“O Morro dos Ventos Uivantes” lidera bilheterias globais com US$ 82 milhões e marca maior estreia da carreira de Jacob Elordi

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A nova adaptação cinematográfica de O Morro dos Ventos Uivantes chegou aos cinemas cercada de expectativa e os números confirmam que o público estava curioso para revisitar esse romance clássico sob uma nova perspectiva. Segundo dados divulgados pelo portal Deadline, o longa já soma US$ 82 milhões em bilheteria global, sendo US$ 40 milhões arrecadados nos Estados Unidos e US$ 42 milhões no mercado internacional.

O desempenho representa um marco importante na trajetória de Jacob Elordi, que alcança sua maior abertura mundial até o momento como protagonista. O ator interpreta Heathcliff na nova versão do clássico de Emily Brontë, dividindo a tela com Margot Robbie no papel de Catherine Earnshaw.

Uma adaptação ousada de um clássico literário

Dirigido e roteirizado por Emerald Fennell, o filme adapta o romance homônimo publicado em 1847 por Emily Brontë. Conhecida por sua abordagem estética marcante e narrativas intensas, Fennell aposta em uma leitura provocativa, sensual e emocionalmente crua da história.

A produção teve sua première no icônico Grauman’s Chinese Theatre, em Los Angeles, no dia 28 de janeiro de 2026, e chegou aos cinemas em 13 de fevereiro, distribuída pela Warner Bros. Pictures.

Apesar das críticas mistas, o longa conseguiu despertar interesse significativo do público, impulsionado pelo elenco estrelado e pela curiosidade em torno da abordagem contemporânea da diretora.

Uma história de obsessão, desejo e destruição

Ambientado nos pântanos de Yorkshire, o filme acompanha a relação intensa e autodestrutiva entre Catherine Earnshaw e Heathcliff. A trama começa em 1771, quando um homem é executado publicamente, sequência que estabelece o tom visceral da narrativa. Entre os espectadores estão Cathy e sua acompanhante, Nelly Dean.

A chegada de Heathcliff à propriedade Wuthering Heights, trazido pelo pai de Cathy após ser resgatado das ruas de Liverpool, marca o início de uma conexão profunda entre os dois. Criados quase como irmãos, os personagens desenvolvem um vínculo que ultrapassa convenções sociais e morais.

Com o passar dos anos, a degradação da propriedade e o alcoolismo do Sr. Earnshaw transformam o ambiente em um espaço de decadência física e emocional. Cathy, ambiciosa e consciente das limitações sociais impostas à sua posição, decide cortejar o rico vizinho Edgar Linton, buscando ascensão social e estabilidade.

Heathcliff, consumido pelo ciúme e pelo sentimento de abandono, testemunha o momento em que Cathy declara que se casar com ele seria degradante. Sem ouvir a parte em que ela afirma que suas almas estão entrelaçadas, ele parte devastado.

Luxo, ressentimento e retorno

Anos depois, Cathy já está casada com Edgar e vivendo em luxo na propriedade Thrushcross Grange. No entanto, a opulência não preenche o vazio deixado pela ausência de Heathcliff.

Quando ele retorna misteriosamente enriquecido, sua presença reacende antigas feridas. Amargurado, Heathcliff compra Wuthering Heights e inicia uma espiral de vingança emocional. Seu relacionamento com Isabella, irmã de Edgar, nasce como provocação e evolui para uma dinâmica marcada por dominação psicológica e degradação.

Enquanto isso, Cathy se vê dividida entre culpa, desejo e frustração. A tensão culmina em uma sucessão de tragédias que incluem aborto espontâneo, septicemia e, finalmente, a morte de Catherine, um desfecho devastador que sela o destino trágico dos protagonistas.

A cena final, em que Heathcliff segura o corpo sem vida de Cathy e implora para que ela o assombre, reforça o caráter quase sobrenatural da obsessão que os une.

Jacob Elordi consolida nova fase da carreira

O sucesso de bilheteria consolida uma fase importante na trajetória de Jacob Elordi. Conhecido inicialmente por produções voltadas ao público jovem, o ator vem gradualmente assumindo papéis mais densos e complexos.

Em Wuthering Heights, ele entrega um Heathcliff menos contido e mais visceral, explorando camadas de vulnerabilidade, ressentimento e crueldade. A performance dividiu críticos, mas ajudou a atrair grande parte do público internacional.

Margot Robbie assume uma Catherine intensa, volátil e profundamente contraditória. A química entre os protagonistas é um dos elementos mais comentados da produção, funcionando como motor emocional da narrativa.

“Um Cabra Bom de Bola” enfrenta desafio financeiro

Enquanto O Morro dos Ventos Uivantes celebra números robustos, outro lançamento recente enfrenta um cenário mais delicado. Um Cabra Bom de Bola encerrou sua estreia nos Estados Unidos com cerca de US$ 32 milhões, alcançando US$ 47,6 milhões globalmente.

Considerando que seu orçamento de produção ficou entre US$ 80 e US$ 90 milhões, o longa precisará praticamente dobrar sua arrecadação para atingir o ponto em que cobre custos de produção e marketing.

O contraste entre os dois filmes evidencia como adaptações literárias e dramas românticos de época, quando bem posicionados e estrelados por nomes fortes, ainda conseguem mobilizar público globalmente.

“The Batman – Parte II” avança sob o codinome “Vengeance 2” e promete aprofundar o lado mais arriscado do Cavaleiro das Trevas

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O universo sombrio inaugurado por Matt Reeves está oficialmente em movimento. De acordo com informações publicadas pelo portal ComicBookMovie, a aguardada continuação de The Batman está sendo desenvolvida sob o título provisório de “Vengeance 2”. As filmagens estão previstas para começar em abril, no Reino Unido, marcando uma nova etapa na consolidação desse universo mais realista, investigativo e emocionalmente denso do Homem-Morcego.

Embora títulos provisórios sejam comuns na indústria — muitas vezes usados apenas para fins logísticos —, o peso simbólico da palavra “vingança” não passa despercebido. No primeiro filme, ela não era apenas um conceito; era praticamente a assinatura do personagem. “I’m vengeance” tornou-se uma das frases mais marcantes da produção, sintetizando um Bruce Wayne dominado pelo trauma e pela necessidade de punição. Se o novo capítulo mantém essa referência, tudo indica que a continuação aprofundará as consequências psicológicas dessa escolha.

O longa lançado em 2022 apresentou um Batman em seu segundo ano de atuação, ainda aprendendo a lidar com os limites da própria cruzada. Interpretado por Robert Pattinson, o personagem surgiu menos como um símbolo mitológico e mais como um homem ferido tentando impor ordem ao caos.

A Gotham concebida por Matt Reeves era suja, úmida, politicamente apodrecida e dominada por estruturas criminosas enraizadas no poder público. O assassinato do prefeito Don Mitchell Jr. desencadeou uma investigação que expôs não apenas um serial killer metódico, mas uma rede sistêmica de corrupção envolvendo autoridades, empresários e policiais.

O Charada vivido por Paul Dano não era apenas um vilão excêntrico. Ele representava o extremismo digital, a radicalização online e o ressentimento social transformado em violência. Sua atuação trouxe uma camada perturbadora à narrativa, aproximando o filme de um thriller psicológico contemporâneo.

Agora, com Gotham parcialmente destruída após a inundação causada pelo plano final do vilão, o cenário para a sequência é ainda mais instável. A cidade precisa se reconstruir fisicamente — mas também moralmente. E é nesse ambiente frágil que novas ameaças podem surgir.

Antes de Reeves assumir o projeto, Ben Affleck estava ligado à direção, ao roteiro e ao protagonismo do longa. No entanto, após abandonar a função criativa, abriu espaço para uma reformulação completa da abordagem. Reeves decidiu apostar em um Batman mais jovem, mais introspectivo e com forte ênfase em seu lado detetive — algo que muitos fãs sentiam falta nas versões anteriores.

A inspiração em histórias clássicas dos quadrinhos dos anos 1980, 1990 e início dos anos 2000 ajudou a construir uma narrativa investigativa, quase procedural, que se distanciava do espetáculo puramente explosivo. O resultado foi um filme de atmosfera pesada, fotografia marcada por contrastes intensos e uma trilha sonora que reforçava o sentimento de isolamento.

Ao lado de Pattinson, nomes como Zoë Kravitz (Selina Kyle), Colin Farrell (Pinguim) e Jeffrey Wright (James Gordon) ajudaram a dar densidade emocional ao universo apresentado.

O desempenho comercial também foi expressivo. Mesmo enfrentando atrasos causados pela pandemia, o filme arrecadou mais de 770 milhões de dólares mundialmente, consolidando a confiança do estúdio em expandir essa versão do personagem.

“Nova e perigosa”: o que significa essa promessa?

O roteirista Mattson Tomlin, que colaborou no desenvolvimento do primeiro filme — embora sem crédito oficial —, declarou recentemente que a sequência será “nova e perigosa”. Mais do que uma frase de efeito, a declaração sugere que o segundo longa não pretende repetir a fórmula anterior.

“Estou ansioso para que as pessoas assistam e falem bastante sobre o filme”, afirmou Tomlin, destacando o quanto o projeto é significativo em sua trajetória. A escolha das palavras indica uma obra que pretende provocar discussões — seja pelo caminho narrativo, pela construção dos vilões ou pelas decisões morais do protagonista.

Perigosa pode significar muitas coisas: um Batman levado a extremos éticos; antagonistas ainda mais imprevisíveis; ou uma Gotham onde a linha entre justiça e vingança se torna ainda mais turva.

Possíveis caminhos narrativos

O final do primeiro filme deixou pistas claras para o futuro. A breve aparição de um detento misterioso em Arkham, interpretado por Barry Keoghan, foi amplamente interpretada como a introdução do Coringa nesse universo. Embora nada tenha sido oficialmente confirmado como foco central da sequência, o potencial de explorar a dinâmica entre Batman e esse vilão é evidente.

Além disso, o Pinguim, interpretado por Colin Farrell, saiu fortalecido politicamente no submundo do crime após a queda de Carmine Falcone. Em uma cidade alagada e fragilizada, disputas por território e influência podem se intensificar.

Há também a transformação interna de Bruce Wayne. No desfecho de The Batman, ele percebe que ser apenas um símbolo de medo não é suficiente. Ao ajudar sobreviventes da tragédia e conduzi-los para a luz, Bruce começa a entender que precisa representar esperança. Essa mudança pode redefinir completamente sua postura na sequência.

Reino Unido como base de produção

A decisão de iniciar as filmagens novamente no Reino Unido reforça a continuidade estética do projeto. No primeiro longa, locações britânicas foram fundamentais para criar a identidade arquitetônica de Gotham, combinando prédios históricos, áreas industriais e cenários urbanos contemporâneos.

Manter essa base sugere que o visual continuará sendo um dos pilares narrativos. A Gotham de Reeves não é apenas cenário; ela é personagem. Suas ruas molhadas, seus prédios decadentes e sua iluminação contrastante traduzem o estado emocional de Bruce Wayne.

Expansão do universo

Além da continuação direta, o universo idealizado por Reeves já se expande para outras mídias. Séries derivadas ambientadas na mesma linha temporal estão em desenvolvimento, reforçando que esse projeto é pensado a longo prazo.

No entanto, é o segundo filme que carregará a responsabilidade de consolidar definitivamente essa visão. Sequências costumam ser desafiadoras: precisam ampliar o escopo sem perder identidade, inovar sem romper com o que funcionou.

Crítica – “Alerta Apocalipse” transforma o medo invisível em espetáculo de tensão e paranoia

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Alerta Apocalipse parte de uma premissa conhecida — um vírus perigoso encoberto pelas autoridades —, mas consegue transformar essa base em uma experiência tensa, inquietante e, em alguns momentos, genuinamente perturbadora. O filme entende que o verdadeiro terror não está apenas na criatura ou na doença em si, mas no silêncio institucional que tenta varrer o problema para debaixo do tapete.

Logo nos primeiros minutos, somos apresentados à descoberta do vírus e à decisão estratégica de forças policiais, cientistas e militares de esconder o caso para evitar o caos social. A justificativa é “proteger a população”, mas o que vemos é uma sucessão de decisões baseadas no medo da repercussão, não no compromisso com a verdade. Esse início é eficiente porque não apela para o susto fácil. Ele constrói um clima de conspiração, quase burocrático, que torna tudo mais real.

Anos depois, a antiga base militar vira apenas um galpão esquecido. A escolha narrativa de avançar no tempo é inteligente, pois cria a falsa sensação de que o perigo ficou no passado. É nesse cenário que jovens funcionários começam a notar ruídos estranhos, áreas isoladas e estruturas escondidas sob a fachada comum do prédio. A curiosidade deles funciona como o gatilho da tragédia.

A descoberta da sala contaminada é uma das sequências mais impactantes do longa. O ambiente transmite abandono, mas também algo pulsante, quase vivo. Animais infectados se mutilando diante da câmera reforçam o horror físico e psicológico. É nesse ponto que o filme deixa claro que não estamos diante de um vírus comum. A infecção não transforma apenas — ela distorce, leva ao limite e culmina em algo ainda mais macabro.

O grande diferencial da narrativa está justamente na forma como o vírus se espalha. Em vez da tradicional mordida zumbi, a contaminação ocorre por explosão do hospedeiro. Humanos e animais infectados se detonam, lançando fragmentos contaminados que atingem novas vítimas. A cena do gato infectado é especialmente simbólica: frágil, ferido, aparentemente inofensivo, ele se transforma em um vetor ambulante de destruição. Ao subir em uma antena e explodir, o filme entrega uma imagem chocante e original, que marca o espectador.

É nesse caos crescente que entram os protagonistas. Travis Meacham, vivido por Joe Keery, representa o olhar inquieto e questionador diante do absurdo. Ao seu lado está Robert Quinn, interpretado por Liam Neeson, cuja presença traz peso dramático e autoridade moral à trama. Já Naomi Williams, papel de Georgina Campbell, equilibra emoção e racionalidade, funcionando como a ponte entre impulso e estratégia.

A dinâmica entre os três eleva o filme a outro nível. Quando percebem que o Exército jamais admitirá o erro ou permitirá uma ação oficial, eles decidem agir por conta própria. A ideia de implodir o local com uma bomba subterrânea adiciona urgência à narrativa. Não se trata apenas de destruir um prédio, mas de eliminar um erro histórico antes que ele se torne irreversível.

A sequência final é carregada de tensão. Cada passo no plano parece poder dar errado. O espectador sente que o vírus, invisível e imprevisível, pode escapar a qualquer momento. Quando a explosão finalmente acontece, há um misto de alívio e dúvida. Eles sobrevivem, quase ilesos, mas o silêncio que vem depois não transmite vitória absoluta — transmite incerteza.

A decisão de expor as provas à mídia acrescenta uma camada política poderosa. O filme deixa claro que o maior erro não foi apenas criar ou armazenar o vírus, mas escolher escondê-lo. A crítica à manipulação institucional ecoa de forma atual e incômoda.

E então vem a última cena. Um detalhe quase discreto: um animal aparentemente infectado. Não há explicações, apenas sugestão. O vírus pode ter sobrevivido. Pode estar à espreita. Pode já estar se espalhando novamente.

Tudo o que já foi revelado sobre a segunda temporada de Cães de Caça, um dos dramas mais intensos da Netflix

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Quando Cães de Caça estreou na Netflix, em junho de 2023, a série não chamou atenção apenas pelas cenas de luta bem coreografadas. O que realmente prendeu o público foi a sensação de que aqueles personagens estavam lutando por algo que ia além do dinheiro. Eles lutavam por dignidade. Agora, com a segunda temporada marcada para 22 de maio de 2026, a história retorna mais madura, mais intensa e com um novo rosto no centro do conflito: Rain assume o papel do vilão Baek-jeong.

Dirigida e escrita por Kim Joo-hwan, a produção nasceu da webtoon criada por Jeong Chan e rapidamente se destacou entre os dramas coreanos do catálogo da Netflix. Ambientada durante a pandemia de COVID-19, a primeira temporada mergulhou em um período de fragilidade coletiva. Pequenos negócios quebrando, famílias endividadas e a sensação de que o mundo havia encolhido. Nesse cenário, dois jovens boxeadores tentavam sobreviver sem abrir mão dos próprios valores.

Gun-woo, interpretado por Woo Do-hwan, é apresentado como um atleta disciplinado, de poucas palavras e coração enorme. Quando a mãe dele se vê sufocada por uma dívida impagável, o sonho de se tornar boxeador profissional perde espaço para uma necessidade mais urgente: proteger quem ele ama. Ao lado dele está Woo-jin, vivido por Lee Sang-yi, amigo leal, ex-fuzileiro naval e parceiro que não hesita em dividir o peso das decisões difíceis.

A força da série sempre esteve nessa amizade. Nos treinos compartilhados, nos silêncios após as derrotas e na forma como um entende o outro sem precisar explicar muito. A violência nunca foi gratuita. Cada soco vinha carregado de frustração, medo e resistência. Era sobre jovens tentando não se corromper em um ambiente onde quase tudo está à venda.

A primeira temporada também apresentou o Sr. Choi, interpretado por Heo Joon-ho, uma figura quase lendária no mundo dos empréstimos privados. Diferente dos agiotas tradicionais, ele retorna disposto a ajudar pessoas vulneráveis oferecendo dinheiro sem juros. Essa escolha o coloca em confronto direto com empresários violentos, entre eles o personagem vivido por Park Sung-woong, que simboliza um sistema frio e implacável.

Mesmo enfrentando controvérsias nos bastidores, como o caso envolvendo Kim Sae-ron durante a produção, a série conseguiu se firmar. O público respondeu à autenticidade emocional da narrativa. Em poucas semanas, Cães de Caça figurava entre as produções de língua não inglesa mais assistidas da plataforma, somando milhões de horas vistas ao redor do mundo.

Agora, a segunda temporada promete ampliar esse universo. As primeiras imagens divulgadas revelam um cenário mais sombrio e organizado. Se antes o inimigo era o sistema predatório de empréstimos, agora o foco se desloca para uma gangue clandestina de boxe. O ringue deixa de ser apenas um espaço de superação pessoal e se transforma em território de exploração, apostas milionárias e manipulação.

É nesse ambiente que surge Baek-jeong, personagem de Rain. Conhecido internacionalmente como cantor e performer, Rain construiu uma carreira marcada por presença magnética e intensidade. Ao assumir o papel do antagonista, ele adiciona uma camada de imprevisibilidade à série. Baek-jeong não deve ser apenas um oponente físico para Gun-woo e Woo-jin. Ele representa um tipo diferente de ameaça: alguém que entende o poder do espetáculo, que transforma violência em negócio e que sabe manipular pessoas tanto quanto sabe lutar.

A escolha de Rain não é apenas estratégica; ela também é simbólica. Um ícone do k-pop assumindo o posto de vilão em um drama de ação sugere que a série quer ir além das expectativas. Não se trata de um embate simples entre heróis e vilões. Trata-se de valores em conflito. De um lado, dois jovens que lutam para proteger os outros. Do outro, alguém que enxerga no boxe uma ferramenta de controle e lucro.

Woo Do-hwan e Lee Sang-yi retornam mais experientes, e isso deve se refletir na jornada dos personagens. Eles já enfrentaram perdas, traições e dilemas morais. Agora, precisam lidar com um adversário que atua dentro do universo que eles conhecem tão bem. O boxe, que antes era refúgio e disciplina, torna-se campo minado.

Kim Joo-hwan já adiantou que as cenas de ação serão mais duras. Mas o impacto não deve vir apenas da coreografia. O que realmente pesa em Cães de Caça é a consequência. Ossos quebrados, cortes no rosto e o desgaste emocional de quem vive em alerta constante. A série nunca romantizou a violência, e tudo indica que continuará tratando cada confronto como algo que deixa marcas.

Há também a expectativa sobre como a amizade entre Gun-woo e Woo-jin será testada. Quando o inimigo se infiltra no próprio território deles, as decisões ficam mais complexas. Até onde ir para derrubar alguém que domina as regras do jogo? É possível manter a integridade quando o adversário não tem limites?

“Rampage – Destruição Total” é a atração da Temperatura Máxima neste domingo, 15 de fevereiro, na TV Globo

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A tarde deste domingo, 14 de fevereiro de 2026, ganha contornos de superprodução com a exibição de Rampage – Destruição Total na TV Globo. O longa de 2018 leva para a tela uma história que mistura afeto, ciência fora de controle e consequências que fogem completamente das mãos de quem achou que poderia manipular a natureza.

Dirigido por Brad Peyton e inspirado no clássico jogo da Midway Games, o filme acompanha Davis Okoye, um primatologista de poucas palavras que encontra nos animais a conexão que evita nas pessoas. Ele criou George desde filhote, acompanhou seu desenvolvimento e construiu com o gorila uma relação baseada em confiança silenciosa e gestos simples. Não é apenas um pesquisador cuidando de um animal raro; é alguém que enxerga no outro uma forma de pertencimento.

Esse vínculo é colocado à prova quando um experimento genético ilegal atinge diferentes predadores, entre eles George. Em pouco tempo, o gorila dócil se transforma em uma criatura gigantesca, desorientada e agressiva. Ao mesmo tempo, um lobo e um crocodilo passam pela mesma mutação, espalhando destruição por onde avançam. O que antes era pesquisa se converte em emergência nacional.

Davis, interpretado por Dwayne Johnson, deixa de ser apenas o cuidador e assume o papel de alguém disposto a arriscar tudo para salvar o amigo. Ao lado de uma cientista vivida por Naomie Harris, ele corre contra o tempo em busca de um antídoto que possa reverter a mutação. Enquanto isso, a resposta militar cresce na mesma proporção das criaturas, ampliando o conflito e a tensão.

O elenco ainda conta com Malin Åkerman, Jake Lacy e Jeffrey Dean Morgan, que ajudam a compor um cenário em que interesses corporativos, decisões impulsivas e responsabilidade científica se cruzam de maneira explosiva.

Produzido pela New Line Cinema e distribuído pela Warner Bros. Pictures, o filme custou cerca de 120 milhões de dólares e ultrapassou 428 milhões em bilheteria mundial. Os números confirmam o apelo da história, mas o que sustenta a narrativa é o contraste entre a escala da destruição e a intimidade da relação entre homem e animal.

Mais do que acompanhar prédios caindo e confrontos de proporções improváveis, o público é convidado a refletir sobre limites éticos e sobre o preço de interferir em processos que não se compreendem totalmente. No centro de tudo está uma pergunta simples e humana: até onde alguém vai para proteger quem ama, mesmo quando o mundo inteiro enxerga essa figura como uma ameaça?

“A Fabulosa Máquina do Tempo” emociona na Berlinale e consolida presença brasileira na competição de documentários

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A estreia mundial de “A Fabulosa Máquina do Tempo” foi marcada por casa cheia, aplausos calorosos e um clima de celebração que levou o espírito brasileiro ao coração da Alemanha. O novo longa de Eliza Capai abriu a mostra Generation Kplus do Festival Internacional de Cinema de Berlim, a tradicional Berlinale, em uma sessão com ingressos esgotados no Auditório Miriam Makeba, na Haus der Kulturen der Welt. A recepção do público foi imediata, com risadas ao longo da exibição e aplausos ainda durante o filme, em um daqueles momentos raros em que a conexão entre obra e plateia se torna visível.

Coprodução da Amana Cine com Globo Filmes, GloboNews e Canal Brasil, o documentário é o único representante brasileiro na disputa pelo prêmio de Melhor Documentário nesta edição do festival e também concorre ao Urso de Cristal dentro da Generation Kplus, seção dedicada a narrativas que dialogam com infância, crescimento e amadurecimento.

A estreia ganhou contornos ainda mais simbólicos por ter acontecido em plena sexta-feira de carnaval. A equipe decidiu transformar o tapete vermelho em uma extensão da identidade do filme e levou um personagem inspirado no icônico Fofão, figura que também aparece na obra. Ao lado das meninas protagonistas, o personagem dançou, interagiu com o público e trouxe leveza e irreverência à entrada oficial do longa no festival. O momento chamou atenção da imprensa internacional e ajudou a criar uma atmosfera calorosa antes mesmo do início da sessão.

Para Eliza Capai, a noite teve um significado profundamente pessoal. A diretora revelou que há cerca de dois anos já falava, em tom de brincadeira, que seu novo filme estrearia em fevereiro de 2026 em Berlim, mesmo sem qualquer confirmação oficial. Ver esse desejo se concretizar, especialmente abrindo a Generation Kplus, foi descrito por ela como a realização de um sonho antigo. Mais do que isso, foi a chance de compartilhar a experiência com algumas das crianças protagonistas que viajaram para acompanhar a estreia. A diretora destacou que o filme fala justamente sobre sonhos e sobre a importância de criar utopias como forma de imaginar e construir mundos melhores.

Entre as presenças que mais emocionaram o público estava a pequena Manuella Dias Silva, carinhosamente chamada de Manuzinha durante o festival. Para ela, a viagem foi repleta de descobertas inéditas. Foi a primeira vez em um avião e a primeira vez em uma sala de cinema. Em sua fala antes da exibição, resumiu a experiência com uma imagem poética que sintetiza o espírito do documentário: entrar em um avião foi como entrar em uma máquina do tempo. A frase arrancou sorrisos e reforçou o tom sensível da narrativa.

Rodado no Piauí, “A Fabulosa Máquina do Tempo” acompanha um grupo de meninas que, por meio de conversas e brincadeiras, revelam reflexões surpreendentes sobre o mundo ao seu redor. O filme mergulha no universo lúdico da infância, mas não se limita à leveza. Entre risadas e jogos imaginativos, surgem temas complexos como casamento, desigualdades de gênero, expectativas sociais e sonhos de futuro. A força da obra está justamente nessa combinação entre espontaneidade infantil e profundidade de pensamento.

Durante a sessão na Berlinale, a plateia reagiu de forma intensa e afetiva. Segundo a diretora, o público riu muito e se conectou profundamente com a história das meninas. Ao final, o sentimento era de coração aquecido e de missão cumprida. A atmosfera na sala evidenciou como questões locais, vividas por crianças do interior do Brasil, podem dialogar com espectadores de diferentes culturas e nacionalidades.

A presença do longa no festival também reafirma a trajetória consistente de Eliza Capai no circuito internacional. Em 2019, ela apresentou “Espero tua (Re)volta” na própria Berlinale, onde recebeu o Prêmio da Anistia Internacional e o Prêmio da Paz. Reconhecida por seu olhar atento às questões sociais e de gênero, a cineasta também dirigiu a série “O Prazer é Meu”, indicada ao Emmy Internacional, e o longa “Incompatível com a Vida”, premiado no festival É Tudo Verdade e qualificado para o Oscar. Seu trabalho tem se destacado por unir sensibilidade narrativa e compromisso político, sempre dando voz a personagens que raramente ocupam o centro das telas.

“A Fabulosa Máquina do Tempo” amplia essa proposta ao colocar meninas no centro da narrativa, permitindo que suas vozes conduzam o filme. Em vez de especialistas ou análises externas, são elas que constroem a reflexão sobre o mundo, criando uma experiência que mistura documentário, fantasia e observação social. O resultado é uma obra que dialoga tanto com crianças quanto com adultos, despertando memórias da própria infância e questionamentos sobre o futuro.

A realização do projeto contou com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual por meio da Ancine e do BRDE, reforçando a importância das políticas públicas para a consolidação do cinema brasileiro em festivais internacionais. A distribuição nos cinemas do Brasil ficará a cargo da Descoloniza Filmes, enquanto as vendas internacionais serão conduzidas pela Split Screen.

“Dead by Daylight” vai ganhar adaptação para os cinemas com roteiristas ligados ao universo Invocação do Mal

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O universo sombrio de Dead by Daylight está cada vez mais próximo de sair das telas dos videogames para ocupar as salas de cinema. De acordo com o The Hollywood Reporter, a adaptação cinematográfica do jogo será escrita por David Leslie Johnson-McGoldrick e Alexandre Aja, dois nomes com experiência consolidada no gênero do terror. O projeto reúne a força criativa da Blumhouse Productions, da Atomic Monster e da Behaviour Interactive, estúdio responsável pelo desenvolvimento do game original.

A escolha dos roteiristas chama atenção. Johnson-McGoldrick colaborou diversas vezes com James Wan e ajudou a expandir o universo de The Conjuring, uma das franquias mais lucrativas do terror contemporâneo. Já Alexandre Aja construiu sua reputação com filmes intensos e viscerais como The Hills Have Eyes, Piranha 3D e Crawl. Embora Aja esteja envolvido apenas como roteirista e não vá dirigir o longa, sua assinatura criativa já indica que a adaptação deve apostar em tensão constante e atmosfera sufocante. Ele está atualmente dedicado à sequência de Sob as Águas do Sena para a Netflix, o que abriu espaço para que as produtoras iniciem a busca por um diretor que abrace essa visão.

Jason Blum, fundador da Blumhouse, afirmou que o projeto pretende equilibrar profundidade emocional com intensidade implacável. A proposta é construir um filme que não se limite a reproduzir sustos rápidos, mas que mergulhe no terror psicológico e no horror de sobrevivência que consagraram o jogo. A ideia é que o medo seja algo conquistado ao longo da narrativa, sustentado por personagens fortes e por uma sensação constante de ameaça.

Lançado em 2016 pela Behaviour Interactive, Dead by Daylight rapidamente se transformou em um dos títulos mais populares do gênero survival horror multiplayer. Seu formato assimétrico, em que um jogador assume o papel de assassino enquanto até quatro controlam sobreviventes tentando escapar, criou uma experiência tensa e imprevisível. Enquanto o assassino enxerga em primeira pessoa e persegue suas vítimas, os sobreviventes jogam em terceira pessoa e precisam reparar cinco geradores espalhados pelo mapa para abrir os portões de saída. Eles não podem lutar diretamente, apenas correr, se esconder, usar obstáculos e contar com trabalho em equipe. Quando resta apenas um sobrevivente, surge ainda a possibilidade de fuga por uma escotilha, alternativa que pode ser fechada pelo assassino. Essa dinâmica simples, mas extremamente eficaz, ajudou o game a ultrapassar a marca de 50 milhões de jogadores ao redor do mundo.

Parte do sucesso também se deve ao impressionante catálogo de personagens licenciados que transformou o jogo em um verdadeiro encontro de ícones do terror. Ao longo dos anos, Dead by Daylight incorporou figuras e elementos de franquias como Halloween, A Nightmare on Elm Street, The Texas Chain Saw Massacre, Scream, Saw, Stranger Things, Silent Hill, Resident Evil, Hellraiser, Ringu e Alien. Até Nicolas Cage entrou no universo do game como personagem jogável, reforçando o alcance cultural da marca.

No centro de tudo está a Entidade, uma força sobrenatural que sequestra assassinos e sobreviventes de diferentes realidades para submetê-los a julgamentos eternos. Alimentando-se da esperança e do medo, ela cria cenários fragmentados onde a caça se repete indefinidamente. Essa mitologia sombria, que mistura terror psicológico, fatalismo e ciclos de violência, pode oferecer ao cinema uma base narrativa rica, indo além da simples estrutura de perseguição.

O grande desafio da adaptação será transformar a experiência interativa em uma narrativa cinematográfica envolvente. No jogo, a tensão nasce da imprevisibilidade e das decisões dos jogadores. No cinema, será preciso construir personagens com os quais o público se conecte emocionalmente, mantendo ao mesmo tempo a sensação constante de ameaça. Com o envolvimento da Blumhouse e da Atomic Monster, estúdios que ajudaram a redefinir o terror moderno, as expectativas são altas.

“Lisbela e o Prisioneiro” é o destaque da Sessão de Sábado deste 14 de fevereiro na TV Globo

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A programação da Sessão de Sábado deste 14 de fevereiro aposta em um dos romances mais emblemáticos do cinema nacional. A TV Globo exibe Lisbela e o Prisioneiro, longa-metragem brasileiro lançado em 2003 que se tornou referência ao unir comédia, romance e uma forte identidade cultural nordestina.

Dirigido por Guel Arraes, o filme é uma adaptação da obra homônima de Osman Lins. O roteiro foi desenvolvido por Arraes em parceria com Pedro Cardoso e Jorge Furtado, resultando em uma narrativa ágil, espirituosa e repleta de camadas que dialogam tanto com o público popular quanto com espectadores mais atentos às nuances metalinguísticas.

No elenco, nomes que ajudaram a consolidar o sucesso do projeto: Selton Mello e Débora Falabella vivem o casal protagonista, acompanhados por Marco Nanini, Virgínia Cavendish, Bruno Garcia e André Mattos.

Ambientado no século XX, em Pernambuco, o filme apresenta Lisbela, uma jovem sonhadora apaixonada por cinema. Frequentadora assídua das sessões exibidas em sua cidade, ela alimenta fantasias inspiradas nos galãs de Hollywood e nos finais arrebatadores das produções norte-americanas que tanto admira.

A rotina da protagonista muda completamente com a chegada de Leléu, um malandro carismático e conquistador que desembarca na cidade fugindo de um matador decidido a acertar contas. O encontro entre os dois acontece de forma intensa e imediata, dando início a um romance que desafia convenções sociais, expectativas familiares e perigos concretos.

O principal obstáculo é o fato de Lisbela já estar noiva e com casamento marcado. Além disso, a presença ameaçadora de Frederico Evandro, homem traído e disposto a se vingar, amplia a tensão dramática. Entre perseguições, ciúmes e conflitos, o casal precisa decidir se vale a pena enfrentar tudo em nome do amor.

Um dos grandes trunfos do longa está na construção de seus personagens secundários. Tenente Guedes, pai de Lisbela e chefe de polícia, simboliza a autoridade rígida e conservadora. Inaura surge como figura sedutora e insatisfeita, adicionando camadas de desejo e provocação à trama. Há ainda personagens pitorescos que reforçam o humor regional, compondo um mosaico humano que transita entre o exagero cômico e a sensibilidade dramática.

A ambientação em Recife, com filmagens realizadas no bairro da Boa Vista, contribui para a autenticidade da narrativa. A cidade não funciona apenas como pano de fundo, mas como elemento ativo da história, reforçando a atmosfera cultural nordestina que permeia todo o filme.

Lisbela e o Prisioneiro também se destaca por sua relação com o universo cinematográfico. A protagonista interpreta o mundo a partir das referências que absorve nas salas de exibição. Essa perspectiva cria momentos em que a narrativa assume tom quase teatral, com situações que parecem conscientemente encenadas como se fossem parte de um grande espetáculo.

Esse recurso reforça o caráter metalinguístico da obra, que presta homenagem às histórias românticas clássicas ao mesmo tempo em que as revisita sob uma ótica brasileira e regionalizada. O resultado é uma experiência que equilibra fantasia e realidade, sem perder a leveza.

O longa marcou um momento importante na carreira de Guel Arraes. Embora já fosse reconhecido por produções de sucesso adaptadas da televisão, como O Auto da Compadecida e Caramuru – A Invenção do Brasil, este foi seu primeiro projeto concebido diretamente para o cinema.

A produção envolveu parcerias relevantes da indústria audiovisual brasileira e contou com distribuição internacional. Durante a pós-produção, a equipe enfrentou um contratempo significativo com a perda de negativos originais em laboratório, o que exigiu a refilmagem de determinadas cenas. Ainda assim, o resultado final manteve a qualidade artística e técnica esperada.

Outro elemento fundamental para o êxito do filme é sua trilha sonora. Com direção musical de André Moraes e João Falcão, o trabalho reúne artistas consagrados da música brasileira, como Zé Ramalho, Caetano Veloso e Elza Soares.

A seleção musical dialoga diretamente com o espírito da narrativa, reforçando o romantismo, a dramaticidade e o humor presentes na trama. O álbum da trilha tornou-se um fenômeno comercial, alcançando números expressivos de vendas e consolidando-se como uma das trilhas sonoras de filme brasileiro mais bem-sucedidas de todos os tempos.

“O Velho Fusca” revela trailer e pôster e aposta em drama familiar emocionante com estreia em 19 de março

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A A2 Filmes e a Ruschel Studios divulgaram o pôster e o trailer oficiais de O Velho Fusca, novo longa dirigido por Emiliano Ruschel. O filme chega aos cinemas brasileiros no dia 19 de março com a proposta de emocionar o público ao abordar temas como reconciliação familiar, amadurecimento e o delicado encontro entre diferentes gerações.

No centro da história está a relação conturbada entre avô e neto. O personagem vivido por Tonico Pereira (A Grande Família, O Bem-Amado) é um homem endurecido pelas marcas do passado, especialmente por ter sido enviado ainda jovem para a guerra em outro país. Amargurado e preso a convicções rígidas, ele carrega uma visão crítica sobre a geração atual, que considera sensível demais.

Em contraste, Junior, interpretado por Caio Manhente (D.P.A — O Filme, Vai na Fé), é um jovem em busca de identidade e pertencimento. Ao descobrir um velho Fusca esquecido na garagem do avô, enxerga no carro não apenas um sonho mecânico, mas a chance de reconstruir pontes afetivas. O desejo de restaurar o veículo se transforma em uma jornada emocional, na qual será preciso enfrentar silêncios, traumas e ressentimentos guardados por anos.

A trama utiliza a reforma do Fusca como metáfora para a reconstrução de vínculos familiares. Para conquistar o carro, Junior precisa ir além da lataria e do motor. Ele terá de compreender as dores que moldaram o avô e encontrar caminhos de diálogo onde antes só existiam tensão e ironia.

O elenco amplia a força dramática da narrativa. Cleo Pires (O Tempo Não Para, Salve Jorge) e Danton Mello (Sinhá Moça, Órfãos da Terra) interpretam os pais de Junior, compondo o retrato de uma família marcada por conflitos antigos. O núcleo central conta ainda com Giovanna Chaves (Cúmplices de um Resgate), Isaías Silva, Christian Malheiros (Sintonia), Yuri Marçal (Em Pé na Rede), Rodrigo Ternevoy, Leandro Lucca e Priscila Vaz, que ajudam a dar múltiplas camadas à história.

O Rio de Janeiro surge como presença viva na narrativa. Locais como o bairro da Urca reforçam a atmosfera solar e afetiva do filme, transformando a cidade em um elemento essencial para a construção da identidade da obra.

A trilha sonora acompanha essa mistura de gerações ao reunir clássicos e vozes contemporâneas. O público ouvirá canções de Jorge Aragão, Teresa Cristina, Diogo Nogueira, Xande de Pilares e Péricles, além de músicas de Jorge Vercillo e do rapper PK. A seleção musical reforça o diálogo entre passado e presente que conduz toda a trama.

Criador de O Exterminador do Futuro Zero confirma cancelamento da série após uma temporada na Netflix

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Nem toda guerra contra as máquinas dura para sempre. Mattson Tomlin confirmou em suas redes sociais que O Exterminador do Futuro Zero foi cancelada após apenas uma temporada. A decisão ainda não ganhou um comunicado formal da Netflix, mas o criador foi direto ao explicar o motivo: pouca audiência.

Segundo Tomlin, a série foi bem recebida tanto pela crítica quanto pelo público que a assistiu. O problema foi o alcance. “A crítica e o público gostaram muito, mas não teve gente suficiente assistindo”, afirmou. Ele também comentou que adoraria ter explorado a Guerra do Futuro nas temporadas seguintes, mas que se sente satisfeito com a forma como a história se encerra.

A declaração tem um tom de frustração compreensível, mas também de gratidão. Dá para perceber que havia um plano maior. E havia mesmo.

Tomlin já tinha os roteiros completos da segunda temporada e um esboço estruturado da terceira. A ambição era que a série chegasse a cinco temporadas, expandindo a mitologia da franquia e aprofundando os conflitos entre humanos e máquinas. O cancelamento interrompeu esse arco antes que ele pudesse ganhar forma completa.

Ambientada no universo de O Exterminador do Futuro, criado por James Cameron e Gale Anne Hurd, a animação tentou algo diferente dentro da franquia. Em vez de revisitar os personagens clássicos, optou por contar uma nova história, com novos protagonistas, em um cenário pouco explorado: o Japão.

A trama se passa em Tóquio, em 1997. Malcolm Lee desenvolve um sistema de inteligência artificial chamado Kokoro, criado para competir com a Skynet. Na véspera do Dia do Julgamento, ele e seus três filhos passam a ser perseguidos por um exterminador desconhecido. Ao mesmo tempo, um soldado vindo de 2022 é enviado ao passado para protegê-los.

A série mistura ação, tensão familiar e reflexões sobre tecnologia. O que diferencia essa abordagem é justamente o olhar mais íntimo. A história não se limita a perseguições e explosões. Ela investe na dinâmica entre pai e filhos, no medo constante e nas escolhas que moldam o futuro.

A produção ficou a cargo do estúdio japonês Production I.G, com direção de Masashi Kudō. A escolha não foi apenas estética. Tomlin revelou que a equipe japonesa pediu que a série tivesse um componente cultural próprio. Ambientar a história no Japão trouxe diferenças interessantes, como a menor disponibilidade de armas de fogo para civis, o que altera completamente a lógica de sobrevivência diante de uma ameaça implacável.

Outro detalhe curioso do processo criativo foi a questão do idioma. Os roteiros foram escritos originalmente em inglês por Tomlin, depois traduzidos para o japonês para a produção da animação. Em seguida, o próprio criador reescreveu os diálogos em inglês para a dublagem final, ajustando nuances para que soassem naturais. Foi um processo de adaptação constante, quase um diálogo entre culturas.

A série estreou com oito episódios em 29 de agosto de 2024. Durante a divulgação na Geeked Week de 2023, a Netflix apresentou o projeto como uma expansão do universo Terminator, prometendo novos personagens e uma abordagem mais global da guerra contra as máquinas.

Tomlin também deixou claro que considerava todos os filmes anteriores da franquia como canônicos. A ideia era respeitar a linha do tempo estabelecida e, ao mesmo tempo, construir algo novo. Nas temporadas futuras, o foco se voltaria especialmente para os filhos de Malcolm. O criador queria mostrar como eles cresceriam em meio ao conflito e como suas visões sobre humanos e máquinas se tornariam radicalmente diferentes.

Esse desenvolvimento mais profundo, que culminaria na Guerra do Futuro, acabou ficando apenas no papel.

O cancelamento reacende uma discussão frequente no universo do streaming. Nem sempre qualidade e boa recepção garantem continuidade. Em um cenário competitivo, onde o volume de lançamentos é enorme, conquistar atenção suficiente se tornou tão desafiador quanto sobreviver a um exterminador.

Ainda assim, Tomlin afirmou que a primeira temporada funciona como uma história fechada. Para quem assistiu, há um arco completo, mesmo com portas abertas para expansões que agora não acontecerão.

O Exterminador do Futuro Zero pode não ter tido vida longa, mas representou uma tentativa interessante de reinventar uma franquia clássica sob uma nova perspectiva cultural e narrativa. Mostrou que ainda há espaço para explorar a mitologia criada nos anos 1980 sob ângulos diferentes.

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