinar Sang Woo constantemente, o que gera uma dinâmica cheia de provocações e tensão.

Porém, o destino coloca os dois juntos novamente para trabalhar em outro projeto, e esse contato próximo vai revelando uma química inesperada entre eles. É nesse convívio forçado que os personagens começam a se conhecer de verdade, com seus defeitos, inseguranças e desejos, e o que parecia uma relação de antagonismo vai se transformando em uma história de amor que cresce devagar, com sinceridade e autenticidade.

Personagens que encantam pela naturalidade

Um dos grandes trunfos de Erro Semântico está na construção dos personagens e, claro, nas atuações primorosas dos protagonistas.

Jae Chan, que interpreta Chu Sang Woo, já vinha conquistando espaço em produções como At a Distance, Spring Is Green e Sisyphus: The Myth. Sua atuação traz a dose certa de seriedade e vulnerabilidade para Sang Woo, que não é apenas o cara certinho e rígido — ele tem medos e fragilidades que o tornam humano e fácil de se identificar.

Park Seo Ham, por sua vez, que interpreta Jang Jae Young, já é conhecido por seu trabalho em séries como Love Revolution e Navillera. Seu Jae Young é cheio de charme, espontaneidade e uma leveza que contrasta maravilhosamente com a rigidez de Sang Woo, criando aquele clássico jogo de opostos que atraem.

Essa química natural entre os atores é uma das razões pelas quais a série ganha tanto em autenticidade. Não se trata de uma história idealizada ou exagerada, mas de um retrato sincero e sensível do começo de um relacionamento, com suas inseguranças, desentendimentos e descobertas.

Temas além do romance

Embora o romance seja o eixo principal, Erro Semântico trata com delicadeza temas essenciais para o público jovem, como o processo de aceitação da própria identidade, o medo do julgamento social e as complexas dinâmicas das relações interpessoais.

É uma série que fala muito sobre se permitir ser quem se é, mesmo quando isso pode parecer assustador. Os personagens crescem juntos, aprendendo a lidar com as próprias emoções e a respeitar as diferenças, mostrando que o amor pode surgir das situações mais inesperadas e, muitas vezes, complicadas.

Essa abordagem dá à série uma profundidade que a torna mais do que apenas mais um romance BL. É um convite à reflexão e à empatia.

Produção, ritmo e estilo visual

A produção da trama é limpa, moderna e alinhada com o estilo visual dos dramas sul-coreanos contemporâneos. As cenas são bem iluminadas, com enquadramentos que valorizam as expressões dos atores e dão ritmo à narrativa, alternando entre momentos dinâmicos e silenciosos.

O roteiro, com episódios curtos — perfeitos para o consumo rápido, mas sem sacrificar o desenvolvimento — é inteligente ao construir o relacionamento aos poucos, sem pressa, permitindo que o público se envolva verdadeiramente com a jornada dos protagonistas.

A direção de Kim Su Jeong é sensível, equilibrando humor e emoção com uma mão leve, evitando exageros e clichês comuns no gênero, o que faz com que a história pareça mais real e próxima do espectador.

Onde assistir

Erro Semântico está disponível na plataforma Viki, com legendas em vários idiomas, inclusive português, o que facilita o acesso para o público brasileiro e de outras partes do mundo.

Se você está buscando uma série curta, leve, mas que não abre mão da profundidade emocional, essa é uma excelente pedida.

Por que vale a pena investir seu tempo em “Erro Semântico”?

  • É uma produção que foge dos exageros e melodramas, trazendo um romance que nasce de verdade, com personagens imperfeitos e situações críveis.
  • A série tem uma narrativa que equilibra humor, drama e romance de maneira natural, tornando o processo de aproximação dos protagonistas envolvente e cativante.
  • Os temas tratados são relevantes para os jovens de hoje, que muitas vezes lidam com questões de identidade e aceitação, sem perder a leveza necessária para não pesar no conteúdo.
  • A duração curta (8 episódios) facilita para quem quer maratonar rápido e aproveitar uma história completa sem enrolações.

Série “Pablo e Luisão” é renovada para segunda temporada após sucesso no Globoplay e TV Globo

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Após conquistar o público com uma combinação rara de humor, emoção e histórias autobiográficas, a série brasileira Pablo & Luisão recebeu sinal verde para sua segunda temporada. A confirmação foi divulgada pela jornalista Anna Luzia Santiago, do jornal O Globo. Criada, narrada e estrelada pelo humorista Paulo Vieira, a produção retrata com autenticidade a vida do pai do comediante, Luisão, e seu melhor amigo, Pablo, formando um retrato familiar que tem ganhado cada vez mais espaço no cenário audiovisual nacional.

Lançada em 22 de maio de 2025, a série nasceu da vontade de Paulo Vieira de compartilhar histórias reais de sua família — especificamente de seu pai, Luis Vieira da Silva, o Luisão, e do inseparável amigo dele, Pablo Xavier. Com um roteiro que mistura situações hilárias a dramas cotidianos, a série conquistou um público fiel que valoriza narrativas autênticas e afetivas.

A criação da série envolveu um time de roteiristas experientes, incluindo Bia Braune (Mister Brau), Caito Mainier (Filhas de Eva), Maurício Rizzo, Nathalia Cruz e Patrick Sonata, e teve direção de Luis Felipe Sá (Vai que Cola). Essa equipe conseguiu traduzir para a tela o clima de proximidade e humor que marca o texto original, tornando a série um sucesso em tom e ritmo.

Um dos grandes pilares do sucesso da trama está no seu elenco, que combina atores veteranos com jovens talentos em ascensão, formando um conjunto rico e versátil. À frente, Aílton Graça assume o papel de Luisão, trazendo para a tela a experiência acumulada em trabalhos marcantes como Tropa de Elite (filme) e a série Cidade dos Homens. Seu jeito carismático dá vida a um pai forte, humano e cheio de nuances.

Otávio Müller interpreta Pablo, o melhor amigo e parceiro de Luisão, e acrescenta à trama seu talento reconhecido em produções icônicas como a série A Grande Família e o remake de Malu Mulher. Ao lado deles, Dira Paes encarna Conceição, a matriarca da família, papel que soma à sua vasta carreira que inclui novelas como Cordel Encantado e Caminho das Índias, além da participação no programa Mestre do Sabor.

Na geração mais jovem, Yves Miguel dá vida ao Paulo adolescente, personagem inspirado no próprio Paulo Vieira, e já havia se destacado em séries como Malhação e Os Dias Eram Assim. João Pedro Martins vive Neto, irmão caçula da família, e traz para a série sua experiência em produções como Segunda Chamada e Aruanas.

Recepção crítica e popular

Desde sua estreia, a obra tem obtido números expressivos no Globoplay e boa receptividade no horário de exibição na TV Globo. A série figura entre os conteúdos mais assistidos da plataforma, surpreendendo pela capacidade de atrair diferentes faixas etárias, desde jovens até espectadores mais maduros.

Críticos destacam o equilíbrio delicado entre o humor e o drama que a série consegue imprimir, sem perder a leveza nem cair em clichês. A forma como aborda temas universais — família, amizade, desafios econômicos e afetivos — permite que o espectador se conecte de maneira genuína, sentindo que está assistindo histórias próximas da realidade.

Além disso, nas redes sociais, a série tem gerado bastante engajamento, com fãs comentando cenas, compartilhando memes e participando ativamente das discussões sobre os episódios e os personagens, demonstrando um vínculo que transcende a tela.

Produção: qualidade técnica a serviço da narrativa

Apesar de sua temática intimista, Pablo & Luisão não economiza em qualidade técnica. Produzida pelos Estúdios Globo com coprodução do Globoplay e da TV Globo, a série investe em fotografia cuidadosa, direção de arte que valoriza a ambientação realista e trilha sonora que mistura elementos tradicionais e contemporâneos, reforçando a conexão emocional.

O diretor Luis Felipe Sá, conhecido por trabalhos como Vai que Cola, imprime ritmo dinâmico e naturalidade ao projeto, elementos que contribuem para que a narrativa flua sem pressa, respeitando os tempos das cenas e o desenvolvimento dos personagens.

Expectativas para a segunda temporada

Com a confirmação da renovação, a equipe já está dedicada ao desenvolvimento dos roteiros para a nova temporada, que deve estrear em 2026. As gravações serão iniciadas após a conclusão das agendas do elenco, principalmente de Dira Paes e Otávio Müller, que estarão envolvidos na novela Três Graças (prevista para outubro de 2025), escrita por Aguinaldo Silva.

A nova temporada promete aprofundar as histórias de cada personagem, ampliando o olhar sobre as relações familiares, as amizades e os desafios do dia a dia, sempre com a mistura de humor e emoção que conquistou o público.

Impacto cultural e relevância

O sucesso de Pablo & Luisão revela uma demanda crescente por conteúdos que valorizem o regionalismo e o autobiográfico no audiovisual brasileiro. A série dá voz a histórias cotidianas que muitas vezes ficam fora dos holofotes, mostrando que as pequenas coisas e as relações familiares são fontes inesgotáveis de narrativa e emoção.

Além disso, o humor usado na série tem papel fundamental, não apenas para entreter, mas também para criar pontes de empatia e reflexão. Paulo Vieira, como criador, demonstra que o riso pode ser uma ferramenta poderosa para contar histórias que são, antes de tudo, humanas.

Globo pode reprisar “Salve Jorge” no “Vale a Pena Ver de Novo” — novela polêmica pode voltar às tardes

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Foto: Reprodução/ Internet

A guerra de Morena pode estar prestes a recomeçar — e não nas ruas do Complexo do Alemão ou nos becos de Istambul, mas nas tardes nostálgicas da TV Globo. Longe de ser apenas uma reprise, a possível volta de Salve Jorge no Vale a Pena Ver de Novo representa a ressurreição de um grito abafado que, em 2012, ecoou mais alto do que muitos esperavam: o grito contra o tráfico internacional de mulheres. As informações são do Portal F5, da Folha de São Paulo.

E o que era para ser “só mais uma novela das nove” se tornou, com o tempo, um marco da teledramaturgia brasileira. Com seus altos e baixos, seus excessos e acertos, Salve Jorge sobreviveu às críticas iniciais e se transformou numa produção que pulsa com urgência até hoje.

Uma trama com DNA de denúncia

O mérito não é pequeno: a trama da TV Globo ousou dramatizar uma das formas mais cruéis de violação dos direitos humanos, ainda pouco explorada pela ficção brasileira até então. Ao colocar Morena — mulher, jovem, mãe solo, moradora de favela — como protagonista de uma rede de tráfico humano, Glória Perez não só deu rosto a um drama silenciado, como também desafiou o horário nobre a se olhar no espelho.

A novela é ficção, mas a realidade que a inspirou é mais crua do que qualquer capítulo. A personagem Jéssica, por exemplo, interpretada por Carolina Dieckmann, foi baseada em histórias reais como a de Fernanda Kelly Martins, assassinada na Europa após ser traficada. Outro caso emblemático citado pela autora foi o de Ana Lúcia Furtado, sobrevivente da mesma rede. A linha entre novela e denúncia social se embaralhou — e essa era justamente a intenção.

Morena: a protagonista que nasceu do povo

Quando Nanda Costa foi escalada para viver Morena, muitos torceram o nariz. Acostumados com rostos mais “glamourizados”, parte do público e da crítica não enxergou, de imediato, o que a atriz poderia entregar. Mas foi com entrega, suor, feridas expostas e olhos em brasa que Nanda transformou Morena em uma das protagonistas mais viscerais da década.

Filha de Lucimar (Dira Paes), mulher de fibra e coração, Morena surge como uma representação da juventude periférica brasileira: sonhadora, resiliente, vulnerável às armadilhas de um mundo que promete, mas cobra caro. A proposta de trabalhar na Turquia — vendida como um sonho — se revela um pesadelo que não é apenas dela, mas de milhares de mulheres brasileiras que desaparecem todos os anos em redes de tráfico.

Foto: Reprodução/ Internet

Lívia Marini: o rosto frio do horror

Toda heroína precisa de um antagonista à altura. E Lívia Marini, vivida com precisão cirúrgica por Cláudia Raia, entrou para o hall das vilãs inesquecíveis. Nada nela gritava “vilania”: elegante, bem-vestida, articulada, ela transitava por festas e bastidores de shows como se fosse uma executiva moderna. Mas por trás do batom vermelho e dos vestidos sofisticados, escondia-se uma mulher capaz de matar com um beijo.

A cena em que Lívia assassina Jéssica com uma seringa foi um dos momentos mais chocantes da novela — e permanece até hoje como símbolo da perversidade silenciosa que ronda esse crime. Ao lado dela, outros nomes como Wanda (Totia Meireles), Irina (Vera Fischer) e Russo (Adriano Garib) completavam a engrenagem do mal. Um sistema sem rosto definido — e, por isso mesmo, ainda mais assustador.

Helô: a delegada que virou fenômeno

Do outro lado da lei, a delegada Helô (Giovanna Antonelli) chegou como furacão. Não bastasse sua inteligência e tenacidade, ela também ditava moda. Seus brincos, bolsas, batons e vestidos renderam recordes de ligações para a Central de Atendimento da Globo. Mas o apelo da personagem ia além da estética.

Helô era a figura feminina no poder. Uma mulher que enfrentava quadrilhas internacionais, enquanto lidava com traições, maternidade e dilemas pessoais. Ao humanizar a autoridade, Glória Perez criou mais do que uma investigadora — criou um ícone. Tanto que, anos depois, a autora a reutilizou em Travessia, provando que alguns personagens não pertencem a uma só história.

Da favela à Capadócia: um enredo em contraste

A geografia de Salve Jorge também conta história. A novela alternava entre a realidade intensa e pulsante do Complexo do Alemão e a estética onírica das paisagens turcas. A Capadócia, com seus vales e balões, e a vibrante Istambul, se tornaram personagens coadjuvantes que ajudavam a contar os contrastes da trama.

Essa decisão estética reforçava a sensação de que Morena, ao sair do Brasil, mergulhava em um universo aparentemente mágico, mas profundamente hostil. A fotografia da novela, com tons quentes e contrastes fortes, acompanhava esse deslocamento físico e emocional.

Uma novela que virou utilidade pública

Salve Jorge pode não ter estourado de audiência no começo — ainda mais ao ser exibida na esteira de Avenida Brasil, um fenômeno sem precedentes. Mas recuperou fôlego. Ganhou o público aos poucos. E quando chegou ao fim, já havia cumprido um papel que ia além da televisão.

Casos como o da mãe que salvou a filha do tráfico ao reconhecer sinais exibidos na novela não são mitos urbanos: foram noticiados pela imprensa, discutidos em ONGs e reconhecidos por órgãos públicos. Salve Jorge entrou no Congresso, em debates sobre tráfico de pessoas. Entrou em salas de aula, em palestras. Saiu da tela para tocar o mundo real.

Reencontro com o público: por que agora?

A possível reapresentação da trama no Vale a Pena Ver de Novo não vem por acaso. O GloboPlay já vinha indicando um apetite crescente do público por tramas com fundo social. O streaming trouxe nova vida à novela, que aparece com frequência entre os títulos mais buscados da plataforma.

Além disso, a Globo aposta em reprises que vão além da nostalgia. A emissora reconhece que há espaço para reapresentar histórias que ainda têm algo a dizer — especialmente em tempos de retrocessos nos direitos das mulheres e aumento de casos de tráfico humano.

Uma obra imperfeita, mas necessária

Sim, a novela teve seus tropeços. A superpopulação de personagens, os núcleos paralelos que nem sempre se conectavam à trama principal e a caricatura em certos momentos foram alvo de crítica. Mas poucos duvidam da coragem da autora em colocar um tema tão espinhoso no horário nobre.

Glória Perez, ela mesma marcada por uma tragédia pessoal — o assassinato da filha, Daniella Perez, em 1992 —, sempre usou suas obras para ressignificar a dor e dar voz às vítimas. Em O Clone, abordou drogas. Em Caminho das Índias, a esquizofrenia e o sistema de castas. Em Salve Jorge, transformou a dor coletiva do tráfico de mulheres em uma saga de superação.

Fuzil, o irreverente ‘Herói do Brasil’, é o convidado do “The Noite com Danilo Gentili” desta quarta (23/07)

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Foto: Divulgação/ SBT

Na noite desta quarta-feira, 23 de julho de 2025, o palco do The Noite com Danilo Gentili recebe um convidado que carrega não apenas anos de estrada no rádio e na TV, mas também uma trajetória marcada por reinvenções, tropeços, afetos e a rara habilidade de rir de si mesmo. Fuzil, o “herói do Brasil” — como ficou conhecido entre os fãs do Pânico —, retorna ao centro das atenções para uma conversa que promete ser tão hilária quanto tocante. As informações são do SBT.

Mais do que uma figura popular entre os ouvintes e telespectadores brasileiros, Fuzil é símbolo de um tipo de comunicador que nasce da rua, cresce entre o povo e constrói sua força com carisma e vulnerabilidade. A entrevista, gravada nos estúdios do SBT, irá ao ar à meia-noite e promete trazer à tona lembranças do passado, detalhes de sua vida longe dos holofotes e os bastidores de seu aguardado retorno à televisão. Mas quem é o homem por trás do apelido? E por que sua presença no The Noite gera tanta expectativa?

O radialista que virou personagem – e depois virou pai, filho e sobrevivente

Para muitos, Fuzil é aquele repórter irreverente que corria pelas ruas com um microfone na mão, distribuía perguntas provocativas e arrancava gargalhadas com situações inusitadas. Mas por trás da persona sempre esteve um comunicador de alma popular, formado na escola da observação direta, da escuta e do improviso. Natural de São Paulo, ele iniciou a carreira no rádio ainda jovem, em meio à efervescência dos anos 1990. Passou por diversos programas e emissoras até ganhar projeção nacional como repórter de rua do Pânico, tanto no rádio quanto na TV. Era o tempo da zoeira desmedida, do humor físico, dos quadros em que ele se jogava — muitas vezes literalmente — de paraquedas, no chão, no ridículo.

Fuzil virou personagem. E como acontece com tantos personagens cômicos, sua dor pessoal era muitas vezes invisível por trás da máscara. “Quando você trabalha com humor, muita gente acha que sua vida é leve. Mas não é. Às vezes, é exatamente o oposto. Você precisa ser forte pra continuar fazendo os outros rirem quando você mesmo tá em pedaços”, já declarou em entrevistas anteriores.

Um tempo de silêncio: o luto que mudou tudo

Nos últimos anos, Fuzil esteve mais recluso, longe das câmeras. O que poucos sabiam é que esse afastamento foi provocado por uma perda devastadora: a morte de seu pai. O luto o tirou de cena por algum tempo. Não por falta de trabalho ou talento, mas por necessidade emocional. “Era como se o mundo tivesse ficado sem cor”, contou recentemente nas redes sociais. “Você perde o chão. E quando você vive do riso, fica difícil achar qualquer graça nas coisas.”

Essa fase marcou um ponto de virada em sua vida. Foi quando, segundo pessoas próximas, ele passou a rever sua relação com a fama, com o corpo, com o tempo e, principalmente, com sua filha. Fuzil se redescobriu como pai e entendeu que a presença afetiva precisava ser mais forte do que a presença pública. Essa redescoberta também incluiu cuidar de si — física e emocionalmente. “Eu passei a me olhar com mais carinho. Não só por fora, com estética, mas por dentro também. Era hora de me dar um novo começo”, confidenciou.

O convite de Emílio Surita: um bilhete para o recomeço

Foi em meio a esse redemoinho emocional que chegou o convite que mudaria o rumo de sua trajetória. Emílio Surita, apresentador e um dos idealizadores do Pânico, o chamou para retornar à nova versão do programa — agora no YouTube e nas redes sociais, com o frescor de um novo formato e a essência de sempre.

“Eu nem estava esperando. Tinha acabado de enterrar meu pai. Estava num dos momentos mais tristes da minha vida. E aí, dois dias depois, chega a mensagem do Emílio. Achei que era brincadeira”, revelou em entrevista a um podcast recente.

O reencontro com os antigos colegas de bancada não foi apenas profissional. Foi emocional. Foi o resgate de uma identidade, de uma voz que parecia ter sido engolida pela dor e pelo tempo. O retorno também o colocou diante de um público renovado, jovem, ávido por humor — mas também por verdade.

“Hoje eu não tenho mais vergonha de mostrar meu lado humano. Antes, eu achava que precisava ser o piadista o tempo todo. Agora não. Agora eu sou o Fuzil por inteiro.”

O Herói do Brasil: por que esse apelido continua fazendo sentido

Durante os anos em que participou do Pânico, Fuzil ganhou o apelido de “Herói do Brasil”. O nome nasceu do humor — um herói atrapalhado, quase uma paródia —, mas, com o tempo, passou a carregar outro significado. Ser herói, no caso de Fuzil, nunca foi sobre força física, nem sobre superpoderes. Era sobre coragem emocional. Sobre acordar no meio do caos e ainda assim tentar fazer alguém sorrir. Sobre não desistir quando tudo diz que sim. Sobre viver de improviso — como tantos brasileiros fazem.

E é por isso que, mesmo depois de tantos anos, ele continua sendo chamado assim. “Eu acho que virei herói porque sobrevivi”, brinca. “E sobrevivi com humor. Que é a maior arma que a gente tem.”

Expectativas para a entrevista no The Noite

O programa promete ser mais do que uma simples entrevista. Será um reencontro. Não só de Fuzil com a TV aberta, mas do público com uma figura que, mesmo longe das telas, permaneceu no imaginário afetivo de gerações. Segundo a produção, a conversa trará bastidores da carreira, histórias inéditas do rádio e da TV, curiosidades sobre sua rotina e, claro, momentos de puro humor — marca registrada de ambos os lados da bancada.

Gentili, conhecido por conduzir entrevistas com leveza e ironia, teria se emocionado em alguns trechos, especialmente ao tocar em temas como paternidade e saúde mental. “É uma honra conversar com alguém que representa tanto a resistência da comunicação popular brasileira”, adiantou o apresentador nos bastidores.

Além do programa: os próximos passos de Fuzil

A volta aos holofotes não se resume ao The Noite. Fuzil já está envolvido em novos projetos: conteúdos no TikTok e YouTube, participação em podcasts, possíveis quadros no novo Pânico e até um documentário sobre sua trajetória. Além disso, há planos de um livro, no qual ele pretende contar os bastidores da fama, os momentos de escuridão e os aprendizados de quem aprendeu a rir mesmo quando tudo parecia desabar. “A vida nunca me deu nada fácil. Mas eu também nunca pedi moleza. Só pedi pra não ser esquecido. E acho que, de algum jeito, o público nunca me esqueceu.”

Wallace & Gromit invadem a Matinê Cultura deste sábado (26/07) com quatro aventuras premiadas e irresistíveis

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Neste sábado (26), o clima é de diversão, nostalgia e massinha na TV Cultura. A emissora exibe, a partir das 14h15, uma seleção pra lá de especial na Matinê Cultura: quatro curtas-metragens clássicos de Wallace & Gromit, a dupla britânica mais querida do stop-motion. Prepare a pipoca — e quem sabe um pouco de queijo — porque vem aí uma maratona de criatividade, humor refinado e aventuras surreais.

Os títulos escolhidos são verdadeiras joias da animação mundial: “Dia de Folga”, “As Calças Erradas”, “Tosa Completa” e “Uma Questão de Pão e Morte”. Todos já foram reconhecidos com o prestigiado BAFTA, e dois deles — “As Calças Erradas” e “Tosa Completa” — ainda levaram o Oscar de Melhor Curta de Animação nos anos 1994 e 1996, respectivamente. Criados pelo mestre da animação Nick Park, da lendária Aardman Animations, os curtas têm cerca de 30 minutos cada e encantam crianças e adultos com o mesmo charme britânico desde a década de 1980.

Wallace & Gromit: uma amizade que moldou (literalmente) a história da animação

Se você ainda não conhece Wallace e Gromit, está mais do que na hora de ser apresentado. Wallace é um inventor um tanto atrapalhado, mas de coração enorme — e de apetite ainda maior por queijo. Já Gromit, seu fiel cão, é o cérebro silencioso por trás das soluções que salvam o dia quando tudo desanda (o que, com Wallace, acontece com frequência).

Com expressões marcantes — Gromit sequer fala, mas comunica tudo com o olhar —, a dupla ganhou o mundo ao mostrar que, com massinha, talento e bom humor, é possível conquistar gerações. As animações usam a técnica tradicional de stop-motion, feita com personagens esculpidos à mão, quadro a quadro. Um trabalho meticuloso, quase artesanal, que se tornou a assinatura da Aardman Studios.

A seleção da TV Cultura: aventuras para rir, se emocionar e se encantar

A escolha da Matinê Cultura para este sábado é um presente para quem valoriza a animação como arte — e também para quem quer simplesmente se divertir com histórias envolventes e um toque de nonsense britânico. Confira abaixo os destaques:

🧀 Dia de Folga

A estreia da dupla nas telas! Neste curta, Wallace e Gromit decidem tirar férias… na lua. Afinal, segundo as lendas, ela é feita de queijo — e isso é razão mais do que suficiente para construir um foguete e partir rumo ao desconhecido. Uma aventura simples, genial e cheia de charme.

🤖 As Calças Erradas

O aniversário de Gromit ganha um presente inusitado: um par de calças robóticas inventadas por Wallace. Só que o mimo acaba sendo parte de um plano criminoso de um inquilino misterioso, o pinguim Feathers McGraw. Uma trama digna de filme de assalto, com humor impecável e reviravoltas hilárias.

🐑 Tosa Completa

Wallace se apaixona por Wendolene, dona de uma loja de lã, enquanto Gromit é injustamente acusado de crimes contra ovelhas. O curta mistura romance, investigação e ação, com direito a perseguição em fábrica e um carneirinho muito esperto. Oscar merecido e risadas garantidas.

🍞 Uma Questão de Pão e Morte

Na produção mais recente da lista, a dupla abre uma padaria de sucesso — mas o clima azeda quando Gromit percebe que os padeiros da cidade estão desaparecendo. Será que há uma assassina em série à solta? Uma sátira leve dos filmes de suspense, com massa fermentada e mistério na medida certa.

Por que (re)ver Wallace & Gromit hoje?

Em tempos de efeitos visuais mirabolantes e produções digitais reluzentes, Wallace & Gromit continuam sendo um lembrete carinhoso do poder da simplicidade. Cada movimento artesanal, cada cenário em miniatura e cada piada pontual são frutos de um cuidado raro — algo que transborda da tela e toca quem assiste.

Além disso, os curtas são atemporais: não importa se você tem 7 ou 70 anos, é impossível não se identificar com a ternura de Gromit ou com os devaneios de Wallace. São histórias que não subestimam a inteligência do público infantil e, ao mesmo tempo, arrancam gargalhadas genuínas dos adultos.

Matinê Cultura: um espaço para redescobrir clássicos com afeto

A TV Cultura tem investido cada vez mais em programações que equilibram conteúdo de qualidade, memória afetiva e curadoria criativa. A Matinê Cultura se tornou uma ótima vitrine para isso, trazendo curtas, filmes e animações que marcaram época — e que merecem novas audiências.

Seja para apresentar Wallace & Gromit às novas gerações ou para rever essas pérolas com olhos de saudade, a sessão deste sábado é imperdível. Entre o queijo lunar e o pão misterioso, prepare-se para uma tarde de histórias bem contadas, animações cuidadosamente produzidas e muito, muito coração.

Anote aí:
Sábado, 26 de julho
🕒 A partir das 14h15
📺 Matinê Cultura – TV Cultura
🎬 Curtas exibidos: Dia de Folga, As Calças Erradas, Tosa Completa e Uma Questão de Pão e Morte

Hirayasumi | Mangá aclamado será adaptado para anime e série live-action em 2025

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Em meio à pressa constante que marca nossas vidas modernas, raramente nos damos a chance de simplesmente parar e respirar. É nesse espaço de pausa que Hirayasumi: Uma Pausa Relaxante em uma Casa Térrea, mangá delicadamente criado por Keigo Shinzo, encontra sua força. E, agora, essa história de tranquilidade e simplicidade está pronta para ganhar novas vozes: uma adaptação em anime e uma série live-action, ambas previstas para o fim de 2025. As informações são do Crunchyroll.

Um refúgio em forma de mangá

Hirayasumi não é uma história sobre batalhas épicas ou reviravoltas dramáticas. Seu poder está na quietude, no calor humano e na beleza do cotidiano. Hiroto Ikuta, o protagonista, é um jovem de 29 anos, dono de uma vida que muitos chamariam de simples, mas que está cheia de camadas invisíveis de emoções e encontros significativos.

Após perder uma amiga muito especial, uma senhora chamada Hanae, Hiroto herda a casa dela — um espaço modesto, porém cheio de significado. Com a chegada de sua prima Natsumi, uma jovem artista em formação, essa casa se transforma no cenário de pequenas descobertas, aprendizado mútuo e reconstrução de vínculos.

O retrato da vida real

A força de Hirayasumi está na sua capacidade de fazer o leitor sentir o cheiro da comida, ouvir o silêncio confortável entre personagens e perceber o conforto que só um lar pode oferecer. Keigo Shinzo não pinta apenas cenas; ele cria atmosferas que abraçam quem lê, mesmo nos momentos mais simples — um café compartilhado, um olhar gentil, uma conversa despretensiosa. Esse olhar atento ao cotidiano é o que tornou o mangá um sucesso crescente desde seu lançamento em 2021, conquistando leitores que buscam histórias que falem ao coração sem apelar para excessos.

Do papel para as telas: um passo natural

A notícia de que Hirayasumi será adaptado em duas mídias distintas — anime e live-action — foi recebida com entusiasmo por quem já conhece e também pelos que ainda vão descobrir essa joia. A produção do anime ficará por conta do estúdio Production +h., que tem experiência em dar vida a narrativas delicadas e atmosféricas, enquanto a NHK trará o drama ao formato live-action, apostando no horário nobre para levar a história a um público amplo. Essa dupla abordagem promete captar a essência da obra: o anime trará a poesia visual que o mangá inspira, e o live-action aprofundará a experiência humana, com interpretações que refletem as nuances do dia a dia.

Embora profundamente japonês em seu cenário e costumes, Hirayasumi fala uma linguagem universal. Quem nunca precisou de um espaço para respirar, de um momento para se sentir acolhido? É exatamente essa sensação que a história de Hiroto e Natsumi transmite. A trama nos lembra que um lar não é apenas um endereço, mas um lugar de encontros — com os outros e consigo mesmo.

Reconhecimento e impacto

Com mais de um milhão de cópias vendidas e diversos prêmios ao longo dos últimos anos, Hirayasumi ganhou seu merecido lugar entre os mangás que não apenas entretêm, mas também tocam profundamente o público. O reconhecimento que recebe, desde premiações no Japão até o sucesso no Lucca Comics & Games na Europa, atesta seu apelo global e sua capacidade de tocar almas em diferentes culturas.

Vivemos uma época em que o barulho é constante — das redes sociais, das demandas profissionais, das vidas digitais. É nesse contexto que histórias como Hirayasumi se tornam essenciais: elas nos oferecem uma pausa consciente, uma chance de redescobrir o valor da calma e da presença. Ao apresentar personagens que buscam sentido em suas relações e no espaço que habitam, o mangá propõe uma reflexão sobre o que realmente importa.

O que esperar das adaptações?

As produções que chegam em 2025 têm o desafio e a oportunidade de traduzir essa delicadeza para as telas. O anime, com sua capacidade de brincar com cores, luzes e silêncio, promete mergulhar o espectador em um universo sensorial. O live-action, por sua vez, deverá privilegiar a intimidade das interpretações, revelando as emoções contidas e as sutilezas do convívio. Se bem-sucedidas, as adaptações poderão ampliar o alcance da obra, permitindo que mais pessoas encontrem nesse refúgio narrativo um espaço para descansar a alma.

No Brasil e no mundo

Por aqui, a Panini publica o mangá, abrindo as portas para leitores brasileiros se conectarem com essa história que, apesar de simples, carrega uma profundidade rara. Além disso, a parceria internacional para a produção do anime, envolvendo a VIZ Media, sinaliza que Hirayasumi tem tudo para conquistar públicos além das fronteiras japonesas, reafirmando a força de narrativas que valorizam o humano e o cotidiano.

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