Crítica – Os Estranhos: O Capítulo Final troca o medo por explicações e perde impacto no desfecho

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A decisão de transformar The Strangers em uma trilogia estruturada por “capítulos” sempre pareceu mais alinhada a uma estratégia de mercado do que a uma necessidade narrativa. Em “Os Estranhos – O Capítulo Final”, essa percepção se intensifica. Dirigido por Renny Harlin, o longa não se sustenta como obra independente e soa mais como um fragmento deslocado de uma história maior — um epílogo que carece de identidade própria.

A concepção do projeto ajuda a entender essa fragilidade. A proposta de uma versão estendida, posteriormente fragmentada, resulta aqui em uma narrativa irregular, que chega às telas sem a coesão necessária. Embora o filme apresente ideias que poderiam render bons desdobramentos, falta organização dramática para transformá-las em uma progressão consistente. O enredo avança sem firmeza, com lacunas evidentes de desenvolvimento e uma sensação constante de que a história nunca se completa.

Nesse cenário, Madelaine Petsch surge como o principal elemento de sustentação. Sua performance confere densidade emocional à protagonista, transmitindo o desgaste psicológico de alguém em estado de sobrevivência contínua. Ainda assim, trata-se de um esforço que esbarra nas limitações do roteiro, que não oferece base suficiente para aprofundar a personagem. Em comparação com o capítulo anterior, percebe-se uma mudança de tom: a tensão mais direta e crua dá lugar a uma condução apática, que compromete o impacto do desfecho.

O principal problema, no entanto, reside na própria proposta da trilogia. Ao tentar explicar em excesso aquilo que originalmente funcionava pelo mistério, a franquia enfraquece seu elemento mais eficaz. A construção do medo, antes sustentada pelo desconhecido, perde força à medida que os antagonistas ganham justificativas. O resultado é um terror mais previsível, que troca inquietação por exposição.

Essa fragilidade se evidencia ao observar o conjunto da obra. O primeiro capítulo pouco acrescentava à premissa original, enquanto o segundo ampliava a sensação de repetição. Já este terceiro reforça a impressão de que não havia, de fato, uma revelação relevante a ser entregue — apenas a expansão de uma ideia que funcionava melhor quando mantida em aberto.

“Os Estranhos – O Capítulo Final” se aproxima mais de uma experiência frustrante do que envolvente. O filme provoca reação, mas não pela eficácia de sua tensão ou pela força de sua narrativa, e sim por escolhas questionáveis e uma condução sem direção clara. É uma produção que cansa mais do que instiga.

Ainda assim, há um valor curioso nesse resultado. A trilogia encontra espaço como um tipo de entretenimento involuntário, alimentado por reações coletivas e debates nas redes. Não é o legado pretendido, mas talvez seja o único que, de fato, permanece.

Crítica – Bola pra Cima transforma o Brasil em caricatura e entrega um dos roteiros mais preguiçosos do ano

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Se ainda havia dúvida de que Hollywood continua presa a visões ultrapassadas sobre o Brasil, Bola pra Cima trata de eliminar qualquer esperança de evolução. O filme mergulha sem pudor em estereótipos batidos, retratando o país como um cenário exótico, caótico e raso, sem qualquer preocupação em oferecer nuance ou autenticidade.

Dirigido por Peter Farrelly, que já demonstrou maior sensibilidade em outros trabalhos, o longa aqui parece seguir pelo caminho mais fácil e comercial possível. O resultado é um retrato preguiçoso, que não apenas simplifica a cultura brasileira, mas também a transforma em piada recorrente.

Humor insistente, repetitivo e sem graça

O maior problema de Bola pra Cima está no que deveria ser seu principal trunfo: o humor. O roteiro de Rhett Reese e Paul Wernick se apoia em uma única ideia cômica e a repete até a exaustão.

Não há construção, não há variação, não há inteligência na progressão das piadas. O que existe é uma insistência quase mecânica em fórmulas que rapidamente se tornam cansativas. Em vez de provocar riso, o filme gera desgaste.

Nem mesmo o carisma de Mark Wahlberg consegue salvar o material. Ao lado de Paul Walter Hauser, ele parece preso a um roteiro que não oferece espaço para timing cômico ou desenvolvimento de personagens. Tudo soa automático, como se os próprios atores estivessem apenas cumprindo tabela.

Um filme que parece um amontoado de esquetes

Narrativamente, o longa-metragem é desorganizado ao ponto de parecer inacabado. A história não se desenvolve de forma linear ou envolvente, mas sim como uma sequência de cenas soltas, quase como esquetes mal conectados.

Perseguições, encontros aleatórios e participações especiais surgem sem construção adequada. A presença de Sacha Baron Cohen, por exemplo, poderia adicionar energia ao filme, mas acaba sendo apenas mais um elemento exagerado em meio ao caos narrativo.

Falta progressão dramática, falta consequência e, principalmente, falta propósito. O espectador não acompanha uma história, apenas assiste a uma sucessão de situações que não levam a lugar algum.

Exagero não substitui criatividade

O filme tenta se vender como uma comédia escrachada, mas confunde exagero com identidade. Em vez de apostar em humor bem construído, recorre a caricaturas, gritos e situações absurdas sem qualquer refinamento.

Esse tipo de abordagem até pode funcionar quando existe controle narrativo e senso de timing, mas aqui tudo parece fora de tom. O exagero constante não gera impacto, apenas cansa.

Um produto feito para ocupar catálogo

Talvez o aspecto mais frustrante de Bola pra Cima seja a sensação de que o filme não tinha ambição criativa desde o início. Ele parece existir apenas para preencher catálogo de streaming, sem qualquer preocupação em se destacar ou oferecer algo relevante.

O começo até sugere uma possibilidade de desenvolvimento interessante, mas rapidamente abandona qualquer tentativa de profundidade. O que sobra é uma produção descartável, que dificilmente será lembrada por algo além de seus erros.

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