Uma Boa Notícia | Documentário brasileiro sobre Cuidados Paliativos chega gratuitamente ao Globoplay

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Em meio a uma rotina médica tantas vezes marcada por diagnósticos difíceis e decisões complexas, surge uma narrativa diferente — feita de escuta, acolhimento e presença. O documentário brasileiro Uma Boa Notícia – o conforto sob a tempestade acaba de chegar ao catálogo do Globoplay, oferecendo ao público uma rara e tocante imersão no universo dos Cuidados Paliativos no Brasil.

Fruto de uma colaboração entre o A.C.Camargo Cancer Center, o Instituto Ana Michelle Soares e o canal Futura, o filme é o primeiro sobre o tema a ser disponibilizado de forma gratuita na plataforma de streaming da Globo. Mais do que um conteúdo informativo, a produção se propõe a provocar reflexão — e, acima de tudo, humanidade.

Quando o cuidado é mais que tratamento

Durante seus pouco mais de 50 minutos, o documentário acompanha profissionais da saúde, pacientes e familiares que convivem diariamente com o câncer e com outras doenças graves. Mas engana-se quem espera uma narrativa centrada na dor ou na despedida. O que “Uma Boa Notícia” mostra é justamente o contrário: o poder do cuidado ativo, sensível e contínuo, que busca aliviar sofrimentos e valorizar o tempo de vida com dignidade e escuta atenta.

No centro do filme está a rotina dos profissionais do A.C.Camargo Cancer Center, referência nacional em oncologia, e um dos primeiros no país a adotar a abordagem dos Cuidados Paliativos de forma integrada ao tratamento desde o início da jornada do paciente.

“Cuidados Paliativos não são o fim”

A frase escolhida como slogan do filme – “Cuidados Paliativos não são o fim, são apenas o começo” – resume bem a proposta da obra. Muito além do estigma da terminalidade, o documentário reforça que esse tipo de cuidado não significa desistência, mas sim uma virada de chave no modo como a medicina e a sociedade enxergam o sofrimento humano.

A abordagem paliativista se concentra em aliviar sintomas físicos, dores emocionais, angústias existenciais e até questões sociais que afetam o bem-estar do paciente e de quem está ao seu lado. Trata-se de uma prática que reconhece a pessoa em sua integralidade — e não apenas a doença que a acomete.

Histórias que tocam, vidas que inspiram

Com um olhar sensível e respeitoso, a produção se aproxima de histórias reais de pacientes que enfrentam o câncer com coragem, vulnerabilidade e, muitas vezes, bom humor. Através de depoimentos comoventes e momentos de acolhimento, o documentário revela que o cuidado paliativo também pode ser sinônimo de esperança, mesmo em cenários complexos.

Ao lado desses relatos, o público também conhece o dia a dia de médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais que atuam como pontes entre o sofrimento e o alívio possível. Profissionais que, mesmo diante de situações difíceis, oferecem conforto — físico, emocional e até espiritual.

Da ideia ao streaming: uma construção coletiva

Dirigido por Flávio Vieira, que também assina o roteiro ao lado de Tom Almeida e da jornalista Juliana Dantas, o projeto nasceu da vontade de ampliar o debate público sobre um tema ainda cercado de tabus. Com o apoio do canal Futura e o envolvimento direto do Instituto Ana Michelle Soares — criado em homenagem à médica paliativista que se tornou símbolo da humanização no cuidado —, o documentário ganha força não só como conteúdo audiovisual, mas como ferramenta de conscientização.

Segundo os realizadores, a ideia foi mostrar que, mesmo em contextos adversos, é possível construir uma jornada de cuidado marcada por sentido, presença e autonomia.

Acesso gratuito e necessário

O documentário já está disponível gratuitamente para todos os assinantes do Globoplay, incluindo no plano aberto com login. É uma oportunidade rara de conhecer uma parte fundamental da medicina que, muitas vezes, permanece invisível para o grande público.

One Piece | Segunda temporada do live-action promete clima mais sombrio e violento, afirma novo ator da série

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Foto: Reprodução/ Internet

A nova etapa da adaptação live-action de One Piece, produção da Netflix baseada no mangá de Eiichiro Oda, deve apresentar uma mudança significativa no clima da história. O ator David Dastmalchian, conhecido por seus papéis intensos em filmes como O Esquadrão Suicida e Homem-Formiga, entra para o elenco como o excêntrico vilão Sr. 3, e adiantou que a segunda temporada mergulha em um território mais sombrio e visualmente impactante.

Em entrevista ao site CBR (ComiBook), Dastmalchian destacou que os novos episódios terão um tom mais pesado, com cenas mais violentas e atmosferas que flertam com o suspense. “O que acontece em Little Garden, com o Sr. 3 sendo enviado pelo Sr. 0, é assustador de um jeito que a primeira temporada não foi. Muito violento. Visuais incríveis”, disse o ator.

Fidelidade ao mangá continua sendo prioridade

Apesar da mudança no tom, o respeito à obra original segue firme. Dastmalchian comentou que seu próprio filho é fã de longa data do mangá e do anime, e que a adaptação em live-action conseguiu manter viva a essência do universo criado por Oda. Segundo ele, o envolvimento direto do autor como produtor executivo é um dos motivos dessa fidelidade, algo que a equipe criativa preserva com cuidado.

Oda acompanha de perto o desenvolvimento da série, junto com Marty Adelstein e Becky Clements, da Tomorrow Studios. A primeira temporada estreou em 2023 com forte recepção do público e da crítica, justamente por equilibrar aventura, emoção e uma estética fiel ao material original.

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Uma nova fase para os Chapéus de Palha

A segunda temporada deixará o East Blue para trás e seguirá com os Chapéus de Palha em direção ao Grand Line, onde a narrativa se torna mais complexa, os conflitos ganham peso moral, e os inimigos passam a representar ameaças reais à sobrevivência da tripulação. Um desses antagonistas é o próprio Sr. 3, integrante da misteriosa organização Baroque Works, liderada pelo implacável Crocodile.

Com sua habilidade de criar e manipular cera sólida, Galdino impõe desafios estratégicos e psicológicos aos protagonistas. Sua presença em Little Garden marca o início de uma fase onde a leveza cede espaço a tensões mais duradouras — o que não significa que o carisma da tripulação se perca, mas que os riscos agora são maiores.

Elenco principal retorna — e ganha reforços

O núcleo principal da série continua formado por Iñaki Godoy, no papel de Monkey D. Luffy; Emily Rudd, como a destemida cartógrafa Nami; Mackenyu, vivendo o espadachim Zoro; Jacob Romero Gibson, como o criativo atirador Usopp; e Taz Skylar, no papel do carismático cozinheiro Sanji. O entrosamento entre os atores foi um dos pontos mais elogiados na primeira temporada e seguirá como peça-chave nos novos episódios.

Além do retorno dos rostos já conhecidos pelo público, o elenco será ampliado com personagens emblemáticos dos próximos arcos. Entre eles, os gigantes Dorry e Brogy, que habitam a ilha pré-histórica de Little Garden, e outros membros da Baroque Works, que começam a ganhar espaço como ameaça constante. A chegada de Dastmalchian, com seu estilo único e presença intensa, promete acrescentar uma nova camada de tensão à narrativa.

Rumo a uma adaptação mais ousada

O lançamento inicial da série, em agosto de 2023, mostrou que adaptar um anime para o live-action pode funcionar — desde que feito com respeito e criatividade. A recepção calorosa abriu caminho para uma segunda temporada mais ambiciosa, que agora se permite experimentar com atmosferas diferentes e conflitos mais dramáticos.

A narrativa evolui junto com os personagens. Luffy e seus companheiros, que até aqui enfrentaram desafios pontuais com otimismo e astúcia, começam a encarar dilemas que exigem mais do que coragem: demandam maturidade, escolhas difíceis e, em muitos momentos, dor.

Estreia prevista e expectativas

Ainda sem data oficial, a segunda temporada deve estrear no primeiro semestre de 2026, com produção em ritmo acelerado. Até lá, a primeira temporada permanece disponível na Netflix, e bastidores das gravações podem ser acompanhados pelas redes sociais do elenco e da equipe.

O live-action de One Piece continua ganhando espaço não apenas entre os fãs da franquia, mas também entre novos públicos que encontram na série um universo rico em fantasia, aventura e laços humanos.

De um mangá para o mundo

Lançado em 1997, o mangá de One Piece atravessou décadas, idiomas e fronteiras culturais. Com mais de mil episódios no anime e volumes incontáveis em circulação, a obra de Eiichiro Oda transformou-se em um dos pilares da cultura pop mundial. A versão live-action é, hoje, uma extensão desse legado — e promete seguir expandindo esse universo com criatividade, coragem e ainda mais emoção.

Geraldo Luís faz desabafo impactante no “The Noite” desta quinta (31/07) e revisita trajetória marcada por emoção e jornalismo popular

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Foto: Reprodução/ Internet

Nesta quinta, 31 de julho, Geraldo Luís será o convidado especial no The Noite com Danilo Gentili, que será exibido no SBT logo após a meia-noite. Conhecido por seu jeito direto e coração à flor da pele, o jornalista revisitará momentos marcantes de sua carreira, falará sobre o afastamento da televisão aberta do público e não poupará críticas ao modelo atual de programação. “A TV aberta está na UTI”, ele declarará com sinceridade. As informações são do SBT.

O encontro promete momentos de risadas, emoção e até espaço para o amor — ou pelo menos uma tentativa da produção do programa de apresentar uma nova companhia para o apresentador. No palco, o apresentador mostrará toda sua autenticidade, relembrando o jornalismo que sempre defendeu: feito com alma, nas ruas, olhando nos olhos de quem sofre.

A origem de um contador de histórias

Nascido em Limeira (SP), Geraldo iniciou sua carreira no jornalismo ainda jovem, como repórter policial no rádio. Serão cerca de duas décadas cobrindo tragédias, emergências e os bastidores das delegacias do interior paulista. O que o destacou será sua sensibilidade: ele não contará apenas os fatos, mas a dor por trás deles.

Em 2007, ele chegará à Record TV como uma aposta e, em pouco tempo, se tornará fenômeno comandando o Balanço Geral, com seu famoso bordão “Balança!”, histórias populares e uma conexão genuína com o público. No programa, Geraldo se emocionará ao relembrar esse período: “Era o programa de quem acreditava que a notícia também tinha coração. Que não era só estúdio e teleprompter.”

Saída da TV aberta e críticas à programação atual

Mais recentemente, o jornalista esteve à frente de dois projetos na RedeTV! — o dominical Geral do Povo e o noturno Ultra Show. Apesar de ter deixado a emissora em 2024, ele guardará boas lembranças dessa fase. “Chegamos a bater picos de audiência. A matéria sobre o irmão da Suzane von Richthofen, por exemplo, explodiu. O produtor me ligou dizendo que ele estava vivendo isolado num sítio abandonado da família. Era uma história real, forte, que ninguém tinha contado ainda.”

Porém, o foco da conversa será sua visão crítica sobre a crise de identidade da TV aberta. Para ele, os canais perderam o pulso do que o público realmente deseja assistir. “A televisão insiste em inventar o que não precisa. Perdeu a simplicidade. Hoje, está distante do telespectador. A pessoa passa horas no celular atrás do que realmente quer ver. Me pergunte: fora o futebol, que programa ainda prende alguém no sofá por duas horas?”, questionará.

Com quase seis milhões de seguidores no Instagram, o comunicador não esconderá a frustração, mas também não se entregará ao conformismo. “A TV aberta ainda será necessária. Mas está doente. E ninguém vai querer admitir isso.”

Marcelo Rezende, mentoria e saudade

Entre os momentos mais emocionantes da entrevista, o convidado abrirá o coração ao falar sobre Marcelo Rezende, a quem chama de “seu grande mestre”. A voz embargará quando ele disser: “O Marcelo foi o cara que brigou por mim dentro da Record. Ele acreditava no jornalismo popular feito com alma, com o pé na lama. Ele colocou muita gente no ar e nunca teve medo de dar chance para quem estava de fora do eixo.”

A amizade dos dois foi construída na base da confiança mútua e da afinidade editorial. Para Geraldo, essa escola — a do jornalismo com verdade e empatia — ainda pulsará, mesmo com as mudanças de formato e plataforma.

Do necrotério à bancada: causos e confissões

Nem só de seriedade viverá o bate-papo. Com a naturalidade de quem já viveu mil vidas em uma, Geraldo contará histórias de quando foi agente funerário. “Eu trocava cadáver. Literalmente. Aprendi a lidar com a morte muito cedo. Isso me ensinou a respeitar a vida como poucos.”

E entre uma lembrança e outra, a produção resolverá brincar com o lado romântico (e solteiro) do apresentador: o desafiará a participar do quadro “The Noite L’Amour”, onde terá que “buscar uma nova namorada” no programa. Renderá risadas, improvisos e um Geraldo desarmado, que aceitará a brincadeira com bom humor: “Tô precisando mesmo. Se for pra dar risada e sair da solidão, tô dentro!”.

Novos rumos, mesma essência

Mesmo longe das grandes emissoras, Geraldo Luís não abandonará o público. Muito pelo contrário. Ele criará o canal “Geraldo Luís TV” no YouTube, onde continuará contando histórias de gente invisibilizada. Além disso, comandará o podcast “Vozes Invisíveis”, projeto que dará espaço a moradores de rua e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

“Essas pessoas existem. Elas têm nome, têm história. E a televisão esqueceu delas”, afirmará. Para ele, a missão de comunicar vai além de contrato ou audiência. “Eu me vejo como um mensageiro da dor. Não quero só noticiar tragédia. Quero mostrar humanidade, onde ninguém quer olhar.”

Martin Lawrence troca o riso pelo medo em “Gaiola Mental”, filme da “Super Tela” deste sábado (02/08)

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Foto: Reprodução/ Internet

Você conhece Martin Lawrence pelas gargalhadas. Pelas caretas em “Vovó… Zona”, pelos gritos e explosões em “Bad Boys”. Mas neste sábado, 2 de agosto de 2025, a Super Tela da Record TV traz uma face quase desconhecida do ator: a do medo. No suspense, o comediante americano abandona o humor para mergulhar em um universo sombrio, onde arte e morte se entrelaçam em um jogo psicológico inquietante.

Com John Malkovich e Melissa Roxburgh no elenco, o longa americano não é só mais um thriller criminal. É uma experiência claustrofóbica sobre obsessão, fé distorcida e a linha tênue entre justiça e loucura. O filme chega à TV aberta dois anos depois de ser redescoberto pelo público nas plataformas digitais — e carrega uma nova camada de interesse: a curiosidade em ver Lawrence em um papel dramático, frio, silencioso.

Entre quadros e cadáveres: o enigma começa

Na trama, uma série de assassinatos estilizados começa a chamar atenção: os corpos surgem em cenas que mais parecem instalações artísticas de horror. São crimes assinados por um imitador, que recria obras macabras inspiradas em um serial killer preso, conhecido como “O Artista”. Para deter essa nova onda de mortes, os detetives Jake Doyle (Lawrence) e Mary Kelly (Roxburgh) decidem recorrer ao próprio assassino original — interpretado com brilhantismo gélido por John Malkovich.

É nesse triângulo de tensão que o filme se desenrola: um veterano cansado, uma investigadora em busca de redenção e um monstro preso, mas longe de estar domado. O resultado é um diálogo constante entre racionalidade e delírio, com cada passo levando os personagens (e o espectador) a um labirinto mental sem saída fácil.

Martin Lawrence, um estranho no ninho sombrio

Lawrence é o elemento surpresa do filme. Sem piadas, sem exageros, sem alívio cômico. Seu detetive Doyle é introspectivo, ferido, alguém que já viu coisas demais e confia de menos. E é justamente por isso que sua presença funciona. O peso da desconfiança está em cada gesto, cada silêncio, cada olhar que não quer se envolver, mas precisa.

Em entrevistas após o lançamento, Lawrence revelou que buscava “um desafio que o tirasse da zona de conforto” e encontrou neste roteiro “um convite para o desconforto”. Missão cumprida. Sua performance é contida, mas firme — e, para muitos fãs, reveladora de um talento ainda inexplorado.

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Malkovich e o vilão que não grita

O grande vilão do filme não grita. Não corre. Não aparece com faca em punho. John Malkovich cria um personagem que aterroriza com pausas, com palavras escolhidas, com teorias que fazem sentido demais. “O Artista” é um assassino culto, que cita versículos bíblicos e compara seus crimes a atos divinos. O tipo de figura que perturba não só pela violência, mas por parecer… logicamente coerente.

Suas conversas com a detetive Mary são como partidas de xadrez verbais, cheias de armadilhas escondidas. E é aí que Melissa Roxburgh brilha: sua personagem entra nesse mundo como quem pisa em terreno sagrado — e cada vez mais contaminado.

Trilha sombria e atmosfera pesada

Gravado no Arkansas, com produção marcada por dificuldades técnicas e protocolos de segurança da pandemia, o filme opta por um visual carregado: luzes frias, sombras constantes, planos fechados e uma trilha sonora que mais provoca calafrios do que emoção. O diretor Mauro Borrelli, conhecido por trabalhos visuais em grandes blockbusters, aqui foca em simbologia: tudo na tela tem um duplo sentido. A cruz em segundo plano, o reflexo no espelho, a pintura rasgada. Nada é gratuito.

Essa estética reforça a sensação de aprisionamento — mental e físico — que envolve os personagens e, de certa forma, também o público. O filme não quer ser confortável. Ele quer que você respire com dificuldade junto com os detetives.

Da rejeição à redenção: o fenômeno do streaming

No lançamento, em 2022, o filme não teve a recepção calorosa que seus produtores esperavam. A crítica foi dura: no Rotten Tomatoes, o índice de aprovação foi de apenas 18%. Muitos apontaram semelhanças óbvias com clássicos do gênero, como “Seven” e “O Silêncio dos Inocentes”, mas sem a mesma sofisticação.

Mas a história não acabou ali. Em 2024, quase do nada, longa-metragem entrou no radar da Netflix e explodiu: alcançou o Top 10 em vários países e acumulou milhões de horas assistidas. O público pareceu finalmente perceber o que o marketing inicial não soube vender: o filme não é uma reinvenção do gênero, mas um retrato curioso da fragilidade humana diante da monstruosidade racional.

Onde assistir?

Se você não viu o longa-metragem nos cinemas ou deixou passar no streaming, agora tem uma nova oportunidade: o suspense vai ao ar neste sábado, às 23h15. É a chance perfeita de conferir gratuitamente uma trama intensa e cheia de reviravoltas, direto da sua televisão. E, caso prefira assistir em outro momento, o filme também está disponível para aluguel digital no Prime Video, a partir de R$ 14,90, além de outras plataformas de vídeo sob demanda — basta conferir nos catálogos da sua operadora ou serviço favorito.

O filme vale a pena?

É verdade: “Gaiola Mental” não inventa a roda. Mas não precisa. Seu valor está no que ele provoca: a curiosidade de ver um comediante em sua versão mais soturna, o desconforto diante de um vilão que fala com calma demais, e aquela sensação de que a arte pode ser tão perigosa quanto uma arma.

Steven Knight assume roteiro e Denis Villeneuve deve dirigir o próximo 007 sob o comando total da Amazon

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Foto: Reprodução/ Internet

Durante décadas, ele foi o homem mais enigmático do cinema. Um ícone de elegância e brutalidade, charme e destruição. De Sean Connery a Daniel Craig, passando por Roger Moore, Pierce Brosnan e tantos outros momentos da cultura pop, James Bond sobreviveu a guerras frias, à Guerra do Golfo, ao terrorismo, ao streaming e até às próprias contradições. Agora, às vésperas de completar 65 anos nas telonas, 007 se prepara para viver seu maior desafio: se reinventar de verdade.

Desta vez, o que está em movimento vai muito além da troca de ator ou da inclusão de tecnologias mais modernas nas cenas de ação. Estamos falando de uma transformação profunda — quase cirúrgica — na alma de James Bond. Segundo informações do Deadline, a Amazon MGM Studios escolheu Steven Knight, criador da aclamada série “Peaky Blinders”, para assinar o novo roteiro da franquia. E, para completar esse reposicionamento ambicioso, o estúdio mira alto: Denis Villeneuve, diretor de Duna e A Chegada, desponta como o favorito para assumir a direção do próximo capítulo da saga do espião mais icônico do cinema.

Sim, Bond está voltando. Mas não como antes.

O fim da “Era Broccoli”?

Talvez o maior movimento por trás dos holofotes tenha sido justamente esse: a Amazon, que adquiriu a MGM em 2022 por US$ 8,5 bilhões, finalmente conseguiu o que ninguém antes havia feito — tomar para si o controle criativo da franquia 007, até então cuidadosamente guardado por Barbara Broccoli e Michael G. Wilson. A dupla, herdeira do legado de Albert “Cubby” Broccoli, era conhecida por proteger Bond com mãos firmes — às vezes até demais.

Segundo fontes da indústria, a negociação foi longa, cheia de exigências, cláusulas e concessões, mas o resultado foi um cheque generoso (fala-se em cerca de US$ 1 bilhão) e um novo caminho para o agente com licença para matar. Agora, quem dita as regras é a Amazon — e a mudança de clima já é perceptível.

Steven Knight e o 007 com cicatrizes

Knight não é um roteirista comum. Com uma carreira que vai de roteiros premiados (Senhores do Crime, Locke) a criações originais de impacto como Peaky Blinders, ele carrega uma assinatura marcante: suas histórias são feitas de homens em conflito com seu próprio passado, cercados por sombras do poder e assombrados por erros pessoais. Não é difícil imaginar esse olhar aplicado a Bond.

O que podemos esperar? Um 007 mais humano, mais torturado, talvez até mais silencioso. Esqueça as piadas fáceis e as conquistas em sequência. Essa nova encarnação pode ser menos um playboy invencível e mais um homem lidando com o peso de representar um império em decadência. Em outras palavras: não mais um herói, e sim um reflexo dos dilemas contemporâneos.

Villeneuve: estilo, densidade e cinema com “C” maiúsculo

Embora a presença de Denis Villeneuve ainda não tenha sido oficialmente confirmada, o nome do diretor canadense tem circulado com força nos bastidores. E com razão: Villeneuve é hoje um dos cineastas mais respeitados do mundo, capaz de transformar blockbusters em experiências quase poéticas. Ele entende o silêncio, o tempo e o peso da atmosfera.

Em Sicario, ele mostrou como a guerra contra o crime pode ser moralmente insustentável. Em Blade Runner 2049, traduziu solidão e identidade num universo tecnológico opressivo. Em Duna, reimaginou a ficção científica com escala e respeito à complexidade.

Bond, sob Villeneuve, pode ser menos “tiro, porrada e bomba” e mais introspecção, estratégia e desespero contido. E isso pode ser ótimo.

Quem será o novo Bond?

Essa é a pergunta que não quer calar. Desde que Daniel Craig se despediu do personagem com Sem Tempo Para Morrer (2021), especulações não pararam. Regé-Jean Page, Aaron Taylor-Johnson, Henry Golding… cada semana parece trazer um favorito diferente.

Mas fontes ligadas à produção garantem que ainda estamos longe da escolha final. Com o roteiro em desenvolvimento e Villeneuve ainda ocupado com Duna: Parte Três, o foco agora está na essência do novo filme, não apenas na escalação do astro.

E isso, talvez, seja um bom sinal. Afinal, o próximo Bond não deve ser só um rosto bonito — mas um ator capaz de carregar o peso de um personagem em reconstrução.

Bond, James Bond… ainda importa?

Em 2025, essa é uma pergunta válida. Ainda faz sentido ter um espião britânico, branco, cis e armado, salvando o mundo em nome de uma monarquia europeia? Ainda faz sentido o glamour de um homem que dorme com mulheres perigosas e resolve tudo com socos e explosões?

A resposta talvez esteja na forma como essa nova fase for conduzida. Steven Knight e Denis Villeneuve são, acima de tudo, autores. Contadores de histórias. E se alguém pode pegar um personagem tão saturado, tão icônico, e fazê-lo respirar novamente, são eles.

Bond pode ser mais do que um símbolo do passado. Pode ser um espelho do presente.

O que nos espera?

Provavelmente um 007 mais melancólico. Menos foco em gadgets e mais em dilemas morais. Um filme que talvez comece com silêncio, em vez de uma perseguição alucinada. Um Bond que se pergunta se ainda tem lugar no mundo — e não um que já sabe todas as respostas.

“A Rede Social – Parte II” | Jeremy Strong pode viver Mark Zuckerberg em nova trama sobre poder

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Depois de mais de uma década, a história do Facebook está pronta para ganhar um novo capítulo nas telas. Aaron Sorkin, roteirista brilhante responsável pelo primeiro filme, está de volta — mas agora também na direção. E o que chama atenção é a escolha provável do ator Jeremy Strong para interpretar Mark Zuckerberg, o homem que transformou uma ideia de dormitório em um império global, com todos os seus acertos e sombras. As informações são do The Hollywood Reporter.

Jeremy Strong, conhecido por sua atuação intensa como Kendall Roy em “Succession”, parece ter o perfil ideal para encarnar o Zuckerberg de hoje: alguém que não é apenas um gênio da tecnologia, mas um executivo às voltas com uma série de desafios éticos, políticas controversas e crises públicas.

Uma nova história para um novo momento

Se o primeiro longa-metragem, lançado em 2010, contava a fundação do Facebook com sua dose de traições, ambição juvenil e disputas judiciais, a continuação parece querer ir além da origem. Desta vez, o foco será o momento em que o Facebook, já gigante, passa por sua maior crise de imagem — quando surgem os chamados “Facebook Files”. Esse é o terreno fértil onde o novo filme deve se situar — um retrato contemporâneo do que significa administrar uma das maiores empresas do mundo digital e encarar as consequências disso.

O novo Zuckerberg

Jeremy não é uma escolha qualquer para interpretar Mark. A complexidade do personagem exige alguém capaz de mostrar tanto a frieza calculista quanto os conflitos internos, as dúvidas e o peso da responsabilidade. Em “Succession”, Strong entregou uma performance cheia de nuances, retratando um herdeiro empresarial marcado por crises pessoais e familiares. Essa experiência deve agregar muito à interpretação do bilionário que, embora poderoso, vive sob constante pressão de defender um império controverso.

Sorkin assume as rédeas

Aaron Sorkin, que escreveu o roteiro do primeiro filme, agora também dirige a sequência. Isso pode ser uma grande vantagem para o projeto. Sorkin é especialista em criar diálogos vivos, personagens intensos e histórias que exploram temas contemporâneos com inteligência e emoção. O diretor mostrou em trabalhos anteriores, como “Os 7 de Chicago”, que sabe conduzir narrativas políticas e dramas corporativos sem perder a humanidade dos personagens. É exatamente isso que o filme precisa para contar uma história tão delicada e atual.

Do campus de Harvard ao Congresso dos EUA

Se no filme original o cenário principal era a universidade, as festas estudantis e os escritórios improvisados, desta vez a narrativa provavelmente vai transitar por salas de audiências no Congresso, escritórios luxuosos da Meta e até reuniões de crise que definem o futuro das redes sociais. É um salto de escala e também de tom — da história pessoal para o impacto global. A Meta não é só uma empresa de tecnologia, mas uma força que influencia vidas, opiniões e decisões em todo o mundo.

Um desafio narrativo

Produzir um filme baseado em eventos recentes e ainda em andamento não é tarefa simples. É preciso equilibrar fatos, narrativas múltiplas e personagens reais, alguns dos quais ainda estão ativos e acompanhando os desdobramentos. Mas o fato de Sorkin assumir o roteiro e a direção sugere que o projeto vai buscar esse equilíbrio com responsabilidade. Afinal, o tema é urgente: as redes sociais já fazem parte do cotidiano e entender seus bastidores é essencial para a nossa era.

Expectativas do público

Muitos espectadores que assistiram ao primeiro filme cresceram e hoje lidam diretamente com os efeitos da cultura digital, do vício em redes sociais e da polarização nas redes. Por isso, “A Rede Social – Parte II” pode ressoar ainda mais forte, oferecendo não só um entretenimento, mas um convite à reflexão.

O que está em jogo é grande: o filme pode ajudar a entender melhor o poder e os limites das plataformas que dominam nossas vidas, além de mostrar os dilemas éticos de quem as controla.

E o que vem pela frente?

Por enquanto, pouco se sabe sobre a data de estreia ou se veremos algum retorno do elenco original. O que está claro é que “A Rede Social – Parte II” vai se diferenciar da produção de 2010, trazendo uma narrativa mais madura, crítica e alinhada com os debates atuais.

Saiba qual filme vai passar no “Cine Aventura” deste sábado (02/08)

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A linha entre ficção científica e drama familiar se dissolve em Kin, filme que será exibido neste sábado, 2 de agosto de 2025, às 15h15, no Cine Aventura, da Record TV. Lançado originalmente em 2018, o longa dos irmãos Josh e Jonathan Baker propõe mais do que cenas de ação e efeitos especiais: trata-se de uma história sobre laços, perdas, identidades e segundas chances — tudo sob o pano de fundo de um universo onde tecnologia alienígena e crime urbano colidem.

Estrelado por Myles Truitt, Jack Reynor, Zoë Kravitz e com participação de Carrie Coon, o filme conquistou uma legião de fãs especialmente entre os apreciadores de ficções que priorizam emoção tanto quanto adrenalina. Embora não tenha sido um sucesso de bilheteria na época, Kin encontrou nova vida nos streamings e hoje é considerado um dos filmes cult mais curiosos da década passada.

Laços que vão além do sangue

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, tudo começa em Detroit, com Eli, um garoto de 14 anos que, para ajudar nas contas de casa, costuma vasculhar prédios abandonados em busca de sucata. Numa dessas explorações, ele encontra algo inusitado: os restos de um combate estranho, com corpos blindados e uma arma que parece saída de outro planeta. Curioso, ele leva o objeto para casa, sem imaginar o quanto sua vida está prestes a virar do avesso.

Logo depois, seu irmão mais velho, Jimmy, retorna para casa após cumprir pena. Os dois mal se conhecem — são ligados apenas pelo pai adotivo, um homem rígido que tenta, à sua maneira, manter a família nos trilhos. Mas Jimmy carrega segredos perigosos e uma dívida com criminosos locais. Em pouco tempo, ele e Eli são obrigados a fugir. Com a arma misteriosa a tiracolo e bandidos implacáveis em seu encalço, os irmãos embarcam em uma jornada cheia de reviravoltas — e também de reconexão.

Um elenco que emociona com sutileza

Myles Truitt (de Stranger Things e BMF) dá vida a Eli com uma sensibilidade impressionante. Ele equilibra curiosidade e vulnerabilidade, criando um personagem com quem é fácil se identificar — afinal, quem nunca quis pertencer a algum lugar? Já Jack Reynor (Midsommar, Transformers: A Era da Extinção) é Jimmy, o irmão que tenta consertar erros do passado. Em sua jornada, vemos o peso da culpa e o desejo de proteção que se revela aos poucos. É uma atuação sincera, crua, sem firulas.

Completando o trio principal está Zoë Kravitz (Big Little Lies, The Batman), como Milly, uma mulher que também foge de seus próprios fantasmas e encontra nos irmãos uma improvável nova família. Carrie Coon (The Leftovers, Fargo) interpreta a agente do FBI que tenta compreender o mistério por trás da arma e das ações de Eli — uma personagem que representa o olhar externo sobre essa relação tão delicada entre irmãos.

Uma trilha sonora que acompanha o coração da história

O clima sonoro do filme é embalado pela banda escocesa Mogwai, conhecida por criar atmosferas densas e emocionantes. A trilha não serve apenas de fundo: ela pulsa junto com as escolhas dos personagens. É ela que guia o espectador pelo mistério, pela tensão e, sobretudo, pelo afeto.

Do fracasso de bilheteria ao sucesso cult

Lançado nos Estados Unidos em agosto de 2018, o filme não teve uma boa recepção comercial. Com um orçamento de US$ 30 milhões, arrecadou apenas US$ 10 milhões ao redor do mundo. Parte da crítica achou o tom do filme inconsistente — difícil de classificar. Mas talvez esse seja justamente seu maior mérito: Kin não é fácil de rotular, e por isso conquistou seu público aos poucos.

Em 2021, por exemplo, o filme se tornou um dos títulos mais assistidos na Netflix da Coreia do Sul — uma surpresa que só reforça seu apelo emocional global. Nas redes sociais, Kin é frequentemente lembrado como uma “joia escondida” da ficção científica moderna.

Uma história sobre coragem, conexão e escolhas

Com direção segura dos irmãos Baker — que já haviam desenvolvido o conceito no curta-metragem Bag Man —, o filme encontra seu tom ao combinar o fantástico com o íntimo. A história fala de alienígenas, sim, mas também de abandono. Fala de armas de outro mundo, mas principalmente de como um menino perdido pode encontrar no irmão, mesmo imperfeito, uma razão para continuar.

Onde posso assistir?

Se você quer assistir ao filme além da exibição na Record TV, há outras opções disponíveis no streaming. O longa está incluído no catálogo da Netflix, disponível para assinantes da plataforma. Para quem prefere o aluguel digital, é possível assistir a “Kin” pelo Prime Video, com valores a partir de R$ 11,90. Vale conferir também outros serviços de vídeo sob demanda, que podem disponibilizar o título para aluguel ou compra.

Dirigido por Chris Stuckmann, “A Maldição de Shelby Oaks” ganha novo pôster

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Quando o passado bate à porta, nem sempre é com boas lembranças. Às vezes, ele vem com olhos escuros, sombras nos cantos e uma pergunta sem resposta: e se aquilo que você acreditava ser fruto da imaginação… fosse real?

É essa tensão entre memória e realidade que guia “A Maldição de Shelby Oaks” (The Haunting of Shelby Oaks), o novo longa de terror da NEON que chega aos cinemas brasileiros no dia 30 de outubro, em plena temporada de Halloween. Com direção de Chris Stuckmann — crítico de cinema que estreia atrás das câmeras em um projeto autoral — e um elenco que mistura nomes consagrados como Keith David (Eles Vivem, O Enigma de Outro Mundo, Crash – Estranhos Prazeres, Requiem para um Sonho), Camille Sullivan (Hunter Hunter, Inteligência Artificial: Acesso Restrito, The Disappearance) e Robin Bartlett (Uma Babá Quase Perfeita, Requiem para um Sonho, Contágio), o filme já chega cercado de expectativas, especialmente após o lançamento do novo pôster e a promessa do primeiro trailer para esta sexta-feira (1º de agosto).

Um terror que nasce da obsessão

A história gira em torno de Mia, uma mulher que nunca superou o desaparecimento misterioso da irmã anos atrás. O tempo passou, mas a dor ficou. E mais do que isso: se transformou em um tipo peculiar de compulsão. À medida que ela revisita os lugares da infância, relê cartas, assiste a vídeos antigos e se reconecta com pessoas do passado, Mia começa a reconstruir uma narrativa que parecia enterrada — e encontra algo que não esperava: indícios de que o “amigo imaginário” demoníaco da infância talvez nunca tenha sido só imaginação.

Stuckmann, que se inspirou em vídeos virais, relatos de desaparecimentos reais e registros de fenômenos paranormais para construir o roteiro, aposta num terror atmosférico, psicológico, quase paranoico. A dúvida que conduz o espectador não é apenas “o que aconteceu com a irmã?”, mas “em que ponto a sanidade de Mia começa a desmoronar?”. O diretor propõe um jogo mental constante, onde o espectador se vê preso à mesma armadilha que a protagonista: entre querer descobrir a verdade e temer que ela seja pior do que qualquer suposição.

O nascimento de uma maldição moderna

O projeto de Shelby Oaks começou como uma proposta ousada de cinema independente. Financiado inicialmente via crowdfunding, o filme chamou a atenção não apenas pela mobilização dos fãs de terror na internet, mas pelo estilo narrativo que prometia algo diferente do susto fácil e das fórmulas convencionais. Foi aí que a NEON entrou na jogada, assumindo a produção e garantindo um lançamento internacional.

O diretor Chris Stuckmann, que durante anos acumulou milhões de visualizações em seu canal do YouTube comentando filmes de todos os gêneros, queria fazer mais do que homenagear os clássicos. Ele queria construir algo próprio. E para isso, mergulhou em uma narrativa que mistura as tensões da perda com o horror do desconhecido. Segundo ele, “o filme não é sobre monstros debaixo da cama. É sobre os monstros que criamos para sobreviver à dor.”

Com um orçamento de US$ 5 milhões, A Maldição de Shelby Oaks é modesto em escala, mas ambicioso em proposta. As locações foram escolhidas a dedo para evocar uma sensação de decadência suburbana, onde o tempo parece parado e as casas guardam mais segredos do que histórias felizes. Os elementos sobrenaturais surgem aos poucos, sempre sob o véu da dúvida, nunca completamente explícitos — o que contribui para a atmosfera sufocante e tensa do filme.

Elenco afiado e tensão constante

No papel principal, Camille Sullivan entrega uma performance intensa e contida como Mia. Sua atuação carrega o peso do luto, da inquietação e da gradual descida à obsessão com uma sutileza rara no gênero. Não é uma “final girl” típica: é uma mulher madura, marcada, em pedaços, mas com uma fúria interior que beira o desespero. Keith David, por sua vez, interpreta um enigmático personagem do passado da irmã desaparecida — e rouba cada cena em que aparece. Robin Bartlett, veterana de teatro e televisão, encarna uma figura ambígua, que pode ou não ser chave na trama do desaparecimento.

Com 99 minutos de duração, o filme evita o excesso e não se rende a soluções fáceis. Nada de sustos gratuitos ou efeitos digitais espalhafatosos: Shelby Oaks aposta na sugestão, na trilha sonora incômoda, nos ruídos fora do quadro e nos silêncios densos. O medo vem daquilo que não se vê, daquilo que não se sabe — e daquilo que se sente quando se está sozinho num quarto escuro e há algo olhando de volta.

Um Halloween com cara de trauma

A estreia marcada para 30 de outubro não é coincidência. Em meio ao circuito de Halloween, onde longas como Jogos Mortais: Renascimento e A Entidade 3 disputarão atenção nas salas, o novo filme pode surpreender como a alternativa mais psicológica e angustiante da temporada. Um filme que não aposta na quantidade de sangue, mas na profundidade das feridas.

A Diamond Films, responsável pela distribuição no Brasil, promete uma campanha voltada aos fãs de suspense e mistério, além de sessões especiais com debates sobre saúde mental, luto e a tênue linha entre realidade e delírio. Não à toa: embora o filme se enquadre no gênero de terror, sua alma é essencialmente dramática.

Um diretor que conhece o medo — por dentro

O nome Chris Stuckmann ainda pode não ser familiar para quem não acompanha os bastidores do cinema online, mas o americano tem se tornado uma voz relevante. Depois de anos como crítico, ele decidiu aplicar seu conhecimento em prática — e o resultado, pelo que os primeiros comentários apontam, é um terror maduro, íntimo e surpreendente.

Em entrevistas recentes, Stuckmann revelou que muitas das ideias de Shelby Oaks surgiram de seus próprios pesadelos e de experiências de infância que ele costumava ignorar. “Não é uma história autobiográfica, mas os medos são meus”, disse ele.

Essa proximidade com o tema ajuda a explicar o tom sincero e desconcertante do longa. Ao invés de se esconder atrás de máscaras ou criaturas sobrenaturais elaboradas, Shelby Oaks escancara um tipo de terror mais raro: o medo de não saber se estamos perdendo alguém — ou a nós mesmos.

O que podemos esperar?

Com estreia confirmada no Brasil para o dia 30 de outubro, o longa-metragem promete ser um dos destaques do terror em 2025, sobretudo para quem prefere sustos que fiquem na cabeça por dias, não apenas no corpo por segundos. E o trailer, que chega nesta sexta-feira, 1º de agosto, deve dar as primeiras pistas da jornada sinistra de Mia e da escuridão que habita a cidade (e a mente) de Shelby Oaks.

“Criaturas da Mente” | Documentário de Marcelo Gomes ultrapassa 10 mil ingressos e se firma como um dos mais vistos de 2025

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Existe um tipo de filme que a gente não apenas assiste — a gente atravessa. “Criaturas da Mente”, novo documentário dirigido por Marcelo Gomes, é exatamente isso: uma travessia. De telas para dentro da pele. Do visível para o simbólico. Da lógica científica para a sabedoria esquecida. Um filme que caminha com os pés no chão da floresta, mas com os olhos voltados para o que mora do lado de dentro: nossos sonhos.

Nas últimas treze semanas, o longa já foi visto por mais de 10 mil pessoas, conquistando espaço entre os documentários mais assistidos do ano, segundo a Comscore Brasil. Em vez de cifras explosivas ou campanhas massivas, a força de “Criaturas da Mente” se espalha de boca em boca, como quem compartilha um segredo antigo que finalmente voltou à superfície.

A mente que sonha é também corpo que lembra

A jornada começa com Sidarta Ribeiro, neurocientista de fala mansa e pensamento expansivo, conhecido por seu trabalho sobre sono e sonhos. Mas não é ele quem carrega o filme — é o sonho em si. O longa nos leva por caminhos inesperados: não há apenas dados, experimentos ou estatísticas, mas sim encontros, saberes, escutas. É a ciência estendendo a mão para tradições ancestrais e dizendo: “eu também quero entender”.

As conversas com Mãe Beth de Oxum, Ailton Krenak, Mizziara de Paiva, Marcelo Leite, Ana Flávia Mendonça, entre outras vozes, ampliam esse terreno. Em vez de substituir uma lógica por outra, o filme constrói pontes. E em cada uma delas, o sonho aparece como bússola — uma linguagem que não precisa ser traduzida, apenas sentida.

Um filme que não tem pressa

Marcelo Gomes nunca foi um diretor de respostas fáceis. E aqui ele vai ainda mais fundo. Em “Criaturas da Mente”, há silêncio, pausa, contemplação. A narrativa se desenrola com o tempo das coisas vivas — o tempo da memória, da intuição, da escuta.

Com imagens densas, mas delicadas, e uma trilha sonora que se insinua mais do que se impõe, a obra convida o espectador a não apenas olhar, mas a estar presente. Há momentos em que a imagem simplesmente respira. E essa escolha de deixar o tempo fluir é o que transforma o filme em uma experiência quase meditativa.

Um país que pensa com o coração

Mais do que tratar do inconsciente, o documentário fala de um Brasil profundo. Um Brasil que sonha com tambor, que conversa com as águas, que dança enquanto pensa. Um país que por muito tempo foi retratado como folclórico, mas que aqui ganha voz com a autoridade que lhe é devida.

Ao colocar a espiritualidade como parte legítima do conhecimento, o filme escancara uma ferida: por que sempre fomos ensinados a desconfiar de tudo que não vem da Europa ou dos livros acadêmicos? “Criaturas da Mente” não responde — mas também não se cala. Ele mostra. E o que se vê é um mosaico de saberes que pulsa, que sangra, que sonha junto.

Resistência nas entrelinhas

Em meio a tantas camadas, há também o gesto político de filmar. Marcelo Gomes, em entrevistas, lembra que tanto a ciência quanto o cinema sofreram duros ataques nos últimos anos. Financiamentos cortados, pesquisadores desacreditados, artistas silenciados. “Esse documentário é uma resposta. É o cinema dizendo: a gente não parou”, afirmou o diretor.

E ele tem razão. O filme se afirma não apenas como obra de arte, mas como testemunho de um tempo em que sonhar foi visto como fraqueza. Agora, é reerguido como potência.

A produção é assinada por João Moreira Salles e Maria Carlota Bruno, pela VideoFilmes, em parceria com Globo Filmes, GloboNews e Carnaval Filmes — uma união que mistura o afeto do cinema autoral com a estrutura de grandes distribuidoras.

Sessões como rituais

Talvez por tocar algo tão íntimo e ao mesmo tempo tão coletivo, “Criaturas da Mente” tenha conquistado seu público de forma quase silenciosa. Esgotando sessões pontuais, como um culto delicado à memória onírica que o filme desperta.

Entre 31 de julho e 7 de agosto, segue em cartaz em três cidades:

  • São Paulo: Espaço Petrobras de Cinema Augusta, todos os dias às 18h
  • Salvador: Cinema do Museu (Circuito Saladearte), dias 3/8 (14h) e 4/8 (13h)
  • João Pessoa: Cine Bangüê, sessão única no dia 31/7, às 20h30

“Queen Lear” | Claudia Alencar reina em série brasileira que conquista o mundo com tragédia urbana e poder queer

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A série “Queen Lear”, uma produção original do Canal Demais, tem conquistado espaço e reverência onde quer que passe. Em meio a um cenário ainda conservador e desigual no audiovisual nacional, a obra se destaca por sua ousadia: trazer Shakespeare para o universo das milícias, das quebradas e das vozes dissidentes. O resultado é uma tragédia contemporânea com sotaque, suor, e um grito coletivo por reconhecimento.

É impossível ignorar a força estética, política e emocional que emana da obra. Com Claudia Alencar à frente do elenco, a série já é apontada como um divisor de águas na representação LGBTQIAPN+ nas telas. E não é para menos: o projeto soma prêmios internacionais, uma base de fãs fervorosa e cinco indicações no prestigiado Festival MT Queer Premia 2025.

Uma rainha feita de pólvora e amor

Claudia Alencar brilha como Lear, uma matriarca miliciana que decide entregar seu império às três filhas. A premissa, inspirada em King Lear, serve como estopim para uma espiral de traições, feridas antigas e confrontos que vão muito além da disputa de poder. É sobre legado, pertencimento, culpa, afeto e a dor de perder o controle — seja de um território ou de um coração.

Mas o que torna “Queen Lear” especial não é apenas sua trama densa. É a forma como ela se desenrola. Cada cena carrega o peso do cotidiano periférico, do medo institucionalizado, da força das mulheres negras, trans, lésbicas e marginalizadas que há séculos sustentam o Brasil real, mas raramente o protagonizam.

A câmera não apenas observa — ela mergulha. A favela é palácio. O beco, labirinto psicológico. A trilha sonora, uma sinfonia entre batidas de rap, funk, sirenes e silêncios que ecoam tanto quanto os diálogos.

Reconhecimento global para uma obra local

“Queen Lear” já foi ovacionada em festivais como o Cusco Webfest (Peru), onde venceu como Melhor Série de Drama, e no LA Webfest (EUA), onde arrebatou os prêmios de Melhor Edição e novamente Melhor Série de Drama. Também figurou nas seleções oficiais do Apulia Webfest (Itália), New Jersey Webfest, e NZ Webfest (Nova Zelândia).

O feito mais simbólico veio com o terceiro lugar na Copa do Mundo das Webséries, um dos prêmios mais disputados do circuito independente. Para um projeto sem apoio das grandes plataformas, feito com recursos próprios e alma coletiva, esse reconhecimento soa como um grito de vitória.

Agora, o Brasil também aplaude. No Festival MT Queer Premia 2025, que será realizado em outubro, a série é uma das mais indicadas. Disputa as categorias de Melhor Websérie, Direção, Roteiro, e duas indicações de atuação: Claudia Alencar e Giul Abreu, que também se destaca em uma das filhas da rainha.

Um grito que vem das margens

Para Quentin Lewis, criador, roteirista e diretor da série, a obra é mais do que uma adaptação — é uma resposta. “A gente se apropriou de uma tragédia branca, europeia, cisnormativa, e devolveu com sotaque, gíria e vivência periférica. Não é sobre imitar Shakespeare, é sobre rasgá-lo e costurar de novo, com nossas linhas”, diz. Quentin faz questão de lembrar que a obra é também coletiva. “Nosso elenco é formado majoritariamente por artistas trans, pretos, de origem periférica. A série é uma mistura de currículo e militância. Cada rosto na tela carrega mais que técnica — carrega urgência.” Essa urgência reverbera no texto, na direção, na trilha. “Queen Lear” é visceral, como a realidade que retrata. E se emociona, não é por dó ou tragédia estética. É porque é real. Dói, pulsa e grita.

Um elenco que é revolução

Além de Claudia Alencar, soberba como a Lear tropical, a série reúne nomes da cena alternativa que imprimem verdade em cada frame. Giul Abreu entrega um dos trabalhos mais intensos do ano, vivendo uma das herdeiras do trono com camadas emocionais que vão do amor ferido à sede de justiça. Outros nomes em destaque incluem Mariana Lewis, Will Crispin, Aline Azevedo, Ana Cecília Mamede, Wagnera e Simone Viana. Um grupo que representa, de fato, o Brasil fora da bolha — diverso, criativo, talentoso, e ainda pouco reconhecido nos grandes meios.

Fora do streaming, dentro do coração do público

Apesar do sucesso internacional, a produção ainda não foi lançada oficialmente em nenhuma plataforma de streaming. A produção segue circulando exclusivamente por festivais, o que não impediu que criasse uma legião de fãs. A página do Canal Demais nas redes sociais virou ponto de encontro para quem acompanha trailers, trechos vazados, bastidores e até trechos de roteiro. A espera pela estreia oficial só amplifica o fascínio: o desejo é coletivo, a expectativa é nacional. Negociações com distribuidoras — nacionais e estrangeiras — estão em andamento. Mas o time criativo deixa claro que a prioridade é encontrar uma vitrine que respeite a potência política e poética da obra.

Shakespeare da laje

O grande mérito da série talvez seja este: não tentar domesticar Shakespeare para o Brasil, mas sim transformar a tragédia clássica em instrumento de denúncia, arte e reconexão com a nossa ancestralidade e resistência. A série fala de dor, mas também de ternura. De violência, mas também de afeto. De sangue, mas também de poesia. É um épico sem cavalo branco, sem castelo, sem herói — mas com muita coragem. E é por isso que, mesmo antes de chegar ao grande público, “Queen Lear” já é histórica. Porque mais do que contar uma boa história, ela provoca, escancara e emociona. No fim das contas, não é sobre Shakespeare. É sobre nós.

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