Vidas Efêmeras marca a estreia literária de Luiz Gustavo Oliveira com fantasia intensa e reflexiva

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O que é que faz a vida valer a pena quando tudo ao redor parece ruir? É essa a pergunta que paira como névoa sobre as páginas de Vidas Efêmeras: Parte I, romance de estreia do escritor Luiz Gustavo Oliveira da Cunha, que chega ao cenário literário com uma proposta ousada: cruzar o épico e o íntimo, a brutalidade da guerra e a delicadeza da memória.

Ambientado em Proélia — um país fictício devastado por pragas, guerras e segredos enterrados — o livro acompanha a trajetória de Elena, uma comandante mercenária que herda a liderança da Irmandade dos Corvos após a morte do pai. Mas o que começa como uma missão pragmática para conter o avanço da chamada “praga vermelha” logo se transforma em um mergulho existencial nos limites da alma humana.

“Não é só uma história de vingança”, diz o autor Luiz Gustavo em entrevista. “É também sobre entender o que fazer com o que herdamos — da nossa família, do nosso povo, da nossa dor.”

Um mundo corroído pela doença… e pelas memórias

A tal praga, longe de ser apenas um elemento típico da fantasia medieval, ganha contornos quase filosóficos: transforma suas vítimas em criaturas desfiguradas, sedentas de sangue, mas sobretudo, despidas de memória — uma metáfora clara sobre o apagamento histórico e espiritual. O que está em jogo, afinal, não é apenas a vida dos corpos, mas a continuidade de um povo e suas crenças.

Nesse cenário apocalíptico, Elena se vê diante de um dilema que ecoa os clássicos dilemas morais de Dostoiévski: matar o Duque Consumido de Aveiro — homem que supostamente matou seu pai — resolverá o passado, ou a devorará por dentro? É a partir dessa tensão que o enredo se expande: a vingança é motor, mas o que move a obra é a busca por sentido.

Ecos de Lovecraft e Dostoiévski num épico visceral

Luiz Gustavo não esconde suas influências: há ecos evidentes do horror cósmico de Lovecraft — com seres antigos, mistérios celestes e terrores indizíveis — mas também uma estrutura narrativa mais densa, repleta de introspecção, dilemas morais e devaneios metafísicos à Dostoiévski. Essa fusão dá ao livro um ritmo incomum: ao invés da fantasia baseada em combates e glória, o que vemos são dúvidas, silêncios, confrontos internos.

Elena não é uma heroína tradicional. Ela é fraturada, violenta, reflexiva e muitas vezes perdida dentro de si. A cada avanço físico no território corrompido pela praga, há um retrocesso mental, uma volta à infância, às crenças do pai, às profecias do misterioso “profeta sem-nome” que fundou a estaca sagrada de Proélia.

Um tratado poético sobre a efemeridade

Apesar de suas criaturas sombrias, assassinatos e conspirações palacianas, Vidas Efêmeras é, no fundo, uma meditação sobre o tempo. “Temos pouco tempo”, diz uma das personagens enigmáticas do livro, “mas ainda assim, desejamos eternidade.”

A prosa de Luiz Gustavo acompanha esse espírito. Em meio a sequências de ação, surgem parágrafos quase líricos, repletos de imagens poéticas, onde a narrativa se desdobra em lembranças, visões e sonhos. A ancestralidade — tanto mística quanto biográfica — é o fio que costura tudo. O leitor se vê confrontado com um universo onde a fé é tanto uma arma quanto um consolo, e onde cada escolha reverbera através das gerações.

Do papel para as rodas de leitores

Desde seu lançamento independente, Vidas Efêmeras: Parte I vem chamando atenção em clubes de leitura, fóruns de fantasia sombria e redes sociais. Parte do sucesso vem justamente dessa complexidade rara em obras do gênero: o livro não entrega respostas fáceis. Ele convida o leitor a habitar um mundo quebrado — e, como Elena, tentar compreendê-lo aos pedaços.

A Parte II já está sendo escrita, e promete expandir o universo de Proélia, explorar novas camadas de mitologia e mergulhar ainda mais fundo na alma de seus personagens. Mas, por ora, o que fica é a lembrança de um mundo onde tudo é efêmero — exceto o impacto que certas histórias deixam.

Sonic 3 invade as telas da Cinesystem com combo exclusivo

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A aventura mais esperada do ano finalmente chegou! O ouriço azul mais querido dos games, Sonic, está de volta às telonas com o lançamento de “Sonic 3“. E, para tornar a experiência ainda mais especial, a Cinesystem preparou um combo exclusivo que vai deixar os fãs ainda mais animados.

O destaque é o balde colecionável temático de Sonic 3, perfeito para quem quer levar para casa uma lembrança desse filme que promete ser uma corrida alucinante de emoções. O combo inclui, além do balde, dois refrigerantes de 700ml e muita pipoca, garantindo que você e um acompanhante curtam cada minuto da aventura com o maior conforto.

A superprodução traz Sonic enfrentando novos desafios e personagens que prometem agradar tanto os fãs antigos quanto aqueles que estão conhecendo o universo do ouriço agora. Com sequências de ação de tirar o fôlego, humor característico e visual deslumbrante, Sonic 3 é um programa imperdível para toda a família.

“Nosso objetivo é proporcionar não apenas a exibição de um filme, mas uma experiência completa e memorável para os nossos clientes,” destacou um representante da Cinesystem. “Sabemos como os fãs são apaixonados por Sonic, e essa parceria visa homenagear essa dedicação.”

O combo exclusivo está disponível em todas as unidades da Cinesystem, mas é por tempo limitado. Portanto, corra para garantir o seu e não fique de fora dessa super estreia!

Garanta seus ingressos e entre no clima dessa super corrida com Sonic 3! Acesse o site oficial ou visite a unidade Cinesystem mais próxima para conferir horários e disponibilidade.

Vale a pena assistir A Grande Viagem Da Sua Vida? Um filme bonito, mas nem sempre funciona

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O cinema de fantasia romântica nos presenteou em 2025 com A Grande Viagem Da Sua Vida, dirigido por Kogonada e escrito por Seth Reiss. O filme reúne nomes de peso como Margot Robbie, Colin Farrell, Kevin Kline e Phoebe Waller-Bridge, e chegou aos cinemas do Brasil e Portugal em 18 de setembro pela Sony Pictures. Mas, apesar do elenco talentoso e da premissa intrigante, será que a obra realmente vale a pena?

A história é, à primeira vista, curiosa: David (Colin Farrell) tem seu carro guinchado e acaba em uma misteriosa “Companhia de Aluguel de Carros”, recebendo um Saturn SL 1994 com um GPS especial que o leva a uma sequência de viagens que misturam fantasia e introspecção. Ao longo do caminho, ele conhece Sarah (Margot Robbie), uma mulher cética sobre amor e relacionamentos, e juntos embarcam numa jornada que desafia a lógica, explorando memórias e arrependimentos.

A ideia é original, mas a execução nem sempre acompanha a ambição. A narrativa salta de uma fantasia para outra com tanta frequência que, em alguns momentos, o espectador se perde entre portas misteriosas, faróis no Canadá e estufas que remetem à infância de David. O roteiro de Seth Reiss aposta muito na metáfora e na emoção, mas deixa lacunas que podem irritar quem prefere uma história mais coesa e linear.

Atuação que salva a experiência

O ponto forte do filme é, sem dúvida, o elenco. Colin Farrell dá vida a David com vulnerabilidade e charme, equilibrando nostalgia e arrependimento. Margot Robbie brilha como Sarah, transmitindo ao mesmo tempo força, fragilidade e ceticismo emocional. A química entre os dois funciona como o fio condutor da narrativa, mantendo o público engajado mesmo quando a história se torna confusa.

Kevin Kline e Phoebe Waller-Bridge têm papéis menores, mas importantes para equilibrar o tom do filme. Kline oferece momentos de ternura paternal, enquanto Waller-Bridge adiciona humor sutil em meio à intensidade dramática. Sem essas atuações, o filme correria ainda mais risco de se perder em sua própria ambição.

Fantasia ou exagero?

O GPS mágico do carro é a principal ferramenta narrativa e, ao mesmo tempo, seu maior desafio. Ele conduz os protagonistas por locais surreais e emocionalmente carregados, desde portas misteriosas em florestas até reencontros com o passado. A ideia de usar um objeto cotidiano como catalisador para reflexões profundas é interessante, mas o filme exagera na quantidade de eventos fantasiosos, tornando-se, por vezes, cansativo.

A beleza visual é indiscutível: a fotografia, os cenários e o design de produção criam uma experiência estética de primeira linha. Mas quando a fantasia se sobrepõe à narrativa, perde-se o equilíbrio entre emoção e coerência, deixando o público mais confuso do que inspirado.

Romance com nuances reais

Apesar disso, A Grande Viagem Da Sua Vida acerta ao tratar do amor de forma honesta. David e Sarah não são personagens perfeitos; ambos têm falhas, arrependimentos e medos, o que os torna humanos. A jornada deles questiona expectativas irreais sobre relacionamentos e destaca a importância do perdão e da compreensão — tanto de si mesmo quanto do outro.

No entanto, o filme se torna indulgente com o sentimentalismo. Muitas cenas parecem calculadas para emocionar, e a combinação de flashbacks, viagens surreais e confrontos emocionais pode cansar. É um romance bonito, mas que exige paciência e disposição do público para aceitar o que, em outras mãos, poderia parecer excessivo ou desconexo.

Ousadia que nem sempre compensa

O maior mérito de Kogonada é a ousadia. Ele tenta algo diferente, combinando fantasia, romance e introspecção de forma quase poética. Mas essa ambição também é sua maior fraqueza. A história às vezes se perde em simbolismos e sequência de eventos sem muita lógica interna, e alguns momentos de emoção intensa não têm o mesmo impacto porque a narrativa exige demais do espectador.

O filme, em muitos momentos, se parece com uma série de vinhetas ligadas por um carro e um GPS, em vez de um arco coeso. Isso não significa que não haja momentos de brilho — existem, e são intensos — mas eles estão espalhados em um mar de experimentações que nem todos apreciarão.

Duna: Parte 3 – Messias inicia filmagens e promete expandir ainda mais o épico de Denis Villeneuve

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Foto: Reprodução/ Internet

O épico sci-fi comandado por Denis Villeneuve entra em sua fase mais ousada. Após o sucesso estrondoso de Duna: Parte 2, que consolidou a saga como um marco do cinema contemporâneo, “Duna: Parte 3 – Messias” já tem data para dar início às filmagens: a partir de 7 de julho, as câmeras voltam a rodar — e o deserto de Arrakis volta a respirar.

Zendaya na linha de frente: os olhos azuis de Chani brilham em Budapeste

A atriz Zendaya, que roubou a cena como Chani, já se encontra em Budapeste, cidade que mais uma vez servirá como base para a ambiciosa produção. É lá que a saga inicia sua terceira fase, que promete ser a mais densa, política e espiritual até aqui. A atriz será ainda mais central na narrativa, o que já aumenta as expectativas de fãs e críticos.

Filmar para resistir: Warner quer estrear em dezembro de 2026, sem atrasos

Com um cronograma apertado e muitas locações a percorrer, a Warner Bros. colocou o pé no acelerador para garantir que o filme chegue às telonas em 18 de dezembro de 2026, data estratégica no calendário de blockbusters. Villeneuve, fiel à sua proposta artística e aos detalhes visuais, se vê agora diante do desafio de equilibrar a grandiosidade da história com a precisão do tempo.

Messias e o peso do destino: Paul Atreides no centro do turbilhão

Se a Parte 2 mostrou Paul Atreides amadurecendo entre os Fremen e assumindo seu lugar como líder, Messias mergulha nas consequências desse poder. Inspirado no segundo livro de Frank Herbert, o novo filme vai além da guerra e da vingança — explora o peso de ser um mito vivo, o fardo de carregar nas mãos o futuro de um povo inteiro. O foco agora não é apenas sobreviver, mas enfrentar as sombras que vêm junto com a luz de um “salvador”.

Elenco cada vez mais poderoso: novas peças no tabuleiro imperial

A força da saga também se reflete em seu elenco estelar. Timothée Chalamet volta com intensidade ao papel de Paul. Zendaya ganha protagonismo definitivo. Rebecca Ferguson, Javier Bardem, Josh Brolin e Stellan Skarsgård retornam com seus personagens marcantes.

Mas é o reforço que impressiona:

  • Christopher Walken, com sua presença imperial, vive o Imperador Shaddam IV; Florence Pugh assume o papel da estratégica princesa Irulan; Austin Butler retorna como o impiedoso Feyd-Rautha; Léa Seydoux, Souheila Yacoub e Anya Taylor-Joy entram para ampliar o peso dramático e simbólico da narrativa, com personagens que ainda guardam segredos.

O deserto está inquieto: o futuro de Duna será também uma reflexão

Com Duna: Messias, Villeneuve promete sair da zona de conforto dos efeitos visuais para entregar algo ainda mais complexo: uma história sobre fé, fanatismo, destino e consequências do poder. Não é apenas uma continuação — é um aprofundamento. Os dilemas humanos estarão mais vivos do que nunca, em uma produção que se equilibra entre o espetáculo e a filosofia.

The Noite com Danilo Gentili desta sexta (15/08) celebra Elvis Presley em edição especial com sósias e homenagens

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Foto: Reprodução/ Internet

Poucos artistas atravessaram o tempo e o espaço cultural como Elvis Presley. Décadas após sua morte, o “Rei do Rock” segue sendo uma das figuras mais influentes da música mundial, com fãs espalhados pelos cinco continentes e um legado que ultrapassa gerações. É esse espírito de celebração e memória que move o The Noite The Sucessos desta sexta-feira, 15 de agosto, quando Danilo Gentili e sua equipe relembram uma das edições mais icônicas do programa: o encontro de diversos sósias brasileiros do astro em seu palco.

Com figurinos brilhantes, histórias de vida curiosas e muito bom humor, os convidados que personificam Elvis prometem novamente encantar o público, mostrando que o fascínio pelo cantor continua tão forte quanto nos anos 50 e 60, quando ele abalou a música mundial com seu estilo inconfundível.

Elvis, o mito que não envelhece

Antes de mergulhar no especial, é importante entender o tamanho de Elvis Presley para a cultura popular. Nascido em Tupelo, no Mississippi, em 1935, Elvis revolucionou a música com sua fusão de country, blues e gospel, criando o rock and roll como o conhecemos hoje. Sua voz grave e única, aliada a um carisma arrebatador e uma performance cheia de movimento, conquistaram multidões.

Sucessos como Jailhouse Rock, Can’t Help Falling in Love e Suspicious Minds atravessaram gerações. Mas não foi apenas sua música que marcou época: Elvis também se tornou símbolo de uma era que rompia barreiras comportamentais, levando para os palcos e para o cinema uma imagem ousada, que incomodava conservadores e encantava jovens.

Sua morte precoce, em 1977, aos 42 anos, não apagou o brilho — pelo contrário, imortalizou sua figura. Desde então, fãs ao redor do mundo mantêm viva a memória do ídolo em shows tributo, exposições, festivais e até no hábito curioso de se vestir como ele.

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O Brasil e a cultura dos sósias de Elvis

No Brasil, a paixão por Elvis encontrou eco em milhares de admiradores que, ao longo dos anos, se dedicaram a reproduzir não apenas suas músicas, mas também seus trejeitos, penteados, roupas e até mesmo o espírito contestador. Ser “sósia de Elvis” vai além da semelhança física: é encarnar um estilo de vida, carregar o peso de um ícone e, ao mesmo tempo, divertir o público com homenagens que oscilam entre o respeito e a irreverência.

O The Noite conseguiu reunir alguns dos principais representantes dessa cena no país, proporcionando ao público um espetáculo de humor, música e emoção. Cada participante trouxe ao palco não apenas a imagem do Rei do Rock, mas também sua própria história pessoal, marcada pela influência de Elvis.

O palco do The Noite com Danilo Gentili como espaço de memória

Na edição lembrada pelo programa desta sexta, a plateia acompanhou uma verdadeira parada de Elvis Presleys à brasileira. Havia quem homenageasse o jovem rebelde dos anos 50, quem preferisse o astro glamouroso dos anos 70 e até quem trouxesse interpretações mais criativas.

Entre os destaques está Elvis Porteiro, apelidado carinhosamente pelo público do programa por suas participações no quadro Roda Solta. Com seu jeito descontraído, ele mistura humor e devoção ao ídolo, conquistando gargalhadas sem perder o respeito pela figura que interpreta.

Outro convidado especial é Enzo Protta, um adolescente de apenas 14 anos que demonstra maturidade surpreendente ao homenagear o Elvis das décadas de 50 e 60. Com sua juventude, ele mostra que a obra do Rei continua alcançando novas gerações, revelando que a música de Elvis não é apenas memória, mas também futuro.

Já Peter Presley representa a vertente mais institucional da homenagem. Criador do Dia do Elvis Presley e do movimento Rockabilly em São Paulo, ele ajuda a manter viva uma cultura que extrapola os limites do entretenimento e se transforma em movimento cultural.

E, claro, não poderiam faltar as participações de Igor Guimarães e Diguinho Coruja, dois humoristas que mergulharam no clima e também se arriscaram em caracterizações hilárias, reforçando o tom irreverente que é marca registrada do programa.

Vale a pena assistir O Agente Secreto? O novo thriller político de Kleber Mendonça Filho é uma experiência poderosa, densa e imperdível

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Se tem um diretor no Brasil que nunca joga seguro, esse é Kleber Mendonça Filho. E em O Agente Secreto, seu novo filme, ele prova mais uma vez que está interessado em muito mais do que apenas contar uma história — ele quer nos colocar dentro dela, nos fazer desconfortáveis, atentos, e, de alguma forma, cúmplices.

O longa, que fez sua estreia mundial em Cannes e saiu de lá coroado com prêmios importantes — incluindo Melhor Direção para Mendonça e Melhor Ator para Wagner Moura — chega aos cinemas brasileiros cercado de expectativa. E com razão. O filme é um daqueles que dividem opiniões, mas dificilmente deixam alguém indiferente.

Recife, 1977: onde tudo ferve

Recife volta a ser o coração pulsante do cinema de Mendonça Filho, mas dessa vez a cidade é outra. A capital pernambucana retratada no filme é sombria, densa, cheia de segredos e câmeras imaginárias. É 1977, época de ditadura, censura e paranoia — e o ar parece pesar a cada esquina.

É nesse cenário que conhecemos Marcelo, um ex-acadêmico que tenta sobreviver à margem do sistema. Só que logo descobrimos que ele também é Armando — e que as identidades, no mundo que o cerca, são tão instáveis quanto a própria noção de verdade.
Wagner Moura dá vida a esse homem dividido com uma intensidade impressionante. Ele é calado, mas fala muito com o olhar. É o tipo de personagem que carrega o peso do país inteiro nos ombros — e de algum modo, a gente sente junto.

Um thriller político que não entrega o jogo

Quem for ao cinema esperando um suspense com tiros, perseguições e conspirações no estilo hollywoodiano pode se frustrar. O longa-metragem é outro tipo de thriller. Aqui, a tensão não vem da ação — vem do não dito, do olhar desconfiado, da sensação de estar sendo observado o tempo todo.

Kleber Mendonça Filho brinca com os códigos do gênero, mas os vira do avesso. Nada é simples, nada é direto. Há momentos em que a trama parece se perder em digressões, em lembranças, em detalhes aparentemente banais — mas é aí que o diretor encontra a força de seu cinema. Cada fragmento, cada corte, cada silêncio constrói algo maior: o retrato de um país tentando se entender.

E é impossível não notar o paralelo com o presente. Ainda que a história se passe em 1977, há ecos que ressoam até hoje — o controle, o medo, a manipulação da verdade. Mendonça parece dizer, com ironia e tristeza: o tempo passa, mas o jogo continua o mesmo.

Wagner Moura, em estado de arte

É impossível falar de O Agente Secreto sem destacar Wagner Moura. O ator, que há tempos vem equilibrando grandes produções e projetos autorais, entrega aqui uma de suas performances mais complexas. Seu personagem é um enigma: intelectual, fugitivo, idealista e, ao mesmo tempo, cúmplice de seu próprio silêncio.

Há uma cena — sem spoilers — em que Armando simplesmente observa o reflexo de si mesmo em uma janela suja, enquanto uma rádio toca notícias do regime. É um momento de puro cinema, onde nada acontece e tudo acontece. Moura segura a câmera com o olhar, e a gente entende por que ele saiu de Cannes com o prêmio de Melhor Ator.

O elenco de apoio também se destaca: Maria Fernanda Cândido é pura elegância e firmeza; Gabriel Leone traz juventude e inquietação; Alice Carvalho surpreende em uma presença breve, mas intensa; e Udo Kier empresta ao filme aquela aura enigmática que só ele tem.

Um espelho, não um retrato

No fundo, a trama é menos sobre espionagem e mais sobre memória. É um filme que nos faz pensar sobre o que escondemos, o que preferimos não ver, e o que fingimos ter esquecido.
É cinema que pede envolvimento — o tipo de obra que não acaba nos créditos finais, mas continua ecoando depois, nas conversas, nos silêncios, na sensação de que há algo de nós ali.

Talvez por isso o público saia do cinema com sentimentos mistos: fascínio, confusão, angústia. E isso é ótimo. Porque Mendonça não quer respostas. Ele quer diálogo. Quer que a gente se perca um pouco — para se encontrar em outro lugar.

Vale a pena assistir?

Vale — e muito.
Mas não vá esperando um passatempo. O Agente Secreto é daqueles filmes que pedem tempo, atenção e entrega. Ele não facilita, não explica, não embala. E é justamente isso que o torna tão poderoso.

É cinema feito com coragem, com inteligência e com amor pelo que o cinema pode ser: um instrumento de reflexão, de resistência e de arte.

Steal ganha trailer intenso e promete suspense psicológico no Prime Video

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A Prime Video divulgou o primeiro trailer de Steal, sua nova série de suspense que promete tensão psicológica, jogos de poder e um roubo bilionário no centro da narrativa. A produção estreia no dia 21 de janeiro de 2026, com todos os seis episódios disponíveis de uma só vez no catálogo da plataforma.

Protagonizada por Sophie Turner, conhecida mundialmente por viver Sansa Stark em Game of Thrones, a série acompanha Zara, funcionária de uma poderosa empresa de investimentos ligada a fundos de pensão. O que começa como uma rotina corporativa aparentemente comum se transforma em um pesadelo quando a personagem é forçada a colaborar com uma equipe de criminosos que invade a instituição para executar um assalto de proporções bilionárias. Presa entre a lealdade profissional, o medo e a sobrevivência, Zara se torna peça-chave em um plano perigoso e imprevisível.

Do outro lado da história está Rhys, interpretado por Jacob Fortune-Lloyd (O Gambito da Rainha), um inspetor-chefe da polícia encarregado de liderar a investigação do crime. Obsessivo e meticuloso, o personagem mergulha profundamente no caso enquanto enfrenta uma batalha pessoal: uma recaída em seu antigo vício por jogos de azar, o que ameaça tanto sua carreira quanto sua estabilidade emocional. A série explora como decisões impulsivas podem ser tão destrutivas quanto crimes planejados.

O elenco de Steal é liderado por Sophie Turner, que ganhou projeção internacional ao interpretar Sansa Stark em Game of Thrones, papel que a acompanhou ao longo de oito temporadas. No cinema, a atriz também se destacou como Jean Grey na franquia X-Men (X-Men: Apocalipse e X-Men: Fênix Negra), além de atuar em produções como “Do Revenge” (Netflix) e “Heavy”, reforçando sua versatilidade entre o drama e o suspense.

Ao lado dela está Archie Madekwe, ator em ascensão que chamou atenção em “Midsommar”, “Gran Turismo: De Jogador a Corredor”, “Saltburn” e na série “See”, da Apple TV+. Já Jacob Fortune-Lloyd, que interpreta o inspetor-chefe Rhys, ficou conhecido por seu trabalho como Townes em O Gambito da Rainha, além de participações em séries como “Industry”, “Medici” e “Wolf Hall”.

A direção e produção de parte dos episódios ficam a cargo de Sam Miller, conhecido por seu trabalho em séries como Luther e I May Destroy You. As filmagens tiveram início em maio de 2024, em Londres, reforçando a atmosfera urbana e sofisticada que o trailer já antecipa.

Lições de Liberdade: vale a pena assistir? Descubra por que esse filme pode te emocionar!

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Nem todo filme que emociona precisa gritar. Às vezes, basta um olhar entre um homem e um pinguim para dizer tudo. Lições de Liberdade, que estreia nos cinemas brasileiros no dia 24 de julho, é uma dessas obras raras que tocam fundo com simplicidade, delicadeza e uma verdade que não se perde no tempo.

Inspirado na autobiografia do britânico Tom Michell, o filme dirigido por Peter Cattaneo (Unidas pela Esperança, Ou Tudo ou Nada e Amigos Imaginários) não é apenas uma história sobre um animal resgatado — é um retrato de como pequenos gestos, em tempos sombrios, podem se tornar grandes revoluções pessoais. E talvez por isso tanta gente vá sair do cinema com o coração leve… e os olhos marejados.

Um homem em crise, um país em silêncio

Interpretado com sutileza por Steve Coogan (Volta ao Mundo em 80 Dias – Uma Aposta Muito Louca e Alan Partridge: Alpha Papa), Tom é um professor que foge de sua própria estagnação ao aceitar lecionar em um internato isolado na Patagônia argentina, durante os anos de chumbo da ditadura militar. É nesse cenário duro, de silêncios impostos e liberdades tolhidas, que ele encontra um pinguim coberto de óleo em uma praia — um ser tão perdido quanto ele.

O que poderia ser apenas um momento curioso se transforma numa jornada de afeto, transformação e resistência emocional. Tom cuida do animal, batizado de Juan Salvador, e começa a perceber que, ao salvar o pinguim, talvez esteja também se salvando.

Humor, ternura e crítica social

O tom do filme oscila entre o encantamento e a dor. Não há maniqueísmo: há humanidade. O roteiro assinado por Jeff Pope (indicado ao Oscar por Philomena) sabe a hora certa de fazer sorrir e a hora certa de calar. Em uma Argentina onde até as aves corriam perigo, um homem britânico e um pinguim se tornam símbolo de leve resistência.

Jonathan Pryce (Dois Papas), como o diretor da escola, adiciona peso dramático com uma performance que reforça o contraste entre regras e sentimentos, rigidez e afeto. O elenco coadjuvante — com Vivian El Jaber, Alfonsina Carrocio, Julia Fossi e Bruno Blas — contribui para uma atmosfera de sinceridade, onde o inusitado é tratado com respeito e verdade.

Lições além da tela

O que faz Lições de Liberdade ser tão tocante é a sua verdade silenciosa. Não há heroísmo espetacular. Não há frases de efeito. Mas há algo precioso: a lembrança de que, mesmo em tempos difíceis, ainda podemos nos conectar — com os outros, com nós mesmos, com a natureza.

Em tempos de tanta polarização e descrença, esse tipo de história parece um abraço inesperado. E nos lembra de que às vezes os maiores professores não são humanos — mas nos tornam mais humanos.

Grey’s Anatomy anuncia estreia da 22ª temporada nos Estados Unidos para 16 de outubro

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Foto: Reprodução/ Internet

Após quase duas décadas marcando gerações com histórias emocionantes e intensas, Grey’s Anatomy está pronta para dar mais um passo. A ABC anunciou oficialmente que a 22ª temporada da série médica mais longeva da TV americana estreia em 16 de outubro nos Estados Unidos, renovando a promessa de drama, tensão e humanidade que cativou milhões de fãs pelo mundo.

Incertezas sobre o elenco principal aumentam curiosidade

O anúncio, embora esperado, traz ainda uma atmosfera de mistério: quais rostos acompanharão Meredith Grey nessa nova fase? A intérprete da protagonista, Ellen Pompeo, que se tornou sinônimo da série, ainda não confirmou sua permanência, alimentando especulações e curiosidade entre os espectadores.

Esta nova temporada seguirá um formato mais enxuto, com 18 episódios — um ajuste estratégico da ABC para lidar com os custos crescentes do elenco veterano, que permanece entre os mais bem pagos da televisão. Essa decisão traz um frescor e a chance de focar em histórias mais intensas, evitando o desgaste das temporadas muito longas.

Desde seu lançamento em 2005, Grey’s Anatomy transformou-se em muito mais do que um drama hospitalar. Através da trajetória da médica Meredith Grey, acompanhamos temas profundos como amizade, perdas, amor e resiliência, sempre com um olhar atento para as complexidades da vida real. A série soube se reinventar ao longo dos anos, adaptando seu elenco e suas narrativas para manter a relevância e a emoção.

Elenco original e as mudanças ao longo das temporadas

O elenco original contava com nove talentos que hoje fazem história na televisão, e mesmo com as inúmeras mudanças — saídas de nomes icônicos e chegadas de novos personagens —, Grey’s Anatomy não perdeu sua essência. Na 16ª temporada, por exemplo, o grupo tinha dezesseis atores, entre eles ainda figuras emblemáticas como Ellen Pompeo e James Pickens Jr., pilares da narrativa.

Mesmo com as oscilações naturais que acompanham séries tão longas, a produção segue firme entre os programas mais assistidos nos EUA, conquistando tanto a audiência quanto o reconhecimento da crítica. Prêmios como o Globo de Ouro de Melhor Série de Drama e diversas indicações ao Emmy reforçam o valor artístico e cultural da produção.

Como acompanhar as temporadas atuais e anteriores

Hoje, os fãs podem acompanhar a 21ª temporada no Sony Channel, enquanto as temporadas anteriores estão disponíveis no Disney+, proporcionando uma maratona completa para os apaixonados pela série.

Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito ultrapassa US$600 milhões e se torna fenômeno global

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O anime Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito atingiu um marco histórico na indústria cinematográfica, estabelecendo novos padrões de sucesso para produções japonesas. Com uma arrecadação mundial de US$605 milhões, sendo mais de US$269 milhões apenas no Japão, o longa não apenas se torna o anime de maior bilheteria de todos os tempos, como também assume o posto de filme japonês mais lucrativo da história a nível global, de acordo com levantamento da Deadline. O feito reforça o impacto cultural da franquia Demon Slayer – Kimetsu no Yaiba, que desde sua estreia em 2016 conquistou fãs ao redor do mundo graças à combinação de ação intensa, fantasia sombria e narrativa emocionalmente envolvente.

Desde sua estreia, Castelo Infinito impressionou o público japonês. Em apenas 52 dias, o filme se tornou o mais rápido da história a alcançar 30 bilhões de ienes em bilheteria, ultrapassando recordes anteriores e demonstrando a força da base de fãs da franquia. O entusiasmo é visível em filas nas salas de cinema, eventos temáticos e na presença ativa dos fãs nas redes sociais, evidenciando que Demon Slayer é mais do que um sucesso financeiro: é um fenômeno cultural capaz de mobilizar multidões e emocionar diferentes gerações.

O impacto da produção também é perceptível fora do Japão. Nos Estados Unidos, o filme ocupa atualmente a terceira posição na bilheteria americana em sua terceira semana de exibição, arrecadando US$7,1 milhões apenas no último fim de semana. A projeção indica que até o final de setembro, o longa deve atingir US$120 milhões no mercado norte-americano, solidificando-se como um dos filmes de animação japonesa mais bem-sucedidos internacionalmente. Estes números reforçam a tendência de que obras animadas japonesas possam competir com grandes franquias hollywoodianas, atraindo públicos diversos e consolidando o anime como um fenômeno global.

Além disso, com o desempenho atual, Castelo Infinito caminha para integrar o Top 5 das bilheteiras mundiais de 2025, ultrapassando títulos como Missão: Impossível – O Acerto Final (US$598 milhões) e Quarteto Fantástico: Primeiros Passos (US$520 milhões), mostrando que a narrativa criada por Koyoharu Gotouge possui apelo universal.

O filme adapta o arco “Castelo Infinito” do mangá Kimetsu no Yaiba, escrito por Koyoharu Gotouge entre 2016 e 2020. A produção é uma continuação direta da quarta temporada do anime e marca a quarta adaptação cinematográfica da franquia, sucedendo outros sucessos como Mugen Ressha-hen (2020) – Trem Infinito, To the Swordsmith Village (2023) – Vilarejo dos Ferreiros e Hashira Training (2024) – Treinamento dos Hashira.

Diferente das últimas duas produções, que eram compilações de episódios da série, Castelo Infinito foi concebido como um longa-metragem integral. Essa decisão permitiu ao estúdio Ufotable explorar de forma mais detalhada as batalhas e o desenvolvimento emocional dos personagens, mantendo a fidelidade ao material original e garantindo uma experiência cinematográfica completa.

Anunciado oficialmente em junho de 2024, logo após a exibição do último episódio da quarta temporada, o filme estreou no Japão em 18 de julho de 2025, distribuído por Aniplex e Toho. Além de consolidar a franquia no mercado doméstico, a produção deu início à primeira parte de uma trilogia, aumentando ainda mais a expectativa dos fãs em relação aos próximos lançamentos.

A trama de Castelo Infinito acompanha Tanjiro Kamado, um jovem que se juntou à Demon Slayer Corps após sua irmã, Nezuko, ser transformada em demônio. O filme acompanha os esforços de Tanjiro e dos Hashira, os caçadores mais poderosos, para proteger a sede da corporação enquanto enfrentam Muzan Kibutsuji, o antagonista central. Este confronto leva os personagens ao misterioso Infinity Castle, cenário de batalhas espetaculares, sacrifícios e revelações que desafiam tanto corpo quanto espírito.

O equilíbrio entre ação de tirar o fôlego e momentos de introspecção é um dos pontos fortes do longa. Ao explorar medos, esperanças e dilemas internos dos personagens, o filme consegue humanizar a narrativa e aprofundar a relação entre humanos e demônios, criando uma experiência emocional intensa para o público.

O impacto cultural do filme é perceptível não apenas nos números, mas também na recepção da audiência. No site japonês Filmarks, Castelo Infinito liderou o ranking de satisfação no primeiro dia de exibição, com uma nota média de 4,36 de 5 baseada em mais de 8 mil avaliações. Esse entusiasmo reflete a dedicação e a paixão da comunidade global de fãs.

Por outro lado, a crítica especializada apresentou opiniões mais cautelosas. Richard Eisenbeis, da Anime News Network, destacou a excelência da animação e o desenvolvimento dos personagens, mas criticou o ritmo e o uso excessivo de flashbacks, que, segundo ele, prejudicaram a fluidez da narrativa. Matt Schley, do The Japan Times, elogiou a fidelidade à obra original e a qualidade técnica, mas apontou que a sensação de desfecho incompleto poderia incomodar espectadores que esperavam um encerramento definitivo. Zelda Lee, da HardwareZone, descreveu o longa como “emocionante e frustrante ao mesmo tempo”, ressaltando que a narrativa aberta e os flashbacks podem confundir espectadores menos familiarizados com a franquia.

Apesar das críticas pontuais, há consenso de que o filme entrega uma experiência cinematográfica impactante, fortalecendo a posição de Demon Slayer como uma das franquias de anime mais influentes e culturalmente relevantes do mundo.

Excelência técnica e direção impecável

O estúdio Ufotable se destaca novamente pela qualidade visual impecável. Cada cena de combate é cuidadosamente coreografada, com efeitos de luz, sombra e movimento que criam uma imersão rara no cinema de animação. A direção de Haruo Sotozaki foi essencial para transformar o arco do mangá em uma experiência cinematográfica intensa, mantendo a essência emocional da obra e explorando os conflitos internos dos personagens com sensibilidade e profundidade.

A trilha sonora também contribui significativamente para a experiência do público, alternando entre momentos de suspense e cenas de pura ação, reforçando a conexão emocional com os personagens e aumentando a dramaticidade das batalhas.

Impacto global e legado cultural

O sucesso de Castelo Infinito vai muito além da bilheteria. O filme demonstra a capacidade do anime japonês de conquistar audiências internacionais e prova que histórias ambientadas em mundos fantásticos, quando bem contadas, podem atrair multidões em qualquer lugar do mundo. Além de impulsionar o consumo de mangás, produtos licenciados, figuras de ação e trilhas sonoras, a produção fortalece a presença da cultura pop japonesa no mercado global.

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