Saiba qual filme vai passar no Cinemaço deste domingo, 18 de janeiro, na TV Globo

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O Cinemaço deste domingo, 18 de janeiro de 2026, promete transportar o público para um futuro tão grandioso quanto devastador. A TV Globo exibe “Máquinas Mortais”, uma superprodução de aventura e ficção científica que imagina um planeta transformado em um enorme campo de batalha sobre rodas. Lançado em 2018, o filme aposta em um universo visualmente impressionante para contar uma história sobre sobrevivência, poder, desigualdade e as consequências extremas das guerras humanas.

De acordo com a sinopse do AdoroCinema, a trama se passa anos após a chamada Guerra dos Sessenta Minutos, um conflito global tão destrutivo que mudou completamente a forma como a humanidade vive. A Terra está devastada, os recursos naturais são escassos e a antiga organização das cidades deixou de existir. Para sobreviver, os seres humanos criaram as chamadas Cidades Tração, enormes metrópoles montadas sobre rodas gigantes, capazes de se locomover pelos continentes em busca de matéria-prima. Nesse novo mundo, as cidades menores são caçadas e “engolidas” pelas maiores, em uma lógica brutal de dominação e sobrevivência.

É nesse cenário caótico que surge Londres, uma das maiores e mais poderosas cidades móveis do planeta. No centro da história está Tom Natsworthy, um jovem historiador vivido por Robert Sheehan, que leva uma vida simples trabalhando nos níveis mais baixos da cidade. Tom é curioso, sonhador e fascinado pelas histórias do mundo antigo, aquele que existia antes da destruição. Sua vida muda radicalmente quando ele se envolve em um ataque que o lança para fora de Londres, jogando-o em um território hostil e desconhecido.

Ao cair no mundo exterior, Tom cruza o caminho de Hester Shaw, interpretada por Hera Hilmar, uma fora-da-lei marcada física e emocionalmente por um passado violento. Hester carrega no rosto cicatrizes que simbolizam muito mais do que feridas de batalha. Elas representam as marcas de um mundo que não teve piedade e de uma infância roubada pela guerra e pela ambição dos poderosos. Inicialmente desconfiados um do outro, Tom e Hester formam uma aliança improvável, unidos pela necessidade de sobreviver.

A jornada dos dois rapidamente deixa de ser apenas uma fuga. Conforme avançam, eles descobrem uma ameaça muito maior do que as cidades predatórias. Um antigo armamento, capaz de destruir o que resta do planeta, ameaça desequilibrar ainda mais esse mundo já frágil. No centro desse perigo está Thaddeus Valentine, vivido por Hugo Weaving, uma figura carismática, elegante e profundamente perigosa. Valentine acredita que o uso dessa arma é a única forma de garantir a supremacia de Londres, mesmo que isso custe milhares de vidas.

Hugo Weaving entrega um vilão complexo, que não se enxerga como mal, mas como necessário. Seu personagem simboliza a lógica do poder extremo, onde fins justificam quaisquer meios. Ao lado dele, a atriz e cantora Jihae interpreta Anna Fang, uma líder rebelde que representa a resistência contra o sistema das Cidades Tração. Forte, determinada e idealista, Anna surge como uma das figuras mais interessantes do filme, trazendo uma visão de mundo que se opõe diretamente à lógica da destruição contínua.

Dirigido por Christian Rivers, em sua estreia como diretor de longa-metragem, “Máquinas Mortais” carrega fortemente a influência de Peter Jackson, que assina o roteiro ao lado de Fran Walsh e Philippa Boyens, os mesmos nomes por trás das trilogias O Senhor dos Anéis e O Hobbit. Jackson, inclusive, adquiriu os direitos do livro homônimo de Philip Reeve ainda em 2009. O projeto passou anos em desenvolvimento até ser oficialmente anunciado em 2016.

Rivers, que venceu o Oscar de Melhores Efeitos Visuais por seu trabalho em “King Kong”, traz para o filme um olhar extremamente técnico e detalhista. As cidades em movimento são o grande espetáculo da produção. Londres sobre rodas, avançando sobre paisagens destruídas, é uma imagem que impressiona pela escala e pelo nível de detalhamento. As sequências de perseguição e captura entre cidades são ambiciosas e visualmente impactantes, criando um verdadeiro espetáculo para quem gosta de mundos fantásticos.

As filmagens ocorreram entre abril e julho de 2017, na Nova Zelândia, aproveitando paisagens naturais que ajudaram a construir a sensação de um planeta devastado e inóspito. O cuidado técnico é evidente em cada cena, desde os figurinos até os cenários digitais, reforçando o caráter épico da obra.

Apesar de todo o investimento visual, “Máquinas Mortais” teve uma recepção dividida. O filme estreou mundialmente em Londres em novembro de 2018 e chegou aos cinemas de vários países em dezembro do mesmo ano. A crítica reconheceu o impacto dos efeitos especiais, mas apontou falhas no desenvolvimento dos personagens, no ritmo da narrativa e em uma certa dificuldade do filme em criar uma identidade própria dentro do gênero pós-apocalíptico.

Esse conjunto de fatores refletiu no desempenho comercial. Com um orçamento estimado entre 100 e 150 milhões de dólares, o longa arrecadou cerca de 82,9 milhões de dólares em bilheteria mundial, sendo considerado um fracasso financeiro. Os prejuízos para o estúdio foram estimados em até 150 milhões de dólares, encerrando as possibilidades de uma continuação cinematográfica direta da saga literária.

Mesmo assim, o universo de “Máquinas Mortais” continuou a despertar interesse. Em 2020, uma série de jogos em primeira pessoa ambientados nesse mesmo mundo foi desenvolvida, ampliando a experiência para outros formatos e mantendo viva a mitologia criada por Philip Reeve.

No Domingo Maior de hoje, 18 de janeiro, O Protetor 2 transforma a vingança em um retrato humano de dor e lealdade

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Foto: Reprodução/ Internet

Neste domingo, 18 de janeiro de 2026, a TV Globo exibe no Domingo Maior um filme que vai além da ação tradicional e aposta em uma narrativa carregada de sentimento, perdas e escolhas difíceis. “O Protetor 2” retorna ao universo de Robert McCall para aprofundar não apenas sua missão como vigilante, mas principalmente o homem por trás da violência precisa e silenciosa. Estrelado por Denzel Washington, o longa transforma vingança em um retrato humano de luto, lealdade e justiça.

Robert McCall tenta levar uma vida comum. Aposentado da CIA, ele vive em Boston e trabalha como motorista de aplicativo, cruzando diariamente com pessoas comuns e histórias anônimas. À primeira vista, parece um homem tranquilo, educado e reservado. No entanto, por trás desse cotidiano simples, existe alguém que nunca deixou de observar o mundo com atenção extrema. McCall enxerga injustiças onde muitos fingem não ver e, sempre que possível, intervém para ajudar aqueles que não têm voz ou proteção.

Diferente de heróis tradicionais, McCall não busca reconhecimento. Ele age no silêncio, movido por um código moral muito próprio. Esse equilíbrio frágil entre passado e presente, porém, se rompe de forma brutal quando Susan Plummer, sua melhor amiga e ex-colega da CIA, é assassinada. Susan era mais do que uma parceira profissional. Ela representava confiança, afeto e a última ligação emocional de McCall com a vida que ele deixou para trás.

A morte de Susan não funciona apenas como um elemento de virada na história. Ela é o centro emocional do filme. A partir desse acontecimento, “O Protetor 2” se transforma em uma narrativa sobre dor e consequência. McCall não reage com impulsividade. Ele sofre em silêncio, absorve a perda e, pouco a pouco, aceita que não pode simplesmente seguir em frente sem buscar respostas. A vingança, aqui, nasce do luto e da necessidade de justiça, não do prazer pela violência.

É nesse ponto que Denzel Washington entrega uma atuação madura e contida. Seu Robert McCall não precisa de discursos longos nem de explosões emocionais. O peso da dor aparece no olhar, nos gestos mínimos e na forma como o personagem se move pelo mundo. Washington constrói um protagonista que carrega o cansaço de quem já viveu demais, mas que ainda se recusa a aceitar a impunidade.

Sob a direção de Antoine Fuqua, o filme encontra um equilíbrio cuidadoso entre ação e emoção. As cenas de combate são intensas, diretas e extremamente bem coreografadas, mas nunca gratuitas. Cada confronto existe por uma razão narrativa clara. Fuqua opta por mostrar que a violência praticada por McCall é sempre uma resposta extrema, nunca um primeiro impulso. Isso torna cada sequência mais impactante e, ao mesmo tempo, mais pesada emocionalmente.

O roteiro também se preocupa em ampliar o universo do protagonista. Além da investigação sobre a morte de Susan, o filme apresenta a relação de McCall com Miles, um jovem vivido por Ashton Sanders. O rapaz enfrenta dificuldades e flerta com caminhos perigosos, e McCall enxerga nele uma oportunidade de evitar que alguém repita erros que ele próprio conhece muito bem. Essa relação cria momentos de sensibilidade e reforça o lado protetor do personagem, mostrando que sua luta não é apenas contra criminosos, mas também a favor de futuros possíveis.

Outro destaque do elenco é Pedro Pascal, que surge em um papel envolto em ambiguidade. Seu personagem adiciona tensão à narrativa ao desafiar a confiança de McCall e colocar em xeque antigas alianças. A presença de Pascal contribui para tornar a trama mais imprevisível, lembrando que, no mundo da espionagem e da violência, nem sempre é fácil distinguir aliados de inimigos.

Bill Pullman retorna como Brian Plummer, marido de Susan, e sua participação acrescenta uma camada importante à história. Brian representa aqueles que ficam para lidar com o vazio deixado pela violência. Seu luto é diferente do de McCall, mas igualmente devastador. A interação entre os dois personagens reforça que nenhuma vingança é capaz de reparar completamente uma perda, apenas oferecer algum tipo de fechamento.

“O Protetor 2” também ocupa um lugar especial na carreira de Denzel Washington. Este é o primeiro filme de sua trajetória em que o ator aceita protagonizar a continuação direta de uma obra anterior. A decisão reforça a importância de Robert McCall como personagem e o quanto essa história ainda tinha espaço para ser aprofundada. Washington não retorna apenas por sucesso comercial, mas pela complexidade emocional que o papel oferece.

Produzido com um orçamento estimado em 62 milhões de dólares, o longa alcançou uma bilheteria mundial superior a 190 milhões de dólares, consolidando a franquia como um sucesso junto ao público. Mais do que números, o filme se destacou por entregar uma narrativa que respeita a inteligência do espectador, apostando em silêncios, olhares e escolhas morais difíceis.

Anitta chega ao Recife com os Ensaios neste sábado (17) e aposta na Temática Cosmos para celebrar o pré-Carnaval

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Foto: Reprodução/ Internet

O Recife recebe neste sábado, dia 17, um dos eventos mais aguardados do verão brasileiro. Anitta desembarca na capital pernambucana para comandar o terceiro show da turnê pré-carnavalesca Ensaios da Anitta, que acontece na área externa do Centro de Convenções de Pernambuco. A apresentação promete reunir milhares de pessoas em uma noite que une música, dança e uma atmosfera que antecipa o espírito do Carnaval.

Consolidado como um dos maiores projetos musicais do país nesta época do ano, os Ensaios vão muito além de um show tradicional. A cada temporada, o evento se reinventa com novos conceitos visuais e narrativos, transformando o palco em um espaço de celebração coletiva. Em 2025, Anitta escolheu a Temática Cosmos, inspirada na astrologia e no universo místico, para conduzir a identidade da turnê.

A proposta deste ano convida o público a olhar para além do que é visível. A ideia do Cosmos surge como metáfora para conexão, ciclos e energia compartilhada. Segundo a concepção artística do projeto, existe um céu que brilha acima, mas também outro que pulsa dentro de cada pessoa. Nos Ensaios, música e movimento se tornam forças invisíveis que conectam artistas e plateia em uma mesma frequência.

A Temática Cosmos também se reflete nos figurinos usados por Anitta ao longo da turnê. A cantora aposta em looks inspirados nos signos do zodíaco, nos elementos da astrologia e em símbolos que remetem às estrelas, aos planetas e às constelações. Cada apresentação ganha uma identidade própria, reforçando a ideia de que o espetáculo se transforma de acordo com o lugar, o público e a energia do momento.

As participações especiais do show no Recife ainda não foram divulgadas oficialmente, mantendo o mistério que costuma cercar cada edição dos Ensaios. Ainda assim, há grande expectativa em torno de possíveis convidados. Um dos nomes mais comentados é o de Priscila Senna, especialmente após a parceria com Anitta na faixa Cheio de Vontade. A possibilidade de um encontro das duas artistas no palco movimenta os fãs e aumenta a curiosidade em torno do espetáculo.

A temporada 2025 dos Ensaios da Anitta reúne oito apresentações confirmadas até o início de fevereiro, passando por capitais e grandes cidades do país. Após o Recife, a agenda segue intensa, com shows em Brasília, Campinas, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo. Anitta também celebrou a passagem da turnê pelo Norte do Brasil, reforçando a importância de levar o projeto para diferentes regiões e ampliar o alcance cultural do evento.

Musicalmente, os Ensaios mantêm a diversidade que se tornou marca registrada da artista. O repertório mistura funk, pop, samba, pagode e axé, criando uma experiência sonora que dialoga diretamente com o verão e com a tradição carnavalesca brasileira. A combinação de estilos transforma o show em uma grande pista de dança a céu aberto, capaz de agradar públicos variados.

Além das performances solo de Anitta, o projeto é conhecido por reunir participações especiais de artistas populares da música brasileira. Ao longo das edições anteriores, nomes como Pabllo Vittar, Léo Santana, Ferrugem, Jão e Psirico já dividiram o palco com a cantora, proporcionando colaborações inéditas e momentos exclusivos que se tornam parte da memória afetiva do público.

Desde sua criação, os Ensaios da Anitta se destacam pela grande estrutura de produção e pela escolha de espaços amplos ao ar livre, como o Arena de Pernambuco, no Recife, e o Memorial da América Latina, em São Paulo. Esses locais contribuem para o clima de festa coletiva e permitem que o público vivencie o evento de forma intensa, com liberdade de movimento e interação.

O crescimento do projeto transformou os Ensaios em um evento itinerante de grande impacto cultural e econômico. Os ingressos costumam se esgotar rapidamente, e a procura intensa confirma o projeto como uma das principais atrações do calendário de verão no Brasil. Em 2025, o sucesso foi imediato, com mais de 100 mil ingressos vendidos em apenas um dia, levando à abertura de novas datas.

The White Lotus | Steve Coogan e Caleb Jonte Edwards entram para o elenco da quarta temporada

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Foto: Reprodução/ Internet

A revista Variety revelou com exclusividade que Steve Coogan e Caleb Jonte Edwards foram confirmados no elenco da quarta temporada de The White Lotus, uma das séries mais aclamadas da televisão contemporânea. Seguindo a tradição da produção, nenhum detalhe sobre os personagens ou sobre a participação dos atores na trama foi divulgado até o momento, mantendo o mistério que costuma cercar cada novo capítulo da série.

Com a escalação, os dois atores se juntam aos nomes já anunciados Alexander Ludwig e AJ Michalka, reforçando o elenco da nova temporada, que promete manter o alto nível artístico e narrativo que se tornou marca registrada da criação de Mike White para a HBO. A escolha cuidadosa do elenco sempre foi um dos pilares do sucesso da série, que utiliza seus personagens para explorar conflitos humanos complexos sob uma abordagem satírica e provocadora.

The White Lotus é uma série antológica de comédia dramática que acompanha hóspedes e funcionários da fictícia rede de resorts de luxo que dá nome à produção. A cada temporada, um novo destino paradisíaco serve de cenário para histórias marcadas por tensões sociais, privilégios, hipocrisia e dramas pessoais que emergem por trás de fachadas aparentemente perfeitas. O contraste entre o ambiente idílico e as relações humanas disfuncionais é um dos elementos centrais da narrativa.

A primeira temporada estreou em 11 de julho de 2021, ambientada no Havaí, e rapidamente se destacou por sua crítica afiada ao turismo de luxo e às desigualdades sociais. Inicialmente concebida como uma série limitada de seis episódios, a produção surpreendeu pelo impacto cultural e pela recepção extremamente positiva da crítica, conquistando também uma audiência expressiva.

O reconhecimento veio de forma contundente no Primetime Emmy Awards de 2022, quando The White Lotus se tornou a série mais premiada da cerimônia, levando dez estatuetas. Entre elas estavam os prêmios de Melhor Série Limitada ou Antológica, Melhor Roteiro e Melhor Direção para Mike White, além dos troféus de atuação para Jennifer Coolidge e Murray Bartlett, cujas performances se tornaram icônicas.

O sucesso levou a HBO a renovar o projeto como uma série antológica. A segunda temporada, lançada em 30 de outubro de 2022, transferiu a trama para a Sicília e aprofundou discussões sobre sexualidade, poder e relacionamentos, mantendo o tom crítico e irônico que definiu a primeira fase da série. A mudança de cenário trouxe novos conflitos e ampliou o alcance temático da narrativa.

Em novembro de 2022, a emissora confirmou oficialmente a terceira temporada, ambientada na Tailândia, expandindo ainda mais o universo da série e reforçando sua proposta de reinventar-se a cada nova ambientação. A escolha do país asiático abriu espaço para reflexões sobre espiritualidade, choque cultural e a busca por sentido em meio ao privilégio e ao vazio existencial.

Somadas, as duas primeiras temporadas acumularam dezenas de indicações e vitórias em premiações importantes, como Emmy Awards, Globo de Ouro e SAG Awards, consolidando The White Lotus como uma das séries mais elogiadas e influentes dos últimos anos. Mais do que os prêmios, a produção se destacou por sua capacidade de unir entretenimento e comentário social de forma sofisticada.

A Grande Inundação ganha vídeo de bastidores e revela os dilemas humanos por trás do apocalipse tecnológico

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Foto: Reprodução/ Internet

A Netflix divulgou um novo vídeo de bastidores de A Grande Inundação, filme sul-coreano que vem se destacando não apenas como uma superprodução de desastre, mas como uma obra profundamente humana sobre perda, escolhas e o desejo de continuar existindo mesmo após o colapso de tudo o que conhecemos. Dirigido por Kim Byung-woo, o longa utiliza a ficção científica como ponto de partida para discutir temas universais, transformando o apocalipse em um espelho emocional de seus personagens.

No centro da narrativa está An-na, interpretada por Kim Da-mi em um de seus papéis mais complexos até agora. Pesquisadora de inteligência artificial e viúva recente, ela carrega uma dor que ainda não encontrou descanso. O filme se inicia de maneira aparentemente simples: An-na desperta em seu apartamento e percebe que a água começa a invadir o prédio onde mora. O que poderia ser apenas mais um filme de catástrofe rapidamente se revela algo maior, mais sufocante e emocionalmente denso.

Acompanhada de seu filho de seis anos, Ja-in, An-na tenta alcançar o topo do edifício de trinta andares enquanto o nível da água sobe de forma implacável. Em meio ao caos, ela recebe uma ligação informando que agentes das Nações Unidas estão a caminho para resgatá-los de helicóptero. A promessa de salvação surge como um fio de esperança em um cenário que parece condenado. No entanto, o que o filme constrói não é uma simples corrida contra o tempo, mas uma jornada psicológica marcada por memórias traumáticas e revelações perturbadoras.

O agente Hee-jo, vivido por Park Hae-soo, surge como a figura que amplia o escopo da história. Ele revela que a inundação não é um acidente isolado, mas consequência de uma decisão global cuidadosamente ocultada. Governos do mundo inteiro sabiam da queda iminente de um asteroide no Polo Sul, evento que desencadearia tsunamis globais e levaria à extinção da humanidade. Em vez de alertar a população, líderes mundiais optaram por investir em projetos secretos de sobrevivência, incluindo uma estação espacial e experimentos para transferir a consciência humana para corpos artificiais.

O novo vídeo de bastidores destaca como essa revelação foi pensada não como um choque espetacular, mas como um peso moral. A produção buscou mostrar que o verdadeiro terror do filme não está apenas na água que invade cidades, mas nas decisões silenciosas que determinam quem merece sobreviver. Essa dimensão ética ganha força quando An-na descobre que sua própria empresa está envolvida nesses projetos e que seu trabalho como pesquisadora de IA teve um papel crucial nesse plano de salvação seletiva.

A narrativa se torna ainda mais dolorosa quando é revelado que Ja-in não é uma criança biológica, mas um ser artificial criado a partir do software desenvolvido por An-na para aprimorar a cognição sintética. A descoberta não diminui o vínculo entre mãe e filho, mas o torna mais complexo. O filme trata essa relação com extrema delicadeza, deixando claro que o afeto construído ao longo do tempo é tão real quanto qualquer laço biológico.

As cenas de ação e desastre são constantemente atravessadas por flashbacks do passado de An-na. Um dos momentos mais impactantes envolve o acidente de carro que tirou a vida de seu marido. Preso dentro do veículo submerso, ele pede que An-na o deixe para trás e salve o filho. Essa memória retorna de forma recorrente, conectando o trauma do passado à urgência do presente e reforçando a sensação de culpa que move cada decisão da personagem.

À medida que a inundação se intensifica, An-na é separada de Ja-in em diferentes momentos, forçada a reviver a angústia da perda repetidas vezes. O filme introduz então uma estrutura narrativa marcada pela repetição de eventos, como se o tempo estivesse preso em um ciclo de tentativas fracassadas. Cada nova sequência parece recomeçar do mesmo ponto, mas com pequenas variações que revelam novas possibilidades e novos erros.

O material de bastidores revela que essa escolha narrativa foi pensada para representar o funcionamento da mente diante do luto. Segundo a equipe criativa, a repetição simboliza a incapacidade de aceitar a perda e o impulso constante de imaginar desfechos diferentes. Essa abordagem transforma a ficção científica em uma metáfora emocional poderosa, onde cada linha do tempo funciona como uma tentativa desesperada de não dizer adeus.

O grande giro da narrativa acontece quando o filme revela que apenas a primeira linha do tempo ocorreu na realidade. Gravemente ferida após o foguete de evacuação ser atingido por destroços, An-na é resgatada por outra nave e decide transferir sua consciência para um sistema de inteligência artificial. As inúmeras realidades que o público acompanha ao longo do filme são, na verdade, simulações de sua última hora de vida, criadas para coletar dados emocionais e aperfeiçoar a empatia sintética.

Cada repetição, cada falha e cada separação de Ja-in servem para alimentar esse sistema, forçando a IA a compreender emoções humanas profundas como medo, apego e amor incondicional. O novo vídeo de bastidores evidencia o cuidado da produção em equilibrar esse conceito complexo com uma narrativa acessível, mantendo o público emocionalmente conectado à jornada de An-na.

No desfecho, ambientado na estação espacial, o projeto é considerado bem-sucedido. Corpos artificiais são construídos, e as consciências de An-na e Ja-in são transferidas para eles. Mãe e filho recebem a chance de continuar juntos, mesmo após o fim da humanidade como ela era conhecida. Ainda assim, o filme evita respostas fáceis. A pergunta sobre o que define a vida permanece no ar, convidando o espectador a refletir sobre identidade, memória e continuidade.

A Grande Inundação estreou mundialmente em 18 de setembro de 2025 no Festival Internacional de Cinema de Busan, dentro da mostra Korean Cinema Today Special Premiere, e chegou ao catálogo global da Netflix em 19 de dezembro do mesmo ano.

Saiba qual filme vai passar na Temperatura Máxima deste domingo, 18 de janeiro, na Globo

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Foto: Reprodução/ Internet

Neste domingo, 18 de janeiro, a Temperatura Máxima da TV Globo traz para os telespectadores o spin-off de uma das franquias de ação mais populares do cinema: Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw. Dirigido por David Leitch, conhecido por seu trabalho em Deadpool 2, e escrito por Chris Morgan, o filme é uma expansão da saga The Fast and the Furious, destacando dois personagens que conquistaram fãs ao longo de vários filmes: Luke Hobbs, interpretado por Dwayne Johnson, e Deckard Shaw, interpretado por Jason Statham.

A narrativa acompanha a improvável aliança entre Hobbs e Shaw. Desde o primeiro encontro, os dois estiveram em lados opostos, com personalidades completamente diferentes e uma relação marcada por rivalidade e desconfiança. No entanto, o mundo enfrenta uma ameaça maior do que qualquer briga pessoal: Brixton, interpretado por Idris Elba, um homem geneticamente modificado, possui um vírus mortal e planeja espalhá-lo para matar milhões de pessoas, justificando seu ato como um passo necessário para a evolução da humanidade. Para impedir que essa catástrofe aconteça, Hobbs e Shaw precisam colocar de lado suas diferenças e trabalhar em equipe. Ao lado deles está Hattie Shaw, irmã de Deckard e agente do MI6, que oferece inteligência, habilidade e estratégia para a missão.

O filme mistura ação intensa, humor e cenas de tirar o fôlego, mantendo a essência da franquia que conquistou milhões de fãs ao redor do mundo. A química entre Johnson e Statham é um dos pontos altos da produção, criando momentos cômicos e tensos que equilibram a adrenalina das perseguições e lutas espetaculares. O elenco ainda conta com Vanessa Kirby, Helen Mirren e Eiza González, que acrescentam camadas de emoção e complexidade às cenas, tornando o filme mais que uma sequência de explosões e acrobacias.

Hobbs & Shaw é também conhecido por sua dublagem no Brasil, com vozes de Armando Tiraboschi, Flavia Fontenelle, Guilherme Briggs, Luísa Viotti, Mariangela Cantú e Ronaldo Júlio, garantindo que o público brasileiro possa aproveitar toda a intensidade das cenas sem perder a emoção original do filme.

O longa teve sua pré-estreia no Dolby Theatre, em Hollywood, no dia 13 de julho de 2019, e estreou oficialmente no Brasil e em Portugal em 1º de agosto de 2019. Nos Estados Unidos, a estreia ocorreu no dia 2 de agosto, nos formatos convencional, Dolby Cinema e IMAX. O filme rapidamente se tornou um sucesso de bilheteria, arrecadando mais de US$ 760 milhões em todo o mundo. Esse desempenho consolidou Hobbs & Shaw como um dos spin-offs mais bem-sucedidos da franquia Velozes e Furiosos, mostrando que a combinação de ação, humor e química entre protagonistas pode conquistar públicos de diferentes idades e nacionalidades.

A ideia de criar um spin-off centrado em Hobbs e Shaw surgiu em 2015, quando Vin Diesel anunciou que a franquia The Fast and the Furious estava considerando expandir o universo com histórias focadas em personagens específicos. Em outubro de 2017, a Universal Pictures confirmou oficialmente o projeto, e Chris Morgan retornou como roteirista. Durante o processo de pré-produção, nomes como Shane Black foram cogitados para dirigir o filme, mas em fevereiro de 2018, David Leitch entrou em negociações e foi confirmado no cargo em abril. Ao longo desse período, a equipe de produção trabalhou para garantir que o filme mantivesse a identidade da franquia, mas explorasse novas possibilidades narrativas e visuais.

As filmagens começaram em 10 de setembro de 2018, em Londres, Inglaterra. Dwayne Johnson se juntou à produção algumas semanas depois, em 24 de setembro, após concluir suas gravações em Jungle Cruise. Para criar a atmosfera de Londres, algumas cenas foram filmadas em Glasgow, recriando ruas e edifícios históricos, enquanto outras sequências de ação foram gravadas na Usina Elétrica Eggborough, em North Yorkshire. Essa escolha de locações contribuiu para dar ao filme uma estética realista e épica, com cenários que reforçam a grandiosidade das cenas de perseguição e combate.

O roteiro de Chris Morgan explora temas que vão além da simples ação. A relação entre Hobbs e Shaw é o coração emocional do filme, mostrando como a rivalidade pode se transformar em parceria quando há um objetivo maior. Ao mesmo tempo, a história levanta questões sobre ética e responsabilidade, já que os protagonistas precisam lidar com um inimigo que representa uma ameaça global e uma visão distorcida do futuro da humanidade.

Além das cenas de ação, o filme também investe em momentos de humor e interação entre personagens. A dinâmica entre Hobbs e Shaw, que passa de hostilidade a colaboração forçada, cria situações cômicas que aliviam a tensão, mas sem comprometer o ritmo acelerado da narrativa. A participação de Hattie Shaw adiciona ainda mais complexidade à trama, mostrando que, mesmo em um mundo dominado por ação e violência, a inteligência, estratégia e coragem feminina são fundamentais.

A produção de Hobbs & Shaw também se destacou pelo cuidado técnico. A direção de David Leitch garantiu sequências de ação fluidas e inovadoras, enquanto o design de produção, coreografias de luta e efeitos visuais contribuíram para criar um filme que combina realismo com espetáculo cinematográfico. Cada perseguição, explosão ou combate foi cuidadosamente planejado para manter a tensão constante e envolver o público do início ao fim.

Yellow Cake divulga cartaz oficial e se prepara para estreia mundial no Festival de Roterdã, levando a ficção científica brasileira para o cenário internacional

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O cinema brasileiro se prepara para mais um momento de destaque internacional com a divulgação do cartaz oficial de “Yellow Cake”, longa de ficção científica dirigido por Tiago Melo (“Azougue Nazaré”) e estrelado por Rejane Faria (“Marte Um”), Tânia Maria (“O Agente Secreto”) e Valmir do Côco (“Azougue Nazaré”). O filme será exibido pela primeira vez mundialmente na mostra Tiger Competition do Festival de Roterdã, no dia 2 de fevereiro, consolidando o Brasil como protagonista em um gênero pouco explorado no país.

A trama se passa em Picuí, na Paraíba, uma cidade marcada por garimpos e pela presença de minerais raros como tântalo, nióbio e urânio. É neste cenário que Rúbia Ribeiro, interpretada por Rejane Faria, atua como uma cientista nuclear envolvida em um projeto secreto para erradicar o Aedes aegypti utilizando urânio da região. A história mistura elementos fantásticos e de ficção científica com problemas sociais e ambientais locais, oferecendo ao público uma experiência única, que une suspense, imaginação e crítica social.

O cartaz, recentemente divulgado, reflete essa atmosfera, combinando o universo árido e quase místico de Picuí com elementos visuais ligados à ciência e à experimentação, preparando o público para uma narrativa que oscila entre realidade e fantasia. O festival terá sessões com Q&A com o diretor Tiago Melo e a protagonista Rejane Faria nos dias 2 e 4 de fevereiro, proporcionando ao público a oportunidade de conhecer os bastidores da produção e os desafios de transformar o sertão brasileiro em um cenário de ficção científica.

Tiago Melo retorna ao Festival de Roterdã com esta produção após o sucesso de “Azougue Nazaré”, que lhe rendeu o prêmio Bright Future em 2018. “É muito especial voltar a Roterdã, agora na Tiger Competition, um espaço que celebra cinema experimental e talentos emergentes. Acreditamos que Yellow Cake se conecta perfeitamente com esse tipo de público, pois mistura o fantástico com questões muito reais do Brasil”, afirma o cineasta.

Produzido por Lucinda Filmes, Urânio Filmes e Jaraguá Produções, em coprodução com Cinemascópio e Olhar Filmes, o longa recebeu apoio de importantes instituições, como o Fundo Setorial do Audiovisual, Funcultura, Sic Recife, Lei Paulo Gustavo e Projeto Paradiso. A distribuição nacional será feita pela Olhar Filmes, reforçando a aposta brasileira no mercado de festivais e no cinema autoral de gênero.

O elenco traz ainda Tânia Maria e Valmir do Côco, que adicionam camadas de humor, humanidade e tensão à narrativa, equilibrando a seriedade do projeto com momentos de leveza e identificação com o público. Combinando ficção científica, crítica social e narrativa fantástica, Yellow Cake se destaca por explorar elementos culturais, ambientais e científicos de forma inovadora e autoral, reforçando o potencial do cinema brasileiro no cenário internacional.

Saiba quando Springsteen: Salve-me do Desconhecido chega ao streaming Disney+ e descubra o filme que revela o lado mais íntimo de Bruce Springsteen

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Foto: Macall Polay. © 2025 20th Century Studios. All Rights Reserved

Os fãs de Bruce Springsteen já podem se preparar para rever um dos capítulos mais íntimos e decisivos da carreira do músico. A cinebiografia Springsteen: Salve-me do Desconhecido, estrelada por Jeremy Allen White, acaba de ganhar data para estrear no streaming. O filme chega ao Disney+ no dia 23 de janeiro, ampliando seu alcance após a passagem pelos cinemas.

Diferente das cinebiografias tradicionais que percorrem toda a trajetória de um artista, o longa escolhe um recorte específico e simbólico da vida de Springsteen. A narrativa se concentra no período de criação do álbum Nebraska, lançado em 1982, quando o cantor ainda era um jovem músico às vésperas do estrelato mundial. Naquele momento, cercado por expectativas, pressões da indústria e conflitos pessoais, Springsteen tomou uma decisão inesperada que mudaria sua carreira.

Em vez de seguir a lógica de grandes estúdios e produções grandiosas, ele optou pelo recolhimento. Gravado de forma caseira em um gravador de quatro faixas, no quarto do músico em Nova Jersey, Nebraska nasceu como um trabalho cru, silencioso e profundamente introspectivo. O disco se afastou do rock expansivo que o tornaria mundialmente famoso para dar voz a personagens marginalizados, trabalhadores comuns e figuras presas em ciclos de frustração, solidão e busca por redenção.

O filme acompanha esse processo de criação como um mergulho emocional. Jeremy Allen White constrói um Bruce Springsteen contido, observador e em constante embate interno. Sua atuação evita exageros e aposta em nuances, revelando um artista dividido entre o desejo de pertencer, o medo do sucesso e a necessidade de transformar dores pessoais em arte. O resultado é um retrato humano e sensível, que revela o homem por trás do ícone.

As filmagens começaram em 28 de outubro de 2024, com locações principalmente em Nova York e Nova Jersey, regiões profundamente conectadas à identidade de Springsteen. A produção também passou por Los Angeles, mas foi no litoral e nas cidades do entorno de Nova Jersey que o filme encontrou sua atmosfera mais autêntica. Durante o processo, o próprio Bruce Springsteen visitou diversas vezes os sets de gravação, acompanhando de perto a reconstrução de momentos importantes de sua história.

O músico esteve presente em gravações em Rockaway e Bayonne, além de passar por Asbury Park, Meadowlands e Freehold Borough, locais emblemáticos em sua trajetória pessoal e artística. As filmagens foram encerradas em 11 de janeiro de 2025, novamente em Asbury Park, reforçando o caráter simbólico do projeto.

Lançado nos cinemas dos Estados Unidos em 24 de outubro de 2025 pela Walt Disney Studios Motion Pictures, o filme chegou ao Brasil em 30 de outubro do mesmo ano. Agora, com a estreia no Disney+, a obra ganha uma nova vida e a chance de alcançar públicos que talvez não tenham tido contato com esse momento menos conhecido da carreira de Springsteen.

O que assistir nos cinemas neste final de semana (16 a 18 de janeiro)? Confira dicas imperdíveis para todos os gostos

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Escolher o que assistir no cinema pode ser tão empolgante quanto o próprio filme. Entre estreias aguardadas e produções que prometem provocar sensações fortes, este final de semana (16 a 18 de janeiro de 2026) chega com opções que dialogam com diferentes emoções: o suspense psicológico que se infiltra lentamente, o terror pós-apocalíptico que confronta nossos instintos mais primitivos e um drama sensível que transforma luto em arte.

Suspense psicológico costuma funcionar melhor quando não depende apenas de reviravoltas, mas da tensão constante, daquele incômodo que cresce em silêncio. A Empregada, dirigido por Paul Feig, entende isso com precisão. Conhecido por sua carreira ligada à comédia, o diretor surpreende ao conduzir uma narrativa sombria, sufocante e profundamente humana, adaptada do best-seller de Freida McFadden, com roteiro de Rebecca Sonnenshine.

A história gira em torno de Millie Calloway, interpretada por Sydney Sweeney, uma mulher marcada por um passado que insiste em defini-la. Ex-presidiária em liberdade condicional, Millie tenta reconstruir a própria vida, mas se vê constantemente rejeitada em entrevistas de emprego assim que seu histórico vem à tona. O filme acerta ao retratar essa exclusão social sem didatismo, mostrando como a culpa passada se torna uma prisão invisível.

A virada acontece quando Millie conhece Nina Winchester, papel de Amanda Seyfried. Elegante, rica e aparentemente segura de si, Nina oferece o emprego sem questionamentos, como se o passado de Millie fosse irrelevante. A proposta soa generosa demais para ser verdadeira, e o filme faz questão de deixar isso claro desde os primeiros momentos.

Ao se mudar para a casa dos Winchester, Millie conhece Andrew, o marido de Nina, vivido por Brandon Sklenar, e a filha do casal. O convite para morar na residência parece um gesto de confiança, mas logo revela sua face cruel: Millie é instalada em um quarto minúsculo e abafado no sótão, isolada do restante da casa. O espaço físico se transforma em metáfora da posição que ela ocupa naquela dinâmica familiar.

Com o passar dos dias, o comportamento de Nina se torna cada vez mais perturbador. Explosões de humor, manipulações sutis e humilhações constantes fazem com que Millie caminhe sobre uma linha tênue entre gratidão e medo. Nina passa a sujar propositalmente os cômodos da casa, criando situações de abuso psicológico que corroem lentamente a protagonista. Nesse ambiente opressivo, Millie acaba se aproximando de Andrew, e uma atração mútua surge, empurrando todos para um triângulo emocionalmente explosivo.

A entrada de Enzo Accardi, o jardineiro italiano interpretado por Michele Morrone, adiciona mais camadas de mistério e ameaça. A Empregada não se contenta em ser apenas um thriller de segredos; o filme discute poder, controle, desejo e o preço da aparente segurança. É um suspense que cresce no olhar, nos silêncios e na sensação de que, naquela casa, ninguém é realmente inocente.

Se o terror sempre foi um espelho dos medos coletivos, Extermínio: O Templo dos Ossos atualiza esse reflexo para um mundo que já se acostumou à ideia de colapso. Quase trinta anos após o vírus da Raiva escapar de um laboratório de armas biológicas, o planeta apresentado no filme não é apenas devastado, mas profundamente transformado.

A trama acompanha um grupo de sobreviventes que vive em uma pequena ilha, conectada ao continente por uma única ponte fortemente vigiada. Esse detalhe simples concentra toda a tensão do filme: a ponte é, ao mesmo tempo, proteção e ameaça. Quando um dos membros do grupo decide atravessá-la em uma missão arriscada, o longa se expande para um território ainda mais sombrio, revelando não só a evolução dos infectados, mas também as distorções morais dos próprios humanos.

O filme vai além do horror explícito ao abordar a sobrevivência a longo prazo. Não se trata apenas de escapar da morte, mas de entender o que resta da humanidade quando as regras sociais deixam de existir. Comunidades se reorganizam, a violência se normaliza e a esperança se torna um recurso raro.

Visualmente, Extermínio: O Templo dos Ossos é uma experiência inquietante. Danny Boyle e o diretor de fotografia Anthony Dod Mantle optaram por gravar grande parte das cenas com iPhones 15 Pro Max, utilizando múltiplos aparelhos simultaneamente. O resultado é uma estética crua, quase documental, que coloca o espectador dentro do caos. A escolha dialoga com o espírito do filme original e reforça a ideia de que, em um mundo em colapso, qualquer ferramenta pode se tornar um meio de registro — ou sobrevivência.

Encerrando o passeio cinematográfico do final de semana, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet oferece uma experiência completamente diferente. Em vez de tensão e violência, o filme aposta na delicadeza, no silêncio e na contemplação. Inspirado no romance de Maggie O’Farrell, o longa imagina a vida de William Shakespeare e de sua esposa Agnes após a morte do filho de 11 anos, Hamnet.

Dirigido por Chloé Zhao, que assina o roteiro ao lado da autora do livro, o filme se afasta da figura mítica do escritor para apresentar um homem comum, atravessado pela dor. Paul Mescal e Jessie Buckley entregam performances intensas e contidas, construindo um retrato sensível de um casal tentando sobreviver à ausência.

A narrativa não se preocupa em seguir uma linha cronológica rígida. Em vez disso, trabalha com memórias, sensações e pequenos gestos, mostrando como o luto se infiltra no cotidiano. Filmado no País de Gales, com fotografia de Łukasz Żal, Hamnet transforma paisagens naturais em extensões do estado emocional dos personagens.

A Última Ceia ganha nova data de estreia no Brasil e aposta em abordagem íntima dos momentos finais de Jesus

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O cinema religioso ganha um novo capítulo em 2026 com a estreia de “A Última Ceia”, longa dirigido por Mauro Borrelli que desembarca nos cinemas brasileiros no dia 5 de fevereiro, com distribuição da Imagem Filmes. A produção se diferencia ao abandonar o formato tradicional de grandes épicos bíblicos e apostar em uma abordagem mais contida, emocional e humana dos acontecimentos que antecedem a prisão e a crucificação de Jesus Cristo.

Em vez de acompanhar toda a trajetória do personagem central, o filme se concentra em um intervalo decisivo da história cristã: as horas que antecedem a traição de Judas e a consumação do sacrifício. Esse recorte narrativo transforma a Última Ceia em um espaço de tensão silenciosa, reflexão espiritual e conflitos internos, onde palavras não ditas, olhares e gestos ganham tanto peso quanto os discursos.

O ator Jamie Ward, conhecido por trabalhos recentes na televisão, assume o desafio de interpretar Jesus sob uma ótica menos solene e mais próxima do humano. Sua performance busca evidenciar não apenas a dimensão divina do personagem, mas também suas dúvidas, sua compaixão e o peso emocional de saber que o fim está próximo. Ao seu redor, um elenco de apoio formado por Robert Knepper, James Oliver Wheatley e Charlie MacGechan contribui para construir relações marcadas por afeto, desconfiança e fragilidade, refletindo a complexidade dos vínculos entre os discípulos.

Mauro Borrelli, que também assina o roteiro ao lado de Josh Collins, conduz a narrativa como um drama psicológico e espiritual. O diretor utiliza a ceia como eixo central da história, transformando o encontro em um momento de despedida, mas também de preparação para o inevitável. A traição, embora ainda não consumada, já se faz presente como uma ameaça latente, criando um clima de inquietação que atravessa todo o filme.

Do ponto de vista técnico, A Última Ceia aposta em uma estética cuidadosamente construída. A fotografia de Vladislav Opelyants trabalha com luzes suaves e sombras densas, reforçando o caráter simbólico da narrativa e criando uma atmosfera quase contemplativa. Cada enquadramento parece pensado para valorizar o silêncio e a introspecção, aproximando o espectador do estado emocional dos personagens. A trilha sonora composta por Leo Z complementa essa proposta, adotando tons discretos e espirituais que sustentam a carga dramática sem se impor sobre as imagens.

Um dos destaques da produção é a participação do cantor e compositor cristão Chris Tomlin como produtor executivo. Sua presença reforça o compromisso do filme com o público religioso e com uma abordagem respeitosa do texto bíblico, sem abrir mão de uma leitura atual. O resultado é uma obra que dialoga tanto com fiéis quanto com espectadores interessados em narrativas humanas e universais, independentemente de crença.

Antes mesmo de sua chegada ao Brasil, o filme já vinha chamando atenção internacionalmente. A recepção do público tem sido positiva, especialmente entre aqueles que buscam histórias de fé contadas de forma mais sensível e menos grandiosa. Com 80% de aprovação do público no Rotten Tomatoes, A Última Ceia se consolida como uma produção que encontra equilíbrio entre espiritualidade e cinema autoral.

Distribuído nos Estados Unidos pela Pinnacle Peak Pictures, o longa chega ao circuito nacional em um período estratégico, próximo ao calendário religioso, e promete atrair tanto comunidades cristãs quanto espectadores em busca de uma experiência cinematográfica reflexiva.

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