Confirmado! Jon Bernthal estará em Homem-Aranha: Um Novo Dia e rumores indicam aliança explosiva com o Justiceiro e o Multiverso

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A última sexta-feira, 20 de junho, trouxe uma notícia que abalou o universo Marvel: Jon Bernthal, intérprete do implacável Justiceiro (Frank Castle), foi oficialmente confirmado no elenco de Homem-Aranha: Um Novo Dia, próximo longa do herói vivido por Tom Holland. A revelação atiçou a curiosidade dos fãs, já que ainda não foram divulgados detalhes sobre o papel que ele desempenhará na trama — apenas que sua presença será significativa e cheia de implicações.

A participação de Bernthal reacende especulações antigas que circulam nos bastidores do Marvel Studios. Um dos rumores mais persistentes sugeria uma parceria entre o Homem-Aranha e o Demolidor (Charlie Cox) para enfrentar o Rei do Crime (Vincent D’Onofrio), o poderoso vilão urbano já introduzido nas séries do estúdio. No entanto, tudo indica que a dinâmica pode ser diferente: ao invés do Homem Sem Medo, o novo aliado do Teioso seria o Justiceiro — um personagem muito mais violento e de moral ambígua. Caso essa substituição se confirme, Um Novo Dia poderá adotar um tom mais sombrio e maduro, aprofundando o lado mais urbano do universo Marvel nos cinemas.

E as novidades não param por aí.

Outra adição empolgante ao elenco é Sadie Sink, a estrela de Stranger Things, que também entrou oficialmente para o universo Marvel. Seu papel ainda está sendo mantido em segredo, mas rumores apontam que sua personagem será central na nova fase do Homem-Aranha. Entre as teorias que circulam entre insiders e fãs, Sadie já foi especulada como uma versão alternativa de Mary Jane Watson, como uma jovem Jean Grey ou até como a heroína Jackpot — personagem que ganha destaque nos quadrinhos ligados ao arco “Brand New Day”, que inspirou o título do filme.

Contudo, a hipótese mais recente — e também a mais surpreendente — sugere que Sink interpretaria Mayday Parker, a filha de Peter Parker. Mas não se trata da filha do Peter de Tom Holland: segundo os rumores mais ousados, ela seria filha do Peter de Tobey Maguire, cuja aparição estaria programada como parte do multiverso explorado no longa. Isso faria de Um Novo Dia uma continuação emocional do sucesso Sem Volta Para Casa, resgatando personagens icônicos e expandindo o legado do Aranha através de gerações.

Essa possível presença de Maguire e a introdução de sua filha como heroína abrem um leque de novas possibilidades para o universo Marvel, incluindo potenciais spin-offs com jovens heróis, novos arcos familiares e histórias que unam diferentes cronologias de forma ainda mais profunda.

Enquanto o estúdio mantém silêncio sobre a trama e as conexões com o multiverso, a presença de nomes como Bernthal, D’Onofrio e Sink aumenta as expectativas de que Homem-Aranha: Um Novo Dia será um divisor de águas — tanto para o herói quanto para o futuro do MCU.

Estreia de Como Treinar o Seu Dragão ganha combo exclusivo na Cinesystem

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Foto: Reprodução/ Almanaque Geek

A ilha de Berk já pousou nas telonas — e com ela, toda a magia, emoção e aventura de Como Treinar o Seu Dragão, agora em versão live-action. Em cartaz nos cinemas desde o dia 12 de junho de 2025, o longa conquistou corações antigos e novos com sua releitura visualmente deslumbrante e fiel à essência da história original. E para tornar a experiência ainda mais imersiva, a Cinesystem preparou um combo especial que virou objeto de desejo entre fãs de todas as idades — especialmente os apaixonados por Banguela.

🎁 Um combo que é puro tesouro viking

Mais do que um simples lanche de cinema, o combo exclusivo da Cinesystem é praticamente um artefato digno dos salões de Valhala. O grande destaque é o balde de pipoca colecionável em duas partes, inspirado no adorável dragão Fúria da Noite. A parte inferior representa o corpinho ágil e simpático de Banguela, enquanto a tampa articulada traz sua cabeça detalhada, formando uma mini escultura do personagem — perfeita para colecionadores, fãs e, claro, para quem quer curtir o filme com estilo.

Acompanhado de pipoca quentinha e bebida, o combo transforma qualquer sessão em uma verdadeira jornada à ilha de Berk, onde dragões e vikings aprendem, entre batalhas e descobertas, a superar medos e preconceitos.

🎬 O filme: uma nova geração de voos

Dirigido por Dean DeBlois, o mesmo responsável pela trilogia animada de sucesso, o novo Como Treinar o Seu Dragão combina tecnologia de ponta, atuações cativantes e emoção de sobra. Na trama, Soluço (vivido por Mason Thames) é um jovem viking curioso e criativo que não se encaixa nas expectativas do pai, o Chefe Stoico (Gerard Butler). Tudo muda quando ele encontra Banguela, um temido Fúria da Noite, e opta por protegê-lo — dando início a uma amizade que desafia a lógica da aldeia e transforma o destino de todos.

Com Nico Parker também no elenco, o filme tem 2h05min de duração, classificação livre e já está encantando plateias com sua mistura perfeita de aventura, ternura e mensagens atemporais sobre empatia, coragem e liberdade.

🐲 Uma experiência de cinema que vai além da tela

Seja para quem cresceu ao lado de Soluço e Banguela ou para quem está conhecendo esse universo agora, a nova versão de Como Treinar o Seu Dragão é um presente cinematográfico. E com o combo temático da Cinesystem, assistir ao filme vira um ritual completo — com direito a pipoca, brindes incríveis e aquele frio na barriga de quem está prestes a voar sobre penhascos ao lado de um dragão.

Não perca essa aventura nas telonas. Prepare seu grito viking, agarre seu Banguela de balde na mão e embarque nessa jornada épica.

Vidas Efêmeras marca a estreia literária de Luiz Gustavo Oliveira com fantasia intensa e reflexiva

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O que é que faz a vida valer a pena quando tudo ao redor parece ruir? É essa a pergunta que paira como névoa sobre as páginas de Vidas Efêmeras: Parte I, romance de estreia do escritor Luiz Gustavo Oliveira da Cunha, que chega ao cenário literário com uma proposta ousada: cruzar o épico e o íntimo, a brutalidade da guerra e a delicadeza da memória.

Ambientado em Proélia — um país fictício devastado por pragas, guerras e segredos enterrados — o livro acompanha a trajetória de Elena, uma comandante mercenária que herda a liderança da Irmandade dos Corvos após a morte do pai. Mas o que começa como uma missão pragmática para conter o avanço da chamada “praga vermelha” logo se transforma em um mergulho existencial nos limites da alma humana.

“Não é só uma história de vingança”, diz o autor Luiz Gustavo em entrevista. “É também sobre entender o que fazer com o que herdamos — da nossa família, do nosso povo, da nossa dor.”

Um mundo corroído pela doença… e pelas memórias

A tal praga, longe de ser apenas um elemento típico da fantasia medieval, ganha contornos quase filosóficos: transforma suas vítimas em criaturas desfiguradas, sedentas de sangue, mas sobretudo, despidas de memória — uma metáfora clara sobre o apagamento histórico e espiritual. O que está em jogo, afinal, não é apenas a vida dos corpos, mas a continuidade de um povo e suas crenças.

Nesse cenário apocalíptico, Elena se vê diante de um dilema que ecoa os clássicos dilemas morais de Dostoiévski: matar o Duque Consumido de Aveiro — homem que supostamente matou seu pai — resolverá o passado, ou a devorará por dentro? É a partir dessa tensão que o enredo se expande: a vingança é motor, mas o que move a obra é a busca por sentido.

Ecos de Lovecraft e Dostoiévski num épico visceral

Luiz Gustavo não esconde suas influências: há ecos evidentes do horror cósmico de Lovecraft — com seres antigos, mistérios celestes e terrores indizíveis — mas também uma estrutura narrativa mais densa, repleta de introspecção, dilemas morais e devaneios metafísicos à Dostoiévski. Essa fusão dá ao livro um ritmo incomum: ao invés da fantasia baseada em combates e glória, o que vemos são dúvidas, silêncios, confrontos internos.

Elena não é uma heroína tradicional. Ela é fraturada, violenta, reflexiva e muitas vezes perdida dentro de si. A cada avanço físico no território corrompido pela praga, há um retrocesso mental, uma volta à infância, às crenças do pai, às profecias do misterioso “profeta sem-nome” que fundou a estaca sagrada de Proélia.

Um tratado poético sobre a efemeridade

Apesar de suas criaturas sombrias, assassinatos e conspirações palacianas, Vidas Efêmeras é, no fundo, uma meditação sobre o tempo. “Temos pouco tempo”, diz uma das personagens enigmáticas do livro, “mas ainda assim, desejamos eternidade.”

A prosa de Luiz Gustavo acompanha esse espírito. Em meio a sequências de ação, surgem parágrafos quase líricos, repletos de imagens poéticas, onde a narrativa se desdobra em lembranças, visões e sonhos. A ancestralidade — tanto mística quanto biográfica — é o fio que costura tudo. O leitor se vê confrontado com um universo onde a fé é tanto uma arma quanto um consolo, e onde cada escolha reverbera através das gerações.

Do papel para as rodas de leitores

Desde seu lançamento independente, Vidas Efêmeras: Parte I vem chamando atenção em clubes de leitura, fóruns de fantasia sombria e redes sociais. Parte do sucesso vem justamente dessa complexidade rara em obras do gênero: o livro não entrega respostas fáceis. Ele convida o leitor a habitar um mundo quebrado — e, como Elena, tentar compreendê-lo aos pedaços.

A Parte II já está sendo escrita, e promete expandir o universo de Proélia, explorar novas camadas de mitologia e mergulhar ainda mais fundo na alma de seus personagens. Mas, por ora, o que fica é a lembrança de um mundo onde tudo é efêmero — exceto o impacto que certas histórias deixam.

Resenha – Feitos Um Para o Outro é um romance sobre as dores e contradições do crescer juntos

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Foto: Reprodução/ Almanaque Geek

Feitos Um Para o Outro, da autora italiana Biondi, é um romance que se apresenta inicialmente como uma delicada narrativa sobre um casal jovem tentando se encontrar na turbulência dos primeiros anos da vida adulta. A trama, situada em Bolonha, acompanha Manuel e Mia, dois jovens que dividem um pequeno quarto num alojamento estudantil, imersos em uma realidade marcada por sonhos, inseguranças e as pressões da independência.

A escrita de Biondi revela sensibilidade e sutileza ao retratar as nuances emocionais de um relacionamento em sua fase inicial — sem recorrer ao melodrama exagerado ou a clichês desgastados. O texto navega habilmente entre as esperanças e as dúvidas típicas de quem encara o futuro com certa ansiedade, traduzindo em diálogos naturais e cenas cotidianas as tensões entre afeto e conflito.

No entanto, apesar de suas qualidades narrativas, o livro carrega uma controvérsia que polariza opiniões: o tratamento dado à traição cometida por Mia.

Aqui reside o principal desafio da obra. A autora escolhe abordar a traição de forma relativamente superficial, sem aprofundar as complexas implicações emocionais e éticas do ato. A decisão unilateral de Mia — que pede demissão sem diálogo prévio, abalando a estabilidade financeira que ambos buscavam — e, sobretudo, a traição, são fatos que poderiam render uma análise profunda sobre maturidade, confiança e consequências. Contudo, Biondi opta por minimizá-los na narrativa.

Além disso, Mia é retratada com uma ambiguidade problemática: sua postura parece simbolizar uma resistência ao amadurecimento. Ela valoriza o lazer e a liberdade ao lado dos amigos e rejeita a cobrança legítima de Manuel por responsabilidade e compromisso. Por sua vez, Manuel, que sonha em ser escritor e trabalha numa pizzaria para se sustentar, é caracterizado como alguém quase obsessivo e desequilibrado, numa inversão que gera desconforto, pois coloca a vítima da traição como antagonista da história.

Essa dinâmica – que transforma Manuel em um “vilão” na percepção da própria parceira e do círculo social dela – levanta questões importantes sobre representação de gênero, responsabilidade afetiva e o que se considera “culpa” num relacionamento. A narrativa, ao promover uma reconciliação rápida e quase sem consequências reais, perde a oportunidade de explorar os dilemas e as dores que acompanham uma traição, assim como a reconstrução (ou não) da confiança.

Para leitores que valorizam a profundidade emocional e a coerência psicológica, o livro pode parecer simplista ou até ingênuo na resolução dos conflitos. O perdão, no romance, não exige tempo, nem reflexão profunda, nem crescimento genuíno — e isso pode soar como uma romantização perigosa de uma falha grave.

Contudo, é justamente essa ambivalência que torna Feitos Um Para o Outro um texto instigante. A obra não oferece respostas definitivas nem pretende julgar seus personagens com rigidez moral. Em vez disso, convida o leitor a refletir sobre as complexidades do amor jovem, as contradições do amadurecimento e os limites da tolerância nas relações afetivas.

Manuel e Mia são personagens imperfeitos, com sonhos conflituosos e inseguranças típicas da idade. Talvez eles nunca tenham sido, na realidade, “feitos um para o outro” no sentido romântico idealizado, mas são, sim, retratos verossímeis da confusão que é crescer amando.

Em síntese, Feitos Um Para o Outro é uma obra recomendada para leitores que buscam mais do que um romance açucarado, que estejam dispostos a enfrentar as sombras e os incômodos do amor real. É um convite a entender que a vida adulta, com suas responsabilidades e escolhas, nem sempre permite finais lineares ou simples — e que o amor, por mais lindo que seja, também é um terreno de complexidade e desafio.

Live-action de Como Treinar o Seu Dragão quebra recordes no Brasil e emociona gerações

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O primeiro live-action da Universal Pictures, inspirado no clássico animado “Como Treinar o Seu Dragão”, chegou voando aos cinemas brasileiros e já é um fenômeno! Lançado oficialmente em 12 de junho, o filme conquistou 1,9 milhão de espectadores e já arrecadou mais de 42 milhões de reais, tornando-se a maior abertura da DreamWorks no Brasil, desbancando pesos-pesados como Gato de Botas 2: O Último Pedido e Kung Fu Panda 4.

E não para por aí: o longa já garantiu o posto de terceiro maior lançamento do ano no país, permanecendo em 1.764 telas com exibições para todos os gostos — dublado, legendado, IMAX, DBox e 4DX.

🐉 Um lançamento digno de dragão

O lançamento do filme foi uma verdadeira celebração para fãs de todas as idades. Além da chegada do longa às telonas, o público foi presenteado com ações promocionais que transformaram cidades em verdadeiros cenários da Ilha de Berk.

Entre os dias 24 e 28 de maio, o Brasil recebeu a visita estrelada do diretor Dean DeBlois e dos atores Gerard Butler (Stoico), Mason Thames (Soluço) e Nico Parker (Astrid), que passaram por São Paulo em eventos lotados e cheios de emoção.

Mas quem roubou a cena mesmo foi ele: Banguela, o carismático dragão Fúria da Noite. Uma estátua gigante do personagem, com 2 metros de altura e 5,2 metros de comprimento, tem feito uma jornada digna de herói: já passou pelos shoppings Cidade São Paulo e Tietê Plaza e agora está no Shopping D até 23 de junho. Depois, alça voo até a Roda Rico, onde ficará de 23 de junho a 10 de julho.

No Rio, o dragão também marca presença: ele está no UCI do Shopping NYCC até 20/6, depois segue para a Loja BK da Av. Dom Hélder Câmara (20 a 30/6) e encerra sua turnê no Parque Bondinho, entre 30/6 e 31/7.

✨ A magia da amizade além das telas

Baseado na aclamada série de livros de Cressida Cowell, o filme traz uma abordagem mais madura e emocional para a história que conquistou o mundo nos cinemas há mais de uma década.

A narrativa acompanha o jovem Soluço (Mason Thames), um garoto viking criativo, sensível e constantemente subestimado, que vive à sombra de seu pai, o chefe Stoico (Gerard Butler). Tudo muda quando ele captura um dragão lendário — mas, em vez de matá-lo, cria um laço inesperado de amizade com o animal, batizado carinhosamente de Banguela.

Ao lado da destemida Astrid (Nico Parker) e do hilário ferreiro Bocão Bonarroto (Nick Frost), Soluço embarca numa jornada que vai além de batalhas e lendas. O trio encara uma sociedade dividida pelo medo, revelando que dragões podem ser aliados — e que a verdadeira coragem está em desafiar o que nos foi ensinado.

Com uma fotografia épica, trilha sonora emocionante e atuações comoventes, o live-action entrega um conto de amadurecimento, superação e reconciliação com o passado, honrando o legado da animação original e abrindo caminho para novos fãs.

🎬 Um marco na história da DreamWorks e da Universal

Essa é a primeira adaptação em live-action da história da Universal Pictures — e o sucesso não poderia ser mais simbólico. “Como Treinar o Seu Dragão” não só respeita a mitologia construída nos filmes anteriores como também humaniza seus personagens, trazendo uma camada de profundidade emocional que encanta crianças e toca adultos.

É uma jornada de descobertas, perdas, encontros e recomeços — tudo embalado por um visual deslumbrante e dragões que, mesmo gigantes e cuspindo fogo, têm olhos que falam.

📍Ainda dá tempo de voar com Banguela!

O filme segue em cartaz nos cinemas de todo o Brasil. Leve seu filho, seu amor, seus amigos, ou vá sozinho — e se prepare para sair com o coração aquecido, os olhos marejados e a certeza de que a verdadeira força está na amizade.

Resenha – Fios de Ferro e Sal narra a mitologia, resistência e o Brasil que (quase) esqueceram

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Fios de Ferro e Sal não é só um livro de fantasia histórica. É um mergulho profundo nas feridas abertas da nossa história, um convite para escutar as vozes que o tempo, o poder e o silêncio tentaram apagar. Escrito com lirismo e coragem, o livro resgata o Brasil do século XIX — mas não aquele que aparece nos livros didáticos, cheio de imperadores, corte e progresso. Aqui, a história é contada a partir das margens, das senzalas, das jangadas, dos terreiros e dos navios negreiros. É um Brasil de ferro, sal, suor e resistência.

A narrativa começa com Kayin, um homem negro cativo, acorrentado em um navio negreiro. Ele carrega em si o peso da dor, mas também a força de Ogum, o orixá da guerra e da tecnologia. Quando quebra suas correntes usando os dons aprendidos com o deus do ferro, não está apenas se libertando — está dando início a uma rebelião que desafia o sistema escravista com sangue, coragem e espiritualidade. É impossível não se arrepiar com esse começo. Kayin não é herói de capa, é herói de carne, cicatriz e alma.

Do outro lado da costa, nas areias do Aracati, no Ceará, vive Ekundayo, um griô — ou seja, um guardião da memória ancestral. Velho, sábio e ainda lutando por justiça, ele tenta conter o tráfico negreiro que continua devastando vidas naquela região. Um dia, ele recebe uma missão direta de Yemanjá: resgatar um grupo de pessoas à deriva no mar. Para isso, precisará reunir um grupo improvável: Tia Nanci, uma entidade em forma de aranha que se diz senhora de todas as histórias (e que transita entre o cômico, o assustador e o sábio com uma naturalidade impressionante); Afogado, um homem misterioso com um passado enterrado nas águas; e os jovens Iracema e Valentim, dois jangadeiros corajosos e sonhadores.

A viagem deles a bordo de uma jangada em mar aberto não é só física — é espiritual, política, mítica. Cada personagem carrega consigo não apenas um destino, mas uma ancestralidade. E o mar, tão presente e tão simbólico, deixa de ser apenas cenário e vira personagem também: ora mãe, ora inimigo, ora tumba, ora caminho para o renascimento.

O mais bonito do livro talvez seja como ele costura mitologia, fantasia e realidade de forma orgânica. Não se trata de “colocar orixás na história do Brasil”, mas de reconhecer que essas histórias já estavam aqui, antes mesmo de o Brasil ter nome. A fantasia aqui não foge da dor, ela a confronta — e, com isso, também cura.

Fios de Ferro e Sal é sobre resistência, sim, mas também sobre afeto, sobre escuta, sobre o poder das palavras e das memórias que resistem mesmo quando tudo parece querer apagá-las. Não é uma leitura leve — mas é necessária, urgente, transformadora. É um desses livros que deixam marcas. Que fazem a gente querer aprender mais, ouvir mais, contar mais. E que lembram que às vezes, contar uma história é um ato de salvação.

Se você procura uma fantasia verdadeiramente brasileira, cheia de alma, com personagens complexos e uma trama que pulsa com vida e ancestralidade, esse livro é pra você. E mesmo que não esteja procurando, talvez você precise dele. Porque algumas histórias precisam ser ouvidas. Porque algumas dores precisam virar mar.

Resenha – A Sombra do Torturador é um clássico intrigante com luzes e sombras

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Gene Wolfe é um autor frequentemente reverenciado dentro da ficção científica e da fantasia especulativa, e A Sombra do Torturador — primeiro volume da série O Livro do Sol Novo — é tido por muitos como seu trabalho mais emblemático. A obra narra as memórias de Severian, um aprendiz da guilda dos torturadores, que vive em um mundo chamado Urth, uma Terra futura e decadente, onde tecnologia e misticismo coexistem sob um véu de ignorância e tradição feudal.

A premissa é instigante. Wolfe nos introduz a um universo que, à primeira vista, remete à fantasia medieval, mas que aos poucos revela pistas de um passado tecnológico avançado — naves espaciais, alienígenas e ruínas de eras esquecidas aparecem apenas como sombras, memórias distorcidas por milênios. O autor escolhe construir sua narrativa por meio de um narrador pouco confiável, o próprio Severian, que tenta reconstruir sua trajetória com um tom confessional e quase mítico. Isso funciona… até certo ponto.

Um começo promissor que perde o fôlego

A jornada de Severian começa de forma sólida. Ele é curioso, inteligente e visivelmente dividido entre o que aprendeu com sua guilda e o que começa a sentir por conta própria. Quando se apaixona por Thecla, uma prisioneira nobre condenada à tortura, vemos surgir a primeira grande rachadura em sua lealdade — e, teoricamente, o ponto de virada do personagem.

Só que essa complexidade inicial dá lugar a um roteiro repetitivo: Severian segue viagem após ser expulso da guilda, vivendo aventuras episódicas, conhecendo personagens (geralmente mulheres que se encantam por ele sem muito esforço narrativo), dominando habilidades com espadas quase do nada e avançando rumo a um tal “destino grandioso” que nunca se justifica de forma convincente. É como se o personagem passasse de promissor a uma caricatura de herói trágico num piscar de olhos.

Narrativa densa ou apenas dispersa?

Muito se diz que Wolfe é um autor “difícil”. Mas A Sombra do Torturador não é, em si, um livro complicado. Ele apenas exige atenção e, talvez, um dicionário por perto — principalmente porque o autor adota uma linguagem arcaica e evita qualquer glossário ou explicação direta. Isso não é um problema por si só. O que realmente pesa é o ritmo quebrado, o excesso de digressões e o enredo que mais parece um mosaico de cenas do que uma trama que progride.

A escrita, muitas vezes louvada como brilhante, soa ornamental demais após certo ponto, perdendo impacto à medida que Wolfe se afasta da construção dramática inicial e se entrega a um desfile de personagens misteriosos e situações mal resolvidas.

Sexualidade e representação: o velho problema de sempre

Um dos pontos mais desconfortáveis da leitura é o tratamento dado às personagens femininas. Não é apenas o fato de Severian se apaixonar por praticamente toda mulher que encontra — o que, convenhamos, já seria cansativo. É a forma como o autor insiste em descrever constantemente seios, quadris e outras partes do corpo feminino com um olhar quase obsessivo. As mulheres são, em sua maioria, coadjuvantes sexuais, moldadas para se entregar ao protagonista com pouca ou nenhuma construção.

Esse olhar masculino antiquado é algo comum em parte da ficção científica clássica, mas não deveria ser normalizado. Em pleno século XXI, o status de “clássico” precisa ser questionado quando o que se vê é uma sucessão de mulheres bidimensionais e erotizadas ao redor de um protagonista egocêntrico e mal desenvolvido.

E afinal, por que ele está contando essa história?

Outro ponto que enfraquece a experiência é a própria estrutura da narrativa. Sabemos que Severian é um narrador não confiável. Sabemos também que Wolfe, dentro da lógica do livro, se coloca como o “editor” do manuscrito original. Mas… qual o propósito da história que nos é contada? Qual o contexto? Por que deveríamos confiar em qualquer coisa dita? A ausência de pistas ou direção sobre as intenções do protagonista (ou do próprio autor) acaba tornando a leitura frustrante, especialmente para quem não pretende seguir com os outros volumes.

M3GAN 2.0 chega chegando! Novo trailer revela bastidores e promete ainda mais ação e terror tecnológico

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Se você curtiu o primeiro M3GAN e ficou grudado na cadeira com aquela boneca de inteligência artificial que não está pra brincadeira, prepare-se: a continuação está chegando com tudo — e já com um gostinho especial para os fãs! A Universal Pictures acabou de liberar um trailer de bastidores recheado de depoimentos do elenco e do próprio James Wan, o mestre do terror moderno, junto com cenas inéditas de tirar o fôlego.

O sucesso de M3GAN em 2023 foi estrondoso: mais de 180 milhões de dólares em bilheteria, com um orçamento humilde de menos de 12 milhões. Não é pouca coisa! A história original já mexia com nossos medos mais tecnológicos — uma boneca criada para proteger uma criança, mas que acaba usando métodos… digamos, pra lá de violentos para garantir essa proteção. Na sequência, a trama fica ainda mais tensa.

Agora, a criadora da M3GAN, Gemma, se vê numa encruzilhada quando a tecnologia que dá vida à boneca é roubada e transformada em uma arma militar letal chamada Amelia. Sem muitas opções, ela precisa trazer a M3GAN de volta — só que desta vez, turbinada, mais rápida, mais forte e, claro, mais perigosa. Dá pra imaginar o caos, né?

O elenco reúne nomes que já passaram por produções queridinhas do público. Allison Williams (a protagonista de Corra! e a estrela de Girls) volta para liderar o time. Violet McGraw, que você deve lembrar de Invocação do Mal 2 e Halloween Kills, também está de volta, trazendo toda a emoção do papel da criança sob tutela da boneca. Entre os novos nomes, Jenna Davis (Unpregnant), Amie Donald (Sweet Tooth), Ivanna Sakhno (Falcão Negro em Perigo), Brian Jordan Alvarez (Will & Grace), Jen Van Epps (Criminal Minds), Aristotle Athari (The Afterparty) e Timm Sharp (The Last Man on Earth) completam o elenco — uma turma afiada que promete dar conta do recado.

No comando, Gerard Johnstone assume a direção e também assina o roteiro, adaptando os personagens originais criados por Akela Cooper e o próprio James Wan. Ou seja: a receita para um filme cheio de tensão, surpresas e aquele mix perfeito de terror e ficção científica está garantida.

Anota aí na agenda: M3GAN 2.0 estreia nos cinemas dia 27 de junho de 2025 — ou seja, daqui a pouquinho! Prepare-se para ver até onde uma boneca pode ir para proteger… e aterrorizzar.

Confira os filmes que chegam aos cinemas nesta quinta, 19 de junho

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Se você estava esperando uma boa desculpa pra correr pro cinema, chegou a hora! Esta quinta-feira, 19 de junho, marca a estreia de três filmes bem diferentes, mas com algo em comum: todos prometem mexer com sua imaginação, suas emoções e, quem sabe, até com seus conceitos de humanidade. Prepare-se para conhecer um menino que vira embaixador da Terra sem querer, uma sociedade tentando sobreviver três décadas após o apocalipse zumbi e dois jovens que transformam uma vida fora da lei numa jornada quase poética.

Dirigido por Adrian Molina e distribuído pela Disney, Elio é uma animação de aventura e drama com 89 minutos de duração. O elenco de vozes traz nomes como Yonas Kibreab (na pele do protagonista), Zoe Saldana e Jameela Jamil. A produção é mais uma aposta da Pixar em unir sensibilidade e imaginação, misturando temas como identidade, pertencimento e amadurecimento em uma jornada intergaláctica com visual deslumbrante e narrativa tocante.

Na história, Elio é um garoto criativo, introspectivo e que se sente deslocado no mundo. Tudo muda quando ele é, por engano, transportado para o Communiverse — uma organização interplanetária formada por representantes de diferentes galáxias. Lá, ele é confundido com o embaixador da Terra. Sem saber o que fazer, Elio precisa se adaptar, lidar com criaturas bizarras, enfrentar desafios inesperados e, acima de tudo, descobrir quem ele é de verdade. Uma aventura sensível e cheia de humor sobre encontrar seu lugar no universo.

Com direção de Danny Boyle e roteiro de Alex Garland, Extermínio: A Evolução marca o retorno impactante da icônica franquia de terror iniciada em 2002. O elenco conta com Aaron Taylor-Johnson, Jodie Comer e Alfie Williams. O longa retoma o universo distópico onde um vírus devastador transformou humanos em criaturas violentas e irracionais. Agora, quase 30 anos depois, a história avança em um mundo onde os poucos sobreviventes enfrentam novas ameaças — inclusive entre os próprios humanos.

Décadas após o vírus da raiva escapar de um laboratório e devastar a civilização, um grupo de sobreviventes vive isolado em uma ilha cercada de muros e conectada ao continente por uma única via protegida. Quando alguns membros precisam sair em uma missão arriscada, descobrem que as mutações atingiram não apenas os infectados, mas também os seres humanos que resistiram à catástrofe. Em meio ao caos e à evolução do horror, segredos obscuros e dilemas morais vêm à tona. Um suspense apocalíptico que mistura adrenalina, crítica social e reflexões sobre o que restou da humanidade.

La Chimera – A Odisseia de Enéias é uma produção italiana dirigida e roteirizada por Pietro Castellitto, que também protagoniza o longa ao lado de Giorgio Quarzo Guarascio e Benedetta Porcaroli. O filme é um drama contemporâneo com elementos de romance, crítica social e coming-of-age, explorando os excessos, vazios e contradições da juventude europeia em meio a um cenário de decadência moral.

A trama acompanha Enéias e Valentino, dois amigos que crescem juntos em uma Roma moderna e decadente, marcada por festas, tráfico de drogas e questionamentos existenciais. Enquanto vivem no limite entre o certo e o errado, os dois constroem uma amizade intensa, quase poética, onde o caos da juventude se mistura com reflexões profundas sobre liberdade, identidade e o sentido da vida. Para a sociedade, suas ações beiram o criminoso; para eles, é apenas a maneira de sobreviver e amar em um mundo que já perdeu os próprios limites.

Dirigido e roteirizado por Roberto Minervini, Os Malditos é um drama histórico que mergulha na dura realidade da Guerra Civil Americana. O elenco principal conta com René W. Solomon, Jeremiah Knupp e Cuyler Ballenger. O filme retrata o rigor de uma missão militar durante o inverno de 1862, explorando não apenas o cenário hostil, mas também as dúvidas e conflitos internos dos soldados diante de uma causa que começa a parecer cada vez mais incerta.

A história acompanha uma tropa de voluntários do exército dos Estados Unidos enviada para patrulhar regiões desconhecidas no oeste em plena Guerra Civil. Confrontados com a dureza do território gelado e hostil, os soldados enfrentam não só os perigos naturais, mas também suas próprias incertezas sobre o propósito da missão. Quando uma tragédia acontece em uma costa remota, a missão muda de rumo e o verdadeiro significado do compromisso que assumiram começa a escapar, fazendo-os questionar até onde vale a pena lutar.

🍿 Então, qual vai ser?

Com opções que vão do space-drama fofo para toda a família, passando pelo thriller distópico cheio de zumbis evoluídos, até o drama existencial de jovens à deriva, as estreias desta semana estão imperdíveis. Seja pra rir, chorar, pensar ou se esconder na cadeira do susto, tem cinema pra todos os gostos.

🎟️ Aproveite, escolha sua sessão e deixe a magia da telona te levar.

Crítica – Extermínio: A Evolução mantém viva a mitologia da saga e mostra que o apocalipse ainda tem fôlego

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Depois de quase duas décadas de espera, o universo pós apocalíptico criado por Danny Boyle e Alex Garland em Extermínio (2002) e expandido em Extermínio 2 (2007) ganha um novo e eletrizante capítulo: 28 Anos Depois. Sob nova direção, o terceiro filme da saga não apenas resgata os elementos clássicos que consagraram a franquia, como também injeta uma nova dose de humanidade, suspense e crítica social em meio a hordas de infectados.

Uma nova geração no centro do caos

A trama se inicia em uma ilha aparentemente protegida da praga viral que devastou o Reino Unido. Ali, uma pequena comunidade sobrevive de forma quase utópica: plantações, treinamentos rígidos e um ritual de passagem inquietante — adolescentes são enviados ao continente aos 15 ou 16 anos para provar sua habilidade em combater zumbis. É nesse cenário que conhecemos Spike e seu pai Jamie, protagonistas dessa nova fase.

O jovem Spike é mais do que um herói improvável. Ele é o espelho de uma geração nascida em ruínas, forjada na ausência de uma civilização tradicional e obrigada a carregar o legado de um apocalipse que nunca viveu, mas do qual precisa sobreviver. Jamie, por sua vez, representa os fantasmas do passado: um pai endurecido pela dor, tentando proteger o filho do mesmo mundo que já o destruiu.

Zumbis além do susto: um continente em decomposição

Ao chegarem ao continente, Spike e Jamie enfrentam um território quase fantasma — resquícios de uma Inglaterra abandonada, mas não esquecida. O filme acerta em cheio ao mostrar o contraste entre o que sobrou da sociedade e o que ela se tornou: ruínas, silêncio e o medo constante do desconhecido. O terror aqui não vem apenas da velocidade e ferocidade dos infectados, mas da sensação sufocante de solidão, abandono e desumanização.

E o longa ainda surpreende ao introduzir novas variantes dos infectados e personagens isolados que conseguiram sobreviver contra todas as probabilidades, revelando nuances emocionantes e inesperadas.

Direção visceral, ritmo afiado

A direção, ainda que diferente do estilo visual de Boyle, é competente e envolvente. Cada cena é carregada de tensão e energia. A trilha sonora cumpre bem o papel de amplificar a angústia, enquanto a fotografia — por vezes crua, por vezes poética — ressalta a beleza sombria de um mundo à beira da extinção.

Não faltam cenas de ação eletrizantes, perseguições de tirar o fôlego e momentos de pura emoção. Mas o ponto mais alto está mesmo na construção emocional dos personagens e no modo como o roteiro lida com a ideia de herança: o que deixamos para os nossos filhos em um mundo que já acabou?

Mais do que um filme de zumbis

28 Anos Depois não é apenas uma continuação ou um bom filme de zumbis — é uma obra sobre sobrevivência, amadurecimento e a busca por um novo sentido em meio ao caos. O longa consegue emocionar, provocar reflexões e, ao mesmo tempo, entregar uma experiência digna das melhores sessões de cinema: intensa, catártica e imprevisível.

Sem dar spoilers, fica a dica: vá preparado para mais do que sangue e sustos. Spike entrega não só coragem, mas também alma. E isso faz toda a diferença.

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