O tão aguardado Anora, o mais novo filme de Sean Baker, conhecido por seu trabalho em Projeto Flórida, finalmente está prestes a estrear e promete mexer com as emoções do público. Com uma narrativa cheia de tensão e reviravoltas inesperadas, a trama se destaca por uma cena em particular: a invasão à casa dos protagonistas Ani (Mikey Madison) e Ivan (Mark Eidelstein), um momento crucial que marca um verdadeiro ponto de virada na história.
Em um vídeo exclusivo da Universal Pictures, o próprio Sean Baker compartilhou alguns detalhes sobre a criação e a direção dessa sequência dramática, que promete intensificar a experiência cinematográfica. O cineasta destacou que a invasão não seria apenas uma cena de ação convencional, mas sim uma experiência imersiva. “Eu não queria interromper o ritmo do filme. A ideia era que fosse uma invasão de 20 minutos, algo que colocasse o público no lugar da protagonista, fazendo com que sentissem toda a loucura daquele momento”, revelou Baker, dando uma dica do tom visceral que o filme alcança.
Baker também fez questão de elogiar a coragem dos atores Mikey Madison e Yura Borisov, que se entregaram totalmente às cenas intensas de ação. “Eles estavam completamente dispostos a fazer as cenas por conta própria. Nós só supervisionamos, e o resultado foi impressionante. A experiência foi tão real e visceral que me surpreendi com a dedicação deles”, comentou o diretor.
Outro ponto que mereceu destaque foi a colaboração de Sean Baker com Yura Borisov, um dos grandes talentos do cinema russo, em sua primeira parceria com o cineasta. Baker revelou que a escolha de Borisov para o papel de Igor foi influenciada pela performance do ator no filme Compartment N. 6, do diretor finlandês Juho Kuosmanen. “Quando assisti à atuação de Yura, sabia que ele era a pessoa certa para o personagem. Ele trouxe uma profundidade emocional e uma carga dramática que eu não esperava. Ele teve tantas ideias brilhantes no set, o que fez o filme melhorar de maneira considerável. Sou extremamente grato pelo talento e pela generosidade que ele trouxe para o projeto”, elogiou Baker.
Agora, com a estreia de Anora marcada para esta quinta-feira, dia 23, o público brasileiro terá a oportunidade de conferir o desempenho notável de Mikey Madison e Yura Borisov, imersos em uma história envolvente que promete manter os espectadores na ponta da cadeira até o último minuto. Para garantir que todos possam aproveitar essa experiência única, o filme será disponibilizado em versões acessíveis, com diversas opções nos cinemas. Para mais informações, basta conferir a programação das salas de cinema na sua cidade.
Nesta segunda, 11 de agosto, a Sessão da Tarde traz para você uma aventura envolvente e cheia de magia com a exibição de Branca de Neve e o Caçador (2012). Diferente da tradicional história de princesa e encantos, este filme oferece uma releitura épica e sombria do clássico conto de fadas, apresentando uma Branca de Neve mais forte, uma rainha implacável e batalhas que prometem prender a atenção do público do começo ao fim.
Nesta versão, a princesa interpretada por Kristen Stewart é muito mais do que uma donzela em perigo. Crescida sob a sombra da tirania da rainha Ravenna, ela descobre sua força interior para liderar uma revolução contra a maldade que domina seu reino. Com um olhar determinado e uma espada na mão, Branca de Neve se transforma em uma verdadeira guerreira. Ao seu lado, o Caçador Eric, vivido por Chris Hemsworth, traz uma presença marcante: inicialmente um inimigo, torna-se aliado fundamental na luta pela liberdade.
A vilã deste conto é uma figura poderosa e fascinante, vivida com maestria por Charlize Theron. Sua obsessão por juventude e poder a torna temível, mas também humana em sua fragilidade. A atuação da atriz sul-africana adiciona camadas à personagem, que não é apenas cruel, mas também complexa, motivada pelo medo da perda e pela busca incessante pela beleza eterna.
Na terça, 12 de agosto, prepare o coração para se emocionar com Marley & Eu (2008), uma comédia dramática que celebra a relação única entre humanos e seus animais de estimação. O filme conta a história de Marley, um labrador bagunceiro que conquista a família Grogan e transforma suas vidas com muita diversão e amor.
Desde filhote, Marley demonstra uma energia inesgotável e uma personalidade que foge ao comum. Suas travessuras e desobedecimentos são motivo de risadas, mas também de lições sobre paciência e companheirismo. O cão que não cabe em si mesmo é interpretado por vários labradores, trazendo realismo e autenticidade para a tela.
O casal John e Jenny Grogan, vivido por Owen Wilson e Jennifer Aniston, enfrenta os desafios do casamento, carreira e paternidade com a ajuda de Marley. A trajetória da família é mostrada com humor e sensibilidade, passando pelas alegrias, dificuldades e inevitáveis despedidas.
Filmado em locações reais e com uma trilha sonora envolvente, o filme consegue equilibrar momentos de comédia com cenas emocionantes. Além dos protagonistas, o elenco conta com participações especiais que enriquecem a narrativa, fazendo do longa uma experiência calorosa e inesquecível.
Na quarta, 13 de agosto, a Globo apresenta Um Tio Quase Perfeito 2 (2021), uma comédia brasileira leve e divertida que mostra as trapalhadas de Tony, o tio mais atrapalhado e querido da família, que precisa lidar com a chegada de um novo personagem que ameaça seu posto junto aos sobrinhos.
Marcus Majella retorna ao papel do tio Tony, que agora enfrenta um rival inesperado: Beto, namorado da irmã Ângela, interpretado por Danton Mello. A disputa pela atenção dos sobrinhos rende cenas engraçadas e situações cheias de criatividade e humor inocente.
Apesar das confusões, o filme fala sobre aceitação e união familiar. Tony e Beto, mesmo em lados opostos, mostram que o que realmente importa é o afeto e o cuidado com as crianças.
Com direção de Pedro Antônio Paes, o filme conta ainda com Letícia Isnard e Ana Lúcia Torre, além de um elenco infantil cheio de energia. A produção foi reconhecida no cinema brasileiro e emocionou o público com sua mensagem positiva.
Na quinta, 14 de agosto, a TV Globo exibe Superação: O Milagre da Fé (2019), um drama baseado em fatos reais que acompanha a luta de uma família pela vida do jovem John, que após um grave acidente é dado como morto, mas cuja mãe se recusa a perder a esperança.
Joyce, interpretada por Chrissy Metz, é o coração da história, cuja força espiritual move toda a trama. Com o apoio do marido Brian (Josh Lucas) e do pastor Jason (Topher Grace), ela batalha contra a ciência e o tempo para acreditar no milagre.
Dirigido por Roxann Dawson, o filme evita exageros melodramáticos e foca nas emoções reais de uma família unida pela fé. A história foi baseada no livro escrito por Joyce Smith e trouxe uma mensagem poderosa de superação.
Na sexta, 16 de agosto, a emissora traz muita adrenalina e tensão com o filme Velocidade Máxima (1994), um clássico do cinema de ação que marcou gerações e continua eletrizando o público com sua trama eletrizante e sequências inesquecíveis.
A história começa simples, mas rapidamente se transforma em um desafio extremo: um ônibus comum, com dezenas de passageiros inocentes, se torna uma armadilha mortal. Um psicopata terrorista instala uma bomba que explodirá se o veículo diminuir a velocidade abaixo de 80 km/h. A missão para evitar o desastre fica nas mãos do policial Jack Traven (Keanu Reeves), que precisa agir rápido para salvar vidas e impedir que a tragédia aconteça.
Quando o motorista do ônibus sofre um acidente, a passageira Annie (Sandra Bullock) não hesita e assume o volante, mesmo sem experiência, em uma demonstração de coragem e determinação. A química entre Keanu Reeves e Sandra Bullock acrescenta emoção e dinamismo às cenas de ação, tornando o filme mais do que um simples thriller.
Dennis Hopper interpreta o psicopata Howard Payne, cuja frieza e inteligência aumentam o suspense. Cada momento do filme mantém o espectador na ponta da cadeira, enquanto o relógio corre e o ônibus avança a toda velocidade por ruas movimentadas e pontes perigosas.
Um dos destaques técnicos de “Velocidade Máxima” é sua trilha sonora e os efeitos sonoros, que foram reconhecidos com o Oscar da Academia na categoria de Melhor Som e Efeitos Sonoros. O ruído dos pneus derrapando, o motor acelerado e a tensão nas ruas da cidade são parte fundamental para criar a atmosfera eletrizante que define o filme.
Além de Keanu Reeves, Sandra Bullock e Dennis Hopper, o elenco conta com Jeff Daniels, Joe Morton e Alan Ruck, todos contribuindo para a construção de uma narrativa rápida, intensa e cheia de surpresas. A dublagem brasileira, com vozes de Márcio Simões, Manolo Rey, Sheila Dorfman, entre outros, também ajuda a manter a emoção e naturalidade dos personagens para o público nacional.
No dia 21 de setembro de 2025, os fãs de dramas policiais terão um encontro marcado com uma das produções mais comentadas dos últimos anos. O serviço de streaming da Paramount prepara o lançamento da terceira temporada de Tulsa King, que atualmente é a sua série de maior impacto recente, e o trailer oficial já antecipou que o clima será ainda mais intenso, sombrio e imprevisível.
O retorno da trama é cercado de expectativas porque a produção não apenas consolidou audiência global em suas primeiras fases, mas também se tornou um fenômeno cultural ao colocar Sylvester Stallone no centro de uma narrativa televisiva de longo formato pela primeira vez em sua carreira.
O sucesso inesperado que virou fenômeno
Quando a série foi anunciada em 2022, havia curiosidade e até ceticismo. Afinal, como um astro acostumado a liderar franquias cinematográficas de ação reagiria ao ritmo de episódios semanais, recheados de diálogos densos, construção de personagens e arcos dramáticos mais longos?
O resultado surpreendeu. Logo no lançamento, a produção se destacou não só nos Estados Unidos, mas também em mercados internacionais, quebrando recordes de estreia e atraindo milhões de assinantes para a plataforma. Ao final da segunda temporada, o projeto já estava consolidado entre os mais assistidos em todo o mundo, registrando números impressionantes: mais de 21 milhões de visualizações globais apenas no episódio de estreia e interações nas redes sociais que cresceram quase 900% em relação ao ano anterior.
Esses dados não são apenas estatísticas: representam a prova de que o público abraçou a série de maneira apaixonada, transformando-a em assunto recorrente em grupos, fóruns e veículos especializados.
Um protagonista em reinvenção
A figura central da trama é Dwight Manfredi, apelidado de “The General”. Após passar 25 anos atrás das grades, o mafioso nova-iorquino é enviado para Tulsa, em Oklahoma, como parte de um acordo interno da organização criminosa. Longe das conexões que tinha em sua cidade natal, ele precisa recomeçar do zero em território hostil.
Esse deslocamento é o grande motor da narrativa: acompanhar um homem envelhecido, que já não encontra espaço em um mundo que mudou drasticamente, tentando reconstruir sua influência em um ambiente dominado por novas regras. Em Tulsa, Dwight recruta aliados improváveis, como um jovem motorista, o dono de um bar decadente e até um comerciante de maconha, que inicialmente foi vítima de extorsão e depois se tornou parceiro de negócios.
A cada episódio, o público mergulha não apenas em disputas violentas, mas também em dilemas pessoais: as tentativas frustradas de retomar laços familiares, o envolvimento amoroso com uma agente federal e a luta interna entre repetir os erros do passado ou buscar uma redenção tardia.
Foto: Atsushi Nishijima/Paramount+
A nova ameaça: os Dunmires
Na terceira temporada, os desafios de Dwight chegam ao ponto mais perigoso. O império que ele construiu começa a chamar atenção de forças muito maiores. Entre elas, surge a família Dunmire, clã poderoso e bilionário, acostumado a controlar Tulsa com métodos nada convencionais. Diferente da velha escola da máfia, eles não seguem regras, o que torna o confronto ainda mais imprevisível.
O enredo promete colocar Dwight diante de decisões extremas: lutar com todas as armas para preservar o que construiu ou aceitar que a cidade talvez seja grande demais para ele. Essa tensão promete render alguns dos episódios mais intensos já produzidos pela equipe.
Elenco de veteranos e novos talentos
O grupo de atores que dá vida à história é outro trunfo da produção. Nomes como Martin Starr, Jay Will, Annabella Sciorra, Neal McDonough, Robert Patrick, Beau Knapp, Bella Heathcote e Frank Grillo voltam a aparecer, mantendo a química que conquistou os fãs.
Além disso, a presença de Garrett Hedlund e Dana Delany adiciona mais densidade às tramas paralelas, explorando dilemas morais e relações familiares complexas.
Mas a grande novidade está na participação especial de Samuel L. Jackson, que viverá Russell Lee Washington Jr., personagem que servirá de ponte para o spin-off ambientado em Nova Orleans. Essa conexão amplia o universo da série e confirma a aposta da Paramount em expandir o projeto para além de uma única história.
A construção de um universo expandido
Assim como outras criações de Taylor Sheridan, a série ganhou força não apenas pelo arco principal, mas pela possibilidade de se tornar um ecossistema narrativo. O spin-off, batizado de NOLA King, já está em desenvolvimento e promete mostrar um novo recorte do submundo criminoso, explorando os contrastes culturais da Louisiana.
Essa estratégia segue o mesmo caminho de Yellowstone, que deu origem a produções derivadas de grande sucesso. A ideia é criar um conjunto de histórias que se complementam, mantendo o público sempre engajado e garantindo vida longa à franquia.
Bastidores e mudanças criativas
Nem tudo foi simples no desenvolvimento da produção. A primeira temporada contou com Terence Winter como showrunner, mas divergências criativas com Sheridan provocaram alterações. Na segunda fase, a direção criativa passou por ajustes e, agora, quem assume o comando é Dave Erickson, conhecido por trabalhos em séries de suspense e drama.
Essa transição nos bastidores mostra a busca por equilíbrio entre manter a essência original e oferecer novidades narrativas capazes de prender a atenção de uma audiência já acostumada a reviravoltas.
Outro detalhe interessante é a mudança de locações: enquanto a primeira temporada foi gravada em Oklahoma City, a segunda transferiu as filmagens para Atlanta, oferecendo maior estrutura de produção e variedade de cenários.
Recepção da crítica e dos fãs
Embora parte da imprensa tenha apontado fragilidades nos diálogos, o consenso é de que a atuação de Stallone elevou o nível da série. Sua entrega ao personagem, equilibrando brutalidade e vulnerabilidade, foi destacada como um dos pontos mais fortes.
O público, por sua vez, transformou a produção em culto. Grupos no Reddit, teorias no Twitter e vídeos no TikTok mantêm a narrativa viva mesmo fora da tela. A série já conquistou indicações em premiações importantes e figura constantemente nas listas de recomendações de dramas imperdíveis da atualidade.
O futuro
Com a nova temporada prestes a estrear e um spin-off já em desenvolvimento, fica claro que o universo iniciado em 2022 ainda tem muito a oferecer. A Paramount já sinalizou interesse em uma quarta temporada, o que indica que a trajetória de Dwight e de seus aliados deve continuar rendendo boas histórias.
Seja enfrentando velhos rivais, seja encarando novos inimigos, o certo é que o público terá muitos motivos para continuar acompanhando cada capítulo dessa saga.
Onde posso assistir?
Para quem ainda não conhece a trajetória de Dwight Manfredi, as duas primeiras temporadas estão disponíveis para maratonar. Para os fãs de longa data, setembro promete ser um mês de tensão, surpresas e, acima de tudo, de ver Stallone brilhar em um papel que já entrou para a história da TV contemporânea.
Se você gosta de histórias românticas com clima leve, personagens carismáticos e aquele dilema clássico entre amor e carreira, o dorama Amor do Meu Curry é uma excelente pedida. Lançado em 2024, o BL tailandês combina música, juventude e descobertas emocionais em uma narrativa delicada que tem conquistado fãs do gênero. No Brasil, a série está disponível no catálogo de conteúdos do Viki.
A trama acompanha Moo, interpretado por Keen Suvijak Piyanopharoj, um adolescente determinado a se tornar uma celebridade. Ele é impulsivo, sonhador e movido por uma confiança quase inabalável no próprio talento. O problema é que sua dedicação ao sonho vai longe demais: Moo abandona a escola para focar em treinamentos e audições, deixando sua mãe desesperada com o futuro do filho.
Preocupada, ela toma uma decisão radical. Moo é enviado para uma cidade pequena, longe da agitação e das oportunidades artísticas, com a esperança de que ele volte a priorizar os estudos. O que parecia ser um castigo, no entanto, acaba se transformando em uma fase de grandes descobertas — especialmente quando ele conhece Kang.
Kang, vivido por Sea Dechchart Tasilp, é um jovem gentil e reservado que ajuda no restaurante da família. Diferente de Moo, ele é mais centrado e acostumado à rotina simples da cidade. O primeiro encontro entre os dois já deixa claro que são opostos: enquanto Moo é expansivo e cheio de energia, Kang reage às investidas com respostas secas e rejeições bem-humoradas.
Mas é justamente nesse contraste que nasce a química. Moo se encanta pela natureza bondosa de Kang e passa a frequentar o restaurante com frequência cada vez maior — sempre encontrando desculpas para puxar conversa. As tentativas atrapalhadas de aproximação rendem momentos cômicos e fofos, que equilibram bem o tom da narrativa.
À medida que convivem, o relacionamento evolui de provocações para cumplicidade. Kang começa a enxergar além da postura exagerada de Moo e percebe sua vulnerabilidade: por trás do sonho de estrelato existe um jovem inseguro, que busca validação e teme decepcionar a mãe. Já Moo aprende que nem tudo se resume a fama e aplausos — há valor na estabilidade, na simplicidade e nos sentimentos genuínos.
O grande conflito surge quando Moo finalmente alcança aquilo que sempre desejou. Após insistência e esforço, ele consegue assinar contrato com uma gravadora. O sonho de ser idol começa a se tornar realidade. Contudo, a oportunidade vem acompanhada de uma cláusula rígida: ele não pode namorar.
A partir desse ponto, “Amor do Meu Curry” ganha uma camada mais dramática. Moo se vê dividido entre dois mundos. De um lado, está a carreira que sempre perseguiu, a chance de subir aos palcos e conquistar reconhecimento. Do outro, está Kang, que representa um amor tranquilo, sincero e longe das pressões da indústria do entretenimento.
O dorama aborda esse dilema com sensibilidade, evitando exageros melodramáticos. Em vez disso, aposta em olhares, silêncios e conversas francas para construir a tensão emocional. O público é convidado a refletir junto com o protagonista: vale a pena abrir mão do amor por um sonho? Ou é possível encontrar equilíbrio?
Dirigido por Golf Sakon Wongsinwiset, a produção investe em uma fotografia acolhedora e em cenários que reforçam o clima intimista da cidade pequena. O restaurante da família de Kang se torna quase um personagem à parte — um espaço onde aromas, risadas e sentimentos se misturam, simbolizando aconchego e pertencimento.
O elenco de apoio também contribui para enriquecer a narrativa, trazendo leveza e momentos de descontração que equilibram o arco romântico principal. A química entre Keen e Sea é um dos pontos altos da série, sustentando tanto as cenas cômicas quanto as mais emocionais.
A franquia Resident Evil está vivendo mais um daqueles momentos em que o coração do fã bate mais rápido. Depois de anos de idas e vindas no cinema, o novo filme live-action finalmente começou a ser rodado em Praga, sob a direção de Zach Cregger, cineasta que vem ganhando um espaço cada vez mais respeitado no terror contemporâneo. Para marcar o início da produção, o diretor de fotografia Dariusz Wolski divulgou a primeira imagem oficial dos bastidores. Não é uma foto cheia de efeitos, cenários elaborados ou figurinos dramáticos. É apenas a claquete, com o logo do filme. As informações são do Omelete.
A foto surgiu por meio de uma página de fãs polonesa e rapidamente se espalhou entre comunidades do mundo todo. Era uma imagem simples, mas carregada de simbolismo. A presença de Wolski nela deixou evidente que o projeto está em boas mãos. Ele é um artista visual com vasta experiência, conhecido por trabalhos em produções de impacto como Piratas do Caribe, Prometheus, Fênix Negra e tantos outros filmes onde atmosfera e estética caminham juntas. Sua assinatura geralmente carrega sombras densas, composições marcantes e um olhar muito particular para ambientes que parecem sempre esconder algo.
O impacto que moldou gerações
Para entender o entusiasmo ao redor desse novo filme, é preciso voltar ao passado. A série nasceu em 1996, quando Shinji Mikami e Tokuro Fujiwara lançaram o primeiro Resident Evil para PlayStation. Foi um marco imediato. A sensação de caminhar por corredores silenciosos enquanto portas rangiam e luzes piscavam transformou a forma como o público entendia o medo nos jogos.
O universo criado ali era frio, claustrofóbico, misterioso. A cada esquina havia a possibilidade de um zumbi cambaleante, um cão infectado, uma criatura mutante ou algo ainda pior. Mas havia também a presença constante de algo mais profundo: o temor de organizações poderosas, vírus experimentais e o risco sempre iminente da perda de controle. Era o tipo de horror que aproximava fantasia e realidade, deixando o jogador inquieto mesmo fora do jogo.
Com o passar dos anos, a franquia atravessou diversas evoluções. Resident Evil 4, de 2005, transformou a maneira como jogos de ação eram feitos ao popularizar a câmera sobre o ombro. Resident Evil 7, de 2017, recolocou a série no caminho do terror puro com uma perspectiva em primeira pessoa que deixava tudo ainda mais visceral. Village, de 2021, expandiu esse universo com uma mistura de fantasia gótica e biotecnologia. Os remakes recentes mostraram que é possível honrar o passado e modernizar a experiência ao mesmo tempo.
A franquia hoje ultrapassa os videogames. Há séries animadas, livros, quadrinhos, colecionáveis e, claro, filmes. Esse ecossistema dá a Resident Evil uma força quase única. O público não consome apenas histórias; consome uma mitologia inteira, um sentimento de pertencimento que se renova a cada anúncio, trailer ou detalhe revelado pela Capcom.
Não é à toa que Resident Evil é a série de jogos de terror mais vendida da história, com mais de 170 milhões de cópias até março de 2025. É um fenômeno que conecta gerações, países e linguagens — e isso explica por que cada adaptação cinematográfica recebe tanta atenção.
O legado e as polêmicas das adaptações anteriores
Falar de Resident Evil no cinema é falar de uma montanha-russa emocional. O primeiro filme chegou em 2002, dirigido por Paul W. S. Anderson e estrelado por Milla Jovovich como Alice, uma personagem criada exclusivamente para os filmes. A proposta inicial era entregar algo inspirado nos jogos, mas não necessariamente fiel aos acontecimentos principais. Essa liberdade criativa dividiu opiniões, especialmente entre fãs mais puristas.
Apesar disso, a franquia de Jovovich conquistou um público enorme. Seus seis filmes arrecadaram mais de 1 bilhão de dólares e construíram uma legião de admiradores que defendem até hoje a energia exagerada das cenas, a mistura de ação e ficção científica e os momentos icônicos da protagonista enfrentando hordas de criaturas.
Por outro lado, a crítica nunca se mostrou muito receptiva. Ao longo dos anos, os filmes foram acumulando avaliações negativas, e boa parte dos fãs dos jogos passou a desejar uma adaptação que se aproximasse mais do tom original da Capcom.
Em 2021, Welcome to Raccoon City tentou seguir esse caminho. O filme trouxe mais referências, mais fidelidade estética, personagens clássicos e um esforço autêntico de aproximar cinema e jogo. Mesmo assim, esbarrou em limitações de produção e não conseguiu conquistar a repercussão desejada.
Esse histórico torna o filme de Zach Cregger ainda mais significativo. Ele representa uma chance real de reconstruir a reputação da franquia no cinema usando o que mais funcionou nos jogos: atmosfera, horror, tensão, humanidade e o desconforto constante de não saber o que está prestes a surgir na escuridão.
Sinais de um novo capítulo mais maduro
O que mais chama atenção no novo projeto é o conjunto de escolhas criativas. Cregger é um diretor que entende o terror não pela explosão, mas pela construção de desconforto. Seus filmes anteriores mostram isso de forma clara. Ele dá tempo para o medo respirar. Ele cria camadas. Ele trata o suspense como uma dança lenta e angustiante, o que combina perfeitamente com os corredores estreitos e laboratórios decadentes que fazem parte da identidade visual de Resident Evil.
Dariusz Wolski, por sua vez, é alguém que faz da câmera uma personagem. Seus enquadramentos costumam criar universos inteiros dentro do plano, e sua habilidade em trabalhar iluminação em ambientes escuros é reconhecida mundialmente. É o tipo de profissional que pode transformar cada cenário do filme em uma experiência sensorial.
Imagine um universo onde o amor é uma ameaça à ordem cósmica, e a simples troca de olhares pode estremecer as fundações do mundo. Assim nasce Sonho e Pesadelo, o novo romance da escritora Marina Dutra, que chega às prateleiras como uma das obras mais sensíveis e ousadas da nova geração da fantasia brasileira.
Misturando elementos de mitologia própria, linguagem poética e uma narrativa marcada por dualidades, o livro apresenta dois deuses destinados a nunca se encontrar — e que, ao desafiar essa regra, colocam em xeque tudo aquilo que conhecem sobre si mesmos, sobre o mundo e sobre o amor.
Um amor dividido entre luz e sombra
Na história, acompanhamos Sonho, divindade nascida da luz do luar, criada sob os cuidados de Esperança e Vontade, e responsável por inspirar os devaneios mais puros dos mortais. Do outro lado da realidade, separado por uma barreira sagrada, está Pesadelo, moldado pelas emoções de Angústia e Medo, solitário guardião das sombras que habitam o inconsciente coletivo.
Ambos vivem isolados em reinos opostos, proibidos de se encontrar pelos Criadores, figuras míticas que estabeleceram uma única lei imutável: luz e trevas não devem jamais se unir. Mas quando uma pequena brecha se abre nessa muralha milenar, o improvável acontece: Sonho e Pesadelo se veem. E nada mais será como antes.
Fábula romântica com DNA pop
Embora a estrutura remeta a clássicos trágicos como Romeu e Julieta, o romance de Marina evita o tom fatalista. Inspirada em obras como Castelo Animado, do Studio Ghibli, e influenciada pela estética das grandes animações japonesas, a autora combina drama existencial com lirismo visual e emoção contida.
A narrativa alterna entre os dois protagonistas, revelando camadas emocionais profundas e construindo aos poucos uma mitologia original, repleta de simbolismos celestes, paisagens oníricas e figuras arquetípicas. É uma história que fala sobre amor, mas também sobre medo, identidade, escolhas e revolta contra um destino pré-escrito.
Mais do que fantasia: um comentário sobre liberdade
Além da beleza da escrita e do romance central, Sonho e Pesadelo provoca reflexões sobre temas contemporâneos. Em suas entrelinhas, o livro discute o poder da emoção reprimida, o impacto de sistemas que separam e o preço de viver uma vida que não é sua.
“O que mais me atrai em histórias fantásticas é a possibilidade de abordar questões reais sob uma ótica metafórica. Neste livro, falo sobre liberdade, sobre o direito de sentir e sobre quebrar estruturas que nos foram impostas antes mesmo de nascermos”, explica Marina.
O Queremos! Festival inicia sua sétima edição reafirmando uma de suas principais marcas: ser palco para estreias e projetos pensados especialmente para o encontro com o público. No sábado, 4 de abril, o Teatro Carlos Gomes, no Rio de Janeiro, recebe a estreia nacional da turnê Boas Novas, de Zeca Veloso, em um show que abre oficialmente a programação do festival em 2026.
A apresentação marca o início da trajetória ao vivo do álbum de estreia do cantor e compositor, lançado no fim de 2025, e simboliza um momento decisivo em sua carreira. Depois de um longo período de construção artística e amadurecimento criativo, Zeca apresenta ao público um espetáculo que traduz no palco a identidade musical e poética desenvolvida ao longo dos últimos anos.
Pensado como um projeto inédito, o show traz cenário, figurino e concepção visual criados especialmente para essa fase. O repertório é centrado nas canções de Boas Novas, disco que revelou ao público um artista atento aos detalhes, às palavras e às camadas sonoras. Entre as músicas apresentadas estão “Salvador”, parceria com Caetano, Moreno e Tom Veloso, além de “Máquina do Rio”, “Talvez Menor”, “Desenho de Animação” e “Carolina”, que ganham novas leituras ao vivo.
Outro marco da apresentação é a formação musical. Pela primeira vez, Zeca Veloso sobe ao palco acompanhado por uma banda completa, ampliando o alcance sonoro de suas composições. O grupo é formado por Lucca Noacco na guitarra, Giordano Gasperin no baixo, Thomas Arres na bateria, Antonio Dal Bó nos teclados, Tunico nos saxofones e flautas, Diogo Gomes no trompete, além da percussão. A proposta é explorar arranjos mais encorpados, sem perder a delicadeza que caracteriza o álbum.
Lançado após um processo criativo que se estendeu por pelo menos três anos, Boas Novas foi recebido com entusiasmo por público e crítica. Das dez faixas que compõem o disco, sete são assinadas integralmente por Zeca, mas todas carregam uma assinatura autoral bem definida. O trabalho contou com a colaboração de dez produtores diferentes, além do próprio artista, o que resultou em um álbum plural, mas coeso.
As participações especiais também ajudam a construir a identidade do disco. Dora Morelenbaum, Xande de Pilares e os músicos Caetano, Moreno e Tom Veloso surgem como convidados que ampliam o diálogo entre diferentes gerações e estéticas da música brasileira, sem que o álbum perca seu eixo central. O resultado é um trabalho que equilibra experimentação, tradição e sensibilidade contemporânea.
A escolha do Queremos! Festival para a estreia da turnê não é casual. Ao longo de sua trajetória, o evento se consolidou como um espaço dedicado à curadoria cuidadosa e à valorização de projetos que fogem do óbvio. A edição de 2026 será distribuída ao longo de dois finais de semana e aposta em encontros singulares, estreias nacionais e apresentações pensadas especialmente para o contexto do festival.
Com patrocínio anual da Heineken, o Queremos! segue fortalecendo seu papel como uma das principais plataformas de música ao vivo do país. Além de movimentar o circuito cultural do Rio de Janeiro, o festival contribui para a circulação de artistas, a criação de experiências únicas e o diálogo constante entre público e cena musical.
O universo sombrio inaugurado por Matt Reeves está oficialmente em movimento. De acordo com informações publicadas pelo portal ComicBookMovie, a aguardada continuação de The Batman está sendo desenvolvida sob o título provisório de “Vengeance 2”. As filmagens estão previstas para começar em abril, no Reino Unido, marcando uma nova etapa na consolidação desse universo mais realista, investigativo e emocionalmente denso do Homem-Morcego.
Embora títulos provisórios sejam comuns na indústria — muitas vezes usados apenas para fins logísticos —, o peso simbólico da palavra “vingança” não passa despercebido. No primeiro filme, ela não era apenas um conceito; era praticamente a assinatura do personagem. “I’m vengeance” tornou-se uma das frases mais marcantes da produção, sintetizando um Bruce Wayne dominado pelo trauma e pela necessidade de punição. Se o novo capítulo mantém essa referência, tudo indica que a continuação aprofundará as consequências psicológicas dessa escolha.
O longa lançado em 2022 apresentou um Batman em seu segundo ano de atuação, ainda aprendendo a lidar com os limites da própria cruzada. Interpretado por Robert Pattinson, o personagem surgiu menos como um símbolo mitológico e mais como um homem ferido tentando impor ordem ao caos.
A Gotham concebida por Matt Reeves era suja, úmida, politicamente apodrecida e dominada por estruturas criminosas enraizadas no poder público. O assassinato do prefeito Don Mitchell Jr. desencadeou uma investigação que expôs não apenas um serial killer metódico, mas uma rede sistêmica de corrupção envolvendo autoridades, empresários e policiais.
O Charada vivido por Paul Dano não era apenas um vilão excêntrico. Ele representava o extremismo digital, a radicalização online e o ressentimento social transformado em violência. Sua atuação trouxe uma camada perturbadora à narrativa, aproximando o filme de um thriller psicológico contemporâneo.
Agora, com Gotham parcialmente destruída após a inundação causada pelo plano final do vilão, o cenário para a sequência é ainda mais instável. A cidade precisa se reconstruir fisicamente — mas também moralmente. E é nesse ambiente frágil que novas ameaças podem surgir.
Antes de Reeves assumir o projeto, Ben Affleck estava ligado à direção, ao roteiro e ao protagonismo do longa. No entanto, após abandonar a função criativa, abriu espaço para uma reformulação completa da abordagem. Reeves decidiu apostar em um Batman mais jovem, mais introspectivo e com forte ênfase em seu lado detetive — algo que muitos fãs sentiam falta nas versões anteriores.
A inspiração em histórias clássicas dos quadrinhos dos anos 1980, 1990 e início dos anos 2000 ajudou a construir uma narrativa investigativa, quase procedural, que se distanciava do espetáculo puramente explosivo. O resultado foi um filme de atmosfera pesada, fotografia marcada por contrastes intensos e uma trilha sonora que reforçava o sentimento de isolamento.
Ao lado de Pattinson, nomes como Zoë Kravitz (Selina Kyle), Colin Farrell (Pinguim) e Jeffrey Wright (James Gordon) ajudaram a dar densidade emocional ao universo apresentado.
O desempenho comercial também foi expressivo. Mesmo enfrentando atrasos causados pela pandemia, o filme arrecadou mais de 770 milhões de dólares mundialmente, consolidando a confiança do estúdio em expandir essa versão do personagem.
“Nova e perigosa”: o que significa essa promessa?
O roteirista Mattson Tomlin, que colaborou no desenvolvimento do primeiro filme — embora sem crédito oficial —, declarou recentemente que a sequência será “nova e perigosa”. Mais do que uma frase de efeito, a declaração sugere que o segundo longa não pretende repetir a fórmula anterior.
“Estou ansioso para que as pessoas assistam e falem bastante sobre o filme”, afirmou Tomlin, destacando o quanto o projeto é significativo em sua trajetória. A escolha das palavras indica uma obra que pretende provocar discussões — seja pelo caminho narrativo, pela construção dos vilões ou pelas decisões morais do protagonista.
Perigosa pode significar muitas coisas: um Batman levado a extremos éticos; antagonistas ainda mais imprevisíveis; ou uma Gotham onde a linha entre justiça e vingança se torna ainda mais turva.
Possíveis caminhos narrativos
O final do primeiro filme deixou pistas claras para o futuro. A breve aparição de um detento misterioso em Arkham, interpretado por Barry Keoghan, foi amplamente interpretada como a introdução do Coringa nesse universo. Embora nada tenha sido oficialmente confirmado como foco central da sequência, o potencial de explorar a dinâmica entre Batman e esse vilão é evidente.
Além disso, o Pinguim, interpretado por Colin Farrell, saiu fortalecido politicamente no submundo do crime após a queda de Carmine Falcone. Em uma cidade alagada e fragilizada, disputas por território e influência podem se intensificar.
Há também a transformação interna de Bruce Wayne. No desfecho de The Batman, ele percebe que ser apenas um símbolo de medo não é suficiente. Ao ajudar sobreviventes da tragédia e conduzi-los para a luz, Bruce começa a entender que precisa representar esperança. Essa mudança pode redefinir completamente sua postura na sequência.
Reino Unido como base de produção
A decisão de iniciar as filmagens novamente no Reino Unido reforça a continuidade estética do projeto. No primeiro longa, locações britânicas foram fundamentais para criar a identidade arquitetônica de Gotham, combinando prédios históricos, áreas industriais e cenários urbanos contemporâneos.
Manter essa base sugere que o visual continuará sendo um dos pilares narrativos. A Gotham de Reeves não é apenas cenário; ela é personagem. Suas ruas molhadas, seus prédios decadentes e sua iluminação contrastante traduzem o estado emocional de Bruce Wayne.
Expansão do universo
Além da continuação direta, o universo idealizado por Reeves já se expande para outras mídias. Séries derivadas ambientadas na mesma linha temporal estão em desenvolvimento, reforçando que esse projeto é pensado a longo prazo.
No entanto, é o segundo filme que carregará a responsabilidade de consolidar definitivamente essa visão. Sequências costumam ser desafiadoras: precisam ampliar o escopo sem perder identidade, inovar sem romper com o que funcionou.
Na madrugada deste sábado, 26 de julho de 2025, o Cinema na Madrugada da Band exibe o filme As Excluídas (The Outskirts, no título original), uma comédia norte-americana que propõe uma divertida, porém reflexiva, jornada sobre aceitação, amizade e revolta juvenil contra as normas rígidas da popularidade escolar. Lançado originalmente em 2017, o longa ganha nova exibição na TV aberta e pode surpreender quem busca mais do que piadas colegiais: há aqui um olhar afiado sobre o papel de quem não se encaixa e como o poder pode facilmente corromper — mesmo quando vem com boas intenções.
Uma guerra declarada contra os padrões do ensino médio
Dirigido por Peter Hutchings e roteirizado por Dominique Ferrari e Suzanne Wrubel, As Excluídas mergulha na estrutura clássica das high schools norte-americanas: cheerleaders, jogadores de futebol americano, clubes científicos, góticos e artistas performáticos convivendo em corredores que funcionam quase como uma versão adolescente da sociedade capitalista. Nesse universo, Jodi (Victoria Justice) e sua melhor amiga Mindy (Eden Sher) são as típicas “nerds” que sobrevivem à margem da popularidade — até que se tornam vítimas de um bullying cruel orquestrado pela rainha da escola, Whitney (Claudia Lee).
O que poderia ser apenas mais uma comédia colegial sobre vingança se transforma quando Jodi e Mindy decidem fazer algo inusitado: unificar todos os “excluídos”, os chamados outcasts, para uma revolução social dentro da escola. Assim surge um movimento inesperado que questiona as estruturas sociais escolares e coloca à prova a hierarquia que define quem pode ou não ter voz.
Elenco carismático e diversidade de arquétipos
Victoria Justice, conhecida por seu papel em Brilhante Victória da Nickelodeon, assume o protagonismo com carisma e uma entrega sincera que dá camadas à personagem de Jodi. Eden Sher, lembrada pelo papel de Sue em The Middle, brilha com seu timing cômico e traz coração à jornada de Mindy, que, em meio à revolução social escolar, começa a questionar o verdadeiro preço da popularidade e até mesmo da própria amizade.
Além delas, o elenco é recheado de jovens talentos da televisão americana. Ashley Rickards (de Awkward) interpreta Virginia, uma artista excêntrica com um passado obscuro, enquanto Peyton List (de Jessie e Cobra Kai) dá vida à impassível Mackenzie. Avan Jogia, que também já contracenou com Justice, aparece como Dave, interesse amoroso de Jodi, e ajuda a ilustrar como o romance adolescente pode ser tanto um alívio cômico quanto uma armadilha emocional.
Claudia Lee encarna Whitney com precisão cirúrgica: a típica “mean girl” que, embora estereotipada em alguns momentos, serve como símbolo das pressões e ilusões criadas pela busca incessante por status e controle social.
Mais do que comédia: um comentário social disfarçado
Ainda que envolto em cores vivas, figurinos extravagantes e situações cômicas, As Excluídas propõe uma análise bastante atual sobre as dinâmicas de poder nas instituições. O colégio, aqui, é tratado como uma miniatura do mundo adulto: quem detém poder, influência ou beleza dita as regras, enquanto quem se desvia do padrão precisa encontrar maneiras alternativas de existir — ou lutar para mudar o jogo.
A proposta de unir todos os “desajustados” ecoa movimentos sociais reais, ainda que com uma abordagem leve. Góticos, nerds, LGBTs, artistas, alunos com deficiências, entre outros, se unem por uma causa comum. A metáfora da união das minorias frente ao poder hegemônico é evidente, e embora o roteiro se mantenha superficial em suas críticas, há mensagens importantes sendo transmitidas, especialmente para um público jovem.
O filme também fala sobre identidade: como adolescentes (e adultos também) moldam sua autoestima a partir de como são vistos pelos outros. Jodi e Mindy percebem que o poder pode ser tão sedutor quanto destrutivo — e que liderar uma revolução pode significar também abrir mão da essência de quem você é.
O risco da inversão dos papéis
Um dos grandes acertos do filme é quando ele começa a mostrar as consequências imprevistas da ascensão dos excluídos ao topo. A aliança entre os grupos antes marginalizados começa a apresentar rachaduras e, lentamente, Jodi e Mindy percebem que estão se tornando aquilo que criticavam. A narrativa, nesse ponto, dá uma guinada interessante: será que inverter a pirâmide social realmente resolve os problemas ou apenas perpetua o ciclo de opressão, com novos rostos nos velhos cargos de poder?
Essa reflexão, mesmo que suavemente tocada, dá profundidade ao longa e o distancia de outras comédias adolescentes rasas. O roteiro, embora pontuado por exageros e situações caricatas, encontra espaço para explorar dilemas morais e questionar os limites da popularidade conquistada.
Direção funcional e estética pop
A direção de Peter Hutchings é funcional e ágil, mantendo o ritmo leve e dinâmico. Os 94 minutos passam rapidamente, com uma montagem que alterna bem entre cenas cômicas, momentos emocionais e algumas viradas surpreendentes — ainda que previsíveis para o gênero. Visualmente, o filme aposta em uma estética pop: cores vibrantes, trilha sonora energética e figurinos que contrastam deliberadamente os grupos sociais representados.
Nova York serve de cenário para as gravações, mas o ambiente escolar genérico poderia ser em qualquer lugar — uma decisão que, de certa forma, reforça o caráter universal da história. A luta por pertencimento, o desafio de se encaixar (ou rejeitar o sistema) e a descoberta de quem realmente somos são dilemas comuns a jovens do mundo todo.
Uma boa pedida para a madrugada e além
Ao exibir As Excluídas, a Band aposta em um título que mistura entretenimento e leve crítica social, atingindo tanto o público nostálgico que cresceu assistindo a comédias colegiais quanto os jovens que ainda vivem os dilemas retratados no filme. É uma oportunidade para rir, se identificar e, quem sabe, repensar certos rótulos que persistem até hoje — tanto nas escolas quanto nas redes sociais e ambientes profissionais.
Além disso, o filme está disponível no Prime Video, o que facilita para quem quiser assisti-lo novamente ou recomendar a amigos. Com um elenco jovem e carismático, uma narrativa acessível e uma mensagem que ainda ressoa em tempos de cancelamento, bullying virtual e busca por pertencimento, As Excluídas se revela mais do que um passatempo adolescente: é um lembrete de que o mundo pode (e deve) ser mais inclusivo — mesmo que a revolução comece nos corredores da escola.
Por trás de cada parede construída com esforço e cada post compartilhado nas redes sociais, existe uma história que precisa ser contada. E é exatamente isso que faz o documentário “Tijolo por Tijolo”, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 14 de agosto: transforma a luta cotidiana de uma mulher periférica em um potente retrato de resiliência, amor, maternidade e reconstrução.
Dirigido pela dupla Victória Álvares e Quentin Delaroche, o filme não se contenta em apenas observar de fora. Ele mergulha, com sensibilidade e intimidade, no cotidiano de Cris Martins, moradora do Ibura, periferia do Recife, que viu sua vida virar de cabeça para baixo durante a pandemia. Desemprego, uma nova gravidez, a casa em risco de desabamento e a incerteza sobre o futuro forçaram Cris a se reinventar. E foi justamente nesse momento de caos que ela começou a construir, literalmente e simbolicamente, uma nova vida — tijolo por tijolo.
Uma câmera na mão e o coração no peito
Não espere encontrar uma narrativa distante ou um olhar estereotipado sobre a periferia. Aqui, o que move a lente dos diretores é o respeito e o afeto. O filme acompanha Cris no seu cotidiano com a câmera quase como parte da família. Há cenas de intimidade, de humor, de cansaço, de superação. Há momentos em que a câmera parece até respirar junto com ela, tamanha é a proximidade com a protagonista.
A história de Cris Martins é, ao mesmo tempo, muito singular e absolutamente coletiva. Quando ela começa a compartilhar sua rotina nas redes sociais, dando dicas sobre maternidade, cuidados com a casa e desabafando sobre as dificuldades de criar filhos em um país tão desigual, ela se torna uma espécie de porta-voz de tantas outras mulheres como ela: mães solo, empreendedoras improvisadas, cuidadoras, batalhadoras.
E não é por acaso que o título do filme evoca a ideia de construção. Enquanto Cris grava vídeos e se engaja em projetos comunitários voltados ao empoderamento feminino, seu marido assume o desafio de ampliar a casa da família sozinho, aprendendo técnicas de construção civil por tutoriais do YouTube. Tudo isso com o cenário real e brutal da pandemia ao fundo, somando medos, privações e sonhos suspensos.
Quando o pessoal é político
O filme também não foge dos debates mais profundos que atravessam a vida de Cris. O longa se debruça sobre o direito à moradia, o acesso à saúde reprodutiva, o racismo ambiental e as violências institucionais que silenciam tantas famílias negras e periféricas no Brasil.
Um dos pontos mais marcantes é o desejo de Cris de realizar uma laqueadura, decisão pessoal e voluntária que, no entanto, encontra uma série de barreiras burocráticas e preconceituosas no sistema de saúde. Esse recorte, tão íntimo e corriqueiro na vida de milhares de mulheres, é tratado com um cuidado raro no cinema nacional — sem didatismo, sem voyeurismo. Apenas com verdade.
Aos poucos, o espectador percebe que a luta de Cris não é apenas por um teto. É pela dignidade de poder escolher, criar, sonhar. E é aí que o documentário brilha: ao mostrar que as transformações sociais nascem dos gestos miúdos e da coragem cotidiana.
Um filme que nasce do afeto
Victória Álvares e Quentin Delaroche assinam não apenas a direção, mas também o roteiro e a produção do longa. A relação dos cineastas com Cris e sua família vai muito além da câmera. “O filme é resultado de uma troca de afeto, confiança e cumplicidade. Não se trata apenas de contar uma história, mas de construir juntos um espaço de escuta e pertencimento”, afirmam eles.
E essa construção também teve seus desafios práticos: o processo de filmagem só começou após a vacinação contra a COVID-19, quando foi possível acompanhar a família de maneira mais segura. A pandemia, inclusive, não é pano de fundo — ela é parte ativa da trama, moldando comportamentos, decisões e sonhos interrompidos.
Cris: uma protagonista que não pede licença para brilhar
Se existe algo que torna “Tijolo por Tijolo” realmente inesquecível, é a força da sua protagonista. Cris Martins não é atriz, não é celebridade, mas rouba a cena como se fosse. Seu carisma, sua lucidez diante das adversidades e sua forma direta de se comunicar tocam o espectador profundamente.
Cris entende como usar as redes sociais a seu favor, não para criar uma imagem idealizada, mas para fazer barulho, dialogar e criar pontes. Sua conta no Instagram, @crismartinsventura, virou uma ferramenta de luta, visibilidade e afeto. Ela se fotografa, ensina, denuncia, agradece, aconselha — sempre com uma generosidade que transborda.
No filme, a maternidade aparece como centro, mas não de maneira romantizada. É uma maternidade real, exausta, cheia de sobrecargas e ao mesmo tempo profundamente amorosa. É nesse equilíbrio delicado entre dor e beleza que o documentário encontra sua força.
Um retrato do Brasil que a gente precisa ver
Produzido pela Revoada Filmes e distribuído pela Olhar Filmes, a produção já passou por diversos festivais no Brasil e no exterior, conquistando não só o público, mas também a crítica especializada. Não por ser “bonito”, mas por ser urgente. Por mostrar o que, muitas vezes, é invisibilizado nas grandes narrativas midiáticas: a potência da periferia, o protagonismo feminino e a complexidade de quem luta para existir com dignidade.