Enquanto os fãs da DC especulam cifras e projeções para a estreia do novo Superman, o diretor James Gunn decidiu colocar os holofotes no lugar certo: a qualidade do filme. Em entrevista à revista GQ, ele foi claro ao comentar sobre a obsessão com números astronômicos.
“Sim, existe expectativa. Mas não do jeito que estão dizendo por aí”, afirmou Gunn. “Essa ideia de que só será um sucesso se passar dos US$ 700 milhões é completamente equivocada.” A fala, direta e segura, aponta para um desejo do cineasta de resgatar o cinema de super-heróis como forma de arte — e não como planilha.
☀️ Um Clark Kent no início da jornada — mas nada de Krypton explodindo
O novo longa não será uma repetição das muitas versões que já vimos do herói nos últimos anos. Gunn escreveu um roteiro que mergulha nos primeiros passos de Clark em Metrópolis, logo após deixar Smallville. Ainda tentando encontrar equilíbrio entre a vocação como repórter e o peso de ser um símbolo de esperança, esse Superman ainda está aprendendo a ser… Superman.
Mas não espere flashbacks da nave caindo ou da destruição de Krypton. Aqui, o foco não está na origem, e sim na transformação — tanto pessoal quanto heroica. É o início de uma nova era, mas sem precisar contar tudo de novo.
🧠 Uma nova lógica para medir sucesso
A declaração de Gunn vai além da bilheteria. Ela carrega um recado direto para estúdios, críticos e fãs: nem todo filme precisa quebrar recordes para cumprir seu propósito. Especialmente quando se trata de um personagem tão icônico, a missão vai muito além de números — é sobre reconstruir confiança, reconectar o público e, acima de tudo, contar uma boa história.
Na era dos blockbusters que muitas vezes tropeçam no próprio hype, talvez seja exatamente isso que o Superman da nova DC precise: menos pressão por bilhões e mais espaço para emoção, humanidade e propósito.
O que acontece quando o lugar que deveria te proteger se torna o maior pesadelo da sua vida? E quando, anos depois, alguém encontra os ossos que você jurou ter deixado para trás? Essas são as perguntas que movem o perturbador Minhas Meninas, novo thriller psicológico da autora best-seller Sally Hepworth, que acaba de ter seus direitos adquiridos para uma adaptação audiovisual.
Ainda sem data oficial ou equipe revelada, o projeto já nasce com peso: a história mistura traumas da infância, abuso psicológico e uma ossada misteriosa, elementos que fazem do livro um prato cheio para uma minissérie ou filme de suspense envolvente — daquelas que a gente assiste de um fôlego só.
🕯️ Nem toda infância é feita de boas lembranças
Três garotas. Uma casa de acolhimento. Uma mulher que se dizia protetora. Jessica, Norah e Alicia cresceram em Wild Meadows, um lar provisório que, sob os olhos do mundo, parecia um abrigo acolhedor. Mas bastava a porta se fechar para que a verdade aparecesse: a Srta. Fairchild, cuidadora do local, era tudo menos gentil.
Por trás do tom doce e das regras “para o bem delas”, havia chantagem emocional, punições silenciosas e um controle sufocante. Ainda meninas, elas aprenderam a não questionar, a não gritar — e a sobreviver. Fugiram dali. Cresceram. Tentaram esquecer. Mas o passado tem um jeito cruel de se manifestar.
Vinte e cinco anos depois, uma ossada é encontrada sob a antiga casa. E agora, as três protagonistas são forçadas a revisitar o que nunca quiseram lembrar.
🧠 Quando o que você lembra… é o que ninguém quer ouvir
Minhas Meninas se destaca por tratar o horror com delicadeza, e o trauma com inteligência. A narrativa alterna presente e passado, revelando não apenas os eventos que aconteceram em Wild Meadows, mas o impacto silencioso que eles deixaram — no modo como cada mulher ama, trabalha, se relaciona e até mesmo se protege de si mesma.
O que mais impressiona é como Sally Hepworth aborda a dúvida que persegue tantas vítimas de abusos psicológicos: se ninguém viu, se não tem provas, será que vão acreditar em mim? O livro não oferece respostas fáceis — oferece camadas. Memória, identidade, culpa, e a frágil linha entre proteção e manipulação.
👀 De livro premiado a adaptação imperdível
Publicada no Brasil pela VR Editora, a obra já é sucesso de público e crítica, e sua adaptação promete seguir os passos de outros thrillers psicológicos protagonizados por mulheres que recentemente ganharam versões aclamadas nas telas — como Garota Exemplar, The Undoing e Objetos Cortantes.
Com clima tenso, atmosfera claustrofóbica e três protagonistas femininas marcantes e multifacetadas, a adaptação de Minhas Meninas promete entregar suspense com profundidade emocional — algo raro no gênero, mas que Hepworth executa com perfeição.
📖 Muito mais do que um crime enterrado
Não espere apenas uma investigação policial ou um suspense tradicional. Em Minhas Meninas, o crime é só a superfície. Por baixo dele estão as camadas de dor invisível que uma infância marcada pelo medo pode deixar — mesmo depois de décadas.
Afinal, será que dá pra seguir em frente quando você nunca conseguiu dizer em voz alta o que viveu? E mais: será que dá pra construir uma nova vida sem antes encarar aquilo que ficou soterrado — literalmente?
Há filmes que não gritam, mas sussurram verdades tão íntimas que permanecem com a gente muito depois da última cena. Meu Bolo Favorito, dirigido com sutileza por Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha, é um desses encontros raros entre delicadeza e profundidade. Mais do que uma história de amor, é um retrato generoso de uma mulher que redescobre a própria vida quando já parecia não haver mais tempo para surpresas.
Mahin, interpretada com alma pela extraordinária Lili Farhadpour, tem 70 anos e mora sozinha em Teerã. A filha mora longe, na Europa. O marido já não está mais. O cotidiano é silencioso, previsível, quase invisível — como tantas mulheres maduras que passam despercebidas no turbilhão da vida urbana. Mas, num chá da tarde com amigas, algo muda. Um gesto simples, uma conversa banal, e Mahin, quase sem perceber, permite que uma nova possibilidade se aproxime.
E assim, sem grandes arcos ou viradas espetaculosas, o filme nos envolve com a poesia da intimidade. Um novo romance entra em cena — ou talvez seja apenas um encontro, um instante de conexão humana — e Mahin se vê diante do impensável: o direito de sentir desejo de novo, de abrir a porta não apenas da casa, mas do corpo, da memória, da alma.
O que começa como um evento rotineiro logo se transforma numa noite de descobertas — nem sempre suaves, nem sempre fáceis, mas incrivelmente humanas. Porque o amor, quando chega tarde, não chega com ingenuidade: chega carregado de passado, de medo, de delicadezas que só a maturidade entende.
Meu Bolo Favorito se passa em um Irã real, onde as mulheres vivem entre limites e brechas, onde os silêncios dizem mais que mil palavras. Mas o que torna o filme universal é justamente sua capacidade de tocar o que é comum a todas as mulheres: a solidão, o desejo, o medo de envelhecer invisível, a esperança que insiste em resistir mesmo quando tudo parece já definido.
A câmera é íntima, respeitosa, quase cúmplice. Os diretores sabem que o tempo de Mahin é outro — e o ritmo do filme acompanha esse compasso interior. Não há pressa. Há respiro. Há espaço para hesitar diante do espelho, para sorrir sozinha, para lembrar do toque de um amor antigo e se permitir desejar um novo.
E que beleza é ver uma atriz como Farhadpour em um papel tão inteiro, tão digno, tão vivo. Mahin não é uma caricatura de avó fofa, nem uma heroína em luta. É apenas uma mulher — com medo, com desejo, com dignidade — em busca de algo que talvez ela mesma tenha esquecido como é: se sentir viva.
O bolo favorito do título vai além da metáfora óbvia. Não se trata só de sabor, mas de memória afetiva, de pequenos prazeres, de escolhas que fazem sentido para nós e ninguém mais. É sobre retomar o controle da própria narrativa — mesmo quando o mundo já parece ter escrito o final da história.
Cena do filme Hellboy e o Homem Torto. Foto: Divulgação/ Imagem Filmes
Após meses de silêncio em torno do polêmico desempenho de Hellboy e o Homem Torto, o ator Jack Kesy, que assumiu o papel-título no quarto longa da franquia, finalmente se pronunciou sobre o fracasso do projeto. Em entrevista concedida ao canal de YouTube Jack Wielding, o ator adotou um tom honesto e direto, reconhecendo as limitações da produção e o que, segundo ele, poderia ter sido diferente.
O filme, lançado discretamente em 2023, arrecadou apenas US$ 2 milhões nas bilheteiras globais e sequer chegou aos cinemas dos Estados Unidos, sendo disponibilizado diretamente no streaming — uma estratégia que, para muitos, selou o destino do projeto antes mesmo de sua estreia. Ainda assim, Kesy não parece carregar mágoas.
“Foi uma experiência incrível, eu não trocaria por nada”, afirmou. “É uma pena como o filme foi tratado. Mal gerido, mal posicionado… todo esse processo. Mas quer saber? Que se dane, isso não é mais meu problema.”
Uma produção de potencial desperdiçado
Baseado no conto The Crooked Man, criado por Mike Mignola, o filme pretendia ser um reboot mais sombrio e fiel às raízes góticas de Hellboy, com ambientação no interior dos Estados Unidos nos anos 1950. A direção de Brian Taylor apostava em efeitos práticos, atmosfera folclórica e um tom mais contido em comparação aos longas anteriores. A promessa era resgatar o espírito original dos quadrinhos — e Kesy, com sua postura física e interpretação crua, parecia ser a peça certa para isso.
No entanto, segundo o próprio ator, o projeto não teve o suporte necessário para atingir seu potencial: “Acho que, se o filme tivesse tido um pouco mais de espaço e de recursos, poderíamos ter feito algo realmente especial. Mas tudo bem. Merd@ acontece”, disse, em um tom mais resignado do que revoltado.
Um Hellboy ainda à espera de redenção?
Com três versões do personagem nos cinemas em pouco mais de 20 anos, o desafio de reinventar Hellboy se tornou cada vez mais delicado. Depois do carisma irreverente de Ron Perlman e da tentativa sombria com David Harbour em 2019, a abordagem de Kesy foi mais contida e visceral — mas talvez tarde demais para reconquistar o público.
Mesmo assim, o ator não descarta uma nova chance de interpretar o herói: “Eu adoro o personagem. Se me chamarem de novo, volto com gosto. Hellboy tem muito mais a oferecer do que já foi mostrado.”
A fala revela mais do que um simples apego profissional. Há ali o entendimento de que, por trás da maquiagem e do inferno simbólico que cerca Hellboy, existe uma figura cheia de contradições, feridas e humanidade — algo que Kesy parece ter compreendido e carregado para a tela, mesmo com as limitações do projeto.
Onde assistir
Para quem quiser conferir a produção, o filme está disponível na aba da Telecine no Globoplay. Apesar das críticas e da falta de visibilidade, a produção oferece uma visão diferente e mais intimista do personagem — o que, para os fãs mais dedicados, pode ser motivo suficiente para dar uma chance.
À meia-noite desta quarta-feira, 30 de julho, a RedeTV! convida o público para um encontro raro: não um talk show qualquer, mas uma espécie de acerto de contas com a vida. No sofá do programa Companhia Certa, Ronnie Von recebe ninguém menos que Nasi, vocalista do Ira!, ícone do rock nacional e uma alma em constante reconstrução.
A conversa vai além das perguntas. É quase uma sessão de terapia em horário nobre. Entre memórias de um tempo em que guitarras gritavam mais alto que algoritmos e reflexões sobre os tropeços do caminho, Nasi se despe de persona e mostra o homem por trás da voz rouca e das letras intensas. O artista, sim, mas também o filho, o irmão, o amigo, o cara que já se perdeu — e fez questão de se reencontrar.
“O Ira! não acabou, a gente só se machucou demais”
A entrevista começa com o inevitável: o fim (e o recomeço) do Ira!. A separação em 2007 ainda é uma ferida cicatrizada com pontos mal dados. “Não queria sair da banda. Só precisava de um tempo. A gente já não se escutava mais”, confessa Nasi, sem medo de encarar os próprios erros.
Entre silêncios e respiros longos, ele reconhece que o ego — o dele, o de Edgar Scandurra, o de todos — atrapalhou. “Era como um cachorro com muitos donos: ninguém cuidava direito. Morreu de fome. A banda desandou.”
Mas, como tudo que é verdadeiro, a música resistiu. Em 2013, o reencontro veio com um show beneficente. Sem contratos, sem promessas. Só dois caras no palco, reencontrando a faísca que um dia os uniu. “Ali, a gente viu que ainda tinha lenha pra queimar. Voltamos. Voltamos querendo”, diz ele, com um brilho que escapa pelos olhos.
Solo, mas inteiro
Longe do Ira!, Nasi se reinventou. Gravou nove álbuns solo, experimentou blues, psicodelia, baladas viscerais. “No Ira! existe uma moldura. No solo, eu posso pintar fora dela”, explica.
Ele fala do blues como quem fala de um velho amigo: confiável, profundo, meio triste, mas libertador. Desde os tempos de Nasi e os Irmãos do Blues, esse estilo serve como refúgio emocional e criativo. “Tem coisa que não cabe no Ira!. Mas isso não quer dizer que não mereça existir. O blues me entende.”
A liberdade também abriu portas para aventuras autorais. Tem série animada (Rockstar Ghost), documentário sobre religiões afro-brasileiras (Exu e o Universo), programa noturno no Canal Brasil (Nasi Noite Adentro). Um artista inquieto, plural, que desafia rótulos com a mesma voracidade com que enfrenta seus próprios fantasmas.
Crítico, mas não amargo
Entre um gole de água e outro, Nasi solta o verbo sobre o cenário musical atual. “Hoje a música virou trilha de festa. Tá tudo pasteurizado. Cadê a arte que cutuca, que incomoda?”, pergunta, mais intrigado do que indignado.
Ele faz questão de dizer que não é saudosista. Mas sente falta de algo que, para ele, não se negocia: verdade. “Não acho que tudo era melhor nos anos 80, mas naquela época a gente brigava pra dizer alguma coisa. Hoje, parece que ninguém quer mais ouvir.”
Mesmo assim, torce por um sopro de renovação. “Talvez surja uma nova geração com mais alma. Vai saber. A arte é imprevisível. Às vezes, do nada, ela volta com força.”
Cicatrizes à mostra
Nasi nunca teve medo de se expor. Falou abertamente sobre dependência química, sobre as relações que desabaram, sobre a própria incapacidade de ser leve em certos momentos. Largou a cocaína em 1997. Em 2007, dispensou também a maconha. “Não foi um renascimento. Foi um resgate. Eu queria continuar vivo.”
Essa honestidade brutal aparece também quando fala da própria trajetória. Nasceu na Bela Vista, cursou História na USP, fundou o Ira! em 1981, namorou atrizes famosas, brigou feio com o irmão, bateu de frente com empresários e jornalistas. Viveu o rock no limite. E, de alguma forma, sobreviveu a tudo — inclusive a si mesmo.
Em uma vida que daria um roteiro de filme — aliás, já deu —, ele ainda arrumou tempo pra ser apresentador, dublador, radialista, ator, roteirista e até comentarista esportivo. São-paulino roxo, apresentou o 90 Minutos na Kiss FM e chegou a abrir o show do AC/DC no Morumbi, para delírio dos fãs e surpresa dos céticos.
“A gente se perdoou. E isso salva”
A entrevista com Ronnie Von tem algo de confissão. Mas também tem reencontro. Nasi fala com carinho da volta do Ira!, mas, principalmente, da volta do diálogo com Edgar Scandurra. “Hoje a gente conversa. Escuta mais. Cede mais. O rock é rebelde, mas não precisa ser burro”, diz, com aquele tom ácido e certeiro que é só dele.
A reconciliação não foi só com a banda — foi consigo mesmo. Com o passado, com o menino que sonhava com discos, com o homem que quase se perdeu, com o artista que ainda quer dizer algo relevante.
Aos 62 anos, ele não fala em aposentadoria. Fala em continuidade. Quer gravar mais, compor mais, viver mais. “Enquanto tiver voz, vou cantar. Enquanto tiver o que dizer, vou falar. Se não for por mim, que seja por quem precisa ouvir.”
A nova etapa da adaptação live-action de One Piece, produção da Netflix baseada no mangá de Eiichiro Oda, deve apresentar uma mudança significativa no clima da história. O ator David Dastmalchian, conhecido por seus papéis intensos em filmes como O Esquadrão Suicida e Homem-Formiga, entra para o elenco como o excêntrico vilão Sr. 3, e adiantou que a segunda temporada mergulha em um território mais sombrio e visualmente impactante.
Em entrevista ao site CBR (ComiBook), Dastmalchian destacou que os novos episódios terão um tom mais pesado, com cenas mais violentas e atmosferas que flertam com o suspense. “O que acontece em Little Garden, com o Sr. 3 sendo enviado pelo Sr. 0, é assustador de um jeito que a primeira temporada não foi. Muito violento. Visuais incríveis”, disse o ator.
Fidelidade ao mangá continua sendo prioridade
Apesar da mudança no tom, o respeito à obra original segue firme. Dastmalchian comentou que seu próprio filho é fã de longa data do mangá e do anime, e que a adaptação em live-action conseguiu manter viva a essência do universo criado por Oda. Segundo ele, o envolvimento direto do autor como produtor executivo é um dos motivos dessa fidelidade, algo que a equipe criativa preserva com cuidado.
Oda acompanha de perto o desenvolvimento da série, junto com Marty Adelstein e Becky Clements, da Tomorrow Studios. A primeira temporada estreou em 2023 com forte recepção do público e da crítica, justamente por equilibrar aventura, emoção e uma estética fiel ao material original.
A segunda temporada deixará o East Blue para trás e seguirá com os Chapéus de Palha em direção ao Grand Line, onde a narrativa se torna mais complexa, os conflitos ganham peso moral, e os inimigos passam a representar ameaças reais à sobrevivência da tripulação. Um desses antagonistas é o próprio Sr. 3, integrante da misteriosa organização Baroque Works, liderada pelo implacável Crocodile.
Com sua habilidade de criar e manipular cera sólida, Galdino impõe desafios estratégicos e psicológicos aos protagonistas. Sua presença em Little Garden marca o início de uma fase onde a leveza cede espaço a tensões mais duradouras — o que não significa que o carisma da tripulação se perca, mas que os riscos agora são maiores.
Elenco principal retorna — e ganha reforços
O núcleo principal da série continua formado por Iñaki Godoy, no papel de Monkey D. Luffy; Emily Rudd, como a destemida cartógrafa Nami; Mackenyu, vivendo o espadachim Zoro; Jacob Romero Gibson, como o criativo atirador Usopp; e Taz Skylar, no papel do carismático cozinheiro Sanji. O entrosamento entre os atores foi um dos pontos mais elogiados na primeira temporada e seguirá como peça-chave nos novos episódios.
Além do retorno dos rostos já conhecidos pelo público, o elenco será ampliado com personagens emblemáticos dos próximos arcos. Entre eles, os gigantes Dorry e Brogy, que habitam a ilha pré-histórica de Little Garden, e outros membros da Baroque Works, que começam a ganhar espaço como ameaça constante. A chegada de Dastmalchian, com seu estilo único e presença intensa, promete acrescentar uma nova camada de tensão à narrativa.
Rumo a uma adaptação mais ousada
O lançamento inicial da série, em agosto de 2023, mostrou que adaptar um anime para o live-action pode funcionar — desde que feito com respeito e criatividade. A recepção calorosa abriu caminho para uma segunda temporada mais ambiciosa, que agora se permite experimentar com atmosferas diferentes e conflitos mais dramáticos.
A narrativa evolui junto com os personagens. Luffy e seus companheiros, que até aqui enfrentaram desafios pontuais com otimismo e astúcia, começam a encarar dilemas que exigem mais do que coragem: demandam maturidade, escolhas difíceis e, em muitos momentos, dor.
Estreia prevista e expectativas
Ainda sem data oficial, a segunda temporada deve estrear no primeiro semestre de 2026, com produção em ritmo acelerado. Até lá, a primeira temporada permanece disponível na Netflix, e bastidores das gravações podem ser acompanhados pelas redes sociais do elenco e da equipe.
O live-action de One Piece continua ganhando espaço não apenas entre os fãs da franquia, mas também entre novos públicos que encontram na série um universo rico em fantasia, aventura e laços humanos.
De um mangá para o mundo
Lançado em 1997, o mangá de One Piece atravessou décadas, idiomas e fronteiras culturais. Com mais de mil episódios no anime e volumes incontáveis em circulação, a obra de Eiichiro Oda transformou-se em um dos pilares da cultura pop mundial. A versão live-action é, hoje, uma extensão desse legado — e promete seguir expandindo esse universo com criatividade, coragem e ainda mais emoção.
Não é fácil recomeçar depois de uma grande perda. Ainda mais quando se carrega a impressão de que já se viveu tudo o que havia para ser vivido. Em Sr. Blake ao Seu Dispor, o personagem principal não está em busca de aventura, sucesso ou redenção. Ele só quer, de algum modo, continuar existindo – mesmo que do outro lado do mar, fingindo ser alguém que nunca foi. E é exatamente nesse impulso silencioso que nasce uma das comédias dramáticas mais delicadas do ano, que estreia no Brasil no dia 18 de setembro, com distribuição da Mares Filmes.
O luto que transborda no silêncio
Andrew Blake é um senhor britânico como tantos outros. Elegante, educado, eficiente. Por fora, é o tipo de homem que já aprendeu a esconder tudo o que sente. Mas, por dentro, está estilhaçado. Desde a morte da esposa, Diane, ele se arrasta pelos dias com o peso do vazio. O lar se transformou em mausoléu. O trabalho, em repetição sem sentido. Então, ele toma uma decisão: voltar à França, ao lugar onde conheceu Diane e foi feliz.
Mas o reencontro com as memórias não acontece como ele imagina. Para permanecer na propriedade que hoje pertence a outra pessoa, Blake precisa aceitar o cargo de mordomo. É nesse gesto simples — o de servir — que ele encontra, quase sem querer, um novo caminho para viver.
Uma casa, seus habitantes e os afetos possíveis
A mansão para a qual Blake vai trabalhar não é apenas um cenário bonito. Ela pulsa. Como ele, é uma estrutura que já viu tempos melhores. Dentro dela, vivem personagens tão machucados quanto gentis, cada um à sua maneira. Nathalie (interpretada pela inesquecível Fanny Ardant), a dona da casa, esconde uma alma fraturada por trás de uma fachada firme. Odile (Émilie Dequenne), a governanta, tenta manter a ordem enquanto o caos lhe habita. Philippe (Philippe Bas), o jardineiro, cultiva mais do que plantas — cultiva feridas antigas. E Manon (Eugénie Anselin), jovem e intensa, desafia a rigidez com sua espontaneidade.
Juntos, eles formam uma espécie de família torta. Não por laços de sangue, mas por necessidade. Uma necessidade mútua de acolhimento, mesmo que silencioso. E Blake, que chegou ali para fugir do mundo, começa a fazer parte dele outra vez.
Foto: Reprodução/ Internet
John Malkovich em seu papel mais vulnerável
É surpreendente que, depois de tantas décadas de carreira e performances marcantes, John Malkovich nunca tenha protagonizado um filme francês. Em Sr. Blake ao Seu Dispor, ele não só fala francês com naturalidade (ainda que com sotaque), como entrega uma atuação de uma ternura que não se vê todos os dias. Há algo no jeito contido com que ele vive Blake que nos toca profundamente. Não porque ele dramatize a dor, mas porque a deixa escorrer pelas entrelinhas.
Há momentos em que ele olha pela janela, ou limpa a louça, ou apenas respira — e tudo isso diz mais do que muitos roteiros inteiros. Não é o tipo de performance que grita para ser notada. É a performance que se planta devagar, cresce aos poucos, e floresce depois que o filme termina.
Gilles Legardinier e a coragem de contar histórias pequenas
Gilles Legardinier é um nome conhecido na literatura francesa. Seu livro Complètement Cramé!, lançado em 2012, foi traduzido para 17 idiomas e tocou milhares de leitores com seu tom caloroso. Agora, pela primeira vez, ele se aventura na direção de um longa. E acerta, justamente, por não querer impressionar.
A trama não é um filme para premiações grandiosas ou bilheterias estrondosas. É um filme para quem tem tempo. Para quem topa desacelerar. Para quem sabe que algumas das maiores transformações acontecem no silêncio de uma cozinha, num passeio pelo jardim ou em uma conversa sem palavras.
Legardinier filma com amor. Amor pelas pessoas comuns, pelos gestos cotidianos, pelas casas antigas, pelas relações improváveis. Ele nos lembra que viver é, muitas vezes, simplesmente estar disponível — ao outro, ao acaso, àquilo que a gente não entende de primeira.
O humor que aquece, não escapa
Apesar de ser rotulado como comédia dramática, o riso em Sr. Blake ao Seu Dispor nunca vem da zombaria. Ele nasce do constrangimento, da falha, do não saber. Rimos porque reconhecemos aqueles tropeços em nós mesmos. Rimos com ternura, nunca com crueldade.
Há algo profundamente humano nas situações pelas quais Blake passa. Ele erra a ordem dos talheres, confunde nomes, fica sem saber onde colocar as mãos. Mas, no fundo, tudo isso fala sobre outra coisa: a dificuldade que todos temos de encontrar nosso lugar quando a vida muda sem pedir licença.
Uma história que cruza fronteiras com gentileza
O filme estreou na França em novembro de 2023 e já passou por festivais na Polônia, nos Estados Unidos e em outros países da Europa. Sua bilheteria, de pouco menos de US$ 3 milhões, não reflete sua importância. E talvez seja isso que o torne tão necessário hoje. Em tempos de urgência, de barulho, de exagero, este é um filme que fala baixo. Que acolhe. Que nos convida a cuidar — dos outros e de nós mesmos.
No capítulo 007 a novela A Escrava Isaura de terça-feira, 9 de setembro, Isaura revela a Gertrudes que Leôncio empurrou Tomásia, uma confissão que provoca um ataque cardíaco na senhora justamente no dia em que Leôncio retorna à propriedade. Durante a festa de casamento de Tomásia, a jovem compartilha olhares e sorrisos de cumplicidade com o Conde Campos, enquanto Gertrudes se sente consumida pelo arrependimento de não ter libertado Isaura antes. Tomásia se mostra inquieta com o retorno de Leôncio, e Isaura presencia o momento em que ele observa silenciosamente a interação entre ela e Gertrudes, criando uma tensão palpável. Nesse cenário conturbado, o Coronel Sebastião visita Malvina, Gabriel toma a decisão de pedir oficialmente a mão de Helena em casamento, e Belchior finalmente revela a Rosa a identidade de seu pai, gerando novos conflitos e emoções intensas na família.
No capítulo 008 – quarta-feira, 10 de setembro, apesar da fragilidade, Gertrudes se mantém firme e exige que o tabelião seja chamado para oficializar a liberdade de Isaura, mas Leôncio reage com violência, reafirmando seu caráter tirânico. Joaquina revela a Rosa a verdade sobre sua mãe, trazendo à tona segredos que mudam alianças e relações familiares. Gabriel se empenha em conseguir um empréstimo para Miguel, com Tomásia discretamente colaborando, enquanto Rosa confronta o Coronel Sebastião com a revelação de sua verdadeira paternidade. Leôncio, surpreendentemente, admite à Henrique que nutre sentimentos inesperados por Isaura. No âmbito amoroso, Tomásia e o Conde Campos passam a noite juntos, mas memórias e lembranças de Leôncio assombram a jovem, aumentando a tensão emocional e o suspense sobre o futuro de Isaura.
No capítulo 009 a novela A Escrava Isaurade quinta-feira, 11 de setembro, o Conde Campos descobre que, apesar do casamento, Tomásia guarda planos de vingança contra Leôncio, revelando sua estratégia de manipulação e ressentimento. O Comendador Almeida se mantém firme em seus princípios e promete lutar para libertar Isaura. Rosa confronta Leôncio com a verdade sobre sua paternidade, intensificando os conflitos familiares. O médico alerta sobre o estado crítico de Gertrudes, aumentando a pressão sobre todos na propriedade. O Conde Campos decide apoiar financeiramente Miguel, enquanto Gabriel corre para informá-lo. Leôncio revela à mãe que seus sentimentos por Malvina são falsos, expondo sua ambição e frieza. Aos poucos, os planos secretos de Tomásia começam a se desenrolar com clareza, criando expectativas e tensão para os próximos embates.
No capítulo 010 – sexta-feira, 12 de setembro, Tomásia tenta convencer o Conde Campos a financiar Miguel e, discretamente, pede que aceite o penhor de seu anel de noivado, mantendo sua estratégia em segredo. Leôncio, por sua vez, declara à mãe que Isaura jamais conhecerá a liberdade e, ao agarrá-la, provoca uma nova crise cardíaca em Gertrudes, que recebe atendimento urgente do Dr. Paulo. Joaquina, ao ouvir os gritos de Isaura, corre para ajudá-la, e André também intervém para protegê-la. Gabriel, determinado, vai até Helena pedir sua mão em casamento. Miguel, em busca de recursos, não encontra o Comendador. Paralelamente, Tomásia e Gioconda discutem os planos envolvendo o anel de noivado, enquanto Gertrudes sofre mais uma intensa dor no peito, deixando a fazenda mergulhada em tensão, segredos e decisões cruciais.
Capítulo 027 da novela A Escrava Isaura de terça-feira, 7 de outubro Miguel tenta negociar a liberdade de Isaura, mas sua tentativa fracassa, deixando-o profundamente frustrado e sem esperanças. No quilombo, Martinho procura André sem sucesso, enquanto Almeida demonstra autoridade ao deixar claro que não tolerará desrespeitos de Leôncio. Determinada a vingar as injustiças, Tomásia planeja incendiar a lavoura de café do vilão, enquanto Almeida promete libertar Isaura assim que retornar de viagem. Belchior desabafa sua angústia a Violeta, e Leôncio segue espalhando medo, ameaçando Joaquina e impondo seu domínio pela força, o que deixa todos em clima de apreensão e à beira de um grande conflito.
Capítulo 028 – Quarta-feira, 8 de outubro Isaura revela a Henrique todas as ameaças que vem sofrendo de Leôncio, despertando nele profunda indignação e desejo de protegê-la. Tomado pela fúria, o vilão tenta enforcar Joaquina, mostrando toda a extensão de sua crueldade. No quilombo, André trabalha incansavelmente para reconstruir o abrigo e manter viva a resistência, enquanto Tomásia continua traçando planos de vingança. Henrique enfrenta Leôncio na senzala, e Gioconda desconfia das verdadeiras intenções de Tomásia. Em meio às tensões, Isaura busca refúgio tocando piano, tentando manter a serenidade. Malvina cogita vender Rosa, e Belchior, mergulhado em desespero, recorre à bebida. André e Moleca se aproximam cada vez mais, e Rosa, por medo e submissão, aconselha Isaura a ceder ao senhor, aumentando o peso emocional sobre a escrava.
Capítulo 029 da novela A Escrava Isaura de quinta-feira, 9 de outubro A tensão atinge o limite quando Leôncio surpreende Henrique no celeiro, dando início a uma discussão violenta, enquanto Helena aguarda ansiosa por notícias do conflito. Malvina reafirma seu poder ao impedir que Rosa sirva o jantar, enquanto Tomásia demonstra senso de justiça ao conceder a alforria aos escravos de sua casa. Isaura continua dilacerada entre resistir e ceder às imposições do vilão, enquanto Henrique presta auxílio a João e Joaquina, cada vez mais envolvidos nas consequências das ações de Leôncio. O fazendeiro, tomado pela raiva, volta a provocar Isaura e desafiar Henrique, tornando-se ainda mais imprevisível. Sebastião desconfia de Gabriel, e Rosa se insinua para o patrão, tentando ganhar vantagens, enquanto Miguel, enfraquecido pela bebida, demonstra vulnerabilidade e arrependimento diante da própria impotência.
Capítulo 030 – Sexta-feira, 10 de outubro No quilombo, André e Moleca seguem firmes na reconstrução do abrigo, reacendendo a esperança entre os fugitivos. Sebastião flagra Gabriel e Helena na sala, o que gera grande confusão e coloca ambos em perigo, enquanto Tomásia e Gioconda unem forças para proteger o rapaz. Leôncio, em novo ato de tirania, expulsa Henrique de sua casa, e João e Joaquina buscam refúgio na fazenda do Coronel, aumentando o clima de tensão. Tomásia compra Bernardo para livrá-lo da crueldade, e André e Moleca reforçam a resistência, mostrando coragem diante da adversidade. Henrique se despede de Isaura, arrasado, após mais uma briga com Leôncio diante de Malvina. Ao mesmo tempo, Helena destrata o Dr. Paulo, e Belchior relata a Miguel tudo o que ocorreu na fazenda. Apesar de toda a dor e das separações, Leôncio se sente vitorioso com a partida de Henrique, acreditando ter recuperado o controle, enquanto o ambiente permanece tomado por medo, ressentimento e incerteza.
Resumo semanal da novela A Escrava Isaura de 13/10a 17/10
Capítulo 031 – Segunda-feira, 13 de outubro Malvina flagra Leôncio e Rosa juntos, tomada por ciúmes e humilhação, enquanto pressiona Isaura para descobrir o que realmente a atormenta. Helena discute com o Dr. Paulo, expondo tensões familiares, e Tomásia e Gabriel se preparam para colocar em prática o plano de incendiar a lavoura de café do vilão. Leôncio recebe uma carta de seu pai informando o retorno da viagem, o que o deixa inquieto. Belchior entrega a Isaura o recado de Miguel, que, determinado, reforça a intenção de libertá-la a qualquer custo. Henrique revela ao pai as atrocidades cometidas por Leôncio, enquanto Bernardo sugere outra forma de prejudicar o inimigo. Miguel, ciente dos perigos, diz à filha que, se não houver outra saída, devem fugir. O comendador Almeida finalmente retorna, mas passa mal, deixando todos apreensivos com seu estado de saúde.
Capítulo 032 – Terça-feira, 14 de outubro Debilitado, o comendador Almeida desabafa com Isaura sobre as frustrações e arrependimentos do passado. Enquanto isso, Bernardo propõe lançar pragas na lavoura de Leôncio como vingança. Malvina confronta Rosa ao flagrá-la na cozinha com o marido, e Leôncio, em mais uma investida repulsiva, promete deixar Malvina para ficar com Isaura. Rosa revela à patroa que o fazendeiro está apaixonado pela escrava e, como castigo, é enviada ao tronco. Belchior, movido por ilusão, diz desejar se casar com Rosa, e ao mesmo tempo informa Miguel que o comendador está de volta. Dr. Paulo examina Almeida, preocupado com sua saúde. Leôncio é avisado sobre a presença de estranhos em seu cafezal, mas ignora o alerta, obcecado por Isaura, que continua a ouvir o desabafo do comendador, presa entre a compaixão e o medo.
Capítulo 033 – Quarta-feira, 15 de outubro Tomásia volta a traçar planos de vingança contra Leôncio, enquanto Gabriel e Bernardo conseguem escapar do cafezal em meio à confusão das pragas que assolam as plantações. O vilão, furioso, é informado dos prejuízos e promete retaliação. Coronel Sebastião visita Malvina, que demonstra crescente instabilidade emocional. Miguel tenta novamente comprar a liberdade da filha, sem sucesso, e André sela sua união com Moleca com um beijo apaixonado. Malvina, tomada pelo orgulho ferido, exige que Rosa deixe sua casa. Martinho tenta comprá-la, mas quem efetivamente o faz é o coronel Sebastião, decidido a protegê-la e dar-lhe um novo destino. Enquanto isso, Tomásia continua tramando nas sombras contra Leôncio, e o coronel reafirma sua intenção de cuidar de Rosa, agora sob sua tutela.
Capítulo 034 – Quinta-feira, 16 de outubro Malvina não aceita a presença de Rosa como irmã e passa a tratá-la com desprezo, enquanto Belchior insiste que Isaura deve fugir antes que Leôncio concretize seus planos. O fazendeiro arma uma emboscada para quem ousar invadir suas terras, e Gabriel, decidido, planeja incendiar as sacas de café em retaliação. Rosa, vaidosa, veste o vestido de Isaura, despertando ciúmes e comentários. Sebastião tenta convencer Almeida a vender Isaura, enquanto Helena e Henrique elogiam a beleza e o comportamento de Rosa, intensificando a rivalidade feminina. Leôncio discute com Sebastião diante de todos, e Miguel se desespera com a falta de alternativas. Almeida entrega uma procuração ao filho, sem imaginar o perigo, e Leôncio, agora com mais poder, se aproxima ainda mais de Isaura. João e Joaquina se divertem com Rosa, enquanto André pensa em retornar à fazenda. Gabriel e Bernardo chegam ao local e, durante o confronto, enfrentam os capangas; Bernardo consegue dominar um deles. Quando o fogo consome o café, Almeida se desespera ao ver seu império ruir em chamas.
Capítulo 035 – Sexta-feira, 17 de outubro Malvina flagra Leôncio no quarto de Isaura, tomada de raiva e vergonha, enquanto o comendador Almeida sofre novo ataque de tosse e lamenta amargamente a destruição de sua lavoura. Leôncio descobre que Gabriel foi o responsável pelo incêndio e jura vingança contra Tomásia, sua eterna rival. Em crise financeira, Almeida decide vender Isaura para levantar dinheiro, enquanto Leôncio, sem escrúpulos, corrompe o tabelião para adulterar documentos e manipular o testamento do pai. Gioconda e Tomásia acolhem Gabriel ferido, escondendo-o, e Helena se dedica a ensinar Rosa a ler e escrever, acreditando em sua regeneração. Miguel auxilia Gabriel em segredo, ciente do perigo iminente. Leôncio exige a prisão do rebelde e envia o sargento à casa de Tomásia, iniciando uma nova caçada. Malvina e Isaura se preocupam com o atraso do tabelião, enquanto Sebastião emociona Rosa ao reconhecê-la como filha legítima. Bernardo finalmente recebe sua carta de alforria, e Leôncio, em seu ato final de traição, rouba o testamento de Almeida, determinado a garantir sua herança por meio da fraude e da maldade.
O cinema contemporâneo tem encontrado em Michel Franco um dos autores mais consistentes ao explorar temas de desigualdade, poder e relações humanas em suas camadas mais complexas. Com Sonhos, que chega aos cinemas brasileiros em 30 de outubro, o diretor mexicano consolida essa tradição autoral, entregando um longa que provoca, emociona e questiona o espectador sobre a própria posição no mundo. Distribuído no Brasil pela Imagem Filmes, o filme já chamou atenção internacionalmente ao estrear no Festival de Berlim, concorrendo ao cobiçado Urso de Ouro, e marca a segunda colaboração de Franco com Jessica Chastain, depois do aclamado “Memory” (2023).
No filme, Chastain interpreta Jennifer, uma socialite americana envolvida em trabalhos filantrópicos e com uma vida marcada pelo conforto e pelo poder que seu status proporciona. A personagem, sempre segura de sua posição social, se vê imersa em um relacionamento secreto com Fernando (Isaac Hernández), um bailarino mexicano talentoso, cuja vida é permeada por desafios e incertezas típicos de quem busca reconhecimento em um mundo que raramente favorece os vulneráveis.
A relação entre Jennifer e Fernando não segue padrões convencionais de romance. O filme constrói uma tensão contínua entre desejo, poder e dependência emocional, mostrando como as desigualdades sociais se infiltram em relações pessoais. Jennifer, acostumada a exercer controle e influência, se vê confrontada com uma situação em que o equilíbrio de poder se inverte, levando-a a questionar não apenas sua relação com Fernando, mas sua própria identidade.
Franco trabalha essa dinâmica de maneira visceral: cada olhar, cada gesto ou silêncio é carregado de significado, refletindo o peso da posição social e do privilégio. Não se trata apenas de quem ama quem, mas de como estruturas de poder — muitas vezes invisíveis — moldam a intimidade e os limites de cada indivíduo.
Imigração e fronteiras sociais
O filme se inicia com uma sequência que traz à tona uma realidade dura e pouco romantizada: a travessia ilegal entre México e Estados Unidos. Ao colocar o espectador no lugar de quem cruza fronteiras por necessidade, Franco não apenas cria tensão narrativa, mas também insere uma camada de crítica social. Essa abertura não é apenas um prólogo, mas uma chave para entender as relações subsequentes.
Fernando representa o lado vulnerável dessa travessia, tanto física quanto emocional. Ele carrega consigo as marcas de quem não possui os mesmos privilégios que Jennifer, e sua presença na vida da socialite americana se torna um ponto de reflexão sobre como desigualdade e mobilidade social influenciam os relacionamentos. Atravessar fronteiras físicas, emocionais e sociais é um tema central do filme, que questiona quem realmente pertence a que lugar e com quais direitos.
Além disso, o longa dialoga com debates contemporâneos sobre imigração, desigualdade econômica e racial, temas que se tornaram centrais em discussões políticas globais. Ao inserir essas questões no contexto íntimo de um relacionamento, Franco conecta o macro e o micro, mostrando que decisões políticas e estruturas sociais têm repercussões diretas nas vidas das pessoas comuns.
Personagens complexos e interpretações poderosas
O maior mérito de Sonhos está na construção de seus personagens. Jessica Chastain, mais uma vez, demonstra por que é uma das atrizes mais respeitadas de sua geração. Jennifer não é apenas uma socialite rica; é uma mulher que precisa confrontar sua própria vulnerabilidade diante de um mundo que, até então, parecia sob seu controle. A atuação de Chastain é feita de sutilezas: um olhar que vacila, uma hesitação antes de falar, pequenos gestos que revelam conflito interno.
Ao lado dela, Isaac Hernández brilha como Fernando. Sua interpretação vai além do papel de interesse amoroso; ele é a representação de quem vive à margem, mas não sem dignidade ou força. Hernández, com seu background na dança, traz uma presença física e emocional que traduz de forma intensa a luta por pertencimento e reconhecimento. A química entre os dois atores é uma força motriz do filme, mantendo o espectador imerso em cada cena.
O elenco ainda conta com Rupert Friend, que adiciona outra camada à narrativa, contribuindo para o estudo de relações de poder, manipulação e dependência que permeia todo o longa. Cada interação é carregada de tensão, mostrando como Franco consegue explorar conflitos de forma tanto emocional quanto simbólica.
Michel Franco e a estética do desconforto
O cinema de Michel Franco é reconhecido por seu estilo autoral: planos longos, enquadramentos precisos e uma narrativa que valoriza o silêncio tanto quanto o diálogo. Em seu novo filme, esses elementos estão presentes de maneira ainda mais madura. A fotografia alterna entre paisagens amplas que ressaltam a vulnerabilidade dos personagens e closes íntimos que capturam emoções sutis, criando uma experiência visual que é ao mesmo tempo poética e angustiante.
Franco não suaviza o desconforto. O público é constantemente colocado diante de dilemas morais, desequilíbrios sociais e tensões emocionais. Essa abordagem provoca reflexão, levando o espectador a questionar não apenas as decisões dos personagens, mas também seus próprios valores, privilégios e preconceitos.
Reflexão sobre poder e privilégio
Um dos temas centrais de “Sonhos” é a dinâmica de poder nas relações humanas. Jennifer, acostumada a exercer controle, se vê confrontada pela autonomia de Fernando, que recusa ser moldado por expectativas externas. Essa inversão de papéis provoca um estudo profundo sobre privilégio: o que significa ter poder sobre outro ser humano, e até que ponto isso afeta identidade e moralidade?
O filme também trata da forma como o privilégio é muitas vezes invisível para quem o possui. Jennifer, ao longo da narrativa, precisa confrontar sua própria cegueira social e emocional, compreendendo que influência e riqueza não substituem empatia ou compreensão. Franco transforma o conflito íntimo do casal em uma metáfora das desigualdades mais amplas da sociedade contemporânea.
Amor, desejo e conflito
Apesar do peso social e político, o longa-metragem não perde de vista a dimensão íntima da história: o amor, o desejo e o conflito emocional. A relação entre Jennifer e Fernando é intensa, cheia de nuances, e mostra que emoções humanas raramente são lineares ou fáceis de decodificar. A narrativa levanta questões universais: até que ponto o amor pode existir em meio a desequilíbrios de poder? É possível sentir desejo verdadeiro quando há dependência emocional ou diferença de status?
Franco aborda essas perguntas sem respostas fáceis. Cada cena é construída para gerar reflexão, e a intensidade emocional é aumentada pelo uso cuidadoso do espaço, do silêncio e da proximidade física entre os personagens. O espectador é convidado a sentir a complexidade das relações humanas de maneira visceral.