Quando a primeira imagem dos Backrooms: Um Não-Lugar começou a circular pela internet anos atrás, ninguém imaginava que aquele cenário formado por corredores vazios, carpetes amarelados e luzes fluorescentes se transformaria em um fenômeno global. O conceito saiu dos fóruns online, inspirou vídeos, jogos e teorias, e agora alcançou um novo patamar: os cinemas.

A adaptação de Backrooms, produzida pela A24, estreou com impressionantes US$ 81 milhões em 3.442 salas na América do Norte, tornando-se a maior abertura da história do estúdio. O resultado coloca o longa entre os lançamentos mais expressivos de 2026 e mostra que histórias nascidas na internet podem competir diretamente com produções baseadas em franquias tradicionais. As informações são da Variety.

O sucesso não acontece apenas por causa da curiosidade em torno da marca. Diferentemente de muitas adaptações que utilizam apenas o nome de uma propriedade conhecida, o filme procura explorar justamente aquilo que tornou os Backrooms tão intrigantes para milhões de pessoas: o medo do desconhecido. A sensação de estar perdido em um lugar aparentemente comum, mas completamente errado, continua sendo o principal combustível da narrativa.

A trama acompanha Clark, personagem interpretado por Chiwetel Ejiofor. Dono de uma loja de móveis, ele encontra algo impossível de explicar no porão do estabelecimento: uma passagem que leva a um gigantesco labirinto formado por salas, corredores e ambientes que parecem se estender infinitamente. O local desafia qualquer lógica conhecida e rapidamente desperta sua curiosidade.

O que começa como uma descoberta incomum logo se transforma em uma investigação arriscada. Clark convence sua funcionária Kat, interpretada por Lukita Maxwell, e Bobby, personagem de Finn Bennett, a explorar aquele espaço misterioso. Conforme avançam pelos corredores, eles encontram fenômenos difíceis de compreender e sinais de que não estão sozinhos naquele lugar.

Um dos pontos mais interessantes do filme é a maneira como ele trabalha o suspense. Em vez de depender exclusivamente de sustos repentinos ou criaturas aparecendo a todo momento, a produção aposta na sensação constante de desconforto. O espectador acompanha personagens que não conseguem entender onde estão, como aquele local existe ou qual caminho pode levá-los de volta para casa.

Essa abordagem ajuda a diferenciar o filme de boa parte dos lançamentos recentes do gênero. O medo surge principalmente da incerteza. Cada nova sala pode esconder uma ameaça, uma pista ou simplesmente levar a outro corredor aparentemente idêntico ao anterior. Essa repetição cria uma sensação de aprisionamento que se torna cada vez mais intensa ao longo da história.

Quando Clark desaparece durante uma das explorações, a narrativa ganha uma nova protagonista. A terapeuta Mary Kline, interpretada por Renate Reinsve, decide investigar o ocorrido e acaba entrando nos Backrooms. Sua jornada não envolve apenas a busca por respostas, mas também o confronto com questões pessoais que começam a surgir enquanto ela tenta escapar daquele ambiente impossível.

Além dos protagonistas, o elenco conta com Mark Duplass no papel de Phil e participação de Avan Jogia. A presença de atores experientes ajuda a dar credibilidade a uma história que depende bastante da reação dos personagens diante de situações que desafiam qualquer explicação racional.

Outro aspecto que chama atenção é a participação de Kane Parsons na direção. Antes de chegar a Hollywood, Parsons já era conhecido por seus vídeos inspirados nos Backrooms, que acumulavam milhões de visualizações nas redes sociais. Sua presença no projeto permitiu que muitos elementos que conquistaram o público online fossem preservados na adaptação para o cinema.

O desempenho de estreia também chama atenção por outro motivo. Durante anos, histórias criadas na internet eram vistas como conteúdos restritos a nichos específicos. O resultado alcançado pelo longa-metragem demonstra que esse cenário mudou. Hoje, conceitos surgidos em comunidades online têm potencial para alcançar audiências globais quando encontram uma adaptação capaz de dialogar com diferentes públicos.

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