Saiba qual filme vai passar no Corujão desta quinta, 8 de janeiro, na TV Globo

A Globo leva ao ar no Corujão desta quinta-feira, 8 de janeiro de 2026, o longa-metragem brasileiro “45 do Segundo Tempo”, um drama sensível que mistura amizade, memórias, futebol e reflexões profundas sobre a vida, o tempo e as escolhas que fazemos ao longo do caminho.

Na trama, Pedro, vivido por Tony Ramos, decide reencontrar dois grandes amigos do colégio após quatro décadas de afastamento. Ivan (Cássio Gabus Mendes) e Mariano (Ary França) se juntam a ele para recriar uma foto tirada em 1974, durante a inauguração do metrô de São Paulo. O que começa como um reencontro nostálgico logo se transforma em uma longa conversa sobre envelhecimento, frustrações, sonhos não realizados e os rumos que cada um seguiu. (Via: AdoroCinema)

Durante esse encontro carregado de lembranças e emoções, Pedro faz uma revelação inesperada: ele decidiu tirar a própria vida. No entanto, antes disso, impõe a si mesmo um último desejo — ver seu time do coração finalmente conquistar um título. A partir daí, o filme constrói uma narrativa delicada e humana, equilibrando momentos de melancolia, afeto e até humor, enquanto os personagens tentam lidar com a gravidade da situação.

Dirigido por Luiz Villaça, “45 do Segundo Tempo” se destaca pela abordagem sensível de temas como saúde mental, amizade masculina e o medo de envelhecer, sem recorrer a exageros ou discursos fáceis. O futebol surge como metáfora da esperança e da espera, funcionando como um fio emocional que conecta o passado, o presente e o futuro desses homens.

Além do trio principal, o elenco conta ainda com Denise Fraga e Louise Cardoso, que enriquecem a narrativa com personagens que ajudam a ampliar o olhar sobre as relações e os afetos que cercam Pedro.

O filme é uma produção da Bossa Nova Filmes, em coprodução com Globo Filmes, Telecine e SPcine. O projeto começou a ser desenvolvido no primeiro semestre de 2018 e marcou o retorno de Tony Ramos ao cinema como protagonista, após uma longa trajetória de sucesso na televisão. As gravações aconteceram na cidade de São Paulo, cenário que dialoga diretamente com a memória e a identidade dos personagens.

O cartaz e o trailer foram divulgados em 19 de julho de 2021, data escolhida estrategicamente por marcar o Dia Nacional do Futebol, reforçando a ligação emocional do protagonista com o esporte. A estreia nos cinemas brasileiros ocorreu em 12 de maio de 2022, com distribuição da Paris Filmes e Downtown Filmes.

Saiba qual filme vai passar na Temperatura Máxima deste domingo, 18 de janeiro, na Globo

Foto: Reprodução/ Internet

Neste domingo, 18 de janeiro, a Temperatura Máxima da TV Globo traz para os telespectadores o spin-off de uma das franquias de ação mais populares do cinema: Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw. Dirigido por David Leitch, conhecido por seu trabalho em Deadpool 2, e escrito por Chris Morgan, o filme é uma expansão da saga The Fast and the Furious, destacando dois personagens que conquistaram fãs ao longo de vários filmes: Luke Hobbs, interpretado por Dwayne Johnson, e Deckard Shaw, interpretado por Jason Statham.

A narrativa acompanha a improvável aliança entre Hobbs e Shaw. Desde o primeiro encontro, os dois estiveram em lados opostos, com personalidades completamente diferentes e uma relação marcada por rivalidade e desconfiança. No entanto, o mundo enfrenta uma ameaça maior do que qualquer briga pessoal: Brixton, interpretado por Idris Elba, um homem geneticamente modificado, possui um vírus mortal e planeja espalhá-lo para matar milhões de pessoas, justificando seu ato como um passo necessário para a evolução da humanidade. Para impedir que essa catástrofe aconteça, Hobbs e Shaw precisam colocar de lado suas diferenças e trabalhar em equipe. Ao lado deles está Hattie Shaw, irmã de Deckard e agente do MI6, que oferece inteligência, habilidade e estratégia para a missão.

O filme mistura ação intensa, humor e cenas de tirar o fôlego, mantendo a essência da franquia que conquistou milhões de fãs ao redor do mundo. A química entre Johnson e Statham é um dos pontos altos da produção, criando momentos cômicos e tensos que equilibram a adrenalina das perseguições e lutas espetaculares. O elenco ainda conta com Vanessa Kirby, Helen Mirren e Eiza González, que acrescentam camadas de emoção e complexidade às cenas, tornando o filme mais que uma sequência de explosões e acrobacias.

Hobbs & Shaw é também conhecido por sua dublagem no Brasil, com vozes de Armando Tiraboschi, Flavia Fontenelle, Guilherme Briggs, Luísa Viotti, Mariangela Cantú e Ronaldo Júlio, garantindo que o público brasileiro possa aproveitar toda a intensidade das cenas sem perder a emoção original do filme.

O longa teve sua pré-estreia no Dolby Theatre, em Hollywood, no dia 13 de julho de 2019, e estreou oficialmente no Brasil e em Portugal em 1º de agosto de 2019. Nos Estados Unidos, a estreia ocorreu no dia 2 de agosto, nos formatos convencional, Dolby Cinema e IMAX. O filme rapidamente se tornou um sucesso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 760 milhões em todo o mundo. Esse desempenho consolidou Hobbs & Shaw como um dos spin-offs mais bem-sucedidos da franquia Velozes e Furiosos, mostrando que a combinação de ação, humor e química entre protagonistas pode conquistar públicos de diferentes idades e nacionalidades.

A ideia de criar um spin-off centrado em Hobbs e Shaw surgiu em 2015, quando Vin Diesel anunciou que a franquia The Fast and the Furious estava considerando expandir o universo com histórias focadas em personagens específicos. Em outubro de 2017, a Universal Pictures confirmou oficialmente o projeto, e Chris Morgan retornou como roteirista. Durante o processo de pré-produção, nomes como Shane Black foram cogitados para dirigir o filme, mas em fevereiro de 2018, David Leitch entrou em negociações e foi confirmado no cargo em abril. Ao longo desse período, a equipe de produção trabalhou para garantir que o filme mantivesse a identidade da franquia, mas explorasse novas possibilidades narrativas e visuais.

As filmagens começaram em 10 de setembro de 2018, em Londres, Inglaterra. Dwayne Johnson se juntou à produção algumas semanas depois, em 24 de setembro, após concluir suas gravações em Jungle Cruise. Para criar a atmosfera de Londres, algumas cenas foram filmadas em Glasgow, recriando ruas e edifícios históricos, enquanto outras sequências de ação foram gravadas na Usina Elétrica Eggborough, em North Yorkshire. Essa escolha de locações contribuiu para dar ao filme uma estética realista e épica, com cenários que reforçam a grandiosidade das cenas de perseguição e combate.

O roteiro de Chris Morgan explora temas que vão além da simples ação. A relação entre Hobbs e Shaw é o coração emocional do filme, mostrando como a rivalidade pode se transformar em parceria quando há um objetivo maior. Ao mesmo tempo, a história levanta questões sobre ética e responsabilidade, já que os protagonistas precisam lidar com um inimigo que representa uma ameaça global e uma visão distorcida do futuro da humanidade.

Além das cenas de ação, o filme também investe em momentos de humor e interação entre personagens. A dinâmica entre Hobbs e Shaw, que passa de hostilidade a colaboração forçada, cria situações cômicas que aliviam a tensão, mas sem comprometer o ritmo acelerado da narrativa. A participação de Hattie Shaw adiciona ainda mais complexidade à trama, mostrando que, mesmo em um mundo dominado por ação e violência, a inteligência, estratégia e coragem feminina são fundamentais.

A produção de Hobbs & Shaw também se destacou pelo cuidado técnico. A direção de David Leitch garantiu sequências de ação fluidas e inovadoras, enquanto o design de produção, coreografias de luta e efeitos visuais contribuíram para criar um filme que combina realismo com espetáculo cinematográfico. Cada perseguição, explosão ou combate foi cuidadosamente planejado para manter a tensão constante e envolver o público do início ao fim.

Descubra qual filme vai passar na Sessão da Tarde desta quarta-feira (21) na TV Globo

A Sessão da Tarde desta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, aposta em uma história tocante para conquistar o público da TV Globo. O filme escolhido é “A Vida em Um Ano”, um drama romântico que fala sobre juventude, escolhas difíceis e a urgência de viver intensamente quando o tempo se torna um bem precioso.

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, o longa acompanha Daryn, um jovem atleta promissor do colégio, inteligente, focado e com um futuro aparentemente bem definido. Sua vida muda completamente quando ele conhece Isabelle, uma garota de espírito livre, enigmática e dona de uma visão única sobre o mundo. O romance entre os dois nasce de forma espontânea, mas logo é atravessado por uma revelação devastadora: Isabelle sofre de uma doença grave e pode não ter muito tempo de vida.

Diante dessa realidade, Daryn decide abandonar planos rígidos e expectativas externas para se dedicar totalmente a Isabelle. Seu objetivo é ousado e profundamente romântico: fazer com que ela viva, em apenas um ano, experiências suficientes para equivaler a uma vida inteira. A partir dessa decisão, o filme se transforma em uma jornada emocional que mistura amor, amadurecimento e a dor de aceitar aquilo que não pode ser controlado.

O protagonista é interpretado por Jaden Smith (À Procura da Felicidade, Depois da Terra), que entrega um personagem sensível, dividido entre a responsabilidade com o futuro e o desejo de viver o presente ao máximo. Já Isabelle ganha vida na atuação de Cara Delevingne (Esquadrão Suicida, Cidades de Papel), que constrói uma personagem intensa, doce e ao mesmo tempo marcada por uma melancolia silenciosa, resultado de quem já convive com a ideia da despedida.

O elenco de apoio reforça a carga dramática do filme com atuações sólidas e conhecidas do público. Nia Long (As Panteras, Boyz n the Hood) interpreta a mãe de Daryn, trazendo para a história o olhar de quem tenta proteger o filho mesmo sem compreender totalmente suas escolhas. Cuba Gooding Jr. (Jerry Maguire, Homens de Honra) aparece em um papel que adiciona maturidade e experiência emocional ao enredo. O elenco ainda conta com RZA (O Homem com Punhos de Ferro, Californication), Alex Minei (The Affair) e Kandy Kathy Ricci (Power), que ajudam a construir o universo emocional ao redor do casal.

A direção é assinada por Mitja Okorn (Cartas para Julieta, Plano Imperfeito), que conduz a narrativa com um olhar sensível e acessível, equilibrando momentos de leveza juvenil com cenas mais densas e reflexivas. O roteiro foi escrito por Jeffrey Addiss e Will Matthews, dupla conhecida por trabalhos que exploram emoções intensas e relações humanas complexas. A produção executiva ficou sob responsabilidade de Will Smith (Um Maluco no Pedaço, Eu Sou a Lenda) e Jada Pinkett Smith (Matrix Reloaded, Girls Trip), por meio da produtora Overbrook Entertainment.

O projeto começou a tomar forma em março de 2017, quando Jaden Smith e Cara Delevingne foram anunciados como protagonistas. Nos meses seguintes, o elenco foi sendo ampliado com nomes de peso, consolidando a produção. O filme teve seu lançamento oficial em 27 de novembro de 2020, distribuído pela Amazon Studios, e desde então passou a alcançar novos públicos por meio da televisão aberta.

Adeus à voz de Majin Boo! Morre Kozo Shioya, ícone da dublagem japonesa de Dragon Ball Z, aos 71 anos

O mundo dos animes amanheceu mais silencioso nesta semana. Kozo Shioya, um dos dubladores mais reconhecidos da indústria japonesa, faleceu aos 71 anos, vítima de uma hemorragia cerebral sofrida no último dia 20 de janeiro, conforme comunicado divulgado pela agência responsável por sua carreira. A notícia causou forte comoção entre fãs de animação, colegas de profissão e admiradores de seu trabalho, especialmente aqueles que cresceram acompanhando Dragon Ball Z, série na qual Shioya eternizou sua voz ao interpretar o icônico Majin Boo.

Mais do que um dublador, Kozo Shioya foi parte fundamental da memória afetiva de milhões de pessoas ao redor do mundo. Sua voz ajudou a construir personagens marcantes, capazes de provocar riso, medo e empatia em igual medida. Com uma carreira extensa e respeitada, ele deixa um legado que atravessa gerações e permanece vivo em obras que seguem sendo revisitadas até hoje.

A voz por trás de um dos vilões mais emblemáticos de Dragon Ball Z

Para o grande público, Kozo Shioya será sempre lembrado como a voz japonesa de Majin Boo, um dos antagonistas mais complexos e memoráveis de Dragon Ball Z. Introduzido na fase final do anime, o personagem surpreendeu por fugir do padrão clássico de vilão puramente maligno. Boo era imprevisível, infantil, assustador e, ao mesmo tempo, estranhamente carismático.

Grande parte desse impacto se deve à interpretação vocal de Shioya. Com variações sutis de tom, ele conseguiu transmitir a dualidade do personagem — ora ameaçador e destrutivo, ora ingênuo e quase cômico. Sua atuação foi essencial para transformar Majin Boo em um dos personagens mais lembrados e debatidos da franquia, especialmente por sua evolução ao longo da saga.

Além de Majin Boo, Shioya também participou do universo Dragon Ball ao dar voz a Totapo, um dos companheiros de Bardock, no especial “Dragon Ball Z: Bardock – O Pai de Goku”, lançado em 1990. Mesmo em participações menores, sua presença vocal era marcante e reconhecível.

Uma carreira sólida além de Dragon Ball

Embora Dragon Ball Z tenha sido o trabalho mais popular de sua trajetória, Kozo Shioya construiu uma carreira diversa e respeitada, atuando em diferentes séries, filmes e franquias ao longo das décadas.

Em 1988, ele dublou Abura Sumashi na série Gegege no Kitaro: Jigoku Hen, uma produção clássica do folclore japonês que reforçou sua versatilidade como ator de voz. Anos mais tarde, em 2017, emprestou sua voz ao Dr. Sewashi no filme Mazinger Z: Infinity, produção que celebrou o legado de uma das franquias mais importantes da história dos animes.

Shioya também deixou sua marca em One Piece, outra obra de enorme relevância cultural, ao interpretar o personagem Genzo. A participação em uma franquia tão duradoura e popular reforça o prestígio do dublador dentro da indústria e sua capacidade de se adaptar a universos narrativos distintos.

Ao longo da carreira, Kozo Shioya se destacou pela habilidade de interpretar personagens excêntricos, intensos e emocionalmente complexos — um talento que o tornou presença frequente em produções de grande alcance.

Dragon Ball Z: um fenômeno que atravessa gerações

A morte de Kozo Shioya reacende a lembrança da importância cultural de Dragon Ball Z, série que se tornou um dos maiores fenômenos da animação japonesa no mundo. Produzida pela Toei Animation e baseada no mangá de Akira Toriyama, Dragon Ball Z corresponde aos volumes 17 ao 42 da obra original, publicados entre 1988 e 1995 na revista Weekly Shonen Jump.

O anime estreou no Japão em 26 de abril de 1989, pela Fuji TV, e foi exibido até 31 de janeiro de 1996, totalizando 291 episódios. Ao longo desse período, a série expandiu de forma significativa o universo criado em Dragon Ball, adotando um tom mais sério, com batalhas longas, maior carga dramática e conflitos que iam além do humor predominante na fase inicial da franquia.

Dragon Ball Z foi exibido em mais de 80 países, incluindo Brasil, Estados Unidos, Austrália, Índia e grande parte da Europa, tornando-se um verdadeiro ícone global da cultura pop. Para muitos fãs, foi o primeiro contato com animes japoneses, abrindo caminho para a popularização do gênero fora do Japão.

A mudança de rumo que criou Dragon Ball Z

O nascimento de Dragon Ball Z não foi apenas uma continuação natural da série original. Segundo relatos da produção, Kazuhiko Torishima, editor de Akira Toriyama em Dr. Slump e Dragon Ball, percebeu que a audiência do anime começava a cair. A imagem excessivamente infantil e cômica da série passou a ser vista como um obstáculo para seu crescimento.

Inspirado pelo sucesso de Saint Seiya, Torishima pediu mudanças estruturais na produção. A ideia era “reiniciar” Dragon Ball com um novo tom, mais sério e voltado para ação, coincidindo com o amadurecimento de Goku. O resultado foi a criação de Dragon Ball Z, uma série que apostou em confrontos épicos, vilões mais ameaçadores e uma narrativa mais intensa.

O próprio título foi escolhido por Akira Toriyama, que explicou que a letra “Z”, última do alfabeto, simbolizava sua intenção de encerrar a história. Curiosamente, outras opções chegaram a ser cogitadas, como Dragon Ball 2, New Dragon Ball e até Dragon Ball: Gohan Big Adventure, refletindo debates internos sobre o rumo da franquia.

Descubra qual filme a TV Globo vai exibir na Sessão da Tarde desta quinta-feira, 29 de janeiro!

A Sessão da Tarde desta quinta-feira, 29 de janeiro, traz à tela da TV Globo o drama “O Livro do Amor”, um filme sensível que mistura luto, amizade improvável e a reconstrução emocional após grandes perdas. A produção aposta em uma narrativa delicada para falar sobre recomeços e sobre como conexões inesperadas podem mudar completamente o rumo de uma vida.

Na história, acompanhamos Henry, vivido por Jason Sudeikis, um arquiteto introspectivo e reservado que vê sua rotina desmoronar após a morte trágica da esposa Penny (Jessica Biel) em um acidente de trânsito. Antes cheia de planos, a vida de Henry passa a ser marcada pelo silêncio, pela culpa e pela dificuldade de seguir em frente sem a pessoa que dava sentido aos seus dias.

É nesse momento de fragilidade que ele conhece Millie, interpretada por Maisie Williams, uma adolescente sem-teto, rebelde e determinada, que carrega seus próprios traumas e cicatrizes. Millie tem um sonho improvável: construir uma jangada para atravessar o Oceano Atlântico. O encontro entre os dois, aparentemente tão diferentes, cria uma relação marcada por estranhamento inicial, mas que aos poucos se transforma em cumplicidade e apoio mútuo.

Ao ajudar Millie em seu projeto, Henry acaba encontrando algo que havia perdido após a morte da esposa: um propósito. A construção da jangada deixa de ser apenas uma tarefa prática e se transforma em um processo simbólico de cura, no qual ambos aprendem a lidar com a dor, o abandono e a necessidade de acreditar novamente no futuro.

Dirigido por Bill Purple, O Livro do Amor se destaca por sua abordagem intimista, focando mais nos sentimentos e nas relações humanas do que em grandes acontecimentos. O filme aposta em diálogos simples, atuações contidas e uma trilha sonora sensível para conduzir o espectador por essa jornada emocional.

O elenco conta ainda com nomes como Mary Steenburgen e Orlando Jones, que complementam a narrativa com personagens que ajudam a expandir o universo emocional da trama. Nos bastidores, o projeto chama atenção por ter Jessica Biel também como produtora, além de contar com a participação de Justin Timberlake como compositor e supervisor musical, contribuindo para a atmosfera melancólica e acolhedora do longa.

A produção teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Tribeca, em abril de 2016, e passou por outros festivais importantes antes de chegar oficialmente aos cinemas em janeiro de 2017. Desde então, o filme conquistou um público fiel, especialmente entre aqueles que apreciam histórias mais introspectivas e emotivas.

Sessão da Tarde desta segunda (2) leva aventura e nostalgia à tela com Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal

A Sessão da Tarde desta segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026, promete levar o público a uma viagem repleta de mistério, ação e nostalgia. A TV Globo exibe “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal”, quarto capítulo da icônica franquia estrelada por Harrison Ford, que marcou gerações ao transformar arqueologia em sinônimo de aventura cinematográfica. Lançado originalmente em 2008, o filme representa o retorno do personagem aos cinemas após quase duas décadas de ausência, reacendendo a chama de um herói que atravessou décadas sem perder o charme.

Dirigido por Steven Spielberg, com argumento e produção de George Lucas, o longa mantém a essência clássica da saga, mas atualiza o tom ao inserir a história no contexto da Guerra Fria, período de tensões políticas, paranoia nuclear e disputa ideológica entre Estados Unidos e União Soviética. É nesse cenário que Indiana Jones, agora mais experiente e marcado pelo tempo, se vê envolvido em uma nova e perigosa jornada, desta vez contra agentes soviéticos dispostos a tudo para conquistar um artefato de poder inimaginável.

A trama começa em 1957, quando Indiana e seu antigo parceiro George “Mac” McHale são sequestrados por soviéticos liderados pela implacável Irina Spalko, vivida por Cate Blanchett em uma atuação fria e calculista. O objetivo do grupo é usar o conhecimento de Indy para localizar uma misteriosa caixa guardada em um armazém secreto do governo americano, ligada a um suposto evento extraterrestre ocorrido em Roswell. A sequência inicial já deixa claro o tom do filme: misturando conspiração, ficção científica e o espírito aventureiro que consagrou a franquia.

Após escapar de uma emboscada e sobreviver a uma explosão nuclear em uma das cenas mais comentadas do filme, Indiana passa a ser investigado pelo FBI, o que o afasta temporariamente de sua carreira acadêmica. É nesse momento que surge Mutt Williams (interpretado por Shia LaBeouf), um jovem rebelde que o envolve em uma nova missão: encontrar o professor Harold Oxley, desaparecido após descobrir uma lendária caveira de cristal no Brasil. Segundo antigas lendas, o artefato pertence à mítica cidade de Akator e concede poderes sobrenaturais àqueles que o devolverem ao seu local de origem.

A busca leva Indiana e Mutt ao Peru, passando pelas famosas Linhas de Nasca, por sanatórios abandonados e pela selva amazônica, onde o filme assume um ritmo de aventura clássica, com perseguições, armadilhas e enigmas históricos. Aos poucos, a jornada ganha um tom mais pessoal quando surge Marion Ravenwood (Karen Allen), antigo amor de Indiana, cuja presença não apenas reacende sentimentos do passado, mas também revela um segredo que muda para sempre a vida do arqueólogo: Mutt é seu filho.

Esse aspecto emocional é um dos diferenciais de “O Reino da Caveira de Cristal”. Ao invés de apenas repetir a fórmula de ação, o filme explora o envelhecimento do herói, suas perdas e a ideia de legado. Harrison Ford entrega um Indiana Jones mais humano, irônico e consciente de seus limites, sem jamais abandonar a coragem que o tornou lendário. A química entre Ford e Karen Allen é outro ponto alto, trazendo de volta a dinâmica espirituosa que conquistou o público em “Os Caçadores da Arca Perdida”.

No campo dos antagonistas, Cate Blanchett se destaca como Irina Spalko, uma vilã que foge do estereótipo tradicional ao unir inteligência, frieza e obsessão pelo conhecimento absoluto. Sua crença de que a caveira de cristal é um artefato interdimensional capaz de garantir supremacia psíquica aos soviéticos conduz o filme a um desfecho que mistura mitologia, ciência e ficção científica, homenageando os chamados filmes B dos anos 1950.

Visualmente, o longa aposta em grandes cenários e efeitos especiais, o que gerou debates na época do lançamento. Embora parte da crítica tenha apontado o uso excessivo de CGI, muitos elogios recaíram sobre as sequências de ação, o figurino e, principalmente, a trilha sonora inconfundível de John Williams, que reforça a identidade épica da saga. Financeiramente, o filme foi um sucesso absoluto: arrecadou mais de 786 milhões de dólares em todo o mundo, tornando-se, à época, o maior êxito comercial da franquia sem ajuste por inflação.

No Brasil, “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” também teve forte impacto, atraindo centenas de milhares de espectadores aos cinemas e consolidando-se como um dos grandes lançamentos de 2008. Sua exibição na Sessão da Tarde reacende a memória afetiva de quem acompanhou a saga ao longo dos anos e apresenta o personagem a novas gerações, que talvez nunca tenham visto Indiana Jones em ação na televisão aberta.

Curta brasileiro ‘FrutaFizz’ ganha destaque internacional no Festival de Clermont-Ferrand, na França

O curta-metragem brasileiro FrutaFizz segue em exibição no Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand, na França, consolidando-se como um dos principais representantes do cinema nacional no cenário internacional em 2026. Considerado o maior festival de cinema do mundo dedicado exclusivamente a curtas-metragens e o segundo maior evento cinematográfico francês, atrás apenas do Festival de Cannes, Clermont-Ferrand reúne anualmente produções de diversos países e atrai olhares atentos de críticos, programadores e profissionais da indústria audiovisual.

Dirigido por Kauan Okuma Bueno, FrutaFizz integra a competição internacional do festival, feito conquistado por apenas 62 obras selecionadas entre 8.900 filmes inscritos nesta edição. A estreia internacional do curta aconteceu no dia 31 de janeiro, e o filme permanece em cartaz com oito sessões programadas até o próximo sábado, dia 7, ampliando seu alcance junto ao público estrangeiro e ao mercado cinematográfico global.

A presença do filme no festival reforça o momento de visibilidade do cinema brasileiro, que volta a ocupar espaços de destaque em grandes eventos internacionais. Kauan Okuma Bueno acompanha a programação presencialmente na França, com viagem viabilizada pelo Kinoforum, em parceria com o Instituto Guimarães Rosa, instituições fundamentais no incentivo à circulação internacional de produções nacionais.

Para o diretor, a seleção já representa uma conquista simbólica e afetiva. Segundo ele, FrutaFizz nasce de um processo profundamente ligado à memória e à experiência coletiva da equipe. “Toda história contada é um resgate a partir da memória de alguém. Me sinto extremamente privilegiado pela oportunidade do nosso filme ter sua estreia internacional em um festival tão importante como Clermont-Ferrand. Saber que pessoas de todo o mundo vão poder assistir ao nosso filme simboliza não apenas apresentar um recorte da cultura brasileira, mas também levar junto uma equipe inteira que ofereceu um pouco da própria memória para fabular este filme”, afirma Kauan.

A narrativa acompanha Mauro, personagem vivido pelo ator Renato Novaes, que embarca em uma jornada introspectiva em busca de suas raízes e lembranças de infância. Convencido de que sua história está ligada à cidade de Gonçalves, em Minas Gerais, Mauro revisita lugares marcantes de seu passado ao lado de João, um colega de trabalho. Ao longo do percurso, o filme constrói um delicado jogo entre o que é lembrança real e aquilo que foi reconstruído pelo tempo, pela emoção e pelas lacunas da memória.

O curta propõe uma reflexão sensível sobre identidade, pertencimento e o modo como as memórias pessoais são moldadas — tanto por experiências verdadeiras quanto por invenções involuntárias. Essa abordagem intimista é um dos elementos que tem chamado a atenção do público e da crítica, especialmente em um festival conhecido por valorizar narrativas autorais e propostas estéticas singulares.

Para Renato Novaes, interpretar Mauro foi uma experiência marcada pelo cuidado coletivo envolvido na produção. “O filme é uma jornada emocionante pelas memórias mais queridas de Mauro, o personagem que tive o prazer de interpretar. Foi um processo criativo marcado por carinho, atenção e acolhimento por parte de toda a equipe, em especial do diretor, resultando em uma experiência verdadeiramente incrível”, comenta o ator.

Outro destaque de FrutaFizz está no encontro entre diferentes gerações, tanto diante quanto atrás das câmeras. O elenco reúne o ator Alvim Silva e Tia Neide, que faz sua estreia no cinema aos 83 anos, reforçando a proposta do filme de dialogar com o tempo, a memória e a vivência acumulada. Essa diversidade geracional contribui para a riqueza emocional da obra e para a autenticidade das relações apresentadas em cena.

Na equipe técnica, a produção também se beneficia da experiência de grandes nomes do cinema nacional. A direção de fotografia é assinada por Rodolfo Sanchéz, veterano consagrado e responsável por clássicos como Pixote – A Lei do Mais Fraco (1979) e O Beijo da Mulher-Aranha (1983). Aos 81 anos, Sanchéz imprime maturidade e rigor estético ao curta, em diálogo direto com o olhar contemporâneo e sensível de Kauan Okuma Bueno.

“Trabalhar com o Kauan foi um exercício revigorante. Unir a minha trajetória na fotografia com esse novo olhar e o frescor da direção dele permitiu criar uma estética que equilibra maturidade e inovação de uma forma muito especial”, destaca o diretor de fotografia.

Antes de chegar a Clermont-Ferrand, FrutaFizz já havia sido amplamente reconhecido no Brasil. O curta venceu o prêmio de Melhor Curta-Metragem Brasileiro no 54º Festival de Cinema de Gramado, no Rio Grande do Sul, e também conquistou o Melhor Curta de Ficção pelo Voto Popular no Festival Curta Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, consolidando sua trajetória de sucesso no circuito nacional.

O filme é uma realização da Livre Cine Produções, com produção associada da Digital 35, Cinecidade Locações, SpecLight, DOT Cine e Mark II Audio Crew, além de produção executiva de Josmar Bueno Junior e Adriana Okuma. FrutaFizz foi viabilizado por meio da Lei de Incentivo PROAC, do Governo de São Paulo, através da Secretaria Estadual de Cultura (CultSP), contando com patrocínio da West Cargo e apoio de diversas instituições culturais e empresas parceiras.

Resenha – Os Quadros de Elisa usa o suspense para expor o que a sociedade ainda prefere não enxergar

Os Quadros de Elisa é um daqueles livros que começam com a promessa de entretenimento, mas rapidamente deixam claro que não estão interessados apenas em distrair. Embora se apresente como um suspense investigativo, a obra aposta em algo mais incômodo: usar o mistério como espelho de um problema estrutural que segue sendo relativizado, ignorado ou mal interpretado — a violência contra a mulher.

O crime que atravessa a vida das irmãs Alice e Elisa funciona menos como um quebra-cabeça policial e mais como um ponto de ruptura. A partir dele, o livro constrói uma narrativa que questiona diretamente a forma como julgamos vítimas, suspeitos e histórias mal contadas. Não há conforto aqui. O leitor é constantemente empurrado para fora da posição passiva, sendo convidado a rever suas próprias certezas e desconfianças.

Elisa, como protagonista, carrega uma complexidade que fortalece a proposta do livro. Ela não é uma investigadora infalível nem uma vítima idealizada. Sua busca por respostas é atravessada por confusão emocional, culpa, medo e contradições — elementos que muitas narrativas insistem em apagar quando falam sobre violência. Essa escolha é acertada e politicamente relevante: o livro entende que a experiência feminina raramente é linear ou facilmente explicável.

Os personagens masculinos que orbitam a trama não existem apenas para preencher a lista de suspeitos. Um ex-namorado abusivo, um relacionamento recente, um homem em situação de rua e um assediador formam um conjunto de figuras que expõem diferentes faces de uma mesma estrutura de poder. O mérito do livro está em não transformar nenhum deles em vilão óbvio demais, mas também em não relativizar comportamentos abusivos. Essa ambiguidade gera desconforto — e esse desconforto é necessário.

Narrativamente, Os Quadros de Elisa provoca ao brincar com estereótipos. O leitor é levado a desconfiar de quem parece perigoso e a minimizar atitudes que socialmente costumam ser normalizadas. Quando essas expectativas são quebradas, o impacto não está apenas na surpresa do enredo, mas na constatação de como somos treinados a enxergar determinadas situações de forma enviesada. O suspense, aqui, funciona como armadilha ética.

O cenário turístico do Sudeste brasileiro é uma escolha particularmente eficaz. Ao deslocar a violência para espaços associados ao lazer, à beleza e à segurança, o livro desmonta a ideia de que esse tipo de crime está restrito a lugares marginalizados. A mensagem é clara: a violência não escolhe paisagem, classe social ou contexto idealizado. Ela acontece onde preferimos não olhar.

Do ponto de vista literário, a escrita é direta e funcional, sem excessos estilísticos. Em alguns momentos, a narrativa poderia arriscar mais formalmente, aprofundando certas passagens emocionais, mas essa contenção também contribui para a fluidez e para o alcance do livro. A prioridade está menos na sofisticação da linguagem e mais na clareza da mensagem — uma escolha que faz sentido dentro da proposta.

O maior mérito de Os Quadros de Elisa está em sua recusa em ser apenas um suspense de consumo rápido. O livro incomoda porque não oferece respostas fáceis nem vilões confortáveis. Ele questiona, provoca e aponta para uma realidade que ainda encontra resistência em ser debatida com a seriedade necessária. Ao final, o mistério se resolve, mas o incômodo permanece — e essa é, sem dúvida, a sua maior vitória.

Ação em Alta Velocidade! Globo exibe Trem-Bala no Domingo Maior de hoje, 8 de fevereiro

Se a ideia é terminar o domingo com o coração acelerado e um sorriso no rosto, a Globo faz o convite perfeito. Neste domingo, 8 de fevereiro de 2026, o Domingo Maior exibe Trem-Bala, um filme que abraça o exagero, a diversão e a ação sem freio. É aquele tipo de produção feita para o público se jogar no sofá, esquecer da rotina e simplesmente aproveitar cada cena, mesmo quando tudo parece caminhar para o completo caos.

A história se passa quase toda dentro de um trem-bala japonês que cruza o país em alta velocidade. Dentro dele, estão cinco assassinos profissionais, cada um acreditando estar ali para cumprir uma missão específica e sair sem maiores problemas. O que eles não sabem é que seus objetivos estão conectados de forma muito mais complexa do que imaginam. A partir desse ponto, encontros inesperados, confrontos violentos e diálogos cheios de ironia começam a se desenrolar vagão após vagão.

Brad Pitt vive Joaninha, um assassino experiente que tenta mudar sua forma de agir. Cansado de violência e convencido de que anda com uma maré de azar, ele decide resolver tudo do jeito mais tranquilo possível. Só que, em um trem lotado de criminosos armados até os dentes, essa ideia parece quase ingênua. Pitt entrega um personagem carismático, divertido e humano, brincando com a própria imagem de astro dos filmes de ação e arrancando risadas em momentos inesperados.

Um dos grandes acertos do filme está no elenco de apoio. Aaron Taylor Johnson e Brian Tyree Henry interpretam Tangerina e Limão, dois assassinos que funcionam quase como uma dupla cômica em meio ao caos. A relação entre eles mistura provocações, lealdade e um humor peculiar que equilibra muito bem a violência das cenas. Já Joey King surpreende ao viver uma personagem que parece inofensiva à primeira vista, mas logo se revela uma das figuras mais perigosas da trama.

O elenco ainda reúne nomes conhecidos como Andrew Koji, Hiroyuki Sanada, Michael Shannon, Bad Bunny, Karen Fukuhara, Logan Lerman e Sandra Bullock, em uma participação especial que adiciona mais leveza e ironia à história. Cada personagem entra na narrativa com energia própria, mesmo quando sua presença é breve, o que ajuda a manter o ritmo acelerado do filme.

Na direção, David Leitch mostra que sabe conduzir ação como poucos. O espaço limitado do trem vira um verdadeiro palco para lutas criativas, perseguições improváveis e cenas visualmente marcantes. Tudo é muito estilizado, colorido e exagerado de propósito. Trem-Bala não tenta parecer realista o tempo todo, e essa escolha faz parte do seu charme. O filme assume o tom de comédia de ação e se diverte com isso.

O roteiro, escrito por Zak Olkewicz e baseado no livro Maria Beetle, do autor japonês Kōtarō Isaka, passou por mudanças importantes ao longo do desenvolvimento. A ideia inicial era criar um filme mais sombrio e violento, mas o projeto acabou encontrando sua identidade ao apostar no humor e na ironia. O resultado é uma narrativa que mistura ação intensa com situações absurdas e diálogos afiados.

Produzido durante a pandemia de COVID 19, o longa foi filmado majoritariamente em estúdios nos Estados Unidos, com cenários que recriam com cuidado o interior do trem japonês. Um detalhe que chama atenção é o envolvimento físico de Brad Pitt nas cenas de ação. O ator realizou grande parte das próprias acrobacias, o que contribui para a sensação de impacto e proximidade com o espectador.

Apesar do tom leve e divertido, Trem-Bala também gerou debates importantes após seu lançamento. Parte do público criticou as escolhas de elenco, apontando questões relacionadas à representatividade, já que personagens originalmente japoneses foram interpretados por atores não asiáticos, mesmo com a história ambientada no Japão. Essas discussões trouxeram reflexões relevantes sobre diversidade no cinema e mostram que, mesmo filmes feitos para entretenimento, também podem provocar conversas necessárias.

No fim das contas, Trem-Bala é exatamente o que promete ser. Um filme acelerado, barulhento, colorido e cheio de personalidade. Não busca profundidade ou grandes reflexões, mas entrega diversão, personagens marcantes e cenas que não dão tempo para o tédio aparecer. É o tipo de produção ideal para quem gosta de ação com uma boa dose de humor e não se incomoda com exageros.

Break Room chega ao Brasil e transforma um reality show em um jogo psicológico sobre convivência e julgamento

O que aconteceria se as pessoas com quem você trabalha todos os dias resolvessem te definir em poucas palavras e essa definição fosse suficiente para te colocar em um reality show? Essa é a pergunta inquietante que move Break Room, novo livro de Miye Lee, que acaba de chegar ao Brasil pela Editora Record. A obra aposta em tensão psicológica, conflitos silenciosos e relações humanas frágeis para construir uma narrativa que prende o leitor do início ao fim.

À primeira vista, a proposta do livro chama atenção pela originalidade. Em vez de voluntários em busca de fama ou dinheiro, o reality show de Break Room reúne participantes escolhidos por terceiros. Colegas de trabalho indicam pessoas que consideram difíceis, incômodas ou complicadas de lidar no cotidiano profissional. Sem entender exatamente o motivo da seleção, oito pessoas aceitam participar do programa acreditando que se trata apenas de uma experiência diferente.

Mas a sensação de estranhamento não demora a se transformar em desconforto.

Quando a convivência vira ameaça

Confinados e observados, os participantes começam a perceber que o jogo vai muito além da convivência forçada. Existe uma regra oculta que muda completamente a dinâmica do reality. Um dos competidores não está ali por acaso. Ele faz parte da produção e tem a missão de manipular o grupo, gerar conflitos e impedir que os outros cheguem à verdade.

O prêmio só será conquistado se o grupo conseguir identificar quem é o impostor. A partir desse momento, qualquer gesto vira motivo de suspeita. Conversas banais passam a ser analisadas, alianças se formam com base em medo e conveniência, e a confiança se torna um recurso escasso.

Miye Lee constrói esse clima de tensão com cuidado, explorando o impacto psicológico do confinamento e do julgamento constante. O reality show funciona como um experimento social que expõe o pior e o mais vulnerável de cada participante.

Um espelho desconfortável das relações humanas

Mais do que um jogo de enganação, Break Room se revela uma história sobre convivência e percepção. Ao longo da narrativa, o leitor é convidado a refletir sobre como opiniões são formadas dentro do ambiente de trabalho e o quanto essas visões podem ser superficiais ou injustas.

A autora questiona o rótulo de “pessoa difícil” e mostra como comportamentos são interpretados de maneiras completamente diferentes dependendo do olhar de quem observa. Em um espaço onde todos estão sendo avaliados o tempo todo, o medo de errar se torna paralisante e as relações se desgastam rapidamente.

O livro também aborda temas como pressão social, necessidade de aceitação e o impacto emocional de ser constantemente observado e julgado. O reality show, nesse contexto, deixa de ser apenas um formato narrativo e passa a funcionar como metáfora para o mundo corporativo contemporâneo.

Uma narrativa tensa e envolvente

A escrita de Miye Lee é direta, mas cheia de camadas emocionais. A autora conduz o leitor por uma sequência de situações cada vez mais desconfortáveis, sem recorrer a exageros. A tensão nasce do silêncio, das palavras não ditas e das reações impulsivas dos personagens.

Cada capítulo aprofunda as fissuras emocionais do grupo, revelando inseguranças, ressentimentos antigos e fragilidades que dificilmente apareceriam em situações comuns. O ritmo da narrativa mantém o leitor em constante estado de alerta, reforçando a sensação de que ninguém ali é totalmente confiável.

A versatilidade de Miye Lee

Embora Break Room apresente um tom mais sombrio e psicológico, o livro reforça a versatilidade de Miye Lee como autora. Antes desse lançamento, os leitores brasileiros já haviam conhecido um lado mais delicado de sua escrita por meio da duologia A Grande Loja dos Sonhos, publicada no país pela WMF Martins Fontes.

Naquela história, a autora construiu um universo sensível e acolhedor, centrado em uma loja mágica que vende sonhos para humanos e animais. A protagonista, Penny, trabalha nesse espaço singular e aprende, ao longo da narrativa, sobre luto, afeto e crescimento pessoal enquanto lida com os clientes e com figuras excêntricas como o enigmático dono DallerGut.

A diferença de tom entre as obras mostra como Miye Lee transita com naturalidade entre o encantamento e a tensão, sempre mantendo o foco nas emoções humanas.

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