Crítica – O Urso do Pó Branco é diferente e inusitado

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Este longa-metragem definitivamente é daqueles que dividem opiniões. Baseado em fatos reais (sim, em fatos reais), o filme intitulado originalmente Cocaine Bear e lançado no Brasil com o nome de O Urso do Pó Branco, tem obtido um misto de avaliações na internet.

O filme foi inspirado em um traficante chamado de Pablo Eskobear (alusão ao também traficante Pablo Escobar), que possuía uma quantidade considerável de nada mais, nada menos do que 79 quilos de cocaína e acabou morrendo devido a uma overdose. Em 1985, Andrew C. Thornton II (também traficante de narcóticos) deixou uma carga de 40 blocos de cocaína cair em Knoxville, Tennessee, enquanto traficava a droga da Colômbia para os Estados Unidos. Segundos depois de seu avião cair, Thornton faleceu devido à alta carga, já que seu paraquedas acabou não abrindo. Muito perto dali, um urso preto foi encontrado morto em 23 de dezembro de 1985, após ter ingerido 34 quilos de cocaína.

Com a estrela de “O Som do Coração”, Keri Russel, e uma das estrelas de “Modern Family”, Jesse Tyler Ferguson, o filme uma comédia com uma pitada de terror e tem, definitivamente, algo inesperado no desenvolver na história. Piadas totalmente repentinas conseguem fazer o telespectador gargalhar nas horas mais tensas do filme e, ao mesmo tempo, sustos que nos fazem saltar das cadeiras em momentos que você menos espera.

Elizabeth Banks (diretora do filme) conseguiu mesclar muito bem tudo isso. Banks conseguiu mais uma vez ser brilhante nesse gênero. Você definitivamente começa torcendo para que o urso morra, mas no final, acabamos torcendo para o próprio urso! Sim, o final pega a gente de surpresa. Mas esta resenha permanecerá sem spoilers.

O filme, com certeza, consegue ser um hit, mesmo sendo um besteirol. Por ser algo diferente e inusitado, recomendo assistir com a mente aberta e, de conselho, assista com “aquela” galera! Este filme consegue ainda ser mais divertido quando você divide com seus amigos. Cocaine Bears conseguiu ser mais do que eu esperava! Pode não ser um dos melhores filmes de 2023, mas com certeza vale a pena conferir.

Crítica – A Paixão Segundo G.H. apresenta nova perspectiva visual e emocional

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A Paixão Segundo G.H.“, a adaptação cinematográfica do renomado romance de Clarice Lispector, não apenas nos leva em uma jornada visual, mas mergulha profundamente nas complexidades e nuances da obra literária. O filme se dedica a explorar toda a gama de emoções, questionamentos existenciais e as intricadas reflexões da protagonista G.H., cuja vida é virada de cabeça para baixo após o fim de um relacionamento amoroso e a partida de sua empregada.

Ao se confrontar com uma barata em seu apartamento, G.H. se vê confrontada não apenas com o inseto, mas com seus próprios medos e anseios em relação à vida e à sociedade. Através de monólogos cuidadosamente elaborados, o filme captura a essência da escrita de Lispector, mergulhando o público em um mundo de metáforas e analogias que provocam reflexões profundas sobre identidade, existência e a natureza humana.

Cada cena é uma imersão nos pensamentos intrincados de G.H., destacando a habilidade única de Lispector em capturar a complexidade da experiência humana. O longa-metragem não apenas homenageia a obra original, mas também a amplia, oferecendo uma nova perspectiva visual e emocional para os espectadores, que são convidados a se perder nas entrelinhas da história e a questionar sua própria compreensão do mundo ao seu redor.

Crítica – Os Três Mosqueteiros: D’Artagnan é mais obscura e trágica do que seus antecessores

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O filme é uma superprodução francesa que presta uma emocionante homenagem ao grande cinema de aventuras. Sob a direção de Martin Bourboulon e com um roteiro assinado por Matthieu Delaporte e Alexandre de La Patellière, a obra apresenta um elenco estelar, com Vincent Cassel e Eva Green em papéis de destaque. Com estreia marcada para 20 de abril de 2023, o filme é apenas a primeira parte de um projeto ambicioso, que terá sua continuidade no final do ano. O longa-metragem foi cuidadosamente planejado para recriar a França do século XVII, a época em que a história, baseada na obra de Alexandre Dumas, se desenrola.

A trama segue D’Artagnan (François Civil), um jovem gascão audacioso que chega a Paris com o sonho de se tornar mosqueteiro. Após um duelo no qual é dado como morto, ele se vê envolvido em uma intrincada conspiração contra o rei Luís XIII (Louis Garrel), liderada pelo temido cardeal Richelieu (Eric Ruf) e pela enigmática Milady de Winter (Eva Green).

Embora o filme tome algumas liberdades criativas em relação ao texto original, como suavizar a tensão sexual presente no livro de Dumas, ele mantém os principais elementos da narrativa. O encontro de D’Artagnan com Athos (Vincent Cassel), Porthos (Pio Marmai) e Aramis (Romain Duris), o trágico passado de Athos, a transformação de D’Artagnan de um jovem inexperiente em um herói maduro, e as cenas de combate brutais e realistas são representados com fidelidade ao material original.

Com uma produção milionária, o filme recria com maestria o ambiente da época, apresentando confrontos corpo a corpo dinâmicos e visualmente impressionantes. O elenco, liderado por Vincent Cassel como Athos, traz profundidade e vida aos personagens. Eva Green, como Milady de Winter, oferece uma interpretação intrigante e misteriosa, que embora pudesse ser mais explorada, ainda assim brilha em sua performance.

A estética do filme é marcada por transições e escolhas de fotografia que evocam a sensação de que a história saiu diretamente de um livro. A abordagem do diretor Martin Bourboulon traz uma visão moderna e pessoal à história, como se ele tivesse respirado as aventuras dos Mosqueteiros desde a infância.

No entanto, a produção peca em alguns momentos ao tentar equilibrar a intensidade das cenas de ação com os momentos mais dramáticos e até cômicos. A tentativa de criar uma atmosfera mais pesada pode, às vezes, parecer deslocada, especialmente na transição entre diferentes tons emocionais. Apesar disso, os elementos visuais e a direção são tão satisfatórios que esses pequenos desvios não diminuem o impacto geral do filme.

A obra é uma adaptação mais sombria e trágica do que suas antecessoras, sem perder o espírito aventureiro e lúdico que caracteriza a obra de Dumas. É uma das adaptações mais respeitosas do clássico da literatura mundial, trazendo à tona um clássico imortal em um cenário moderno de aço, aventuras e desafios.

Crítica – Abracadabra 2 é uma verdadeira emoção de nostalgia 

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O longa-metragem Abracadabra 2 é uma celebração emocionante para os fãs da versão original de 1993. Sob a direção de Anne Fletcher, o filme extrai uma abundância de nostalgia, mesclando habilmente o antigo e o novo em uma produção que encanta espectadores de todas as idades. Embora a primeira versão não seja isenta de críticas, a sequência se destaca por sua abordagem suave e acessível, tornando-a apropriada para toda a família.

As protagonistas Bette Midler, Sarah Jessica Parker e Kathy Najimy retornam como as icônicas irmãs Sanderson, e suas performances são um destaque absoluto. É impressionante como elas se entregam completamente aos seus papéis, fazendo com que pareça que o tempo não passou entre as aventuras. Uma cena particularmente memorável é a versão no estilo jukebox de uma canção famosa de Elton John, que se torna um ponto alto do filme e serve como uma poderosa ferramenta de promoção para atrair os entusiastas de produções musicais.

Mais leve e menos assustador do que seu antecessor, a sequência respeita a essência da versão original enquanto traz elementos novos e emocionantes para a trama. A sequência não apenas proporciona uma dose saudável de nostalgia, mas também expande a história das Irmãs Sanderson, prometendo enriquecer ainda mais o catálogo da Disney+ e oferecer uma experiência encantadora para novos e antigos fãs.

Crítica – O Telefone Preto é um terror psicológico que explora traumas e inocência perdida

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O Telefone Preto, dirigido por Scott Derrickson e estrelado por Mason Thames, Madeleine McGraw e Ethan Hawke, apresenta uma narrativa sombria ambientada em Denver, uma pequena cidade nos Estados Unidos. O filme segue uma série de sequestros de crianças cometidos por um serial killer mascarado, que usa uma van para capturar suas vítimas. Ele as aprisiona em um porão, onde cria um jogo psicológico mortal, no qual as crianças devem tentar escapar antes de serem assassinadas. Esse jogo macabro é chamado de “Menino Travesso”.

A trama se intensifica com a personagem Gwen, irmã de Finney Shaw, um garoto de 13 anos que é o mais recente sequestrado. Gwen começa a ter sonhos perturbadores com as crianças assassinadas, o que a leva a uma busca desesperada para entender essas visões e descobrir uma maneira de ajudar seu irmão a escapar. A polícia, intrigada com os sonhos de Gwen, tenta usá-los como pista para avançar na investigação.

O filme também aborda os traumas do pai de Finney e Gwen, que ainda é atormentado pela morte repentina da esposa, que também tinha sonhos sobrenaturais. Ele culpa esses sonhos pela morte dela e tenta impedir a filha de se aprofundar em suas visões, gerando conflitos sobre como esses sonhos poderiam ajudar na busca pelo irmão.

Embora o longa não seja uma produção de terror tradicional, ele explora temas que fazem o público refletir sobre os traumas da infância, que podem roubar a inocência de crianças sequestradas ou que enfrentaram tentativas de sequestro.

O filme mantém o espectador preso e hipnotizado do início ao fim, fazendo com que todos torçam por Finney em sua luta para escapar do sequestrador, que parece ser intocável, passando despercebido pelas autoridades e não levantando suspeitas. Um elemento intrigante é o uso da máscara pelo sequestrador e o simbolismo das bolas pretas nos sonhos de Gwen. Nas cenas finais, é revelado que o vilão teme mostrar seu rosto, o que adiciona uma camada de mistério e terror ao personagem.

O elemento sobrenatural do filme é destacado pelo toque de um antigo telefone preto, aparentemente fora de serviço, mas que toca para Finney de forma inexplicável. As ligações são feitas pelas crianças mortas, que tentam ajudar Finney a escapar. Essa comunicação sobrenatural levanta questões sobre como sequestradores podem operar nas cidades sem levantar suspeitas e como o trabalho da polícia pode ser ineficaz ao se concentrar apenas no óbvio.

Vale a pena assistir o filme?

O longa-metragem apresenta uma história simples de terror sobrenatural, focada no embate entre o bem e o mal, mas se destaca pela criação de tensão e pelo desenvolvimento da relação afetuosa entre os irmãos protagonistas. Essa dinâmica gera empatia e faz refletir sobre experiências traumáticas na infância. Com um final surpreendente, o filme provoca reflexões sobre a segurança nas cidades e a eficácia das autoridades em lidar com crimes tão sinistros.

Crítica – Belo Desastre é divertido com sua parcela de falhas

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Investigando a história de Belo Desastre, somos apresentados a um enredo envolvente que gira em torno do relacionamento entre uma caloura chamada Abby Abernathy e um boxeador chamado Travis Maddox. O encontro deles desencadeia uma aposta simples que dá o tom para o resto da história. Travis desafia Abby para uma aposta: se ele perder a próxima luta, deve permanecer celibatário por um mês, mas se vencer, ela deve morar com ele por um mês.

À medida que a história se desenrola, vemos os personagens lidando com seus traumas do passado e lutando para seguir em frente com sua paixão. A adaptação cinematográfica do romance best-seller de Jamie McGuire é uma mistura que pode ser apreciada por sua abordagem única do enredo original. No entanto, para os fãs do livro, é essencial assistir ao filme, desvinculando-se completamente da trama do livro.

O filme, com suas cenas inesperadas e aleatórias, parece aqueles sonhos que não prometem nada e entregam tudo. Confuso às vezes, mas ainda consegue acertar o alvo com a comédia. O filme visava o drama e, embora tivesse alguns aspectos, teve mais sucesso com seus momentos cômicos que provocaram risos genuínos do público.

Embora o filme tenha algumas diferenças em relação ao livro, ele ainda consegue transmitir a tensão de duas pessoas lutando para aceitar seu passado e seguir em frente. Como leitora de toda a série de livros, fiquei um pouco decepcionada com alguns elementos do filme, mas ao mesmo tempo, acredito que assistiria novamente. Valeu a pena!

Em conclusão, a trama é um filme divertido com sua parcela de falhas, mas ainda consegue oferecer uma visão única do enredo original. Seja você fã do livro ou não, vale a pena dar uma chance a esse filme. E se você tiver alguma opinião, não se esqueça de deixar um comentário nas plataformas do Almanaque Geek! Obrigado por ler, e espero que tenha gostado.

Crítica – O Mal que Nos Habita apresenta cenas perturbadoras e carnificina sem limites

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Ao adentrarmos o universo dos filmes de terror focados em possessões demoníacas, somos imediatamente confrontados com elementos que estão firmemente gravados em nosso imaginário coletivo. Esses clássicos do gênero, muitas vezes marcados por uma atmosfera fria e uma forte carga religiosa, moldaram nossas expectativas, estabelecendo um padrão que se tornou previsível e repetitivo. No entanto, com o filme, o cinema de terror se reinventa, oferecendo uma experiência que desafia e subverte essas convenções.

‘O Mal que Nos Habita’ se destaca por sua abordagem audaciosa e inovadora, mergulhando o espectador em um território cinematográfico que desafia as normas estabelecidas. O filme não hesita em apresentar uma entidade maligna de forma brutalmente repulsiva, elevando a sensação de horror a novos patamares. A ambientação, além de aterrorizante, é complementada por uma representação visceral do hospedeiro, um ser humano devastado por condições extremas e sequelas profundas, o que intensifica a experiência perturbadora.

A crueldade implacável que permeia o enredo do filme não poupa nem mesmo as crianças inocentes, desafiando nossas concepções de segurança e moralidade. O longa-metragem vai além do terror convencional, apresentando uma brutalidade que força o público a confrontar o lado mais sombrio da existência humana. Esta abordagem implacável não apenas subverte as expectativas, mas também redefine o que significa estar verdadeiramente aterrorizado.

Os protagonistas do filme, envolvidos em complexos dramas familiares e circunstâncias adversas, são peças-chave na construção desta narrativa intrincada. Suas ações desencadeiam uma cadeia de eventos imprevisíveis, reminiscentes da queda de dominós, que conduz o público por uma jornada de terror psicológico e surreal. O enredo cuidadosamente elaborado provoca uma introspecção inquietante, desafiando o espectador a encarar o medo e a escuridão de uma maneira inédita.

A trama não se limita a seguir as fórmulas tradicionais do gênero; em vez disso, convida o público a explorar novas dimensões do medo. Sua narrativa inovadora e seu impacto visceral prometem capturar e perturbar até os mais destemidos, culminando em um desfecho que ressoa muito além dos créditos finais. Este filme não é apenas uma nova adição ao panteão dos filmes de terror, mas uma reimaginação ousada que redefine as fronteiras do gênero.

Crítica – Ghostbusters: Apocalipse de Gelo oferece uma viagem nostálgica

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Embora Ghostbusters: Apocalipse de Gelo busque capturar a magia dos clássicos que encantaram gerações, infelizmente, não consegue atingir a grandeza de seus predecessores. A direção de Gill Kenan, embora bem-intencionada, tropeça ao tentar preencher o filme com grandes nomes, resultando em uma nostalgia forçada. Esta tentativa de invocar os espíritos dos filmes anteriores acaba por desperdiçar o potencial do elenco e da trama, pois há pouco tempo em tela para um desenvolvimento adequado.

A nostalgia, ainda que forçada, desempenha um papel significativo no filme, transportando-nos para os dias em que os caçadores de fantasmas originais salvaram o mundo das ameaças sobrenaturais. Contudo, essa nostalgia não é suficiente para compensar as falhas na execução do roteiro, que se mostra desajeitada e inconsistente.

Os efeitos visuais merecem destaque, pois cumprem com excelência o que prometem, proporcionando ao público uma imersão impressionante no universo dos fantasmas e dos eventos sobrenaturais. O elenco, embora talentoso, parece subutilizado, pois carece de tempo suficiente para explorar plenamente seus personagens e suas interações.

Apesar de seus defeitos, o filme pode ser apreciado como uma dose de escapismo, oferecendo uma viagem nostálgica de volta à infância para aqueles que buscam uma distração leve. No entanto, para os fãs fervorosos da franquia que ansiavam por inovação e um resgate emocional das memórias, o filme pode acabar sendo uma decepção, pois não consegue reacender a chama da mesma forma que seus predecessores.

Crítica – The Beekeeper apresenta enredo envolvente e ação pulsante

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O filme se destaca como uma adição surpreendente ao gênero de ação, elevando-se além das expectativas comuns e oferecendo uma narrativa envolvente e repleta de energia. Longe de se limitar a ser um filme de ação típico, a produção se diferencia pela habilidade de Jason Statham, que dá vida a Adam Clay, um apicultor e ex-agente de uma organização clandestina. Sua interpretação transforma o personagem em um justiceiro complexo, com motivações profundas e pessoais que enriquecem a trama.

A narrativa do filme é marcada por uma série impressionante de cenas de combate, que misturam ação intensa com elementos cômicos, sempre sob a liderança carismática de Statham. A direção mantém o ritmo acelerado e a tensão elevada, garantindo que o público permaneça completamente engajado desde os primeiros momentos até o desfecho. A história é apresentada de forma direta, evitando distrações desnecessárias e proporcionando uma experiência cinematográfica intensa e imersiva.

O título ‘The Beekeeper’ não se limita a fazer referência ao hobby do protagonista, mas carrega uma simbologia profunda. A presença de abelhas e colmeias ao longo da trama adiciona camadas de significado, refletindo tanto os princípios pessoais de Adam Clay quanto os valores de sua antiga organização secreta. Essa metáfora subjacente enriquece a narrativa, oferecendo um olhar mais profundo sobre o personagem e sua jornada.

A trama é uma produção cinematográfica cativante que oferece uma alternativa refrescante para os fãs de histórias de ação. Com sua mistura inovadora de ação, comédia e simbolismo, o filme se destaca como uma opção envolvente e memorável para aqueles que apreciam tramas dinâmicas e personagens bem desenvolvidos.

Crítica – Coringa: Delírio a Dois traz visual hipnotizante em uma experiência inusitada

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“Coringa: Delírio a Dois” foi uma das sequências mais aguardadas dos últimos anos, prometendo uma nova e ousada abordagem para a icônica história de Arthur Fleck, o Coringa. Com Todd Phillips novamente na direção, o filme trouxe a promessa de um musical psicológico, o que despertou tanto curiosidade quanto ceticismo entre os fãs e críticos. No entanto, essa nova direção artística revelou-se um terreno delicado, e o resultado foi uma obra que, embora visualmente impressionante, divide opiniões pela sua execução narrativa e estética.

Phillips, mais uma vez, demonstra sua habilidade ao criar uma atmosfera densa e perturbadora. A cinematografia continua a ser um dos pontos altos do filme, com cenas que capturam de maneira belíssima o caos interno de Arthur Fleck. Através de ângulos inovadores e uma paleta de cores que mistura o sombrio com o vibrante, o diretor cria momentos de pura imersão visual, especialmente nas cenas introspectivas do protagonista. Contudo, ao transformar “Coringa: Delírio a Dois” em um musical, o cineasta parece ter se distanciado da essência brutal e complexa que definiu o sucesso do primeiro filme. A musicalidade, por mais bem coreografada que seja, interfere na intensidade emocional da trama, suavizando o impacto da jornada psicótica de Fleck.

A participação de Lady Gaga como Harley Quinn, uma adição muito aguardada, é um dos elementos mais comentados do filme. Sua interpretação da personagem, conhecida por sua relação caótica com o Coringa, traz momentos interessantes de cumplicidade com Joaquin Phoenix. A química entre os dois atores é inegável, mas o roteiro falha em aprofundar essa relação, deixando Harley como um elemento quase decorativo, em vez de uma força vital na narrativa. Gaga entrega uma performance intensa e multifacetada, mas sua presença é subaproveitada, o que gera uma sensação de que muito mais poderia ter sido explorado. Sua versão de Harley Quinn parece apenas tocar a superfície da personagem, sem mergulhar nas camadas de loucura e vulnerabilidade que fizeram dela uma figura tão fascinante.

O maior desafio do longa-metragem é seu ritmo. Depois de um início promissor, com tensões crescentes e diálogos intrigantes, o filme se perde em uma repetição cansativa de cenas que, ao invés de enriquecer a trama, acabam diluindo a intensidade emocional. A narrativa parece se arrastar, especialmente após os primeiros 40 minutos, tornando-se previsível e, por vezes, sem direção. O desenvolvimento de Arthur Fleck, que deveria aprofundar ainda mais sua psique torturada, acaba sendo prejudicado por números musicais que, embora visualmente impactantes, soam deslocados no contexto sombrio da história.

Há momentos de brilho no filme, especialmente na atuação de Joaquin Phoenix. Ele, mais uma vez, entrega uma performance visceral, capturando com maestria a vulnerabilidade e a insanidade de Fleck. A transformação do personagem, desde sua fragilidade inicial até a total aceitação de sua loucura, é um espetáculo doloroso de se assistir, e Phoenix carrega o filme com uma intensidade que poucos atores conseguiriam igualar. Contudo, mesmo sua atuação poderosa não consegue redimir as falhas estruturais do roteiro.

A decisão de misturar o sombrio com o musical pode ser vista como uma tentativa ousada de inovar o gênero, mas em “Coringa: Delírio a Dois”, o experimento parece ter saído pela culatra. O filme, ao tentar balancear o grotesco com a leveza musical, acaba criando uma experiência fragmentada. Enquanto a estética visual e as performances de Phoenix e Gaga são pontos de destaque, a trama em si perde o foco e a coesão, resultando em uma narrativa que falta profundidade e significado.

Para os fãs do primeiro filme, que se destacava pela crueza e profundidade emocional, o filme pode ser uma decepção. O potencial para uma sequência igualmente perturbadora e instigante está lá, mas é ofuscado por escolhas artísticas que não conseguem sustentar o peso da história. No final, o filme deixa uma sensação de que o Coringa merecia um tratamento mais alinhado com sua complexidade, e menos comprometido com experimentações que diluem seu impacto.

A trama é um filme que tenta inovar, mas acaba tropeçando em sua própria ambição. É uma experiência que, para alguns, será um fracasso narrativo; para outros, uma ousadia mal executada. Porém, o consenso parece ser que, embora Phillips tenha sido corajoso em tentar algo novo, o filme carece da mesma profundidade e impacto emocional que transformou o primeiro em um clássico moderno.

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