Natal Sangrento | Remake do clássico de terror dos anos 80 ganha trailer eletrizante e promete um banho de sangue nas telonas

0
Foto: Reprodução/ Internet

O Natal de 2025 promete ser tudo, menos tranquilo. A Diamond Films divulgou na tarde desta quinta, 6 de novembro, o trailer oficial de Natal Sangrento, remake do clássico de 1984 que traumatizou uma geração com um Papai Noel que troca presentes por punição. A nova versão estreia nos cinemas brasileiros em 11 de dezembro, transformando a época mais alegre do ano em um verdadeiro festival de medo e vingança. Abaixo, confira o vídeo divulgado:

Sob direção e roteiro de Mike P. Nelson (Os Domésticos, A Luta de um Campeão), o longa revisita o espírito controverso do original, mas com uma pegada moderna e visceral. E como se o título já não fosse suficiente para causar arrepios, o longa-metragem estadunidense vem do mesmo estúdio de Terrifier 2 e Terrifier 3 — ou seja, espere violência explícita, tensão e muito sangue falso (ou nem tanto).

A trama segue Billy (vivido por Rohan Campbell, de Hardy Boys: Irmãos Detetives e O Macaco), um homem atormentado por um trauma de infância que nunca cicatrizou. Quando criança, ele presenciou o assassinato brutal dos pais — e o responsável usava um traje de Papai Noel. Anos depois, consumido pela raiva e pela dor, Billy decide vestir o mesmo traje e transformar o símbolo da generosidade em um instrumento de punição. Sua jornada de vingança, porém, toma um rumo inesperado quando ele conhece uma jovem enigmática, interpretada por Ruby Modine (A Morte Te Dá Parabéns 2, Shameless e Delivery Macabro).

O encontro entre os dois desperta questionamentos profundos sobre culpa, perdão e redenção. Billy passa a lutar contra o desejo de matar e a necessidade de finalmente encarar os próprios fantasmas. Com David Lawrence Brown (Nostradamus, Momentos Que Se Perdem e O Grito) completando o elenco, o filme mistura sangue, solidão e humanidade em meio a luzes piscando e canções natalinas distorcidas.

Um clássico polêmico, reimaginado

O Silent Night, Deadly Night original foi lançado em 1984 e causou escândalo. A ideia de um Papai Noel assassino levou a protestos e a sessões canceladas nos Estados Unidos. Mesmo assim, o longa acabou se tornando um cult entre os fãs de terror e gerou uma franquia de continuações cada vez mais absurdas. Agora, mais de trinta anos depois, Mike P. Nelson reinterpreta a história para o público atual, equilibrando homenagem e reinvenção. A fotografia aposta em tons escuros e contrastes intensos, recriando o clima dos anos 80 com a brutalidade estética dos slashers modernos.

Do mesmo estúdio de Terrifier

Se Terrifier já te fez virar o rosto, Natal Sangrento vem com o mesmo DNA de gore artesanal, efeitos práticos e mortes criativas. Nelson aposta em cenas de violência física intensas, mas também em momentos de silêncio e desconforto emocional, equilibrando brutalidade com narrativa. A Diamond Films confirmou que a exibição nos cinemas será sem cortes, o que promete agradar aos fãs de terror raiz. A ideia é manter o espírito ousado e polêmico do original, mas com uma carga dramática maior — algo que faça o público sentir o impacto de cada escolha de Billy.

Um Natal diferente — e perturbador

Enquanto boa parte dos filmes natalinos fala sobre amor e reconciliação, o longa-metragem oferece o oposto: um conto sobre dor, vingança e humanidade em frangalhos. Billy é o vilão e a vítima ao mesmo tempo — e é justamente essa dualidade que torna o filme tão envolvente. A trilha sonora brinca com esse contraste: sinos natalinos e gritos se misturam em uma melodia dissonante que transforma cada cena em um cartão de Natal amaldiçoado.

Crítica | Invocação do Mal 4 – O Último Ritual tem despedida digna, mas sem assustar como antes

0

A franquia Invocação do Mal se tornou uma grande referência do terror moderno, graças à combinação de narrativas envolventes, personagens complexos e sustos construídos com precisão. Desde o primeiro filme, a série equilibra elementos sobrenaturais com drama humano, criando experiências memoráveis para o público. Ao longo dos anos, incluindo spin-offs e derivados, nem todas as produções mantiveram a mesma força narrativa: algumas se apoiaram mais na reputação da marca do que na criação de cenas realmente impactantes.

Recuperando a esperança: Um encerramento satisfatório

Após Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio (2021), a sensação predominante foi de desgaste. O terror perdeu parte de seu impacto, a carga emocional se diluiu e a narrativa parecia sustentada apenas pelo prestígio da marca. Era difícil acreditar que um novo capítulo poderia resgatar a força inicial da saga. Entretanto, O Último Ritual surpreende positivamente. Embora não alcance a intensidade e originalidade do primeiro filme, o longa apresenta um encerramento mais consistente e atmosférico, oferecendo uma experiência satisfatória para os fãs que aguardavam um desfecho digno.

Ed e Lorraine Warren: O coração da saga

O destaque central permanece no casal Ed e Lorraine Warren, interpretado por Patrick Wilson e Vera Farmiga. A dupla, que se consolidou como coração da franquia, traz humanidade e profundidade emocional ao caos sobrenatural. A química entre os dois é convincente e envolvente, permitindo que o público se conecte com os personagens para além dos sustos, valorizando a narrativa com uma carga afetiva que mantém o interesse durante todo o filme. Em uma franquia marcada por fenômenos sobrenaturais e terror, essa dimensão humana continua sendo o diferencial que sustenta a série.

Fórmula desgastada e ritmo irregular

Apesar de seus méritos, O Último Ritual evidencia que a fórmula está desgastada. Com duração pouco superior a duas horas, o filme se torna pesado em alguns trechos, sobretudo devido a subtramas que envolvem duas famílias cujas histórias não se desenvolvem adequadamente. O espaçamento irregular entre os momentos de tensão compromete o ritmo e, em certos pontos, gera sensação de arrasto. Um corte mais enxuto poderia ter conferido maior fluidez, garantindo que o desfecho fosse mais coeso e impactante.

Direção de Michael Chaves

A direção de Michael Chaves, embora seja seu trabalho mais competente na franquia, ainda não alcança o nível criativo de James Wan, responsável pelos dois primeiros filmes. Wan demonstrava domínio absoluto sobre a tensão, equilibrando expectativa e revelação, explorando o imaginário do público antes de revelar o terror de forma precisa e eficaz. Essa habilidade, ausente em grande parte do quarto filme, faz falta, embora Chaves consiga criar momentos de destaque. A cena do espelho, em particular, se destaca como uma das mais bem-executadas da série, demonstrando que, mesmo em um capítulo marcado por limitações, a direção consegue surpreender em pontos específicos.

A estética visual da franquia permanece consistente. A fotografia com contrastes marcantes, os enquadramentos cuidadosos e a iluminação estratégica contribuem para gerar medo e desconforto sem depender de sustos previsíveis. Essa atenção ao visual garante continuidade à identidade da série, reforçando a sensação de que o longa é parte integrante de uma narrativa cuidadosamente construída ao longo de mais de uma década.

Despedida digna, mas sem grandeza

No geral, o longa-metragem funciona como uma despedida: elegante, nostálgico e respeitoso com a franquia. No entanto, como obra final, o filme cumpre seu papel sem atingir a grandeza que a série poderia alcançar. A impressão que fica é a de esgotamento criativo, similar ao que se percebeu em Sobrenatural após a saída de James Wan. O terror, que antes provocava medo genuíno, agora se mostra menos impactante, refletindo uma maturidade da franquia que chega ao limite da fórmula.

Invocação do Mal 4: O Último Ritual encerra a saga de forma segura, oferecendo uma conclusão decente, visualmente cuidada e emocionalmente envolvente, mas sem grandes surpresas. O filme preserva a identidade da franquia e honra o legado dos filmes anteriores, mas deixa claro que os recursos narrativos da série já foram amplamente explorados. Para fãs de longa data, é um desfecho satisfatório; para espectadores em busca de sustos inéditos e impacto genuíno, o filme cumpre o papel sem empolgar completamente.

“Quarteto Fantástico: Primeiros Passos” ganha copo e balde colecionáveis exclusivos na Cinesystem – leve para casa os heróis da Marvel

0
Foto: Reprodução/ Internet

O Universo Cinematográfico Marvel está prestes a dar um novo salto — ou melhor, um “primeiro passo” — com a aguardada estreia de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, e a Cinesystem resolveu tornar essa experiência ainda mais especial. A partir desta quinta-feira (24), os fãs que forem ao cinema não sairão apenas com memórias da telona: poderão levar para casa itens colecionáveis exclusivos, que celebram o retorno da equipe mais icônica da Marvel aos holofotes.

Em uma iniciativa que une nostalgia, design e emoção, o copo e balde personalizados inspirados nos heróis ganharam destaque entre os lançamentos mais desejados do circuito cinematográfico. E não é difícil entender o porquê. Em um universo repleto de superpoderes, viagens cósmicas e lutas contra seres intergalácticos, levar um pedacinho disso para casa é como prolongar a magia por mais alguns capítulos.

Superpoder na pipoca e estilo na bebida

Os produtos fazem parte de um combo especial disponível nas bombonieres da rede Cinesystem. Ao adquirir sua pipoca e refrigerante, o cliente pode incluir um copo de 700ml estilizado com arte exclusiva do filme — que já virou objeto de desejo entre fãs e colecionadores. Cada peça foi desenvolvida para destacar os quatro protagonistas: o Sr. Fantástico, a Mulher Invisível, o Tocha Humana e o Coisa, todos com visual retrô-futurista alinhado ao tom artístico do longa.

Marvel resgata a alma do Quarteto

O lançamento dos colecionáveis acontece em um momento simbólico para os fãs do gênero: Quarteto Fantástico: Primeiros Passos não é apenas mais um capítulo do MCU, mas um verdadeiro recomeço. Após tentativas anteriores consideradas frustradas, a Marvel Studios decidiu reimaginar a equipe sob uma nova perspectiva — inspirada nos quadrinhos clássicos dos anos 1960, com uma roupagem elegante, moderna e afetuosa.

Sob direção de Matt Shakman (WandaVision), o filme traz Pedro Pascal como Reed Richards, Vanessa Kirby como Sue Storm, Ebon Moss-Bachrach como Ben Grimm e Joseph Quinn como Johnny Storm. O elenco ainda conta com Julia Garner, Paul Walter Hauser, Ralph Ineson e Natasha Lyonne. A ameaça da vez é cósmica: Galactus e sua enigmática arauta, a Surfista Prateada, desafiarão os heróis a proteger seu mundo retro-futurista da destruição total.

Uma experiência que começa antes do filme

Para muitos fãs, ir ao cinema ver um filme da Marvel não é apenas assistir a uma história — é participar de um ritual. Desde a escolha do assento até o combo na bomboniere, tudo faz parte da experiência. E é aí que os itens colecionáveis se tornam protagonistas invisíveis: são brindes que carregam memórias e reforçam laços emocionais com os personagens.

O designer gráfico Diego Albuquerque, fã de quadrinhos desde os anos 90, já confirmou presença na pré-estreia e quer garantir seu copo. “Já colecionei de tudo um pouco, mas os copos de cinema têm um valor afetivo diferente. Eles marcam a estreia, o momento com os amigos, aquela cena incrível. Ter o copo é como guardar um pedacinho disso tudo.”

Uma homenagem visual ao espírito da equipe

Com identidade visual vibrante, os copos e baldes dialogam com o tom do novo filme: retrô, colorido, aventuresco. A arte promocional aposta em linhas limpas, cores primárias e texturas que remetem ao universo das HQs da Era de Prata da Marvel, onde o Quarteto nasceu — e brilhou por décadas.

O resultado é um produto que vai além do marketing: trata-se de uma homenagem à importância simbólica do grupo para a cultura pop. Afinal, o Quarteto Fantástico foi a primeira grande equipe criada por Stan Lee e Jack Kirby, responsável por inaugurar o universo compartilhado da Marvel nos quadrinhos — um legado que o cinema agora tenta honrar com respeito e inovação.

Atenção aos detalhes: disponibilidade e valores

Os itens são limitados e estarão disponíveis enquanto durarem os estoques em todas as unidades da Cinesystem. Os valores e configurações dos combos podem variar de acordo com a localização, por isso a recomendação é consultar diretamente a bilheteria ou o site oficial da rede.

Stranger Things | Irmãos Duffer confirmam duração do episódio final e detalhes da última temporada

0

A espera está quase no fim. Os criadores de Stranger Things, os irmãos Matt e Ross Duffer, finalmente revelaram detalhes que aumentam ainda mais a expectativa pelo desfecho da série da Netflix. Em entrevista ao Collider, Ross Duffer comentou sobre o episódio final da quinta temporada: “Acho que o único episódio que supera 90 minutos é o episódio final, que tem duas horas e alguma coisa. É como um filme”. Para os fãs, a promessa de um encerramento cinematográfico confirma que a saga de Hawkins terá um desfecho à altura de sua importância cultural.

Uma história que atravessa gerações

Desde sua estreia em 15 de julho de 2016, a série conquistou público e crítica, se tornando um fenômeno global. A série mistura ficção científica, suspense, terror e drama adolescente em uma narrativa ambientada nos anos 1980, na fictícia cidade de Hawkins, Estados Unidos. Tudo começa com o misterioso desaparecimento de Will Byers, um garoto de doze anos, e a chegada de Onze, uma menina com poderes telecinéticos que se une aos amigos de Will — Mike, Dustin e Lucas — em uma jornada que mistura amizade, mistério e perigo.

Os irmãos Duffer, ao desenvolverem a série em 2015, inicialmente chamaram o projeto de Montauk, inspirado em teorias da conspiração sobre experimentos secretos do governo americano. Com o tempo, Hawkins se tornou o coração da narrativa, permitindo que os criadores incluíssem referências culturais da década de 1980, como filmes de Steven Spielberg, John Carpenter e obras de Stephen King, além de videogames, música, animes e outras referências pop da época. Essa combinação de elementos realistas e sobrenaturais ajudou a criar um universo rico e envolvente, que conquistou diversas gerações de espectadores.

A evolução da história

Cada temporada de Stranger Things trouxe novos desafios e amadurecimento para os personagens. A segunda temporada, lançada em 27 de outubro de 2017, abordou as sequelas do desaparecimento de Will e os efeitos do Mundo Invertido sobre a cidade, explorando a dificuldade de voltar à normalidade após eventos traumáticos.

A terceira temporada, estreada em 4 de julho de 2019, se passa no verão americano de 1985 e acompanha os personagens lidando com a transição para a adolescência, enquanto enfrentam novas ameaças sobrenaturais e uma equipe russa tentando abrir novamente o portal para o Mundo Invertido. Já a quarta temporada, dividida em dois volumes lançados em maio e julho de 2022, expandiu o universo da série, mostrando que Hawkins e seus moradores jamais seriam os mesmos após confrontos com forças inimagináveis.

O último capítulo

A quinta temporada, anunciada como a última, será lançada em três volumes no Brasil, com estreias nos dias 26 de novembro, 25 de dezembro e 31 de dezembro de 2025, sempre às 22h, pelo horário de Brasília. O episódio final, com cerca de duas horas de duração, promete um fechamento épico, dando aos fãs a oportunidade de acompanhar o desfecho de suas histórias favoritas de forma cinematográfica.

O elenco retorna praticamente completo, incluindo Winona Ryder, David Harbour, Finn Wolfhard, Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Caleb McLaughlin, Noah Schnapp, Sadie Sink, Natalia Dyer, Charlie Heaton, Joe Keery, Maya Hawke, Priah Ferguson, Brett Gelman, Cara Buono e Jamie Campbell Bower. Entre as novidades estão a promoção de Amybeth McNulty a personagem regular e a entrada de Linda Hamilton no elenco principal, acrescentando ainda mais força dramática à temporada final.

Produção e legado cultural

Além dos irmãos Duffer, a produção conta com Shawn Levy e Dan Cohen como produtores executivos. Desde seu lançamento, a série foi amplamente reconhecida por sua atmosfera nostálgica, trilha sonora envolvente, roteiro bem construído e direção precisa. Stranger Things não apenas conquistou o público, mas também inspirou uma linha de produtos derivados, incluindo livros, quadrinhos, brinquedos e videogames, tornando-se um verdadeiro ícone da cultura pop contemporânea.

Premiada e indicada em importantes cerimônias, como Emmy Awards, Globo de Ouro e British Academy Television Award, a série consolidou-se como uma das produções mais influentes da última década, provando que histórias sobre amizade, coragem e mistério continuam a ressoar profundamente com o público.

“A Voragem” | HBO Max mergulha na selva da alma humana em nova série colombiana

0
Foto: Reprodução/ Internet

Existe algo na selva que não pode ser explicado — só sentido. Um tipo de silêncio espesso, de verde que parece eterno, de calor que invade a alma. É nesse cenário ao mesmo tempo mágico e ameaçador que A Voragem, nova série da HBO Max, se desenrola. Mas engana-se quem acha que se trata apenas de mais uma aventura exótica. A série, inspirada na célebre obra do escritor colombiano José Eustasio Rivera, mergulha fundo nas contradições humanas e transforma um romance clássico de 1924 em uma experiência audiovisual intensa e atual.

Com uma primeira temporada de oito episódios — três já disponíveis na plataforma e os dois últimos programados para 7 de agosto —, A Voragem estreia com ambição e sensibilidade. Ao invés de apenas contar uma história, ela convida o espectador a atravessá-la, como quem caminha por dentro da mata fechada, tropeçando em emoções, conflitos e escolhas irreversíveis.

De Bogotá à floresta: uma fuga que vira provação

A série começa com um gesto de rebeldia. Arturo Cova, um poeta idealista interpretado com intensidade por Juan Pablo Urrego (Distrito Salvaje, El Patrón del Mal), foge da capital com Alicia (vivida pela expressiva Viviana Serna, de Narcos: México), uma jovem que se recusa a aceitar um casamento arranjado. A fuga romântica, impulsiva e cheia de promessas se transforma rapidamente numa viagem sem retorno.

Eles partem rumo aos llanos — as planícies colombianas — e depois penetram a selva amazônica, acreditando que encontrarão liberdade e paz longe da sociedade opressora. Mas o que os espera é uma realidade muito mais crua, onde a natureza, ao invés de acolher, engole. É nesse caminho que conhecem Clemente Silva, personagem vivido por Nelson Camayo, que dá voz e corpo a um homem forjado pelo sofrimento e pelas perdas que só a selva é capaz de impor.

Essa é, em essência, a espinha dorsal da trama: uma jornada em busca de um paraíso idealizado que, aos poucos, se revela um pesadelo profundo.

A selva não é só cenário. Ela é personagem.

Uma das maiores forças da série está em como ela retrata a floresta. Nada nela é pintado com cores de cartão-postal. O que vemos é uma natureza viva, imprevisível, e às vezes, francamente hostil. A selva aqui não é pano de fundo — ela reage, molda e transforma quem se atreve a atravessá-la. Ela é personagem central, silenciosa, mas presente o tempo inteiro.

A fotografia é um espetáculo à parte. Com planos que exploram a densidade das folhas, o vapor da terra molhada e a luz filtrada entre as copas, a série constrói uma atmosfera quase hipnótica. Os sons — de bichos, de água, de vento — são tão importantes quanto os diálogos. Tudo contribui para essa sensação de que estamos, junto com os personagens, sendo lentamente engolidos por algo maior do que nós.

O diretor Luis Alberto Restrepo, conhecido por trabalhos densos como La Ley del Corazón e Garzón, orquestra a narrativa com firmeza e sensibilidade. Ele não se apressa. Deixa que a selva dite o ritmo, que os silêncios falem tanto quanto as palavras.

Um clássico da literatura que ganha nova vida

Adaptar um livro como La Vorágine, com seu estilo rebuscado e seu caráter alegórico, não é tarefa fácil. José Eustasio Rivera escreveu a obra em tom de denúncia e poesia, combinando uma crítica feroz à exploração de trabalhadores na indústria do látex com uma profunda reflexão sobre a alma humana.

A série faz um trabalho cuidadoso ao respeitar esse espírito. Não se trata de uma transposição literal — e isso é uma virtude. A Voragem pega o núcleo emocional do livro e o transforma em drama visual. Os diálogos são mais acessíveis, os personagens têm mais nuances, e há um foco claro em tornar a história relevante para o público atual.

Ainda assim, há momentos em que o texto original ecoa. Frases que soam como poemas surgem em meio ao caos. E isso não acontece à toa. A produção teve consultoria literária e cuidou para que a adaptação não perdesse a alma da obra.

Amor, obsessão e liberdade

No centro da história está o casal Arturo e Alicia. Ele é apaixonado por liberdade, por ideias, por poesia — mas também por controle. Com o passar dos episódios, Arturo deixa de ser o herói romântico idealista e revela um lado possessivo, até mesmo violento. Já Alicia é a alma livre que paga um alto preço por não querer se submeter. O embate entre os dois é carregado de tensão emocional, e a atuação de Urrego e Serna sustenta cada reviravolta com autenticidade.

A presença de Clemente, por sua vez, funciona quase como um espelho do que Arturo pode se tornar. Ele é o retrato do homem que já enfrentou a floresta — e saiu quebrado, mas sobrevivente. Sua experiência traz densidade à narrativa e abre espaço para discussões sobre masculinidade, poder e redenção.

Tapete vermelho, emoção e resgate cultural

O lançamento da série foi celebrado com um evento especial em Bogotá, no último dia 24 de julho. O Teatro Colón recebeu elenco, equipe técnica, jornalistas e convidados especiais. Tapete vermelho, coquetel, discursos emocionados e muita expectativa marcaram a noite. Não era apenas uma estreia — era a chegada de um projeto que busca reconectar o público com um dos maiores símbolos da literatura colombiana.

A HBO Max apostou alto na produção, que também conta com produção executiva de Jorge López Abella, Rous Mary Muñoz e José Lombana. O plano de lançamento foi cuidadosamente pensado: os três primeiros episódios já estão disponíveis na plataforma; outros três estreiam na próxima semana; e os dois últimos serão lançados em 7 de agosto. A série também será exibida no canal TNT a partir de sábado, 26 de julho, sempre à meia-noite.

Uma série sobre o que nos move — e o que nos destrói

Assistir A Voragem é como entrar num terreno desconhecido. A cada episódio, o espectador é desafiado a abandonar certezas, a rever ideias sobre liberdade, civilização e amor. A narrativa não entrega respostas fáceis, mas provoca. Ao final, a pergunta que fica não é “o que aconteceu?”, mas sim “quem nos tornamos ao atravessar essa floresta?”.

A série fala sobre paixão, mas também sobre obsessão. Sobre fugir das amarras da sociedade, mas acabar prisioneiro dos próprios impulsos. E principalmente, sobre o que resta quando o mundo idealizado desmorona.

Para quem é essa série?

Essa não é uma série para quem procura ação frenética ou soluções rápidas. A Voragem exige tempo, atenção e entrega. É uma obra que conversa com quem gosta de literatura, de drama humano, de paisagens que falam e silêncios que gritam. Mas também é, curiosamente, uma porta de entrada para quem nunca leu Rivera. A série pode funcionar como convite à leitura do livro — ou até como substituto sensorial para quem prefere vivenciar histórias com os olhos e os ouvidos.

Resumo semanal da novela Cara e Coroa 09/04/2025 a 12/04/2025

0
Foto: Reprodução/ Internet

Capítulo 183 – quarta, 09 de abril
Vivi decide levar Nandinha para passar uma tarde especial com Miguel, numa tentativa de aproximar ainda mais o avô da neta. Enquanto isso, Amorim informa a Mauro que Pedro tem sido visto frequentemente na companhia de Anselmo, o que acende um alerta. Desconfiado, Mauro acusa Bruna de ter revelado seus planos na casa de Antenor. Bruna nega com veemência, mas Mauro, furioso, a ameaça de morte. O que ele não percebe é que Heitor está escondido, ouvindo toda a conversa.

No mesmo tempo, Laurinha procura Rômulo e faz um apelo direto: que ele assuma a paternidade do filho de Ana, revelando um lado mais sensível da trama. Enquanto isso, Vivi implora para que Fernanda permita que Rubinho a visite, mas a resposta é negativa e firme. Em outro ponto da história, Pepe desabafa com Kika sobre a situação entre Juan, Cacilda e Aníbal, confessando sua tristeza com o conflito que abalou os laços do trio circense.

Natália, por sua vez, vai ao hotel se encontrar com Heitor e aproveita para avisar Mauro de que Fernanda quer vê-lo com urgência, criando expectativa para um acerto de contas.


Capítulo 184 – quinta, 10 de abril
Diante da mensagem recebida, Mauro aceita se encontrar com Fernanda. Vivi, determinada a ajudar, revela a Rubinho onde Fernanda está escondida. Em meio a tudo isso, Júlia e Pedro decidem reatar o namoro, reacendendo um sentimento que parecia perdido.

Mauro comparece à casa de Guilhermina, onde se depara com Fernanda cheia de coragem. Ela exige que ele se afaste de Pedro imediatamente e ameaça destruir sua vida caso não obedeça. Durante a conversa tensa, Fernanda vai além: o acusa diretamente de ter matado Heloísa e o pai de Heitor, deixando Mauro fora de si. Nesse momento, Rubinho chega e, tomado pela raiva, parte para cima de Mauro, dando início a uma intensa briga.

Do lado de fora, a tensão atinge o auge: Amorim, pronto para matar Pedro, é surpreendido por Anselmo, que não pensa duas vezes antes de atirar na perna do capanga. Mesmo ferido, Amorim ainda consegue apontar a arma para Anselmo e atira, aumentando o clima de desespero. Enquanto isso, em contraste com o caos, o batizado de Leninha e do bebê de Ana acontece em clima de paz e alegria, reunindo todos os familiares e amigos em um raro momento de ternura.


Capítulo 185 – sexta, 11 de abril
O batizado continua em clima de festa, com todos celebrando a nova fase na vida das crianças. Contudo, a felicidade se mistura com apreensão: Anselmo foi atingido no ombro e está sendo tratado. Revoltado com o atentado contra Pedro, Miguel decide tomar uma atitude drástica e resolve denunciar Mauro à polícia, o que abala profundamente Antenor, que não consegue acreditar no que o filho se tornou.

Mauro desaparece sem deixar rastros, aumentando a tensão entre os personagens. Enquanto isso, Geninho, com sua imaginação fértil, tenta distrair Belinha prometendo levá-la para dentro de seu quadro — uma metáfora inocente e encantadora que mostra a pureza do menino. No circo, Kika comenta com Cacilda sobre a estreia da nova temporada do espetáculo de Juan Caruso, o que desperta o ciúme de Aníbal, que demonstra sua irritação.

Nadine visita a Ilha do Adeus e Miguel, ainda esperançoso, tenta retomar a amizade com a médica. Já Cosme, seguindo novas pistas, interroga Bruna sobre o paradeiro de Mauro. Ela, nervosa, entra em contato com ele e o alerta: a polícia está à sua procura. Fernanda, por sua vez, toma uma decisão: pede a Heitor que a leve até a casa de Rubinho, revelando o desejo de esclarecer de vez o que sente.


Capítulo 186 – sábado, 12 de abril
No trajeto com Heitor, Fernanda desabafa: admite que ainda ama Rubinho, revelando que todo o tempo longe dele foi, na verdade, uma tentativa de protegê-lo. Em outro lugar, Mauro se encontra com Amorim em São Paulo e tenta convencê-lo a desistir da lista de eliminações. No entanto, o capanga se recusa e deixa claro que vai continuar sua missão, o que preocupa ainda mais Mauro.

Em Porto do Céu, o grande dia chega: o circo de Juan Caruso faz sua estreia. Mas Diana, assustada, não consegue enfrentar o número da roda da morte. Quando todos pensam que o espetáculo será prejudicado, Cacilda se prontifica a substituí-la, mostrando coragem e compromisso com o show.

Enquanto isso, Rubinho se emociona ao rever Fernanda. Ela, cheia de sentimento, pede um beijo e explica o motivo de seu afastamento, selando um momento de reconexão entre os dois. Ao mesmo tempo, Antenor chama Bruna para uma conversa séria sobre o paradeiro e os atos de Mauro, preparando o terreno para um possível desfecho dramático.

Resenha – Fios de Ferro e Sal narra a mitologia, resistência e o Brasil que (quase) esqueceram

0
Foto: Reprodução/ Almanaque Geek

Fios de Ferro e Sal não é só um livro de fantasia histórica. É um mergulho profundo nas feridas abertas da nossa história, um convite para escutar as vozes que o tempo, o poder e o silêncio tentaram apagar. Escrito com lirismo e coragem, o livro resgata o Brasil do século XIX — mas não aquele que aparece nos livros didáticos, cheio de imperadores, corte e progresso. Aqui, a história é contada a partir das margens, das senzalas, das jangadas, dos terreiros e dos navios negreiros. É um Brasil de ferro, sal, suor e resistência.

A narrativa começa com Kayin, um homem negro cativo, acorrentado em um navio negreiro. Ele carrega em si o peso da dor, mas também a força de Ogum, o orixá da guerra e da tecnologia. Quando quebra suas correntes usando os dons aprendidos com o deus do ferro, não está apenas se libertando — está dando início a uma rebelião que desafia o sistema escravista com sangue, coragem e espiritualidade. É impossível não se arrepiar com esse começo. Kayin não é herói de capa, é herói de carne, cicatriz e alma.

Do outro lado da costa, nas areias do Aracati, no Ceará, vive Ekundayo, um griô — ou seja, um guardião da memória ancestral. Velho, sábio e ainda lutando por justiça, ele tenta conter o tráfico negreiro que continua devastando vidas naquela região. Um dia, ele recebe uma missão direta de Yemanjá: resgatar um grupo de pessoas à deriva no mar. Para isso, precisará reunir um grupo improvável: Tia Nanci, uma entidade em forma de aranha que se diz senhora de todas as histórias (e que transita entre o cômico, o assustador e o sábio com uma naturalidade impressionante); Afogado, um homem misterioso com um passado enterrado nas águas; e os jovens Iracema e Valentim, dois jangadeiros corajosos e sonhadores.

A viagem deles a bordo de uma jangada em mar aberto não é só física — é espiritual, política, mítica. Cada personagem carrega consigo não apenas um destino, mas uma ancestralidade. E o mar, tão presente e tão simbólico, deixa de ser apenas cenário e vira personagem também: ora mãe, ora inimigo, ora tumba, ora caminho para o renascimento.

O mais bonito do livro talvez seja como ele costura mitologia, fantasia e realidade de forma orgânica. Não se trata de “colocar orixás na história do Brasil”, mas de reconhecer que essas histórias já estavam aqui, antes mesmo de o Brasil ter nome. A fantasia aqui não foge da dor, ela a confronta — e, com isso, também cura.

Fios de Ferro e Sal é sobre resistência, sim, mas também sobre afeto, sobre escuta, sobre o poder das palavras e das memórias que resistem mesmo quando tudo parece querer apagá-las. Não é uma leitura leve — mas é necessária, urgente, transformadora. É um desses livros que deixam marcas. Que fazem a gente querer aprender mais, ouvir mais, contar mais. E que lembram que às vezes, contar uma história é um ato de salvação.

Se você procura uma fantasia verdadeiramente brasileira, cheia de alma, com personagens complexos e uma trama que pulsa com vida e ancestralidade, esse livro é pra você. E mesmo que não esteja procurando, talvez você precise dele. Porque algumas histórias precisam ser ouvidas. Porque algumas dores precisam virar mar.

“Bem-vindo a Derry” | HBO revela teaser arrepiante da prequela de “IT – A Coisa”, com retorno de Bill Skarsgård como Pennywise

0
Foto: Reprodução/ Internet

Derry está de volta — mais sombria, silenciosa e ameaçadora do que nunca. Durante o aguardado painel da San Diego Comic-Con 2025, a HBO revelou o primeiro teaser oficial de sua nova série de terror: “Bem-vindo a Derry” (Welcome to Derry), baseada no universo criado por Stephen King em seu clássico IT – A Coisa. Prevista para estrear em outubro, a produção original chega ao canal HBO e à plataforma HBO Max com a promessa de ser mais do que uma simples prequela. Trata-se de uma viagem aterrorizante às origens do medo em sua forma mais pura — aquela que se esconde sob o riso de um palhaço, nas esquinas de uma cidade e nos traumas não resolvidos da infância.

Um retorno às origens do medo

Bem-vindo a Derry não pretende apenas contar uma nova história, mas ampliar e aprofundar o universo já conhecido pelos fãs dos filmes IT (2017) e IT: Capítulo Dois (2019). Ambientada décadas antes dos eventos que colocaram o Clube dos Otários frente a frente com Pennywise, a série explora a gênese da maldição que assombra a cidade de Derry. O mal, aqui, não é só uma figura monstruosa, mas uma presença silenciosa, que contamina ambientes, pessoas e memórias. O teaser divulgado impressiona pela sua carga atmosférica: cenas que evitam sustos fáceis, mas que mergulham o espectador em uma sensação de desconforto crescente.

A escolha por mostrar menos e sugerir mais reforça o aspecto psicológico do horror. Um balão vermelho, uma bicicleta que gira sozinha, uma parede que respira — tudo isso é mostrado sem explicações, deixando ao público a sensação de que algo muito errado está prestes a acontecer. Ao final do teaser, o som inconfundível da risada de Pennywise deixa claro: o medo está de volta, e dessa vez, pode ser mais antigo e profundo do que jamais imaginamos.

Um elenco promissor e diverso

A HBO reuniu um elenco sólido e diverso para dar vida aos habitantes de Derry. Jovan Adepo, que brilhou em Watchmen, assume um dos papéis centrais, ao lado de Chris Chalk (Perry Mason) e Taylour Paige, aclamada por sua performance em Zola. Completam o time James Remar, Stephen Rider, Madeleine Stowe e Rudy Mancuso, que adiciona um toque de surpresa à produção. Mas o maior destaque vai para Bill Skarsgård, que retorna ao papel de Pennywise — papel que marcou sua carreira e se tornou uma das figuras mais icônicas do terror moderno.

A decisão de Skarsgård em voltar ao personagem foi recebida com entusiasmo pelo público e também pelos produtores. O ator revelou que foi conquistado pela abordagem mais sombria e psicológica da série. “É uma história sobre o surgimento do medo, sobre traumas enraizados. Pennywise é menos uma criatura e mais um reflexo do pior que existe nas pessoas e na cidade”, disse ele. A expectativa em torno da sua performance é alta, e tudo indica que veremos um Pennywise ainda mais aterrorizante — e, paradoxalmente, mais humano.

Bastidores e expectativas

Desenvolvida por Andy Muschietti, Barbara Muschietti e Jason Fuchs, a série carrega o DNA criativo dos dois longas-metragens que revitalizaram a obra de Stephen King para uma nova geração. Andy Muschietti não apenas produziu, como também dirigirá múltiplos episódios, o que garante uma continuidade estética e tonal em relação aos filmes. Jason Fuchs, que escreveu o episódio piloto, divide a função de showrunner com Brad Caleb Kane, responsável por séries como Fringe e Moonhaven.

As gravações aconteceram em locações no Canadá, especialmente em Toronto e Port Hope, cidade que já havia servido de cenário para os filmes anteriores. A escolha por locais reais, e não cenários em estúdio, reforça a ambientação sombria e palpável da narrativa. A equipe de produção também optou por construir ambientes fechados com iluminação natural, criando uma estética que remete aos anos 60 e 70 — décadas que serão retratadas ao longo da temporada.

Um novo olhar sobre o horror de Derry

Enquanto os filmes mostravam Derry nos anos 80 e 2010, a série volta ainda mais no tempo, explorando o período entre os anos 1960 e 1970. Esse salto temporal permite que a narrativa aborde eventos históricos, sociais e políticos que também ajudam a moldar a atmosfera opressora da cidade. Entre os elementos prometidos pela produção, estão desaparecimentos misteriosos, linchamentos comunitários encobertos, transtornos mentais negligenciados, além de crimes nunca resolvidos — tudo costurado sob a presença invisível, mas constante, de Pennywise.

A série também pretende discutir como o medo se manifesta de forma diferente para pessoas com histórias de vida diversas. Temas como racismo estrutural, discriminação, violência familiar e repressão sexual devem aparecer com força nos episódios, reforçando o caráter metafórico de Pennywise como representação dos horrores reais que as pessoas vivem no cotidiano. Bem-vindo a Derry é, assim, uma narrativa de terror, mas também um retrato social enraizado em feridas históricas.

Um palhaço que já entrou para a história

Desde sua criação por Stephen King em 1986, Pennywise se tornou mais do que um vilão: tornou-se um ícone cultural. A versão original interpretada por Tim Curry na minissérie dos anos 90 marcou gerações. Mas foi com a chegada de Bill Skarsgård ao papel, em 2017, que o personagem ganhou uma nova dimensão. Sua interpretação trouxe uma fisicalidade única ao palhaço, misturando ternura dissimulada com selvageria incontrolável. O olhar torto, o sorriso quebrado e a voz distorcida se tornaram marcas registradas de uma atuação que assombrou as telas de cinema em todo o mundo.

Ao todo, os dois filmes IT arrecadaram mais de US$ 1,1 bilhão nas bilheteiras, tornando-se as adaptações de terror mais lucrativas da história do cinema. O sucesso de público e crítica confirmou o apelo universal da obra de Stephen King, e consolidou Pennywise como uma das entidades mais assustadoras já retratadas na ficção. Agora, com a série, Skarsgård tem a chance de explorar novas camadas do personagem — quem sabe até revelar traços de sua origem e motivações mais profundas.

Outubro será o mês do medo

A escolha de lançar Bem-vindo a Derry em outubro não é aleatória. Trata-se do mês de Halloween, período em que o público tradicionalmente consome mais obras do gênero. A HBO pretende ocupar um espaço estratégico na programação, lançando os episódios semanalmente e mantendo a audiência presa à narrativa por nove semanas consecutivas. A exibição simultânea na HBO Max também garante acessibilidade global, transformando a estreia em um evento multiplataforma.

“O Homem de Toronto” agita o Supercine deste sábado (26/07) com a química explosiva de Kevin Hart e Woody Harrelson

0
Foto: Reprodução/ Internet

No próximo sábado, 26 de julho de 2025, o Supercine da TV Globo reserva uma noite cheia de adrenalina, risadas e muita confusão com a exibição do filme “O Homem de Toronto”, produção de 2022 que une ação e comédia numa mistura surpreendentemente eficaz. Sob a direção de Patrick Hughes, o longa conta com o talento da dupla Kevin Hart e Woody Harrelson em uma trama onde identidades se confundem, desencadeando uma sequência de eventos inesperados e hilários. As informações são do AdoroCinema.

Um encontro improvável entre o ordinário e o letal

A história começa simples: Teddy (Kevin Hart) é um típico nova-iorquino azarado, cheio de inseguranças, tentando salvar seu casamento e dar um novo rumo para a sua vida. Ao alugar um Airbnb para um fim de semana romântico, ele é confundido com Randy (Woody Harrelson), o temido assassino conhecido como “O Homem de Toronto”. A partir desse erro, a vida de Teddy se transforma em um caos absoluto.

Randy, o verdadeiro “Homem de Toronto”, é um profissional frio, calculista e quase implacável, com um olhar capaz de congelar qualquer ambiente. O contraste entre a vulnerabilidade desastrada de Teddy e a frieza certeira de Randy cria uma dinâmica irresistível, que é ao mesmo tempo engraçada e cheia de tensão.

Essa dupla improvável é o motor que guia o filme. Enquanto Teddy tenta navegar em um mundo que não conhece, cercado por agentes secretos, assassinos rivais e armadilhas, Randy precisa lidar com a invasão de sua vida controlada e solitária.

Humor e ação: a receita do filme

O filme é uma celebração da comédia de ação dos anos 80 e 90, com piadas rápidas, perseguições alucinantes e cenas de luta bem coreografadas. Kevin Hart imprime em Teddy sua assinatura: um personagem nervoso, falho, mas sempre com uma ponta de bom humor e carisma, mesmo quando tudo parece prestes a desmoronar.

Woody Harrelson, por sua vez, equilibra a figura de assassino letal com momentos de leveza e até um toque de ironia. A tensão entre os dois personagens rende diálogos memoráveis e uma química natural que sustenta a narrativa.

O elenco de apoio complementa esse universo. Kaley Cuoco aparece como Maggie, adicionando uma camada emocional e humorística, enquanto Ellen Barkin, Tomohisa Yamashita e outros nomes trazem mais intensidade à trama, expandindo o espectro de personagens e situações.

Por trás das câmeras: desafios e superações

A jornada para a realização de O Homem de Toronto não foi fácil. Originalmente, Jason Statham deveria estrelar ao lado de Kevin Hart, mas sua saída pouco antes das filmagens exigiu uma rápida reestruturação. Woody Harrelson entrou para preencher esse vazio, trazendo uma energia diferente que, no fim, ajudou a definir o tom do filme.

Além disso, a pandemia de COVID-19 interrompeu a produção, que só foi retomada em outubro de 2020, em Toronto — coincidência curiosa com o título do filme. Os atrasos e mudanças exigiram flexibilidade da equipe e reforçaram a resiliência dos envolvidos.

A trilha sonora, composta por Ramin Djawadi, famoso por seu trabalho em Game of Thrones, acrescenta uma camada emocional que equilibra ação e comédia, elevando cenas de perseguição e momentos mais introspectivos.

Recepção e legado

Apesar da recepção crítica dividida — com avaliações negativas no Rotten Tomatoes e Metacritic — o filme conquistou público e fãs por seu humor e pela química dos protagonistas. A estreia na Netflix em 2022 ampliou seu alcance global, permitindo que um público diverso conhecesse a proposta leve e divertida do longa.

O Homem de Toronto não se propõe a ser um filme de ação revolucionário, mas sim uma produção que entretém com eficiência, combinando humor, ritmo e personagens memoráveis.

Reflexões além da comédia

O que diferencia esse filme de outras comédias de ação é sua reflexão sutil sobre identidade e expectativas. Teddy é um homem comum forçado a encarnar uma figura muito maior e mais temida — o que o obriga a confrontar seus medos e limitações. Randy, o assassino, por sua vez, revela desejos humanos inesperados, como o anseio por uma vida mais simples.

Entre tiros e perseguições, o filme fala sobre como, às vezes, somos obrigados a reinventar a nós mesmos, mesmo que isso signifique vestir máscaras desconfortáveis.

Crítica | Apocalipse nos Trópicos é um retrato do Brasil atual

0

Petra Costa nunca foi uma diretora que se escondeu atrás da neutralidade. Com Democracia em Vertigem (2019), ela já havia exposto seu olhar sensível e politicamente engajado sobre o colapso da democracia brasileira. Em Apocalipse nos Trópicos, sua nova investida documental que estreou nesta segunda (14) na Netflix, a cineasta vai ainda mais fundo — e mais fundo aqui também significa mais escuro, mais perturbador, mais corajoso.

Desta vez, Petra não foca apenas nos bastidores da política institucional. O que está em jogo agora é o casamento entre fé e poder, mais especificamente a ascensão das igrejas neopentecostais como uma força política organizada e decisiva no Brasil contemporâneo. O epicentro desse terremoto ideológico é Silas Malafaia, figura central no documentário — e símbolo vivo da mistura explosiva entre autoritarismo religioso, populismo e um projeto de dominação cultural.

Um protagonista sem máscara

Petra não precisa desmascarar Malafaia — ele faz isso sozinho, com uma desenvoltura perturbadora. Dentro do próprio jato particular, pilotando uma BMW, vociferando ofensas contra um motociclista, ou discursando ao lado de Jair Bolsonaro, o pastor é filmado com acesso surpreendente, quase íntimo. E talvez seja isso o mais assustador: sua tranquilidade diante da câmera, sua certeza absoluta, a crença inabalável de que está certo — mesmo quando seu discurso transborda intolerância, arrogância e desprezo pela diversidade humana.

Há algo de perverso no carisma de Malafaia, e Petra registra isso sem histeria, mas com um incômodo crescente. Ele grita, zomba, ataca minorias, debocha da imprensa, e ainda assim se apresenta como “homem de Deus”. O que Apocalipse nos Trópicos revela, com precisão dolorosa, é o quanto essa retórica violenta encontrou eco num país onde milhões de pessoas sentem-se abandonadas, desorientadas, e carentes de líderes com respostas prontas — mesmo que essas respostas venham cheias de ódio.

Uma nação em transe

Petra conecta, com lucidez e indignação contida, o crescimento da bancada evangélica, a campanha de desinformação nas redes sociais, a figura de Bolsonaro como “ungido”, e o desfecho trágico do 8 de janeiro de 2023 — quando extremistas invadiram as sedes dos Três Poderes, sob a bênção simbólica de um discurso antidemocrático alimentado há anos.

É impossível assistir ao documentário e sair ileso. A sensação que fica é de um Brasil à deriva, tomado por um messianismo fabricado, onde o nome de Deus serve de escudo para práticas que nada têm de espirituais. A câmera de Petra, mesmo sem grandes recursos visuais, constrói um mosaico de ruínas emocionais e morais. E não há vilões caricatos — há seres humanos que escolheram, conscientemente, o caminho do autoritarismo.

A ousadia de continuar

Apocalipse nos Trópicos é um filme incômodo, provocador e profundamente humano. Petra não se coloca como juíza — ela se posiciona como cidadã, como filha, como artista que não aceita calar diante do retrocesso. Sua narração continua melancólica, mas agora com um tom de exaustão. Como se dissesse: “nós avisamos”. A esperança existe, mas está fraturada. E talvez seja esse o sentimento mais honesto que o filme nos deixa.

Em tempos de normalização do absurdo, Petra Costa tem a ousadia de continuar documentando a barbárie. E faz isso com a serenidade de quem entende que o cinema é mais do que entretenimento — é também memória, denúncia e resistência.

almanaque recomenda