Zoey Deutch e Jonah Hauer-King estrelam o novo trailer de Entre Nós – Uma Dose Extra de Amor

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Se você adora comédias românticas cheias de diversão, romance e surpresas inesperadas, vai querer prestar atenção nisso. O novo trailer de Entre Nós – Uma Dose Extra de Amor acabou de sair, e já dá para sentir que o filme vai arrancar risadas, emocionar e fazer o público se enxergar nas aventuras dos protagonistas. O filme chega em todos os cinemas brasileiros no dia 11 de dezembro. Confira o vídeo abaixo:

A história gira em torno de Connor, interpretado por Jonah Hauer-King (conhecido por A Pequena Sereia e My Policeman), um jovem carismático, mas um pouco perdido quando o assunto é amor. Ele vive uma relação sem rótulos com Olivia, papel de Zoey Deutch (Set It Up e Everything, Everywhere, All at Once), sua paixão de longa data, mas que não se define. Tudo parecia tranquilo, até que seu amigo Greg, vivido por Jaboukie Young-White (Booksmart e Saturday Night Live), surge com uma ideia maluca: provocar ciúmes em Olivia envolvendo uma desconhecida chamada Jenny, interpretada por Ruby Cruz (Do Revenge e The Summer I Turned Pretty), durante uma noite em um bar. O que parecia uma brincadeira inocente rapidamente se transforma em uma noite que ninguém vai esquecer.

No trailer, vemos Olivia percebendo a aproximação entre Connor e Jenny e, em vez de sair de cena, ela entra na história com toda sua personalidade, provocando uma dinâmica inesperada entre os três. O que começa como uma aventura de uma noite acaba ganhando contornos muito mais sérios e surpreendentes: ambas acabam grávidas. De repente, Connor, Olivia e Jenny precisam lidar com escolhas que nunca imaginaram enfrentar, e suas vidas dão uma guinada completa.

O filme não é apenas sobre situações absurdas e cômicas. Ele explora a intimidade dos personagens e mostra que mesmo em momentos de confusão e humor, há espaço para sentimentos genuínos. Connor e Olivia tentam construir um relacionamento enquanto Jenny permanece presente, e cada um precisa descobrir como lidar com emoções complexas e responsabilidades inesperadas. Entre mal-entendidos, momentos de ternura e diálogos cheios de humor, a história se aproxima da realidade de muitas pessoas, mostrando que a vida raramente segue um roteiro previsível.

Chad Hartigan, diretor do longa (This Is Where I Leave You e Morris from America), consegue equilibrar muito bem as cenas engraçadas com momentos mais sensíveis. O roteiro de Ethan Ogilby (Big Mouth e The Catcher Was a Spy) contribui para que a narrativa flua de forma natural, cheia de diálogos afiados, situações inesperadas e emoção na medida certa. O resultado é um filme que diverte sem perder a autenticidade e faz o público torcer pelos personagens em cada decisão que eles precisam tomar.

O elenco ajuda a tornar tudo ainda mais cativante. Jonah Hauer-King entrega um Connor vulnerável e divertido, Zoey Deutch brilha como uma Olivia determinada, engraçada e apaixonante, e Ruby Cruz dá vida a Jenny com energia e leveza, tornando o triângulo amoroso interessante e crível. A química entre eles é um dos pontos altos do longa, fazendo com que cada cena carregue emoção e humor na medida certa.

Universal apresenta novo trailer de Song Sung Blue: Um Sonho a Dois, drama musical com Hugh Jackman e Kate Hudson

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A Universal Pictures apresentou na manhã desta segunda, 24 de novembro, um novo trailer de “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois”, produção que chega aos cinemas brasileiros em 29 de janeiro de 2026. A prévia reforça o clima emocional do longa e reposiciona o filme entre os lançamentos mais aguardados do início do próximo ano, especialmente para o público que acompanha dramas musicais com toque biográfico. Abaixo, confira o trailer divulgado:

A direção é assinada por Craig Brewer, cineasta que transita com naturalidade entre comédias, retratos culturais e histórias de reinvenção. Brewer, conhecido por trabalhos como “Meu Nome é Dolemite” e “Um Príncipe em Nova York 2”, assume aqui uma abordagem mais intimista. “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” acompanha a trajetória de Mike e Claire Sardina, um casal de músicos vivido por Hugh Jackman e Kate Hudson. Ambos cresceram acreditando que a carreira artística os levaria a grandes palcos, mas a vida adulta transformou o sonho em pequenas apresentações, contas acumuladas e a necessidade de seguir em frente mesmo quando o brilho parece ter apagado.

A guinada na história surge quando Mike e Claire decidem formar uma banda tributo dedicada ao icônico Neil Diamond. O gesto, que poderia soar como despedida de quem já desistiu de alcançar o estrelato, acaba funcionando como um recomeço inesperado. O filme investiga essa reinvenção, explorando a cumplicidade, os conflitos e os medos de um casal que tenta se reencontrar enquanto revive memórias musicais que marcaram a juventude.

O novo trailer destaca a delicadeza dessa transformação. As imagens mostram shows pequenos em bares, discussões domésticas que se misturam ao cansaço da estrada, momentos de humor espontâneo e aquele tipo de carinho silencioso que só existe entre pessoas que realmente se conhecem. A trilha sonora desponta como um dos principais atrativos. Neil Diamond autorizou pessoalmente o uso de clássicos como “Song Sung Blue”, o que fortalece a autenticidade do longa e já desperta grande apelo nostálgico.

Hugh Jackman e Kate Hudson lideram o elenco com química evidente, mas não estão sozinhos. Michael Imperioli, Fisher Stevens, Jim Belushi, Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir e Hudson Hilbert Hensley completam o time. Juntos, constroem o ambiente de cidade pequena que o filme abraça — um cenário onde a rotina parece previsível, mas onde pequenas reviravoltas podem mudar tudo.

As filmagens ocorreram em diferentes cidades de Nova Jersey entre outubro e dezembro de 2024. Locais residenciais do condado de Monmouth e ruas tranquilas de Old Tappan foram escolhidas para criar uma atmosfera cotidiana, reforçando a ideia de que histórias marcantes também surgem em cenários aparentemente comuns. A fotografia teve início sob a responsabilidade de Amy Vincent e, posteriormente, passou para a direção de Erika Slezak, que assumiu a etapa final. A combinação de olhares promete entregar uma estética acolhedora, com foco no emocional e no realismo dos ambientes.

Na Sessão da Tarde desta terça (25), Globo exibe “Incontrolável”, thriller explosivo inspirado em uma história real

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A tarde desta terça-feira, 25 de novembro, será movida a pura tensão para quem sintonizar a Globo. O filme escolhido para a Sessão da Tarde é “Incontrolável” (Unstoppable), dirigido por Tony Scott e estrelado por dois gigantes: Denzel Washington (Chamas da Vingança, O Voo) e Chris Pine (Star Trek, A Qualquer Preço). Lançado em 2010, o longa virou um dos thrillers de ação mais elogiados de sua época, com narrativa enxuta, ritmo acelerado e atuações marcantes.

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, a história parte de um cenário que assusta só de imaginar: um trem quase do tamanho de um prédio, carregado de substâncias altamente tóxicas, fica completamente desgovernado. Sem operador, sem freio e ganhando velocidade a cada quilômetro, a composição segue em direção a pequenas cidades, colocando milhares de vidas em risco. Não há tempo para erro e essa sensação de urgência permeia cada minuto do filme.

É nesse contexto extremo que entram os protagonistas. Denzel Washington, como Frank Barnes, entrega mais uma performance sólida, dando vida a um maquinista veterano, consciente da gravidade da situação. Ao lado dele está Chris Pine, interpretando Will Colson, um condutor mais jovem, cheio de conflitos pessoais e inseguranças, mas determinado a provar seu valor. O contraste entre experiência e impulsividade funciona como um motor emocional para o filme, mostrando como esses dois homens completamente diferentes precisam se unir para tentar evitar a tragédia iminente.

A equipe de apoio também reforça o impacto da narrativa. Rosario Dawson (Sete Vidas, Demolidor: A Série) brilha como Connie, a coordenadora de operações da ferrovia que acompanha o caos de longe, tentando criar um plano viável enquanto o trem avança sem controle. O time inclui ainda Ethan Suplee (Meu Nome é Earl), Kevin Dunn (Transformers) e Kevin Corrigan (Ilha do Medo), todos somando tensão e autenticidade à história.

O filme ganha ainda mais força ao revelar que foi inspirado no Incidente do CSX 8888, ocorrido em 2001, em Ohio, quando um trem real percorreu mais de 100 km sem condutor e carregando materiais perigosos. Tony Scott transforma esse episódio em um espetáculo cinematográfico eletrizante, fazendo com que o público se pergunte o tempo todo: “Como isso vai acabar?”

Onde assistir “Incontrolável”?

Além da exibição na Sessão da Tarde, quem quiser rever o filme ou assistir pela primeira vez fora do horário da TV aberta tem uma opção bem acessível. “Incontrolável” está disponível no catálogo do Disney+, dentro da categoria de filmes de ação. Basta ser assinante da plataforma para assistir quando quiser, sem custo adicional.

Too Much | Netflix encerra minissérie de Lena Dunham após uma temporada, mas seu impacto permanece

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A Netflix confirmou que Too Much não ganhará uma segunda temporada. A decisão, tomada pelo próprio time criativo por trás da produção, encerra oficialmente a comédia romântica criada por Lena Dunham e Luis Felber, lançada em 10 de julho de 2025. Mesmo com vida curta, a série deixou sua marca com um romance moderno, imperfeito e profundamente humano, exatamente o tipo de história que Dunham sabe contar. As informações são do Omelete.

Na trama, conhecemos Jessica, interpretada por Megan Stalter, uma produtora de comerciais de Nova York que tenta juntar os restos do coração depois de um término traumático. Em busca de novos ares (e talvez de si mesma), ela aceita uma transferência de trabalho para Londres. Só que o recomeço que parecia romântico na teoria rapidamente se revela um choque de realidade: apartamento apertado, rotina solitária, e uma cidade que não acolhe tão fácil quanto os filmes de época prometem.

É nesse cenário que Jessica, tentando se provar corajosa, sai sozinha para um pub e acaba cruzando caminhos com Felix, vivido por Will Sharpe, um músico indie londrino com charme tímido, talento evidente e seus próprios conflitos internos. O encontro, despretensioso no início, marca o início de um romance que cresce devagar, com hesitações, vulnerabilidades e aquela dose de confusão emocional que faz qualquer relação parecer real.

O coração de Too Much está justamente nesse crescimento lento. Jessica e Felix precisam enfrentar diferenças culturais, expectativas incompatíveis, feridas antigas e dinâmicas familiares complicadas. Não é um conto de fadas. É sobre aprender a gostar de alguém enquanto ainda se tenta reaprender a gostar de si mesmo.

Por isso, o cancelamento (mesmo planejado) deixa um certo gosto agridoce no público. A produção nunca prometeu se estender, mas sua sinceridade emocional, seu humor desajeitado e a química delicada entre Stalter e Sharpe fizeram a minissérie se destacar no catálogo da Netflix.

A série se despede como chegou: pequena, honesta e cheia de verdades incômodas sobre amar, recomeçar e se permitir ser vulnerável. Uma temporada foi suficiente para contar essa história, mas não para impedir que ela continue ecoando em quem se viu, mesmo que um pouquinho nos passos incertos de Jessica e Felix.

Guerreiras do K-Pop | Sucesso global da Netflix entra na lista de animações elegíveis ao Oscar 2026

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Tem filmes que a gente assiste sem esperar muita coisa… e, de repente, se pega completamente envolvido, emocionado, rindo, chorando e pensando: “meu Deus, por que ninguém me avisou que isso aqui era tão bom?”. Guerreiras do K-Pop é exatamente esse tipo de produção. Lançado pela Netflix em junho de 2025, o longa virou um fenômeno instantâneo. Explodiu nas redes sociais, conquistou o fandom de K-pop, chamou a atenção de críticos e, agora, deu um passo gigantesco: entrou na lista de animações elegíveis ao Oscar 2026.

Sim, você leu certo. Aquele filme cheio de coreografias brilhantes, batalhas mágicas, músicas que grudam na cabeça e personagens que parecem ter saído direto da sua timeline do TikTok… agora está mais perto do maior prêmio do cinema mundial.

E a verdade é que ninguém está realmente surpreso — só muito, muito orgulhoso.

A confirmação que fez o fandom inteiro surtar

Na sexta-feira (21), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas soltou a lista de filmes que podem concorrer nas categorias de Melhor Animação, Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. É o famoso “pré-listão”, aquele momento em que a gente descobre quem está oficialmente no páreo.

E lá estava ele: Guerreiras do K-Pop, esse delírio delicioso que mistura fantasia, cultura coreana, shows pop, mitologia e emoção. O longa aparece ao lado de pesos pesados como Elio, Zootopia 2, Chainsaw Man – Arco da Reze e Demon Slayer – Castelo Infinito. Uma lista bem concorrida — mas totalmente coerente com a proporção que o filme tomou ao redor do mundo.

Pra quem acompanha cinema, já dava pra sentir que isso ia acontecer. Para os fãs das HUNTR/X, foi aquele tipo de notícia que faz você largar o celular no chão e gritar no quarto.

E com toda razão.

Mas afinal, por que esse filme mexeu tanto com as pessoas?

A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo: Guerreiras do K-Pop não é só um filme. Ele é um abraço, uma explosão visual, uma história de identidade e, principalmente, uma carta de amor à cultura coreana — e às pessoas que crescem divididas entre mundos.

A diretora Maggie Kang sempre disse que queria criar algo que fizesse meninas asiáticas se sentirem vistas. Não apenas representadas de forma simbólica, mas de verdade. Com profundidade, vulnerabilidade e poder.

E ela conseguiu.

O filme acompanha Rumi, Mira e Zoey — três jovens idols que fazem parte do grupo HUNTR/X. No palco, elas são estrelas globais. Fora dele, são caçadoras de demônios, descendentes de mulheres que, há séculos, protegem o mundo por meio da música e da dança.

É uma premissa maluca? É.
Funciona? Totalmente.

O universo criado pela equipe da Sony Pictures Animation é vibrante, quase hipnotizante, cheio de cores neon, texturas de videoclipes e referências diretas ao K-pop e aos animes. Mas o que realmente pegou os espectadores foi a camada emocional.

Rumi, a protagonista, é meio humana e meio demônio — um segredo que ela tenta esconder até das melhores amigas. Essa dualidade, essa vergonha silenciosa, essa sensação de “não pertencimento”… tudo isso criou uma identificação absurda com o público.

Muita gente se encontrou nela. E talvez por isso o filme tenha viralizado tão rápido.

Um pouco da história (sem spoilers do final, relaxa)

O longa começa explicando que, há muito tempo, demônios invadiram o mundo humano, alimentando-se de almas e espalhando caos. Até que três mulheres comuns despertaram poderes ligados à música e à dança e criaram a barreira mágica Honmoon — que separa os dois mundos.

Ao longo das gerações, para manter o segredo e continuar usando suas vozes, cada trio de guerreiras passou a se apresentar como grupos musicais. E assim nasce a tradição: idols de um lado, caçadoras de demônios do outro.

No tempo presente, as HUNTR/X estão em ascensão global. Mas Rumi começa a perder a voz — e não é só nervosismo antes do show. É algo mais profundo e mais perigoso.

Enquanto isso, no submundo, o rei demoníaco Gwi-Ma está tentando voltar ao mundo humano. E, para isso, ele cria uma boy band demoníaca: os Saja Boys. Eles roubam fãs, roubam almas e se tornam uma ameaça gigantesca — tanto musical quanto sobrenatural.

A partir daí, o filme vira uma mistura deliciosa de drama, comédia, ação e muito pop.

Tem crises de identidade, tem amizade sendo testada, tem músicas que grudam, tem coreografias de tirar o fôlego, tem romance complicado, tem vilão carismático e tem uma construção de mundo que surpreendeu até quem entrou só esperando um passatempo.

Jinu, Rumi e uma história que pegou todo mundo de surpresa

Se existe um personagem que explodiu de popularidade ao ponto de render milhões de fanarts, esse foi Jinu.

O demônio que não parece tão demônio assim.
O vilão que não é exatamente vilão.
O garoto dividido entre culpa, saudade e esperança.

A relação dele com Rumi é um dos pontos mais comentados do filme. Sem cair em clichês pesados, os dois constroem uma conexão que fala sobre medo, aceitação e a coragem de assumir quem você é — mesmo quando isso dói.

Aliás, “dólar emocional” é algo que o filme usa com maestria. Ele não infantiliza o público. Não suaviza traumas. Não foge dos temas difíceis.

E talvez por isso tenha virado uma febre.

E agora… Oscar?

Entrar na lista de elegíveis não é o mesmo que ser indicado — mas já é metade do caminho. E, sinceramente? É um reconhecimento enorme.

A categoria de Melhor Animação no Oscar tem ficado cada vez mais disputada, especialmente com a força dos animes e com o retorno da Pixar ao holofote. Concorrer com Zootopia 2, Elio, Demon Slayer e Chainsaw Man não será fácil.

Mas Guerreiras do K-Pop tem algo que pesa:
ele virou um fenômeno cultural mundial.
E, no Oscar, isso importa.

A Academia tem reconhecido cada vez mais filmes que dialogam com grandes movimentos sociais, culturais e emocionais. E o longa da Netflix faz tudo isso — com brilho e personalidade.

Crítica – Filho de Mil Homens constrói um mosaico de solidão e identidades em conflito

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A adaptação de O Filho de Mil Homens é um projeto ambicioso que, no entanto, revela irregularidades que comprometem sua força dramatúrgica. O roteiro hesita em assumir plenamente o peso emocional do romance de Valter Hugo Mãe; dispersa energia em desvios, alonga conflitos sem necessidade e, por vezes, sacrifica densidade em troca de contemplação vazia. Ainda assim, o filme encontra potência quando decide encarar de frente aquilo que tem de mais genuíno: as feridas abertas de seus personagens.

A solidão como espinha dorsal do filme

Rodrigo Santoro interpreta Crisóstomo com sobriedade, mas sua performance raramente alcança a complexidade anunciada pela campanha de divulgação. Falta à construção do personagem um mergulho mais visceral em sua angústia, em sua carência quase infantil de pertencer a uma família. Em contraponto, Miguel Martines (Camilo) entrega uma atuação de grande sensibilidade, traduzindo fragilidade sem perder presença. Rebeca Jamir, como Isaura, carrega no corpo as marcas de humilhação, violência e resistência; sua atuação se sobressai justamente por não pedir piedade, mas por expor dignidade ferida. Johnny Massaro compõe Antonino como um espelho doloroso do pavor de existir em um mundo que pune quem escapa da norma — e talvez seja ele quem mais deixa marcas.

Juliana Caldas amplia o espectro emocional do longa. Sua personagem vive uma solidão que não é vazio, mas resultado direto das exclusões sociais e da crueldade que se abatem sobre corpos dissidentes. Ela adiciona uma camada de sensibilidade e verdade que o filme nem sempre consegue sustentar em outras frentes.

A solidão, portanto, não surge como um estado contemplativo, mas como um produto estrutural de abandono, rejeição e traumas que atravessam todos esses personagens.

O desejo de pertencer, mesmo quando dói

O filme ganha fôlego justamente quando aborda o impulso — sempre fraturado — de criar laços. Crisóstomo se agarra ao papel simbólico de pai na tentativa de justificar sua própria existência. Camilo anseia por um afeto que o reconheça para além da carência. Isaura procura um espaço onde sua dignidade não seja continuamente violada. Antonino luta para pertencer primeiro a si mesmo, antes que o mundo o reduza a estereótipos.

O pertencimento, aqui, é sempre inacabado, sempre doloroso. É um gesto de procura que retorna como frustração.

Entre revelar-se e esconder-se

A identidade é tratada como um território instável, moldado por vergonha, desejo, culpa e coragem. O filme encontra grande força nessa tensão: o medo de existir por inteiro se mistura com uma urgência desesperada de ser visto. Essa dualidade, presente em todos os personagens, poderia ser ainda mais explorada, mas funciona como um dos motores mais consistentes da narrativa.

Homofobia, violência sexual e imposições sociais

A obra não se furta a temas contundentes — homofobia, violência sexual, abuso psicológico, intolerância religiosa — que atravessam e moldam as trajetórias dos personagens. Ainda que nem sempre aprofundados como poderiam, esses elementos são apresentados com firmeza suficiente para expor o modo como a sociedade cria e perpetua suas violências. O filme mostra, mais do que discute, como essas marcas se transformam em silêncios e cicatrizes permanentes.

O que permanece?

Permanece a dor, permanece a imagem de personagens que continuam ressoando muito depois do fim da projeção. Permanece também a sensação de que, apesar das irregularidades narrativas e estéticas, o filme captura algo essencial: a tentativa de sobreviver emocionalmente em um mundo onde o afeto é escasso e a hostilidade é regra.

Filho de Mil Homens não atinge todo o alcance que promete, mas, quando acerta, acerta no ponto mais sensível — o lugar onde a vulnerabilidade humana revela sua força mais profunda.

Vale a pena assistir O Bad Boy e Eu? Só se você estiver disposto a encarar um romance adolescente que tropeça no próprio brilho

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Existem filmes que abraçam seus clichês com orgulho. Existem filmes que tentam reinventar fórmulas gastas. E existe O Bad Boy e Eu, que parece não saber em qual dessas categorias quer entrar — e acaba caindo no meio do caminho, com força suficiente para deixar marcas no asfalto.

A produção tenta vender a ideia de um romance jovem com dança, futebol americano e dilemas emocionais. Na prática, entrega algo que lembra um longo comercial de perfume teen: bonito, iluminado, mas completamente vazio.

Uma protagonista esforçada num filme que não se esforça

Dallas Bryan (Siena Agudong) até tenta carregar o longa nas costas. Ela tem disciplina, tem carisma e tem um drama real — honrar a memória da mãe através da dança. Mas todo esse esforço se perde em um roteiro que parece ter sido escrito olhando para uma cartela de “clichês obrigatórios do cinema adolescente”.

Tudo é tão previsível que dá para adivinhar metade das falas antes que elas aconteçam, e a outra metade parece saída de um rascunho de fanfic não revisado.

O “bad boy” que não é bad boy — e o jogo que nunca começa

Drayton (Noah Beck), o quarterback mais mimado da escola, é apresentado como o típico garoto problemático que esconde dores profundas. Na teoria. Porque na prática, o personagem não passa de um pacote de poses: ora vulnerável, ora convencido, ora perdido — mas nunca convincente.

O romance entre os dois nasce tão rápido que parece contrato de namoro com prazo de entrega. Não há química suficiente para sustentar o drama, e o filme, que deveria explorar esse contraste, simplesmente pula as partes onde a relação deveria ser construída. Vai direto ao “estamos apaixonados” como quem avança episódios de uma série entediante.

A direção tenta, mas o roteiro sabota

Justin Wu até ensaia algumas soluções visuais interessantes, especialmente nas cenas de dança. Mas é difícil salvar um filme quando o roteiro de Mary Gulino parece preso a uma lista rígida de cenas obrigatórias:
– o momento “ele olha pra ela no corredor”;
– o treino que dá errado;
– a discussão melodramática no estacionamento;
– o beijo na hora mais conveniente possível.

É como se alguém tivesse apertado um botão de “modo automático”.

Quando a fofura vira constrangimento

Há uma tentativa clara de fazer do filme algo fofo, leve, reconfortante. Só que a falta de naturalidade transforma várias cenas em algo quase… desconfortável. É tudo limpo demais, arrumado demais, ensaiado demais. Parece que nenhum personagem sua, tropeça ou fala algo que uma pessoa real diria.

É o tipo de filmografia que parece viver numa bolha estilizada onde nada realmente importa — nem os conflitos, nem as escolhas, nem o próprio clímax.

James Van Der Beek aparece e… bem, é isso

A participação de James Van Der Beek quase funciona como um lembrete de que existe vida lá fora, no cinema que não tem medo de ser visceral, verdadeiro e imperfeito. Ele faz seu papel, entrega presença, e vai embora — deixando um vazio que o resto do elenco não consegue preencher.

Mas afinal: vale a pena assistir?

Se você gosta de filmes adolescentes que abraçam o clichê com força, talvez encontre aqui algo divertido. O problema é que O Bad Boy e Eu não abraça nada: ele hesita, titubeia, tenta ser profundo e fofo ao mesmo tempo, e acaba não sendo nenhum dos dois.

Para quem busca:

  • química real entre protagonistas,
  • conflitos bem construídos,
  • diálogos naturais,
  • ou qualquer coisa que fuja do óbvio…

…a resposta sincera é: não, não vale a pena assistir.

Mas se o que você quer é apenas deixar o cérebro em modo descanso, aceitar um romance de fórmulas prontas e aproveitar uma ou outra cena bonita de dança, então talvez o filme funcione como passatempo — desses que você esquece cinco minutos depois de terminar.

Sessão da Tarde desta segunda (24) exibe “Mais Que Vencedores”, um drama emocional que abraça o coração

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A segunda-feira ganha um tom diferente quando a televisão decide entregar uma história capaz de aquecer, inspirar e puxar o espectador pela mão logo no começo da tarde. É exatamente isso que acontece amanhã, 24 de novembro, na Sessão da Tarde, com a exibição de “Mais Que Vencedores”, filme cristão de 2019 dirigido por Alex Kendrick (Quarto de Guerra, Desafiando Gigantes). A produção chega como uma pausa necessária no meio da rotina, oferecendo uma narrativa sensível sobre propósito, superação e fé.

De acordo com informações do AdoroCinema, a trama acompanha John Harrison, interpretado pelo próprio Kendrick, um treinador de basquete de uma escola do interior que sempre viveu cercado por quadras cheias, gritos da torcida e sonhos de campeonato. Essa estabilidade vira poeira quando a cidade enfrenta o fechamento de várias empresas, forçando inúmeras famílias a se mudarem. A escola esvazia, o time se desfaz e John se vê sem rumo, tentando entender seu lugar em um cenário que parece desabar diante de seus olhos.

Como se o baque não fosse suficiente, a direção da escola o convoca para treinar a equipe de corrida — que, na verdade, é apenas uma aluna. Hannah Scott, vivida por Aryn Wright-Thompson em seu primeiro grande papel no cinema, é uma adolescente marcada por dúvidas, limitações físicas e cicatrizes emocionais silenciosas. Com asma, autoestima frágil e uma história cheia de perguntas sem resposta, ela enxerga a corrida, a princípio, como mais um desafio que jamais conseguirá vencer. Com o tempo, porém, aquele esporte solitário se revela exatamente o caminho que ela precisava para descobrir quem é e até onde pode ir.

O vínculo entre treinador e atleta nasce aos poucos, quase tímido, mas cresce com intensidade suficiente para transformar profundamente os dois. John, acostumado a medir sua vida pelos placares que conquistou, começa a perceber que propósito não se resume a troféus. Hannah, por sua vez, encontra pela primeira vez alguém que acredita nela de forma genuína e essa crença, persistente e humana, se torna o ponto de virada que sua vida esperava.

O filme constrói esse ambiente acolhedor com pequenas vitórias, crises de fé, conversas decisivas e reencontros que colocam a vida nos trilhos. Não é apenas uma história sobre esporte; é sobre descobrir luz em meio ao caos, sobre entender que os limites nem sempre são barreiras e que, às vezes, as respostas que procuramos estão em lugares inesperados.

O elenco de apoio reforça essa trama emocional. Cameron Arnett (Overcomer, I Still Believe), Priscilla Shirer (Quarto de Guerra, Woodlawn) e Shari Wiedman (Courageous) oferecem densidade aos personagens ao redor de Hannah e John, ajudando o filme a encontrar seu ritmo humano. É o tipo de produção que não depende de grandes efeitos, mas sim da verdade nos olhos dos atores e da força de histórias simples que abraçam o público.

Mesmo com orçamento modesto, estimado em 5 milhões de dólares, o longa-metragem surpreendeu ao ultrapassar a marca de 38 milhões nas bilheterias mundiais. Foi um sucesso que cresceu silenciosamente, impulsionado pelo boca a boca de quem encontrou no longa algo que fez sentido em um dia comum e decidiu compartilhar. Uma vitória que, assim como o próprio filme, nasceu da sinceridade, da fé e da mensagem que permanece muito depois dos créditos finais.

Quem quiser assistir a “Mais Que Vencedores” fora da TV aberta encontra o filme disponível em diferentes plataformas digitais. No streaming por assinatura, ele pode ser visto na Netflix, onde segue como uma opção acessível para quem quer redescobrir a história com tranquilidade. Já no formato VOD, o longa está disponível no Prime Video, com aluguel ou compra a partir de R$ 9,90, ideal para quem prefere ter o título sempre à mão.

Wicked: Parte 2 domina as bilheterias e conquista a maior abertura de 2025 nos Estados Unidos

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A chegada de “Wicked: Parte 2” aos cinemas marcou um daqueles raros momentos em que a expectativa do público encontra o tamanho da produção. Lançado no fim de novembro, o filme estreou como um verdadeiro fenômeno. A sequência dirigida por Jon M. Chu conquistou a maior abertura de 2025 na América do Norte, confirmando que o universo de Oz continua mais vivo do que nunca na imaginação dos fãs.

Nos primeiros dias, o longa arrecadou 68,6 milhões de dólares somando pré-estreias e o dia oficial de lançamento. É um número expressivo para qualquer produção, mas ganha ainda mais relevância ao colocar o filme no topo do ranking do ano. A Variety observou que cerca de 12,6 milhões desse valor veio de sessões antecipadas, realizadas antes da quinta-feira.

Caso essas exibições não fossem incluídas, o título de maior abertura pertenceria a “Um Filme Minecraft”, que somou 57,11 milhões. Mesmo assim, o desempenho de “Wicked: Parte 2” evidencia um apetite muito claro do público por produções grandiosas, musicais épicos e personagens que atravessam gerações.

Um projeto longo, complexo e muito aguardado

A história da produção de “Wicked” para os cinemas começou há mais de uma década. A Universal Pictures e o produtor Marc Platt anunciaram os planos em 2012, porém vários fatores atrasaram o desenvolvimento. Houve mudanças de cronograma, ajustes de roteiro, incertezas criativas e, mais recentemente, a paralisação causada pela pandemia.

A virada veio em 2021, quando Cynthia Erivo e Ariana Grande foram oficialmente confirmadas como protagonistas. A escolha movimentou a internet, renovou o interesse do público e trouxe energia nova para o projeto. O diretor Jon M. Chu, conhecido pela sensibilidade musical e visual, assumiu a responsabilidade de conduzir a adaptação. A decisão de dividir a obra em duas partes surgiu da preocupação em preservar momentos essenciais do musical, respeitando a jornada emocional e política das personagens.

As filmagens ocorreram na Inglaterra entre dezembro de 2022 e janeiro de 2024, com uma pausa durante a greve do SAG-AFTRA em 2023. Foi um processo longo, planejado nos mínimos detalhes, que envolveu cenários elaborados, coreografias complexas e um extenso trabalho de pós-produção.

A estreia e a recepção dividida

Antes de chegar oficialmente aos cinemas, a segunda parte da trama teve uma première especial no Suhai Music Hall, em São Paulo, no início de novembro. A sessão reuniu fãs, influenciadores e críticos, criando um clima de celebração para o lançamento mundial.

O filme estreou no Brasil em 20 de novembro e no dia seguinte nos Estados Unidos. As primeiras avaliações foram mistas. Embora o público tenha abraçado a continuação com entusiasmo, parte da crítica avaliou que o segundo capítulo não alcança a mesma força emocional do anterior. Ainda assim, a escala da produção, os números musicais e a fidelidade ao material original garantem momentos impactantes o suficiente para justificar o projeto ambicioso.

O enredo: uma Oz mais sombria, mais política e mais dividida

A narrativa da continuação aprofunda as consequências dos eventos do primeiro filme. Passaram-se cinco anos desde que Elphaba foi acusada de traição. Agora isolada na floresta, ela se dedica a lutar pelos direitos dos animais, usando sua magia para proteger aqueles que foram silenciados pela tirania do Mágico.

Glinda, por sua vez, está em uma posição completamente diferente. Nomeada porta-voz oficial do governo, ela se vê presa entre o dever e a consciência. O noivado com Fiyero reforça sua imagem pública, mas também acentua seu conflito interno. Glinda tenta acreditar que está fazendo o correto, mesmo quando tudo ao redor parece se desfazer.

As tensões aumentam quando Elphaba visita sua irmã, Nessarose, governante de Munchkinland. A visita desencadeia uma série de acontecimentos que revelam feridas antigas e criam novas perdas. O caso do jovem Boq, transformado em Homem de Lata após uma tentativa de magia que deu errado, ilustra o quão frágeis e perigosas são as relações dentro da família e do reino.

Quando um tornado atinge Oz e traz Dorothy Gale para o centro dos conflitos, a história entra em sua fase mais dramática. A morte de Nessarose leva Elphaba a enfrentar Glinda, e as duas se veem à beira de uma ruptura definitiva. É um momento que mistura dor, arrependimento e desilusão.

A força da amizade e o peso de se posicionar

A segunda metade do filme intensifica o embate entre as personagens, mas também ilumina os vínculos que as conectam. Elphaba, cansada de ser alvo de ódio, decide se entregar para proteger Glinda. A cena em que as duas se despedem é um dos pontos mais sensíveis da narrativa e reforça que, apesar de caminhos diferentes, a amizade delas continua sendo o coração da história.

O Mágico enfrenta sua própria verdade quando descobre que é o pai biológico de Elphaba. A revelação o desestabiliza, levando-o a abandonar Oz. Glinda assume o controle político do reino, revisa leis e reorganiza o governo, procurando honrar o legado da amiga.

Enquanto isso, Elphaba e Fiyero, agora transformado em espantalho, planejam uma fuga silenciosa. A falsa morte da protagonista é o único caminho para que ela consiga sobreviver e desaparecer de vez do imaginário coletivo de Oz. O casal deixa o reino às sombras, caminhando para um futuro incerto, mas juntos.

Um elenco afinado e mais maduro

Ariana Grande e Cynthia Erivo entregam interpretações emocionalmente mais densas do que na primeira parte. Seus duetos e confrontos dramáticos dão vida ao conflito central, que não é apenas mágico, mas humano.

Michelle Yeoh se destaca com uma presença forte e ameaçadora como Morrible. Jeff Goldblum traz um Mágico mais vulnerável, enquanto Jonathan Bailey exibe um Fiyero dividido entre dever e paixão. Ethan Slater, Marissa Bode, Bowen Yang e Bronwyn James completam o elenco com papéis que ampliam a dimensão política e afetiva da trama.

Jon M. Chu aproveita cada música, cenário e movimento de câmera para construir um espetáculo visual que conversa com a linguagem teatral da Broadway, mas sem abrir mão da grandiosidade cinematográfica.

Domingo Maior de hoje (23) exibe “Infiltrado na Klan”: O suspense poderoso de Spike Lee sobre racismo e resistência

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Foto: Reprodução/ Internet

O Domingo Maior de hoje, 23 de novembro, aposta em um dos filmes mais impactantes da última década: “Infiltrado na Klan” (BlacKkKlansman), dirigido por Spike Lee (Faça a Coisa Certa, Céus e Infernos, O Plano Perfeito). Misturando tensão, humor ácido e um senso de urgência política, o longa resgata uma história real que parece dialogar diretamente com o presente, mesmo ambientada nos anos 1970.

A produção acompanha Ron Stallworth, interpretado por John David Washington, um jovem policial negro do Colorado que tomou uma decisão ousada e quase impensável para a época. Em 1978, ele conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan, uma das organizações supremacistas brancas mais violentas dos Estados Unidos. A investigação começou por telefone, onde Ron fingia ser um homem branco e simpatizante dos ideais racistas do grupo. À medida que a operação avançava, outro policial (branco) precisava aparecer pessoalmente nas reuniões para manter a farsa. (Via: AdoroCinema)

O resultado foi uma parceria improvável, tensa e ao mesmo tempo brilhantemente construída, principalmente por causa da atuação de Adam Driver, que vive o policial que se passa por Ron nos encontros presenciais com os membros da Klan. A operação secreta durou meses e expôs planos de ataques, linchamentos e crimes de ódio organizados pela seita. Para além do suspense policial, Spike Lee transforma a história numa crítica direta ao racismo estrutural, mostrando como discursos de ódio se espalham, encontram espaços e se disfarçam ao longo das décadas.

Um filme que mistura indignação, humor e esperança

“Infiltrado na Klan” não é apenas sobre a investigação. É também sobre o peso emocional de ser um homem negro enfrentando um sistema que muitas vezes tenta silenciar, apagar ou intimidar. Spike Lee equilibra momentos de ironia e sátira com cenas duras, sem medo de provocar o espectador.

A narrativa vibra justamente por saber rir do absurdo que atravessa a história como quando Ron liga para o líder da Klan, interpretado por Topher Grace, e é recebido com entusiasmo, mesmo descrevendo preconceitos abertamente racistas.

Ao mesmo tempo, o filme respira através de personagens como Patrice (Laura Harrier), que levanta discussões sobre identidade, resistência e ativismo negro num período de profundas tensões sociais nos EUA.

Elenco comprometido e direção afiada

O elenco do filme atua com uma entrega que dá corpo e verdade à história. John David Washington (“Tenet”, “Malcolm & Marie”, série “Ballers”) interpreta Ron Stallworth com firmeza, carisma e nuances que revelam tanto a coragem quanto a vulnerabilidade do personagem. Adam Driver (“História de um Casamento”, “Paterson”, franquia “Star Wars”) dá vida a Flip Zimmerman mergulhando no conflito identitário de um policial judeu infiltrado em um grupo supremacista, trazendo tensão e sensibilidade à narrativa.

Laura Harrier (“Homem-Aranha: De Volta ao Lar”) ilumina a história com presença marcante, enquanto Topher Grace (“That ‘70s Show”, “Homem-Aranha 3”), Ryan Eggold (“The Blacklist”, “New Amsterdam”) e Jasper Pääkkönen (“Vikings”, “O Atentado ao Hotel Taj Mahal”) completam o time com atuações que reforçam a força política, emocional e crítica do filme.

Na versão exibida na TV, a dublagem brasileira com Marcelo Campos, Alfredo Rollo, Samira Fernandes e Felipe Zilse mantém a força das interpretações originais, reforçando a intensidade e a humanidade que o longa pede.

Um sucesso de crítica, bilheteria e relevância

Lançado em 2018, o filme arrecadou mais de US$ 89 milhões em todo o mundo, contra um orçamento de US$ 15 milhões, um ótimo desempenho para um filme de forte teor político. Nos Estados Unidos, estreou com US$ 10,8 milhões e garantiu a Spike Lee seu melhor fim de semana de abertura desde Plano Perfeito (2006). A produção também ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, marcando um dos momentos mais celebrados da carreira do diretor.

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