Superman ganha nova linha de brinquedos licenciados – Herói da DC chega ao varejo com novidades para fãs de todas as idades

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Com o sucesso de Superman nos cinemas, a icônica figura do herói mais famoso da DC Comics agora também ocupa as prateleiras do varejo brasileiro. A Sunny Brinquedos, uma das principais importadoras e distribuidoras de produtos licenciados no Brasil, anunciou a chegada de uma linha inédita de brinquedos baseada no novo longa da Warner Bros. Pictures, que estreou oficialmente nos Estados Unidos em 11 de julho de 2025.

A produção, dirigida por James Gunn e estrelada por David Corenswet, Rachel Brosnahan e Nicholas Hoult, marca o início oficial do Universo DC (DCU) sob a nova gestão criativa de Gunn e Peter Safran. Inspirada na HQ All-Star Superman, a trama acompanha um Clark Kent mais jovem, dividido entre sua origem extraterrestre e sua humanidade enquanto repórter em Metrópolis e símbolo de esperança para o mundo. Com um visual repaginado, narrativa emocional e conflitos contemporâneos, o filme já ultrapassou os US$ 400 milhões em bilheteria global, reforçando a popularidade do personagem e abrindo caminho para novos produtos licenciados.

Nova linha de brinquedos

A linha oficial de brinquedos do novo Superman já está disponível nas principais lojas físicas e e-commerce do país. Os produtos licenciados foram desenvolvidos com base nos elementos visuais e personagens apresentados no filme e contam com bonecos articulados, acessórios interativos, playsets temáticos e itens de roleplay.

Voltada tanto para o público infantil quanto para colecionadores e fãs de cultura pop, a linha permite reviver — ou reinventar — cenas do filme por meio da brincadeira e da imaginação.

Confira os destaques:

🦸‍♂️ Figura de Ação Superman (R$119,99)

Inspirado diretamente no visual do novo filme, o boneco articulado do Superman apresenta detalhes no uniforme e uma escultura que remete à versão de David Corenswet. Ideal para crianças e fãs que desejam recriar as aventuras do herói.

🐶 Boneco Krypto (R$599,99)

O supercão Krypto chega em versão articulada com tecnologia que permite “flutuar” acima da mão utilizando sensores. Sem necessidade de controle remoto, o brinquedo proporciona uma experiência interativa e lúdica.

👿 Figura de Ação Ultraman (R$119,99)

Personagem antagonista do novo longa, Ultraman é apresentado como um clone criado por Lex Luthor. O boneco segue a mesma proposta da figura do Superman, com articulações e acabamento detalhado.

💥 Pack de Batalha Superman vs Kaiju (R$599,99)

Representando um dos confrontos do filme, este pack reúne Superman e um Kaiju para batalhas em escala reduzida. Uma peça ideal para recriar cenas de ação ou ampliar a coleção.

❄️ Playset Fortaleza da Solidão (R$499,99)

Inspirado no esconderijo do herói, o cenário vem com elementos interativos, espaço para os bonecos e detalhes que remetem à Fortaleza apresentada nas produções da DC.

🦸‍♂️ Roleplay Superman Clássico (R$249,99)

Com capa e símbolo do herói, o kit de roleplay permite que crianças se transformem no Superman e entrem em aventuras imaginárias como seu personagem favorito.

Sobre o filme

O novo “Superman” (2025) marca uma renovação ousada do universo DC, e o elenco escolhido por James Gunn reflete esse novo fôlego criativo. David Corenswet, que assume o papel de Clark Kent / Superman, tem no currículo uma ascensão notável com papéis em “The Politician” (2019), da Netflix, e “Hollywood” (2020), de Ryan Murphy, além de estrelar “Pearl” (2022), prequela do aclamado terror de Ti West. Rachel Brosnahan, como a intrépida Lois Lane, é amplamente reconhecida por sua atuação premiada como protagonista em “The Marvelous Mrs. Maisel” (2017–2023), além de participações expressivas em “House of Cards” (2013–2015) e “I’m Your Woman” (2020). Nicholas Hoult, no papel de Lex Luthor, já tem uma sólida carreira com destaque em franquias como “X-Men” (onde interpretou o Fera em filmes como “X-Men: Primeira Classe”, “Dias de um Futuro Esquecido” e “Apocalipse”), além de atuações elogiadas em “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015), “Tolkien” (2019), “The Menu” (2022) e na série “The Great” (2020–2023).

Skyler Gisondo, escalado como o carismático Jimmy Olsen, é conhecido por seu trabalho em “Santa Clarita Diet” (2017–2019), “Booksmart” (2019), “Licorice Pizza” (2021) e na aclamada série “The Righteous Gemstones” (2019–2024). Isabela Merced, que interpretará a heroína Kendra Saunders / Mulher-Gavião, já demonstrou versatilidade em papéis como a jovem Dora em “Dora e a Cidade Perdida” (2019), em “Sweet Girl” (2021), “Let It Snow” (2019) e no recente “Madame Teia” (2024), onde interpretou Anya Corazon. Nathan Fillion, sempre querido pelo público nerd, será Guy Gardner / Lanterna Verde — um papel que parece feito sob medida para ele, veterano de séries como “Firefly” (2002–2003), “Castle” (2009–2016) e “The Rookie” (2018–presente), além de várias participações no universo DC em animações e na franquia Guardiões da Galáxia, também sob a direção de Gunn.

Edi Gathegi, como Michael Holt / Senhor Incrível, já passou por franquias como “Crepúsculo” (como Laurent), “X-Men: Primeira Classe” (2011), “StartUp” (2016–2018) e “The Harder They Fall” (2021), da Netflix. Anthony Carrigan, que viverá o mutável Rex Mason / Metamorfo, é amplamente celebrado por seu papel como NoHo Hank na premiada série “Barry” (2018–2023), além de participar de “Gotham” (2014–2019), onde interpretou Victor Zsasz, e do recente “Bill & Ted: Encare a Música” (2020). María Gabriela de Faría, como a engenheira tecnopunk Angela Spica, já integrou o elenco de “Deadly Class” (2018–2019), produzida pelos irmãos Russo, e teve destaque em produções latinas como “Yo Soy Franky” (2015–2016).

O filme também inclui Frank Grillo como o implacável Coronel Rick Flagg Sr., personagem que amplia as conexões com o Esquadrão Suicida — e Grillo é veterano de ação, tendo interpretado Brock Rumlow / Ossos Cruzados no Universo Marvel (“Capitão América: O Soldado Invernal”, “Guerra Civil”, “Vingadores: Ultimato”), além de protagonizar a franquia “Uma Noite de Crime”. A portuguesa Sara Sampaio, escalada como Eve Teschmacher, tem feito a transição do mundo da moda para a atuação, participando de filmes como “Crisis” (2021), ao lado de Gary Oldman, e “Caddle Call” (2023). Por fim, a australiana Milly Alcock, que dará vida à jovem Kara Zor-El / Supergirl, conquistou o mundo com sua interpretação de Rhaenyra Targaryen jovem na primeira temporada de “House of the Dragon” (2022), além de estrelar séries como “Upright” (2019–2022) e “Reckoning” (2019).

Um convite ao imaginário

Ao trazer os brinquedos do Superman para o varejo, a Sunny Brinquedos oferece aos fãs brasileiros a oportunidade de se conectarem mais profundamente com o universo cinematográfico, além de promover o valor simbólico do brincar. A linha alia qualidade, acessibilidade e representatividade para diferentes idades, ampliando o alcance cultural do herói da DC Comics.

Os brinquedos licenciados também reforçam a aposta da Warner Bros. Discovery em fortalecer as marcas do novo DCU por meio de produtos oficiais, mantendo viva a relação emocional entre personagens e fãs.

Onde encontrar

Todos os produtos da linha Superman já estão disponíveis nas principais lojas físicas e plataformas digitais, incluindo o e-commerce oficial da Sunny Brinquedos. A expectativa é que a linha se destaque entre os lançamentos mais procurados do ano, especialmente com a repercussão positiva do filme.

No “Caldeirão com Mion” deste sábado (26/07), Belo canta ao som das Cataratas e Alice Wegmann reencontra as raízes de ‘Vale Tudo’

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Foto: Reprodução/ Internet

Nem todo show precisa de holofotes para ser memorável. Às vezes, basta uma voz marcante, um cenário de tirar o fôlego e uma plateia com o coração aberto. É nesse clima que Belo chega ao palco do ‘Caldeirão de Inverno’, edição especial do programa comandado por Marcos Mion, que vai ao ar neste sábado, dia 26 de julho de 2025. O palco, aliás, não poderia ser mais simbólico: nada menos que o Parque Nacional das Cataratas do Iguaçu, um dos tesouros naturais mais imponentes do Brasil. As informações são da Globo.

Sob o som das águas e o frescor da mata, Belo se apresenta no quadro ‘Sobe o Som’, embalando o público com canções que marcaram gerações. É a estreia do cantor nas Cataratas, mas sua conexão com a natureza vem de longe. “Meus pais são de Minas Gerais, eu cresci perto de mato, de cachoeira. Tenho isso dentro de mim. Estar aqui hoje, nesse lugar tão poderoso, é como unir o sagrado da natureza com o sagrado da música”, revela, emocionado.

Um pagode entre amigos e memórias

No ‘Sobe o Som’, o clima é de descontração e nostalgia. Enquanto a banda Lucio Mauro e Filhos solta os primeiros acordes, os convidados tentam adivinhar os sucessos do cantor — e não faltam risadas, confusão e emoção. Nesta edição, quem entra na brincadeira são os atores Ramille, Jonathan Azevedo, David Junior e o apresentador Thiago Oliveira. Todos se deixam levar pelo desafio, entre palpite e surpresa, lembrando que, sim, a música de Belo está profundamente enraizada no imaginário afetivo brasileiro.

Clássicos como “Tudo Mudou”, “Perfume” e “Derê” surgem como trilha sonora não apenas de romances, mas de épocas inteiras. E é essa capacidade de atravessar o tempo que torna a apresentação ainda mais especial, cercada por uma paisagem que também resiste ao tempo e encanta gerações.

Do palco à ficção: reencontro de ‘Vale Tudo’ em solo iguaçuense

Mas não é só de música que vive o ‘Caldeirão de Inverno’. O programa também abre espaço para o afeto que nasce nos bastidores da teledramaturgia. Em um dos momentos mais intimistas da edição, os atores Alice Wegmann e Lucas Leto, intérpretes da Solange e do Sardinha da nova versão de Vale Tudo, voltam à cidade onde gravaram suas primeiras cenas na novela.

A visita, cheia de significado, acontece no acolhedor Lucinho’s Bar, comandado por Lucio Mauro Filho, que recebe a dupla para um papo leve e cheio de afeto. “Foz do Iguaçu foi nosso ponto de partida. Aqui a gente se conheceu melhor, construiu os primeiros passos desses personagens e dessa parceria”, relembra Lucas. Alice complementa com doçura: “Tem algo mágico em voltar. É como revisitar uma lembrança boa e, ao mesmo tempo, ver o quanto tudo evoluiu”.

A conversa, embalada por memórias e expectativas, mostra o lado mais humano de quem vive da arte — com nervosismo, entrega, companheirismo e um amor visível pelo que fazem.

Turistando com leveza e bom humor

E como toda boa viagem tem espaço para diversão, o programa também leva o público para um passeio inusitado por Foz do Iguaçu. Os convidados visitam pontos turísticos da cidade, como o Museu de Cera, e protagonizam momentos espontâneos, com direito a selfies, sustos e boas gargalhadas. É a prova de que, mesmo num cenário imenso como o das Cataratas, são os pequenos momentos que criam as melhores memórias.

O coração por trás do Caldeirão

Desde que assumiu o ‘Caldeirão’, Marcos Mion trouxe ao programa uma alma nova, feita de empatia, humor e verdade. Com o olhar atento de quem escuta mais do que fala, Mion construiu um espaço onde o entretenimento não é vazio, mas cheio de humanidade. E essa temporada de inverno é um reflexo disso: um encontro entre arte e natureza, pessoas e histórias.

Com Geninho Simonetti na direção artística, produção de Tatynne Lauria e Matheus Pereira, e direção de gênero assinada por Monica Almeida, o episódio deste sábado é o tipo de conteúdo que acolhe, diverte e emociona. Tudo na medida certa.

Cataratas, música e o que não se explica

Ver Belo cantando em frente às quedas d’água, cercado pela mata e pela força da natureza, não é só bonito — é simbólico. É como se o som de sua voz se misturasse ao das águas, criando algo maior, mais profundo, que ultrapassa o entretenimento e toca o emocional.

E quando Alice e Lucas se sentam para lembrar do início de tudo, num barzinho em Foz, não é só nostalgia — é reencontro com quem se é e com o porquê de tudo isso importar.

Neste sábado, o ‘Caldeirão com Mion’ não entrega apenas um programa. Ele oferece uma experiência. Um convite a parar, respirar, ouvir uma boa música, rir com os amigos e lembrar que, mesmo num mundo tão corrido, a beleza está nos encontros — com os outros, com a arte, com a natureza e, principalmente, com a gente mesmo.

“A Morte do Sr. Lazarescu” chega ao Reserva Imovision e mostra um retrato brutal da desumanização no sistema de saúde

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Ele está sozinho. Seus gatos miam, a cabeça lateja, a náusea aumenta. Ele liga para a emergência e espera. Não há ninguém mais. Nenhum parente, nenhum amigo. Só a promessa de que alguém — qualquer um — venha socorrê-lo. Assim começa “A Morte do Sr. Lazarescu”, o filme romeno que, duas décadas após chocar plateias ao redor do mundo, finalmente chega ao streaming no Brasil pelo catálogo do Reserva Imovision. E se você ainda não assistiu, prepare-se: não é só um filme. É uma ferida aberta, exposta com precisão cirúrgica. E o mais desconcertante? Você já viu isso acontecer. Talvez mais de uma vez. Talvez com alguém que você conhecia. Talvez com você.

Dirigido por Cristi Puiu, o longa de 2005 é considerado um marco da chamada Nova Onda Romena, movimento cinematográfico que rompeu com os velhos moldes e decidiu filmar a vida como ela é — sem filtros, sem cortes suaves, sem trilha sonora redentora. Em “A Morte do Sr. Lazarescu”, a lente crua da câmera não quer te entreter, quer te obrigar a ficar. A olhar. A não desviar os olhos do que preferimos ignorar: a lenta, dolorosa e cotidiana desumanização de quem mais precisa.

O corpo que apodrece, o sistema que falha

Dante Remus Lăzărescu tem 63 anos. Mora em Bucareste, num apartamento pequeno, apertado, onde divide o espaço com três gatos e os restos de uma vida que já perdeu brilho. Quando começa a passar mal — dores de cabeça intensas, vômitos —, ele liga para a ambulância. Parece simples, como qualquer um faria. Mas o que se segue é tudo, menos simples. Lazarescu é colocado em uma maca e embarca em uma jornada absurda que parece saída de um pesadelo burocrático: de hospital em hospital, de médico em médico, sem que ninguém o acolha de fato.

É alcoolista, dizem uns. Está inventando, pensam outros. E enquanto seu corpo dá sinais claros de falência, os profissionais de saúde se perdem em julgamentos, protocolos, vaidades e distrações. O tempo passa. A dor cresce. A voz some. A morte se aproxima.

Assistir a esse filme é como entrar em um labirinto gelado de corredores hospitalares, onde tudo ecoa: a espera, a negligência, a solidão. Com planos longos e câmera trêmula, Puiu faz o tempo esticar como um elástico prestes a arrebentar. Não há cortes rápidos nem diálogos expositivos. Há silêncios. Muitos silêncios. E, nos espaços entre uma palavra e outra, a verdade grita.

O drama de um é o espelho de muitos

Ion Fiscuteanu, no papel de Lazarescu, não atua — ele se entrega. Seu corpo vai murchando em cena como um galho seco. A voz se apaga aos poucos. E nós, do outro lado da tela, sentimos a impotência de quem vê e não pode fazer nada. Ou pior: de quem assiste, mas costuma virar o rosto na vida real.

Porque todos nós já ouvimos histórias assim. Alguém que morreu esperando atendimento. Alguém que foi ignorado porque parecia bêbado. Alguém que foi diagnosticado tarde demais. A diferença é que, aqui, não é só uma manchete de jornal. É uma jornada íntima, demorada e incômoda. E esse desconforto é o que torna o filme tão necessário.

“A Morte do Sr. Lazarescu” não é sobre um homem apenas — é sobre todos nós. Sobre o que fazemos (ou não fazemos) quando a vida de alguém escapa diante dos nossos olhos, aos poucos, como se fosse aceitável. Sobre como normalizamos o abandono. Sobre como a frieza institucional se tornou rotina.

Quando a câmera se recusa a virar o rosto

É difícil não se perguntar: por que esse filme nos incomoda tanto? Porque não há fuga possível. A câmera insiste em permanecer. Fica ali, mesmo quando tudo em nós implora por um corte. Observa os olhos impacientes dos médicos, os gestos automáticos dos enfermeiros, as desculpas técnicas que escondem a falta de empatia.

Mas, mais do que criticar a medicina, o que o filme revela é algo mais profundo: uma falência ética coletiva. A de uma sociedade que mede o valor de uma vida por sua utilidade, pela sua higiene, pelo seu comportamento. A de pessoas que, na correria, se esquecem que o outro é alguém — alguém com nome, com história, com dor.

Uma morte que nos obriga a acordar

Quando o filme estreou no Festival de Cannes, em 2005, arrebatou a crítica e venceu o prestigiado Prêmio Un Certain Regard. Mas seu impacto não ficou apenas nos prêmios. Ele virou referência. Virou símbolo. Inspirou outros diretores romenos. Chegou a ser comparado a um “anti-drama hospitalar”, por retratar a medicina sem heroísmo, sem glamour, sem finais felizes.

E agora, quase vinte anos depois, sua estreia no catálogo do Reserva Imovision é uma chance rara de reviver essa experiência cinematográfica — ou de enfrentá-la pela primeira vez. Em um mundo saturado de conteúdos efêmeros, onde o próximo filme está a um clique de distância, “A Morte do Sr. Lazarescu” exige tempo, paciência e coragem. Porque é isso que a vida também exige.

Porque talvez Lazarescu seja você. Ou alguém que você ama.

O filme termina em silêncio. Não há trilha triste, nem música de créditos triunfal. Só silêncio. E é nesse silêncio que percebemos: a história não terminou ali. Ela continua, em cada sala de espera, em cada pronto-socorro lotado, em cada voz ignorada. Lazarescu pode ter sido um personagem, mas a sua morte é real — e acontece todos os dias, diante de olhos cansados demais para notar.

No fim, o filme não te pede lágrimas. Ele te pede presença. Te pede escuta. Te pede responsabilidade.

E talvez isso seja o mais próximo da arte verdadeira: aquela que, mesmo quando termina, continua nos mudando por dentro.

“Heróis de Fogo” aquece a Temperatura Máxima deste domingo (27/07), na TV Globo

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Neste domingo, 27 de julho de 2025, a TV Globo traz para a Temperatura Máxima o eletrizante e comovente filme “Heróis de Fogo” (Fire ou Ogon, no original), uma superprodução russa que mergulha nas entranhas do heroísmo cotidiano dos bombeiros e equipes de resgate. Dirigido por Alexey Nuzhny com produção e colaboração criativa de Konstantin Khabenskiy, o longa vai muito além da ação, propondo uma experiência emocional que celebra a bravura humana em seu estado mais puro.

Lançado originalmente em 2020 e já premiado em importantes cerimônias como a Águia Dourada — o equivalente russo ao Oscar —, “Heróis de Fogo” mistura drama, tensão, efeitos visuais impressionantes e um retrato sensível sobre as consequências psicológicas e familiares da profissão de risco.

Quando o fogo se torna personagem

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, diferente de tantos filmes-catástrofe que exploram o espetáculo das tragédias naturais ou acidentes de grande escala, “Heróis de Fogo” parte do princípio de que o verdadeiro foco deve estar nas pessoas que enfrentam esse tipo de situação de forma cotidiana — e nem sempre reconhecida. A narrativa acompanha uma equipe de bombeiros da Sibéria que se vê diante de um incêndio florestal de proporções devastadoras, colocando não apenas suas habilidades técnicas à prova, mas também os limites físicos e emocionais de cada personagem.

O diretor Alexey Nuzhny adota uma abordagem que mistura o épico ao intimista. O fogo, elemento central da trama, é tratado quase como um personagem vivo: imprevisível, impiedoso, majestoso. Seus rugidos, sua luz e sua força ocupam a tela como um vilão silencioso e, ao mesmo tempo, fascinante.

Mas é na humanidade dos personagens que o longa encontra sua força real. O comandante Andrey Pavlovich Sokolov, vivido por Konstantin Khabenskiy, carrega o peso de decisões difíceis enquanto lida com uma relação conturbada com a filha, Ekaterina ‘Katya’ Sokolova (interpretada com intensidade por Stasya Miloslavskaya). O jovem recruta Roman Ilyin (Ivan Yankovskiy, premiado como Melhor Ator Coadjuvante) representa a nova geração de bombeiros: impetuoso, mas determinado.

Uma ode aos heróis invisíveis

Enquanto o mundo aplaude super-heróis com capas e poderes sobre-humanos, “Heróis de Fogo” aposta na construção de uma narrativa voltada para o real. Bombeiros, socorristas, paramédicos e pilotos de resgate são os verdadeiros protagonistas dessa história — e, por extensão, da vida real.

O roteiro equilibra habilmente momentos de pura adrenalina com instantes de pausa e introspecção. Uma das cenas mais marcantes do filme envolve uma mulher em trabalho de parto (vivida com emoção por Irina Gorbacheva, também premiada) sendo resgatada em meio a um incêndio que se alastra sem controle. A tensão desse momento é dilacerante, mas também profundamente humana.

O longa também oferece uma série de subtramas que ilustram os dilemas éticos e emocionais desses profissionais: o peso da responsabilidade, os traumas acumulados em campo, a solidão de quem está sempre de plantão quando o mundo se esconde do perigo.

Produção de alto nível e efeitos realistas

A Rússia tem investido cada vez mais em grandes produções cinematográficas com apelo internacional, e “Heróis de Fogo” é um ótimo exemplo dessa aposta. Com uma equipe técnica afiada e cenas filmadas em locações reais na Sibéria e outras regiões florestais do país, o filme oferece ao espectador uma sensação de imersão rara.

Os efeitos especiais, que concorreram à premiação da Águia Dourada, impressionam pela verossimilhança. Não há aqui o excesso típico de CGI que distorce a realidade: o fogo é captado com autenticidade, fazendo com que o espectador sinta o calor, o medo e a urgência de cada ação.

A trilha sonora, com composições dramáticas e discretas assinadas por talentosos músicos russos, reforça o tom emocional da obra. Já a fotografia aposta em contrastes entre a natureza indomada e a fragilidade humana, ressaltando a grandiosidade da missão de salvar vidas.

Elenco afinado e atuações emocionantes

A performance de Konstantin Khabenskiy é um dos pontos altos do filme. O ator — uma das figuras mais respeitadas do cinema russo — empresta dignidade, cansaço e profundidade ao comandante Sokolov. Sua presença em cena transmite a força de um líder que não se deixa abater, mesmo carregando feridas invisíveis.

Ivan Yankovskiy, neto do lendário ator russo Oleg Yankovskiy, entrega uma atuação vibrante como o impulsivo e idealista Roman. Sua trajetória ao longo do filme representa um arco de amadurecimento que toca em temas como sacrifício, coragem e lealdade.

Destaque também para Anton Bogdanov (como Kostik), Roman Kurtsyn (Sergey), Tikhon Zhiznevsky (Maksim) e o veterano Viktor Sukhorukov, que brilha como o piloto Okopych. Cada personagem é tratado com cuidado, evitando os clichês típicos de filmes de ação para dar lugar a figuras tridimensionais, com medos, falhas e virtudes.

Recepção e reconhecimento

O filme estreou em meio a um período conturbado na Rússia e no mundo, com o avanço da pandemia de COVID-19. Ainda assim, conseguiu se destacar tanto no circuito doméstico quanto internacional, chamando atenção pela qualidade técnica e pelo apelo universal da sua mensagem.

Na 20ª cerimônia das Águias Douradas, foi indicado a importantes categorias como Melhor Filme, Melhor Ator, Melhor Fotografia, Melhor Música e Melhores Efeitos Especiais. Levou para casa os prêmios de Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Som, consolidando seu prestígio como uma das obras cinematográficas mais relevantes da Rússia na década.

Rodrigo Tardelli fala sobre o impacto e os desafios da websérie “Estranho Jeito de Amar”

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Foto: Júlio Andrade/ Divulgação

Por trás de uma câmera ou mergulhado em um roteiro, Rodrigo Tardelli não apenas atua — ele se entrega. Conhecido por protagonizar e cocriar a websérie independente “Estranho Jeito de Amar”, sucesso no YouTube com mais de 11 milhões de visualizações, o ator deu rosto e alma a uma história que foge dos lugares-comuns do amor romântico para iluminar feridas que, por muito tempo, foram varridas para debaixo do tapete — especialmente dentro da comunidade LGBTQIAPN+.

Com duas temporadas já lançadas e uma terceira em desenvolvimento, a série tem chamado atenção em festivais internacionais pela forma sensível e corajosa com que trata relacionamentos abusivos, dependência emocional, traumas e identidade. Um mergulho denso e necessário, que nasceu da própria inquietação de Rodrigo com o silenciamento em torno de dinâmicas violentas entre homens gays — algo ainda pouco explorado no audiovisual brasileiro.

Em uma conversa franca e acolhedora, ele fala sobre os bastidores da produção, os desafios de dar vida a uma narrativa tão visceral e o impacto que a série tem causado na vida de quem assiste. Com a voz embargada em alguns momentos e o coração à flor da pele, Rodrigo deixa claro: o “estranho jeito de amar” pode até doer, mas também pode ser o início de uma libertação.

Foto: Júlio Andrade/ Divulgação

Como surgiu a ideia de criar “Estranho Jeito de Amar”? O que te motivou a contar essa história?

A ideia nasceu de uma inquietação muito verdadeira. Eu sentia falta de ver na tela narrativas LGBTQIAPN+ que abordassem as feridas mais profundas, aquelas que muitos evitam tocar. Estranho Jeito de Amar veio da necessidade de falar sobre as relações abusivas dentro da comunidade gay — um tema ainda pouco debatido e envolto em muito silêncio. Vi pessoas próximas passando por isso e percebi o quanto a arte pode ser um espaço de acolhimento e alerta. Quis transformar essa dor em diálogo, e foi assim que tudo começou.

A série conquistou público dentro e fora do Brasil. Como você explica esse alcance?

Acho que o sucesso está justamente na coragem de mostrar a realidade sem romantização. A gente não vende uma ideia idealizada do amor; mostramos como ele pode ser distorcido pela dependência, pelo controle e pelo medo. Mais do que isso, é uma produção feita com verdade, onde cada ator, cena e palavra do roteiro tem entrega total. As pessoas se veem ali, independente do país ou cultura. Emoção, dor, amor — tudo isso é universal. Quando a história é contada com alma, ela atravessa fronteiras.

Quais foram os maiores desafios durante a produção?

Desafios foram muitos. Fazer uma produção independente no Brasil já é complicado por si só. Agora, realizar uma série LGBTQIAPN+ com essa carga emocional, com cenas intensas, sem o suporte financeiro de grandes patrocinadores e ainda lutar contra os algoritmos das plataformas digitais… é uma batalha diária. Mas isso também é o que me move. Cada “não” que recebíamos só nos fazia entregar ainda mais. O maior desafio talvez tenha sido equilibrar toda essa estrutura enquanto eu atuava, dirigia, produzia e vivia essa história tão densa.

A série aborda temas delicados. Como foi lidar com essa responsabilidade?

Com muita escuta e cuidado. Não escrevemos pensando só em entreter, mas em causar impacto. Tudo foi construído com pesquisa, consultorias e conversas reais. A ideia nunca foi chocar, mas mostrar o que tantas pessoas vivem em silêncio. Eu sabia da responsabilidade de tocar nesses assuntos, principalmente dentro da comunidade, então meu compromisso sempre foi com a verdade e o respeito à dor do outro.

Você esperava a repercussão tão positiva?

Acreditei na força da história, sim, mas a dimensão que ela tomou superou minhas expectativas. No começo, eu só queria que alguém assistisse e dissesse “eu vivi isso” ou “isso me fez enxergar meu relacionamento de outro jeito”. Quando começaram a chegar mensagens assim, de todos os cantos do Brasil e até do exterior, percebi que a série tinha se tornado muito mais que um projeto — virou um espelho para muita gente.

Qual retorno do público mais te marcou até hoje?

O retorno tem sido muito forte. Recebi relatos de pessoas que passaram por situações parecidas e, graças à série, conseguiram se libertar. Também ouvi quem teve dificuldade de assistir até o fim, porque o conteúdo traz muitos gatilhos. O personagem Gael, por exemplo, seduz e prende o público, assim como essas personalidades fazem na vida real, mas também machuca. Muitas pessoas se viram ali, revivendo sentimentos e cicatrizes. É pesado, mas necessário. Quando um trabalho provoca esse tipo de reflexão e abre diálogos que estavam reprimidos, eu entendo que criamos algo que vai muito além do entretenimento — está ecoando dentro das pessoas.

“Estranho Jeito de Amar” abriu portas na sua carreira?

Sem dúvida. Me reconectou profundamente com minha essência artística. Trouxe visibilidade, me levou a festivais internacionais e colocou meu trabalho no radar de pessoas e lugares que antes pareciam distantes. Mas mais que isso, abriu portas internas. Cresci muito fazendo esse projeto, me redescobri como criador, ator e ser humano.

Existem planos para uma nova temporada ou projetos relacionados?

Sim! A série ainda tem muito para contar. Estamos desenvolvendo novos desdobramentos e possibilidades. Claro que tudo depende de estrutura e apoio, mas vontade não falta. O universo de Estranho Jeito de Amar é poderoso demais para acabar por aqui, e o público é quem mais nos inspira a continuar, com seu carinho, perguntas e teorias.

Como você vê o papel da série na representação LGBTQIAPN+ no audiovisual?

A série ocupa um espaço que até então ninguém havia ocupado dessa forma. Falamos de amor, mas também de violência, abuso emocional e traumas. Representar a comunidade não é só mostrar beijo ou finais felizes; é mostrar suas complexidades, suas sombras e feridas. E, ao fazer isso com profundidade, ajudamos o público LGBTQIAPN+ a olhar para si mesmo de maneira mais honesta. Para mim, isso é revolucionário.

O que você aprendeu, pessoal e profissionalmente, com essa experiência?

Que a vulnerabilidade é uma força. Que coragem não é ausência de medo, mas agir apesar dele. Aprendi a confiar na minha intuição e a defender uma história mesmo quando parecia impossível realizá-la. Entendi que o afeto cura, mas também pode adoecer, e reconhecer isso é o primeiro passo para quebrar ciclos. Como artista, aprendi que não precisamos esperar permissão para criar. Quando temos algo urgente a dizer, a arte sempre encontra um caminho.

Lollipop Chainsaw está de volta: nova série de jogos e anime anunciados em parceria entre Grasshopper Manufacture e Nada Holdings

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Nesta semana, fãs de Lollipop Chainsaw receberam a notícia com aquela mistura gostosa de surpresa e empolgação: a franquia vai ganhar um novo jogo e, de quebra, uma adaptação em anime. O anúncio feito pelas empresas Grasshopper Manufacture e Nada Holdings reacende aquela chama especial de um universo que, desde 2012, conquistou uma legião fiel — e que agora se prepara para abraçar novos públicos, em formatos que prometem expandir ainda mais essa história tão única. As informações são do Nada Holdings.

Embora poucos detalhes sobre o enredo ou datas tenham sido divulgados até agora, o movimento nas redes sociais oficiais, com contas fresquinhas sendo criadas, já deixa claro que tem coisa boa chegando. A expectativa só aumenta.

Uma heroína que marcou época

Naquele verão de 2012, Lollipop Chainsaw chegou para surpreender. Em meio a um mercado saturado por jogos de zumbis, a produção se destacou por sua mistura de ação acelerada, humor ácido e uma protagonista que fugia dos clichês: Juliet Starling, uma líder de torcida que, no dia do seu aniversário de 18 anos, enfrenta sozinha uma horda de mortos-vivos com sua inseparável motosserra.

Juliet não é a típica heroína distante. Ela é energética, engraçada, cheia de estilo e, acima de tudo, humana — com suas inseguranças e seus medos, mas também com uma coragem que pulsa em cada movimento. A ideia de combinar elementos da cultura pop americana, como as cheerleaders, com uma pegada de horror cômico e hack and slash deu origem a um jogo que dialoga com uma geração que gosta de diversão sem perder a ousadia.

Criatividade à frente do tempo

O jogo nasceu da parceria entre Suda 51, um designer reconhecido por sua visão excêntrica e inovadora, e James Gunn, que mais tarde se tornaria conhecido por dirigir os filmes dos Guardiões da Galáxia. Essa dupla trouxe para o projeto um frescor único, misturando narrativas imprevisíveis, personagens cativantes e um senso de humor que flerta com o absurdo.

Além disso, a trilha sonora ficou por conta do músico Jimmy Urine, vocalista da banda Mindless Self Indulgence, que também emprestou sua voz a um dos chefões do jogo, Zed. Essa colaboração reforçou o clima de rebeldia e contracultura que permeia todo o universo de Lollipop Chainsaw.

Um sucesso que atravessou fronteiras

Embora tenha recebido avaliações variadas no Ocidente, o título foi muito bem acolhido no Japão, onde publicações como a Famitsu deram notas elevadas, reconhecendo a qualidade e a originalidade do jogo. Com o tempo, Lollipop Chainsaw conquistou um status cult, ganhando uma base de fãs apaixonados, que se identificaram com sua personalidade e estilo únicos.

A remasterização lançada em 2024, Lollipop Chainsaw RePOP, reforçou essa popularidade, atingindo mais de 1,5 milhão de cópias vendidas e trazendo o título para uma nova geração de jogadores.

O que esperar da nova fase?

A novidade mais recente veio acompanhada de uma promessa que anima os fãs antigos e os curiosos de plantão: o novo jogo será desenvolvido sem restrições criativas excessivas relacionadas a padrões atuais de diversidade, equidade e inclusão, buscando manter o humor negro e a liberdade que sempre foram marcas da franquia.

Já a produção do anime representa uma oportunidade de expandir a narrativa para além dos jogos, explorando personagens, histórias e ambientações que podem ganhar ainda mais profundidade e apelo popular.

Um legado que vai além do entretenimento

O impacto de Lollipop Chainsaw vai além da tela do videogame. A franquia soube construir uma comunidade forte, composta por fãs que se envolvem com a narrativa, participam de eventos, criam fanarts, cosplays e discutem teorias. Juliet Starling se tornou um ícone para aqueles que buscam personagens femininas que fogem do padrão, com atitudes reais e muita personalidade.

O retorno da franquia é, para muitos, também um retorno às raízes de um entretenimento que valoriza a autenticidade, a irreverência e a diversão inteligente.

Um convite para a nova geração

Embora o anúncio ainda seja embrionário, a expectativa é grande para os próximos meses, quando mais detalhes deverão ser divulgados. Seja pelo controle da motosserra no novo jogo, seja acompanhando a animação, os fãs poderão redescobrir o mundo único de Lollipop Chainsaw.

E para quem ainda não conhece Juliet e seu universo, a nova fase promete ser um convite para mergulhar numa experiência que mistura aventura, humor e horror, tudo temperado com uma boa dose de carisma e atitude.

Niterói recebe a primeira edição brasileira da Art Toy Con 2025 — O Universo dos Art Toys

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No coração da cidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, algo muito especial vai acontecer no dia 2 de agosto. O Teatro Popular Oscar Niemeyer será transformado em um ponto de encontro único, onde arte, cultura pop, design e emoções se entrelaçam: é a estreia oficial do Brasil na rede global da Art Toy Con — O Universo dos Art Toys, o maior festival de toy art da América Latina.

Mais do que um evento, a Art Toy Con é uma celebração do que há de mais criativo, autêntico e visceral no mundo dos brinquedos que se tornam arte — peças que carregam histórias, memórias e sonhos. Pela primeira vez, os brasileiros terão a chance de vivenciar essa experiência intensa e plural, num espaço que promete acolher artistas, colecionadores, curiosos e amantes da cultura em geral.

Uma arte que fala com o olhar e toca o coração

Se você pensa que toy art é só “brinquedo bonito”, prepare-se para se surpreender. A toy art é uma linguagem poderosa que usa o objeto lúdico para provocar emoções, questionamentos e até desconfortos. Cada peça carrega camadas de significado, mescla estética, cultura e identidade.

“É um diálogo entre o passado e o presente, entre o que a gente guarda na infância e o que a gente constrói na vida adulta”, explica Raphael Magalhães, diretor da Art Toy Con 2025 no Brasil. “Os art toys são como pequenos universos portáteis — cada um traz uma história que é única para quem cria e para quem observa.”

E é exatamente essa diversidade que a Art Toy Con quer mostrar, unindo talentos locais e internacionais, para que o público possa mergulhar em um oceano de criatividade, onde o fofo e o perturbador, o tradicional e o futurista convivem lado a lado.

O Brasil entra com um olhar singular — e folclórico

Um dos grandes destaques da edição brasileira será a homenagem à nossa cultura. Entre os artistas presentes, estará a criação exclusiva de um mascote inspirado no Curupira, figura lendária do folclore nacional, famosa por proteger as florestas e confundir caçadores. Essa releitura, em estilo toy art contemporâneo, é um símbolo do encontro entre nossas raízes ancestrais e a inovação artística.

“Queremos que o público se conecte com o que é nosso, mas também com o que é global. Essa mistura é o que torna a toy art tão fascinante — ela é ao mesmo tempo local e universal”, comenta Raphael.

Um mercado que cresce e transforma vidas

Além da beleza estética e da potência cultural, a toy art é um mercado em franca expansão. Segundo relatório da consultoria MetAstat, a indústria mundial deve ultrapassar os US$ 62 bilhões até 2030, impulsionada por uma geração que busca identidade e pertencimento em narrativas visuais.

A febre das bonecas Labubu, da marca Pop Mart, ilustra bem esse fenômeno. Com sua mistura única de fofura e elementos sombrios — a estética “creepy cute” —, elas conquistaram o coração da Geração Z ao redor do mundo, especialmente jovens ligados à moda alternativa e às culturas asiáticas.

No Brasil, a Art Toy Con chega para consolidar um movimento que já pulsa com força: artistas independentes, designers, ilustradores e colecionadores que transformam objetos simples em verdadeiras obras de arte, e em muitos casos, em instrumentos de diálogo sobre identidade, gênero, memória e resistência.

Programação que envolve e inspira

A programação do festival não se limita à exposição de peças. O evento também será palco de debates, palestras e workshops conduzidos por profissionais que vivem e respiram esse universo. Designers, ilustradores, pesquisadores e influenciadores vão compartilhar suas trajetórias, técnicas e visões sobre o futuro da toy art.

Para quem busca mais que contemplação, haverá experiências imersivas: instalações interativas, performances ao vivo e DJs — com uma forte presença do hip hop, gênero musical que dialoga profundamente com a cultura urbana e a estética da toy art.

No fim do dia, uma after party exclusiva reunirá artistas e convidados para celebrar as conexões feitas e as inspirações geradas ao longo da jornada.

O impacto para Niterói e para a cultura brasileira

Para a Secretaria das Culturas de Niterói, que patrocina o evento, a Art Toy Con representa uma chance ímpar de projetar a cidade como um polo de inovação cultural e econômica. A iniciativa também conta com o apoio institucional da ESPM, reconhecida por seu compromisso com o marketing e a inovação para os negócios.

“Mais do que trazer um evento internacional, queremos criar um ambiente de troca, aprendizado e fomento para a economia criativa local”, afirma uma representante da Secretaria. “É uma oportunidade para artistas locais se conectarem a uma rede global, e para a população vivenciar algo que, até então, estava distante do nosso dia a dia.”

Por que a Art Toy Con é para você

Seja você um colecionador experiente, um artista em busca de inspiração, um estudante curioso ou apenas alguém que gosta de novas experiências culturais, a Art Toy Con 2025 tem algo a oferecer. Ali, o brinquedo é muito mais que um objeto — é um portal para histórias, emoções e conexões humanas.

É um convite para desacelerar, olhar com atenção, sentir com o coração aberto e perceber que, por trás de uma peça aparentemente simples, pode morar um universo inteiro de significado.

Gabriel Coppola mergulha na pré-produção de “Olhos Em Mim”, um drama queer sobre identidade e coragem

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Entre cadernos rabiscados, videoconferências com diretores de fotografia e brainstormings madrugada adentro, Gabriel Coppola vive talvez o capítulo mais desafiador — e revelador — de sua trajetória artística. O ator e roteirista, conhecido por seus papéis carregados de entrega emocional em produções teatrais e independentes, agora se aventura como criador integral de um projeto que promete tocar em feridas profundas e universais: Olhos Em Mim, um drama psicológico com temática queer, que mergulha nas inquietações da identidade, do desejo reprimido e da coragem de se ver por inteiro.

Não é apenas mais um filme para Gabriel. É um gesto. Um grito. Um espelho.

Corpo, palavra e direção: a imersão total de um artista

Coppola não é apenas o protagonista. Ele escreveu o roteiro, acompanha cada etapa da produção e participa ativamente da construção estética do longa. A obra, prevista para estrear em 2026 nos principais circuitos de festivais de cinema autoral, é descrita por ele como “um filme sobre aquilo que nunca dizemos em voz alta, mas que vive dentro da gente, pulsando”.

Com um olhar cansado, mas firme, Gabriel compartilha: “Esse filme está me atravessando. Mais do que escrever ou atuar, estou vivendo isso. Estou me colocando inteiro ali. Às vezes dói. Mas é uma dor necessária.”

A pré-produção avança com intensidade. São semanas de conversas com diretores de arte, estudos de locação e testes de câmera que vão muito além da técnica. “A gente não está só montando um set. A gente está montando um universo psíquico”, resume Coppola.

O enredo: quando o desejo rompe o silêncio

Em Olhos Em Mim, conhecemos Rafael — um homem aparentemente ajustado à sua vida: um relacionamento estável, uma carreira respeitada, uma rotina previsível. Tudo começa a se fragmentar após um encontro que desperta um desejo inesperado. Não se trata apenas de uma paixão, mas de um confronto com tudo o que ele acreditava saber sobre si mesmo.

Gabriel faz questão de esclarecer: “Não é um filme sobre traição. É sobre ruptura interna. Sobre aquele momento em que algo nos desmonta e a gente se vê obrigado a se reconstruir. Nem sempre com respostas, mas com perguntas que não podem mais ser ignoradas.”

A narrativa flui entre cenas de realismo cru e momentos mais subjetivos, quase etéreos. A intenção é provocar mais sensações do que explicações. “Eu não quero que as pessoas apenas entendam o que está acontecendo com o Rafael. Quero que elas sintam o peso do silêncio, o calor do desejo, o incômodo da dúvida”, detalha o criador.

Roteiro como confissão e ato político

Coppola admite que, embora a história não seja literal, ela nasceu de um lugar muito íntimo. “Eu me inspirei em emoções que vivi. Em silêncios que guardei. Em perguntas que me fiz por anos”, diz. Escrever o roteiro foi, segundo ele, um processo quase terapêutico. Uma carta para si mesmo. Um pedido de escuta.

“Cresci sem ver histórias que refletissem minhas angústias. Ou, quando via, elas estavam sempre marcadas pela dor e pela punição. Era como se ser quem eu era viesse sempre com uma sentença. Com esse filme, eu quero propor outro olhar. Um olhar mais humano, mais terno, mais honesto.”

Essa honestidade também é, para Gabriel, um gesto político. “Quando um homem queer escreve sobre suas dores sem esconder sua sensibilidade, ele está desafiando tudo que disseram que ele não podia ser. Está dizendo que existe. Que merece ser visto — não como exceção, mas como parte da complexidade humana.”

Representatividade que vai além da superfície

A questão da representatividade é central para Olhos Em Mim, mas não da forma caricatural ou panfletária com que o cinema por vezes trata histórias queer. Gabriel quer sutileza, contradição, camadas.

“Ser queer não é uma cor única. É um espectro. É possível ser queer e ter medo, e se sentir deslocado, e ter desejo, e não saber como nomeá-lo. Eu não quero heróis ou mártires. Quero pessoas reais. Com dúvidas reais.”

Por isso, o projeto busca retratar uma experiência queer que não está necessariamente ligada a grandes gestos públicos ou narrativas épicas de aceitação. Ao contrário: Rafael, o protagonista, vive um drama íntimo, interno, quase mudo — mas ainda assim devastador.

Equipe e estética: o cinema como estado de espírito

Se o roteiro já aponta para uma proposta sensorial, a estética do filme segue a mesma lógica. A direção de fotografia está sendo construída com foco em luzes naturais, sombras densas, planos longos e uso dramático do silêncio. “Vai ter muito vazio em cena. Muito silêncio mesmo. Porque o silêncio, nesse filme, é um personagem”, explica Coppola.

A equipe, ainda que enxuta, foi escolhida a dedo. Pessoas que compartilham da sensibilidade do projeto. “Não dá pra fazer esse filme no automático. Ele exige presença, escuta, vulnerabilidade. Eu busquei artistas que entendessem isso.”

Quanto ao elenco, Gabriel mantém o mistério. “Está fechado, sim. Mas ainda é cedo pra anunciar. O que posso dizer é que as escolhas foram feitas com o coração. São pessoas que sentiram o filme antes de qualquer teste.”

A travessia até os festivais — e além

Com filmagens previstas para o segundo semestre de 2025 e pós-produção no início de 2026, Olhos Em Mim já tem planos de estreia em importantes mostras nacionais e internacionais. Mas para Gabriel, mais importante do que os prêmios ou holofotes é a possibilidade de tocar quem precisa se sentir visto.

“Quero que esse filme chegue onde ele for necessário. Pode ser em um grande festival em Berlim ou numa sessão especial numa escola de artes do interior. Se uma pessoa se reconhecer, já valeu.”

Ele menciona, com olhos úmidos, o desejo de alcançar “jovens LGBTQIA+ em cidades onde ser diferente ainda é motivo de isolamento”. Ou “homens que foram ensinados a sentir vergonha de sua sensibilidade”. Pessoas que, como ele mesmo em outros tempos, ainda estão tentando se olhar no espelho sem medo.

Uma obra que pulsa antes mesmo de existir

É impossível conversar com Gabriel Coppola sobre Olhos Em Mim sem perceber que o filme já existe — ainda que não tenha uma cena gravada. Ele está vivo nas palavras, nas hesitações, nos sonhos e nas dores de seu criador.

Mais do que uma produção audiovisual, trata-se de um manifesto íntimo. Uma afirmação de existência. Um convite para o outro olhar.

“Fazer esse filme é um ato de coragem. Mas também é um pedido de acolhimento. E eu acredito que, quando a gente se coloca com verdade no mundo, o mundo responde.”

Talvez seja essa, afinal, a maior força de Olhos Em Mim: ele não busca apenas contar uma história. Ele quer abrir espaço. Para o silêncio, para o desejo. Para quem, tantas vezes, foi ensinado a não existir por completo — agora, enfim, poder se olhar. E ser olhado.

“Hot Milk” estreia com exclusividade na plataforma MUBI e mergulha em vínculos tóxicos, libertação e desejo

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Em um verão escaldante na costa espanhola, o calor não queima apenas a pele — ele incendeia ressentimentos, segredos e os laços frágeis entre mãe e filha. Assim se desenrola Hot Milk, o delicado e perturbador longa-metragem que marca a estreia na direção da premiada roteirista britânica Rebecca Lenkiewicz, responsável por roteiros de filmes como She Said, Ida e Desobediência. O filme estreia com exclusividade na plataforma MUBI no dia 22 de agosto de 2025, prometendo uma experiência sensorial e emocional intensa.

Baseado no romance homônimo de Deborah Levy, indicado ao Booker Prize em 2016, Hot Milk estreia cercado de expectativas e debate. A produção teve sua première mundial na Competição Oficial do 75º Festival de Cinema de Berlim, onde concorreu ao Urso de Ouro e dividiu a crítica com sua proposta contemplativa e provocadora.

Entre cuidado e cárcere: a relação que prende

No centro do filme está Sofia, vivida por Emma Mackey (Sex Education, Emily, Barbie), uma jovem que passou a vida à sombra da mãe, Rose (Fiona Shaw, de Killing Eve). A viagem de ambas à cidade de Almería, no sul da Espanha, em busca de um tratamento para uma doença crônica e misteriosa de Rose, serve como ponto de partida para uma jornada emocional mais profunda: a libertação de Sofia da prisão emocional em que foi colocada desde a infância.

A princípio, a trama parece girar em torno da busca pela cura física. Mas, aos poucos, o roteiro conduz o espectador para a verdadeira enfermidade — não a do corpo, mas a da alma. Hot Milk é, em essência, sobre um vínculo adoecido, onde o cuidado se transforma em poder, e o amor em manipulação. Rebecca Lenkiewicz, em entrevistas, resumiu: “Há algo venenoso em algumas formas de amor”.

A chegada de Ingrid e a promessa de liberdade

É nesse contexto que surge Ingrid (vivida com charme etéreo por Vicky Krieps), uma mulher livre, misteriosa, que personifica tudo o que Sofia nunca conheceu: desejo, autonomia, instinto. A relação entre as duas é construída mais pelos gestos e olhares do que pelas palavras, criando uma atmosfera carregada de tensão sensual e descoberta emocional.

Ingrid não é apenas uma figura de interesse romântico — ela é um símbolo. Representa o outro lado do espelho: uma vida que Sofia poderia ter tido se não estivesse sempre em função da dor e da vontade da mãe. A relação entre elas, marcada por delicadeza e fricção, amplia o espectro do filme para além da maternidade, abordando também os labirintos do desejo feminino, da autonomia corporal e do direito de se reinventar.

Uma estética sensorial e inquietante

Filmado durante o verão europeu de 2023, entre Espanha e Grécia, o longa transforma o clima em personagem. O sol é opressor. A areia parece grudar na pele das protagonistas. O som das ondas, o barulho do vento, o zumbido do calor — tudo é usado pela direção para criar uma sensação de claustrofobia emocional. A fotografia, assinada com tons quentes e granulados, amplia esse sufocamento.

Lenkiewicz evita os atalhos do melodrama e investe em uma narrativa contemplativa, que valoriza os silêncios, os gestos contidos, e os conflitos não ditos. A influência do cinema de Ingmar Bergman é evidente na maneira como o filme investiga os vínculos familiares com desconforto, respeito e brutalidade.

Atuação que pulsa nas entrelinhas

A força de Hot Milk reside também nas interpretações. Emma Mackey entrega uma atuação sutil, marcada por expressões silenciosas e olhares de tensão. Sua Sofia começa como uma figura quase apagada, contida, mas ao longo da trama, ganha densidade, desejo, raiva — num arco de crescimento doloroso e libertador.

Fiona Shaw, por outro lado, apresenta Rose como uma figura ambígua: manipuladora, vulnerável, egocêntrica e, ainda assim, capaz de despertar empatia. É impossível ignorar sua presença em cena. Ela domina o espaço como alguém que se habituou a ser o centro da atenção — mesmo que isso custe a liberdade da filha.

A química entre ambas é palpável. Cada cena carrega uma tensão emocional quase sufocante, refletindo uma realidade muitas vezes silenciosa: a do amor materno que, sem limites, transforma-se em cárcere.

Da literatura ao cinema: bastidores e desafios

A adaptação do romance de Deborah Levy foi um processo demorado e cheio de exigências. Quando Christine Langan, da Baby Cow Productions, adquiriu os direitos do livro, sabia que queria alguém com sensibilidade para lidar com o material. Lenkiewicz topou a tarefa com uma condição: também queria dirigir o filme.

O orçamento de £4 milhões foi viabilizado com uma combinação de incentivos fiscais do Reino Unido e da Grécia, além de pré-vendas internacionais e o apoio da Film4. Segundo o produtor Giorgos Karnavas, filmar no auge do verão foi um desafio. Havia alertas de calor extremo, dificuldades logísticas e a tensão de manter a saúde da equipe em meio às altas temperaturas. Mas Lenkiewicz insistiu: queria o sol como metáfora, como elemento narrativo.

Após a estreia em Berlim em fevereiro de 2025, o filme passou por festivais europeus e norte-americanos, sempre provocando reações intensas. Agora, chega à MUBI, onde encontra um público mais íntimo, voltado ao cinema autoral e à introspecção estética.

Recepção dividida, mas reflexiva

A crítica não foi unânime. No Rotten Tomatoes, apenas 37% das críticas foram positivas, enquanto no Metacritic, a nota foi 54/100. Críticos elogiaram as atuações de Mackey e Shaw e a abordagem estética da diretora, mas apontaram o ritmo lento e a ambiguidade narrativa como elementos que podem afastar parte do público.

Por outro lado, o filme vem sendo celebrado em círculos acadêmicos e por cinéfilos como uma obra que desafia a lógica tradicional da catarse, preferindo a observação paciente das relações humanas e suas falhas irreparáveis.

Um cinema de desconforto — e de amadurecimento

Mais do que contar uma história sobre mãe e filha, Hot Milk convida o espectador a refletir sobre o preço da liberdade. A independência emocional raramente vem sem dor. Há sempre algo que se perde ao se romper laços antigos. O filme não oferece respostas fáceis, nem finais redentores. E talvez aí resida sua maior força: no desconforto que reverbera, nas perguntas que ficam.

Na era do consumo rápido de entretenimento, Hot Milk aposta no oposto: na lentidão, no desconforto e na intimidade. É um filme que pede pausa, reflexão, disposição para mergulhar nos labirintos da dor e da reinvenção.

“Uma Batalha Após a Outra” | Novo épico de Paul Thomas Anderson com Leonardo DiCaprio ganha trailer intenso e revelador

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Foto: Reprodução/ Internet

Paul Thomas Anderson está de volta — e não de forma discreta. Com estreia marcada para 25 de setembro nos cinemas brasileiros, Uma Batalha Após a Outra é o novo e ambicioso projeto do cineasta indicado ao Oscar, conhecido por títulos como Sangue Negro e Vício Inerente. Estrelado por Leonardo DiCaprio e com orçamento estimado em até US$ 150 milhões, o longa representa um dos maiores investimentos da Warner Bros. Pictures em 2025 e já desponta como forte concorrente à próxima temporada de premiações.

Inspirado de forma livre no romance Vineland (1990), de Thomas Pynchon, o longa é descrito por seus realizadores como um drama político-existencial ambientado em um futuro próximo, onde memórias de movimentos revolucionários do passado colidem com dilemas contemporâneos. Com narrativa dividida entre ação e introspecção, o filme propõe uma análise de legado, culpa e redenção, utilizando o formato de um road movie para explorar conflitos íntimos e históricos.

Leonardo DiCaprio interpreta um ex-revolucionário em crise

No centro da trama está Bob Ferguson, vivido por Leonardo DiCaprio, em uma das performances mais elogiadas de sua carreira recente nas primeiras exibições-teste. Ferguson é um ex-militante de esquerda que abandonou os ideais do passado após uma série de derrotas pessoais e políticas. Anos após se afastar da militância, ele é forçado a voltar à ativa quando sua filha, Willa, é sequestrada por um antigo adversário, o Coronel Lockjaw, interpretado por Sean Penn.

A partir desse ponto, o filme se estrutura em dois planos: o físico, com a jornada de resgate percorrendo diferentes cidades e paisagens dos Estados Unidos; e o psicológico, com Ferguson enfrentando os fantasmas de suas decisões passadas, relações rompidas e alianças falidas. Segundo fontes ligadas à produção, a abordagem de DiCaprio é marcada por economia de gestos e intensidade emocional, com destaque para os momentos de silêncio e introspecção.

Elenco reúne veteranos e revelações

O longa também conta com nomes consagrados como Benicio Del Toro, que interpreta Sensei Sergio, um antigo estrategista do grupo revolucionário, agora alcoólatra e recluso. Regina Hall vive Deandra, responsável por coordenar ações do passado e hoje dividida entre lealdade e desencanto. Teyana Taylor assume o papel de Perfídia Beverly Hills, ex-companheira de Bob e mãe de Willa, que agora se alia ao inimigo em uma reviravolta dramática.

A atriz e cantora novata Chase Infiniti, de 17 anos, faz sua estreia no cinema como Willa. Sua atuação tem sido destacada como “sensível e surpreendente” por críticos que assistiram à exibição-teste. O elenco ainda inclui Alana Haim, Wood Harris, Shayna McHayle e D.W. Moffett, compondo um mosaico de personagens que representam diferentes perspectivas sobre ideologia, fracasso e sobrevivência.

Direção aposta em estética analógica e narrativa densa

Com fotografia assinada por Michael Bauman, o filme foi rodado inteiramente em película 35mm e câmeras VistaVision, o que confere à produção uma textura analógica pouco comum no cinema atual. O diretor optou por evitar efeitos digitais sempre que possível, preferindo cenários reais e efeitos práticos — uma escolha que encareceu o projeto, mas que também contribuiu para a estética particular do longa.

As filmagens ocorreram em diversas localidades da Califórnia, incluindo Sacramento, Arcata e Eureka, além de regiões desérticas do Texas. Em uma das etapas, a produção foi alvo de críticas por desocupar temporariamente um acampamento de pessoas em situação de rua para filmar. Em nota, a Warner Bros. reconheceu o episódio e declarou que Anderson lamentou publicamente o incidente, comprometendo-se a apoiar iniciativas locais após o término das gravações.

Trailer revela contraste entre ação e contemplação

O trailer oficial de Uma Batalha Após a Outra, divulgado na última semana, reforça a dualidade do filme. Há cenas de combate físico e perseguições intercaladas com momentos contemplativos em espaços vazios e ruínas. A montagem evidencia uma narrativa menos linear e mais sensorial, em linha com o estilo que consagrou Anderson em obras anteriores.

Os pôsteres individuais revelados também sugerem um mundo em declínio. Tons terrosos, texturas envelhecidas e olhares cansados indicam que a luta dos personagens vai além da violência física. “Este é um filme sobre feridas que o tempo não cura”, declarou Anderson em coletiva recente realizada em Los Angeles

Trilha sonora e legado profissional

A trilha sonora do filme foi composta por Jonny Greenwood, da banda Radiohead, colaborador recorrente do diretor. Greenwood mistura arranjos dissonantes com composições atmosféricas que reforçam a tensão psicológica dos personagens. O trabalho tem sido elogiado por críticos que o comparam à trilha de O Mestre (2012), considerada uma das mais marcantes da parceria entre o compositor e o cineasta.

O filme também é marcado por uma homenagem póstuma ao assistente de direção Adam Somner, falecido em novembro de 2024. Somner trabalhou em todos os filmes de Anderson desde Sangue Negro (2007) e teve participação ativa na organização da produção de Uma Batalha Após a Outra. Seu nome aparece nos créditos finais acompanhado por uma dedicatória silenciosa.

Expectativas para a temporada de prêmios

Originalmente programado para estrear em agosto, o filme teve seu lançamento adiado para setembro, com o objetivo de ganhar fôlego na corrida ao Oscar. Segundo a Variety, a Warner Bros. considera o longa um dos principais candidatos ao prêmio de Melhor Filme, além de possíveis indicações para Direção, Ator, Roteiro Original, Trilha Sonora e Fotografia.

A projeção de bilheteria, no entanto, é cautelosa. Estima-se que, para ser lucrativo, o longa precisará arrecadar pelo menos entre US$ 260 e 300 milhões mundialmente — uma meta desafiadora para um drama de natureza reflexiva. Ainda assim, o estúdio aposta no prestígio do diretor, no alcance global de DiCaprio e no apelo das discussões políticas e sociais suscitadas pelo enredo.

Um filme de grandes ambições e riscos calculados

Uma Batalha Após a Outra marca um ponto de inflexão na carreira de Paul Thomas Anderson. Trata-se de seu filme mais caro, mais político e possivelmente o mais pessoal. O diretor aposta em um cinema autoral e contemplativo em um momento de saturação de blockbusters e narrativas repetitivas. A proposta exige atenção e empatia do espectador, ao mesmo tempo em que oferece uma análise crítica sobre os caminhos percorridos — e abandonados — por movimentos sociais ao longo das últimas décadas.

A Warner Bros., por sua vez, sinaliza que está disposta a investir em obras que transcendem a fórmula e desafiam o espectador. Resta saber se o público está pronto para esse tipo de experiência em um mercado cada vez mais voltado ao consumo rápido e ao entretenimento imediato.

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