Crítica – “Como Treinar o Seu Dragão” é a aventura que conquista mais pelo coração do que pela batalha

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Num vilarejo viking cercado por montanhas, neve e ataques constantes de dragões, Como Treinar o Seu Dragão poderia muito bem ser só mais uma aventura animada cheia de ação. Mas não é. É uma história que surpreende pela delicadeza, pela coragem de ser sensível — e por lembrar que nem toda bravura precisa de uma espada.

O protagonista é Soluço, um garoto que parece ter nascido no lugar errado, na época errada. Frágil aos olhos da comunidade, ele não tem o porte de guerreiro que seu pai, o imponente chefe Stoico, gostaria. Enquanto os outros jovens treinam para matar dragões, ele prefere inventar engenhocas e observar o mundo ao redor com olhos mais curiosos do que combativos.

E é justamente esse olhar que transforma tudo.

Numa noite qualquer, Soluço faz o impensável: derruba um lendário Fúria da Noite. Mas ao encontrar a criatura caída na floresta, em vez de cumprir o papel de herói que tanto esperavam dele, ele escolhe algo raro — e revolucionário: a empatia. E é assim que nasce a amizade com Banguela, o dragão mais carismático que o cinema já nos apresentou.

A conexão entre os dois é construída com uma beleza silenciosa, quase mágica. Sem palavras, sem promessas — só respeito, escuta e curiosidade mútua. A partir dessa relação improvável, o filme propõe algo muito maior do que uma simples história de amizade: uma reflexão sobre o que nos ensinaram a temer, sobre o que significa coragem e, principalmente, sobre quem somos quando deixamos de seguir expectativas para ouvir a própria verdade.

Claro, tudo isso vem embalado por um espetáculo visual deslumbrante. As cenas de voo são de tirar o fôlego, com trilha sonora de John Powell que emociona até o mais cético. Mas o que realmente faz Como Treinar o Seu Dragão alçar voo é sua alma. É o jeito como trata crianças e adultos com o mesmo respeito, oferecendo uma narrativa rica, divertida e profundamente humana.

Astrid, Bocão, Stoico — todos os personagens passam por transformações reais, e o filme nos mostra que crescer não é apenas mudar por fora, mas aprender a ver de um jeito novo. E, às vezes, o mais difícil não é enfrentar um dragão, mas olhar para dentro e admitir que nossos medos nem sempre estão do lado de fora.

No fim das contas, essa não é só uma animação. É um lembrete. De que ser diferente não é fraqueza. De que sentir é um ato de coragem. E de que, às vezes, tudo o que precisamos é soltar as rédeas, subir nas costas de quem confiamos… e voar.

Crítica | O Ritual – Entre o sagrado e o psicológico, um horror que flerta com a fé e a dúvida

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Foto: Reprodução/ Internet

No vasto universo dos filmes de possessão, O Ritual se encaixa em um terreno já bem explorado, mas consegue, ainda assim, deixar uma marca própria. Com fortes influências de O Exorcista (1973), a obra busca equilibrar tradição e inovação ao contar mais uma história de fé, medo e perturbação mental. Apesar de não reinventar o gênero, o longa propõe reflexões interessantes ao fundir elementos religiosos com dilemas da psique humana, criando uma tensão que pulsa entre o sagrado e o profano, entre a crença e o ceticismo.

A narrativa gira em torno de Emma, uma jovem que começa a manifestar comportamentos inquietantes, colocando em xeque a linha entre possessão demoníaca e distúrbios mentais. Essa ambiguidade se torna o fio condutor do filme, e talvez o seu maior trunfo. Diferente de outras produções que apostam na explicação sobrenatural como única via, O Ritual prefere manter o espectador em dúvida — um gesto corajoso que enriquece o suspense e dá profundidade dramática à história.

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A dúvida como protagonista

Ao invés de escancarar a presença de um demônio desde os primeiros minutos, o roteiro opta por uma construção mais contida, deixando que os sinais se acumulem de forma gradual. Gritos noturnos, convulsões, frases em línguas antigas — tudo pode ter explicações médicas ou espirituais, e o filme não se apressa em entregar respostas.

Essa escolha é mais do que um artifício narrativo; é uma proposta temática. O Ritual convida o público a entrar na dúvida junto com os personagens, especialmente com as freiras que cuidam de Emma em um convento isolado. São mulheres de fé, mas também de mundo, que oscilam entre o instinto religioso e o bom senso científico. Essa complexidade nas figuras religiosas foge dos estereótipos comuns do gênero e confere à obra um peso simbólico maior.

Atuações que sustentam a tensão

O elenco, embora discreto, é competente. A jovem protagonista entrega um desempenho intenso e contido, sem cair no exagero comum aos papéis de “possuída”. Há uma angústia silenciosa em sua expressão que torna sua situação ainda mais enigmática. O público não sabe ao certo se está diante de uma vítima de forças malignas ou de uma mente em colapso — e isso funciona.

As freiras merecem destaque. Diferentes entre si em temperamento e fé, elas representam os diversos modos de lidar com o sobrenatural: a que acredita cegamente, a que reluta, a que investiga. Cada uma traz uma nuance ao debate silencioso que se trava dentro do convento. Em um gênero que costuma tratar religiosos como meros instrumentos narrativos, é revigorante ver personagens eclesiásticas com personalidade, dúvidas e humanidade.

Estética e atmosfera: um acerto visual

Visualmente, O Ritual é belo em sua escuridão. Os corredores estreitos do convento, a iluminação natural das velas, os vitrais filtrando a luz — tudo coopera para criar uma atmosfera opressiva e sagrada ao mesmo tempo. Há um cuidado estético que aproxima o longa de um terror mais autoral, quase gótico, evocando sensações que vão além do susto.

Os efeitos visuais cumprem seu papel. Não há abusos em CGI, e os momentos mais “fantásticos” são contidos o suficiente para manter a dúvida plausível. Quando surgem, são bem executados: sombras que se movem sutilmente, objetos que vibram sem explicação, vozes que sussurram em latim. O problema está quando o filme recorre ao manual do terror contemporâneo: corpos se contorcendo, sangue jorrando, olhos virando — cenas que, embora esperadas, destoam da elegância do restante da obra e soam forçadas ou caricatas.

A câmera como inimiga

Se há um ponto que realmente compromete a experiência, ele está na direção de fotografia — mais precisamente na movimentação da câmera. Em muitos momentos, especialmente nas cenas de tensão, o filme opta por uma câmera tremida, próxima do estilo found footage, que pretende intensificar o caos e a urgência, mas acaba apenas desorientando. A intenção é compreensível: mergulhar o espectador na confusão dos personagens. Mas na prática, o excesso dessa técnica tira o foco da cena e pode causar desconforto visual que não tem relação com o horror pretendido.

Em uma obra que aposta tanto na ambiguidade e na construção lenta da tensão, uma câmera mais estática, que permitisse ao espectador observar e refletir, teria sido mais eficiente. A tentativa de copiar fórmulas de sucesso, como em A Bruxa de Blair ou Atividade Paranormal, aqui parece fora de lugar.

Psicologia versus fé: um debate silencioso

O grande mérito de O Ritual é provocar reflexão. Mesmo com alguns deslizes de execução, o filme acerta ao deixar o espectador inquieto, não pelos sustos, mas pelas perguntas. Emma está realmente possuída? Ou é uma vítima do abandono emocional e da pressão religiosa? As freiras são santas ou cúmplices de um ritual de negação da ciência?

Esse embate entre fé e razão — velho como a humanidade — é encenado com certa sofisticação. O filme não oferece respostas fáceis. E talvez por isso incomode tantos. Há espectadores que saem decepcionados justamente por não obterem uma explicação clara. Mas talvez essa seja a maior força da obra: assumir que, em algumas experiências humanas, não há conclusões definitivas.

Foto: Reprodução/ Internet

A experiência que depende de quem assiste

É curioso observar que grande parte das críticas negativas ao filme vêm de dois tipos de público: os que esperavam um terror mais tradicional, com sustos constantes e vilões claramente definidos; e os que preferem obras mais ousadas e experimentais, como Hereditário ou O Babadook. O Ritual está em um ponto intermediário, o que pode gerar frustração para quem queria mais sustos ou mais complexidade.

No entanto, para quem entra na sala com abertura para um terror atmosférico, que valoriza o não-dito e aposta em simbolismos, o filme oferece uma experiência instigante. Não é uma revolução no gênero, mas é um passo firme em direção a uma narrativa de horror mais madura e introspectiva.

Um ritual que vale o risco

O Ritual não é o melhor filme de possessão já feito — longe disso. Mas também não é um fracasso, como algumas críticas mais duras sugerem. Ele encontra força em sua ambiguidade, constrói uma atmosfera envolvente e conta com atuações competentes, especialmente entre as personagens femininas.

Seu maior erro está em tentar abraçar estilos que não condizem com sua proposta mais reflexiva. A câmera tremida e alguns clichês visuais atrapalham o ritmo e tiram a força de cenas importantes. Mas o saldo final ainda é positivo.

Se você está em busca de um terror que assusta menos pelo que mostra e mais pelo que sugere, O Ritual pode ser uma boa escolha. Assista com calma, com a mente aberta — e com o coração pronto para duvidar do que vê.

Mia Carragher, filha de Jamie Carragher, assume papel de Katniss Everdeen em nova adaptação teatral de “Jogos Vorazes”

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Você se lembra da primeira vez em que ouviu falar de Katniss Everdeen? Talvez tenha sido em um trailer com arco e flecha, talvez no silêncio da sala de cinema ao som de “The Hanging Tree”, ou então nas páginas do livro, com uma garota de trança saindo de casa para enfrentar o impossível. Aquela personagem que não queria ser heroína, mas acabou inspirando uma revolução — dentro e fora da ficção.

Pois é. Katniss está voltando. Mas não do jeito que você imagina.

Do futebol ao palco: conheça a nova intérprete da protagonista que mudou tudo

Mia Carragher tem 20 e poucos anos, sotaque britânico e uma história de vida bem diferente da de Katniss. Filha do ex-jogador do Liverpool Jamie Carragher, ela cresceu cercada de holofotes — mas por outros motivos. O sobrenome, conhecido nos gramados, agora ganha destaque nos palcos. Mia acaba de ser escolhida para viver Katniss Everdeen na adaptação teatral “The Hunger Games on Stage”, que estreia em outubro, em Londres.

A peça será encenada no Troubadour Canary Wharf Theatre, um dos espaços mais modernos da capital britânica, com direito a efeitos especiais de última geração, som 360° e, claro, muito fogo.

Para muitos fãs, é uma escolha surpreendente. Mia tem pouca experiência em atuação — seu principal trabalho até agora foram dois episódios da série britânica The Gathering. Mas talvez seja justamente isso que dê um charme à escolha. Afinal, Katniss também não foi treinada para ser símbolo de nada. Ela apenas sobreviveu. E talvez Mia também vá nos conquistar assim: com verdade.

“Eu sei que tem muita gente com grandes expectativas… e isso assusta”, disse Mia em uma entrevista recente. “Mas estou disposta a mergulhar nessa personagem que representa tanta coisa para tantas pessoas. Ela não é só uma heroína. Ela é uma cicatriz viva.”

É uma fala forte. E verdadeira.

Enquanto isso, do outro lado do oceano… as câmeras começam a rodar novamente em Panem

Se nos palcos Katniss volta ao início de sua trajetória, nas telas voltamos ainda mais no tempo. Começaram neste mês, nos Estados Unidos, as gravações de “Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita”, o novo filme da franquia. Uma prequela da trilogia original, a produção é baseada no livro homônimo lançado este ano por Suzanne Collins — autora que não cansa de revisitar Panem com olhos cada vez mais críticos.

O filme, que chega aos cinemas em novembro de 2026, será dirigido por Francis Lawrence (o mesmo de Em Chamas e A Esperança) e tem no elenco nomes que prometem — e muito: Joseph Zada como o jovem Haymitch Abernathy, Whitney Peak, Mckenna Grace, Maya Hawke, Jesse Plemons, Elle Fanning, Kieran Culkin, e até o lendário Ralph Fiennes, como o Presidente Snow.

Sim, esse mesmo Snow que transformou os Jogos numa ferramenta de controle, aqui aparece em uma fase anterior — ainda consolidando seu poder, ainda aprendendo a manipular.

O Massacre Quaternário: onde a esperança foi rasgada

“Amanhecer na Colheita” se passa durante o 50º Jogos Vorazes, também conhecido pelos fãs como o Massacre Quaternário — uma versão ainda mais cruel do torneio, com o dobro de tributos enviados à arena. Para quem já viu Katniss enfrentar horrores no campo de batalha, prepare-se: o trauma de Haymitch pode ser ainda mais brutal.

Neste filme, vamos acompanhar a origem do cansaço nos olhos daquele mentor beberrão, que carregava nas costas um passado que ele nunca revelou por inteiro. Agora, vamos ver o que ele enfrentou — e o que perdeu.

Haymitch, aqui, é jovem, corajoso, impetuoso. E o mundo ainda está cheio de gente que acredita no sistema, que obedece às regras. Mas o Massacre vai mudar tudo. Para sempre.

Um elenco jovem, potente e promissor

Se “Jogos Vorazes” sempre foi sobre juventude forçada a crescer cedo demais, o novo elenco faz jus a esse legado. É um time diverso, com nomes que já brilharam (e ainda vão brilhar) muito:

O elenco do novo filme é um verdadeiro mosaico de talentos da nova geração e nomes já consagrados, reunidos para dar vida a um capítulo sombrio da história de Panem. Joseph Zada, conhecido por seu trabalho intenso em The Last Border (2023), assume o papel de Haymitch Abernathy em sua juventude, enfrentando seus primeiros traumas na arena. Ao seu lado, a promissora Whitney Peak (Gossip Girl, Hocus Pocus 2) interpreta Lenore Dove Baird, uma tributo com espírito inquieto. Mckenna Grace (A Maldição da Residência Hill, Ghostbusters: Mais Além) vive a sensível e corajosa Maysilee Donner, enquanto Jesse Plemons (Ataque dos Cães, Black Mirror) dá profundidade ao jovem Plutarch Heavensbee, já envolvido nos bastidores do poder. Completam o elenco a carismática Maya Hawke (Stranger Things, Rua do Medo), o versátil Kelvin Harrison Jr. (Elvis, Waves), a veterana Lili Taylor (Invocação do Mal, Six Feet Under), o irreverente Kieran Culkin (Succession), o promissor Ben Wang (American Born Chinese), e os consagrados Elle Fanning (The Great, Malévola) como uma jovem Effie Trinket, e Ralph Fiennes (O Menu, Harry Potter) no papel do astuto Presidente Snow. Uma reunião de nomes que, juntos, prometem incendiar novamente a tela com drama, tensão e humanidade.

Suzanne Collins e a eterna ferida chamada Panem

A escritora já deixou claro, em diversas entrevistas, que Panem é uma metáfora — sempre foi. E se o primeiro livro falava sobre guerra e trauma, Amanhecer na Colheita aprofunda o desconforto: fala de memória, de manipulação, de um sistema que se reinventa para permanecer cruel. Em tempos em que o autoritarismo se esconde sob novas máscaras, Collins nos lembra: a distopia está sempre à espreita.

E o que isso tudo significa para os fãs?

Significa que não estamos prontos para deixar Panem.

Mesmo depois de tantos anos, algo naquele mundo ainda fala com a gente. A injustiça, a opressão, a coragem silenciosa, o medo, a força de quem não pediu para lutar, mas lutou assim mesmo. Seja nos olhos firmes de Mia no palco ou no suor do jovem Haymitch na arena, essa história ainda pulsa. E ainda machuca.

Mas também inspira. Porque “Jogos Vorazes” nunca foi apenas sobre lutar. Foi sobre resistir. Sobre dizer “não”. Sobre desafiar o que parecia imutável.

Os Estranhos: Capítulo 2 | Com vilões mascarados em destaque, cartaz alternativo antecipa o horror brutal que vem aí

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Sabe aquele arrepio que sobe pela espinha quando você ouve uma batida na porta tarde da noite? Pois é. Esse sentimento desconfortável, que mistura medo e curiosidade, está prestes a retornar com força total. Os Estranhos 2 acaba de ganhar um novo cartaz alternativo, e ele não alivia na tensão: os rostos cobertos pelos icônicos personagens — frios, silenciosos e impiedosos — dominam a imagem, prontos para mais uma rodada de puro pavor. Abaixo, confira a imagem divulgada:

Foto: Reprodução/ Internet

O longa, que chega aos cinemas em 25 de setembro, marca a sequência direta da reimaginação lançada no ano passado e traz de volta Madelaine Petsch, conhecida por “Riverdale”, agora ainda mais vulnerável e decidida. No filme, sua personagem, Maya, tenta seguir em frente após sobreviver a uma noite de puro inferno. Mas esse tipo de trauma, como sabemos, não vai embora com o nascer do sol — e parece que os algozes dela também não.

Onde tudo começou

Antes de falarmos do que vem aí, vale um rápido mergulho na origem desse pesadelo. Lançado lá em 2008, o primeiro “Os Estranhos” apresentava uma história simples, mas perturbadora: um casal tenta passar um fim de semana tranquilo em uma casa afastada quando começa a ser aterrorizado por três figuras encapuzadas que invadem o local, sem nenhum motivo aparente. Só porque estavam ali.

O longa foi dirigido por Bryan Bertino e estrelado por Liv Tyler e Scott Speedman, e o que parecia ser só mais um filme de sustos se transformou em um clássico moderno do gênero. A ideia de que o mal pode bater à sua porta, sem explicações ou lógica, ficou com o público por muito tempo. O próprio Bertino revelou que se inspirou em episódios da infância e nos infames crimes cometidos pela Família Manson.

Com um orçamento modesto de US$ 2 milhões, o filme surpreendeu ao faturar mais de US$ 82 milhões no mundo todo. Uma prova de que, às vezes, o que mais assusta não é o sangue, e sim o silêncio.

Agora, ninguém está seguro

Corta para 2025. O novo longa retoma a história logo após os eventos vistos na primeira parte da trilogia iniciada pela Lionsgate. Maya, depois de escapar com vida — mas profundamente marcada —, tenta encontrar alguma paz. Spoiler: ela não vai conseguir.

Na sequência, o trio mascarado retorna, impiedoso, como se não tivesse dormido desde o último encontro. O filme nos coloca novamente em uma jornada de sobrevivência, mas agora com ainda mais desespero, já que Maya está sozinha e sem saber em quem pode confiar. Cada esquina esconde um risco, cada porta fechada pode ser a última.

O novo cartaz alternativo antecipa que o filme de terror é uma composição visual intensa, que mistura sombras, rostos cobertos e uma ameaça constante. É como se os personagens da imagem estivessem te observando — e sorrindo por dentro.

Direção afiada e elenco de peso

A sequência é comandada por Renny Harlin, nome conhecido por produções de ação e suspense como Duro de Matar 2 e Cliffhanger. Aqui, ele imprime um ritmo mais direto, mais visceral — sem muito tempo para respiros. O roteiro fica por conta da dupla Alan R. Cohen e Alan Freedland, que mergulha ainda mais fundo nas camadas psicológicas de Maya e na natureza quase ritualística da perseguição.

Além de Petsch, o elenco conta com Gabriel Basso, em alta após o sucesso de Agente Noturno, e Ema Horvath, que brilhou na série Os Anéis de Poder. O trio de protagonistas se vê envolvido em situações onde qualquer escolha errada pode ser fatal — e os mascarados estão sempre um passo à frente.

Uma ameaça sem rosto, sem voz… e sem motivo

O mais aterrador nessa franquia continua sendo o fato de que os agressores não têm uma história explorada. Nada de infância traumática, vingança ou qualquer justificativa tradicional. Eles matam porque querem. Porque podem. Porque estavam por perto. Os fãs apelidaram os três de Dollface, Man in the Mask e Pin-Up Girl, mas isso é tudo o que sabemos. O mistério sobre quem são e por que fazem o que fazem é parte essencial da experiência — e o filme faz questão de manter esse segredo intacto.

Continuação ou pesadelo renovado?

O segundo capítulo da nova trilogia não quer apenas repetir fórmulas. A ideia aqui é mostrar as consequências. Maya, antes apenas uma vítima em fuga, agora é alguém marcada por perdas, lembranças terríveis e um medo que não desgruda. A trilha sonora, os cenários e o jogo de luzes são pensados para transformar cada minuto em um estado de alerta. A tensão não se constrói com sustos gratuitos, mas com a sensação constante de que alguém — ou três “alguéns” — está te observando no escuro.

O trailer, aliás, já dá pistas disso: há cenas de floresta, postos de gasolina abandonados, luzes piscando e aquele silêncio que grita. É o tipo de filme que faz você olhar duas vezes para a porta da frente antes de dormir.

Medo que não envelhece

Enquanto muitos filmes do gênero apostam em explicações mirabolantes ou criaturas sobrenaturais, a trama segue outro caminho. Aqui, o terror mora no comum. No vizinho quieto, na estrada vazia, na batida inesperada à meia-noite. Esse tipo de história mexe com o nosso instinto mais primitivo: o medo de estar indefeso, de não entender, de não ter controle.

E talvez por isso funcione tão bem. Porque, no fundo, todo mundo já sentiu essa pontada de pavor ao ouvir um ruído estranho em casa. O que Harlin e sua equipe fazem é transformar esse sentimento em filme. E o resultado é, no mínimo, perturbador.

Destruição Final 2 | Continuação de sucesso apocalíptico ganha data de estreia e promete nova jornada intensa da família Garrity

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“O mundo acabou. Mas a história continua.” Essa frase poderia facilmente servir de slogan para Destruição Final 2, a aguardada sequência do thriller apocalíptico Destruição Final: O Último Refúgio (2020). Com estreia mundial marcada para o dia 9 de janeiro de 2026, o novo capítulo promete não apenas retomar os eventos do primeiro filme, mas expandir sua carga dramática, emocional e humana. É uma continuação que fala menos sobre o impacto de um cometa e mais sobre o impacto de continuar vivo. As informações são do Variety.

Dirigido novamente por Ric Roman Waugh e estrelado por Gerard Butler, Morena Baccarin e Roman Griffith Davis, o filme mostra a família Garrity após sair do abrigo que os protegeu da destruição provocada pelo cometa Clarke. Agora, o desafio é outro: atravessar um mundo em ruínas em busca de um novo lar — e, talvez, de um novo sentido para a existência.

O mundo pós-Clarke: Um planeta que sobreviveu… parcialmente

O novo filme parte do ponto onde Destruição Final terminou: a Terra foi devastada, mas nem tudo foi perdido. A raça humana sobreviveu — ou pelo menos, parte dela. A Groenlândia, usada como refúgio durante a colisão, foi uma das poucas regiões onde a vida pôde ser preservada, ainda que sob condições extremas.

Quando a família Garrity decide deixar o bunker, o que encontram do lado de fora não é esperança imediata, mas um planeta irreconhecível: cidades apagadas, florestas reduzidas a cinzas, oceanos agitados, climas imprevisíveis. Uma Terra que respira com dificuldade e parece cobrar um preço por cada passo em falso.

É nesse cenário que John (Gerard Butler), Allison (Morena Baccarin) e o jovem Nathan (Roman Griffith Davis) tentam cruzar o que restou do continente em busca de abrigo e conexão com outros sobreviventes. O problema é que nem todos os que ficaram vivos querem cooperar.

Uma família em migração: das ruínas ao recomeço

Em vez de repetir a estrutura frenética do primeiro longa — em que o tempo era um inimigo visível —, a continuação aposta em uma narrativa mais compassada e introspectiva. A tensão continua presente, mas o foco está nas consequências de sobreviver, no peso que isso carrega para quem ficou.

John, que no primeiro filme foi um engenheiro tentando proteger sua família a qualquer custo, agora lida com a culpa e o trauma. Allison, antes apenas reativa aos acontecimentos, assume um papel mais ativo e estratégico. E Nathan, já um pouco mais velho, representa a incerteza da nova geração, crescendo em um mundo onde nenhuma regra se aplica.

A jornada é marcada por encontros com outros sobreviventes — vividos por Amber Rose Revah, Sophie Thompson, Trond Fausa Aurvåg e William Abadie —, cada um carregando seus próprios passados, escolhas e cicatrizes. São personagens que expandem o universo da franquia e trazem dilemas morais complexos: até onde você vai para proteger os seus? Ainda existe certo e errado quando tudo ao redor desabou?

O sucesso improvável de um filme catástrofe “sem super-heróis”

O primeiro filme estreou em 2020 sob um contexto bastante peculiar: o auge da pandemia da COVID-19. Com salas de cinema fechadas em várias partes do mundo, o longa encontrou um público fiel no streaming e VOD (vídeo sob demanda). Lançado pela STX Films e posteriormente licenciado pela Lionsgate, arrecadou mais de US$ 52 milhões, superando expectativas para um projeto de médio orçamento.

A crítica, que costuma ser dura com filmes-catástrofe, foi surpreendentemente favorável. Com 73% de aprovação no Rotten Tomatoes, o longa foi elogiado por evitar exageros, apostar em tensão realista e retratar uma família comum enfrentando o fim do mundo com coragem — e vulnerabilidade.

Essa fórmula de sucesso — misto de ação com drama humano — pavimentou o caminho para a sequência. Mas o time criativo não quis apenas repetir a fórmula. Querem aprofundá-la.

Um olhar mais maduro e sombrio

De acordo com entrevistas recentes dos produtores, Destruição Final 2 é menos sobre desastres naturais e mais sobre as escolhas humanas num mundo sem estrutura. Um tipo de western apocalíptico, com a estrada como cenário principal e o imprevisível como ameaça constante.

O diretor Ric Roman Waugh — que também dirigiu Invasão ao Serviço Secreto (2019) — traz sua marca: personagens durões, mas com camadas emocionais profundas. Já o roteiro, coassinado por Chris Sparling (que escreveu o primeiro filme) e Mitchell LaFortune (especialista em roteiros com tensão geopolítica e militar), sugere que elementos de sobrevivência, estratégia e liderança estarão ainda mais presentes.

Trauma, humanidade e resiliência

Um dos temas mais delicados abordados no novo filme é o trauma coletivo. Em um mundo onde bilhões morreram e quase tudo foi perdido, o que sobra da saúde mental das pessoas? Como manter relações, ensinar valores a uma criança, ou sequer confiar em alguém? A personagem de Allison, por exemplo, deve ganhar um arco emocional mais elaborado. Morena Baccarin revelou em entrevistas que sua personagem “será o coração da história” e terá de tomar decisões difíceis para manter a família unida. Nathan, vivido por Roman Griffith Davis (do premiado Jojo Rabbit), também passa por uma transição: de criança frágil a pré-adolescente em formação, aprendendo a sobreviver num planeta sem escolas, amigos ou promessas.

Uma aposta da Lionsgate no realismo emocional

Diferente de outras franquias apocalípticas — como Guerra Mundial Z ou 2012 —, a saga Destruição Final nunca se apoiou em soluções tecnológicas mirabolantes ou em protagonistas infalíveis. Ao contrário: tudo é mais lento, mais humano, mais crível. E isso se mantém em Migration. A Lionsgate, que assumiu a distribuição global, investiu pesado no realismo do projeto. As filmagens ocorreram em locações naturais na Europa, com pouca dependência de CGI, priorizando cenários reais que pudessem transmitir desolação e urgência. A trilha sonora, ainda sem compositor oficial confirmado, provavelmente manterá o tom melancólico e atmosférico da primeira, assinada por David Buckley.

E depois da migração?

Uma dúvida paira sobre fãs e críticos: este será o capítulo final? Ou apenas o começo de uma trilogia? Fontes próximas à produção indicam que tudo depende da recepção de Destruição Final 2 . Caso o filme repita o sucesso do original, um terceiro longa pode explorar a reconstrução da sociedade, talvez com foco nas primeiras tentativas de reerguer a civilização — e, com isso, novos conflitos surgirão. Além disso, há espaço para spin-offs com outros sobreviventes ou até mesmo uma minissérie, considerando o apelo emocional e a atual demanda por narrativas pós-apocalípticas mais realistas.

Cantai ao Senhor | Pedro Bial anuncia documentário sobre a música evangélica brasileira

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Na noite desta quinta-feira (14), Pedro Bial trouxe ao público uma notícia que promete abrir uma nova janela para a cultura brasileira. Durante a exibição do Conversa com Bial, o jornalista e apresentador anunciou a produção de uma série documental intitulada Cantai ao Senhor – A História da Música Evangélica Brasileira. Para marcar o momento, Bial reuniu no programa duas figuras centrais da cena gospel: a cantora Shirley Carvalhaes, um ícone do gênero, e o pesquisador Arthur Martins, especialista em música evangélica e suas ramificações históricas. As informações são do Gshow.

O anúncio não se tratou apenas de mais um projeto televisivo. Bial ressaltou a importância de compreender um fenômeno cultural muitas vezes negligenciado: a música produzida por artistas evangélicos, que cresceu exponencialmente nas últimas décadas e desempenha papel significativo na vida de milhões de brasileiros. “Olha quanta coisa está acontecendo, e eu acho que a mídia está tendo dificuldade de explicar (…) A valorosa equipe do Conversa com Bial está tomando conta disso, está produzindo uma série documental dirigida pelo Ricardo Alexandre e pelo Dudu Levi, gente muito preparada para cuidar desse assunto”, destacou o apresentador, enfatizando a responsabilidade de profissionais experientes para retratar com profundidade um universo tão rico e complexo.

O despertar para um universo cultural pouco explorado

Para Arthur Martins, a produção documental representa mais do que entretenimento; é uma oportunidade de colocar luz sobre uma narrativa histórica esquecida. “Acho que a maior importância é a gente começar a contar a história da música popular brasileira incluindo o que os evangélicos fazem há quase 100 anos, e que a elite intelectual e a elite que tem o poder de contar a história do Brasil nunca prestou atenção, ou nunca quis prestar atenção. Então, pela primeira vez a gente está conseguindo jogar luz sobre isso, que estava meio nebuloso, escuro, agora a gente vai finalmente descobrir”, afirmou o pesquisador no programa.

A história da música evangélica no Brasil é antiga e multifacetada. Desde os hinos protestantes do início do século XX até a música cristã contemporânea, a produção evangélica passou por diferentes fases, incorporando ritmos regionais, influências populares e elementos de gêneros como samba, forró, rock e pop. Mais do que expressão religiosa, essas canções refletem contextos sociais, culturais e históricos, servindo de ponte entre fé, comunidade e identidade cultural.

Shirley Carvalhaes: a voz que moldou o gospel brasileiro

A participação de Shirley Carvalhaes no programa foi especialmente significativa. Conhecida como a Rainha do Gospel, Shirley construiu uma carreira de quase cinco décadas, misturando ritmos nordestinos e mensagens de fé de maneira única. Sua trajetória exemplifica o que a série documental busca retratar: artistas que, através de talento, persistência e devoção, transformaram a música evangélica em um fenômeno cultural reconhecido e admirado.

“Sempre fizemos parte da história musical do país, mas muitas vezes não fomos vistos. Essa série vem para mostrar que nossa música não é apenas um segmento religioso, mas uma expressão cultural que dialoga com toda a sociedade”, afirmou Shirley, reforçando a relevância do projeto para o reconhecimento de gerações de músicos que atuaram fora dos holofotes tradicionais.

Um projeto que une pesquisa e arte

Dirigida por Ricardo Alexandre e Dudu Levi, a série documental promete equilibrar rigor acadêmico e sensibilidade artística. A proposta é apresentar não apenas os artistas e suas canções, mas também o contexto histórico e social que moldou a música evangélica no Brasil. Entre imagens de arquivo, apresentações históricas e entrevistas, o público poderá compreender como a música religiosa se entrelaça com a fé, a comunidade e a própria história do país.

Pedro Bial destacou que o projeto pretende mostrar a música evangélica em múltiplas dimensões. “Não é só sobre discos e artistas, é sobre pessoas, histórias, comunidades e transformações sociais. É sobre como a música influencia e é influenciada pela vida das pessoas que a criam e a vivem”, explicou. Essa abordagem promete dar ao público uma visão ampla e profunda, destacando o valor artístico, social e espiritual das canções.

A música evangélica como expressão cultural

Nas últimas décadas, o crescimento da população evangélica no Brasil transformou o gênero em um verdadeiro fenômeno cultural. Igrejas, gravadoras independentes e artistas autônomos contribuíram para a disseminação da música cristã, que hoje não se limita aos templos, mas alcança rádios, plataformas de streaming, shows e festivais com milhares de participantes.

Arthur Martins reforça que compreender essa música é essencial para entender a história cultural brasileira como um todo. “Ao ignorar a produção evangélica, a narrativa oficial da música popular fica incompleta. Este documentário corrige isso, trazendo à luz artistas, movimentos e histórias que até agora permaneceram nas sombras”, disse.

Expectativa e impacto social

O anúncio da série documental gerou grande expectativa entre artistas, pesquisadores e público em geral. Ao dar visibilidade à música evangélica, o projeto contribui para o reconhecimento da diversidade cultural brasileira e estimula uma reflexão sobre preconceitos e estigmas associados ao gênero. Mostrar a riqueza artística, a história e a dimensão social dessa música é também uma forma de promover diálogo e compreensão entre diferentes comunidades.

Além disso, a série terá potencial educativo e acadêmico. Pesquisadores e estudantes de música, sociologia e história terão acesso a um material rico e detalhado, capaz de ampliar o entendimento sobre como fé e cultura se entrelaçam em um país tão diverso como o Brasil.

Um projeto pioneiro

“Cantai ao Senhor – A História da Música Evangélica Brasileira” é pioneiro. Embora a música evangélica tenha influenciado inúmeros artistas e gêneros ao longo do século XX e XXI, nunca houve um registro audiovisual tão abrangente e aprofundado. A série documental pretende preencher essa lacuna, mostrando desde pequenas comunidades e grupos musicais até grandes gravadoras e concertos, permitindo compreender como o gênero se consolidou e se expandiu ao longo do tempo.

Além de Shirley Carvalhaes e Arthur Martins, o projeto deve reunir depoimentos de outros artistas, líderes religiosos e especialistas, oferecendo múltiplas perspectivas sobre a música evangélica e seu impacto na sociedade brasileira. Essa abordagem plural ajudará o público a compreender não apenas a produção musical, mas também o contexto social e histórico em que ela se desenvolveu.

Felca quebra o silêncio no Altas Horas e comenta vídeo sobre denúncia de exploração de menores na internet

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Foto: Reprodução/ Internet

Na manhã desta sexta-feira (15), o influenciador digital Hytalo Santos e seu marido, Israel Nata Vicente, foram detidos pela polícia em um caso que rapidamente ganhou repercussão nacional. A prisão acontece após denúncias de exposição de crianças e suspeita de exploração em vídeos compartilhados na internet, e despertou debates sobre os limites da exposição infantil, ética digital e responsabilidade dos adultos nas redes sociais. O episódio que desencadeou a prisão começou com a publicação de um vídeo pelo youtuber Felipe Bressanim Pereira, de 26 anos, mais conhecido como Felca. Intitulado “Adultização”, o conteúdo critica a forma como crianças são expostas em plataformas digitais, muitas vezes com atitudes ou roupas que remetem a comportamentos de adultos.

“Quando eu vi o que estava acontecendo, senti uma indignação imediata. Não podia ficar calado”, disse Felca durante entrevista ao programa Altas Horas, onde falou pela primeira vez sobre o caso em televisão aberta. “Se você não sente indignação, você não é um ser humano. Eu, como senti e tinha um público, simplesmente liguei a câmera e falei.” Segundo ele, a indignação diante do que considerava uma violação da infância o motivou a agir, mesmo sabendo que enfrentaria críticas e ameaças.

No vídeo que viralizou, o influenciador alerta para o que chamou de adultização das crianças nas redes sociais, expondo menores em contextos inadequados. Ele explicou que, mesmo quando não há intenção direta de sexualização, a simples exposição repetida torna os jovens vulneráveis a assédios, exploração e comentários maliciosos. “Não é só um vídeo engraçado. São crianças que estão sendo colocadas em um palco público sem entender os riscos. Quem tem que cuidar disso somos nós, adultos responsáveis”, afirmou. Ele destacou que a repercussão foi intensa: “Algumas pessoas tentaram me difamar, me ameaçaram, mas eu sabia que era um assunto sério e que precisava ser exposto. Não é fácil, mas a prioridade é proteger essas crianças. Quem deve ter medo não é quem denuncia, mas quem explora crianças. Quem está errado precisa ser responsabilizado.”

O vídeo viralizou rapidamente e alcançou milhares de visualizações em poucos dias. Felca comentou que recebeu mensagens de apoio e relatos de famílias que assistiram ao conteúdo juntas, mostrando que o tema mexe com a sociedade de forma ampla. Ele observou que muitas pessoas enviaram fotos assistindo ao vídeo na horizontal, um formato incomum que indica consumo em telas maiores, possivelmente em grupos familiares. “Ver famílias assistindo juntas mostra que estamos gerando reflexão. Isso é raro na internet, onde a maioria do conteúdo é consumida de forma rápida e individual”, contou Felca. Ele destacou ainda que a repercussão contribuiu para que autoridades analisassem a situação e agissem de forma concreta, resultando na prisão do influenciador e de seu marido. “Quando a denúncia é feita de maneira responsável, ela pode gerar mudanças reais. Isso é muito gratificante”, disse.

Convidado por Serginho Groisman, o influenciador participou do Altas Horas, que vai ao ar na noite deste sábado (16). Durante o programa, ele explicou sua motivação e falou sobre os desafios de lidar com a exposição pública de um tema sensível. “Não é sobre buscar fama ou likes. É sobre proteger pessoas que não têm como se proteger sozinhas. Quando eu vi que crianças estavam em risco, eu sabia que precisava agir”, afirmou. Felca também comentou sobre as ameaças recebidas: “Alguns ficaram incomodados, algumas pessoas me ameaçaram ou tentaram me difamar. Mas, sinceramente, eu não tenho medo. Quem deve ter medo são aqueles que exploram crianças. Denunciar é o mínimo que podemos fazer.”

Felipe Bressanim Pereira nasceu em Londrina, no norte do Paraná. Aos 26 anos, ele construiu sua carreira como youtuber e humorista, combinando entretenimento e engajamento social. Recentemente, passou a usar sua visibilidade para discutir temas de relevância social, como exploração infantil e segurança digital. “Eu sempre quis usar meu canal para algo que faça sentido. Quando vejo injustiça, não posso ficar quieto. A internet é uma ferramenta poderosa, mas precisa ser usada com responsabilidade”, disse Felca.

O caso de Hytalo Santos e Israel Nata Vicente se insere em um contexto de crescente preocupação com a proteção de menores online. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a legislação sobre crimes cibernéticos permitem que autoridades investiguem e punam situações de exploração, abuso ou exposição indevida de crianças. Especialistas alertam que, mesmo quando vídeos são publicados pelos próprios pais ou responsáveis, a criança não tem capacidade para consentir plenamente sobre sua exposição. “A responsabilidade recai sempre sobre o adulto. A criança não pode entender todas as consequências de ter sua imagem exposta online”, explicou Mariana Castro, advogada especializada em direito digital.

Psicólogos também destacam que a adultização precoce pode gerar sérios impactos emocionais, sociais e psicológicos. Quando crianças são expostas de forma inadequada, elas podem desenvolver ansiedade, baixa autoestima, insegurança e até dificuldades de relacionamento. “A internet é uma vitrine muito grande e perigosa. Crianças não têm filtros emocionais para lidar com comentários ou olhares externos. Denúncias como a do Felca são fundamentais para proteger a infância”, afirmou a psicóloga infantil Carla Mendes. Felca reforça esse ponto: “Não é só sobre denunciar um caso. É sobre conscientizar todos que usam a internet. Crianças precisam de limites, e adultos têm que cuidar delas.”


2ª temporada de Paradise encerra gravações e promete reviravoltas intensas

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A tão aguardada segunda temporada da série norte-americana Paradise finalmente encerrou suas filmagens, trazendo ao público uma expectativa renovada para os próximos episódios. A notícia foi compartilhada pelo astro Sterling K. Brown em suas redes sociais, com um vídeo dos bastidores que rapidamente viralizou, mostrando momentos de descontração entre o elenco e cenas de ação que prometem manter os fãs à beira do sofá. A série, que combina suspense político e drama intenso, consolidou-se como um dos grandes fenômenos televisivos recentes, tanto nos Estados Unidos quanto internacionalmente, e a segunda temporada surge como uma oportunidade de aprofundar os conflitos e segredos que já marcaram a primeira fase da produção.

A série foi criada por Dan Fogelman, responsável também pela produção executiva ao lado de Sterling K. Brown, John Requa, Glenn Ficarra, John Hoberg, Jess Rosenthal e Steve Beers. A série estreou no Hulu em 26 de janeiro de 2025 nos Estados Unidos e, desde então, conquistou a crítica e o público com seu enredo intrigante e personagens complexos. No Brasil, o público acompanha a trama pelo Disney+, o que permite que a série alcance fãs de diferentes partes do mundo e conquiste uma base sólida de espectadores fiéis.

A trama central gira em torno do agente do Serviço Secreto Xavier Collins, interpretado por Sterling K. Brown, que se vê envolvido em uma teia de intrigas após o assassinato do Presidente dos Estados Unidos, Cal “Wildcat” Bradford, vivido por James Marsden. À medida que a história se desenrola, Xavier se torna um dos principais suspeitos e precisa descobrir a verdade por trás da morte do presidente, enquanto lida com traições, conspirações e revelações que desafiam sua confiança nas pessoas ao seu redor. O suspense político, aliado a dramas pessoais e éticos, é o que torna a série um marco no gênero.

A segunda temporada traz novidades significativas no elenco e na narrativa. Entre os nomes confirmados, destacam-se Sterling K. Brown, Julianne Nicholson e James Marsden, que retornam em seus papéis centrais. Eles são acompanhados por Sarah Shahi, Nicole Brydon Bloom, Aliyah Mastin e Percy Daggs IV, reforçando a densidade do elenco. A grande novidade é a inclusão de Shailene Woodley, cuja entrada promete acrescentar ainda mais tensão e dinâmica emocional à trama. Cada personagem é construído com camadas de complexidade, tornando as relações interpessoais tão cruciais quanto os acontecimentos políticos que movem a história.

O elenco de apoio e recorrente também desempenha um papel fundamental no desenrolar da narrativa. Cassidy Freeman interpreta a Primeira-Dama Jessica Bradford, Gerald McRaney dá vida a Kane Bradford, Matt Malloy atua como Henry Baines, e Richard Robichaux como Carl, todos complementando os conflitos centrais e oferecendo diferentes perspectivas sobre os eventos que assolam a Casa Branca e o círculo de pessoas que orbitam o poder. Essa diversidade de personagens permite que a série explore múltiplas dimensões do suspense político, incluindo ambições pessoais, dilemas éticos e decisões que têm impacto direto sobre vidas e carreiras.

A produção da série também merece destaque. As filmagens da segunda temporada começaram em fevereiro de 2024 em Los Angeles, sob o título provisório Paradise City, e seguiram intensamente até o encerramento, com cenas gravadas em locações internas e externas que capturam a atmosfera dramática e tensa da narrativa. A série é produzida pela 20th Television e pela Rhode Island Ave. Produções, com Dan Fogelman e Sterling K. Brown à frente da produção executiva. A colaboração criativa entre Fogelman e Brown é um dos pilares que fortalece a autenticidade da série, garantindo que cada episódio equilibre ação, suspense e emoção de maneira envolvente.

A narrativa da série não se limita apenas ao assassinato do presidente. Ela explora temas como lealdade, traição, corrupção política, ambição e o impacto do poder sobre as relações pessoais. Xavier Collins se vê constantemente em conflito entre seu dever como agente do Serviço Secreto e suas próprias convicções éticas, enquanto precisa lidar com figuras poderosas que estão prontas para manipular fatos e pessoas em prol de interesses próprios. Esse equilíbrio entre ação, mistério e drama pessoal é o que mantém a audiência engajada e ansiosa por cada novo episódio.

O que podemos esperar da nova temporada?

A segunda temporada, em especial, promete intensificar esses conflitos. Com a chegada de Shailene Woodley, espera-se que novas alianças e rivalidades transformem ainda mais a trama. A atriz trará um personagem que desafiará Xavier e outros membros do elenco principal, criando uma dinâmica de incerteza que promete prender o público. Além disso, a narrativa explorará consequências de decisões tomadas na primeira temporada, revelando segredos que podem mudar a trajetória de cada protagonista.

A questão da paternidade, alianças políticas secretas e estratégias de poder também ganham destaque. A complexidade da série permite que os roteiristas explorem múltiplas camadas de intriga, incluindo conspirações internas dentro da Casa Branca e ameaças externas que colocam todos em risco. A série não apenas entretém, mas também convida o público a refletir sobre questões de moralidade, responsabilidade e confiança em contextos de alta pressão.

O processo de produção da segunda temporada envolveu desafios significativos. Entre eles, a logística de gravações em múltiplas locações, a coordenação de um elenco extenso e a manutenção da consistência narrativa foram cruciais para garantir que a qualidade visual e dramática permanecesse elevada. O envolvimento de Sterling K. Brown como produtor executivo permitiu que houvesse uma visão integrada entre a atuação e o desenvolvimento da história, o que reforça a coesão da narrativa.

O lançamento da primeira temporada no Hulu, em janeiro de 2025, foi um sucesso de público e crítica, o que motivou a rápida renovação para a segunda temporada em fevereiro do mesmo ano. Internacionalmente, o Disney+ tornou possível que a série alcançasse um público mais amplo, incluindo espectadores brasileiros que acompanharam atentamente os acontecimentos da primeira temporada. O sucesso de audiência e o engajamento nas redes sociais refletem a capacidade da série em gerar discussões sobre política, ética e relações humanas em contextos de poder.

Entre os destaques da segunda temporada, os fãs podem esperar novas reviravoltas, confrontos inesperados e a exploração mais profunda dos dilemas internos de cada personagem. O suspense político continua sendo o fio condutor da trama, mas o foco em relações pessoais e segredos familiares garante que a série não perca sua dimensão humana. Essa combinação de elementos faz de Paradise uma experiência completa para quem aprecia drama, ação e narrativa complexa.

Pennywise retorna aos cinemas! IT: A Coisa ganha reexibição especial e revive o terror de uma geração

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No próximo dia 24 de setembro, o público terá a chance de reencontrar nas telonas um dos filmes mais icônicos da última década. A Warner Bros. Pictures confirmou a reexibição especial de IT: A Cois, longa que redefiniu o terror moderno e colocou novamente Stephen King no centro das conversas culturais. Mais do que revisitar o palhaço Pennywise, trata-se de uma celebração de um fenômeno que marcou gerações e que, desta vez, ainda chega com um bônus irresistível: uma prévia exclusiva da série “It: Bem-vindos a Derry”, da HBO, que estreia em 26 de outubro.

Quando estreou em 2017, o filme não foi apenas mais uma adaptação literária. Sob a direção de Andy Muschietti, o longa ganhou vida própria, equilibrando fidelidade ao espírito da obra de Stephen King com uma linguagem cinematográfica voltada para novas gerações. O resultado foi um estrondo: mais de US$ 700 milhões em bilheteria mundial, números que superaram clássicos como “O Sexto Sentido” e “O Exorcista”.

O segredo do sucesso estava no equilíbrio. De um lado, havia o terror bruto e visceral, encarnado em Bill Skarsgård como Pennywise, um palhaço dançarino que aterrorizava não apenas pelo visual grotesco, mas também pela imprevisibilidade de seus gestos e pela psicologia sombria que emanava de cada aparição. De outro, havia a delicadeza do Clube dos Perdedores, formado por crianças comuns que enfrentavam não só o monstro, mas também os dramas típicos da infância e da adolescência: a solidão, o bullying, o luto, o medo de crescer. Essa combinação transformou o filme em um clássico instantâneo.

Pennywise: de monstro a ícone contemporâneo

A figura de Pennywise já fazia parte do imaginário coletivo desde a minissérie de 1990, mas foi em 2017 que o personagem se consolidou como ícone cultural. A interpretação de Bill Skarsgård trouxe camadas de estranheza que o distanciaram da caricatura e o aproximaram do terror psicológico. Sua risada cortante, a capacidade de alternar entre ingenuidade e brutalidade em segundos e o olhar hipnótico se tornaram marcas registradas.

Não demorou para que o personagem ultrapassasse o cinema: estampou fantasias de Halloween, virou tema de discussões acadêmicas sobre medo e até se transformou em memes que circulam até hoje. Rever o longa-metragem de terror nos cinemas é revisitar o nascimento dessa nova faceta do palhaço dançarino, que se prepara para ganhar ainda mais profundidade na série derivada.

O poder do medo coletivo

Um dos maiores trunfos do filme é a forma como traduz o medo em algo universal. Pennywise não se limita a ser um vilão sobrenatural; ele é uma metáfora para as inseguranças e traumas que todos enfrentam. O desaparecimento de crianças em Derry e a apatia dos adultos diante do terror revelam um subtexto sobre violência estrutural, abandono e cumplicidade silenciosa.

Ao lado disso, a narrativa sobre amizade e coragem transforma o filme em algo além do terror puro. O espectador se identifica com o Clube dos Perdedores porque, em algum momento da vida, também já se sentiu pequeno diante de algo grande demais. Revisitar a obra no cinema, em meio a uma plateia igualmente tensa, é relembrar que o medo se torna ainda mais poderoso quando é compartilhado.

A experiência única de ver no cinema

Embora o streaming tenha levado o terror para dentro de casa, há experiências que só a sala de cinema consegue oferecer. Em “IT: A Coisa”, cada detalhe ganha uma nova dimensão na tela grande: o balão vermelho que surge em silêncio, o esgoto escuro que parece engolir a plateia, o som metálico que ecoa e arrepia.

Assistir coletivamente potencializa a sensação de vulnerabilidade. As reações sincronizadas – os gritos, as risadas nervosas, os silêncios sufocantes – criam uma atmosfera impossível de reproduzir sozinho no sofá. A reexibição de setembro, portanto, é menos um simples relançamento e mais um convite a experimentar novamente o ritual de sentir medo em comunidade.

Um elenco jovem que cresceu junto com o público

Outro motivo que torna essa reexibição especial é a chance de rever o elenco mirim no início de suas trajetórias. Sophia Lillis, Jaeden Martell, Finn Wolfhard e Jeremy Ray Taylor, entre outros, conquistaram o público em 2017 e, desde então, seguiram em projetos de destaque. Para quem acompanhou suas carreiras, voltar a vê-los como os integrantes do Clube dos Perdedores é uma viagem no tempo, uma forma de relembrar a juventude deles – e a do próprio espectador.

Muitos que tinham a mesma idade dos personagens em 2017 hoje já são adultos ou jovens adultos. Rever o filme agora permite olhar para trás e perceber como os medos, inseguranças e amizades daquela fase ainda ressoam, mesmo anos depois.

O legado de Stephen King

Por trás de todo o sucesso, está a genialidade de Stephen King. Mestre em transformar o sobrenatural em reflexo dos medos cotidianos, ele escreveu “It” em 1986 como uma síntese de tudo o que o assusta: a infância perdida, os ciclos de violência, os monstros internos e externos.

King sempre foi amplamente adaptado, mas o filme mostrou que ainda havia novas formas de dialogar com suas histórias. O filme reacendeu o interesse por outras obras suas, abriu espaço para novas adaptações e consolidou de vez seu papel como um dos autores mais influentes do cinema de terror.

Bem-vindos a Derry: o futuro da franquia

Se a reexibição de A Coisa é um convite à nostalgia, a prévia de Bem-vindos a Derry promete ser uma janela para o futuro. A série, que estreia em 26 de outubro na HBO, vai explorar a origem do mal que assola a cidade e aprofundar o mito de Pennywise. Ao invés de se limitar ao que já conhecemos, deve mergulhar em eventos anteriores ao filme, revelando como o terror se enraizou em Derry ao longo das décadas.

Essa expansão do universo amplia o alcance da franquia e garante que o público continue envolvido com a história. Para os fãs, a experiência será dupla: revisitar a batalha do Clube dos Perdedores e, logo depois, mergulhar nas sombras do passado que moldaram a criatura.

Crítica – Anora é uma poderosa releitura sobre amor e identidade

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“Eu amo meu marido e vou ficar com ele para sempre.” Com essa frase enigmática, Anora abre caminho para um mergulho profundo nas complexidades da vida e da identidade. Sob a direção brilhante de Sean Baker, conhecido por capturar com maestria a essência humana, o filme transcende o comum, entregando uma experiência repleta de performances emocionantes e um roteiro que equilibra humor e tragédia com precisão quase cirúrgica.

O enredo é uma releitura contemporânea e nada convencional da história da Cinderela. No entanto, em vez de sapatinhos de cristal e bailes luxuosos, encontramos uma narrativa moldada pelas nuances do cotidiano e das emoções humanas. Baker troca os estereótipos e cria um mundo autêntico, habitado por personagens peculiares e multidimensionais que desafiam expectativas.

No centro da história está Ani (interpretada de forma magnética por Mikey Madison), uma jovem que vive subjugada pelas expectativas alheias. Resignada a uma vida de conformismo, ela encontra em um gesto inesperado de carinho a centelha para sonhar com algo maior. Mas o filme não oferece respostas fáceis: enquanto Ani anseia por uma conexão genuína, sua experiência de vida a condicionou a desconfiar de toda bondade desinteressada.

A chegada de Igor, um personagem que personifica gentileza autêntica, intensifica o conflito interno de Ani. Em um mundo onde cada gesto parece ter um preço, ela luta para discernir entre sinceridade e manipulação. É um comentário poderoso sobre a maneira como traumas moldam percepções e sobre como a sociedade pode sufocar a pureza de um gesto altruísta.

No clímax emocional do filme, Ani desaparece, dando lugar à nova identidade de Anora. A transformação simboliza não apenas um renascimento, mas também a luta constante para acreditar que a felicidade é algo que ela pode, sim, merecer. É um momento silencioso, mas avassalador, em que Anora começa a sonhar com um futuro diferente — não como um reflexo das expectativas dos outros, mas como a arquiteta de sua própria vida.

Mikey Madison entrega uma atuação extraordinária. Sua interpretação é crua, vulnerável e absolutamente cativante, evocando comparações com grandes performances do cinema contemporâneo. Madison dá vida a Ani/Anora de uma forma que nos faz sentir cada dor, dúvida e esperança da personagem. É uma atuação que certamente será lembrada por anos.

Sean Baker, por sua vez, demonstra mais uma vez por que é um dos diretores mais talentosos de sua geração. Ele constrói um universo que respira autenticidade e que continua a nos intrigar mesmo após os créditos finais. Com Anora, Baker entrega uma obra que é sensual, engraçada, devastadora e profundamente humana.

Anora não é apenas um filme; é uma experiência. Ele nos desafia a refletir sobre nossas próprias vidas, nossos preconceitos e a maneira como enxergamos os outros. É um lembrete poderoso de que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, a capacidade de sonhar e de se reinventar permanece viva.

Um brinde a Sean Baker por nos oferecer uma obra-prima que ficará gravada na memória e no coração.

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