“Profissão Repórter” desta terça (22/07) investiga os avanços e os perigos do monitoramento por câmeras no Brasil

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Em São Paulo, o futuro parece já ter chegado. Mais de 30 mil câmeras espalhadas pela cidade observam, registram e, cada vez mais, decidem quem deve ser abordado, revistado, levado à delegacia. Em um contexto urbano de crescimento populacional, desigualdade e insegurança, a capital paulista se transformou em um imenso laboratório de vigilância, onde inteligência artificial e reconhecimento facial são apontados como promessas de eficiência na segurança pública.

Mas o que acontece quando a máquina erra o rosto? Quando a tecnologia se engana sobre quem você é?

Foi isso que o Profissão Repórter da última terça-feira (22) quis investigar. A equipe liderada por Chico Bahia, Talita Marchiori e outros jornalistas do programa mergulhou nas entranhas do sistema de videomonitoramento da cidade e descobriu que, entre capturas bem-sucedidas de foragidos da Justiça, há também falhas que mudam — e ferem — vidas inteiras.

A central do Smart Sampa: entre dados e decisões

O ponto de partida da reportagem é a central do Smart Sampa, programa da Prefeitura de São Paulo que concentra as câmeras públicas da cidade. As imagens, monitoradas em tempo real, são processadas por softwares de reconhecimento facial. Quando um rosto registrado no banco de dados das polícias é identificado, o sistema emite um alerta e aciona as forças de segurança.

Segundo dados da própria Prefeitura, o sistema já colaborou para prender 1.481 foragidos da Justiça. O número impressiona — mas 23 pessoas também foram presas por engano, e outras 1.212 foram abordadas de forma equivocada, sem chegar a ser detidas.

A frieza das estatísticas esconde dramas como o de Bárbara Maria Mendonça, 39 anos, produtora de eventos, moradora da Zona Oeste. “Em menos de uma hora, fui parada duas vezes. Saí de casa para ir ao posto de saúde e voltei tremendo. Nunca fui de sair muito, mas agora tenho medo até de ir na padaria”, conta, com os olhos cheios d’água. Desde o episódio, Bárbara tem evitado andar sozinha e passou a tomar medicamentos para ansiedade.

O trauma de um inocente: “Me confundiram com alguém que eu nunca vi”

O caso de Francisco Ferreira da Silva, de 80 anos, é ainda mais angustiante. Aposentado, voluntário em uma horta comunitária e morador da Zona Leste, Francisco foi levado à delegacia após ser identificado pelo sistema como um suposto criminoso. “Eu estava regando as plantas. Eles chegaram, perguntaram meu nome, mandaram eu subir na viatura. Nem entendi o porquê. Passei o dia preso, sem saber de nada.”

Foram quase dez horas de detenção até que o erro fosse reconhecido. O constrangimento público, a desconfiança de vizinhos e a vergonha permanecem. “Nunca passei por isso nem nos tempos difíceis da ditadura. Nunca imaginei que, com 80 anos, ia ser tratado como bandido.”

A família de Francisco relata que, após o ocorrido, ele passou a se isolar. “Ele parou de ir à horta. Disse que tem medo de ser confundido de novo. E agora?”, questiona a filha, Ana Cláudia.

Câmeras também vigiam do lado de dentro dos muros

A reportagem também revela que o reconhecimento facial não está restrito ao setor público. Os repórteres Everton Lucas e Francisco Gomes acompanharam reuniões em condomínios residenciais da capital paulista que discutem a instalação de câmeras com IA.

A promessa dos fornecedores é tentadora: portarias automatizadas, controle de acesso por biometria facial e até alerta automático para “pessoas suspeitas”. Mas o que define “suspeito”? Como é feito o cruzamento de dados? Para quem vai essa informação?

A reportagem aponta que as imagens privadas já estão sendo integradas ao sistema público de segurança, criando um enorme banco de dados que pode, eventualmente, escapar do controle dos próprios moradores.

“É uma sensação estranha. Ao mesmo tempo em que você se sente mais seguro, começa a se perguntar se a sua casa virou parte de um sistema maior que você não entende bem”, comenta Marcos, síndico de um condomínio na Vila Mariana. “E quando o rosto confundido for o do meu filho voltando da escola?”

A tecnologia também é usada para enganar — e lucrar

No interior do estado, o reconhecimento facial foi instrumento de um golpe perverso. A equipe de Esther Radaelli e João Lucas Martins acompanhou investigações em cidades como Júlio Mesquita e Guarantã, onde idosos foram vítimas de estelionatários que utilizaram suas imagens para contrair empréstimos falsos em bancos digitais.

As imagens eram captadas por redes sociais, documentos digitalizados ou câmeras públicas. “Bastava uma foto bem iluminada para burlar o sistema de verificação facial”, explica o delegado Gustavo Pozzer, responsável pelo caso.

Entre as vítimas, Pedro Nunes, 77 anos, descobriu que seu nome estava sujo no SPC por uma dívida que nunca contraiu. “Disseram que eu pedi um empréstimo de R$ 20 mil. Eu nem sei usar aplicativo de banco, quanto mais pedir dinheiro.”

O caso expõe um novo risco: o sequestro da identidade biométrica. Ao contrário de uma senha, o rosto de alguém não pode ser alterado. E se a tecnologia que deveria proteger acaba servindo para enganar, o problema é ainda mais grave.

Inteligência artificial pode reproduzir desigualdades

Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que a inteligência artificial não é neutra. Ela aprende com dados — e se esses dados forem enviesados, o resultado também será. Pessoas negras, pobres ou periféricas, historicamente mais expostas a abordagens policiais, são também as mais vulneráveis aos erros da tecnologia.

“A gente costuma pensar que o computador é imparcial, mas ele apenas repete padrões. Se os bancos de dados usados no reconhecimento facial forem baseados em abordagens históricas injustas, isso será reproduzido sem filtro”, alerta a pesquisadora Bruna Freitas, doutora em direitos digitais.

Em outros países, como Reino Unido e Estados Unidos, cidades suspenderam o uso de reconhecimento facial após protestos e denúncias de abusos. No Brasil, a ausência de uma regulação clara preocupa especialistas, que alertam para o risco de um sistema de vigilância descontrolado, alimentado por interesses públicos e privados.

Entre o medo e a eficiência: o dilema da segurança moderna

O que o Profissão Repórter desta semana revela é que a tecnologia, quando usada sem critérios humanos, pode deixar de proteger para passar a punir. A eficiência do sistema é inegável — foragidos são capturados, desaparecidos localizados, investigações aceleradas.

Mas ao mesmo tempo, as falhas têm rostos, histórias e traumas. E muitas vezes, essas falhas não têm quem as responda.

O futuro nos observa — mas quem observa o futuro?

A matéria termina com um questionamento inevitável: quem vigia os vigilantes? Em uma cidade onde câmeras estão em cada esquina, e onde os rostos são processados por algoritmos que ninguém entende completamente, a linha entre segurança e abuso pode ser tênue.

A tecnologia está entre nós — e cada vez mais, sobre nós. Mas se ela for adotada sem transparência, sem justiça e sem humanidade, não estaremos apenas entregando nosso rosto ao Estado e ao mercado. Estaremos renunciando ao direito de sermos tratados como pessoas, e não como suspeitos.

Kleber Mendonça Filho estreia em Toronto com “O Agente Secreto”, thriller político que conquista o mundo

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O cinema brasileiro volta a ocupar lugar de destaque no cenário internacional com O Agente Secreto, novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, que segue colhendo os frutos de uma trajetória de sucesso em grandes festivais pelo mundo. Após uma estreia arrebatadora em Cannes, onde venceu prêmios de Melhor Direção, Melhor Ator, o FIPRESCI da crítica e o “Art et Essai” da AFCAE, o longa acaba de ter confirmada sua première no Festival Internacional de Cinema de Toronto, um dos eventos mais prestigiados da América do Norte.

O filme faz parte da cobiçada seleção Special Presentations, onde divide espaço com obras de mestres do cinema mundial, como Jafar Panahi, Guillermo del Toro e Richard Linklater. A 50ª edição do TIFF (Toronto International Film Festival) acontece entre 4 e 14 de setembro, e marca mais uma etapa da consagração internacional do novo projeto do diretor pernambucano.

“Estou muito contente. Já estive em Toronto com Aquarius, Bacurau e Retratos Fantasmas, e esse anúncio é apenas o primeiro de uma longa lista de festivais importantes na América do Norte”, declarou Kleber.

Thriller político ambientado no Recife de 1977

Ambientado em um Brasil mergulhado em vigilância, paranoia e contradições, O Agente Secreto transporta o público para o Recife de 1977, onde acompanhamos a jornada de Marcelo (interpretado por Wagner Moura), um especialista em tecnologia que tenta se esconder do próprio passado. Ao retornar à cidade natal em busca de paz, ele descobre que a capital pernambucana, em plena ditadura, está longe de ser um abrigo seguro.

O longa mergulha nas engrenagens da repressão política com uma tensão crescente e um cuidado estético já característico das obras de Mendonça Filho. O diretor — que também assina o roteiro — constrói um thriller com ecos de cinema de espionagem e cinema autoral latino-americano, com atmosfera densa, silenciosa e explosiva.

Estrelado por Wagner Moura e um elenco de peso

Além da atuação poderosa de Wagner Moura, premiada em Cannes, o elenco reúne alguns dos nomes mais respeitados do audiovisual brasileiro: Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Carlos Francisco, Hermila Guedes, Alice Carvalho, Roberto Diogenes, entre outros.

Cada um dos personagens funciona como peça fundamental de uma rede de segredos, conspirações e relações corrompidas entre tecnologia, política e sobrevivência pessoal. O trabalho de elenco é afinado e sensível, com destaque para a construção das tensões interpessoais que alimentam a atmosfera opressiva do filme.

Reconhecimento em Portugal, Polônia, Austrália e França

Antes mesmo de sua estreia no Brasil, O Agente Secreto já conquistou plateias em diferentes continentes. O longa teve sessões esgotadas em Portugal, onde as sete pré-estreias lotaram rapidamente. Também passou por eventos importantes como o Festival de Cinema de Sydney, na Austrália, e o New Horizons, na Polônia. Em Paris, o filme foi exibido ao ar livre nos jardins do Museu do Louvre, dentro da programação do Cinéma Paradiso Louvre — um feito raro para um filme latino-americano.

Esses eventos não só consolidam a reputação internacional de Kleber como um dos maiores autores do cinema contemporâneo, como também posicionam O Agente Secreto como uma das produções brasileiras mais comentadas e promissoras do ano.

Estreia no Brasil e distribuição global

Com lançamento comercial marcado para 6 de novembro nos cinemas brasileiros, O Agente Secreto terá também uma série de sessões especiais no país durante os meses de setembro e outubro. A expectativa é que essas pré-estreias estimulem o debate e consolidem o filme como um evento cinematográfico nacional.

Internacionalmente, o longa será lançado em 94 países de quatro continentes. A distribuição nos Estados Unidos e Canadá será feita pela NEON, mesma responsável por Parasita e Titane, enquanto a MUBI assume a exibição no Reino Unido, Irlanda, Índia e em países da América Latina (com exceção do Brasil). Entre os territórios já confirmados estão China, México, Coreia do Sul, Grécia, Nova Zelândia, Finlândia, Alemanha e Índia, consolidando uma presença global rara para uma produção brasileira.

Coprodução internacional e DNA brasileiro

Apesar do alcance global, O Agente Secreto mantém raízes profundas no Brasil. O filme é uma coprodução entre a CinemaScópio (Brasil), MK Productions (França), Lemming Film (Holanda) e One Two Films (Alemanha). A produção é assinada por Emilie Lesclaux, parceira criativa de longa data de Kleber, com distribuição nacional pela Vitrine Filmes — que também lançou Bacurau e Retratos Fantasmas no Brasil.

A junção entre expertise técnica internacional e sensibilidade brasileira dá ao filme uma força estética única. A direção de fotografia, os planos longos, os sons ambientes e os silêncios carregados são recursos usados de maneira estratégica para amplificar a tensão e a crítica social — marcas registradas do cineasta.

Kleber Mendonça Filho: entre a crítica e o público

Com O Agente Secreto, Kleber Mendonça Filho consolida-se definitivamente como uma voz autoral com alcance global. De O Som ao Redor a Bacurau, passando por Aquarius e Retratos Fantasmas, sua filmografia sempre navegou entre o íntimo e o político, com atenção aguçada aos detalhes sociais e culturais do Brasil contemporâneo — e agora, histórico.

Seu novo filme mergulha mais profundamente na linguagem do suspense, explorando o passado ditatorial com a mesma coragem crítica e apuro técnico que o consagraram. Ao mesmo tempo, oferece uma experiência imersiva para o público, que não precisa conhecer o contexto histórico para se deixar levar pela tensão crescente e pelos dilemas éticos que o roteiro propõe.

Um novo marco do cinema brasileiro

O Agente Secreto é mais do que um filme: é um testemunho artístico sobre um tempo sombrio da história brasileira, narrado com potência cinematográfica, inteligência política e coragem estética. A estreia em Toronto e a recepção internacional consolidam a produção como um marco do cinema latino-americano em 2025.

Retorno dos Irmãos Philippou: terror psicológico “Faça Ela Voltar” ganha trailer oficial e promete abalar o público

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Depois do sucesso impactante de Fale Comigo (2023), os irmãos australianos Danny e Michael Philippou estão de volta ao gênero que os consagrou — e, desta vez, com ainda mais coragem para explorar as profundezas do trauma humano. Faça Ela Voltar (Bring Her Back, no original), que chega aos cinemas brasileiros em 21 de agosto de 2025, já teve seu trailer oficial dublado divulgado pela Sony Pictures, e promete deixar marcas duradouras em quem assistir.

Com produção de Samantha Jennings e Kristina Ceyton, e roteiro assinado por Bill Hinzman e Danny Philippou, o longa entrega não apenas sustos, mas uma narrativa carregada de dor, obsessão e laços familiares corroídos pelo luto.

A história gira em torno de Andy (Billy Barratt) e Piper (Sora Wong), dois meio-irmãos que, após a trágica morte do pai, se veem sozinhos no mundo. Piper tem deficiência visual e Andy, embora ainda adolescente, sente o peso de proteger a irmã — mesmo quando tudo ao seu redor começa a desmoronar.

Eles são enviados para viver com Laura (Sally Hawkins), uma mulher isolada, marcada pela perda da filha e por comportamentos, no mínimo, peculiares. A nova casa, afastada da cidade, parece esconder segredos nos cantos, nas portas trancadas e nas ausências que ecoam pelos corredores. Lá, também vive Oliver (Jonah Wren Phillips), um garoto mudo com um olhar sempre perturbador.

À primeira vista, Laura parece gentil. Mas sua dor mal resolvida começa a se mostrar obsessiva. Ainda no funeral do pai das crianças, ela rouba uma mecha de cabelo do corpo — um gesto silencioso, mas carregado de intenções sombrias.

Quando o amor vira loucura

Laura não quer apenas acolher Andy e Piper. Ela quer trazer sua filha morta de volta à vida. E está disposta a tudo para isso. Com base em um ritual ocultista aprendido em fitas VHS russas, ela planeja um sacrifício que inclui Piper como peça central. Andy, por sua vez, começa a notar os sinais — e percebe que sua irmã corre perigo.

Mas Laura é astuta. Sabe como manipular. Coloca Andy contra ele mesmo, sugere que ele herdou o comportamento abusivo do pai, mina sua confiança até que ele mesmo duvide de sua sanidade. A atmosfera na casa se torna sufocante. O terror não vem só das sombras ou dos gritos — ele está no olhar desconfiado, nas palavras não ditas, no silêncio de Oliver.

O horror que cresce devagar… até explodir

À medida que o tempo passa, Oliver, o garoto mudo, começa a manifestar comportamentos inumanos. Ele mastiga facas, arranca pedaços do próprio corpo e, possuído pelo espírito demoníaco Tari, começa a falar com vozes que não são suas. Em uma cena especialmente angustiante, ele usa a voz de Andy para atrair Piper — uma das muitas provas de que neste filme, nada é o que parece.

O clímax se desenha com cenas brutais e momentos de puro desespero. A assistente social Wendy (Sally-Anne Upton), uma das poucas aliadas de Andy, tenta intervir — mas paga com a vida. Andy, gravemente ferido, é afogado por Laura. E tudo parece perdido.

Mas o que salva Piper é algo singelo. Em meio ao caos, ela chama Laura de “mamãe” — e, por um instante, a dor de Laura supera a presença do mal. É um momento de humanidade que interrompe o ritual, mas que não apaga os horrores vividos.

Um elenco que sente, sangra e emociona

O elenco de Faça Ela Voltar reúne talentos consagrados e jovens promessas do cinema e da TV. Sally Hawkins (indicada ao Oscar por A Forma da Água, As Aventuras de Paddington) interpreta Laura, a guardiã enlutada e perturbada. Billy Barratt (Invasion, Responsible Child) dá vida a Andy, o protagonista atormentado pelo passado e determinado a proteger sua irmã. Sora Wong (em seu primeiro papel de destaque no cinema) interpreta Piper, a meia-irmã deficiente visual.

Jonah Wren Phillips (Sweet Tooth, Young Rock) vive o enigmático Oliver, também conhecido como Connor Bird. Completam o elenco Sally-Anne Upton (Wentworth, How to Stay Married) como Wendy, a assistente social que tenta salvar os irmãos, Stephen Phillips (Total Control, Miss Fisher’s Murder Mysteries) como Phil, o pai falecido, e Mischa Heywood (Mystic, The Power of the Dog) como Cathy, a filha morta de Laura cuja ausência move toda a trama.

A direção dos irmãos Philippou mostra maturidade. Ao contrário de muitos filmes do gênero, que apostam em sustos fáceis, Faça Ela Voltar constrói um clima de angústia constante. A fotografia é fria, os ambientes são opressivos, e a trilha sonora funciona como um sussurro sombrio ao fundo de cada cena.

As críticas já apontam que este é um dos grandes filmes de horror de 2025. E não apenas pelos aspectos técnicos. O que diferencia Faça Ela Voltar é o coração que pulsa por trás da história — um coração quebrado, sim, mas que ainda bate. O filme fala sobre saudade, sobre traumas, sobre o que acontece quando não conseguimos aceitar a perda. E sobre como isso pode nos consumir por dentro.

Ariana Grande terá música inédita em “Wicked: Parte 2”, sequência do musical de sucesso

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A magia da Terra de Oz está longe de acabar. A sequência do musical que conquistou o mundo, Wicked, promete trazer uma novidade especial para os fãs: uma canção inédita interpretada por Ariana Grande, que retorna ao papel de Glinda, a Bruxa Boa do Sul. A informação veio de quem conhece os bastidores da produção — o decorador Lee Sandales e o designer de produção Nathan Crowley, em entrevista ao portal Set Decor. As informações são da CNN.

Um momento só para Glinda

A nova música, intitulada “Girl in The Bubble”, será cantada por Ariana Grande em uma cena íntima, ambientada na luxuosa suíte de Glinda na famosa Cidade das Esmeraldas. A composição é assinada por Stephen Schwartz, compositor responsável pela trilha original do musical da Broadway. A canção promete revelar um lado mais profundo e talvez até vulnerável da personagem que, até agora, encantou plateias com sua energia vibrante e presença magnética.

O diretor Jon M. Chu já havia dado pistas sobre a inclusão de faixas inéditas na sequência, confirmando que, além da música para Glinda, haveria também uma para Elphaba, personagem interpretada por Cynthia Erivo. A expectativa agora é para conhecer como esses novos momentos musicais vão se encaixar na história que ainda está por vir.

Clássicos que emocionam e novas melodias que surpreendem

Quem assistiu à primeira parte de Wicked sabe que a trilha sonora é uma peça-chave para o sucesso do filme. E Wicked: Parte 2 manterá a tradição de trazer de volta as canções que já são hinos para os fãs, como:

  • “For Good”, a música que celebra a amizade e a transformação pessoal;
  • “No Good Deed”, que entrega toda a força e o drama da personagem Elphaba;
  • “Thank Goodness”, que mistura leveza e crítica social.

Junto com essas canções, as novidades prometem refrescar o espetáculo e dar novas camadas emocionais à trama.

O primeiro filme que conquistou corações

Lançado em novembro de 2024, Wicked: Parte Um já deixou uma marca profunda. A história de Elphaba e Glinda, interpretadas por Cynthia Erivo e Ariana Grande, conquistou público e crítica, combinando fantasia, emoção e um olhar atual sobre temas como identidade e aceitação.

Com uma bilheteria que ultrapassou os US$ 700 milhões, o filme se tornou um dos maiores sucessos do ano, abrindo caminho para a tão aguardada continuação. O carisma da dupla protagonista, a riqueza dos cenários e a força das músicas foram alguns dos ingredientes que fizeram o público querer mais.

O que vem por aí em Wicked: Parte 2?

A continuação promete mergulhar mais fundo na trajetória de Elphaba, mostrando como ela se torna a temida Bruxa Má do Oeste, enquanto a amizade entre ela e Glinda enfrenta provações e escolhas difíceis. A nova música de Ariana, situada em sua suíte na Cidade das Esmeraldas, será um momento para o público enxergar além do brilho e da alegria que a personagem costuma mostrar.

A estreia está marcada para 20 de novembro de 2025 no Brasil — um dia antes do lançamento nos Estados Unidos — e os fãs já contam os dias para voltar a esse universo mágico.

Um elenco e produção de excelência

Além de Ariana Grande e Cynthia Erivo, o filme conta com nomes como Michelle Yeoh, Jeff Goldblum e Jonathan Bailey, entre outros, em papéis de apoio que enriquecem a narrativa. Os cenários assinados por Lee Sandales e Nathan Crowley prometem transportar o público para uma Oz ainda mais vibrante e encantadora, reforçando o cuidado com cada detalhe visual.

Por que Wicked ressoa tanto com o público?

Desde o início nos palcos da Broadway, Wicked chamou atenção por seu olhar humano sobre personagens que antes eram vistos apenas como “vilões”. A narrativa mostra as camadas de Elphaba e Glinda, suas vulnerabilidades, escolhas e a complexidade das relações humanas. Isso gera identificação e empatia, especialmente para quem já se sentiu diferente ou à margem.

A entrada de Ariana Grande, com sua voz poderosa e influência pop, ampliou o alcance da história para uma nova geração, que encontrou nela uma representante da coragem e da autenticidade.

A música que já nasceu especial

A expectativa para “Girl in The Bubble” é grande. A colaboração com Stephen Schwartz, que ajudou a criar os clássicos originais, garante que a nova faixa terá a mesma qualidade e sensibilidade que conquistaram milhões. Para Ariana, a música é uma oportunidade de mostrar novas facetas de Glinda, e para os fãs, um presente que une tradição e inovação.

Contagem regressiva

Com tudo isso, Wicked: Parte 2 promete não apenas continuar a história, mas aprofundar sentimentos e ampliar o universo mágico que tantos amam. Em novembro de 2025, será hora de voltar a Oz, se emocionar e cantar junto — agora com uma canção inédita que deve ficar para sempre na memória.

Kevin Feige confirma: “Vingadores – Guerras Secretas e X-Men vão redefinir o futuro do MCU”

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Desde que “Vingadores: Ultimato” encerrou um ciclo épico em 2019, fãs do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) se perguntam: para onde vamos a partir daqui? Agora, com o anúncio oficial de “Vingadores: Guerras Secretas”, essa resposta começa a ganhar contornos mais claros — e surpreendentes.

Em entrevista exclusiva à Variety, Kevin Feige, presidente do Marvel Studios, confirmou que o próximo filme dos Vingadores não será um reboot no sentido tradicional, mas sim um “reset”. Ou, como ele prefere dizer, “um novo começo”. O filme servirá para fechar arcos narrativos deixados após “Ultimato” e, ao mesmo tempo, preparar o terreno para uma nova geração de histórias, personagens e possibilidades dentro do multiverso.

“Não é um reboot. É um recomeço”

A escolha das palavras foi minuciosa. Kevin enfatizou que a palavra “reboot” pode assustar os fãs, por remeter à ideia de apagar o que foi feito. “Reboot é uma palavra assustadora, pode significar muitas coisas para muitas pessoas. Recomeço, uma linha do tempo singular, é o que estamos pensando. ‘X-Men’ é onde isso acontecerá em seguida”, afirmou o executivo, referindo-se à introdução oficial dos mutantes no MCU, algo aguardado há mais de uma década.

Para ele, “Guerras Secretas” é sobre começos, ao contrário de “Ultimato”, que girava em torno de finais. E essa transição marca não apenas um movimento estratégico da Marvel para renovar seu universo, mas também uma tentativa de recuperar o prestígio e a conexão emocional com o público, algo que, segundo muitos críticos e fãs, ficou enfraquecido nas fases mais recentes.

Um legado que se reinventa

Com quase quarenta filmes lançados, o MCU chegou a um ponto de inflexão. As apostas são altas, e os desafios, ainda maiores: integrar novos personagens, resolver linhas temporais complexas, e manter viva a chama da inovação que consagrou o estúdio ao longo da última década.

“Guerras Secretas”, que chega aos cinemas em 17 de dezembro de 2027, será a sequência direta de “Avengers: Doomsday”, agendado para 18 de dezembro de 2026. Esses dois filmes, juntos, deverão formar o grande clímax da chamada Saga do Multiverso, que sucede a Saga do Infinito.

“Avengers: Doomsday” — Tudo que sabemos até agora

Antes de falarmos de “Guerras Secretas”, é importante entender o que está por vir em “Avengers: Doomsday”, já que será ele quem abrirá os portões do caos — e da esperança — para o novo ciclo do MCU.

Dirigido pelos Irmãos Russo, com roteiro de Michael Waldron e Stephen McFeely, o filme vai reunir personagens de quase todos os cantos do universo Marvel: Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico, Wakandanos e Novos Vingadores. O elenco é um verdadeiro evento por si só, reunindo Chris Hemsworth, Florence Pugh, Paul Rudd, Simu Liu, Pedro Pascal, Tom Hiddleston, Patrick Stewart, Ian McKellen, Robert Downey Jr. (desta vez como o vilão Doutor Destino), entre outros.

A história se passa quatorze meses após os eventos de “Thunderbolts” (2025). Com o multiverso em colapso e a linha do tempo cada vez mais fragmentada, os heróis se unem para enfrentar um novo e formidável inimigo: o Doutor Destino. A escolha de Downey Jr. para esse papel — após seu adeus como Tony Stark — promete causar impacto e comover o público.

O caminho até “Guerras Secretas”

Enquanto “Doomsday” promete ação e tragédia, “Guerras Secretas” será o renascimento. A inspiração vem diretamente dos quadrinhos de Jonathan Hickman (2015), onde diferentes realidades colapsam em uma só, formando o chamado Battleworld — um planeta feito de fragmentos de universos destruídos, governado por… Doutor Destino.

É nesse contexto que o MCU pretende consolidar uma nova linha do tempo canônica. Isso permitiria reintroduzir personagens com novos intérpretes, adaptar tramas com liberdade criativa e, ao mesmo tempo, preservar o legado emocional construído desde 2008 com “Homem de Ferro”.

O futuro dos X-Men e o nascimento de uma nova era

Um dos grandes trunfos dessa reformulação é a inclusão definitiva dos X-Men no MCU. Feige afirmou que “Guerras Secretas” será o ponto de virada onde os mutantes se estabelecem como parte central da nova fase.

Nomes como Patrick Stewart, Ian McKellen e James Marsden retornarão em “Doomsday”, mas o estúdio já deixou claro que novos atores assumirão os papéis icônicos de Wolverine, Tempestade, Jean Grey e outros nas próximas produções. “Estamos mirando em um MCU que possa durar mais 15 anos, e isso passa por renovação, diversidade e frescor criativo”, declarou uma fonte da Marvel ao Deadline.

Impacto cultural, emocional e financeiro

A Marvel sabe que não basta entregar espetáculo visual. Após críticas a filmes como “Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania” e “Invasão Secreta”, o estúdio parece empenhado em reconquistar o coração do público. “Guerras Secretas” terá de equilibrar nostalgia, inovação e profundidade emocional — uma fórmula que deu certo com “Ultimato”.

Além disso, há a pressão do mercado: a Marvel precisa garantir bilheterias bilionárias novamente, especialmente após uma fase onde apenas algumas produções ultrapassaram as expectativas. A escolha dos Irmãos Russo para “Doomsday” é estratégica — eles entregaram “Guerra Infinita” e “Ultimato”, dois dos maiores sucessos da história do cinema.

O retorno de velhos rostos… e de velhas perguntas

O público também quer saber: quem mais volta? As especulações são muitas. Há rumores sobre o retorno de Chris Evans (Capitão América), Scarlett Johansson (Viúva Negra) e até de Hugh Jackman (Wolverine) para participações especiais. Nenhum desses nomes foi confirmado oficialmente para “Guerras Secretas”, mas os fãs não perderam a esperança.

Também resta saber como o MCU vai lidar com os eventos de “Loki”, “What If”, “Homem-Aranha: Sem Volta para Casa” e “Deadpool & Wolverine”. Todas essas histórias mexeram com o conceito de multiverso e devem convergir de alguma forma em “Guerras Secretas”.

O que podemos esperar de “Guerras Secretas”?

Se o material dos quadrinhos for seguido de perto, o público pode esperar um conflito épico e existencial. O Battleworld pode servir tanto como arena de batalhas quanto como símbolo de reconstrução. Kevin Feige, aliás, deu pistas disso: “Estamos utilizando essa história para completar arcos e preparar o futuro. É sobre dar ao público algo que ele nunca viu, mas que sempre sonhou”.

Isso inclui o surgimento de novas equipes, como os Jovens Vingadores, uma nova formação dos X-Men, e possivelmente, a tão aguardada chegada de personagens como Surfista Prateado, Galactus e Miles Morales

Preta Gil em cena: a Jornada da cantora além dos palcos, nas telas da TV e do cinema

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Preta Gil sempre foi sinônimo de entrega. Sua voz potente, suas bandeiras pessoais e sua presença vibrante no palco também encontraram espaço nas telas da televisão e do cinema. Ao longo de sua carreira, mesmo sendo reconhecida nacionalmente como cantora, Preta ousou ampliar seus caminhos artísticos. Atuou em novelas, apareceu em séries, participou de filmes e documentários — quase sempre emprestando sua verdade, sua coragem e sua autenticidade a cada cena.

Mais do que interpretações pontuais, cada uma de suas participações carregava um traço de representatividade. Quando surgia nas novelas ou nos filmes, era sempre com a convicção de que corpos como o seu, vozes como a sua, e vivências como a sua também pertencem à dramaturgia brasileira. Era a Preta em sua essência: sem filtros, sem moldes e sem medo de ser múltipla.

A estreia nas novelas: Vanusa, a irmã irreverente

A estreia oficial de Preta Gil como atriz de novela aconteceu em 2003, no folhetim Agora É Que São Elas, da TV Globo. Ela interpretava Vanusa Silveira, uma personagem leve e divertida, irmã da protagonista Leonarda (vivida por Débora Falabella). Na trama, Preta encontrou espaço para atuar e cantar — uma combinação que lhe era muito natural. Foi sua primeira experiência como atriz em teledramaturgia, e uma confirmação de que seu carisma extrapolava os palcos.

Na época, Preta já estava se consolidando como cantora pop, após o lançamento de seu primeiro disco. Estar na novela foi mais do que uma vitrine: foi um gesto de afirmação. Era uma mulher real, fora dos padrões convencionais, conquistando espaço em horário nobre, com humor, humanidade e brilho.

Participações que deixaram marca nas novelas da Globo

Mesmo sem seguir carreira como atriz fixa de novelas, Preta deixou sua marca em várias tramas ao longo dos anos. Em Caminho das Índias (2009), por exemplo, ela apareceu como ela mesma em uma boate, em um dos episódios que celebrava a pluralidade cultural — tema central da novela de Glória Perez. A sua presença, ainda que rápida, trouxe alegria e autenticidade à cena.

Em 2012, foi a vez de Preta invadir o universo pop de Cheias de Charme. No auge do sucesso das “Empreguetes”, o trio fictício vivido por Taís Araújo, Isabelle Drummond e Leandra Leal, Preta fez uma participação especial, cantando e interagindo com as personagens. A conexão era natural — afinal, ela mesma sempre foi uma espécie de “empreguete da vida real”: mulher guerreira, popular, amada pelo público e cheia de swing.

Já na série Sexo e as Negas (2014), também de Falabella, Preta surgiu como uma aliada das protagonistas. Sua participação foi mais do que artística: foi política. Estar ali, em uma produção protagonizada por mulheres negras da periferia carioca, era reconhecer sua própria origem e reforçar sua luta pela representatividade.

No cinema: pequenos papéis, grandes presenças

No cinema, Preta Gil também deixou sua digital. Em 2005, apareceu como ela mesma no filme Mais Uma Vez Amor, de Rosane Svartman. Em uma das cenas românticas da trama, sua performance musical servia de pano de fundo para os sentimentos dos protagonistas, interpretados por Dan Stulbach e Juliana Paes.

Em 2006, participou do universo encantado de Xuxa Gêmeas, mais uma vez como ela mesma. A leveza da produção infantil combinava com o humor despretensioso de Preta, que surgia como presença especial, cheia de alegria. Já em A Guerra dos Rocha (2008), comédia dirigida por Jorge Fernando, ela fez uma breve, porém divertida, aparição — sempre com aquele brilho que preenche a tela, mesmo quando a cena é curta.

Anos depois, já em 2018, integrou o elenco de Coração de Cowboy, filme protagonizado por Gabriel Sater, em um papel que homenageava a música brasileira e sua fusão entre estilos. Novamente, foi ela mesma — porque, convenhamos, ninguém encarna Preta melhor do que a própria Preta.

Entre realities, séries e especiais musicais

Além das novelas e dos filmes, Preta foi figura constante em programas de auditório, talk shows e realities musicais. Em Mister Brau, série protagonizada por Taís Araújo e Lázaro Ramos, ela fez uma participação especial em um dos episódios, trazendo sua irreverência para o universo fictício da produção. Também apareceu em Vai Que Cola, sucesso do Multishow, em um episódio hilário que brincava com os exageros do mundo dos famosos.

Fora das atuações, esteve inúmeras vezes em programas como Altas Horas, Amor e Sexo, Encontro com Fátima Bernardes e Programa do Jô, sempre como uma voz ativa sobre temas como amor livre, bissexualidade, gordofobia e empoderamento feminino. Ela transformava entrevistas em atos de resistência — e palcos em trincheiras do afeto.

Um corpo político, uma presença artística

Preta nunca atuou apenas por atuar. Cada uma de suas aparições nas telas tinha um propósito — muitas vezes implícito, outras vezes escancarado. Representar uma mulher gorda, negra, livre e desbocada em espaços de destaque era, por si só, um ato revolucionário. Ela sabia disso. E usava esse espaço com responsabilidade, humor e ousadia.

Muitas mulheres se viram nela. Muitos jovens LGBTQIA+ encontraram consolo em sua liberdade. E muita gente começou a refletir sobre preconceitos ao vê-la dançando, rindo e vivendo nas novelas, séries e filmes.

Preta Gil era personagem da própria história — e também das nossas

Ao revisitar sua trajetória nas telas, fica claro: Preta Gil foi maior do que qualquer papel. Foi presença, foi afeto, foi coragem. Mesmo nos personagens coadjuvantes, ela ocupava tudo com verdade. E mesmo quando interpretava a si mesma, não era vaidade: era manifesto.

Preta não estava nas novelas apenas para fazer número. Estava para lembrar que outras histórias também merecem ser contadas. E que a arte, quando feita com o coração, atravessa qualquer limite de tela.

Eternamente Preta — na música, na TV, no cinema e na memória coletiva do Brasil.

Adeus, Preta Gil: a cantora morre aos 50 anos em Nova York após longa luta contra o câncer

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Foto: Reprodução/ Internet

No domingo, 20 de julho de 2025, o Brasil vai dormir mais silencioso. O país perdeu uma de suas artistas mais espontâneas, combativas e amorosas: Preta Gil. A cantora, atriz, apresentadora e empresária faleceu aos 50 anos, em Nova York, após uma longa e corajosa batalha contra o câncer no intestino. A notícia foi confirmada por seu pai, Gilberto Gil, através de uma nota emocionada publicada nas redes sociais. A família agora se mobiliza para trazer o corpo de volta ao Brasil, onde será velada e homenageada com o afeto que ela sempre ofereceu ao mundo.

A despedida de Preta não é apenas o adeus a uma artista. É a perda de uma mulher que nunca teve medo de ser quem era. Uma figura que transformava vulnerabilidades em força, dor em arte, e escândalo em acolhimento. Uma voz que rompeu tabus, ampliou conversas e jamais se escondeu. O luto é nacional — e pessoal para milhares que se viam refletidos nela.

Uma guerreira diante da doença

Desde o diagnóstico de câncer no intestino em janeiro de 2023, Preta enfrentou a doença com uma transparência rara, mas sem perder a ternura. Compartilhou parte do tratamento nas redes sociais, entre sessões de quimioterapia e radioterapia, dividindo também momentos de introspecção e fé. Em agosto de 2024, passou por uma cirurgia delicada para remoção de tumores. O procedimento trouxe esperança, mas o câncer retornou, mais agressivo e em outras partes do corpo.

No início de 2025, Preta decidiu buscar um tratamento experimental nos Estados Unidos. Instalou-se em Nova York, onde ficou sob os cuidados de uma equipe especializada, realizando protocolos de terapia em Washington. Ela manteve o sigilo sobre os detalhes, mas sempre recebia manifestações de carinho, inclusive de fãs que organizavam orações e correntes de energia positiva. Foi uma luta digna, silenciosa e cercada de amor — como tudo o que ela fazia.

A voz que não queria pedir licença

Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu no Rio de Janeiro em 8 de agosto de 1974. Filha de Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha, já nasceu cercada de música, cultura e um nome que carregava cor e ancestralidade. Seu batismo gerou polêmica no cartório: o funcionário se recusou a registrar apenas “Preta”, obrigando os pais a adicionarem o “Maria”. Gil transformou o episódio em canção e bandeira. A filha, mais tarde, faria o mesmo com sua própria trajetória.

Demorou a se lançar profissionalmente na música. Seu primeiro álbum, Prêt-à-Porter, foi lançado em 2003, quando ela já tinha quase 30 anos. A capa do disco, com Preta nua, causou frisson na imprensa. Mais do que sensualidade, era um grito de independência — uma mulher fora dos padrões estéticos impostos pela indústria mostrando o corpo com orgulho. Mas o conservadorismo reagiu mal. “Me chamavam para entrevistas mais por causa do meu corpo do que da minha voz”, disse ela, anos depois, à Forbes Brasil.

Apesar das críticas e reduções, Preta seguiu em frente. Ampliou sua atuação como atriz — esteve no elenco da novela Agora É Que São Elas — e também como apresentadora. Em Caixa Preta, na Band, abriu espaço para debates sobre identidade, sexualidade, autoestima e representatividade.

No teatro, brilhou em 2006 com o espetáculo Um Homem Chamado Lee, em que interpretava uma travesti apaixonada por Rita Lee. Era provocação e afeto ao mesmo tempo. Música, performance, humor e denúncia. A síntese perfeita de tudo o que ela acreditava.

Uma artista que se fazia plural

Seu segundo álbum, Preta (2005), seguiu mostrando sua versatilidade. Mas foi com a turnê Noite Preta, em 2008, que ela fincou os pés no pop nacional. Os shows, sempre lotados, misturavam axé, funk, samba, tecnobrega e covers improváveis, como “Like a Virgin”, de Madonna. Ela subia ao palco de collant, salto e brilho, afirmando com o corpo e a música que ser quem se é pode — e deve — ser celebrado.

O DVD da turnê, gravado em 2009 no The Week Rio, é considerado um marco. Era o retrato de uma artista madura, com público cativo e muito mais a dizer do que se ouvia nas rádios.

Rainha do Carnaval e do amor livre

Se havia um lugar onde Preta Gil reinava absoluta, esse lugar era o Carnaval. O Bloco da Preta, criado por ela em 2009, virou um dos maiores do Rio de Janeiro. Em seus desfiles, a rua era tomada por diversidade, afeto, brilho e liberdade. Milhões de pessoas foram às ruas para dançar, cantar e se libertar ao som de sua voz.

Em 2013, o DVD comemorativo de 10 anos de carreira trouxe participações especiais de artistas como Ivete Sangalo, Anitta, Lulu Santos e Thiaguinho. Era um tributo à sua trajetória — e também um reflexo do quanto era querida por seus pares.

Preta sempre defendeu o direito de amar sem rótulos. Falava abertamente sobre sua bissexualidade e, mais tarde, pansexualidade. Era uma das poucas figuras públicas que abordavam essas questões sem medo, com empatia e escuta. Tornou-se porta-voz informal da comunidade LGBTQIA+, abrindo caminhos com palavras e ações.

Intensidade no palco e na vida

Na vida pessoal, Preta foi generosa e intensa. Casou-se três vezes, sendo mãe de Francisco — nascido em 1995, fruto do relacionamento com o ator Otávio Müller. Depois, viveu casamentos com Carlos Henrique Lima e Rodrigo Godoy. Em 2015, ganhou sua neta, Sol de Maria, e mergulhou em uma nova fase: a de avó moderna, divertida e amorosa.

Teve relacionamentos com Caio Blat, Paulo Vilhena, Marcos Mion — mas nunca permitiu que sua vida íntima se tornasse espetáculo. Sabia proteger seus afetos, sem abrir mão da verdade. Era amiga fiel, conselheira firme, e presença constante nas festas e nas dores de quem amava.

Muito além do microfone: a empresária visionária

Nos últimos anos, Preta também se destacou como uma figura de bastidor. Fundadora da Music2Mynd, empresa de agenciamento artístico e marketing de influência, ela foi mentora e ponte para uma nova geração de artistas.

Ajudou a construir carreiras, lapidar talentos e transformar digital em presença real. Sabia ler o momento cultural como poucas, e entendia que autenticidade era o diferencial. Acreditava em narrativas com propósito — e é isso que fazia brilhar seu trabalho com influenciadores, músicos e comunicadores.

Uma despedida que ecoa em milhões de corações

Com a confirmação da morte, o Brasil se cobriu de homenagens. Figuras como Ivete Sangalo, Caetano Veloso, Pabllo Vittar, Anitta, Gilberto Gil e fãs anônimos usaram as redes para agradecer a Preta pela coragem, generosidade e arte. A comoção não é apenas pela ausência, mas pelo reconhecimento da grandeza de alguém que transformou sua existência em farol para os outros.

O Ministério da Cultura emitiu nota oficial exaltando sua contribuição à cultura brasileira. Nas ruas do Rio, o Bloco da Preta deve se transformar em cortejo-homenagem em 2026. A despedida será pública, como sempre foi sua entrega: coletiva, vibrante, emocionada.

Preta para sempre: uma mulher que não cabia em moldes

Preta Gil não era só filha de Gilberto. Não era só a cantora do bloco. Nem só a empresária por trás das câmeras. Ela era tudo isso — e muito mais. Uma mulher que viveu de peito aberto, com erros e acertos, com dores e conquistas, com arte e afeto.

Seu legado é um convite: a viver sem pedir desculpas. A amar sem rótulo. A ocupar o espaço com o corpo que se tem. A transformar traumas em potência. A rir alto. A chorar junto. A dançar até o fim.

Na sua última entrevista antes de viajar para os EUA, ela deixou uma frase que hoje soa como testamento: “Se eu for embora amanhã, que saibam que eu fui muito amada. E que amei também. Muito. Com tudo que eu tinha.”

Você foi, Preta. Você é. E sempre será.

Obrigado, Preta Gil, por tudo que foi — e por tudo que nos ensinou a ser.

Saiba como foram feitas as gravações das cenas de voo do Superman no novo filme

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Foto: Reprodução/ Internet

Há quase um século, um garoto de Krypton chegava à Terra para se tornar o símbolo máximo de esperança, justiça e heroísmo: Superman. Décadas se passaram, e o herói foi reinventado inúmeras vezes. Em 2025, essa mitologia ganha uma nova vida com o filme Superman, dirigido e escrito por James Gunn — conhecido pela irreverência em Guardiões da Galáxia, mas aqui focado em resgatar a essência humana e dramática do Homem de Aço.

Mais do que uma aventura tradicional, o longa é um retrato sensível de Clark Kent no início de sua jornada, descobrindo seu papel no mundo e encarando dilemas que vão muito além de lutar contra vilões. Este filme marca o início do “Capítulo 1: Deuses e Monstros” do novo Universo DC, sucedendo o Universo Estendido DC (DCEU) entre 2013 e 2023, e aposta em dar um novo fôlego para personagens tão queridos.

Arte e tecnologia para dar vida ao voo do herói

Voar é a habilidade mais icônica do Superman, e trazê-la à vida nas telas é um desafio gigante. O vídeo que James Gunn divulgou em nos bastidores mostrou o ator David Corenswet pendurado em cabos diante de telões gigantes de LED, que projetavam cenários realistas ao redor. Abaixo, confira o vídeo:

Essa tecnologia vai além do tradicional fundo verde — permite que atores interajam com luzes e imagens em tempo real, tornando as cenas mais naturais e críveis. Essa inovação mostra o cuidado da produção em criar um voo que emocione e convença, refletindo a sensação de liberdade e poder que Clark sente ao voar. Mais do que efeito visual, é uma escolha que aproxima o herói do público, humanizando sua experiência.

David Corenswet

Escolher um ator para o papel do Superman é sempre um momento delicado. David Corenswet, com trabalhos em séries como The Politician e Hollywood, chegou para trazer uma nova energia ao personagem.

Sua atuação mostra um Clark Kent menos invencível, mais próximo de nós — alguém que sente dúvidas, medo e esperança. É um herói jovem, descobrindo quem é, e isso cria uma conexão especial, principalmente com quem também está em busca do seu lugar no mundo.

Um elenco que dá vida e profundidade à história

O elenco de Superman (2025) reúne talentos que transitam entre produções consagradas e promissoras, conferindo profundidade e diversidade ao filme. David, conhecido pelas séries The Politician e Hollywood, assume o papel principal como Clark Kent/Superman, trazendo uma presença jovem e introspectiva ao herói. Nicholas Hoult, que se destacou em X-Men: Primeira Classe, Mad Max: Estrada da Fúria e Warm Bodies, vive o vilão Lex Luthor, imprimindo uma vilania complexa e realista. Rachel Brosnahan, aclamada por The Marvelous Mrs. Maisel, interpreta a destemida jornalista Lois Lane, equilibrando inteligência e carisma. Skyler Gisondo, com trabalhos em Santa Clarita Diet e Morto Não Fala, é o fiel fotógrafo Jimmy Olsen. Isabela Merced, vista em Dora e a Cidade Perdida e Sweet Girl, traz ação e emoção como Kendra Saunders, a Mulher Gavião.

Nathan Fillion, famoso por Castle e Firefly, vive Guy Gardner, o Lanterna Verde, enquanto Edi Gathegi, conhecido por House e X-Men: Primeira Classe, interpreta Michael Holt, o Senhor Incrível. Anthony Carrigan, com participações marcantes em Barry e Gotham, é Rex Mason, o Metamorfo. María Gabriela de Faría, vista em Deadly Class e La Reina del Sur, vive Angela Spica, a Engenheira. Frank Grillo, que brilhou em Capitão América: Soldado Invernal e Warrior, encarna o Coronel Rick Flagg Sr. Sara Sampaio, supermodelo com atuação em Holidate, interpreta Eve Teschmacher. Wendell Pierce, veterano de The Wire e Suits, é Perry White. Terence Rosemore, Pruitt Taylor Vince, Neva Howell, Beck Bennett, Mikaela Hoover e Christopher MacDonald completam o elenco com papéis importantes, enriquecendo o universo do filme e trazendo peso dramático às suas respectivas personagens.

Temas atuais que refletem nosso tempo

O filme não evita discutir temas atuais como política, manipulação da mídia e verdade. O conflito entre Borávia e Jarhanpur espelha tensões reais, enquanto as artimanhas de Luthor levantam questões sobre desinformação e poder oculto. Superman enfrenta não só inimigos externos, mas crises internas e sociais, dando à história camadas que dialogam com o espectador de forma profunda.

Música que emociona antes mesmo da palavra final

A trilha sonora de John Murphy e David Fleming foi criada antes do roteiro ficar pronto, guiando o tom do filme desde cedo. Essa escolha ajuda a envolver o público nas emoções do herói, tornando as cenas ainda mais impactantes.

Desafios e expectativas no mercado

Com uma meta de arrecadação ambiciosa, o filme precisa alcançar pelo menos US$ 700 milhões para ser considerado um sucesso financeiro. Até aqui, a recepção positiva mostra que a Warner/DC apostou certo para essa nova fase, que promete expandir ainda mais o universo dos heróis.

“Jurassic World: Recomeço” ultrapassa US$ 650 milhões em bilheteria mundial e confirma novo fôlego da franquia

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Foto: Reprodução/ Internet

Em um mercado cinematográfico cada vez mais competitivo, “Jurassic World: Recomeço” — o mais recente capítulo da longeva franquia Jurassic Park — desponta como um fenômeno de público e bilheteria, acumulando mais de US$ 650 milhões em receitas mundiais poucos dias após sua estreia. As informações são do Omelete.

O sucesso é resultado de uma combinação precisa: uma história que dialoga com os fãs antigos ao mesmo tempo em que conquista uma nova geração, atores reconhecidos e uma produção técnica que alia efeitos visuais sofisticados a cenas de ação envolventes.

O resgate de um legado com um olhar contemporâneo

Dirigido por Gareth Edwards, conhecido pelo equilíbrio entre espetáculo e narrativa em filmes como Godzilla (2014), Recomeço não se limita a repetir fórmulas consagradas. O roteiro assinado por David Koepp, que retorna à franquia após quase três décadas — ele escreveu o original Jurassic Park em 1993 —, explora territórios inexplorados da saga, com referências literárias pouco usadas anteriormente.

A trama parte de um ponto interessante: cinco anos depois dos eventos de Jurassic World Dominion, os dinossauros não são mais uma ameaça global — pelo menos não para todo mundo. Eles se refugiaram em regiões tropicais isoladas, e é exatamente aí que uma equipe de cientistas e agentes secretos é enviada para uma missão crítica: recuperar DNA de espécies pré-históricas que podem salvar vidas humanas.

Esse desafio científico ganha contornos de suspense e ação quando a equipe liderada por Zora Bennett, interpretada com firmeza e sensibilidade por Scarlett Johansson, descobre que a ilha onde operam guarda segredos muito mais sombrios — dinossauros geneticamente alterados, mutantes assustadores e uma luta constante pela sobrevivência.

Jurassic World consagra Scarlett Johansson como estrela mais rentável de Hollywood
Crítica – Recomeço é um espetáculo visual que honra a franquia

Personagens que emocionam

Além da ação e da ficção científica, o filme investe no desenvolvimento humano dos personagens, permitindo que o público se importe verdadeiramente com suas jornadas. Zora, Duncan (Mahershala Ali) e Dr. Loomis (Jonathan Bailey) trazem camadas de complexidade e humanidade, cada um lidando com seus próprios dilemas enquanto enfrentam as ameaças pré-históricas.

A inclusão da família naufragada — com Manuel Garcia-Rulfo, Luna Blaise e Audrina Miranda — acrescenta um elemento emocional que ajuda a dar ritmo e emoção à narrativa, criando momentos de vulnerabilidade e coragem genuína que ressoam no público.

Essa aposta em personagens reais e multifacetados é uma das razões pelas quais o filme tem sido tão bem recebido pelo público, mesmo diante de críticas mais divididas da imprensa especializada.

Quem são as grandes estrelas do filme?

O elenco é uma combinação rica de talentos que trazem tanto experiência quanto frescor para a tela. No centro da trama está Scarlett Johansson, cuja carreira brilhante inclui performances memoráveis em Lost in Translation, Lucy e Marriage Story, e que aqui empresta sua força e sensibilidade à personagem Zora Bennett, uma especialista em operações secretas com muita determinação. Ao seu lado, Mahershala Ali — vencedor do Oscar por Moonlight e Green Book, e reconhecido por séries como True Detective — dá vida a Duncan Kincaid, o líder calmo e resoluto da equipe, transmitindo uma presença serena que equilibra o caos ao redor. Jonathan Bailey, conhecido do grande público por Bridgerton e pelo drama Broadchurch, interpreta o paleontólogo Henry Loomis, trazendo um toque de humanidade e curiosidade científica ao grupo.

Entre os personagens que trazem a história para um tom mais íntimo, estão Manuel Garcia-Rulfo, que já emocionou em The Lincoln Lawyer e Narcos: México, como o pai protetor Reuben Delgado; Luna Blaise, vista em Fresh Off the Boat, como sua filha Teresa; e David Iacono, com passagens marcantes por How to Get Away with Murder, no papel de Xavier, namorado de Teresa. A presença dos jovens atores ajuda a criar aquela conexão imediata com o público, que sente suas angústias e coragem em meio ao perigo.

Completa o grupo a jovem Audrina Miranda, junto com Philippine Velge, Bechir Sylvain e Ed Skrein — este último conhecido por sua força em Deadpool e Game of Thrones — que encarnam membros da equipe de Zora com dedicação e intensidade, contribuindo para o ritmo pulsante da aventura. Juntos, esses atores não apenas dão vida a personagens em meio a dinossauros aterrorizantes, mas também carregam histórias e emoções que fazem o público torcer, sentir medo e se emocionar a cada cena.

Uma produção global

A grandiosidade de Recomeço é resultado de uma produção que cruzou continentes. As filmagens na Tailândia, Malta e Reino Unido imprimem uma diversidade visual que destaca tanto a beleza exuberante das locações naturais quanto a tensão claustrofóbica das bases científicas e das selvas artificiais.

O cuidado com os efeitos práticos, aliado a tecnologia de ponta em computação gráfica, dá vida a criaturas assustadoras como o Distortus rex, uma versão alienígena e deformada do icônico T. rex, e os Mutadons, híbridos aterradores entre pterossauros e velociraptores. Estes elementos trazem frescor à franquia, que precisava de algo novo sem perder sua essência.

Na trilha sonora, Alexandre Desplat entrega um trabalho que dialoga com a atmosfera do filme, ora exaltando a aventura e o mistério, ora abraçando a emoção dos personagens.

Na “Sessão da Tarde” desta terça (22/07), TV Globo exibe o filme Dolittle, estrelado por Robert Downey Jr.

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Em tempos de telas aceleradas, algoritmos que moldam gostos e narrativas que competem por atenção, ainda há espaço para histórias que aquecem o coração de todas as idades. É nesse espírito que a TV Globo reapresenta nesta terça-feira, 22 de julho de 2025, na tradicional Sessão da Tarde, o filme “Dolittle”, estrelado por Robert Downey Jr. — uma jornada visualmente encantadora sobre escuta, cura e reconexão com o mundo.

Um clássico repaginado para encantar novas gerações

Lançado em 2020, o longa é uma nova leitura das aventuras do Dr. Dolittle, personagem criado pelo autor britânico Hugh Lofting em 1920. A história atravessou gerações, mas foi repaginada para dialogar com os tempos atuais — não apenas por seus efeitos modernos e trilha sonora envolvente, mas também por trazer mensagens sensíveis sobre luto, empatia e amizade verdadeira.

Nesta versão, conhecemos um Dr. John Dolittle recluso, ainda marcado pela morte da esposa, vivendo isolado em sua mansão ao lado de animais exóticos que são, literalmente, seus únicos interlocutores. O dom de falar com os bichos o tornou uma lenda, mas também um homem desconectado dos humanos — até que a doença misteriosa da Rainha Vitória o obriga a sair da toca.

Uma missão que é também um reencontro consigo mesmo

O chamado da Rainha chega por meio da jovem Lady Rose, que convence Dolittle a embarcar em uma jornada para encontrar uma fruta lendária capaz de curá-la. Mas a missão, claro, vai além da busca por um antídoto: trata-se também da busca pela cura interior do próprio médico.

A aventura leva Dolittle e seus fiéis companheiros pelos oceanos, florestas e ilhas encantadas. Cada etapa é uma metáfora das emoções que ele precisa enfrentar: medo, raiva, negação, saudade. E cada animal ao seu lado simboliza partes de sua psique — do gorila ansioso à arara sensata, passando por um urso-polar medroso e um avestruz pessimista. Juntos, formam um retrato emocional e divertido da alma humana.

Um elenco completo

Robert Downey Jr., mundialmente conhecido por interpretar o Homem de Ferro, mergulha aqui em um personagem completamente diferente. Sua performance sensível, com trejeitos teatrais e sotaque excêntrico, dividiu opiniões, mas é inegavelmente corajosa.

Ao seu redor, um elenco digno de tirar o chapéu: Antonio Banderas (A Máscara do Zorro, A Pele que Habito) interpreta o Rei Rassouli, Michael Sheen (Frost/Nixon, The Queen) vive o vilão Dr. Müdfly, e Harry Collett (Dunkirk) traz frescor e carisma como o jovem aprendiz Tommy Stubbins. A presença de Jessie Buckley (Estou Pensando em Acabar com Tudo, Wild Rose), Jim Broadbent (As Horas, Harry Potter e o Enigma do Príncipe) e Kasia Smutniak (Lembranças de um Amor Eterno, Perfect Strangers) complementa o time com elegância.

Na dublagem original, o show é dos astros: Emma Thompson (Razão e Sensibilidade, Nanny McPhee), Rami Malek (Bohemian Rhapsody, Mr. Robot), John Cena (O Esquadrão Suicida, Velozes & Furiosos 9), Octavia Spencer (Histórias Cruzadas, Ma), Tom Holland (Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, O Diabo de Cada Dia), Selena Gomez (Os Feiticeiros de Waverly Place, Only Murders in the Building), Craig Robinson (The Office, É o Fim), Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor, A Origem), Ralph Fiennes (O Paciente Inglês, O Grande Hotel Budapeste) e Jason Mantzoukas (Brooklyn Nine-Nine, Big Mouth) dão voz aos animais com humor e personalidade.

Dublagem brasileira

A versão exibida pela Globo, dublada em português, mantém a excelência com vozes consagradas como Guilherme Briggs, Alexandre Moreno, Marco Ribeiro, Marize Motta, entre outros. A tradução criativa, com adaptações culturais bem aplicadas, torna o humor mais acessível e o conteúdo ainda mais envolvente para o público brasileiro.

A dublagem nacional — há décadas aclamada por fãs de animações e blockbusters — transforma Dolittle em um verdadeiro presente para as famílias que acompanham a Sessão da Tarde.

Bastidores do longa

Dirigido por Stephen Gaghan, conhecido por dramas sérios como Traffic, o filme foi um desafio à parte. Filmado em locações do Reino Unido, como o Great Windsor Park e as montanhas do norte do País de Gales, a produção mescla cenários reais e efeitos digitais de ponta para criar um universo mágico.

Com um orçamento estimado em 175 milhões de dólares, Dolittle enfrentou atrasos, refilmagens e reestruturação de roteiro durante a pós-produção. As críticas na estreia foram mistas, mas a resposta do público — especialmente famílias — garantiu ao filme uma bilheteria mundial superior a 250 milhões de dólares.

Sessão da Tarde: o ritual de gerações

A escolha da Globo por exibir o clássico repaginado na Sessão da Tarde não é aleatória. O espaço, que há mais de 50 anos exibe filmes que formam memórias afetivas em milhões de brasileiros, mantém sua relevância justamente por unir diferentes gerações.

Pais que cresceram assistindo aos filmes de Eddie Murphy como Dr. Dolittle nos anos 90 agora se sentam ao lado dos filhos para ver a nova versão. Avós que liam as fábulas originais reconhecem na ambientação vitoriana um pedaço de seu imaginário. Crianças de hoje se encantam com um cinema que ainda acredita no poder da fantasia.

O legado de Dolittle

Apesar das críticas iniciais, Dolittle conquistou seu espaço como uma obra que não precisa ser perfeita para ser significativa. Sua mensagem — de que ouvir o outro pode ser o primeiro passo para curar a si mesmo — reverbera em um mundo onde a escuta se tornou rara.

O filme continua sendo exibido em plataformas de streaming e nas grades de canais abertos, provando que seu apelo familiar e sua estética encantadora seguem conquistando novos públicos.

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