Ainda Estou Aqui estreia nos Estados Unidos pela Netflix em maio e celebra trajetória vitoriosa no Oscar

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O cinema brasileiro está vivendo um momento histórico! O premiado longa Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles (Central do Brasil), finalmente vai estrear na Netflix dos Estados Unidos. A plataforma confirmou neste sábado (3) que o filme entra no catálogo americano no dia 17 de maio, marcando a expansão internacional de uma das produções mais importantes do Brasil nos últimos tempos.

Baseado no livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme é inspirado na história real de sua mãe, Eunice Paiva, que teve que reinventar sua vida e se tornar ativista durante os anos sombrios da ditadura militar no Brasil. A trama se passa em 1971 e mostra como Eunice, mãe de cinco filhos, enfrenta o desaparecimento do marido — sequestrado pela polícia e nunca mais visto — e encontra forças para lutar por justiça. Quem dá vida à protagonista é Fernanda Torres, em uma atuação elogiada por público e crítica.

E olha que não foi pouca coisa: Ainda Estou Aqui não só foi indicado ao Oscar em três categorias importantes — Melhor Filme Internacional, Melhor Filme e Melhor Atriz — como também venceu na principal categoria para produções estrangeiras, garantindo ao Brasil seu primeiro Oscar da história! Um marco.

A cerimônia ainda foi dominada por Anora, dirigido por Sean Baker, que levou cinco estatuetas, incluindo Melhor Filme, Direção e Atriz (para Mikey Madison). Aliás, Baker fez história ao se tornar o primeiro diretor a ganhar quatro prêmios pelo mesmo filme — um recorde até então inédito.

Walter Salles comentou em entrevistas recentes que a trajetória do filme até o Oscar foi um verdadeiro desafio, mas também um exemplo de como histórias brasileiras, quando bem contadas, têm força para emocionar o mundo inteiro. Segundo ele, o reconhecimento é também uma forma de dar visibilidade à memória política do país e às mulheres que resistiram à opressão.

No Brasil, o filme segue disponível no Globoplay e tem atraído muita atenção desde a vitória no Oscar, gerando debates sobre memória, justiça e o papel da mulher na resistência política. A chegada do longa à Netflix nos EUA é vista como um passo importante para que a produção alcance ainda mais público ao redor do mundo.

Invocação do Mal 4: O Último Ritual ganha teaser e promete encerrar com emoção a história dos Warren nos cinemas

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Os fãs do terror sobrenatural já podem começar a contagem regressiva: a Warner Bros. Pictures Brasil lançou o teaser oficial de Invocação do Mal 4: O Último Ritual, e as primeiras imagens prometem arrepiar até os mais corajosos. O longa, que estreia em 4 de setembro de 2025, traz o capítulo final da história de Ed e Lorraine Warren, os icônicos investigadores paranormais baseados em figuras reais.

Desde que surgiram nas telonas em 2013, com o primeiro Invocação do Mal, Ed (Patrick Wilson – Sobrenatural, Watchmen) e Lorraine (Vera Farmiga – Bates Motel, A Freira) se tornaram figuras queridas (e temidas) por uma legião de fãs. Agora, mais de uma década depois, eles enfrentam seu caso mais sombrio — e derradeiro. O filme promete não apenas sustos, mas também uma despedida emocional para os personagens que ajudaram a redefinir o gênero de terror moderno.

A trama gira em torno de um último e misterioso ritual, envolto em forças malignas e segredos enterrados. Desta vez, além dos fenômenos sobrenaturais, o casal terá que lidar com a proteção de sua filha, Judy Warren, interpretada por Mia Tomlinson (The Lost Pirate Kingdom), e o jovem Tony Spera, vivido por Ben Hardy (Bohemian Rhapsody, X-Men: Apocalipse), namorado de Judy.

O elenco conta ainda com a volta de Steve Coulter (The Walking Dead, Aquaman) como o Padre Gordon, presença recorrente na franquia, além de novos rostos como Rebecca Calder (The Last Kingdom), Elliot Cowan (Da Vinci’s Demons), Kíla Lord Cassidy (A Última Carta de Amor), Beau Gadsdon (Rogue One: Uma História Star Wars), John Brotherton (Fuller House) e Shannon Kook (Degrassi: The Next Generation, The 100).

Na direção, retorna Michael Chaves (Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio, A Freira 2), já acostumado a conduzir histórias sombrias com tensão crescente e um toque de tragédia emocional. O roteiro é assinado por Ian Goldberg e Richard Naing (ambos de A Maldição da Residência Hill) em colaboração com David Leslie Johnson-McGoldrick (Aquaman, Invocação do Mal 2), que também assina a produção executiva ao lado de James Wan (Jogos Mortais, Maligno), criador e mente por trás do universo Invocação do Mal.

O longa é produzido pela New Line Cinema, com produção executiva de nomes experientes como Michael Clear (M3GAN), Judson Scott (Annabelle 3: De Volta Para Casa), Natalia Safran (A Freira), John Rickard (Rampage: Destruição Total) e Hans Ritter (Maligno).

Mais do que uma despedida, Invocação do Mal 4: O Último Ritual se apresenta como um tributo à jornada de Ed e Lorraine Warren — e também aos fãs que acompanharam cada possessão, cada exorcismo e cada suspiro preso no peito durante a década de sucesso da franquia. Com o teaser já gerando debates nas redes e reacendendo teorias, o que está por vir promete ser assustador, intenso e, acima de tudo, memorável.

O Retorno | Ralph Fiennes e Juliette Binoche se reencontram nas telas em drama épico que estreia em setembro

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Quase três décadas depois de emocionarem plateias em O Paciente Inglês, Ralph Fiennes e Juliette Binoche voltam a dividir o mesmo enquadramento em “O Retorno”, novo drama dirigido por Uberto Pasolini que estreia nos cinemas brasileiros no dia 4 de setembro, com distribuição da O2 Play.

Inspirado na parte final da Odisseia de Homero, o longa transporta o espectador para a mítica ilha de Ítaca, onde Odisseu — também conhecido pelo nome latino Ulisses — retorna após anos de guerra e provações, para reencontrar seu lar, seu trono e sua esposa, Penélope.

Uma história de amor, perda e reencontros

Na pele do herói grego, Ralph Fiennes vive um Odisseu marcado pelas cicatrizes do tempo e da batalha, prestes a enfrentar não mais deuses ou monstros, mas os desafios íntimos do retorno: o estranhamento, a saudade, os segredos que resistiram à espera. Já Juliette Binoche interpreta uma Penélope forte e resiliente, que sustentou sozinha o peso do palácio e da esperança durante a ausência do marido.

Esse reencontro em cena ganha um brilho especial pela carga emocional que a própria dupla carrega: Binoche e Fiennes não atuavam juntos desde 1996, quando protagonizaram o premiado O Paciente Inglês, filme que rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante à francesa e solidificou ambos como ícones do cinema romântico da década de 90. Eles também dividiram o elenco em O Morro dos Ventos Uivantes, de 1992.

Uma odisseia reinventada com olhar poético

Com uma abordagem intimista e poética, Uberto Pasolini (de Ou Tudo ou Nada e Uma Vida Comum) opta por contar não a jornada do herói em alto-mar, mas o que acontece depois do final clássico. Como é voltar para casa após anos longe? Como retomar laços interrompidos pelo tempo? E, acima de tudo, será que o “retorno” realmente leva de volta para o lugar de onde se partiu?

Filmado com elegância e paisagens deslumbrantes, o longa teve sua estreia mundial no Festival de Toronto (TIFF) em 2024 e chamou atenção da crítica por sua sensibilidade ao tratar um mito grego milenar com tons contemporâneos de solidão, pertencimento e reconciliação.

Expectativas altas para setembro

Além de reunir dois grandes nomes do cinema europeu, o longa carrega o prestígio de seu protagonista: Ralph Fiennes, que vem de uma indicação ao Oscar 2025 de Melhor Ator por sua performance em Conclave. O reencontro com Binoche, agora sob a luz de um mito ancestral, promete ser um dos grandes momentos cinematográficos do ano.

Como Treinar o Seu Dragão voa alto nas bilheterias e já ultrapassa US$ 450 milhões no mundo todo

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Se havia alguma dúvida sobre o apelo da amizade entre um jovem viking e um dragão mal-humorado, ela foi enterrada sob uma avalanche de ingressos vendidos. O remake live-action de Como Treinar o Seu Dragão ultrapassou a marca de US$ 454,5 milhões nas bilheteiras mundiais, confirmando que a magia da história original continua mais viva do que nunca — agora com carne, osso e muitos efeitos visuais.

Nos Estados Unidos, o filme já soma US$ 200,5 milhões, depois de conquistar mais US$ 19,4 milhões no último fim de semana. O desempenho mantém o longa firme entre os primeiros colocados do ranking americano — e mostra fôlego de blockbuster em um verão disputadíssimo nos cinemas.

Um voo mais alto do que o esperado

A estreia norte-americana rendeu US$ 83 milhões logo de cara, superando até as previsões mais otimistas, que apostavam entre US$ 70 e US$ 80 milhões. Parte desse impulso veio das sessões antecipadas de quinta-feira, que renderam US$ 8 milhões — e ajudaram a empurrar as expectativas para o alto.

Fora dos EUA, o filme já arrecadou US$ 114 milhões, com destaques para o México (US$ 14 mi), Reino Unido e Irlanda (US$ 11,2 mi) e China, que também marcou US$ 11,2 milhões — um número expressivo para um título ocidental em solo asiático.

O resultado coloca a nova adaptação de Como Treinar o Seu Dragão muito além da linha de segurança dos estúdios — que projetavam entre US$ 175 e 185 milhões para a janela inicial. Ou seja: com pouco tempo de exibição, o longa já ultrapassou sua própria projeção-base.Um clássico com nova pele — mas mesma alma

Dirigido por Dean DeBlois, o mesmo nome por trás da trilogia animada da DreamWorks, o novo Como Treinar o Seu Dragão aposta na nostalgia com responsabilidade: entrega um visual mais realista, sem perder o coração da história.

Mason Thames dá vida ao jovem Soluço, um viking franzino, teimoso e idealista que quer provar seu valor em uma sociedade onde o heroísmo é medido pela força. Ao derrubar um lendário Fúria da Noite, ele encontra o que ninguém esperava: um dragão ferido, assustado — e extremamente parecido com ele. Em vez de acabar com a criatura, ele decide compreendê-la.

Essa escolha muda tudo.

Com Gerard Butler reprisando o papel de Stoico, o pai durão que não sabe lidar com um filho tão diferente, e Nico Parker como a corajosa Astrid, o live-action mergulha em temas como coragem, empatia e quebra de tradições — com peso emocional e momentos épicos.Um herói improvável em tempos de guerra

Soluço não é o guerreiro típico. Ele lidera com sensibilidade, observa antes de atacar e escuta antes de julgar. Em uma era de histórias barulhentas, Como Treinar o Seu Dragão se destaca por valorizar a escuta e a transformação. Quando uma ameaça ancestral surge e coloca dragões e humanos em rota de colisão, é o elo entre um garoto e seu dragão — agora chamado Banguela — que pode impedir a destruição total.A nova era dos dragões está apenas começando?

Com a bilheteira voando mais alto a cada semana e o retorno caloroso do público, fica difícil não imaginar que a DreamWorks e a Universal já estejam de olho em futuras sequências. Afinal, se o primeiro voo foi esse sucesso, quem não gostaria de ver mais capítulos nessa jornada entre céu, fogo e amizade?

Minha Vida com a Família Walter está de volta — e promete abalar corações na 2ª temporada

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Foto: Reprodução/ Internet

A Netflix acaba de atiçar nossos sentimentos adolescentes com o primeiro teaser da 2ª temporada de Minha Vida com a Família Walter, que estreia no catálogo no dia 28 de agosto. Se você riu, chorou e se apegou aos Walter na temporada passada, prepare-se: vem aí mais intensidade, mais dilemas e aquela avalanche de emoções que só uma casa cheia de irmãos (do coração ou não) pode proporcionar.

Relembrando a história: do caos à reconstrução

Jackie Howard (interpretada pela carismática Nikki RodriguezOn My Block, My Life with the Walter Boys) teve sua vida virada do avesso. De adolescente sofisticada em Manhattan, viu-se órfã de uma hora pra outra e foi enviada para viver no interior do Colorado — com um tutor que ela mal conhecia e oito garotos completamente diferentes dela.

Mas foi entre o caos da nova rotina e a confusão emocional do luto que Jackie começou a encontrar algo que nem sabia que estava procurando: um tipo de família completamente inesperado, cheia de barulho, tropeços e amor em construção.

O que esperar da nova temporada?

Se a primeira temporada tratou da dor da perda e da adaptação forçada, os novos episódios parecem mergulhar nos dilemas do coração, amadurecimento e pertencimento real. Afinal, agora Jackie já não é mais apenas a menina nova da casa: ela criou laços, viveu atritos, e talvez… esteja começando a se sentir em casa?

O teaser dá pistas de reencontros intensos, decisões difíceis e uma Jackie mais segura — mas ainda em busca de quem realmente é. O clima é de transição: dos lutos silenciosos para os gritos (e beijos) adolescentes.

Um elenco jovem que amadureceu com seus personagens

Além de Nikki Rodriguez, o elenco da nova temporada conta com Sarah Rafferty (Suits, Grey’s Anatomy), Marc Blucas (Buffy, a Caça-Vampiros), Noah LaLonde (Criminal Minds), Ashby Gentry (Wild Indian), Connor Stanhope (Smallville), Johnny Link (Dear Evan Hansen), Corey Fogelmanis (Girl Meets World, Ma), Jaylan Evans (The Resident), Zoë Soul (The Purge: Anarchy), Isaac Arellanes (Ghostwriter), Myles Perez (One Day at a Time) e Alex Quijano (Station 19, The Good Doctor). Um time afiado, que equilibra emoção, carisma e presença de tela — dando ainda mais vida a esse universo caótico e cheio de afeto.

Família a gente encontra nos lugares mais improváveis

Minha Vida com a Família Walter é daquelas séries que a gente começa achando que vai ser só mais um drama teen, mas acaba sendo surpreendido por afetos sinceros, personagens com alma e reflexões que ficam ecoando mesmo depois dos créditos.

E por mais que oito garotos barulhentos sejam um pesadelo para alguns, para Jackie (e para quem assiste), eles se tornaram algo precioso: uma nova chance de amar — e ser amada.

📅 Anota aí: a 2ª temporada estreia 28 de agosto na Netflix. Até lá, vale maratonar a primeira e preparar o coração para o reencontro com os Walter.

Fim de uma era: Queer Eye chega ao fim na 10ª temporada e se despede como um dos realities mais amados da Netflix

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Foto: Reprodução/ Internet

Nem todo makeover é sobre roupas novas, cortes de cabelo ou receitas práticas. Às vezes, a maior transformação acontece quando alguém diz: você merece ser cuidado. Desde 2018, foi isso que o Fab Five fez semanalmente em Queer Eye, reality da Netflix que uniu carisma, escuta, empatia e humanidade como nenhum outro. Agora, com a confirmação de que a 10ª temporada será a última, o programa se prepara para sua despedida — deixando fãs do mundo todo com o coração apertado e cheio de gratidão.

O anúncio veio pelas redes sociais da Netflix, com uma foto oficial dos bastidores da nova temporada, e trouxe de volta a lembrança do impacto que a série teve: não apenas nas pessoas que passaram pelas transformações no programa, mas também em milhões de espectadores que se viram, se emocionaram, se permitiram mudar.

O Fab Five como a gente aprendeu a amar — e o novo integrante que chegou para ficar

Desde o início, Queer Eye conquistou o público com seus cinco especialistas carismáticos: Antoni Porowski, que ensinou a muitos que cozinhar pode ser um gesto de afeto consigo mesmo; Tan France, que descomplicou a moda e deu aula sobre autoestima com um blazer impecável; Karamo Brown, que ouviu dores profundas e acolheu cada história com a sensibilidade de um terapeuta de alma; Jonathan Van Ness, que transformou cuidados pessoais em rituais de amor-próprio, com brilho e sinceridade; E, claro, Bobby Berk, o arquiteto de ambientes — e de reconciliações emocionais dentro de casa.

A saída de Bobby após a 8ª temporada foi sentida como uma pequena perda dentro do universo da série. Mas sua cadeira foi ocupada com leveza por Jeremiah Brent, que estreou na 9ª temporada trazendo sua experiência no reality Ordem na Casa (vencedor do Emmy), seu olhar delicado para os espaços — e uma postura que uniu elegância e compaixão.

Agora, com a 10ª e última temporada a caminho, os cinco encerram juntos essa história com a mesma energia que sempre os moveu: a certeza de que toda pessoa merece se sentir valorizada e pertencente.

Muito além do espelho: o impacto de Queer Eye

Queer Eye foi um fenômeno por vários motivos. Pela leveza, pelo humor, pelos momentos emocionantes. Mas, principalmente, por conseguir falar de temas profundos com respeito, ternura e acolhimento. Racismo, gordofobia, homofobia, traumas familiares, saúde mental, abandono, religiosidade, luto, identidade de gênero — tudo isso esteve em pauta ao longo das temporadas. E nunca de forma sensacionalista, mas com vulnerabilidade compartilhada.

Era sobre fazer alguém se olhar no espelho com menos culpa, menos vergonha, mais amor. E isso, para muitas pessoas, foi revolucionário.

Em uma cultura obcecada por “melhorar a aparência”, Queer Eye disse: você já é digno de amor do jeito que é — só precisa se lembrar disso.

Um adeus sem amargura — só com gratidão

A 10ª temporada ainda não tem data confirmada de estreia, mas o sentimento de encerramento já começa a bater forte. Os fãs sabem que vai ser difícil dar tchau para esse grupo que virou companhia, conselheiro, abraço e risada ao longo dos anos. E ao mesmo tempo, sabem que o fim faz parte de qualquer transformação verdadeira.

Thame e Po: conheça o dorama tailandês que está emocionando os fãs na Netflix

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Tem histórias que não chegam fazendo barulho. Elas não explodem, não gritam, não imploram atenção. Em vez disso, se aproximam devagar, tocam a gente de leve e, quando percebemos, já estão ali — ocupando um espaço silencioso e inteiro dentro da gente.

É assim que Thame e Po: Bate Coração, dorama tailandês que chegou à Netflix, se apresenta. Não como uma série sobre uma boy band em fim de carreira. Mas como um retrato sincero dos instantes frágeis que existem entre o fim e o recomeço.

Porque todo fim também é uma confissão

A história começa com uma despedida: a última apresentação da Mars, grupo pop tailandês que arrastou multidões e agora ensaia um adeus sem saber como dizer adeus. Os integrantes — Dylan, Jun, Nano e Pepper — lidam com a separação cada um à sua maneira. Não tem escândalo, não tem cena. Só aquele silêncio desconfortável de quem cresceu junto e agora precisa aprender a se afastar.

Nesse cenário de dissolução e cansaço, entra Po, o cinegrafista encarregado de registrar o último show. Ele não faz parte da banda, mas seu olhar externo é o único que realmente enxerga o que está acontecendo ali dentro. E é por esse olhar que a gente entra também.

Mas Po não é só câmera. Ele é presença. É escuta. E, sem perceber, se torna algo raro na vida de Thame, o vocalista que carrega sobre os ombros a culpa e o desejo de seguir em frente. Thame tem um plano — ir para a Coreia do Sul e tentar a sorte como artista solo. Mas todo plano tem um preço. E às vezes, esse preço é machucar quem a gente ama.

Às vezes, o amor não nasce com promessas — mas com acolhimento

Entre um ensaio e outro, entre bastidores e quartos de hotel, o vínculo entre Thame e Po cresce do jeito mais simples possível: no cuidado. Na troca de olhares. Na escuta silenciosa. Em conversas que não parecem importantes, mas dizem tudo.

E talvez seja isso que mais machuca: o fato de esse sentimento surgir justamente quando tudo está prestes a acabar.

Thame e Po não é um dorama sobre o que pode ser. É sobre o que quase foi. Sobre o afeto que chega tarde, mas ainda assim é real. Sobre os laços que se formam no intervalo entre uma despedida e um voo solo.

É sobre aquele momento em que a gente percebe que o coração está batendo diferente — mas não tem certeza se é o começo ou o fim.

Uma história contada em silêncio, música e cuidado

A série tem o tipo de sensibilidade que a gente sente mais do que entende. A câmera não corre. A música não atropela. Os diálogos não explicam tudo — e ainda bem. Porque a beleza está na sugestão, no gesto tímido, no sorriso que dura meio segundo.

E há algo muito bonito nisso: a coragem de contar uma história sobre separações sem tornar tudo dramático demais. De mostrar que crescer dói, que seguir em frente exige escolhas, e que nem todo amor precisa ser consumado para ser verdadeiro.

Para quem já precisou partir, mesmo com vontade de ficar

Thame e Po: Bate Coração é uma daquelas séries que parecem pequenas, mas ficam com você por dias. Talvez porque todo mundo já viveu alguma versão desse enredo: querer algo novo, mas sentir que está deixando para trás uma parte de si mesmo.

É um dorama sobre transição, afeto e tudo aquilo que fica entre uma palavra e outra.

E, acima de tudo, é um lembrete delicado de que existem encontros que nos marcam mesmo se forem breves. Mesmo se terminarem antes de começarem.

O Retorno | Ralph Fiennes e Juliette Binoche revisitam a Odisseia em drama histórico com estreia marcada no Brasil

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Foto: Reprodução/ Internet

Trinta anos após dividirem os holofotes em O Paciente Inglês (1996), Ralph Fiennes e Juliette Binoche voltam a contracenar no cinema em “O Retorno”, drama histórico dirigido por Uberto Pasolini que chega aos cinemas brasileiros no dia 4 de setembro, com distribuição da O2 Play. Inspirado nos cantos finais da Odisseia, de Homero, o longa propõe uma abordagem realista e profundamente emocional da clássica história do retorno de Ulisses à Ítaca, deixando de lado os elementos mitológicos para mergulhar nas cicatrizes humanas da guerra e do tempo.

Foto: Reprodução/ Internet

Com estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF), em 2024, o filme acompanha o herói Odisseu (nome latino: Ulisses), interpretado por Ralph Fiennes, na etapa mais silenciosa e desafiadora de sua jornada: o reencontro com sua terra, sua esposa e seu filho, após duas décadas de ausência. Longe da grandiosidade das aventuras épicas, o filme foca no impacto psicológico e físico de uma vida consumida por batalhas. Abatido, envelhecido e irreconhecível, Odisseu encontra seu reino em ruínas e sua identidade desfigurada.

Juliette Binoche dá vida a Penélope, figura central da resistência em Ítaca. Durante os vinte anos de ausência do marido, ela mantém a esperança viva enquanto lida com pretendentes ambiciosos que, além de desejarem sua mão, disputam o trono. A atuação de Binoche, que recebeu o Oscar por O Paciente Inglês e é reconhecida por filmes como A Liberdade é Azul e Camille Claudel 1915, imprime à personagem uma força silenciosa e obstinada. Já o jovem Charlie Plummer (Lean on Pete, Todo Dia) interpreta Telêmaco, o filho do casal, que agora é alvo de conspirações daqueles que almejam o poder na ausência do pai.

O roteiro, escrito por John Collee (Hotel Mumbai, Master and Commander) em parceria com Edward Bond, opta por uma leitura mais sóbria e humanista da lenda grega. Ao retirar figuras mitológicas e divinas da narrativa, a obra revela uma Ítaca marcada por conflitos políticos, desconfiança e desintegração familiar. Odisseu não é mais um herói infalível, mas um homem ferido, com memórias traumáticas, lidando com o estranhamento de retornar a um lar que já não reconhece.

A proposta estética de Pasolini — também responsável por Nowhere Special — investe em planos contemplativos e no uso de paisagens áridas e silenciosas como metáfora do estado emocional de seus personagens. Em vez de cenas de ação, há tensão contida e diálogos pontuados por silêncios que dizem muito. A construção narrativa reflete a opção do diretor por um cinema que valoriza a interioridade dos personagens e os conflitos morais do pós-guerra.

No “Companhia Certa” desta segunda (21/07), Fábio Porchat revela histórias inéditas e fala sobre carreira e humor

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Ronnie Von e Fábio Porchat (Foto: Divulgação RedeTV!)

Na noite desta segunda-feira, 21 de julho de 2025, às 0h, o público terá um encontro especial com um dos maiores nomes da comédia brasileira da atualidade. Fábio Porchat — ator, humorista, roteirista, diretor e apresentador — será o convidado do programa Companhia Certa, comandado por Ronnie Von. Essa participação reforça a relação de admiração e respeito que existe entre os dois, especialmente depois que Porchat conduziu com maestria o programa no último sábado, 11, em uma edição comemorativa dos 81 anos do veterano apresentador.

Em um bate-papo leve, divertido e, ao mesmo tempo, repleto de momentos de reflexão, Porchat revisitará memórias, falará sobre seu processo criativo e dividirá histórias pessoais, como sua profunda amizade com o saudoso Paulo Gustavo. Além disso, ele abordará temas importantes, como o papel do humor na sociedade, a responsabilidade do artista e os desafios de construir uma carreira sólida em um meio tão dinâmico quanto a comédia brasileira contemporânea.

Carisma e inteligência: um encontro de gerações no sofá do Companhia Certa

Desde que estreou na televisão brasileira, Fábio Porchat chama atenção não apenas pelo talento, mas também pelo carisma natural que lhe permite se conectar com públicos dos mais variados. No Companhia Certa, programa de Ronnie Von conhecido pelo tom intimista e pela qualidade das entrevistas, ele terá a chance de mostrar uma faceta mais pessoal e reflexiva.

É também um momento de celebração, já que Ronnie Von recentemente completou 81 anos, e foi justamente Fábio quem comandou a edição especial — um gesto simbólico que representa a passagem do bastão entre gerações. Agora, no papel de convidado, Porchat poderá revelar histórias inéditas e visões de mundo que o tornam único.

O processo criativo por trás do sucesso

Uma das características mais marcantes de Fábio Porchat é sua versatilidade. Com uma carreira que transita entre teatro, televisão, cinema, internet e stand-up, ele é um artista completo que entende profundamente as várias nuances do humor. Em seu programa no GNT, Que História É Essa, Porchat?, essa essência fica clara.

“Pensei: ‘O que eu sei fazer? Sei bater papo, improvisar, consigo melhorar as histórias das pessoas e ainda sou engraçado […] E se eu fizesse o programa só com o ‘filé mignon’ dos talk shows?”, conta Porchat durante a entrevista. Essa ideia de criar um formato dinâmico, centrado na sua personalidade e estilo, mostra a confiança que ele tem no seu trabalho e o desejo constante de inovar.

Porchat também destaca que seu programa foi pensado para que “o programa corra atrás de mim e não o contrário”. Essa inversão traz uma nova dinâmica para o talk show, colocando o apresentador no centro, mas sempre deixando espaço para a conversa e o improviso natural.

A amizade com Paulo Gustavo: parceria, aprendizado e saudade

Um dos momentos mais emocionantes da conversa é quando Porchat fala sobre Paulo Gustavo, grande amigo e parceiro de cena, que nos deixou precocemente em 2021. Os dois se conheceram na escola de teatro no Rio de Janeiro e, desde então, criaram uma conexão artística e pessoal muito forte.

“Éramos uma dupla em Infraestruturas. Eu escrevia os textos e corria para ele ler comigo, porque ele era brilhante, muito engraçado, então ele me falava: ‘Hum, isso aqui não tá funcionando’. Eu ia para casa, mexia. Esses textos não foram escritos pelo Paulo, mas, evidentemente, têm o DNA dele em todos eles e em mim também, lógico”, relembra Porchat.

Essa troca constante de críticas, ideias e sugestões ajudou a moldar grande parte do humor brasileiro dos anos 2000, especialmente um estilo que mistura sátira social com linguagem coloquial e humor ácido. Paulo Gustavo e Fábio Porchat representam uma geração que quebrou barreiras e levou a comédia nacional a novos patamares.

Porta dos Fundos: a revolução do humor na internet

Fábio Porchat é também um dos sócios-fundadores da produtora Porta dos Fundos, fenômeno que transformou o cenário da comédia no Brasil. Fundada em 2012, junto a Antonio Tabet, Gregório Duvivier, João Vicente de Castro e Ian SBF, a produtora conquistou milhões de fãs ao levar esquetes humorísticos ao YouTube, com roteiros inteligentes e críticas afiadas à sociedade.

“Tem que fazer rir, esse é o ponto de partida. Mas o humor também pode lançar luz sobre certos assuntos e, às vezes, jogar sombra. O humor está aí para provocar reflexão”, afirma Porchat, ressaltando o papel social da comédia. O canal rapidamente se tornou um dos mais influentes da internet brasileira, usando sua plataforma para questionar preconceitos, política, cultura e a vida cotidiana com irreverência.

Nem sempre as reações foram positivas: algumas esquetes geraram polêmica, e Porchat chegou a receber ameaças por vídeos que criticavam instituições como a polícia. Ainda assim, ele mantém firme a visão de que o humor é uma ferramenta poderosa para provocar mudanças e abrir debates.

Trajetória e formação: de um jovem ousado a referência nacional

Fábio Porchat nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de julho de 1983, filho de Fábio Ferrari Porchat de Assis, político e roteirista. Passou parte da infância em São Paulo e, desde jovem, mostrou talento especial para comunicação e arte. Em 2002, participou do programa do Jô Soares com uma esquete aplaudida de pé, que abriu portas para sua carreira.

Com formação em Artes Cênicas pela Casa de Arte das Laranjeiras (CAL), no Rio, Porchat construiu seu caminho com peças teatrais de sucesso e participações em programas como Zorra Total e Esquenta. Em 2005, estreou no teatro com Infraestruturas, ao lado de Paulo Gustavo, sob direção de Malu Valle — espetáculo que marcou o início de sua trajetória brilhante.

No cinema, participou de filmes como Vai que Dá Certo, Meu Passado Me Condena e dublou o personagem Olaf na versão brasileira de Frozen. Sua versatilidade o levou também para a TV paga, com programas como Papo de Segunda no GNT, além de apresentar talk shows na Record.

Humor com propósito: reflexões e responsabilidades

Para Porchat, o humor vai muito além do entretenimento; é uma forma de diálogo, protesto e até terapia coletiva. Em tempos difíceis, ele acredita que a comédia tem o poder de aproximar as pessoas e trazer à tona temas delicados.

“Rir é um ato político. Quando a gente ri de algo, está assumindo uma posição, dizendo que não aceita certas coisas. Isso pode incomodar, mas também abrir portas para o diálogo”, explica. Essa postura mostra a maturidade de quem já enfrentou altos e baixos, críticas, e soube usar sua visibilidade para falar de temas importantes.

Episódios inéditos e momentos de descontração

No Companhia Certa, Porchat promete revelar histórias nunca antes contadas, mostrando seu lado mais humano e espontâneo. Conhecido por valorizar a autenticidade, ele não tem medo de rir de si mesmo ou de tratar assuntos delicados com leveza.

A edição traz também momentos de humor afiado, fruto da química entre Porchat e Ronnie Von, que juntos criam um ambiente de conversa natural e agradável — quase como um encontro entre amigos.

O futuro de Fábio Porchat: sempre em busca de inovação

Com a carreira consolidada, Porchat segue explorando novas frentes. Seu programa no GNT se mantém relevante, ele continua à frente do Porta dos Fundos e desenvolve projetos em cinema, teatro e televisão.

“Hot Milk” estreia com exclusividade na plataforma MUBI e mergulha em vínculos tóxicos, libertação e desejo

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Em um verão escaldante na costa espanhola, o calor não queima apenas a pele — ele incendeia ressentimentos, segredos e os laços frágeis entre mãe e filha. Assim se desenrola Hot Milk, o delicado e perturbador longa-metragem que marca a estreia na direção da premiada roteirista britânica Rebecca Lenkiewicz, responsável por roteiros de filmes como She Said, Ida e Desobediência. O filme estreia com exclusividade na plataforma MUBI no dia 22 de agosto de 2025, prometendo uma experiência sensorial e emocional intensa.

Baseado no romance homônimo de Deborah Levy, indicado ao Booker Prize em 2016, Hot Milk estreia cercado de expectativas e debate. A produção teve sua première mundial na Competição Oficial do 75º Festival de Cinema de Berlim, onde concorreu ao Urso de Ouro e dividiu a crítica com sua proposta contemplativa e provocadora.

Entre cuidado e cárcere: a relação que prende

No centro do filme está Sofia, vivida por Emma Mackey (Sex Education, Emily, Barbie), uma jovem que passou a vida à sombra da mãe, Rose (Fiona Shaw, de Killing Eve). A viagem de ambas à cidade de Almería, no sul da Espanha, em busca de um tratamento para uma doença crônica e misteriosa de Rose, serve como ponto de partida para uma jornada emocional mais profunda: a libertação de Sofia da prisão emocional em que foi colocada desde a infância.

A princípio, a trama parece girar em torno da busca pela cura física. Mas, aos poucos, o roteiro conduz o espectador para a verdadeira enfermidade — não a do corpo, mas a da alma. Hot Milk é, em essência, sobre um vínculo adoecido, onde o cuidado se transforma em poder, e o amor em manipulação. Rebecca Lenkiewicz, em entrevistas, resumiu: “Há algo venenoso em algumas formas de amor”.

A chegada de Ingrid e a promessa de liberdade

É nesse contexto que surge Ingrid (vivida com charme etéreo por Vicky Krieps), uma mulher livre, misteriosa, que personifica tudo o que Sofia nunca conheceu: desejo, autonomia, instinto. A relação entre as duas é construída mais pelos gestos e olhares do que pelas palavras, criando uma atmosfera carregada de tensão sensual e descoberta emocional.

Ingrid não é apenas uma figura de interesse romântico — ela é um símbolo. Representa o outro lado do espelho: uma vida que Sofia poderia ter tido se não estivesse sempre em função da dor e da vontade da mãe. A relação entre elas, marcada por delicadeza e fricção, amplia o espectro do filme para além da maternidade, abordando também os labirintos do desejo feminino, da autonomia corporal e do direito de se reinventar.

Uma estética sensorial e inquietante

Filmado durante o verão europeu de 2023, entre Espanha e Grécia, o longa transforma o clima em personagem. O sol é opressor. A areia parece grudar na pele das protagonistas. O som das ondas, o barulho do vento, o zumbido do calor — tudo é usado pela direção para criar uma sensação de claustrofobia emocional. A fotografia, assinada com tons quentes e granulados, amplia esse sufocamento.

Lenkiewicz evita os atalhos do melodrama e investe em uma narrativa contemplativa, que valoriza os silêncios, os gestos contidos, e os conflitos não ditos. A influência do cinema de Ingmar Bergman é evidente na maneira como o filme investiga os vínculos familiares com desconforto, respeito e brutalidade.

Atuação que pulsa nas entrelinhas

A força de Hot Milk reside também nas interpretações. Emma Mackey entrega uma atuação sutil, marcada por expressões silenciosas e olhares de tensão. Sua Sofia começa como uma figura quase apagada, contida, mas ao longo da trama, ganha densidade, desejo, raiva — num arco de crescimento doloroso e libertador.

Fiona Shaw, por outro lado, apresenta Rose como uma figura ambígua: manipuladora, vulnerável, egocêntrica e, ainda assim, capaz de despertar empatia. É impossível ignorar sua presença em cena. Ela domina o espaço como alguém que se habituou a ser o centro da atenção — mesmo que isso custe a liberdade da filha.

A química entre ambas é palpável. Cada cena carrega uma tensão emocional quase sufocante, refletindo uma realidade muitas vezes silenciosa: a do amor materno que, sem limites, transforma-se em cárcere.

Da literatura ao cinema: bastidores e desafios

A adaptação do romance de Deborah Levy foi um processo demorado e cheio de exigências. Quando Christine Langan, da Baby Cow Productions, adquiriu os direitos do livro, sabia que queria alguém com sensibilidade para lidar com o material. Lenkiewicz topou a tarefa com uma condição: também queria dirigir o filme.

O orçamento de £4 milhões foi viabilizado com uma combinação de incentivos fiscais do Reino Unido e da Grécia, além de pré-vendas internacionais e o apoio da Film4. Segundo o produtor Giorgos Karnavas, filmar no auge do verão foi um desafio. Havia alertas de calor extremo, dificuldades logísticas e a tensão de manter a saúde da equipe em meio às altas temperaturas. Mas Lenkiewicz insistiu: queria o sol como metáfora, como elemento narrativo.

Após a estreia em Berlim em fevereiro de 2025, o filme passou por festivais europeus e norte-americanos, sempre provocando reações intensas. Agora, chega à MUBI, onde encontra um público mais íntimo, voltado ao cinema autoral e à introspecção estética.

Recepção dividida, mas reflexiva

A crítica não foi unânime. No Rotten Tomatoes, apenas 37% das críticas foram positivas, enquanto no Metacritic, a nota foi 54/100. Críticos elogiaram as atuações de Mackey e Shaw e a abordagem estética da diretora, mas apontaram o ritmo lento e a ambiguidade narrativa como elementos que podem afastar parte do público.

Por outro lado, o filme vem sendo celebrado em círculos acadêmicos e por cinéfilos como uma obra que desafia a lógica tradicional da catarse, preferindo a observação paciente das relações humanas e suas falhas irreparáveis.

Um cinema de desconforto — e de amadurecimento

Mais do que contar uma história sobre mãe e filha, Hot Milk convida o espectador a refletir sobre o preço da liberdade. A independência emocional raramente vem sem dor. Há sempre algo que se perde ao se romper laços antigos. O filme não oferece respostas fáceis, nem finais redentores. E talvez aí resida sua maior força: no desconforto que reverbera, nas perguntas que ficam.

Na era do consumo rápido de entretenimento, Hot Milk aposta no oposto: na lentidão, no desconforto e na intimidade. É um filme que pede pausa, reflexão, disposição para mergulhar nos labirintos da dor e da reinvenção.

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