
A Queda 2 não tenta reinventar a fórmula do primeiro filme. Pelo contrário: a continuação aposta novamente em uma situação extrema, personagens diante de um perigo aparentemente impossível e uma sucessão de decisões questionáveis. A diferença é que, desta vez, o filme parece ainda mais consciente do próprio absurdo e é justamente aí que encontra boa parte de sua diversão.
O resultado está longe de ser um suspense sofisticado. O roteiro frequentemente força situações para prolongar a tensão e exige que o espectador aceite escolhas que desafiam qualquer senso de autopreservação. Ainda assim, quando deixamos a lógica de lado e entramos na proposta do filme, A Queda 2 consegue entregar momentos genuinamente tensos e desconfortáveis.
Para quem tem medo de altura, a experiência pode ser especialmente incômoda. No meu caso, algumas sequências provocaram uma sensação real de vertigem. O filme entende bem como utilizar a distância até o chão e a fragilidade da estrutura para transformar o próprio cenário em uma ameaça. A fotografia também contribui para isso: as belas paisagens montanhosas contrastam diretamente com a vulnerabilidade das personagens, criando imagens que são bonitas e assustadoras ao mesmo tempo.

O problema aparece quando o roteiro precisa justificar a permanência delas naquela situação. A partir daí, as decisões começam a se acumular de maneira cada vez mais improvável. Uma escolha leva a outra, e frequentemente surge a impressão de que ninguém está realmente pensando nas consequências. Em determinados momentos, isso chega a ser frustrante, principalmente quando determinadas atitudes parecem existir apenas para prolongar artificialmente o conflito.
Por outro lado, existe uma diversão involuntária nessa sucessão de erros. A Queda 2 é o tipo de filme em que você pode passar alguns minutos preocupado com a sobrevivência das personagens e, logo depois, se perguntar: “Por que elas simplesmente fizeram isso?”. Essa relação entre tensão e irritação acaba fazendo parte da experiência.
As sequências envolvendo a prancha estão entre os melhores exemplos disso. O filme sabe prolongar o desconforto e explorar o medo de altura de maneira bastante direta. Não existe necessariamente uma grande elaboração por trás dessas cenas, mas existe eficiência. A câmera, a altura e a situação de risco são suficientes para provocar ansiedade.
Eu, particularmente, não subiria naquele lugar nem por uma quantia absurda de dinheiro — e certamente não seria convencida a praticar escalada naquela estrutura. Assistir já foi suficiente para despertar uma boa dose de vertigem. É nesse aspecto que o filme funciona melhor: quando não tenta explicar demais o perigo e simplesmente coloca o espectador diante dele.
As próprias personagens também podem ser irritantes. Não apenas pela situação em que estão inseridas, mas pela insistência em tomar decisões que parecem destinadas a piorar tudo. Em alguns momentos, confesso que passei mais tempo questionando suas escolhas do que preocupado com o que poderia acontecer com elas. Curiosamente, porém, essa irritação também mantém a tensão, porque a sensação de que alguma coisa vai dar errado nunca desaparece.
É importante, portanto, assistir a A Queda 2 entendendo o tipo de experiência que ele pretende oferecer. Procurar uma lógica impecável em cada decisão provavelmente vai tornar a sessão mais frustrante. O filme funciona melhor quando o espectador aceita suas regras, abraça o exagero e simplesmente acompanha a escalada do desastre.
Por isso, não é uma produção que eu sentiria necessidade de rever. Boa parte da experiência está justamente em descobrir até onde aquela situação pode chegar. Depois que esse elemento de surpresa desaparece, resta um suspense bastante convencional. Ainda assim, seria injusto dizer que o filme não cumpre o que promete. Ele consegue provocar tensão, desconforto e ansiedade — e, em alguns momentos, até uma diversão genuína diante do tamanho do absurdo.
O final, entretanto, leva essa proposta ainda mais longe. Sem qualquer preocupação em ser discreto, o filme praticamente anuncia a intenção de continuar a franquia. A maneira como isso é apresentado chega a ser quase cômica, funcionando mais como uma provocação ao público do que como uma conclusão natural para a história.
É uma escolha questionável, mas que, admito, despertou minha curiosidade. Depois de tudo o que acontece, fica difícil não pensar em até onde os responsáveis pela franquia pretendem levar essa ideia.
No fim, A Queda 2 é um suspense simples, exagerado e frequentemente pouco inteligente, mas que encontra uma maneira eficiente de transformar o absurdo em entretenimento. Não existe aqui a intenção de provocar grandes reflexões ou revolucionar o gênero. A proposta é bem mais direta: colocar personagens em uma situação desesperadora, explorar o medo de altura e fazer o público sofrer junto.
E, nesse sentido, funciona.
A Queda 2 é o tipo de filme para sentir vertigem, passar raiva com algumas decisões absurdas e, eventualmente, se divertir com o desastre. Não é uma experiência memorável pela inteligência do roteiro, mas consegue ser suficientemente tensa e desconfortável para justificar a sessão.





















