Zeca Pagodinho leva o samba à alma do Japão em encontro com Pedro Bial no “Conversa com Bial”

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Em uma noite que une continentes, histórias e melodias, o “Conversa com Bial” desta sexta-feira, 25 de julho, se transforma num documentário íntimo e emocionante, conduzido por dois nomes que dispensam apresentações: Pedro Bial e Zeca Pagodinho. Mas desta vez, a roda de samba não é em Xerém, muito menos em um estúdio carioca. O cenário é um karaokê em Osaka, no Japão — uma cidade que pulsa entre luzes de néon e memórias silenciosas — onde o samba encontrou um novo lar, ao menos por uma noite.

No ar logo após o Jornal da Globo e às 23h45 no GNT, o programa especial joga luz sobre um encontro raro: o Brasil profundo e leve de Zeca e o olhar curioso e generoso de Bial, unidos em um canto improvável do mundo. Entre goles de cerveja, canções eternas e memórias costuradas pelo tempo, a edição vai muito além de uma entrevista — é um abraço cultural em quem assiste.

Um boteco de alma brasileira no coração de Osaka

Há algo de mágico quando culturas aparentemente distantes se encontram por afinidades invisíveis. Foi assim que o karaokê, símbolo pop da convivência japonesa, virou palco para um samba sincero. O microfone, geralmente usado por locais em interpretações de hits dos anos 80, agora estava nas mãos de Zeca Pagodinho, com seu chapéu panamá e aquela presença que enche qualquer espaço com afeto e verdade.

Ali, entre mesas apertadas, um telão exibindo letras e um público misto de brasileiros expatriados e japoneses curiosos, Zeca cantou “Conflito”, uma de suas pérolas afetivas. Ao lado de Pedro Bial, o clima era de roda de samba improvisada. Mas quem conhece Zeca sabe: o improviso é, muitas vezes, o ponto mais autêntico da arte.

“Não importa onde eu esteja. Se tiver cerveja gelada e alguém pra cantar comigo, tamo em casa”, brinca o cantor durante o papo, enquanto o público local batuca com as mãos na mesa, tentando acompanhar o ritmo que vem do coração.

De Irajá para o mundo: o Zeca que não precisa de palco

Nascido em Irajá, zona norte do Rio, Zeca viu a vida mudar quando a música deixou de ser passatempo e virou destino. Mas a fama nunca o distanciou das raízes. Ao contrário: ele sempre levou consigo o subúrbio, a rua, a conversa de bar, a sabedoria do povo. É isso que Pedro Bial, com sua escuta afiada, ajuda a revelar na conversa — não o Zeca artista, mas o Zeca homem, pai, amigo, brasileiro comum com dons extraordinários.

Durante a entrevista, Zeca revisita episódios marcantes da vida. Conta do dia em que Beth Carvalho o chamou para gravar pela primeira vez. Lembra dos tempos em que trabalhava como apontador de bicho e cantava em rodas de samba por prazer. E ri ao se lembrar do susto que a mãe levou quando ouviu sua voz no rádio pela primeira vez: “Achou que fosse outra pessoa. Falou: ‘Esse não é o Jessé!’”.

É essa autenticidade que fez com que Zeca se tornasse um dos sambistas mais amados do país — e agora, também, um embaixador informal da cultura brasileira na Ásia.

A Expo 2025 e o Brasil que canta além das fronteiras

O programa acontece no contexto da Expo 2025, que ocorre em Osaka e conta com participação do Brasil em uma série de eventos culturais. Além de Zeca, artistas como Mãeana, Lisa Ono e Bem Gil integram a programação. Mas, entre todos, é Zeca quem mais conecta com o público. Não por ter o maior palco ou a produção mais grandiosa — mas por carregar, na simplicidade de cada verso, uma parte da alma brasileira.

No evento, Zeca fez show para um público misto e entusiasmado. “Ver japonês cantando ‘Deixa a Vida Me Levar’ foi uma das coisas mais emocionantes que já vi”, revela Bial, ainda impactado. E realmente: a cena de centenas de vozes estrangeiras entoando em coro uma canção que nasceu nas ladeiras cariocas é uma prova de que a música atravessa fronteiras invisíveis.

O samba como memória afetiva de um país

Zeca é mais que um cantor. É cronista de um Brasil que resiste com leveza. Suas músicas falam de amor, de perdas, de esperanças e de saudades com uma linguagem que todo mundo entende. “Vai Vadiar”, “Maneiras”, “Verdade”, “Deixa a Vida Me Levar” — essas não são apenas faixas: são trilhas de vida. São hinos de momentos que cada brasileiro guarda como lembrança.

No programa, ele comenta que nunca planejou ser ídolo. “Eu só queria cantar, ué. Fazer um samba pra galera sorrir, pra aliviar o peso da vida”. E talvez por isso mesmo ele tenha se tornado tão essencial.

Um Brasil que não precisa de legenda

A presença de Zeca na televisão japonesa é discreta, mas significativa. Câmeras o seguem enquanto ele anda por Osaka, experimenta pratos locais, conversa com brasileiros que moram na cidade. “No Japão, o tempo é diferente. Tudo tem pausa. E samba também precisa de pausa, senão vira só batida”, filosofa.

Em uma cena belíssima, capturada pelas lentes da equipe do programa, ele ensina um grupo de japoneses a bater palma no ritmo do samba. Começa devagar, ajusta o compasso, até que o batuque coletivo se forma. Riem, erram, recomeçam. Não entendem o idioma, mas compreendem o espírito. E é isso que a música faz: comunica o que a linguagem formal não dá conta.

O jornalista que também se permite emocionar

Pedro, por sua vez, conduz o programa como quem guia uma visita ao próprio passado. Em diversos momentos, deixa transparecer a emoção — seja ao ouvir “O Sol Nascerá”, seja ao rever imagens da infância de Zeca. “Conversar com o Zeca é como ouvir o Brasil falar por meio de um samba. Ele transforma o cotidiano em poesia. É um dom raro”, diz o jornalista.

Ao longo da entrevista, Bial também reflete sobre o papel da cultura brasileira fora do país. “Ver um japonês cantar samba me dá a esperança de que nossa arte é maior do que pensamos. E de que ela pode, sim, salvar dias difíceis”.

De volta para casa, mas com o coração no Japão

A edição termina com Zeca caminhando pelas ruas iluminadas de Osaka. O olhar é curioso, mas sereno. “Aqui é diferente, mas também é parecido. Tem gente, tem silêncio, tem respeito. A gente acha que tá longe, mas a música aproxima”, diz ele, já com saudade no tom.

Ao fundo, ouve-se “Uma Prova de Amor”, em versão instrumental, enquanto a câmera se afasta. É o tipo de final que deixa um nó na garganta — não pela despedida, mas pela certeza de que encontros como esse deixam marcas que o tempo não apaga.

Karen Dió retorna ao Brasil para show solo em São Paulo e abre turnê do Avenged Sevenfold

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Na vida de alguns artistas, há momentos que funcionam como rachaduras: pequenas fraturas que deixam escapar a luz de uma nova identidade. Para Karen Dió, 2025 é esse instante de revelação. Após anos de transformações internas, mudanças geográficas e rupturas criativas, a cantora e compositora paulista está prestes a viver um reencontro poderoso com o público brasileiro. O motivo? O anúncio de seu primeiro show solo no Brasil, marcado para o dia 7 de outubro, na Casa Rockambole, em São Paulo.

Os ingressos já começaram a ser vendidos pelo site da Eventim, e o show integra a agenda da 30e, maior empresa brasileira de entretenimento ao vivo. Mas o retorno de Karen ao país vai além da capital paulista: ela também foi escalada para abrir os dois shows da banda Avenged Sevenfold no Brasil, em Curitiba (2/10) e São Paulo (4/10). Para quem acompanha sua trajetória desde os tempos da banda Violet Soda, esse é um marco. Para quem ainda não a conhece, talvez seja a hora de prestar atenção.

Uma jornada que atravessa oceanos e redescobre raízes

A história recente de Karen Dió é uma narrativa sobre deslocamento — não apenas físico, mas emocional, artístico e até existencial. Em 2022, ela deixou o Brasil e se mudou para o Reino Unido, não como fuga, mas como movimento de imersão e reconexão com aquilo que, por muito tempo, ficou encoberto pelo ruído da rotina, das expectativas e da pressão criativa.

“Eu precisava de silêncio para entender o que ainda era meu”, disse em entrevista à revista britânica NME. “Não queria me reinventar. Queria me enxergar.”

Foram dois anos de hiato, experimentação e desconstrução. Uma pausa corajosa — e dolorosa — que daria origem à artista que hoje começa a brilhar com mais potência do que nunca.

Violet Soda: o início de tudo

Karen começou sua caminhada na cena musical com a Violet Soda, banda que fundou em 2018. O grupo trazia uma mistura vigorosa de punk, garage e um quê de irreverência pop. Com ela nos vocais e guitarra, ao lado de Murilo Benites, André Dea e Tuti AC, o som da banda logo conquistou espaço no circuito independente nacional.

Foram quatro anos intensos de turnês, gravações e vivências. Mas a chama que move Karen é inquieta. O fim da Violet Soda não foi apenas o fim de uma banda — foi o começo de um chamado interno que ela decidiu escutar. E assim, com a mala na mão e a coragem no peito, ela embarcou rumo a Londres, onde daria os primeiros passos em sua fase mais autoral.

My World: o EP que grita (e dança)

Em 2024, já mais centrada, mais crua e mais conectada com sua essência, Karen lançou “My World”, seu primeiro EP solo. O trabalho marcou também sua entrada no selo norte-americano Hopeless Records, conhecido por revelar nomes como Neck Deep, PVRIS e a própria Avenged Sevenfold. Não foi pouca coisa.

“My World” apresenta uma artista que não está tentando agradar ninguém — está, sim, jogando luz sobre suas sombras. Faixas como “Sick Ride” e “Stupid” traduzem dores modernas em melodias agressivas, com guitarras afiadas, refrões que ecoam raiva e vulnerabilidade, e performances visuais que beiram o ritual.

A estética do EP, aliás, é um capítulo à parte. Em vez de suavizar suas angústias para se tornar mais palatável, Karen as amplifica. Usa a moda, o corpo, a luz e o palco como extensão da própria mensagem. É arte de verdade — intensa, imperfeita, honesta.

Do palco underground ao Download Festival

Com o EP recém-lançado, não demorou para que os olhos da cena punk internacional se voltassem para ela. E o ponto alto dessa escalada aconteceu em junho de 2025, quando Karen subiu ao Palco Avalanche do Download Festival, na Inglaterra.

O festival, um dos maiores do gênero na Europa, é conhecido por lançar luz sobre artistas emergentes ao lado de grandes nomes. A apresentação de Karen foi intensa, suada, emocional e inesperadamente catártica. “Ela entrou como uma promessa e saiu como realidade”, escreveu o portal britânico Soundsphere, que ainda destacou o pedido do público por um show mais longo em 2026.

A performance serviu como um selo de aprovação não só para o que Karen representa musicalmente, mas para a honestidade com que ela traduz sua trajetória em som. E esse eco positivo não parou por aí.

Reconhecimento global e festivais europeus

Poucos meses depois, o nome de Karen apareceu na lista NME 100, que destaca os artistas mais promissores do ano. Foi a consagração de um processo que começou em silêncio e agora reverbera nos palcos do mundo.

Além do Download, Karen passou por festivais como Xtreme Fest e Festival de La Mer, na França, e Burn It Down, no Reino Unido. Em todos, sua presença foi descrita como visceral, orgânica e transformadora. Nada ali parece ensaiado demais. Há falhas. Há lágrimas. Há verdade.

A volta para casa: o show na Casa Rockambole

No dia 7 de outubro, Karen sobe ao palco da Casa Rockambole, em São Paulo, para aquele que será, sem dúvida, um dos shows mais emocionantes de sua carreira. O local, conhecido por receber nomes alternativos em um ambiente intimista e vibrante, foi escolhido a dedo.

“Voltar pro Brasil nesse momento tem um peso emocional enorme pra mim”, disse em suas redes sociais. “É como se eu estivesse pronta para me encontrar com quem eu fui — e apresentar quem eu sou agora.”

O show promete mesclar faixas do EP, releituras de sua fase com a Violet Soda e algumas surpresas que ainda não vieram a público. Não será apenas um espetáculo musical. Será uma entrega, uma partilha, um reencontro.

Tame Impala volta com “End of Summer” e reinventa o som do amanhã – Kevin Parker nos convida a dançar com o invisível

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Há artistas que retornam para ocupar um espaço. E há aqueles que voltam para reinventá-lo. Kevin Parker, o cérebro criativo por trás do Tame Impala, nunca seguiu mapas, trilhas ou convenções. Ele constrói as próprias rotas — tortuosas, sensoriais, muitas vezes inclassificáveis. E agora, depois de anos em relativo silêncio, ele reaparece com “End of Summer”, sua primeira faixa pela Sony Music. O que poderia ser apenas mais um lançamento, na verdade, revela-se uma transformação profunda: o fim de um ciclo e a abertura de um novo portal sonoro.

Mas “End of Summer” não é sobre estações. É sobre transições internas. Sobre aquele momento tênue entre o que já foi e o que ainda não chegou. Como um pôr do sol que parece durar horas, a faixa nos transporta para um tempo onde a batida é memória e o som é sensação. Um lugar onde o passado e o futuro se fundem numa rave existencial.

Um som que não se ouve: se sente

Logo nos primeiros segundos da faixa, fica claro que Parker não está interessado em agradar o algoritmo. “End of Summer” é uma obra que se arrasta — no bom sentido. Ela não corre. Ela respira. Há nela uma confiança rara: a de um artista que sabe que o impacto não está no volume, mas na densidade emocional.

Com fortes influências da cena acid house de 1989, das festas ilegais em galpões britânicos e dos bush doofs australianos (aquelas celebrações eletrônicas em meio à natureza selvagem), a música carrega uma carga quase ritualística. O tipo de faixa que parece feita não para dançar, mas para atravessar. Para ser vivida em silêncio interno, com os olhos fechados e a alma em movimento.

A textura da produção é granulada, crua, alucinante. Parker constrói camadas que se dissolvem e se reorganizam com precisão quase invisível. Ele não entrega refrões — entrega atmosferas. Não entrega letras — entrega sensações. Em um mundo saturado por músicas feitas para durar 30 segundos no TikTok, “End of Summer” soa como um manifesto.

A solitude criativa de um gênio sonoro

Kevin Parker não tem banda. Nunca teve. Tame Impala é uma miragem coletiva guiada por uma única mente. Desde InnerSpeaker (2010), Parker escolheu seguir sozinho no estúdio: toca todos os instrumentos, compõe, grava, produz e ainda mixa. Ele é uma orquestra de um homem só — e o silêncio entre as notas parece tão planejado quanto cada acorde.

Mas ao contrário do que se imagina, essa solidão criativa nunca soou fria. As músicas de Parker sempre foram íntimas. Mesmo as mais dançantes escondem um quê de vulnerabilidade, de confissão. “End of Summer” é a continuidade dessa estética emocional, agora mais abstrata, mais dilatada. Como se, após anos testando melodias pop, ele tivesse se libertado da obrigação de cantar, de explicar, de conduzir.

Nesta faixa, Parker fala sem palavras. E diz muito.

Uma imagem que expande o som

Junto à música, veio também um curta-metragem dirigido pelo artista Julian Klincewicz — nome conhecido na cena visual por criar trabalhos que flutuam entre o documental e o onírico. Em “End of Summer”, Klincewicz entrega mais do que um clipe: ele oferece uma extensão do som, um prolongamento daquilo que não cabe nas frequências.

Filmado em tons nostálgicos, com granulações que evocam lembranças desfocadas, o vídeo acompanha personagens em cenários abertos, contemplativos, quase estáticos. Não há narrativa linear. Mas há atmosfera. E é exatamente isso que Kevin Parker tem feito ao longo de sua carreira: construir atmosferas que dizem mais que histórias.

O casamento entre som e imagem em “End of Summer” reafirma uma ideia que Parker sempre cultivou: a de que a música é uma experiência sensorial completa. Um estado alterado. Uma viagem interior.

A leveza de quem já conquistou tudo

Hoje, Kevin Parker poderia se acomodar. Ele tem prêmios — BRIT, ARIA, indicações ao Grammy. Tem números: bilhões de streams, faixas no topo das paradas alternativas, hits que ultrapassaram a bolha do indie. “The Less I Know The Better” se tornou um clássico instantâneo, tão presente em pistas quanto em trilhas sonoras de séries adolescentes. Tame Impala foi de festival cult a cabeça de cartaz do Coachella.

Além disso, Parker é requisitado pelas maiores estrelas do mundo: Dua Lipa, Lady Gaga, The Weeknd, Rihanna, Travis Scott. Ele produz, colabora, experimenta — sempre deixando sua marca sônica inconfundível. E mesmo assim, nunca pareceu se deslumbrar.

Em vez de repetir fórmulas, ele se recolhe. Sente. Pesquisa. Muda. E quando reaparece, como agora, é sempre com algo novo, desafiador, vivo.

Um futuro onde a música respira

A escolha de lançar “End of Summer” pela Sony Music também diz muito. Pode parecer apenas uma troca de gravadora, mas há algo simbólico nisso. Parker agora tem uma plataforma ainda maior — mas não comprometeu sua independência artística. A canção, densa e experimental, é a prova de que ele ainda é guiado por uma bússola interna, não por tendências.

E talvez esse seja o maior feito de Tame Impala: resistir à tentação de se tornar um produto. Mesmo com todo o sucesso, Kevin Parker continua fazendo música que nasce de um lugar profundo, que respeita o tempo do silêncio, da contemplação. Ele faz arte em uma era de conteúdo.

“End of Summer” não quer viralizar. Quer vibrar. E se conectar.

A dança invisível

Escutar “End of Summer” é como entrar em um sonho lúcido. Um espaço onde tudo parece se mover lentamente, como debaixo d’água. Não há pressa. Não há clímax. A música não chega a lugar nenhum — porque já está em todos os lugares. Ela pulsa, respira, dissolve-se no ouvinte.

É uma dança invisível. Um feitiço eletrônico. Um eco do que já vivemos e do que ainda não conseguimos nomear.

No fim, não é sobre o verão que termina. É sobre aquilo que fica. Aquela luz laranja que paira no céu quando o sol já se pôs, mas ainda não escureceu. Aquele som que não escutamos com os ouvidos, mas com o corpo inteiro. Aquele tipo raro de música que não se consome: se atravessa.

E enquanto Tame Impala nos guia, mais uma vez, por essa trilha sem mapa, tudo o que podemos fazer é fechar os olhos… e deixar a batida nos levar.

“Monsieur Aznavour” chega às telonas com imagens inéditas e narrativas do próprio artista

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Charles Aznavour não foi apenas um cantor. Foi um contador de histórias. Um poeta da fragilidade. Um homem que, sem ter nascido com o que muitos chamariam de uma “voz poderosa”, conquistou o mundo com sua autenticidade e capacidade ímpar de emocionar. Agora, em 2025, esse legado ganha uma nova forma de pulsar: nas salas de cinema. O longa-metragem “Monsieur Aznavour”, dirigido com sensibilidade por Mehdi Idir e Grand Corps Malade, estreia nos cinemas brasileiros, prometendo não apenas emocionar os fãs do artista francês, mas também apresentar sua humanidade tocante a uma nova geração.

A História Por Trás do Ícone

Charles Aznavour nasceu Shahnour Vaghinag Aznavourian, em Paris, em 1924, filho de imigrantes armênios que fugiram do genocídio. Desde cedo, sua vida foi marcada por deslocamentos — não apenas geográficos, mas emocionais. Vindo de uma família pobre e enfrentando discriminação, o jovem Aznavour desde muito cedo teve que aprender a se fazer ouvir num mundo que o ignorava.

Ele não tinha a “voz perfeita”. Pelo contrário: rouca, nasal e nada convencional. Ainda assim, foi justamente essa diferença que se transformou em sua maior força. Aznavour fez da sua vulnerabilidade um recurso poético. Compôs mais de 1.200 canções, gravou em nove idiomas, vendeu mais de 180 milhões de discos e foi aplaudido em palcos do mundo inteiro. Sua música foi espelho, abraço, confissão.

E é esse homem que o filme “Monsieur Aznavour” busca revelar — não apenas o astro, mas o ser humano por trás da fama.

Um Filme de Emoções Verdadeiras

Mais do que uma cinebiografia, “Monsieur Aznavour” é um retrato íntimo de um artista em permanente conflito consigo mesmo e com o mundo ao redor. Interpretado com intensidade por Tahar Rahim (conhecido por “O Profeta” e “Gladiador 2”), o cantor ganha vida nas telas em uma narrativa que passeia por seus altos e baixos, com foco especial em sua juventude, sua relação com a família e os dilemas existenciais que permeavam sua alma inquieta.

O filme não tenta glorificar Aznavour com clichês. Em vez disso, o apresenta como um homem feito de contradições: tímido e ousado, inseguro e determinado, romântico e desencantado. Essa complexidade, captada em cenas silenciosas, diálogos econômicos e atuações emocionantes, é o que torna “Monsieur Aznavour” tão envolvente.

A direção acerta ao evitar uma abordagem linear. A narrativa avança e recua no tempo, como se fosse uma canção do próprio Aznavour. Somos levados da infância difícil aos primeiros fracassos, das dúvidas sobre sua identidade até o momento em que sua arte começa a encontrar ressonância nos corações do público.

O Poder da Palavra e da Canção

Ao contrário de outros artistas da chanson française, Aznavour não dependia de metáforas rebuscadas ou grandes orquestrações. Sua força vinha da crueza. Ele falava de amor, solidão, morte, desejo e arrependimento de forma direta, porém arrebatadora. E o filme incorpora isso à sua linguagem visual.

Em diversas cenas, o espectador é convidado a mergulhar nas letras de suas canções, que surgem quase como monólogos internos do personagem. Músicas como “La Bohème”, “Hier Encore” e “She” não são apenas trilha sonora, mas elementos narrativos que conduzem a jornada emocional.

Essa escolha revela um profundo respeito dos diretores pelo legado do artista, tratando sua obra não apenas como pano de fundo, mas como a alma do filme.

Performance de Tahar Rahim: Uma Entrega Completa

A escolha de Tahar Rahim para o papel principal foi certeira. O ator francês de origem argelina traz uma vulnerabilidade rara à tela, sem jamais cair na caricatura. Seu olhar, muitas vezes melancólico, carrega uma história inteira mesmo quando não há palavras. É uma performance contida, mas profundamente tocante — que ecoa a própria essência de Aznavour.

Rahim não tenta imitar a voz do cantor. Ele o interpreta de dentro para fora, priorizando os gestos, os silêncios, as hesitações. E, assim como o homenageado, conquista não por grandiloquência, mas por verdade.

Não é a primeira vez que Charles Aznavour aparece nas telas. Ele próprio atuou em mais de 60 filmes, incluindo obras de diretores como François Truffaut (“Atirem no Pianista”) e Volker Schlöndorff. Aznavour sempre foi um artista multimídia, cuja presença transcendia o palco.

Mas esta é a primeira vez que sua história é contada de forma tão intimista, e por um olhar contemporâneo. O longa recebeu quatro indicações ao César, o mais importante prêmio do cinema francês, e já é considerado um dos retratos biográficos mais sensíveis do ano.

A estreia de “Monsieur Aznavour” chega ao Brasil em um momento em que a arte se faz mais necessária do que nunca. Num tempo de ruídos constantes, o silêncio poético de Aznavour se torna um refúgio. O filme está em cartaz em salas selecionadas pelo país, com destaque para cinemas de curadoria mais autoral, como o Reserva Cultural, o Espaço Petrobras de Cinema, o REAG Belas Artes, entre outros.

Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Salvador, Niterói, Brasília e São José dos Campos, o público terá a chance de assistir ao longa em exibições que privilegiam a imersão e a experiência sensorial.

As distribuidoras apostam também em sessões comentadas, debates e ações especiais voltadas a fãs da música francesa, estudantes de cinema e amantes da chanson.

“Mega Sonho” deste sábado (26/07) promete muita música e emoção com MC Kekel e Jaque Ciocci

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Foto: Reprodução/ Internet

Neste sábado, 26 de julho de 2025, a RedeTV! convida o público para uma noite de pura energia, música boa e desafios que fazem o coração acelerar. O game show “Mega Sonho”, apresentado pelo carismático Marcelo de Carvalho, retorna com tudo para animar o fim de semana, reunindo gente comum, histórias inspiradoras e aquela dose certeira de adrenalina.

Para dar ainda mais brilho à noite, o programa recebe dois convidados especiais: o cantor MC Kekel, que chega com seu ritmo contagiante e o sucesso “Amor de Verdade” para colocar todo mundo para cantar junto, e a apresentadora e influenciadora Jaque Ciocci, que traz sua simpatia e alto astral para participar das provas e dividir a emoção com os competidores.

Uma mistura que conquista o público

O “Mega Sonho” é muito mais do que um simples jogo de perguntas e respostas. É uma celebração dos sonhos, uma oportunidade para pessoas que têm histórias reais, desafios e esperanças, mostrarem sua garra em busca de um prêmio que pode transformar suas vidas.

A cada sábado, seis participantes entram na disputa, enfrentando provas que testam não só o conhecimento, mas também a agilidade, a coragem e a criatividade. As eliminatórias são intensas, cheias de suspense e momentos de pura emoção, até que um único finalista emerge para encarar o tão sonhado “Desafio do Milhão”.

É ali, naquela reta final, que a emoção alcança o ápice. Com a chance de mudar sua história, o competidor luta com toda sua determinação para conquistar o prêmio que muitos desejam, mas poucos alcançam. É um momento de tensão, expectativa e, claro, muita torcida.

O fenômeno que saiu da periferia para conquistar o Brasil

Keldson William da Silva, ou simplesmente Kekel, tem uma trajetória de superação e talento que inspira. Nascido no bairro de Guaianases, na Zona Leste de São Paulo, ele começou a cantar funk em 2012, enfrentando as dificuldades que muitos jovens da periferia conhecem bem.

Mas foi em 2016 que Kekel estourou no cenário nacional com a música “Quer Andar de Meiota?” — um verdadeiro hit que falou diretamente para a juventude, com um ritmo vibrante e um clipe que conquistou milhões de views. Desde então, sua carreira só cresceu.

Com parcerias de peso, como com o produtor KondZilla, ele lançou sucessos que embalaram verões inteiros: “Partiu” e “Namorar pra que?” se tornaram hinos, presentes nas rádios, festas e playlists por todo o país.

E não é só festa: Kekel também mostrou seu lado solidário e respeitoso. Em 2016, lançou a “Homenagem à Chapecoense”, após a tragédia do acidente aéreo que comoveu o Brasil, emocionando fãs e familiares.

Hoje, além da música, Kekel é pai dedicado, companheiro da nutricionista Sabrina Lacerda, e compartilha a rotina de suas duas filhas, Helena e Heloisa, com seus seguidores, mostrando um lado humano e acessível.

Alegria e representatividade no palco

Jaque Ciocci não é só apresentadora e influenciadora; ela representa uma geração que valoriza a diversidade, o diálogo aberto e a autenticidade. Sua participação no “Mega Sonho” não é apenas para animar a plateia, mas para mostrar que todos têm espaço para brilhar, independente de suas diferenças.

Com seu sorriso fácil e uma energia contagiante, Jaque encara os desafios ao lado dos competidores, tornando o programa ainda mais leve, divertido e cheio de boas vibrações.

“Programa do Ratinho” desta sexta (25/07) presta homenagem a Regina Duarte com apresentações de Edson & Hudson e Cezar & Paulinho

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Foto: Lourival Ribeiro/SBT

Na noite desta sexta-feira, 25 de julho de 2025, o palco do “Boteco do Ratinho” será tomado por emoção, música e muitas lembranças. A edição especial do quadro, exibido dentro do tradicional “Programa do Ratinho”, trará um momento raro e profundamente simbólico para os amantes da televisão brasileira: Regina Duarte, um dos maiores nomes da teledramaturgia nacional, será homenageada com o troféu “Para Sempre Nossa Estrela”, uma comenda inédita criada especialmente para reverenciar artistas cujo trabalho se tornou parte inseparável da história cultural do país.

O clima da atração promete ser de pura celebração. Ao som da música ao vivo, dos causos contados com humor e da presença de amigos e convidados que cruzaram o caminho de Regina nas últimas décadas, a noite se transforma em um verdadeiro tributo à sua trajetória – uma carreira marcada por personagens inesquecíveis, amores intensos, dilemas sociais e um carisma que atravessou gerações.

Uma noite para lembrar: música, emoção e reencontros

Gravado com plateia ao vivo, o programa mistura o aconchego dos bares brasileiros com o ritmo popular do auditório televisivo, e nesta sexta o “Boteco” ganha ares de encontro histórico. Além de um repertório musical que resgata canções marcantes das trilhas sonoras das novelas protagonizadas por Regina, o programa contará com depoimentos emocionantes de colegas de cena, diretores, roteiristas e até fãs que foram tocados por sua arte.

Em um dos momentos mais aguardados, Carlos Alberto de Nóbrega – amigo pessoal da atriz – surgirá em uma participação especial. Outros nomes de peso, como Tony Ramos, Glória Pires, Lima Duarte e Edson Celulari, também deixarão mensagens que costuram a história da televisão brasileira à da homenageada.

O apresentador Ratinho, conhecido por seu jeito irreverente e espontâneo, conduz o programa com afeto e respeito, deixando de lado por instantes o humor ácido para abrir espaço à reverência. “A Regina faz parte da nossa história, da televisão, da casa das pessoas. Ela merece todas as homenagens do mundo”, diz o comunicador.

Regina Duarte: uma vida diante das câmeras

Nascida em Franca, interior de São Paulo, Regina Duarte se tornou um dos rostos mais familiares da televisão brasileira desde os anos 1960. A atriz ganhou o coração do público com sua doçura, firmeza e uma sensibilidade quase intuitiva na hora de compor personagens femininas fortes, vulneráveis, apaixonadas, contraditórias.

Sua consagração veio nos anos 1970, quando encarnou a Simone, de “Selva de Pedra”, e mais tarde a Patrícia, de “Carinhoso”. Mas foi em “Malu Mulher”, exibida entre 1979 e 1980, que Regina se tornou símbolo de uma nova mulher brasileira, em meio às transformações políticas e sociais do país. A personagem Malu, divorciada, independente e determinada, ecoou nos lares como um grito de liberdade e identidade.

Décadas depois, outras personagens emblemáticas vieram: Porcina, de “Roque Santeiro”; Raquel, de “Vale Tudo”; Helena, de “História de Amor” e de “Por Amor”, ambas de Manoel Carlos, com quem a atriz estabeleceu uma das parcerias mais marcantes da dramaturgia nacional. Regina interpretou, ao longo da carreira, mulheres que amavam, sofriam, lutavam e renasciam – todas com a alma pulsando diante das câmeras.

Uma homenagem ao legado afetivo e artístico

O troféu “Para Sempre Nossa Estrela” representa mais do que uma lembrança: ele simboliza a preservação de uma memória cultural afetiva, um reconhecimento que ultrapassa os limites da televisão para se tornar quase íntimo do povo brasileiro. Afinal, quem não cresceu vendo Regina Duarte na telinha, sorrindo, chorando, apaixonada, guerreira, mãe, filha, amada?

A ideia do prêmio partiu da equipe de produção do SBT, que busca com ele valorizar artistas que deixaram marcas profundas no imaginário coletivo. Regina é a primeira homenageada, mas a proposta é que o reconhecimento se torne recorrente, trazendo à tona nomes que ajudaram a formar a identidade da televisão nacional.

Durante a entrega do troféu, o programa exibirá um vídeo com imagens raras de bastidores, trechos de novelas, entrevistas antigas e cenas icônicas – um compilado que emociona e nos faz lembrar que a arte também é feita de histórias que atravessam o tempo.

Do drama à realidade: um olhar sobre o presente

Nos últimos anos, Regina Duarte também se viu no centro de polêmicas, sobretudo por sua passagem pela Secretaria Especial de Cultura do governo federal. A decisão gerou reações diversas e dividiu opiniões. Ainda assim, sua presença na televisão permanece intacta no coração de muitos que acompanharam sua jornada na ficção.

No programa, esse período não será o foco. A intenção é resgatar a potência artística da atriz e o seu legado afetivo. “Ela fez parte das nossas vidas durante décadas. É isso que queremos lembrar”, afirma Ratinho.

A homenagem, portanto, é uma oportunidade rara de resgatar o olhar sensível que o público sempre teve por Regina, lembrando que por trás das polêmicas, há uma artista que dedicou mais de 50 anos à construção de uma das teledramaturgias mais ricas do planeta.

Edson & Hudson: vozes que marcaram gerações

Formada pelos irmãos Edson Cadorini e Hudson Cadorini, a dupla nasceu em Limeira (SP) e está no cenário musical desde 1980. Com uma trajetória marcada pela versatilidade, misturando elementos do sertanejo tradicional e influências do rock, Edson & Hudson conquistaram sucesso nacional, especialmente após o hit “Azul” estourar em 2002.

Durante um hiato entre 2009 e 2011, seguiram carreiras solo, mas retomaram a parceria, realizando turnês e lançando novos trabalhos. São conhecidos por apresentações energéticas e por manterem viva a tradição da música sertaneja, sempre com uma pegada moderna que agrada a fãs de todas as idades.

Cezar & Paulinho: tradição e legado de família

Formada pelos irmãos Sebastião Cezar Franco (Cezar) e Paulo Roberto Franco (Paulinho), a dupla é uma das mais tradicionais da música sertaneja brasileira, com mais de 40 anos de estrada e uma discografia que ultrapassa 29 CDs e 5 DVDs. Originários de Piracicaba (SP), fazem parte da segunda geração de cantadores da família Franco, com raízes profundas no universo caipira.

Com sucessos como “Noite Maravilhosa”, “Viajante Solitário”, “Pé de Bode” e “Nóis É Cowboy”, Cezar & Paulinho construíram um legado que atravessa gerações, mantendo viva a essência da música sertaneja raiz. A dupla é reconhecida também pela presença da terceira geração familiar na música, com Ed & Fábio Cezar, filhos de Cezar, continuando a tradição.

Um encontro para celebrar a música e a cultura brasileira

O Boteco do Ratinho desta sexta será palco da mistura de emoção, história e música. Entre conversas descontraídas, risadas e recordações, Edson & Hudson e Cezar & Paulinho apresentarão sucessos que embalam festas, encontros e momentos inesquecíveis do público brasileiro.

Com essa combinação, o programa reforça sua tradição de valorizar artistas que, assim como Regina Duarte, fazem parte do patrimônio cultural do país, emocionando e unindo gerações com histórias e canções que permanecem vivas no coração do Brasil.

“Quilos Mortais” desta sexta (25/07) emociona com a jornada dos irmãos John e Lonnie Hambrick na Record TV

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À primeira vista, pode parecer que “Quilos Mortais” é mais um reality sobre perda de peso. Mas basta assistir a poucos minutos para entender que o programa vai muito além de números na balança. A cada episódio, o público é convidado a entrar na vida de pessoas que, além de lutarem contra a obesidade extrema, enfrentam cicatrizes invisíveis – aquelas que não aparecem nos exames, mas que moldam cada escolha, cada recaída, cada tentativa de mudança.

Nesta sexta-feira, 25 de julho de 2025, às 22h45, a Record TV exibe um capítulo especialmente tocante da série. O foco está na história dos irmãos John e Lonnie Hambrick – dois homens que chegaram ao programa carregando mais do que excesso de peso. Eles vinham, na verdade, de uma longa trajetória de afastamento, mágoas e silêncios entre irmãos que já foram próximos, mas que a vida – e seus traumas – afastou.

Do isolamento ao reencontro: uma jornada que começa com 270 e 300 kg

John iniciou sua participação no programa com cerca de 300 kg. Lonnie, com 270 kg. Ambos já não conseguiam realizar tarefas básicas do dia a dia, como se levantar sozinhos, subir escadas ou até mesmo sair de casa sem ajuda. Mas talvez o peso mais insuportável fosse outro: a vergonha, o abandono, o sentimento de fracasso que os mantinha presos a um ciclo vicioso de culpa e compulsão.

A decisão de buscar ajuda veio de forma independente, mas foi dentro do programa – e com o auxílio do rígido e respeitado Dr. Nowzaradan – que os irmãos se reencontraram. E reencontrar, aqui, não é apenas no sentido físico. Eles se reconheceram como iguais. Como sobreviventes. Como filhos de uma mesma dor.

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Dr. Now e a importância de tratar o que não se vê

Quem já acompanha o programa sabe que o Dr. Nowzaradan é um profissional conhecido por sua franqueza. Ele não floreia. Diz o que precisa ser dito – e, às vezes, com certa dureza. Mas sua abordagem também é profundamente humana, especialmente quando reconhece que a cirurgia bariátrica é apenas uma ferramenta. O verdadeiro trabalho está na mente.

“A psicologia associada ao vício em comida é tão fundamental quanto o procedimento cirúrgico”, afirma o médico durante o episódio. E ele está certo. Em um país como os Estados Unidos, onde a obesidade é um problema de saúde pública, raramente se discute o quanto traumas emocionais alimentam compulsões. Comer, para muitos, é um mecanismo de sobrevivência emocional.

No caso dos irmãos Hambrick, ficou claro que não bastava mudar a alimentação ou perder peso. Era preciso olhar para dentro. Curar o que os havia separado. Encerrar ciclos de dor, ressentimento e abandono. E isso, como o episódio mostra, é o mais desafiador de tudo.

Uma irmandade reconstruída entre lágrimas e perseverança

À medida que o tratamento avança, John e Lonnie passam a conviver mais de perto. Dividem o mesmo espaço, as mesmas refeições restritas, os mesmos desafios. E, aos poucos, vão aprendendo a confiar novamente um no outro.

Há momentos de tensão – como não haveria? – mas também há cenas genuínas de afeto, cuidado e companheirismo. Um ajuda o outro a caminhar. Um segura a barra quando o outro quer desistir. Um escuta, mesmo quando é difícil. É nesse vai-e-vem de fragilidade e coragem que a relação entre eles ganha um novo contorno: não mais como dois homens tentando emagrecer, mas como irmãos redescobrindo o que significa ter alguém ao lado.

Em uma das cenas mais emocionantes, John desabafa: “A gente passou tanto tempo longe, com vergonha, com medo… E agora, só de ter meu irmão aqui, parece que tudo é mais possível.” É um daqueles momentos em que a TV deixa de ser espetáculo e vira espelho.

Muito além da balança: a obesidade como questão social e emocional

O episódio desta sexta também nos convida a pensar na obesidade para além da lógica da culpa individual. John e Lonnie representam uma multidão de pessoas que, por razões diversas, acabam se refugiando na comida como única forma de alívio. Não é preguiça. Não é desleixo. É dor crônica. É falta de acesso. É trauma. É abandono.

A narrativa dos irmãos joga luz, ainda, sobre o tabu da saúde mental entre homens. Quantos homens você conhece que se sentem à vontade para dizer que estão sofrendo? Que choram? Que pedem ajuda? John e Lonnie fazem isso em rede nacional. Se expõem. Sofrem. Mas também mostram que há saída. Que vulnerabilidade é, sim, força.

O que o episódio nos ensina

No fim das contas, este episódio de “Quilos Mortais” não é apenas sobre dois irmãos obesos tentando emagrecer. É sobre dois homens tentando se salvar. Tentando se perdoar. Tentando viver. Eles enfrentam recaídas. Têm medo da cirurgia. Discutem. Mas também dançam, riem, choram e comemoram cada pequeno avanço. A perda de peso é significativa – dezenas de quilos ao longo de um ano – mas o que realmente muda é o modo como se olham, como se veem, como se entendem.

Por que vale a pena assistir

Se você busca uma história real, sem roteiros pré-fabricados, este episódio é para você. Se você já enfrentou seus próprios fantasmas – ou conhece alguém que esteja nessa batalha –, a jornada dos irmãos Hambrick pode tocar fundo. Não porque oferece fórmulas mágicas, mas porque escancara o que é ser humano em sua forma mais crua.

Paula Toyneti Benalia transforma dor em esperança em “Uma Lua de Amor”, seu novo romance de época

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Em tempos em que o romance de época muitas vezes se limita à fantasia de vestidos esvoaçantes e bailes perfumados, Paula Toyneti Benalia ousa mirar mais fundo — no que se esconde por trás dos sorrisos formais, das alianças forjadas por conveniência e dos corações soterrados por mágoas. Em “Uma Lua de Amor”, seu mais recente romance, a autora nos oferece uma história que vai além do encantamento estético. O que encontramos, em sua essência, é um confronto visceral entre dois destinos despedaçados, obrigados a coexistir sob as amarras da honra, da perda e daquilo que restou da esperança.

Escrito com precisão emocional e uma sensibilidade incomum, “Uma Lua de Amor” se passa em uma Londres do século XIX coberta por névoas — não apenas as climáticas, mas também aquelas que encobrem os sentimentos dos protagonistas. Em vez do cenário de sonho que muitos esperariam, a narrativa se desenrola em meio a feridas abertas, ressentimentos ardentes e uma atmosfera que remete mais ao confronto interno do que aos encantos da alta sociedade.

Dois destinos em ruínas

Logo de início somos apresentados a Gabriel, um duque que carrega nas costas muito mais do que um título. O peso das perdas que sofreu — a morte da mãe, a separação da irmã e a traição da mulher que amava — o empurra para um abismo que parece não ter fim. Despido de fortuna, afeto e propósito, Gabriel escolhe se agarrar à única chama que lhe resta: a vingança.

Seu plano é cruel, e soa como um grito desesperado de alguém que perdeu qualquer referência de amor. Ao sequestrar Isabel, irmã mais nova de Sarah (a mulher que o rejeitou), Gabriel pretende destruir o prestígio da família e, com isso, recuperar algum tipo de poder — financeiro e simbólico. O casamento forçado, em uma época em que a reputação de uma mulher era seu maior bem, surge como arma definitiva.

Mas o que ele não contava era que, dentro da delicadeza de Isabel, morava uma força que nem o rancor dele seria capaz de dominar.

Isabel: a coragem de quem escolhe não se corromper

Isabel é apresentada como uma jovem sonhadora, apaixonada por livros e fantasias, mas a cada página ela prova ser mais do que isso. Sua resistência não se dá por confrontos abertos, mas por uma teimosia amorosa de não se deixar endurecer. Ela não ignora a violência que sofre — sente, sofre, se encolhe — mas não se permite perder a fé de que, dentro do homem que a aprisiona, ainda há humanidade.

Essa fé é testada repetidas vezes. E é exatamente nela que Paula constrói uma personagem que rompe com o clichê da mocinha frágil. Isabel é corajosa porque sente medo. É forte porque se nega a odiar. É revolucionária porque escolhe amar onde havia apenas ruína.

Sua presença, ao contrário do que Gabriel planejava, não o destrói — o reconstrói.

Amor que não idealiza, mas transforma

O ponto mais poderoso de “Uma Lua de Amor” talvez esteja justamente na forma como Paula subverte o conceito tradicional de amor em romances de época. O sentimento que nasce entre Gabriel e Isabel não surge de olhares cruzados em bailes iluminados, mas de silêncios incômodos, noites frias e confrontos internos. É um amor suado, desconfortável, cheio de culpa e confusão — como é o amor real, especialmente quando se trata de dois personagens quebrados.

A autora não romantiza as escolhas erradas de Gabriel. Ao contrário: ela permite que ele enfrente suas sombras, que escute seus próprios erros ecoando nos olhos de Isabel. Só depois disso — e só por causa disso — é que a transformação se torna possível.

O romance entre os dois é construído em camadas: começa com repulsa, atravessa o espanto, caminha para a curiosidade, alcança a compaixão e, por fim, explode em afeto. E ainda assim, tudo permanece frágil — como deve ser. A autora não oferece finais fáceis. Oferece caminhos.

Um romance histórico com alma contemporânea

Apesar de ambientada no século XIX, a obra traz uma pulsação extremamente atual. Os dilemas que os personagens enfrentam — culpa, traumas familiares, relações tóxicas, medo de amar — poderiam se passar nos dias de hoje. Isso porque Paula não escreve apenas sobre personagens em vestidos ou fraques. Ela escreve sobre gente. E gente, em qualquer época, sangra do mesmo jeito.

A crítica social também aparece com sutileza, mas firmeza. A autora questiona os papéis impostos às mulheres, o peso da reputação masculina, o poder destrutivo das convenções. Ao colocar Isabel em confronto com um sistema que a silencia, Paula dá voz a tantas mulheres que, em pleno 2025, ainda enfrentam casamentos forçados, chantagens emocionais e desigualdades em nome da “honra”.

Paula Toyneti Benalia: uma autora em amadurecimento criativo

Com uma carreira consolidada no universo do romance, Paula Toyneti Benalia se mostra aqui em sua fase mais madura. Sua escrita equilibra o lirismo das emoções com a crueza dos fatos. Ela sabe dosar diálogos com introspecções, e alternar os pontos de vista de forma que o leitor consiga entrar na pele de ambos os protagonistas.

Seus personagens secundários também brilham em participações pontuais, ajudando a enriquecer o universo narrativo sem jamais desviar o foco da jornada central. Tudo parece calculado — mas sem parecer mecânico. A fluidez é tamanha que o leitor sente que está ouvindo uma história contada à meia-luz, em confidência.

Por que ler “Uma Lua de Amor”?

Porque é uma história que não subestima a inteligência emocional do leitor. Porque apresenta personagens imperfeitos que lutam para não se tornarem amargos. Porque fala sobre culpa, luto, reconstrução, perdão — temas que não têm época, nem moda.

“Uma Lua de Amor” é para quem gosta de romance com verdade. Para quem prefere sentimentos reais a declarações floreadas. Para quem sabe que o amor não é um prêmio que se ganha no final, mas uma escolha que se renova a cada gesto, a cada recuo, a cada coragem de recomeçar.

E, acima de tudo, é um livro que nos lembra de que nenhum coração está irremediavelmente perdido — desde que alguém, mesmo machucado, escolha amar sem condições.

Super Tela deste sábado (26/07): Record TV exibe o intrigante thriller “Nefarious”

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No meio de tantos blockbusters que apostam em efeitos especiais e grandes franquias, às vezes o cinema independente traz algo diferente — um filme que vai além do entretenimento para fazer a gente pensar. Nefarious, que vai passar na Super Tela da Record TV neste sábado, 26 de julho de 2025, é exatamente isso. Um thriller de terror com uma pegada espiritual, que mexe com a nossa cabeça e desafia as certezas.

Dirigido por Chuck Konzelman e Cary Solomon, o longa é baseado no livro A Nefarious Plot, de Steve Deace, e conta uma história que, apesar de simples, tem camadas profundas. É um filme que não foge de temas polêmicos e que pode dividir opiniões — mas que, com certeza, vai deixar marca.

Um enredo que mistura dúvida, fé e medo

A história gira em torno do psiquiatra Dr. James Martin (interpretado por Jordan Belfi), que é chamado para avaliar um preso no corredor da morte, Edward Wayne Brady (Sean Patrick Flanery). Edward foi condenado por uma série de assassinatos, mas ele diz que não é ele mesmo — na verdade, é um demônio chamado Nefarious que tomou seu corpo.

A missão de Martin é descobrir se Edward está realmente louco ou só tentando enganar o sistema para escapar da execução. Só que essa avaliação acaba mexendo com muito mais do que a vida do condenado: desafia as próprias crenças do psiquiatra e joga o espectador num jogo de sombras entre ciência, religião e psicologia.

Nefarious não tenta dar respostas fáceis, pelo contrário. Ele faz a gente questionar o que é real e o que não é, o que é maldade humana e o que pode ser algo maior — e deixa a dúvida pairando durante todo o filme.

Personagens vivos e intensos

Um dos pontos fortes do filme é o elenco, que dá vida a essa trama pesada de um jeito muito natural e convincente. Sean Patrick Flanery, que já fez vários papéis marcantes, está simplesmente brilhante como Edward/Nefarious. Ele consegue ser assustador, sedutor e cheio de nuances, o tipo de vilão que a gente não esquece fácil.

Jordan Belfi, no papel do psiquiatra Martin, segura muito bem o filme, mostrando um homem que tenta ser racional e firme, mas que vai se desmoronando à medida que o confronto com Edward avança. Ele traz humanidade para um personagem que poderia facilmente virar apenas um clichê do médico cético. O restante do elenco também dá um suporte sólido, ajudando a construir aquela atmosfera de tensão e confinamento que permeia toda a história.

Um filme que fala sobre fé e dúvida

O que mais chama atenção em Nefarious é a forma direta como ele aborda a fé, o sobrenatural e o mal. Não é só mais um filme de terror com fantasmas e monstros — aqui, o mal tem voz, opinião, e até crítica social.

Em vários momentos, o tal “Nefarious” fala sobre como o mundo está pior do que nunca, citando problemas reais como o aumento da escravidão moderna e o aborto, temas que aparecem no filme e mexem com o espectador de forma bastante direta.

Isso pode incomodar quem prefere um filme mais neutro ou que não toque nesses assuntos. Por outro lado, traz uma autenticidade que é rara, especialmente no gênero terror, e mostra um lado pouco explorado: o confronto entre crença e ceticismo.

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Uma produção modesta, mas eficiente

Gravado em Oklahoma City, o filme usa um cenário simples — quase todo dentro da prisão — para criar um clima claustrofóbico que ajuda a aumentar o suspense. Não tem efeitos especiais mirabolantes, mas a fotografia, os sons e a direção de arte funcionam juntos para deixar tudo tenso e envolvente.

Essa simplicidade acaba favorecendo a história, que não perde o foco nos personagens e na luta psicológica que está no centro do filme.

Como o público e a crítica reagiram

O longa-metragem não fez muito barulho nas bilheterias — arrecadou cerca de US$ 1,3 milhão, número modesto perto dos grandes lançamentos. A crítica especializada foi dividida, com alguns apontando que o filme exagera na mensagem religiosa e que falha em algumas partes do roteiro. Já o público, especialmente aqueles que gostam de histórias que mexem com a mente e o espírito, deu uma resposta bem mais positiva, com nota B+ no CinemaScore e 97% de avaliações positivas no Rotten Tomatoes.

Por que vale a pena assistir

Se você está cansado de filmes de terror que se resumem a sustos fáceis e efeitos visuais, o longa pode ser uma surpresa. Ele desafia o espectador a pensar sobre o que é maldade, sobre o que acreditamos e como lidamos com o desconhecido. Além disso, é uma história que toca no humano, nos medos que todo mundo tem, mesmo quando tenta esconder. E isso faz toda a diferença.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos faz história nas bilheterias com US$ 23 milhões em pré-estreia nos Estados Unidos

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Nos últimos anos, a expectativa em torno do retorno do Quarteto Fantástico ao Universo Cinematográfico Marvel (MCU) chegou a um nível quase palpável. Fãs da primeira hora, leitores fiéis dos quadrinhos e espectadores do cinema de super-heróis aguardavam ansiosamente uma produção que pudesse, enfim, fazer justiça à complexidade e importância desse grupo seminal da cultura pop. Com o lançamento de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, a Marvel Studios não apenas atendeu a essa demanda, mas superou as expectativas, entregando uma obra que dialoga com o passado, abraça o presente e projeta um futuro promissor para seus personagens.

A pré-estreia do filme nos Estados Unidos, que arrecadou impressionantes US$ 23 milhões, já sinalizava o êxito comercial do longa-metragem. Tal valor, que iguala a recente pré-estreia do reboot de Superman, coloca o filme em um patamar de destaque para o fim de semana de estreia, com previsões de arrecadação que ultrapassam os US$ 110 milhões. No entanto, mais do que números, Primeiros Passos oferece uma experiência cinematográfica rica, fundamentada em personagens multifacetados, dilemas morais profundos e uma narrativa que ressoa para além das tradicionais batalhas heroicas.

O contexto: uma história marcada por tentativas e erros

Para compreender o peso deste lançamento, é fundamental revisitar o histórico atribulado do Quarteto Fantástico nas telas. Desde a produção amadora de 1994, feita exclusivamente para manter os direitos cinematográficos, passando pelas versões de 2005 e 2007, que, apesar do sucesso moderado, não conseguiram se firmar como referência na franquia, o caminho até aqui foi pontuado por altos e baixos. A saída da Fox do controle dos direitos abriu uma nova era de possibilidades para o grupo, agora sob o comando da Marvel Studios, que buscava redefinir não só os personagens, mas também o tom e a relevância dentro de um universo compartilhado que já é um fenômeno cultural global.

A chegada de Matt Shakman à direção, conhecido pelo trabalho aclamado em WandaVision, representou um marco na condução do projeto. Combinando experiência em narrativas televisivas e cinema, Shakman trouxe uma sensibilidade narrativa que equilibrasse ação e emoção, elementos essenciais para que o Quarteto fosse apresentado não só como super-heróis, mas como pessoas.

Enredo: uma viagem entre o épico e o íntimo

Situado na Terra-828, uma realidade paralela dentro do multiverso da Marvel, o filme começa quatro anos após o evento que conferiu poderes a Reed Richards (Pedro Pascal), Sue Storm (Vanessa Kirby), Ben Grimm (Ebon Moss-Bachrach) e Johnny Storm (Joseph Quinn). O que poderia ser apenas uma história de origem tradicional se transforma em uma narrativa sobre legado, família e responsabilidade.

A trama gira em torno da Fundação Futuro, instituição liderada por Reed e Sue que simboliza a esperança de um mundo menos marcado por conflitos e pela militarização excessiva. Sue, que está grávida, enfrenta uma ameaça inesperada: Galactus (Ralph Ineson), uma entidade cósmica devoradora de mundos, que exige a entrega do bebê que ela carrega, pois nele reside um poder capaz de desequilibrar o universo.

Esse cenário proporciona uma tensão constante entre os laços familiares e a ameaça existencial, colocando os personagens em um confronto que vai além da força bruta, envolvendo sacrifícios e escolhas morais que refletem no espectador. O filme não se apoia apenas em cenas de ação grandiosas, mas investe pesado no drama pessoal de cada personagem, tornando-os críveis e complexos.

Personagens que respiram e emocionam

A performance de Vanessa Kirby como Sue Storm é um dos pontos altos do filme. Sua atuação transmite não só a força de uma mulher que lidera uma instituição revolucionária, mas também a fragilidade e a coragem de uma mãe que enfrenta o desconhecido para proteger seu filho e o mundo. Em entrevista exclusiva, Kirby comentou:

“Sue não é uma heroína perfeita; ela é humana, cheia de dúvidas e medos. Isso a torna muito mais real e inspiradora. Interpretá-la me desafiou a encontrar esse equilíbrio entre a cientista racional e a mãe protetora.”

Pedro Pascal, por sua vez, dá vida a um Reed Richards menos cartunesco e mais próximo de um homem dividido entre a genialidade e a vulnerabilidade. Pascal explicou a abordagem:

“Reed é alguém que carrega um peso enorme — o de ser um visionário, mas também um homem comum. A paternidade o torna mais complexo, mais humano, e isso estava no centro do que queríamos contar.”

Joseph Quinn e Ebon Moss-Bachrach completam a equipe com interpretações que adicionam camadas às personalidades dos irmãos Storm e do amigo de longa data, Ben Grimm. O carisma e a química entre os quatro são palpáveis, um elemento fundamental para que o público se conecte emocionalmente com a narrativa.

Galactus: uma ameaça distinta

A construção do vilão Galactus, vivido por Ralph Ineson, foge do estereótipo do antagonista tradicional. Com uma interpretação que privilegia a presença e o peso existencial, Ineson incorpora um ser que é tanto uma força da natureza quanto um agente do destino. A caracterização visual do personagem, com armadura fiel aos quadrinhos, reforça essa dualidade.

A dinâmica entre Galactus e sua arauta, a Surfista Prateada (Julia Garner), adiciona uma camada de tragicidade ao conflito. A relação entre eles explora temas como sacrifício e inevitabilidade, tornando o confronto final não apenas um embate físico, mas um choque filosófico.

Referências, surpresas e futuro promissor

Além da narrativa principal, o filme agrada aos fãs com referências discretas ao universo expandido e ao passado da franquia. Um dos momentos mais comentados é a participação especial de Robert Downey Jr. como Doutor Destino, que abre portas para futuras conexões e expande o horizonte do MCU.

A escolha de focar no uso dos poderes em vez da origem tradicional permite que o longa explore novas possibilidades e aprofunde as motivações dos personagens, afastando-se de clichês e fórmulas desgastadas.

Técnica e arte a serviço da narrativa

Tecnicamente, Primeiros Passos impressiona com efeitos visuais que transportam o espectador para um espetáculo intergaláctico sem perder o foco na intimidade dos personagens. A Times Square, cenário de uma das batalhas mais impactantes, é recriada com detalhes minuciosos, refletindo o cuidado da produção em equilibrar o grandioso e o cotidiano.

A trilha sonora, assinada por Michael Giacchino, casa-se perfeitamente com o tom do filme, ora exaltando a aventura, ora destacando o drama interno. A fotografia de Autumn Durald Arkapaw reforça essa dualidade, utilizando luz e sombra para sublinhar os conflitos pessoais e universais.

O impacto cultural e a recepção crítica

Desde sua estreia, Quarteto Fantástico: Primeiros Passos recebeu elogios unânimes pela crítica especializada. A combinação de narrativa madura, personagens tridimensionais e visual deslumbrante colocou o filme em listas de melhores do ano e reacendeu discussões sobre o lugar do Quarteto Fantástico na cultura pop contemporânea.

Analistas apontam que o longa é um marco para o MCU, por trazer diversidade temática e emocional, elementos que aprofundam o gênero de super-heróis e ampliam seu alcance para públicos mais amplos e exigentes.

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