Jay Kelly | Netflix revela trailer de novo drama com George Clooney e Adam Sandler

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A Netflix lançou na manhã desta terça, 5 de agosto, o aguardado primeiro trailer de Jay Kelly, novo longa-metragem escrito e dirigido por Noah Baumbach, com estreia limitada nos cinemas marcada para 20 de novembro de 2025 e lançamento global na plataforma para 5 de dezembro. Estrelado por George Clooney e Adam Sandler, o drama promete ser uma das obras mais sensíveis e maduras da temporada, refletindo sobre identidade, afeto, paternidade e o peso invisível que a fama pode carregar ao longo do tempo. Abaixo, confira o vídeo:

O longa, coescrito por Baumbach e Emily Mortimer, é uma viagem — literal e emocional — por paisagens europeias e memórias fragmentadas. Jay Kelly, interpretado por Clooney, é um astro de cinema em fase de declínio, cuja imagem pública já não acompanha seu esgotamento pessoal. Ao lado de Ron (Sandler), seu empresário e confidente há décadas, ele embarca em uma turnê promocional que se transforma, pouco a pouco, em uma travessia existencial sobre o que ficou para trás — e o que ainda pode ser resgatado.

A desconstrução do ícone: um astro sob a luz e à sombra

Clooney, conhecido por interpretar homens carismáticos, articulados e quase sempre no controle das situações, mergulha aqui em um papel mais introspectivo e emocionalmente desgastado. Jay Kelly não é apenas um ator em busca de reaparecer para o público, mas alguém que precisa, antes de tudo, reaparecer para si mesmo. Ao seu lado, Ron (Sandler) serve como espelho, suporte e, por vezes, espinho — representando o passado fiel, mas também cúmplice de silêncios e omissões.

O que poderia ser apenas uma road trip entre dois amigos se revela, sob o olhar refinado de Baumbach, uma meditação sobre as consequências de vidas dedicadas à imagem e ao controle da narrativa. Jay foi, durante décadas, o protagonista não só de filmes, mas também de sua própria mitologia. Agora, aos poucos, esse mito precisa ser desmontado para que o homem por trás dele possa emergir — mesmo que já tarde demais para certos reparos.

Baumbach e sua poética da crise silenciosa

Noah Baumbach, que construiu sua carreira escavando os desconfortos íntimos de famílias e casamentos disfuncionais (A Lula e a Baleia, História de um Casamento), parece dar um novo passo com Jay Kelly. Se antes seus personagens eram definidos por embates diretos e diálogos afiados, aqui o conflito se mostra mais sutil, mais contido — mas não menos devastador.

O diretor se interessa, mais uma vez, pelos homens em ruínas emocionais, por aqueles que sustentaram durante muito tempo papéis públicos enquanto deixavam suas relações pessoais desmoronarem. Jay Kelly, nesse sentido, é irmão de tantos outros personagens do universo de Baumbach — mas com uma camada adicional: o peso do estrelato, da celebridade e da necessidade de manter uma narrativa externa coerente mesmo quando tudo dentro está em colapso.

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Um filme sobre o que não foi dito

A força do roteiro, segundo declarações do próprio Baumbach, está menos nos grandes acontecimentos e mais nos silêncios que os cercam. As imagens divulgadas mostram Jay e Ron circulando por hotéis luxuosos, salas de entrevista, ruas vazias, trens europeus — sempre acompanhados de uma melancolia que parece envolver tudo ao redor. O passado não retorna em flashbacks, mas nos olhares, nos gestos contidos, nas conversas interrompidas.

É nesse tempo suspenso entre o glamour e a decadência que o filme constrói seu espaço. Ron, vivido com contenção por Adam Sandler, é o típico personagem que está sempre presente, mas raramente visto. Ele não apenas administra a carreira de Jay — ele também gerenciou, por anos, seus silêncios, suas ausências como pai, marido e ser humano.

Estreia dupla de Clooney e Sandler no mundo de Baumbach

Apesar de já terem flertado com o drama em outras ocasiões, Clooney e Sandler entram aqui em terreno inédito. É a primeira vez que trabalham sob a direção de Baumbach, e ambos parecem encontrar na contenção exigida pelo roteiro um campo fértil para atuações profundas e dolorosamente humanas.

George Clooney, que nos últimos anos tem se dedicado mais à direção e produção, retorna à frente das câmeras com um personagem que parece dialogar diretamente com sua própria trajetória pública. Jay Kelly carrega não apenas a exaustão do personagem, mas também uma autoconsciência melancólica de quem sabe que está interpretando um tipo de versão distorcida de si mesmo.

Adam Sandler, por sua vez, volta a explorar seu lado dramático — já revelado em Joias Brutas (2019) e Os Meyerowitz: Família Não Se Escolhe (também de Baumbach). Ron é discreto, mas emocionalmente carregado. Sua fidelidade a Jay, ao longo dos anos, é tão genuína quanto inquietante.

Elenco de apoio como extensão da psique de Jay

O restante do elenco funciona como peças de um quebra-cabeça emocional que Jay não consegue mais montar. Laura Dern, uma das parceiras recorrentes de Baumbach, deve interpretar uma figura central do passado afetivo de Jay — talvez uma ex-esposa ou uma antiga colaboradora que carrega feridas ainda abertas.

Riley Keough e Eve Hewson aparecem como filhas distantes ou mulheres que cruzaram a vida de Jay sem que ele tivesse realmente estado presente. A presença de nomes como Billy Crudup, Patrick Wilson, Jim Broadbent e Isla Fisher sugere uma colcha de retalhos emocional, onde cada personagem traz um pedaço do que Jay foi — ou fingiu ser.

Emily Mortimer, coautora do roteiro, também atua no filme. Sua participação tem sido mantida em sigilo, o que alimenta a especulação de que ela seja a âncora emocional da trama — talvez a única capaz de confrontar Jay com um espelho verdadeiro.

Assista a uma cena exclusiva de Rosario, novo terror sombrio com estreia marcada para 28 de agosto nos cinemas

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O silêncio de um apartamento antigo guarda histórias que não foram contadas. É entre paredes manchadas pelo tempo, fotografias esquecidas e símbolos religiosos inquietantes que se desenrola a trama de Rosario, novo longa de terror dirigido pelo colombiano Felipe Vargas, que chega aos cinemas brasileiros no dia 28 de agosto, com distribuição da Imagem Filmes.

O filme acaba de ganhar uma cena exclusiva, que você pode ver logo abaixo, que mostra a protagonista em um dos primeiros momentos de tensão dentro do apartamento da avó. A sequência, marcada por sons abafados, ausência de trilha sonora convencional e a presença sutil de movimentos estranhos ao fundo do quadro, antecipa o que Rosario pretende construir: uma narrativa de horror calcada no desconforto, na herança espiritual e nos vínculos familiares.

Uma trama construída a partir da ausência

A protagonista é Rosario Fuentes, interpretada por Emeraude Toubia, conhecida por papéis em Shadowhunters e With Love. Rosario é uma executiva do mercado financeiro, racional, objetiva e afastada de suas origens. Quando sua avó, Griselda, morre de forma repentina, Rosario retorna a Nova York para resolver assuntos pendentes. A visita, inicialmente prática e breve, ganha outras proporções ao descobrir que o apartamento da avó esconde uma câmara secreta, repleta de símbolos religiosos, artefatos de rituais e uma coleção de registros que apontam para práticas espirituais não convencionais.

Ao explorar esse espaço, Rosario se vê confrontada por uma memória familiar que havia escolhido ignorar. Os ruídos nas paredes, os sonhos recorrentes e a sensação de estar sendo observada constroem, aos poucos, um estado de instabilidade emocional. Não se trata apenas de um confronto com o sobrenatural, mas com a própria identidade.

O olhar de uma protagonista entre dois mundos

A atuação de Emeraude se destaca pela contenção. Sua personagem está constantemente em tensão entre o mundo que construiu — estruturado, pragmático, financeiro — e aquele que insiste em retornar, onde símbolos religiosos, fé popular e luto se entrelaçam. Toubia, de origem mexicana e libanesa, entrega uma performance que valoriza nuances. Não há excessos, nem reações caricatas ao medo. Há inquietação. Há hesitação.

Rosario é, em muitos aspectos, a representação de um dilema contemporâneo vivido por diversas mulheres latinas que ascenderam profissionalmente em contextos globalizados, mas que ainda carregam vínculos profundos com práticas espirituais, familiares e culturais muitas vezes vistas como arcaicas. Essa dualidade é o cerne do longa.

Uma direção voltada ao horror atmosférico

O longa-metragem marca a estreia de Felipe Vargas em longas-metragens. O diretor, que ganhou notoriedade por seu curta Milk Teeth, premiado em festivais de cinema de gênero, aposta aqui em uma abordagem que valoriza a atmosfera e o desconforto psicológico, em vez de sustos fáceis ou violência explícita.

Em entrevista recente à revista Latinx Creators, Vargas explicou sua intenção de “colocar o espectador dentro da mente da protagonista, onde o medo não é um monstro externo, mas o eco de algo que foi reprimido por muito tempo”. O uso de câmera estática, a presença de sombras em planos abertos e o som diegético são algumas das escolhas que evidenciam esse olhar mais introspectivo.

A fotografia de Nico Aguilar, colaborador frequente de Vargas, constrói uma Nova York envelhecida, quase esquecida, onde o apartamento da avó funciona como um espaço de memória e transição. Nada é gratuito: os objetos de cena, os ícones religiosos, as rachaduras nas paredes — tudo aponta para um passado que permanece ativo.

Um terror com raízes espirituais e culturais

O diferencial do filme está na forma como trabalha a espiritualidade. Os rituais mencionados no filme não são caricaturas, nem inventados para a trama. Eles fazem parte de um universo religioso latino-americano real, muitas vezes sincrético, onde o catolicismo popular se mistura a práticas afroindígenas, rezas herdadas e cultos domésticos. Vargas evita o sensacionalismo e trata esses elementos com respeito, como parte de um patrimônio afetivo.

Esse aspecto torna o filme especialmente significativo. Em vez de usar o oculto como fetiche, Rosario insere o sobrenatural como parte natural da narrativa. Os símbolos religiosos não são apenas ameaçadores — são também pontes para reconciliação, para compreensão e, em última instância, para libertação.

The Calling | Thriller do criador de Big Little Lies estreia no Universal TV e mergulha em crimes, fé e dilemas morais

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Em um universo televisivo cada vez mais repleto de investigações, policiais durões e reviravoltas sangrentas, uma nova série estreia com a ousadia de unir o suspense do crime à delicadeza da fé e da introspecção. The Calling, produção criada por David E. Kelley — o nome por trás de sucessos como Big Little Lies e Ally McBeal — chega ao Universal TV na próxima sexta-feira, 8 de agosto, às 22h20, trazendo um protagonista improvável e profundamente humano: o detetive Avraham Avraham, um judeu ortodoxo que busca resolver crimes não apenas com lógica, mas com empatia, compaixão e uma fé inabalável na humanidade.

Baseada no romance The Missing File, best-seller do autor israelense Dror Mishani, a série é mais do que um thriller policial: é um mergulho no dilema moral e na espiritualidade de um homem que, em meio ao caos da cidade de Nova York, tenta ouvir uma voz interior — seu chamado — para encontrar a verdade.

Com direção do veterano Barry Levinson, vencedor do Oscar por Rain Man, e uma fotografia sombria que traduz o peso existencial dos personagens, a série é uma proposta narrativa diferente: menos barulhenta, mais reflexiva; menos sobre a caça ao criminoso e mais sobre o que se perde e se revela no processo de investigação.

O detetive que acredita

Interpretado por Jeff Wilbusch, ator alemão-israelense conhecido por seu papel em Nada Ortodoxa, o detetive Avraham Avraham é uma presença inquietante logo nos primeiros minutos da série. Vestindo paletó escuro, barba por fazer, olhos atentos e postura quase messiânica, Avi — como é chamado pelos colegas — não parece um investigador comum. Ele escuta antes de perguntar. Observa antes de agir. E reza, discretamente, antes de entrar em cena.

“Tenho muito orgulho de interpretar um detetive judeu religioso”, contou Wilbusch em entrevistas à imprensa internacional. “É uma história importante. Vivemos um tempo em que empatia e humanidade são raras. Avi é um personagem que me desafia e me inspira.”

Na estreia, o episódio “Desaparecido” nos apresenta ao mundo de Avi com uma sequência inusitada: uma confissão obtida de um suspeito vestido de cachorro-quente. Em qualquer outro contexto, pareceria cômico ou absurdo. Mas em The Calling, tudo é tratado com uma camada de mistério e profundidade. E rapidamente entendemos que, para Avraham, o crime não é um espetáculo — é uma dor humana a ser compreendida.

O enredo se desenrola a partir do desaparecimento de um jovem de família tradicional. Enquanto os colegas de departamento correm atrás de provas, Avraham prefere seguir um caminho mais sensível: reconstituir, com detalhes quase espirituais, os últimos passos do garoto. Em vez de interrogar brutalmente, ele conversa. Em vez de acusar, ele pergunta. “O que você sente?”, diz ele, mais de uma vez.

Fé, intuição e método

A espiritualidade do personagem principal não é mero adorno. Diferentemente de outras séries policiais, em que a religião é tratada como pano de fundo ou símbolo de trauma, em The Calling ela é central. Avraham Avraham ora, observa os rituais, reflete sobre passagens sagradas. Mas não impõe sua fé: ele vive por ela.

Essa abordagem incomum tem origem direta no livro que deu origem à série. O autor, Dror Mishani, é um dos grandes nomes da literatura policial israelense e quis criar um detetive com alma — alguém que usasse a intuição, a empatia e o silêncio como armas principais. E é isso que vemos em tela.

David E. Kelley, que já havia explorado a complexidade humana em séries como The Undoing e Nine Perfect Strangers, mergulha na proposta com entusiasmo. “Eu queria criar um drama policial diferente. Um em que o herói não fosse apenas um solucionador de problemas, mas alguém que fosse, ele mesmo, um enigma moral”, disse Kelley à Variety.

Um elenco afiado e multifacetado

Ao lado de Jeff Wilbusch, o elenco de The Calling oferece personagens tão humanos quanto seu protagonista. Juliana Canfield vive a detetive Janine Harris, uma parceira cética e prática, que aos poucos aprende a respeitar — e até admirar — o método nada convencional de Avi. Karen Robinson interpreta a Capitã Kathleen Davies, figura de autoridade que precisa equilibrar a burocracia do departamento com o gênio introspectivo do detetive.

Outro destaque é Michael Mosley, como o detetive Earl Malzone, típico investigador nova-iorquino durão, que serve como contraponto ao protagonista. A interação entre esses personagens não segue os clichês da “dupla policial improvável”. Aqui, as relações são mais sutis, menos caricatas, mais próximas da vida real — em que divergências não se resolvem com piadas, mas com convivência e tensão.

Um thriller que desacelera

A produção é uma série policial, mas não espere tiroteios a cada dez minutos ou perseguições frenéticas por becos escuros. O ritmo é mais contemplativo. As cenas se estendem, os diálogos são pausados, os silêncios são significativos. É um thriller que pede ao espectador o mesmo que seu protagonista pede aos suspeitos: atenção, escuta, paciência.

Essa proposta pode soar arriscada em um mercado dominado por narrativas ágeis, roteiros cheios de plot twists e heróis sarcásticos. Mas The Calling aposta no contrário: na lentidão como construção de tensão, na ausência como indício, na ambiguidade como fonte de verdade. E é aí que está sua força.

Barry Levinson, experiente diretor que sempre prezou por histórias humanas (como em Sleepers, Good Morning, Vietnam e Liberty Heights), entrega uma direção sutil e madura. Cada episódio é quase um pequeno estudo de personagem. E ao fim de cada caso, não é apenas o criminoso que é revelado — são as dores de uma família, os silêncios de uma comunidade, os fantasmas que cada um carrega.

A importância da representatividade religiosa

Em tempos de crescente intolerância, a série se destaca também por representar com respeito e profundidade a religiosidade judaica — sem estereótipos ou caricaturas. Avraham Avraham não é um rabino, não é um “espião israelense”, não é o “judeu engraçado da história”. Ele é um homem de fé. Um cidadão comum com um cargo difícil. Um ser humano que tenta fazer o certo, mesmo que isso lhe custe reconhecimento.

Essa representação importa. Em uma indústria que, por décadas, tratou temas religiosos com superficialidade — quando não com desdém —, a série abre espaço para uma abordagem mais respeitosa e realista. E isso se alinha ao movimento mais amplo de produções que buscam diversidade cultural e espiritual com autenticidade, como Nada Ortodoxa, Messias, Ramy e Shtisel.

HBO Max revela data oficial de retorno da 2ª temporada de Twisted Metal

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Em um mundo em colapso, onde a civilização virou pó e as leis foram substituídas pela lógica da violência, não há espaço para heróis tradicionais. Só sobreviventes. E é exatamente nesse cenário de caos absoluto que Twisted Metal retorna com sua segunda temporada, que estreia no Brasil pela HBO Max no dia 10 de agosto de 2025. Nos Estados Unidos, a série teve sua estreia antecipada em 31 de julho, com a exibição dos três primeiros episódios.

Baseada na lendária franquia de games homônima da PlayStation, a produção se consolida como uma das adaptações mais ousadas e originais de videogames para a televisão, misturando ação desenfreada, humor ácido e personagens marcantes com camadas dramáticas inesperadas.

E agora, com o torneio Twisted Metal finalmente em andamento, o jogo fica ainda mais insano.

A missão de John Doe: caos, gasolina e segredos

No centro da narrativa está John Doe, vivido com carisma e vulnerabilidade por Anthony Mackie, conhecido do grande público como o Falcão da Marvel. Ele interpreta um entregador tagarela e amnésico que, em meio à devastação causada por um misterioso evento chamado “A Queda”, recebe uma missão aparentemente simples: atravessar os Estados Unidos e entregar um pacote. Mas em Twisted Metal, nada é simples.

John precisa atravessar a Terra Desolada, um país tomado por gangues armadas, justiceiros sádicos e figuras grotescas que controlam as rodovias com seus veículos transformados em armas de destruição. Entre eles está Sweet Tooth, o palhaço assassino com um caminhão de sorvete letal, vivido fisicamente pelo lutador Samoa Joe e dublado com brilhantismo por Will Arnett.

Acompanhando John na jornada está Quiet, interpretada por Stephanie Beatriz. Ao contrário de seu nome, Quiet não tem nada de silenciosa — é intensa, imprevisível, e forma com John uma dupla eletrizante. Juntos, eles enfrentam dilemas morais, desafios mortais e, sobretudo, a busca desesperada por um propósito em meio à barbárie.

Do PlayStation à telinha: uma trajetória que começou nos anos 90

Twisted Metal não surgiu do nada. A série tem raízes profundas no mundo dos videogames. Lançado originalmente em 1995 para o primeiro PlayStation, o jogo rapidamente se tornou um sucesso de vendas, popularizando o gênero de combate veicular. Ao longo de mais de duas décadas, a franquia ganhou diversas versões, incluindo o icônico Twisted Metal: Black e se consolidou como uma das marcas mais duradouras da Sony, com mais de 15 milhões de cópias vendidas.

A ideia de adaptar esse universo brutal para as telas de TV surgiu em 2019, com a Sony Pictures Television e a PlayStation Productions encabeçando o projeto. Após alguns anos de desenvolvimento, a Peacock encomendou a primeira temporada, que estreou em 2023 com 10 episódios, abrindo espaço para a produção da nova fase, agora sob os olhos atentos da HBO Max, que assume a exibição mundial.

Segunda temporada: torneio, novas ameaças e personagens icônicos

Se na primeira temporada acompanhamos a introdução ao mundo pós-apocalíptico da história, agora o jogo realmente começa. A segunda temporada marca o início oficial do Torneio Twisted Metal, promovido por uma figura lendária dos jogos: Calypso, interpretado por Anthony Carrigan.

Calypso é o arquiteto do caos, um ser misterioso que promete a realização de qualquer desejo ao vencedor do torneio. É ele quem reúne os pilotos mais perigosos, cada um com suas histórias de dor, vingança ou ambição, e os joga uns contra os outros em batalhas de vida ou morte.

Além de Calypso, a nova temporada traz personagens icônicos dos games como Mr. Grimm, Dollface, Axel, Raven e Vermin, interpretados por Richard de Klerk, Tiana Okoye, Michael James Shaw, Patty Guggenheim e Lisa Gilroy, respectivamente. A inclusão dessas figuras aprofunda ainda mais o universo da série e entrega aos fãs do jogo elementos clássicos que ajudam a enriquecer a trama.

Bastidores: suor, calor e asfalto real

A produção da primeira temporada foi desafiadora. Filmada em Nova Orleans, entre maio e agosto de 2022, a equipe enfrentou condições climáticas extremas, com tempestades, calor sufocante e até ameaças de furacões. O showrunner Michael Jonathan Smith chegou a dizer em entrevista que “os carros tinham mais personalidade do que alguns atores, e davam tanto trabalho quanto”.

Para a segunda temporada, a produção se mudou para Toronto, no Canadá, buscando mais estabilidade. Locais como a Prefeitura de Cambridge e bairros industriais de Hamilton foram transformados em cidades fictícias devastadas, como “New San Francisco”, oferecendo à série uma paleta visual mais sombria e cinematográfica.

O investimento da produção também cresceu: efeitos especiais mais refinados, coreografias de perseguições mais complexas e cenários mais imersivos marcam a evolução técnica da série.

O que esperar da nova temporada

Com o torneio em curso, a nova temporada deve aprofundar as rivalidades entre os competidores, mostrar os bastidores de Calypso e explorar ainda mais a relação entre John e Quiet. O passado de ambos deve vir à tona, assim como suas motivações reais para continuarem lutando.

Especula-se que os episódios trarão revelações importantes sobre a origem da “Queda” que destruiu o mundo e pistas sobre como (ou se) a sociedade poderá ser reconstruída. A série também deve explorar novos territórios, apresentar mais personagens e investir em cenas de ação ainda mais grandiosas.

Christiane Pelajo conversa com Ronnie Von no Companhia Certa desta segunda-feira (04/08)

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Em meio a uma longa e brilhante carreira no jornalismo brasileiro, poucas pessoas sabem que Christiane Pelajo carrega consigo um pedaço da história afetiva do país — o doce brigadeiro. Bisneta da criadora desse clássico que encanta gerações, a jornalista revela que o segredo da receita está guardado a sete chaves em sua família, assim como as lembranças preciosas que a acompanham desde a infância.

Esta segunda-feira, 4 de agosto, é dia de encontro especial para quem gosta de ouvir histórias com sabor e emoção. À meia-noite, na RedeTV!, Christiane será a convidada do programa Companhia Certa, apresentado por Ronnie Von, onde conversará sobre a trajetória que construiu ao longo de mais de 30 anos no jornalismo, entre altos e baixos, conquistas e desafios — e claro, também falará do doce que, de alguma forma, marcou sua vida.

Um caminho construído com coragem e paixão

Mais do que uma voz familiar na televisão, Christiane é uma mulher que se entregou por inteiro ao ofício de informar. Desde os primeiros passos na PUC-Rio até a glória de apresentar o “Jornal da Globo”, sua trajetória é marcada por um amor intenso pelo jornalismo e pela vontade de ser uma ponte entre os fatos e as pessoas.

Em sua fala sincera, percebe-se que o jornalismo foi mais do que um trabalho — foi uma missão. “Me jogo mesmo! Sem medo!”, diz ela, confessando a entrega que moldou seus anos diante das câmeras. Cobriu momentos históricos, enfrentou pressões e, mesmo quando a vida a testou de formas inesperadas — como o grave acidente de cavalo em 2015 —, voltou mais forte e determinada.

O brigadeiro: doce herança e símbolo de afeto

Entre as páginas do jornalismo e o frenesi das redações, Christiane também carrega uma história doce, literalmente. O brigadeiro — aquele docinho que é parte da alma brasileira — nasceu na cozinha de sua bisavó, num gesto simples, mas que viria a se tornar uma tradição nacional.

“Minha bisavó foi chamada para fazer os doces de uma festa do Brigadeiro Eduardo Gomes”, conta, com o sorriso aberto que só quem tem orgulho das raízes pode exibir. “Ela criou o brigadeiro para aquela ocasião e deu o nome em homenagem a ele.”

Mas o que torna essa história ainda mais especial é o mistério em torno da receita: “Tem um ingrediente secreto na família, que a gente não conta para ninguém. Eu pelo menos não conto!”, revela, entre risos. Essa guarda desse segredo é, talvez, o que mantém viva a magia de um doce que, mesmo com tantas versões, permanece único para ela.

Mais que uma apresentadora: uma mulher que emociona

Assistir a Christiane em cena é entender que por trás da voz firme e da postura profissional, há uma mulher sensível, que também sente, se emociona e vive com intensidade cada instante.

No programa “Companhia Certa”, ela vai além do jornalismo para mostrar essa faceta. Aceitou o convite de Ronnie Von para experimentar pela primeira vez o “morango do amor”, um doce que vem conquistando corações na internet. “Ele tem brigadeiro branco, sabe que eu também gosto de brigadeiro branco. Nossa, tá muito bom!”, disse, encantada pela surpresa.

Esse momento, simples e descontraído, traduz bem a personalidade de Christiane: uma mistura de seriedade e leveza, de força e doçura, que conquistou seu público durante tantos anos.

A despedida da Globo e um recomeço com significado

Depois de 26 anos na Globo, a saída de Christiane Pelajo foi um choque para muitos, mas um passo importante para a jornalista. “A vida é feita de movimentos e eu não consigo ficar parada”, disse ela em nota, deixando claro que o recomeço era uma necessidade.

Esse movimento é um lembrete para todos nós sobre a importância de respeitar os ciclos da vida, as escolhas pessoais e a busca pelo equilíbrio. Hoje, à frente do “Times Brasil”, ela continua sua missão de informar, mas com um ritmo que lhe permite mais espaço para a família e para si mesma.

Entre o jornalismo e o sabor da memória

A história de Christiane Pelajo nos lembra que somos muito mais do que nossa profissão. Somos uma coleção de histórias, afetos, sabores e memórias que carregamos com a gente.

No seu caso, essa coleção inclui momentos marcantes na televisão, encontros com personalidades, viagens pelo mundo, mas também tardes na cozinha da bisavó, o cheiro do brigadeiro recém-feito e o segredo de uma receita que nunca será revelada.

Essas nuances humanas nos aproximam dela e nos fazem entender que, por trás da apresentadora, existe uma mulher com uma história rica, feita de luta, conquistas e muito carinho — uma história que ela agora compartilha com o Brasil em um momento de afeto e celebração.

Destruição Final 2 | Continuação de sucesso apocalíptico ganha data de estreia e promete nova jornada intensa da família Garrity

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“O mundo acabou. Mas a história continua.” Essa frase poderia facilmente servir de slogan para Destruição Final 2, a aguardada sequência do thriller apocalíptico Destruição Final: O Último Refúgio (2020). Com estreia mundial marcada para o dia 9 de janeiro de 2026, o novo capítulo promete não apenas retomar os eventos do primeiro filme, mas expandir sua carga dramática, emocional e humana. É uma continuação que fala menos sobre o impacto de um cometa e mais sobre o impacto de continuar vivo. As informações são do Variety.

Dirigido novamente por Ric Roman Waugh e estrelado por Gerard Butler, Morena Baccarin e Roman Griffith Davis, o filme mostra a família Garrity após sair do abrigo que os protegeu da destruição provocada pelo cometa Clarke. Agora, o desafio é outro: atravessar um mundo em ruínas em busca de um novo lar — e, talvez, de um novo sentido para a existência.

O mundo pós-Clarke: Um planeta que sobreviveu… parcialmente

O novo filme parte do ponto onde Destruição Final terminou: a Terra foi devastada, mas nem tudo foi perdido. A raça humana sobreviveu — ou pelo menos, parte dela. A Groenlândia, usada como refúgio durante a colisão, foi uma das poucas regiões onde a vida pôde ser preservada, ainda que sob condições extremas.

Quando a família Garrity decide deixar o bunker, o que encontram do lado de fora não é esperança imediata, mas um planeta irreconhecível: cidades apagadas, florestas reduzidas a cinzas, oceanos agitados, climas imprevisíveis. Uma Terra que respira com dificuldade e parece cobrar um preço por cada passo em falso.

É nesse cenário que John (Gerard Butler), Allison (Morena Baccarin) e o jovem Nathan (Roman Griffith Davis) tentam cruzar o que restou do continente em busca de abrigo e conexão com outros sobreviventes. O problema é que nem todos os que ficaram vivos querem cooperar.

Uma família em migração: das ruínas ao recomeço

Em vez de repetir a estrutura frenética do primeiro longa — em que o tempo era um inimigo visível —, a continuação aposta em uma narrativa mais compassada e introspectiva. A tensão continua presente, mas o foco está nas consequências de sobreviver, no peso que isso carrega para quem ficou.

John, que no primeiro filme foi um engenheiro tentando proteger sua família a qualquer custo, agora lida com a culpa e o trauma. Allison, antes apenas reativa aos acontecimentos, assume um papel mais ativo e estratégico. E Nathan, já um pouco mais velho, representa a incerteza da nova geração, crescendo em um mundo onde nenhuma regra se aplica.

A jornada é marcada por encontros com outros sobreviventes — vividos por Amber Rose Revah, Sophie Thompson, Trond Fausa Aurvåg e William Abadie —, cada um carregando seus próprios passados, escolhas e cicatrizes. São personagens que expandem o universo da franquia e trazem dilemas morais complexos: até onde você vai para proteger os seus? Ainda existe certo e errado quando tudo ao redor desabou?

O sucesso improvável de um filme catástrofe “sem super-heróis”

O primeiro filme estreou em 2020 sob um contexto bastante peculiar: o auge da pandemia da COVID-19. Com salas de cinema fechadas em várias partes do mundo, o longa encontrou um público fiel no streaming e VOD (vídeo sob demanda). Lançado pela STX Films e posteriormente licenciado pela Lionsgate, arrecadou mais de US$ 52 milhões, superando expectativas para um projeto de médio orçamento.

A crítica, que costuma ser dura com filmes-catástrofe, foi surpreendentemente favorável. Com 73% de aprovação no Rotten Tomatoes, o longa foi elogiado por evitar exageros, apostar em tensão realista e retratar uma família comum enfrentando o fim do mundo com coragem — e vulnerabilidade.

Essa fórmula de sucesso — misto de ação com drama humano — pavimentou o caminho para a sequência. Mas o time criativo não quis apenas repetir a fórmula. Querem aprofundá-la.

Um olhar mais maduro e sombrio

De acordo com entrevistas recentes dos produtores, Destruição Final 2 é menos sobre desastres naturais e mais sobre as escolhas humanas num mundo sem estrutura. Um tipo de western apocalíptico, com a estrada como cenário principal e o imprevisível como ameaça constante.

O diretor Ric Roman Waugh — que também dirigiu Invasão ao Serviço Secreto (2019) — traz sua marca: personagens durões, mas com camadas emocionais profundas. Já o roteiro, coassinado por Chris Sparling (que escreveu o primeiro filme) e Mitchell LaFortune (especialista em roteiros com tensão geopolítica e militar), sugere que elementos de sobrevivência, estratégia e liderança estarão ainda mais presentes.

Trauma, humanidade e resiliência

Um dos temas mais delicados abordados no novo filme é o trauma coletivo. Em um mundo onde bilhões morreram e quase tudo foi perdido, o que sobra da saúde mental das pessoas? Como manter relações, ensinar valores a uma criança, ou sequer confiar em alguém? A personagem de Allison, por exemplo, deve ganhar um arco emocional mais elaborado. Morena Baccarin revelou em entrevistas que sua personagem “será o coração da história” e terá de tomar decisões difíceis para manter a família unida. Nathan, vivido por Roman Griffith Davis (do premiado Jojo Rabbit), também passa por uma transição: de criança frágil a pré-adolescente em formação, aprendendo a sobreviver num planeta sem escolas, amigos ou promessas.

Uma aposta da Lionsgate no realismo emocional

Diferente de outras franquias apocalípticas — como Guerra Mundial Z ou 2012 —, a saga Destruição Final nunca se apoiou em soluções tecnológicas mirabolantes ou em protagonistas infalíveis. Ao contrário: tudo é mais lento, mais humano, mais crível. E isso se mantém em Migration. A Lionsgate, que assumiu a distribuição global, investiu pesado no realismo do projeto. As filmagens ocorreram em locações naturais na Europa, com pouca dependência de CGI, priorizando cenários reais que pudessem transmitir desolação e urgência. A trilha sonora, ainda sem compositor oficial confirmado, provavelmente manterá o tom melancólico e atmosférico da primeira, assinada por David Buckley.

E depois da migração?

Uma dúvida paira sobre fãs e críticos: este será o capítulo final? Ou apenas o começo de uma trilogia? Fontes próximas à produção indicam que tudo depende da recepção de Destruição Final 2 . Caso o filme repita o sucesso do original, um terceiro longa pode explorar a reconstrução da sociedade, talvez com foco nas primeiras tentativas de reerguer a civilização — e, com isso, novos conflitos surgirão. Além disso, há espaço para spin-offs com outros sobreviventes ou até mesmo uma minissérie, considerando o apelo emocional e a atual demanda por narrativas pós-apocalípticas mais realistas.

Profissão Repórter desta terça (05/08) revela o poder oculto do SUS em meio ao caos da emergência e da alta complexidade

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Há uma pulsação invisível que mantém o Brasil em pé. Ela corre entre corredores frios, no compasso apressado dos plantões, no ranger das macas, no toque das sirenes, na espera silenciosa de quem teme não voltar para casa. Essa pulsação tem nome: SUS.

No episódio que será exibido na terça-feira, 5 de agosto de 2025, o Profissão Repórter levará o telespectador para dentro de dois universos que raramente serão mostrados com profundidade: o da emergência hospitalar, onde cada segundo valerá uma vida, e o da medicina de alta complexidade oferecida gratuitamente em hospitais públicos. O resultado será um retrato visceral do Brasil que lutará para respirar – e conseguirá, contra todas as probabilidades.

Sob o olhar atento de Caco Barcellos e das repórteres Talita Marchiori e Nathalia Tavolieri, o programa percorrerá mais de 40 horas dentro do Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, na Baixada Fluminense, e no Instituto Estadual do Cérebro (IEC), no centro do Rio de Janeiro. Em ambos os casos, o que se revelará será mais do que uma reportagem: será uma aula de resistência, tecnologia e humanidade.

No limite do caos: o pronto-socorro que salva 1.500 vidas em quatro dias

À primeira vista, o Hospital Adão Pereira Nunes parecerá um retrato do caos. A recepção fervilhará. As ambulâncias chegarão em fila. Os corredores parecerão não ter fim. Em apenas quatro dias de gravação, mais de 1.500 atendimentos serão realizados – todos de urgência, todos com potencial risco de morte.

Mas bastará atravessar as portas da emergência para perceber que, por trás da aparente desordem, haverá um sistema funcionando com precisão quase cirúrgica. Em uma madrugada especialmente crítica, as equipes médicas se desdobrarão para atender quatro pacientes em estado gravíssimo ao mesmo tempo: duas idosas em parada cardíaca e dois jovens baleados. Treze profissionais entrarão em ação. Cada segundo importará.

“Às vezes, será como se estivéssemos dentro de um avião em queda livre e, ao mesmo tempo, tentando consertar o motor com as próprias mãos”, relatará a médica intensivista Gleicy Mantovani. “Mas quando a gente vir um paciente sair daqui andando… tudo terá valido a pena.”

Entre os casos que a reportagem acompanhará, estará o da empresária Stefany da Sylva Soares, que chegará ao hospital com perfurações por arma de fogo após um atentado. Seu marido, que também terá sido alvejado, não resistirá. “Eu achei que não sairia dali viva. Serei salva pela rapidez da equipe médica. Serão anjos”, dirá ela, ainda visivelmente abalada.

Durante o período de gravação, 12 pessoas não resistirão aos ferimentos. A morte, no Adão Pereira Nunes, será uma presença constante. Mas ela não ditará as regras. A cada plantão, centenas de profissionais lutarão para empurrar a linha entre a vida e a morte um pouco mais adiante.

Cirurgias que custam mais de R$ 100 mil – e são feitas de graça

O programa também acompanhará de perto os setores de cirurgia eletiva, onde serão realizados procedimentos de altíssimo custo, totalmente gratuitos. Em um país em que a fila para cirurgias públicas poderá ultrapassar anos de espera em algumas regiões, o Adão Pereira Nunes se destacará como uma exceção – e uma esperança.

O hospital realizará cerca de duas mil cirurgias por mês, algumas delas avaliadas em mais de R$ 100 mil se fossem feitas na rede privada. Reconstruções ósseas complexas, operações ortopédicas de alta precisão, neurocirurgias delicadas – tudo será financiado com recursos do SUS, em um esforço que movimentará R$ 35 milhões por mês, segundo o diretor da unidade, Thiago Resende.

“Será um trabalho que exigirá não só estrutura, mas uma rede de profissionais comprometida com o que faz. Aqui, o paciente não será um número. Será alguém que merecerá voltar para casa com dignidade”, afirmará ele.

Com uma equipe composta por 700 médicos e 3.200 profissionais da saúde, o hospital se transformará, diariamente, em um campo de batalha pela vida. E, em muitos casos, vencerá.

Do útero à neurocirurgia: o IEC e a medicina de fronteira no SUS

Enquanto o Adão Pereira Nunes representa a linha de frente da urgência, o Instituto Estadual do Cérebro (IEC) revela outra face do SUS: a da medicina sofisticada, silenciosa, feita com bisturi e tecnologia de ponta.

A repórter Nathalia Tavolieri acompanhou plantões no centro especializado em neurocirurgias, onde são realizadas cerca de 200 operações por mês – todas de altíssima complexidade. Lá, é possível encontrar um tipo de cirurgia raríssima: a correção intrauterina de mielomeningocele, uma má-formação da coluna em fetos. O procedimento é feito com o bebê ainda no útero, reduzindo os impactos da condição para a vida toda.

“É algo que poucas equipes no mundo realizam com segurança. Aqui conseguimos fazer isso pelo SUS”, afirma a neurocirurgiã responsável pelo procedimento.

Outro momento impressionante é a realização da talamotomia, uma cirurgia realizada com o paciente acordado, utilizada para reduzir os tremores causados pelo Parkinson. As imagens mostram o paciente conversando com os médicos enquanto parte de seu cérebro é operada. O procedimento exige precisão absoluta – e uma dose generosa de empatia.

“É como entrar no cérebro de alguém pedindo licença”, resume um dos médicos, emocionado.

Entre estatísticas e nomes: o jornalismo que escuta o SUS

O maior trunfo do episódio estará, talvez, na forma como o Profissão Repórter se recusará a tratar seus personagens como números. Stefany, a empresária baleada; o rapaz de 19 anos que sobreviverá após múltiplos disparos; a mãe que verá o filho operado sair andando; o paciente com Parkinson que reencontrará a própria voz… todos terão nome, rosto, história.

Ao longo da reportagem, Caco Barcellos e sua equipe não apenas documentarão. Eles escutarão, sentirão, devolverão humanidade ao sistema muitas vezes retratado apenas como burocrático ou falho.

“Nós não viremos aqui para esconder a dor. Viremos para mostrar que, apesar dela, existirá beleza, competência e solidariedade”, dirá Caco em uma das entrevistas de bastidores. “O SUS será um dos maiores projetos de saúde pública do mundo. E precisará ser defendido como tal.”

Quando o SUS dá certo, todo o Brasil ganha

O episódio irá além da denúncia. Ele também será celebração. Ao mostrar exemplos de excelência no serviço público, a reportagem sublinhará uma verdade incômoda: será possível fazer saúde pública de qualidade no Brasil. E isso acontecerá – ainda que silenciosamente, ainda que sob o peso de orçamentos insuficientes e estruturas saturadas.

Se hospitais como o Adão Pereira Nunes e o IEC conseguirem funcionar em alto nível, por que não multiplicar esse modelo? O que faltará será investimento, valorização profissional, políticas de continuidade. O que sobrará, em muitos lugares, será vontade – e isso já será meio caminho andado.

A urgência de reconhecer o que é nosso

Em um país marcado por desigualdades, o Profissão Repórter prestará um serviço fundamental: mostrará que o que teremos de mais valioso poderá estar ao alcance de todos – se houver vontade política e pressão da sociedade.

O SUS será, em essência, um pacto coletivo. Um acordo nacional de que todas as vidas importarão, independentemente do CEP, do sobrenome ou do saldo bancário. O episódio de terça-feira será uma lembrança vívida disso. Uma afirmação de que, mesmo quando tudo parecer ruir, ainda haverá algo no Brasil que funcionará – e muito bem.

O Agente Secreto marca a abertura do Festival de Brasília e reafirma a força do cinema político brasileiro

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Foto: Reprodução/ Internet

Há sessões de cinema que são mais do que projeções. Elas reverberam como acontecimentos. Em 12 de setembro de 2025, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro — prestes a completar seis décadas de existência — abre sua 58ª edição com a exibição de O Agente Secreto, novo longa do aclamado cineasta Kleber Mendonça Filho. E ali, sob as luzes do Cine Brasília, não estará apenas o filme mais esperado do ano, mas uma reflexão viva sobre o Brasil, sua história política recente e o poder inquietante da imagem.

Depois de uma consagrada estreia mundial no Festival de Cannes, onde conquistou quatro prêmios — incluindo o de Melhor Direção e Melhor Ator para Wagner Moura — O Agente Secreto chega à sua primeira exibição no Brasil carregado de expectativas, memórias e significados. E talvez nenhum palco fosse mais simbólico do que o Festival de Brasília, local que moldou a trajetória de Kleber e onde a política e o cinema sempre caminharam lado a lado.

Um festival que molda e resiste

Criado em 1965, no auge do regime militar, o Festival de Brasília foi pensado como um espaço para o cinema brasileiro se afirmar artisticamente, politicamente, culturalmente. Em sua longa trajetória, enfrentou censura, crises de financiamento, ameaças institucionais, mas nunca deixou de ser palco de resistência. Não por acaso, tornou-se referência como o mais tradicional festival do cinema nacional. É o festival onde Glauber Rocha foi vaiado e aplaudido, onde filmes foram cortados, mas também consagrados. Onde os embates entre estética e política nunca foram evitados — apenas encenados, com todas as suas contradições, na frente da tela e na plateia.

Kleber conhece bem esse território. Em 2004, seu curta Vinil Verde venceu o prêmio da crítica no festival. Dois anos depois, voltou com Noite de Sexta, Manhã de Sábado. Em 2012, exibiu fora de competição O Som ao Redor, o longa que o catapultou ao cenário internacional. “Brasília foi fundamental para mim. O festival tem esse caráter formador, confrontador. A cidade, o cinema, as discussões — tudo é político ali. Voltar agora, com esse filme, tem um peso emocional e simbólico enorme”, declarou o cineasta em nota à imprensa.

O thriller da repressão: espionagem, memória e resistência

A obra é um filme sobre fantasmas. Não os sobrenaturais, mas os que rondam a história recente do Brasil: a ditadura militar, os desaparecidos, os arquivos secretos, os pactos de silêncio. Ambientado em Recife, em 1977, o filme acompanha Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário perseguido por seus vínculos com a luta armada. Após deixar São Paulo por razões não totalmente claras, Marcelo retorna à sua cidade natal para recomeçar a vida, rever o filho pequeno, e se esconder dos olhos do Estado — mas encontra uma cidade vigiada, dividida, e marcada pela paranoia coletiva.

A tensão cresce à medida que o protagonista se envolve com figuras da resistência local e entra em conflito com agentes infiltrados, burocracias opressoras e traumas não resolvidos. A trama, densa e labiríntica, é atravessada por temas como traição, afeto, censura, e a difícil arte de sobreviver sem se corromper. O título, que remete à clássica obra de Joseph Conrad, não é gratuito: como no romance, o “agente secreto” é ao mesmo tempo símbolo do sistema e seu reflexo interior.

A direção de Kleber é precisa: planos longos, som diegético que incomoda, silêncios que dizem mais do que os diálogos. É um cinema que exige escuta e atenção — como quem tenta decifrar uma escuta clandestina.

Foto: Reprodução/ Internet

Um elenco que carrega o peso do país

Wagner Moura vive um dos papéis mais intensos de sua carreira. Seu Marcelo é contido, ferido, vigilante. Um homem que já viu demais, que carrega o cansaço da luta e a culpa dos que ficaram para trás. Sua performance em Cannes foi considerada “magnética” por críticos internacionais, e o prêmio foi apenas o reconhecimento de uma entrega rara.

Ao lado dele, nomes como Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Udo Kier, Thomás Aquino e Isabél Zuaa formam um elenco afiado, que representa diferentes faces de um país sob regime de exceção: o delator, o resistente, o cúmplice silencioso, o burocrata cínico.

A diversidade de sotaques, idades e histórias contribui para a sensação de um Brasil fragmentado, porém interligado por um fio de tensão constante. Cada personagem é um pequeno espelho da sociedade — e nenhum escapa ileso.

Uma estética da opressão

Do ponto de vista técnico, o longa é um primor. A direção de arte de Thales Junqueira reconstrói a Recife dos anos 70 com precisão afetiva e política: salas de aula sombrias, apartamentos com ventiladores barulhentos, ruas de paralelepípedo com postes de luz intermitente. A cidade aparece como um organismo nervoso, com suas janelas fechadas, seus cinemas decadentes, suas conversas sussurradas.

A fotografia de Evgenia Alexandrova usa a escuridão a seu favor: há uma constante sensação de vigilância, de que algo (ou alguém) observa, registra, acusa. Em alguns momentos, a câmera parece ela mesma um agente infiltrado — indiscreta, cúmplice, silenciosa.

A trilha sonora, sutil e atmosférica, é composta por sons concretos: passos, telefones que não param de tocar, o chiado de fitas cassete. Não há melodias fáceis nem recursos emocionais óbvios. O espectador é desafiado a sentir a opressão na pele, não apenas assisti-la.

De Cannes para o mundo

Após a consagração no Festival de Cannes foi ovacionado por 10 minutos e se tornou um fenômeno internacional. A distribuidora francesa MK2 vendeu os direitos para mais de 90 países, incluindo mercados estratégicos como China, Coreia do Sul, México, Alemanha, Índia e Estados Unidos.

A Neon, distribuidora responsável por sucessos como Parasita e Anatomia de Uma Queda, lançará o longa nos EUA em circuito limitado no fim de novembro, de olho na temporada de premiações. A aposta é alta: muitos já consideram O Agente Secreto um forte candidato ao Oscar de Filme Internacional.

No Brasil, o lançamento nacional está marcado para 6 de novembro, com distribuição da Vitrine Filmes. Mas antes, o longa passará por sessões especiais no Recife — terra natal de Kleber —, nos cinemas São Luiz e Cinema do Parque, reafirmando o compromisso do diretor com o cinema de rua e com as memórias coletivas da cidade.

Nova temporada de Cuquín estreia na HBO Max e no Cartoonito com aventuras inéditas para toda a família

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Foto: Reprodução/ Internet

Ele é curioso, enérgico, tem um topete inconfundível e uma vontade imensa de descobrir o mundo ao seu redor. Estamos falando de Cuquín, o adorável caçula da Família Telerín, que acaba de voltar para novas aventuras na HBO Max e no Cartoonito. Com 20 episódios inéditos, a segunda temporada da animação promete encantar ainda mais crianças (e adultos nostálgicos) com histórias cheias de fantasia, descobertas e muitas gargalhadas.

Depois do sucesso da primeira temporada, exibida em vários países e querida por pais e filhos, Cuquín retorna com um cenário novo: a pré-escola. Ao lado de seus inseparáveis amigos — Clementina, Pelusín, Maripí, Colitas e Trapito —, o pequeno protagonista explora temas cotidianos com um olhar doce e criativo. A escola, nesse contexto, não é só um lugar de aprender letras e números: é uma porta aberta para invenções, brincadeiras e o nascimento de laços preciosos.

Nos episódios inéditos, a animação mergulha ainda mais fundo no mundo das crianças pequenas, apresentando situações familiares para quem vive (ou já viveu) essa fase tão intensa da vida. Trocar de roupa sozinho, dividir brinquedos, lidar com sentimentos como frustração e saudade — tudo é tratado com sensibilidade e humor, em histórias curtas que têm o dom de emocionar sem fazer discurso.

Um projeto com DNA afetivo e multicultural

A série animada é uma produção do estúdio espanhol Ánima Kitchent, em parceria com a Warner Bros. Discovery, e carrega em sua essência uma herança importante. O personagem nasceu nos anos 60 como parte da Família Telerín, grupo que estrelava vinhetas animadas na TV espanhola incentivando as crianças a irem para a cama (“Vamos a la cama, que hay que descansar…”). Décadas depois, Cuquín ganhou vida própria em 3D e conquistou uma nova geração com carisma, empatia e um olhar curioso sobre o mundo.

Mas embora tenha nascido na Europa, Cuquín fala uma linguagem universal. A segunda temporada reforça esse valor multicultural ao abordar temas comuns a qualquer infância — como o medo do escuro, a emoção de fazer novos amigos ou o desafio de resolver conflitos sem brigar. Isso faz com que a série encontre eco tanto no Brasil quanto em outros países da América Latina, Europa e Estados Unidos.

A escolha da pré-escola como cenário central também ajuda nesse sentido. É nesse ambiente que muitas crianças vivem suas primeiras grandes experiências fora de casa. E é ali que se aprende a viver em grupo, a respeitar regras, a se expressar e a lidar com diferenças. Cuquín mostra tudo isso com leveza, do ponto de vista infantil, transformando cada situação do cotidiano em uma pequena aventura.

Estreias e maratonas para toda a família

A estreia da nova temporada já está disponível na plataforma HBO Max, com todos os 20 episódios acessíveis para quem quiser maratonar com as crianças em casa. Para os que preferem a programação da TV, o canal Cartoonito exibe a primeira parte da segunda temporada a partir de hoje, com episódios inéditos diariamente até o dia 8 de agosto, sempre às 8h da manhã — um horário perfeito para animar o início do dia dos pequenos.

No sábado, 9 de agosto, o canal ainda preparou uma maratona com os cinco primeiros episódios, ideal para quem perdeu algum ou quer rever tudo de uma vez. Uma ótima oportunidade para reunir a família no sofá, preparar pipoca (ou um suco gelado de frutas) e se encantar com as peripécias de Cuquín e sua turma.

Por que Cuquín faz tanto sucesso?

Em um mercado saturado de animações frenéticas, repletas de estímulos visuais e piadas adultas disfarçadas, a produção aposta no oposto: histórias simples, traços delicados e um ritmo que respeita o tempo da criança. Isso não quer dizer que a série seja parada ou pouco envolvente — pelo contrário. Cada episódio é uma pequena jornada que mistura humor, imaginação, desafios e afeto. O diferencial está na forma como tudo isso é apresentado, com empatia e delicadeza.

Além disso, Cuquín não é um herói perfeito. Ele erra, fica frustrado, chora, pede ajuda. E, justamente por isso, se conecta tão bem com os pequenos espectadores. Ele representa a criança real, que ainda está aprendendo a lidar com o mundo e que, acima de tudo, precisa de acolhimento. A série mostra que errar faz parte, e que crescer também significa aprender com os outros — sejam adultos, colegas ou irmãos.

John Malkovich protagoniza a delicada comédia francesa Sr. Blake ao Seu Dispor, que estreia nos cinemas em setembro

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Foto: Reprodução/ Internet

Não é fácil recomeçar depois de uma grande perda. Ainda mais quando se carrega a impressão de que já se viveu tudo o que havia para ser vivido. Em Sr. Blake ao Seu Dispor, o personagem principal não está em busca de aventura, sucesso ou redenção. Ele só quer, de algum modo, continuar existindo – mesmo que do outro lado do mar, fingindo ser alguém que nunca foi. E é exatamente nesse impulso silencioso que nasce uma das comédias dramáticas mais delicadas do ano, que estreia no Brasil no dia 18 de setembro, com distribuição da Mares Filmes.

O luto que transborda no silêncio

Andrew Blake é um senhor britânico como tantos outros. Elegante, educado, eficiente. Por fora, é o tipo de homem que já aprendeu a esconder tudo o que sente. Mas, por dentro, está estilhaçado. Desde a morte da esposa, Diane, ele se arrasta pelos dias com o peso do vazio. O lar se transformou em mausoléu. O trabalho, em repetição sem sentido. Então, ele toma uma decisão: voltar à França, ao lugar onde conheceu Diane e foi feliz.

Mas o reencontro com as memórias não acontece como ele imagina. Para permanecer na propriedade que hoje pertence a outra pessoa, Blake precisa aceitar o cargo de mordomo. É nesse gesto simples — o de servir — que ele encontra, quase sem querer, um novo caminho para viver.

Uma casa, seus habitantes e os afetos possíveis

A mansão para a qual Blake vai trabalhar não é apenas um cenário bonito. Ela pulsa. Como ele, é uma estrutura que já viu tempos melhores. Dentro dela, vivem personagens tão machucados quanto gentis, cada um à sua maneira. Nathalie (interpretada pela inesquecível Fanny Ardant), a dona da casa, esconde uma alma fraturada por trás de uma fachada firme. Odile (Émilie Dequenne), a governanta, tenta manter a ordem enquanto o caos lhe habita. Philippe (Philippe Bas), o jardineiro, cultiva mais do que plantas — cultiva feridas antigas. E Manon (Eugénie Anselin), jovem e intensa, desafia a rigidez com sua espontaneidade.

Juntos, eles formam uma espécie de família torta. Não por laços de sangue, mas por necessidade. Uma necessidade mútua de acolhimento, mesmo que silencioso. E Blake, que chegou ali para fugir do mundo, começa a fazer parte dele outra vez.

Foto: Reprodução/ Internet

John Malkovich em seu papel mais vulnerável

É surpreendente que, depois de tantas décadas de carreira e performances marcantes, John Malkovich nunca tenha protagonizado um filme francês. Em Sr. Blake ao Seu Dispor, ele não só fala francês com naturalidade (ainda que com sotaque), como entrega uma atuação de uma ternura que não se vê todos os dias. Há algo no jeito contido com que ele vive Blake que nos toca profundamente. Não porque ele dramatize a dor, mas porque a deixa escorrer pelas entrelinhas.

Há momentos em que ele olha pela janela, ou limpa a louça, ou apenas respira — e tudo isso diz mais do que muitos roteiros inteiros. Não é o tipo de performance que grita para ser notada. É a performance que se planta devagar, cresce aos poucos, e floresce depois que o filme termina.

Gilles Legardinier e a coragem de contar histórias pequenas

Gilles Legardinier é um nome conhecido na literatura francesa. Seu livro Complètement Cramé!, lançado em 2012, foi traduzido para 17 idiomas e tocou milhares de leitores com seu tom caloroso. Agora, pela primeira vez, ele se aventura na direção de um longa. E acerta, justamente, por não querer impressionar.

A trama não é um filme para premiações grandiosas ou bilheterias estrondosas. É um filme para quem tem tempo. Para quem topa desacelerar. Para quem sabe que algumas das maiores transformações acontecem no silêncio de uma cozinha, num passeio pelo jardim ou em uma conversa sem palavras.

Legardinier filma com amor. Amor pelas pessoas comuns, pelos gestos cotidianos, pelas casas antigas, pelas relações improváveis. Ele nos lembra que viver é, muitas vezes, simplesmente estar disponível — ao outro, ao acaso, àquilo que a gente não entende de primeira.

O humor que aquece, não escapa

Apesar de ser rotulado como comédia dramática, o riso em Sr. Blake ao Seu Dispor nunca vem da zombaria. Ele nasce do constrangimento, da falha, do não saber. Rimos porque reconhecemos aqueles tropeços em nós mesmos. Rimos com ternura, nunca com crueldade.

Há algo profundamente humano nas situações pelas quais Blake passa. Ele erra a ordem dos talheres, confunde nomes, fica sem saber onde colocar as mãos. Mas, no fundo, tudo isso fala sobre outra coisa: a dificuldade que todos temos de encontrar nosso lugar quando a vida muda sem pedir licença.

Uma história que cruza fronteiras com gentileza

O filme estreou na França em novembro de 2023 e já passou por festivais na Polônia, nos Estados Unidos e em outros países da Europa. Sua bilheteria, de pouco menos de US$ 3 milhões, não reflete sua importância. E talvez seja isso que o torne tão necessário hoje. Em tempos de urgência, de barulho, de exagero, este é um filme que fala baixo. Que acolhe. Que nos convida a cuidar — dos outros e de nós mesmos.

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