“Juntos” é uma experiência cinematográfica que surpreende pela ousadia, perturba pela visceralidade e emociona pela crueza com que trata temas universais como amor, identidade e obsessão. O longa, dirigido com notável precisão por Michael Shanks em sua estreia no comando de um longa-metragem, é um exemplo raro de como o terror corporal pode ser utilizado para além do choque visual, funcionando como metáfora potente para a complexidade das relações humanas.
Sem grandes expectativas iniciais, o impacto causado por “Juntos” é justamente sua capacidade de desestabilizar. Trata-se de uma obra profundamente original, que mistura gêneros com uma habilidade incomum. Terror, comédia sombria e drama relacional se fundem em uma narrativa desconfortável, porém extremamente autêntica, com um subtexto emocional que reverbera muito além da última cena.
O enredo gira em torno de um casal vivido por Alison Brie e Dave Franco – que, não por acaso, também são parceiros na vida real – em um momento de inflexão em sua longa relação. Sem entregar spoilers, é possível afirmar que o filme utiliza os códigos do body horror como espelho simbólico de sentimentos como codependência, perda de individualidade e o temor de se diluir completamente no outro. A grotesca transformação física pela qual os personagens passam é, na verdade, uma expressão extrema das tensões emocionais e psicológicas que se acumulam dentro do relacionamento.
Mais do que um filme de sustos ou imagens chocantes, “Juntos” é uma análise profunda e desconfortável sobre o que acontece quando as fronteiras entre o “eu” e o “nós” deixam de existir. É, nesse sentido, um filme corajoso — tanto na forma quanto no conteúdo.
O grande mérito de Michael Shanks está em não se esconder atrás da bizarrice. Pelo contrário, ele encara o grotesco de frente, mas sempre com propósito narrativo. Sua direção combina um olhar estético refinado com uma surpreendente maturidade emocional. A fotografia trabalha com contrastes fortes e tons sóbrios, acompanhando as oscilações entre o grotesco, o humor ácido e a ternura melancólica. A câmera se aproxima dos corpos de forma quase claustrofóbica, captando cada microexpressão, cada transformação, física ou emocional. O resultado é uma sensação constante de sufocamento – não apenas do espaço, mas da própria identidade dos personagens.
A trilha sonora, igualmente precisa, alterna entre melodias etéreas e ruídos dissonantes, amplificando o desconforto sem jamais soar exagerada. É um acompanhamento sonoro que acentua o tom inquietante da narrativa e contribui para a construção de um ambiente emocionalmente instável e, portanto, genuíno.
Outro destaque é a atuação do casal protagonista. Alison Brie e Dave Franco entregam performances corajosas e emocionalmente nuançadas, sustentando a trama mesmo nos momentos mais absurdos e surreais. A química entre os dois transcende a tela e confere autenticidade aos diálogos e gestos. É esse vínculo real que ancora a narrativa e impede que o filme se torne uma simples exibição de bizarrices. Há verdade, há dor, há amor – e é justamente por isso que a experiência se torna tão perturbadora.
“Juntos” é um filme que caminha na corda bamba entre o riso nervoso e o horror genuíno, entre a ternura e o incômodo, entre o drama emocional e a metáfora grotesca. O roteiro é afiado, não recuando diante das partes mais feias e desconfortáveis de uma relação de longo prazo: ressentimentos abafados, concessões mal resolvidas, silêncios que machucam mais que gritos. Mas também há espaço para momentos de carinho e humanidade, que tornam o impacto ainda mais forte quando o horror se instala de vez.
Ao fim, a trama não é apenas um filme de terror. É uma meditação visceral sobre os limites do amor e da convivência, sobre o que resta de nós quando nos entregamos completamente a outra pessoa — e o que pode nascer dessa entrega. É um filme que provoca repulsa e empatia ao mesmo tempo, que assusta não apenas pelo que mostra, mas, sobretudo, pelo que sugere.
Raro, inteligente e emocionalmente desafiador, o filme é um dos exemplares mais ousados e bem executados do terror contemporâneo. Assusta, sim — mas, principalmente, faz pensar. E é justamente aí que reside sua verdadeira força.
A humanidade volta a encarar o desconhecido. A Apple TV+ revelou o aguardado trailer da terceira temporada de Invasão (Invasion), série de ficção científica criada por Simon Kinberg e David Weil, com estreia marcada para 22 de agosto de 2025. A nova leva de episódios promete intensificar o caos instaurado no planeta após a chegada dos alienígenas, aprofundando os dilemas humanos em meio à destruição e ao medo.
Estrelada por um elenco internacional — com Golshifteh Farahani, Shioli Kutsuna, Shamier Anderson, India Brown, Billy Barratt, entre outros —, a série retorna com novos confrontos, perdas e reconfigurações emocionais. O mundo, já profundamente alterado pela ameaça extraterrestre, mergulha em um estado de guerra total.
A ficção científica como espelho emocional
Lançada em 2021, Invasão fugiu da rota tradicional de séries do gênero ao investir menos na ação frenética e mais no impacto subjetivo do colapso global. Em vez de se fixar apenas na ameaça alienígena, a narrativa se expande a partir de múltiplos pontos de vista, em diferentes partes do mundo, retratando o desespero, a resiliência e os conflitos humanos com sensibilidade e complexidade.
Ao transitar entre os Estados Unidos, o Japão, o Oriente Médio e a Europa, a série constrói um mosaico geopolítico e cultural raro em produções sci-fi. A alienação causada pela presença invasora funciona como metáfora para o isolamento, a perda e o sentimento de impotência diante de forças que escapam ao controle humano.
O que traz a terceira temporada
O novo trailer antecipa um cenário mais sombrio e direto: a invasão, que antes se desenhava como ameaça silenciosa, agora assume formas devastadoras e concretas. Cidades entram em colapso, governos se fragmentam e a conexão entre as pessoas — já fragilizada — torna-se ainda mais tênue.
No centro da narrativa, Aneesha Malik (Farahani) continua em fuga com os filhos, enfrentando não apenas os horrores externos, mas também os internos: a perda, o luto e a necessidade de manter os laços familiares em meio à ruína. Trevante Cole (Anderson), ex-militar, se vê cada vez mais envolvido em iniciativas de resistência, enquanto a cientista Mitsuki Yamato (Kutsuna) se aprofunda em sua busca pela comunicação com os alienígenas — e talvez com o próprio sentido da vida diante do desconhecido.
A temporada também amplia o protagonismo juvenil, com India Brown e Billy Barratt ganhando destaque como jovens que tentam entender e reagir ao mundo à beira do abismo. Mais do que esperança, eles representam uma nova forma de consciência — menos baseada no controle e mais aberta à escuta e à adaptação.
Um dos pilares da série é seu elenco global, que dá corpo a uma narrativa igualmente plural. O drama se constrói a partir da experiência de personagens que vivem realidades profundamente distintas — mas interligadas pela mesma catástrofe. Em um mundo fraturado, as histórias cruzadas revelam como a sobrevivência, a empatia e a resistência ganham formas diferentes, mas igualmente essenciais.
O retorno de nomes como Enver Gjokaj, Nedra Marie Taylor e Naian González Norvind adiciona novas camadas às tramas já conhecidas, ampliando o leque de conflitos éticos, científicos e afetivos.
Com uma estética que privilegia o silêncio e a tensão crescente, a série conquistou um público fiel ao longo de suas duas primeiras temporadas. Apesar de críticas iniciais à sua abordagem contemplativa, a série encontrou espaço entre espectadores que valorizam construções lentas, mas densas — onde o verdadeiro horror se revela nos gestos contidos, nas despedidas silenciosas e nas decisões difíceis.
Indicada ao Visual Effects Society Awards, a série também impressiona pela excelência técnica: a fotografia minimalista, os efeitos visuais realistas e a trilha sonora inquietante criam uma atmosfera que evoca tanto a grandiosidade do espaço quanto a vulnerabilidade do ser humano.
Quando descobri que Traga Ela de Volta era dirigido pelos irmãos Philippou — os mesmos responsáveis pelo impactante Fale Comigo (Talk to Me) — e vi as críticas extremamente positivas, soube imediatamente que precisava assistir ao filme assim que fosse lançado. E posso afirmar com segurança: foi uma das decisões mais certeiras que já tomei como fã de terror.
Sou apaixonado pelo gênero há anos, embora reconheça suas inconsistências. É comum ver produções que se apoiam em sustos fáceis e clichês visuais, esvaziando a verdadeira essência do horror. Justamente por isso, encontrar uma obra realmente bem executada é raro — e, quando acontece, é simplesmente eletrizante. Traga Ela de Volta é um exemplo excepcional: assustador, impactante, emocionalmente denso e perverso. Vai além do que se espera de um filme de terror. É tenso, visceral e, acima de tudo, real — dolorosamente real.
Ao final da sessão, uma certeza se impôs: os irmãos Philippou não apenas evitaram a temida “maldição do segundo filme”, como superaram todas as expectativas com uma obra mais ousada, brutal e emocionalmente devastadora. Se Fale Comigo já havia sido uma estreia marcante, o filme é um salto criativo em todos os sentidos. É mais ambicioso, mais maduro e infinitamente mais angustiante — não só pelo que acontece em tela, mas pelo que exige emocionalmente de quem assiste. E o mais surpreendente: essa brutalidade nunca soa gratuita. Cada momento de dor e violência nasce de um lugar profundamente humano, de um amor distorcido pela perda, de uma dor tão sufocante que se torna monstruosa.
Terror com propósito: trauma, luto e consequências
O filme não se esquiva de temas delicados — como abuso infantil, capacitismo e negligência social — e os aborda com uma honestidade desconcertante. Alguns momentos são genuinamente difíceis de assistir, mas é exatamente essa coragem que confere força e autenticidade à narrativa. O diferencial do terror americano está na maneira como representa o trauma: não apenas como uma lembrança do passado, mas como algo ativo, presente, corrosivo.
A trama é, em essência, sobre luto. Sobre o desejo desesperado de consertar o que não pode mais ser consertado. Sobre como esse desejo pode se transformar em obsessão, e essa obsessão, em algo monstruoso. O filme mergulha na dor de quem perdeu e de quem não consegue seguir em frente. Esse luto não é romântico, nem redentor: é destrutivo. Ele seca tudo ao redor, até restar apenas um eco vazio — e é exatamente aí que mora o verdadeiro terror.
Sally Hawkins: entrega visceral e memorável
Sally Hawkins está simplesmente brilhante. Sua atuação como a mãe adotiva é uma das mais potentes de sua carreira. Ela mistura fragilidade e ameaça com uma naturalidade desconcertante. Em certos momentos, sentimos pena de sua personagem, comovidos pela dor que carrega. Em outros, ficamos horrorizados com as medidas extremas que toma para realizar seu desejo. É um desempenho visceral, que comprova a amplitude de uma atriz capaz de transitar do charme leve de Paddington para as profundezas sombrias do desespero absoluto.
Um amadurecimento dos irmãos Philippou
É nítido o quanto os irmãos Philippou cresceram como cineastas. Há mais controle de cena, mais segurança na direção e uma clareza artística admirável. O filme não se perde em firulas visuais, nem em reviravoltas baratas: é direto, duro e consciente de sua proposta. Traga Ela de Volta não é perfeito — há quem possa considerá-lo excessivo ou difícil de digerir — mas isso jamais compromete sua potência. É um terror que entra na pele, não apenas pelo que mostra, mas pelo que sugere, pelo que deixa implícito, e principalmente pelo que compreende sobre a natureza humana.
Porque, no fim, este não é apenas um filme de terror. É um estudo sobre o luto, sobre a culpa, sobre o amor distorcido pelo sofrimento e até onde uma pessoa é capaz de ir quando não encontra mais saídas para a dor.
Obrigatório e inesquecível
Se você gostou de Fale Comigo, ou se simplesmente é apaixonado pelo gênero de terror em sua forma mais crua e emocional, o longa-metragem é obrigatório. É o tipo de filme que te prende, te desmonta e te deixa pensando muito tempo depois que os créditos sobem. Eu senti medo. Eu chorei. Eu fiquei em choque.
A Hora do Mal é exatamente o tipo de obra que se espera de um diretor em seu segundo longa-metragem: ousada, tecnicamente refinada e mais ambiciosa do que o trabalho anterior. Craig Cregger, conhecido pelo elogiado Barbarian (2022), prova aqui que não é um diretor de uma obra só. Pelo contrário, ele demonstra maturidade narrativa e um domínio estético que evoluem cena após cena, consolidando seu nome entre os novos autores mais promissores do cinema de terror.
Há uma confiança visível em cada quadro. Cregger explora com precisão o ritmo, o movimento e uma linguagem visual mais viva e articulada do que em Barbarian. Seu controle sobre a mise-en-scène impressiona, especialmente nas sequências de ação, que demonstram sua versatilidade. É seguro afirmar: o diretor tem um grande filme de ação dentro de si, apenas esperando o momento certo para emergir.
Uma das grandes curiosidades era observar quais marcas autorais de Barbarian retornariam aqui — e uma delas se destaca de imediato: a obsessão pela estrutura narrativa. O filme é construído como uma montanha-russa emocional, conduzindo o público por curvas inesperadas com precisão quase cirúrgica. O diretor sabe exatamente quando acelerar, quando pausar e quando permitir que o espectador reorganize as peças desse quebra-cabeça psicológico antes do próximo impacto. Essa fluidez narrativa é um dos principais trunfos do filme: nada é gratuito, nenhuma cena é desperdiçada. Tudo contribui para manter a tensão em ebulição.
O sentimento de inquietação é constante. Mesmo nas passagens aparentemente calmas, há algo estranho no ar — uma tensão subjacente que jamais se dissipa por completo. A trilha sonora desempenha um papel fundamental nesse processo: é hipnótica, intensa e cuidadosamente escolhida para reforçar o clima de constante ameaça. O som não apenas acompanha, mas amplifica a experiência sensorial do público.
Outro elemento digno de destaque é a habilidade de Cregger em manipular tom e ritmo. Ele transita com naturalidade entre o terror psicológico, o suspense atmosférico e explosões de violência gráfica, sempre mantendo a coesão da narrativa. Um feito notável para qualquer cineasta, ainda mais para um nome em ascensão. O humor também está presente, mas jamais de forma forçada ou deslocada — surge pontualmente, quebrando a tensão em momentos estratégicos, sem comprometer a atmosfera opressiva do enredo.
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Contrastes e críticas sociais
Assim como em Barbarian, Cregger demonstra interesse em explorar contrastes sociais e visuais. A ambientação em uma zona suburbana de classe média alta, aparentemente tranquila e segura, entra em choque com a brutalidade escondida por trás de portas comuns. É um retrato perturbador da banalização do mal — da ideia de que a violência pode se ocultar nos lugares e nas pessoas mais improváveis. Quando essa crítica é direcionada ao universo juvenil e ao ambiente escolar, ela se torna ainda mais incômoda e pertinente.
Visualmente, o filme é um espetáculo. Os enquadramentos dinâmicos, os movimentos ousados de câmera e a fotografia pulsante criam uma linguagem cinematográfica cheia de energia. Há sequências coreografadas com precisão quase balética, misturando horror e beleza de forma visceral. Em um gênero onde a estética muitas vezes é tratada como um detalhe secundário, o cuidado visual de A Hora do Mal se destaca com folga.
Terror épico, mas sem perder a essência
No geral, o longa-metragem é tudo o que se espera de um blockbuster de terror — e a palavra “blockbuster” aqui é usada com intenção. Embora a história se desenrole em uma cidade pequena, a escala narrativa é grandiosa. É um filme épico, ambicioso, maior e mais ousado do que Barbarian, sem nunca abandonar a essência do horror intimista. A tensão é constante, os sustos são genuínos, e há espaço para emoção e surpresa.
O elenco contribui de forma decisiva para o êxito do longa. As performances são intensas, emocionalmente carregadas e ajudam a ancorar a trama em sentimentos reais, mesmo diante dos elementos mais fantásticos. As cenas de ação são coreografadas com uma precisão admirável, demonstrando não só técnica, mas também um olhar artístico refinado.
Mais do que assustador, A Hora do Mal é imprevisível. É quase impossível antecipar seus rumos narrativos — e essa imprevisibilidade é uma de suas maiores virtudes. Em um mercado saturado por fórmulas repetitivas, onde muitos filmes de terror se limitam a reproduzir convenções batidas, Craig Cregger entrega uma obra original, corajosa e impactante.
A espera terminou. A cantora angolana Nair Nany, que se tornou uma sensação entre os admiradores da música gospel com sucessos como “Melhor Amigo / O Que Seria de Mim”, finalmente vem ao Brasil — e a data já está marcada. No dia 10 de setembro, ela desembarca em São Paulo para participar da gravação do novo DVD do pastor e cantor Marcos Freire, em um evento que promete marcar a história da música cristã contemporânea.
Com voz potente, carisma marcante e uma fé que transborda em suas ministrações, Nair Nany será uma das atrações principais de uma noite de celebração, comunhão e adoração, ao lado de grandes nomes do cenário gospel nacional, como Aline Barros, Fernanda Brum, Anderson Freire, Camila Vieira e Paulo Vieira.
A filha de Angola conquista o Brasil
Natural de Angola, Nair Nany tem conquistado uma legião de admiradores brasileiros por meio das redes sociais e plataformas de streaming. Seu estilo emocional, carregado de espiritualidade e entrega, encontrou eco entre fiéis e ouvintes que se identificam com letras que falam sobre intimidade com Deus, superação, dor e consolo.
O dueto com Eunice Zumbuca e Dimy Francisco, em “Melhor Amigo / O Que Seria de Mim”, tornou-se viral, rendendo centenas de milhares de execuções nas plataformas e compartilhamentos em vídeos de testemunhos e pregações. Em um momento em que a música gospel angolana ganha projeção internacional, Nair Nany se destaca como uma das principais vozes dessa nova geração.
Um convite especial e histórico
A vinda da artista a solo brasileiro foi idealizada pelo próprio Marcos Freire, que fez o convite para que ela participasse da gravação de seu novo DVD. O evento reunirá diferentes vertentes da música cristã e promete unir culturas e sotaques num só propósito: exaltar a fé e o amor de Deus.
Nas palavras do pastor, essa será uma “noite profética” — e não é para menos. A presença de Nair Nany marca uma aproximação ainda maior entre os ministérios africanos e brasileiros, fortalecendo laços espirituais e culturais. “Estamos trazendo a filha de Angola para, juntos, declararmos nas horas escuras que Deus é a nossa luz”, disse Marcos Freire em publicação nas redes.
A nova fase do gospel internacional
A participação de Nair Nany em eventos no Brasil também simboliza um novo capítulo na relação do país com artistas internacionais da música gospel. Por muito tempo, nomes norte-americanos ocuparam esse espaço, mas agora vozes africanas, como a de Nany, vêm ganhando mais representatividade, ampliando o repertório, os ritmos e as narrativas de fé compartilhadas entre os continentes.
Para o público, a expectativa é grande. Comentários nas redes sociais expressam alegria, emoção e ansiedade pela chegada da cantora. “Nunca pensei que veria Nair Nany aqui, pessoalmente. Vai ser uma noite para glorificar!”, escreveu uma seguidora
Um momento para ser vivido com o coração
Mais do que um show, a gravação será um grande culto musical, em que diferentes gerações de adoradores se reunirão para louvar, orar e agradecer. A estreia da cantora no Brasil não será apenas uma apresentação: será o início de uma nova etapa na carreira da cantora e, possivelmente, o ponto de partida para novas conexões entre igrejas, ministérios e públicos ao redor do mundo.
Depois de comover o mundo com sua atuação arrebatadora no drama A Baleia, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator, Brendan Fraser volta a ser o centro das atenções com um novo trabalho que promete tocar o público de maneira diferente — mas igualmente poderosa. Rental Family, seu mais recente projeto, é uma comédia dramática ambientada no Japão que mescla ternura, reflexão e humanidade em cada cena. O longa estreia mundialmente no prestigiado Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) em setembro de 2025, com lançamento previsto nos Estados Unidos para 21 de novembro. No Brasil, ainda não há data definida, mas as expectativas já são altas.
Produzido pela Searchlight Pictures e dirigido pela cineasta Hikari, o filme mergulha em uma temática real e, ao mesmo tempo, quase surreal: o fenômeno das “famílias de aluguel” no Japão — um serviço no qual pessoas contratam atores para desempenhar papéis familiares, como cônjuges, filhos, pais ou amigos, em contextos emocionais, terapêuticos ou sociais. A ideia pode parecer absurda à primeira vista, mas revela muito sobre o mundo moderno e o modo como lidamos com a solidão, o luto e a carência de vínculos afetivos reais.
E é justamente nesse território delicado que Brendan brilha, mais uma vez, como um ator que não tem medo de se despir emocionalmente diante das câmeras
O que Fraser entrega em Rental Family vai muito além de uma boa performance. É o retrato de um artista que renasceu após anos de ostracismo, dores físicas, traumas pessoais e rejeições profissionais. Desde seu aclamado retorno em A Baleia, ele tem escolhido seus papéis com o cuidado de quem entende que a atuação pode ser, também, uma forma de cura — tanto para ele quanto para o público.
No novo filme, Fraser interpreta um homem americano que vive isolado em Tóquio. Expatriado, emocionalmente perdido e carregando cicatrizes invisíveis, seu personagem tropeça na existência solitária até cruzar com uma empresa especializada em fornecer “relacionamentos temporários”. Curioso e sem grandes expectativas, ele se aproxima daquele universo como observador, mas logo se vê envolvido emocionalmente com os “papéis” e as pessoas que encontra ali.
A grande força da atuação de Fraser neste filme está justamente na contenção. Ao invés de grandes explosões dramáticas, ele opta por silêncios, gestos mínimos, olhares carregados de significado. Uma escolha que exige maturidade e segurança — qualidades que Fraser conquistou ao longo dos anos e agora exibe com uma beleza rara.
Dirigido com sensibilidade por Hikari, conhecida por trabalhos como 37 Seconds, o filme é uma coprodução entre Japão e Estados Unidos e tem roteiro coescrito por Stephen Blahut. Mais do que ambientado no Japão, o filme utiliza a cultura japonesa como metáfora de um mundo em transformação — um mundo no qual as relações humanas estão cada vez mais negociadas, temporárias, digitais ou mediadas por contratos.
O conceito de “família de aluguel”, embora inusitado para o público ocidental, é um fenômeno crescente no Japão real. Existem empresas que oferecem serviços onde atores assumem papéis em festas de aniversário, jantares, reuniões familiares ou até mesmo para preencher o vazio deixado por perdas ou ausências. Não se trata de farsas mal-intencionadas, mas de tentativas — por vezes dolorosas — de suprir uma carência afetiva que a vida contemporânea insiste em intensificar.
Foto: Reprodução/ Internet
No filme, esse contexto é abordado com delicadeza e empatia. Ao longo da narrativa, o público é convidado a refletir sobre o que significa amar, perder, recomeçar — e até que ponto uma relação pode ser “encenada” antes de se tornar, de fato, verdadeira.
Além de Fraser, o elenco do longa é composto por grandes nomes do cinema japonês, como Mari Yamamoto, Takehiro Hira e o veterano Akira Emoto. Essa ponte entre Ocidente e Oriente não é apenas geográfica, mas simbólica: representa o cruzamento de duas culturas com maneiras muito distintas de expressar emoções, de lidar com o luto, o silêncio e o afeto.
Mari Yamamoto, em especial, tem sido destacada como um dos grandes nomes do filme. Sua personagem, uma gestora da empresa de “aluguel”, se aproxima do protagonista de Fraser de forma cuidadosa e transformadora. Aos poucos, o que era um serviço prestado se torna uma conexão autêntica — algo que desafia as regras do negócio e coloca em xeque a linha tênue entre o que é pago e o que é sentido.
A química entre os dois atores é um dos pontos altos da produção. Fraser e Yamamoto constroem juntos uma relação que vai do estranhamento à ternura, da formalidade à cumplicidade, em um crescendo emocional que jamais soa forçado ou artificial. Pelo contrário: tudo em Rental Family pulsa verdade, mesmo quando os personagens estão “fingindo” ser quem não são.
O Japão como paisagem emocional
A escolha do Japão como cenário não é mero capricho estético. As ruas silenciosas, os apartamentos pequenos, os templos, os cafés discretos e as convenções sociais rígidas funcionam como extensão dos sentimentos do protagonista. O país — e sua cultura — viram espelho da alma de um homem que desaprendeu a se conectar, mas que encontra, nos gestos sutis dos outros, uma nova chance de pertencimento.
É também um lembrete de que a solidão não tem nacionalidade. É um sentimento que atravessa fronteiras e que, embora possa assumir formas diferentes dependendo do lugar, é universal em sua dor — e na sua busca por cura.
Muito além do drama
Apesar da carga emocional, o filme não é um drama no sentido tradicional. Hikari equilibra a narrativa com toques de comédia sutil, irônica e, por vezes, surpreendentemente leve. Situações absurdas — como um jantar de família onde ninguém é, de fato, parente — geram momentos de humor que funcionam não como alívio, mas como forma de revelar a fragilidade das relações humanas.
É um riso que nasce da identificação, do desconforto e, muitas vezes, da tristeza. Um tipo de humor que dialoga com o cinema de diretores como Hirokazu Kore-eda, onde as fronteiras entre a família real e a escolhida são constantemente desafiadas.
Talvez o maior mérito de Rental Family seja dar continuidade à jornada pessoal e artística de Fraser de maneira tão coerente. Ele, que durante anos foi lembrado apenas por sucessos comerciais dos anos 1990 (A Múmia, George, o Rei da Floresta), agora ressurge como um intérprete que inspira identificação por sua humanidade e vulnerabilidade.
Ao aceitar papéis que exploram o luto, o abandono, a dor e a esperança, Fraser não apenas reconstrói sua carreira — ele se reconstrói como símbolo. Um símbolo de que é possível voltar, mesmo quando tudo parece perdido. De que há beleza na fragilidade. E de que o cinema ainda pode ser um espaço de empatia profunda.
Entenda o afastamento de Brendan de Hollywood
O ator já foi o rosto sorridente e carismático que preenchia as telonas dos cinemas em uma época em que Hollywood ainda parecia um lugar de sonhos infinitos. Nos anos 1990 e começo dos anos 2000, ele era sinônimo de aventura, diversão e charme, com papéis que conquistaram plateias ao redor do mundo. Mas, de repente, esse rosto começou a desaparecer. O que aconteceu com Brendan Fraser? Por que um ator tão querido e popular se afastou tanto da ribalta?
Para entender, é preciso ir além do brilho e dos aplausos. O caminho de Fraser passou por muitas sombras — e seu silêncio não foi escolha simples, mas fruto de uma série de desafios profundos, que misturavam dores físicas, sofrimentos emocionais e até feridas que ele precisou proteger a sete chaves. É a história de um homem que, diante da adversidade, precisou aprender a cuidar de si mesmo para poder se reencontrar.
Muitos lembram Fraser como o herói de aventuras, cheio de energia para correr, saltar, enfrentar perigos e arrancar risadas. Mas o que poucos sabem é o custo que tudo isso teve para o corpo do ator. Durante anos, ele conviveu com dores crônicas, resultado de lesões causadas pelas demandas físicas dos filmes. Cirurgias na coluna, nos joelhos e outros procedimentos médicos se tornaram parte da sua rotina — e não só as dores físicas o afastaram, mas também o desgaste mental que vem junto.
Essa batalha constante fez com que Fraser se afastasse lentamente dos papéis que exigiam a agilidade e o vigor dos seus dias de maior fama. A indústria, que é rápida em substituir rostos, começou a deixá-lo de lado, e ele viu seu espaço se estreitar.
Além das dores físicas, Fraser enfrentou um trauma que por muito tempo ficou guardado em seu íntimo. Em 2018, ele revelou publicamente que foi vítima de um assédio dentro da indústria, um episódio que abalou não só sua confiança, mas também sua carreira. A coragem de contar essa história foi um ato de resistência, mas também expôs o lado cruel de Hollywood, onde muitas vezes o silêncio era imposto para proteger interesses maiores.
No meio de tudo isso, veio também o impacto da vida pessoal. Fraser enfrentou um divórcio e precisou se reinventar não só como artista, mas como pai e homem. Foram anos de introspecção, afastamento da fama e das grandes produções, um tempo de cuidar da saúde e da mente.
Foi só na última década que o mundo voltou a notar Brendan Fraser. Não mais como o jovem galã dos filmes de ação e comédia, mas como um ator capaz de mergulhar fundo em personagens complexos, humanos, cheios de nuances e fragilidades. Séries como The Affair e Doom Patrol foram sua volta ao jogo.
Mas o momento decisivo veio com A Baleia, em 2022. Na pele de um homem solitário e doente que tenta se reconciliar com sua filha, Fraser entregou uma performance visceral, crua e verdadeira. Não era só atuação: era um reencontro consigo mesmo, uma demonstração de que, por trás do personagem, existia alguém que havia passado por um caminho difícil, mas que ainda tinha muito a dizer.
Na edição desta terça-feira, 5 de agosto de 2025, o Conversa com Bial mergulha no universo vibrante do axé para celebrar os 40 anos de um dos movimentos musicais mais marcantes da cultura brasileira. O programa reúne dois representantes de gerações distintas da Banda Eva — Felipe Pezzoni e Emanuelle Araújo — para uma homenagem carregada de história, ritmo e pertencimento. O especial vai além da memória afetiva: é um convite para refletir sobre o legado de um gênero que nasceu das ruas de Salvador e ganhou as rádios do país, levando consigo a identidade baiana, a alegria do Carnaval e o pulsar de uma cultura que nunca deixou de se reinventar.
Da rua ao palco: o axé como símbolo cultural
O axé não nasceu de fórmulas de estúdio. Ele brotou do asfalto quente, do batuque dos blocos, da energia que corre pelas avenidas de Salvador nos dias de Carnaval. Mais do que um ritmo, é uma vivência coletiva — uma expressão musical e corporal que desafia a lógica de mercado e se sustenta na potência popular. Ao longo de quatro décadas, o axé transformou artistas anônimos em estrelas e colocou a Bahia no centro do mapa da música brasileira. A força desse movimento está na sua capacidade de se conectar com o povo, atravessando gerações e se renovando sem perder a alma.
A Banda Eva e o papel de protagonismo no axé
Dentro dessa trajetória, poucas bandas foram tão emblemáticas quanto a Banda Eva. Surgida nos anos 1980 como bloco de Carnaval, o grupo se tornou sinônimo de sucesso ao longo dos anos 1990, especialmente após a chegada de Ivete Sangalo, que ajudou a projetar o axé para todo o Brasil. Mas a história da banda vai muito além de um nome. Cada vocalista que passou pelo Eva trouxe uma nova leitura do gênero, mantendo viva a chama de um projeto que carrega a missão de unir tradição e renovação. De Emanuelle Araújo a Felipe Pezzoni, o Eva atravessou diferentes fases, cada uma marcada por desafios, recomeços e canções que marcaram época.
Um encontro que conecta passado, presente e futuro
O Conversa com Bial cria o cenário ideal para esse encontro simbólico. Sem pressa, com a sensibilidade que já é marca do programa, o episódio constrói uma narrativa que valoriza o percurso artístico de seus convidados, mas também o impacto coletivo da música baiana na formação cultural do país. Ao resgatar momentos históricos da Banda Eva e refletir sobre o espaço do axé na contemporaneidade, o programa costura um painel sensível de tudo o que esse gênero representa: resistência, alegria, transformação e pertencimento. Não se trata apenas de comemorar 40 anos de estrada — mas de reconhecer a importância de manter vivo um som que pulsa na alma do Brasil.
Com imagens de arquivo, trechos musicais e um olhar documental, o programa desta terça (05) presta uma homenagem não só aos artistas, mas a todos que constroem o axé diariamente: compositores, músicos, foliões, produtores e fãs que carregam o ritmo como uma extensão de sua própria identidade.
Nesta terça-feira, 5 de agosto de 2025, a cozinha mais famosa do país promete fortes emoções e muita criatividade culinária. No 11º episódio do MasterChef Brasil, os nove cozinheiros ainda na competição enfrentarão uma das provas mais desafiadoras da temporada: cozinhar em trios, elaborando pratos com menus monocromáticos, ou seja, que mantenham a mesma paleta de cor do início ao fim. E como se não bastasse a exigência estética e técnica, os participantes ainda terão que se revezar na cozinha, testando o entrosamento e a capacidade de trabalhar sob pressão.
Para tornar a noite ainda mais especial — e nostálgica —, o programa contará com a presença da querida Paola Carosella como jurada convidada. A chef argentina, que marcou época no MasterChef com seu olhar sensível e exigente, retorna ao balcão dos jurados ao lado de Helena Rizzo e Henrique Fogaça, emocionando os competidores e fãs do programa.
Desafio criativo: quando cor e sabor precisam andar juntos
Na prova principal do episódio, os participantes serão divididos em trios e sorteados para cozinhar pratos de uma única cor predominante — como branco, vermelho, verde, amarelo ou roxo. O objetivo não é apenas criar um prato saboroso, mas também harmonioso e visualmente coerente com a proposta cromática.
O desafio exige domínio técnico, paladar apurado e uma boa dose de inventividade. Afinal, limitar-se a ingredientes de uma mesma cor impõe barreiras, mas também abre caminho para combinações inusitadas e para o uso de ingredientes menos comuns.
E para deixar tudo ainda mais imprevisível, a dinâmica de revezamento entre os membros da equipe exigirá comunicação eficaz e confiança mútua. Cada trio terá que se organizar estrategicamente, pois apenas um cozinheiro poderá estar na bancada por vez, enquanto os outros observam da “caixinha do tempo”.
O retorno emocionante de Paola Carosella
A presença de Paola no episódio promete momentos de emoção para os competidores e para os fãs de longa data do MasterChef. Jurada original do programa por várias temporadas, Paola volta ao estúdio onde se consagrou como uma das figuras mais carismáticas e influentes da gastronomia na televisão brasileira.
Com seu olhar crítico, mas também humano, ela oferecerá comentários precisos e sugestões técnicas valiosas, além de compartilhar suas impressões com os colegas jurados Helena Rizzo e Henrique Fogaça, que têm conduzido a temporada com equilíbrio e exigência.
A interação entre os três promete ser um dos pontos altos do episódio, especialmente para os fãs nostálgicos que acompanham o programa desde suas primeiras edições.
Onde assistir
O 11º episódio do MasterChef Brasil vai ao ar nesta terça-feira (05), às 22h20, na Band, com transmissão simultânea pelo site oficial Band.com.br e pela plataforma Bandplay. Para quem perder a exibição inédita, haverá reprise no domingo, às 16h, também na tela da Band.
Em um mundo em que o silêncio às vezes fala mais alto do que mil palavras, Se Não Fosse Você surge como um grito contido, um desabafo emocional sobre tudo aquilo que deixamos de dizer. O novo longa, inspirado no best-seller da escritora Colleen Hoover, acaba de ganhar seu primeiro trailer oficial — e ele já chegou arrebatando o público com sua carga emocional crua e realista. Abaixo, confira o vídeo divulgado:
A direção é de Josh Boone, o mesmo que fez milhares de corações chorarem com A Culpa é das Estrelas. Agora, ele retorna ao drama familiar com uma nova história sobre perdas, cicatrizes que o tempo não apaga e a difícil arte de se reconectar com quem a gente ama. A estreia está marcada para o dia 23 de outubro nos cinemas brasileiros, com distribuição da Paramount Pictures.
A trama gira em torno de Morgan Grant, interpretada por Allison Williams, uma mulher que trocou sonhos por responsabilidades quando se tornou mãe ainda adolescente. Sua vida, dedicada quase inteiramente à filha Clara (Mckenna Grace) e ao marido Chris, começa a ruir quando um acidente tira Chris de cena de forma repentina.
A tragédia, no entanto, é apenas a porta de entrada para um turbilhão emocional ainda maior: revelações dolorosas, mágoas antigas, segredos de família e feridas nunca curadas transformam o luto em confronto. De um lado, uma mãe tentando reconstruir sua vida a partir do que sobrou. Do outro, uma filha que se recusa a perdoar o passado ou compreender o presente.
Mais do que um drama sobre perdas, o filme é um retrato nu e cru de como o amor pode ser falho, frustrante, imperfeito — e, mesmo assim, necessário.
Boone prova, mais uma vez, que sabe como contar histórias que doem bonito. Ele não se apoia em exageros ou em frases de efeito. Seu olhar é íntimo, quase cúmplice. Ele entende que, às vezes, um gesto vale mais que um discurso, e que os maiores conflitos acontecem dentro da gente.
Allison Williams e Mckenna Grace brilham em atuações comoventes
Interpretar uma relação tão quebrada e ao mesmo tempo tão forte não é tarefa fácil. Mas Allison Williams e Mckenna Grace entregam performances que transbordam sinceridade. Allison — que já mostrou seu talento em Corra! e M3GAN — encarna Morgan com uma mistura de exaustão, amor reprimido e força silenciosa. Já Mckenna, aos 18 anos, impressiona ao viver Clara, uma adolescente ferida que usa a rebeldia como escudo. Juntas, elas constroem uma dinâmica intensa, marcada por diálogos cheios de mágoa, olhares carregados de frustração e momentos de silêncio que falam por si. É um embate de gerações, mas também de dores que não foram acolhidas. Difícil não se identificar.
Família, segredos e a difícil jornada do perdão
No fundo, o filme é sobre aquilo que a gente esconde — dos outros e de nós mesmos. Morgan teve sua juventude interrompida e viveu à sombra das escolhas que fez para proteger Clara. Clara, por sua vez, sente que nunca teve espaço para ser quem é de verdade. A comunicação entre as duas é quase inexistente, e quando a verdade finalmente aparece, ela não liberta — machuca.
A revelação de que Chris, o marido e pai que sustentava emocionalmente a família, mantinha segredos, faz com que mãe e filha tenham que reconstruir suas identidades. Mas para isso, é preciso coragem. É preciso perdoar, e talvez até amar, mesmo quando tudo está quebrado.
Foto: Divulgação/ Paramount Pictures
Colleen Hoover no comando emocional da produção
Autora de sucessos como É Assim que Acaba e Verity, Colleen Hoover é uma especialista em escrever o que as pessoas sentem, mas não dizem. E neste projeto, ela foi além do papel de escritora: atuou como produtora executiva, acompanhando de perto o processo criativo da adaptação. Ela garantiu que a alma da história — aquela sensação de que estamos lendo ou vendo algo muito pessoal — fosse mantida.
Elenco afiado e narrativa cheia de nuances
Além de Williams e Grace, o elenco traz Dave Franco, Mason Thames, Scott Eastwood e Willa Fitzgerald em papéis fundamentais. Franco vive um amigo da família que guarda mais do que aparenta. Thames interpreta um jovem com quem Clara cria uma conexão inesperada. Eastwood aparece em flashbacks como Chris, o pai cuja morte muda tudo. Já Fitzgerald interpreta uma personagem envolta em mistério, que tem ligação direta com os segredos revelados.
Quando chega aos cinemas?
Com previsão de estreia para o dia 23 de outubro de 2025, Se Não Fosse Você chega aos cinemas como uma das apostas mais emocionantes do ano. A distribuição fica por conta da Paramount Pictures, que já deu sinais de que pretende investir pesado na divulgação do longa, especialmente entre o público feminino e os fãs das obras de Colleen Hoover.
Na próxima sexta-feira, 8 de agosto de 2025, o SBT resgata da memória – e do limbo cinematográfico – um dos filmes mais controversos dos anos 2000: O Filho do Máskara (2005). Com direção de Lawrence Guterman e estrelado por Jamie Kennedy, o longa será exibido na Tela de Sucessos, faixa tradicional da emissora dedicada a filmes de apelo popular. A escolha, no mínimo curiosa, reacende debates sobre o peso das sequências no cinema, o culto às franquias e o que acontece quando uma continuação falha em capturar a essência do original.
O que parecia ser uma tentativa de reviver o sucesso estrondoso de O Máskara (1994), estrelado por Jim Carrey, acabou se tornando uma aula prática de como não fazer uma sequência. Mas, apesar das críticas devastadoras e da bilheteria decepcionante, o filme conquistou certa notoriedade — ainda que como símbolo do que deu errado — e é exatamente por isso que sua exibição hoje merece ser revista sob uma nova lente.
Lançado em 1994, O Máskara não foi apenas um sucesso comercial: foi um fenômeno cultural. Estrelado por um Jim Carrey em plena ascensão e com efeitos visuais inovadores para a época, o filme transformou um personagem de quadrinhos underground da Dark Horse Comics em um ícone do cinema pop. Combinando humor anárquico, energia cartunesca e um toque de irreverência, o longa original arrecadou mais de US$ 350 milhões e foi indicado ao Oscar de melhores efeitos visuais. Para muitos fãs, era impensável uma continuação sem o carisma de Carrey ou a direção afiada de Chuck Russell.
E, no entanto, foi exatamente isso que aconteceu.
O que é O Filho do Máskara?
Segundo a sinopse do AdoroCinema, o longa-metragem surge mais de uma década depois do original, com uma proposta radicalmente diferente: transformar a mitologia caótica e adulta do primeiro filme em uma comédia familiar sobre paternidade e responsabilidade. Jamie Kennedy interpreta Tim Avery, um cartunista inseguro e relutante em ser pai, que se vê em apuros quando seu cachorro encontra a máscara de Loki — o objeto mágico que dá a quem a usa poderes ilimitados e absurdos. Após usá-la em uma festa de Halloween, Tim engravida sua esposa ainda com a máscara no rosto, gerando um bebê sobrenatural com os mesmos poderes. A partir daí, o que se segue é uma batalha insana entre o pai, o bebê e o próprio Loki, interpretado por Alan Cumming, em busca do artefato mágico.
O tom do filme é completamente diferente do original. Onde antes havia humor sombrio e crítica social, agora há cores vibrantes, piadas infantis e referências exageradas a desenhos animados. A tentativa de dialogar com o público infantil e ao mesmo tempo manter a mitologia dos quadrinhos resultou em um Frankenstein cinematográfico que não agrada nem crianças, nem adultos, nem fãs do original.
Um fracasso anunciado
Com um orçamento estimado entre US$ 84 e US$ 100 milhões, O Filho do Máskara arrecadou apenas US$ 57,6 milhões mundialmente — um desastre financeiro. Mas o fracasso nas bilheteiras foi apenas a ponta do iceberg: a recepção crítica foi implacável. O filme recebeu oito indicações ao Framboesa de Ouro, vencendo na categoria “Pior Remake ou Sequência”. Jamie Kennedy e Traylor Howard também foram alvos das premiações negativas, como o Stinkers Bad Movie Awards.
Sites especializados o colocaram frequentemente entre as piores continuações de todos os tempos. No Rotten Tomatoes, mantém uma nota crítica de apenas 6%, com consenso afirmando que o filme é “barulhento, visualmente saturado e sem graça”. No IMDb, a nota 2.2 reflete o desprezo dos espectadores.
A ausência de Jim Carrey e o que poderia ter sido
A sequência foi sonhada desde o sucesso do primeiro filme. A revista Nintendo Power, inclusive, chegou a lançar um concurso nos anos 90 cujo vencedor ganharia um papel em “The Mask II”, estrelado por Carrey. Porém, o ator recusou um cachê de US$ 10 milhões para retornar ao papel, alegando que refazer personagens já interpretados oferecia pouco desafio artístico — uma filosofia que Carrey manteve por anos, com raras exceções.
Sem sua estrela principal, a New Line Cinema decidiu reinventar a franquia. Sai a sátira adulta, entra a comédia familiar. Sai Stanley Ipkiss, entra Tim Avery — nome que, aliás, homenageia o lendário cartunista Tex Avery. A conexão com o universo animado, aliás, é uma das poucas tentativas genuínas de encontrar um novo caminho para a franquia, embora falhe por falta de sutileza.
Um filme que virou cult (por acidente)
Curiosamente, O Filho do Máskara encontrou nos últimos anos um público alternativo. Entre canais de YouTube que analisam “filmes ruins que merecem uma segunda chance”, cinéfilos fascinados por desastres de produção e crianças que o assistiram despretensiosamente em sessões da tarde, o longa adquiriu um status de so bad it’s good (tão ruim que é bom). Não por méritos técnicos ou artísticos, mas justamente por seu absurdo. O bebê de olhos brilhantes, o cachorro que põe a máscara e o Loki carnavalesco de Alan Cumming renderam incontáveis memes, edições cômicas e paródias online.
Se o objetivo do filme era entreter famílias em uma tarde chuvosa, talvez ele tenha alcançado esse pequeno êxito. Mas, como continuação de um clássico dos anos 90, o resultado é desastroso.
A crítica social involuntária
Curiosamente, ao tratar de forma desajeitada o tema da paternidade, o filme acaba levantando questões que vão além do roteiro bizarro. Tim Avery representa o homem moderno às voltas com as expectativas profissionais e familiares. Um pai que se vê impotente diante da hiperatividade de um filho que ele mal entende. A luta entre o cachorro e o bebê — ambos afetados pela máscara — vira metáfora de ciúmes e disputas de atenção, refletindo um lar caótico e desestruturado. Loki, o deus ausente em busca de aprovação paterna, espelha o próprio Tim. E Odin, em seu papel de patriarca rígido, sintetiza a pressão das gerações passadas sobre a parentalidade contemporânea.
Claro, tudo isso é enterrado sob camadas de computação gráfica datada e um humor duvidoso. Mas não deixa de ser curioso como, em meio ao desastre, o filme toca — ainda que superficialmente — em temas relevantes.
Vale a pena assistir?
Se você espera um filme com a mesma inventividade do original, prepare-se para se decepcionar. Mas se encarar O Filho do Máskara como uma obra avulsa, quase paródica de si mesma, pode encontrar momentos de diversão, ainda que involuntária. As animações exageradas, os efeitos caricatos e a narrativa nonsense são dignas de uma madrugada de risadas despreocupadas — ou de um jogo de bebida para cada vez que o bebê usa seus poderes de forma caótica.
No fim, o filme não oferece respostas, redenções nem grandes reviravoltas. É uma colcha de retalhos de ideias que tentam resgatar um espírito anárquico sem o mesmo talento. Ainda assim, permanece como um curioso retrato de uma época em que Hollywood acreditava que bastava colocar uma marca conhecida no título para atrair público — e que sequências podiam viver apenas da fama do original.