Crítica – Marsupilami: Confusão a Bordo é uma montanha-russa que abraça o absurdo e surpreende

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Se você olhar de longe, Marsupilami: Confusão a Bordo pode parecer apenas mais uma comédia infantil boba e inofensiva. E, de certa forma, o filme realmente abraça essa proposta. A diferença é que ele não trata o público como se fosse incapaz de entender uma piada mais elaborada. Enquanto as crianças podem se divertir com o visual colorido e as situações absurdas, os adultos encontram um humor mais ácido, com algumas piadas que provavelmente vão passar despercebidas pelos mais novos.

O filme sabe exatamente o que quer ser e não tenta esconder sua própria tosquice. A premissa é simples e coloca a história em movimento rapidamente. David, personagem de Philippe Lacheau, recebe a missão de transportar uma carga misteriosa em um cruzeiro rumo à América do Sul. O conteúdo da encomenda, porém, está longe de ser comum: trata-se do Marsupilami, uma criatura amarela extremamente fofa que foi separada de sua família.

A partir daí, diferentes interesses entram em conflito. Enquanto alguns querem capturar o animal para fins científicos, outros fazem de tudo para devolvê-lo à natureza. É nesse cenário que a aventura se desenvolve, misturando perseguições, confusões e uma sucessão de situações cada vez mais absurdas.

A relação entre David e Tess, vivida por Élodie Fontan, é um dos melhores elementos da produção. Os dois atores têm uma boa sintonia em cena, e essa química ajuda a sustentar boa parte da comédia. A dinâmica do casal funciona especialmente bem nos momentos em que o filme deixa a aventura de lado para explorar os conflitos entre os personagens.

Grande parte da história acontece dentro do cruzeiro, e a direção consegue aproveitar bem esse espaço. Em produções desse tipo, é comum que o uso excessivo de tela verde prejudique a sensação de escala, mas isso não acontece aqui. Nas tomadas mais abertas, especialmente nas imagens aéreas, o navio transmite uma dimensão convincente e ajuda a manter a imersão.

O grande acerto visual, porém, está no próprio Marsupilami. Em vez de apostar em uma criatura inteiramente digital, o longa recorre a efeitos práticos e utiliza a computação gráfica de maneira mais pontual. A escolha faz diferença. O personagem ganha presença física, textura e uma aparência muito mais palpável. Sempre que aparece em cena, existe uma sensação de proximidade que seria difícil alcançar com um personagem criado exclusivamente por CGI.

Essa decisão também acaba favorecendo um dos pontos mais frágeis do filme: a atuação infantil. Corentin Guillot interpreta o filho do casal, personagem que tem uma função importante no lado emocional da história, mas cuja atuação é bastante limitada. A falta de expressão do ator mirim chama atenção em alguns momentos, principalmente durante as sequências de perigo, quando a reação do personagem deveria carregar mais peso.

A situação seria ainda mais complicada se o Marsupilami fosse completamente digital. A interação entre os dois poderia perder boa parte de sua força. A presença física da criatura, por outro lado, ajuda a sustentar a relação e torna essas cenas mais convincentes.

Quem está à frente de toda essa confusão é o próprio Philippe Lacheau, responsável pela direção, pelo roteiro e também pelo papel principal. Como diretor, ele não acerta em tudo. Há situações constrangedoras e algumas piadas que parecem ter sido incluídas apenas para prolongar a sequência. Ainda assim, o resultado geral é bastante eficiente.

Lacheau demonstra um bom domínio da linguagem da comédia e sabe trabalhar o espaço dentro do quadro. Os posicionamentos de câmera não parecem aleatórios, e algumas escolhas visuais funcionam muito bem. Logo nos primeiros minutos, por exemplo, há uma cena em que David e Tess discutem enquanto, ao fundo, completamente desfocado, o caos começa a tomar conta do ambiente. Quando os personagens finalmente percebem o que aconteceu, o estrago já está feito. É um momento simples, mas que mostra o cuidado da direção com a construção da gag.

Outro ponto positivo está na maneira como o roteiro planta informações ao longo da narrativa. Elementos apresentados no começo retornam durante o ato final, criando uma sensação de continuidade e ajudando a preparar o terreno para um desfecho cada vez mais caótico.

E quando o assunto é caos, Marsupilami não economiza. As cenas de ação passam por perseguições dentro do cruzeiro e envolvem motos, carros e até helicópteros. Uma sequência em plano-sequência se destaca pelo nível de execução e mostra uma ambição técnica que vai além do que normalmente se espera de uma comédia desse porte. Há espaço até para uma referência divertida a Dragon Ball, uma daquelas piscadelas para a cultura pop que podem arrancar um sorriso de quem reconhece.

Por trás de toda a correria, das piadas recorrentes e das situações absurdas, existe também uma história sobre família. O desejo da criança de ver os pais separados novamente juntos funciona como o principal motor emocional da trama. Aos poucos, o sequestro do Marsupilami e a crítica, um tanto superficial, à busca por viralização nas redes sociais acabam ficando em segundo plano diante dessa tentativa de reconstrução familiar.

Não sou particularmente um grande admirador de comédias, mas Marsupilami conseguiu me prender do início ao fim. O filme é exagerado, frenético e, principalmente, não tem medo de abraçar o próprio absurdo. Algumas escolhas funcionam melhor do que outras, e nem todas as piadas acertam o alvo, mas existe uma energia constante que mantém a história em movimento.

No fim, Marsupilami é uma montanha-russa. Uma experiência barulhenta, desajeitada em alguns momentos e completamente fora do eixo em outros, mas que sabe transformar essa falta de controle em parte da diversão. É uma aventura que pode funcionar para diferentes idades, com humor suficiente para arrancar risadas de quem está disposto a embarcar na brincadeira.

Crítica – Shadow Force decepciona com narrativa previsível e produção sem brilho

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Foto: Reprodução/ Internet

Quando um filme de ação chega às telas, as expectativas naturalmente envolvem adrenalina, sequências eletrizantes e personagens que cativam o público. Infelizmente, Shadow Force não consegue cumprir essa promessa e acaba se tornando uma experiência decepcionante, mesmo contando com um elenco talentoso.

Logo no início, o filme já apresenta um problema básico que dificulta a imersão do espectador: um erro de continuidade que passa despercebido apenas por quem não está atento. Uma assassina de aluguel executa um tiro perfeito a longa distância, e o homem cai morto. Porém, segundos depois, a mesma cena é contraditada por um enquadramento que não faz sentido dentro da lógica apresentada. Pequenos detalhes como esse parecem simples, mas refletem uma falta de cuidado que se repete ao longo do filme.

Omar Sy, que carrega no nome o peso de seu talento e carisma, interpreta mais uma vez um personagem americano de origem senegalesa — uma escolha que, apesar de trazer representatividade, não se aprofunda em camadas ou singularidades. O roteiro, infelizmente, não oferece a complexidade necessária para que o ator explore seu potencial, deixando-o preso a um papel que se encaixa no molde padrão de heróis de ação contemporâneos.

A trama parte de uma premissa com potencial: um casal de agentes secretos, traídos por sua própria agência, foge com o filho para sobreviver. No entanto, a narrativa rapidamente se perde em clichês batidos — o “último trabalho antes da aposentadoria”, o “mentor corrompido”, a “fuga em família” — fórmulas já vistas inúmeras vezes e que pouco acrescentam ao gênero. O roteiro não surpreende, tampouco emociona, entregando reviravoltas previsíveis e diálogos genéricos.

Visualmente, Shadow Force também decepciona. A direção, que deveria conduzir o ritmo frenético típico do gênero, tropeça em cenas confusas e mal iluminadas, onde o espectador acaba por perder a noção dos movimentos e da ação. Um exemplo é a tentativa de coreografar uma luta entre o casal protagonista — a sequência é tão escura e desordenada que se torna praticamente ilegível. A fotografia opaca e os cenários genéricos — galpões, florestas e motéis — colaboram para a sensação de que o filme poderia se passar em qualquer lugar do mundo, sem deixar qualquer marca.

Outro ponto que chama a atenção — e gera desconforto — é uma sequência de violência em uma igreja. O ataque, brutal e gratuito, parece deslocado da trama e levanta questões importantes sobre representatividade e as escolhas narrativas feitas pelo filme. A violência ali parece mais uma decisão calculada do que uma necessidade para o desenvolvimento da história.

No elenco de apoio, os personagens secundários funcionam mais como elementos utilitários para movimentar a trama do que figuras com personalidade ou complexidade. O vilão principal, por sua vez, se apresenta como uma caricatura, o que diminui o peso do conflito e a tensão que deveria carregar.

Apesar das limitações do filme, Omar Sy mostra comprometimento e entrega uma atuação sólida — especialmente em uma cena de confronto verbal, onde seu talento brilha com mais intensidade e autenticidade, oferecendo um raro momento de verdade em meio à produção.

No balanço geral, Shadow Force acaba se tornando um filme que não consegue se afirmar nem como entretenimento eficiente nem como uma obra original dentro do gênero. É uma produção que soa desgastada e pouco inspirada, que poderia ter sido melhor com um roteiro mais ousado e uma direção mais atenta.

Para o público que acompanha a carreira de Omar Sy, o filme é um lembrete de que até mesmo grandes atores podem enfrentar projetos que não fazem jus ao seu potencial. Para os fãs do cinema de ação, resta a frustração de assistir a um produto que parece mais um trabalho automático do que uma obra pensada para envolver e emocionar.

Shadow Force pode até preencher algumas horas de tela, mas dificilmente deixará uma marca significativa na memória do público.

Crítica | Tron: Ares é visualmente atraente, mas narrativamente vazio

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Tron: Ares chega aos cinemas com a responsabilidade de carregar o legado de uma das franquias mais icônicas da ficção científica digital. O filme, no entanto, rapidamente demonstra que seu maior problema não é a ambição, mas a execução. Tentando equilibrar duas frentes — reviver a estética digital que marcou o universo Tron e dialogar com questões contemporâneas sobre tecnologia e sociedade —, a produção acaba sendo um híbrido confuso, incapaz de cumprir plenamente qualquer uma dessas propostas. O resultado é um filme que impressiona visualmente, mas carece de substância narrativa, oferecendo nostalgia sem propósito.

O primeiro Tron se destacou por sua ousadia estética e pela criação de um universo digital coerente, quase surreal, que se sustentava por ideias originais e um design inovador. Tron: Ares parece ter esquecido essa lição. A decisão de transpor a ação digital para o mundo real, que poderia gerar sequências memoráveis e eletrizantes, é tratada de forma segura e previsível. As perseguições de motos digitais pelo trânsito urbano, por exemplo, parecem coreografadas mais para impressionar visualmente do que para criar tensão ou emoção. Há momentos em que a tecnologia é exibida como fim em si mesma, em vez de instrumento para narrativa ou desenvolvimento de personagens.

Mesmo os poucos pontos positivos, como a trilha sonora, não conseguem sustentar a experiência. A música, de fato grandiosa e energética, tenta preencher lacunas narrativas e emocionais, mas funciona mais como um colchão sonoro para o vazio da história do que como elemento integrador. Algumas sequências parecem mais clipes estilizados do que partes de uma narrativa coerente, evidenciando a fragilidade estrutural do roteiro.

Narrativamente, Tron: Ares é superficial. Os personagens se movem sem motivações claras, e os diálogos pouco inspirados não ajudam na construção de empatia. O filme insinua reflexões sobre a obsessão tecnológica, o consumismo e o hype midiático, mas não se aprofunda. Os temas permanecem na superfície, sem impacto dramático, sem consequências para a trama e, sobretudo, sem criar sentido para a audiência.

O apego à nostalgia é evidente e paradoxalmente prejudicial. Referências ao passado lembram o público do quão ousado o original foi, mas não acrescentam nada de novo. Em vez de expandir o universo, o filme repete fórmulas seguras, evitando riscos criativos e desperdiçando o potencial de um mundo que poderia ter sido explorado de maneiras mais inventivas e corajosas. Cada piscadela ao passado funciona mais como comparação do que como homenagem.

O maior déficit de Tron: Ares é emocional. Sem personagens memoráveis ou tensão real, o filme falha em criar qualquer conexão duradoura com o espectador. Efeitos visuais e conceitos futuristas não substituem a narrativa ou a capacidade de envolver emocionalmente. Um Tron memorável sempre foi sobre imersão: um mundo digital fascinante em que estética, enredo e ideias se entrelaçam. Aqui, cada elemento parece isolado, incapaz de formar um todo coeso.

Em última análise, Tron: Ares se apresenta como um espetáculo visual, mas padece de substância. Poderia ter sido um renascimento ousado de um universo icônico, mas se transforma em uma experiência superficial, dominada por nostalgia e efeitos sem propósito. Visualmente competente e, em certos momentos, esteticamente prazeroso, o filme fracassa em construir história, tensão e personagens. É uma oportunidade perdida que evidencia a dificuldade de inovar em franquias consagradas: é mais fácil repetir fórmulas do que ousar.

Crítica – O Beijo da Mulher-Aranha é um musical visualmente elegante, mas emocionalmente vazio

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A nova adaptação de O Beijo da Mulher-Aranha (2025) dialoga com o imaginário dos grandes musicais hollywoodianos da década de 1950, mas tropeça justamente naquilo que deveria sustentar sua potência: a densidade emocional e a complexidade dramática. Embora elegante em sua forma, o filme se perde em explicações excessivas e escolhas narrativas contraditórias que diluem sua força política e afetiva.

Há divergências quanto à principal matriz dessa releitura. Enquanto alguns a veem como uma atualização direta do filme homônimo de 1985, dirigido por Héctor Babenco, outros identificam maior proximidade com o musical da Broadway. Independentemente dessa origem, é evidente que ambas as versões convergem nesta nova encenação comandada por Bill Condon. Conhecido por musicais de forte apelo visual, como Dreamgirls, o diretor demonstra domínio técnico e senso estético refinado, entregando uma fotografia sofisticada e um desenho de produção impecável. No entanto, esse rigor formal não encontra respaldo em um roteiro que opta pela literalidade, pelo didatismo e por uma recusa sistemática à ambiguidade.

Ambientada nos anos 1970, a narrativa se desenrola em meio a um contexto de repressão política e autoritarismo estatal na América Latina, marcado pela perseguição a opositores do regime, pela censura e pela criminalização de corpos dissidentes. É nesse cenário que se encontram Molina, interpretado por Tonatiuh Elizarraraz, um homem gay sensível, afetuoso e profundamente ligado ao cinema, e Valentín, vivido por Diego Luna, um militante político encarcerado por sua atuação revolucionária. Ao dividirem a mesma cela, os dois constroem uma relação atravessada por convivência forçada, escuta mútua e tensões ideológicas, que poderia suscitar reflexões contundentes sobre poder, afeto, preconceito e instrumentalização.

A relação de Molina com o cinema não emerge da fantasia gratuita, mas da memória afetiva. Filho de uma mulher que trabalhava em uma sala de exibição, ele cresceu imerso em filmes e narrativas que moldaram sua forma de sentir e compreender o mundo. É dessa herança emocional que nascem os momentos musicais que atravessam o longa. O vínculo entre Molina e sua mãe, embora pouco explorado, figura entre os elementos mais orgânicos do filme, apontando o cinema como espaço de afeto, refúgio emocional e continuidade simbólica.

É nesse universo de lembranças que surge Aurora, personagem retirada de um dos filmes assistidos por Molina e interpretada por Jennifer Lopez. Longe de ser uma figura abstrata, Aurora habita a memória cinematográfica do protagonista e, ao longo da narrativa, também assume a dimensão simbólica da Mulher-Aranha. Essa sobreposição de sentidos, que envolve personagem fictícia, memória afetiva e alegoria do desejo e da sobrevivência emocional, constitui uma das ideias mais instigantes do filme, ainda que permaneça subdesenvolvida e pouco integrada ao arco dramático.

Uma das decisões mais problemáticas da adaptação está na tentativa de romantizar a relação entre Molina e Valentín. Ao suavizar essa dinâmica, o filme esvazia a ambiguidade ética que sustentava o conflito original. A relação, antes marcada por assimetrias, interesses cruzados e tensões morais, é reconfigurada sob uma chave mais conciliadora, o que enfraquece sua dimensão política e evidencia as hipocrisias sociais que o filme parece querer denunciar.

Na versão de 1985, havia uma honestidade desconfortável na maneira como esse vínculo se estabelecia. O encontro era breve, atravessado por desejo, afeto e também por instrumentalização mútua. Ao abdicar dessa complexidade, o filme de 2025 perde parte de seu caráter provocador e de sua capacidade de inquietar o espectador.

As sequências musicais associadas a Aurora evocam o glamour dos musicais clássicos dos anos 1950 e dialogam com um contexto histórico de silenciamento e repressão das dissidências sexuais e políticas. Ainda assim, o filme demonstra excessiva preocupação em explicar seus símbolos e intenções, subestimando a inteligência do público e comprometendo a fluidez narrativa.

Em comparação com o longa de Babenco, protagonizado por William Hurt, Raúl Juliá e Sônia Braga, esta nova versão carece da mesma força poética e do engajamento político que emergiam com maior naturalidade, sem necessidade de constantes sublinhados narrativos.

Entre as atuações, Jennifer Lopez revela empenho e entrega às personagens que interpreta, mas sua presença em cena carece de impacto emocional duradouro. Assim como o filme em si, suas aparições impressionam visualmente, mas não conseguem gerar envolvimento afetivo. O resultado é uma obra esteticamente bela, porém emocionalmente distante.

Apesar das referências explícitas ao musical clássico e da experiência de Bill Condon com o gênero, O Beijo da Mulher-Aranha se mostra uma obra desequilibrada. Investe na superfície, na estilização e na explicação excessiva, mas falha justamente onde deveria ser mais incisiva: na construção dramática, na ambiguidade moral e na força política que historicamente definiram essa história.

Crítica – “Pânico 7” tropeça no próprio legado e entrega o desfecho mais fraco da franquia

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Depois de décadas transformando a máscara de Ghostface em símbolo máximo do terror metalinguístico, a franquia chega ao seu capítulo mais problemático com Pânico 7. O retorno de Sidney Prescott, novamente interpretada por Neve Campbell, tinha tudo para ser um reencontro poderoso com as origens da saga. Em vez disso, o que se vê é um filme que oscila entre a nostalgia fácil e decisões criativas que enfraquecem perigosamente o próprio mito que tenta sustentar.

A premissa é promissora. Um novo Ghostface surge para atormentar Sidney, agora vivendo em uma cidade pacata e dedicada à criação da filha. A ameaça deixa de ser apenas pessoal e passa a atingir diretamente sua família, elevando o conflito emocional. O roteiro sugere que este será o confronto definitivo com os traumas do passado. Porém, a execução raramente alcança a profundidade que a ideia promete.

A tentativa de atualizar o terror com elementos contemporâneos, como deepfakes, sistemas de segurança e vigilância digital, parece mais um recurso superficial do que uma real reinvenção narrativa. A tecnologia é usada como enfeite temático, mas não é explorada com inteligência suficiente para gerar tensão consistente. Em vários momentos, ela surge como solução conveniente ou como desculpa para reviravoltas pouco orgânicas.

O longa também aposta na nostalgia como muleta. Personagens antigos retornam, referências se acumulam e o discurso sobre legado é repetido à exaustão. O problema é que essa reverência ao passado não vem acompanhada de novas ideias à altura. A franquia sempre foi conhecida por brincar com as regras do slasher e subverter expectativas. Aqui, a sensação é de repetição. Dois assassinos sob a máscara, motivações mirabolantes e um jogo de suspeitas que parece reciclado de capítulos anteriores.

Durante boa parte da projeção, o filme até consegue prender a atenção. A condução é ágil e há sequências violentas bem coreografadas, mantendo a tradição sangrenta da série. No entanto, o ritmo é irregular. Personagens se deslocam de um ponto a outro com conveniência quase sobrenatural quando a trama precisa acelerar, mas tornam-se inexplicavelmente lentos quando o suspense exige tensão gradual. Essas falhas de continuidade quebram a imersão e evidenciam descuidos estruturais.

A direção de Kevin Williamson demonstra domínio do universo que ajudou a criar, mas encontra dificuldade em fechar a própria proposta. A constante tentativa de enganar o público, multiplicando pistas falsas e suspeitos descartáveis, acaba diluindo o impacto da revelação. Em vez de surpreender, o filme cansa.

E é no desfecho que “Pânico 7” realmente desmorona. Depois de preparar o terreno para um confronto grandioso com o legado de Ghostface, a revelação dos vilões soa desproporcional ao que foi sugerido. As motivações beiram o absurdo e não sustentam o peso dramático que a narrativa tenta impor. O clímax, que deveria ser catártico, torna-se anticlimático e frustrante. A sensação é de que todas as possibilidades já foram exploradas, reutilizadas e esgotadas.

O resultado é o final mais frágil da franquia. Não por falta de sangue ou de reviravoltas, mas pela ausência de impacto real. O terror sempre foi eficaz quando conseguia equilibrar crítica ao gênero, suspense genuíno e personagens carismáticos. Aqui, sobra autoconsciência e falta frescor.

“Pânico 7” ainda oferece entretenimento momentâneo e algumas sequências intensas, mas evidencia que a saga pode ter entrado em um ciclo de desgaste criativo. Quando a maior surpresa de um filme é perceber que ele já não consegue surpreender, talvez seja hora de questionar se o legado está sendo honrado ou apenas prolongado por insistência.

Crítica – Ataque Brutal tenta ser realista, mas se afoga no próprio absurdo com tubarões

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Tem filmes que abraçam o absurdo e funcionam justamente por isso. Outros tentam ser sérios, realistas, quase documentais… e acabam tropeçando quando exageram na dose. Ataque Brutal, novo título da Netflix, fica preso exatamente nesse limbo desconfortável. Ele quer parecer um retrato cru de uma tragédia climática, mas ao mesmo tempo joga tubarões gigantes no meio da história como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

A premissa até chama atenção. Uma cidade litorânea é atingida por um furacão de categoria máxima, daqueles que deixam um rastro de destruição difícil de ignorar. Casas alagadas, ruas virando rios, pessoas isoladas, energia cortada. O início funciona. Existe uma sensação de caos real, de perigo iminente, de que algo sério está acontecendo. Por alguns minutos, o filme parece que vai seguir um caminho mais tenso, quase angustiante.

Só que essa expectativa dura pouco.

Quando o realismo afunda e o absurdo assume o controle

Quando os tubarões começam a aparecer nas águas da cidade, Ataque Brutal muda completamente de tom e parece não perceber isso. O problema não é nem a ideia em si. O cinema já mostrou várias vezes que conceitos absurdos podem render ótimos filmes quando existe consciência do próprio exagero. Aqui, no entanto, falta essa noção.

O longa continua tentando se levar a sério, mesmo quando a situação já passou do ponto do plausível. E isso quebra a experiência. Em vez de gerar tensão, muitos momentos acabam soando involuntariamente cômicos. Não porque sejam engraçados de propósito, mas porque é difícil comprar a lógica do que está acontecendo.

O espetáculo do exagero que prende, mas também cansa

Ao mesmo tempo, existe algo curioso. Mesmo com todos os problemas, o filme consegue prender a atenção. E isso acontece por um motivo bem simples: o espetáculo do absurdo. Cada novo ataque de tubarão vira quase um evento. Você sabe que vai exagerar, sabe que provavelmente não faz muito sentido, mas ainda assim quer ver até onde o filme vai.

E ele vai longe.

As cenas de ataque apostam em um nível de violência que, em vários momentos, beira o desnecessário. Não é aquele tipo de brutalidade que serve à história ou aos personagens. É mais um recurso para chocar, para causar impacto imediato. Funciona em partes, mas também cansa. Chega uma hora em que parece repetitivo, como se o filme dependesse disso para se manter interessante.

Efeitos visuais irregulares que revelam mais do que escondem

Tecnicamente, o filme também oscila bastante. O uso de efeitos visuais é inconsistente. Em algumas cenas, os tubarões até convencem, especialmente quando aparecem de forma mais sugerida, escondidos na água turva. Nessas horas, o suspense cresce e o filme mostra que poderia ter seguido um caminho mais eficiente.

Mas quando resolve mostrar demais, tudo perde força. O CGI entrega o jogo, e o perigo deixa de ser assustador para virar apenas barulho visual.

Personagens esquecíveis em meio ao caos

Outro ponto que pesa é a falta de conexão com os personagens. Em um cenário tão extremo, seria natural se importar com quem está tentando sobreviver. Só que o filme não dedica tempo suficiente para desenvolver essas pessoas. Elas estão ali mais para reagir ao caos do que para viver de fato a história.

Isso faz diferença. Sem envolvimento emocional, as cenas de perigo perdem impacto. Não importa tanto quem vai escapar ou quem não vai, porque o filme não constrói esse vínculo com o público.

Comparações inevitáveis que escancaram as falhas

Inevitavelmente, surgem comparações com produções como Águas Rasas e Predadores Assassinos, que conseguem equilibrar tensão, entretenimento e uma certa lógica interna. “Ataque Brutal” tenta seguir essa linha, mas não alcança o mesmo resultado. Falta controle, falta identidade e, principalmente, falta decidir que tipo de filme quer ser.

No fim, o problema não são os tubarões

No fim das contas, a sensação é de uma oportunidade mal aproveitada. Havia espaço para um thriller de sobrevivência intenso, talvez até angustiante, usando o desastre natural como base. Também havia espaço para um filme assumidamente exagerado, quase divertido no seu absurdo.

Mas ao tentar ser os dois ao mesmo tempo, o longa-metragem acaba não sendo nenhum deles por completo.

Ainda assim, não dá para dizer que é uma experiência totalmente descartável. Existe um certo entretenimento ali, principalmente para quem gosta de filmes caóticos, exagerados e sem muito compromisso com a lógica. É aquele tipo de produção que você assiste mais pela curiosidade do que pela qualidade.

Só não espere coerência.

Porque, no fim, o maior problema de Ataque Brutal não são os tubarões. É a falta de direção clara.

Crítica – O Homem do Saco aposta no terror, mas não convence totalmente

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Às vezes, um filme nos faz questionar os critérios usados para chegar aos cinemas. “O Homem do Saco”, dirigido por Colm McCarthy, não só nos deixa com essa pergunta, mas nos faz refletir se o próprio diretor sabia o que estava tentando criar. Vendido como uma “história de fantasmas antiquada”, o longa acaba sendo uma colcha de clichês mal costurados, sem tensão, emoção ou personalidade.

A premissa tem certo potencial: Patrick (Sam Claflin), um inventor em crise, volta para a casa de infância com sua família e começa a ser atormentado por pesadelos e uma entidade misteriosa. Até aí, parece uma fórmula conhecida, mas aceitável. No entanto, a execução é desastrosa. Os sustos previsíveis e os diálogos sem vida tornam difícil qualquer envolvimento emocional com a história.

Nos primeiros quinze minutos, já se percebe que o filme tem apenas dois truques: barulhos ensurdecedores e luzes piscantes. Cada cena que tenta criar tensão se transforma em uma piada involuntária, deixando o espectador mais entediado do que assustado.

O grande antagonista, o temido Homem do Saco, é apresentado como uma figura mística que sequestra apenas crianças boas. Uma ideia intrigante, mas que rapidamente se desfaz com um visual risível. Em vez de provocar calafrios, o monstro parece uma fantasia de Halloween retirada da lixeira de uma loja de descontos.

A construção da mitologia em torno do vilão também é rasa e sem criatividade. O roteiro não explora o suficiente para tornar essa figura verdadeiramente assustadora ou simbólica.

Colm McCarthy, que já mostrou competência em projetos anteriores, parece perdido aqui. O ritmo arrastado, combinado com uma direção apática, faz com que até os momentos de tensão pareçam forçados. O resultado é um filme que se leva a sério demais, sem oferecer nada que justifique essa pretensão.

“O Homem do Saco não é apenas um filme esquecível — é um exemplo de como não se fazer terror. Sem sustos, sem tensão e sem originalidade, o longa deixa uma lição: às vezes, é melhor que certas histórias nunca saiam do papel.

Crítica | O Mundo Depois de Nós é um suspense apocalíptico que aposta na ansiedade e frustra pela falta de respostas

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Foto: Reprodução/ Internet

Dirigido e roteirizado por Sam Esmail (Mr. Robot), O Mundo Depois de Nós parte de uma premissa intrigante: o colapso silencioso e súbito do mundo como o conhecemos. Com um elenco de peso — Julia Roberts, Mahershala Ali, Ethan Hawke e Myha’la Herrold — o longa entrega um suspense psicológico que começa promissor, mas termina em frustração e confusão para muitos espectadores.

A trama se inicia de maneira direta: Amanda (Roberts) e Clay (Hawke) levam seus filhos para passar um final de semana em uma luxuosa casa de campo. Mas o clima de tranquilidade se rompe com a chegada inesperada de G.H. (Ali) e sua filha Ruth (Herrold), que afirmam ser os verdadeiros donos do imóvel e alertam sobre um misterioso ataque cibernético. A partir daí, o filme se desenrola em um crescendo de tensão, com indícios de que algo muito maior — talvez alienígena, talvez militar, talvez natural — está se desenvolvendo lá fora.

E é justamente aí que reside o grande atrativo, mas também a principal falha do filme: ele instiga a curiosidade, apresenta hipóteses e teorias apocalípticas pelas vozes dos próprios personagens, mas se recusa a dar respostas concretas. A narrativa é conduzida pela perspectiva de quem está isolado e desinformado, o que funciona bem por um tempo, mas cansa quando percebemos que esse véu de mistério jamais será levantado.

O final, com Ruth assistindo sozinha ao último episódio de Friends em um abrigo subterrâneo, é simbólico — nostálgico, melancólico, mas anticlimático. Em vez de um desfecho, recebemos um gesto quase irônico sobre o conforto ilusório da cultura pop enquanto o mundo desmorona.

Visualmente, o filme tem momentos intensos e perturbadores. Algumas cenas são genuinamente inquietantes, como a debandada de cervos, os aviões caindo e os estranhos ruídos no céu, o que cria um clima quase Lovecraftiano. Esmail domina a construção do suspense atmosférico, mas peca ao não conduzi-lo a um destino claro. O espectador fica preso em um ciclo de ansiedade e especulação, sem catarse.

Baseado no livro de Rumaan Alam, O Mundo Depois de Nós é uma experiência provocativa, mas não para todos. Quem espera uma explicação — ou ao menos um encerramento mais assertivo — pode sair decepcionado. No fim, o filme entrega mais sobre o medo humano do desconhecido do que sobre o próprio fim do mundo.

Crítica – Maldição da Múmia tenta ressuscitar o terror clássico, mas entrega um filme sem alma e sem impacto

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O longa-metragem Maldição da Múmia tinha tudo para funcionar. Terror clássico, uma entidade antiga, drama familiar e um diretor que já mostrou que sabe brincar com o gênero. Mas, no fim das contas, o filme disponível na Warner Bros. Pictures acaba sendo mais uma daquelas produções que parecem promissoras no papel, mas não conseguem transformar isso em algo realmente marcante na tela.

Dirigido por Lee Cronin, o longa tenta equilibrar emoção e horror, mas tropeça justamente nessa mistura. A sensação constante é de que o filme segura o freio quando deveria pisar fundo.

Começa bem… e depois se perde sem saber para onde ir

O início até engana. O desaparecimento de Katie cria um impacto interessante, dá peso emocional e faz você pensar que vem algo mais denso por aí. Quando a menina reaparece anos depois, claramente diferente, o clima muda e o suspense cresce.

Só que esse crescimento não se sustenta.

O filme começa a repetir ideias, alongar situações e, pior, não aprofunda o que realmente importa. A tensão que parecia promissora vai se diluindo aos poucos, até virar algo previsível.

Terror morno para quem esperava mais coragem

Se tem uma coisa que chama atenção aqui é como o filme parece tímido. Ainda mais vindo de alguém que dirigiu Evil Dead Rise, que não tinha medo de exagerar e ir longe no horror.

Em Maldição da Múmia, o gore até aparece, mas nunca impressiona de verdade. Tem cenas desconfortáveis, sim, mas nada que faça você realmente reagir. Parece tudo controlado demais, seguro demais.

E isso é um problema para um filme que deveria causar impacto.

Personagens que não ajudam a sustentar a história

O elenco, com nomes como Jack Reynor e Laia Costa, até faz o que pode. Mas o roteiro não ajuda muito. Falta profundidade, falta construção e, principalmente, falta fazer o público se importar de verdade.

A relação familiar, que deveria ser o coração da história, nunca atinge o nível emocional que promete. Você entende o drama, mas não chega a sentir.

Boas ideias jogadas no meio do caminho

O mais frustrante é perceber que o filme até tem boas sacadas. Elementos como o uso de código morse ou algumas situações envolvendo a transformação da Katie mostram que havia criatividade ali.

Mas tudo parece mal aproveitado. As ideias surgem e desaparecem sem grande impacto, como se o roteiro não soubesse o que fazer com elas.

Longo demais para o que entrega

Com mais de duas horas de duração, o filme até mantém um ritmo aceitável, mas não justifica esse tempo todo. Falta conteúdo para sustentar a duração.

Não chega a ser arrastado, mas também não empolga. É aquele tipo de filme que você acompanha até o final mais por curiosidade do que por envolvimento.

Vale a pena assistir?

Depende muito da expectativa.

Se você gosta de terror mais leve, com clima sobrenatural e sem grandes ousadias, talvez funcione. Agora, se a ideia é ver algo impactante, marcante ou minimamente inovador, a chance de decepção é grande.

No fim, Maldição da Múmia não é um desastre, mas também passa longe de ser memorável. É um filme que tinha potencial para ser muito mais, mas escolhe o caminho mais seguro possível.

Crítica – Confiança desperdiça boa premissa em um roteiro confuso e sem rumo

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Confiança, novo suspense disponível na Netflix, parte de uma premissa que até chama atenção: uma atriz famosa, abalada por um escândalo midiático, se isola em uma cabana remota e acaba envolvida em uma situação de sobrevivência após uma invasão violenta. Em teoria, o ponto de partida combina isolamento, vulnerabilidade e tensão psicológica, três pilares clássicos do gênero. Na prática, porém, o filme nunca consegue transformar essa base em algo sólido, e o que deveria ser um thriller claustrofóbico se perde em uma narrativa instável, que parece constantemente hesitar sobre qual história quer contar.

Narrativa dispersa e falta de direção clara

Desde os primeiros atos, Confiança demonstra dificuldade em estabelecer um ritmo consistente. Em vez de construir gradualmente o suspense, o roteiro aposta em mudanças bruscas de direção, introduzindo ideias que não se conectam de forma orgânica. Personagens surgem sem função clara, eventos importantes são resolvidos rapidamente e o desenvolvimento dramático parece sempre apressado. O resultado é uma história fragmentada, onde as peças não se encaixam e o espectador é constantemente retirado da imersão. Há momentos em que o filme sugere querer explorar o impacto psicológico do escândalo na protagonista, mas logo abandona essa linha para mergulhar em situações de ação descontextualizadas, o que compromete qualquer tentativa de profundidade narrativa.

Suspense que não sustenta o próprio gênero

Um dos maiores problemas do filme está justamente no elemento central de qualquer thriller, o suspense. As cenas de invasão e confronto, que deveriam ser o ponto alto da tensão, são mal construídas e raramente geram impacto. Em vez de criar uma atmosfera crescente de perigo, o filme opta por sequências apressadas, com soluções fáceis e pouca construção emocional. Em alguns momentos, a execução chega a soar artificial, enfraquecendo ainda mais a credibilidade da narrativa. A sensação que fica é a de um suspense que nunca consegue se sustentar, com falta de peso, ritmo e consequência.

Sophie Turner em um papel limitado pelo roteiro

No centro da história está Lauren, interpretada por Sophie Turner, uma atriz que tenta lidar com a exposição pública e o colapso de sua vida pessoal. A premissa da personagem tem potencial dramático evidente, especialmente pela possibilidade de explorar o impacto psicológico da fama e da invasão de privacidade. No entanto, o roteiro não oferece espaço suficiente para essa construção, fazendo com que Lauren reaja aos acontecimentos mais do que desenvolva uma jornada emocional consistente. Turner entrega o que o material permite, mas o desenvolvimento superficial da personagem limita qualquer aprofundamento mais significativo.

Conveniências narrativas e lógica instável

Outro aspecto que enfraquece Confiança é o uso excessivo de conveniências de roteiro. Situações improváveis são resolvidas sem explicação convincente, e decisões dos personagens muitas vezes não seguem uma lógica interna clara. Essa falta de coerência compromete a credibilidade da trama, já que o filme aposta em reviravoltas constantes que parecem existir apenas para manter a história em movimento, ainda que sem direção definida.

Uma tentativa de subversão que não funciona

O longa-metragem até tenta, em alguns momentos, fugir das fórmulas tradicionais do gênero, mas subverter expectativas exige controle narrativo, algo que o filme claramente não demonstra. Ao tentar ser imprevisível, a produção acaba apenas sendo inconsistente, criando uma sensação de desorganização constante, onde nada parece totalmente desenvolvido ou intencionalmente construído.

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