Resenha — A Sabedoria das Noviças prova que as inquietações modernas já atormentavam mulheres brilhantes há séculos

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À primeira vista, A sabedoria das noviças: Conselhos do século XVI para problemas do século XX pode parecer apenas um exercício curioso de aproximação entre passado e presente. No entanto, o livro de Ana Garriga e Carmen Urbita revela-se muito mais ambicioso: trata-se de uma obra que revisita a história das freiras dos séculos XVI e XVII para desmontar estereótipos, recuperar vozes femininas silenciadas e, sobretudo, demonstrar que as angústias humanas atravessam o tempo com impressionante persistência.

O ponto de partida do livro é provocador. Em vez de apresentar a vida monástica como sinônimo de isolamento, repressão ou santidade inalcançável, as autoras revelam conventos como espaços de pensamento, estratégia, produção intelectual e até negociação de poder. As noviças e freiras retratadas aqui não são figuras passivas, mas mulheres que encontraram, dentro de estruturas rígidas, maneiras engenhosas de existir, criar e influenciar o mundo ao seu redor.

Santa Teresa de Ávila, Sor Juana Inés de la Cruz e Maria de Jesus de Ágreda são algumas das personagens históricas convocadas para esse diálogo improvável com o leitor contemporâneo. Longe de serem tratadas como santas intocáveis, elas surgem como mulheres de carne, ideias e contradições. Seus escritos, escolhas e episódios biográficos são reinterpretados à luz de problemas atuais, como dificuldades financeiras, desafios no ambiente corporativo, comunicação assertiva, ansiedade social e confusões afetivas.

O grande mérito do livro está na forma como essa transposição é feita. Garriga e Urbita não forçam paralelos nem recorrem a comparações artificiais. Ao contrário, constroem analogias inteligentes e bem-humoradas, capazes de iluminar tanto o contexto histórico quanto as tensões do presente. O famoso episódio da bilocação atribuída a Maria de Jesus de Ágreda, por exemplo, é reinterpretado como uma metáfora poderosa para o sentimento contemporâneo de estar sempre atrasado, desconectado ou perdendo algo nas redes sociais.

Sor Juana Inés de la Cruz ocupa um lugar central na narrativa como símbolo de inteligência feminina, resistência intelectual e domínio da palavra. Sua habilidade retórica e sua postura firme diante de autoridades masculinas servem como inspiração direta para situações modernas, como escrever um e-mail profissional sem parecer agressiva ou submissa. O livro acerta ao mostrar que, muito antes das discussões atuais sobre comunicação assertiva, essas mulheres já dominavam a arte de se posicionar em ambientes hostis.

A escrita das autoras é leve, irônica e convidativa. O texto evita o tom acadêmico tradicional e aposta em uma linguagem acessível, repleta de referências à cultura pop, ao universo corporativo e às dinâmicas das relações afetivas contemporâneas. Essa escolha torna a leitura fluida e prazerosa, ainda que, em alguns momentos, sacrifique maior profundidade teórica. Ainda assim, trata-se de uma decisão coerente com a proposta do livro: aproximar, não afastar.

Outro aspecto relevante é a forma como A sabedoria das noviças contribui para a revisão da história sob uma perspectiva feminina. Ao recuperar essas trajetórias, o livro evidencia o quanto a vida monástica foi, paradoxalmente, um dos poucos espaços onde mulheres puderam estudar, escrever, ensinar e exercer algum grau de autonomia intelectual. Essa leitura não romantiza o convento, mas reconhece sua complexidade como espaço de limitação e, ao mesmo tempo, de possibilidade.

Embora o subtítulo mencione problemas do século XX, o diálogo estabelecido pela obra é ainda mais pertinente ao século XXI. Questões como ansiedade, pressão por produtividade, medo de exclusão social e insegurança emocional atravessam o livro de maneira clara e atual. Nesse sentido, a obra funciona menos como um manual de conselhos e mais como um convite à reflexão, usando o humor e a história como ferramentas de acolhimento.

A sabedoria das noviças é um livro que diverte, informa e provoca. Ao transformar figuras históricas em interlocutoras contemporâneas, Ana Garriga e Carmen Urbita constroem uma obra que questiona nossas certezas, relativiza nossos dramas e oferece um olhar surpreendentemente reconfortante sobre o presente. Uma leitura inteligente e criativa, que reafirma que, independentemente da época, as dúvidas humanas seguem as mesmas e que a sabedoria, muitas vezes, já foi escrita há séculos, apenas esperando ser redescoberta.

Segredos e um verão inesquecível: Por que “Luca” é a escolha perfeita da Tela Quente desta segunda (29)

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Nesta segunda-feira, 29 de dezembro, a Tela Quente aposta em um filme que foge do óbvio e entrega algo raro: aconchego. Luca, animação da Pixar exibida pela TV Globo, é daquelas histórias que parecem simples à primeira vista, mas que, aos poucos, vão ganhando camadas emocionais e ficando com a gente mesmo depois dos créditos finais. Não é só um filme infantil. É uma lembrança de infância, um abraço de verão e uma metáfora delicada sobre crescer, se descobrir e pertencer.

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, a trama nos apresenta Luca Paguro, um jovem monstro marinho curioso, daqueles que vivem olhando para o horizonte e se perguntando o que existe além. Ele mora no fundo do mar com os pais superprotetores e a avó, que reforçam constantemente uma regra inegociável: nada de chegar perto da superfície. O mundo dos humanos, segundo eles, é perigoso, hostil e mortal para criaturas como eles. Mas Luca, como todo bom protagonista sonhador, sente que existe algo lá em cima que ele precisa conhecer.

Tudo muda quando ele cruza o caminho de Alberto Scorfano, um monstro marinho completamente diferente dele. Destemido, impulsivo e cheio de ideias malucas, Alberto revela um segredo que vira o mundo de Luca de cabeça para baixo: fora da água, monstros marinhos se transformam em humanos. É a partir desse momento que Luca se transforma em uma deliciosa aventura de verão, daquelas cheias de descobertas, pequenos medos e grandes sonhos.

Ao subir à superfície, Luca e Alberto chegam a Portorosso, uma pequena cidade litorânea na Riviera Italiana, nos anos 1950. O lugar parece ter saído de um cartão-postal: ruas coloridas, cheiro de massa fresca no ar, bicicletas cortando a praça e moradores que vivem em um ritmo tranquilo. É nesse cenário que eles conhecem Giulia Marcovaldo, uma garota humana determinada, inteligente e cheia de personalidade. O trio forma uma amizade improvável, mas extremamente verdadeira, daquelas que só acontecem quando a gente é jovem e acredita que o verão pode durar para sempre.

O grande charme de Luca está justamente nessas relações. A amizade entre Luca, Alberto e Giulia é construída de forma natural, com conflitos, ciúmes, risadas e momentos de silêncio. Luca, aos poucos, começa a se sentir parte de algo maior. Ao mesmo tempo, carrega o medo constante de ser descoberto, rejeitado ou expulso por ser diferente. Esse sentimento, tratado com tanta delicadeza pelo filme, é um dos motivos pelos quais Luca conversa tão bem com públicos de todas as idades.

Dirigido por Enrico Casarosa, o filme nasce de uma memória afetiva muito pessoal. O cineasta se inspirou na própria infância em Gênova, na Itália, para criar Portorosso e toda a atmosfera do longa. Isso fica evidente em cada detalhe: no jeito como as crianças vivem intensamente cada dia, na importância das pequenas coisas e naquela sensação única de que o verão é um período de transformação. Luca é, acima de tudo, um filme sobre crescer e perceber que o mundo é maior — e mais complexo — do que a gente imaginava.

Visualmente, a animação foge do padrão ultra-realista que muita gente associa à Pixar. Aqui, o traço é mais suave, quase artesanal. As influências vão do cinema italiano clássico ao estilo poético de Hayao Miyazaki, criando um visual acolhedor e cheio de personalidade. Portorosso não parece um cenário artificial, mas um lugar onde dá vontade de morar, mesmo que só por algumas horas.

As vozes do elenco original ajudam a dar vida a esse universo. Jacob Tremblay entrega um Luca sensível e genuíno, enquanto Jack Dylan Grazer faz de Alberto um personagem carismático, que usa a bravata como forma de esconder suas próprias inseguranças. Emma Berman, como Giulia, traz equilíbrio ao trio, representando coragem, curiosidade e empatia. Juntos, eles formam um conjunto que funciona de maneira orgânica e emocionante.

Por trás da fantasia e do humor leve, o longa-metragem fala sobre temas muito reais. A ideia dos monstros marinhos que precisam esconder quem realmente são funciona como uma metáfora poderosa sobre se sentir diferente, deslocado ou fora do padrão. O filme aborda aceitação, medo do julgamento, amadurecimento e a importância de encontrar pessoas que nos enxerguem de verdade. Tudo isso sem discursos pesados ou explicações óbvias — Luca prefere mostrar, sentir e deixar que o público interprete.

A trilha sonora de Dan Romer acompanha esse tom com precisão. As músicas ajudam a criar o clima italiano e reforçam as emoções da história, sem nunca roubar a cena. É o tipo de trilha que você talvez não perceba conscientemente o tempo todo, mas que faz toda a diferença na experiência.

Lançado originalmente em 2021, em meio à pandemia, o filme acabou chegando direto ao streaming em muitos países, onde rapidamente se tornou um fenômeno. Foi o filme mais assistido do ano nas plataformas digitais e recebeu elogios da crítica, além de indicações ao Globo de Ouro e ao Oscar de Melhor Animação. Com o tempo, ganhou relançamento nos cinemas e até um curta derivado, Ciao Alberto, mostrando que o público realmente se conectou com aquele universo.

Luciana comanda debate intenso sobre Mentes Criminosas no SuperPop desta quarta, 05/02

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Foto: Reprodução/ Internet

Nesta quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025, o ‘SuperPop‘ promete uma edição impactante, trazendo à tona um tema que sempre provoca reflexões e fascina o público: os bastidores das mentes criminosas. Sob o comando de Luciana Gimenez, a atração vai ao ar às 22h45 na RedeTV! e reúne especialistas e convidados para uma análise profunda sobre casos que marcaram a história criminal brasileira.

O jornalista e escritor Ulisses Campbell é um dos destaques da noite. Autor de livros investigativos que narram crimes de grande repercussão, como os envolvendo o Maníaco do Parque, Suzane von Richthofen e Elize Matsunaga, Campbell oferece um olhar detalhado sobre os fatos que chocaram o país. Com acesso a bastidores e entrevistas exclusivas, ele explicará como se deu a construção desses retratos criminais em suas obras e abordará as estratégias narrativas que utiliza para capturar a complexidade das histórias.

A conversa será enriquecida com a presença do criminólogo e psicanalista Rubens Correia Junior, que mergulha no perfil psicológico dos criminosos e explica as motivações por trás de comportamentos violentos e antissociais. Correia Junior também fará uma reflexão sobre os padrões comuns encontrados em muitos desses casos e discutirá o impacto psicológico gerado por crimes violentos na sociedade.

Complementando o debate, o jornalista Beto Ribeiro, com vasta experiência na cobertura de casos policiais, trará um panorama das investigações jornalísticas e a forma como a imprensa desempenha um papel crucial para manter a sociedade informada, muitas vezes lidando com situações emocionais intensas.

Entre os momentos mais aguardados da edição está a participação de Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni, vítima de um dos casos mais emblemáticos do país. Em uma conversa franca e emocionante, Ana Carolina falará sobre os desafios de seguir em frente após a perda de sua filha e como tem transformado a dor em uma missão de conscientização sobre a importância da justiça e da resiliência. Sua presença promete tocar o público com uma mensagem de força e superação.

Com uma abordagem que une jornalismo investigativo, análises psicológicas e depoimentos emocionantes, o ‘SuperPop’ desta semana se apresenta como uma edição imperdível para aqueles que buscam entender mais sobre a complexidade das mentes criminosas e os impactos sociais e emocionais deixados por crimes violentos.

Universal+ estreia nova temporada da premiada série Poker Face

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Poker Face, série criada por Rian Johnson, está de volta com sua aguardada segunda temporada, que estreia no Brasil no dia 9 de maio, com exclusividade na plataforma Universal+. Após conquistar fãs e prêmios com seu formato inovador, a produção retorna prometendo elevar ainda mais o nível de mistério, comédia e reviravoltas imprevisíveis.

O projeto leva a assinatura completa de Rian Johnson, indicado ao Oscar e responsável por sucessos como Entre Facas e Segredos e Glass Onion. Na nova leva de 12 episódios inéditos, o cineasta mantém a fórmula que virou marca registrada da série: episódios autônomos, roteiros afiados e uma protagonista carismática que desafia convenções do gênero policial com seu faro infalível para detectar mentiras.

Charlie Cale está de volta — e mais afiada do que nunca

Interpretada pela brilhante Natasha Lyonne (Russian Doll), a detetive amadora Charlie Cale retorna aos holofotes, ainda pilotando seu icônico Plymouth Barracuda e cruzando estradas norte-americanas em busca de respostas para crimes que surgem em sua trajetória errante. Cada episódio a coloca diante de criminosos excêntricos, situações inesperadas e dilemas morais que testam não apenas sua habilidade única de perceber quando alguém está mentindo, mas também sua empatia e senso de justiça.

Durante um painel no tradicional PaleyFest, realizado em março no lendário Dolby Theatre, em Los Angeles, Johnson celebrou o retorno da produção com entusiasmo. “Essa nova temporada tem algo realmente especial. Mal posso esperar para ver esses episódios nas telas de vocês”, afirmou o criador diante de uma plateia animada.

Episódios independentes e narrativa imprevisível: a força da série

Enquanto muitas produções atuais apostam em narrativas contínuas e arcos complexos que exigem fidelidade semanal, Poker Face vai na contramão: cada capítulo é uma nova história, com começo, meio e fim, mas sempre guiada pela presença magnética de Charlie. Segundo Johnson, esse formato é o coração do projeto:

“Não queríamos mergulhar em uma mitologia extensa nem tornar a trajetória da Charlie excessivamente complicada. O foco era simples: fazer episódios excelentes, com algo novo a cada vez. Queremos que o público seja constantemente surpreendido.”

Temporada 2: mais intensa, mais ousada — e cheia de surpresas

De acordo com o próprio criador, a segunda temporada aprofunda os elementos que tornaram a série um sucesso. “Na primeira temporada, nos divertimos muito. Na segunda, meu foco foi repetir o que funcionou — só que com mais intensidade”, revelou Johnson. A promessa é de tramas mais elaboradas, reviravoltas ainda mais surpreendentes e dilemas que exigirão da protagonista mais do que apenas seu dom de perceber mentiras.

Além disso, o novo ano contará com participações especiais de peso e referências elegantes a clássicos do gênero “whodunit”, misturando nostalgia policial, sátira social e pitadas generosas de humor mordaz — características que ajudaram a série a se destacar entre tantas outras.

Com tudo isso, Poker Face reforça sua posição como uma das séries mais originais, ousadas e instigantes da atualidade, provando que o crime perfeito pode até não existir — mas a série perfeita para investigá-lo, sim.

Contagem Regressiva | Jensen Ackles lidera nova série explosiva do Prime Video; Assista ao trailer

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O Prime Video acaba de lançar o trailer oficial de Contagem Regressiva, sua nova série original que mistura adrenalina, mistério e drama com aquele tempero apocalíptico que a gente tanto gosta. A estreia está marcada para 25 de junho, e, se depender das primeiras cenas divulgadas, vai ter gente maratonando com a respiração presa.

Ackles, eternizado como Dean Winchester em Supernatural e mais recentemente aclamado como Soldier Boy em The Boys, agora veste o distintivo do policial Mark Meachum, um agente de Los Angeles que vê sua rotina mudar drasticamente após um assassinato estranho sacudir a cidade. Só que esse não é só “mais um caso”. É o início de uma conspiração perigosa — daquelas que só os corajosos (ou desesperados) se atrevem a investigar.

Meachum é rapidamente jogado em um mundo sombrio ao ser recrutado para uma força-tarefa de agentes disfarçados. O objetivo? Descobrir quem está por trás de uma ameaça que pode colocar toda a cidade em colapso. O problema? Cada integrante da equipe tem seus próprios segredos, traumas e razões para desconfiar uns dos outros. E enquanto isso, o tempo corre. Literalmente.

Dos criadores de grandes sucessos… com um toque a mais de caos

A série é criada por Derek Haas, um nome que já faz parte do currículo da TV americana moderna, com passagens por Chicago Fire e FBI: International. Mas em Contagem Regressiva, Haas parece ter apertado o botão de emergência e decidido ir além: cenas frenéticas, narrativa não linear, personagens com camadas que se revelam como uma bomba-relógio prestes a explodir.

E falando em elenco, o time escalado não é nada modesto. Além de Ackles, temos Eric Dane (o eterno Dr. McSteamy de Grey’s Anatomy e o brutal Cal de Euphoria), Jessica Camacho (The Flash, Watchmen), Violett Beane (God Friended Me, Death and Other Details), Elliot Knight (The Boys) e Uli Latukefu (Young Rock). Um esquadrão de respeito, com rostos familiares e talento de sobra.

Ação com cérebro, coração e gatilhos (emocionais e literais)

Apesar de toda a pirotecnia, Contagem Regressiva não é só tiros e explosões. A série promete entregar uma trama mais cerebral e emocional, com conflitos morais, dilemas sobre confiança e escolhas impossíveis. Imagine 24 Horas misturado com True Detective, só que com a energia de um thriller moderno embalado por trilha sonora tensa e edição afiada. Tudo isso com o carisma de Ackles no centro da tormenta.

Ah, e para os fãs de teorias: o trailer já deixa no ar pistas de que a conspiração pode envolver setores do próprio governo, sabotagem interna e até possíveis agentes duplos. Se você é do tipo que gosta de pausar, voltar e criar teorias malucas com base em uma sombra suspeita, essa série foi feita pra você.

Resenha – Feitos Um Para o Outro é um romance sobre as dores e contradições do crescer juntos

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Foto: Reprodução/ Almanaque Geek

Feitos Um Para o Outro, da autora italiana Biondi, é um romance que se apresenta inicialmente como uma delicada narrativa sobre um casal jovem tentando se encontrar na turbulência dos primeiros anos da vida adulta. A trama, situada em Bolonha, acompanha Manuel e Mia, dois jovens que dividem um pequeno quarto num alojamento estudantil, imersos em uma realidade marcada por sonhos, inseguranças e as pressões da independência.

A escrita de Biondi revela sensibilidade e sutileza ao retratar as nuances emocionais de um relacionamento em sua fase inicial — sem recorrer ao melodrama exagerado ou a clichês desgastados. O texto navega habilmente entre as esperanças e as dúvidas típicas de quem encara o futuro com certa ansiedade, traduzindo em diálogos naturais e cenas cotidianas as tensões entre afeto e conflito.

No entanto, apesar de suas qualidades narrativas, o livro carrega uma controvérsia que polariza opiniões: o tratamento dado à traição cometida por Mia.

Aqui reside o principal desafio da obra. A autora escolhe abordar a traição de forma relativamente superficial, sem aprofundar as complexas implicações emocionais e éticas do ato. A decisão unilateral de Mia — que pede demissão sem diálogo prévio, abalando a estabilidade financeira que ambos buscavam — e, sobretudo, a traição, são fatos que poderiam render uma análise profunda sobre maturidade, confiança e consequências. Contudo, Biondi opta por minimizá-los na narrativa.

Além disso, Mia é retratada com uma ambiguidade problemática: sua postura parece simbolizar uma resistência ao amadurecimento. Ela valoriza o lazer e a liberdade ao lado dos amigos e rejeita a cobrança legítima de Manuel por responsabilidade e compromisso. Por sua vez, Manuel, que sonha em ser escritor e trabalha numa pizzaria para se sustentar, é caracterizado como alguém quase obsessivo e desequilibrado, numa inversão que gera desconforto, pois coloca a vítima da traição como antagonista da história.

Essa dinâmica – que transforma Manuel em um “vilão” na percepção da própria parceira e do círculo social dela – levanta questões importantes sobre representação de gênero, responsabilidade afetiva e o que se considera “culpa” num relacionamento. A narrativa, ao promover uma reconciliação rápida e quase sem consequências reais, perde a oportunidade de explorar os dilemas e as dores que acompanham uma traição, assim como a reconstrução (ou não) da confiança.

Para leitores que valorizam a profundidade emocional e a coerência psicológica, o livro pode parecer simplista ou até ingênuo na resolução dos conflitos. O perdão, no romance, não exige tempo, nem reflexão profunda, nem crescimento genuíno — e isso pode soar como uma romantização perigosa de uma falha grave.

Contudo, é justamente essa ambivalência que torna Feitos Um Para o Outro um texto instigante. A obra não oferece respostas definitivas nem pretende julgar seus personagens com rigidez moral. Em vez disso, convida o leitor a refletir sobre as complexidades do amor jovem, as contradições do amadurecimento e os limites da tolerância nas relações afetivas.

Manuel e Mia são personagens imperfeitos, com sonhos conflituosos e inseguranças típicas da idade. Talvez eles nunca tenham sido, na realidade, “feitos um para o outro” no sentido romântico idealizado, mas são, sim, retratos verossímeis da confusão que é crescer amando.

Em síntese, Feitos Um Para o Outro é uma obra recomendada para leitores que buscam mais do que um romance açucarado, que estejam dispostos a enfrentar as sombras e os incômodos do amor real. É um convite a entender que a vida adulta, com suas responsabilidades e escolhas, nem sempre permite finais lineares ou simples — e que o amor, por mais lindo que seja, também é um terreno de complexidade e desafio.

Você tem coragem de encarar Art, o Palhaço? Terrifier vira casa mal-assombrada no Halloween Horror Nights da Universal

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Foto: Reprodução/ Internet

Já sentiu aquele arrepio que não vem do frio, mas de um pressentimento? Uma sensação de que algo — ou alguém — está prestes a te encontrar no escuro? Pois prepare o psicológico: Art, o Palhaço, aquele mesmo que você jurou que nunca mais queria ver nem em sonho, está voltando. E agora ele tem uma nova casa: a Funhouse do terror abre as portas no Halloween Horror Nights, no Universal Orlando Resort a partir de 29 de agosto, e no Universal Studios Hollywood em 4 de setembro.

Sim, o vilão mais sádico e silenciosamente insano do terror contemporâneo acaba de sair das telas e ganhar vida em um labirinto físico, sujo, barulhento, grotesco — e deliciosamente assustador. Inspirada na franquia Terrifier, a nova atração promete uma experiência que vai muito além do susto: ela te coloca no epicentro do medo, onde a única certeza é que ninguém sai ileso (nem em paz).

Um parque de diversões onde o riso morre na garganta

A casa mal-assombrada recria o universo retorcido de Terrifier 2, com destaque para a Funhouse, o “parquinho” favorito de Art. Esqueça algodão-doce e roda-gigante: aqui, o espetáculo são as mortes brutais, os cheiros de carne queimada, os gritos abafados, as paredes que sangram. Cada corredor é um teste de nervos — e uma ode ao cinema de horror sem censura.

Os visitantes encontrarão Vicky, marcada pelas cicatrizes da sobrevivência, e a inquietante garotinha pálida, que parece ter saído direto de um delírio febril. O caos reina no Clown Café, o pavor ganha forma em um banheiro onde nem o espelho quer olhar pra você, e o Natal — aquele símbolo de aconchego — vira um desfile grotesco de desespero.

Terrifier: mais que terror — é desconforto com assinatura

Criada por Damien Leon e a Dark Age Cinema, a franquia Terrifier nasceu em 2008 e foi crescendo como um monstro que ninguém conseguiu ignorar. Com três filmes lançados e um quarto em produção, Art, o Palhaço (sem falas, sem explicações, só horror), se tornou um ícone do cinema underground — não pelo susto fácil, mas pela coragem de ir onde outros não vão.

Agora, ele vai ainda mais longe: do cinema para o seu pesadelo real. Porque no Halloween Horror Nights, a plateia não está segura na poltrona. Ela caminha. Respira o mesmo ar do monstro. E reza para sair dali inteira.

📍 Onde o terror acontece:
🎃 Universal Orlando Resort – a partir de 29 de agosto
🎃 Universal Studios Hollywood – a partir de 4 de setembro

🎢 Parte do evento Halloween Horror Nights
🎬 Inspirado na franquia Terrifier (Damien Leon)
🧟‍♂️ Personagens: Art, o Palhaço | Vicky | Garotinha Pálida | Clown Café | Natal Sinistro

A Melhor Mãe do Mundo acumula prêmios e fortalece candidatura ao Oscar 2026

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Foto: Reprodução/ Internet

“A Melhor Mãe do Mundo”, novo longa da diretora Anna Muylaert, ainda nem chegou aos cinemas brasileiros, mas já conquistou um espaço importante no circuito internacional. Com estreia marcada para o dia 7 de agosto, o filme vem acumulando prêmios em festivais prestigiados e se destacando como um dos títulos mais fortes do ano. A trajetória sólida coloca a produção como um possível nome do Brasil para disputar uma vaga no Oscar 2026, na categoria de Melhor Filme Internacional.

Uma história de fuga, recomeço e amor incondicional

A trama acompanha Gal, uma mulher que vive nas ruas de São Paulo com os filhos Rihanna e Benin, depois de fugir de um relacionamento abusivo. Catadora de recicláveis, Gal luta para recomeçar a vida em meio à dureza da cidade e à marginalização social. Mas sua força está no afeto: a maternidade, mesmo em meio ao caos, é o elo que sustenta sua caminhada. A atuação de Shirley Cruz é o coração do filme — potente, real e absolutamente comovente.

Elenco diverso e participações especiais marcantes

Além de Cruz, o elenco é um ponto alto da produção. Rejane Faria brilha no papel coadjuvante, ao lado de nomes como Luedji Luna, Rubens Santos e os jovens Rihanna Barbosa e Benin Ayo, que interpretam os filhos de Gal. O longa ainda conta com participações especiais surpreendentes, como Katiuscia Canoro, Lourenço Mutarelli e o rapper Dexter, que dão ainda mais autenticidade e força narrativa à obra.

Reconhecimento em Guadalajara e Recife

No 40º Festival Internacional de Cinema de Guadalajara (FICG), no México, A Melhor Mãe do Mundo conquistou três prêmios: Melhor Interpretação para Shirley Cruz, Melhor Roteiro para Anna Muylaert e Melhor Fotografia para Lílis Soares. Já no Cine PE, um dos principais festivais de cinema do Brasil, o filme foi a grande estrela da noite, vencendo em cinco categorias — incluindo Melhor Filme pelo Júri Oficial, Melhor Atriz (Shirley Cruz), Melhor Atriz Coadjuvante (Rejane Faria), Melhor Roteiro (Muylaert) e Melhor Montagem (Fernando Stutz).


Um filme brasileiro ganhando o mundo

A jornada do longa começou com sua estreia mundial no Festival de Berlim, e desde então ele vem ganhando espaço em importantes eventos internacionais. Na França, venceu no CinéLatino Toulouse, onde recebeu o Prêmio do Público, e no La Fiesta del Cine, em Nice. Também foi exibido no Canal+, aumentando sua visibilidade junto ao público europeu. Nos Estados Unidos, integrou a programação do San Francisco International Film Festival, reforçando sua presença global e alimentando expectativas em torno de uma possível campanha para o Oscar.

Agenda cheia antes da estreia nos cinemas

Antes da estreia oficial no Brasil, o filme ainda será exibido em dois eventos de peso. De 16 a 20 de julho, participa da Mostra Arte Caleidoscópio, e, entre 25 de julho e 2 de agosto, marca presença no Bonito CineSur. São exibições estratégicas que ajudam a manter o longa em evidência, aproximando-o de novos públicos e consolidando sua recepção crítica.

Anna Muylaert reafirma sua força no cinema nacional

Com A Melhor Mãe do Mundo, Anna Muylaert volta ao centro da discussão sobre o papel social e político do cinema brasileiro. Assim como em Que Horas Ela Volta?, ela dá protagonismo a mulheres que raramente são vistas com dignidade nas telas. Gal é sobrevivente, mãe, trabalhadora, mas, acima de tudo, é uma mulher que insiste em existir — mesmo quando o mundo insiste em apagá-la.

Nos cinemas a partir de 7 de agosto

Distribuído pela +Galeria, o longa estreia em circuito comercial no dia 7 de agosto. Se os prêmios já colocam o filme entre os destaques do ano, o que vem agora é o encontro com o público — aquele que sente, se identifica e se transforma diante de uma boa história. E A Melhor Mãe do Mundo tem tudo para ser uma das mais tocantes que o cinema brasileiro contou nos últimos tempos.

Crítica – Com Unhas e Dentes é pancadaria contra zumbis em ritmo de ação frenética — e nada além disso

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Imagine que o apocalipse zumbi começou… e quem está no centro do caos não é um soldado, nem um cientista genial, muito menos um sobrevivente comum. Quem pega a linha de frente aqui é um ex-lutador de Muay Thai, pronto para meter o cotovelo na fuça de morto-vivo. Assim é “Com Unhas e Dentes”, o novo longa tailandês que chega à Netflix com a missão de entreter sem prometer mais do que pode — e cumpre isso com sangue, suor e muitos chutes na cabeça.

💥 Pancadaria sincera, do jeito que a gente gosta

Dirigido por Kulp Kaljareuk, o filme não tenta reinventar o apocalipse. Ele sabe exatamente o que está fazendo: mistura dois gêneros adorados — zumbis frenéticos e artes marciais coreografadas — e entrega tudo isso num ritmo acelerado e sem frescura. A história é simples, direta e eficaz: Singh, vivido por Prin Suparat, só quer resgatar sua esposa, Rin, presa no hospital onde o surto começou. No caminho, encontra um menino perdido, algumas centenas de infectados famintos e muitas desculpas para descer a porrada.

🧠 Profundidade? Aqui não, irmão.

Com Unhas e Dentes não está interessado em metáforas, críticas sociais ou construção filosófica do apocalipse. Ele deixa isso pros filmes cabeça. Aqui, a narrativa é um videogame em carne e osso: missão, inimigos, lutas e o bom e velho “salvar quem se ama”. O roteiro de Nut Nualpang e Vathanyu Ingkawiwat aposta no clichê com convicção — e isso é parte do charme.

🤜 Zumbi não tem vez contra chute giratório

O que realmente diferencia o longa é a ação. Nada de armas mirabolantes ou explosões genéricas. O protagonista resolve tudo com o próprio corpo como arma. As lutas são coreografadas com precisão, ritmo e impacto. Singh transforma cada corredor do hospital em ringue, com zumbis servindo de saco de pancadas. É brutal, estiloso e, em alguns momentos, até engraçado — do jeito bom.

Se você é fã de filmes como Ong-Bak, Invasão Zumbi ou até aqueles clássicos de ação dos anos 90, vai se sentir em casa. E a fotografia não decepciona: câmera nervosa, muita sombra, closes em olhos arregalados e sangue espirrando como se fosse tinta de aquarela dark.

🧒 Um trio que segura a missão

Singh, Rin e o pequeno Buddy formam o trio que conduz a trama. Não espere profundidade psicológica — mas há carisma. Singh é um herói raiz, movido pela coragem bruta. Rin cumpre bem o papel de resistência emocional. E Buddy… bom, ele é a criança em perigo que serve de motor emocional (e faz a gente lembrar que zumbi e afeto nem sempre combinam).

Qual filme vai passar hoje (13) na Temperatura Máxima?

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Neste domingo, 13 de julho de 2025, a Temperatura Máxima traz uma das produções mais vibrantes e divertidas dos últimos anos: Jumanji: Bem-Vindo à Selva. Lançado em 2017, o filme é um reboot moderno que traz ação, humor e uma boa dose de nostalgia para quem cresceu com o clássico original dos anos 90. Prepare-se para embarcar em uma jornada onde videogames e selvas perigosas se misturam de forma surpreendente.

O enredo: adolescentes no corpo de heróis improváveis

A premissa é simples, mas muito eficaz: quatro adolescentes — cada um com suas características e inseguranças — encontram um antigo videogame chamado Jumanji. Ao ligarem o console, são literalmente transportados para dentro do jogo, assumindo avatares que são completamente opostos às suas personalidades. O nerd tímido vira um guerreiro musculoso, a garota popular se transforma em um homem atlético, e assim por diante.

O objetivo? Sobreviver a um mundo selvagem cheio de armadilhas, animais ferozes e inimigos perigosos, enquanto procuram uma saída para voltar ao mundo real. O filme mistura aventura e suspense com momentos de leveza e humor, explorando o desconforto e a transformação dos personagens ao longo da jornada.

Um elenco estrelado que rouba a cena

Parte do sucesso do filme está em seu elenco de peso, que entrega performances que vão muito além do esperado para uma aventura familiar. Dwayne Johnson, com sua presença imponente, lidera como Spencer, o nerd que ganha um corpo de herói. Sua química com Jack Black — que vive o avatar de um adolescente popular — rende momentos hilários e é um dos grandes destaques do filme. Black, conhecido por seus papéis cômicos e sua expressividade única, se destaca ao interpretar uma garota no corpo de um homem, trazendo humor e sensibilidade ao personagem.

Kevin Hart adiciona ainda mais energia à trama como o avatar impaciente e nervoso, equilibrando ação e comédia. Karen Gillan, a destemida Ruby Roundhouse, combina força e agilidade com um toque geek, o que dá um frescor à heroína tradicional. Além deles, Rhys Darby atua como o guia excêntrico dentro do jogo, oferecendo alívio cômico com seu humor nonsense e sotaque peculiar. Alex Wolff interpreta Spencer no mundo real, enquanto Nick Jonas tem um papel estratégico que complica e movimenta a trama.

Por que ‘Jumanji: Bem-Vindo à Selva’ conquistou o público?

Além do elenco talentoso, o filme acerta ao combinar efeitos visuais de alta qualidade, cenas de ação bem coreografadas e um roteiro que mistura aventura e comédia sem perder o ritmo. Ele também aborda temas contemporâneos como autoaceitação, superação de medos e a importância do trabalho em equipe, tudo embalado por um tom leve e descontraído.

A narrativa ressoa tanto com jovens, que se identificam com os personagens adolescentes e suas dificuldades, quanto com adultos, que apreciam a nostalgia e a dinâmica dos atores. É um filme que entretém diferentes gerações sem perder sua identidade.

Como assistir e aproveitar

Depois da exibição na Temperatura Máxima, você pode conferir Jumanji: Bem-Vindo à Selva nas principais plataformas digitais. Está disponível para streaming na Netflix para assinantes e também pode ser alugado no Prime Video a partir de R$ 11,90, garantindo opções para todos os perfis de público.

Seja pela TV ou pelo streaming, a selva de Jumanji continua a ser um convite irrecusável para quem quer se divertir, rir e sentir a adrenalina de uma aventura épica sem sair de casa.

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