“Hot Milk” estreia com exclusividade na plataforma MUBI e mergulha em vínculos tóxicos, libertação e desejo

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Em um verão escaldante na costa espanhola, o calor não queima apenas a pele — ele incendeia ressentimentos, segredos e os laços frágeis entre mãe e filha. Assim se desenrola Hot Milk, o delicado e perturbador longa-metragem que marca a estreia na direção da premiada roteirista britânica Rebecca Lenkiewicz, responsável por roteiros de filmes como She Said, Ida e Desobediência. O filme estreia com exclusividade na plataforma MUBI no dia 22 de agosto de 2025, prometendo uma experiência sensorial e emocional intensa.

Baseado no romance homônimo de Deborah Levy, indicado ao Booker Prize em 2016, Hot Milk estreia cercado de expectativas e debate. A produção teve sua première mundial na Competição Oficial do 75º Festival de Cinema de Berlim, onde concorreu ao Urso de Ouro e dividiu a crítica com sua proposta contemplativa e provocadora.

Entre cuidado e cárcere: a relação que prende

No centro do filme está Sofia, vivida por Emma Mackey (Sex Education, Emily, Barbie), uma jovem que passou a vida à sombra da mãe, Rose (Fiona Shaw, de Killing Eve). A viagem de ambas à cidade de Almería, no sul da Espanha, em busca de um tratamento para uma doença crônica e misteriosa de Rose, serve como ponto de partida para uma jornada emocional mais profunda: a libertação de Sofia da prisão emocional em que foi colocada desde a infância.

A princípio, a trama parece girar em torno da busca pela cura física. Mas, aos poucos, o roteiro conduz o espectador para a verdadeira enfermidade — não a do corpo, mas a da alma. Hot Milk é, em essência, sobre um vínculo adoecido, onde o cuidado se transforma em poder, e o amor em manipulação. Rebecca Lenkiewicz, em entrevistas, resumiu: “Há algo venenoso em algumas formas de amor”.

A chegada de Ingrid e a promessa de liberdade

É nesse contexto que surge Ingrid (vivida com charme etéreo por Vicky Krieps), uma mulher livre, misteriosa, que personifica tudo o que Sofia nunca conheceu: desejo, autonomia, instinto. A relação entre as duas é construída mais pelos gestos e olhares do que pelas palavras, criando uma atmosfera carregada de tensão sensual e descoberta emocional.

Ingrid não é apenas uma figura de interesse romântico — ela é um símbolo. Representa o outro lado do espelho: uma vida que Sofia poderia ter tido se não estivesse sempre em função da dor e da vontade da mãe. A relação entre elas, marcada por delicadeza e fricção, amplia o espectro do filme para além da maternidade, abordando também os labirintos do desejo feminino, da autonomia corporal e do direito de se reinventar.

Uma estética sensorial e inquietante

Filmado durante o verão europeu de 2023, entre Espanha e Grécia, o longa transforma o clima em personagem. O sol é opressor. A areia parece grudar na pele das protagonistas. O som das ondas, o barulho do vento, o zumbido do calor — tudo é usado pela direção para criar uma sensação de claustrofobia emocional. A fotografia, assinada com tons quentes e granulados, amplia esse sufocamento.

Lenkiewicz evita os atalhos do melodrama e investe em uma narrativa contemplativa, que valoriza os silêncios, os gestos contidos, e os conflitos não ditos. A influência do cinema de Ingmar Bergman é evidente na maneira como o filme investiga os vínculos familiares com desconforto, respeito e brutalidade.

Atuação que pulsa nas entrelinhas

A força de Hot Milk reside também nas interpretações. Emma Mackey entrega uma atuação sutil, marcada por expressões silenciosas e olhares de tensão. Sua Sofia começa como uma figura quase apagada, contida, mas ao longo da trama, ganha densidade, desejo, raiva — num arco de crescimento doloroso e libertador.

Fiona Shaw, por outro lado, apresenta Rose como uma figura ambígua: manipuladora, vulnerável, egocêntrica e, ainda assim, capaz de despertar empatia. É impossível ignorar sua presença em cena. Ela domina o espaço como alguém que se habituou a ser o centro da atenção — mesmo que isso custe a liberdade da filha.

A química entre ambas é palpável. Cada cena carrega uma tensão emocional quase sufocante, refletindo uma realidade muitas vezes silenciosa: a do amor materno que, sem limites, transforma-se em cárcere.

Da literatura ao cinema: bastidores e desafios

A adaptação do romance de Deborah Levy foi um processo demorado e cheio de exigências. Quando Christine Langan, da Baby Cow Productions, adquiriu os direitos do livro, sabia que queria alguém com sensibilidade para lidar com o material. Lenkiewicz topou a tarefa com uma condição: também queria dirigir o filme.

O orçamento de £4 milhões foi viabilizado com uma combinação de incentivos fiscais do Reino Unido e da Grécia, além de pré-vendas internacionais e o apoio da Film4. Segundo o produtor Giorgos Karnavas, filmar no auge do verão foi um desafio. Havia alertas de calor extremo, dificuldades logísticas e a tensão de manter a saúde da equipe em meio às altas temperaturas. Mas Lenkiewicz insistiu: queria o sol como metáfora, como elemento narrativo.

Após a estreia em Berlim em fevereiro de 2025, o filme passou por festivais europeus e norte-americanos, sempre provocando reações intensas. Agora, chega à MUBI, onde encontra um público mais íntimo, voltado ao cinema autoral e à introspecção estética.

Recepção dividida, mas reflexiva

A crítica não foi unânime. No Rotten Tomatoes, apenas 37% das críticas foram positivas, enquanto no Metacritic, a nota foi 54/100. Críticos elogiaram as atuações de Mackey e Shaw e a abordagem estética da diretora, mas apontaram o ritmo lento e a ambiguidade narrativa como elementos que podem afastar parte do público.

Por outro lado, o filme vem sendo celebrado em círculos acadêmicos e por cinéfilos como uma obra que desafia a lógica tradicional da catarse, preferindo a observação paciente das relações humanas e suas falhas irreparáveis.

Um cinema de desconforto — e de amadurecimento

Mais do que contar uma história sobre mãe e filha, Hot Milk convida o espectador a refletir sobre o preço da liberdade. A independência emocional raramente vem sem dor. Há sempre algo que se perde ao se romper laços antigos. O filme não oferece respostas fáceis, nem finais redentores. E talvez aí resida sua maior força: no desconforto que reverbera, nas perguntas que ficam.

Na era do consumo rápido de entretenimento, Hot Milk aposta no oposto: na lentidão, no desconforto e na intimidade. É um filme que pede pausa, reflexão, disposição para mergulhar nos labirintos da dor e da reinvenção.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos faz história nas bilheterias com US$ 23 milhões em pré-estreia nos Estados Unidos

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Foto: Reprodução/ Internet

Nos últimos anos, a expectativa em torno do retorno do Quarteto Fantástico ao Universo Cinematográfico Marvel (MCU) chegou a um nível quase palpável. Fãs da primeira hora, leitores fiéis dos quadrinhos e espectadores do cinema de super-heróis aguardavam ansiosamente uma produção que pudesse, enfim, fazer justiça à complexidade e importância desse grupo seminal da cultura pop. Com o lançamento de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, a Marvel Studios não apenas atendeu a essa demanda, mas superou as expectativas, entregando uma obra que dialoga com o passado, abraça o presente e projeta um futuro promissor para seus personagens.

A pré-estreia do filme nos Estados Unidos, que arrecadou impressionantes US$ 23 milhões, já sinalizava o êxito comercial do longa-metragem. Tal valor, que iguala a recente pré-estreia do reboot de Superman, coloca o filme em um patamar de destaque para o fim de semana de estreia, com previsões de arrecadação que ultrapassam os US$ 110 milhões. No entanto, mais do que números, Primeiros Passos oferece uma experiência cinematográfica rica, fundamentada em personagens multifacetados, dilemas morais profundos e uma narrativa que ressoa para além das tradicionais batalhas heroicas.

O contexto: uma história marcada por tentativas e erros

Para compreender o peso deste lançamento, é fundamental revisitar o histórico atribulado do Quarteto Fantástico nas telas. Desde a produção amadora de 1994, feita exclusivamente para manter os direitos cinematográficos, passando pelas versões de 2005 e 2007, que, apesar do sucesso moderado, não conseguiram se firmar como referência na franquia, o caminho até aqui foi pontuado por altos e baixos. A saída da Fox do controle dos direitos abriu uma nova era de possibilidades para o grupo, agora sob o comando da Marvel Studios, que buscava redefinir não só os personagens, mas também o tom e a relevância dentro de um universo compartilhado que já é um fenômeno cultural global.

A chegada de Matt Shakman à direção, conhecido pelo trabalho aclamado em WandaVision, representou um marco na condução do projeto. Combinando experiência em narrativas televisivas e cinema, Shakman trouxe uma sensibilidade narrativa que equilibrasse ação e emoção, elementos essenciais para que o Quarteto fosse apresentado não só como super-heróis, mas como pessoas.

Enredo: uma viagem entre o épico e o íntimo

Situado na Terra-828, uma realidade paralela dentro do multiverso da Marvel, o filme começa quatro anos após o evento que conferiu poderes a Reed Richards (Pedro Pascal), Sue Storm (Vanessa Kirby), Ben Grimm (Ebon Moss-Bachrach) e Johnny Storm (Joseph Quinn). O que poderia ser apenas uma história de origem tradicional se transforma em uma narrativa sobre legado, família e responsabilidade.

A trama gira em torno da Fundação Futuro, instituição liderada por Reed e Sue que simboliza a esperança de um mundo menos marcado por conflitos e pela militarização excessiva. Sue, que está grávida, enfrenta uma ameaça inesperada: Galactus (Ralph Ineson), uma entidade cósmica devoradora de mundos, que exige a entrega do bebê que ela carrega, pois nele reside um poder capaz de desequilibrar o universo.

Esse cenário proporciona uma tensão constante entre os laços familiares e a ameaça existencial, colocando os personagens em um confronto que vai além da força bruta, envolvendo sacrifícios e escolhas morais que refletem no espectador. O filme não se apoia apenas em cenas de ação grandiosas, mas investe pesado no drama pessoal de cada personagem, tornando-os críveis e complexos.

Personagens que respiram e emocionam

A performance de Vanessa Kirby como Sue Storm é um dos pontos altos do filme. Sua atuação transmite não só a força de uma mulher que lidera uma instituição revolucionária, mas também a fragilidade e a coragem de uma mãe que enfrenta o desconhecido para proteger seu filho e o mundo. Em entrevista exclusiva, Kirby comentou:

“Sue não é uma heroína perfeita; ela é humana, cheia de dúvidas e medos. Isso a torna muito mais real e inspiradora. Interpretá-la me desafiou a encontrar esse equilíbrio entre a cientista racional e a mãe protetora.”

Pedro Pascal, por sua vez, dá vida a um Reed Richards menos cartunesco e mais próximo de um homem dividido entre a genialidade e a vulnerabilidade. Pascal explicou a abordagem:

“Reed é alguém que carrega um peso enorme — o de ser um visionário, mas também um homem comum. A paternidade o torna mais complexo, mais humano, e isso estava no centro do que queríamos contar.”

Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach completam a equipe com interpretações que adicionam camadas às personalidades dos irmãos Storm e do amigo de longa data, Ben Grimm. O carisma e a química entre os quatro são palpáveis, um elemento fundamental para que o público se conecte emocionalmente com a narrativa.

Galactus: uma ameaça distinta

A construção do vilão Galactus, vivido por Ralph Ineson, foge do estereótipo do antagonista tradicional. Com uma interpretação que privilegia a presença e o peso existencial, Ineson incorpora um ser que é tanto uma força da natureza quanto um agente do destino. A caracterização visual do personagem, com armadura fiel aos quadrinhos, reforça essa dualidade.

A dinâmica entre Galactus e sua arauta, a Surfista Prateada (Julia Garner), adiciona uma camada de tragicidade ao conflito. A relação entre eles explora temas como sacrifício e inevitabilidade, tornando o confronto final não apenas um embate físico, mas um choque filosófico.

Referências, surpresas e futuro promissor

Além da narrativa principal, o filme agrada aos fãs com referências discretas ao universo expandido e ao passado da franquia. Um dos momentos mais comentados é a participação especial de Robert Downey Jr. como Doutor Destino, que abre portas para futuras conexões e expande o horizonte do MCU.

A escolha de focar no uso dos poderes em vez da origem tradicional permite que o longa explore novas possibilidades e aprofunde as motivações dos personagens, afastando-se de clichês e fórmulas desgastadas.

Técnica e arte a serviço da narrativa

Tecnicamente, Primeiros Passos impressiona com efeitos visuais que transportam o espectador para um espetáculo intergaláctico sem perder o foco na intimidade dos personagens. A Times Square, cenário de uma das batalhas mais impactantes, é recriada com detalhes minuciosos, refletindo o cuidado da produção em equilibrar o grandioso e o cotidiano.

A trilha sonora, assinada por Michael Giacchino, casa-se perfeitamente com o tom do filme, ora exaltando a aventura, ora destacando o drama interno. A fotografia de Autumn Durald Arkapaw reforça essa dualidade, utilizando luz e sombra para sublinhar os conflitos pessoais e universais.

O impacto cultural e a recepção crítica

Desde sua estreia, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos recebeu elogios unânimes pela crítica especializada. A combinação de narrativa madura, personagens tridimensionais e visual deslumbrante colocou o filme em listas de melhores do ano e reacendeu discussões sobre o lugar do Quarteto Fantástico na cultura pop contemporânea.

Analistas apontam que o longa é um marco para o MCU, por trazer diversidade temática e emocional, elementos que aprofundam o gênero de super-heróis e ampliam seu alcance para públicos mais amplos e exigentes.

Tame Impala volta com “End of Summer” e reinventa o som do amanhã – Kevin Parker nos convida a dançar com o invisível

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Foto: Reprodução/ Internet

Há artistas que retornam para ocupar um espaço. E há aqueles que voltam para reinventá-lo. Kevin Parker, o cérebro criativo por trás do Tame Impala, nunca seguiu mapas, trilhas ou convenções. Ele constrói as próprias rotas — tortuosas, sensoriais, muitas vezes inclassificáveis. E agora, depois de anos em relativo silêncio, ele reaparece com “End of Summer”, sua primeira faixa pela Sony Music. O que poderia ser apenas mais um lançamento, na verdade, revela-se uma transformação profunda: o fim de um ciclo e a abertura de um novo portal sonoro.

Mas “End of Summer” não é sobre estações. É sobre transições internas. Sobre aquele momento tênue entre o que já foi e o que ainda não chegou. Como um pôr do sol que parece durar horas, a faixa nos transporta para um tempo onde a batida é memória e o som é sensação. Um lugar onde o passado e o futuro se fundem numa rave existencial.

Um som que não se ouve: se sente

Logo nos primeiros segundos da faixa, fica claro que Parker não está interessado em agradar o algoritmo. “End of Summer” é uma obra que se arrasta — no bom sentido. Ela não corre. Ela respira. Há nela uma confiança rara: a de um artista que sabe que o impacto não está no volume, mas na densidade emocional.

Com fortes influências da cena acid house de 1989, das festas ilegais em galpões britânicos e dos bush doofs australianos (aquelas celebrações eletrônicas em meio à natureza selvagem), a música carrega uma carga quase ritualística. O tipo de faixa que parece feita não para dançar, mas para atravessar. Para ser vivida em silêncio interno, com os olhos fechados e a alma em movimento.

A textura da produção é granulada, crua, alucinante. Parker constrói camadas que se dissolvem e se reorganizam com precisão quase invisível. Ele não entrega refrões — entrega atmosferas. Não entrega letras — entrega sensações. Em um mundo saturado por músicas feitas para durar 30 segundos no TikTok, “End of Summer” soa como um manifesto.

A solitude criativa de um gênio sonoro

Kevin Parker não tem banda. Nunca teve. Tame Impala é uma miragem coletiva guiada por uma única mente. Desde InnerSpeaker (2010), Parker escolheu seguir sozinho no estúdio: toca todos os instrumentos, compõe, grava, produz e ainda mixa. Ele é uma orquestra de um homem só — e o silêncio entre as notas parece tão planejado quanto cada acorde.

Mas ao contrário do que se imagina, essa solidão criativa nunca soou fria. As músicas de Parker sempre foram íntimas. Mesmo as mais dançantes escondem um quê de vulnerabilidade, de confissão. “End of Summer” é a continuidade dessa estética emocional, agora mais abstrata, mais dilatada. Como se, após anos testando melodias pop, ele tivesse se libertado da obrigação de cantar, de explicar, de conduzir.

Nesta faixa, Parker fala sem palavras. E diz muito.

Uma imagem que expande o som

Junto à música, veio também um curta-metragem dirigido pelo artista Julian Klincewicz — nome conhecido na cena visual por criar trabalhos que flutuam entre o documental e o onírico. Em “End of Summer”, Klincewicz entrega mais do que um clipe: ele oferece uma extensão do som, um prolongamento daquilo que não cabe nas frequências.

Filmado em tons nostálgicos, com granulações que evocam lembranças desfocadas, o vídeo acompanha personagens em cenários abertos, contemplativos, quase estáticos. Não há narrativa linear. Mas há atmosfera. E é exatamente isso que Kevin Parker tem feito ao longo de sua carreira: construir atmosferas que dizem mais que histórias.

O casamento entre som e imagem em “End of Summer” reafirma uma ideia que Parker sempre cultivou: a de que a música é uma experiência sensorial completa. Um estado alterado. Uma viagem interior.

A leveza de quem já conquistou tudo

Hoje, Kevin Parker poderia se acomodar. Ele tem prêmios — BRIT, ARIA, indicações ao Grammy. Tem números: bilhões de streams, faixas no topo das paradas alternativas, hits que ultrapassaram a bolha do indie. “The Less I Know The Better” se tornou um clássico instantâneo, tão presente em pistas quanto em trilhas sonoras de séries adolescentes. Tame Impala foi de festival cult a cabeça de cartaz do Coachella.

Além disso, Parker é requisitado pelas maiores estrelas do mundo: Dua Lipa, Lady Gaga, The Weeknd, Rihanna, Travis Scott. Ele produz, colabora, experimenta — sempre deixando sua marca sônica inconfundível. E mesmo assim, nunca pareceu se deslumbrar.

Em vez de repetir fórmulas, ele se recolhe. Sente. Pesquisa. Muda. E quando reaparece, como agora, é sempre com algo novo, desafiador, vivo.

Um futuro onde a música respira

A escolha de lançar “End of Summer” pela Sony Music também diz muito. Pode parecer apenas uma troca de gravadora, mas há algo simbólico nisso. Parker agora tem uma plataforma ainda maior — mas não comprometeu sua independência artística. A canção, densa e experimental, é a prova de que ele ainda é guiado por uma bússola interna, não por tendências.

E talvez esse seja o maior feito de Tame Impala: resistir à tentação de se tornar um produto. Mesmo com todo o sucesso, Kevin Parker continua fazendo música que nasce de um lugar profundo, que respeita o tempo do silêncio, da contemplação. Ele faz arte em uma era de conteúdo.

“End of Summer” não quer viralizar. Quer vibrar. E se conectar.

A dança invisível

Escutar “End of Summer” é como entrar em um sonho lúcido. Um espaço onde tudo parece se mover lentamente, como debaixo d’água. Não há pressa. Não há clímax. A música não chega a lugar nenhum — porque já está em todos os lugares. Ela pulsa, respira, dissolve-se no ouvinte.

É uma dança invisível. Um feitiço eletrônico. Um eco do que já vivemos e do que ainda não conseguimos nomear.

No fim, não é sobre o verão que termina. É sobre aquilo que fica. Aquela luz laranja que paira no céu quando o sol já se pôs, mas ainda não escureceu. Aquele som que não escutamos com os ouvidos, mas com o corpo inteiro. Aquele tipo raro de música que não se consome: se atravessa.

E enquanto Tame Impala nos guia, mais uma vez, por essa trilha sem mapa, tudo o que podemos fazer é fechar os olhos… e deixar a batida nos levar.

No Domingo Maior (27/07), Globo exibe o thriller de ação francês “Anna – O Perigo Tem Nome”

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Foto: Reprodução/ Internet

Neste domingo, 27 de julho de 2025, o Domingo Maior da TV Globo apresenta um suspense eletrizante que mistura espionagem internacional, glamour e violência silenciosa: “Anna – O Perigo Tem Nome”. O longa francês, dirigido por Luc Besson, mergulha o público em uma trama repleta de reviravoltas, com uma protagonista que vive à sombra de duas identidades: de um lado, a modelo cobiçada por grifes de luxo ao redor do mundo; do outro, uma das assassinas mais mortais da KGB.

Estrelado pela estreante Sasha Luss, o filme reúne também um elenco de peso com Helen Mirren, Luke Evans e Cillian Murphy em papéis que ampliam as camadas de tensão e manipulação. Lançado originalmente em 2019, o thriller é, ao mesmo tempo, uma história de ação acelerada e um retrato sombrio de como governos, sistemas e até o glamour da moda podem ser usados para prender uma pessoa dentro de uma vida que ela nunca escolheu.

Anna – O Perigo Tem Nome propõe mais do que entretenimento. Propõe um mergulho psicológico na vida de uma mulher usada como arma, objeto de desejo e peça de um tabuleiro geopolítico no qual suas emoções são ignoradas e seu único desejo — a liberdade — parece inalcançável.

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Anna Poliatova: entre passarelas e silêncios mortais

A história de Anna começa em Moscou, no fim dos anos 80. A jovem Anna vive em meio à miséria, sem expectativas, vendendo pequenas bugigangas e tentando escapar da violência doméstica. Tudo muda quando é “descoberta” por um olheiro de modelos e convidada a se mudar para Paris, onde poderia ter uma nova vida.

A promessa de liberdade, no entanto, é ilusória. O que Anna realmente encontra é um novo tipo de prisão: ela é recrutada pela KGB, e sua verdadeira função será executar missões secretas como assassina de elite, eliminando alvos estratégicos sob o comando direto da agente Olga (Helen Mirren). Treinada para matar sem hesitação e para se adaptar a qualquer ambiente, Anna passa a viver uma vida dupla — modelo internacional durante o dia, agente letal durante a noite.

O contraste entre a vida de modelo e a rotina de agente secreta se torna o grande conflito interno da personagem. Anna é apresentada como uma mulher fria, calculista e disciplinada. Mas aos poucos, o filme revela suas fraturas: os traumas, a ansiedade contida e o medo constante de que tudo à sua volta seja apenas mais uma mentira.

Sasha Luss: uma protagonista que carrega tensão e vulnerabilidade

A escolha de Sasha Luss, modelo russa de passarelas, para o papel principal pode ter surpreendido na época do lançamento. Ainda que não tivesse uma carreira consolidada como atriz, sua presença em cena é hipnótica. Ela entrega um desempenho que equilibra fragilidade e brutalidade, silêncio e explosão. Seus olhos carregam mais do que a beleza das campanhas de moda — carregam peso, raiva, dúvida.

Anna é uma personagem que poucas vezes diz tudo o que sente. Grande parte de sua atuação está nos gestos sutis, na rigidez do corpo, no olhar que oscila entre o desejo de fugir e a conformidade com o destino que lhe impuseram. Não se trata de uma heroína clássica, tampouco de uma vilã. Anna é humana, é falha, e justamente por isso é fascinante.

Helen Mirren: frieza elegante em forma de comando

Do outro lado dessa relação de poder está Olga, interpretada por uma Helen Mirren afiadíssima. Ela é a agente responsável por comandar a operação da KGB da qual Anna faz parte. Sua performance mistura sarcasmo, autoritarismo e uma frieza quase maternal. Olga não é uma antagonista caricata. Ela representa o sistema: calculista, impiedosa e ao mesmo tempo dependente das pessoas que manipula.

Helen Mirren transforma Olga em uma figura contraditória. Ela protege Anna, treina Anna, admira Anna — mas está sempre pronta para descartá-la. É a típica liderança que valoriza os resultados e despreza a pessoa por trás da função. Em vários momentos, suas falas soam como conselhos, mas têm o tom de ameaça.

Espiões, traições e o jogo duplo com a CIA

Enquanto lida com a pressão de Olga e as missões impostas pela KGB, Anna também se vê envolvida com Leonard Miller, agente da CIA vivido por Cillian Murphy. Esse novo envolvimento oferece uma falsa esperança de liberdade. Miller propõe a Anna um acordo: se colaborar com a CIA, ela poderá escapar da KGB e reconstruir sua vida.

Mas o que parece ser uma saída é apenas mais um círculo vicioso. Anna passa a trabalhar como agente dupla, correndo riscos de ambos os lados. Luke Evans interpreta Alex Tchenkov, outro membro da KGB que mantém um relacionamento ambíguo com Anna — misto de paixão e vigilância. A sensação é de que, não importa o caminho que escolha, Anna está sempre cercada.

O roteiro aposta em flashbacks e saltos temporais para ir revelando as camadas ocultas das ações de Anna. Nada é o que parece. Cada cena adiciona uma nova perspectiva, forçando o espectador a reconstruir o passado da personagem a partir de peças soltas. Isso intensifica a tensão e transforma o filme quase em um quebra-cabeça narrativo.

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O glamour como disfarce: o submundo da moda

A ambientação do universo da moda cumpre um papel crucial na narrativa. Anna desfila em Paris, viaja para Milão, posa para campanhas, vive cercada por câmeras e holofotes. Mas esse brilho é apenas uma fachada para suas ações sombrias. O filme expõe como o luxo pode servir como cortina de fumaça para o horror — e como Anna usa a superficialidade da indústria fashion para se esconder à vista de todos.

A direção de arte e os figurinos reforçam essa dualidade. Enquanto a personagem brilha com roupas elegantes, por baixo do tecido há sempre um coldre escondido, uma arma na bolsa, uma rota de fuga. O filme desafia o espectador a enxergar além da aparência, tanto da protagonista quanto do mundo ao seu redor.

Luc Besson retorna ao seu território mais conhecido

Com Anna, Luc Besson revisita o gênero que o consagrou. Depois de sucessos como Nikita (1990) e O Quinto Elemento (1997), ele volta a colocar uma mulher no centro de uma trama violenta e ambígua. A estética do diretor está presente: os ângulos estilizados, as sequências de ação coreografadas como dança, e os dilemas morais disfarçados de suspense.

No entanto, Anna tem um tom mais melancólico e cínico. Não há promessas de redenção ou de justiça. O que existe é uma mulher tentando sobreviver — e, quem sabe, encontrar uma brecha para finalmente viver sob seus próprios termos.

Recepção e legado: um filme subestimado?

Apesar de sua proposta ousada e estilo visual refinado, Anna – O Perigo Tem Nome teve uma recepção morna da crítica. Com 33% de aprovação no Rotten Tomatoes, foi visto por muitos como um repeteco de fórmulas anteriores. No entanto, entre o público, a resposta foi consideravelmente mais positiva, com aprovação de 75% no mesmo site e um “B+” no CinemaScore.

O filme arrecadou pouco mais de 31 milhões de dólares ao redor do mundo — uma bilheteria modesta, mas que não impediu Anna de conquistar um espaço cult entre fãs de thrillers de espionagem. Há quem defenda que o longa seja redescoberto, especialmente por sua protagonista complexa e pelo subtexto sobre abuso de poder e opressão institucional.

Anna, o perigo e a liberdade como ilusão

No centro de tudo, está Anna Poliatova. Uma mulher que, em busca de uma saída, é jogada em caminhos cada vez mais sombrios. Seu maior inimigo não é a CIA, nem a KGB. É o sistema que a força a viver papéis que não escolheu. É a constante sensação de que sua liberdade nunca será plena enquanto ela for útil a alguém mais poderoso.

No fim, Anna – O Perigo Tem Nome é sobre identidade, manipulação e resistência. É sobre como, mesmo em silêncio, uma mulher pode lutar para ser mais do que uma função. E sobre como, às vezes, o mais perigoso não é o que se vê — mas o que se esconde por trás de um sorriso ensaiado, de um salto alto e de um olhar frio.

Onde posso assistir?

Além da exibição na Record TV, o público que quiser conferir Anna – O Perigo Tem Nome também pode assistir ao filme em diferentes plataformas de streaming. Assinantes da Netflix e do Telecine têm acesso liberado ao título por meio da assinatura, aproveitando toda a imersão do thriller de espionagem com qualidade e praticidade. Já para quem prefere alugar o longa, a opção está disponível no Prime Video, com valores a partir de R$ 14,90

Heartstopper Forever | Netflix encerra as filmagens do filme final da saga de Charlie e Nick

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Foto: Reprodução/ Internet

O fim de uma era está próximo para os fãs de Heartstopper. Nesta semana, a Netflix anunciou oficialmente o término das filmagens de Heartstopper Forever, o tão aguardado filme que encerrará a trajetória de amor entre Charlie Spring (Joe Locke) e Nick Nelson (Kit Connor). A produção é baseada no Volume 6 da graphic novel escrita por Alice Oseman, criadora da história que conquistou leitores e espectadores ao redor do mundo com uma narrativa sensível, realista e profundamente humana sobre o amor jovem LGBTQIA+.

O anúncio foi feito com uma foto simbólica: a claquete de filmagens, marcada pela palavra “Wrap” (encerrado), nos bastidores do set. Simples, mas poderosa, a imagem rodou as redes sociais e, em poucos minutos, os nomes de Heartstopper Forever, Alice Oseman e dos atores protagonistas já figuravam entre os assuntos mais comentados do Twitter (atual X).

Embora a data de estreia ainda não esteja confirmada, a Netflix informou que o lançamento será em algum momento de 2026, selando com emoção e expectativa a última etapa dessa história que mudou o panorama da representatividade LGBTQIA+ nas telas nos últimos anos.

A despedida começa nos bastidores

Para quem acompanha a série desde sua estreia em abril de 2022, o anúncio do término das filmagens vem como um lembrete agridoce: o fim está chegando, mas ainda há uma última história a ser contada. E não será qualquer história.

O filme, intitulado Heartstopper Forever, será baseado no Volume 6 da obra original de Alice Oseman, ainda em publicação nos Estados Unidos, o que torna o longa-metragem uma espécie de presente antecipado e audiovisual aos leitores. Oseman, que também é roteirista da série, tem sido reconhecida por manter extrema fidelidade ao tom e aos temas centrais dos quadrinhos — algo que deverá se repetir no longa.

“O título ‘Forever’ diz muito”, escreveu Alice em uma postagem no Instagram. “É sobre o fim e sobre aquilo que permanece. Espero que os fãs se sintam abraçados por esse encerramento. Foi feito com muito amor.”

Um fenômeno construído com afeto e representatividade

Quando Heartstopper chegou à Netflix, em abril de 2022, ninguém imaginava que aquela delicada história sobre dois adolescentes britânicos se apaixonando mudaria tanta coisa. Criada, escrita e ilustrada por Alice Oseman — que também assumiu o roteiro da série — a obra não apenas encontrou uma audiência fiel, como se transformou em uma voz poderosa dentro da ficção adolescente contemporânea.

Diferente de tantos dramas teens carregados de sofrimento, Heartstopper apostou em algo radicalmente transformador: a leveza. Sim, há momentos de angústia, bullying, conflitos familiares e inseguranças existenciais. Mas o que sustenta a narrativa é o amor, o acolhimento e o crescimento pessoal e coletivo dos personagens.

A história gira em torno de Charlie Spring, um estudante do ensino médio que já saiu do armário, mas ainda vive as cicatrizes do bullying homofóbico. Quando ele conhece Nick Nelson, um jogador de rúgbi gentil e popular, começa uma conexão que desafia convenções, preconceitos e até o próprio entendimento de Nick sobre sua sexualidade.

Com uma paleta de cores suave, diálogos naturais e inserções visuais inspiradas nos quadrinhos, Heartstopper conseguiu o feito raro de adaptar uma HQ com estilo e autenticidade, criando um universo em que o público se sente acolhido.

O elenco que conquistou o mundo

Parte do sucesso arrebatador da série se deve ao seu elenco carismático e diverso. Joe Locke, como Charlie, trouxe uma vulnerabilidade comovente ao personagem. Já Kit Connor, como Nick, foi amplamente elogiado por sua entrega emocional e pela forma honesta com que conduziu o arco de autodescoberta de seu personagem — o que, inclusive, gerou debates intensos quando o próprio ator foi pressionado a rotular sua sexualidade na vida real.

Outros nomes que compõem o coração da série incluem William Gao (Tao), Yasmin Finney (Elle), Corinna Brown (Tara), Kizzy Edgell (Darcy), Tobie Donovan (Isaac), Jenny Walser (Tori), Sebastian Croft (Ben), Rhea Norwood (Imogen), além da ilustre Olivia Colman como Sarah, a mãe de Nick.

O elenco foi escolhido não apenas por talento, mas por uma preocupação clara com representatividade. Yasmin Finney, por exemplo, é uma atriz trans negra e se tornou uma das vozes mais importantes da nova geração. Seu papel como Elle Argent trouxe uma camada essencial à narrativa: o olhar de uma jovem trans em processo de autoconhecimento, sem reduzir sua existência ao sofrimento.

Heartstopper como espaço seguro para uma geração

Mais do que uma série de romance adolescente, Heartstopper tornou-se um refúgio emocional para milhões de jovens ao redor do mundo. Em uma era marcada por discursos de ódio, retrocessos nos direitos LGBTQIA+ e ansiedades sociais crescentes, a série ofereceu algo quase revolucionário: esperança.

Nas escolas, professores relataram um aumento na procura por HQs LGBTQIA+ após o sucesso da série. Psicólogos apontaram como a representatividade positiva pode impactar a saúde mental de adolescentes queer. E o público respondeu com arte, cosplay, fanfics e uma enxurrada de mensagens de agradecimento.

A série não fugiu de temas delicados: depressão, ansiedade, autolesão, disforia de gênero, homofobia internalizada. Mas fez isso com um cuidado raro, sem explorar o sofrimento como espetáculo. Cada dor trazia também um acolhimento. Cada crise, um espaço de escuta.

O último capítulo: o que esperar de Heartstopper Forever

Embora detalhes da trama do filme estejam sendo mantidos em sigilo, já se sabe que Heartstopper Forever seguirá os eventos do Volume 6 da HQ — que, segundo a própria Alice Oseman, é um fechamento emocional para a jornada de Charlie e Nick. Os dois agora enfrentam questões típicas da transição para a vida adulta: vestibular, escolha de carreiras, saúde mental, planos para o futuro — juntos e separados.

“O filme é sobre crescer, mas também sobre permanecer”, disse Oseman em uma entrevista recente. “É sobre como o amor pode sobreviver ao tempo, à distância e às mudanças. É sobre como os adolescentes se tornam adultos — e como as conexões formadas na juventude podem, sim, durar para sempre.”

Heartstopper Forever será dirigido novamente por Euros Lyn, que comandou a primeira temporada da série e ajudou a consolidar sua estética sensível. A fotografia, os cenários e o cuidado com os gestos mais sutis — um toque de mãos, um olhar, um sorriso — deverão continuar sendo marcas registradas da produção.

Um marco no audiovisual LGBTQIA+

Ao longo de três temporadas e um filme em produção, Heartstopper se firmou como uma das produções LGBTQIA+ mais importantes da década. Enquanto muitas séries queer são canceladas prematuramente, negligenciadas ou relegadas ao nicho, Heartstopper ganhou renovação rápida, investimento da Netflix, prêmios e espaço no mainstream.

O impacto cultural é palpável: discussões sobre bissexualidade, afeto entre meninos, amor adolescente, aceitação familiar e saúde mental entraram na casa de milhões de pessoas, com naturalidade e empatia.

E para além do entretenimento, Heartstopper é um lembrete do poder das histórias bem contadas. Mostra que jovens LGBTQIA+ não precisam morrer no final. Que suas dores merecem ser vistas, mas seus amores também. Que há beleza, leveza e profundidade nas vidas queer. E que o amor — ainda que adolescente — pode ser sincero, transformador e eterno.

O legado de Alice Oseman e o futuro da representatividade

Autora da HQ, roteirista da série e produtora executiva do filme, Alice Oseman é hoje um nome central na literatura e audiovisual LGBTQIA+ mundial. Com apenas 30 anos, ela construiu uma carreira sólida, sempre com a missão de retratar experiências queer com autenticidade e carinho.

Seu trabalho em Heartstopper criou um padrão de qualidade e humanidade que influencia toda uma nova geração de criadores, leitores e espectadores. E mesmo que Heartstopper Forever marque o fim da história de Charlie e Nick, o legado que ela deixa está longe de terminar.

Fãs se preparam para o adeus

Enquanto o filme não estreia, o fandom já se mobiliza nas redes sociais para revisitar episódios, reler os quadrinhos e preparar homenagens. Muitos afirmam que Heartstopper os ajudou a sair do armário, a entender sua sexualidade ou simplesmente a se sentir menos sozinhos.

Superman no cinema: Relembre os atores que encararam o papel do Homem de Aço

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Foto: Reprodução/ Internet

Poucos personagens da cultura pop têm uma trajetória tão longa e marcante quanto o Superman. Desde que apareceu pela primeira vez nas páginas da Action Comics, em 1938, o herói kryptoniano se tornou um símbolo global de esperança, justiça e coragem. Não é à toa que o cinema, com todo seu poder de alcance e magia, logo se interessou por transformar essa figura dos quadrinhos em carne, osso e efeitos visuais. Ao longo das décadas, vários atores vestiram a capa vermelha e colocaram no peito o “S” mais famoso do mundo, cada um com sua pegada, seu contexto e seu impacto na cultura.

Vamos fazer um passeio pela história cinematográfica do Superman, conhecendo quem foram esses atores, o que cada um trouxe para o papel e como seus filmes conversaram com o tempo em que foram feitos.

Kirk Alyn: O pioneiro que abriu caminho

Em 1948, o mundo ainda se recuperava das cicatrizes da Segunda Guerra Mundial, e a ideia de um herói vindo do espaço para proteger a Terra era, ao mesmo tempo, fantasiosa e reconfortante. Kirk Alyn foi o primeiro ator a interpretar Superman nos cinemas, em seriados que mais pareciam grandes novelões divididos em capítulos semanais.

Com recursos limitados, a produção usava animação para mostrar Superman voando, o que hoje parece bizarro, mas à época era pura inovação. Alyn não foi creditado como Superman nas produções – o estúdio quis manter a ilusação de que o herói era real. Uma escolha curiosa, mas que mostra como o mito era tratado com quase reverência. Ele também reprisou o papel em Atom Man vs. Superman (1950), enfrentando o vilão Lex Luthor.

George Reeves

Em 1951, George Reeves assumiu o manto em Superman and the Mole Men, um longa que serviu como piloto para a série de TV As Aventuras do Superman. Reeves deu ao personagem um tom mais maduro, próximo do herói paterno e confiável. Era o Superman que inspirava segurança num mundo que começava a mergulhar na Guerra Fria.

A imagem de Reeves ficou tão associada ao herói que, para muitos, ele era o Superman. O ator enfrentou dificuldades em se desvencilhar do papel, e sua morte prematura em 1959 gerou teorias e lendas, consolidando ainda mais seu nome na mitologia do personagem.

Christopher Reeve

Quando Superman: O Filme chegou aos cinemas em 1978, dirigido por Richard Donner, o mundo viu algo até então inédito: um super-herói levado a sério pelo cinema. E grande parte disso se deve a Christopher Reeve. Jovem, atlético, com um sorriso sincero e um talento para alternar entre a timidez de Clark Kent e a imponência do Superman, Reeve marcou para sempre.

Ele estrelou quatro filmes: o clássico original, o elogiado Superman II, o controverso Superman III com pitadas de comédia e o derradeiro Superman IV: Em Busca da Paz, que sofreu com cortes de orçamento e roteiro fraco. Mesmo com altos e baixos, Reeve se tornou sinônimo de Superman. Após um acidente que o deixou tetraplégico, ele se tornou ativista e exemplo de superação, ganhando ainda mais respeito do público.

Brandon Routh

Em 2006, a Warner tentou reviver o Superman nos cinemas com Superman: O Retorno, dirigido por Bryan Singer. A escolha de Brandon Routh como protagonista foi vista como uma homenagem direta a Christopher Reeve. Routh não apenas lembrava fisicamente Reeve, mas adotou uma atuação que ecoava o estilo clássico, contido e romântico do Superman dos anos 70.

O filme trouxe um Superman em crise, retornando à Terra após cinco anos e tentando se reconectar com Lois Lane, agora mãe de uma criança. Apesar das boas intenções e da bela fotografia, o longa foi considerado lento por muitos e não ganhou sequências. Routh, no entanto, teve seu momento de consagração anos depois, quando voltou ao papel numa versão mais sombria do herói em Crise nas Infinitas Terras, evento televisivo que emocionou fãs ao redor do mundo.

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Henry Cavill

Em 2013, com o sucesso dos universos compartilhados nos cinemas, a Warner decidiu reiniciar a história do Superman com um novo tom. Entra em cena Henry Cavill, no filme O Homem de Aço, dirigido por Zack Snyder. A proposta era clara: um Superman mais realista, introspectivo, dividido entre dois mundos.

Cavill entregou um herói contido, com olhar melancólico e fósseis de culpa. A destruição em massa do clímax dividiu opiniões, mas a presença física do ator e sua postura estoica agradaram grande parte do público. Ele voltou em Batman vs Superman: A Origem da Justiça e nos dois cortes de Liga da Justiça, incluindo o de Zack Snyder.

Apesar do carinho dos fãs, Cavill não seguirá mais no papel. Sua saída foi anunciada em 2022, num momento de transição da DC nos cinemas. Mas sua versão mais séria e madura do Superman deixou sua marca na geração que cresceu vendo seus voos e conflitos internos.

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David Corenswet

O futuro do Superman agora está nas mãos (e nos ombros) de David Corenswet. Escalado para estrelar Superman (2025), dirigido por James Gunn, o jovem ator assume a missão de reiniciar a história do herói no novo Universo DC.

Corenswet já chamou atenção pela semelhança física com os Supermans clássicos, mas também por seu talento em papéis mais introspectivos em séries como Hollywood e The Politician. A promessa é de um Superman mais leve, inspirador e humano, lidando com o desafio de ser ao mesmo tempo um deus entre humanos e um filho adotivo tentando encontrar seu lugar.

O legado que voa mais alto que nunca

Cada Superman do cinema foi um reflexo de seu tempo: do otimismo pueril do pós-guerra à complexidade emocional do século XXI. Kirk Alyn abriu a porta, George Reeves construiu a base, Christopher Reeve encantou o mundo, Brandon Routh prestou tributo, Henry Cavill trouxe profundidade, e agora David Corenswet assume o desafio de manter a esperança viva.

Porque, em qualquer geração, sempre há espaço para um herói que acredita que podemos ser melhores.

Com Rafael Vitti e o carismático Amendoim, “Caramelo” ganha pôster oficial e promete emocionar no catálogo da Netflix

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Foto: Reprodução/ Internet

Pode se preparar: o Brasil acaba de ganhar um filme para chamar de seu — e com um protagonista que não precisa de fama nem de pedigree para conquistar a gente. Ele tem o pelo dourado, a língua sempre de fora e aquele olhar maroto que já virou símbolo nacional. O nome? Amendoim. E é ele, um vira-lata caramelo, quem promete emocionar o público na mais nova produção brasileira da Netflix: “Caramelo“.

O longa-metragem, que teve suas primeiras imagens e pôster revelados nesta quinta (31), chega como um sopro de ternura e afeto em tempos tão acelerados. Estrelado por Rafael Vitti e dirigido por Diego Freitas, o filme é uma homenagem escancarada a essa figura tão presente na vida dos brasileiros: o cão sem raça definida, que vive nas praças, calçadas, portões de padarias — e nos nossos corações. Abaixo, confira o pôster oficial:

Quando tudo parece desmoronar, um cachorro aparece

Pedro é um jovem chef de cozinha determinado, focado, daqueles que não desistem até conquistar o que querem. E, de fato, ele está prestes a realizar o grande sonho da sua vida: liderar a cozinha de um restaurante renomado. Mas como a vida não costuma seguir o roteiro que a gente imagina, um diagnóstico inesperado atravessa o caminho de Pedro — e tudo aquilo que parecia certo, de repente, vira um enorme ponto de interrogação.

É nesse momento de crise existencial, de angústia e reavaliações, que entra em cena o vira-lata caramelo. Amendoim, como é chamado, surge como um improvável companheiro — e vai se tornando, pouco a pouco, o elo que conecta Pedro de volta ao presente. O que parecia ser só um encontro casual se transforma numa amizade transformadora. Entre latidos, caminhadas, silêncios compartilhados e momentos de pura ternura, Pedro redescobre o que realmente importa.

Não é exagero dizer que o filme promete arrancar lágrimas — mas também muitos sorrisos. Caramelo é aquele tipo de história que a gente assiste com o coração aberto e o lenço por perto. É sobre recomeços, sobre aceitar as curvas da vida e sobre o poder silencioso de um amor que não precisa de palavras.

O carisma de Rafael Vitti e o brilho de Amendoim

Rafael, conhecido por seus papéis em novelas e filmes brasileiros, entrega uma atuação delicada e madura, dando vida a um personagem que carrega camadas de ambição, frustração e ternura. Mas o verdadeiro astro é ele: Amendoim, o vira-lata mais carismático que você vai ver nas telas esse ano. Com seus olhos expressivos e uma presença que mistura travessura e sabedoria, ele rouba a cena — e o coração do espectador.

E não é por acaso que a Netflix escolheu justamente o Dia Nacional do Vira-Lata para divulgar as primeiras imagens do filme. A data, celebrada no Brasil em 25 de julho, reconhece a importância desses cães na cultura e na vida das pessoas. O vira-lata caramelo, em especial, já virou meme, figurinha de WhatsApp, mascote de campanhas públicas e agora, finalmente, protagonista de uma história feita sob medida para ele.

Uma equipe que cuida com afeto — na tela e nos bastidores

Dirigido por Diego Freitas, que já emocionou o público com Depois do Universo, Caramelo é uma produção da Migdal Filmes — e marca a primeira colaboração do estúdio com a Netflix. A ideia original também veio de Diego, que assina o roteiro ao lado de Rod Azevedo e Vitor Brandt, com colaboração de Carolina Castro e consultoria de Marcelo Saback.

O cuidado com os detalhes vai muito além da direção de arte ou da fotografia poética. Um dos pilares da produção foi o bem-estar animal. Para isso, a equipe contou com o trabalho dedicado de Luis Estrelas, treinador de animais e responsável por garantir que Amendoim (e outros cãezinhos do elenco) estivessem sempre confortáveis e seguros. A produção também teve consultoria internacional de Mike Miliotti, que trabalhou recentemente em Garfield – O Filme.

Isso reforça algo fundamental: Caramelo não é só um filme sobre amor — ele é feito com amor. E o respeito aos animais é uma das marcas mais bonitas dessa jornada.

Um elenco que abraça a proposta com entrega e emoção

Além de Rafael Vitti e do cãozinho Amendoim, o elenco reúne nomes que trazem frescor, humor e emoção à trama. Arianne Botelho, Noemia Oliveira, Ademara, Kelzy Ecard, Bruno Vinicius, Roger Gobeth e Olívia Araújo compõem o núcleo principal da história, que mistura drama, leveza e toques de comédia. Cristina Pereira e Carolina Ferraz também fazem participações especiais — e quem também aparece é ninguém menos que a chef Paola Carosella, em uma participação pra lá de simbólica.

A presença de Paola, inclusive, estabelece uma conexão interessante com a profissão do protagonista e com o universo da gastronomia, que aparece com força na trama. As cenas na cozinha são repletas de simbolismo — entre panelas, ingredientes e receitas, Pedro tenta reencontrar o próprio sabor da vida.

Um filme que fala com o Brasil — e sobre o Brasil

O filme tem aquele jeitinho que a gente reconhece: um pouco de humor agridoce, uma paisagem que mistura cidade grande com afetos cotidianos, personagens que falam como a gente e situações que poderiam acontecer com qualquer um de nós.

Mais do que uma história de superação, o filme é uma celebração daquilo que nos move mesmo nos dias difíceis: os laços que criamos. E nesse sentido, Caramelo fala muito sobre o Brasil. Sobre a solidariedade que nasce do nada, sobre os encontros improváveis e, claro, sobre os vira-latas que nos seguem na rua e, de alguma forma, nos escolhem.

Em um país onde milhares de cães vivem em situação de abandono, o filme também carrega uma mensagem de consciência: todos os Amendoins espalhados por aí têm amor de sobra para dar. Basta que alguém olhe para eles com o coração aberto.

Por que você não vai querer perder esse filme?

Porque é um filme que resgata algo essencial — a delicadeza de sentir. Em tempos de correria, cinismo e pressa, Caramelo propõe uma pausa. Ele nos convida a sentar no sofá, talvez com nosso próprio cãozinho no colo, e lembrar que ainda existem histórias simples capazes de nos tocar profundamente.

Com uma produção cuidadosa, atuações envolventes e um protagonista de quatro patas impossível de ignorar, o longa já nasce com cara de queridinho do público. A Netflix ainda não divulgou a data de estreia, mas se você é do tipo que se emociona com filmes como Marley & Eu, Sempre ao Seu Lado ou até mesmo Depois do Universo, prepare o coração.

LARA lança “Nossa Estrela” e nos convida a acreditar no amor — mesmo quando tudo parece incerto

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Foto: Reprodução/ Internet

Tem música que chega de mansinho, sem fazer alarde, e mesmo assim toma conta da gente. Vai entrando pelos ouvidos, mas é no coração que ela se instala. Foi exatamente isso que aconteceu com “Nossa Estrela”, novo single da cantora e compositora LARA, lançado nesta quinta-feira, 1º de agosto, nas plataformas digitais. As informações são do Gshow.

A canção é daquelas que parecem ter sido escritas sob a luz fraca de um abajur, entre um suspiro e outro, num fim de tarde calmo. Com um toque romântico e uma entrega que só quem já amou de verdade entende, LARA mostra mais uma vez por que tem sido apontada como uma das artistas mais promissoras da nova geração da música brasileira. E olha que o álbum ainda nem saiu.

Um passo de cada vez — mas todos no caminho certo

“Nossa Estrela” chega como o terceiro lançamento dessa fase atual da artista. Antes vieram “Quase Tudo Se Encaixa” — aquela que apresentou sua nova estética musical — e “Romance Postiço”, lançada em junho, onde as camadas emocionais ficaram mais intensas, mais profundas.

Agora, com esse novo single, a cantora dá um passo sereno, mas firme, em direção ao seu primeiro álbum de estúdio, previsto para agosto de 2025. E se você ainda não tinha se conectado com ela, essa talvez seja a música ideal para começar.

Porque “Nossa Estrela” não fala só de amor romântico. Fala de encontro. De pertencimento. Da sorte rara de achar, no meio do caos do mundo, uma pessoa que te entende, te acolhe, te lembra por que tudo vale a pena. Como ela mesma diz: “A música é um convite pra gente acreditar e vibrar que mesmo diante de tanta violência, tantos desencontros, a união e o amor é o que dá sentido e faz a vida valer mesmo a pena.”

É bonito, né? Mas mais bonito ainda é ouvir isso cantado por ela.

Autoral de verdade – e isso faz diferença

Uma das coisas que mais impressionam na trajetória de LARA é que ela mete a mão na massa em absolutamente tudo: compõe, participa da produção, escolhe arranjos, afina cada detalhe do que entrega ao público. E isso não é só controle criativo — é amor mesmo.

Dá pra sentir que cada verso, cada melodia, foi cuidadosamente esculpido pra contar uma história. Não é música feita pra agradar o algoritmo. É música feita pra tocar alguém de verdade. Como ela mesma descreve, “Nossa Estrela” nasceu de uma reflexão profunda sobre a força que a gente encontra quando sente que pertence a alguém — ou a algum lugar.

Menos gritos, mais afeto

No meio de um mercado musical onde todo mundo parece gritar por atenção, a artista faz o contrário. Ela fala baixo. Sussurra. Entrega um tipo de emoção que não precisa de efeito especial. Ela confia no poder de uma letra bem escrita, de uma melodia sincera, de um arranjo que não precisa de pirotecnia pra ser bonito. A verdade é que ela não está competindo com ninguém. LARA está construindo um universo próprio, onde amor, dúvida, descoberta, saudade e esperança convivem com a mesma delicadeza com que ela segura cada nota. E quem entra nesse universo entende rapidinho: o que ela faz vai muito além de cantar. É quase uma experiência emocional. Quase uma conversa de alma pra alma.

O que esperar do álbum?

Por enquanto, o que temos são pistas. Três músicas já lançadas que mostram diferentes nuances dessa nova fase: a leveza de “Quase Tudo Se Encaixa”, a densidade de “Romance Postiço”, e agora o romantismo esperançoso de “Nossa Estrela”. Se seguir essa linha — e tudo indica que vai — o álbum de estreia deve ser um grande mergulho emocional, costurado por violões suaves, letras bem cuidadas e arranjos que abraçam. Ainda não tem nome divulgado, mas já dá pra sentir que não será apenas um disco de canções: será uma espécie de diário musical. Um retrato honesto de uma mulher que está descobrindo o mundo, o amor e a si mesma com coragem e poesia.

Uma artista que cresce devagar — e isso é bom

LARA não é dessas que explodem de uma hora pra outra. Ela vem crescendo como uma planta bem cuidada, devagar, mas com raízes fortes. E isso talvez seja o que mais a diferencia: a escolha por construir uma carreira sólida, verdadeira, sem pressa. Seja no palco pequeno de um festival alternativo ou num estúdio montado na sala de casa, ela canta com a mesma entrega. E talvez por isso cada vez mais gente esteja se conectando com sua música.

Assista a uma cena exclusiva de Rosario, novo terror sombrio com estreia marcada para 28 de agosto nos cinemas

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O silêncio de um apartamento antigo guarda histórias que não foram contadas. É entre paredes manchadas pelo tempo, fotografias esquecidas e símbolos religiosos inquietantes que se desenrola a trama de Rosario, novo longa de terror dirigido pelo colombiano Felipe Vargas, que chega aos cinemas brasileiros no dia 28 de agosto, com distribuição da Imagem Filmes.

O filme acaba de ganhar uma cena exclusiva, que você pode ver logo abaixo, que mostra a protagonista em um dos primeiros momentos de tensão dentro do apartamento da avó. A sequência, marcada por sons abafados, ausência de trilha sonora convencional e a presença sutil de movimentos estranhos ao fundo do quadro, antecipa o que Rosario pretende construir: uma narrativa de horror calcada no desconforto, na herança espiritual e nos vínculos familiares.

Uma trama construída a partir da ausência

A protagonista é Rosario Fuentes, interpretada por Emeraude Toubia, conhecida por papéis em Shadowhunters e With Love. Rosario é uma executiva do mercado financeiro, racional, objetiva e afastada de suas origens. Quando sua avó, Griselda, morre de forma repentina, Rosario retorna a Nova York para resolver assuntos pendentes. A visita, inicialmente prática e breve, ganha outras proporções ao descobrir que o apartamento da avó esconde uma câmara secreta, repleta de símbolos religiosos, artefatos de rituais e uma coleção de registros que apontam para práticas espirituais não convencionais.

Ao explorar esse espaço, Rosario se vê confrontada por uma memória familiar que havia escolhido ignorar. Os ruídos nas paredes, os sonhos recorrentes e a sensação de estar sendo observada constroem, aos poucos, um estado de instabilidade emocional. Não se trata apenas de um confronto com o sobrenatural, mas com a própria identidade.

O olhar de uma protagonista entre dois mundos

A atuação de Emeraude se destaca pela contenção. Sua personagem está constantemente em tensão entre o mundo que construiu — estruturado, pragmático, financeiro — e aquele que insiste em retornar, onde símbolos religiosos, fé popular e luto se entrelaçam. Toubia, de origem mexicana e libanesa, entrega uma performance que valoriza nuances. Não há excessos, nem reações caricatas ao medo. Há inquietação. Há hesitação.

Rosario é, em muitos aspectos, a representação de um dilema contemporâneo vivido por diversas mulheres latinas que ascenderam profissionalmente em contextos globalizados, mas que ainda carregam vínculos profundos com práticas espirituais, familiares e culturais muitas vezes vistas como arcaicas. Essa dualidade é o cerne do longa.

Uma direção voltada ao horror atmosférico

O longa-metragem marca a estreia de Felipe Vargas em longas-metragens. O diretor, que ganhou notoriedade por seu curta Milk Teeth, premiado em festivais de cinema de gênero, aposta aqui em uma abordagem que valoriza a atmosfera e o desconforto psicológico, em vez de sustos fáceis ou violência explícita.

Em entrevista recente à revista Latinx Creators, Vargas explicou sua intenção de “colocar o espectador dentro da mente da protagonista, onde o medo não é um monstro externo, mas o eco de algo que foi reprimido por muito tempo”. O uso de câmera estática, a presença de sombras em planos abertos e o som diegético são algumas das escolhas que evidenciam esse olhar mais introspectivo.

A fotografia de Nico Aguilar, colaborador frequente de Vargas, constrói uma Nova York envelhecida, quase esquecida, onde o apartamento da avó funciona como um espaço de memória e transição. Nada é gratuito: os objetos de cena, os ícones religiosos, as rachaduras nas paredes — tudo aponta para um passado que permanece ativo.

Um terror com raízes espirituais e culturais

O diferencial do filme está na forma como trabalha a espiritualidade. Os rituais mencionados no filme não são caricaturas, nem inventados para a trama. Eles fazem parte de um universo religioso latino-americano real, muitas vezes sincrético, onde o catolicismo popular se mistura a práticas afroindígenas, rezas herdadas e cultos domésticos. Vargas evita o sensacionalismo e trata esses elementos com respeito, como parte de um patrimônio afetivo.

Esse aspecto torna o filme especialmente significativo. Em vez de usar o oculto como fetiche, Rosario insere o sobrenatural como parte natural da narrativa. Os símbolos religiosos não são apenas ameaçadores — são também pontes para reconciliação, para compreensão e, em última instância, para libertação.

Conversa com Bial desta terça (05/08) celebra 40 anos do axé com Felipe Pezzoni e Emanuelle Araújo

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Foto: Reprodução/ Internet

Na edição desta terça-feira, 5 de agosto de 2025, o Conversa com Bial mergulha no universo vibrante do axé para celebrar os 40 anos de um dos movimentos musicais mais marcantes da cultura brasileira. O programa reúne dois representantes de gerações distintas da Banda Eva — Felipe Pezzoni e Emanuelle Araújo — para uma homenagem carregada de história, ritmo e pertencimento. O especial vai além da memória afetiva: é um convite para refletir sobre o legado de um gênero que nasceu das ruas de Salvador e ganhou as rádios do país, levando consigo a identidade baiana, a alegria do Carnaval e o pulsar de uma cultura que nunca deixou de se reinventar.

Da rua ao palco: o axé como símbolo cultural

O axé não nasceu de fórmulas de estúdio. Ele brotou do asfalto quente, do batuque dos blocos, da energia que corre pelas avenidas de Salvador nos dias de Carnaval. Mais do que um ritmo, é uma vivência coletiva — uma expressão musical e corporal que desafia a lógica de mercado e se sustenta na potência popular. Ao longo de quatro décadas, o axé transformou artistas anônimos em estrelas e colocou a Bahia no centro do mapa da música brasileira. A força desse movimento está na sua capacidade de se conectar com o povo, atravessando gerações e se renovando sem perder a alma.

A Banda Eva e o papel de protagonismo no axé

Dentro dessa trajetória, poucas bandas foram tão emblemáticas quanto a Banda Eva. Surgida nos anos 1980 como bloco de Carnaval, o grupo se tornou sinônimo de sucesso ao longo dos anos 1990, especialmente após a chegada de Ivete Sangalo, que ajudou a projetar o axé para todo o Brasil. Mas a história da banda vai muito além de um nome. Cada vocalista que passou pelo Eva trouxe uma nova leitura do gênero, mantendo viva a chama de um projeto que carrega a missão de unir tradição e renovação. De Emanuelle Araújo a Felipe Pezzoni, o Eva atravessou diferentes fases, cada uma marcada por desafios, recomeços e canções que marcaram época.

Um encontro que conecta passado, presente e futuro

O Conversa com Bial cria o cenário ideal para esse encontro simbólico. Sem pressa, com a sensibilidade que já é marca do programa, o episódio constrói uma narrativa que valoriza o percurso artístico de seus convidados, mas também o impacto coletivo da música baiana na formação cultural do país. Ao resgatar momentos históricos da Banda Eva e refletir sobre o espaço do axé na contemporaneidade, o programa costura um painel sensível de tudo o que esse gênero representa: resistência, alegria, transformação e pertencimento. Não se trata apenas de comemorar 40 anos de estrada — mas de reconhecer a importância de manter vivo um som que pulsa na alma do Brasil.

Com imagens de arquivo, trechos musicais e um olhar documental, o programa desta terça (05) presta uma homenagem não só aos artistas, mas a todos que constroem o axé diariamente: compositores, músicos, foliões, produtores e fãs que carregam o ritmo como uma extensão de sua própria identidade.

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