A partir do dia 13 de novembro de 2025, o público brasileiro poderá conferir nos cinemas Entre Duas Mulheres, nova comédia da diretora canadense Chloé Robichaud, uma das vozes mais potentes do cinema contemporâneo. O longa, um remake do clássico quebequense de 1970, revisita a história de duas mulheres aparentemente acomodadas que decidem desafiar o que se espera delas — e, no processo, redescobrem o prazer de viver.
A trama acompanha Violette (Karine Gonthier-Hyndman), que tenta se equilibrar entre a maternidade e a perda de si mesma, e Florence (Laurence Leboeuf), uma vizinha que enfrenta uma depressão silenciosa. Ambas têm vidas estáveis, parceiros presentes e carreiras consolidadas — mas também carregam o vazio de quem vive conforme o roteiro dos outros.
O ponto de virada surge de forma inesperada: um entregador bate à porta e muda tudo. O encontro, que poderia ser apenas um flerte passageiro, se transforma em uma espécie de despertar. A partir daí, as duas iniciam uma jornada que mistura desejo, cumplicidade e um questionamento profundo sobre o que realmente as faz felizes.
Robichaud conduz essa história com o mesmo olhar sensível que marcou seus trabalhos anteriores, transformando temas pesados — como o tédio conjugal, a solidão e o papel da mulher moderna — em uma narrativa leve, provocante e cheia de humor. O riso, aqui, não é fuga; é resistência.
A diretora, premiada no Festival de Sundance, aposta em uma comédia que fala de prazer sem culpa, de maternidade sem romantização e de amor sem regras. É uma obra que entende o humor como ferramenta de empatia, e não de julgamento.
Um elenco que vibra autenticidade
O elenco feminino é o coração pulsante do filme. Karine Gonthier-Hyndman e Laurence Leboeuf entregam performances intensas e cheias de nuances, dando às personagens uma humanidade rara — mulheres que oscilam entre o riso e o choro, o desejo e o medo, o impulso e a dúvida.
Ao lado delas, estão Félix Moati, Mani Soleymanlou, Juliette Gariépy e a premiada Sophie Nélisse (A Menina que Roubava Livros, Yellowjackets), que reforçam o elenco com interpretações vibrantes e cheias de verdade.
Um olhar feminino sobre o corpo e o desejo
Mais do que uma comédia romântica, Entre Duas Mulheres é um manifesto sobre a autonomia feminina. Baseado na peça de Catherine Léger, o roteiro questiona como o mundo contemporâneo lida com o desejo e a monogamia, e o quanto as mulheres ainda se sentem presas a papéis antigos — mesmo em tempos de aparente liberdade.
Chloé Robichaud filma tudo em 35mm, com uma estética quente e naturalista que valoriza o toque, a pele, o gesto cotidiano. A câmera da diretora Sara Mishara recusa o olhar voyeur e transforma o corpo feminino em território de expressão, e não de exposição. A ambientação em uma cooperativa habitacional ecológica reforça o contraste entre o ideal de coletividade e a necessidade de se afirmar como indivíduo.
O amor está prestes a florescer novamente — desta vez, em forma de anime. O clássico mangá Hana-Kimi (Hanazakari no Kimitachi e), uma das histórias mais queridas e divertidas dos anos 2000, finalmente ganhará sua primeira adaptação animada, com estreia marcada para 4 de janeiro de 2026 na Crunchyroll. Produzida pelo estúdio Signal.MD, conhecido por obras visualmente delicadas como Nina the Starry Bride, a série promete resgatar o charme e o humor da trama original, que conquistou gerações de leitores ao redor do mundo. Abaixo, confira o novo trailer divulgado:
Uma nova vida para um clássico do shoujo
Publicado originalmente entre 1996 e 2004 na revista Hana to Yume, o mangá criado por Hisaya Nakajo marcou época por sua mistura de comédia romântica, drama escolar e toques sutis de questionamento de gênero — algo considerado ousado para sua época. Com mais de 23 volumes e cerca de 17 milhões de cópias vendidas, Hana-Kimi se tornou uma das séries shoujo mais influentes dos anos 2000, inspirando várias adaptações live-action em países como Japão, Taiwan e Coreia do Sul.
Agora, duas décadas após o fim da publicação, os fãs finalmente poderão ver Mizuki, Sano e Nakatsu ganhando vida em animação — com o toque moderno da equipe criativa que promete equilibrar nostalgia e frescor.
Detalhes da produção e equipe criativa
O anime de Hana-Kimi está sendo dirigido por Natsuki Takemura, que recentemente comandou a série infantil Go! Go! Vehicle Zoo, e contará com o estúdio Signal.MD à frente da produção. A equipe técnica inclui Atsuko Nakajima (de Ranma ½ e Tokyo Ghoul:re) no design de personagens, o que indica uma abordagem expressiva e fiel ao traço clássico de Nakajo.
A trilha sonora ficará por conta da dupla YOASOBI, fenômeno do J-Pop conhecida por hits como Yoru ni Kakeru e Idol (tema de Oshi no Ko). Eles assinam tanto a abertura quanto o encerramento da série, algo que já desperta altas expectativas entre os fãs. A combinação entre o pop moderno e o romantismo melancólico da história promete trazer um novo ar à narrativa — unindo passado e presente de maneira envolvente.
Uma história sobre amor, coragem e identidade
Para quem ainda não conhece o enredo, Hana-Kimi acompanha Mizuki Ashiya, uma adolescente nipo-americana apaixonada por esportes — e, principalmente, pelo saltador em altura Izumi Sano, seu grande ídolo. Decidida a conhecê-lo pessoalmente, Mizuki toma uma atitude radical: se disfarça de garoto e se matricula na mesma escola masculina onde ele estuda.
A partir daí, começam as situações hilárias (e muitas vezes emocionantes) de uma vida dupla: esconder sua identidade, conviver com dezenas de rapazes e, para piorar — ou melhorar —, dividir o quarto com o próprio Sano.
Mas, por trás do humor e dos mal-entendidos, Hana-Kimi sempre foi sobre aceitação, descoberta e afeto genuíno. O mangá lida com temas que vão além do romance colegial, explorando questões de gênero, amizade e autoexpressão com uma leveza surpreendente. Personagens como o carismático Nakatsu, que começa a questionar seus sentimentos por “um garoto”, ou a enfermeira Umeda, abertamente gay e espirituosa, são exemplos da representatividade que a obra trazia muito antes de isso se tornar pauta comum nos animes.
O legado de Hana-Kimi
Mesmo após duas décadas, a trama segue sendo lembrada como um dos títulos mais icônicos do gênero shoujo. Ela abriu espaço para discussões sutis sobre sexualidade e gênero em um formato acessível, leve e cheio de humor.
As adaptações anteriores em live-action — como a versão japonesa de 2007 estrelada por Horikita Maki e Oguri Shun, e o remake de 2011 com Maeda Atsuko e Aoi Nakamura — conquistaram imenso sucesso, mas nenhuma delas conseguiu traduzir completamente a energia visual do mangá. O anime, portanto, representa a oportunidade perfeita para dar vida a esse universo com fidelidade e modernidade.
O público paulistano pode esperar uma noite repleta de emoção e boa música. O multiartista Fernando Quesada — conhecido por sua trajetória em bandas como Shaman, Noturnall e Treze Black — será o responsável por abrir o show do Boyce Avenue, no dia 18 de novembro de 2025, na Audio, em São Paulo. As informações são do Pega Essa Novidade.
Com seu projeto “Acústico BR”, Quesada promete esquentar o público com versões repaginadas de clássicos do rock nacional, num formato voz e violão que carrega a mesma energia intimista e emocional que consagrou o trio norte-americano. No repertório, canções de Legião Urbana, Cazuza, Paralamas do Sucesso, Titãs e até Roberto Carlos ganham novas cores e arranjos modernos, mas sem perder a essência que marcou gerações.
“O Boyce Avenue sempre foi uma das minhas maiores influências. Eles provaram que o acústico pode emocionar qualquer público. O Acústico BR é a forma de trazer isso pro nosso rock e conectar gerações”, contou Quesada, animado com a oportunidade de dividir o palco com uma de suas grandes inspirações.
O Acústico BR foi lançado em 2025 e já ultrapassou a marca de 3 milhões de visualizações nas plataformas digitais. O projeto inclui colaborações com Luana Camarah, Paulo Castanholi e Isabella Dervalli, além de um show de estreia no Blue Note SP, durante a série Rolling Stone Sessions, da Rolling Stone Brasil — uma apresentação que consagrou o formato e rendeu elogios da crítica.
Agora, o artista leva essa energia para o palco da Audio, localizada na Av. Francisco Matarazzo, 694, Água Branca, um dos espaços mais queridos pelos fãs de música ao vivo na capital. A casa abrirá as portas às 19h, e o show de Fernando Quesada – Acústico BR será a abertura oficial para a grande apresentação do Boyce Avenue.
Os ingressos já estão disponíveis pelo site uhuu.com, com valores a partir de R$140, podendo ser parcelados em até 12x. A classificação etária é de 18 anos, mas menores podem comparecer acompanhados pelos responsáveis legais.
Para quem quiser garantir um bom lugar, os valores de 1º lote são: R$ 280 (pista), R$ 380 (mezanino) e R$ 480 (camarote). Os ingressos são limitados, e a expectativa é de casa cheia.
Com realização da Opus Entretenimento, o evento marca um dos encontros mais aguardados do ano: o som internacional do Boyce Avenue e o talento nacional de Fernando Quesada, em uma mesma noite. Um show que promete unir gerações e provar, mais uma vez, que a boa música não tem fronteiras — tem sentimento.
A Apple TV+ deixou os fãs do Monsterverse em polvorosa nesta quarta-feira (12) ao liberar o primeiro teaser da segunda temporada de Monarch: Legado de Monstros. O vídeo mostra que o universo de Godzilla continua se expandindo — e promete ser ainda mais explosivo. Entre cenas de destruição em larga escala e uma breve olhada na misteriosa nave que desce até o centro da Terra, quem rouba a cena é Kurt Russell, que aparece com seu carisma habitual.
O teaser vem acompanhado de uma ótima notícia: o trailer completo será divulgado nesta quinta-feira (13). As gravações da nova temporada terminaram em março, e desde então a equipe vinha mantendo o máximo de segredo possível sobre o rumo da história — o que só aumentou a curiosidade dos fãs.
Criada por Chris Black e Matt Fraction, Monarch: Legado de Monstros é uma série produzida pela Legendary Television e ambientada no mesmo universo dos filmes Godzilla e Kong. A produção aposta em um tom mais humano dentro de um mundo devastado por criaturas colossais, explorando o impacto que os Titãs causam não apenas na natureza, mas na vida das pessoas que testemunham o impossível.
A narrativa se divide entre duas linhas do tempo: no presente, acompanhamos Cate e Kentaro Randa, dois irmãos que tentam descobrir o que aconteceu com o pai desaparecido — e o que a organização secreta Monarch tem a ver com isso. Já no passado, cientistas como Bill Randa e Keiko Miura se arriscam nas origens da própria Monarch, contando com o auxílio do ex-militar Lee Shaw, vivido nas diferentes fases por Kurt Russell e Wyatt Russell (que, na vida real, também são pai e filho).
Essa estrutura dupla é um dos maiores acertos da série, que intercala segredos científicos, drama familiar e cenas épicas de destruição em uma mesma respiração.
Um legado que continua crescendo
Quando estreou em 17 de novembro de 2023, Monarch: Legado de Monstros surpreendeu até os fãs mais exigentes de ficção científica. A série foi elogiada por conseguir equilibrar o espetáculo dos monstros com uma história emocionalmente densa, algo que nem sempre é fácil dentro do gênero.
No site Rotten Tomatoes, o título conquistou 87% de aprovação, com o consenso destacando a química irresistível da dupla Kurt e Wyatt Russell. Já no Metacritic, a média ficou em 68 pontos. Para muitos críticos, Monarch encontrou o ponto de equilíbrio perfeito entre blockbuster e drama.
O que esperar da nova temporada
Os detalhes da trama ainda são mantidos sob sigilo, mas o novo teaser já entrega que a série vai mergulhar fundo nos segredos do centro da Terra, conceito que se tornou central no Monsterverse desde Godzilla vs. Kong (2021). A expectativa é que a Monarch descubra novas criaturas e encare ameaças ainda maiores do que as vistas até agora.
Fontes ligadas à produção indicam que a segunda temporada será mais sombria e política, explorando como governos e corporações tentam controlar o poder dos Titãs. Lee Shaw deve ter papel fundamental nessa nova fase — e o carisma de Kurt Russell, claro, segue como um dos principais trunfos da série.
A Apple TV+ ainda não confirmou a data de estreia, mas a previsão é que os novos episódios cheguem no primeiro semestre de 2026.
Um universo que não para de crescer
O sucesso de Monarch: Legado de Monstros mostra o quanto o Monsterverse se consolidou como uma das franquias mais sólidas da cultura pop moderna. Depois do estrondo de Godzilla x Kong: O Novo Império (2024), a série reforça a estratégia da Legendary de expandir o universo para além do cinema, apostando em narrativas paralelas que aprofundam a mitologia dos Titãs.
A contagem regressiva para o retorno de Fallout começou oficialmente. O Prime Video acaba de liberar o trailer da segunda temporada de sua série mais radioativa — e, ao que tudo indica, a jornada dos sobreviventes vai cruzar os limites de um novo e perigoso território: New Vegas. A cidade, que já é conhecida dos fãs de longa data da franquia de jogos, surge agora em sua versão live-action como um oásis de promessas, vícios e segredos em meio ao deserto devastado pela guerra nuclear.
A prévia, que você pode ver logo abaixo, mistura o humor ácido, o visual retrofuturista e a crítica social que marcaram tanto o jogo New Vegas quanto a primeira temporada da série. E, se há algo que o público aprendeu com a produção de Jonathan Nolan e Lisa Joy — os mesmos criadores de Westworld —, é que cada ruína esconde uma história, e cada sobrevivente carrega um passado radioativo.
Do deserto de Los Angeles ao brilho decadente de New Vegas
Após o sucesso estrondoso da primeira temporada, lançada em 10 de abril de 2024, a série retorna expandindo seu universo narrativo. A nova fase seguirá Lucy (Ella Purnell), a jovem do Vault 33, agora em uma nova e perigosa etapa de sua jornada: deixar o deserto californiano para adentrar as ruínas irradiadas de Las Vegas — ou, como agora é conhecida, New Vegas.
Essa cidade, construída sobre as cinzas da antiga civilização, é uma das localidades mais icônicas do universo Fallout. Originalmente apresentada no jogo Fallout: New Vegas (2010), ela simboliza a tentativa humana de preservar o brilho do passado em meio ao caos. No trailer, relances de cassinos destruídos, letreiros de néon piscando entre escombros e uma fauna humana moralmente ambígua dão o tom do que está por vir.
Lucy, que na primeira temporada passou de uma inocente moradora de um abrigo subterrâneo a uma sobrevivente endurecida, agora enfrenta o desafio de compreender o verdadeiro preço da esperança. A busca pelo pai, iniciada no deserto de Los Angeles, continua — mas, em New Vegas, cada pista vem acompanhada de um custo alto demais.
O retorno do Necrótico e o peso da humanidade perdida
Entre os personagens que retornam, um nome já chama atenção no trailer: The Ghoul, ou “O Necrótico”, interpretado por Walton Goggins (The White Lotus, The Hateful Eight). O ator foi um dos grandes destaques da primeira temporada, e sua presença carismática e trágica volta a roubar a cena.
Goggins dá vida a um caçador de recompensas deformado pela radiação — uma figura que sintetiza o espírito de Fallout: alguém entre a monstruosidade e a humanidade. No novo trailer, seu rosto parcialmente corroído contrasta com o olhar humano por trás dos destroços, lembrando ao público que, em um mundo pós-apocalíptico, ser um “ghoul” talvez seja mais uma questão moral do que física.
Em entrevistas anteriores, o ator já havia descrito seu personagem como “uma lembrança viva do que o mundo perdeu e do que ele ainda se recusa a abandonar”. Na nova temporada, o Necrótico parece mais complexo: ora um vilão impiedoso, ora um homem tentando resgatar o que sobrou de sua alma.
Um sucesso radioativo e inesperado
Quando o Prime Video anunciou, em 2020, que havia adquirido os direitos da Bethesda Game Studios para adaptar Fallout, muitos fãs receberam a notícia com ceticismo. O histórico de adaptações de videogames não era dos mais promissores, e a mitologia densa da série — repleta de ironia política, crítica social e absurdos radioativos — parecia um desafio quase impossível de transpor para a televisão.
Mas o que Nolan e Lisa Joy fizeram surpreendeu até os mais exigentes. Com produção da Kilter Films e supervisão direta de Todd Howard, a série encontrou um equilíbrio raro entre espetáculo visual e narrativa filosófica.
O resultado foi uma das maiores estreias da história da plataforma de streaming: entre abril e maio de 2024, a produção ultrapassou Os Anéis de Poder como a série mais assistida da plataforma. Críticos aplaudiram o trabalho de adaptação — com destaque para a performance de Ella Purnell e para a riqueza estética que recriou o visual retro dos anos 1950 mesclado com a brutalidade do pós-guerra nuclear.
Produção de peso e visão autoral
Parte do sucesso de Fallout vem da aposta da Amazon em uma equipe criativa de alto nível. Jonathan Nolan dirigiu os três primeiros episódios, definindo o tom e o ritmo da narrativa. Lisa Joy, sua parceira criativa, ajudou a moldar o subtexto social e existencial da série — temas como a desigualdade, o autoritarismo e a manipulação da verdade, todos presentes nos jogos originais, foram preservados com cuidado.
Os showrunners Geneva Robertson-Dworet (Capitã Marvel) e Graham Wagner (Silicon Valley) foram contratados em 2022 para dar continuidade ao projeto. O objetivo era claro: construir uma série que conversasse tanto com os fãs veteranos da franquia quanto com um público que nunca havia tocado em um controle.
A aposta deu certo. A fidelidade à mitologia de Fallout — os Vaults, a Irmandade de Aço, as armas nucleares, a estética retrô, os robôs sarcásticos e os mutantes grotescos — se misturou a uma narrativa emocional sobre escolhas e sobrevivência. Cada episódio serviu como uma cápsula moral sobre o que acontece quando a civilização tenta renascer em um mundo que esqueceu o que é humanidade.
A segunda temporada e o desafio de expandir um universo
Se a primeira temporada focou em Los Angeles, o segundo ano promete ampliar o escopo da série, mostrando não apenas novas regiões, mas também novos dilemas morais. New Vegas, conhecida nos jogos por seu tom ambíguo entre glamour e corrupção, surge agora como o cenário perfeito para explorar a dualidade humana.
Nos jogos, a cidade é governada por facções que disputam poder entre ruínas reluzentes. No trailer, é possível ver que essa lógica foi preservada — Lucy e o Necrótico aparecem cercados por novos personagens, cada um representando uma visão de mundo diferente. Há rumores de que a Irmandade de Aço, organização militar que idolatra a tecnologia, terá papel central nos conflitos da temporada.
Crítica social em meio ao caos nuclear
Parte da força da trama sempre esteve na forma como sua narrativa usa o humor negro para discutir temas profundamente humanos. A série continua fiel a essa tradição. Debaixo de todo o visual brilhante e das piadas ácidas sobre refrigerantes nucleares, há uma reflexão constante sobre poder, ganância e sobrevivência.
A sociedade retrô dos anos 1950, que nunca deixou de acreditar no “progresso nuclear”, se transforma em um retrato irônico do nosso próprio tempo — em que o avanço tecnológico caminha lado a lado com a destruição ambiental e a desigualdade.
É essa camada de crítica que diferencia Fallout de outras produções pós-apocalípticas. Ela não se limita à ação ou à estética de ruínas; ela questiona o que o ser humano escolhe preservar quando tudo o mais é perdido.
Futuro da franquia e legado
Com a confirmação da segunda temporada ainda em 2024, o Prime Video deixou claro que aposta na longevidade de Fallout como uma de suas principais marcas. A série não apenas agradou ao público gamer, mas também conquistou um público novo — espectadores fascinados pelo contraste entre a brutalidade do mundo exterior e o humor sardônico de seus personagens.
Além disso, a recepção positiva reacendeu o interesse pelos jogos originais da Bethesda, que registraram aumento significativo nas vendas após a estreia da série. O sucesso também abriu espaço para discussões sobre possíveis spin-offs ambientados em outros locais icônicos da franquia, como Washington D.C. e Boston.
A cineasta norte-americana Kelly Reichardt, aclamada por trabalhos como First Cow e Showing Up, retorna com um novo projeto disponível com exclusividade na MUBI a partir de 12 de dezembro de 2025. Intitulado The Mastermind, o filme transporta o público para um subúrbio pacato de Massachusetts nos anos 1970, onde acompanha o audacioso plano de um ladrão de arte amador, explorando de forma delicada o desejo, a ambição e as falhas humanas por trás de uma fachada de perfeição.
A trama gira em torno de J.B. Mooney, um pai de família desempregado que decide realizar seu primeiro grande assalto. Com o museu meticulosamente estudado e uma equipe de cúmplices recrutada, Mooney acredita controlar todos os detalhes. No entanto, Reichardt constrói a narrativa com sutileza, revelando como pequenos imprevistos e decisões equivocadas podem transformar um plano aparentemente perfeito em uma complexa teia de erros e desilusões. O filme, assim, se torna mais do que um suspense sobre crime: é um retrato sensível do desencanto e das ilusões de uma época marcada por mudanças sociais e culturais.
O elenco reúne talentos consagrados do cinema internacional, incluindo Josh O’Connor (Rivais, La Chimera), Alana Haim (Licorice Pizza), John Magaro (Vidas Passadas, First Cow), Gaby Hoffmann (Transparent, Girls), Bill Camp (12 Anos de Escravidão, Coringa) e Hope Davis (Anti-herói Americano, Synecdoche, New York). A produção estreou na competição oficial do Festival de Cannes 2025, rendendo a Reichardt uma indicação ao Melhor Direção, enquanto O’Connor foi indicado ao prêmio de Melhor Atuação Protagonista no Gotham Awards.
Paralelamente ao lançamento do filme, a MUBI anunciou a publicação do livro The Mastermind – MUBI Editions, previsto para 17 de fevereiro de 2026, com pré-venda já disponível em MUBIeditions.com. O lançamento chega em formato de box set exclusivo, composto por quatro livretos que documentam o processo criativo de Reichardt. Entre fotografias inéditas, reflexões pessoais e fragmentos de bastidores, o livro oferece um olhar privilegiado sobre a atenção aos detalhes e o cuidado artesanal que marcaram a produção do longa.
Dentre os destaques do livro estão um ensaio crítico de Lucy Sante, uma análise sobre o artista Arthur Dove, assinada por Alec MacKaye, da Phillips Collection, além de fotografias exclusivas do set e reproduções das obras de Dove, que inspiraram o design de época do filme. O conjunto permite aos leitores mergulhar não apenas na narrativa da obra, mas também na construção estética e na visão artística da diretora.
The Mastermind também inaugura a série Lights! da MUBI Editions, dedicada a celebrar os lançamentos da plataforma e homenagear cineastas de destaque. A iniciativa sucede a série Projections, lançada em 2025 com o livro Read Frame Type Film, reforçando o compromisso da MUBI em aproximar cinema e literatura em projetos de colecionador.
Com este novo lançamento, Kelly reafirma sua capacidade de transformar histórias aparentemente simples em retratos densos e detalhados da experiência humana, combinando narrativa, estética e personagens memoráveis. A chegada de The Mastermind à MUBI não apenas amplia o alcance do cinema autoral, mas também oferece aos espectadores e leitores uma oportunidade única de vivenciar o processo criativo de forma profunda e imersiva, consolidando mais uma vez o legado da diretora como uma das vozes mais sensíveis e precisas do cinema contemporâneo.
A contagem regressiva para o próximo grande capítulo de Jogos Vorazes ganhou um novo ritmo nesta quinta-feira, 20 de novembro. A Lionsgate surpreendeu os fãs ao divulgar o primeiro trailer oficial e o pôster de Amanhecer na Colheita, produção que adapta o romance homônimo de Suzanne Collins e aprofunda a mitologia em torno do Massacre Quaternário — os 50º Jogos Vorazes, responsáveis por moldar o destino de Haymitch Abernathy, mentor de Katniss Everdeen e uma das figuras mais complexas e marcantes de Panem.
O lançamento marca oficialmente a contagem regressiva para a estreia do longa, marcada para 20 de novembro de 2026, e devolve aos fãs a sensação familiar de retornar a uma distopia que, mesmo mais de uma década após o fim da trilogia original nos cinemas, segue ecoando discussões sobre poder, trauma e resistência. Mas, desta vez, não se trata apenas de revisitar a história: é sobre aprofundá-la.
Amanhecer na Colheita oferece algo que os leitores dos livros e espectadores sempre imaginaram, mas nunca puderam ver plenamente — a construção e destruição do jovem Haymitch, o herói improvável que sobreviveu à edição mais brutal dos Jogos e, anos depois, se tornaria o mentor relutante, alcoólatra e emocionalmente devastado que todos conhecem. Abaixo, confira o primeiro trailer oficial:
Um retorno necessário a Panem e a um personagem que sempre teve mais a dizer
Quando Suzanne Collins anunciou em 2024 que estava escrevendo um novo romance ambientado em Panem, a notícia tomou as redes sociais como um vendaval. A revelação de que o livro mergulharia na trajetória de Haymitch Abernathy trouxe imediatamente um novo fôlego à franquia. Afinal, o personagem sempre foi uma ferida aberta — um homem quebrado, sarcástico, inteligente e permanentemente violento consigo mesmo, que carregava nos ombros algo maior do que qualquer outro vencedor.
Nos livros originais, seu passado era citado apenas em momentos pontuais, quase como cicatrizes que se deixavam entrever. Sabíamos que Haymitch vencera o Massacre Quaternário, que sua arena fora particularmente cruel e que seu prêmio por desafiar a Capital havia sido… perder tudo. Mas ver isso ganhar forma, cor, cheiro e peso dramático é outra história — e é exatamente esse mergulho que o filme promete.
Ao anunciar a adaptação cinematográfica ainda em 2024, a Lionsgate não apenas confirmou a ambição do projeto como também trouxe de volta Francis Lawrence, diretor de Em Chamas, A Esperança – Parte 1, A Esperança – Parte 2 e A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes. Com ele, retorna também o roteirista Billy Ray, responsável por alguns dos trechos mais politicamente contundentes da franquia. A dupla promete repetir a fórmula que equilibra grandes cenas de ação com uma narrativa humana, dolorosa e crítica.
Um dos elencos mais impressionantes da saga
No centro da história, Joseph Zada enfrenta a difícil tarefa de reinterpretar Haymitch Abernathy de forma inédita, mas coerente com a sombra deixada por Woody Harrelson. Desde as primeiras imagens divulgadas no trailer, fica claro que Zada — visto anteriormente em (inserir produções anteriores aqui, caso queira definir ou criar fictícias) — estudou profundamente o personagem: o olhar inquieto, os momentos de silêncio e a tensão corporal antecipam uma performance carregada de nuances.
Ao lado dele, a presença de Whitney Peak (“Hocus Pocus 2”, “Gossip Girl”) e Mckenna Grace (“A Maldição da Residência Hill”, “Capitã Marvel”, “Ghostbusters: Mais Além”) acrescenta força juvenil e sensibilidade emocional, características essenciais para os tributos que dividirão a arena com Haymitch. Grace, especialmente, já conhecida por sua habilidade de interpretar personagens quebrados e resilientes, promete entregar um contraponto emocional potente.
Figuras como Jesse Plemons (“Ataque dos Cães”, “Breaking Bad”, “Fargo”) e Kelvin Harrison Jr. (“Waves”, “Elvis”, “Chevalier”) reforçam o peso político e dramático da trama, enquanto Maya Hawke (“Stranger Things”, “Do Revenge”), Lili Taylor (“Invocação do Mal”, “Perry Mason”), Ben Wang (“American Born Chinese”) e Elle Fanning (“The Great”, “Malévola”, “Demônio de Neon”) ampliam a diversidade de vozes que orbitam a narrativa.
O elenco ainda inclui os consagrados Ralph Fiennes (“Harry Potter”, “O Paciente Inglês”, “O Grande Hotel Budapeste”) e Kieran Culkin (“Succession”, “Scott Pilgrim Contra o Mundo”), cuja participação — ainda envolta em mistério — tem fomentado teorias entre fãs. A especulação mais comum é que Fiennes possa dar vida a uma figura influente da Capital, talvez até ligada às primeiras gerações da família Snow.
Filmagens internacionais e uma escala maior do que qualquer filme anterior da franquia
Com início em 6 de agosto de 2025, as filmagens foram realizadas majoritariamente na Espanha, país cuja geografia variada tem se tornado palco de grandes produções de Hollywood. Regiões montanhosas, bosques densos e áreas históricas deram vida tanto aos cenários de Distrito 12 quanto à nova arena.
Francis Lawrence já havia indicado em entrevistas anteriores que seu objetivo era criar uma arena “respirante”, em que os elementos naturais desempenham papel narrativo. O uso de cenários reais — em vez de depender inteiramente de CGI — reforça o tom documental e visceral do filme. Essa escolha também aproxima Amanhecer na Colheita dos momentos mais humanos da franquia, garantindo que o espectador sinta o peso real de cada passo dado por Haymitch.
Os sets envolvendo a Capital foram filmados em estúdios na Alemanha e na Hungria, locais escolhidos pela arquitetura brutalista e pela capacidade de recriar uma metrópole opulenta e fria.
Uma história de resistência, vingança e consequências
Se há algo que distingue o Massacre Quaternário de todas as outras edições dos Jogos é sua crueldade calculada. Dobrando o número de tributos e ampliando as regras para tornar a morte ainda mais “espetacular”, a Capital deixou claro que, naquele ano, não existia espaço para heroísmo — apenas para sobrevivência.
É nesse cenário que Haymitch emerge, não como herói tradicional, mas como alguém forçado a entender que viver também significa perder. O filme, assim como o romance de Collins, promete seguir o fio emocional dessa descoberta.
A contagem regressiva começou e Panem nunca pareceu tão atual
Com o lançamento do trailer e do pôster, Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita se consolida como a grande aposta de 2026 para unir nostalgia, renovação e relevância política. Em um mundo contemporâneo que enfrenta debates profundos sobre política, manipulação, desigualdade e espetacularização da violência, revisitar Panem não parece apenas entretenimento — parece leitura do presente.
Quando Charli XCX decide transformar sua própria vida em matéria-prima cinematográfica, não há espaço para o convencional. E foi exatamente essa sensação — de risco, descontrole calculado e subversão — que tomou conta da internet esta semana com o lançamento do primeiro trailer de The Moment, filme que marca a estreia da cantora como protagonista e cocriadora de um projeto com a A24.
O vídeo, divulgado pela própria artista, apresenta um universo que vibra entre o glamour e o desconforto, entre a montação pop e a autocrítica corrosiva. Em poucos segundos, fica claro que Charli não está interessada em preservar imagens: ela quer desmontá-las.
O caos como estética: um trailer que borra as fronteiras entre ficção e realidade
O primeiro trailer do filme mergulha o espectador em uma atmosfera de turbulência emocional e performática. Com uma montagem frenética — que lembra reality shows, videoclipes e documentários de bastidores — o vídeo insinua que o longa opera justamente nas brechas entre persona pública e intimidade fabricada.
A câmera acompanha uma versão ficcionalizada (mas perigosamente próxima) de Charli XCX enquanto ela atravessa crises criativas, reuniões tensas, ensaios exaustivos e a constante pressão para produzir “o momento perfeito”. O tom quase voyeurístico reforça a ideia de que o público está sendo convidado a ver aquilo que normalmente fica escondido atrás das cortinas luminosas do pop.
Um elenco improvável e irresistível
O filme abraça o absurdo com um elenco que funciona como um espelho distorcido da cultura pop contemporânea. Ao lado da presença central e magnética de Charli XCX, o filme reúne Rosanna Arquette (Pulp Fiction, Crash), Kate Berlant (Would It Kill You to Laugh?, Sorry to Bother You), Jamie Demetriou (Stath Lets Flats, Cruella), Hailey Benton Gates (The Rehearsal, High Maintenance), Isaac Powell (Dear Evan Hansen, American Horror Story), Alexander Skarsgård (Succession, The Northman), Rish Shah (Do Revenge, Ms. Marvel) e Trew Mullen (Cora Bora, Moon Manor) surgem como peças fundamentais nessa narrativa frenética, cada um interpretando versões exageradas ou deliciosamente satíricas de si mesmos.
E, para completar a ousadia pop, entram em cena participações tão inesperadas quanto emblemáticas: Kylie Jenner (The Kardashians), Rachel Sennott (Bottoms, Bodies Bodies Bodies), Arielle Dombasle (Pauline à la plage, Alien Crystal Palace), Mel Ottenberg (editor-chefe da Interview Magazine), Ricardo Pérez (Saturday Night Live México), Tish Weinstock (Vogue, trabalhos editoriais) e Michael Workéyè (I May Destroy You, Sherlock).
O nascimento de um projeto metalinguístico e profundamente pessoal
Segundo fontes próximas à produção, The Moment nasceu de uma proposta da própria artista. A cantora procurou a A24 com a ideia de fazer um filme que questionasse o próprio conceito de autenticidade no pop, explorando a tensão entre a artista real e a figura performática que ela representa.
O longa é dirigido por Aidan Zamiri, colaborador frequente da cantora e responsável por alguns de seus visuais mais marcantes. O roteiro é assinado por Zamiri e Bertie Brandes, e parte de uma pergunta central: como se filma a vida de alguém que já transforma sua vida em espetáculo?
Mockumentary como ferramenta de desconstrução do pop
Ao optar pelo formato de mockumentary, The Moment utiliza uma linguagem conhecida do humor documental para questionar e expor os bastidores da cultura pop. Mas, diferentemente de produções tradicionais do gênero, em que tudo parte de uma ficção criada do zero, aqui o centro da narrativa é a própria Charli XCX — uma figura real, reconhecível e permanentemente conectada ao público. Essa escolha altera completamente o impacto do filme: o espectador se vê diante de uma obra que brinca com a própria percepção de realidade, criando um território nebuloso onde é quase impossível separar o que é espontâneo do que é interpretado.
Nesse jogo entre persona e pessoa, o filme se transforma em um comentário afiado sobre o que significa ser uma celebridade em 2025. A hiperexposição, as performances para câmera, a curadoria minuciosa da própria imagem e a pressão constante por relevância se tornam a matéria-prima da narrativa. Em vez de buscar uma representação “verdadeira” de sua vida, Charli subverte a ideia de autenticidade ao performá-la de forma consciente — e, justamente por isso, alcança um tipo de sinceridade que cinebiografias tradicionais raramente tocam.
Embora a sinopse oficial apresente o longa como o registro de uma estrela pop se preparando para sua primeira turnê em arenas, o filme rapidamente deixa claro que essa é apenas a superfície. A turnê funciona como fio condutor, mas não como destino: o que realmente interessa é o processo emocional que se desenrola enquanto essa artista tenta sustentar o peso de suas ambições, de sua imagem pública e das expectativas externas e internas que a cercam.
Londres como personagem: o caos criativo da capital britânica
As filmagens de The Moment começaram em março de 2025, em Londres, e tudo indica que a cidade terá um papel central na narrativa, não apenas como cenário, mas como uma presença ativa que molda o humor, a estética e o ritmo do filme. O trailer já sugere que a capital britânica funciona como uma extensão do próprio estado emocional de Charli XCX: vibrante, contrastante, frenética e sempre à beira de um colapso criativo.
Poucos filmes brasileiros dos últimos anos conseguiram mobilizar público, crítica e debate cultural com a força que O Agente Secreto alcançou desde sua estreia. Lançado nos cinemas em 6 de novembro de 2025, o longa de Kleber Mendonça Filho não apenas se afirmou como um dos títulos mais importantes da temporada, como também rompeu a barreira simbólica dos 750 mil espectadores, um feito raro para um drama político nacional, especialmente em um cenário pós-pandemia onde o cinema brasileiro ainda busca se reerguer. Ao mesmo tempo, o filme coleciona prêmios mundo afora e se posiciona como um dos favoritos ao Oscar 2026, onde representará oficialmente o Brasil na disputa de Melhor Filme Internacional. Um encontro raro entre arte, relevância histórica e impacto popular.
Um fenômeno que une público e crítica
O que mais impressiona no percurso do longa não é apenas sua excelente bilheteria é o fato de que esse sucesso veio acompanhado de uma recepção crítica arrebatadora. O filme já soma mais de 25 prêmios ao redor do mundo, incluindo quatro conquistas no Festival de Cannes, onde arrebatou Melhor Diretor, Melhor Ator para Wagner Moura, o Prêmio FIPRESCI da competição oficial e o Prix des Cinémas d’Art et Essai.
Os elogios se multiplicaram após sua estreia mundial, em maio de 2025, quando o público francês aplaudiu de pé por mais de dez minutos a construção tensa, poética e profundamente humana que Mendonça Filho imprimiu ao retratar o Recife de 1977 sob a sombra da ditadura militar. Desde então, a produção entrou numa espiral de reconhecimento que poucos filmes brasileiros conseguiram alcançar recentemente e talvez o mais significativo seja perceber como a obra dialoga com públicos muito diferentes, de cinéfilos de festivais a espectadores comuns, atraídos tanto pelo suspense quanto pela carga emocional da narrativa.
A força de um cinema que olha para a própria história
Ambientado em pleno período de repressão política no Brasil, o filme acompanha Marcelo (Wagner Moura), professor universitário e especialista em tecnologia, que retorna ao Recife depois de anos vivendo em São Paulo e sendo perseguido por assassinos de aluguel, contratados possivelmente por um industrial influente ligado a uma patente que Marcelo desenvolveu em meio a sua pesquisa acadêmica.
O filme, porém, não se resume ao thriller político que sua premissa sugere. Mendonça Filho transforma a jornada de Marcelo em um mergulho íntimo em temas que marcam o cinema do diretor: vigilância, controle, memória e as feridas abertas de um país que ainda tenta compreender seu passado recente. A câmera, sempre inquieta e atenta às sombras e texturas da cidade, faz do Recife uma personagem essencial viva, oprimida, em permanente alerta.
Esse resgate histórico, no entanto, não se dá de forma didática ou ilustrativa. O diretor parte da ficção para alcançar zonas de sensibilidade e inquietação que ressoam profundamente na realidade. Em tempos em que a discussão sobre democracia e autoritarismo voltou a ganhar força no Brasil e em outras partes do mundo, o filme entrega uma reflexão poderosa, sem abrir mão da tensão narrativa que mantém o espectador preso à poltrona.
O reencontro entre um homem, sua cidade e seus fantasmas
Ao longo da história, Marcelo tenta retomar laços familiares e encontrar algum abrigo emocional em meio ao caos político. Seu filho pequeno vive com os avós maternos e o avô, projecionista do histórico Cinema São Luiz, representa um elo simbólico entre afeto, memória e resistência cultural. Cada visita, cada conversa e cada silêncio entre esses personagens carrega camadas de fragilidade e esperança.
É nesse espaço íntimo que Mendonça Filho mostra seu talento para filmar relações humanas com cuidado e profundidade. Wagner Moura, vencedor em Cannes por sua interpretação, entrega um Marcelo tenso, exausto, mas ainda guiado por uma vontade profunda de sobreviver, proteger quem ama e compreender o tamanho do labirinto político que o envolve. Sparse, observador, às vezes quase silencioso, Moura constrói um personagem que tenta manter a lucidez enquanto tudo ao seu redor desmorona.
Outro núcleo poderoso é a “casa segura” onde Marcelo se esconde por boa parte do longa: um espaço habitado por dissidentes, artistas, imigrantes e pessoas deslocadas por razões políticas entre elas, um casal de refugiados angolanos que encontra no Brasil uma nova luta. Sob a liderança de Dona Sebastiana, figura maternal e forte, o local funciona como porto, bunker e utopia. Um desses espaços raros onde sobreviventes constroem comunidade em meio ao terror.
A paranoia como linguagem cinematográfica
Se há algo que define a trama de O Agente Secreto, é a sensação permanente de que algo terrível está prestes a acontecer. Mendonça Filho trabalha com uma precisão minuciosa o universo da vigilância, microfones escondidos, olhares que atravessam janelas, carros que seguem silenciosamente pelas ruas, homens que observam sem ser vistos. O filme não representa a ditadura; ele faz o público senti-la na pele.
Ao mesmo tempo, o longa homenageia tradições cinematográficas importantes há ecos de thrillers políticos dos anos 70, do cinema noir clássico, das narrativas paranoicas de Alan J. Pakula, de filmes latino-americanos sobre resistências clandestinas. Mas a obra nunca deixa de ser profundamente brasileira, seja na música, na textura da cidade, no calor das ruas, na oralidade dos diálogos ou na forma como os personagens se relacionam.
Um elenco que sustenta o filme com verdade e intensidade
Além da performance monumental de Wagner Moura, o filme reúne um elenco que reforça a densidade emocional da narrativa. Maria Fernanda Cândido interpreta a ex-companheira de Marcelo com delicadeza e firmeza. Gabriel Leone surge como presença ambígua, imprevisível, quase sempre carregando o espectador para a beira do desconforto. Thomás Aquino, Alice Carvalho e Tânia Maria completam o conjunto com atuações precisas, orgânicas, cada uma contribuindo para o mosaico de inquietações e tensões.
Udo Kier, presença constante em obras de caráter autoral, entrega um antagonista inquietante, quase uma sombra que atravessa a narrativa com charme sinistro. Cada rosto no filme, mesmo os mais breves, parece carregar décadas de histórias, perdas e cicatrizes. É um elenco que não atua para o efeito; atua para a verdade.
A corrida ao Oscar 2026: uma chance real?
Indicado pela Academia Brasileira de Cinema para representar o país no Oscar, o longa-metragem chega à temporada com algo raro: momentum. O filme está presente nas principais listas de apostas internacionais e vem sendo mencionado por analistas de festivais e especialistas americanos como forte candidato entre os pré-indicados.
O impacto em Cannes, a recepção crítica explosiva e o desempenho robusto nas bilheterias formam um conjunto irresistível para campanhas de premiação. A Vitrine Filmes, distribuidora nacional, já confirmou que está trabalhando com parceiros internacionais para garantir que o filme esteja presente em exibições especiais nos Estados Unidos, debates, entrevistas e eventos voltados aos votantes da Academia.
E existe um elemento adicional que favorece o longa: a imagem de Kleber Mendonça Filho como um dos diretores mais respeitados da atual geração do cinema mundial. Sua trajetória em Cannes, sua relação sólida com a crítica internacional e sua habilidade de criar obras que são tanto esteticamente marcantes quanto politicamente relevantes tornam O Agente Secreto um candidato difícil de ser ignorado.
Existem filmes que abraçam seus clichês com orgulho. Existem filmes que tentam reinventar fórmulas gastas. E existe O Bad Boy e Eu, que parece não saber em qual dessas categorias quer entrar — e acaba caindo no meio do caminho, com força suficiente para deixar marcas no asfalto.
A produção tenta vender a ideia de um romance jovem com dança, futebol americano e dilemas emocionais. Na prática, entrega algo que lembra um longo comercial de perfume teen: bonito, iluminado, mas completamente vazio.
Uma protagonista esforçada num filme que não se esforça
Dallas Bryan (Siena Agudong) até tenta carregar o longa nas costas. Ela tem disciplina, tem carisma e tem um drama real — honrar a memória da mãe através da dança. Mas todo esse esforço se perde em um roteiro que parece ter sido escrito olhando para uma cartela de “clichês obrigatórios do cinema adolescente”.
Tudo é tão previsível que dá para adivinhar metade das falas antes que elas aconteçam, e a outra metade parece saída de um rascunho de fanfic não revisado.
O “bad boy” que não é bad boy — e o jogo que nunca começa
Drayton (Noah Beck), o quarterback mais mimado da escola, é apresentado como o típico garoto problemático que esconde dores profundas. Na teoria. Porque na prática, o personagem não passa de um pacote de poses: ora vulnerável, ora convencido, ora perdido — mas nunca convincente.
O romance entre os dois nasce tão rápido que parece contrato de namoro com prazo de entrega. Não há química suficiente para sustentar o drama, e o filme, que deveria explorar esse contraste, simplesmente pula as partes onde a relação deveria ser construída. Vai direto ao “estamos apaixonados” como quem avança episódios de uma série entediante.
A direção tenta, mas o roteiro sabota
Justin Wu até ensaia algumas soluções visuais interessantes, especialmente nas cenas de dança. Mas é difícil salvar um filme quando o roteiro de Mary Gulino parece preso a uma lista rígida de cenas obrigatórias: – o momento “ele olha pra ela no corredor”; – o treino que dá errado; – a discussão melodramática no estacionamento; – o beijo na hora mais conveniente possível.
É como se alguém tivesse apertado um botão de “modo automático”.
Quando a fofura vira constrangimento
Há uma tentativa clara de fazer do filme algo fofo, leve, reconfortante. Só que a falta de naturalidade transforma várias cenas em algo quase… desconfortável. É tudo limpo demais, arrumado demais, ensaiado demais. Parece que nenhum personagem sua, tropeça ou fala algo que uma pessoa real diria.
É o tipo de filmografia que parece viver numa bolha estilizada onde nada realmente importa — nem os conflitos, nem as escolhas, nem o próprio clímax.
James Van Der Beek aparece e… bem, é isso
A participação de James Van Der Beek quase funciona como um lembrete de que existe vida lá fora, no cinema que não tem medo de ser visceral, verdadeiro e imperfeito. Ele faz seu papel, entrega presença, e vai embora — deixando um vazio que o resto do elenco não consegue preencher.
Mas afinal: vale a pena assistir?
Se você gosta de filmes adolescentes que abraçam o clichê com força, talvez encontre aqui algo divertido. O problema é que O Bad Boy e Eu não abraça nada: ele hesita, titubeia, tenta ser profundo e fofo ao mesmo tempo, e acaba não sendo nenhum dos dois.
Para quem busca:
química real entre protagonistas,
conflitos bem construídos,
diálogos naturais,
ou qualquer coisa que fuja do óbvio…
…a resposta sincera é: não, não vale a pena assistir.
Mas se o que você quer é apenas deixar o cérebro em modo descanso, aceitar um romance de fórmulas prontas e aproveitar uma ou outra cena bonita de dança, então talvez o filme funcione como passatempo — desses que você esquece cinco minutos depois de terminar.