Documentário da TV Brasil destaca o papel essencial das equipes de saúde na base do SUS

A TV Brasil exibe neste domingo (18), às 11h, o documentário “Essencial – Equipes de Saúde”, produção que lança um olhar profundo e humanizado sobre a atuação dos profissionais responsáveis pela linha de frente da atenção básica no Brasil. Com 52 minutos de duração, o média-metragem também está disponível no aplicativo TV Brasil Play, ampliando o acesso do público a uma obra que dialoga diretamente com a realidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

Longe de uma abordagem técnica ou institucional, o documentário constrói sua narrativa a partir das vivências reais de quem atua diariamente em territórios marcados por desigualdades sociais e desafios estruturais. A produção acompanha o trabalho de quatro agentes comunitários de saúde, profissionais que exercem um papel estratégico ao estabelecer a conexão entre a população e os serviços públicos, promovendo cuidado contínuo e prevenção.

A obra revela como esses agentes se tornam figuras centrais nas comunidades onde atuam. Eles visitam casas, acompanham famílias ao longo dos anos, orientam sobre prevenção de doenças e ajudam a identificar demandas que vão muito além do atendimento médico tradicional. O filme evidencia que a saúde pública começa no território, na escuta e na presença constante desses profissionais.

Além dos agentes comunitários, Essencial – Equipes de Saúde amplia o retrato ao apresentar integrantes de equipes multiprofissionais que compõem a atenção primária: uma pediatra, um enfermeiro, uma fisioterapeuta e um anestesista. A diversidade de especialidades reforça o caráter integrado do cuidado oferecido pelo SUS, mostrando como diferentes áreas do conhecimento se complementam para atender o indivíduo de forma plena.

Ao longo do documentário, o conceito de atenção básica é explorado em sua dimensão mais ampla. O filme destaca que esse nível de cuidado não se limita ao tratamento de doenças, mas envolve ações de promoção da saúde, prevenção, diagnóstico precoce, reabilitação e acompanhamento contínuo. Trata-se de um modelo que busca cuidar da pessoa em sua totalidade, considerando seu contexto familiar e social.

Depoimentos sinceros e situações do cotidiano revelam os desafios enfrentados por essas equipes, como a escassez de recursos, a sobrecarga de trabalho e as dificuldades logísticas em regiões afastadas. Ainda assim, a produção ressalta a força dos vínculos criados com a população e o compromisso ético que sustenta a atuação desses profissionais, mesmo diante de adversidades.

Com uma linguagem sensível e observacional, o documentário também evidencia a importância da Estratégia de Saúde da Família como eixo estruturante do sistema público de saúde brasileiro. Ao aproximar profissionais e comunidades, essa política fortalece a prevenção, reduz internações evitáveis e promove um cuidado mais humano e eficiente.

Descubra qual filme vai passar na Supercine deste sábado, 17 de janeiro, na Globo!

Neste sábado, 17 de janeiro de 2025, a faixa Supercine, da TV Globo, aposta em um título que foge do óbvio e entrega emoção genuína ao público: O Falcão Manteiga de Amendoim. A produção independente norte-americana conquistou reconhecimento internacional ao contar uma história simples na forma, mas profunda no conteúdo, marcada por humanidade, afeto e personagens que caminham à margem dos padrões.

O filme apresenta Zak, um jovem com síndrome de Down que vive em uma instituição e sente que sua vida foi decidida por outros. Cansado de rotinas impostas e de ser tratado como incapaz, ele decide fugir em busca de um sonho pouco convencional: tornar-se lutador profissional. A jornada, inicialmente improvisada, ganha força quando Zak encontra Tyler, um homem solitário e errante, marcado por perdas e conflitos com a lei.

Interpretado por Shia LaBeouf, Tyler não assume o papel de herói ou tutor. Ele é falho, impulsivo e emocionalmente ferido, mas encontra em Zak uma conexão inesperada. A relação entre os dois se constrói de forma orgânica, baseada em companheirismo e respeito, sem discursos didáticos ou exageros emocionais. Ao longo do caminho, a dupla ainda cruza com Eleanor (Dakota Johnson), uma cuidadora que decide romper com a própria rotina para acompanhar a improvável amizade que nasce na estrada.

Dirigido por Tyler Nilson e Michael Schwartz, o longa se diferencia por retratar a deficiência sem estigmas. Zak não é definido por sua condição, mas por seus desejos, coragem e senso de humor. A escolha de Zack Gottsagen, ator com síndrome de Down, para viver o protagonista confere autenticidade à narrativa e foi amplamente elogiada pela crítica especializada.

Filmado em locações da Carolina do Norte e da Geórgia, o filme utiliza paisagens naturais para reforçar a sensação de liberdade e deslocamento. A estrada, mais do que um cenário, torna-se metáfora de transformação, onde cada personagem precisa confrontar seus medos e redefinir o próprio lugar no mundo.

A estreia aconteceu no South by Southwest (SXSW), em 2019, e rapidamente colocou o título no radar do cinema independente. Com lançamento modesto nos cinemas, O Falcão Manteiga de Amendoim surpreendeu ao alcançar uma bilheteria superior a US$ 23 milhões, tornando-se um dos maiores sucessos independentes do ano. No Rotten Tomatoes, o filme mantém índice de aprovação altíssimo, reflexo da forte conexão criada com o público e a crítica.

Sem apelar para sentimentalismo fácil, o longa se destaca por sua delicadeza e honestidade. É uma história sobre pertencimento, amizade e a possibilidade de escolher o próprio caminho, mesmo quando tudo parece conspirar contra.

Mentiras e traições elevadas ao limite! “The Traitors” retorna ao Universal+ com sua temporada mais explosiva

THE TRAITORS -- "Show Me Your Faces" Episode 403 -- Pictured: Alan Cumming -- (Photo by: Euan Cherry/Peacock)

Desconfiar deixa de ser uma opção e passa a ser uma questão de sobrevivência. A quarta temporada de “The Traitors” chega ao Universal+ no dia 6 de fevereiro, com exclusividade no Brasil, trazendo consigo a promessa de elevar ainda mais a complexidade emocional e estratégica de um dos realities mais instigantes da atualidade. Conhecida por transformar convivência em campo de batalha psicológico, a série retorna mais afiada, imprevisível e emocionalmente desgastante para seus participantes.

Desde sua estreia, The Traitors conquistou espaço ao fugir das fórmulas tradicionais do gênero. Aqui, força física ou carisma não garantem longevidade no jogo. O que realmente define o destino dos competidores é a capacidade de observar, mentir quando necessário e, principalmente, manter o controle emocional mesmo quando tudo parece desmoronar.

Inspirado no formato holandês “De Verraders”, o programa mantém sua base conceitual, mas a cada temporada aprofunda as tensões humanas que surgem quando confiança e ambição dividem o mesmo espaço. Um grupo de participantes é reunido em um ambiente isolado para disputar um prêmio em dinheiro, acumulado por meio de missões coletivas. No entanto, logo no início, alguns deles são escolhidos secretamente como Traidores, enquanto os demais seguem como Leais, sem saber em quem confiar.

A dinâmica transforma gestos simples em possíveis ameaças. Um olhar fora de hora, uma palavra mal colocada ou um silêncio prolongado podem ser interpretados como sinais de culpa. A cada rodada, o grupo precisa votar para eliminar alguém que acreditam ser um Traidor, enquanto os verdadeiros infiltrados eliminam silenciosamente seus alvos durante a noite. O prêmio, que já alcançou a marca de US$ 250 mil, se torna o incentivo perfeito para decisões que desafiam qualquer senso moral.

No centro desse jogo de manipulação está Alan Cumming, cuja presença se tornou inseparável da identidade da série. Vencedor do Emmy, o apresentador conduz o reality com uma combinação rara de teatralidade, ironia e domínio absoluto do ritmo narrativo. Mais do que anunciar regras ou intermediar votações, Cumming atua como um observador atento do comportamento humano, provocando reflexões sutis e, muitas vezes, desconfortáveis.

Em entrevistas recentes, ele afirmou que a nova temporada se diferencia por explorar de forma mais profunda as contradições emocionais dos jogadores. Segundo o apresentador, este é o ano em que o jogo revela seu lado mais verdadeiro, mostrando como até os participantes mais seguros de seus princípios acabam cedendo quando o medo da eliminação se aproxima. Para ele, a quarta temporada marca um ponto de virada na história do programa.

O ambiente que abriga esse experimento psicológico continua sendo o Castelo de Ardross, na Escócia. O local, com sua arquitetura imponente, corredores longos e paisagens frequentemente envoltas em névoa, contribui diretamente para o clima de tensão permanente. O isolamento e a estética quase sombria fazem com que o espaço deixe de ser apenas cenário e se transforme em parte ativa da experiência, intensificando o desgaste emocional dos jogadores.

Outro fator decisivo para o impacto da nova temporada é o elenco cuidadosamente selecionado. A produção reuniu personalidades vindas de diferentes universos do entretenimento, criando um grupo heterogêneo, repleto de egos fortes, experiências distintas e estratégias conflitantes. Entre os nomes confirmados estão Lisa Rinna, Michael Rapaport, Porsha Williams, Monét X Change, Mark Ballas, Rob Cesternino, Maura Higgins, além de Natalie Anderson, vencedora de The Amazing Race, e Donna Kelce, figura bastante conhecida do público norte-americano.

Essa diversidade não apenas enriquece o jogo, como também dificulta qualquer leitura óbvia de comportamento. Participantes experientes em realities se veem obrigados a reaprender a competir, enquanto outros, menos habituados ao formato, surpreendem pela frieza ou capacidade de adaptação. O resultado é um jogo mais instável, onde alianças surgem rapidamente e se desfazem com a mesma velocidade.

Os desafios propostos nesta temporada também refletem essa busca por intensidade. Embora continuem sendo responsáveis por aumentar o valor do prêmio final, as provas exigem níveis mais altos de cooperação, resistência e confiança mútua. Lisa Rinna chegou a afirmar que foi levada além de seus limites físicos e emocionais durante as gravações. Já Maura Higgins descreveu a experiência como exaustiva, destacando que o verdadeiro desgaste não acontece nas provas, mas nas horas silenciosas em que todos tentam decifrar quem está mentindo.

Com o passar das temporadas, The Traitors deixou de ser apenas um sucesso de público para se tornar um título respeitado pela indústria. Em 2025, a produção foi reconhecida com cinco prêmios Emmy, incluindo Melhor Programa de Competição e Melhor Apresentador. O reconhecimento consolidou a série como um dos realities mais sofisticados e bem construídos da televisão contemporânea.

Parte desse sucesso também se deve à identidade visual e narrativa única do programa. Os figurinos extravagantes de Alan Cumming, seu humor mordaz e até a presença recorrente de sua cadela Lala ajudam a construir um tom que equilibra drama, ironia e entretenimento de alto nível.

Saiba qual filme vai passar no Cine Aventura deste sábado, 24 de janeiro, na Record TV

A tarde de sábado, 24 de janeiro de 2026, ganha um clima especial na programação da Record TV. Dentro da sessão Cine Aventura, a emissora exibe Kung Fu Panda 2, animação que marcou uma virada mais emocional e madura na franquia da DreamWorks e que, mesmo após anos de seu lançamento, continua conquistando públicos de diferentes gerações.

Lançado em 2011 e produzido inteiramente em 3D, o filme não é apenas uma continuação direta do sucesso anterior. Ele amplia o universo apresentado no primeiro longa e aprofunda o olhar sobre seu protagonista, transformando uma história de aventura em uma jornada sobre identidade, memória e superação. É justamente esse equilíbrio entre diversão e sentimento que faz de Kung Fu Panda 2 uma escolha certeira para um sábado à tarde em família.

Neste segundo capítulo, Po já vive o sonho que sempre desejou. Ele é o Dragão Guerreiro, protege o Vale da Paz e luta lado a lado com os Cinco Furiosos, sendo reconhecido como herói por todos ao seu redor. Ainda assim, algo parece fora do lugar. O mestre Shifu percebe que, apesar de toda a evolução, Po ainda não alcançou a chamada paz interior, um conceito que passa a conduzir sua trajetória ao longo do filme.

A trama ganha força com a chegada de um novo e ameaçador vilão. Lorde Shen, herdeiro do clã dos pavões que governava Gongmen City, representa uma ruptura com tudo o que o kung fu simboliza. Ao transformar fogos de artifício em armas de guerra, Shen cria canhões capazes de destruir cidades inteiras e, com isso, ameaça não apenas a China, mas a própria existência das artes marciais.

O passado do vilão é marcado pelo medo. Ao ouvir a profecia da cabra vidente que anunciava que um guerreiro preto e branco seria responsável por sua queda, Shen conclui que os pandas eram a origem desse destino. Movido pelo pavor de perder o poder, ele ordena o extermínio dos pandas gigantes. A violência de seus atos choca seus próprios pais, que decidem expulsá lo de Gongmen City, selando o início de uma trajetória guiada pelo ressentimento e pela vingança.

Enquanto Shen tenta reescrever o futuro à força, Po passa a ser confrontado por lembranças que nunca teve coragem de enfrentar. Durante uma batalha contra lobos que roubam metal do Vale da Paz, um símbolo desperta um flashback inesperado. A cena desestabiliza o herói e levanta questões profundas sobre sua origem, abrindo uma ferida que ele acreditava não existir.

Na tentativa de entender quem realmente é, Po procura o Sr. Ping, seu pai adotivo. Com carinho e sinceridade, ele conta que encontrou Po ainda filhote em uma caixa de rabanetes atrás de seu restaurante. A revelação é simples, mas carregada de afeto. Ainda assim, não é suficiente para acalmar a inquietação que começa a crescer dentro do Dragão Guerreiro.

A narrativa se intensifica quando Po e os Cinco Furiosos recebem a notícia da morte de Mestre Rino Trovão, líder do conselho que protegia Gongmen City. Assassinato cometido por Shen com uma de suas novas armas. A cidade, agora sob domínio do vilão, simboliza o avanço do medo e da desesperança. Mesmo assim, Po e seus amigos seguem viagem, determinados a impedir que Shen destrua o kung fu e conquiste a China.

Em Gongmen City, os heróis encontram um cenário de desolação. Mestres tradicionais, como Boi e Crocodilo, estão presos e desacreditados, convencidos de que não há como vencer alguém que transformou tradição em alvo. A ameaça parece grande demais, e a confiança no kung fu começa a ruir.

Capturados e levados ao palácio de Shen, Po e os Cinco conseguem escapar, mas o passado volta a interferir. Ao reconhecer o mesmo símbolo na plumagem do vilão, Po se perde novamente em suas memórias, permitindo que Shen escape e cause ainda mais destruição. A falha deixa claro que, enquanto não resolver seu conflito interno, Po não conseguirá cumprir seu papel como guerreiro.

Mesmo orientado por Tigresa a se esconder e se proteger, Po decide seguir sozinho. Ele invade a fábrica de canhões, mas acaba gravemente ferido e cai desacordado em um rio. O resgate pela cabra vidente marca um ponto de virada na história. Levado até a antiga vila onde nasceu, destruída durante o massacre dos pandas, Po finalmente encara a verdade.

Guiado pela vidente, ele se lembra de seus pais biológicos e do sacrifício que fizeram para salvá lo. Sua mãe o escondeu em uma caixa de rabanetes antes de ser morta, garantindo que ele tivesse uma chance de viver. A dor da lembrança vem acompanhada de um entendimento essencial. Apesar da tragédia, Po teve uma vida feliz, cercada de amor, cuidado e pertencimento.

É a partir dessa aceitação que Po alcança a paz interior. Transformado, ele retorna a Gongmen City não movido pela raiva, mas pela serenidade. No confronto final, Po usa o equilíbrio emocional para redirecionar os ataques dos canhões e salvar seus amigos. Em um diálogo marcante, ele afirma que as cicatrizes podem se curar e que o passado não pode ser mudado, mas o futuro está sempre em aberto.

A queda de Shen, derrotado por sua própria obsessão, encerra o conflito e devolve a paz à China. De volta ao Vale da Paz, Po se reencontra com o Sr. Ping e reafirma, com afeto, que ele é e sempre será seu pai. A cena final resume a essência do filme.

Descubra qual filme vai passar na Sessão da Tarde desta terça, 3 de janeiro, na TV Globo

A Sessão da Tarde desta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, exibe na TV Globo o filme A Vida É Agora, comédia dramática sensível e bem-humorada que aborda temas como amizade, solidão, envelhecimento e conexões inesperadas. Lançado em 2021, o longa tem direção e roteiro assinados por Billy Crystal, que também atua como protagonista, ao lado de Tiffany Haddish e Penn Badgley.

Na trama, Billy Crystal interpreta Charlie Burnz, um renomado e veterano escritor de comédias que construiu uma carreira sólida no entretenimento, mas que vive um momento de isolamento pessoal. Sua rotina muda quando ele conhece Emma Payge (Tiffany Haddish), uma cantora nova-iorquina expansiva, espontânea e cheia de energia, que ganha inesperadamente um almoço com a lenda da comédia após vencer um concurso de rádio.

O primeiro encontro entre os dois, no entanto, está longe de ser perfeito. Uma sequência de eventos caóticos — incluindo uma grave reação alérgica a frutos do mar, uma corrida ao hospital e o uso de epinefrina — marca o início turbulento da relação. O episódio, que poderia ter encerrado qualquer possibilidade de convivência, acaba funcionando como ponto de partida para uma amizade improvável, repleta de atritos, ironias e momentos comoventes.

Apesar da grande diferença de idade e de estilos de vida completamente distintos, Charlie e Emma passam a reconhecer um no outro algo raro: uma espécie de alma gêmea emocional. A convivência entre eles evolui para um vínculo profundo, capaz de redefinir os significados de amizade, amor e confiança. O filme constrói essa relação com leveza, alternando humor afiado com momentos de introspecção e sensibilidade.

Além de Billy Crystal e Tiffany Haddish, o elenco conta com Penn Badgley, Alex Brightman, Laura Benanti e Anna Deavere Smith, que complementam a narrativa com personagens que orbitam a vida do protagonista e ajudam a revelar suas fragilidades, medos e memórias. A presença de Penn Badgley adiciona um contraponto geracional à história, reforçando o debate sobre diferentes formas de lidar com o tempo e os afetos.

O projeto começou a tomar forma em setembro de 2019, quando foi anunciado que Billy Crystal e Tiffany Haddish estrelaram o filme e também atuariam como produtores. Crystal assumiu ainda a direção, a partir de um roteiro coescrito com Alan Zweibel, parceiro frequente do ator e comediante. As filmagens ocorreram em Nova York, entre outubro e novembro de 2019, sendo concluídas pouco antes do Dia de Ação de Graças.

Lançado comercialmente em 7 de maio de 2021, após a Stage 6 Films adquirir os direitos de distribuição, A Vida É Agora teve desempenho modesto nas bilheterias. O filme arrecadou cerca de 2,8 milhões de dólares nos Estados Unidos e Canadá, além de aproximadamente 64 mil dólares em outros mercados, totalizando pouco menos de 3 milhões de dólares mundialmente. Ainda assim, chegou a ocupar a sétima posição no ranking nacional e permaneceu por duas semanas não consecutivas no Top 10.

Resenha – Asterix Omnibus (Volume 2) é a prova de que o humor também pode ser um ato de resistência

Asterix Omnibus (Vol. 2) é, ao mesmo tempo, um lembrete do enorme talento criativo de René Goscinny e Albert Uderzo e uma prova de como um clássico pode sobreviver — e ser questionado — fora do seu tempo original. A coletânea reúne três aventuras fundamentais (Asterix Gladiador, Uma Volta pela Gália com Asterix e Asterix e Cleópatra), mas o que realmente sustenta o volume não é apenas o humor, e sim a inteligência política por trás de cada piada.

Por trás do tom leve e do traço cartunesco, Asterix sempre foi um comentário ácido sobre poder, imperialismo e resistência cultural. Aqui, isso fica ainda mais evidente. Os romanos não são apenas vilões caricatos; representam sistemas burocráticos, autoritários e absurdamente confiantes na própria superioridade. A aldeia gaulesa, por sua vez, funciona como metáfora da identidade que se recusa a ser apagada — nem pela força, nem pela “civilização” imposta.

Em Asterix Gladiador, o espetáculo da violência romana é tratado com humor, mas também com crítica clara: transformar sofrimento em entretenimento é uma prática antiga — e assustadoramente atual. A forma como Asterix e Obelix subvertem o sistema dos gladiadores expõe o ridículo de uma estrutura que só funciona enquanto ninguém questiona suas regras. O riso aqui não é inocente; é corrosivo.

Uma Volta pela Gália com Asterix talvez seja a história mais politicamente afiada do volume. A tentativa romana de isolar a aldeia com uma paliçada é uma imagem poderosa de controle territorial e cerceamento cultural. A resposta dos gauleses — atravessar o país celebrando comidas, sotaques e costumes — transforma a gastronomia em ato de resistência. É uma aventura simples na forma, mas sofisticada no discurso, exaltando a diversidade como antídoto contra a homogeneização forçada.

Já Asterix e Cleópatra brinca com vaidade, poder e ego nacional, usando o Egito como palco para uma sátira sobre líderes que confundem grandeza pessoal com grandeza histórica. Apesar do tom cômico, há aqui uma crítica direta à obsessão por monumentos, fama e legado, enquanto pessoas comuns lidam com as consequências dessas ambições.

Ainda assim, vale dizer: nem tudo envelheceu perfeitamente. Algumas piadas visuais e estereótipos refletem o contexto da época e podem soar datados para leitores mais atentos hoje. Isso não invalida a obra, mas convida à leitura crítica — algo que, ironicamente, combina muito com o espírito questionador da própria série.

No fim, Asterix Omnibus (Vol. 2) funciona menos como simples entretenimento infantil e mais como uma aula disfarçada de quadrinhos. Um clássico que diverte, sim, mas que também provoca, ironiza o poder e lembra que rir pode ser um ato profundamente político.

Cassangel Seguros aposta em humor ácido e ocultismo para reinventar o terror urbano nos quadrinhos brasileiros

E se o seu corretor de seguros tivesse que lidar não apenas com batidas de carro e infiltrações no apartamento, mas também com bruxas, maldições e assombrações sobrenaturais? Essa é a premissa inusitada de Cassangel Seguros, nova HQ brasileira independente que chega misturando humor escrachado, horror e uma boa dose de crítica social, tudo ambientado no caos das grandes cidades do país.

Criada pelo roteirista Felipe Tazzo, com arte de Nícolas Santos e cores de Andrey Osório, a HQ apresenta ao leitor João Geraldo Cassangel, um corretor de seguros malandro, azarado e nada heroico. Especialista em se meter em confusão e, principalmente, em evitar indenizações, Cassangel descobre da pior forma possível que alguns sinistros vão muito além do que a seguradora costuma prever em contrato.

Ao se envolver com um grupo de simpáticas velhinhas de um bairro nobre, o protagonista acaba revelando um segredo nada comum: elas são bruxas e não hesitam em invocar forças ocultas quando algo dá errado. De repente, Cassangel se vê diante de uma escolha impossível: pagar um prêmio milionário ou enfrentar entidades sobrenaturais usando apenas sua lábia, improviso e um enorme talento para fazer tudo dar errado.

A HQ brinca com o arquétipo clássico do anti-herói e subverte expectativas ao apresentar um protagonista que está longe de ser corajoso ou preparado. Cassangel lembra uma espécie de “Constantine às avessas”, alguém que tropeça em rituais, lendas urbanas e situações bizarras enquanto tenta sobreviver à própria rotina, pagar contas atrasadas e bater metas abusivas da seguradora. Nada de glamour, apenas cachaça, bagunça e decisões duvidosas.

O grande charme de Cassangel Seguros está justamente nessa mistura improvável. O humor é exagerado, quase caótico, mas nunca gratuito. Ele caminha lado a lado com o horror, criando situações que arrancam risadas ao mesmo tempo em que constroem um clima sombrio e desconfortável. O cenário urbano brasileiro ganha destaque, servindo como pano de fundo perfeito para histórias que falam sobre desigualdade, burocracia, exploração e a eterna tentativa de se virar em um sistema que parece sempre jogar contra.

Visualmente, a HQ aposta em uma estética que dialoga com o noir e o terror, equilibrando sombras, expressões carregadas e momentos de absurdo visual. Com 48 páginas, formato 17×26 cm e produção totalmente independente, o projeto reforça a força criativa dos quadrinhos nacionais fora do circuito tradicional.

O lançamento físico acontece neste mês de fevereiro, com os exemplares começando a chegar às mãos dos apoiadores do financiamento coletivo que viabilizou o projeto. Para o público de Campinas e região, a HQ será lançada oficialmente no dia 7 de fevereiro, durante a Feira de Quadrinhos na Biblioteca Pública Municipal Professor Ernesto Manoel Zink, onde Felipe Tazzo também estará presente com outras obras autorais, como O Bar do Pântano e Cozinha Monstro.

Como toda produção independente, Cassangel Seguros terá distribuição limitada e não será encontrada em livrarias. A HQ pode ser adquirida apenas em eventos e diretamente pelo site do autor, no endereço www.felipetazzo.com.br.

Resenha – Kali é um grito de vingança acelerado até a exaustão

Desde a primeira página, fica claro que Daniel Freedman e Robert Sammelin não estão interessados em introduções delicadas ou construções graduais: aqui, a narrativa começa no impacto e só desacelera quando já é tarde demais. Esfaqueada, envenenada e descartada pela própria gangue de motociclistas, Kali não inicia uma jornada de redenção ou aprendizado — ela entra em modo de sobrevivência absoluta. O mundo ao redor pode estar em ruínas, mas a verdadeira devastação já aconteceu dentro dela.

O cenário é um deserto pós-apocalíptico que parece existir apenas para reforçar a brutalidade da experiência. Não há nostalgia, não há esperança de reconstrução, não há promessas de futuro. Tudo em Kali é presente imediato: o agora da dor, o agora da perseguição, o agora da vingança. A influência de Mad Max é evidente, mas o quadrinho não tenta disfarçar isso — pelo contrário, abraça o excesso como identidade. Explosões, perseguições, corpos em colisão e motores rugindo formam uma sinfonia caótica que sustenta praticamente toda a narrativa.

Kali, como protagonista, é menos uma pessoa no sentido tradicional e mais uma força em movimento. Ela fala pouco, sente pouco (ou, ao menos, não demonstra) e age o tempo todo. Seu corpo ferido — envenenado, sangrando, quebrado — se torna parte essencial da história, quase um cronômetro narrativo: cada página reforça a ideia de que o tempo está acabando. A morte não é uma possibilidade distante, mas uma presença constante, correndo junto com ela na estrada. Essa escolha torna a leitura visceral, mas também impõe limites claros à profundidade emocional da personagem.

O quadrinho não se preocupa em explicar motivações com longos diálogos ou flashbacks extensos. A traição da gangue é apresentada como fato consumado, e a vingança surge não como escolha moral, mas como instinto. Isso dá à obra uma honestidade brutal: não há justificativas, apenas consequências. Kali não quer redenção, justiça ou compreensão — ela quer sobreviver tempo suficiente para causar dano. E, nesse sentido, o roteiro é coerente do início ao fim.

Visualmente, Kali é um ataque sensorial. O traço de Robert Sammelin é agressivo, sujo e deliberadamente exagerado. Os enquadramentos transmitem velocidade e descontrole, enquanto as expressões faciais e os corpos em movimento reforçam a ideia de um mundo onde tudo é extremo. Não há beleza tradicional no desenho, mas há energia — muita energia. Cada página parece vibrar, como se estivesse prestes a sair do papel. É um estilo que pode cansar leitores mais sensíveis à repetição visual, mas que funciona perfeitamente dentro da proposta da obra.

Por outro lado, essa aposta constante no impacto também revela a principal fragilidade do quadrinho. Kali raramente permite pausas. Não há silêncio narrativo, não há momentos de reflexão prolongada, não há espaço para que o leitor respire. Em determinados pontos, a sucessão ininterrupta de ação começa a perder força justamente por nunca variar de tom. O excesso, que inicialmente empolga, pode se tornar saturante. A sensação é a de assistir a uma perseguição interminável — eletrizante, sim, mas emocionalmente plana.

Outro ponto que merece atenção é a construção do mundo. Embora o cenário apocalíptico seja visualmente forte, ele permanece genérico em muitos aspectos. Sabemos que há uma guerra, que há facções, que a violência é regra, mas pouco se explora sobre como esse mundo funciona além da estrada. Isso não chega a comprometer a narrativa, mas reforça a impressão de que o universo existe apenas para servir à ação, não para ser compreendido.

Ainda assim, seria injusto cobrar de Kali algo que ele claramente não se propõe a oferecer. Este não é um quadrinho sobre complexidade psicológica, reconstrução social ou dilemas filosóficos profundos. É uma obra sobre fúria, movimento e resistência corporal. Kali sobrevive não porque acredita em algo maior, mas porque se recusa a cair. E há algo de poderoso nessa recusa silenciosa, quase animalesca.

No fim, Kali se destaca como uma experiência intensa, direta e sem concessões. Não é uma leitura confortável, nem pretende ser. É um quadrinho que entende sua própria natureza e vai até o limite dela, mesmo correndo o risco de se desgastar no processo. Para leitores que buscam ação pura, estética agressiva e um ritmo que não pede licença, a obra entrega exatamente o que pro

Resenha – Fence: Posição de Ataque é onde o esporte termina e o drama começa

Fence: Posição de Ataque parte de um terreno já conhecido pelos fãs das graphic novels criadas por C.S. Pacat e Johanna the Mad, mas faz algo inteligente: não tenta simplesmente repetir a fórmula visual dos quadrinhos. Sob a escrita de Sarah Rees Brennan, a história se expande para o formato de romance e aposta menos na estética da esgrima em si e mais no que acontece quando jovens talentosos, emocionalmente instáveis e cheios de segredos são obrigados a conviver — e confiar uns nos outros.

A Escola Kings Row não é apresentada como um celeiro de vitórias, e isso é essencial para o tom da narrativa. O time de esgrima é formado por garotos extremamente diferentes, unidos mais pela frustração do que pela glória. A treinadora Williams surge como uma figura prática e quase implacável, alguém que entende que o problema do grupo não está apenas na técnica, mas na incapacidade de se conectar. Sua decisão de impor exercícios voltados ao desenvolvimento emocional — e não apenas físico — funciona como o grande motor dramático do livro.

Nicholas, Seiji, Harvard e Aiden não são arquétipos rasos, embora em alguns momentos se aproximem disso. Cada um carrega conflitos internos que extrapolam a quadra: traumas do passado, pressões familiares, expectativas irreais e a constante necessidade de performar masculinidade em um ambiente competitivo. O livro acerta ao mostrar que o esporte, longe de ser apenas disciplina e superação, também pode ser um espaço de silenciamento emocional.

Aiden, o “pegador” da escola, é talvez o personagem mais emblemático dessa contradição. Sua imagem pública contrasta violentamente com o peso do passado trágico que carrega, e o romance faz um bom trabalho ao desmontar essa fachada aos poucos. Já o arco envolvendo o esgrimista olímpico e um esquema criminoso adiciona uma camada inesperada à narrativa, lembrando que o universo esportivo também está sujeito a corrupção, exploração e escolhas moralmente questionáveis.

Um dos pontos mais fortes de Posição de Ataque é a forma como lida com relacionamentos e identidade. O livro não trata a representatividade queer como um elemento decorativo ou “extra”, mas como parte orgânica da vida dos personagens. Os sentimentos profundos que surgem entre alguns integrantes da equipe são tratados com naturalidade, ainda que envoltos em confusão, medo e insegurança — exatamente como costuma acontecer fora da ficção. A famosa “afirmação queer”, destacada pela Kirkus, não vem em discursos grandiosos, mas em gestos, diálogos e conflitos internos.

Por outro lado, o romance nem sempre consegue equilibrar todos os seus núcleos com a mesma força. Em alguns trechos, o drama pessoal se sobrepõe tanto ao esporte que a esgrima passa quase a ser um pano de fundo simbólico, e não uma prática concreta. Para leitores que esperam uma exploração mais técnica ou estratégica do esporte, isso pode causar certa frustração. O foco está claramente nas relações humanas, não na competição em si.

A escrita de Sarah Rees Brennan é fluida, acessível e emocionalmente direta. Ela entende bem o público a quem se dirige e constrói diálogos que soam naturais, especialmente nos momentos de tensão e vulnerabilidade. O ritmo é envolvente, ainda que previsível em alguns conflitos, e o livro funciona bem como porta de entrada para novos leitores do universo Fence, ao mesmo tempo em que agrada fãs antigos.

No fim, Fence: Posição de Ataque não é uma história sobre vencer campeonatos, mas sobre aprender a existir em conjunto. É um livro sobre falhas, afetos mal resolvidos e a dificuldade de confiar quando se foi ferido antes. Pode não ser revolucionário em estrutura, mas é honesto em sua proposta e sensível em sua execução.

Crítica – O Morro dos Ventos Uivantes é uma adaptação visualmente deslumbrante que sacrifica profundidade em nome da intensidade

Emerald Fennell é, sem dúvida, uma cineasta de imagens fortes. Desde sua estreia na direção, com Promising Young Woman, ficou evidente sua habilidade em criar composições visualmente marcantes, embaladas por uma estética cuidadosamente construída. No entanto, sua trajetória até aqui também revelou uma dificuldade recorrente: transformar impacto visual em narrativa consistente. Se em Bela Vingança o discurso se sobrepunha à complexidade dramática, e em Saltburn a provocação parecia engolir a própria história, em O Morro dos Ventos Uivantes a diretora encontra, finalmente, um terreno mais sólido para exercer seu estilo.

A escolha de adaptar o romance gótico de Emily Brontë, publicado em 1847, representa uma virada estratégica. Ao se apoiar em um material literário consagrado, Fennell se livra da obrigação de criar uma trama original que sustente seu universo estético. Aqui, ela parte de uma história que já carrega densidade emocional, conflitos intensos e personagens moralmente ambíguos. Ainda assim, sua proposta não é de fidelidade absoluta. A diretora assume que o filme não pretende ser uma adaptação tradicional, mas sim uma recriação das sensações que o livro lhe provocou na adolescência.

Essa abordagem tem consequências claras. Fennell opta por ignorar a segunda metade do romance, concentrando-se exclusivamente na relação entre Catherine Earnshaw e Heathcliff. Ao fazer isso, transforma a narrativa em um estudo quase obsessivo sobre desejo, ressentimento e autodestruição. A saga geracional, que no livro amplia o alcance temático da obra, dá lugar a um romance trágico mais direto e visceral.

Visualmente, o filme é arrebatador. As charnecas de Yorkshire surgem como paisagens quase míticas, envoltas em uma atmosfera teatral que beira o onírico. A propriedade dos Earnshaw não é apenas cenário, mas extensão emocional dos personagens. A fotografia privilegia contrastes intensos, enquadramentos amplos e uma iluminação que reforça o clima sombrio e apaixonado. Fennell sabe como transformar espaço em símbolo, e nisso sua direção é segura.

O elenco também contribui para a força dramática da produção. Margot Robbie interpreta Catherine na fase adulta com energia explosiva e certo egoísmo inquietante. Sua Catherine é falante, impulsiva e profundamente contraditória, o que a distancia de representações mais romantizadas da personagem. Jacob Elordi, como Heathcliff adulto, investe na introspecção e na contenção. Seu olhar carrega a dor e a obsessão de alguém que nunca se sentiu pertencente. A química entre os dois funciona, especialmente nos momentos em que o amor se mistura a ressentimento.

Entretanto, os problemas recorrentes da diretora ainda aparecem. Fennell demonstra tendência a introduzir temas de grande peso simbólico sem desenvolvê-los plenamente. A associação inicial entre sexo e morte, por exemplo, surge de forma impactante, mas não se aprofunda ao longo da narrativa. O mesmo ocorre com as questões de classe e pertencimento social, que permanecem como pano de fundo, quando poderiam ter sido exploradas com maior complexidade.

Há também uma inclinação ao exagero que, embora encontre justificativa no tom gótico da obra, por vezes ameaça a sutileza dramática. O Sr. Earnshaw, interpretado por Martin Clunes, é quase uma caricatura do patriarca tirânico. Algumas cenas parecem deliberadamente teatrais, como se o filme oscilasse entre o drama histórico e uma releitura estilizada contemporânea. Para alguns espectadores, essa escolha pode soar como excesso; para outros, será justamente o diferencial da produção.

Ao reduzir a história ao romance central, o filme ganha intensidade emocional, mas perde camadas. A dimensão cíclica da violência e do ressentimento, tão marcante no livro, é atenuada. O foco absoluto na paixão entre Catherine e Heathcliff transforma o enredo em uma narrativa sobre amor impossível e obsessão destrutiva, deixando de lado parte da crítica social e do estudo psicológico mais amplo presente na obra original.

Ainda assim, é inegável que o filme tem potencial comercial significativo. A combinação de um clássico literário, um elenco estrelado e uma estética visual impactante deve atrair tanto admiradores da obra quanto novos espectadores. Para quem não conhece o romance de Brontë, a experiência pode ser profundamente emocional e até arrebatadora. A história é conduzida de forma a provocar identificação e lágrimas, especialmente ao enfatizar o amor trágico como força inevitável e devastadora.

No fim, O Morro dos Ventos Uivantes de Emerald Fennell é um filme de sensações intensas. Não é uma adaptação definitiva nem a leitura mais fiel do clássico, mas sim uma interpretação autoral marcada por excessos, beleza e paixão. A diretora parece mais confortável quando dialoga com um texto já consolidado, e isso se reflete em uma obra mais coesa do que seus trabalhos anteriores, ainda que não totalmente equilibrada.

Entre a grandiosidade estética e a profundidade emocional, o filme caminha em uma linha tênue. Pode dividir opiniões, mas dificilmente passará despercebido. É um romance gótico embalado pelo olhar contemporâneo de uma cineasta que ainda busca amadurecer como contadora de histórias, mas que, ao menos aqui, demonstra estar mais próxima de encontrar esse equilíbrio.

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