O Bebê de Rosemary (1968), dirigido por Roman Polanski, permanece como um dos pilares do horror psicológico justamente por evitar caminhos fáceis. Em vez de apostar em sustos calculados ou no grotesco explícito, o filme constrói seu terror na sugestão – e na manipulação silenciosa do olhar do espectador. Cada cena funciona como um convite à dúvida, à suspeita e ao desconforto. E, à medida que a paranoia de Rosemary cresce, também cresce a nossa, até que o próprio conceito de realidade se torna instável.
A narrativa acompanha Rosemary Woodhouse, jovem recém-instalada com o marido em um edifício antigo de Nova York, impregnado de histórias sinistras e vizinhos invasivos. Quando engravida, o que deveria ser um período de alegria se transforma em um mergulho angustiante. Entre dores inexplicáveis, sonhos que beiram o ritualístico e um controle crescente exercido por aqueles ao redor, Rosemary começa a acreditar que é vítima de uma conspiração. Mas Polanski trabalha deliberadamente a incerteza: tudo pode ser verdade, e nada pode ser verdade.
Esse jogo entre percepção e delírio é sustentado com rigor formal. O apartamento torna-se uma espécie de cárcere sofisticado — ambientes estreitos, portas que nunca se fecham completamente, corredores que parecem absorver o silêncio. A câmera de Polanski explora limitações espaciais de forma opressiva, enquadrando Rosemary frequentemente em posições de fragilidade. O design de som — passos abafados, diálogos cochichados, ruídos domésticos que ganham contornos ameaçadores — potencializa a atmosfera, fazendo com que o cotidiano se converta em palco de inquietação.
O ritmo, aparentemente lento, é calculado e cirúrgico. O horror se infiltra nas conversas triviais, nas visitas inconvenientes, em detalhes quase imperceptíveis. É um terror que não se anuncia, mas se instala. O que não vemos, o que não é explicado, pesa mais do que qualquer imagem explícita poderia transmitir. Polanski entende que o medo nasce daquilo que nos escapa — e usa essa compreensão como ferramenta narrativa primordial.
No entanto, a força do filme não se limita ao suspense. O Bebê de Rosemary articula um comentário contundente sobre controle, violência simbólica e apropriação do corpo feminino. A fronteira entre o sobrenatural e o social se dilui: a opressão vivida por Rosemary, seja ela orquestrada por uma seita satânica ou pelo paternalismo que a cerca, evidencia uma violência estrutural que permanece desconfortavelmente atual. A gravidez se transforma em metáfora para a perda de autonomia — uma mulher cujo corpo é decidido, manipulado e invadido por forças externas, sejam elas humanas ou demoníacas.
Mais de meio século após sua estreia, a obra ainda provoca, inquieta e inspira debates. Seu poder não está em respostas — que Polanski deliberadamente recusa —, mas nas perguntas que lança e nas sensações que desperta. O Bebê de Rosemary continua a ser uma obra-prima justamente porque compreende que o terror mais profundo não reside no que é mostrado, mas no que permanece na penumbra, à espera de ser completado pela imaginação de quem assiste.
Quando Charli XCX decide transformar sua própria vida em matéria-prima cinematográfica, não há espaço para o convencional. E foi exatamente essa sensação — de risco, descontrole calculado e subversão — que tomou conta da internet esta semana com o lançamento do primeiro trailer de The Moment, filme que marca a estreia da cantora como protagonista e cocriadora de um projeto com a A24.
O vídeo, divulgado pela própria artista, apresenta um universo que vibra entre o glamour e o desconforto, entre a montação pop e a autocrítica corrosiva. Em poucos segundos, fica claro que Charli não está interessada em preservar imagens: ela quer desmontá-las.
O caos como estética: um trailer que borra as fronteiras entre ficção e realidade
O primeiro trailer do filme mergulha o espectador em uma atmosfera de turbulência emocional e performática. Com uma montagem frenética — que lembra reality shows, videoclipes e documentários de bastidores — o vídeo insinua que o longa opera justamente nas brechas entre persona pública e intimidade fabricada.
A câmera acompanha uma versão ficcionalizada (mas perigosamente próxima) de Charli XCX enquanto ela atravessa crises criativas, reuniões tensas, ensaios exaustivos e a constante pressão para produzir “o momento perfeito”. O tom quase voyeurístico reforça a ideia de que o público está sendo convidado a ver aquilo que normalmente fica escondido atrás das cortinas luminosas do pop.
Um elenco improvável e irresistível
O filme abraça o absurdo com um elenco que funciona como um espelho distorcido da cultura pop contemporânea. Ao lado da presença central e magnética de Charli XCX, o filme reúne Rosanna Arquette (Pulp Fiction, Crash), Kate Berlant (Would It Kill You to Laugh?, Sorry to Bother You), Jamie Demetriou (Stath Lets Flats, Cruella), Hailey Benton Gates (The Rehearsal, High Maintenance), Isaac Powell (Dear Evan Hansen, American Horror Story), Alexander Skarsgård (Succession, The Northman), Rish Shah (Do Revenge, Ms. Marvel) e Trew Mullen (Cora Bora, Moon Manor) surgem como peças fundamentais nessa narrativa frenética, cada um interpretando versões exageradas ou deliciosamente satíricas de si mesmos.
E, para completar a ousadia pop, entram em cena participações tão inesperadas quanto emblemáticas: Kylie Jenner (The Kardashians), Rachel Sennott (Bottoms, Bodies Bodies Bodies), Arielle Dombasle (Pauline à la plage, Alien Crystal Palace), Mel Ottenberg (editor-chefe da Interview Magazine), Ricardo Pérez (Saturday Night Live México), Tish Weinstock (Vogue, trabalhos editoriais) e Michael Workéyè (I May Destroy You, Sherlock).
O nascimento de um projeto metalinguístico e profundamente pessoal
Segundo fontes próximas à produção, The Moment nasceu de uma proposta da própria artista. A cantora procurou a A24 com a ideia de fazer um filme que questionasse o próprio conceito de autenticidade no pop, explorando a tensão entre a artista real e a figura performática que ela representa.
O longa é dirigido por Aidan Zamiri, colaborador frequente da cantora e responsável por alguns de seus visuais mais marcantes. O roteiro é assinado por Zamiri e Bertie Brandes, e parte de uma pergunta central: como se filma a vida de alguém que já transforma sua vida em espetáculo?
Mockumentary como ferramenta de desconstrução do pop
Ao optar pelo formato de mockumentary, The Moment utiliza uma linguagem conhecida do humor documental para questionar e expor os bastidores da cultura pop. Mas, diferentemente de produções tradicionais do gênero, em que tudo parte de uma ficção criada do zero, aqui o centro da narrativa é a própria Charli XCX — uma figura real, reconhecível e permanentemente conectada ao público. Essa escolha altera completamente o impacto do filme: o espectador se vê diante de uma obra que brinca com a própria percepção de realidade, criando um território nebuloso onde é quase impossível separar o que é espontâneo do que é interpretado.
Nesse jogo entre persona e pessoa, o filme se transforma em um comentário afiado sobre o que significa ser uma celebridade em 2025. A hiperexposição, as performances para câmera, a curadoria minuciosa da própria imagem e a pressão constante por relevância se tornam a matéria-prima da narrativa. Em vez de buscar uma representação “verdadeira” de sua vida, Charli subverte a ideia de autenticidade ao performá-la de forma consciente — e, justamente por isso, alcança um tipo de sinceridade que cinebiografias tradicionais raramente tocam.
Embora a sinopse oficial apresente o longa como o registro de uma estrela pop se preparando para sua primeira turnê em arenas, o filme rapidamente deixa claro que essa é apenas a superfície. A turnê funciona como fio condutor, mas não como destino: o que realmente interessa é o processo emocional que se desenrola enquanto essa artista tenta sustentar o peso de suas ambições, de sua imagem pública e das expectativas externas e internas que a cercam.
Londres como personagem: o caos criativo da capital britânica
As filmagens de The Moment começaram em março de 2025, em Londres, e tudo indica que a cidade terá um papel central na narrativa, não apenas como cenário, mas como uma presença ativa que molda o humor, a estética e o ritmo do filme. O trailer já sugere que a capital britânica funciona como uma extensão do próprio estado emocional de Charli XCX: vibrante, contrastante, frenética e sempre à beira de um colapso criativo.
A Netflix divulgou nesta sexta-feira (21) o trailer final de Sonhos de Trem, drama intimista que já chega ao streaming carregado de emoção e forte expectativa. O novo vídeo, lançado junto com a estreia global do filme na plataforma, aprofunda os tons melancólicos e contemplativos da narrativa, oferecendo um último vislumbre da jornada de Robert Grainier, um homem comum tentando sobreviver a perdas profundas em um país que se transforma à sua volta.
A montagem privilegia cenas de olhar, de mãos calejadas, de natureza impondo sua presença. Há algo profundamente humano na forma como o vídeo apresenta Robert Grainier, interpretado por Joel Edgerton, como um homem comum prestes a se ver diante do inimaginável. O trailer não revela excessos nem entrega grandes reviravoltas — revela humanidade.
E talvez seja justamente isso que o torna tão impactante: sua simplicidade emocional.
A história de um homem que tenta se manter inteiro
Baseado na novela de 2011 de Denis Johnson, “Sonhos de Trem” parte de uma premissa aparentemente simples: acompanhamos a vida de Robert Grainier, um lenhador contratado para ajudar na expansão das ferrovias norte-americanas no início do século XX.
É um trabalho exaustivo, realizado entre montanhas, florestas e longos períodos de ausência de casa. Sua esposa, vivida por Felicity Jones, e sua filha o esperam enquanto ele tenta equilibrar sobrevivência, amor e distância.
O trailer final faz questão de destacar essa dimensão íntima da história. Não há grande narrativa épica. Há um mundo que avança — e um homem tentando não ficar para trás.
Silêncio, perda e a sensação de deslocamento
Um dos elementos mais marcantes do novo trailer é sua trilha sonora quase imperceptível. Ela não guia o espectador; acompanha. É como se o vídeo dissesse que o drama mais profundo não está nas palavras, mas no que não se diz.
Há rápidas imagens que já antecipam a jornada emocional de Grainier: um olhar distante, uma casa vazia, uma paisagem que parece grande demais para a dor que ele carrega. O trailer não explica — apenas mostra. Ele nos deixa sentir a solidão que acompanha o personagem, a dureza do trabalho que engole sua rotina e o impacto das mudanças que ele não pode controlar.
Essa escolha estética combina com o estilo do filme, que sempre foi descrito como um drama contemplativo, feito para tocar o espectador em suas próprias memórias de perda, silêncio e recomeço.
Um elenco preciso que reforça a força emocional
No vídeo final, além de Edgerton e Jones, também aparecem breves momentos de Clifton Collins Jr., Kerry Condon e William H. Macy, todos em personagens que passam pela vida de Grainier deixando marcas pequenas, mas significativas.
A montagem do trailer destaca expressões, olhares, gestos contidos. Nada é acidental. Cada aparição sugere que esses personagens funcionam como espelhos, ecos ou alertas na caminhada do protagonista.
Edgerton, especialmente, surge com uma carga emocional poderosa. A forma como ele olha para a câmera — ou para o nada — diz mais do que qualquer diálogo. O trailer já deixa claro: sua atuação é o coração do filme.
Como o filme nasceu e por que o trailer carrega tanto peso
O projeto começou a ganhar forma em 2024, quando a produtora Black Bear confirmou a adaptação da obra de Denis Johnson. Clint Bentley, que já demonstrava sensibilidade para dramas humanos, assumiu a direção e o roteiro ao lado de Greg Kwedar.
Desde o início, a proposta sempre foi preservar o tom emocional do livro e transformá-lo em cinema de maneira respeitosa, silenciosa e profunda. O trailer final reflete exatamente isso: a sensação de que estamos diante de uma obra que não quer provar nada, apenas existir em sua verdade.
O filme estreou no Festival de Sundance em janeiro de 2025, onde foi amplamente celebrado. Logo depois, a Netflix adquiriu os direitos e passou a promover o longa como uma de suas grandes apostas da temporada.
Um lançamento pensado para emocionar e para ganhar prêmios
Antes de chegar ao streaming, “Sonhos de Trem” teve uma breve passagem pelos cinemas dos Estados Unidos em 7 de novembro. Uma estratégica janela de exibição limitada, pensada para credenciá-lo na temporada de premiações.
A aposta deu certo. O longa recebeu elogios consistentes e começou a despontar como candidato ao Oscar 2026, especialmente após suas indicações no Gotham Film Awards.
O trailer final, lançado hoje, reforça o discurso da Netflix: este não é apenas um filme — é uma experiência emocional.
Depois do fenômeno cinematográfico que foi a Parte 1, o segundo capítulo da adaptação dirigida por Jon M. Chu chega aos cinemas sob expectativas quase míticas — e sem a mesma capacidade de sustentá-las. Se o primeiro filme conquistou o público pela força emocional, pelo apuro estético e pela fidelidade arrebatadora ao musical da Broadway, Wicked: Parte 2 tenta expandir o universo de Oz e concluir a jornada de Elphaba e Glinda com espetáculo, cor e densidade dramática. No entanto, o que deveria ser um desfecho épico assume um caráter mais irregular: visualmente exuberante, narrativamente relevante, mas dramaticamente menos necessário do que se imaginava.
Um espetáculo maior e paradoxalmente mais frágil
O novo longa é maior, mais ambicioso e, curiosamente, mais frágil. É inegável que esta Parte 2 é mais segura de si do que seu antecessor. Chu dirige com firmeza o gigantesco aparato visual, construindo cenários grandiosos, figurinos elaborados e efeitos digitais mais polidos, que ajudam a moldar uma Oz ainda mais viva — e mais ameaçada pela tirania, pelo medo e pelos jogos políticos do Mágico.
Porém, apesar desse rigor estético, a narrativa se esvazia em vários momentos, transmitindo a sensação de uma trama secundária, quase protocolar, como se existisse apenas para conectar o fim da Parte 1 ao arco clássico já conhecido de O Mágico de Oz. Com isso, o impacto dramático se dilui, e a transformação de Elphaba na temida “Bruxa Má” frequentemente parece mais uma sequência de episódios do que um clímax emocional genuíno.
A trilha sonora perde vibração e derruba parte da magia
A trilha sonora representa o primeiro grande tropeço. Se na Parte 1 as canções eram memoráveis e emocionalmente carregadas, aqui elas soam menos marcantes e, em muitos momentos, burocráticas. A montagem musical raramente alcança o mesmo vigor; números que deveriam ser catárticos acabam em técnica sem transcendência. É uma perda sentida, sobretudo considerando a potência vocal de Cynthia Erivo e o salto impressionante de Ariana Grande desde o filme anterior.
Grandes momentos icônicos, mas tratados como notas de rodapé
Ainda assim, Wicked: Parte 2 entrega algumas das passagens mais icônicas do universo da franquia. A falsa morte de Elphaba é construída com força visual e tensão legítima. A transformação de Boq no Homem de Lata ganha contornos sombrios e finalmente confere ao personagem uma importância que sempre lhe faltou. A introdução de Dorothy, Espantalho e Totó funciona como ponte eficiente para o mito original — embora a aparição seja mais apressada do que o ideal.
O problema é que todas essas tramas parecem existir mais para cumprir o destino já conhecido de Elphaba do que para impulsionar a narrativa, funcionando como pequenos marcadores obrigatórios, não como motores dramáticos de fato.
O Mágico perde força e a crítica política também
Outro ponto frágil é a figura do Mágico. Embora a obra sempre o tenha retratado como manipulador, aqui o personagem surge diminuído, quase irrelevante. Falta presença, falta ameaça, falta convicção. Para um antagonista que deveria simbolizar o colapso moral de Oz, a construção é tímida e superficial. É uma escolha que enfraquece a crítica ao autoritarismo — um dos pilares ideológicos que sustentam o universo Wicked.
Ariana Grande dá um show e carrega o filme nas costas
Se há, porém, um elemento que realmente eleva este segundo filme, esse elemento é Ariana Grande. Sua Glinda surge mais contraditória, vulnerável e politizada, ganhando profundidade que ultrapassa a versão tradicionalmente dócil do musical. Grande entrega uma performance madura, tecnicamente precisa e emocionalmente consistente, transformando diálogos simples em momentos de impacto.
A queda de relevância de Madame Morrible — reduzida quase a um adereço — abre espaço para que Glinda se torne protagonista de fato no destino político e afetivo de Oz. Se a indicação ao Oscar era apenas uma possibilidade na Parte 1, aqui se torna uma expectativa real.
Foto: Reprodução/ Internet
Cynthia Erivo mantém a intensidade — mas recebe menos do que merece
Cynthia Erivo, por sua vez, mantém a força interpretativa que a consagrou, oferecendo uma Elphaba intensa, ferida e politicamente marcada. No entanto, o roteiro limita seu alcance emocional. Falta densidade interna, falta conflito, falta a queda dramática que deveria sustentar a mitologia da personagem. A produção confia demais no conhecimento prévio do público — recurso sempre perigoso — e entrega menos do que Erivo tem potencial para realizar.
Um final grandioso, mas com gosto de “poderia ser mais”
No desfecho, Wicked: Parte 2 é grandioso e emocional, honra a mitologia criada há décadas e entrega o espetáculo que os fãs esperam. Mas também deixa uma sensação persistente de frustração. É um filme lindamente filmado, tecnicamente impecável, cheio de momentos poderosos, mas que não sustenta por si só a própria importância. Depende demais da Parte 1, e ainda mais do imaginário coletivo moldado por O Mágico de Oz.
A contagem regressiva para o próximo grande capítulo de Jogos Vorazes ganhou um novo ritmo nesta quinta-feira, 20 de novembro. A Lionsgate surpreendeu os fãs ao divulgar o primeiro trailer oficial e o pôster de Amanhecer na Colheita, produção que adapta o romance homônimo de Suzanne Collins e aprofunda a mitologia em torno do Massacre Quaternário — os 50º Jogos Vorazes, responsáveis por moldar o destino de Haymitch Abernathy, mentor de Katniss Everdeen e uma das figuras mais complexas e marcantes de Panem.
O lançamento marca oficialmente a contagem regressiva para a estreia do longa, marcada para 20 de novembro de 2026, e devolve aos fãs a sensação familiar de retornar a uma distopia que, mesmo mais de uma década após o fim da trilogia original nos cinemas, segue ecoando discussões sobre poder, trauma e resistência. Mas, desta vez, não se trata apenas de revisitar a história: é sobre aprofundá-la.
Amanhecer na Colheita oferece algo que os leitores dos livros e espectadores sempre imaginaram, mas nunca puderam ver plenamente — a construção e destruição do jovem Haymitch, o herói improvável que sobreviveu à edição mais brutal dos Jogos e, anos depois, se tornaria o mentor relutante, alcoólatra e emocionalmente devastado que todos conhecem. Abaixo, confira o primeiro trailer oficial:
Um retorno necessário a Panem e a um personagem que sempre teve mais a dizer
Quando Suzanne Collins anunciou em 2024 que estava escrevendo um novo romance ambientado em Panem, a notícia tomou as redes sociais como um vendaval. A revelação de que o livro mergulharia na trajetória de Haymitch Abernathy trouxe imediatamente um novo fôlego à franquia. Afinal, o personagem sempre foi uma ferida aberta — um homem quebrado, sarcástico, inteligente e permanentemente violento consigo mesmo, que carregava nos ombros algo maior do que qualquer outro vencedor.
Nos livros originais, seu passado era citado apenas em momentos pontuais, quase como cicatrizes que se deixavam entrever. Sabíamos que Haymitch vencera o Massacre Quaternário, que sua arena fora particularmente cruel e que seu prêmio por desafiar a Capital havia sido… perder tudo. Mas ver isso ganhar forma, cor, cheiro e peso dramático é outra história — e é exatamente esse mergulho que o filme promete.
Ao anunciar a adaptação cinematográfica ainda em 2024, a Lionsgate não apenas confirmou a ambição do projeto como também trouxe de volta Francis Lawrence, diretor de Em Chamas, A Esperança – Parte 1, A Esperança – Parte 2 e A Cantiga dos Pássaros e das Serpentes. Com ele, retorna também o roteirista Billy Ray, responsável por alguns dos trechos mais politicamente contundentes da franquia. A dupla promete repetir a fórmula que equilibra grandes cenas de ação com uma narrativa humana, dolorosa e crítica.
Um dos elencos mais impressionantes da saga
No centro da história, Joseph Zada enfrenta a difícil tarefa de reinterpretar Haymitch Abernathy de forma inédita, mas coerente com a sombra deixada por Woody Harrelson. Desde as primeiras imagens divulgadas no trailer, fica claro que Zada — visto anteriormente em (inserir produções anteriores aqui, caso queira definir ou criar fictícias) — estudou profundamente o personagem: o olhar inquieto, os momentos de silêncio e a tensão corporal antecipam uma performance carregada de nuances.
Ao lado dele, a presença de Whitney Peak (“Hocus Pocus 2”, “Gossip Girl”) e Mckenna Grace (“A Maldição da Residência Hill”, “Capitã Marvel”, “Ghostbusters: Mais Além”) acrescenta força juvenil e sensibilidade emocional, características essenciais para os tributos que dividirão a arena com Haymitch. Grace, especialmente, já conhecida por sua habilidade de interpretar personagens quebrados e resilientes, promete entregar um contraponto emocional potente.
Figuras como Jesse Plemons (“Ataque dos Cães”, “Breaking Bad”, “Fargo”) e Kelvin Harrison Jr. (“Waves”, “Elvis”, “Chevalier”) reforçam o peso político e dramático da trama, enquanto Maya Hawke (“Stranger Things”, “Do Revenge”), Lili Taylor (“Invocação do Mal”, “Perry Mason”), Ben Wang (“American Born Chinese”) e Elle Fanning (“The Great”, “Malévola”, “Demônio de Neon”) ampliam a diversidade de vozes que orbitam a narrativa.
O elenco ainda inclui os consagrados Ralph Fiennes (“Harry Potter”, “O Paciente Inglês”, “O Grande Hotel Budapeste”) e Kieran Culkin (“Succession”, “Scott Pilgrim Contra o Mundo”), cuja participação — ainda envolta em mistério — tem fomentado teorias entre fãs. A especulação mais comum é que Fiennes possa dar vida a uma figura influente da Capital, talvez até ligada às primeiras gerações da família Snow.
Filmagens internacionais e uma escala maior do que qualquer filme anterior da franquia
Com início em 6 de agosto de 2025, as filmagens foram realizadas majoritariamente na Espanha, país cuja geografia variada tem se tornado palco de grandes produções de Hollywood. Regiões montanhosas, bosques densos e áreas históricas deram vida tanto aos cenários de Distrito 12 quanto à nova arena.
Francis Lawrence já havia indicado em entrevistas anteriores que seu objetivo era criar uma arena “respirante”, em que os elementos naturais desempenham papel narrativo. O uso de cenários reais — em vez de depender inteiramente de CGI — reforça o tom documental e visceral do filme. Essa escolha também aproxima Amanhecer na Colheita dos momentos mais humanos da franquia, garantindo que o espectador sinta o peso real de cada passo dado por Haymitch.
Os sets envolvendo a Capital foram filmados em estúdios na Alemanha e na Hungria, locais escolhidos pela arquitetura brutalista e pela capacidade de recriar uma metrópole opulenta e fria.
Uma história de resistência, vingança e consequências
Se há algo que distingue o Massacre Quaternário de todas as outras edições dos Jogos é sua crueldade calculada. Dobrando o número de tributos e ampliando as regras para tornar a morte ainda mais “espetacular”, a Capital deixou claro que, naquele ano, não existia espaço para heroísmo — apenas para sobrevivência.
É nesse cenário que Haymitch emerge, não como herói tradicional, mas como alguém forçado a entender que viver também significa perder. O filme, assim como o romance de Collins, promete seguir o fio emocional dessa descoberta.
A contagem regressiva começou e Panem nunca pareceu tão atual
Com o lançamento do trailer e do pôster, Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita se consolida como a grande aposta de 2026 para unir nostalgia, renovação e relevância política. Em um mundo contemporâneo que enfrenta debates profundos sobre política, manipulação, desigualdade e espetacularização da violência, revisitar Panem não parece apenas entretenimento — parece leitura do presente.
Chega nesta quinta-feira, 20 de novembro, aos cinemas de diversas capitais e cidades brasileiras, o documentário “A Queda do Céu”, obra dirigida por Eryk Rocha e Gabriela Carneiro da Cunha, baseada no livro de mesmo nome escrito pelo xamã Yanomami Davi Kopenawa e pelo antropólogo Bruce Albert. Depois de uma trajetória internacional arrebatadora, marcada por 25 prêmios e exibição em mais de 80 festivais ao redor do mundo, o filme finalmente estreia no país onde sua mensagem é mais urgente — e onde seu impacto pode ser transformador.
A chegada do longa ao circuito nacional, passando por São Paulo, Rio de Janeiro, Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Poços de Caldas, Recife, Salvador, Sorocaba e Vitória, representa mais do que uma distribuição ampla: é a tentativa de aproximar o Brasil de uma realidade que sempre existiu, mas que muitos ainda desconhecem. “A Queda do Céu” não é apenas cinema — é testemunho, denúncia, espiritualidade e convite.
Um filme guiado pela sabedoria Yanomami
Filmado ao longo de um período intenso de convivência com a comunidade de Watorikɨ, o documentário acompanha Davi Kopenawa durante o ritual Reahu, um dos mais importantes da cultura Yanomami, voltado à cura, à despedida e à continuidade da vida. A câmera observa com delicadeza, respeitando tempos, ritmos e silêncios. Não há pressa em explicar: há espaço para sentir.
É justamente essa escolha estética e ética que dá ao filme seu caráter imersivo. O espectador entra em contato com o pensamento Yanomami não como espectador distante, mas como visitante convidado a ouvir. E ouvir, aqui, significa encarar a gravidade do momento: o garimpo ilegal que avança, as doenças que retornam, os rios contaminados, a floresta ferida.
Kopenawa, como tem feito há décadas, traduz para o mundo o impacto espiritual dessa destruição. Para os Yanomami, quando a floresta adoece, não é apenas o território que sofre. O céu, sustentado pelos seres espirituais e pelo equilíbrio da natureza, ameaça cair. A metáfora é literal, profunda e atravessa todo o longa.
Da COP30 ao grande público
Antes de chegar aos cinemas brasileiros, o filme teve uma exibição especial na COP30, onde foi recebido como uma obra essencial para compreender a crise humanitária que atinge os Yanomami e a dimensão global do problema ambiental. Enquanto líderes mundiais discutem políticas de preservação, “A Queda do Céu” mostra, com sensibilidade e contundência, o que acontece quando a floresta deixa de ser vista como lar e passa a ser tratada como recurso.
Uma trajetória internacional de respeito e impacto
A estreia mundial na Quinzena dos Realizadores de Cannes marcou o início de uma jornada que levou o documentário a países de todos os continentes. A obra conquistou prêmios importantes em festivais como:
DOC NYC (EUA) – Grande Prêmio do Júri
DMZ Docs (Coreia do Sul) – Prêmio Especial do Júri
Festival do Rio (Brasil) – Melhor Som e Melhor Direção de Documentário
GIFF (México) – Melhor Documentário Internacional
DocLisboa (Portugal) – Prêmio Fundação INATEL
Bozcaada EcoFilm Festival (Turquia) – Prêmio Principal Fethi Kayaalp
A recepção crítica também impressiona: o longa mantém 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, um feito raro até mesmo entre produções internacionais.
A crítica internacional reconhece a força da obra
Em sua análise no The New York Times, a jornalista Devika Girish descreveu o filme como “um lembrete doloroso de que os Yanomami resistem a invasões há mais de um século”. Para ela, um dos momentos mais marcantes é quando um ancião encara a câmera e pede aos diretores: “Parem de nos incomodar. Contem isso aos brancos.”
Outros críticos reforçaram essa visão:
Jason Gorber (POV Magazine) destacou o ritmo contemplativo e coerente com a espiritualidade Yanomami.
Ankit Jhunjhunwala (The Playlist) elogiou o mergulho profundo na vida da comunidade.
Carlos Aguilar (Variety) chamou o filme de “uma das obras documentais mais necessárias da memória recente”.
O que significa o filme estrear no Brasil agora
A chegada de “A Queda do Céu” aos cinemas brasileiros é mais do que o encerramento de um ciclo de festivais. Ela simboliza a devolução de uma conversa ao seu território original. É a oportunidade para que brasileiros de diferentes regiões se encontrem com uma narrativa que, apesar de fazer parte da história nacional, raramente ganha espaço no audiovisual. O filme possui classificação indicativa de 12 anos, o que permite que jovens também tenham acesso a essa discussão — essencial em um momento em que a pauta indígena, ambiental e humanitária pede atenção urgente.
A ASUS oficializou a chegada ao mercado brasileiro da linha ROG Xbox Ally, criada em colaboração direta com a Xbox e pensada para redefinir o segmento de consoles portáteis. Em uma indústria cada vez mais voltada à mobilidade e à experiência personalizada, os novos dispositivos chegam com a promessa de entregar potência de PC e praticidade de console em um formato que cabe nas mãos. Com dois modelos distintos — o ROG Xbox Ally e o ROG Xbox Ally X — a fabricante aposta em diferentes perfis de usuários, dos casuais aos entusiastas mais exigentes.
A chegada dessa linha ao Brasil reforça o olhar estratégico da ASUS para o mercado nacional, um dos maiores e mais apaixonados por jogos no mundo. O país tem se destacado no consumo de plataformas híbridas e no interesse crescente por produtos que unificam desempenho, mobilidade e liberdade de escolha. Nesse cenário, a parceria ASUS + Xbox ganha força como um movimento ousado e alinhado às tendências globais do setor.
A proposta: levar a experiência do Xbox para qualquer lugar
A principal missão da linha ROG Xbox Ally é reproduzir, em formato portátil, a sensação de estar diante de um console de mesa. Desde o design até o sistema operacional, tudo foi pensado para que o usuário possa alternar entre partidas rápidas e longas maratonas com total conforto e fluidez.
O visual segue a identidade Republic of Gamers, com estética futurista e pegada robusta, mas sem abrir mão da ergonomia. Os controles laterais são inspirados diretamente no design dos joysticks Xbox, garantindo familiaridade ao toque e tornando a experiência mais intuitiva para quem já está acostumado ao ecossistema da Microsoft. Essa escolha reforça a proposta de imersão e promete mais conforto em sessões prolongadas.
A leve inclinação do corpo, a textura antiderrapante e o acabamento resistente tornam o dispositivo ideal para o dia a dia. É um equipamento pensado para caber em mochilas, acompanhar viagens e se adaptar aos mais variados estilos de uso — do sofá ao transporte público, do escritório ao quarto.
Dois modelos, dois públicos: ROG Xbox Ally e Ally X
A estratégia da ASUS ao lançar dois modelos simultâneos mira atender nichos distintos, mas igualmente importantes. De um lado, jogadores que priorizam mobilidade e custo-benefício. De outro, usuários que buscam o máximo de performance possível em um portátil.
ROG Xbox Ally — leveza e alto desempenho
O modelo de entrada, com 670 gramas, oferece um equilíbrio interessante entre potência e portabilidade. Equipado com o processador AMD Ryzen Z2 A, 16 GB de RAM e 512 GB de armazenamento SSD, o aparelho se destaca pelo desempenho consistente mesmo em jogos mais exigentes.
A fluidez da experiência é reforçada pela tela IPS de 7 polegadas Full HD com taxa de atualização de 120 Hz, que oferece imagens nítidas, cores vibrantes e resposta imediata. O resultado é um portátil que entrega muito mais do que o básico, funcionando como uma excelente porta de entrada no universo dos consoles híbridos.
ROG Xbox Ally X — potência e recursos premium
Já o ROG Xbox Ally X foi projetado para quem busca performance máxima. Com peso de 715 gramas, o modelo vem equipado com o novo AMD Ryzen AI Z2 Extreme, acompanhado de 24 GB de RAM e SSD de 1 TB, permitindo rodar jogos pesados sem engasgos e garantindo amplo espaço para bibliotecas extensas.
O grande diferencial aqui está nos gatilhos com resposta tátil variável, tecnologia herdada dos controles mais avançados da Xbox. Eles ampliam a imersão ao variar a resistência durante o jogo, criando feedbacks mais intensos em momentos de ação, acelerações, tiros ou impactos.
O modelo X também foi preparado para receber, a partir de 2026, recursos avançados baseados em inteligência artificial, como o Auto Super Resolution, que realiza upscaling automático das imagens, e a captura inteligente de momentos importantes do gameplay. Esses recursos projetam o console para o futuro, garantindo longevidade ao hardware.
Tela fluida e visual de última geração
Ambos os modelos compartilham a mesma tela de 7 polegadas, que se destaca pelo equilíbrio entre tamanho, mobilidade e qualidade visual. O painel IPS Full HD aliado aos 120 Hz de taxa de atualização cria uma experiência fluida, ideal para jogos competitivos e títulos cinematográficos.
Seja em RPGs com gráficos detalhados, jogos de corrida de alta velocidade ou shooters que exigem reflexos rápidos, a tela do ROG Xbox Ally entrega desempenho visual à altura. Além disso, o brilho e o contraste favorecem o uso em ambientes claros ou escuros, ampliando a versatilidade do dispositivo.
Windows 11 otimizado e integração total com o ecossistema Xbox
Um dos pontos mais importantes da linha é o uso do Windows 11, mas em versão adaptada para portáteis. A navegação por botões e o layout otimizado tornam o sistema mais intuitivo, sem perder a flexibilidade tradicional dos PCs.
A ASUS e a Microsoft trabalharam juntas em um programa de compatibilidade que analisa milhares de jogos e indica, dentro do sistema, quais deles têm desempenho ideal no modo portátil. Isso garante que o usuário sempre saiba como otimizar sua experiência.
Conectividade moderna e expansibilidade generosa
Em termos de conectividade, a linha ROG Xbox Ally não decepciona. Os modelos trazem suporte ao Wi-Fi 6E, que permite conexões extremamente rápidas e estáveis, especialmente úteis para jogos em nuvem e multiplayer online.
O pacote inclui ainda Bluetooth 5.4, leitor de cartão microSD, múltiplas portas USB-C e entrada de áudio combinada. A expansão de armazenamento via SSD M.2 2280 de até 4 TB é um destaque à parte, algo raro em dispositivos portáteis e essencial para quem mantém extensa biblioteca de jogos AAA.
Nesta quinta-feira, 20 de novembro, a Sessão da Tarde apresenta um dos filmes brasileiros mais vibrantes dos últimos anos: “Ó Paí, Ó 2”, sequência direta do clássico de 2007 que marcou a cultura popular ao retratar, com humor e afeto, a vida no Pelourinho. Dirigido por Viviane Ferreira, o longa retoma personagens inesquecíveis, revisita suas dores e conquistas e encontra, nessa nova fase, um equilíbrio afetivo entre memória, luta e celebração.
Depois de mais de uma década desde os acontecimentos do primeiro filme, o público reencontra a comunidade do cortiço com seus conflitos, alegrias, disputas e reinvenções. O resultado é uma narrativa que mistura música, emoção e crítica social, mantendo a essência baiana e o espírito de resistência que sempre definiram a obra original.
Roque às vésperas de realizar um sonho
Um dos pontos centrais da trama é a trajetória de Roque, vivido novamente por Lázaro Ramos, que retorna ao personagem com uma presença profundamente amadurecida. Agora, Roque está prestes a lançar sua primeira música — um passo que pode finalmente colocá-lo no caminho da carreira artística que sempre desejou. O filme acompanha essa ansiedade boa, marcada por expectativas, receios e uma esperança que pulsa junto com a musicalidade do Pelourinho. As informações são do AdoroCinema.
O personagem se torna uma metáfora natural para tantas pessoas que batalham diariamente por espaço, reconhecimento e dignidade, especialmente no universo da cultura negra brasileira. Roque é energia, humor, força e vulnerabilidade. É alguém que acredita no próprio talento mesmo quando o mundo tenta convencê-lo do contrário.
Dona Joana e o peso do luto
Outra personagem que ganha profundidade emocional é Dona Joana, interpretada por Luciana Souza. Ela vive o luto pela perda dos filhos — uma dor constante, que não dá trégua e que se mistura às responsabilidades de seguir cuidando da casa e dos moradores do cortiço. A personagem, sempre tão marcante pela força e pela firmeza, agora revela outras camadas, mais íntimas e silenciosas.
Sua jornada mostra como o luto se infiltra nos pequenos gestos do cotidiano, mas também como a comunidade que a cerca tenta, à sua maneira, acolhê-la. Há momentos de desabafo, de fragilidade, de riso inesperado e de afeto sincero, mostrando que a vida no Pelourinho é feita justamente dessa mistura de cores fortes e sombras profundas.
Neuzão e a luta por território
Enquanto isso, Neuzão — vivida por Tânia Toko — enfrenta uma batalha que muitos brasileiros conhecem bem: a perda de seu espaço. Seu bar, antes ponto de referência da região, foi tomado por uma turma mal-intencionada, representando o avanço da especulação, da violência e da desigualdade que ameaça a vida comunitária.
A presença dessa nova turma funciona como fio condutor de tensão e disputa, mostrando que a resistência não está apenas na militância explícita, mas também na preservação de espaços culturais, afetivos e históricos. É na tentativa de reconquistar o que lhe pertence que Neuzão se torna símbolo de luta e pertencimento — não por heroísmo, mas por sobrevivência.
A nova geração chega com força, poesia e consciência
Um dos elementos mais bonitos de “Ó Paí, Ó 2” é a presença da segunda geração. Agora jovens e cheios de energia, eles aparecem engajados na luta pela causa negra, unindo música, poesia e humor de forma inteligente, afetiva e politizada. Suas cenas trazem frescor e vitalidade à narrativa — lembrando que a resistência se reinventa, se transforma e se perpetua.
Essa juventude também reflete o espírito de renovação do próprio Pelourinho, que carrega cicatrizes históricas, mas continua produzindo arte, questionamento e celebração. É uma presença forte que costura passado, presente e futuro.
Um filme que enfrenta boicotes, rompe barreiras e conquista público
O filme não chegou aos cinemas sem obstáculos. O longa enfrentou tentativas de boicote motivadas por posicionamentos políticos do elenco, especialmente de Lázaro Ramos, que se tornou alvo de ataques por semanas. Paradoxalmente, essa onda de críticas acabou amplificando o debate em torno do filme e colocou o nome do ator entre os assuntos mais comentados do X (antigo Twitter).
Mesmo diante desses ataques, o filme mostrou resiliência — uma palavra que descreve tanto sua narrativa quanto seu contexto. Na segunda semana de exibição, a produção ocupou o 5º lugar no ranking nacional, arrecadando quase R$ 1 milhão entre os dias 23 e 26 de novembro, segundo a Comscore. Esse desempenho o colocou ao lado de gigantes internacionais como Napoleão, Jogos Vorazes, As Marvels e Five Nights at Freddy’s, mostrando que a força do cinema nacional segue firme, especialmente quando representa histórias reais e afetivas do povo brasileiro.
Até o momento, o filme já foi assistido por 140 mil espectadores, acumulando mais de R$ 2,5 milhões em bilheteria. Para um filme que dá continuidade a uma história tão profundamente enraizada na cultura baiana e que resiste a pressões externas, esses números revelam algo maior do que sucesso comercial: revelam conexão.
Da comédia ao afeto: o retrato vivo do Pelourinho
A diretora Viviane Ferreira conduz a história com cuidado e afeto, sem perder a essência da comédia, mas aprofundando ainda mais as emoções de cada personagem. Ela captura o calor das ruas do Pelourinho, suas cores, sons, tradições e contradições. A música, presente de forma natural na narrativa, atua como ponte afetiva entre os moradores e como símbolo de resistência — afinal, a música sempre foi uma forma de sobrevivência para essa comunidade.
O filme também amplia a discussão sobre racismo, desigualdade social e representatividade, mas sem transformar a história em um discurso rígido. Tudo aparece de forma orgânica, pulsante, viva, como parte do cotidiano. É esse equilíbrio que torna “Ó Paí, Ó 2” não apenas uma comédia, mas um retrato sensível e potente da vida real.
O universo de Star Trek sempre foi, antes de tudo, um convite. Um chamado para olhar o futuro com coragem, curiosidade e serenidade — três elementos que sustentaram a franquia por quase seis décadas. Agora, esse chamado retorna com uma força renovada com o lançamento do novo trailer de Star Trek: Academia da Frota Estelar, série que chega ao Paramount+ no próximo 15 de janeiro e promete uma experiência que mistura emoção, juventude e um profundo respeito pelo legado da saga.
Diferente das últimas produções da franquia, que exploraram guerras intergalácticas, dilemas temporais e discussões filosóficas complexas, a nova série escolhe outro território: o da formação. Ela apresenta o universo não pelos olhos de comandantes experientes, mas pelos de cadetes que ainda tropeçam, ainda sonham, ainda buscam entender quem são e qual papel podem desempenhar em uma galáxia tão vasta e imprevisível. Essa decisão narrativa, tão simples quanto poderosa, dá à série um frescor raro e ao mesmo tempo uma forte conexão com a essência de Star Trek — a de acreditar no potencial humano.
Uma nova geração no centro da narrativa
O trailer recém-lançado deixa muito claro que o coração da série será o grupo de jovens cadetes que ingressam na Academia da Frota Estelar movidos por um ideal comum: a esperança de participar de algo maior do que eles mesmos. Esses personagens — interpretados por Sandro Rosta, Holly Hunter, Karim Diane, Kerrice Brooks, George Hawkins, Bella Shepard e Zoë Steiner — representam a diversidade de experiências, origens, temperamentos e expectativas que compõem o universo da Federação.
Desde a primeira cena, percebe-se que cada um deles chega com uma história que deixou marcas. Há os confiantes demais, os inseguros demais, os que carregam um senso de responsabilidade que os sufoca e aqueles que mal entendem o peso da farda que vestem. Mas todos, de alguma forma, são guiados pela mesma força: a ideia de que suas ações podem transformar mundos, culturas e o próprio destino da humanidade.
A presença de Robert Picardo e Tig Notaro, rostos já queridos pelos fãs da franquia, reforça a ponte entre o passado e o presente. Eles aparecem como figuras de referência, instrutores experientes que conhecem a dureza da vida na Frota Estelar e compreendem o quanto cada decisão pode moldar o futuro de um cadete — para o bem ou para o mal.
O impacto emocional de uma formação rigorosa
A Academia da Frota Estelar nunca foi um ambiente simples. É ali que mentes brilhantes são lapidadas. É ali que futuros comandantes, engenheiros, diplomatas e exploradores descobrem seus limites — e aprendem a ultrapassá-los. E é justamente nessa atmosfera de pressão e descoberta que a nova série se aprofunda.
O trailer revela cenas de treinamentos intensos, simulações perigosas e aulas que exigem foco absoluto. Mas, ao mesmo tempo, mostra momentos de carinho, de empatia e de vulnerabilidade. Nos corredores da Academia, os cadetes não enfrentam apenas provas técnicas, mas também batalhas internas: a sensação de não pertencimento, o medo de fracassar, a culpa de um erro que poderia ter custado vidas.
Esses elementos aproximam Academia da Frota Estelar de um drama de amadurecimento mais sensível e emocional. Não se trata apenas de ver jovens aprendendo a operar naves estelares, mas de observá-los lidando com a vida, com as próprias escolhas e com a responsabilidade de representar valores que, dentro da Federação, são quase sagrados.
Entre amizades, rivalidades e primeiros amores
Para além dos conflitos acadêmicos, a série se compromete a explorar a dimensão mais íntima e humana da experiência de cada cadete. E o trailer evidencia isso de forma clara: amizades surgem nos momentos mais improváveis; rivalidades nascem por orgulho, insegurança ou competição; e os primeiros amores despontam com aquela mistura de intensidade e fragilidade tão característicos da juventude.
A maneira como os cadetes se relacionam parece ser uma das forças centrais da narrativa. As conversas sussurradas no refeitório, as confissões trocadas entre as luzes de alerta da nave de treinamento, os confrontos impulsivos seguidos de arrependimento silencioso — tudo isso aparece no trailer como parte essencial da formação desses personagens.
Essas conexões humanas são fundamentais para que o público se identifique com a trama. Não importa quão futurista seja a estética da série ou quão grandiosas sejam as ameaças enfrentadas: no fundo, os espectadores também já foram jovens tentando encontrar seu lugar no mundo.
Uma nova ameaça paira sobre a Federação
Apesar de focar no amadurecimento dos cadetes, Academia da Frota Estelar não se afasta do elemento de aventura e perigo que sempre caracterizou Star Trek. O trailer revela que um novo inimigo misterioso surge no horizonte, ameaçando não apenas a Academia, mas a própria Federação.
Pouco se sabe sobre ele até agora. Não há pistas óbvias sobre sua origem, intenções ou método de ataque. E talvez seja justamente essa ausência de informações que torne a ameaça mais intrigante. A escolha narrativa cria uma tensão que deve acompanhar toda a primeira temporada, servindo como pano de fundo para as mudanças internas que cada cadete enfrentará.
A presença de um inimigo externo obriga esses jovens a amadurecer rapidamente. Não há tempo para hesitações, e a fronteira entre um erro acadêmico e uma catástrofe real é muito mais tênue do que eles imaginam. Assim, a nova série não apenas constrói um arco emocional, mas também mantém a tradição de Star Trek de explorar conflitos complexos que colocam à prova a estabilidade da galáxia.]
Star Trek e sua vocação para o otimismo
Um dos pilares mais antigos de Star Trek é o otimismo. Desde 1966, quando Gene Roddenberry criou a Série Clássica, a franquia imaginou um futuro em que diferentes culturas, espécies e ideologias conseguem coexistir com respeito e colaboração. A Federação é uma metáfora sobre o melhor que a humanidade pode ser — e nunca um retrato de um mundo perfeito, mas de um mundo sempre em construção.
Academia da Frota Estelar honra essa tradição. A série mostra que esperança não é um sentimento vazio, mas uma decisão diária. Uma escolha que exige esforço, disciplina e, acima de tudo, coragem. Ao acompanhar cadetes em formação, a produção reafirma algo essencial: ninguém nasce pronto. Heróis são moldados, não criados.
E isso é o que torna esta nova série tão importante dentro do catálogo do Paramount+: ela oferece uma narrativa capaz de inspirar, especialmente num momento em que o público busca histórias que falem sobre superação, propósito e comunidade.
A influência do legado recente: Discovery e Strange New Worlds
Para compreender o momento atual da franquia, é impossível ignorar o impacto das séries mais recentes, em especial Star Trek: Discovery e Star Trek: Strange New Worlds.
Discovery, que estreou em 2017, abriu caminho para a nova fase do universo expandido idealizado por Alex Kurtzman, trazendo uma abordagem mais séria, emocional e cinematográfica para Star Trek. Foi também a série que introduziu novos atores em papéis clássicos — como Ethan Peck como Spock — reacendendo o interesse do público em personagens da Série Clássica.
O sucesso dessa iniciativa abriu as portas para Strange New Worlds, criada por Akiva Goldsman, Alex Kurtzman e Jenny Lumet. A série estreou em 2022 com Anson Mount, Rebecca Romijn e Ethan Peck reprisando seus papéis como Pike, Número Um e Spock, mergulhando novamente na proposta de episódios independentes, com forte apelo visual e narrativo.
Essa combinação de nostalgia e originalidade fez de Strange New Worlds uma das produções mais celebradas do universo Star Trek moderno. Suas temporadas lançadas em 2022, 2023 e 2025 consolidaram uma identidade própria e revitalizaram o formato episódico clássico. Uma quarta temporada já está confirmada para 2026, e uma quinta — anunciada como a última — está em produção.
O clima de renascimento e expansão que essas séries criaram abre espaço para que Academia da Frota Estelar possa se desenvolver com segurança, sabendo que o público está aberto a novas abordagens, novos personagens e novas formas de explorar o legado da franquia.
Depois de muita expectativa, Traição Entre Amigas finalmente ganhou sua nova data oficial de lançamento: o filme chega aos cinemas no dia 11 de dezembro, marcando o retorno de Bruno Barreto (Flores Raras, Dona Flor e Seus Dois Maridos) à direção de uma história sobre afeto, imperfeições e o limite entre lealdade e perda. O longa estava programado para estrear mais cedo, mas o novo calendário coloca a produção como um dos últimos lançamentos nacionais do ano — e promete encerrar 2025 com uma narrativa intensa e profundamente humana.
A mudança de data vem acompanhada de um burburinho crescente porque o filme funciona como um divisor de águas para suas duas protagonistas: Larissa Manoela (Além da Ilusão, Modo Avião, Carrossel) e Giovanna Rispoli (Cinderela Pop, Totalmente Demais, Das Tripas Coração) vivem aqui os papéis mais desafiadores e emocionalmente complexos de suas carreiras. Elas interpretam Penélope e Luiza, melhores amigas que passam anos construindo uma relação quase familiar — até que uma traição inesperada abala tudo o que parecia inabalável.
O filme é baseado no primeiro livro de Thalita Rebouças (Fala Sério, Mãe!, É Fada!, Tudo por um Pop Star), escrito antes de ela se tornar um fenômeno teen. É um texto que carrega nuances adultas, dores reais e situações que fogem do conforto. A própria autora divide o roteiro com Marcelo Saback (De Pernas pro Ar, Minha Mãe É Uma Peça 3, É Fada!), trazendo sua visão íntima da história para a tela enquanto Saback ajuda a equilibrar humor, intensidade emocional e conflito.
Essa adaptação chega aos cinemas pelas mãos da LC Barreto, produtora responsável por alguns dos filmes mais marcantes do nosso cinema, em parceria com a Imagem Filmes, que assina a distribuição. O conjunto reforça que Traição Entre Amigas é uma produção grande, cuidadosa e pensada para dialogar tanto com o público jovem quanto com espectadores que buscam narrativas sobre amadurecimento.
A trama começa com o encontro de Luiza e Penélope em um curso de teatro. A partir dali, as duas se tornam inseparáveis, construindo uma amizade que mistura sonhos, inseguranças e planos compartilhados. Luiza segue para a Psicologia, sempre metódica e observadora; Penélope escolhe o Jornalismo, mas vive com o coração preso ao desejo de atuar. Mesmo com personalidades opostas, elas se completam na medida certa — até que um deslize muda tudo.
Numa festa, Penélope acaba se envolvendo com o namorado de Luiza. É uma linha que se cruza rápido, daqueles erros que parecem pequenos no instante, mas carregam um peso enorme quando a verdade aparece. O filme acompanha o impacto emocional desse rompimento, explorando sentimentos como culpa, mágoa, vergonha e raiva com honestidade rara. Ao invés de transformar a história em uma vilanização simples, o roteiro mergulha na complexidade de ambas as personagens e mostra como cada uma tenta lidar com o que sobrou.
O afastamento é inevitável. Luiza decide fugir do colapso pessoal e se muda para Nova York, em busca de um recomeço e de um mundo onde não precise revisitar a dor todos os dias. Penélope fica, tentando reconstruir sua identidade e enfrentando as consequências de suas atitudes enquanto se arrisca em relacionamentos pela internet — que trazem liberdade, mas também perigos e desilusões.
Além das protagonistas, o elenco conta com André Luiz Frambach (Todas as Garotas em Mim, Malhação: Viva a Diferença, Rensga Hits!), Emanuelle Araújo (Ó Paí, Ó, Malhação: Viva a Diferença, Samantha!), e Dan Ferreira (Segundo Sol, Encantado’s, Todas as Flores), nomes que ajudam a expandir o universo emocional das personagens e dar corpo às relações ao redor delas.
A escolha de Barreto para comandar esse projeto é um dos pontos altos da produção. Com décadas de carreira e experiência tanto no drama quanto na comédia, ele costura a narrativa com delicadeza e precisão, mantendo o equilíbrio entre momentos leves e passagens mais duras. É um tipo de direção que reconhece que amizade também é um território emocional tão profundo quanto amor romântico — e às vezes, muito mais difícil de curar.