Pierce Brosnan indica retorno como Senhor Destino — e Superman: O Homem do Amanhã pode ser a porta de entrada no novo DCU

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O novo Universo DC criado por James Gunn e Peter Safran ainda está tomando forma, mas as peças começam a se alinhar de maneira inesperada — e uma delas envolve um dos personagens mais poderosos da mitologia da DC: o Senhor Destino. Em entrevista recente à GQ, o ator Pierce Brosnan, que interpretou Kent Nelson em Adão Negro (2022), revelou que ouviu rumores animadores sobre seu futuro na franquia.

“Eu ouvi que o Senhor Destino teria sua própria série ou filme”, afirmou Brosnan. “Também ouvi que ele vai estar no próximo filme do Superman”, completou o ator, deixando os fãs em alerta. Segundo ele, a experiência de interpretar o místico da DC foi profunda e filosófica, e ele estaria “totalmente aberto a retornar”.

Embora Adão Negro não faça parte do novo DCU — considerado oficialmente uma linha paralela — nada impede que o Senhor Destino seja reinterpretado, reintroduzido ou até mesmo mantido, já que Gunn tem demonstrado flexibilidade ao equilibrar novos atores com talentos retornando de versões anteriores.

E a possível conexão com Superman: O Homem do Amanhã, estrelado por David Corenswet, abre espaço para uma discussão maior: qual é a importância do personagem nesse universo? E como isso dialoga com o filme animado de 2020, que estabeleceu uma nova origem para o herói?

A base da nova mitologia: o que é Superman: O Homem do Amanhã?

Antes de especular sobre a aparição do Senhor Destino no novo longa, vale revisitar a história que inspira o título O Homem do Amanhã — em especial o filme animado lançado em 2020, que marcou o início da “segunda fase” do Universo Animado da DC.

Dirigido por Chris Palmer e escrito por Tim Sheridan, o longa acompanha os primeiros passos de Clark Kent como Superman, destacando sua inexperiência, sua busca por identidade e os desafios éticos que surgem quando seu poder encontra o olhar desconfiado da humanidade.

Com as vozes de Darren Criss (Superman) e Zachary Quinto (Lex Luthor), o filme funciona como um renascimento criativo de um mito conhecido, mas com enfoque emocional mais moderno.

Uma nova origem para um herói que ainda não sabe ser herói

A trama começa com a destruição de Krypton e com o bebê Kal-El sendo enviado à Terra, onde é criado por Jonathan e Martha Kent. Já adulto, Clark trabalha como estagiário no Planeta Diário e só é reconhecido pelo público como o misterioso “Homem Voador”.

Quando um telescópio orbital da LexCorp é lançado, Clark comparece esperando encontrar vida além da Terra — mas o evento termina na prisão de Lex Luthor, após Lois Lane revelar que o equipamento apresentava falhas graves capazes de destruir Metrópolis.

Nesse mesmo período, Clark faz amizade com Rudy Jones, zelador dos Laboratórios STAR, cuja vida será completamente transformada ao cruzar o caminho do herói.

Lobo, J’onn J’onzz e a ameaça que desperta o Parasita

A chegada de um OVNI a Metrópolis coloca Clark frente a frente com Lobo, o caçador de recompensas intergaláctico que revela a existência de uma recompensa pela cabeça do “último kryptoniano”. Durante a luta, Rudy acaba exposto a uma misteriosa substância alienígena que se funde ao seu DNA, desencadeando sua transformação futura.

Quando Clark está à beira da derrota, surge a figura misteriosa que o observava: J’onn J’onzz, o Caçador de Marte. O encontro muda tudo, pois é J’onn quem explica a Clark sua verdadeira origem kryptoniana — e quem o alerta sobre o medo que a humanidade pode nutrir por seres diferentes.

Enquanto isso, Rudy renasce como uma criatura capaz de drenar energia vital, desencadeando destruição por onde passa.

A construção simbólica do Superman

Com o surgimento do Parasita, Metrópolis exige a presença de um herói. E é Martha Kent quem, num gesto simples e afetuoso, entrega a Clark o traje que inclui o icônico “S” no peito. A partir dali, o “Homem Voador” ganha um nome, um símbolo e uma responsabilidade.

Superman e J’onn tentam deter o Parasita, mas o vilão absorve seus poderes e usa as informações obtidas para crescer ainda mais. J’onn é supostamente morto em batalha, e Clark, enfraquecido, precisa recorrer a quem menos confia: Lex Luthor, preso após o incidente do telescópio.

O sacrifício do Parasita e o nascimento de um novo herói

Com a ajuda de Lobo e Luthor, Superman arma um plano para derrotar o Parasita — mas o confronto final toma um rumo inesperado. Após absorver energia demais, a criatura percebe que está prestes a causar uma destruição irreversível e decide se sacrificar para impedir a sobrecarga na usina de energia.

É um momento que redefine Clark: não mais apenas um jovem tentando se encaixar no mundo, mas um símbolo de esperança que acredita na humanidade — até mesmo nos seus monstros.

J’onn revela ter fingido a morte e parte em busca de outros marcianos. Lobo, regenerado, joga a provocação: talvez existam outros kryptonianos por aí.

E Superman, agora seguro de quem é, se apresenta ao mundo como Kal-El.

Uma Batalha Após a Outra rompe barreiras e se torna a maior bilheteria da carreira de Paul Thomas Anderson

Paul Thomas Anderson nunca foi conhecido por filmes de grande faturamento. Seu prestígio vinha da sofisticação narrativa, dos personagens complexos e de um cinema que abraçava o risco, não a matemática do mercado. Mas Uma Batalha Após a Outra mudou esse cenário de forma definitiva. De acordo com informações do Omelete, o longa ultrapassou US$ 200 milhões nas bilheterias mundiais, um resultado histórico para o diretor — e seu primeiro filme a romper essa marca. Até então, o recorde pertencia a Sangue Negro (2007), que somou US$ 76,4 milhões. Agora, esse número parece apenas uma nota de rodapé diante da enorme força global da nova produção.

A conquista impressiona porque o desempenho doméstico foi robusto, mas não gigantesco: cerca de US$ 70 milhões nos Estados Unidos. O que elevou o filme a esse patamar foi o mercado internacional, responsável por US$ 130 milhões, com destaque para Europa e Ásia. O longa, orçado entre US$ 130 e US$ 175 milhões, também se coloca como o projeto mais caro da filmografia de Anderson — e talvez o mais ousado em termos estéticos e narrativos.

O nascimento de um projeto ambicioso

A adaptação de Vineland, romance de Thomas Pynchon lançado em 1990, era um desejo antigo de Anderson. O diretor, que já demonstrara afinidade com a prosa caótica e labiríntica do escritor em Vício Inerente, encontrou no livro uma oportunidade de unir elementos da obra original a experiências pessoais acumuladas ao longo dos anos. Resultado: um híbrido que respeita a essência pynchoniana, mas carrega a assinatura emocional e cinematográfica típica de Anderson.

A trama acompanha um ex-revolucionário que tenta escapar do passado, mas se vê arrastado de volta a ele quando um militar corrupto passa a perseguir sua família. É uma história de perseguições, segredos e feridas que insistem em se abrir no momento em que deveriam cicatrizar. O elenco reforça o peso dramático: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio Del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor e Chase Infiniti conduzem o espectador por uma narrativa densa e cheia de camadas.

Uma experiência filmada como um épico moderno

As filmagens, realizadas na Califórnia, chamaram atenção por um detalhe técnico raro: o uso do VistaVision, formato amplamente utilizado entre os anos 1950 e 1960, famoso pela definição e profundidade excepcionais. Anderson reviveu o processo para dar ao longa uma textura visual particular — quase tátil — que destaca tanto a ação quanto a carga emocional da história.

Esse resgate estético transforma Uma Batalha Após a Outra em um épico contemporâneo que mistura tensão política, drama familiar e uma cadência cinematográfica que poucos diretores trabalham com tanta precisão.

Um passo rumo à consagração

A première mundial aconteceu em 8 de setembro de 2025, em Los Angeles, e despertou reações imediatas. Críticos e público destacaram o equilíbrio raro entre complexidade narrativa e vigor visual. Lançado comercialmente nos EUA em 26 de setembro pela Warner Bros., o filme recebeu elogios pela direção de Anderson, pela trilha sonora, pela fotografia intensa e pela maneira inesperada com que o diretor trabalha cenas de ação — um território pouco explorado em sua filmografia.

As atuações também chamaram atenção. DiCaprio entrega uma performance firme e contida, enquanto a jovem Chase Infiniti surge como revelação, trazendo verdade e força emocional ao papel da filha adolescente.

A narrativa se estende por décadas e mergulha em temas como extremismo político, racismo, vigilância estatal e como ideologias corroem — ou moldam — vínculos afetivos. Em sua juventude, “Ghetto” Pat Calhoun e Perfidia Beverly Hills compõem a organização revolucionária French 75. Vivem missões clandestinas, tensões internas e confrontos cada vez mais perigosos. Em meio a esse caos, Perfidia se envolve com Steven J. Lockjaw, um comandante militar cruel e obcecado por ela.

A militante engravida e dá à luz Charlene. Mesmo assim, não abandona a causa. Sua prisão leva a uma decisão extrema: entrar no programa de proteção a testemunhas. Nesse processo, Lockjaw inicia uma caçada violenta, enquanto Pat assume uma nova identidade para salvar a filha — agora uma bebê lançada ao mundo entre mentiras, violência e rupturas.

Anos passam. Pat vive como Bob, escondido em Baktan Cross, uma comunidade isolada na Califórnia. Sua vida gira em torno de manter Willa — nome que Charlene passa a usar — a salvo e distante de qualquer vestígio do passado. Ele carrega culpa, trauma e uma paranoia crescente, enquanto tenta dar à filha a normalidade que jamais teve.

Enquanto isso, Lockjaw ascende na estrutura militar dos EUA, tornando-se coronel e figura influente entre supremacistas brancos ligados ao Clube dos Aventureiros de Natal. Mas sua trajetória começa a ruir quando decide apagar de vez qualquer evidência de sua relação com Perfidia — incluindo a existência da filha mestiça.

A caça recomeça — e nada permanece escondido para sempre

A partir daqui, o filme assume a tensão de um thriller. Lockjaw envia tropas com o pretexto de uma operação anti-imigração, mas o objetivo real é capturar Bob e Willa. O que se segue é um percurso de fuga, violência e revelações. Bob tenta recorrer a antigos aliados, mas o trauma o impede até de lembrar a senha que poderia salvá-los.

Willa, por sua vez, é enviada para um convento de freiras revolucionárias, um dos tantos símbolos de resistência que o filme incorpora para reforçar seu comentário político.

O cerco se fecha quando Lockjaw descobre o paradeiro da filha. A revelação de que Willa é seu sangue o faz perder prestígio e ser expulso do grupo supremacista. Ainda assim, sua obsessão permanece. Willa, devastada pela verdade sobre sua origem e pela ausência da mãe, exige respostas de Bob — e o confronta armada, em uma das cenas mais doloridas e intensas do filme.

É nesse ponto que Anderson faz a trama crescer não pelo espetáculo, mas pelo drama emocional. O diretor mostra que as batalhas centrais da narrativa são internas, ainda que cercadas por violência e perseguição.

Moana renasce em carne e osso! Disney revela primeiro trailer emocionante do remake live-action

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A Disney abriu as portas para uma nova etapa da jornada de Moana ao divulgar o primeiro trailer e o pôster oficial do aguardado remake live-action. Mais do que apenas revisitar um clássico recente, o estúdio apresenta uma proposta que busca honrar a cultura polinésia, valorizar novas vozes e recontar uma das narrativas mais amadas da geração atual. No centro dessa nova versão está Catherine Laga’aia, que assume o papel que imortalizou Auli’i Cravalho na animação de 2016. Ao lado dela, Dwayne Johnson retorna como o carismático Maui, reacendendo uma chama especial na relação entre ator, personagem e ancestralidade.

O trailer revela os primeiros vislumbres dessa adaptação, trazendo paisagens exuberantes, a textura das ondas em escala real e a energia aventureira que definiu a obra original. Também marca o início do diálogo visual entre a animação e o live-action, agora conduzido pela visão do diretor Thomas Kail — conhecido por seu talento em equilibrar sensibilidade humana e espetáculo visual. Com roteiro de Jared Bush e Dana Ledoux Miller, o filme estreia em 9 de julho de 2026 no Brasil e 10 de julho nos EUA, prometendo celebrar uma década do legado da jovem navegadora do Pacífico. Abaixo, confira o vídeo:

Um elenco que equilibra frescor e familiaridade

A escolha de Catherine Laga’aia como Moana foi recebida com entusiasmo. Jovem, talentosa e conectada às raízes samoanas, ela representa uma geração que cresceu vendo personagens polinésias ganharem destaque na cultura pop. Sua escalação dá ao filme um novo fôlego, não apenas pela juventude, mas pela autenticidade cultural que carrega consigo.

Ao seu lado, Dwayne Johnson reprisa o papel de Maui, agora com a maturidade de quem entende ainda mais profundamente o impacto de seu personagem. Johnson já afirmou diversas vezes que viver o semideus é uma forma de reverenciar sua própria história familiar — especialmente seu avô, o Alto Chefe Peter Maivia, que inspirou elementos da personalidade e da postura de Maui. Esse elo emocional se reflete na força de Johnson em defender publicamente o projeto desde o início.

O restante do elenco reforça a importância da representação cultural:

John Tui como Chefe Tui, o pai de Moana
Frankie Adams como Sina, mãe da heroína
Rena Owen como a inesquecível Vovó Tala

A seleção traz rostos conhecidos de produções ligadas ao Pacífico e dá continuidade a um movimento de Hollywood que busca aproximar narrativas polinésias das vivências de artistas que realmente pertencem a essas culturas.

O anúncio que pegou o mundo de surpresa

Em abril de 2023, Dwayne Johnson usou seu próprio canal no YouTube para anunciar que Moana ganharia um remake live-action. A notícia dividiu opiniões no início, principalmente pelo pouco tempo entre a animação e a nova versão. Entretanto, a Disney explicou que a produção fazia parte das celebrações pelos 100 anos do estúdio, e que havia espaço para aprofundar ainda mais a cultura, os símbolos e o impacto da história.

Auli’i Cravalho, apesar de não reprisar Moana, assumiu um papel importante como produtora executiva. Sua participação garante uma ponte entre a obra original e as novas interpretações, reforçando que a narrativa continua nas mãos de pessoas comprometidas com a autenticidade cultural.

Direção e roteiro: uma combinação pensada a longo prazo

A escolha de Thomas Kail como diretor apresentou desde cedo um norte interessante: alguém com experiência em musicalidade, narrativa emocional e grandes palcos — como Hamilton — agora leva essa sensibilidade para o cinema. Já o retorno de Jared Bush, aliado à participação de Dana Ledoux Miller, mantém vivo o espírito da animação, ao mesmo tempo em que abre espaço para ajustes que só o formato live-action pode sustentar.

Os bastidores e a greve que mudou os planos

Os testes de elenco deveriam ter começado ainda em 2023, mas a greve do SAG-AFTRA interrompeu o cronograma. Mesmo com o atraso, Johnson afirmou no início de 2024 que a protagonista já havia sido escolhida, mesmo que seu nome precisasse permanecer em sigilo. O anúncio oficial de Catherine Laga’aia, acompanhado de John Tui, Frankie Adams e Rena Owen, veio apenas em junho, consolidando um elenco de forte representatividade cultural.

Filmagens com o mar como protagonista

As filmagens aconteceram entre julho e novembro de 2024, divididas entre Atlanta e o Havaí. Além das locações paradisíacas, a equipe teve o desafio de traduzir visualmente elementos míticos, espirituais e oceânicos de forma natural. A produção reforça que, assim como na animação, o mar não é apenas cenário — ele é personagem.

Data de lançamento e mudanças no calendário da Disney

Originalmente previsto para junho de 2025, o remake foi adiado para julho de 2026 depois que Moana 2 entrou no calendário de estreias. A decisão evitou que dois grandes projetos da mesma franquia fossem lançados com pouco intervalo, permitindo que o live-action receba a atenção que merece — e, de quebra, celebrando os 10 anos de um dos maiores sucessos da história recente da Disney.

Retratos no Espelho | Um romance construído em vozes, memórias e segredos — José Cristovam transforma diálogos em cinema para o papel

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Em Retratos no Espelho, o escritor José Cristovam entrega uma obra que parece respirar como um filme — não apenas pelo ritmo, mas pela forma como cada diálogo carrega luz, sombra, tensão e silêncio. O romance, inteiramente construído por conversas, abre com um psicólogo revisitando um caso que marcou sua carreira: a história fragmentada, intensa e cheia de cicatrizes emocionais da família Lebazi Estevam. A partir desse ponto, o leitor é convidado a atravessar décadas em uma narrativa que se move como lembrança: nunca em linha reta, mas em curvas, flashes, retornos e cortes abruptos que lembram a montagem de um longa-metragem.

A trama salta dos anos 1960 ao início de 2020, reconstruindo momentos-chave na vida dos personagens como quem revira uma caixa antiga de fotografias. Cada diálogo funciona como uma imagem revelada — ora nítida, ora tremida, ora desgastada pelo tempo. Surgem discussões entre marido e mulher, confrontos entre pais e filhos, expectativas quebradas, reencontros marcados por emoções mal resolvidas, decisões adiadas e dores que se recusam a ser esquecidas. Não há linha cronológica confortável: há apenas memória, com toda sua subjetividade. O leitor decifra os fatos como quem monta um quebra-cabeça emocional, juntando pistas, tons de voz, hesitações e palavras não ditas.

E é justamente nisso que o livro se destaca. Em cada conversa, o autor trabalha temas universais — traumas que moldam a vida adulta, culpa que pesa mais do que deveria, a urgência de pedir perdão antes que seja tarde, a fragilidade dos vínculos familiares e o amor que, mesmo desgastado, insiste em permanecer. É um romance sobre como carregamos o passado no corpo, sobre como nossas versões antigas nunca desaparecem completamente.

Ambientado no ABC paulista, o livro se diferencia por não oferecer descrições físicas extensas ou cenários detalhados. Cristovam escolhe confiar na capacidade imaginativa do leitor, permitindo que cada um visualize rostos, espaços e gestos de acordo com sua própria bagagem emocional. É como assistir a um filme no escuro, onde a imagem se forma dentro da mente — uma composição íntima, quase secreta, entre leitor e narrativa. Sem narradores intermediários, sem capítulos que interrompem o fluxo, a sensação é de estar sentado ao lado dos personagens, ouvindo suas confissões, presenciando suas fraquezas, entendendo suas dores.

Outro ponto que torna Retratos no Espelho uma experiência singular é a trilha sonora integrada ao texto por meio de QR codes. Canções icônicas como “Exagerado” (Cazuza), “Se Eu Quiser Falar com Deus” (Gilberto Gil), “Como Uma Onda” (Lulu Santos), “Eduardo e Mônica” (Legião Urbana) e “Caso Sério” (Rita Lee) surgem como extensão das emoções expressas nos diálogos. A música entra como personagem invisível, dando textura às cenas e servindo como ponte afetiva entre o leitor e a atmosfera do momento. É uma escolha que reforça não apenas o caráter cinematográfico do romance, mas também o compromisso da obra em provocar sensações — e não apenas contar uma história.

Ao descrever Retratos no Espelho como um “filme escrito”, José Cristovam não exagera. O romance avança e recua apenas pelas vozes que o compõem, revelando camadas que só aparecem quando personagens se permitem olhar sem filtros, sem máscaras, sem escudos. É uma narrativa sobre o peso da memória e a coragem necessária para encarar o próprio reflexo — e, ao mesmo tempo, um convite para que o leitor faça o mesmo.

Re:ZERO surpreende fãs com trailer explosivo da 4ª temporada — e reacende o fenômeno isekai que marcou uma geração

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Depois de um longo silêncio que parecia interminável, Re:ZERO − Starting Life in Another World ressurgiu com o trailer oficial da quarta temporada, e o impacto foi imediato. Não foi apenas a volta de um anime querido: foi como reencontrar um pedaço de si mesmo que ficou guardado por anos. As redes sociais explodiram em nostalgia, ansiedade e um tipo de alegria que só quem acompanha Subaru desde sua primeira queda — e primeira morte — consegue explicar. O vídeo, curto mas carregado de emoção, trouxe antigos sentimentos de volta à superfície: a estranheza, a tensão, o encantamento e aquela melancolia tão familiar que sempre fez parte da identidade da saga.

O retorno marca mais que uma nova leva de episódios; ele representa o reencontro de uma comunidade inteira com um universo que amadureceu junto com ela. O anime não é apenas uma história; é uma experiência emocional marcada por dor, renascimento, escolhas difíceis e personagens que carregam fragilidade, força e humanidade de maneira única. Por isso, a nova temporada chega não só como continuação, mas como promessa de que tudo o que esse mundo construiu — seja na alegria ou no sofrimento — ainda tem muito a oferecer.

Um começo improvável que virou referência mundial

A história do anime nunca foi sobre perfeição. Nem no universo ficcional, nem na sua origem. Antes de se tornar anime premiado, antes das discussões infinitas sobre loops temporais e antes mesmo de Subaru virar um ícone moderno de vulnerabilidade masculina, a obra era apenas uma light novel publicada online no modesto site Shōsetsuka ni Narō. E talvez tenha sido justamente essa simplicidade que permitiu a Tappei Nagatsuki escrever com tanta verdade.

Enquanto outros isekais apresentavam protagonistas superpoderosos e quase indestrutíveis, Re:ZERO caminhou na contramão. Subaru não é heroico, não é confiável, não é forte — ele é humano. Ele erra, perde o controle, sofre, tenta novamente, sofre mais, avança um pouco e cai de novo. É justamente essa espiral desordenada, imperfeita e extremamente real que transformou a série em um fenômeno.

Da light novel às prateleiras do mundo

O sucesso inicial fez a obra crescer de forma quase orgânica. Em 2014, quando a Media Factory começou a publicar os volumes físicos, a história ganhou nova vida. Hoje são mais de quarenta volumes, cada um aprofundando ainda mais personagens, conflitos e cicatrizes emocionais. No Brasil, as edições da NewPOP ajudaram a criar um público fiel, que encontrou na série não apenas fantasia, mas um mergulho psicológico intenso.

Além das light novels, os mangás expandiram o universo com diferentes abordagens artísticas, oferecendo novas leituras do mesmo mundo. Spin-offs, antologias, coleções especiais, guias de personagens e até materiais inéditos reforçaram a força da franquia, mantendo-a ativa mesmo nos períodos longos entre as temporadas do anime.

Tudo isso pavimentou o caminho para a adaptação que mudaria tudo.

Quando o anime estreou, tudo mudou

A primeira temporada do anime, lançada em 2016, não apenas adaptou o material original — ela capturou a essência emocional que define Re:ZERO. O estúdio White Fox conseguiu transformar loops de dor em poesia visual, equilibrar violência com sensibilidade e trazer à vida cenas que, até então, existiam apenas na imaginação dos leitores.

A recepção foi estrondosa: indicações ao Anime Awards, prêmios no Newtype Anime Awards, ótimas vendas, e mais importante, um impacto emocional que fez o anime ultrapassar as fronteiras do público otaku tradicional. A série virou tema de análises, ensaios, estudos e discussões que perduram até hoje.

Mesmo os longos intervalos entre temporadas não diminuíram a força da obra. Pelo contrário: reforçaram sua reputação de projeto que exige tempo, cuidado e maturidade para evoluir — assim como Subaru.

Por que Re:ZERO continua tão atual — e tão necessário — mesmo após tantos anos?

Poucos animes conseguem permanecer relevantes depois de longas pausas. Mas Re:ZERO é a exceção, e isso não acontece por acaso. A obra não depende de modismos visuais, nem de personagens caricatos, nem de humor exagerado para se manter viva. Ela sobrevive porque lida com questões humanas de forma profunda e honesta.

Subaru é um protagonista marcado por vulnerabilidade, ansiedade, autossabotagem e dependência emocional — temas cada vez mais discutidos nas novas gerações. Emilia, por sua vez, representa a força silenciosa de quem carrega traumas sem nunca ter tido espaço para ser fraca. Rem, Ram, Beatrice, Otto, Roswaal — todos são fragmentados de alguma forma.

Vale a pena assistir Eddington? O faroeste pandêmico de Ari Aster com Joaquin Phoenix e Pedro Pascal que virou sensação

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Quando Ari Aster anuncia um filme novo, boa parte do público — especialmente aquele com estômago forte para o desconforto — já se ajeita na cadeira com a certeza de que vem algo estranho, provocativo e difícil de rotular. Depois de incendiar o terror contemporâneo com Hereditário e Midsommar, e dividir opiniões com Beau Tem Medo, o diretor retorna agora com um projeto que carrega seu DNA de inquietação, mas brinca com outros territórios: humor negro, caos social e uma estética de faroeste moderno.

O resultado é Eddington, um filme que se passa em maio de 2020, em plena pandemia de Covid-19, e que transforma uma pequena cidade do Novo México em um microcosmo de paranoia, rivalidades políticas e violência latente. Estrelado por Joaquin Phoenix, Pedro Pascal, Emma Stone, Austin Butler e um grande elenco de apoio, o longa já chega ao público cercado de expectativas — e de perguntas. A maior delas é simples:

Vale a pena assistir?

A resposta, como quase tudo na obra de Aster, é complexa.

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Um faroeste dentro da pandemia — e a pandemia dentro de nós

A premissa pode soar absurda à primeira vista: um xerife e um prefeito entram em uma disputa política e pessoal no auge da crise sanitária, e essa desavença se espalha como pólvora pela comunidade. Mas é exatamente essa mistura de absurdo e realismo que torna Eddington tão singular.

O filme se passa em maio de 2020, no momento em que as incertezas eram tantas que qualquer decisão parecia capaz de acender fósforos em terreno seco. Na cidadezinha fictícia de Eddington, o xerife Joe Cross (Joaquin Phoenix) e o prefeito Ted Garcia (Pedro Pascal) — ambos competentes, ambos difíceis, ambos inflamáveis — vivem um impasse que ninguém mais consegue administrar.

Aster transforma essa rixa em um evento quase mitológico: o primeiro olhar torto, a primeira acusação pública, o primeiro rumor exagerado… e de repente vizinhos estão se dividindo em lados, famílias são colocadas uma contra a outra e a suposta tranquilidade da cidade evapora.

Como em um faroeste clássico, o duelo moral entre homens poderosos puxa a cidade inteira para o abismo. Só que aqui o abismo é feito de máscaras, falsas virtudes, grupinhos de WhatsApp e um vírus invisível que, de tão presente, se torna quase um personagem adicional.

O xerife que desmorona diante dos nossos olhos

Joaquin Phoenix prova mais uma vez que atores raramente encontram zonas de conforto. Seu Joe Cross é meio herói, meio vítima, meio provocador — um homem que tenta proteger a cidade, mas que carrega traumas mal resolvidos, frustrações acumuladas e uma vulnerabilidade crescente.

Phoenix entrega um personagem cansado, desconfiado, pressionado e frequentemente patético, mas ainda assim humano o suficiente para que o público se identifique com sua queda.

Seu trabalho — cheio de pausas, olhares inquietos e acessos de fúria contida — encaixa perfeitamente no humor negro da narrativa, transformando o xerife em alguém que desperta empatia e riso, às vezes ao mesmo tempo.

Um prefeito carismático, contraditório e perigosamente sedutor

Do outro lado do duelo, Pedro Pascal vive Ted Garcia, o prefeito em busca de reeleição, que tenta equilibrar crise de saúde pública, pressão política e uma vaidade que o torna imprevisível. O personagem é ao mesmo tempo irônico, sorridente e explosivo — e Pascal navega entre essas nuances com carisma natural.

É ele quem traz leveza a várias cenas que poderiam descambar para o melodrama, mas também é quem entrega alguns dos momentos mais intensos do filme. Quando Phoenix e Pascal dividem a tela, o filme atinge seu ápice: a química é elétrica, desconfortável, às vezes até cômica, como se os dois personagens fossem reflexos distorcidos um do outro.

Emma Stone e Austin Butler

Emma Stone, interpretando Louise Cross, esposa de Joe, tem menos tempo de tela do que Phoenix ou Pascal, mas suas cenas são fundamentais para mostrar o desgaste emocional da família do xerife. Louise funciona como âncora emocional — e ao mesmo tempo como espelho das tensões domésticas que a pandemia trouxe à superfície em tantas casas reais.

Austin Butler, por sua vez, interpreta Vernon Jefferson Peak, um personagem enigmático que parece estar sempre no lugar errado na hora certa — ou vice-versa. Butler surge como um dos catalisadores do caos crescente, mas também como figura simbólica do colapso emocional coletivo.

O elenco de apoio, que inclui Luke Grimes, Deirdre O’Connell, Micheal Ward, Clifton Collins Jr., Amélie Hoeferle e outros nomes, completa o retrato de uma comunidade à beira do colapso moral.

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A direção de Ari Aster

Esse é o filme mais “híbrido” da carreira de Aster. Ele não abandona suas marcas registradas: o desconforto crescente, os enquadramentos que revelam mais do que mostram, a trilha inquietante de Bobby Krlic (retornando após Midsommar e Beau Tem Medo), e as situações que começam normais e terminam absurdas.

Mas Eddington abraça novas linguagens:

  • O humor negro, muitas vezes situado perto da crueldade.
  • O faroeste moderno, com paisagens áridas e tensão permanente.
  • A sátira social, especialmente no retrato da paranoia pandêmica.

Nada disso é gratuito. Aster parece interessado em investigar como comunidades pequenas, aparentemente pacíficas, podem abrigar tensões profundas — tensões que só precisam de um empurrão para explodir.

Uma produção marcada por insistência, ambição e tempestades criativas

O caminho até Eddington foi longo. Ari Aster já tinha escrito um roteiro de faroeste contemporâneo anos antes, e chegou a considerar que esse seria seu primeiro filme. Mas Hereditário o puxou para outro lado, e o faroeste foi guardado na gaveta.

Somente depois de Beau Tem Medo ele decidiu revisitar a ideia — agora com a pandemia como elemento central. Foi nesse momento que a história ganhou novo fôlego, novas camadas, novos conflitos.

A produção, comandada pela Square Peg e pela A24, foi intensa e ambiciosa. Phoenix e Aster chegaram a explorar locais juntos no Novo México meses antes das filmagens, enquanto Emma Stone e Christopher Abbott foram inicialmente escalados em 2023 — Abbott acabou deixando o projeto, que passou o papel para Austin Butler.

As filmagens ocorreram entre março e maio de 2024 em Albuquerque e Truth or Consequences, cidades que emprestam à trama a beleza áspera do deserto americano. Em abril de 2025, Bobby Krlic foi anunciado como responsável pela trilha — uma decisão que reforça o clima emocional e psicológico do filme.

Mas afinal: vale a pena assistir?

A resposta depende do tipo de cinema que você busca, mas aqui vão argumentos honestos e humanizados:

Vale a pena se…

  • Você gosta de filmes que misturam gêneros e quebram expectativas.
  • Você aprecia humor negro, sátiras sombrias e comentários sociais implícitos.
  • Você admira o trabalho de Joaquin Phoenix, Pedro Pascal ou Ari Aster.
  • Você quer ver um filme que aborda a pandemia sem cair no didatismo ou na exploração gratuita.
  • Você gosta de histórias sobre pequenas comunidades que se despedaçam por dentro.

Pode não ser sua praia se…

  • Você prefere narrativas lineares e de fácil digestão.
  • Você tem dificuldade com filmes que misturam drama e comédia de maneira agressiva.
  • Você espera um terror tradicional: este NÃO é um filme de terror, apesar da tensão psicológica constante.
  • Você ainda se sente sensível para revisitar o clima emocional da pandemia de 2020.

Mistérios britânicos e três detetives improváveis, a saga que conquistou a Inglaterra chega ao Brasil

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Durante anos, os leitores do Reino Unido comentaram, recomendaram e devoraram os livros do Clube de Assassinatos de Marlow, uma série policial que reúne tudo aquilo que o público de mistério adora — crimes engenhosos, humor seco e personagens que surpreendem pela humanidade. Agora, esse fenômeno literário finalmente desembarca no Brasil pelas mãos da editora Tordesilhas, trazendo consigo o charme das vilas inglesas e a astúcia narrativa de seu criador, Robert Thorogood.

Thorogood, conhecido por seu trabalho como roteirista de TV, encontrou na pequena cidade de Marlow o cenário perfeito para revisitar o espírito dos romances clássicos. Mas, ao contrário do que se vê em tantos suspenses tradicionais, seus protagonistas não são policiais endurecidos nem detetives de gabinete. Ele preferiu as vozes que raramente estão no centro de histórias de crime: mulheres maduras, inteligentes, curiosas e subestimadas.

A imprensa britânica abraçou a saga desde o início. O tabloide The Sun chegou a definir os livros como “Agatha Christie com um toque moderno”, uma comparação que parece superficial à primeira vista — mas que ganha sentido quando se mergulha na escrita elegante do autor, nas pistas espalhadas com precisão cirúrgica e no prazer quase lúdico de acompanhar uma investigação que exige dedução, paciência e sensibilidade.

O nascimento de uma detetive improvável

O primeiro volume apresenta Judith Potts, uma senhora de 77 anos que vive sozinha às margens do Rio Tâmisa e que, em vez de encarar a idade como um peso, faz dela um território de liberdade. Criadora de palavras-cruzadas, nadadora noturna e dona de um humor tão afiado quanto sua observação, Judith testemunha um assassinato durante um de seus mergulhos. Quando a polícia desconfia de seu relato, ela faz o que faria qualquer protagonista teimosa: decide investigar por conta própria.

É aí que entram Suzie, uma dog walker expansiva e destemida, e Becks, esposa do vigário local, disciplinada e metódica. A química entre as três é o coração dos livros — uma amizade nascida não da afinidade imediata, mas da necessidade de enfrentar juntas um crime que, aos poucos, revela a face obscura de uma cidade onde “todo mundo conhece todo mundo”, mas ninguém conhece verdadeiramente ninguém.

A partir desse ponto, Thorogood abre as portas de Marlow para o leitor. Nada é tão tranquilo quanto parece, e cada esquina guarda uma história que, se não chega a ser trágica, certamente é curiosa o bastante para alimentar o faro investigativo das protagonistas.

Crimes que desafiam a lógica e reforçam o charme britânico

No segundo livro, A morte chega a Marlow, o trio se vê diante da morte de um ilustre morador local, sir Peter Bailey, esmagado por uma estante na véspera do próprio casamento. O caso parece acidental, mas Judith e suas amigas pressentem que há algo profundamente errado. O que se segue é uma investigação digna dos melhores locked-room mysteries, aqueles enigmas quase impossíveis em que a vítima é encontrada em um local que deveria ser completamente seguro.

Thorogood conduz a narrativa com ritmo leve, mas nunca superficial. Ele sabe como criar suspeitos interessantes, pistas ambíguas e pequenas ironias do cotidiano britânico — aquelas que fazem o leitor sorrir antes mesmo de perceber que está diante de mais uma pista.

Já no terceiro volume, A rainha dos venenos, o crime é ainda mais ousado: o prefeito de Marlow morre após ingerir acônito, um veneno poderoso. O incidente ocorre durante uma reunião do conselho municipal, transformando o evento em um espetáculo público de choque e especulação. Agora oficialmente consultoras da polícia, Judith, Suzie e Becks se veem envolvidas no tipo de investigação que desmonta reputações, reacende antigos rancores e mostra que nem sempre os vilões se escondem — às vezes, eles ocupam posições de destaque.

A adaptação que conquistou o público britânico

O sucesso dos livros rapidamente chamou a atenção da televisão. A série The Marlow Murder Club, estrelada por Samantha Bond, capturou a delicadeza dos romances sem abrir mão de sua essência mais divertida: a amizade entre três mulheres que redescobrem o prazer de viver enquanto investigam crimes. O público britânico abraçou o seriado com entusiasmo, e hoje ele já coleciona duas temporadas completas — com a terceira prevista para 2026.

A adaptação reforça uma tendência recente do audiovisual britânico: histórias policiais mais humanas, que privilegiam personagens reais e falhas, em vez de gênios infalíveis. Em Marlow, as pistas importam tanto quanto o afeto que nasce entre protagonistas tão diferentes, mas unidas pelo desejo de fazer justiça.

Por que a saga encontrou tanto espaço no coração dos leitores

Há muitos motivos para o sucesso da saga, mas três elementos se destacam.

Primeiro, os mistérios são genuinamente inteligentes. Thorogood nunca entrega soluções fáceis; ao contrário, convida o leitor a participar do jogo, espalhando pistas visíveis apenas para quem sabe olhar.

Segundo, as personagens têm profundidade emocional. Judith não é apenas uma senhora excêntrica; ela é uma mulher que decidiu que o envelhecimento não a tornaria invisível. Suzie equilibra coragem e vulnerabilidade, e Becks luta para conciliar suas responsabilidades com o desejo de descobrir quem realmente é.

Terceiro, os livros conseguem unir atmosfera acolhedora e tensão policial — uma combinação que lembra o aconchego dos antigos “mistérios de poltrona”, mas com frescor suficiente para dialogar com o público contemporâneo.

Um novo público para um sucesso já consolidado

Com a chegada dos três primeiros volumes às livrarias brasileiras, os leitores passam a ter acesso não só às histórias, mas ao universo completo de Marlow — uma cidade onde o chá está sempre quente, os vizinhos sempre observadores e os crimes sempre mais complexos do que parecem. A edição da Tordesilhas preserva o charme da obra original e abre caminho para um novo público que certamente encontrará no trio de protagonistas algo raro: histórias de mistério protagonizadas por mulheres maduras, escritas com respeito, humor e sensibilidade.

BIS aposta alto na Kings League Brazil e transforma entretenimento esportivo em ponte direta com a Geração Z

Foto: Reprodução/ Internet

A BIS, marca da Mondelēz Brasil, continua ampliando seu território no universo do entretenimento esportivo e reforçando sua conexão com o público jovem. Nos últimos meses, a marca tem mantido forte presença na Kings League Brazil, campeonato que mistura futebol, cultura pop, streaming e um toque de caos controlado — fórmula que conquistou rapidamente o coração da Geração Z. Com a competição entrando em sua reta final e acumulando cada vez mais espectadores em plataformas digitais, BIS consolida sua participação como uma das iniciativas mais ousadas da companhia para dialogar de forma autêntica com uma audiência ávida por velocidade, humor, interação e experiências que ultrapassam a lógica do tradicional.

A aposta faz sentido: segundo levantamento do Instituto Z da Trope, feito em parceria com a FURIA FC, a Kings League já conquistou 88% da Geração Z no Brasil, um impacto impressionante para um formato recém-chegado ao país. Ainda de acordo com o estudo, 74% desses jovens consomem o campeonato enquanto interagem simultaneamente nas redes sociais, transformando cada jogo em um evento multiplataforma vivo, comentado em tempo real e alimentado pelo fervor da própria comunidade. Esse comportamento reforça uma tendência global: jovens não querem mais ser apenas espectadores; eles querem participar, influenciar narrativas, remixar conteúdos e vivenciar o esporte como parte de uma experiência maior — quase um fandom coletivo.

Com o patrocínio, a Mondelēz Brasil aposta não apenas na força do campeonato, mas também em sua capacidade de gerar conversas e ressignificar o modo como marcas podem se inserir no esporte e no entretenimento. O resultado já aparece nos números: segundo o CEO global da Kings League, Djamel Agaoua, a audiência do campeonato ultrapassou a marca de 1,9 milhão de espectadores simultâneos, além de somar 14 bilhões de impressões de marca entre 2024 e 2025. É um alcance que rivaliza com grandes eventos esportivos internacionais, mas com uma diferença importante — aqui, o público mais jovem está no centro, ditando tendências e consolidando plataformas como o novo estádio digital.

Muito além do patrocínio

Participar da Kings League Brazil não é apenas colocar a marca na tela — e BIS tem plena consciência disso. Desde o início do projeto, a marca da Mondelēz tem buscado expandir seu papel dentro do ecossistema da liga, oferecendo humor, irreverência e conteúdo acessível para diferentes públicos. Parte dessa estratégia envolve entender que, apesar de massiva entre jovens, a competição ainda é novidade para muita gente. Por isso, a marca desenvolveu ações que atendem tanto aos fãs hardcore quanto aos curiosos que ainda tentam decifrar as regras absurdas que tornaram o campeonato viral.

Um dos exemplos é o quadro no Instagram “É Brincadeira ou BISlucinação?”, que se apoia no espírito leve e bem-humorado da marca para comentar as situações inesperadas da liga — cartões aleatórios, jogadas caóticas, regras que parecem saídas de um videogame e todo o clima de improviso calculado que se tornou a assinatura do formato. Já para os espectadores iniciantes, BIS criou o conteúdo “Explicando o aBISurdo”, que ajuda a introduzir novos fãs ao universo da Kings League com explicações rápidas, divertidas e visuais, aproximando esse público de forma natural e reduzindo barreiras de entrada.

Essas iniciativas se somam a experiências presenciais em campo, como ativações de torcida que aproximam os fãs da marca em momentos decisivos do campeonato, e ações com influenciadores que transitam entre nichos e grandes audiências. Criadores como Gabi Lira e Paulo Vita, por exemplo, fazem parte das produções da marca, ajudando a amplificar a narrativa da BIS dentro e fora das partidas. A escolha desses influenciadores reforça outra estratégia da marca: estar presente em lugares onde o público realmente está, sem artificialidade, sem interrupção e sem a sensação de publicidade intrusiva.

Para Anna Musso, Gerente de Marketing de BIS, essa abordagem amplia a presença da marca de forma orgânica. “A Kings League é o novo palco da diversão coletiva, e essas parcerias representam uma nova forma de estar perto dessa comunidade: participando das conversas, criando momentos de interação espontânea e integrando-se às plataformas onde o público realmente está. Essa abordagem reflete o propósito de BIS em proporcionar experiências que unem cultura, inovação e autenticidade”, afirma a executiva, destacando o papel de BIS como uma marca que acompanha de perto tanto o comportamento quanto o ritmo acelerado das tendências digitais.

Uma marca em evolução

Se a presença da BIS na Kings League Brazil reforça seu posicionamento divertido, inovador e muito ligado à linguagem da Geração Z, as ações da marca ao longo do ano mostram que essa estratégia não é pontual — é contínua. Em 2024 e 2025, a marca apresentou sua nova assinatura “O Nome Já Diz”, um slogan que sintetiza de forma simples e impactante o DNA irreverente de BIS e sua relação com o público, trabalhando sempre na interseção entre humor, espontaneidade e desejo.

A marca também lançou a promoção “O Prêmio Já Diz”, aproximando ainda mais fãs e consumidores com brindes, ativações e experiências exclusivas. Além disso, BIS foi pioneira em seu segmento ao entrar no TikTok Shop, tornando-se a primeira marca de alimentos no país a adotar o formato como meio direto de comercialização. O movimento reforça seu olhar atento às mudanças do varejo digital e às novas formas de consumo de conteúdo, evidenciando sua capacidade de acompanhar — e, às vezes, antecipar — tendências de comportamento.

Entre as iniciativas mais comentadas está o lançamento do pack sortido, que reúne sabores icônicos da marca em uma única embalagem. O produto não só atende aos desejos de quem gosta de variedade, mas também dialoga com o estilo irreverente e ousado que BIS tem construído com seu público. É uma resposta direta à forma como a Geração Z experimenta produtos: com curiosidade, desejo por novidade e preferência por itens que contem histórias ou façam parte de conversas culturais.

Por que a Kings League Brazil é o território perfeito para BIS

A Kings League Brazil não é apenas um campeonato — é um fenômeno cultural. Nasceu da mente de Gerard Piqué, ex-jogador do Barcelona, e rapidamente transformou o entretenimento esportivo em algo híbrido: parte futebol, parte reality show, parte streaming, parte caos criativo. O formato aposta em partidas curtas, regras improváveis, interferência de cartas especiais, participação de influenciadores, humor e transmissões ao vivo que quebram a quarta parede.

Esse modelo encontrou terreno fértil no Brasil, um país que respira futebol, cria memes com rapidez absurda e abraça qualquer proposta que misture emoção com entretenimento participativo. Para a Geração Z, acostumada a navegar entre telas, editar vídeos, comentar tudo em tempo real e misturar universos digitais e físicos, a Kings League virou um prato cheio — um espaço onde assistir futebol se parece menos com um compromisso e mais com uma experiência compartilhada.

É justamente esse público — jovem, hiperconectado, multitelas e faminto por autenticidade — que BIS enxerga como parceiro ideal. A marca entende que, hoje, a disputa não é apenas por atenção, mas por relevância. E relevância se conquista entrando em territórios onde o consumidor quer que a marca esteja, não onde ela força sua presença. Nesse sentido, a Kings League Brazil oferece um ambiente perfeito: descontraído, espontâneo, cheio de oportunidades para humor e com espaço para narrativas rápidas — características que se alinham diretamente com o espírito de BIS.

A marca não aparece apenas na transmissão. Ela se integra, participa, brinca, comenta, cria conteúdo e conversa com os fãs no mesmo tom que eles utilizam entre si. Essa simbiose natural é o que permite que a marca se destaque em meio ao mar de informações que atravessam a rotina da Geração Z. No fundo, BIS não está apenas patrocinando um campeonato; está vivendo dentro dele.

Top Gun 3 acelera motores! O novo capítulo da franquia ganha forma enquanto a memória de Maverick ecoa no cinema moderno

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Existe um tipo de nostalgia que não envelhece: aquela que vem acompanhada do som de motores rugindo, da vibração metálica de um caça rasgando o céu e do silêncio absoluto que antecede uma manobra impossível. É uma sensação que pertence a uma geração inteira — e que, de algum modo, continua viva dentro de cada espectador que se apaixonou por Top Gun desde 1986. Agora, com o terceiro filme oficialmente decolando dos bastidores e ganhando contornos mais concretos, a sensação é de reencontro. Um reencontro com Maverick, com o cinema clássico, com o tipo de emoção que não precisa ser explicada — apenas sentida.

Segundo informa o Omelete, quem trouxe essa fagulha ao mundo foi Joseph Kosinski, o diretor que ajudou Tom Cruise a reescrever a história do cinema moderno em 2022. Em meio ao brilho discreto do Academy Governors Awards, Kosinski confirmou que o terceiro filme está em andamento. Não houve espetáculo, nem discurso triunfal, apenas uma frase dita com a sinceridade de quem sabe o peso que carrega nas mãos:
“Estamos trabalhando no filme, empolgados… Devemos ter a primeira versão do roteiro em breve.”
E isso bastou para incendiar o imaginário dos fãs.

A revelação surgiu na mesma noite em que Tom Cruise recebeu um Oscar honorário, criando uma espécie de simetria emocional: enquanto a Academia celebrava sua carreira, Kosinski apontava para o futuro — mostrando que Maverick ainda tem história para contar.

O que sabemos de Top Gun 3

Se há uma palavra que define o terceiro filme, segundo Kosinski, é ambição. Mas não aquela ambição grandiosa e ruidosa dos blockbusters tradicionais — e sim algo mais íntimo, mais existencial, mais silencioso. O diretor deixou claro que o novo capítulo deve mergulhar em questões profundas do personagem de Cruise, explorando um conflito que vai além de velocidade e manobras aéreas.

“A crise existencial que Maverick enfrenta é muito maior do que ele mesmo”, disse Kosinski.
Essa frase, por si só, já desenha um novo horizonte para a franquia — talvez mais melancólico, talvez mais humano.

Se Maverick foi sobre legado, Top Gun 3 parece querer falar sobre permanência: o que fica depois que toda a fumaça baixa? O que sobra quando o mundo avança, e você começa a se perguntar se ainda pertence a ele?

Com Ehren Kruger novamente no roteiro, há uma expectativa natural de continuidade emocional. Mas há também a sensação de que algo novo está sendo moldado. Algo que dialoga com os dilemas do nosso tempo — drones, automação, inteligência artificial — e com os dilemas internos de um homem que sempre viveu para voar.

Maverick antes de Maverick: como o segundo filme entrou para a história

Para entender o peso desse terceiro capítulo, é preciso revisitar a explosão que foi Top Gun: Maverick. Lançado em maio de 2022, o filme faz parte de uma daquelas histórias improváveis de Hollywood: um projeto que parecia condenado a nostalgia vazia e que, surpreendentemente, se transformou em símbolo de renascimento do cinema pós-pandemia.

Ele ultrapassou 1,49 bilhão de dólares em bilheteria mundial, mas o número diz menos do que deveria. Mais do que lucro, o longa devolveu às pessoas a vontade de sentir — de estar em uma sala escura, compartilhando emoções com desconhecidos. Maverick se tornou um evento coletivo, quase um manifesto em defesa da experiência cinematográfica.

E Tom Cruise, com sua teimosia romântica em recusar o streaming, assumiu o papel de guardião dessa proposta. Ele queria que o filme fosse visto como cinema de verdade — e conseguiu. Houve lágrimas, risos, aplausos espontâneos. Foi mais do que uma sequência: foi um reencontro com tudo aquilo que nos faz amar grandes histórias.

Um retorno marcado pelo tempo

Em Maverick, é impossível não sentir o peso do tempo. Pete Mitchell continua ousado, continua intenso, continua vibrando na fronteira entre coragem e imprudência. Mas há algo no olhar dele que não havia no filme de 1986: a consciência de que o mundo está mudando rápido demais — e que talvez ele esteja ficando para trás.

Quando ele ultrapassa o limite do Darkstar, rompendo barreiras que nenhum piloto ousaria testar, o gesto não é apenas rebeldia. É uma tentativa desesperada de provar que ainda existe espaço para pilotos humanos num mundo dominado por máquinas. E, por algum motivo, é um dos momentos mais humanos do filme inteiro.

Ser enviado de volta à Top Gun como instrutor é quase um choque emocional. Maverick sabe ensinar, mas nunca soube envelhecer. Ele entende aviões, mas não entende política. Ele domina o céu, mas continua travado no chão.

Rooster, Hangman e a nova geração

Se Maverick carrega seus próprios fantasmas, Rooster carrega cicatrizes. A relação entre Bradley Bradshaw e o protagonista é construída com um cuidado impressionante, quase artesanal. Há dor não dita, mágoa acumulada, amor enterrado em silêncio. Miles Teller entrega um Rooster que é, ao mesmo tempo, herdeiro e prisioneiro do passado — e que precisa encontrar seu próprio caminho sem repetir os erros de Maverick.

E então há Hangman, um antagonista moderno com carisma de sobra. Ele faz o papel que Maverick fez no primeiro filme: provoca, desafia, irrita, mas também cresce. Phoenix e Bob completam um time que carrega frescor, energia e humanidade, sem jamais apagar o brilho dos veteranos.

Essa nova geração não existe apenas para preencher espaço — ela é o coração pulsante que permite que o filme fale com o presente sem trair seu passado.

A missão impossível que virou realidade

O plano criado para destruir a usina de urânio beira o absurdo — e talvez seja por isso que funciona tão bem. A missão é tão arriscada que se transforma numa metáfora para o que Maverick representa: o impossível que se torna possível quando o humano supera a máquina.

A sequência clandestina em que ele demonstra que o ataque pode ser executado é quase um grito de resistência. Um grito que diz: “Eu ainda estou aqui. Eu ainda posso.”
E é impossível não sentir algo ao ver isso.

A queda, o reencontro e o resgate improvável

A queda de Maverick e Rooster em território inimigo cria uma das sequências mais emocionantes de todo o filme — não pela ação em si, mas pela vulnerabilidade que surge entre os dois. Perdidos, machucados, discutindo e rindo do caos, eles finalmente voltam a se encontrar como seres humanos, não apenas como piloto e instrutor.

O reencontro com o F-14 Tomcat é quase um milagre cinematográfico. Uma lembrança esquecida no hangar, um ícone ressuscitado. E, de repente, pai e filho simbólicos estão juntos, voando lado a lado. Quando Hangman aparece para salvá-los, o círculo emocional se completa.

O adeus a Iceman

A despedida entre Maverick e Iceman é um daqueles raros momentos que o cinema entrega com a delicadeza de um segredo. Val Kilmer, enfrentando limitações reais de saúde, trouxe para a tela uma verdade dolorosa e linda. Não era apenas o fim de um personagem. Era o fim de uma era, de uma amizade, de um pedaço do cinema dos anos 80 que insistia em sobreviver.

É impossível não sentir o coração pesar naquele encontro.

Por que Maverick tocou tão fundo?

Porque não era sobre aviões.
Era sobre o tempo.
Sobre culpa.
Sobre segundas chances.
Sobre homens que aprendem tarde demais a pedir perdão.
Era sobre o medo de ser substituído — e sobre a coragem de continuar mesmo assim.

Maverick tem ação perfeita, mas é sua humanidade que mantém o público preso. É o tipo de filme que não se assiste: se sente.

E agora? O que esperar de Top Gun 3?

Kosinski promete uma história grande, talvez maior que tudo o que veio antes. Mas grande não no espetáculo — e sim na profundidade. Há uma expectativa de que o terceiro filme explore a mortalidade de Maverick, o avanço incontrolável da tecnologia e a difícil transição entre gerações.

Miles Teller e Glen Powell ainda não foram confirmados oficialmente, mas seria quase inimaginável seguir sem Rooster e Hangman. E Tom Cruise — agora ainda mais consolidado como um dos últimos astros clássicos de Hollywood — dá sinais de que está pronto para enfrentar o desafio.

Street Fighter em Live-Action encerra filmagens! Reboot promete unir fidelidade aos jogos e intensidade cinematográfica

As últimas semanas foram marcantes para fãs de cultura pop, videogames e grandes produções hollywoodianas. Depois de mais de três décadas tentando encontrar o equilíbrio certo entre fidelidade ao material original e ambição cinematográfica, Street Fighter finalmente encerrou suas filmagens principais. O novo longa, produzido pela Legendary Entertainment em parceria direta com a Capcom, promete não apenas resgatar a essência da franquia, mas também reinventá-la para uma nova geração — agora com tecnologia, elenco e visão criativa que nunca estiveram disponíveis nas adaptações anteriores.

O encerramento das filmagens foi celebrado com entusiasmo pelo diretor Kitao Sakurai, que publicou uma foto dos bastidores em suas redes sociais, marcando o fim da etapa mais desafiadora do projeto. E se o entusiasmo da equipe é um indicador do que está por vir, o público pode esperar um filme que faz jus ao legado de um dos jogos de luta mais influentes de todos os tempos.

A produção, que começou em agosto de 2025 na Austrália, encerra um ciclo que passou por trocas de direção, longas negociações e expectativas altíssimas desde sua concepção, em 2023. Agora, com o longa oficialmente em fase de pós-produção, o próximo capítulo dessa história se aproxima: o lançamento, previsto nos Estados Unidos para 16 de outubro de 2026, pela Paramount Pictures.

A história por trás da nova adaptação

Em abril de 2023, quando a Legendary Entertainment adquiriu os direitos de adaptação cinematográfica de Street Fighter, a notícia tomou conta das redes sociais. A ideia de uma nova versão live-action sempre provocou curiosidade — e preocupação — entre os fãs. Afinal, as adaptações anteriores deixaram memórias conflitantes: o filme de 1994 virou cult, mas não exatamente pelas razões que seus produtores imaginavam. Já A Lenda de Chun-Li (2009) se tornou sinônimo de decepção, quase um alerta permanente de como a franquia deveria ser tratada com mais cuidado.

A Legendary, porém, parecia determinada a mudar essa narrativa. Desde o início, decidiu construir o reboot ao lado da Capcom, envolvida como co-produtora. A estratégia era clara: respeitar o DNA dos jogos. Não apenas em termos visuais, mas principalmente na essência dos personagens e na filosofia por trás do Torneio Mundial de Guerreiros.

Originalmente, o projeto seria dirigido pelos irmãos Danny e Michael Philippou, conhecidos pelo terror criativo Talk to Me. A escolha surpreendeu, mas também empolgou, principalmente pela estética crua e visceral que os diretores poderiam trazer ao universo de Street Fighter. Entretanto, em junho de 2024, ambos deixaram o projeto, priorizando o filme Bring Her Back. A saída gerou incertezas — até que, em fevereiro de 2025, uma nova peça se encaixou no tabuleiro.

Kitao Sakurai, conhecido pela direção do irreverente Bad Trip e por sua habilidade em mesclar humor, ação e narrativa visual inventiva, assumiu o comando. A escolha trouxe um frescor inesperado: Sakurai tem olhar artístico singular e habilidade para dar vida a personagens excêntricos, elementos essenciais em um universo tão estilizado quanto o de Street Fighter. E, acima de tudo, trazia consigo uma postura colaborativa que facilitou a sintonia entre direção, elenco e consultores da Capcom.

De volta a 1993, ao espírito do arcade

Uma das maiores surpresas reveladas pela Paramount foi a ambientação do longa em 1993, bem no auge da febre dos fliperamas. Ao situar a história no início dos anos 90, o filme busca capturar a estética e a energia da época que fez Street Fighter se tornar um fenômeno mundial. Não é apenas nostalgia: essa ambientação é fundamental para criar um choque dramático entre tradição, honra, rivalidade e os dilemas pessoais dos protagonistas.

Na narrativa, acompanhamos Ryu (vivido por Andrew Koji, conhecido por Warrior) e Ken Masters (interpretado por Noah Centineo, que aqui mergulha em sua versão mais madura e física). A dupla, afastada dos ringues por motivos ainda mantidos em segredo, é surpreendida pela misteriosa Chun-Li (Callina Liang), que os traz de volta ao cenário das lutas ao convocá-los para o lendário Torneio Mundial de Guerreiros.

O torneio, inicialmente apresentado como um espetáculo brutal de disputa, honra e redenção, revela-se apenas a superfície de uma conspiração muito maior. O trio descobre que forças ocultas manipulam os rumos da competição — e que o destino do mundo pode estar mais entrelaçado ao torneio do que eles imaginam. Entre intrigas, segredos enterrados e lutas explosivas, Ryu e Ken serão obrigados não apenas a enfrentar inimigos formidáveis, mas a revisitar seus próprios demônios internos.

A frase usada pelo estúdio na divulgação é clara:
“E se eles não fizerem isso… é FIM DE JOGO!”

Um mosaico de talentos, presença física e carisma

A escalação do elenco foi um dos pontos mais comentados pelos fãs desde o início de 2025. E com razão: o filme reúne uma mistura ousada de atores consagrados, estrelas de ação, humoristas, lutadores profissionais e talentos emergentes. Tudo isso para trazer à vida personagens que marcaram gerações.

Em um dos papéis centrais, Noah Centineo encara o desafio de interpretar Ken Masters, um personagem que exige equilíbrio perfeito entre arrogância charmosa, habilidade marcial e camaradagem intensa com Ryu. Centineo, que vem expandindo sua carreira para papéis mais físicos, surge aqui com seu trabalho mais exigente e transformador.

Já Andrew Koji, amplamente respeitado por sua performance corporal e precisão marcial, parece ter nascido para viver Ryu. Koji tem a rara habilidade de transmitir conflito interno mesmo em cenas silenciosas, algo essencial para o protagonista mais introspectivo da franquia.

Jason Momoa, numa jogada ousada e surpreendente, assume o papel de Blanka. A curiosidade dos fãs é enorme — principalmente sobre como o visual do personagem será tratado, considerando sua mistura entre humanidade e ferocidade selvagem. Momoa já adiantou, em entrevistas, que representa “uma versão emocionalmente complexa e inesperada” do ícone brasileiro.

Outro destaque é Roman Reigns, astro da WWE, escalado como o temido Akuma. Sua presença física promete dar vida a um dos vilões mais imponentes da franquia, com um toque mais sombrio, fiel à lore dos jogos.

A chegada de Callina Liang como Chun-Li também foi celebrada. A personagem sempre exigiu um equilíbrio delicado entre força, elegância e determinação — e Liang parece ter abraçado esse espírito com profundidade emocional e desempenho atlético impressionante.

A lista continua com nomes de peso como Curtis “50 Cent” Jackson, interpretando o boxeador brutal Balrog, e David Dastmalchian, ator de versatilidade incomparável, no papel do icônico vilão M. Bison. Dastmalchian, acostumado a personagens sombrios e perturbadores, promete entregar uma versão mais calculada e assustadora do ditador psíquico.

Além deles, Cody Rhodes surge como Guile, trazendo sua experiência no ringue para um dos personagens mais patrióticos dos videogames. O lutador e ator indiano Vidyut Jammwal, especialista em artes marciais, encarna Dhalsim, enquanto Eric André dá vida ao exótico Dom Sauvage, em uma escolha que deve adicionar humor e imprevisibilidade ao elenco.

A produção ainda conta com Orville Peck como o misterioso Vega, Olivier Richters como o gigante Zangief, Hirooki Goto como E. Honda, Mel Jarnson como Cammy, Rayna Vallandingham como Juli, Alexander Volkanovski como Joe e Kyle Mooney como Marvin — reforçando a diversidade estilística e estética necessária para representar o universo plural de Street Fighter.

Desafios, trocas e um renascimento criativo

Produzir um reboot de um dos maiores fenômenos dos videogames não é tarefa simples. Mas o caminho até aqui revela uma produção determinada a acertar onde as adaptações anteriores falharam.

A parceria entre a Legendary e a Capcom foi essencial. Criadores originais da saga, roteiristas, consultores de combate e artistas visuais trabalharam lado a lado com o diretor Kitao Sakurai e o roteirista Dalan Musson. Os campos de treinamento dos atores envolveram diferentes disciplinas: muay thai, karatê, boxe, capoeira, grappling e movimentos inspirados nas animações clássicas do jogo. A preparação física foi tão intensa que alguns atores até compartilharam hematomas e rotinas exaustivas nas redes sociais.

Sakurai também enfrentou o desafio de traduzir os elementos exagerados e fantásticos do jogo para um formato live-action sem perder credibilidade. A equipe utilizou captura de movimento, efeitos práticos e CGI de última geração para criar movimentos icônicos como o Hadouken, o Sonic Boom e o Psycho Crusher. Mas a prioridade sempre foi a fisicalidade dos atores, evitando depender exclusivamente da pós-produção.

As filmagens na Austrália trouxeram cenários naturais grandiosos, ao mesmo tempo em que estúdios locais foram transformados em arenas de combate, templos místicos e laboratórios secretos. A produção ainda utilizou locações urbanas para criar uma estética suja e caótica, remetendo às fases clássicas dos jogos.

As expectativas dos fãs e o espírito do arcade

É impossível ignorar a enorme responsabilidade emocional que o filme carrega. Street Fighter não é apenas um jogo — é uma parte da história de milhares de pessoas. Crescer nos fliperamas dos anos 90 envolvia duelos improvisados, desafios entre desconhecidos, movimentos secretos descobertos entre amigos e rivalidades eternas criadas com controle em mãos.

O filme, ao se ambientar em 1993, não quer apenas contar uma história de luta. Quer reacender o espírito competitivo, a estética neon, o suor das batalhas improvisadas e o calor de uma época em que vencer uma partida significava deixar seu nome com três iniciais brilhando em uma máquina arcade.

E essa conexão emocional pode ser a chave para o sucesso.

O longa-metragem chega aos cinemas norte-americanos em 16 de outubro de 2026. Até lá, resta aos fãs preparar seus controles, revisitar golpes clássicos e torcer para que, dessa vez, o cinema faça justiça ao legado do Hadouken.

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