Max Oliver: O Protetor das Galáxias | Jonatas Aragão fala sobre como transformou a dor em ficção e esperança

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Por trás de lutas intergalácticas e um multiverso recheado de inteligência artificial, mitologia e desigualdade social, Max Oliver: O Protetor das Galáxias guarda algo muito mais íntimo: a história de um homem que usou a imaginação como forma de sobrevivência. Escrita por Jonatas Aragão, a saga não nasceu em meio ao conforto de um escritório silencioso, mas sim em um porão improvisado, onde a esperança era o único alicerce possível.

Na conversa a seguir, Jonatas compartilha como deu vida ao seu protagonista em um dos momentos mais difíceis da própria trajetória — e como a ficção virou abrigo, motivação e caminho de transformação. Max, afinal, não é apenas um herói de fantasia. É reflexo da luta de quem, mesmo sem superpoderes, decide continuar tentando.

Como nasceu o universo de Max Oliver? Há quanto tempo essa história te acompanha?

Tudo começou entre 2019 e 2020, quando me mudei para São Paulo em busca de uma vida melhor. Chegando na Baixada Santista, enfrentei uma realidade dura: desemprego, dificuldades financeiras e, mais tarde, a pandemia, que agravou ainda mais a situação. Como meu relacionamento com a esposa do meu pai não era bom, acabei sendo expulso de casa.

Passei a viver em um porão, dormindo em uma cama feita de blocos de cimento e pedaços de madeira, coberta por uma espuma fina. Me sentia completamente derrotado.

Foi num desses dias tristes que ouvi, pelo celular emprestado do dono da casa, a música Tente Outra Vez, de Raul Seixas. Aquela canção despertou algo dentro de mim — um desejo quase esquecido de recomeçar. Ao lado da cama, havia um caderno velho. Peguei uma caneta e rabisquei os primeiros personagens: um garoto com dois braceletes e uma menina misteriosa. Eles viriam a ser Max Oliver e Sarah Blake.

Ali, naquele instante, eu entendi que a escrita poderia me resgatar. Aquela história se tornaria minha força. Assim nasceu o primeiro volume da saga, que hoje sei que terá doze. Foi o meu jeito de transformar dor em criação.

Seu livro mistura multiversos, desigualdade, IA e mitologia. Como costurou tudo isso sem perder o lado emocional?

A desigualdade social foi o ponto de partida. No primeiro volume, ela está muito presente. Me inspirei no bairro do Bronx, nos EUA — lugar de abandono e sobrevivência. Max é um garoto criado no pior bairro de Nova York, vivendo com a mãe, Bárbara, uma mulher guerreira. Do outro lado da balança está Sarah Medellín Blake, uma jovem multibilionária de uma das famílias mais influentes do mundo. A distância entre eles não é só financeira — é um abismo de experiências.

Mas não queria contar apenas uma história sobre contrastes sociais. Quis sonhar maior. Quis criar um multiverso onde tudo fosse possível: raças inéditas, tecnologias imaginárias, culturas próprias e até civilizações inteiras.

A mitologia entrou depois, por sugestão do coautor Jorge Miguel, que viu na mitologia um elo simbólico capaz de aprofundar ainda mais a trama. Ela trouxe camadas, significados, pontes entre passado e futuro.

Apesar da variedade de elementos, a emoção sempre foi meu norte. Queria tocar o coração das pessoas — crianças, adultos ou idosos. Escrevo de forma simples, direta, mas com espaço para quem quiser mergulhar fundo.

A nostalgia geek é muito presente. Qual foi o papel das referências dos anos 90 e 2000 na construção da saga?

Essas referências foram fundamentais. Não como adorno, mas como essência. As produções geek da minha infância e adolescência — Ben 10, Liga da Justiça, Super Choque, Homem-Aranha, Batman do Futuro — todas elas me ensinaram valores.

Mais do que ação, elas falavam sobre coragem, empatia, sacrifício, amizade. Eram verdadeiras aulas de humanidade disfarçadas de aventura.

Ao colocar essas influências em Max Oliver, meu objetivo foi duplo: prestar uma homenagem afetiva e apresentar essas vibrações a uma nova geração. Muitos jovens de hoje não conheceram essas obras, então quis trazer, com minha própria linguagem, um pouco daquela mágica de volta.

Qual é, no fim das contas, a mensagem que você gostaria que os leitores levassem de Max Oliver?

Espero que os leitores entendam que Max Oliver é mais do que ficção científica — é uma história sobre gente. Sobre nós. Sobre dor, escolhas e recomeços.

Quero que cada pessoa que leia o livro perceba que também carrega dentro de si um potencial enorme, ainda que adormecido. E que esse potencial, às vezes, só desperta nos momentos mais escuros da vida.

Não são os superpoderes que tornam alguém especial. São as decisões que tomamos quando tudo parece perdido. Max não é invencível. Ele sofre, erra, cai. Mas segue em frente — e isso o transforma.

No fim, meu desejo é que Max Oliver seja, para quem lê, o que ele foi para mim: uma fagulha de esperança. Uma lembrança de que ainda dá pra tentar. Ainda dá pra recomeçar.

Aniversário de 22 anos da Cinesystem traz descontos e surpresas para os cinéfilos

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Completar mais de duas décadas de história no mercado do entretenimento não é para qualquer um. A Cinesystem, uma das maiores redes de cinemas do Brasil, está comemorando seus 22 anos em grande estilo — e a festa é para todo mundo que ama a experiência de assistir a um filme na telona.

Em um momento em que os cinemas voltam a encher as salas e o público cresce a cada mês, a rede aproveita para agradecer a confiança dos espectadores com uma série de promoções que valem para todo o mês de agosto, até o dia 27. É a chance de curtir cinema de qualidade pagando pouco e ainda ganhar brindes especiais.

Mais que cinema: uma experiência que conecta pessoas

Para o fundador e CEO da Cinesystem, Marcos Barros, a rede sempre teve um propósito claro: “Não queremos apenas vender ingressos, queremos criar momentos que ficam na memória. Por isso investimos em conforto, tecnologia e atendimento. Ver o público crescendo e vibrando nas salas é a maior recompensa.”

E essa conexão com o público se reflete nos números: a Cinesystem teve um crescimento acima da média do setor, com mais de 21% de aumento no público só no primeiro semestre de 2025, mostrando que apostar na qualidade e inovação faz toda a diferença.

Promoções para todos os gostos e horários

Se você é fã de cinema e quer aproveitar o melhor do audiovisual pagando menos, a “Festa do 22” é uma oportunidade imperdível.

O Combo G, que traz uma pipoca grande e um refrigerante de 700 ml, sai por apenas R$ 22 — perfeito para quem quer acompanhar o filme com um lanchinho caprichado.

Para quem gosta de sessões noturnas, todas as exibições que começarem às 22h terão ingressos promocionais a R$ 10, tornando a saída para o cinema uma ótima pedida até mesmo depois de um dia cheio.

E para os membros do programa de fidelidade Clube da Pipoca, tem um mimo extra: a cada visita durante o período da festa, eles ganham 22 pontos adicionais, acelerando as recompensas e mostrando que a rede valoriza seus clientes fiéis.

A clássica Quinta do Beijo ganha um toque especial

Uma das promoções mais divertidas da Cinesystem, a Quinta do Beijo, também faz parte das comemorações. Para celebrar, a rede baixou o preço do par de ingressos para R$ 22.

A mecânica continua simples e cheia de afeto: basta que duas pessoas troquem qualquer tipo de beijo em frente à bilheteria — seja um selinho, beijo na testa, na mão ou até entre amigos — e garantem o desconto na hora.

É uma forma carinhosa de espalhar afeto e celebrar a cumplicidade, mostrando que o cinema pode ser espaço para amor em todas as formas.

Surpresas que ainda estão por vir

Além das promoções já anunciadas, a empresa promete novidades ao longo de agosto. A ideia é manter o público animado e envolvido, com ações que valorizem a cultura, o entretenimento e o acesso democrático ao cinema.

“Nossa missão é levar cinema de qualidade para cada vez mais pessoas, por isso estamos sempre pensando em como tornar essa experiência mais acessível e marcante”, explica Barros.

Histórias que marcam o cinema brasileiro

Ao longo desses 22 anos, a Cinesystem coleciona histórias de sucesso e criatividade. Entre as ações mais memoráveis estão campanhas que conectaram o cinema à cultura pop e à vida real, como quando deram ingressos gratuitos para quadrigêmeos no lançamento de Quarteto Fantástico, ou a ação que premiou o dono do cachorro mais parecido com Krypto, o cão do Superman, com cinema grátis por um ano.

Também destacam-se campanhas temáticas, como descontos para clientes com nomes olímpicos, ingressos para quem se vestiu a caráter em datas comemorativas e descontos especiais para quem participou de eventos fantasiado.

Essas iniciativas mostram que a Cinesystem não é apenas uma rede de salas, mas um espaço vivo, conectado à comunidade e às emoções de seu público.

Um Amor Mais que Perfeito | Maria Fernanda Leite conta a história de uma jovem princesa em busca de si mesma

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Nem sempre a vida é como imaginamos — especialmente quando se carrega o peso de um legado e a responsabilidade de um reino. É nesse contexto que a escritora Maria Fernanda Leite apresenta sua nova obra, Um amor mais que perfeito, um romance cristão que fala sobre os desafios da juventude, o processo de amadurecimento e as decisões que moldam nosso destino.

A protagonista da história é Leticia, uma jovem princesa que vive no luxuoso castelo de Alandy. Ela é a futura rainha do reino e enfrenta uma rotina pesada de estudos para estar à altura das expectativas que recaem sobre seus ombros. Tudo parecia estar seguindo um caminho perfeito — até que a morte súbita da mãe a coloca diante de um vazio imenso.

O impacto da perda e a busca por sentido

A morte da mãe de Leticia não é apenas um acontecimento triste; é um divisor de águas na vida da jovem. A dor do luto faz com que ela se questione quem é e onde quer chegar, principalmente porque toda a sua existência até então fora guiada por obrigações e decisões alheias à sua vontade. Com o pai assumindo um papel rígido e autoritário, Leticia se sente presa entre o amor familiar e as expectativas do reino. É neste cenário que a busca por sua própria identidade começa, uma caminhada nem sempre fácil, cheia de dúvidas e confrontos internos.

Entre o dever e o amor: um casamento arranjado

A pressão aumenta quando o rei anuncia que Leticia será prometida em casamento ao príncipe Peter, herdeiro da coroa do Canadá, numa tentativa de fortalecer alianças políticas entre os dois países. A notícia não agrada Leticia, que vê nesse acordo uma ameaça à sua liberdade. Peter, por sua vez, chega ao castelo com uma postura que inicialmente irrita a princesa. Ele é visto como arrogante e mimado, e os dois acabam travando uma relação marcada por desentendimentos e resistência.

Corações em conflito: o surgimento de um novo amor

Mas o destino reserva surpresas. A entrada de um músico na vida de Leticia mexe com seus sentimentos e traz uma nova perspectiva sobre o que é o amor de verdade. Diferente do compromisso imposto, esse relacionamento surge de forma espontânea, despertando nela emoções genuínas e a esperança de um futuro diferente. A narrativa acompanha essa luta interna, onde a princesa precisa decidir entre seguir o caminho esperado ou ouvir o que seu coração realmente deseja.

Uma história para os jovens que buscam seu lugar no mundo

Mais do que um romance, o filme é uma reflexão sobre os dilemas enfrentados por muitos jovens — a dificuldade de encontrar autonomia, o peso das expectativas familiares e sociais, e a coragem necessária para fazer escolhas que desafiem o status quo. Maria Fernanda escreve com sensibilidade e realismo, mostrando que mesmo aqueles que parecem ter uma vida perfeita também enfrentam conflitos profundos e precisam aprender a lidar com suas emoções.

Um convite à fé e à esperança

No meio das provações, o livro traz uma mensagem de fé e esperança. Para leitores cristãos e para todos que valorizam histórias de superação, a obra oferece um olhar inspirador sobre como a fé pode ser um apoio fundamental para atravessar momentos difíceis e encontrar um propósito renovado.

Saiba qual filme vai passar no Supercine deste sábado (02/08)

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É difícil assistir a Queen & Slim – Os Perseguidos e sair ileso. O filme, que vai ao ar neste sábado, 2 de agosto de 2025, no Supercine da TV Globo, é o tipo de obra que te agarra pelo colarinho, sacode as emoções e te obriga a encarar o espelho da realidade – mesmo quando o que se vê ali incomoda.

Sob a direção vibrante de Melina Matsoukas (a mesma mente criativa por trás de clipes icônicos de Beyoncé), e com roteiro assinado por Lena Waithe, o longa-metragem mistura romance, crítica social e tensão de thriller em um combo emocional de tirar o fôlego. Tudo começa com um encontro – um date despretensioso, como tantos outros. Mas basta uma única noite para virar a vida do casal do avesso. As informações são do AdoroCinema.

Um encontro como qualquer outro. Até que não é mais.

Angela (interpretada com intensidade por Jodie Turner-Smith) é uma advogada criminal, direta, séria, calejada. Ernest, ou simplesmente Slim (Daniel Kaluuya, no melhor estilo silenciosamente magnético), é um cara tranquilo, religioso, quase introspectivo. Eles se encontram por um aplicativo e saem para jantar. A química não explode de imediato. São dois desconhecidos, cada um com sua bagagem, suas feridas e suas formas de resistir ao mundo.

Na volta para casa, o inesperado: eles são parados por um policial branco por uma infração de trânsito banal. O que deveria ser só mais uma abordagem vira um momento tenso, violento – e trágico. Em legítima defesa, Slim mata o policial. A cena é gravada por um celular, viraliza na internet, e, em questão de horas, Queen e Slim se tornam alvos da polícia e símbolos involuntários da luta contra a violência racial nos Estados Unidos.

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Fuga, amor e identidade

A partir daí, o filme se transforma em uma jornada de fuga – mas também de descoberta. Sem saber exatamente para onde ir, o casal embarca em uma espécie de road trip pela América profunda, cruzando cidades, encontrando aliados e enfrentando perigos. Aos poucos, o que era uma relação marcada pelo estranhamento vai se transformando em algo maior: um amor nascido da urgência, da vulnerabilidade e da conexão diante do abismo.

Mas Queen & Slim nunca deixa o espectador esquecer: esse não é só um romance. É um retrato cru da experiência negra em um país onde o simples ato de existir pode ser uma ameaça. A perseguição que o casal sofre não é apenas literal — ela representa séculos de opressão, silenciamento e medo.

Um filme com algo a dizer — e que diz com força

A beleza do filme está na forma como ele combina poesia e brutalidade. A fotografia é deslumbrante: estradas vazias, pores do sol quentes, silhuetas recortadas contra o horizonte — tudo embalado por uma trilha sonora arrebatadora, que vai de hip hop a soul, passando por momentos de absoluto silêncio que falam mais do que mil diálogos.

A diretora Melina Matsoukas, em seu primeiro longa-metragem, não economiza em estilo, mas também não sacrifica o conteúdo. O filme tem uma estética que lembra videoclipes — cortes rápidos, cenas coreografadas com precisão, uma atenção quase religiosa à luz e à textura da imagem. Mas essa beleza nunca suaviza o que está sendo contado: o peso da violência policial, a herança do racismo estrutural, o poder das redes sociais em moldar narrativas e o risco de ser transformado em símbolo quando só se quer sobreviver.

Daniel Kaluuya e Jodie Turner-Smith: química sob pressão

Grande parte da força do filme vem da atuação do casal protagonista. Daniel Kaluuya, que já havia impressionado o mundo com seu papel em Corra!, entrega aqui um personagem contido, mas profundo. Seu Slim é gentil, quase passivo, até que o mundo exige outra postura. Já Jodie Turner-Smith estreia com força: sua Queen é dura, estratégica, mas não menos sensível. Juntos, eles formam uma dupla que cresce a cada cena — e carrega o filme nas costas.

A química entre os dois vai surgindo aos poucos, sem pressa. Eles não se apaixonam “à primeira vista” — e talvez nem tenham tempo de se apaixonar como gostaríamos. Mas há algo entre eles que é real: um laço forjado sob pressão, que se torna íntimo porque é urgente. Porque não há garantias de um amanhã.

Símbolos, heróis e sacrifícios

É interessante perceber como o filme joga com a ideia de “mártires” e “heróis”. Queen e Slim não queriam ser ícones. Eles não tinham um plano político. Apenas queriam voltar para casa vivos. Mas a internet, a mídia, os protestos — tudo isso os transforma. Vemos cenas de pessoas celebrando o casal, fazendo grafites com seus rostos, tratando-os como símbolos da resistência negra. Mas também vemos o peso que isso impõe: ser transformado em símbolo é, muitas vezes, deixar de ser humano.

O roteiro de Lena Waithe acerta ao mostrar a dualidade disso tudo. Há beleza no levante popular, nos atos de solidariedade, no orgulho comunitário. Mas há também tristeza — porque essa idolatria vem sempre depois da dor. Depois da perda. Depois da violência.

Não é um final feliz. Mas é necessário.

Sem dar spoilers, vale dizer que a trama não entrega um desfecho típico de Hollywood. Não há final amarrado, nem promessas de redenção fácil. O filme termina como começou: com um retrato honesto e, às vezes, duro da realidade. Mas essa honestidade é o que torna o filme tão necessário.

É impossível não se emocionar. É impossível não refletir. E, talvez, seja justamente essa a proposta: fazer a gente parar, nem que por duas horas, e pensar sobre o que significa existir em um mundo onde o racismo ainda mata — direta ou indiretamente.

Uma obra atual, mesmo anos depois

Lançado em 2019, o longa não perdeu a força — pelo contrário. Em 2025, com os debates sobre justiça racial, inteligência artificial e responsabilidade social ganhando novos contornos, a produção americana continua sendo um lembrete do que está em jogo. É um filme sobre escolhas difíceis, sobre amor em tempos sombrios, e sobre como, às vezes, a simples decisão de seguir em frente pode ser um ato revolucionário.

Onde posso assistir?

Além da exibição na TV aberta, o filme também está disponível em plataformas digitais. No Prime Video, você pode alugá-lo a partir de R$ 6,90, oferecendo uma opção acessível para quem prefere assistir no conforto de casa, no horário que quiser. Basta acessar o serviço, buscar pelo título e iniciar a reprodução com poucos cliques.

Instinto de Eternidade | David O. Silveira Jr. propõe reflexões sobre espiritualidade e a busca por sentido

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Das ruas fervilhantes do subúrbio carioca ao misticismo que move milhares no Círio de Nazaré, em Belém, a ficção científica brasileira ganha um novo fôlego com o livro “Instinto de Eternidade”, de David O. Silveira Jr. Em meio a uma paisagem tropical atravessada por espiritualidade, inteligência artificial e dilemas existenciais, o autor propõe uma provocação necessária: e se o futuro da humanidade estiver menos na tecnologia e mais na forma como nos conectamos com o que acreditamos — ou deixamos de acreditar?

Mais do que uma aventura cyberpunk, a obra costura realidades brasileiras com dilemas universais. A história acompanha Damiel Bastos, um jovem inquieto que vê sua vida virar de cabeça para baixo quando o pai, reverendo de uma comunidade local, é acusado de um crime. O que parecia ser apenas uma crise familiar se transforma numa jornada de descoberta — sobre o passado, o futuro e os muitos “eus” que cabem em uma só existência.

A seguir, David compartilha as raízes desse projeto que levou quase duas décadas para tomar forma e revela por que acredita que a imaginação pode ser a chave para reconstruir o nosso amanhã.

Entrevista

“A diferença entre colapso e transcendência talvez esteja na nossa capacidade de colaborar com quem pensa diferente.”

Seu livro cruza ciência, espiritualidade e mitologia — de onde veio o impulso para criar essas pontes?
Sempre me impressionou essa busca humana por sentido. Como tantos brasileiros, cresci em um ambiente de fé, mas em algum momento mergulhei também no universo da ciência, em busca de respostas mais tangíveis. Com o tempo, percebi que essas duas formas de conhecimento — fé e razão — respondem perguntas diferentes, mas não precisam ser inimigas.
O livro nasceu quando descobri o conceito de “mito do planeta”, do Joseph Campbell. A ideia de uma nova mitologia que acolhesse a complexidade do nosso tempo — com espiritualidade, inteligência artificial, dilemas morais, mudanças climáticas… — me instigou profundamente. Instinto de Eternidade é minha tentativa de unir essas dimensões: o encantamento do mito, a coragem da ciência e o poder da imaginação.

O protagonista Damiel tem algo de você?
Bastante. Damiel é a criança curiosa que eu fui e também o adulto que precisou desconstruir várias certezas. Ele representa o desconforto de quem cresceu dentro de um sistema de crenças muito rígido e, em algum momento, percebeu que não conseguia mais habitá-lo do mesmo jeito. Mas ao invés de rejeitar tudo, ele escolhe buscar novas formas de conexão.
Além disso, Damiel vive um conflito central do nosso tempo: como encontrar sentido em um mundo dominado por algoritmos, notícias instantâneas e inteligências artificiais? O que nos mantém humanos diante de tudo isso?

Sua trajetória pessoal, da religião à espiritualidade mais ampla, moldou a narrativa?
Com certeza. Tive uma vivência religiosa muito intensa, que foi verdadeira por um bom tempo. Mas também vivi um colapso espiritual — aquele momento em que nada mais parece fazer sentido. Essa travessia me deu um olhar mais empático, tanto com quem crê quanto com quem duvida.
Acredito que os mitos e as narrativas sagradas não precisam ser descartadas, mas sim reinterpretadas. Instinto de Eternidade é também uma tentativa de ressignificar esses símbolos, propondo uma nova leitura do sagrado à luz do nosso tempo.

Por que ambientar uma história de ficção científica no Brasil — e especificamente no Rio e em Belém?
Porque o Brasil é território fértil para o futuro, mesmo que a gente nem sempre perceba isso. Nossa cultura é feita de contradições — e é justamente aí que mora a potência. Quis mostrar um Rio que não é só cartão-postal, mas onde o cyberpunk já pulsa no cotidiano do subúrbio. Um Brasil onde fé e ceticismo andam lado a lado.
Belém, com o Círio de Nazaré, é um dos maiores símbolos dessa mistura. A maior procissão católica do mundo, cheia de sincretismo, emoção, corpo e fé. Era o cenário perfeito para um evento de grande impacto. Se o épico acontece em qualquer lugar, por que não aqui?

O projeto levou quase vinte anos para amadurecer. O que foi mais difícil nesse processo?
A parte mais desafiadora foi encontrar equilíbrio entre espiritualidade e racionalidade. Foram muitos rascunhos — alguns mais céticos, outros mais místicos. Demorei a entender que não precisava escolher um lado, que podia criar algo híbrido.
Também enfrentei o medo da exposição. Mesmo sendo uma ficção, o livro carrega perguntas muito íntimas. Queria que a história fosse honesta, e isso exigiu um mergulho pessoal profundo. Mas esse tempo de maturação foi essencial — tanto para a história quanto para mim como autor.

Que tipo de transformação você espera provocar nos leitores?
Gostaria que, ao final da leitura, o leitor se sentisse provocado a imaginar futuros mais amplos — e mais empáticos. Que questionasse suas certezas, reconhecesse sua vulnerabilidade, mas também seu poder criativo.
A ficção científica pode ser muito mais do que naves e distopias. Pode ser um laboratório de possibilidades, um espaço para experimentarmos ideias antes de aplicá-las no mundo real.
Se Instinto de Eternidade ajudar alguém a imaginar um futuro onde ciência, fé e arte coexistem com mais diálogo e menos guerra, já terá cumprido seu papel. E, quem sabe, inspirado outros a escreverem suas próprias utopias.

Uma Boa Notícia | Documentário brasileiro sobre Cuidados Paliativos chega gratuitamente ao Globoplay

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Em meio a uma rotina médica tantas vezes marcada por diagnósticos difíceis e decisões complexas, surge uma narrativa diferente — feita de escuta, acolhimento e presença. O documentário brasileiro Uma Boa Notícia – o conforto sob a tempestade acaba de chegar ao catálogo do Globoplay, oferecendo ao público uma rara e tocante imersão no universo dos Cuidados Paliativos no Brasil.

Fruto de uma colaboração entre o A.C.Camargo Cancer Center, o Instituto Ana Michelle Soares e o canal Futura, o filme é o primeiro sobre o tema a ser disponibilizado de forma gratuita na plataforma de streaming da Globo. Mais do que um conteúdo informativo, a produção se propõe a provocar reflexão — e, acima de tudo, humanidade.

Quando o cuidado é mais que tratamento

Durante seus pouco mais de 50 minutos, o documentário acompanha profissionais da saúde, pacientes e familiares que convivem diariamente com o câncer e com outras doenças graves. Mas engana-se quem espera uma narrativa centrada na dor ou na despedida. O que “Uma Boa Notícia” mostra é justamente o contrário: o poder do cuidado ativo, sensível e contínuo, que busca aliviar sofrimentos e valorizar o tempo de vida com dignidade e escuta atenta.

No centro do filme está a rotina dos profissionais do A.C.Camargo Cancer Center, referência nacional em oncologia, e um dos primeiros no país a adotar a abordagem dos Cuidados Paliativos de forma integrada ao tratamento desde o início da jornada do paciente.

“Cuidados Paliativos não são o fim”

A frase escolhida como slogan do filme – “Cuidados Paliativos não são o fim, são apenas o começo” – resume bem a proposta da obra. Muito além do estigma da terminalidade, o documentário reforça que esse tipo de cuidado não significa desistência, mas sim uma virada de chave no modo como a medicina e a sociedade enxergam o sofrimento humano.

A abordagem paliativista se concentra em aliviar sintomas físicos, dores emocionais, angústias existenciais e até questões sociais que afetam o bem-estar do paciente e de quem está ao seu lado. Trata-se de uma prática que reconhece a pessoa em sua integralidade — e não apenas a doença que a acomete.

Histórias que tocam, vidas que inspiram

Com um olhar sensível e respeitoso, a produção se aproxima de histórias reais de pacientes que enfrentam o câncer com coragem, vulnerabilidade e, muitas vezes, bom humor. Através de depoimentos comoventes e momentos de acolhimento, o documentário revela que o cuidado paliativo também pode ser sinônimo de esperança, mesmo em cenários complexos.

Ao lado desses relatos, o público também conhece o dia a dia de médicos, enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas e assistentes sociais que atuam como pontes entre o sofrimento e o alívio possível. Profissionais que, mesmo diante de situações difíceis, oferecem conforto — físico, emocional e até espiritual.

Da ideia ao streaming: uma construção coletiva

Dirigido por Flávio Vieira, que também assina o roteiro ao lado de Tom Almeida e da jornalista Juliana Dantas, o projeto nasceu da vontade de ampliar o debate público sobre um tema ainda cercado de tabus. Com o apoio do canal Futura e o envolvimento direto do Instituto Ana Michelle Soares — criado em homenagem à médica paliativista que se tornou símbolo da humanização no cuidado —, o documentário ganha força não só como conteúdo audiovisual, mas como ferramenta de conscientização.

Segundo os realizadores, a ideia foi mostrar que, mesmo em contextos adversos, é possível construir uma jornada de cuidado marcada por sentido, presença e autonomia.

Acesso gratuito e necessário

O documentário já está disponível gratuitamente para todos os assinantes do Globoplay, incluindo no plano aberto com login. É uma oportunidade rara de conhecer uma parte fundamental da medicina que, muitas vezes, permanece invisível para o grande público.

One Piece | Segunda temporada do live-action promete clima mais sombrio e violento, afirma novo ator da série

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A nova etapa da adaptação live-action de One Piece, produção da Netflix baseada no mangá de Eiichiro Oda, deve apresentar uma mudança significativa no clima da história. O ator David Dastmalchian, conhecido por seus papéis intensos em filmes como O Esquadrão Suicida e Homem-Formiga, entra para o elenco como o excêntrico vilão Sr. 3, e adiantou que a segunda temporada mergulha em um território mais sombrio e visualmente impactante.

Em entrevista ao site CBR (ComiBook), Dastmalchian destacou que os novos episódios terão um tom mais pesado, com cenas mais violentas e atmosferas que flertam com o suspense. “O que acontece em Little Garden, com o Sr. 3 sendo enviado pelo Sr. 0, é assustador de um jeito que a primeira temporada não foi. Muito violento. Visuais incríveis”, disse o ator.

Fidelidade ao mangá continua sendo prioridade

Apesar da mudança no tom, o respeito à obra original segue firme. Dastmalchian comentou que seu próprio filho é fã de longa data do mangá e do anime, e que a adaptação em live-action conseguiu manter viva a essência do universo criado por Oda. Segundo ele, o envolvimento direto do autor como produtor executivo é um dos motivos dessa fidelidade, algo que a equipe criativa preserva com cuidado.

Oda acompanha de perto o desenvolvimento da série, junto com Marty Adelstein e Becky Clements, da Tomorrow Studios. A primeira temporada estreou em 2023 com forte recepção do público e da crítica, justamente por equilibrar aventura, emoção e uma estética fiel ao material original.

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Uma nova fase para os Chapéus de Palha

A segunda temporada deixará o East Blue para trás e seguirá com os Chapéus de Palha em direção ao Grand Line, onde a narrativa se torna mais complexa, os conflitos ganham peso moral, e os inimigos passam a representar ameaças reais à sobrevivência da tripulação. Um desses antagonistas é o próprio Sr. 3, integrante da misteriosa organização Baroque Works, liderada pelo implacável Crocodile.

Com sua habilidade de criar e manipular cera sólida, Galdino impõe desafios estratégicos e psicológicos aos protagonistas. Sua presença em Little Garden marca o início de uma fase onde a leveza cede espaço a tensões mais duradouras — o que não significa que o carisma da tripulação se perca, mas que os riscos agora são maiores.

Elenco principal retorna — e ganha reforços

O núcleo principal da série continua formado por Iñaki Godoy, no papel de Monkey D. Luffy; Emily Rudd, como a destemida cartógrafa Nami; Mackenyu, vivendo o espadachim Zoro; Jacob Romero Gibson, como o criativo atirador Usopp; e Taz Skylar, no papel do carismático cozinheiro Sanji. O entrosamento entre os atores foi um dos pontos mais elogiados na primeira temporada e seguirá como peça-chave nos novos episódios.

Além do retorno dos rostos já conhecidos pelo público, o elenco será ampliado com personagens emblemáticos dos próximos arcos. Entre eles, os gigantes Dorry e Brogy, que habitam a ilha pré-histórica de Little Garden, e outros membros da Baroque Works, que começam a ganhar espaço como ameaça constante. A chegada de Dastmalchian, com seu estilo único e presença intensa, promete acrescentar uma nova camada de tensão à narrativa.

Rumo a uma adaptação mais ousada

O lançamento inicial da série, em agosto de 2023, mostrou que adaptar um anime para o live-action pode funcionar — desde que feito com respeito e criatividade. A recepção calorosa abriu caminho para uma segunda temporada mais ambiciosa, que agora se permite experimentar com atmosferas diferentes e conflitos mais dramáticos.

A narrativa evolui junto com os personagens. Luffy e seus companheiros, que até aqui enfrentaram desafios pontuais com otimismo e astúcia, começam a encarar dilemas que exigem mais do que coragem: demandam maturidade, escolhas difíceis e, em muitos momentos, dor.

Estreia prevista e expectativas

Ainda sem data oficial, a segunda temporada deve estrear no primeiro semestre de 2026, com produção em ritmo acelerado. Até lá, a primeira temporada permanece disponível na Netflix, e bastidores das gravações podem ser acompanhados pelas redes sociais do elenco e da equipe.

O live-action de One Piece continua ganhando espaço não apenas entre os fãs da franquia, mas também entre novos públicos que encontram na série um universo rico em fantasia, aventura e laços humanos.

De um mangá para o mundo

Lançado em 1997, o mangá de One Piece atravessou décadas, idiomas e fronteiras culturais. Com mais de mil episódios no anime e volumes incontáveis em circulação, a obra de Eiichiro Oda transformou-se em um dos pilares da cultura pop mundial. A versão live-action é, hoje, uma extensão desse legado — e promete seguir expandindo esse universo com criatividade, coragem e ainda mais emoção.

Geraldo Luís faz desabafo impactante no “The Noite” desta quinta (31/07) e revisita trajetória marcada por emoção e jornalismo popular

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Nesta quinta, 31 de julho, Geraldo Luís será o convidado especial no The Noite com Danilo Gentili, que será exibido no SBT logo após a meia-noite. Conhecido por seu jeito direto e coração à flor da pele, o jornalista revisitará momentos marcantes de sua carreira, falará sobre o afastamento da televisão aberta do público e não poupará críticas ao modelo atual de programação. “A TV aberta está na UTI”, ele declarará com sinceridade. As informações são do SBT.

O encontro promete momentos de risadas, emoção e até espaço para o amor — ou pelo menos uma tentativa da produção do programa de apresentar uma nova companhia para o apresentador. No palco, o apresentador mostrará toda sua autenticidade, relembrando o jornalismo que sempre defendeu: feito com alma, nas ruas, olhando nos olhos de quem sofre.

A origem de um contador de histórias

Nascido em Limeira (SP), Geraldo iniciou sua carreira no jornalismo ainda jovem, como repórter policial no rádio. Serão cerca de duas décadas cobrindo tragédias, emergências e os bastidores das delegacias do interior paulista. O que o destacou será sua sensibilidade: ele não contará apenas os fatos, mas a dor por trás deles.

Em 2007, ele chegará à Record TV como uma aposta e, em pouco tempo, se tornará fenômeno comandando o Balanço Geral, com seu famoso bordão “Balança!”, histórias populares e uma conexão genuína com o público. No programa, Geraldo se emocionará ao relembrar esse período: “Era o programa de quem acreditava que a notícia também tinha coração. Que não era só estúdio e teleprompter.”

Saída da TV aberta e críticas à programação atual

Mais recentemente, o jornalista esteve à frente de dois projetos na RedeTV! — o dominical Geral do Povo e o noturno Ultra Show. Apesar de ter deixado a emissora em 2024, ele guardará boas lembranças dessa fase. “Chegamos a bater picos de audiência. A matéria sobre o irmão da Suzane von Richthofen, por exemplo, explodiu. O produtor me ligou dizendo que ele estava vivendo isolado num sítio abandonado da família. Era uma história real, forte, que ninguém tinha contado ainda.”

Porém, o foco da conversa será sua visão crítica sobre a crise de identidade da TV aberta. Para ele, os canais perderam o pulso do que o público realmente deseja assistir. “A televisão insiste em inventar o que não precisa. Perdeu a simplicidade. Hoje, está distante do telespectador. A pessoa passa horas no celular atrás do que realmente quer ver. Me pergunte: fora o futebol, que programa ainda prende alguém no sofá por duas horas?”, questionará.

Com quase seis milhões de seguidores no Instagram, o comunicador não esconderá a frustração, mas também não se entregará ao conformismo. “A TV aberta ainda será necessária. Mas está doente. E ninguém vai querer admitir isso.”

Marcelo Rezende, mentoria e saudade

Entre os momentos mais emocionantes da entrevista, o convidado abrirá o coração ao falar sobre Marcelo Rezende, a quem chama de “seu grande mestre”. A voz embargará quando ele disser: “O Marcelo foi o cara que brigou por mim dentro da Record. Ele acreditava no jornalismo popular feito com alma, com o pé na lama. Ele colocou muita gente no ar e nunca teve medo de dar chance para quem estava de fora do eixo.”

A amizade dos dois foi construída na base da confiança mútua e da afinidade editorial. Para Geraldo, essa escola — a do jornalismo com verdade e empatia — ainda pulsará, mesmo com as mudanças de formato e plataforma.

Do necrotério à bancada: causos e confissões

Nem só de seriedade viverá o bate-papo. Com a naturalidade de quem já viveu mil vidas em uma, Geraldo contará histórias de quando foi agente funerário. “Eu trocava cadáver. Literalmente. Aprendi a lidar com a morte muito cedo. Isso me ensinou a respeitar a vida como poucos.”

E entre uma lembrança e outra, a produção resolverá brincar com o lado romântico (e solteiro) do apresentador: o desafiará a participar do quadro “The Noite L’Amour”, onde terá que “buscar uma nova namorada” no programa. Renderá risadas, improvisos e um Geraldo desarmado, que aceitará a brincadeira com bom humor: “Tô precisando mesmo. Se for pra dar risada e sair da solidão, tô dentro!”.

Novos rumos, mesma essência

Mesmo longe das grandes emissoras, Geraldo Luís não abandonará o público. Muito pelo contrário. Ele criará o canal “Geraldo Luís TV” no YouTube, onde continuará contando histórias de gente invisibilizada. Além disso, comandará o podcast “Vozes Invisíveis”, projeto que dará espaço a moradores de rua e pessoas em situação de vulnerabilidade social.

“Essas pessoas existem. Elas têm nome, têm história. E a televisão esqueceu delas”, afirmará. Para ele, a missão de comunicar vai além de contrato ou audiência. “Eu me vejo como um mensageiro da dor. Não quero só noticiar tragédia. Quero mostrar humanidade, onde ninguém quer olhar.”

Martin Lawrence troca o riso pelo medo em “Gaiola Mental”, filme da “Super Tela” deste sábado (02/08)

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Foto: Reprodução/ Internet

Você conhece Martin Lawrence pelas gargalhadas. Pelas caretas em “Vovó… Zona”, pelos gritos e explosões em “Bad Boys”. Mas neste sábado, 2 de agosto de 2025, a Super Tela da Record TV traz uma face quase desconhecida do ator: a do medo. No suspense, o comediante americano abandona o humor para mergulhar em um universo sombrio, onde arte e morte se entrelaçam em um jogo psicológico inquietante.

Com John Malkovich e Melissa Roxburgh no elenco, o longa americano não é só mais um thriller criminal. É uma experiência claustrofóbica sobre obsessão, fé distorcida e a linha tênue entre justiça e loucura. O filme chega à TV aberta dois anos depois de ser redescoberto pelo público nas plataformas digitais — e carrega uma nova camada de interesse: a curiosidade em ver Lawrence em um papel dramático, frio, silencioso.

Entre quadros e cadáveres: o enigma começa

Na trama, uma série de assassinatos estilizados começa a chamar atenção: os corpos surgem em cenas que mais parecem instalações artísticas de horror. São crimes assinados por um imitador, que recria obras macabras inspiradas em um serial killer preso, conhecido como “O Artista”. Para deter essa nova onda de mortes, os detetives Jake Doyle (Lawrence) e Mary Kelly (Roxburgh) decidem recorrer ao próprio assassino original — interpretado com brilhantismo gélido por John Malkovich.

É nesse triângulo de tensão que o filme se desenrola: um veterano cansado, uma investigadora em busca de redenção e um monstro preso, mas longe de estar domado. O resultado é um diálogo constante entre racionalidade e delírio, com cada passo levando os personagens (e o espectador) a um labirinto mental sem saída fácil.

Martin Lawrence, um estranho no ninho sombrio

Lawrence é o elemento surpresa do filme. Sem piadas, sem exageros, sem alívio cômico. Seu detetive Doyle é introspectivo, ferido, alguém que já viu coisas demais e confia de menos. E é justamente por isso que sua presença funciona. O peso da desconfiança está em cada gesto, cada silêncio, cada olhar que não quer se envolver, mas precisa.

Em entrevistas após o lançamento, Lawrence revelou que buscava “um desafio que o tirasse da zona de conforto” e encontrou neste roteiro “um convite para o desconforto”. Missão cumprida. Sua performance é contida, mas firme — e, para muitos fãs, reveladora de um talento ainda inexplorado.

Foto: Reprodução/ Internet

Malkovich e o vilão que não grita

O grande vilão do filme não grita. Não corre. Não aparece com faca em punho. John Malkovich cria um personagem que aterroriza com pausas, com palavras escolhidas, com teorias que fazem sentido demais. “O Artista” é um assassino culto, que cita versículos bíblicos e compara seus crimes a atos divinos. O tipo de figura que perturba não só pela violência, mas por parecer… logicamente coerente.

Suas conversas com a detetive Mary são como partidas de xadrez verbais, cheias de armadilhas escondidas. E é aí que Melissa Roxburgh brilha: sua personagem entra nesse mundo como quem pisa em terreno sagrado — e cada vez mais contaminado.

Trilha sombria e atmosfera pesada

Gravado no Arkansas, com produção marcada por dificuldades técnicas e protocolos de segurança da pandemia, o filme opta por um visual carregado: luzes frias, sombras constantes, planos fechados e uma trilha sonora que mais provoca calafrios do que emoção. O diretor Mauro Borrelli, conhecido por trabalhos visuais em grandes blockbusters, aqui foca em simbologia: tudo na tela tem um duplo sentido. A cruz em segundo plano, o reflexo no espelho, a pintura rasgada. Nada é gratuito.

Essa estética reforça a sensação de aprisionamento — mental e físico — que envolve os personagens e, de certa forma, também o público. O filme não quer ser confortável. Ele quer que você respire com dificuldade junto com os detetives.

Da rejeição à redenção: o fenômeno do streaming

No lançamento, em 2022, o filme não teve a recepção calorosa que seus produtores esperavam. A crítica foi dura: no Rotten Tomatoes, o índice de aprovação foi de apenas 18%. Muitos apontaram semelhanças óbvias com clássicos do gênero, como “Seven” e “O Silêncio dos Inocentes”, mas sem a mesma sofisticação.

Mas a história não acabou ali. Em 2024, quase do nada, longa-metragem entrou no radar da Netflix e explodiu: alcançou o Top 10 em vários países e acumulou milhões de horas assistidas. O público pareceu finalmente perceber o que o marketing inicial não soube vender: o filme não é uma reinvenção do gênero, mas um retrato curioso da fragilidade humana diante da monstruosidade racional.

Onde assistir?

Se você não viu o longa-metragem nos cinemas ou deixou passar no streaming, agora tem uma nova oportunidade: o suspense vai ao ar neste sábado, às 23h15. É a chance perfeita de conferir gratuitamente uma trama intensa e cheia de reviravoltas, direto da sua televisão. E, caso prefira assistir em outro momento, o filme também está disponível para aluguel digital no Prime Video, a partir de R$ 14,90, além de outras plataformas de vídeo sob demanda — basta conferir nos catálogos da sua operadora ou serviço favorito.

O filme vale a pena?

É verdade: “Gaiola Mental” não inventa a roda. Mas não precisa. Seu valor está no que ele provoca: a curiosidade de ver um comediante em sua versão mais soturna, o desconforto diante de um vilão que fala com calma demais, e aquela sensação de que a arte pode ser tão perigosa quanto uma arma.

Steven Knight assume roteiro e Denis Villeneuve deve dirigir o próximo 007 sob o comando total da Amazon

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Foto: Reprodução/ Internet

Durante décadas, ele foi o homem mais enigmático do cinema. Um ícone de elegância e brutalidade, charme e destruição. De Sean Connery a Daniel Craig, passando por Roger Moore, Pierce Brosnan e tantos outros momentos da cultura pop, James Bond sobreviveu a guerras frias, à Guerra do Golfo, ao terrorismo, ao streaming e até às próprias contradições. Agora, às vésperas de completar 65 anos nas telonas, 007 se prepara para viver seu maior desafio: se reinventar de verdade.

Desta vez, o que está em movimento vai muito além da troca de ator ou da inclusão de tecnologias mais modernas nas cenas de ação. Estamos falando de uma transformação profunda — quase cirúrgica — na alma de James Bond. Segundo informações do Deadline, a Amazon MGM Studios escolheu Steven Knight, criador da aclamada série “Peaky Blinders”, para assinar o novo roteiro da franquia. E, para completar esse reposicionamento ambicioso, o estúdio mira alto: Denis Villeneuve, diretor de Duna e A Chegada, desponta como o favorito para assumir a direção do próximo capítulo da saga do espião mais icônico do cinema.

Sim, Bond está voltando. Mas não como antes.

O fim da “Era Broccoli”?

Talvez o maior movimento por trás dos holofotes tenha sido justamente esse: a Amazon, que adquiriu a MGM em 2022 por US$ 8,5 bilhões, finalmente conseguiu o que ninguém antes havia feito — tomar para si o controle criativo da franquia 007, até então cuidadosamente guardado por Barbara Broccoli e Michael G. Wilson. A dupla, herdeira do legado de Albert “Cubby” Broccoli, era conhecida por proteger Bond com mãos firmes — às vezes até demais.

Segundo fontes da indústria, a negociação foi longa, cheia de exigências, cláusulas e concessões, mas o resultado foi um cheque generoso (fala-se em cerca de US$ 1 bilhão) e um novo caminho para o agente com licença para matar. Agora, quem dita as regras é a Amazon — e a mudança de clima já é perceptível.

Steven Knight e o 007 com cicatrizes

Knight não é um roteirista comum. Com uma carreira que vai de roteiros premiados (Senhores do Crime, Locke) a criações originais de impacto como Peaky Blinders, ele carrega uma assinatura marcante: suas histórias são feitas de homens em conflito com seu próprio passado, cercados por sombras do poder e assombrados por erros pessoais. Não é difícil imaginar esse olhar aplicado a Bond.

O que podemos esperar? Um 007 mais humano, mais torturado, talvez até mais silencioso. Esqueça as piadas fáceis e as conquistas em sequência. Essa nova encarnação pode ser menos um playboy invencível e mais um homem lidando com o peso de representar um império em decadência. Em outras palavras: não mais um herói, e sim um reflexo dos dilemas contemporâneos.

Villeneuve: estilo, densidade e cinema com “C” maiúsculo

Embora a presença de Denis Villeneuve ainda não tenha sido oficialmente confirmada, o nome do diretor canadense tem circulado com força nos bastidores. E com razão: Villeneuve é hoje um dos cineastas mais respeitados do mundo, capaz de transformar blockbusters em experiências quase poéticas. Ele entende o silêncio, o tempo e o peso da atmosfera.

Em Sicario, ele mostrou como a guerra contra o crime pode ser moralmente insustentável. Em Blade Runner 2049, traduziu solidão e identidade num universo tecnológico opressivo. Em Duna, reimaginou a ficção científica com escala e respeito à complexidade.

Bond, sob Villeneuve, pode ser menos “tiro, porrada e bomba” e mais introspecção, estratégia e desespero contido. E isso pode ser ótimo.

Quem será o novo Bond?

Essa é a pergunta que não quer calar. Desde que Daniel Craig se despediu do personagem com Sem Tempo Para Morrer (2021), especulações não pararam. Regé-Jean Page, Aaron Taylor-Johnson, Henry Golding… cada semana parece trazer um favorito diferente.

Mas fontes ligadas à produção garantem que ainda estamos longe da escolha final. Com o roteiro em desenvolvimento e Villeneuve ainda ocupado com Duna: Parte Três, o foco agora está na essência do novo filme, não apenas na escalação do astro.

E isso, talvez, seja um bom sinal. Afinal, o próximo Bond não deve ser só um rosto bonito — mas um ator capaz de carregar o peso de um personagem em reconstrução.

Bond, James Bond… ainda importa?

Em 2025, essa é uma pergunta válida. Ainda faz sentido ter um espião britânico, branco, cis e armado, salvando o mundo em nome de uma monarquia europeia? Ainda faz sentido o glamour de um homem que dorme com mulheres perigosas e resolve tudo com socos e explosões?

A resposta talvez esteja na forma como essa nova fase for conduzida. Steven Knight e Denis Villeneuve são, acima de tudo, autores. Contadores de histórias. E se alguém pode pegar um personagem tão saturado, tão icônico, e fazê-lo respirar novamente, são eles.

Bond pode ser mais do que um símbolo do passado. Pode ser um espelho do presente.

O que nos espera?

Provavelmente um 007 mais melancólico. Menos foco em gadgets e mais em dilemas morais. Um filme que talvez comece com silêncio, em vez de uma perseguição alucinada. Um Bond que se pergunta se ainda tem lugar no mundo — e não um que já sabe todas as respostas.

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