Com a estreia de Superman abrindo oficialmente os caminhos do novo DC Universe (DCU) nos cinemas, é a televisão quem assume agora o protagonismo na construção dessa narrativa ambiciosa. E o próximo capítulo dessa história chega em 21 de agosto de 2025, com a aguardada segunda temporada de Pacificador, série estrelada por John Cena e comandada mais uma vez por James Gunn.
Mais do que uma continuação, a nova temporada é apontada por Gunn como um ponto de virada fundamental para entender o que vem pela frente no universo compartilhado da DC. Em entrevista recente para o ScreenRant, o diretor e co-CEO da DC Studios reforçou que os episódios trarão revelações inesperadas: “Sim, teremos um grande evento. E não é o que ninguém pensa. Não é o que alguém imaginaria. Mas acho que se as pessoas assistirem à próxima temporada de Pacificador, verão para onde muitas dessas coisas vão e terão uma noção um pouco melhor do que talvez possa acontecer.”
De piada interna a protagonista do DCU
Quando surgiu como coadjuvante no filme O Esquadrão Suicida (2021), o personagem Christopher Smith parecia mais uma piada violenta do que um herói com futuro promissor. Mas nas mãos de Gunn e com a entrega de John Cena, Pacificador virou uma das produções mais surpreendentes do universo DC — irreverente, afiada e emocionalmente mais profunda do que o esperado.
A nova temporada promete manter essa identidade provocadora, mas com um peso ainda maior dentro da mitologia da DC, conectando diretamente o que foi apresentado em Superman e antecipando eventos futuros.
Frank Grillo reforça o elenco e costura o passado da franquia
Um dos destaques da nova leva de episódios é a chegada de Frank Grillo (The Purge, Revanche, Capitão América: Soldado Invernal) como Rick Flag Sr., pai do personagem vivido por Joel Kinnaman nos dois filmes do Esquadrão Suicida. A escolha do ator reforça o compromisso do novo DCU com a interligação entre personagens, mídias e fases anteriores da franquia, criando pontes narrativas entre passado e futuro.
Grillo já interpretou o personagem na animação Comando das Criaturas e foi confirmado também no próximo longa do Superman, indicando que Rick Flag Sr. será uma figura recorrente — e possivelmente decisiva — nos planos maiores de Gunn.
A HBO Max como vitrine do novo DCU
Com o cinema lançando as pedras fundamentais e o streaming conectando as histórias, o modelo narrativo do novo DCU se assemelha ao que Gunn já ajudou a construir na Marvel: múltiplas plataformas, personagens interligados e histórias que se alimentam umas das outras.
Nesse contexto, a HBO Max se torna muito mais do que um canal de exibição — ela é parte ativa do enredo. Pacificador se posiciona como uma série que precisa ser assistida, não apenas por entretenimento, mas porque carrega pistas, relações e revelações cruciais para o futuro da franquia.
Uma nova ordem para heróis (e anti-heróis)
O universo DC sempre foi marcado por arquétipos clássicos: deuses em trajes humanos, dilemas morais elevados e batalhas cósmicas. Mas Pacificador oferece o contraste necessário. É um herói quebrado, egocêntrico e muitas vezes patético, que encontra, aos poucos, humanidade em si mesmo. E é justamente nesse espaço — entre o cômico e o trágico — que a série brilha.
O universo de Uma Família da Pesada vai ganhar uma nova expansão. A emissora Fox Broadcasting Company confirmou a produção de Stewie, série derivada centrada no icônico bebê da família Griffin. A animação está programada para estrear em 2027 dentro do tradicional bloco Animation Domination da emissora, com duas temporadas planejadas e exibição prevista até 2028. Após a transmissão na TV, os episódios ficarão disponíveis no dia seguinte no streaming Hulu.
Criada por Seth MacFarlane, também responsável por produções como American Dad! e Ted, a nova série acompanhará Stewie em uma fase diferente de sua vida. Na trama, o personagem troca de escola e acaba matriculado em uma pré-escola considerada inferior à instituição que frequentava anteriormente. Diante do novo ambiente, cheio de colegas excêntricos e um professor igualmente peculiar, o pequeno gênio decide usar sua tecnologia avançada e sua mente estratégica para transformar a experiência escolar — à sua maneira, claro.
Segundo MacFarlane, a proposta é explorar ainda mais o humor ácido e a inteligência do personagem, que ao longo dos anos se tornou um dos favoritos do público da série original. Em tom bem-humorado, o criador comentou o anúncio agradecendo à Fox pela oportunidade e brincou que está animado para “começar a fingir que está colaborando de perto com eles no programa”.
O projeto também conta com o produtor e roteirista Kirker Butler, que já trabalhou com MacFarlane em diversos projetos do universo da animação televisiva. Butler afirmou que considera uma honra assumir uma série centrada em um dos personagens animados mais conhecidos da televisão. Em tom descontraído, ele ainda brincou que, após mais de duas décadas trabalhando com MacFarlane, espera que este seja finalmente o momento em que o criador aprenda seu nome.
Diferente de experiências anteriores da franquia, como The Cleveland Show, a nova produção não deve alterar a presença de Stewie na série original. O personagem continuará participando normalmente de Uma Família da Pesada, mantendo a continuidade da história da família Griffin enquanto ganha uma narrativa paralela própria.
Criada em 1999 por Seth MacFarlane para a Fox, Uma Família da Pesada se tornou uma das animações adultas mais populares da televisão americana. A série acompanha o cotidiano caótico da família Griffin, formada por Peter e Lois e seus filhos Meg, Chris e Stewie, além do cão antropomórfico Brian. Ambientada na fictícia cidade de Quahog, em Rhode Island, a produção ficou conhecida por seu humor irreverente, recheado de referências e paródias à cultura pop.
A origem da série remonta aos curtas animados The Life of Larry e Larry & Steve, também criados por MacFarlane. A partir desses projetos iniciais, o criador reformulou os personagens principais, que evoluíram para Peter Griffin e Brian. Um episódio piloto de quinze minutos foi exibido pela Fox em 1998, abrindo caminho para a produção da série completa.
Apesar do sucesso inicial, a animação enfrentou um momento turbulento no início dos anos 2000, quando foi cancelada após a terceira temporada. O desempenho expressivo nas vendas de DVDs e a alta audiência das reprises acabaram convencendo a emissora a reviver a série em 2004, decisão que consolidou definitivamente o programa como um fenômeno duradouro da televisão.
Ao longo de sua trajetória, Uma Família da Pesada acumulou reconhecimento da indústria e diversas premiações. A série recebeu múltiplas indicações ao Primetime Emmy Awards, conquistando quatro estatuetas, além de vitórias no Annie Awards, tradicional premiação da animação. Em 2009, a produção fez história ao ser indicada ao Emmy de Melhor Série de Comédia, algo que não acontecia com uma animação desde Os Flintstones em 1961.
À meia-noite desta quarta-feira, 30 de julho, a RedeTV! convida o público para um encontro raro: não um talk show qualquer, mas uma espécie de acerto de contas com a vida. No sofá do programa Companhia Certa, Ronnie Von recebe ninguém menos que Nasi, vocalista do Ira!, ícone do rock nacional e uma alma em constante reconstrução.
A conversa vai além das perguntas. É quase uma sessão de terapia em horário nobre. Entre memórias de um tempo em que guitarras gritavam mais alto que algoritmos e reflexões sobre os tropeços do caminho, Nasi se despe de persona e mostra o homem por trás da voz rouca e das letras intensas. O artista, sim, mas também o filho, o irmão, o amigo, o cara que já se perdeu — e fez questão de se reencontrar.
“O Ira! não acabou, a gente só se machucou demais”
A entrevista começa com o inevitável: o fim (e o recomeço) do Ira!. A separação em 2007 ainda é uma ferida cicatrizada com pontos mal dados. “Não queria sair da banda. Só precisava de um tempo. A gente já não se escutava mais”, confessa Nasi, sem medo de encarar os próprios erros.
Entre silêncios e respiros longos, ele reconhece que o ego — o dele, o de Edgar Scandurra, o de todos — atrapalhou. “Era como um cachorro com muitos donos: ninguém cuidava direito. Morreu de fome. A banda desandou.”
Mas, como tudo que é verdadeiro, a música resistiu. Em 2013, o reencontro veio com um show beneficente. Sem contratos, sem promessas. Só dois caras no palco, reencontrando a faísca que um dia os uniu. “Ali, a gente viu que ainda tinha lenha pra queimar. Voltamos. Voltamos querendo”, diz ele, com um brilho que escapa pelos olhos.
Solo, mas inteiro
Longe do Ira!, Nasi se reinventou. Gravou nove álbuns solo, experimentou blues, psicodelia, baladas viscerais. “No Ira! existe uma moldura. No solo, eu posso pintar fora dela”, explica.
Ele fala do blues como quem fala de um velho amigo: confiável, profundo, meio triste, mas libertador. Desde os tempos de Nasi e os Irmãos do Blues, esse estilo serve como refúgio emocional e criativo. “Tem coisa que não cabe no Ira!. Mas isso não quer dizer que não mereça existir. O blues me entende.”
A liberdade também abriu portas para aventuras autorais. Tem série animada (Rockstar Ghost), documentário sobre religiões afro-brasileiras (Exu e o Universo), programa noturno no Canal Brasil (Nasi Noite Adentro). Um artista inquieto, plural, que desafia rótulos com a mesma voracidade com que enfrenta seus próprios fantasmas.
Crítico, mas não amargo
Entre um gole de água e outro, Nasi solta o verbo sobre o cenário musical atual. “Hoje a música virou trilha de festa. Tá tudo pasteurizado. Cadê a arte que cutuca, que incomoda?”, pergunta, mais intrigado do que indignado.
Ele faz questão de dizer que não é saudosista. Mas sente falta de algo que, para ele, não se negocia: verdade. “Não acho que tudo era melhor nos anos 80, mas naquela época a gente brigava pra dizer alguma coisa. Hoje, parece que ninguém quer mais ouvir.”
Mesmo assim, torce por um sopro de renovação. “Talvez surja uma nova geração com mais alma. Vai saber. A arte é imprevisível. Às vezes, do nada, ela volta com força.”
Cicatrizes à mostra
Nasi nunca teve medo de se expor. Falou abertamente sobre dependência química, sobre as relações que desabaram, sobre a própria incapacidade de ser leve em certos momentos. Largou a cocaína em 1997. Em 2007, dispensou também a maconha. “Não foi um renascimento. Foi um resgate. Eu queria continuar vivo.”
Essa honestidade brutal aparece também quando fala da própria trajetória. Nasceu na Bela Vista, cursou História na USP, fundou o Ira! em 1981, namorou atrizes famosas, brigou feio com o irmão, bateu de frente com empresários e jornalistas. Viveu o rock no limite. E, de alguma forma, sobreviveu a tudo — inclusive a si mesmo.
Em uma vida que daria um roteiro de filme — aliás, já deu —, ele ainda arrumou tempo pra ser apresentador, dublador, radialista, ator, roteirista e até comentarista esportivo. São-paulino roxo, apresentou o 90 Minutos na Kiss FM e chegou a abrir o show do AC/DC no Morumbi, para delírio dos fãs e surpresa dos céticos.
“A gente se perdoou. E isso salva”
A entrevista com Ronnie Von tem algo de confissão. Mas também tem reencontro. Nasi fala com carinho da volta do Ira!, mas, principalmente, da volta do diálogo com Edgar Scandurra. “Hoje a gente conversa. Escuta mais. Cede mais. O rock é rebelde, mas não precisa ser burro”, diz, com aquele tom ácido e certeiro que é só dele.
A reconciliação não foi só com a banda — foi consigo mesmo. Com o passado, com o menino que sonhava com discos, com o homem que quase se perdeu, com o artista que ainda quer dizer algo relevante.
Aos 62 anos, ele não fala em aposentadoria. Fala em continuidade. Quer gravar mais, compor mais, viver mais. “Enquanto tiver voz, vou cantar. Enquanto tiver o que dizer, vou falar. Se não for por mim, que seja por quem precisa ouvir.”
Imagine estar tranquilamente curtindo um dia de trilha, quando, de repente, um helicóptero perde o controle e cai a poucos metros de onde você está. Ou então mergulhar em uma jaula para ver tubarões e perceber que um deles acabou de invadir seu espaço. Pior ainda: ver um show aéreo transformar-se em tragédia diante de milhares de pessoas, tudo registrado por celulares, câmeras de TV e drones. São cenas que, se não tivessem sido capturadas em vídeo, talvez parecessem exagero, lenda urbana ou puro clickbait. Mas não: elas aconteceram. E agora são o fio condutor de “Casos Chocantes da História”, a nova série documental do canal History, que estreia neste sábado, 2 de agosto, com apresentação do jornalista Tony Harris.
Diferente de tantos programas que apostam no espetáculo pelo espetáculo, “Casos Chocantes da História” entrega realidade crua, mas com responsabilidade jornalística. O que a série faz — e faz bem — é reunir registros visuais de tragédias reais, investigá-los a fundo, dar contexto, ouvir especialistas e extrair lições. Em tempos de deepfake e fake news, a proposta é clara: mostrar o mundo como ele é, mesmo quando isso significa olhar de frente para o inesperado, o assustador e o fatal.
Um mosaico de acontecimentos que desafiam o entendimento
Cada episódio da série compila entre sete e oito eventos reais, com foco em acidentes, desastres naturais, falhas humanas, ataques de animais e situações-limite. A produção, no entanto, não se contenta em apenas exibir as imagens. Ela se aprofunda. Reconstituições digitais, entrevistas com sobreviventes, análises técnicas e relatos emocionados ajudam o espectador a entender o que houve — e por que houve.
A curadoria dos casos é minuciosa: a ideia é justamente reunir acontecimentos que viralizaram ou impressionaram pelo inusitado, pela brutalidade ou pelo absurdo de terem ocorrido em pleno século XXI. E tudo isso com um cuidado jornalístico raro em programas do gênero.
O diferencial está justamente na credibilidade. Cada caso é tratado com respeito, profundidade e rigor investigativo. Não é sobre expor o sofrimento alheio — é sobre entender o que levou à tragédia e, quem sabe, evitar que ela se repita.
Casos que aconteceram bem perto de nós
Apesar do foco internacional, a série reserva espaço generoso para acontecimentos na América Latina, incluindo Brasil, México, Chile e Colômbia. E aqui, o impacto emocional ganha uma camada extra de identificação.
No Brasil, um dos casos relembrados aconteceu em Barra Mansa (RJ), quando dois ciclistas se aventuraram em um túnel ferroviário desativado — ou assim pensavam. Um trem aparece de surpresa e eles escapam por segundos, em uma cena de puro pavor. A câmera que registrava o pedal viralizou, mas a série vai além: expõe falhas na sinalização, ausência de fiscalização e o hábito perigoso de ignorar regras de segurança.
Já no México, o caso retratado foi a explosão no mercado de fogos de artifício de Tultepec, em 2016. Foram mais de 40 mortos e centenas de feridos, em uma sequência de explosões que mais parecia zona de guerra. A série reconstitui a cadeia de eventos que levou ao colapso e ouve especialistas em segurança e logística para explicar como falhas acumuladas culminaram em um desastre histórico.
Essas histórias, ainda que distantes em tempo ou espaço, conectam-se com o nosso cotidiano. Afinal, quem nunca pensou em “dar uma voltinha” num lugar proibido? Ou subestimou o risco de uma tempestade? A série convida à reflexão: quanto da nossa rotina é baseada em sorte e não em prevenção?
Tragédias que se tornaram lições
“Casos Chocantes da História” também tem o mérito de não tratar a tragédia como espetáculo, mas como oportunidade de educação e empatia. O foco é sempre nos protagonistas reais — os que sobreviveram, os que ajudaram, os que perderam alguém.
No episódio de estreia, somos transportados para uma sequência de eventos tão inusitados quanto aterrorizantes:
O caso do mergulhador atacado por um tubarão branco, que consegue escapar após a fera invadir a jaula, em águas mexicanas.
A colisão entre dois aviões militares durante um show aéreo em Dallas, com múltiplas câmeras capturando a tragédia sob diferentes ângulos.
A falha de um teleférico russo, que lança dezenas de esquiadores contra a montanha, em cenas dignas de um filme-catástrofe.
Mas aqui, diferente do que se vê em tantos programas sensacionalistas, a série escuta engenheiros, pilotos, especialistas em comportamento animal, meteorologistas, bombeiros. Cada um dá sua contribuição para que o espectador entenda a mecânica da tragédia. A intenção não é chocar, mas conscientizar.
O passado como alerta
Um dos quadros mais curiosos da série é o “Throwback”, que resgata tragédias históricas captadas por câmeras ainda nos primórdios da era audiovisual. E o que chama atenção é como, mesmo décadas atrás, o ser humano já se envolvia em situações absurdas — muitas delas impulsionadas por imprudência ou excesso de confiança.
Entre os episódios resgatados, estão:
A explosão do dirigível Hindenburg (1937), com registro sonoro de um narrador em desespero;
O Balloonfest de 1986, em que milhões de balões liberados nos céus de Cleveland causaram colisões aéreas, acidentes de trânsito e uma crise ambiental;
A explosão de uma baleia morta com dinamite (Oregon, 1970), ideia bizarra que terminou com carros destruídos e muita vergonha pública;
O acidente do avião experimental M2-F2 (1967), cujas imagens inspiraram até a TV americana.
Esses segmentos funcionam quase como aula de história moderna, mostrando que a imprudência é um traço constante da humanidade. A diferença é que, hoje, temos mais ferramentas para evitar o erro — e mais meios para compartilhar as consequências quando erramos.
Tony Harris: voz firme em meio ao caos
Em um programa que lida com vidas interrompidas, imagens impactantes e histórias de dor, o apresentador Tony Harris é o elemento que costura tudo com sobriedade e empatia. Ex-repórter da CNN, premiado documentarista e presença constante no History, Harris já é conhecido por tratar temas sensíveis com rigor e humanidade.
Sua postura é o oposto do exagero. Ele não dramatiza o que já é dramático, tampouco transforma vítimas em personagens. Pelo contrário: dá espaço para que suas histórias sejam contadas com dignidade. E isso faz toda a diferença. Harris atua como mediador entre o espectador e o fato, contextualizando, questionando, explicando — sem deixar de lado a emoção que certos relatos exigem.
Por que assistir?
Num mundo onde vídeos virais ganham milhões de cliques e a desinformação corre solta, uma produção como Casos Chocantes da Históriaresgata o valor do jornalismo visual bem feito. A série é impactante, sim. Mas nunca gratuita. E esse equilíbrio é raro.
O uso de computação gráfica, reconstituições em 3D e áudios de emergência dá ritmo aos episódios. Mas é o conteúdo humano que prende a atenção. A cada história, uma reflexão. A cada imagem, uma pergunta: isso poderia ter acontecido comigo?
Mais do que contar tragédias, a série ensina sobre responsabilidade coletiva, sobre limites físicos e emocionais, sobre a necessidade de respeitar a natureza, a tecnologia e as regras básicas de segurança. E faz isso com ritmo envolvente, boa trilha sonora, edição cuidadosa e conteúdo denso.
A força e a intensidade do Stray Kids agora ganham uma nova dimensão fora dos palcos. A Universal Pictures divulgou nesta quarta-feira o primeiro trailer de “Stray Kids: The DominATE Experience”, documentário-concerto que promete transportar para as salas de cinema toda a energia arrebatadora da turnê DominATE. A produção reúne performances grandiosas e imagens exclusivas de bastidores, captadas durante shows com ingressos esgotados no SoFi Stadium, em Los Angeles — um dos maiores e mais emblemáticos palcos do mundo.
Fenômeno absoluto do K-pop, o o grupo vive um dos momentos mais sólidos de sua carreira. Prova disso é a confirmação do grupo como headliner do Palco Mundo no Rock in Rio 2026, um marco que reforça sua presença global e o impacto cultural que ultrapassa fronteiras e idiomas. Nos cinemas brasileiros, o documentário estreia em 5 de fevereiro, com ingressos já em pré-venda nas principais redes exibidoras.
Narrado pelos próprios integrantes — Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N —, o filme vai além do espetáculo visual. A proposta é íntima e imersiva: revelar o que acontece quando as luzes se apagam, mostrando momentos de vulnerabilidade, desafios da estrada e reflexões pessoais que moldaram a trajetória do grupo. É um convite para o público enxergar o Stray Kids para além das coreografias precisas e dos refrões explosivos.
Mais do que um registro de show, “The DominATE Experience” é uma celebração da relação profunda entre o Stray Kids e seus fãs, os STAYs. O longa evidencia como essa conexão, construída ao longo dos anos, se tornou parte essencial da identidade do grupo. Depoimentos emocionantes, trocas sinceras e histórias de apoio mútuo transformam o fandom em um verdadeiro pilar dessa jornada.
Distribuído pela Universal Pictures, o documentário reforça a crescente presença de grandes produções musicais nos cinemas e se consolida como um evento imperdível para fãs e admiradores do K-pop. A estreia exclusiva em 5 de fevereiro promete entregar emoção, potência sonora e uma experiência visual à altura de um dos maiores grupos da atualidade.
Formado pela JYP Entertainment, o Stray Kids se destaca como um dos grupos masculinos mais inovadores do K-pop contemporâneo. Desde o início, o octeto construiu sua identidade com base na autenticidade, na autonomia criativa e em uma relação transparente com o público. Em 2019, a saída do integrante Woojin por motivos pessoais marcou um momento delicado, que acabou fortalecendo ainda mais o vínculo entre os membros restantes.
Um dos grandes diferenciais do grupo é o envolvimento direto na criação de sua música. O núcleo criativo é o 3Racha, trio formado por Bang Chan, Changbin e Han, responsável pela produção, composição e letras da maior parte do repertório. Ainda assim, todos os integrantes participam ativamente do processo criativo, contribuindo com ideias e conceitos. Esse modelo colaborativo se reflete em uma sonoridade intensa, experimental e emocional — marca registrada do grupo.
A origem do grupo também foge do padrão da indústria. Antes mesmo do reality show Stray Kids, exibido em 2017, Bang Chan teve papel fundamental na escolha de cada integrante, algo raro no K-pop. O programa acompanhou a formação do grupo e apresentou ao público não só talento, mas também conflitos, fragilidades e amadurecimento.
A trajetória musical começou com o EP Mixtape (2018), seguido pela estreia oficial com I Am Not, que deu início à trilogia I Am ao lado de I Am Who e I Am You, abordando temas como identidade e insegurança. Em 2019, a trilogia Clé (Miroh, Yellow Wood e Levanter) consolidou a narrativa do grupo, explorando liberdade, transformação e superação.
O reconhecimento em larga escala veio com Go Live (2020), primeiro álbum do grupo a conquistar certificação de platina pela KMCA. No mesmo ano, o Stray Kids estreou no Japão com SKZ2020, e o single “Top” alcançou o topo da parada Oricon — um feito expressivo para um grupo masculino estrangeiro.
A ascensão seguiu em ritmo acelerado. Noeasy (2021) ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas, enquanto a parceria com a Republic Records, a partir de 2022, impulsionou ainda mais a expansão global. Projetos como Oddinary, Maxident, Rock-Star, Ate, o álbum 5-Star e a mixtape Hop dominaram rankings internacionais. O grupo entrou para a história ao estrear seis lançamentos consecutivos no topo da Billboard 200, um recorde inédito.
Com mais de 31 milhões de álbuns vendidos até 2024, o grupo se consolidou como um fenômeno mundial. O álbum 5-Star ultrapassou cinco milhões de cópias certificadas, colocando o grupo em um seleto patamar da indústria musical. Em 2023, esse impacto cultural foi reconhecido pela revista Time, que incluiu o Stray Kids na lista de Líderes da Próxima Geração — um reconhecimento à altura de quem segue redefinindo os limites do K-pop.
A nova prévia de Avatar: Fogo e Cinzas chegou carregada de emoção e trouxe para o público uma sensação familiar: a de que estamos voltando para casa, mas uma casa que mudou. Pandora aparece sob uma luz diferente, tomada por cicatrizes, fogo, cinzas… e também por reconstrução. A família Sully, tão querida pelo público desde o primeiro filme, surge enfrentando um dos períodos mais delicados de sua história, marcado pela ausência de Neteyam, mas também por um novo capítulo que pede força, união e reinvenção.
Logo nos primeiros segundos da prévia, é possível perceber que este terceiro filme não está interessado apenas nas grandiosas batalhas que sempre marcaram a franquia. O foco agora está muito mais no coração dos personagens. Jake e Neytiri aparecem com um olhar que mistura exaustão e esperança, como quem tenta manter de pé uma família que já passou por perdas profundas, mas ainda busca fôlego para continuar. Há um silêncio entre eles que diz muito. É a pausa de quem sabe o que já enfrentou e o que ainda está por vir.
O luto pelo filho Neteyam se torna quase um personagem à parte. Ele se manifesta em pequenos gestos: na forma como os Sully se entreolham, no tom das conversas, na tentativa de manter a família unida apesar da dor. Cameron parece consciente de que esse sentimento não pode ser romantizado. A prévia trata o tema com respeito, sutileza e sensibilidade, sem transformar a dor em espetáculo, mas deixando claro que ela moldará cada decisão dos protagonistas daqui para frente.
Além dessa jornada emocional, o vídeo nos apresenta um novo povo de Pandora, o Povo das Cinzas. E é aqui que o filme começa a expandir o universo da franquia de maneira ainda mais rica. Os Ash People têm uma relação intensa com o fogo e uma cultura mais bélica, mais dura, fruto de um ambiente hostil. Ao contrário dos Metkayina, que viviam em harmonia com a água, os membros dessa nova tribo carregam marcas de guerras antigas e de um território que exige resistência o tempo todo. A estética do grupo impressiona e traz uma identidade completamente diferente do que vimos até agora.
A líder do Povo das Cinzas, Varang, chama atenção imediatamente. Ela não aparece como uma vilã caricata, mas como alguém que defende seu povo a qualquer custo. Seu olhar duro e sua postura determinada revelam uma personagem guiada por dor, memória e disputa territorial. Quando a prévia reforça a aliança dela com Quaritch, fica claro que essa união pode redefinir tudo o que conhecemos sobre os conflitos de Pandora. A guerra deixa de ser apenas entre humanos e Na’vi. Ela se torna uma disputa interna, de identidade, de sobrevivência e de escolhas morais.
Nesse cenário tenso, Jake e Neytiri se tornam novamente o centro emocional da história. Eles precisam ser pais, líderes e guerreiros ao mesmo tempo. Precisam acolher a dor dos filhos enquanto tentam lidar com a própria. Precisam manter a família unida em meio ao caos. E precisam tomar decisões difíceis em um momento em que o planeta parece estar virando ao avesso. A prévia mostra que essa será a parte mais íntima e humana do filme, aquela que faz o público se reconhecer nos personagens mesmo vivendo em um mundo distante.
A ambientação também reflete esse momento turbulento. Pandora já não surge tão exuberante quanto antes. Há cicatrizes abertas, árvores queimadas, terras devastadas. É como se o planeta estivesse respirando com dificuldade, pedindo socorro, tentando se recuperar do impacto das batalhas. Esse contraste visual torna o filme mais maduro e reforça a mensagem ambiental que sempre acompanhou a saga: cada ação tem um impacto real, e a natureza jamais sai ilesa de conflitos desse tamanho.
Mesmo com toda a densidade emocional, a prévia também aponta para a força e o crescimento dos filhos de Jake e Neytiri. Lo’ak aparece mais seguro, embora ainda carregue o peso da responsabilidade que não pediu. Kiri surge conectada à natureza de uma forma cada vez mais profunda, quase espiritual. É possível sentir que os dois serão determinantes para os rumos da história. Eles não aparecem mais como jovens descobrindo Pandora, mas como figuras centrais de um momento que pode definir o futuro do planeta.
Do outro lado da narrativa, Quaritch retorna com uma presença igualmente forte, mas diferente da vista anteriormente. Ele não é apenas o antagonista movido pela vingança. A prévia sugere um personagem mais complexo, com novas motivações e um papel que pode surpreender o público. Sua relação com Varang e com o Povo das Cinzas promete trazer tensão para cada cena em que aparece.
A proximidade do lançamento reforça o peso deste terceiro capítulo. Avatar: Fogo e Cinzas não chega apenas como mais um filme da franquia. Ele ocupa um espaço estratégico e emocional. É a ponte que conectará O Caminho da Água às duas últimas partes da saga, previstas para 2029 e 2031. Isso significa que muita coisa será plantada agora para florescer nos próximos filmes. E, pelo tom da prévia, tudo indica que serão sementes carregadas de significado.
No Brasil e em Portugal, o longa chega um dia antes da estreia norte-americana, em 18 de dezembro de 2025. É um presente para os fãs que acompanham a franquia desde 2009 e que, ao longo dos anos, construíram uma relação afetiva com Pandora, suas paisagens e seus personagens. Há um carinho especial por esse universo, e a nova prévia só fortalece essa conexão.
A Netflix já tem data marcada pra te tirar do sofá e te jogar no meio do mato — literalmente. Indomável, nova série original com Eric Bana, estreia no dia 17 de julho de 2025, e promete te prender como poucos thrillers conseguem. Mas esqueça crimes em becos escuros ou perseguições em ruas movimentadas: aqui, o perigo mora entre árvores, trilhas isoladas e silêncios que gritam mais do que qualquer tiro.
Quem é o “xerife” do mato?
Na trama, Kyle Turner (Eric Bana) é um agente especial do Serviço de Parques Nacionais. Mas ele não está ali só pra cuidar de animais ameaçados ou colocar placas educativas nas trilhas. Turner faz parte de uma divisão de elite chamada Serviços Investigativos, algo como o FBI das florestas americanas. Ele é chamado quando algo dá muito errado — e alguém precisa resolver antes que a natureza esconda todas as pistas.
Turner carrega mais do que um distintivo. Carrega traumas, escolhas duvidosas e um senso de justiça que nem sempre cabe nos manuais. Ao longo dos episódios, o personagem vai precisar enfrentar um caso tão denso quanto o próprio ambiente ao seu redor — e nada será simples.
A floresta guarda mais do que árvores
O trailer oficial de Indomável já dá o tom do que vem por aí: mistério, tensão, ameaças invisíveis e um cenário que parece bonito demais pra ser confiável. Cada plano é uma pintura — mas como toda boa obra, carrega rachaduras escondidas.
E se o ambiente já cria um clima de desconfiança, o elenco só reforça o peso da narrativa: além de Bana, a série conta com Sam Neill, Rosemarie DeWitt, Wilson Bethel, Lily Santiago, Josh Randall e outros nomes fortes que ajudam a dar corpo e profundidade aos personagens. Ninguém está ali por acaso. Todo mundo esconde alguma coisa.
Entre o instinto e a lei
Indomável não é apenas uma série de ação. É uma história sobre sobrevivência, escolhas morais e o que acontece quando o certo e o errado se misturam em um lugar onde ninguém está olhando. O clima lembra produções como Wind River e True Detective, mas com uma assinatura própria: mais silenciosa, mais crua, mais próxima do humano.
Aqui, as ameaças não vêm só de foras-da-lei — vêm da culpa, do passado, da solidão e da responsabilidade de manter a ordem onde a natureza dita suas próprias regras.
Anota aí: 17 de julho
Se você curte suspense inteligente, paisagens de tirar o fôlego e personagens que erram, sofrem e lutam pra acertar, Indomável tem tudo pra ser sua nova obsessão.
O terror brasileiro e internacional terá mais um filme de destaque neste ano com Para Sempre Minha, dirigido por Osgood Perkins, conhecido pelo sucesso de Longlegs. O longa ganhou recentemente um trailer oficial que já deixa claro seu clima sombrio e perturbador. Com roteiro de Nick Lepard e estrelado por Tatiana Maslany, Rossif Sutherland e Erin Boyes, o filme combina suspense psicológico, mistério e elementos sobrenaturais, prometendo prender o público do início ao fim com uma narrativa intensa e cheia de tensão. Abaixo, veja o vídeo:
Osgood Perkins consolidou-se no cinema de terror moderno por sua capacidade de criar atmosferas densas e histórias que exploram medos humanos profundos, muitas vezes sem recorrer a sustos fáceis. Em Longlegs, ele apresentou uma narrativa marcada pela tensão contínua e pelo horror psicológico, e em Para Sempre Minha mantém essa assinatura, explorando não apenas o sobrenatural, mas também a vulnerabilidade emocional dos personagens. Com roteiro de Nick Lepard, o filme conduz o público por um caminho de mistério e revelações graduais, construindo um suspense que mistura terror real e psicológico, mantendo o espectador sempre em alerta e envolvido com a trama.
A história acompanha Liz (Tatiana Maslany) e Malcolm (Rossif Sutherland), um casal que viaja para um fim de semana romântico em uma cabana isolada. O que parecia ser uma escapada tranquila logo se transforma em um pesadelo quando Malcolm retorna repentinamente à cidade, deixando Liz sozinha. Isolada e vulnerável, ela se depara com um mal indescritível que começa a revelar os segredos sombrios do local, colocando sua vida em risco e testando seus limites emocionais. O filme explora o medo do desconhecido e do que não pode ser explicado, transformando cada silêncio, sombra e ruído em uma ameaça palpável, criando uma experiência de terror psicológico que prende o espectador.
Um dos grandes destaques do filme é a atuação de Tatiana Maslany, conhecida por sua versatilidade em Orphan Black, que interpreta Liz com uma mistura de fragilidade e coragem, tornando o público cúmplice de seu medo e desespero. Rossif Sutherland, como Malcolm, traz intensidade e complexidade ao personagem, cuja ausência repentina aumenta a tensão e a incerteza. Erin Boyes desempenha um papel importante na construção do suspense, contribuindo para o mistério que envolve a cabana e os segredos do local. O elenco, como um todo, cria uma dinâmica convincente que mantém o público engajado e apreensivo, garantindo que o terror seja não apenas visual, mas também emocional.
O legado de Osgood Perkins no terror contemporâneo
Osgood Perkins é conhecido por transformar o terror em experiências emocionais e psicológicas profundas. Filmes como Longlegs estabeleceram sua reputação por explorar o horror de maneira inteligente, sem recorrer a clichês ou sustos fáceis. Em Para Sempre Minha, ele amplia seu repertório ao combinar elementos sobrenaturais com tensão emocional, criando uma narrativa que não apenas assusta, mas também envolve o espectador com personagens complexos e situações intrigantes. Sua parceria com Nick Lepard e o elenco talentoso contribui para que o filme seja lembrado como um marco do terror psicológico contemporâneo.
O que podemos esperar do filme?
O público pode esperar sustos impactantes, revelações perturbadoras e uma narrativa que desafia a percepção da realidade. Além disso, o longa explora temas como isolamento, vulnerabilidade, confiança e os limites entre realidade e ilusão, enriquecendo a experiência cinematográfica.
Quando o filme chega aos cinemas?
Com estreia prevista para 13 de novembro nos cinemas brasileiros, o longa-metragem promete se tornar um dos grandes destaques do terror psicológico no país e internacionalmente. O filme aposta em um terror mais sofisticado, combinando suspense, mistério e elementos sobrenaturais, além de explorar a vulnerabilidade humana em situações extremas.
Nesta sexta-feira, 8 de agosto, a indústria cinematográfica comemorou o encerramento das gravações de um dos projetos mais ambiciosos da última década: A Odisseia, a aguardada adaptação do clássico poema épico grego atribuído a Homero, dirigido por Christopher Nolan. Conhecido por seu estilo autoral, narrativas densas e inovação técnica, Nolan une forças com um elenco estelar e uma equipe técnica de ponta para criar um filme que promete não apenas emocionar, mas transformar o modo como o cinema épico é concebido.
Um sonho antigo, finalmente realizado
Nolan sempre foi fascinado pela complexidade da mente humana e pelas grandes histórias que atravessam o tempo. Após o sucesso estrondoso de Oppenheimer (2023), filme que lhe rendeu seu primeiro Oscar de Melhor Diretor, Nolan partiu para um desafio ainda maior: adaptar A Odisseia, uma das obras fundadoras da literatura ocidental, e uma narrativa repleta de aventura, magia, sofrimento e triunfo.
Ao anunciar o projeto, Nolan expressou sua ambição: “Quero contar essa história como nunca foi vista, respeitando sua essência mitológica, mas trazendo o público para dentro da jornada de Odisseu de forma visceral e emocional.” E é justamente essa promessa que tem animado fãs de mitologia, amantes do cinema épico e críticos ao redor do mundo.
Produção grandiosa, inovação e riscos
Com um orçamento estimado em impressionantes US$ 250 milhões, o longa-metragem é uma das maiores produções da história recente, e o primeiro grande longa a ser filmado inteiramente com câmeras IMAX de 70mm — um equipamento que, embora consagrado, traz desafios logísticos enormes. As câmeras são volumosas e delicadas, exigindo uma equipe altamente especializada para operar em condições muitas vezes adversas.
As filmagens começaram em fevereiro de 2025 e se estenderam por seis meses, passando por locações globais que buscavam dar autenticidade e grandiosidade à narrativa: o Marrocos, a Grécia, a Itália, a Escócia, a Islândia e até o deserto do Saara Ocidental.
Cada local escolhido não foi aleatório: Aït Benhaddou, no Marrocos, serviu para recriar a cidade de Tróia, enquanto as Ilhas Égadi na Sicília abrigaram as cenas do encontro com o temível Ciclope Polifemo. A majestosa Islândia proporcionou as paisagens para as provas de resistência de Odisseu, e o castelo Findlater na Escócia deu forma a elementos da corte do herói.
A decisão de filmar em cenários naturais, e não em estúdios ou usando CGI em excesso, reforça o compromisso de Nolan com uma estética imersiva e visceral, onde o espectador quase toca a poeira das batalhas e sente o frio cortante dos ventos nórdicos.
Foto: Reprodução/ Internet
Controvérsia no Saara Ocidental: quando arte e política se cruzam
Nem tudo, entretanto, foi tranquilo durante a produção. As filmagens nas Dunas Brancas, região do Saara Ocidental, território marcado por uma longa disputa entre Marrocos e o povo saharaui, despertaram polêmicas.
Ativistas e organizações internacionais denunciaram a produção por, em sua visão, legitimar a ocupação marroquina na região ao escolher filmar ali. A Frente Polisário, representante dos saharauis, emitiu declarações afirmando que a presença da equipe de Nolan poderia ser interpretada como um apoio indireto à controvérsia política.
Por outro lado, o Centro Cinematográfico Marroquino celebrou o filme como uma oportunidade histórica para a indústria local, destacando que a trama é o primeiro longa-metragem americano de grande orçamento a explorar a região, o que poderá abrir portas para outras produções e para o desenvolvimento econômico da área.
Esse embate entre arte e política mostra que o cinema, especialmente em grandes produções globais, não se limita a contar histórias — ele também é um ator na geopolítica, com o poder de influenciar percepções e gerar debates relevantes.
Um elenco para entrar para a história
A escolha do elenco é outro destaque do projeto. Combinando atores veteranos e estrelas em ascensão, Nolan reuniu um time capaz de traduzir a complexidade dos personagens mitológicos em seres humanos com emoções e conflitos reais.
No centro, Matt Damon assume o papel de Odisseu, o rei de Ítaca. Conhecido por sua versatilidade e por interpretar personagens que transmitem força e vulnerabilidade, Damon traz à tela um herói que é menos um guerreiro invencível e mais um homem astuto, marcado pela saudade e pela esperança.
Ao seu lado, Tom Holland interpreta Telêmaco, filho de Odisseu, uma figura jovem e cheia de dúvidas, representando a busca da nova geração por identidade e propósito.
Charlize Theron vive Circe, a poderosa deusa-feiticeira cuja personagem promete cenas de impacto e que reforça a presença feminina forte na narrativa. Anne Hathaway e Zendaya, ambas colaboradoras frequentes de Nolan, dão vida a personagens femininas complexas que serão essenciais para a trama, assim como Lupita Nyong’o, que confere profundidade e força ao elenco.
O elenco ainda conta com Robert Pattinson, Jon Bernthal, Benny Safdie, Elliot Page, John Leguizamo, Mia Goth, Corey Hawkins e Logan Marshall-Green, um time capaz de garantir um equilíbrio entre tradição e inovação, trazendo credibilidade e frescor para os papéis mitológicos.
Música e figurino: cores e sons que transportam o espectador
Para criar o universo sonoro e visual do filme, Nolan voltou a contar com colaboradores de confiança. O compositor Ludwig Göransson, vencedor do Oscar e que já assinou a trilha de “Oppenheimer”, promete uma música que vai além do tradicional épico, incorporando elementos que evocam a atmosfera mítica e os dilemas emocionais dos personagens.
A figurinista Ellen Mirojnick, por sua vez, buscou inspiração tanto em referências históricas quanto em interpretações artísticas contemporâneas para criar trajes que, apesar de algumas críticas por não serem “tradicionalmente” históricos, carregam a ideia de unir passado e presente em uma narrativa visual poderosa.
Cada peça de roupa, cada adereço foi pensado para comunicar a complexidade dos personagens e a grandiosidade da história, tornando o figurino parte integrante da narrativa.
O que esperar de A Odisseia na tela grande?
Com estreia marcada para 17 de julho de 2026 nos Estados Unidos, o filme já vem despertando grande expectativa. Pré-vendas antecipadas de ingressos para sessões IMAX 70mm ultrapassaram US$ 1,5 milhão, um sinal claro do entusiasmo do público.
A promessa é de um filme que une ação, fantasia, drama e aventura, trazendo à tona temas universais como coragem, sacrifício, lealdade, saudade e a busca incessante por um lar e pela identidade.
Mais do que um espetáculo visual, a narrativa pretende fazer o público refletir sobre o preço das escolhas e os desafios das jornadas pessoais, usando a mitologia grega como um espelho para dilemas humanos eternos.
Christopher Nolan e a reinvenção da jornada do herói
Conhecido por seus filmes que desafiam a linearidade do tempo e a percepção da realidade, Nolan propõe com A Odisseia uma releitura que respeita as raízes do mito, mas o coloca em diálogo com o século XXI.
O herói Odisseu não é um ser perfeito; é um homem com medos, dúvidas e uma determinação que vem da humanidade que ele carrega. Essa abordagem torna a história não apenas uma aventura épica, mas uma profunda reflexão sobre o que significa ser humano diante das adversidades.
A Warner Bros. Pictures deu a largada oficial para um dos projetos mais comentados do cinema recente. A pré-venda de ingressos de O Morro dos Ventos Uivantes começa em 29 de janeiro, antecipando a estreia do longa nos cinemas brasileiros em 12 de fevereiro de 2026. A produção chegará ao público com sessões em IMAX e versões acessíveis, reforçando a aposta do estúdio em um lançamento de grande alcance e prestígio.
A nova adaptação do clássico de Emily Brontë é comandada por Emerald Fennell (Bela Vingança, Saltburn), vencedora do Oscar e do BAFTA. A diretora propõe uma leitura contemporânea e visceral do romance publicado em 1847, intensificando os aspectos psicológicos, sensuais e perturbadores da obra. O resultado promete um mergulho ainda mais profundo em uma história marcada por obsessão, dor e amores que desafiam o tempo e a moral social.
Nos papéis centrais estão Margot Robbie (Barbie, Era Uma Vez em… Hollywood, Bela Vingança) e Jacob Elordi (Saltburn, Euphoria, Priscilla), que vivem Catherine Earnshaw e Heathcliff. A escalação reúne dois nomes que transitam com facilidade entre o cinema autoral e grandes produções, além de forte apelo entre o público jovem. A relação entre os protagonistas intensa, absoluta e autodestrutiva conduz a narrativa e sustenta o tom trágico que consagrou o romance como um dos mais impactantes da literatura inglesa.
A trilha sonora original será assinada por Charli XCX (Crash, Pop 2), artista conhecida por sua sonoridade ousada e emocionalmente crua. Sua participação adiciona uma camada moderna ao filme, criando um diálogo direto entre o peso do texto clássico e a sensibilidade pop contemporânea. Segundo a equipe criativa, a música é peça-chave na construção da atmosfera sensual e angustiante da história.
O projeto começou a tomar forma em julho de 2024, quando Emerald Fennell anunciou que escreveria e dirigiria sua própria versão do romance. Em setembro do mesmo ano, Margot Robbie e Jacob Elordi foram confirmados no elenco. Robbie também atua como produtora pelo selo LuckyChap Entertainment (Bela Vingança, Saltburn), reforçando uma parceria criativa já consolidada com a diretora.
A disputa pelos direitos de distribuição foi intensa e movimentou o mercado. Em outubro de 2024, a Netflix chegou a liderar a corrida com uma proposta estimada em US$ 150 milhões, mas a Warner Bros. saiu vitoriosa ao oferecer cerca de US$ 80 milhões e garantir o desejo central de Fennell e Robbie, um lançamento prioritário nos cinemas, acompanhado de uma campanha de marketing robusta. A decisão reafirma a confiança no impacto da experiência cinematográfica coletiva.
A escolha de Jacob Elordi como Heathcliff gerou debates, já que o personagem é descrito no livro como racialmente ambíguo. A repercussão tomou conta das redes sociais e da crítica especializada. Em resposta, Emerald Fennell afirmou que o ator correspondia tanto à imagem clássica do personagem quanto à intensidade emocional exigida pelo papel.
O elenco de apoio reúne nomes de destaque como Hong Chau (A Baleia, Downsizing), Alison Oliver (Saltburn, Conversations with Friends), Shazad Latif (Star Trek: Discovery, Penny Dreadful), Martin Clunes (Doc Martin, Shakespeare Apaixonado) e Ewan Mitchell (House of the Dragon, The Last Kingdom). A trama também apresenta versões jovens dos protagonistas, interpretadas por Charlotte Mellington, Owen Cooper e Vy Nguyen, ampliando a dimensão temporal da narrativa.
As filmagens aconteceram entre o fim de janeiro e o início de abril de 2025, no Reino Unido, utilizando câmeras VistaVision de 35 mm, formato que valoriza a textura clássica da imagem e a grandiosidade dos cenários. As locações incluem os Yorkshire Dales, região intimamente ligada ao imaginário do romance, além dos Sky Studios Elstree. A fotografia é assinada por Linus Sandgren (La La Land, Não Olhe para Cima), garantindo um visual sofisticado, melancólico e imersivo.
Produzido por Emerald Fennell, Margot Robbie e Josey McNamara, com produção executiva de Tom Ackerley (Eu, Tonya) e Sara Desmond, o filme é uma coprodução da LuckyChap Entertainment com a MRC, e tem distribuição mundial da Warner Bros. Pictures.