Adeus, Preta Gil: a cantora morre aos 50 anos em Nova York após longa luta contra o câncer

0
Foto: Reprodução/ Internet

No domingo, 20 de julho de 2025, o Brasil vai dormir mais silencioso. O país perdeu uma de suas artistas mais espontâneas, combativas e amorosas: Preta Gil. A cantora, atriz, apresentadora e empresária faleceu aos 50 anos, em Nova York, após uma longa e corajosa batalha contra o câncer no intestino. A notícia foi confirmada por seu pai, Gilberto Gil, através de uma nota emocionada publicada nas redes sociais. A família agora se mobiliza para trazer o corpo de volta ao Brasil, onde será velada e homenageada com o afeto que ela sempre ofereceu ao mundo.

A despedida de Preta não é apenas o adeus a uma artista. É a perda de uma mulher que nunca teve medo de ser quem era. Uma figura que transformava vulnerabilidades em força, dor em arte, e escândalo em acolhimento. Uma voz que rompeu tabus, ampliou conversas e jamais se escondeu. O luto é nacional — e pessoal para milhares que se viam refletidos nela.

Uma guerreira diante da doença

Desde o diagnóstico de câncer no intestino em janeiro de 2023, Preta enfrentou a doença com uma transparência rara, mas sem perder a ternura. Compartilhou parte do tratamento nas redes sociais, entre sessões de quimioterapia e radioterapia, dividindo também momentos de introspecção e fé. Em agosto de 2024, passou por uma cirurgia delicada para remoção de tumores. O procedimento trouxe esperança, mas o câncer retornou, mais agressivo e em outras partes do corpo.

No início de 2025, Preta decidiu buscar um tratamento experimental nos Estados Unidos. Instalou-se em Nova York, onde ficou sob os cuidados de uma equipe especializada, realizando protocolos de terapia em Washington. Ela manteve o sigilo sobre os detalhes, mas sempre recebia manifestações de carinho, inclusive de fãs que organizavam orações e correntes de energia positiva. Foi uma luta digna, silenciosa e cercada de amor — como tudo o que ela fazia.

A voz que não queria pedir licença

Preta Maria Gadelha Gil Moreira nasceu no Rio de Janeiro em 8 de agosto de 1974. Filha de Gilberto Gil e da empresária Sandra Gadelha, já nasceu cercada de música, cultura e um nome que carregava cor e ancestralidade. Seu batismo gerou polêmica no cartório: o funcionário se recusou a registrar apenas “Preta”, obrigando os pais a adicionarem o “Maria”. Gil transformou o episódio em canção e bandeira. A filha, mais tarde, faria o mesmo com sua própria trajetória.

Demorou a se lançar profissionalmente na música. Seu primeiro álbum, Prêt-à-Porter, foi lançado em 2003, quando ela já tinha quase 30 anos. A capa do disco, com Preta nua, causou frisson na imprensa. Mais do que sensualidade, era um grito de independência — uma mulher fora dos padrões estéticos impostos pela indústria mostrando o corpo com orgulho. Mas o conservadorismo reagiu mal. “Me chamavam para entrevistas mais por causa do meu corpo do que da minha voz”, disse ela, anos depois, à Forbes Brasil.

Apesar das críticas e reduções, Preta seguiu em frente. Ampliou sua atuação como atriz — esteve no elenco da novela Agora É Que São Elas — e também como apresentadora. Em Caixa Preta, na Band, abriu espaço para debates sobre identidade, sexualidade, autoestima e representatividade.

No teatro, brilhou em 2006 com o espetáculo Um Homem Chamado Lee, em que interpretava uma travesti apaixonada por Rita Lee. Era provocação e afeto ao mesmo tempo. Música, performance, humor e denúncia. A síntese perfeita de tudo o que ela acreditava.

Uma artista que se fazia plural

Seu segundo álbum, Preta (2005), seguiu mostrando sua versatilidade. Mas foi com a turnê Noite Preta, em 2008, que ela fincou os pés no pop nacional. Os shows, sempre lotados, misturavam axé, funk, samba, tecnobrega e covers improváveis, como “Like a Virgin”, de Madonna. Ela subia ao palco de collant, salto e brilho, afirmando com o corpo e a música que ser quem se é pode — e deve — ser celebrado.

O DVD da turnê, gravado em 2009 no The Week Rio, é considerado um marco. Era o retrato de uma artista madura, com público cativo e muito mais a dizer do que se ouvia nas rádios.

Rainha do Carnaval e do amor livre

Se havia um lugar onde Preta Gil reinava absoluta, esse lugar era o Carnaval. O Bloco da Preta, criado por ela em 2009, virou um dos maiores do Rio de Janeiro. Em seus desfiles, a rua era tomada por diversidade, afeto, brilho e liberdade. Milhões de pessoas foram às ruas para dançar, cantar e se libertar ao som de sua voz.

Em 2013, o DVD comemorativo de 10 anos de carreira trouxe participações especiais de artistas como Ivete Sangalo, Anitta, Lulu Santos e Thiaguinho. Era um tributo à sua trajetória — e também um reflexo do quanto era querida por seus pares.

Preta sempre defendeu o direito de amar sem rótulos. Falava abertamente sobre sua bissexualidade e, mais tarde, pansexualidade. Era uma das poucas figuras públicas que abordavam essas questões sem medo, com empatia e escuta. Tornou-se porta-voz informal da comunidade LGBTQIA+, abrindo caminhos com palavras e ações.

Intensidade no palco e na vida

Na vida pessoal, Preta foi generosa e intensa. Casou-se três vezes, sendo mãe de Francisco — nascido em 1995, fruto do relacionamento com o ator Otávio Müller. Depois, viveu casamentos com Carlos Henrique Lima e Rodrigo Godoy. Em 2015, ganhou sua neta, Sol de Maria, e mergulhou em uma nova fase: a de avó moderna, divertida e amorosa.

Teve relacionamentos com Caio Blat, Paulo Vilhena, Marcos Mion — mas nunca permitiu que sua vida íntima se tornasse espetáculo. Sabia proteger seus afetos, sem abrir mão da verdade. Era amiga fiel, conselheira firme, e presença constante nas festas e nas dores de quem amava.

Muito além do microfone: a empresária visionária

Nos últimos anos, Preta também se destacou como uma figura de bastidor. Fundadora da Music2Mynd, empresa de agenciamento artístico e marketing de influência, ela foi mentora e ponte para uma nova geração de artistas.

Ajudou a construir carreiras, lapidar talentos e transformar digital em presença real. Sabia ler o momento cultural como poucas, e entendia que autenticidade era o diferencial. Acreditava em narrativas com propósito — e é isso que fazia brilhar seu trabalho com influenciadores, músicos e comunicadores.

Uma despedida que ecoa em milhões de corações

Com a confirmação da morte, o Brasil se cobriu de homenagens. Figuras como Ivete Sangalo, Caetano Veloso, Pabllo Vittar, Anitta, Gilberto Gil e fãs anônimos usaram as redes para agradecer a Preta pela coragem, generosidade e arte. A comoção não é apenas pela ausência, mas pelo reconhecimento da grandeza de alguém que transformou sua existência em farol para os outros.

O Ministério da Cultura emitiu nota oficial exaltando sua contribuição à cultura brasileira. Nas ruas do Rio, o Bloco da Preta deve se transformar em cortejo-homenagem em 2026. A despedida será pública, como sempre foi sua entrega: coletiva, vibrante, emocionada.

Preta para sempre: uma mulher que não cabia em moldes

Preta Gil não era só filha de Gilberto. Não era só a cantora do bloco. Nem só a empresária por trás das câmeras. Ela era tudo isso — e muito mais. Uma mulher que viveu de peito aberto, com erros e acertos, com dores e conquistas, com arte e afeto.

Seu legado é um convite: a viver sem pedir desculpas. A amar sem rótulo. A ocupar o espaço com o corpo que se tem. A transformar traumas em potência. A rir alto. A chorar junto. A dançar até o fim.

Na sua última entrevista antes de viajar para os EUA, ela deixou uma frase que hoje soa como testamento: “Se eu for embora amanhã, que saibam que eu fui muito amada. E que amei também. Muito. Com tudo que eu tinha.”

Você foi, Preta. Você é. E sempre será.

Obrigado, Preta Gil, por tudo que foi — e por tudo que nos ensinou a ser.

Ariana Grande terá música inédita em “Wicked: Parte 2”, sequência do musical de sucesso

0
Foto: Reprodução/ Internet

A magia da Terra de Oz está longe de acabar. A sequência do musical que conquistou o mundo, Wicked, promete trazer uma novidade especial para os fãs: uma canção inédita interpretada por Ariana Grande, que retorna ao papel de Glinda, a Bruxa Boa do Sul. A informação veio de quem conhece os bastidores da produção — o decorador Lee Sandales e o designer de produção Nathan Crowley, em entrevista ao portal Set Decor. As informações são da CNN.

Um momento só para Glinda

A nova música, intitulada “Girl in The Bubble”, será cantada por Ariana Grande em uma cena íntima, ambientada na luxuosa suíte de Glinda na famosa Cidade das Esmeraldas. A composição é assinada por Stephen Schwartz, compositor responsável pela trilha original do musical da Broadway. A canção promete revelar um lado mais profundo e talvez até vulnerável da personagem que, até agora, encantou plateias com sua energia vibrante e presença magnética.

O diretor Jon M. Chu já havia dado pistas sobre a inclusão de faixas inéditas na sequência, confirmando que, além da música para Glinda, haveria também uma para Elphaba, personagem interpretada por Cynthia Erivo. A expectativa agora é para conhecer como esses novos momentos musicais vão se encaixar na história que ainda está por vir.

Clássicos que emocionam e novas melodias que surpreendem

Quem assistiu à primeira parte de Wicked sabe que a trilha sonora é uma peça-chave para o sucesso do filme. E Wicked: Parte 2 manterá a tradição de trazer de volta as canções que já são hinos para os fãs, como:

  • “For Good”, a música que celebra a amizade e a transformação pessoal;
  • “No Good Deed”, que entrega toda a força e o drama da personagem Elphaba;
  • “Thank Goodness”, que mistura leveza e crítica social.

Junto com essas canções, as novidades prometem refrescar o espetáculo e dar novas camadas emocionais à trama.

O primeiro filme que conquistou corações

Lançado em novembro de 2024, Wicked: Parte Um já deixou uma marca profunda. A história de Elphaba e Glinda, interpretadas por Cynthia Erivo e Ariana Grande, conquistou público e crítica, combinando fantasia, emoção e um olhar atual sobre temas como identidade e aceitação.

Com uma bilheteria que ultrapassou os US$ 700 milhões, o filme se tornou um dos maiores sucessos do ano, abrindo caminho para a tão aguardada continuação. O carisma da dupla protagonista, a riqueza dos cenários e a força das músicas foram alguns dos ingredientes que fizeram o público querer mais.

O que vem por aí em Wicked: Parte 2?

A continuação promete mergulhar mais fundo na trajetória de Elphaba, mostrando como ela se torna a temida Bruxa Má do Oeste, enquanto a amizade entre ela e Glinda enfrenta provações e escolhas difíceis. A nova música de Ariana, situada em sua suíte na Cidade das Esmeraldas, será um momento para o público enxergar além do brilho e da alegria que a personagem costuma mostrar.

A estreia está marcada para 20 de novembro de 2025 no Brasil — um dia antes do lançamento nos Estados Unidos — e os fãs já contam os dias para voltar a esse universo mágico.

Um elenco e produção de excelência

Além de Ariana Grande e Cynthia Erivo, o filme conta com nomes como Michelle Yeoh, Jeff Goldblum e Jonathan Bailey, entre outros, em papéis de apoio que enriquecem a narrativa. Os cenários assinados por Lee Sandales e Nathan Crowley prometem transportar o público para uma Oz ainda mais vibrante e encantadora, reforçando o cuidado com cada detalhe visual.

Por que Wicked ressoa tanto com o público?

Desde o início nos palcos da Broadway, Wicked chamou atenção por seu olhar humano sobre personagens que antes eram vistos apenas como “vilões”. A narrativa mostra as camadas de Elphaba e Glinda, suas vulnerabilidades, escolhas e a complexidade das relações humanas. Isso gera identificação e empatia, especialmente para quem já se sentiu diferente ou à margem.

A entrada de Ariana Grande, com sua voz poderosa e influência pop, ampliou o alcance da história para uma nova geração, que encontrou nela uma representante da coragem e da autenticidade.

A música que já nasceu especial

A expectativa para “Girl in The Bubble” é grande. A colaboração com Stephen Schwartz, que ajudou a criar os clássicos originais, garante que a nova faixa terá a mesma qualidade e sensibilidade que conquistaram milhões. Para Ariana, a música é uma oportunidade de mostrar novas facetas de Glinda, e para os fãs, um presente que une tradição e inovação.

Contagem regressiva

Com tudo isso, Wicked: Parte 2 promete não apenas continuar a história, mas aprofundar sentimentos e ampliar o universo mágico que tantos amam. Em novembro de 2025, será hora de voltar a Oz, se emocionar e cantar junto — agora com uma canção inédita que deve ficar para sempre na memória.

“O Retorno” | Ralph Fiennes e Juliette Binoche vivem drama épico e visceral na releitura sombria da Odisseia

0

Imagine Odisseu não como o herói invencível da mitologia grega, mas como um homem esgotado, marcado por duas décadas de guerras, ausências e arrependimentos. Assim é “O Retorno”, drama épico dirigido por Uberto Pasolini, que estreia nos cinemas brasileiros em 4 de setembro, com distribuição da O2 Play. Estrelado por Ralph Fiennes e Juliette Binoche, o longa é uma releitura sóbria e profundamente emocional da última parte da Odisseia, clássico de Homero — agora sem criaturas mitológicas, mas com muita humanidade à flor da pele.

Após estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Toronto (TIFF) em 2024, o filme marca o reencontro histórico de Fiennes e Binoche quase três décadas após o clássico “O Paciente Inglês”, vencedor do Oscar. Na nova produção, os dois mergulham em personagens complexos, carregados de perdas, silêncios e escolhas que moldaram o destino de uma família e de um reino.

Um herói despido da mitologia

O longa recusa a grandiosidade típica das adaptações de Homero. O que vemos é um Odisseu envelhecido, irreconhecível até para os seus, que chega à ilha de Ítaca como um náufrago de si mesmo, nu na areia, mais espectro do que homem. A direção de Pasolini opta por retratar o herói sem glória, mas com profundidade — um soldado marcado pelas feridas da guerra e pela dor do tempo perdido.

O roteiro, assinado por Edward Bond e John Collee, opta por uma abordagem intimista: sem deuses, sem monstros, sem milagres. Apenas as consequências humanas de duas décadas de guerra e ausência. A câmera se aproxima mais das expressões do que dos combates, dando protagonismo ao que arde por dentro.

Penélope: a fortaleza silenciosa

Juliette Binoche interpreta Penélope com a gravidade de quem segurou um império em ruínas com as próprias mãos. Pressionada por pretendentes que querem ocupar o trono deixado vago, ela se mantém firme, tecendo a mortalha do sogro como forma de adiar uma decisão inevitável. Sua resistência é feita de gestos sutis, de escolhas simbólicas, de uma fé silenciosa na volta de um homem que o mundo já deu como morto.

A relação entre Penélope e Odisseu, quando finalmente se reencontram, não é marcada por explosões emocionais, mas por camadas de ressentimento, saudade e reconhecimento tardio. Binoche oferece uma atuação contida e poderosa, equilibrando dor e dignidade.

Telêmaco: entre o pai ausente e o presente desmoronando

Charlie Plummer dá vida a Telêmaco, o filho deixado para trás, agora um jovem dividido entre o dever e a mágoa. Ao reencontrar o pai, não há idealização: há confronto, mágoa e cobranças. A juventude de Telêmaco é atravessada pelo peso de um legado que ele não pediu, e por uma ausência que moldou sua identidade.

Sua trajetória no filme é tanto uma busca por pertencimento quanto uma libertação. No fim, é ele quem decide partir, não como fuga, mas como uma afirmação: o ciclo precisa ser quebrado.

Um drama visualmente sóbrio e emocionalmente denso

Rodado em locações na Grécia e na Itália, especialmente em Corfu e no Peloponeso, o filme possui uma fotografia elegante, mas jamais espalhafatosa. O cenário natural dialoga com o tom melancólico da narrativa. Os silêncios pesam, e a trilha sonora composta por Rachel Portman (executada pela Roma Film Orchestra) reforça a carga emocional com delicadeza.

Diferente de outras adaptações que apostam no espetáculo, O Retorno aposta na crueza da experiência humana, em olhares que dizem mais que palavras, em mãos calejadas que carregam o passado como cicatriz.

Sangue, vingança e esgotamento

A sequência do arco — famosa na Odisseia — ganha uma roupagem mais sombria e visceral. Odisseu, disfarçado, vence os pretendentes em um desafio de arco e flecha, revelando sua identidade. Em seguida, o massacre. Flechas voam, portas se fecham, a vingança se cumpre. Mas não há catarse.

O pedido de Penélope para que seu filho poupe Antínoo, o mais violento dos pretendentes, é ignorado. Telêmaco o mata, e sua mãe, horrorizada, percebe que o retorno não trouxe paz — apenas mais morte. A violência que Odisseu tentou deixar para trás o seguiu até em casa.

Bastidores de um projeto sonhado por décadas

O diretor Uberto Pasolini planejava adaptar a Odisseia há mais de 30 anos. Em 2022, finalmente tirou o projeto do papel com produção internacional envolvendo Itália, Grécia, Reino Unido e França. O orçamento de US$ 20 milhões é modesto para um épico, mas usado com precisão e sobriedade. A estreia nos Estados Unidos aconteceu em dezembro de 2024, com lançamento no Reino Unido em abril de 2025.

South Park renova contrato por cinco anos e reforça sua presença global com exclusividade no Paramount+

0

Após quase três décadas provocando risos e reflexões ao redor do mundo, South Park escreve mais um capítulo em sua trajetória com a renovação de contrato por cinco anos entre os co-criadores Trey Parker e Matt Stone, a Paramount Global, Park County e South Park Digital Studios. Além de garantir 50 episódios inéditos, o acordo leva toda a série — 26 temporadas que documentam uma verdadeira revolução do humor — para uma plataforma inédita: o Paramount+, que se tornará o único lugar a abrigar esse vasto universo de personagens e histórias, acompanhando a estreia da nova temporada marcada para julho.

Uma amizade que virou revolução

Trey Parker e Matt Stone não criaram apenas um desenho animado; eles construíram uma voz singular, que mistura irreverência, crítica social e uma dose pesada de ousadia. De uma parceria que começou na juventude, nasceu um universo que descontrói tabus e expõe as contradições humanas com uma honestidade brutal — e hilária.

É impressionante pensar que o que começou como uma produção artesanal, cheia de limitações técnicas e muita criatividade, hoje é um dos maiores patrimônios da cultura pop mundial. O sucesso, porém, não os acomodou. Pelo contrário: a dupla segue comprometida com a evolução da série e com seu papel de espelho da sociedade.

Humor com propósito: provocando pensamentos, não apenas risadas

O que diferencia South Park não é apenas o estilo de animação ou as piadas rápidas, mas sua capacidade incomum de abordar temas espinhosos sem perder o tom. Políticas, religião, cultura, comportamento — nenhum assunto escapa da lente crítica da série, que consegue entreter e fazer pensar ao mesmo tempo.

Essa abordagem, que pode ser desconcertante para alguns, é o que mantém a série viva e relevante para novas gerações. É um convite constante para questionar, rir e refletir, mesmo que isso signifique incomodar.

O momento de mudança: do canal para o streaming com exclusividade

O anúncio de que todo o conteúdo de South Park — incluindo o catálogo completo de 26 temporadas e os novos episódios — será exclusivo do Paramount+ representa mais que uma simples mudança de endereço digital. É um movimento estratégico que reconhece as transformações no consumo de mídia, onde o público busca acesso fácil, flexível e personalizado.

Para os fãs, isso significa ter tudo o que amam em um só lugar, pronto para maratonar, revisitar clássicos e acompanhar as novidades assim que saem do forno. Para a Paramount, é uma oportunidade de fortalecer sua plataforma e criar experiências mais ricas e interativas para os usuários.

A equipe por trás do sucesso: uma fábrica de talento e inovação

Por trás de toda essa revolução criativa, existe uma equipe dedicada e apaixonada. Além de Trey e Matt, a produção conta com executivos como Anne Garefino e Frank C. Agnone II, que ajudam a manter o ritmo e a qualidade da série. Profissionais como Eric Stough, Adrien Beard, Bruce Howell e Vernon Chatman dão vida às histórias com seu trabalho árduo e talento.

Christopher Brion, diretor criativo da South Park Digital Studios, assume o papel de guardião da identidade visual da série, garantindo que a estética simples, mas marcante, permaneça intacta e continue conectando fãs ao redor do mundo.

O impacto global de uma pequena cidade fictícia

Embora situada em uma pequena cidade do Colorado, South Park exerce uma influência global. A série é um espelho das contradições humanas, capaz de abordar temas universais que ultrapassam culturas e idiomas. O Brasil, por exemplo, tem uma legião fiel de fãs que enxergam na série não apenas humor, mas uma forma de crítica social que dialoga com a realidade local.

Um compromisso para os próximos cinco anos e além

Trey Parker e Matt Stone expressam com clareza o que a renovação significa para eles. Mais do que um contrato, é um compromisso com a equipe, os fãs e a cultura que construíram ao longo de anos.

“Continuamos animados para criar histórias que desafiam e divertem ao mesmo tempo. É uma responsabilidade que levamos a sério, pois sabemos o quanto South Park significa para as pessoas,” afirma Parker.

Stone acrescenta: “Essa série é um reflexo do mundo em que vivemos — e pretendemos continuar usando essa plataforma para provocar, debater e, claro, fazer rir.”

O futuro da série: mais do que episódios, uma experiência

O Paramount+ não será apenas um repositório para episódios; a expectativa é que o streaming ofereça novas formas de interação, conteúdos extras, bastidores e até formatos inovadores que ampliem o universo de South Park. É uma nova etapa que combina tradição e inovação.

Por que South Park é essencial até hoje?

Saber envelhecer com graça — e relevância — é uma arte, e South Park a domina com maestria. A série nunca teve medo de se reinventar, de abraçar o novo sem perder sua identidade.

Enquanto outras produções desaparecem ou se tornam datadas, South Park segue firme porque faz o que poucos conseguem: ser um termômetro cultural, refletindo nossos tempos com sinceridade, coragem e humor.

Com cinco novos anos de histórias garantidas e uma presença digital robusta, South Park se consolida como um fenômeno que transcende entretenimento, transformando-se em parte da conversa cultural global.

Para Trey, Matt e toda a equipe, o desafio é claro: continuar surpreendendo, provocando e entretendo um público cada vez mais diverso e exigente — tudo isso sem perder a essência que conquistou o mundo.

“Monsieur Aznavour” chega às telonas com imagens inéditas e narrativas do próprio artista

0
Foto: Reprodução/ Internet

Charles Aznavour não foi apenas um cantor. Foi um contador de histórias. Um poeta da fragilidade. Um homem que, sem ter nascido com o que muitos chamariam de uma “voz poderosa”, conquistou o mundo com sua autenticidade e capacidade ímpar de emocionar. Agora, em 2025, esse legado ganha uma nova forma de pulsar: nas salas de cinema. O longa-metragem “Monsieur Aznavour”, dirigido com sensibilidade por Mehdi Idir e Grand Corps Malade, estreia nos cinemas brasileiros, prometendo não apenas emocionar os fãs do artista francês, mas também apresentar sua humanidade tocante a uma nova geração.

A História Por Trás do Ícone

Charles Aznavour nasceu Shahnour Vaghinag Aznavourian, em Paris, em 1924, filho de imigrantes armênios que fugiram do genocídio. Desde cedo, sua vida foi marcada por deslocamentos — não apenas geográficos, mas emocionais. Vindo de uma família pobre e enfrentando discriminação, o jovem Aznavour desde muito cedo teve que aprender a se fazer ouvir num mundo que o ignorava.

Ele não tinha a “voz perfeita”. Pelo contrário: rouca, nasal e nada convencional. Ainda assim, foi justamente essa diferença que se transformou em sua maior força. Aznavour fez da sua vulnerabilidade um recurso poético. Compôs mais de 1.200 canções, gravou em nove idiomas, vendeu mais de 180 milhões de discos e foi aplaudido em palcos do mundo inteiro. Sua música foi espelho, abraço, confissão.

E é esse homem que o filme “Monsieur Aznavour” busca revelar — não apenas o astro, mas o ser humano por trás da fama.

Um Filme de Emoções Verdadeiras

Mais do que uma cinebiografia, “Monsieur Aznavour” é um retrato íntimo de um artista em permanente conflito consigo mesmo e com o mundo ao redor. Interpretado com intensidade por Tahar Rahim (conhecido por “O Profeta” e “Gladiador 2”), o cantor ganha vida nas telas em uma narrativa que passeia por seus altos e baixos, com foco especial em sua juventude, sua relação com a família e os dilemas existenciais que permeavam sua alma inquieta.

O filme não tenta glorificar Aznavour com clichês. Em vez disso, o apresenta como um homem feito de contradições: tímido e ousado, inseguro e determinado, romântico e desencantado. Essa complexidade, captada em cenas silenciosas, diálogos econômicos e atuações emocionantes, é o que torna “Monsieur Aznavour” tão envolvente.

A direção acerta ao evitar uma abordagem linear. A narrativa avança e recua no tempo, como se fosse uma canção do próprio Aznavour. Somos levados da infância difícil aos primeiros fracassos, das dúvidas sobre sua identidade até o momento em que sua arte começa a encontrar ressonância nos corações do público.

O Poder da Palavra e da Canção

Ao contrário de outros artistas da chanson française, Aznavour não dependia de metáforas rebuscadas ou grandes orquestrações. Sua força vinha da crueza. Ele falava de amor, solidão, morte, desejo e arrependimento de forma direta, porém arrebatadora. E o filme incorpora isso à sua linguagem visual.

Em diversas cenas, o espectador é convidado a mergulhar nas letras de suas canções, que surgem quase como monólogos internos do personagem. Músicas como “La Bohème”, “Hier Encore” e “She” não são apenas trilha sonora, mas elementos narrativos que conduzem a jornada emocional.

Essa escolha revela um profundo respeito dos diretores pelo legado do artista, tratando sua obra não apenas como pano de fundo, mas como a alma do filme.

Performance de Tahar Rahim: Uma Entrega Completa

A escolha de Tahar Rahim para o papel principal foi certeira. O ator francês de origem argelina traz uma vulnerabilidade rara à tela, sem jamais cair na caricatura. Seu olhar, muitas vezes melancólico, carrega uma história inteira mesmo quando não há palavras. É uma performance contida, mas profundamente tocante — que ecoa a própria essência de Aznavour.

Rahim não tenta imitar a voz do cantor. Ele o interpreta de dentro para fora, priorizando os gestos, os silêncios, as hesitações. E, assim como o homenageado, conquista não por grandiloquência, mas por verdade.

Não é a primeira vez que Charles Aznavour aparece nas telas. Ele próprio atuou em mais de 60 filmes, incluindo obras de diretores como François Truffaut (“Atirem no Pianista”) e Volker Schlöndorff. Aznavour sempre foi um artista multimídia, cuja presença transcendia o palco.

Mas esta é a primeira vez que sua história é contada de forma tão intimista, e por um olhar contemporâneo. O longa recebeu quatro indicações ao César, o mais importante prêmio do cinema francês, e já é considerado um dos retratos biográficos mais sensíveis do ano.

A estreia de “Monsieur Aznavour” chega ao Brasil em um momento em que a arte se faz mais necessária do que nunca. Num tempo de ruídos constantes, o silêncio poético de Aznavour se torna um refúgio. O filme está em cartaz em salas selecionadas pelo país, com destaque para cinemas de curadoria mais autoral, como o Reserva Cultural, o Espaço Petrobras de Cinema, o REAG Belas Artes, entre outros.

Em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Salvador, Niterói, Brasília e São José dos Campos, o público terá a chance de assistir ao longa em exibições que privilegiam a imersão e a experiência sensorial.

As distribuidoras apostam também em sessões comentadas, debates e ações especiais voltadas a fãs da música francesa, estudantes de cinema e amantes da chanson.

No Domingo Maior (27/07), Globo exibe o thriller de ação francês “Anna – O Perigo Tem Nome”

0
Foto: Reprodução/ Internet

Neste domingo, 27 de julho de 2025, o Domingo Maior da TV Globo apresenta um suspense eletrizante que mistura espionagem internacional, glamour e violência silenciosa: “Anna – O Perigo Tem Nome”. O longa francês, dirigido por Luc Besson, mergulha o público em uma trama repleta de reviravoltas, com uma protagonista que vive à sombra de duas identidades: de um lado, a modelo cobiçada por grifes de luxo ao redor do mundo; do outro, uma das assassinas mais mortais da KGB.

Estrelado pela estreante Sasha Luss, o filme reúne também um elenco de peso com Helen Mirren, Luke Evans e Cillian Murphy em papéis que ampliam as camadas de tensão e manipulação. Lançado originalmente em 2019, o thriller é, ao mesmo tempo, uma história de ação acelerada e um retrato sombrio de como governos, sistemas e até o glamour da moda podem ser usados para prender uma pessoa dentro de uma vida que ela nunca escolheu.

Anna – O Perigo Tem Nome propõe mais do que entretenimento. Propõe um mergulho psicológico na vida de uma mulher usada como arma, objeto de desejo e peça de um tabuleiro geopolítico no qual suas emoções são ignoradas e seu único desejo — a liberdade — parece inalcançável.

Foto: Reprodução/ Internet

Anna Poliatova: entre passarelas e silêncios mortais

A história de Anna começa em Moscou, no fim dos anos 80. A jovem Anna vive em meio à miséria, sem expectativas, vendendo pequenas bugigangas e tentando escapar da violência doméstica. Tudo muda quando é “descoberta” por um olheiro de modelos e convidada a se mudar para Paris, onde poderia ter uma nova vida.

A promessa de liberdade, no entanto, é ilusória. O que Anna realmente encontra é um novo tipo de prisão: ela é recrutada pela KGB, e sua verdadeira função será executar missões secretas como assassina de elite, eliminando alvos estratégicos sob o comando direto da agente Olga (Helen Mirren). Treinada para matar sem hesitação e para se adaptar a qualquer ambiente, Anna passa a viver uma vida dupla — modelo internacional durante o dia, agente letal durante a noite.

O contraste entre a vida de modelo e a rotina de agente secreta se torna o grande conflito interno da personagem. Anna é apresentada como uma mulher fria, calculista e disciplinada. Mas aos poucos, o filme revela suas fraturas: os traumas, a ansiedade contida e o medo constante de que tudo à sua volta seja apenas mais uma mentira.

Sasha Luss: uma protagonista que carrega tensão e vulnerabilidade

A escolha de Sasha Luss, modelo russa de passarelas, para o papel principal pode ter surpreendido na época do lançamento. Ainda que não tivesse uma carreira consolidada como atriz, sua presença em cena é hipnótica. Ela entrega um desempenho que equilibra fragilidade e brutalidade, silêncio e explosão. Seus olhos carregam mais do que a beleza das campanhas de moda — carregam peso, raiva, dúvida.

Anna é uma personagem que poucas vezes diz tudo o que sente. Grande parte de sua atuação está nos gestos sutis, na rigidez do corpo, no olhar que oscila entre o desejo de fugir e a conformidade com o destino que lhe impuseram. Não se trata de uma heroína clássica, tampouco de uma vilã. Anna é humana, é falha, e justamente por isso é fascinante.

Helen Mirren: frieza elegante em forma de comando

Do outro lado dessa relação de poder está Olga, interpretada por uma Helen Mirren afiadíssima. Ela é a agente responsável por comandar a operação da KGB da qual Anna faz parte. Sua performance mistura sarcasmo, autoritarismo e uma frieza quase maternal. Olga não é uma antagonista caricata. Ela representa o sistema: calculista, impiedosa e ao mesmo tempo dependente das pessoas que manipula.

Helen Mirren transforma Olga em uma figura contraditória. Ela protege Anna, treina Anna, admira Anna — mas está sempre pronta para descartá-la. É a típica liderança que valoriza os resultados e despreza a pessoa por trás da função. Em vários momentos, suas falas soam como conselhos, mas têm o tom de ameaça.

Espiões, traições e o jogo duplo com a CIA

Enquanto lida com a pressão de Olga e as missões impostas pela KGB, Anna também se vê envolvida com Leonard Miller, agente da CIA vivido por Cillian Murphy. Esse novo envolvimento oferece uma falsa esperança de liberdade. Miller propõe a Anna um acordo: se colaborar com a CIA, ela poderá escapar da KGB e reconstruir sua vida.

Mas o que parece ser uma saída é apenas mais um círculo vicioso. Anna passa a trabalhar como agente dupla, correndo riscos de ambos os lados. Luke Evans interpreta Alex Tchenkov, outro membro da KGB que mantém um relacionamento ambíguo com Anna — misto de paixão e vigilância. A sensação é de que, não importa o caminho que escolha, Anna está sempre cercada.

O roteiro aposta em flashbacks e saltos temporais para ir revelando as camadas ocultas das ações de Anna. Nada é o que parece. Cada cena adiciona uma nova perspectiva, forçando o espectador a reconstruir o passado da personagem a partir de peças soltas. Isso intensifica a tensão e transforma o filme quase em um quebra-cabeça narrativo.

Foto: Reprodução/ Internet

O glamour como disfarce: o submundo da moda

A ambientação do universo da moda cumpre um papel crucial na narrativa. Anna desfila em Paris, viaja para Milão, posa para campanhas, vive cercada por câmeras e holofotes. Mas esse brilho é apenas uma fachada para suas ações sombrias. O filme expõe como o luxo pode servir como cortina de fumaça para o horror — e como Anna usa a superficialidade da indústria fashion para se esconder à vista de todos.

A direção de arte e os figurinos reforçam essa dualidade. Enquanto a personagem brilha com roupas elegantes, por baixo do tecido há sempre um coldre escondido, uma arma na bolsa, uma rota de fuga. O filme desafia o espectador a enxergar além da aparência, tanto da protagonista quanto do mundo ao seu redor.

Luc Besson retorna ao seu território mais conhecido

Com Anna, Luc Besson revisita o gênero que o consagrou. Depois de sucessos como Nikita (1990) e O Quinto Elemento (1997), ele volta a colocar uma mulher no centro de uma trama violenta e ambígua. A estética do diretor está presente: os ângulos estilizados, as sequências de ação coreografadas como dança, e os dilemas morais disfarçados de suspense.

No entanto, Anna tem um tom mais melancólico e cínico. Não há promessas de redenção ou de justiça. O que existe é uma mulher tentando sobreviver — e, quem sabe, encontrar uma brecha para finalmente viver sob seus próprios termos.

Recepção e legado: um filme subestimado?

Apesar de sua proposta ousada e estilo visual refinado, Anna – O Perigo Tem Nome teve uma recepção morna da crítica. Com 33% de aprovação no Rotten Tomatoes, foi visto por muitos como um repeteco de fórmulas anteriores. No entanto, entre o público, a resposta foi consideravelmente mais positiva, com aprovação de 75% no mesmo site e um “B+” no CinemaScore.

O filme arrecadou pouco mais de 31 milhões de dólares ao redor do mundo — uma bilheteria modesta, mas que não impediu Anna de conquistar um espaço cult entre fãs de thrillers de espionagem. Há quem defenda que o longa seja redescoberto, especialmente por sua protagonista complexa e pelo subtexto sobre abuso de poder e opressão institucional.

Anna, o perigo e a liberdade como ilusão

No centro de tudo, está Anna Poliatova. Uma mulher que, em busca de uma saída, é jogada em caminhos cada vez mais sombrios. Seu maior inimigo não é a CIA, nem a KGB. É o sistema que a força a viver papéis que não escolheu. É a constante sensação de que sua liberdade nunca será plena enquanto ela for útil a alguém mais poderoso.

No fim, Anna – O Perigo Tem Nome é sobre identidade, manipulação e resistência. É sobre como, mesmo em silêncio, uma mulher pode lutar para ser mais do que uma função. E sobre como, às vezes, o mais perigoso não é o que se vê — mas o que se esconde por trás de um sorriso ensaiado, de um salto alto e de um olhar frio.

Onde posso assistir?

Além da exibição na Record TV, o público que quiser conferir Anna – O Perigo Tem Nome também pode assistir ao filme em diferentes plataformas de streaming. Assinantes da Netflix e do Telecine têm acesso liberado ao título por meio da assinatura, aproveitando toda a imersão do thriller de espionagem com qualidade e praticidade. Já para quem prefere alugar o longa, a opção está disponível no Prime Video, com valores a partir de R$ 14,90

“Estranho Jeito de Amar” emociona e conquista 8 indicações no Festival MT Queer Premia 2025

0
Foto: Julio Andrade/ Reprodução

“A gente não quer só amor. A gente quer ser visto, compreendido e respeitado.” A frase é dita por um dos protagonistas de Estranho Jeito de Amar, mas poderia facilmente resumir o impacto social e artístico dessa websérie que, desde sua estreia no YouTube, tem arrebatado uma legião de fãs e conquistado elogios da crítica. Agora, a produção independente acaba de atingir um novo marco em sua trajetória: recebeu oito indicações ao MT Queer Premia 2025, um dos mais relevantes festivais dedicados à diversidade no audiovisual brasileiro.

Protagonizada por Rodrigo Tardelli e Allan Ralph, Estranho Jeito de Amar mergulha com sensibilidade e coragem em uma temática que ainda é pouco explorada na ficção brasileira: relacionamentos abusivos entre homens gays. Com roteiro denso, atuações emocionantes e uma estética marcada pela intimidade e crueza, a série traz à tona feridas abertas e silêncios impostos, revelando as múltiplas camadas de afeto, dor, dependência e superação que atravessam a vida de seus personagens.

Um amor que fere — e liberta

A primeira temporada da série apresenta o cotidiano do casal interpretado por Rodrigo e Allan: um relacionamento que, à primeira vista, parece repleto de cumplicidade e paixão. Mas à medida que os episódios avançam, a relação vai se revelando marcada por ciúmes excessivos, manipulação e violência emocional, num retrato potente do ciclo de abusos que muitas pessoas LGBTQIAPN+ enfrentam — e que raramente encontram espaço para ser discutido na ficção.

Rodrigo Tardelli, que além de ator é um dos idealizadores do projeto, conta que a ideia surgiu da necessidade de retratar formas de violência muitas vezes invisibilizadas, especialmente entre casais do mesmo sexo. “Durante muito tempo, a única imagem que tínhamos de casais LGBTQIAPN+ na mídia era ou a caricatura ou o romance idealizado. Mas existem dores que a gente precisa nomear. E a violência em relações afetivas queer é uma delas.”

A produção foi toda realizada com recursos próprios e por uma equipe enxuta, formada majoritariamente por profissionais LGBTQIAPN+.

“Cada cena era pensada com muito cuidado. A gente não queria apenas mostrar o que é um relacionamento tóxico, mas também mostrar como isso afeta profundamente a autoestima, a saúde mental, a percepção do outro e de si mesmo”, completa Allan Ralph, indicado junto de Rodrigo na categoria Melhor Ator (Drama).

Indicações refletem potência artística e relevância social

As oito indicações recebidas pela série não vieram por acaso. O reconhecimento abrange desde categorias técnicas, como Melhor Fotografia e Melhor Produção, até prêmios de destaque, como Melhor Roteiro (Drama), Melhor Direção, Melhor Elenco e Melhor Série.

“É emocionante ver que uma história como a nossa, feita com tanta garra, está sendo reconhecida em tantas frentes. O MT Queer Premia entende que a representatividade vai além de colocar personagens LGBTQIA+ na tela. Trata-se de mostrar nossas dores, nossos amores, nossas contradições — tudo com humanidade e respeito”, comenta Rodrigo, visivelmente emocionado.

O Festival MT Queer Premia é realizado anualmente em Cuiabá, capital de Mato Grosso, e já se tornou um dos principais eventos culturais do Centro-Oeste. Criado em 2016, o coletivo MT Queer é uma iniciativa que combina arte, militância e educação, promovendo ações de visibilidade, capacitação e acolhimento voltadas à comunidade LGBTQIAPN+ em todo o Brasil.

A premiação deste ano está marcada para o dia 19 de outubro, e promete reunir grandes nomes do cinema queer brasileiro, além de artistas independentes, militantes, produtores e entusiastas da diversidade.

Um festival para quem ousa narrar o silenciado

“A presença de Estranho Jeito de Amar entre os indicados não é só uma conquista artística. É uma conquista política. É a afirmação da potência das nossas histórias contadas com coragem, verdade e afeto”, diz Rodrigo. Ele destaca que o festival valoriza “quem ousa narrar o que ainda é silenciado”, e acredita que essa representatividade genuína pode transformar vidas.

Para a organização do MT Queer, o impacto de obras como essa ultrapassa a tela. “Quando vemos uma série que trata de abuso em relações homoafetivas com essa profundidade e sensibilidade, percebemos o quanto o audiovisual pode ser uma ferramenta de conscientização, empatia e transformação”, comenta Laís Farias, uma das curadoras do festival.

Segundo ela, Estranho Jeito de Amar marca um novo momento da produção audiovisual independente LGBTQIAPN+ no Brasil: “Estamos vendo narrativas que não têm medo de tocar em feridas, de problematizar, de provocar debate. E isso é fundamental para que a arte cumpra também seu papel social.”

Vozes que ecoam

Desde que estreou no YouTube, a websérie acumulou milhares de visualizações e uma base fiel de fãs, que não apenas assistem, mas compartilham, comentam e se sentem representados. Muitos relatos nas redes sociais mencionam como a história ajudou pessoas a identificarem abusos em suas próprias relações.

“Eu estava num relacionamento muito parecido e não conseguia nomear aquilo como abuso até ver a série. Foi um choque. Mas também um alívio. Eu percebi que não estava sozinha”, escreveu uma seguidora no Instagram da produção.

Outros fãs exaltam a atuação do elenco, em especial a entrega de Rodrigo e Allan em cenas intensas e emocionalmente exigentes. “Eles vivem aquilo de um jeito tão verdadeiro que a gente se sente parte daquela dor. A série me fez chorar, mas também me fez pensar”, comentou outro usuário.

A Hora do Mal | Nova cena intensa revela Julia Garner e Josh Brolin em confronto — e Benedict Wong completamente fora de si

0

Se você estava esperando por mais pistas sobre “A Hora do Mal“, novo filme de terror do diretor Zach Cregger (Noites Brutais, Acompanhante Perfeita e Noite de Abertura), pode comemorar (ou se preparar para arrepiar os cabelos): uma nova cena foi divulgada e, além de deixar o clima ainda mais sinistro, traz Julia Garner, Josh Brolin e Benedict Wong no centro de um momento tenso, perturbador e inesperado.

A sequência inédita mostra Julia e Josh debatendo sobre o sumiço das crianças da trama — até que tudo muda. Sem aviso, Benedict Wong aparece do nada, correndo de forma descompassada, com o olhar perdido e o corpo completamente entregue a alguma força desconhecida. Sim, do mesmo jeitinho assustador que as crianças já tinham aparecido em outros teasers, quase como se fossem marionetes de algo maior.

Wong parte pra cima de Julia Garner, num ataque bruto e descontrolado. Mas Brolin intervém a tempo, interrompendo o que parecia ser um surto — ou uma possessão? A cena termina no auge da tensão, sem explicações, deixando só perguntas no ar. E a sensação de que o pior ainda está por vir.

Uma cidade, 17 crianças e um mistério sem respostas

A trama do longa-metragem é daquelas que grudam na mente e fazem a gente dormir de luz acesa. Tudo começa com o desaparecimento de 17 crianças de uma mesma sala de aula, em uma noite comum. Elas simplesmente fogem de casa na calada da madrugada, sem deixar qualquer sinal de sequestro, invasão ou violência. Apenas uma criança permanece. Por quê? Ninguém sabe.

A cidade, uma comunidade pequena e tradicional da Flórida, entra em colapso. Os pais se desesperam. As autoridades tateiam no escuro. E a cada dia que passa, os acontecimentos ganham contornos mais estranhos. Algo está profundamente errado — mas ninguém consegue apontar o quê.

Muito além de sustos: rituais, trauma e crítica social

O que A Hora do Mal promete entregar vai bem além de cenas assustadoras. O próprio diretor e roteirista Zach Cregger já deixou claro que o longa mergulha em múltiplas tramas interligadas, conectando o sumiço das crianças a temas espinhosos como corrupção policial, bruxaria, rituais de sangue, abusos religiosos e traumas geracionais.

Ou seja: o medo aqui não vem só do que está escondido no escuro, mas do que já está entranhado na sociedade — e dentro das pessoas.

Não por acaso, Cregger cita “Magnólia” (1999), de Paul Thomas Anderson, como inspiração. Um filme que costura diferentes histórias, cheias de dor, humanidade e esquisitices — mas todas fazendo sentido juntas. Pode esperar um terror que não subestima o espectador.

Elenco de peso no centro do caos

O elenco do filme é daqueles que não passam despercebidos. Se o roteiro já chamava atenção, o time de atores só confirma que esse é um dos projetos mais ambiciosos do terror recente. Josh Brolin, por exemplo, entra em cena no lugar de Pedro Pascal e traz no currículo sucessos como Onde os Fracos Não Têm Vez, Sicario, Deadpool 2 e o icônico Thanos da saga Vingadores. Julia Garner, que conquistou a crítica com Ozark e Inventando Anna, também brilhou em The Assistant e Maniac.

Alden Ehrenreich, além de viver o jovem Han Solo em Solo: Uma História Star Wars, chamou atenção em Ave, César! e mais recentemente em Oppenheimer. Benedict Wong, sempre carismático, mostrou versatilidade em Doutor Estranho, Aniquilação, Marco Polo e A Fundação. Austin Abrams, conhecido por Euphoria e Dash & Lily, também passou por This Is Us e Chemical Hearts. E pra fechar, o time ainda conta com a veterana Amy Madigan (Campo dos Sonhos, Gone Baby Gone), a versátil June Diane Raphael (Grace and Frankie, The Disaster Artist) e o jovem promissor Cary Christopher, visto em Days of Our Lives. Ou seja, é uma mistura poderosa de talentos veteranos, estrelas em ascensão e queridinhos do público indie — todos jogados no meio de uma história onde o caos reina e ninguém parece estar seguro.

A produção que todo mundo queria

A briga por esse roteiro foi real e acirrada. Em janeiro de 2023, quando Weapons ainda era só uma ideia no papel, o texto de Cregger causou um verdadeiro leilão entre gigantes como Netflix, Universal Pictures, TriStar e New Line Cinema.

No fim, a New Line levou a melhor, garantindo um contrato dos bons: Cregger ganhou corte final garantido, um baita salário de oito dígitos e o compromisso de que o filme teria lançamento exclusivo nos cinemas. Ou seja: vem coisa grande por aí.

Vale lembrar que o diretor já tinha feito barulho com o ótimo Barbarian (2022), um dos terrores mais elogiados daquele ano — e que virou cult instantâneo. Agora, ele parece pronto pra ir além.

Estreia marcada (e ansiedade lá no alto)

O longa-metragem estreia nos cinemas dos Estados Unidos no dia 8 de agosto de 2025, com distribuição da Warner Bros. Pictures. Ainda não há data confirmada para o Brasil, mas a expectativa é que o lançamento por aqui aconteça na mesma semana — ou muito próximo disso. Até lá, os fãs de terror seguem de olho em cada teaser, pôster e pedacinho divulgado. A nova cena, inclusive, reforça a aposta de que o filme vai brincar com terror psicológico, elementos sobrenaturais e um mistério que se estende até os limites da loucura.

O que esperar?

Se for pra arriscar um palpite, a produção tem tudo pra ser um dos grandes filmes de terror de 2025. Não só pelo talento envolvido, mas pela forma como a história parece querer dialogar com algo maior: o medo coletivo, os traumas da infância, as instituições em colapso e o peso do que a gente não consegue explicar.

Não vai ser só mais um filme de susto — e isso, num mercado saturado de fórmulas, já é um alívio.

Drama “Uma Prova de Amor” é o destaque da “Sessão da Tarde” desta quinta-feira (31/07)

0

Às vezes, é dentro de casa — entre pais, filhos e silêncios guardados — que surgem os dilemas mais difíceis. Na tarde desta quinta-feira, 31 de julho de 2025, a TV Globo convida o público da Sessão da Tarde a mergulhar nesse território delicado com a exibição do emocionante drama “Uma Prova de Amor” (My Sister’s Keeper), filme de 2009 que segue atual em sua força narrativa e na complexidade das discussões que propõe.

Dirigido por Nick Cassavetes (“Diário de uma Paixão”, “John Q”, “Alfa Dog”) e baseado no best-seller de Jodi Picoult (“Dezenove Minutos”, “A Guardiã da Minha Irmã”), o longa acompanha a jornada de uma família dilacerada pelo amor e pela doença, mas também atravessada por decisões que colocam em xeque os próprios limites do afeto.

Com interpretações sensíveis de Cameron Diaz (“O Máskara”, “Quem Vai Ficar com Mary?”, “As Panteras”, “Shrek”), Abigail Breslin (“Pequena Miss Sunshine”, “Zumbilândia”, “Sinais”, “Agentes do Destino”), Sofia Vassilieva (“Medium”, “Elo Perdido”), Jason Patric (“Velocidade Máxima 2”, “Garotos Perdidos”, “Sleepers – A Vingança Adormecida”), Alec Baldwin (“30 Rock”, “Os Infiltrados”, “Blue Jasmine”, “Missão: Impossível – Efeito Fallout”), Joan Cusack (“Melhor é Impossível”, “Noiva em Fuga”, “Toy Story”), e Thomas Dekker (“O Exterminador do Futuro: As Crônicas de Sarah Connor”, “Heroes”, “A Hora do Pesadelo”), o filme vai além do apelo lacrimal: ele escancara o que significa lutar por alguém — e até onde é justo ir nessa luta.

Uma filha para salvar outra: quando o amor desafia a ética

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, a história gira em torno de Anna Fitzgerald, uma menina de 11 anos que decide tomar uma atitude inesperada: processar os pais para conquistar a emancipação médica e garantir o direito de não doar um rim à irmã mais velha, Kate, que está em estágio avançado de leucemia. Mas a origem desse conflito remonta ao seu nascimento. Anna foi concebida por fertilização in vitro com um propósito específico — ser uma combinação genética perfeita para ajudar a manter Kate viva.

Desde bebê, Anna passou por inúmeros procedimentos médicos: doações de sangue, de medula, internações. Tudo para que Kate pudesse resistir mais um pouco. A mãe das meninas, Sara Fitzgerald (interpretada com intensidade por Cameron Diaz), abandonou a carreira como advogada para se dedicar integralmente aos cuidados da filha doente. Movida por um amor feroz, Sara não consegue enxergar limites na busca por alternativas para prolongar a vida de Kate.

Mas Anna, mesmo ainda criança, começa a perceber que sua vida pertence a ela — ou, ao menos, deveria. E é quando ela procura um advogado, Campbell Alexander (Alec Baldwin), que a trama ganha contornos mais profundos. Porque, ao contrário do que todos pensam, Anna não age por egoísmo. Há algo que ela sabe e que ninguém mais parece disposto a ouvir.

Laços familiares sob tensão

O que torna “Uma Prova de Amor” tão comovente não é apenas a gravidade da situação vivida pela família Fitzgerald, mas a maneira como cada personagem lida com a dor. Não existem vilões ou heróis. Existem pessoas tentando sobreviver, à sua maneira, a uma situação que já dura anos.

Sara, por exemplo, é uma mãe que se recusa a aceitar a fragilidade da filha e acredita estar fazendo o melhor — mesmo que, aos olhos dos outros, isso soe como obsessão. Brian, o pai (Jason Patric), é mais contido, dividido entre o dever de proteger e o desejo de preservar algum senso de normalidade para os filhos.

Kate (Sofia Vassilieva), por sua vez, está cansada. Cansada dos hospitais, da culpa, dos sorrisos forçados, da pressão de continuar vivendo quando, dentro dela, tudo pede por descanso. E Anna, com sua coragem silenciosa, emerge como o centro da narrativa — uma menina forçada a crescer depressa, mas que demonstra uma maturidade surpreendente ao reivindicar, com firmeza, o direito sobre seu próprio corpo.

Atuações que tocam fundo

Abigail Breslin entrega uma performance delicada, equilibrando doçura e firmeza com maestria. É impossível não se emocionar com os olhos atentos de Anna, que observa o caos familiar tentando entender seu lugar ali. Cameron Diaz, por sua vez, surpreende ao fugir do glamour habitual para mergulhar na pele de uma mãe aflita, tensa, disposta a tudo. É uma atuação visceral, que retrata com autenticidade o desespero de quem vive à beira do abismo.

Sofia Vassilieva, pouco conhecida até então, dá vida a Kate com uma sensibilidade rara. Suas cenas, especialmente nos momentos de maior fragilidade, são profundas sem cair no sentimentalismo raso. Alec Baldwin, como o advogado que enfrenta seus próprios traumas, contribui com uma atuação sóbria e empática. Joan Cusack, no papel da juíza que acompanha o caso, oferece à narrativa um olhar humano e ponderado.

Bastidores e escolhas que mudaram o rumo da produção

Curiosamente, o filme quase foi protagonizado por outras duas atrizes mirins conhecidas: Dakota e Elle Fanning. As irmãs chegaram a ser escaladas, mas deixaram o projeto quando Dakota, então adolescente, recusou-se a raspar o cabelo para interpretar Kate. Foi assim que Abigail Breslin e Sofia Vassilieva assumiram os papéis — uma mudança que, para muitos, foi essencial para o resultado tocante da obra.

O diretor Nick Cassavetes, conhecido por seu trabalho em “Diário de uma Paixão”, traz aqui um olhar mais sóbrio, menos idealizado, ainda que profundamente emocional. A trilha sonora discreta e a fotografia suave contribuem para criar uma atmosfera de intimidade e vulnerabilidade.

O debate que vai além do filme

O longa-metragem levanta questões que ultrapassam os limites da ficção. Até onde vai o direito dos pais sobre os filhos? É justo gerar uma criança com o objetivo de salvar outra? Como conciliar a luta pela vida com o respeito à autonomia individual?

Ao tratar da emancipação médica, o filme toca num ponto delicado: o direito de decidir sobre o próprio corpo, mesmo na infância. Em tempos em que temas como consentimento, bioética e justiça reprodutiva ganham espaço no debate público, o longa de Cassavetes permanece relevante — provocando, sem impor respostas.

A recepção do público e da crítica

Quando estreou, em 2009, o filme dividiu opiniões. A crítica especializada acusou o filme de apostar em um tom excessivamente melodramático. No site Rotten Tomatoes, a aprovação ficou em 47%, e o consenso foi que, apesar das boas atuações, a abordagem do diretor teria pesado a mão. No Metacritic, a média foi de 51 pontos — indicando recepção mista.

Mas entre o público, a resposta foi outra. O longa arrecadou mais de 95 milhões de dólares ao redor do mundo e passou a figurar entre os filmes mais lembrados por quem se deixou tocar por sua história. Ele ganhou espaço nas redes sociais, em rodas de conversa e em salas de aula. E, mais importante: abriu caminhos para discussões reais sobre amor, luto e autonomia.

Um convite ao olhar mais atento

Em meio a tardes leves e programas de entretenimento, a exibição desse filme na Sessão da Tarde representa um convite. Um chamado à pausa, à escuta, à reflexão. Ao lembrar que por trás de cada história de doença ou superação existem camadas que nem sempre conseguimos enxergar de imediato.

É um filme sobre despedidas, mas também sobre escolhas. Sobre o amor que se expressa não apenas na insistência em manter alguém vivo, mas também na generosidade de deixá-lo ir. E sobre a coragem de uma menina que, mesmo amando profundamente a irmã, escolhe dizer não.

“Invocação do Mal 4: O Último Ritual” revela trailer final e prepara o público para uma despedida sombria

0
Foto: Reprodução/ Internet

Tem histórias que não nascem para acabar em silêncio. Elas precisam se despedir em voz alta, em um sussurro sombrio no meio da noite, entre cruzes viradas, luzes piscando e um arrepio que ninguém consegue explicar. É exatamente isso que promete “Invocação do Mal 4: O Último Ritual”, o capítulo final da saga de Ed e Lorraine Warren, que chega aos cinemas no dia 5 de setembro com o peso e o privilégio de encerrar uma das franquias mais queridas do cinema de terror contemporâneo.

Com a estreia do trailer final nesta quinta-feira (31) — que você confere logo abaixo — os fãs já podem perceber o clima de despedida: intenso, pessoal e carregado de tensão espiritual. A proposta do filme vai além de provocar sustos; ele quer emocionar. E talvez, no fundo, nos fazer entender que o verdadeiro terror nem sempre está nos demônios, mas sim naquilo que não conseguimos ver… só sentir.

Um adeus ao casal que enfrentou o além

Foram mais de dez anos, três filmes principais e outros seis derivados, mas nenhum personagem cativou tanto quanto o casal Warren, interpretado com dedicação visceral por Vera Farmiga e Patrick Wilson. Eles não eram apenas investigadores do oculto. Eram marido e mulher, parceiros na vida e no além, unidos por uma fé que foi colocada à prova a cada caso, a cada grito no escuro.

Agora, em “O Último Ritual”, os dois retornam mais vulneráveis do que nunca. Lorraine começa a sentir que sua conexão com o mundo espiritual está se tornando um fardo. Ed, por sua vez, sente o peso físico e emocional dos anos dedicados a enfrentar o mal. O novo caso, descrito como “o mais perigoso e íntimo de suas vidas”, parece ser o último desafio — um que talvez não se resolva apenas com orações e crucifixos.

Judy Warren assume o centro da história

Uma das surpresas do novo filme é o destaque dado a Judy Warren, filha do casal. Interpretada agora por Mia Tomlinson, Judy já não é mais a menina assustada de antes. Ela cresceu. E agora, com seu namorado Tony Spera (vivido por Ben Hardy), se vê no meio do novo pesadelo que ameaça não apenas os pais, mas tudo que eles construíram.

O trailer sugere que a fé de Judy será posta à prova de uma forma jamais vista na franquia. Afinal, crescer cercada por bonecas amaldiçoadas, fitas de exorcismo e uma sala trancada cheia de artefatos diabólicos deixa cicatrizes — algumas que só se revelam quando o mal decide voltar.

Bastidores com clima de despedida

As filmagens aconteceram em Londres, entre setembro e novembro de 2024. Segundo relatos da equipe, o clima nos bastidores era quase cerimonial. Diretores, produtores e elenco sabiam que estavam escrevendo o ponto final de uma história que mexeu com o público como poucas outras.

O diretor Michael Chaves, que também comandou A Maldição da Chorona e Invocação do Mal 3, assumiu a responsabilidade com o peso que ela exige. “Esse não é apenas um filme de terror. É uma carta de despedida. Um testamento”, declarou ele em entrevistas.

A trilha sonora, composta por Benjamin Wallfisch, volta com aqueles acordes que calafriam a espinha e deixam a tensão à flor da pele. Mas desta vez, a música também traz notas melancólicas, como se cada cena fosse o último ato de uma peça que não quer ser esquecida.

O medo que virou fenômeno

Quando Invocação do Mal estreou em 2013, dirigido por James Wan, ninguém imaginava que um simples caso de possessão nos anos 1970 se tornaria o estopim de um universo cinematográfico tão vasto. De lá para cá, o público foi apresentado à boneca Annabelle, à freira demoníaca Valak, à maldição da Chorona e à própria história por trás dos Warrens reais.

Mais do que gritos no cinema, a saga se tornou um fenômeno cultural, despertando o interesse por espiritualidade, ocultismo e fé como poucas obras conseguiram. Podcasts foram criados para analisar cada detalhe. Canais do YouTube investigaram os casos reais. A sala de relíquias dos Warrens se tornou quase um ponto turístico espiritual.

E agora, depois de tudo isso, o último filme chega com a missão de não apenas fechar o ciclo, mas honrar tudo o que veio antes.

Um enredo ainda misterioso

A Warner Bros. tem mantido o enredo sob segredo, mas sabe-se que o novo caso investigado por Ed e Lorraine será mais pessoal do que qualquer outro. Não se trata apenas de salvar uma família, mas de proteger o legado de sua própria fé. Há rumores de que o filme aborda um culto demoníaco infiltrado em instituições religiosas, o que colocaria em xeque tudo aquilo que os Warren sempre defenderam.

No centro do conflito, estão visões aterrorizantes, aparições com rostos familiares e uma entidade que parece conhecer os medos mais profundos de cada personagem. O mal, desta vez, não vem de fora — ele nasceu dentro do próprio sagrado.

Último ritual, últimos fantasmas

Se você acompanhou a saga desde o começo, prepare-se para reencontros. O filme contará com o retorno do Padre Gordon (Steve Coulter), figura importante nos filmes anteriores, além do carismático Drew (Shannon Kook), braço direito dos Warrens. É quase como reunir a família para um último jantar — só que cercado por velas tremeluzentes, sombras nos corredores e um crucifixo virado.

Há também nomes novos no elenco, como Rebecca Calder, Elliot Cowan, Kíla Lord Cassidy e Beau Gadsdon, sugerindo que o novo caso envolverá várias camadas de vítimas e testemunhas.

Mas uma ausência já confirmada é a de Sterling Jerins, que interpretava Judy nas versões anteriores. A mudança de atriz representa não apenas um salto temporal, mas uma Judy madura, capaz de encarar seus próprios demônios.

A despedida de uma geração

Assim como Harry Potter marcou uma geração com sua despedida em “Relíquias da Morte”, e Vingadores: Ultimato encerrou um ciclo épico para os heróis da Marvel, “O Último Ritual” carrega esse mesmo peso emocional para os fãs do terror. Estamos falando de personagens que nos acompanharam por mais de uma década, que cresceram conosco — e que agora precisam ser deixados partir.

Mas o terror, como a fé, nunca desaparece. Ele apenas muda de forma. E talvez, ao final do filme, a maior lição seja essa: os fantasmas nunca estão apenas do lado de fora. Às vezes, o que mais nos assusta vive dentro da gente.

Uma nova era à espreita?

Apesar de o filme ser anunciado como o capítulo final da saga dos Warrens, James Wan já deixou claro que isso não significa o fim do universo “Invocação do Mal”. Há especulações sobre possíveis spin-offs com Judy, sobre histórias derivadas da sala de artefatos ou até mesmo prequels que explorem os primeiros casos do casal.

Mas por enquanto, tudo é silêncio. Um silêncio denso, pesado, como o que antecede o último ritual. Como o silêncio que paira antes da luz apagar.

O que resta dizer?

“Invocação do Mal 4: O Último Ritual” não chega como apenas mais um capítulo de sustos e possessões. Ele se apresenta como uma despedida íntima, quase como um abraço silencioso entre os criadores e o público que cresceu junto com essa história. Durante mais de uma década, Ed e Lorraine Warren foram mais do que caçadores de fantasmas — foram guias em meio ao desconhecido, luzes acesas no breu da tela, símbolos de uma fé que resistia mesmo quando tudo parecia perdido. Agora, com o fim à vista, não é só o cinema que se despede deles — somos nós. E ainda que a projeção termine, os ensinamentos, os silêncios e a coragem que eles deixaram continuarão ecoando em cada um que, um dia, enfrentou o escuro e escolheu acreditar.

almanaque recomenda