
A franquia Resident Evil volta aos cinemas nesta semana com uma proposta diferente das últimas adaptações. O novo filme, dirigido por Zach Cregger, abandona a necessidade de transformar os protagonistas dos videogames em personagens centrais e acompanha Bryan, um entregador de suprimentos médicos que acaba preso no meio do surto que tomou conta de Raccoon City.
A produção chega às salas em um momento importante para a série. As primeiras avaliações publicadas após as sessões de pré-estreia foram positivas, e as projeções de bilheteria indicam uma abertura entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões nos Estados Unidos e Canadá. Algumas estimativas trabalham com um resultado próximo dos US$ 60 milhões. No mercado internacional, a previsão inicial chega a cerca de US$ 80 milhões.
O orçamento gira em torno de US$ 75 milhões. Para uma franquia que já passou por uma série de filmes de ação, um reboot diretamente ligado aos jogos e uma adaptação televisiva que não teve segunda temporada, o novo longa representa mais uma tentativa de encontrar uma direção estável para Resident Evil fora dos videogames.
Por que o novo filme acompanha um personagem que não existe nos jogos?
Bryan, interpretado por Austin Abrams, não é Leon S. Kennedy, Chris Redfield, Jill Valentine ou qualquer outro nome conhecido por quem acompanha os games. Ele trabalha fazendo entregas médicas e está a caminho do Hospital Geral de Raccoon City quando a situação sai completamente do controle.
O personagem começa a história como alguém comum diante de um problema que claramente ultrapassa sua capacidade de lidar com ele. Não há treinamento militar ou experiência anterior com criaturas infectadas. O conhecimento de Bryan sobre a situação também é limitado, o que coloca o espectador praticamente no mesmo ponto de partida.
A escolha também afasta o filme da estrutura utilizada por Resident Evil: Welcome to Raccoon City, de 2021. Na produção anterior, personagens conhecidos dos jogos ocupavam posições importantes na trama. A nova versão prefere criar um protagonista próprio e utilizar acontecimentos conhecidos da franquia como pano de fundo.
O roteiro coloca Bryan diante de uma Raccoon City em colapso. O que começa como uma entrega de medicamentos se transforma em uma tentativa de permanecer vivo em uma cidade tomada pelo surto.
Em que momento da história dos jogos o filme acontece?
A trama está situada durante os acontecimentos de Resident Evil 2, lançado originalmente pela Capcom em 1998.
É uma escolha significativa porque o segundo jogo acompanha justamente o colapso de Raccoon City. Leon Kennedy chega à cidade para seu primeiro dia como policial, enquanto Claire Redfield procura o irmão, Chris. Os dois acabam envolvidos com o surto provocado pelas pesquisas da Umbrella Corporation.
O filme não adapta diretamente a campanha de Leon ou Claire. A história acontece nesse mesmo período, mas acompanha Bryan em outro ponto da cidade.
Essa estrutura permite que elementos familiares apareçam sem transformar o longa em uma reprodução do jogo. A Umbrella continua ligada aos acontecimentos, Raccoon City permanece no centro da crise e as criaturas infectadas fazem parte da ameaça, mas o roteiro segue uma história própria.
Para quem nunca teve contato com os games, isso também reduz a quantidade de informações necessárias para acompanhar a trama. O filme apresenta seu próprio protagonista e estabelece sua situação sem depender de uma sequência de acontecimentos já conhecida.
Quem Austin Abrams interpreta na produção?
Austin Abrams assume o papel principal depois de trabalhos em produções como Euphoria, The Walking Dead e Cidades de Papel.
Seu Bryan ocupa uma posição bem diferente daquela tradicionalmente associada aos protagonistas de Resident Evil. O personagem não chega preparado para enfrentar o surto. Ele precisa improvisar diante de situações que vão ficando cada vez mais perigosas.
Paul Walter Hauser interpreta Paul, um cientista da Umbrella. O ator, conhecido por filmes como Eu, Tonya e Cruella, divide espaço com Zach Cherry, que interpreta Carl, outro cientista ligado à empresa.
Kali Reis aparece como Pauline, agente da Umbrella, e Johnno Wilson interpreta Max, um xerife do condado de Arklay.
O elenco também inclui Emily Piggford como a Dra. Maria Stokes. É ela quem contrata Bryan para transportar um pacote médico até o Hospital Geral de Raccoon City. Will Merrick, Zoé Bellas, Chris Lew Kum Hoi, Griffin Newman e Magdalena Sittovaas aparecem como outros integrantes da equipe científica da Umbrella.
Entre as criaturas estão The Pedestrian, interpretada por Andrea Miltnerová, e The Puker, vivido por Shawn W. Loeser.
O que Zach Cregger trouxe para a franquia?
A escolha de Zach Cregger para dirigir o novo Resident Evil aconteceu depois de o cineasta ganhar espaço no terror com Noites Brutais (Barbarian), de 2022.
O filme chamou atenção por construir sua história a partir de situações aparentemente simples e mudar o caminho da narrativa conforme os personagens descobrem o que está acontecendo. Cregger repetiu a aposta no gênero com A Hora do Mal (Weapons), lançado em 2025.
Agora, ele trabalha com uma propriedade que já possui uma identidade bastante estabelecida. O roteiro foi escrito por Cregger em parceria com Shay Hatten, roteirista de filmes como John Wick: Capítulo 3 – Parabellum, John Wick: Capítulo 4 e Ballerina.
A combinação ajuda a explicar a mistura de terror e ação presente na produção. O filme precisa lidar com criaturas, perseguições e confrontos físicos, mas a história parte de um personagem que não possui habilidades extraordinárias.
As primeiras críticas publicadas após a exibição no Fantastic Fest apontaram justamente para essa combinação. A recepção inicial também destacou a presença de violência gráfica, humor sombrio e referências aos videogames.
Como a Sony entrou no projeto?
A história desse novo filme começou antes da chegada de Cregger.
A Constantin Film começou a desenvolver outro reboot de Resident Evil em 2022, pouco depois do lançamento de Welcome to Raccoon City e do cancelamento da série produzida pela Netflix.
O projeto passou por mudanças até Cregger assumir a direção em janeiro de 2025. A PlayStation Productions, divisão da Sony Pictures voltada a projetos baseados em propriedades de videogames, entrou na produção durante o desenvolvimento.
A disputa pela distribuição também envolveu outros grandes estúdios. Warner Bros. Pictures e Netflix estavam entre as empresas interessadas, mas a Columbia Pictures, da Sony, ficou com os direitos de distribuição em março de 2025.
As câmeras começaram a rodar em outubro daquele ano, em Praga, na República Tcheca.
Por que Raccoon City continua sendo tão importante para Resident Evil?
Poucos lugares da franquia possuem tanto peso quanto Raccoon City.
Foi na cidade que a história dos primeiros jogos passou de uma investigação sobre mortes estranhas para uma crise biológica de grandes proporções. O segundo jogo ampliou esse cenário e colocou o jogador em uma cidade praticamente condenada.
O novo filme retorna justamente a esse período. A cidade funciona como cenário para a história de Bryan e também como ligação direta com a mitologia construída pela Capcom.
A Umbrella Corporation também volta a ocupar uma posição importante. A empresa fictícia é responsável por boa parte das pesquisas biológicas que desencadeiam os acontecimentos da franquia e aparece novamente ligada aos personagens envolvidos no novo surto.
A produção, portanto, não precisa apresentar uma nova ameaça completamente desconectada da série. Ela retorna a um dos momentos mais conhecidos da cronologia e constrói uma história paralela dentro dele.
O novo filme conseguiu melhorar a recepção da série no cinema?
Essa resposta depende da comparação escolhida.
Os filmes anteriores seguiram caminhos bem diferentes. A primeira série cinematográfica, iniciada em 2002 com Milla Jovovich, construiu uma continuidade própria e priorizou ação. Foram seis filmes até Resident Evil: O Capítulo Final, lançado em 2016.
Em 2021, Welcome to Raccoon City tentou aproximar o cinema dos videogames e utilizou personagens conhecidos da Capcom. A produção não teve sequência.
Agora, Cregger parte de uma terceira possibilidade: usar o período de Resident Evil 2 como base, mas contar uma história inédita.
As primeiras avaliações publicadas após o Fantastic Fest indicam uma recepção positiva. A pontuação crítica registrada pelo Rotten Tomatoes estava em 85% no momento da publicação desta matéria. Esses números ainda podem mudar conforme mais críticas forem adicionadas e o público tenha acesso ao filme.
A bilheteria também será um indicador importante. Com orçamento estimado em US$ 75 milhões e uma previsão de abertura doméstica entre US$ 40 milhões e US$ 50 milhões, o desempenho das primeiras semanas será observado pela indústria.
Quando Resident Evil chega aos cinemas brasileiros?
O novo Resident Evil estreia no Brasil em 17 de setembro de 2026. Nos Estados Unidos e no Canadá, o lançamento comercial acontece em 18 de setembro.





















