Drama “Uma Prova de Amor” é o destaque da “Sessão da Tarde” desta quinta-feira (31/07)

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Às vezes, é dentro de casa — entre pais, filhos e silêncios guardados — que surgem os dilemas mais difíceis. Na tarde desta quinta-feira, 31 de julho de 2025, a TV Globo convida o público da Sessão da Tarde a mergulhar nesse território delicado com a exibição do emocionante drama “Uma Prova de Amor” (My Sister’s Keeper), filme de 2009 que segue atual em sua força narrativa e na complexidade das discussões que propõe.

Dirigido por Nick Cassavetes (“Diário de uma Paixão”, “John Q”, “Alfa Dog”) e baseado no best-seller de Jodi Picoult (“Dezenove Minutos”, “A Guardiã da Minha Irmã”), o longa acompanha a jornada de uma família dilacerada pelo amor e pela doença, mas também atravessada por decisões que colocam em xeque os próprios limites do afeto.

Com interpretações sensíveis de Cameron Diaz (“O Máskara”, “Quem Vai Ficar com Mary?”, “As Panteras”, “Shrek”), Abigail Breslin (“Pequena Miss Sunshine”, “Zumbilândia”, “Sinais”, “Agentes do Destino”), Sofia Vassilieva (“Medium”, “Elo Perdido”), Jason Patric (“Velocidade Máxima 2”, “Garotos Perdidos”, “Sleepers – A Vingança Adormecida”), Alec Baldwin (“30 Rock”, “Os Infiltrados”, “Blue Jasmine”, “Missão: Impossível – Efeito Fallout”), Joan Cusack (“Melhor é Impossível”, “Noiva em Fuga”, “Toy Story”), e Thomas Dekker (“O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor”, “Heroes”, “A Hora do Pesadelo”), o filme vai além do apelo lacrimal: ele escancara o que significa lutar por alguém — e até onde é justo ir nessa luta.

Uma filha para salvar outra: quando o amor desafia a ética

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, a história gira em torno de Anna Fitzgerald, uma menina de 11 anos que decide tomar uma atitude inesperada: processar os pais para conquistar a emancipação médica e garantir o direito de não doar um rim à irmã mais velha, Kate, que está em estágio avançado de leucemia. Mas a origem desse conflito remonta ao seu nascimento. Anna foi concebida por fertilização in vitro com um propósito específico — ser uma combinação genética perfeita para ajudar a manter Kate viva.

Desde bebê, Anna passou por inúmeros procedimentos médicos: doações de sangue, de medula, internações. Tudo para que Kate pudesse resistir mais um pouco. A mãe das meninas, Sara Fitzgerald (interpretada com intensidade por Cameron Diaz), abandonou a carreira como advogada para se dedicar integralmente aos cuidados da filha doente. Movida por um amor feroz, Sara não consegue enxergar limites na busca por alternativas para prolongar a vida de Kate.

Mas Anna, mesmo ainda criança, começa a perceber que sua vida pertence a ela — ou, ao menos, deveria. E é quando ela procura um advogado, Campbell Alexander (Alec Baldwin), que a trama ganha contornos mais profundos. Porque, ao contrário do que todos pensam, Anna não age por egoísmo. Há algo que ela sabe e que ninguém mais parece disposto a ouvir.

Laços familiares sob tensão

O que torna “Uma Prova de Amor” tão comovente não é apenas a gravidade da situação vivida pela família Fitzgerald, mas a maneira como cada personagem lida com a dor. Não existem vilões ou heróis. Existem pessoas tentando sobreviver, à sua maneira, a uma situação que já dura anos.

Sara, por exemplo, é uma mãe que se recusa a aceitar a fragilidade da filha e acredita estar fazendo o melhor — mesmo que, aos olhos dos outros, isso soe como obsessão. Brian, o pai (Jason Patric), é mais contido, dividido entre o dever de proteger e o desejo de preservar algum senso de normalidade para os filhos.

Kate (Sofia Vassilieva), por sua vez, está cansada. Cansada dos hospitais, da culpa, dos sorrisos forçados, da pressão de continuar vivendo quando, dentro dela, tudo pede por descanso. E Anna, com sua coragem silenciosa, emerge como o centro da narrativa — uma menina forçada a crescer depressa, mas que demonstra uma maturidade surpreendente ao reivindicar, com firmeza, o direito sobre seu próprio corpo.

Atuações que tocam fundo

Abigail Breslin entrega uma performance delicada, equilibrando doçura e firmeza com maestria. É impossível não se emocionar com os olhos atentos de Anna, que observa o caos familiar tentando entender seu lugar ali. Cameron Diaz, por sua vez, surpreende ao fugir do glamour habitual para mergulhar na pele de uma mãe aflita, tensa, disposta a tudo. É uma atuação visceral, que retrata com autenticidade o desespero de quem vive à beira do abismo.

Sofia Vassilieva, pouco conhecida até então, dá vida a Kate com uma sensibilidade rara. Suas cenas, especialmente nos momentos de maior fragilidade, são profundas sem cair no sentimentalismo raso. Alec Baldwin, como o advogado que enfrenta seus próprios traumas, contribui com uma atuação sóbria e empática. Joan Cusack, no papel da juíza que acompanha o caso, oferece à narrativa um olhar humano e ponderado.

Bastidores e escolhas que mudaram o rumo da produção

Curiosamente, o filme quase foi protagonizado por outras duas atrizes mirins conhecidas: Dakota e Elle Fanning. As irmãs chegaram a ser escaladas, mas deixaram o projeto quando Dakota, então adolescente, recusou-se a raspar o cabelo para interpretar Kate. Foi assim que Abigail Breslin e Sofia Vassilieva assumiram os papéis — uma mudança que, para muitos, foi essencial para o resultado tocante da obra.

O diretor Nick Cassavetes, conhecido por seu trabalho em “Diário de uma Paixão”, traz aqui um olhar mais sóbrio, menos idealizado, ainda que profundamente emocional. A trilha sonora discreta e a fotografia suave contribuem para criar uma atmosfera de intimidade e vulnerabilidade.

O debate que vai além do filme

O longa-metragem levanta questões que ultrapassam os limites da ficção. Até onde vai o direito dos pais sobre os filhos? É justo gerar uma criança com o objetivo de salvar outra? Como conciliar a luta pela vida com o respeito à autonomia individual?

Ao tratar da emancipação médica, o filme toca num ponto delicado: o direito de decidir sobre o próprio corpo, mesmo na infância. Em tempos em que temas como consentimento, bioética e justiça reprodutiva ganham espaço no debate público, o longa de Cassavetes permanece relevante — provocando, sem impor respostas.

A recepção do público e da crítica

Quando estreou, em 2009, o filme dividiu opiniões. A crítica especializada acusou o filme de apostar em um tom excessivamente melodramático. No site Rotten Tomatoes, a aprovação ficou em 47%, e o consenso foi que, apesar das boas atuações, a abordagem do diretor teria pesado a mão. No Metacritic, a média foi de 51 pontos — indicando recepção mista.

Mas entre o público, a resposta foi outra. O longa arrecadou mais de 95 milhões de dólares ao redor do mundo e passou a figurar entre os filmes mais lembrados por quem se deixou tocar por sua história. Ele ganhou espaço nas redes sociais, em rodas de conversa e em salas de aula. E, mais importante: abriu caminhos para discussões reais sobre amor, luto e autonomia.

Um convite ao olhar mais atento

Em meio a tardes leves e programas de entretenimento, a exibição desse filme na Sessão da Tarde representa um convite. Um chamado à pausa, à escuta, à reflexão. Ao lembrar que por trás de cada história de doença ou superação existem camadas que nem sempre conseguimos enxergar de imediato.

É um filme sobre despedidas, mas também sobre escolhas. Sobre o amor que se expressa não apenas na insistência em manter alguém vivo, mas também na generosidade de deixá-lo ir. E sobre a coragem de uma menina que, mesmo amando profundamente a irmã, escolhe dizer não.

“Tela Quente” desta segunda (04/08) apresenta dois episódios da série “Raul Seixas: Eu Sou”

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Nesta segunda-feira, 04 de agosto de 2025, a TV Globo abre espaço para a ousadia, a contracultura e o som libertário de Raul Seixas, exibindo os dois primeiros episódios da minissérie original “Raul Seixas: Eu Sou” na tradicional sessão da “Tela Quente“.

Muito mais do que uma cinebiografia musical, a série mergulha de cabeça na vida turbulenta, genial e contraditória de um dos maiores ícones do rock nacional. Com direção de Paulo Morelli e Pedro Morelli, a produção é uma parceria do Globoplay com a O2 Filmes e resgata com visceralidade e beleza a trajetória de um artista que desafiou convenções, enfrentou censuras e se tornou um mito.

No centro da narrativa está Ravel Andrade, que assume com entrega impressionante o papel de Raul. Mas este não é um Raul domesticado para agradar o grande público. Pelo contrário: a série abraça as contradições, os excessos, os delírios místicos e as escolhas erráticas que fizeram do cantor baiano um personagem tão fascinante quanto impossível de rotular.

Do menino inquieto ao profeta do rock

Logo nos primeiros minutos da série, que agora será exibida em rede nacional, fica evidente que a proposta aqui não é glamourizar o artista, mas compreendê-lo. A narrativa começa ainda em Salvador, com o jovem Raul Seixas descobrindo a paixão pelo rock americano e pelo universo de Elvis Presley. Nascido numa família conservadora e criado em uma realidade distante dos holofotes, Raul desde cedo demonstra uma inquietação incompatível com a vida tradicional que lhe era esperada.

Os episódios iniciais retratam com sensibilidade esse conflito entre o desejo de se expressar artisticamente e a rigidez de uma sociedade que ainda engatinhava rumo à modernização. O Raul que vemos aqui é um jovem inquieto, criativo, sarcástico — e já cheio de ideias subversivas, mesmo antes de ter voz no rádio ou na televisão.

É nesse contexto que ele dá o primeiro passo rumo à carreira musical. A série mostra como Raul trabalhou como produtor, se envolveu nos bastidores da indústria fonográfica e, aos poucos, começou a construir uma identidade artística própria, que unia referências do rock internacional com o ritmo e o sotaque nordestino. Uma mistura que, à época, era vista com desconfiança, mas que viria a mudar para sempre a música brasileira.

A virada: liberdade, vícios e filosofia

Os dois primeiros episódios também mostram o momento crucial em que Raul decide abandonar o ofício nos bastidores para se lançar como cantor. É um salto no escuro, movido por coragem e desespero, que o coloca no caminho do estrelato — e também da autodestruição.

Com uma performance intensa de Ravel Andrade, o Raul da série é explosivo, genial, mas profundamente humano. Ele não é pintado como mártir nem como vilão. É um homem em busca de sentido, tentando conciliar a fama repentina com a espiritualidade, o amor com a liberdade, o sucesso com a integridade artística.

Nesse ponto, ganha destaque a parceria com Paulo Coelho, vivido por João Pedro Zappa. A química entre os atores é um dos pilares dramáticos da série. Juntos, Raul e Paulo formaram uma dupla improvável: um músico anárquico e um aspirante a escritor interessado em ocultismo, alquimia e sociedades secretas. A aliança entre eles rende momentos impactantes, tanto nos palcos quanto nos bastidores, e dá origem a algumas das composições mais icônicas da música brasileira, como Gita, Sociedade Alternativa e Tente Outra Vez.

A série não ignora os altos e baixos dessa relação — as brigas, as separações, o reencontro. E, acima de tudo, mostra como essa parceria transformou não apenas a carreira de Raul, mas a maneira como ele enxergava o mundo e a si mesmo.

Música como grito de resistência

Mais do que um retrato biográfico, “Raul Seixas: Eu Sou” também é uma crônica dos anos de chumbo. Em meio à ditadura militar, Raul ousou cantar sobre liberdade, rebeldia, questionamento. Ele foi censurado, perseguido, interrogado. E, mesmo assim, seguiu criando.

A série reconstrói esse ambiente com riqueza de detalhes: dos bastidores das gravadoras às salas obscuras da censura federal. O espectador é levado a compreender não apenas o contexto político, mas o peso que a arte tinha naquele momento como instrumento de resistência. A música de Raul não era apenas entretenimento — era manifesto, provocação, profecia.

E o mais impressionante é como a série consegue traduzir tudo isso sem didatismo, apostando em diálogos afiados, cenas carregadas de emoção e uma estética que mistura psicodelia, realismo e melancolia. A trilha sonora é um espetáculo à parte, trazendo releituras cuidadosas de sucessos como Metamorfose Ambulante, Maluco Beleza e Ouro de Tolo, em meio a momentos originais de criação que revelam o processo artístico do cantor.

Um Raul para além do mito

A grande força da minissérie, no entanto, está em não transformar Raul Seixas em um personagem idealizado. O Raul que vemos em tela é um homem cheio de falhas, consumido por vícios, por impulsos destrutivos, por relações instáveis com os filhos, as mulheres e os amigos.

Se em um momento ele parece um visionário espiritualizado, em outro é apenas um homem à beira do colapso. E essa ambiguidade é o que torna a série tão poderosa: ela não tenta responder quem foi Raul Seixas — mas nos convida a caminhar ao lado dele, a sentir, por um instante, a dor e a euforia que conviviam em sua alma.

Personagens como Edith (Amanda Grimaldi), Kika (Chandelly Braz), Cláudio Roberto (João Vítor Silva) e Maria Eugênia (Cyria Coentro) completam o retrato de um Raul multifacetado, cercado por figuras que o amaram, o confrontaram e o acompanharam em momentos decisivos. A direção de elenco é primorosa, e todos os atores entregam atuações carregadas de verdade e emoção.

Uma série que já nasceu clássica

Estreada originalmente no Globoplay em junho de 2025, a produção brasileira conquistou rapidamente elogios da crítica e do público. Agora, com sua chegada à TV aberta, a produção tem a chance de atingir ainda mais brasileiros e apresentar, especialmente às novas gerações, um artista que continua atual e necessário.

Num país frequentemente marcado pelo esquecimento, a série se impõe como um exercício de memória e afeto. Raul Seixas morreu em 1989, aos 44 anos, mas deixou um legado que resiste ao tempo. E a série consegue, com respeito e ousadia, dar nova vida a esse legado — sem esconder suas rachaduras, sem apagar suas dores.

“Além do Direito” | Netflix divulga trailer oficial e revela estreia do novo drama jurídico coreano

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Logo nos primeiros minutos de “Além do Direito”, nova série sul-coreana da Netflix, a gente entende que não se trata de mais um K-drama bonitinho sobre justiça, advogados geniais e discursos moralistas em tribunais. Nada disso. O que vemos ali, na tensão silenciosa entre uma recém-formada e seu mentor impiedoso, é um retrato nu e cru do que significa entrar no mundo jurídico — onde não basta entender de leis, é preciso aprender a engolir o orgulho, mascarar a insegurança e sobreviver aos jogos de poder. Abaixo, confira o trailer oficial:

Com todos os episódios lançados globalmente no dia 2 de agosto, a produção dirigida por Kim Kyung-tae e roteirizada por Park Min-jung chega para ocupar um lugar de destaque entre os dramas jurídicos coreanos. Mas, ao contrário do que se espera, ela se distancia dos clichês e mergulha num universo de dilemas morais, ambientes tóxicos e amadurecimento emocional forçado. É sobre Direito, sim. Mas é, acima de tudo, sobre o preço de continuar acreditando na justiça quando o sistema insiste em esmagar quem tenta fazer diferente. As informações são do Mix de Séries.

Quem é Oh Yoon-seo? E por que ela merece nossa atenção?

Interpretada com uma honestidade tocante por Jung Chae-yeon, Yoon-seo é uma jovem advogada vinda de origens simples, que sempre acreditou no Direito como uma ferramenta de transformação. Não por ingenuidade, mas por convicção. Ela estudou duro, abriu mão de muitas coisas e agora conseguiu algo que parecia um sonho: uma vaga no prestigiado (e temido) escritório KWN Law Firm, em Seul.

Só que o sonho logo vira pesadelo.

O que deveria ser o começo de uma carreira promissora vira uma espécie de campo minado emocional. Lá dentro, as regras não estão nos livros. Estão nos olhares, nos silêncios e nas humilhações veladas. Ninguém explica como se deve agir. Ou você aprende observando e engolindo sapos, ou vira alvo.

É nesse cenário que ela encontra seu mentor: Han Ki-joon (vivido por Lee Jin-uk, em atuação contida e magnética), um advogado sênior respeitadíssimo, cuja frieza é tão famosa quanto sua eficácia. Ki-joon não sorri. Não elogia. Não protege. Ele testa. Ele cobra. Ele observa. Para ele, ensinar é colocar o aprendiz contra a parede — e ver se sobrevive.

A relação entre os dois é o coração da série. Uma dança delicada entre admiração e conflito, aprendizado e frustração. Enquanto Yoon-seo ainda acredita na ética, Ki-joon já desistiu disso há tempos. O jogo agora é outro. E é perigoso.

Advogar é sobreviver: o retrato impiedoso dos grandes escritórios

Quem já viveu o dia a dia de um escritório grande — seja no Brasil, na Coreia ou em qualquer outro lugar — vai se reconhecer (e talvez até sentir um certo desconforto) com o realismo de “Além do Direito”. Aqui, o glamour dos processos milionários dá lugar a uma rotina sufocante de prazos, noites viradas, cafeína, e-mails ásperos e decisões éticas desconfortáveis.

A pirâmide é clara: sócios veteranos mandam. Associados tentam não escorregar. Estagiários torcem para não serem ignorados. As relações são movidas a interesse, e qualquer erro pode ser fatal. A meritocracia, claro, é uma ilusão. E isso é mostrado sem dó.

Yoon-seo não sofre apenas por ser novata. Ela sofre por ser mulher, idealista e por não saber disfarçar seu desconforto diante das contradições do sistema. E a série deixa isso evidente. Mas sem panfletar. É tudo na sutileza: um comentário atravessado aqui, um olhar que não se desvia ali, uma reunião em que sua voz não é ouvida — até o dia em que ela explode. E a gente explode junto com ela.

Casos que doem mais fora do tribunal

O que também diferencia a produção de outras séries jurídicas é como os casos apresentados não são apenas desafios legais, mas espelhos dos conflitos internos dos personagens. Cada episódio traz um novo dilema — mas o que está em jogo, no fundo, é sempre algo pessoal.

Em um episódio tenso, o escritório assume a defesa de uma multinacional farmacêutica acusada de esconder efeitos colaterais perigosos de um remédio. Ki-joon comanda a estratégia como quem joga xadrez. Yoon-seo, ao contrário, se envolve emocionalmente ao conhecer uma das vítimas. A frieza do Direito contra a empatia de quem ainda acredita no certo. Quem vence?

Outro arco potente gira em torno da acusação de assédio moral e psicológico contra um professor universitário renomado. A defesa parte da dúvida razoável. Mas as alunas contam histórias parecidas demais para serem ignoradas. E aí, onde está a linha entre presunção de inocência e conivência?

Esses casos são tratados com cuidado. Não há soluções fáceis. Nem respostas confortáveis. E essa complexidade é um dos maiores méritos da série.

Um elenco que não atua — vive os papéis

Além de Jung Chae-yeon e Lee Jin-uk, o elenco de apoio dá vida a um universo rico em tensões, alianças e traições:

Jeon Hye-bin, como a sócia Seo Hye-jin, é uma presença forte. Ela já esteve no lugar de Yoon-seo, mas fez escolhas diferentes. Lee Hak-joo interpreta Jung Woo-shik, o típico oportunista de escritório: escorregadio, ambicioso e sempre pronto para puxar tapetes com elegância. Kim Yeo-jin brilha como a juíza Park Young-sook, uma mulher que chegou ao topo sem perder sua integridade — mas que paga caro por isso.

Cada personagem tem espaço para respirar, errar, se contradizer. Não há vilões caricatos nem heróis perfeitos. Há pessoas tentando dar conta. E falhando, às vezes.

Silêncio como linguagem: uma série que diz muito com pouco

A direção de Kim Kyung-tae é sensível e inteligente. Não há pressa. Os episódios têm ritmo próprio. A câmera se demora em silêncios, olhares, gestos pequenos. O barulho do ar-condicionado no escritório vira trilha sonora. O café que esfria, a lágrima que não cai, o SMS que não é respondido — tudo tem peso.

A fotografia é fria, quase clínica. Tons de cinza, azul e branco dominam. Mas em momentos de fragilidade, vemos cores quentes surgirem timidamente, como quando Yoon-seo visita a casa da infância ou encontra refúgio em um café à noite.

A trilha sonora acompanha esse minimalismo emocional. As músicas compostas especialmente para a série — com destaque para a lindíssima “Gray Horizon”, de Baek Yerin — são quase sussurros de esperança ou desilusão. Em uma cena emblemática, Yoon-seo caminha sozinha pela cidade ao som de Seori, e a gente sente o peso que ela carrega mesmo sem que ela diga uma palavra.

No fim das contas, o que está em jogo é o que você está disposto a perder

O drama é uma série que vai mexer com quem já enfrentou ambientes profissionais hostis, com quem já teve que abrir mão de si para caber em algum lugar, com quem já duvidou se ainda vale a pena lutar pelos próprios valores. Mais do que sobre leis e tribunais, é uma história sobre gente. Sobre crescer. Sobre ceder e resistir. Sobre tentar — mesmo quando tudo empurra para desistir. É o tipo de série que fica com você. Que faz pensar. Que dá vontade de recomendar para aquele amigo que está sofrendo no primeiro emprego, ou para aquela colega que sempre acreditou que dava para fazer diferente.

“Blindado” | Sylvester Stallone assume papel de vilão em ação tensa que estreia no Telecine nesta sexta (01)

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Acostumado a vestir a armadura do herói indestrutível, Sylvester Stallone agora cruza a linha. EmBlindado, o ator que virou sinônimo de bravura nas telonas encara um papel sombrio e inusitado: o de vilão implacável. O filme, dirigido por Justin Routt, chega ao catálogo do Telecine no streaming nesta sexta-feira (1º de agosto) e estreia na TV no sábado (2), às 22h, no Telecine Premium.

Pai, filho e um caminhão cheio de tensão

A história acompanha James Brody (Jason Patric), um veterano guarda de segurança de carro-forte, que vê a oportunidade de se reaproximar do filho adolescente, Casey (Josh Wiggins), durante uma missão aparentemente rotineira: transportar uma carga de valor entre bancos. O que era para ser um dia tranquilo vira um jogo brutal de vida ou morte.

Encurralados em uma ponte deserta, eles descobrem que estão carregando milhões em barras de ouro, tornando-se alvos de uma gangue liderada por um criminoso frio e calculista: Rook, interpretado por Stallone. A partir daí, o filme mergulha em um clima de tensão crescente, com reviravoltas e violência visceral.

James e Casey precisam aprender a confiar um no outro no momento mais extremo de suas vidas — e, no processo, descobrem o que realmente significa ser uma família.

Stallone, vilão — e convincente como nunca

Ver Sylvester Stallone no papel de um vilão não é só inusitado. É perturbador — e, em certo ponto, brilhante. Famoso por interpretar heróis com códigos morais quase inflexíveis, o ator agora incorpora Rook, um bandido impiedoso, sem empatia, que coloca pai e filho contra a parede.

O que mais chama atenção é como Stallone abraça essa nova faceta com convicção. Rook não grita, não exagera, não tem uma risada maligna. Ele é metódico, silencioso e letal. O tipo de cara que não hesita em ameaçar a vida de um adolescente se isso significar conseguir o que quer. O resultado é desconcertante: um vilão com peso dramático, interpretado por alguém que sempre esteve do outro lado da trincheira.

Essa guinada narrativa é o grande trunfo de Blindado, que, mesmo com uma estrutura clássica de ação, ganha camadas graças a essa escolha de elenco ousada.

Drama familiar em ritmo de ação

Embora tenha cenas de tiroteio, perseguições e explosões na medida certa, Blindado não é apenas um espetáculo de pólvora. O longa investe pesado na relação entre pai e filho — e é aí que mora seu coração.

Jason Patric entrega um James Brody contido, mas cheio de rachaduras emocionais. Um homem marcado por ausências, que tenta recuperar o tempo perdido com o filho no momento mais inapropriado possível: quando suas vidas estão em risco. Já Josh Wiggins, como Casey, representa a juventude que ainda busca um lugar no mundo — e que, de repente, se vê forçada a amadurecer às pressas.

A química entre os dois carrega boa parte da narrativa. E mesmo nas cenas mais silenciosas — um olhar, um gesto, um pedido de desculpas mal formulado —, o roteiro encontra espaço para construir tensão com humanidade.

Um cenário, um inferno

Grande parte do filme se passa em uma única locação: uma ponte fechada ao tráfego, onde o caminhão blindado é cercado. E isso é um mérito, não uma limitação. A direção de Justin Routt sabe explorar ao máximo esse confinamento, criando uma sensação constante de claustrofobia.

A ponte vira uma arena. Não há para onde correr. Os tiros ressoam com mais força. Os diálogos se tornam mais íntimos. Cada decisão parece pesar mais. O isolamento amplifica o desespero e transforma o espaço limitado em campo fértil para o suspense.

Bastidores polêmicos

Mas nem tudo em Blindado correu de forma tranquila fora das câmeras. O filme foi rodado em setembro de 2023 no Mississippi, durante o auge da greve da SAG-AFTRA, que paralisou boa parte de Hollywood. A produção obteve acordos especiais para continuar filmando — e mesmo assim, foi envolvida em disputas internas.

Integrantes da equipe técnica alegam que Justin Routt, o diretor creditado, não comandou efetivamente o set. Segundo declarações do assistente de adereços Michael Castro, Randall Emmett, conhecido por atuar como produtor em outras produções controversas, teria dirigido diversas cenas de forma não oficial. “Ele (Routt) só fingia que estava dirigindo. Randall coordenava tudo nos bastidores, mas não aparecia”, afirmou Castro em entrevista.

Até o momento, os produtores não comentaram publicamente a acusação. Mas os bastidores turbulentos acabaram ofuscando um pouco a recepção do longa.

Da frieza da crítica ao calor do público

Lançado nos EUA e em outros países no final de 2024, Armor foi recebido com indiferença pela crítica especializada. No site Rotten Tomatoes, o filme amarga um 0% de aprovação entre os críticos (com base em 25 resenhas), com nota média de 3,4/10. Os principais alvos de crítica foram a direção pouco inspirada, o roteiro previsível e a falta de profundidade narrativa.

Mas o público parece ter outra opinião. No boca a boca, o filme conquistou uma base fiel de admiradores — muitos deles atraídos pela curiosidade de ver Stallone como antagonista. Em fóruns e redes sociais, o filme é descrito como “subestimado”, “intenso” e até mesmo “um retorno à velha ação tensa dos anos 90”.

“Companhia Certa” desta quarta (30/07) recebe Nasi, voz histórica do Ira! e ícone do rock nacional

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À meia-noite desta quarta-feira, 30 de julho, a RedeTV! convida o público para um encontro raro: não um talk show qualquer, mas uma espécie de acerto de contas com a vida. No sofá do programa Companhia Certa, Ronnie Von recebe ninguém menos que Nasi, vocalista do Ira!, ícone do rock nacional e uma alma em constante reconstrução.

A conversa vai além das perguntas. É quase uma sessão de terapia em horário nobre. Entre memórias de um tempo em que guitarras gritavam mais alto que algoritmos e reflexões sobre os tropeços do caminho, Nasi se despe de persona e mostra o homem por trás da voz rouca e das letras intensas. O artista, sim, mas também o filho, o irmão, o amigo, o cara que já se perdeu — e fez questão de se reencontrar.

“O Ira! não acabou, a gente só se machucou demais”

A entrevista começa com o inevitável: o fim (e o recomeço) do Ira!. A separação em 2007 ainda é uma ferida cicatrizada com pontos mal dados. “Não queria sair da banda. Só precisava de um tempo. A gente já não se escutava mais”, confessa Nasi, sem medo de encarar os próprios erros.

Entre silêncios e respiros longos, ele reconhece que o ego — o dele, o de Edgar Scandurra, o de todos — atrapalhou. “Era como um cachorro com muitos donos: ninguém cuidava direito. Morreu de fome. A banda desandou.”

Mas, como tudo que é verdadeiro, a música resistiu. Em 2013, o reencontro veio com um show beneficente. Sem contratos, sem promessas. Só dois caras no palco, reencontrando a faísca que um dia os uniu. “Ali, a gente viu que ainda tinha lenha pra queimar. Voltamos. Voltamos querendo”, diz ele, com um brilho que escapa pelos olhos.

Solo, mas inteiro

Longe do Ira!, Nasi se reinventou. Gravou nove álbuns solo, experimentou blues, psicodelia, baladas viscerais. “No Ira! existe uma moldura. No solo, eu posso pintar fora dela”, explica.

Ele fala do blues como quem fala de um velho amigo: confiável, profundo, meio triste, mas libertador. Desde os tempos de Nasi e os Irmãos do Blues, esse estilo serve como refúgio emocional e criativo. “Tem coisa que não cabe no Ira!. Mas isso não quer dizer que não mereça existir. O blues me entende.”

A liberdade também abriu portas para aventuras autorais. Tem série animada (Rockstar Ghost), documentário sobre religiões afro-brasileiras (Exu e o Universo), programa noturno no Canal Brasil (Nasi Noite Adentro). Um artista inquieto, plural, que desafia rótulos com a mesma voracidade com que enfrenta seus próprios fantasmas.

Crítico, mas não amargo

Entre um gole de água e outro, Nasi solta o verbo sobre o cenário musical atual. “Hoje a música virou trilha de festa. Tá tudo pasteurizado. Cadê a arte que cutuca, que incomoda?”, pergunta, mais intrigado do que indignado.

Ele faz questão de dizer que não é saudosista. Mas sente falta de algo que, para ele, não se negocia: verdade. “Não acho que tudo era melhor nos anos 80, mas naquela época a gente brigava pra dizer alguma coisa. Hoje, parece que ninguém quer mais ouvir.”

Mesmo assim, torce por um sopro de renovação. “Talvez surja uma nova geração com mais alma. Vai saber. A arte é imprevisível. Às vezes, do nada, ela volta com força.”

Cicatrizes à mostra

Nasi nunca teve medo de se expor. Falou abertamente sobre dependência química, sobre as relações que desabaram, sobre a própria incapacidade de ser leve em certos momentos. Largou a cocaína em 1997. Em 2007, dispensou também a maconha. “Não foi um renascimento. Foi um resgate. Eu queria continuar vivo.”

Essa honestidade brutal aparece também quando fala da própria trajetória. Nasceu na Bela Vista, cursou História na USP, fundou o Ira! em 1981, namorou atrizes famosas, brigou feio com o irmão, bateu de frente com empresários e jornalistas. Viveu o rock no limite. E, de alguma forma, sobreviveu a tudo — inclusive a si mesmo.

Em uma vida que daria um roteiro de filme — aliás, já deu —, ele ainda arrumou tempo pra ser apresentador, dublador, radialista, ator, roteirista e até comentarista esportivo. São-paulino roxo, apresentou o 90 Minutos na Kiss FM e chegou a abrir o show do AC/DC no Morumbi, para delírio dos fãs e surpresa dos céticos.

“A gente se perdoou. E isso salva”

A entrevista com Ronnie Von tem algo de confissão. Mas também tem reencontro. Nasi fala com carinho da volta do Ira!, mas, principalmente, da volta do diálogo com Edgar Scandurra. “Hoje a gente conversa. Escuta mais. Cede mais. O rock é rebelde, mas não precisa ser burro”, diz, com aquele tom ácido e certeiro que é só dele.

A reconciliação não foi só com a banda — foi consigo mesmo. Com o passado, com o menino que sonhava com discos, com o homem que quase se perdeu, com o artista que ainda quer dizer algo relevante.

Aos 62 anos, ele não fala em aposentadoria. Fala em continuidade. Quer gravar mais, compor mais, viver mais. “Enquanto tiver voz, vou cantar. Enquanto tiver o que dizer, vou falar. Se não for por mim, que seja por quem precisa ouvir.”

Nesta quarta (30), GNT exibe conversa profunda de Tati Machado no “Fantástico Entrevista”

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Nesta quarta, 30 de julho, o GNT exibe, logo após o “Saia Justa”, uma edição especial do quadro “Fantástico Entrevista”, conduzido por Renata Capucci. A jornalista visita a casa da apresentadora Tati Machado e do cineasta Bruno Monteiro para uma conversa íntima e tocante, marcada pela coragem de falar sobre o luto, o amor e a reconstrução.

Uma conversa para além das câmeras

Desta vez, o “Fantástico Entrevista” deixa os estúdios e ganha novos contornos ao entrar na casa de Tati Machado, em um cenário repleto de afeto, silêncio e memórias. Ali, longe do burburinho dos palcos e dos holofotes, a apresentadora divide, pela primeira vez com o público, um dos momentos mais difíceis de sua vida: a perda do filho Rael, ainda na gestação, após 33 semanas.

O episódio, que já emocionou o público da TV Globo no último domingo, ganha reapresentação no GNT, levando ao canal de TV por assinatura uma das entrevistas mais sinceras e emocionantes já realizadas pela jornalista Renata Capucci. A conversa é conduzida com delicadeza, respeito e empatia, mas, sobretudo, com humanidade — aquela que transforma a dor em algo partilhável.

Luto, amor e reconstrução

Ao lado do marido, o cineasta e diretor de fotografia Bruno Monteiro, Tati Machado abre o coração. Fala sobre o luto que ainda pulsa no cotidiano, da ausência física que contrasta com o amor que não deixou de existir. “A gente esperava o Rael com todo o nosso ser. E quando ele foi embora, a gente precisou reaprender a respirar”, confessa Tati com os olhos marejados, em um dos momentos mais intensos da conversa.

O casal fala sem subterfúgios sobre a dor que atravessa a experiência de perder um filho ainda na barriga. É um relato que rompe o silêncio que muitas famílias enfrentam — um silêncio muitas vezes imposto pela sociedade, pelo medo de não saber o que dizer, pelo receio de parecer invasivo, ou pela incapacidade de compreender tamanha dor.

Um lar marcado pela esperança

Durante a entrevista, as câmeras não registram apenas palavras. Elas revelam a atmosfera da casa de Tati e Bruno: um lar que ainda carrega sinais da espera por Rael. O quartinho do bebê, a parede decorada, os brinquedos… tudo ali permanece como memória viva da presença que não se concretizou fisicamente, mas que jamais será esquecida.

É nesse espaço de saudade e ternura que o casal reflete sobre maternidade e paternidade, sobre como reconstruir sonhos e seguir vivendo. “O amor pelo Rael não foi embora com ele. Ele continua aqui, na gente, nos detalhes da nossa casa, nas nossas conversas antes de dormir. O amor fica”, diz Bruno, emocionado.

Tati além da TV: uma trajetória de afeto com o público

Embora conhecida por seu carisma, talento e alto astral, a apresentadora revela nessa entrevista uma dimensão que muitos ainda não conheciam tão de perto: a da mulher forte que não tem medo de se vulnerabilizar. Seu sorriso, que tantas vezes iluminou as manhãs do público da Globo, convive com as lágrimas que agora ela não tem mais receio de mostrar.

A carreira dela é marcada por uma trajetória de esforço, leveza e paixão pela comunicação. Da infância nos bastidores do “Gente Inocente” ao sucesso na “Dança dos Famosos”, sua presença sempre foi sinônimo de empatia. E é essa mesma Tati — agora mais madura, atravessada por uma dor profunda — que continua conquistando o público, não com performances, mas com verdade.

Da dança ao silêncio: o outro lado do palco

Vencedora da “Dança dos Famosos” em 2024, ao lado do bailarino Diego Maia, Tati virou fenômeno nas redes sociais ao esbanjar talento, energia e bom humor. No entanto, poucos sabiam que, fora do palco, ela vivia uma montanha-russa emocional, acompanhando com amor cada etapa da gestação de Rael.

“Foi tudo muito planejado, muito amado. Quando a notícia da perda chegou, foi como se o chão tivesse sumido. Mas a gente decidiu não guardar isso só pra gente. Porque sabemos que muitas mulheres, muitos casais, passam por isso em silêncio”, conta Tati. Com essa decisão, ela transforma sua dor em gesto coletivo, abrindo espaço para que outras histórias também possam ser contadas.

Renata Capucci: empatia como condutora

A sensibilidade da entrevista também é mérito da jornalista Renata Capucci, que atua não apenas como entrevistadora, mas como interlocutora sensível, presente e respeitosa. Renata guia a conversa com delicadeza, permitindo que os silêncios também falem. “A dor precisa ser ouvida. E, às vezes, o silêncio é o que diz mais”, comenta ela nos bastidores.

Com produção de Marcela Amodio e edição de Daniel Targueta e Rafael Medeiros, o quadro ganha um tom quase documental, preservando a espontaneidade das respostas e os detalhes do ambiente, como o sofá em que o casal se apoia, os quadros na parede e até o cachorro que, em alguns momentos, surge no enquadramento, como um respiro carinhoso entre temas tão intensos.

Quando o pessoal é também coletivo

Ao se abrir sobre o luto, a comunicadora faz algo que vai além da exposição pessoal: ela politiza a dor. Traz à tona um tema que, embora íntimo, é profundamente coletivo. Abortos espontâneos, perdas gestacionais e a dor das mães que não seguram seus filhos nos braços são realidades invisibilizadas por muito tempo. Tati, ao compartilhar sua história, oferece acolhimento a outras mulheres — celebridades ou anônimas — que já passaram pelo mesmo.

“Se minha fala puder consolar alguém, já valeu a pena. Eu não queria que fosse necessário passar por isso para falar desse assunto, mas agora que aconteceu, eu me sinto no dever de ser voz”, diz ela.

Um futuro com outras possibilidades

Apesar da dor, a entrevista também carrega esperança. Tati e Bruno falam sobre a possibilidade de novos caminhos, de reconstruir sonhos e continuar a acreditar na vida. Não há promessas nem planos imediatos, mas há um sentimento de continuidade que se impõe. “A gente está reaprendendo a viver com leveza. E vamos vivendo dia após dia, com carinho, com respeito pela nossa dor, mas também com fé no que virá”, afirma Bruno.

“Sandman” vai ter 3ª temporada? Criador fala sobre o fim da série e o futuro dos sonhos na Netflix

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Foto: Reprodução/ Internet

Após a estreia da segunda temporada de Sandman na Netflix, dividida em duas partes lançadas em julho de 2025, com um episódio bônus previsto para 31 de julho, os fãs ficaram com aquela sensação familiar de quem acorda de um sonho vívido demais: e agora? A história acabou mesmo?

A série, baseada na aclamada HQ criada por Neil Gaiman e publicada entre 1989 e 1996 pela DC Comics, se destacou desde o início por não se parecer com nada do que já se viu em adaptações de quadrinhos. Não é uma produção cheia de explosões, nem um festival de nostalgia. Sandman é denso, poético, estranho — e absolutamente fascinante para quem embarca na viagem.

Com o encerramento desse segundo ciclo, surge a pergunta inevitável: teremos uma terceira temporada? A resposta, até agora, está suspensa no ar. Não há confirmação oficial da Netflix. Mas o showrunner da série, Allan Heinberg, resolveu abrir o jogo sobre o futuro da produção e trouxe tanto honestidade quanto carinho em suas palavras.

Um “emprego dos sonhos” — e uma despedida difícil

Em entrevista ao site Screen Rant, Heinberg falou sobre o que significou trabalhar em Sandman, e como a experiência de adaptar os contos oníricos de Gaiman impactou sua vida criativa. Segundo ele, escrever essa série foi uma oportunidade rara, quase mágica:

“Nunca tive um emprego em que cada episódio fosse como um pequeno filme, e onde você pudesse escrever sobre as coisas mais importantes da vida — não só da vida humana, mas da vida dos deuses. Foi literalmente um emprego dos sonhos.”

A frase não é apenas uma metáfora simpática. Para Heinberg e boa parte da equipe envolvida, Sandman é uma obra de amor. Uma série feita com cuidado, sensibilidade e atenção aos detalhes — ainda que isso significasse desafios técnicos e orçamentários complexos. E aí está o problema: Sandman não é uma série barata.

Alta qualidade, alto custo

Cada episódio da série envolve uma combinação de efeitos visuais intensos, cenários fabulosos, figurinos intricados e longas horas de pós-produção. Visualmente, a série entrega algo próximo ao cinema. E isso tem um preço.

“Não é uma série barata de se fazer”, confessou Heinberg. “E se tivéssemos uma audiência que realmente exigisse — e fizesse sentido financeiro para a Netflix —, eu poderia continuar escrevendo Sandman para sempre. Você pode contar qualquer tipo de história nesse universo.”

A declaração é clara: o futuro da série depende da audiência. Diferentemente de outras produções mais “pop”, como Wandinha ou Stranger Things, Sandman nunca teve apelo de massa. É uma série de nicho — e orgulhosamente assim.

O encanto do estranho

Esse talvez seja o maior charme de Sandman: ela não tenta agradar a todos. A série mistura fantasia sombria, mitologia, filosofia, horror psicológico e até comédia, muitas vezes dentro de um mesmo episódio. Há cenas delicadas sobre o luto e a morte, outras que retratam amores impossíveis e encontros improváveis. Em uma delas, por exemplo, a personagem Lady Johanna Constantine se apaixona por uma cabeça sem corpo.

É o tipo de história que beira o surreal. Que não se encaixa em fórmulas. E, por isso mesmo, cria uma conexão única com seu público. Um público fiel, engajado e emocionalmente envolvido.

“É um milagre que nos tenham permitido fazer isso. Sandman é estranho. E me sinto muito sortudo por termos tido essas duas temporadas. É um milagre que isso tenha acontecido”, completou Heinberg.

A jornada até aqui

Antes mesmo da série sair do papel, adaptar Sandman era considerado um desafio quase impossível. Por mais de 30 anos, o universo criado por Gaiman foi alvo de tentativas frustradas de adaptação, seja para o cinema ou para a TV. Nomes como Joseph Gordon-Levitt estiveram ligados ao projeto, que acabou naufragando em conflitos criativos.

Foi só em 2019 que a Netflix topou o desafio de adaptar a obra com seriedade e liberdade artística. Com Gaiman como produtor executivo, e Allan Heinberg à frente da criação, a primeira temporada estreou em 2022, com boas críticas e uma base de fãs crescente. A segunda temporada, lançada em 2025, mergulhou ainda mais fundo nas complexidades emocionais de Morpheus e trouxe novos personagens dos quadrinhos — como Delírio, Destruição, Loki, Cluracan, e Nada, o antigo amor de Morpheus.

E o público, o que pode fazer?

Hoje, mais do que nunca, o destino da série depende de quem a assiste. A Netflix avalia cuidadosamente os números de audiência, especialmente nas primeiras semanas após o lançamento. Não é só sobre quantas pessoas assistem — é também sobre quantas terminam, comentam, compartilham. E nesse ponto, os fãs têm um papel vital.

“Zootopia 2” ganha primeiro trailer e promete um retorno selvagem com mais emoção

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Em 2016, “Zootopia” estreava nos cinemas como uma surpresa daquelas: uma animação que parecia só mais uma história fofa com animais falantes, mas que entregou muito mais — mistério, comédia, crítica social e personagens cativantes. Quase dez anos depois, Judy Hopps e Nick Wilde estão de volta. E se depender do novo trailer da sequência, lançado nesta quarta-feira (30), eles não só vão reviver a parceria policial como também mergulhar fundo nas suas próprias inseguranças.

Mais do que apenas uma sequência, o novo longa promete revisitar tudo o que fez do original um sucesso: o carisma dos personagens, os cenários criativos e a capacidade de falar sobre temas complexos com leveza. Só que agora, com mais camadas — emocionais, visuais e narrativas.

O novo trailer, que você pode conferir logo abaixo, começa de forma inusitada: Judy e Nick, agora parceiros oficiais na força policial de Zootopia, encaram uma sessão de terapia de dupla. O motivo? Pequenas rusgas, diferenças de personalidade e uma série de decisões questionáveis em campo. No centro dessa dinâmica está Dr. Fuzzby, uma terapeuta nada convencional — uma quokka carismática, dublada por Quinta Brunson, que não hesita em expor as feridas emocionais da dupla na frente de seus colegas.

Uma nova ameaça (e novos cenários a explorar)

Enquanto os dois tentam resolver seus impasses internos, surge uma ameaça nova em Zootopia: Gary De’Snake, uma elegante e perigosa cobra víbora, interpretada por Ke Huy Quan. Gary traz à tona um mistério que se espalha rapidamente pela cidade, criando pânico e obrigando a dupla a deixar a sala de terapia para voltar à ação.

O trailer dá pistas de que vamos conhecer novos distritos da cidade, como os pântanos — sombrios e úmidos, uma novidade completa no universo — além de áreas desérticas e até territórios subaquáticos. A ambientação é um dos pontos altos do teaser: detalhista, cheia de vida, com cores que refletem os contrastes entre os diferentes ambientes e espécies.

Personagens queridos também marcam presença. Mr. Big volta com seu estilo mafioso imponente, ao lado de sua filha Fru Fru — agora casada e, aparentemente, ainda mais envolvida nos assuntos da “família”. O universo expandido promete abraçar novos tons de mistério, ação e, claro, humor afiado.

Humor, crítica e coração: a marca registrada da franquia

O longa parece determinado a manter o equilíbrio entre o leve e o profundo. O humor da terapia de dupla mistura situações absurdas com verdades incômodas, algo que os roteiristas da Disney vêm explorando com mais ousadia nas últimas produções. Não se trata apenas de fazer rir — é sobre rir da gente mesmo, das nossas inseguranças, dos traumas mal resolvidos.

Assim como no original, a crítica social continua presente. Se antes o foco era no preconceito entre predadores e presas, agora tudo indica que o novo filme deve abordar desinformação, histeria coletiva e o papel das instituições — temas ainda mais relevantes no mundo pós-pandêmico e polarizado em que vivemos.

Dubladores de peso e personagens inéditos

Os fãs podem ficar tranquilos: Ginnifer Goodwin e Jason Bateman retornam como Judy e Nick, trazendo de volta a química que conquistou o público. Idris Elba também retorna como o inconfundível Chefe Bogo, assim como Shakira, que revive a cantora Gazelle — agora com novo visual e músicas inéditas, segundo os produtores.

Mas é entre os novatos que o elenco brilha com novidades. Quinta Brunson empresta sua voz e carisma à terapeuta Dr. Fuzzby, enquanto Ke Huy Quan, vencedor do Oscar por “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo”, dá vida ao vilão misterioso da vez. A lista ainda inclui Fortune Feimster como o animado castor Nibbles Maplestick, e participações especiais de Jean Reno e Nate Torrence em papéis ainda não divulgados.

Produção grandiosa e retorno dos criadores originais

A sequência tem assinatura de Jared Bush e Byron Howard, que retornam à direção após o sucesso do primeiro filme. Bush, inclusive, assume também o cargo de diretor criativo da Walt Disney Animation Studios — e promete que essa sequência será “ainda mais emocional, engraçada e visualmente deslumbrante”.

A produção é de Yvett Merino, também envolvida em “Encanto”, e a trilha sonora fica novamente a cargo de Michael Giacchino, que mistura composições orquestradas com referências modernas — como a nova música “ZUTU”, interpretada pela banda fictícia de lemingues LEMEEENS.

Uma estreia esperada com carinho (e muita expectativa)

A animação tem estreia marcada para o dia 26 de novembro de 2025 nos Estados Unidos, com lançamento no Brasil previsto para a mesma semana. A expectativa é alta: o primeiro filme arrecadou mais de 1 bilhão de dólares nas bilheteiras e venceu o Oscar de Melhor Animação.

Com tanto tempo entre os dois filmes, a pergunta que fica é: o público ainda se importa? Ao que tudo indica, sim — e mais do que nunca. O trailer rapidamente subiu nas paradas do YouTube e redes sociais, com fãs comentando a volta dos personagens e os novos rumos da história.

“Conversa com Bial” desta quarta (30/07) recebe Hyldon, que comemora 50 anos do clássico “Na Rua, na Chuva, na Fazenda”

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Foto: Reprodução/ Internet

“É preciso chuva, é preciso rua, é preciso amor”. A frase, que poderia muito bem estar em um poema de Carlos Drummond de Andrade, ganhou corpo, melodia e alma na voz de um jovem baiano nos anos 1970. Meio século depois, ainda ecoa com a mesma ternura nas lembranças dos brasileiros. Na próxima quarta-feira, 30 de julho de 2025, o “Conversa com Bial” abre espaço para essa memória viva da música nacional: Hyldon, um dos pais da soul music brasileira, celebra os 50 anos do disco que mudou sua vida — e a de muitos ouvintes.

No estúdio da TV Globo, sob a condução serena e atenta de Pedro Bial, o artista revisita não só sucessos, mas também silêncios, recomeços, perdas e descobertas. A conversa é mais do que um bate-papo de fim de noite — é um mergulho em um tempo onde música, resistência e identidade negra se entrelaçavam para produzir arte com A maiúsculo.

Do interior baiano aos estúdios do Rio: um menino entre mundos

Nascido em Salvador em 1951, Hyldon cresceu entre a capital e o sertão, especialmente em Senhor do Bonfim, cidade marcada por seus carnavais e tradições populares. “Lá, a música era como o ar: estava em todo canto. Na feira, na igreja, no batuque dos terreiros”, lembra ele, com os olhos brilhando. Ainda criança, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Era o início de um deslocamento físico e emocional que moldaria seu estilo: entre o Nordeste e a Zona Norte carioca, entre a sanfona e a guitarra elétrica, entre Luiz Gonzaga e James Brown.

Foi no bairro da Penha que o adolescente Hyldon começou a fazer seus primeiros acordes. Ainda nos anos 60, montou uma banda para tocar nos bailes suburbanos. E foi ali que a alma soul começou a germinar — ao som de Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Otis Redding e Stevie Wonder, ouvidos pelas ondas da rádio mundial, pelos vinis importados dos amigos e, claro, pelos ensaios de Tim Maia e Cassiano, que logo se tornariam parceiros e mentores.

“Na Rua, na Chuva, na Fazenda”: a simplicidade como forma de revolução

Lançado em 1975, o álbum Na Rua, na Chuva, na Fazenda é, até hoje, um retrato fiel de uma época e de uma sensibilidade rara. Não por acaso, seu título virou sinônimo de romantismo popular e resistência emocional.

A canção que dá nome ao disco surgiu de uma ideia quase cinematográfica. “Eu imaginava um casal pobre, em uma casinha de barro, mas com amor de sobra. E pensava: quantos amores resistem sem luxo, só com o essencial?”, conta. A melodia veio suave, com groove discreto, quase como um carinho. E o Brasil ouviu. E se apaixonou.

O disco, produzido de maneira quase artesanal, surpreendeu por sua coesão musical: baladas soul, arranjos minimalistas e letras introspectivas que tratavam do amor, da dor e do tempo. Era uma proposta ousada para um país acostumado com a grandiloquência das novelas e o samba das multidões. Mas o que Hyldon fazia era, no fundo, traduzir um sentimento coletivo que não cabia nas molduras da indústria fonográfica.

Soul, resistência e identidade negra

Na mesma época em que artistas como Jorge Ben e Gilberto Gil experimentavam com o groove e o funk, Hyldon se posicionava ao lado de Tim Maia e Cassiano como os fundadores da soul brasileira — um movimento que, além da estética, carregava também uma bandeira de afirmação racial.

“O soul era mais do que estilo. Era identidade, era um grito silencioso. A gente queria mostrar que preto também canta amor, também faz arranjo sofisticado, também tem sensibilidade”, diz ele no programa, com a firmeza de quem sabe o que viveu.

Tim Maia, com sua irreverência e genialidade, foi um dos grandes incentivadores da carreira de Hyldon. Cassiano, mais introspectivo, era seu par na busca por uma sonoridade própria, misturando elementos da música norte-americana com referências brasileiras. O trio, apesar de seguir caminhos diferentes, formou uma base simbólica para muitos que vieram depois — de Sandra de Sá a Liniker.

Invisibilidade e recomeços

Apesar do sucesso do primeiro álbum, Hyldon viu sua carreira sofrer com o desinteresse das gravadoras pelos projetos mais autorais. O segundo disco, Deus, a Natureza e a Música (1976), foi menos compreendido. “Queriam que eu repetisse o mesmo som. Mas eu queria experimentar, sair da zona de conforto”, afirma.

Nos anos 80, mesmo com o avanço da música pop e a febre das trilhas sonoras de novelas, Hyldon permaneceu na contramão do mercado. Produziu, compôs, colaborou com outros artistas, mas evitava concessões. Era uma escolha difícil — e solitária.

“Teve época em que eu sumia mesmo. Fazia música em casa, gravava em fita, esperava o momento certo. Nunca fui um artista de vitrine, sempre fui do bastidor. E tá tudo bem”, conta, com uma serenidade que só o tempo dá.

Quando o Brasil voltou a ouvir

Curiosamente, foi o cinema que trouxe Hyldon de volta ao radar do grande público. A trilha sonora de Cidade de Deus (2002), com Na Rua, na Chuva, na Fazenda, reacendeu o interesse por sua obra. Depois vieram Carandiru, Antônia e outros filmes que perceberam na sua música um retrato legítimo de afetos urbanos e populares.

Grupos como Jota Quest e Kid Abelha regravaram seus sucessos. A crítica redescobriu seu trabalho com entusiasmo. E, em 2009, o disco Soul Brasileiro selou sua volta com pompa e parceiros de peso, como Zeca Baleiro, Carlinhos Brown e Chico Buarque.

A nova geração passou a ouvir Hyldon não como nostalgia, mas como frescor. A música, afinal, não envelhece quando fala direto ao coração.

O presente: discos, documentário e novas conexões

Nos últimos anos, o cantor não parou. Lançou novos álbuns, como As Coisas Simples da Vida (2016) e SoulSambaRock (2020), e participou de projetos colaborativos. Em 2025, foi lançado JID023, álbum produzido por Adrian Younge — nome cult da soul contemporânea — com uma sonoridade mais densa, experimental e, ainda assim, profundamente brasileira.

Uma das faixas contou com a última gravação de Ivan Conti (Mamão), do Azymuth, falecido pouco depois. O disco foi aclamado pela crítica especializada, que o apontou como uma obra-prima tardia.

Além disso, um documentário sobre sua vida está prestes a estrear em circuito de festivais. A produção revisita sua trajetória com imagens raras, depoimentos de amigos e novas interpretações de suas músicas feitas por jovens artistas da cena independente.

Netflix revela primeiras imagens de “O Filho de Mil Homens”, estreia literária de Valter Hugo Mãe com Rodrigo Santoro

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A Netflix divulgou nesta quarta-feira as primeiras imagens oficiais do elenco de O Filho de Mil Homens, adaptação do best-seller homônimo do escritor português Valter Hugo Mãe. O filme marca a estreia do autor no cinema, com direção e roteiro assinados por Daniel Rezende — nome que conquistou a crítica com “Bingo: O Rei das Manhãs” e que recentemente trouxe sua sensibilidade para os filmes da “Turma da Mônica”. O longa, protagonizado pelo nosso grave astro Rodrigo Santoro (300: A Ascensão do Império, Sem Limites, O Golpista do Ano), chega à plataforma ainda neste ano, e é aguardado com grande expectativa por fãs da literatura e do cinema lusófono.

A trama e os personagens

No centro da história está Crisóstomo, vivido por Rodrigo Santoro, um pescador solitário cujo sonho mais profundo é ser pai. É uma busca simples e genuína, mas que carrega um peso imenso de emoção e desejo por conexão humana. O que move Crisóstomo não é apenas o ato biológico da paternidade, mas a vontade de construir laços afetivos, de encontrar um lugar no mundo.

Essa jornada ganha um novo rumo quando ele conhece Camilo (Miguel Martines), um menino órfão que, silenciosamente, preenche o vazio de Crisóstomo. A relação entre os dois cresce sem grandes palavras, mas com uma intensidade que só quem já sentiu falta de afeto reconhece.

A história ganha ainda mais profundidade com a chegada de Isaura (Rebeca Jamir), uma mulher marcada pela dor que tenta recomeçar, e de Antonino (Johnny Massaro), um jovem incompreendido, ambos se conectando com Crisóstomo e Camilo para formar uma espécie de família escolhida. Juntos, esses quatro personagens ensinam que o conceito de família é muito mais do que laços de sangue — é sobre cuidado, acolhimento e compartilhar a vida.

Uma produção que abraça a arte e a sensibilidade

Produzido pelas companhias Biônica Filmes e Barry Company, o filme reúne um elenco diverso e cheio de talento. Entre eles, estão nomes como Antonio Haddad (conhecido por “Bacurau”), Carlos Francisco (“Que Horas Ela Volta?”), Grace Passô (“Benzinho”), Inez Viana (“Aos Teus Olhos”), Juliana Caldas (“A Vida Invisível”), Lívia Silva (“Reis”) e Marcello Escorel (“Bingo: O Rei das Manhãs”), além de Tuna Dwek (“A Fera na Selva”). Cada um deles traz sua singularidade e sensibilidade para ajudar a construir esse retrato multifacetado das relações humanas que o filme explora.

Nos bastidores, uma equipe experiente e apaixonada faz toda a mágica acontecer. A direção de fotografia ficou por conta de Azul Serra (“Pacificado”, “Bingo: O Rei das Manhãs”), que com seu olhar cuidadoso transforma cada cena em poesia visual. A direção de arte é assinada por Taísa Malouf (“Aquarius”, “Bingo”), que cria um ambiente intimista e cheio de detalhes que enriquecem a narrativa. Já o figurino de Manuela Mello (“Turma da Mônica: Laços”, “Hoje Eu Quero Voltar Sozinho”) e a caracterização de Martín Macías Trujillo (“O Som ao Redor”) ajudam a dar vida e autenticidade aos personagens, reforçando o clima sensível e verdadeiro da história.

Na edição, Marcelo Junqueira (“Bingo”, “Turma da Mônica: Laços”) imprime o ritmo perfeito para que a narrativa flua com naturalidade e emoção. A trilha sonora original, assinada por Fábio Góes (“Música para Morrer de Amor”, “Amor e Sorte”), acrescenta camadas afetivas que aprofundam a conexão do espectador com o universo do filme. Para fechar com chave de ouro, a pós-produção ficou sob a supervisão de Juliano Storchi e Bruno Horowicz Rezende (“Bingo”, “O Som ao Redor”), que cuidaram dos efeitos visuais, garantindo um acabamento caprichado, elegante e que respeita a delicadeza do projeto.

Locais que são personagens

O longa-metragem foi filmado em duas regiões do Brasil que se destacam pela beleza natural e pelo contraste entre o mar e a terra: Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, e a vastidão da Chapada Diamantina, na Bahia. Essas locações não são meros cenários, mas parte essencial da narrativa.

A imensidão do mar, símbolo de solidão e esperança, se entrelaça com a força e o silêncio das montanhas, criando um diálogo visual que espelha os sentimentos internos dos personagens. A natureza vibrante e melancólica ajuda a contar a história de Crisóstomo e dos que cruzam seu caminho, trazendo um toque quase poético à experiência cinematográfica.

Um lançamento que une literatura e cinema

Para comemorar a estreia, a plataforma de streaming preparou um lançamento especial na 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A partir do dia 31 de julho, o público poderá conferir as primeiras imagens do filme na casa literária Esquina piauí + Netflix, espaço dedicado à valorização da literatura e do audiovisual.

Além disso, o autor do livro, Valter Hugo Mãe, se reunirá com o diretor Daniel Rezende e a líder de filmes da Netflix Brasil, Higia Ikeda, para um bate-papo que promete revelar detalhes da adaptação. Será uma oportunidade única para os fãs conhecerem as escolhas criativas, os desafios do processo e as emoções que atravessaram essa jornada do livro para as telas.

Por que “O Filho de Mil Homens” é um filme para todos

Mais do que falar sobre paternidade, o filme trata do que significa pertencer, da construção de vínculos afetivos fora dos padrões tradicionais e da coragem de buscar uma vida compartilhada baseada no amor e na compreensão.

Em um mundo que muitas vezes insiste em formatos rígidos, a obra de Valter Hugo Mãe — agora traduzida para o cinema — reafirma que família é um conceito flexível, que pode ser reinventado conforme a necessidade e o desejo dos envolvidos. O filme lembra que os laços verdadeiros nascem do cuidado mútuo e da presença — e não necessariamente da genética.

Rodrigo Santoro, em sua interpretação, consegue transmitir essa complexidade com uma naturalidade que emociona. O espectador sente a solidão de Crisóstomo, sua esperança, seu medo e sua coragem. Ao seu lado, o jovem Miguel Martines e os atores Rebeca Jamir e Johnny Massaro ampliam esse universo, trazendo seus personagens com autenticidade e respeito.

Quem é a equipe por trás do filme?

A produção executiva do longa é assinada por Bianca Villar, Daniel Rezende, Juliana Funaro, Karen Castanho e o próprio Rodrigo Santoro, o que demonstra o comprometimento de todos para que essa história fosse contada com a delicadeza que merece. A responsabilidade de transportar uma obra literária tão emblemática para o cinema recai sobre uma equipe que alia técnica e sensibilidade. O roteiro, adaptado por Daniel Rezende, preserva a essência poética do livro, ao mesmo tempo que o transforma em uma narrativa visual envolvente e acessível.

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