Saiba qual filme vai passar no Cine Maior deste domingo (4) na Record TV

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A programação do Cine Maior deste domingo, 4 de janeiro, na Record TV, traz uma opção leve e divertida para quem busca entretenimento descompromissado no início do ano. O filme escolhido é “Policial em Apuros” (Ride Along), comédia de ação lançada em 2014 que combina perseguições, humor rápido e a química carismática de seus protagonistas. A produção se tornou um sucesso comercial e ajudou a consolidar uma das duplas mais populares do gênero na última década.

Dirigido por Tim Story, o longa aposta em uma narrativa simples, mas eficiente, focada no contraste entre dois personagens completamente diferentes. O roteiro é assinado por Greg Coolidge, Jason Mantzoukas e pela dupla Phil Hay & Matt Manfredi, responsáveis por equilibrar cenas de ação com piadas constantes, tornando o filme acessível tanto para fãs de comédia quanto para quem gosta de histórias policiais mais leves.

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, a trama acompanha Ben Barber, interpretado por Kevin Hart, um segurança cheio de boa vontade, mas pouco preparo, que sonha em se tornar policial. Determinado a provar seu valor, ele precisa enfrentar o maior teste de sua vida: passar um dia inteiro em patrulha ao lado de James Payton (Ice Cube), um detetive experiente, rígido e extremamente desconfiado — além de ser o irmão de sua namorada, Angela (Tika Sumpter).

A patrulha de 24 horas pelas ruas de Atlanta rapidamente sai do controle. O que começa como uma tentativa de intimidação se transforma em uma sucessão de situações perigosas, perseguições intensas e encontros inesperados com criminosos. Enquanto James tenta manter o controle da situação, Ben se vê obrigado a enfrentar seus medos e provar, ainda que de forma atrapalhada, que pode ser mais do que aparenta.

Grande parte do sucesso de “Policial em Apuros” está na dinâmica entre Ice Cube e Kevin Hart. O humor nasce do choque entre o temperamento sério e intimidador de James e a personalidade falante, exagerada e impulsiva de Ben. Essa oposição cria momentos cômicos naturais, sustentando o ritmo do filme do início ao fim e garantindo identificação imediata com o público.

Além dos protagonistas, o elenco de apoio contribui para enriquecer a narrativa. John Leguizamo, Bruce McGill, Bryan Callen e outros nomes conhecidos ajudam a expandir o universo da história, trazendo diferentes camadas ao ambiente policial e reforçando o tom de comédia sem comprometer a ação.

Curiosamente, o projeto passou por mudanças importantes antes de chegar aos cinemas. Em versões iniciais, os papéis principais chegaram a ser cogitados para Dwayne Johnson, como o policial, e Ryan Reynolds, como o segurança. A escolha final por Ice Cube e Kevin Hart acabou se mostrando decisiva para o sucesso do longa, especialmente pela química entre os atores e pela forte resposta do público.

A confiança no potencial do filme era tão grande que, ainda antes da estreia, os produtores já anunciavam planos para uma continuação. O bom desempenho de bilheteria confirmou a aposta e abriu caminho para “Policial em Apuros 2” (Ride Along 2), oficialmente anunciado em abril de 2013. A sequência manteve os protagonistas e ampliou a escala da história.

As filmagens do segundo longa começaram em julho de 2014, passando por locações em Miami, na Flórida, e Atlanta, na Geórgia. Lançado nos cinemas em janeiro de 2016, o filme reforçou o sucesso da franquia e consolidou a parceria entre Ice Cube e Kevin Hart como uma das mais rentáveis da comédia de ação contemporânea.

Para quem perder a exibição na Record TV ou preferir assistir quando quiser, o filme também está disponível em plataformas digitais. Atualmente, o longa-metragem pode ser encontrado no Prime Video, com opção de aluguel a partir de R$ 9,90, permitindo que o público reassista às cenas mais divertidas no conforto de casa.

Segunda temporada de Devil May Cry ganha teaser e antecipa confronto entre Dante e Vergil na Netflix

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A Netflix divulgou um novo teaser da segunda temporada de Devil May Cry durante o evento What’s Next, apresentação que reuniu prévias de séries e filmes previstos para chegar à plataforma em 2026. A rápida amostra confirmou um dos momentos mais aguardados pelos fãs: o embate entre Dante e Vergil, irmãos gêmeos cuja rivalidade deve ocupar o centro da nova fase da animação.

O teaser aparece de forma breve dentro do vídeo compilado do evento, mas é suficiente para indicar a escalada do conflito. Vergil, personagem icônico da franquia, surge como a principal ameaça dos novos episódios, reforçando o tom mais intenso e dramático que a série deve assumir a partir de agora. Mesmo com poucos segundos de duração, a cena já deixou claro que o confronto entre os irmãos será tratado como um ponto-chave da narrativa.

O vídeo do What’s Next tem cerca de quatro minutos e acompanha uma personagem “guia” que transita por diferentes universos das produções da Netflix. Em determinado momento, ela entra no mundo de Devil May Cry e assume o visual estilizado da animação, conectando a série ao conjunto de grandes lançamentos do streaming para o próximo ano.

Inspirada na famosa franquia de jogos da Capcom, Devil May Cry nasceu originalmente em 2001, no PlayStation 2, criada por Hideki Kamiya. O título se destacou por unir ação frenética, fantasia urbana e um sistema de combate focado em estilo, no qual o desempenho do jogador é avaliado pela criatividade e fluidez dos golpes. A trama acompanha Dante, um caçador de demônios movido pela vingança após o assassinato de sua mãe, enquanto enfrenta criaturas sobrenaturais em cenários que misturam o inferno e o mundo humano.

Curiosamente, o primeiro jogo surgiu a partir de uma tentativa frustrada de desenvolver um novo Resident Evil. A Capcom considerou que o projeto tinha se afastado demais do terror de sobrevivência tradicional e optou por transformá-lo em uma nova propriedade intelectual. O resultado foi o nascimento de uma das franquias mais influentes do gênero hack and slash.

Ao longo dos anos, Devil May Cry vendeu mais de 16 milhões de unidades, conquistou múltiplos títulos “Platina” da Capcom e consolidou Dante como um dos personagens mais populares da indústria dos games. O sucesso gerou expansões para outras mídias, incluindo livros, quadrinhos, uma série animada anterior e diversos produtos colecionáveis. A franquia também passou por reinvenções, como DmC: Devil May Cry (2013), e retornou às origens com Devil May Cry 5, lançado em 2019.

Sessão de Sábado exibe “Todo Poderoso”, comédia que consagrou Jim Carrey e conquistou o público mundial

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Foto: Reprodução/ Internet

A Globo exibe na Sessão de Sábado deste dia 10 de janeiro o sucesso “Todo Poderoso”, uma das comédias mais marcantes dos anos 2000. Misturando humor, fantasia e reflexões sobre fé, escolhas e responsabilidade, o longa conquistou plateias ao redor do mundo e segue atual ao provocar uma pergunta simples, mas poderosa: e se você tivesse os poderes de Deus por uma semana?

Na trama, acompanhamos Bruce Nolan, um jornalista de televisão vivido por Jim Carrey (O Máskara, O Show de Truman, O Grinch). Apesar de estar empregado, Bruce se sente frustrado profissionalmente e acredita que sua carreira não avança por culpa de forças externas — especialmente de Deus. Depois de uma sequência de acontecimentos desastrosos, incluindo a perda do emprego e situações humilhantes ao vivo, ele explode em revolta e passa a questionar a justiça divina.

É nesse momento que a história toma um rumo inesperado. Bruce recebe um chamado misterioso que o leva a um encontro direto com Deus, interpretado por Morgan Freeman (Um Sonho de Liberdade, Menina de Ouro, Conduzindo Miss Daisy). Com calma e ironia, o Todo-Poderoso decide entregar seus poderes ao jornalista por alguns dias, permitindo que ele experimente, na prática, o peso de comandar o destino da humanidade — desde que respeite duas regras básicas: não revelar sua nova função a ninguém e não interferir no livre-arbítrio das pessoas.

Empolgado, Bruce passa a usar os poderes de forma egoísta, buscando sucesso profissional, vingança pessoal e vantagens imediatas. Milagres viram espetáculo, sua popularidade cresce rapidamente e a carreira finalmente decola. Ao mesmo tempo, ele se afasta emocionalmente de Grace, sua namorada, interpretada por Jennifer Aniston (Friends, Marley & Eu, Esposa de Mentirinha), que representa o equilíbrio, a fé genuína e a sensibilidade que Bruce insiste em ignorar.

Conforme o protagonista tenta “resolver” os problemas do mundo com soluções simplistas, o caos se instala. Milhões de orações atendidas automaticamente geram confusão, acidentes e frustrações, deixando claro que boas intenções não substituem empatia, responsabilidade e compreensão humana. A partir daí, o filme abandona o humor escancarado para investir em uma reflexão mais profunda sobre amadurecimento emocional, escolhas conscientes e o verdadeiro significado de fazer o bem.

O elenco de apoio também é um dos pontos fortes do longa. Steve Carell (The Office, O Virgem de 40 Anos, Minions) vive Evan Baxter, rival profissional de Bruce, em um papel que mais tarde renderia o spin-off “Evan Almighty” (2007). Lisa Ann Walter (Operação Cupido), Philip Baker Hall (Magnólia) e Catherine Bell (JAG) completam o time com participações carismáticas.

Dirigido por Tom Shadyac (Ace Ventura: Um Detetive Diferente, O Mentiroso), “Todo Poderoso” marca a terceira parceria entre o cineasta e Jim Carrey, consolidando uma fórmula que equilibra comédia física, crítica social e mensagens emocionais acessíveis ao grande público. O roteiro, assinado por Steve Koren, Mark O’Keefe e Steve Oedekerk, aposta em diálogos simples, situações absurdas e metáforas universais, o que ajuda a explicar a longevidade do filme.

Lançado em 2003, o longa foi um fenômeno de bilheteria. Somente em seu fim de semana de estreia nos Estados Unidos, arrecadou mais de 85 milhões de dólares, superando expectativas e até concorrentes de peso da época. Ao final de sua passagem pelos cinemas, “Todo Poderoso” acumulou cerca de 484 milhões de dólares mundialmente, tornando-se um dos maiores sucessos comerciais do ano e um dos filmes mais lucrativos da carreira de Jim Carrey e Jennifer Aniston.

Saiba qual filme vai passar no Domingo Maior de hoje, 11 de janeiro, na TV Globo

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O Domingo Maior de hoje, 11 de janeiro de 2026, traz para a tela da TV Globo o filme “Elysium”, uma ambiciosa produção de ficção científica que combina ação, crítica social e espetáculo visual. Lançado em 2013, o longa é escrito e dirigido por Neill Blomkamp (Distrito 9, Chappie), cineasta conhecido por usar o gênero sci-fi como ferramenta para discutir desigualdade, exclusão e poder.

Estrelado por Matt Damon (Bourne – Identidade Desconhecida, Perdido em Marte), Jodie Foster (O Silêncio dos Inocentes, Contato), Wagner Moura (Tropa de Elite, Narcos), Alice Braga (Eu Sou a Lenda, Esquadrão Suicida), Sharlto Copley (Distrito 9, Maleficent) e Diego Luna (Rogue One: Uma História Star Wars, Narcos: Mexico), Elysium apresenta um futuro distópico em que a divisão de classes atinge níveis extremos.

A história se passa em 2154 (ou 2159, em algumas versões de divulgação), quando a humanidade está literalmente separada em dois mundos. Os mais ricos vivem em Elysium, uma gigantesca estação espacial em formato de cilindro que oferece luxo absoluto, segurança e tecnologia avançada capaz de curar qualquer doença por meio das chamadas Med-Bays. Já o restante da população sobrevive na Terra, agora superpovoada, poluída, empobrecida e patrulhada por robôs policiais violentos.

O protagonista é Max Da Costa (Matt Damon), um ex-ladrão de carros que tenta levar uma vida honesta trabalhando em uma fábrica da poderosa Armadyne Corp, empresa responsável pela construção de Elysium. Durante um grave acidente de trabalho, Max é exposto a uma dose letal de radiação e descobre que tem apenas alguns dias de vida. Sem acesso a tratamento médico na Terra, ele passa a ver a estação espacial como sua única chance de sobrevivência.

Enquanto isso, em Elysium, a rígida e implacável Jessica Delacourt (Jodie Foster), secretária de Defesa da estação, faz de tudo para preservar o estilo de vida da elite, mesmo que isso signifique violar direitos humanos e ordenar ataques contra naves de imigrantes ilegais. Para executar suas ordens na Terra, ela conta com o mercenário Kruger (Sharlto Copley), um personagem brutal e imprevisível.

Determinando a mudar seu destino, Max procura Spider (Wagner Moura), um hacker e líder de um grupo clandestino responsável por enviar pessoas ilegalmente para Elysium. Spider aceita ajudá-lo, desde que Max participe de uma missão extremamente perigosa: roubar dados sigilosos de John Carlyle (William Fichtner – O Cavaleiro das Trevas, Fuga da Prisão), CEO da Armadyne. Para isso, Max passa por uma cirurgia improvisada que instala um exoesqueleto em seu corpo, aumentando drasticamente sua força e resistência.

A missão, no entanto, sai do controle e desencadeia uma verdadeira caçada humana. Ferido e perseguido, Max encontra abrigo na casa de Frey (Alice Braga), uma antiga amiga de infância e enfermeira que luta para salvar a filha Matilda, diagnosticada com leucemia. A situação torna o dilema moral ainda mais forte, colocando Max diante de uma escolha que pode mudar não apenas sua vida, mas o destino de toda a humanidade.

À medida que a trama avança, o filme revela que as informações armazenadas no cérebro de Max são capazes de reiniciar o sistema de Elysium, tornando todos os habitantes da Terra cidadãos legítimos da estação. A partir daí, Elysium assume de vez seu tom político e simbólico, discutindo imigração, acesso à saúde, desigualdade social e o preço do sacrifício individual em prol do bem coletivo.

Visualmente, o longa mantém a marca registrada de Neill Blomkamp: efeitos especiais realistas, cenários futuristas sujos e uma estética que mistura alta tecnologia com decadência social. Apesar de dividir opiniões na época do lançamento, Elysium se destacou pelo debate que propõe e pela força de suas imagens, tornando-se presença frequente nas exibições da TV aberta.

Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais ganha reforço no Globoplay com estreia das temporadas 25 e 26

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O catálogo do Globoplay será ampliado nas próximas semanas com a chegada de duas novas temporadas de Lei & Ordem: Unidade de Vítimas Especiais (Law & Order: Special Victims Unit), uma das séries policiais mais longevas e influentes da televisão. O serviço de streaming da Globo confirmou que a 25ª temporada estreia na próxima quinta-feira, 22 de janeiro, enquanto a 26ª temporada chega à plataforma em 16 de fevereiro, disponibilizando ao público brasileiro os capítulos mais recentes da produção criada por Dick Wolf.

Exibida originalmente pela NBC desde 20 de setembro de 1999, Law & Order: SVU surgiu como o primeiro spin-off da franquia Law & Order e rapidamente conquistou identidade própria. Ambientada em Nova York, a série acompanha o trabalho da Unidade de Vítimas Especiais, divisão fictícia do Departamento de Polícia da cidade responsável por investigar crimes sensíveis, como abuso sexual, violência doméstica e delitos contra crianças.

Ao longo de suas mais de duas décadas no ar, a produção se destacou por adotar uma abordagem realista e frequentemente inspirada em casos que ganharam repercussão na mídia. Esse formato contribuiu para o reconhecimento da série como um espaço de debate social, indo além da investigação criminal ao retratar as consequências emocionais e jurídicas enfrentadas pelas vítimas.

O sucesso de SVU também está diretamente ligado aos seus personagens centrais. Nos primeiros anos, a trama era conduzida principalmente pelos detetives Elliot Stabler e Olivia Benson, interpretados por Christopher Meloni e Mariska Hargitay, respectivamente. A parceria entre os dois se tornou um dos elementos mais marcantes da série. Com a saída de Meloni ao final da 12ª temporada, Hargitay assumiu definitivamente o protagonismo, consolidando Olivia Benson como uma das personagens mais emblemáticas da televisão norte-americana.

A série passou por diversas mudanças em seu elenco ao longo dos anos. Danny Pino, que viveu o detetive Nick Amaro, integrou o elenco a partir da 13ª temporada, permanecendo até sua saída por decisão criativa dos produtores. O personagem voltou a aparecer em participações especiais, incluindo o 500º episódio da série, exibido em 2021. Já a atriz Kelli Giddish, que permaneceu por 11 anos na produção, deixou o elenco regular recentemente, retornando apenas como convidada especial em episódios pontuais.

Mesmo com as transformações narrativas e de elenco, Law & Order: SVU manteve sua relevância e audiência, sendo renovada consecutivamente ao longo dos anos. Entre 2016 e 2020, a NBC garantiu múltiplas temporadas de uma só vez, assegurando a longevidade da produção. Em abril de 2023, a emissora confirmou oficialmente a renovação para a 25ª temporada, atualmente em exibição nos Estados Unidos.

No Brasil, a série já foi exibida por canais abertos como SBT, Rede Globo e Rede CNT, além de canais por assinatura, como Universal TV e TNT Séries. A chegada das temporadas 25 e 26 ao Globoplay representa uma nova etapa para os fãs brasileiros, que passam a ter acesso facilitado aos capítulos mais recentes diretamente pelo streaming.

A Baleia retorna aos palcos e estreia nova montagem em São Paulo com Emílio de Mello no papel de Charlie

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A peça “A Baleia” desembarca em São Paulo em uma nova e aguardada montagem teatral, reforçando a força de um texto que atravessou fronteiras entre palco e cinema e segue provocando reflexões profundas sobre dor, culpa e afeto. O espetáculo estreia nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, no Teatro Sabesp Frei Caneca, localizado no Shopping Frei Caneca, onde permanece em cartaz até 1º de março.

Escrita pelo dramaturgo norte-americano Samuel D. Hunter, a obra acompanha a trajetória de Charlie, um professor de inglês recluso, que vive com obesidade severa e enfrenta os limites físicos e emocionais impostos por sua condição. Isolado do mundo e consumido pela culpa, ele tenta, nos últimos momentos de sua vida, reconstruir a relação com a filha adolescente, de quem se afastou anos antes.

Nesta nova montagem, a direção e a tradução ficam a cargo de Luís Artur Nunes, que assume o desafio de conduzir um texto sensível, fragmentado e emocionalmente intenso. O papel principal passa a ser interpretado por Emílio de Mello, que assume o personagem após a marcante interpretação de José de Abreu em montagem anterior. A mudança de elenco traz um novo olhar para Charlie, sem perder a essência dolorosa e humana que define o personagem.

O elenco conta ainda com Luisa Thiré, Gabriela Freire, Eduardo Speroni e a participação especial de Alice Borges, formando um conjunto que sustenta a densidade emocional da narrativa. Cada personagem que orbita a vida de Charlie carrega suas próprias frustrações, crenças e feridas, contribuindo para um retrato complexo das relações humanas.

No palco, A Baleia não se limita a retratar a condição física do protagonista. A obesidade surge como um elemento central da dramaturgia, mas funciona também como metáfora para o isolamento emocional, a dificuldade de comunicação e a incapacidade de lidar com perdas profundas. A peça aborda temas como intolerância religiosa, abandono, luto e a busca desesperada por redenção, sempre com uma abordagem direta e sem concessões fáceis ao público.

Segundo o diretor Luís Artur Nunes, o texto de Samuel D. Hunter se destaca pela forma como constrói seus conflitos. A narrativa fragmentada, quase claustrofóbica, reflete o próprio estado emocional de Charlie, criando uma atmosfera intensa e desconfortável, que exige atenção constante do espectador. É uma obra que não oferece respostas prontas, mas convida à escuta e à empatia.

Para Emílio de Mello, assumir o papel de Charlie representa um dos maiores desafios de sua carreira. A composição do personagem envolve o uso de próteses e enchimentos, além de uma preparação corporal e vocal específica, que impacta diretamente a respiração, os movimentos e o ritmo da atuação. Mais do que a transformação física, o ator precisa acessar camadas emocionais profundas para dar vida a um homem marcado por escolhas passadas e pelo desejo tardio de reconciliação.

A chegada da nova montagem a São Paulo acontece em um momento em que A Baleia ainda reverbera fortemente na memória do público por conta de sua adaptação cinematográfica. Em 2022, a história ganhou uma versão para o cinema dirigida por Darren Aronofsky, cineasta conhecido por obras intensas e psicológicas. O filme, estrelado por Brendan Fraser, teve estreia no Festival Internacional de Cinema de Veneza, em setembro daquele ano, e chegou aos cinemas dos Estados Unidos em dezembro, com distribuição da A24.

A atuação de Fraser foi amplamente celebrada e rendeu ao ator o Oscar de Melhor Ator em 2023, além de consolidar o filme como um dos dramas mais comentados da década. A produção também venceu o prêmio de Melhor Cabelo e Maquiagem, reconhecimento importante diante da complexa caracterização do personagem.

No cinema, a história acompanha Charlie, um homem de meia-idade que pesa cerca de 272 quilos e tenta se reconectar com a filha de 17 anos após anos de afastamento. A separação ocorreu quando ele abandonou a família para viver um relacionamento com outro homem, que mais tarde morreu. Consumido pela dor e pela culpa, Charlie passou a comer compulsivamente, aprofundando ainda mais seu isolamento.

Apesar das diferenças entre palco e tela, a essência da obra permanece a mesma. Tanto no teatro quanto no cinema, A Baleia se constrói como um retrato íntimo de um homem em seus últimos dias, confrontado por erros, afetos mal resolvidos e pela urgência de dizer o que nunca foi dito. É uma história desconfortável, mas necessária, que desafia julgamentos fáceis e convida o público a enxergar humanidade onde muitas vezes só há estigmas.

As sessões da peça acontecem de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h. Os ingressos variam entre R$ 25 e R$ 160, com opções de meia-entrada, tornando a produção acessível a diferentes públicos.

Berlim se prepara para viver um momento histórico com a grande pré-estreia internacional de “Michael”

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Jaafar Jackson as Michael Jackson in Maven. Photo Credit: Glen Wilson

Poucos nomes na história da cultura pop despertam uma reação tão imediata quanto Michael Jackson. Basta ouvir os primeiros acordes de uma de suas músicas ou lembrar de um passo de dança para que memórias coletivas sejam ativadas em diferentes partes do mundo. Décadas após o auge de sua carreira, o artista segue vivo no imaginário popular, atravessando gerações e mantendo um poder de fascínio raro. É justamente essa força atemporal que transforma “Michael”, cinebiografia dedicada ao Rei do Pop, em um dos lançamentos cinematográficos mais aguardados dos últimos anos — e que agora ganha um capítulo especial com sua grande pré-estreia internacional em Berlim.

A capital alemã será palco de uma celebração que vai além de uma simples exibição antecipada. Marcada para o dia 10 de abril, a pré-estreia de “Michael” foi pensada como um verdadeiro evento global, reunindo fãs, imprensa, parte do elenco e da equipe criativa em uma experiência imersiva que promete honrar o legado do artista. A escolha de Berlim não é aleatória: a cidade carrega uma tradição cultural pulsante, marcada por movimentos artísticos, musicais e cinematográficos que dialogam diretamente com a ideia de inovação — algo que sempre definiu Michael Jackson.

Desde seu anúncio oficial, o filme despertou enorme curiosidade, não apenas pelo personagem central, mas pela proposta ambiciosa de revisitar uma das trajetórias mais complexas e impactantes da música mundial. Produzido por Graham King, vencedor do Oscar e responsável por projetos como Bohemian Rhapsody, o longa não se contenta em repetir fórmulas. A intenção, desde o início, foi construir um retrato amplo, humano e cinematograficamente grandioso, capaz de mostrar tanto o brilho dos palcos quanto os bastidores de uma vida moldada pela fama precoce.

“Michael” parte da infância do artista, quando ainda integrava o Jackson 5, passando pelo estrelato solo que redefiniu o pop nos anos 1980, até os desafios pessoais e profissionais que marcaram suas últimas décadas. A narrativa busca equilíbrio: não ignora os conflitos, pressões e contradições, mas também não perde de vista o impacto revolucionário de sua arte. É um convite para enxergar Michael Jackson além do mito, como um ser humano extraordinariamente talentoso, mas também vulnerável.

O roteiro assinado por John Logan, três vezes indicado ao Oscar, reforça essa abordagem sensível. Conhecido por trabalhos que exploram personagens complexos e emocionalmente densos, Logan construiu uma estrutura que evita a simples cronologia factual. Em vez disso, o filme aposta em momentos-chave, decisões artísticas e relações pessoais que ajudam a compreender quem foi Michael Jackson — não apenas o ídolo, mas o homem por trás da luva branca.

A direção ficou a cargo de Antoine Fuqua, cineasta que transita com segurança entre o cinema de ação e o drama intenso. Sua filmografia sugere um olhar atento para personagens movidos por conflitos internos, o que se alinha perfeitamente à proposta de “Michael”. Fuqua imprime ritmo, energia e impacto visual às cenas musicais, ao mesmo tempo em que reserva espaço para momentos mais silenciosos, nos quais o peso da fama e da solidão se torna evidente.

Um dos aspectos mais comentados do projeto é a escolha de Jaafar Jackson para interpretar Michael na fase adulta. Sobrinho do artista, Jaafar carrega não apenas uma semelhança física impressionante, mas uma conexão emocional profunda com a história que está sendo contada. Sua escalação foi vista como um gesto de respeito ao legado da família Jackson e, ao mesmo tempo, como uma aposta em autenticidade. Em sua estreia no cinema, o jovem ator enfrenta o desafio de dar vida a um dos personagens mais conhecidos do planeta — tarefa que exige talento, sensibilidade e coragem.

Na fase infantil, Michael é interpretado por Juliano Krue Valdi, que representa o início de uma jornada marcada por talento precoce e disciplina rígida. O filme não romantiza esse período, mas busca contextualizá-lo, mostrando como a infância do artista foi decisiva para moldar tanto sua genialidade quanto suas fragilidades.

O elenco de apoio reforça o peso dramático da narrativa. Colman Domingo assume o papel de Joe Jackson, figura central e controversa na formação dos filhos, especialmente de Michael. Sua interpretação promete fugir do maniqueísmo, explorando as contradições de um pai exigente, muitas vezes cruel, mas também fundamental na construção da carreira dos Jacksons. Nia Long, como Katherine Jackson, surge como o contraponto emocional, representando acolhimento, fé e estabilidade em meio ao caos. Já Miles Teller interpreta John Branca, advogado e um dos principais responsáveis pela gestão da carreira e do legado do cantor.

Personagens icônicos da indústria musical também aparecem ao longo da trama, como Quincy Jones, Berry Gordy, Diana Ross e Suzanne de Passe. A presença dessas figuras reforça o contexto histórico e artístico em que Michael Jackson se desenvolveu, mostrando como sua genialidade dialogava com produtores, gravadoras e outros artistas que ajudaram a redefinir os rumos da música pop.

As filmagens, iniciadas em janeiro de 2024 e concluídas em maio do mesmo ano, enfrentaram desafios típicos de uma produção dessa escala, incluindo atrasos causados pela greve da SAG-AFTRA. Ainda assim, o resultado promete um alto nível técnico. Com um orçamento estimado em 120 milhões de dólares, “Michael” investe pesado na reconstrução de shows históricos, bastidores de estúdio e diferentes fases da vida do artista. O trabalho da equipe técnica — com nomes como Dion Beebe na fotografia, Barbara Ling na direção de arte e Marci Rodgers no figurino — busca recriar épocas e atmosferas com riqueza de detalhes e respeito histórico.

É nesse contexto que a pré-estreia em Berlim ganha ainda mais importância. O evento não será apenas uma exibição para convidados, mas uma verdadeira celebração do legado de Michael Jackson. Estão previstas ações especiais para fãs, encontros temáticos e experiências que reforçam a ideia do filme como um acontecimento cultural, e não apenas um lançamento comercial. Para muitos admiradores, será a primeira oportunidade de ver nas telas uma obra que promete emocionar, provocar reflexões e reacender a conexão com a música do artista.

No Brasil, a estreia está confirmada para o dia 23 de abril, data que já mobiliza fãs de diferentes gerações. O país sempre teve uma relação intensa com Michael Jackson, seja pelo impacto de seus clipes, pelas coreografias reproduzidas em festas e programas de TV ou pela influência direta em artistas nacionais. A chegada de “Michael” aos cinemas brasileiros tende a ser um evento de forte apelo popular, reunindo tanto admiradores de longa data quanto um público mais jovem, curioso para conhecer melhor a história do ícone.

Natal Amargo | Warner Bros. Pictures divulga teaser trailer do novo filme de Pedro Almodóvar e anuncia estreia no Brasil

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A Warner Bros. Pictures revelou oficialmente o teaser trailer de “Natal Amargo”, novo longa-metragem do consagrado cineasta espanhol Pedro Almodóvar, e a notícia rapidamente movimentou o circuito cinematográfico internacional. Conhecido por transformar dramas íntimos em experiências viscerais, coloridas e profundamente humanas, o diretor retorna aos cinemas com uma obra que promete emocionar, provocar reflexões e dialogar diretamente com temas sensíveis e contemporâneos. O filme tem estreia marcada nos cinemas brasileiros para 28 de maio de 2026, consolidando-se desde já como um dos lançamentos mais aguardados do ano.

Ambientado entre a intensidade urbana de Madri e as paisagens quase oníricas das Ilhas Canárias, especialmente Lanzarote, “Natal Amargo” se apresenta como uma narrativa que mescla luto, identidade, relações afetivas e reconstrução emocional. O teaser trailer, embora breve, já deixa claro que Almodóvar segue fiel à sua assinatura autoral: personagens complexos, conflitos internos profundos e um olhar sensível para as fragilidades humanas.

No vídeo divulgado, o público tem um primeiro contato com o universo emocional do filme, marcado por silêncios eloquentes, olhares carregados de significado e uma atmosfera que alterna entre o calor afetivo e o desconforto emocional. O Natal, tradicionalmente associado à celebração e à união, surge aqui como um período de introspecção, ruptura e confronto com dores mal resolvidas — uma escolha simbólica que dialoga diretamente com o título da obra.

A trama gira em torno de Elsa, interpretada por Bárbara Lennie, uma diretora de publicidade que enfrenta o luto após a morte de sua mãe em dezembro. Incapaz de lidar com a perda de forma convencional, Elsa se refugia no trabalho, utilizando a rotina profissional como uma espécie de anestesia emocional. No entanto, o corpo cobra seu preço: um ataque de pânico a obriga a interromper esse ciclo de fuga e encarar a necessidade de uma pausa.

É nesse momento que a narrativa se desloca para Lanzarote, onde Elsa decide passar um tempo ao lado da amiga Patricia, em busca de algum tipo de reorganização interna. Enquanto isso, seu parceiro Bonifacio permanece em Madri, evidenciando uma distância não apenas geográfica, mas também emocional. Essa separação temporária funciona como catalisador para uma série de questionamentos sobre identidade, afeto, pertencimento e os limites das relações amorosas diante do sofrimento.

Ao lado de Bárbara Lennie, o elenco traz Leonardo Sbaraglia, que interpreta Raúl Durán, personagem central na dinâmica emocional do filme. Conhecido por sua versatilidade e intensidade dramática, Sbaraglia já colaborou com Almodóvar anteriormente e retorna agora em um papel que promete explorar nuances emocionais profundas. A relação entre Elsa e Raúl se desenha como um dos eixos centrais da narrativa, atravessada por tensões, desejos reprimidos e transformações pessoais.

O elenco ainda conta com nomes de peso do cinema espanhol, como Victoria Luengo, Patrick Criado, Quim Gutiérrez, Milena Smit e Aitana Sánchez-Gijón, ampliando o leque de personagens e perspectivas dentro da história. Essa diversidade de figuras reforça a proposta coral do filme, característica recorrente na filmografia de Almodóvar, onde cada personagem carrega seu próprio universo emocional e contribui para o mosaico narrativo.

Em entrevista concedida à IndieWire em outubro de 2024, Pedro Almodóvar definiu “Natal Amargo” como “uma comédia trágica sobre gênero”. A declaração, aparentemente paradoxal, é bastante reveladora para quem acompanha sua obra. O diretor sempre transitou com naturalidade entre o humor ácido e o drama mais doloroso, utilizando essa mistura para abordar temas delicados sem recorrer a simplificações. Aqui, a questão da identidade de gênero surge não como um elemento isolado ou didático, mas integrada organicamente às vivências dos personagens.

O luto, por sua vez, é tratado como uma experiência multifacetada, que não se limita à tristeza, mas envolve culpa, raiva, negação e, em muitos casos, um profundo questionamento sobre quem se é após a perda. Almodóvar parece interessado menos no evento da morte em si e mais nos rastros que ela deixa nas relações e na percepção de identidade de quem fica.

A produção do filme é assinada pela El Deseo, empresa fundada pelo próprio Almodóvar ao lado de seu irmão Agustín, em colaboração com a Movistar Plus+. Essa parceria garante ao diretor uma liberdade criativa rara na indústria, permitindo que suas obras mantenham uma identidade autoral forte mesmo dentro de grandes circuitos de distribuição, como o da Warner Bros. Pictures.

As filmagens começaram em 9 de junho de 2025 e se estenderam até 12 de agosto do mesmo ano, com locações em Madri e Lanzarote. A escolha das Ilhas Canárias, em especial, não é apenas estética. A paisagem vulcânica, árida e ao mesmo tempo deslumbrante de Lanzarote funciona como um espelho emocional dos personagens, refletindo estados internos de isolamento, transformação e renascimento.

A direção de fotografia ficou a cargo de Pau Esteve Birba, colaborador frequente de Almodóvar, responsável por traduzir visualmente as emoções da narrativa por meio de cores, luz e enquadramentos cuidadosamente pensados. Já a montagem é assinada por Teresa Font, outra parceira habitual do diretor, cuja sensibilidade na edição contribui para o ritmo emocional característico de seus filmes.

“O Morro dos Ventos Uivantes” tem pré-venda de ingressos iniciada nesta sexta (30) no Brasil

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Um dos romances mais intensos e perturbadores da literatura mundial está prestes a ganhar uma nova e ousada releitura nas telonas. A Warner Bros. Pictures anunciou que a pré-venda de ingressos de “O Morro dos Ventos Uivantes” começa no dia 29 de janeiro, em todo o Brasil. O filme estreia oficialmente nos cinemas brasileiros em 12 de fevereiro de 2026, com sessões também em IMAX e versões acessíveis, ampliando o alcance da produção para diferentes públicos.

A nova adaptação do clássico de Emily Brontë é dirigida e produzida por Emerald Fennell, vencedora do Oscar e do BAFTA, conhecida por seu olhar provocador e esteticamente marcante em obras como Bela Vingança e Saltburn. Fennell propõe uma leitura livre do romance publicado em 1847, preservando o espírito trágico da história, mas trazendo uma abordagem contemporânea, intensa e emocionalmente crua.

No centro da narrativa está o relacionamento arrebatador e destrutivo entre Catherine Earnshaw, interpretada por Margot Robbie, e Heathcliff, vivido por Jacob Elordi. Unidos por uma conexão profunda desde a juventude, os dois personagens constroem uma relação marcada por amor obsessivo, ressentimentos, orgulho e escolhas que ecoam por gerações. Mais do que uma história romântica, O Morro dos Ventos Uivantes é um retrato visceral de como sentimentos mal resolvidos podem se transformar em dor, vingança e ruína.

A ambientação nos pântanos de Yorkshire, elemento simbólico da obra original, ganha destaque na adaptação de Fennell. O cenário inóspito e melancólico funciona como um reflexo direto das emoções dos personagens, reforçando o tom sombrio e trágico do enredo. A fotografia promete valorizar paisagens amplas e selvagens, criando uma atmosfera quase sufocante, onde paixão e sofrimento caminham lado a lado.

Outro grande destaque do filme é a trilha sonora original assinada por Charli XCX. A artista imprime sua identidade sonora à produção, apostando em composições que misturam sensualidade, melancolia e tensão emocional. A música surge como um elemento essencial para intensificar as emoções extremas vividas pelos personagens, dialogando diretamente com a proposta estética e narrativa do longa.

A escolha do elenco também chama atenção. Margot Robbie, conhecida por sua versatilidade e força dramática, assume o desafio de dar vida a uma das personagens femininas mais complexas da literatura. Já Jacob Elordi consolida sua transição para papéis mais densos, interpretando um Heathcliff marcado por traumas, raiva e um amor que beira a autodestruição. A química entre os dois promete ser um dos pilares da narrativa.

AXN estreia “Sutura”, série brasileira que une drama médico e suspense criminal com Cláudia Abreu

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O AXN amplia sua presença no audiovisual nacional com a estreia de “Sutura”, nova série brasileira que chega à programação do canal no dia 31 de janeiro, às 22h40. Estrelada por Cláudia Abreu, a produção aposta em uma narrativa intensa que une o universo da medicina ao suspense criminal, explorando dilemas éticos, tensões sociais e escolhas que colocam vidas em risco dentro e fora da sala de cirurgia.

Ambientada em São Paulo, Sutura parte de um ponto de vista pouco convencional para o gênero médico ao deslocar parte de sua trama para fora do ambiente hospitalar tradicional. A série propõe um olhar crítico sobre o exercício da profissão em um contexto marcado por desigualdade, violência urbana e falhas estruturais, construindo uma história que dialoga diretamente com a realidade brasileira contemporânea.

Dois médicos, dois mundos, uma escolha perigosa

A trama acompanha Ícaro, interpretado por Humberto Morais, um jovem médico recém-formado que cresceu na periferia da capital paulista. Talentoso e determinado, ele vê seu futuro ameaçado ao descobrir que não poderá iniciar a residência médica devido a uma dívida acumulada ao longo da faculdade. Sem recursos e pressionado pelo tempo, Ícaro se vê encurralado por um sistema que dificulta o acesso de jovens profissionais às oportunidades que deveriam consolidar suas carreiras.

Em paralelo, o público conhece a Dra. Mancini, personagem de Cláudia Abreu, uma cirurgiã reconhecida e experiente que enfrenta um momento decisivo em sua vida pessoal e profissional. Após vivenciar um trauma recente, ela passa a questionar sua trajetória, sua relação com a medicina e o próprio sentido de continuar exercendo a profissão. Afastada do prestígio que construiu ao longo dos anos, Mancini tenta reconstruir sua identidade em meio a conflitos internos e perdas profundas.

O encontro entre Ícaro e Mancini acontece em um momento de fragilidade para ambos. O que começa como uma relação marcada pela necessidade e pela desconfiança se transforma em uma parceria arriscada, quando os dois decidem atuar como médicos clandestinos, prestando atendimento a criminosos que não podem procurar hospitais ou serviços oficiais de saúde.

Ética, sobrevivência e tensão constante

Ao assumirem essa vida dupla, os protagonistas entram em um território onde ética profissional e sobrevivência pessoal se chocam a todo momento. Cada atendimento realizado fora da lei representa uma ameaça: seja pela possibilidade de serem descobertos, seja pela violência do ambiente em que passam a circular. A série explora de forma gradual as consequências dessas escolhas, mostrando como decisões tomadas em momentos de desespero podem gerar efeitos irreversíveis.

Sutura utiliza o suspense criminal para intensificar o drama humano de seus personagens. As cirurgias improvisadas, realizadas sob pressão extrema, funcionam como elementos centrais da narrativa, ao mesmo tempo em que simbolizam a fragilidade dos limites morais que os protagonistas tentam preservar.

Produção nacional com identidade própria

Criada e roteirizada por Fabio Montanari, e dirigida por Diego Martins e Jessica Queiroz, Sutura é uma produção 100% brasileira que busca equilíbrio entre entretenimento e reflexão social. A série incorpora temas como endividamento estudantil, desigualdade de oportunidades, precarização do trabalho e violência urbana, sempre integrados à história de forma orgânica.

Ao mesclar características clássicas dos dramas médicos, gênero consagrado internacionalmente, com elementos de thrillers policiais, a produção constrói uma identidade própria, distante de fórmulas importadas e alinhada ao cotidiano das grandes cidades brasileiras. O resultado é uma narrativa dinâmica, marcada por tensão crescente e conflitos humanos profundos.

Cláudia Abreu em um papel de grande densidade dramática

A atuação de Cláudia Abreu é um dos destaques da série. Sua personagem transita entre a autoridade de uma cirurgiã experiente e a vulnerabilidade de alguém que enfrenta perdas e questionamentos internos. A Dra. Mancini surge como uma figura complexa, que carrega culpa, medo e ambição em igual medida, contribuindo para a força emocional da narrativa.

Humberto Morais, por sua vez, entrega um Ícaro intenso e realista, representando uma geração de jovens profissionais que se depara com barreiras estruturais mesmo após anos de dedicação. A relação entre os dois protagonistas sustenta o eixo dramático da série, alternando momentos de cumplicidade, conflito e tensão constante.

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