Como Nasce um Rio | Curta baiano vence festival LGBTQIA+ e conquista plateias ao redor do mundo

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Uma animação brasileira está comovendo plateias ao redor do mundo ao tratar com lirismo e profundidade temas como identidade, desejo e pertencimento. Vencedor do prêmio de Melhor Curta L no 14º Festival Rio LGBTQIA+, Como Nasce um Rio, dirigido por Luma Flôres, é um exemplo do poder do cinema em criar pontes afetivas entre vivências individuais e coletivas.

Produzido pela Mulungu Realizações Culturais em parceria com a Anomura Filmes, o curta mergulha na jornada íntima de Ayla, uma personagem LGBTQIA+ em processo de descoberta e reconciliação consigo mesma. Longe de seguir uma narrativa convencional, a obra propõe uma experiência sensorial, onde som, imagem e movimento compõem uma linguagem simbólica que emociona, convida à escuta e evoca memórias.

Uma fábula visual sobre corpo, tempo e identidade

Com 8 minutos de duração, Como Nasce um Rio não busca explicações fáceis ou discursos didáticos. A proposta da diretora Luma Flôres é outra: abrir espaço para o silêncio, a contemplação e a fluidez — como um rio que encontra seus próprios caminhos. O curta traduz em poesia visual a vivência de alguém que aprende a aceitar os próprios desejos e a viver o corpo como território de existência.

A fotografia de Maíra Moura Miranda, a trilha sonora de Andrea Martins e a montagem delicada de Karol Azevedo completam uma estética que se distancia do óbvio. O filme não fala sobre resistência com gritos, mas com sutileza. E talvez seja justamente por isso que ele reverbera com tanta força.

Reconhecimento que atravessa fronteiras

Após o prêmio no Festival Rio LGBTQIA+, um dos mais importantes do país no debate de gênero e diversidade, Como Nasce um Rio segue colecionando reconhecimentos internacionais. A animação já foi selecionada para o Tribeca Film Festival, em Nova York, para o Melbourne International Animation Festival, na Austrália, e para o Anifilm, na República Tcheca. Em sua nova fase, o curta entra na programação do 78º Edinburgh International Film Festival, um dos mais tradicionais do mundo, além de festivais na Suíça, Hong Kong, Canadá, Croácia e Kosovo.

No Brasil, o filme também foi destaque no XX Panorama Internacional Coisa de Cinema, em Salvador, vencendo tanto o júri oficial quanto o júri das associações BRADA, API e GAMA, que destacaram a força estética e a relevância política da obra.

Produção independente, identidade coletiva

Por trás do curta está a Mulungu Realizações Culturais, produtora baiana que tem se consolidado como referência na realização de conteúdos autorais com protagonismo de mulheres, pessoas negras e LGBTQIA+. O histórico da empresa inclui longas como Menarca, Receba! e o documentário Cais, além da coprodução de Mulheres Negras em Rotas de Liberdade, projeto filmado no Brasil e na África com participação de nomes como Sueli Carneiro, Luedji Luna e Conceição Evaristo.

Muito Prazer | Jorge Furtado transforma motel esquecido em palco de recomeços e risadas na nova comédia brasileira

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Foto: Reprodução/ Internet

Um motel falido, dois desconhecidos endividados e uma ideia completamente fora da curva. É desse encontro improvável que nasce Muito Prazer, nova comédia de Jorge Furtado, que acaba de concluir suas filmagens em Porto Alegre. Com previsão de estreia nos cinemas em 2026, o filme marca o retorno do diretor ao humor afiado e socialmente consciente que o consagrou em obras como Saneamento Básico, o Filme.

Produzido pela Casa de Cinema de Porto Alegre, em coprodução com a Globo Filmes e distribuição da Elo Studios, Muito Prazer aposta no riso como instrumento de afeto, crítica e transformação — um lembrete de que, mesmo em tempos difíceis, ainda há espaço para o absurdo, a ternura e as segundas chances.

Uma herança, um motel e uma chance de recomeçar

Na trama, Rubem (Daniel de Oliveira) herda inesperadamente um antigo motel do tio, acreditando que o local esteja desativado. Ao chegar, se depara com Grace (Luisa Arraes), ex-funcionária que, sem ter para onde ir, nunca abandonou o lugar. Os dois, atolados em dívidas e cicatrizes do passado, decidem reabrir o Motel Pérola. Mas, para isso, recorrem à ajuda de Nalva (Samantha Jones), e juntos bolam um plano ousado para reinventar o negócio — e suas próprias vidas.

O elenco ainda reúne nomes de peso como Drica Moraes (Pérola), Felipe Velozo, Nicolas Vargas e participações especiais, compondo um mosaico afetivo, diverso e vibrante.

Uma comédia que nasce do coletivo

“Foi um processo muito rico, como sempre. A gente parte de um roteiro, ensaia bastante, mas quando chega na filmagem, muitas ideias novas surgem. Os atores trazem cenas, falas, pequenos gestos — e muitas piadas nascem ali, no calor do set”, conta Jorge Furtado, que comandou as filmagens entre estúdio e motéis reais da capital gaúcha durante os meses de junho e julho.

Segundo a produtora Nora Goulart, o humor segue sendo essencial em tempos tão acelerados e, por vezes, desumanos:

“A comédia nos permite respirar, criar empatia, rir de nós mesmos. Precisamos disso. Em meio à avalanche da inteligência artificial, é bom lembrar que só o humano sabe fazer uma boa piada — daquelas que nascem da falha, do constrangimento, da tentativa de acertar.”

Riso como refúgio

Muito Prazer é, ao mesmo tempo, uma história sobre recomeços e um retrato divertido das tentativas humanas de se reconectar com a própria alegria. Num cenário improvável — um motel decadente —, o filme costura encontros entre afetos mal resolvidos, dívidas emocionais e a vontade quase ingênua de começar de novo.

Com estreia marcada para 2026, o novo longa de Jorge Furtado chega como um convite a rir das crises, amar com leveza e acolher os tropeços que fazem parte da jornada.

Crítica | Apocalipse nos Trópicos é um retrato do Brasil atual

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Petra Costa nunca foi uma diretora que se escondeu atrás da neutralidade. Com Democracia em Vertigem (2019), ela já havia exposto seu olhar sensível e politicamente engajado sobre o colapso da democracia brasileira. Em Apocalipse nos Trópicos, sua nova investida documental que estreou nesta segunda (14) na Netflix, a cineasta vai ainda mais fundo — e mais fundo aqui também significa mais escuro, mais perturbador, mais corajoso.

Desta vez, Petra não foca apenas nos bastidores da política institucional. O que está em jogo agora é o casamento entre fé e poder, mais especificamente a ascensão das igrejas neopentecostais como uma força política organizada e decisiva no Brasil contemporâneo. O epicentro desse terremoto ideológico é Silas Malafaia, figura central no documentário — e símbolo vivo da mistura explosiva entre autoritarismo religioso, populismo e um projeto de dominação cultural.

Um protagonista sem máscara

Petra não precisa desmascarar Malafaia — ele faz isso sozinho, com uma desenvoltura perturbadora. Dentro do próprio jato particular, pilotando uma BMW, vociferando ofensas contra um motociclista, ou discursando ao lado de Jair Bolsonaro, o pastor é filmado com acesso surpreendente, quase íntimo. E talvez seja isso o mais assustador: sua tranquilidade diante da câmera, sua certeza absoluta, a crença inabalável de que está certo — mesmo quando seu discurso transborda intolerância, arrogância e desprezo pela diversidade humana.

Há algo de perverso no carisma de Malafaia, e Petra registra isso sem histeria, mas com um incômodo crescente. Ele grita, zomba, ataca minorias, debocha da imprensa, e ainda assim se apresenta como “homem de Deus”. O que Apocalipse nos Trópicos revela, com precisão dolorosa, é o quanto essa retórica violenta encontrou eco num país onde milhões de pessoas sentem-se abandonadas, desorientadas, e carentes de líderes com respostas prontas — mesmo que essas respostas venham cheias de ódio.

Uma nação em transe

Petra conecta, com lucidez e indignação contida, o crescimento da bancada evangélica, a campanha de desinformação nas redes sociais, a figura de Bolsonaro como “ungido”, e o desfecho trágico do 8 de janeiro de 2023 — quando extremistas invadiram as sedes dos Três Poderes, sob a bênção simbólica de um discurso antidemocrático alimentado há anos.

É impossível assistir ao documentário e sair ileso. A sensação que fica é de um Brasil à deriva, tomado por um messianismo fabricado, onde o nome de Deus serve de escudo para práticas que nada têm de espirituais. A câmera de Petra, mesmo sem grandes recursos visuais, constrói um mosaico de ruínas emocionais e morais. E não há vilões caricatos — há seres humanos que escolheram, conscientemente, o caminho do autoritarismo.

A ousadia de continuar

Apocalipse nos Trópicos é um filme incômodo, provocador e profundamente humano. Petra não se coloca como juíza — ela se posiciona como cidadã, como filha, como artista que não aceita calar diante do retrocesso. Sua narração continua melancólica, mas agora com um tom de exaustão. Como se dissesse: “nós avisamos”. A esperança existe, mas está fraturada. E talvez seja esse o sentimento mais honesto que o filme nos deixa.

Em tempos de normalização do absurdo, Petra Costa tem a ousadia de continuar documentando a barbárie. E faz isso com a serenidade de quem entende que o cinema é mais do que entretenimento — é também memória, denúncia e resistência.

Nova série do Universal+, “90 Minutos” mistura futebol, drama e emoção: vale a pena assistir?

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Foto: Reprodução/ Internet

Mais do que chutes a gol e campeonatos em jogo, o futebol sempre foi, para os latino-americanos, uma metáfora viva sobre pertencimento, dor, vitória e sobrevivência. E é exatamente isso que entrega a série mexicana “90 Minutos”, que estreia nesta quarta-feira (16) com exclusividade no Universal+.

Criada por Joe Rendón e Julio Berthely, a produção resgata o coração de um esporte que é, antes de tudo, coletivo. São 10 episódios que não falam apenas de táticas ou rivalidades, mas de identidade, comunidade, fracasso, resistência e recomeços — tudo com o tempero inconfundível da dramaturgia mexicana contemporânea.

⚽ Las Navajas: mais que um time, um território emocional

O fio condutor da série é o modesto time Las Navajas, que, à beira da extinção, luta para conquistar o título da liga local e salvar o campo onde tudo começou. Mas o que está em jogo vai muito além do futebol: trata-se da preservação de um espaço afetivo e simbólico, ameaçado por interesses comerciais que querem transformá-lo em um cassino. Quando tudo parece dar errado — da morte do treinador a sabotagens nos bastidores — a equipe encontra uma última esperança no improvável retorno de uma antiga estrela: El Veneno.

Interpretado por José María de Tavira, o novo técnico traz para o campo suas próprias feridas: o ex-jogador volta à cidade natal não só para tentar salvar o time, mas para se reconstruir, encarar antigos amores e, principalmente, perdoar a si mesmo. Ao lado dele, surge Alma (vivida por Teresa Ruiz), ex-namorada e figura central de um reencontro cheio de fraturas e ternura.

🎬 A força dos invisíveis

Com humor afiado, ritmo envolvente e personagens cheios de nuances, 90 Minutos constrói sua narrativa em cima de pequenos gestos e grandes intenções. Cada episódio revela um novo ângulo sobre o que é ser parte de algo maior — seja um time, uma família, uma cidade. A série humaniza os “perdedores”, os esquecidos, os azarados, e transforma a suposta fraqueza deles em potência narrativa.

Além de De Tavira e Ruiz, o elenco conta com nomes de peso como Álvaro Guerrero e Raúl Méndez, reforçando a densidade dramática da obra sem abrir mão de leveza e emoção.

💬 Por que assistir 90 Minutos?

  • Porque é sobre futebol, mas também é sobre vida real
    E aqui, perder um jogo significa perder uma casa, uma história, uma memória coletiva.
  • Porque mostra o México além dos estereótipos
    Longe de novelas ou caricaturas, a série apresenta um retrato afetivo, urbano e atual da cultura mexicana.
  • Porque todos os personagens têm o direito de recomeçar
    E esse recomeço vem cheio de tropeços, mas também de afeto, perdão e descobertas.
  • Porque a frase “Uma vez Navaja, sempre Navaja” vai ficar com você
    Mais do que um lema, é um lembrete de que não importa o placar: o que realmente une as pessoas é a coragem de continuar tentando — juntos.

Jeito Moleque lança Volume 5 do projeto “5 por 5” e reforça legado com inéditas, releituras e parcerias

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Foto: Reprodução/ Internet

Celebrando uma trajetória de 25 anos marcada pela autenticidade e pelo diálogo constante com o público, o grupo Jeito Moleque apresenta o Volume 5 do projeto “5 por 5”. A iniciativa, que reúne novos arranjos, músicas inéditas e versões repaginadas de sucessos, chega ao quinto e último capítulo com quatro faixas que reafirmam a identidade do grupo e sua relevância no cenário do pagode contemporâneo.

A proposta da série “5 por 5” — lançada em partes ao longo do ano — é sintetizar, em blocos curtos e potentes, o passado, o presente e o futuro do Jeito Moleque. No novo EP, a banda aprofunda essa proposta com um repertório que transita entre a celebração das origens e a busca por novas sonoridades.

Destaque para inéditas e colaborações

A grande novidade do EP é “Deu Defeito”, uma faixa inédita que conta com a participação especial da dupla sertaneja Clayton & Romário. A parceria estabelece um ponto de encontro entre dois gêneros populares e afetivos, resultando em um pagode com influências do sertanejo romântico, marcado por melodia envolvente e letra sobre descompassos do coração.

Outra composição inédita é “Não Peço Volta (Coração Digita)”, que mostra um Jeito Moleque introspectivo, mas ainda assim melódico e fiel à sua essência. A música traz à tona o lado mais emocional do grupo, com reflexões sobre saudade e reconciliação, envoltas em uma produção sofisticada e contemporânea.

Novos arranjos e releituras afetivas

Abrindo o EP, “Meu Jeito Moleque” funciona como uma espécie de declaração de identidade. A canção revisita a trajetória do grupo sob uma ótica atualizada, com arranjo que combina nostalgia e modernidade. Na sequência, um medley de três faixas — “Nas Nuvens”, “Só Pro Meu Prazer” e “Eu, Você e Mais Ninguém” — apresenta um trabalho de releitura cuidadoso, capaz de dar nova vida a clássicos que atravessam gerações.

Emoção e intensidade na Sala São Paulo: Osesp apresenta Tchaikovsky e Shostakovich sob regência de Vasily Petrenko

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Foto: Reprodução/ Internet

A Fundação Osesp, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, e o Ministério da Cultura, segue desdobrando a força de sua programação em 2025 com mais uma apresentação de peso na Sala São Paulo. Entre os dias 17 e 19 de julho, o maestro Vasily Petrenko retorna ao pódio da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo em um programa que equilibra lirismo, intensidade e reflexão.

Na abertura da noite, o público será conduzido ao romantismo arrebatador do Concerto para piano nº 1, de Pyotr Ilyich Tchaikovsky. Considerada uma das peças mais emblemáticas do repertório pianístico, a obra será interpretada pelo aclamado pianista macedônio Simon Trpceski, reconhecido por sua combinação de virtuosismo técnico e sensibilidade poética. Com sua introdução marcada por trompas solenes e um tema inesquecível, o concerto promete emocionar tanto iniciantes quanto ouvintes experientes.

🎻 Da fúria da beleza à densidade da existência

Após o intervalo, a atmosfera muda drasticamente com a Sinfonia nº 14 em sol menor, do compositor russo Dmitri Shostakovich. Composta em 1969, essa obra profunda e desafiadora propõe uma meditação crua sobre a morte e o sofrimento humano. Escrito para cordas, percussão e duas vozes solistas, o ciclo sinfônico se desdobra em 11 movimentos contínuos, baseados em poemas de autores como Lorca, Apollinaire e Rilke.

A interpretação contará com a soprano Julia Korpacheva e o baixo Gleb Peryazev, dois artistas que vêm se destacando internacionalmente pela expressividade e domínio técnico. A obra, que se inspira na tradição sinfônico-vocal iniciada por Beethoven e aprofundada por Mahler, reafirma a vocação de Shostakovich para abordar temas universais de forma contundente, crítica e profundamente humana.

🎟️ Serviço e transmissão

As apresentações acontecem de quinta (17) a sábado (19), com ingressos disponíveis a partir de R$ 42,00 no site oficial da Osesp. Para quem não puder comparecer presencialmente, a sessão de sexta-feira (18/jul), às 20h, será transmitida ao vivo pelo YouTube da Osesp, democratizando o acesso a essa experiência musical única.

Destaques do programa:

  • Concerto para piano nº 1 em si bemol menor, Op. 23 — P. I. Tchaikovsky
    Piano: Simon Trpceski
  • Sinfonia nº 14 em sol menor, Op. 135 — D. Shostakovich
    Vozes: Julia Korpacheva (soprano) e Gleb Peryazev (baixo)
    Regência: Vasily Petrenko

Mãe e filha transformam reconciliação em livro comovente sobre afeto, cuidado e recomeço

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No novo livro Aquele Tempo Entre Nós, disponível nas livrarias físicas e digitais, a oradora espírita Mayse Braga e sua filha, a psicóloga Marianna Braga, compartilham com coragem e sensibilidade uma jornada de reconexão familiar — feita não apenas de lembranças, mas também de silêncios, conflitos, aprendizados e reencontros possíveis.

Mais do que um registro de experiências pessoais, a obra é um convite ao diálogo entre gerações. Em forma de conversa escrita, mãe e filha percorrem momentos de desgaste emocional, crises de saúde e ressentimentos acumulados, até reencontrarem, juntas, um novo caminho de afeto e compreensão. O livro nasce após um momento crítico: duas internações de Mayse em 2022, que a levaram a viver temporariamente com a filha — e, nesse convívio, ressignificar antigas mágoas e renovar os vínculos entre ambas.

“Contar o que vivemos foi tanto uma forma de oferecer companhia a quem atravessa essa jornada quanto um exercício terapêutico que nos lembrou que o amor pode fazer mais do que proteger: ele pode também libertar.”
— Mayse Braga, oradora espírita

Com décadas de trajetória como comunicadora respeitada no meio espírita, Mayse se une à escuta atenta e à vivência clínica de Marianna para construir uma obra que transita entre espiritualidade, psicologia e humanidade. O livro alterna pontos de vista entre mãe e filha e revela com franqueza o que tantas famílias enfrentam em silêncio: o medo de não serem compreendidas, a dificuldade de perdoar, o peso da sobrecarga, e a urgência de falar o que realmente importa — enquanto ainda é tempo.

“Escrever esse livro me ajudou a entender a mim mesma e à minha mãe de um jeito novo e transformador.”
— Marianna Braga, psicóloga

Aquele Tempo Entre Nós é tecido com memórias — recentes e distantes —, e com temas que vão do cansaço do cuidado à beleza de uma música compartilhada. A cada capítulo, as autoras abrem espaço para reflexões sobre o envelhecer, a vulnerabilidade, a escuta ativa e o valor das pequenas reconciliações do dia a dia.

Sem tom confessional ou autoajuda, o livro propõe um gesto raro: descer do púlpito e sentar à mesa, lado a lado, com quem se ama, para tentar, palavra por palavra, desfazer o que se perdeu — e reconstruir o que ainda pode existir.

Para leitores espiritualmente conectados ou em busca de relações mais saudáveis com seus pais ou filhos, a obra funciona como um espelho generoso: não aponta culpados, mas revela caminhos. E, talvez, o maior deles seja a coragem de admitir que nem todo amor é simples, mas que o afeto sincero — ainda que imperfeito — pode ser a base para um novo começo.

Missão: Impossível – O Acerto Final acumula US$ 584 milhões em bilheteria, mas ainda está longe de se pagar

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Depois de mais de duas décadas saltando de aviões em queda, escalando arranha-céus e desafiando as leis da física e da indústria, Tom Cruise retorna ao papel de Ethan Hunt em Missão: Impossível – O Acerto Final, o oitavo capítulo de uma das franquias mais longevas e respeitadas do cinema de ação. Mas, por trás da adrenalina e dos números de bilheteria, o novo filme entrega algo raro em blockbusters: uma reflexão sobre escolhas, legado e a urgência de manter a humanidade em tempos digitais.

Com direção de Christopher McQuarrie, parceiro criativo de Cruise desde Missão: Impossível – Nação Secreta, o longa propõe uma virada ousada: se antes Hunt lutava contra terroristas e agentes duplos, agora seu maior inimigo é invisível, algorítmico e global — uma inteligência artificial que ameaça controlar as engrenagens do mundo. É uma ameaça menos palpável, mas profundamente atual. E talvez por isso mesmo, mais assustadora.

Um herói que também duvida

Aos 62 anos, Cruise não esconde as marcas do tempo, e o filme também não. Ao contrário dos capítulos anteriores, O Acerto Final revela um Ethan Hunt mais introspectivo, forçado a olhar para trás, para as missões, perdas e decisões que moldaram seu caminho. Há uma humanidade crua nesse novo Hunt: ele continua correndo, mas agora também para se entender.

No centro da trama, está a ideia de que nossas vidas são definidas pela soma das escolhas que fazemos — e não apenas pelas missões que aceitamos. “Salvar o mundo” ganha um peso mais emocional quando se percebe que, no fundo, o que está em jogo é o próprio valor do livre-arbítrio. A tecnologia, neste cenário, se torna o grande vilão: onisciente, implacável e moralmente ambígua.

Bilheteria vs. legado

Mesmo com uma bilheteria expressiva de US$ 584,1 milhões ao redor do mundo, o filme ainda está distante de se pagar: seu orçamento, somado à divulgação, ultrapassa os US$ 400 milhões. Nos EUA, soma US$ 194 milhões, ocupando atualmente o oitavo lugar nas bilheteiras. Mas esse resultado, embora relevante, parece pequeno perto da grandiosidade emocional que o filme propõe.

Missão: Impossível – O Acerto Final talvez não quebre recordes, mas quebra expectativas. Entrega mais do que ação coreografada: entrega personagem, entrega dilema, entrega alma. E num cenário de franquias repetitivas e universos compartilhados à exaustão, isso já é um feito.

Ao lado de Cruise, Hayley Atwell brilha como uma aliada complexa e inesperada. Ving Rhames, parceiro de longa data, volta a dar suporte e história ao protagonista. A química entre os personagens se sustenta não pela ação, mas pela lealdade silenciosa que cresce entre eles — como se todos soubessem que, a qualquer momento, aquela missão pode ser mesmo a última.

Dica na Reserva Imovision – Em Rumo a Uma Terra Desconhecida é um drama palestino que revela o custo invisível da esperança

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Já disponível no catálogo da Reserva Imovision, o premiado drama Em Rumo a Uma Terra Desconhecida (Vers Un Pays Inconnu) lança um olhar potente e profundamente humano sobre os impactos da crise migratória contemporânea. Dirigido pelo cineasta Mahdi Fleifel, o longa é uma narrativa austera, sensível e corajosa sobre dois jovens palestinos que apostam tudo na chance de recomeçar.

Aclamado em mais de 100 festivais internacionais, incluindo a Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, o filme é um dos destaques recentes do cinema autoral europeu e se destaca por sua capacidade de traduzir em imagens o que tantas vezes se esconde nas estatísticas: o drama silencioso da esperança em exílio.

A história gira em torno de Chatila e Reda, primos que vivem como refugiados em Atenas. Cercados por instabilidade, burocracia e invisibilidade social, os dois buscam um novo começo na Alemanha. Para isso, decidem juntar recursos para comprar passaportes falsos — uma decisão que os leva a confrontar não apenas os perigos do submundo migratório, mas também dilemas éticos e perdas emocionais profundas. Quanto custa atravessar uma fronteira? E o que se deixa para trás quando se tenta reconstruir a própria vida?

Fleifel constrói o filme com sobriedade e realismo, sem apelar ao melodrama. Seus personagens não são símbolos idealizados, mas pessoas de carne e osso — movidas por fé, frustração, medo e desejo. A câmera, muitas vezes inquieta e próxima dos rostos, nos obriga a testemunhar cada escolha com desconforto e empatia.

Com 95 minutos de duração, o longa é uma experiência intensa, que propõe ao espectador um mergulho na intimidade daqueles que vivem à margem — não por escolha, mas por necessidade. Mais do que uma crítica social, Em Rumo a Uma Terra Desconhecida é um chamado à escuta, à reflexão e à humanidade.

Sessão da Tarde desta terça (15) exibe o drama culinário Pegando Fogo com Bradley Cooper

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A TV Globo exibe nesta terça-feira, 15 de julho, na Sessão da Tarde, o longa-metragem Pegando Fogo (Burnt), estrelado por Bradley Cooper e dirigido por John Wells. O filme, um drama com forte apelo humano ambientado no universo da alta gastronomia, será exibido no início da tarde e promete envolver o público com uma história de queda, recomeço e redenção profissional.

Na trama, Adam Jones (Bradley Cooper) é um chef de cozinha talentoso que já foi referência nos mais prestigiados restaurantes de Paris. Porém, envolvido com vícios e comportamentos autodestrutivos, ele perde tudo e se isola em Nova Orleans. Anos depois, determinado a retomar a carreira, Adam parte para Londres em busca de uma nova chance e do maior reconhecimento de sua área: a terceira estrela no Guia Michelin.

Para isso, ele se alia a Tony (Daniel Brühl), gerente de um restaurante elegante, e monta uma nova equipe formada por velhos conhecidos e novos talentos — entre eles, a chef Helene (Sienna Miller), com quem desenvolve uma relação de tensão e admiração. Em meio a desafios pessoais, rivalidades profissionais e uma pressão constante por excelência, Adam precisará não só dominar a cozinha, mas também a si mesmo.

O elenco ainda conta com nomes como Emma Thompson (Razão e Sensibilidade, Nanny McPhee), Uma Thurman (Kill Bill, Pulp Fiction), Matthew Rhys (The Americans, O Escândalo), Omar Sy (Intocáveis, Lupin), Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa, Ex Machina) e Riccardo Scamarcio (John Wick: Um Novo Dia para Matar, Três Andares), compondo um painel vibrante e internacional. A trilha sonora e a direção de arte reforçam o ritmo intenso da cozinha e o clima sofisticado da gastronomia contemporânea.

Disponível também em streaming

Além da exibição na TV Globo, Pegando Fogo está disponível para assinantes nas plataformas Globoplay, Netflix e Telecine.

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