Made in Abyss retorna com trailer inédito e confirma novo filme para os cinemas ainda este ano

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Depois de um longo período de silêncio e expectativa, Made in Abyss finalmente voltou a movimentar os fãs ao redor do mundo. O aguardado trailer de Made in Abyss: The Awakening Mystery foi divulgado, confirmando oficialmente que a história terá continuidade ainda este ano, desta vez nos cinemas. O longa marca o início de uma nova fase da franquia e será o primeiro de uma série de filmes que darão sequência direta aos acontecimentos da segunda temporada do anime, exibida em 2022. Abaixo, confira o vídeo:

A notícia caiu como um presente para quem acompanha a jornada de Riko e seus companheiros desde o início. O trailer entrega exatamente o que os fãs esperavam: imagens belas e inquietantes, uma trilha sonora carregada de emoção e aquele clima único que só Made in Abyss consegue criar. Mesmo sem revelar muitos detalhes da trama, o material deixa claro que a descida ao Abismo está longe de terminar e que novos desafios, ainda mais perigosos, aguardam os personagens.

Dirigido por Masayuki Kojima, que já trabalhou em adaptações anteriores da obra, o filme promete manter a identidade visual e narrativa que consagrou o anime. A produção continua sob responsabilidade do estúdio Kinema Citrus, conhecido por equilibrar delicadeza estética com cenas de impacto emocional forte. A escolha pelo formato cinematográfico indica uma abordagem mais intensa, permitindo explorar o universo da obra com mais profundidade e cuidado.

Baseado no mangá de Akihito Tsukushi, Made in Abyss se passa em torno de uma gigantesca cratera descoberta em uma ilha remota, conhecida apenas como Abismo. Sua profundidade é desconhecida, assim como sua origem, mas sabe-se que cada camada esconde criaturas estranhas, artefatos antigos e vestígios de civilizações perdidas. É um lugar que desperta fascínio e medo na mesma medida, atraindo exploradores dispostos a arriscar tudo em troca de conhecimento e glória.

No centro da história está Riko, uma garota que cresceu à sombra do Abismo e do legado da mãe, Lyza, uma exploradora lendária. Ao lado de Reg, um misterioso garoto robô, Riko decide descer até as profundezas da cratera em busca de respostas. A jornada, no entanto, é marcada por perdas, escolhas difíceis e pela temida maldição do Abismo, que pune severamente aqueles que tentam retornar à superfície. Quanto mais fundo se vai, maiores são as consequências.

Desde sua estreia no mangá, em 2012, Made in Abyss conquistou uma base fiel de fãs justamente por não tratar seu público com condescendência. Apesar do visual aparentemente infantil, a obra aborda temas pesados, como sofrimento, amadurecimento precoce e o custo da curiosidade humana. Essa combinação fez com que a série se destacasse tanto no papel quanto na animação.

A adaptação para anime, lançada em 2017, rapidamente se tornou um sucesso de crítica e público, rendendo prêmios importantes e consolidando o título como um dos mais impactantes da década. A segunda temporada aprofundou ainda mais esse universo, deixando o público emocionalmente abalado e sedento por respostas. Agora, com a confirmação do novo filme, essa expectativa finalmente ganha forma.

No Brasil, o anime está disponível no serviço de streaming HIDIVE, com áudio original em japonês e legendas em português, o que contribuiu para fortalecer ainda mais a popularidade da franquia no país. A chegada de um novo filme aos cinemas também reacende a esperança de exibições oficiais por aqui, algo muito aguardado pelos fãs brasileiros.

Marty Supreme | Filme estrelado por Timothée Chalamet se torna a maior bilheteria mundial da A24

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A A24 acaba de alcançar um feito histórico. Com o fechamento da bilheteria desta semana, Marty Supreme se tornou oficialmente o filme de maior arrecadação mundial da trajetória da distribuidora, ultrapassando o fenômeno Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo. O longa dirigido por Josh Safdie atingiu a marca de US$ 147 milhões ao redor do mundo, superando os US$ 144,9 milhões do vencedor do Oscar de 2023 e estabelecendo um novo patamar comercial para o estúdio conhecido por apostar em projetos autorais e fora do óbvio.

Lançado nos cinemas no fim de 2025, Marty Supreme rapidamente deixou claro que não seria apenas mais um título cult da A24. A combinação entre uma história esportiva pouco convencional, ambientação de época e um protagonista magnético conquistou tanto o público quanto a crítica. O resultado não demorou a aparecer: além do sucesso financeiro, o filme recebeu nove indicações ao Oscar 2026, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Ator, consolidando sua força também na temporada de premiações. A cerimônia acontece no dia 15 de março.

Dirigido por Josh Safdie, que assina o roteiro ao lado de Ronald Bronstein, o filme marca o primeiro trabalho solo do cineasta desde O Prazer de Ser Roubado, lançado em 2008. Conhecido por seu estilo intenso e personagens à margem, Safdie encontra aqui um equilíbrio curioso entre drama, humor e esporte. A trama acompanha Marty Mauser, um jogador fictício de tênis de mesa nos anos 1950, vagamente inspirado no lendário Marty Reisman, figura conhecida tanto por seu talento quanto por sua personalidade controversa.

O papel principal ficou nas mãos de Timothée Chalamet, que entrega uma atuação cheia de energia, vulnerabilidade e ambição. Sua composição de Marty é a de um homem movido por sonhos grandes demais para o mundo em que vive, disposto a atravessar limites morais e pessoais para alcançar reconhecimento. A performance rendeu a Chalamet um Globo de Ouro e um Critics’ Choice Award, além de indicações nas principais premiações da temporada.

O elenco de apoio também chama atenção. Gwyneth Paltrow, Odessa A’zion, Fran Drescher, Tyler Okonma, Abel Ferrara e Kevin O’Leary ajudam a construir um universo vibrante e cheio de contrastes, refletindo a instabilidade emocional e social do protagonista. Odessa A’zion, em especial, ganhou destaque com sua personagem e recebeu indicações importantes como atriz coadjuvante.

O projeto começou a ser desenvolvido ainda em 2018, quando Safdie teve contato com o livro de memórias de Marty Reisman, publicado em 1974. A partir daí, o diretor visualizou uma história que fosse além do esporte, usando o tênis de mesa como pano de fundo para falar sobre ego, sobrevivência e o desejo obsessivo por validação. O encontro com Chalamet no mesmo ano selou o destino do filme, embora o anúncio oficial só tenha acontecido em julho de 2024, após um longo período de desenvolvimento.

Visualmente, Marty Supreme também se destaca. O diretor de fotografia Darius Khondji optou por filmar em película 35 mm, dando ao longa uma textura clássica que reforça a ambientação dos anos 1950. A trilha sonora ficou a cargo de Daniel Lopatin, colaborador frequente de Safdie, enquanto o design de produção liderado por Jack Fisk recria com riqueza de detalhes o universo urbano e esportivo da época.

A estreia aconteceu de forma discreta, como uma exibição secreta no Festival de Cinema de Nova York, em outubro de 2025. Pouco depois, o lançamento comercial nos Estados Unidos, no dia 25 de dezembro, mostrou que o filme tinha potencial para ir muito além do circuito alternativo. Em apenas seis salas, o longa registrou a maior média por cinema da história da A24, um indicativo claro de que algo especial estava em mãos.

Ação em Alta Velocidade! Globo exibe Trem-Bala no Domingo Maior de hoje, 8 de fevereiro

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Se a ideia é terminar o domingo com o coração acelerado e um sorriso no rosto, a Globo faz o convite perfeito. Neste domingo, 8 de fevereiro de 2026, o Domingo Maior exibe Trem-Bala, um filme que abraça o exagero, a diversão e a ação sem freio. É aquele tipo de produção feita para o público se jogar no sofá, esquecer da rotina e simplesmente aproveitar cada cena, mesmo quando tudo parece caminhar para o completo caos.

A história se passa quase toda dentro de um trem-bala japonês que cruza o país em alta velocidade. Dentro dele, estão cinco assassinos profissionais, cada um acreditando estar ali para cumprir uma missão específica e sair sem maiores problemas. O que eles não sabem é que seus objetivos estão conectados de forma muito mais complexa do que imaginam. A partir desse ponto, encontros inesperados, confrontos violentos e diálogos cheios de ironia começam a se desenrolar vagão após vagão.

Brad Pitt vive Joaninha, um assassino experiente que tenta mudar sua forma de agir. Cansado de violência e convencido de que anda com uma maré de azar, ele decide resolver tudo do jeito mais tranquilo possível. Só que, em um trem lotado de criminosos armados até os dentes, essa ideia parece quase ingênua. Pitt entrega um personagem carismático, divertido e humano, brincando com a própria imagem de astro dos filmes de ação e arrancando risadas em momentos inesperados.

Um dos grandes acertos do filme está no elenco de apoio. Aaron Taylor Johnson e Brian Tyree Henry interpretam Tangerina e Limão, dois assassinos que funcionam quase como uma dupla cômica em meio ao caos. A relação entre eles mistura provocações, lealdade e um humor peculiar que equilibra muito bem a violência das cenas. Já Joey King surpreende ao viver uma personagem que parece inofensiva à primeira vista, mas logo se revela uma das figuras mais perigosas da trama.

O elenco ainda reúne nomes conhecidos como Andrew Koji, Hiroyuki Sanada, Michael Shannon, Bad Bunny, Karen Fukuhara, Logan Lerman e Sandra Bullock, em uma participação especial que adiciona mais leveza e ironia à história. Cada personagem entra na narrativa com energia própria, mesmo quando sua presença é breve, o que ajuda a manter o ritmo acelerado do filme.

Na direção, David Leitch mostra que sabe conduzir ação como poucos. O espaço limitado do trem vira um verdadeiro palco para lutas criativas, perseguições improváveis e cenas visualmente marcantes. Tudo é muito estilizado, colorido e exagerado de propósito. Trem-Bala não tenta parecer realista o tempo todo, e essa escolha faz parte do seu charme. O filme assume o tom de comédia de ação e se diverte com isso.

O roteiro, escrito por Zak Olkewicz e baseado no livro Maria Beetle, do autor japonês Kōtarō Isaka, passou por mudanças importantes ao longo do desenvolvimento. A ideia inicial era criar um filme mais sombrio e violento, mas o projeto acabou encontrando sua identidade ao apostar no humor e na ironia. O resultado é uma narrativa que mistura ação intensa com situações absurdas e diálogos afiados.

Produzido durante a pandemia de COVID 19, o longa foi filmado majoritariamente em estúdios nos Estados Unidos, com cenários que recriam com cuidado o interior do trem japonês. Um detalhe que chama atenção é o envolvimento físico de Brad Pitt nas cenas de ação. O ator realizou grande parte das próprias acrobacias, o que contribui para a sensação de impacto e proximidade com o espectador.

Apesar do tom leve e divertido, Trem-Bala também gerou debates importantes após seu lançamento. Parte do público criticou as escolhas de elenco, apontando questões relacionadas à representatividade, já que personagens originalmente japoneses foram interpretados por atores não asiáticos, mesmo com a história ambientada no Japão. Essas discussões trouxeram reflexões relevantes sobre diversidade no cinema e mostram que, mesmo filmes feitos para entretenimento, também podem provocar conversas necessárias.

No fim das contas, Trem-Bala é exatamente o que promete ser. Um filme acelerado, barulhento, colorido e cheio de personalidade. Não busca profundidade ou grandes reflexões, mas entrega diversão, personagens marcantes e cenas que não dão tempo para o tédio aparecer. É o tipo de produção ideal para quem gosta de ação com uma boa dose de humor e não se incomoda com exageros.

Temperatura Máxima deste domingo, 8 de fevereiro, leva adrenalina ao limite com “Missão Resgate”, estrelado por Liam Neeson

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O domingo, 8 de fevereiro de 2026, promete ganhar contornos bem mais intensos na Temperatura Máxima, da TV Globo. A emissora exibe “Missão Resgate” (The Ice Road), um filme que mistura ação, suspense e drama humano em um cenário onde o frio não perdoa e o tempo é o maior inimigo. Estrelado por Liam Neeson, o longa transforma o gelo do norte do Canadá em palco para uma história de coragem, sacrifício e decisões que podem custar vidas.

A história começa com um desastre que muda tudo. Uma mina de diamantes localizada em uma região isolada do Canadá desmorona, deixando vários trabalhadores presos a centenas de metros abaixo da superfície. Com os sistemas de ventilação comprometidos, o oxigênio passa a se esgotar rapidamente. Cada minuto conta, e a chance de sobrevivência diminui a cada nova hora.

Diante da situação, surge uma única alternativa: transportar equipamentos pesados até o local do acidente por meio das chamadas estradas de gelo, caminhos formados sobre lagos e mares congelados durante o inverno. São rotas perigosas, instáveis e imprevisíveis, onde o peso excessivo pode romper o gelo a qualquer momento. É uma missão que poucos aceitariam — e que muitos consideram impossível.

É nesse contexto que entra Mike McCann, personagem vivido por Liam Neeson. Ele é um caminhoneiro experiente, daqueles moldados pela estrada, pelo silêncio e pelo cansaço de quem já viu de tudo. McCann não é apresentado como um herói invencível, mas como alguém que carrega suas próprias dores e limitações. Ainda assim, quando percebe que vidas estão em jogo, ele decide seguir em frente.

Ao liderar a missão de resgate, McCann precisa enfrentar não só o gelo fino sob as rodas do caminhão, mas também a pressão psicológica de saber que qualquer erro pode ser fatal. O filme encontra força justamente nesses momentos mais humanos, quando o personagem demonstra medo, hesitação e, ao mesmo tempo, um forte senso de responsabilidade.

O elenco de apoio ajuda a reforçar essa sensação de tensão constante. Laurence Fishburne interpreta Jim Goldenrod, um líder pragmático e experiente, que tenta manter o controle mesmo quando tudo parece prestes a desmoronar. Sua presença traz equilíbrio e autoridade à narrativa, funcionando como um contraponto ao personagem de Neeson.

Benjamin Walker vive Tom Varnay, um engenheiro ligado à mina, cuja participação adiciona camadas de conflito e surpresa à trama. Já Amber Midthunder, no papel de Tantoo, traz uma carga emocional importante à história, ajudando a humanizar ainda mais a missão e suas consequências. Os personagens secundários não são meros figurantes: cada um carrega motivações próprias, medos e escolhas difíceis.

Na direção, Jonathan Hensleigh aposta em uma condução direta, sem excessos. O foco está na sensação de perigo iminente, construída por meio de cenas longas nas estradas congeladas, rangidos do gelo e caminhões avançando lentamente sobre superfícies que podem se partir a qualquer instante. O frio é quase um personagem à parte, sempre presente, hostil e silencioso.

A fotografia contribui para essa atmosfera ao explorar paisagens amplas e geladas, transmitindo isolamento e vulnerabilidade. Não há glamour no cenário: tudo é cinza, branco e azul, reforçando a ideia de que os personagens estão sozinhos contra a natureza.

Lançado originalmente em 2021, Missão Resgate teve uma trajetória marcante no streaming antes de chegar à TV aberta. Nos Estados Unidos, a Netflix adquiriu os direitos de exibição, lançando o filme na plataforma em junho daquele ano. O resultado foi imediato: o longa se tornou o título mais assistido do serviço em seu fim de semana de estreia, mostrando a força do gênero e do nome de Liam Neeson junto ao público.

Em outros países, o filme seguiu caminhos diferentes. No Brasil, chegou aos cinemas e às plataformas digitais por meio da Imagem Filmes e California Filmes, enquanto no Reino Unido ficou disponível no Amazon Prime Video. Em Portugal, a exibição ocorreu através da Cinemas NOS.

Para quem não conseguir acompanhar a exibição na Temperatura Máxima, há outras opções. O filme está disponível no Globoplay e no Telecine, para assinantes. Também pode ser alugado no Prime Video, em alta definição, a partir de R$ 14,90, permitindo que o público escolha o melhor momento para encarar essa jornada gelada.

Blue Lock no mundo real! O anime que desafiou o futebol japonês chega aos cinemas em live-action

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O anúncio caiu como uma bomba entre fãs de anime, mangá e futebol. Neste sábado, 7 de fevereiro, foi divulgado um novo teaser do live-action de Blue Lock, acompanhado da confirmação de sua estreia nos cinemas japoneses em 7 de agosto. Abaixo, confira o vídeo:

A origem de Blue Lock está diretamente ligada a um evento real e marcante: a eliminação da seleção japonesa na Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Apesar de ter apresentado um futebol organizado e disciplinado, o Japão novamente ficou pelo caminho, reforçando uma crítica recorrente dentro e fora do país: faltava um atacante decisivo, alguém capaz de assumir a responsabilidade nos momentos finais.

Enquanto parte da elite esportiva japonesa parecia resignada com esse cenário, a obra propõe uma reação radical. Dentro da história, essa inquietação ganha rosto e voz através de Anri Teiri, uma jovem dirigente que se recusa a aceitar a ideia de que o Japão jamais terá um artilheiro de elite no cenário mundial.

Convencida de que o problema não é estrutural, mas filosófico, Anri decide apostar tudo em uma ideia extrema. Para isso, ela contrata um treinador tão brilhante quanto controverso: Jinpachi Ego.

Jinpachi Ego e a quebra de paradigmas

Jinpachi Ego não é um técnico comum. Ele surge como uma figura quase antagônica à tradição esportiva japonesa, que sempre valorizou disciplina, espírito coletivo e humildade. Para Ego, esses valores são justamente o que impede o Japão de produzir um atacante realmente letal.

Sua teoria é simples e perturbadora: o futebol japonês fracassa porque seus atacantes são altruístas demais. Falta ego, fome de gols, desejo de ser o protagonista absoluto. A solução proposta por ele beira o absurdo, mas é justamente isso que torna Blue Lock tão intrigante.

Ego cria o projeto Blue Lock, um centro de treinamento de última geração onde 300 jovens atacantes sub-18 são isolados do mundo exterior. Ali, eles passam a competir entre si em desafios eliminatórios, físicos e psicológicos. O objetivo é claro e cruel: apenas um deles sairá como vencedor, destinado a se tornar o camisa 9 da seleção japonesa. Os outros 299 terão suas carreiras praticamente encerradas.

Uma competição onde perder significa desaparecer

Diferente de outros animes esportivos, Blue Lock não suaviza o impacto da derrota. Aqui, perder não é apenas parte do aprendizado, mas o fim da linha. Cada desafio carrega um peso emocional enorme, pois não existe segunda chance.

Esse clima constante de tensão transforma o centro de treinamento em um verdadeiro campo de batalha. Os personagens são forçados a confrontar seus limites, seus medos e, principalmente, sua visão sobre o que significa vencer.

A obra faz questão de deixar claro que talento não é suficiente. Sobrevive quem consegue se adaptar, evoluir e, acima de tudo, colocar o próprio sonho acima de qualquer vínculo emocional.

Isagi Yoichi: um protagonista em conflito

No centro dessa narrativa está Isagi Yoichi, um jovem atacante que representa o oposto do ideal defendido por Jinpachi Ego. Logo no início da história, Isagi vive um momento que define toda a sua trajetória: em uma partida decisiva, ele escolhe passar a bola em vez de finalizar. A jogada parecia correta dentro da lógica do trabalho em equipe, mas termina em fracasso quando o companheiro erra o chute.

A derrota elimina o time do campeonato nacional e deixa Isagi consumido pela dúvida. Ele fez o certo ou apenas foi covarde? Essa pergunta o acompanha quando recebe o convite para participar do projeto Blue Lock.

Ao entrar no programa, Isagi precisa confrontar suas próprias crenças. O jovem que acreditava no futebol coletivo agora é obrigado a desenvolver um instinto egoísta, aprender a pensar primeiro em si e aceitar que, para vencer, será necessário derrotar — e humilhar — outros sonhadores como ele.

Essa jornada interna é um dos maiores trunfos de Blue Lock. O crescimento de Isagi não acontece apenas no campo, mas também no plano psicológico, tornando-o um protagonista complexo, cheio de contradições.

Criado por Muneyuki Kaneshiro e ilustrado por Yusuke Nomura, Blue Lock começou a ser publicado na Weekly Shōnen Magazine em agosto de 2018. Desde seus primeiros capítulos, a obra chamou atenção por sua abordagem agressiva, quase cruel, do esporte mais popular do mundo.

Visualmente, o mangá se destaca pelo traço estilizado de Nomura, que transforma jogadas de futebol em verdadeiros confrontos mentais. As expressões exageradas, os enquadramentos dramáticos e as metáforas visuais ajudam a traduzir o estado emocional dos personagens, algo raro no gênero.

O sucesso editorial foi rápido. A Kodansha passou a lançar os volumes encadernados regularmente, e a série não demorou a alcançar números impressionantes. Até janeiro de 2026, Blue Lock já contava com 37 volumes publicados, mantendo uma base de leitores fiel e crescente.

O impacto de Blue Lock vai muito além das vendas. A obra ultrapassou a marca de 15 milhões de cópias em circulação, consolidando-se como um dos mangás esportivos mais populares da atualidade.

Em 2021, o reconhecimento veio de forma oficial com a conquista do 45º Prêmio de Mangá Kodansha, na categoria Melhor Mangá Shōnen. O prêmio não apenas confirmou a relevância da obra dentro da indústria, como também ajudou a expandir ainda mais seu alcance internacional.

O anime, lançado posteriormente, ampliou esse sucesso, levando a história a um público ainda maior e preparando o terreno para projetos mais ambiciosos, como o live-action.

No Brasil, Blue Lock é publicado pela Panini, que apostou na força da franquia desde seus primeiros volumes. A recepção foi imediata, especialmente entre jovens leitores e fãs de futebol, que se identificam com o tom intenso e competitivo da narrativa.

Em Portugal, a obra começou a ser publicada pela Distrito Manga em fevereiro de 2025, marcando a entrada oficial da franquia no mercado português. Essa expansão no mundo lusófono reflete o alcance global de Blue Lock e ajuda a explicar o interesse internacional em sua adaptação cinematográfica.

Transformar Blue Lock em live-action é um desafio considerável. A obra depende fortemente de exageros visuais e de uma linguagem quase abstrata para representar o conflito interno dos jogadores. Levar isso para o cinema exige equilíbrio entre realismo e estilização.

O teaser divulgado no dia 7 de fevereiro aposta em uma atmosfera mais séria e intensa. As imagens destacam o isolamento do centro de treinamento, o olhar determinado dos personagens e a tensão constante entre os competidores. Mesmo com poucas cenas reveladas, o material sugere um cuidado em preservar o espírito da obra original.

A estreia marcada para 7 de agosto no Japão posiciona o filme em um período estratégico, aproveitando o verão e o aumento do público jovem nos cinemas. Ainda não há informações oficiais sobre lançamento internacional, mas a expectativa é alta, especialmente em países onde o mangá e o anime já possuem uma base sólida de fãs.

Apesar de usar o esporte como pano de fundo, Blue Lock sempre foi uma história sobre pessoas. Fala sobre pressão, fracasso, identidade e a busca obsessiva pelo sucesso. Em um mundo cada vez mais competitivo, a obra dialoga diretamente com uma geração acostumada a disputar espaço, reconhecimento e oportunidades.

Saiba qual filme vai passar no Cine Aventura deste sábado, 7 de fevereiro, na Record TV

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No Cine Aventura deste sábado, 7 de fevereiro de 2026, a Record TV exibe o suspense psicológico Até o Limite, um filme que prende o espectador desde os primeiros minutos e transforma um simples turno de rádio em uma noite de terror, culpa e jogos mentais. Estrelado por Mel Gibson, o longa aposta em tensão constante, reviravoltas inesperadas e personagens cheios de falhas, aproximando o público de uma história que vai muito além de um thriller comum. O filme também está disponível no streaming pelo Prime Video.

A trama gira em torno de Elvis Cooney, um radialista conhecido em Los Angeles por seu estilo provocador, suas piadas ácidas e uma postura que frequentemente ultrapassa limites. Dono de um programa noturno de grande audiência, Elvis decide aceitar um novo desafio profissional ao assumir o horário da meia-noite na rádio KLAT. A mudança, porém, cobra um preço alto. Para seguir focado na carreira, ele se afasta da esposa Olivia e da filha Adria, mergulhando em uma rotina solitária, alimentada pelo ego e pela sensação de poder que o microfone lhe proporciona.

No estúdio, Elvis trabalha ao lado de Mary, a telefonista que filtra as ligações dos ouvintes e mantém o programa funcionando nos bastidores. Logo no início do turno, ele conhece Dylan, um jovem estagiário em seu primeiro dia de trabalho. Fiel ao seu jeito debochado, Elvis decide recepcionar o novato com uma pegadinha, algo que parece inofensivo, mas já indica o tipo de personalidade que domina o ambiente da rádio.

A noite segue aparentemente normal até que Elvis recebe uma ligação que muda tudo. Do outro lado da linha está um homem que se apresenta como Gary. No começo, a conversa soa como mais uma participação excêntrica de um ouvinte noturno. Em poucos segundos, porém, o clima se transforma quando Gary afirma estar dentro da casa de Elvis, mantendo Olivia e Adria como reféns. A ameaça é direta e aterradora. Se Elvis desligar o telefone ou tentar interromper a transmissão, sua família será morta.

Desesperado, Elvis tenta manter a calma enquanto Gary revela o verdadeiro motivo do ataque. Ele afirma que o radialista foi responsável pela morte de Lauren, uma antiga telefonista da rádio que teria tirado a própria vida após ser constantemente humilhada pelas piadas e comentários ofensivos de Elvis. A partir desse ponto, o filme abandona qualquer sensação de conforto e mergulha em um jogo psicológico cruel, onde cada palavra dita ao vivo pode custar uma vida.

Gary passa a controlar o programa e obriga Elvis a se expor publicamente. Em um dos momentos mais constrangedores, ele força o apresentador a admitir no ar que teve um relacionamento com Mary. Em seguida, ordena que Elvis suba até o telhado do prédio e pule. Sem opções, ele obedece, acompanhado por Dylan, Mary e Steven, outro funcionário da emissora. Em uma tentativa de ganhar tempo, Dylan tenta enganar Gary, fingindo que Elvis realmente saltou do prédio. O plano falha quando um drone revela que tudo está sendo monitorado.

Pouco depois, Elvis ouve disparos pelo telefone e acredita que sua esposa e filha foram assassinadas. O choque é devastador. No entanto, ao sair do estúdio, ele escuta a voz de Gary ecoando pelos alto-falantes do prédio. O sequestrador revela que nunca esteve na casa de Elvis. Olivia e Adria ainda estão vivas e escondidas em algum ponto do próprio edifício da rádio. Gary usou o tempo para matar o segurança da entrada, se esconder no prédio e preparar uma explosão. Agora, Elvis tem apenas 40 minutos para encontrá-lo.

O filme ganha ritmo acelerado quando Elvis e Dylan percorrem corredores escuros, salas técnicas e passagens escondidas do prédio. No meio da busca, eles encontram Tony, um velho amigo de Elvis que vinha roubando computadores do local sem que ninguém percebesse. Gary exige que Elvis o mate como prova de obediência. Pela primeira vez, o radialista se recusa a seguir as ordens, deixando Tony escapar. O gesto marca uma virada emocional no personagem, que começa a questionar o tipo de pessoa que se tornou.

Em outro momento tenso, Gary leva Elvis e Dylan a um esconderijo falso e revela que está observando tudo pelas câmeras de segurança. Quando conseguem chegar à sala de controle, eles encontram o corpo de Justin, um apresentador rival que sonhava em ocupar o horário de Elvis. Logo depois, Gary anuncia que agora está no estúdio, mantendo Mary e Steven como reféns.

O clima se torna ainda mais pesado quando Elvis descobre que Olivia e Adria estão no terraço usando coletes explosivos. A polícia entra em cena com Bruce, um agente da SWAT, mas nem mesmo isso impede Gary de continuar controlando a situação. Ele exige uma troca. As duas são libertadas, mas Dylan deve ocupar o lugar delas. Sem alternativas, Elvis aceita. Quando tudo parece perdido, Gary atira em Bruce e aciona o detonador, sem que nada aconteça.

É nesse ponto que o filme surpreende. Elvis e Gary começam a rir e se abraçam, enquanto pessoas que todos acreditavam estar mortas reaparecem ilesas. A revelação é chocante. Tudo não passou de uma gigantesca pegadinha armada por toda a equipe da rádio para assustar Dylan. O problema é que a brincadeira saiu completamente do controle. Em choque, o estagiário deixa o estúdio e acaba caindo de uma escada, aparentemente morrendo no impacto.

Na manhã seguinte, Elvis, destruído emocionalmente, decide abandonar o rádio. Porém, o desfecho guarda mais uma reviravolta. Dylan reaparece vivo. Seu verdadeiro nome é Max, e ele é um dublê contratado para fingir a própria morte como parte de uma última pegadinha, dessa vez organizada para comemorar o aniversário de Elvis, que ele acreditava ter sido esquecido por todos. A ironia é amarga. Depois de tantas manipulações, o único realmente abalado é o próprio radialista.

Lançado nos Estados Unidos em novembro de 2022, após a Saban Films adquirir seus direitos de distribuição, Até o Limite foi filmado em Paris em 2021 e conta ainda com Kevin Dillon, William Moseley, Enrique Arce, Nadia Farès, Alia Seror O’Neill, Paul Spera e Nancy Tate no elenco. Mais do que um suspense eletrizante, o filme provoca reflexões sobre limites, responsabilidade e até onde o entretenimento pode ir antes de se tornar cruel. Uma escolha certeira para quem gosta de histórias intensas e cheias de surpresas.

Resenha – Asterix Omnibus (Volume 2) é a prova de que o humor também pode ser um ato de resistência

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Asterix Omnibus (Vol. 2) é, ao mesmo tempo, um lembrete do enorme talento criativo de René Goscinny e Albert Uderzo e uma prova de como um clássico pode sobreviver — e ser questionado — fora do seu tempo original. A coletânea reúne três aventuras fundamentais (Asterix Gladiador, Uma Volta pela Gália com Asterix e Asterix e Cleópatra), mas o que realmente sustenta o volume não é apenas o humor, e sim a inteligência política por trás de cada piada.

Por trás do tom leve e do traço cartunesco, Asterix sempre foi um comentário ácido sobre poder, imperialismo e resistência cultural. Aqui, isso fica ainda mais evidente. Os romanos não são apenas vilões caricatos; representam sistemas burocráticos, autoritários e absurdamente confiantes na própria superioridade. A aldeia gaulesa, por sua vez, funciona como metáfora da identidade que se recusa a ser apagada — nem pela força, nem pela “civilização” imposta.

Em Asterix Gladiador, o espetáculo da violência romana é tratado com humor, mas também com crítica clara: transformar sofrimento em entretenimento é uma prática antiga — e assustadoramente atual. A forma como Asterix e Obelix subvertem o sistema dos gladiadores expõe o ridículo de uma estrutura que só funciona enquanto ninguém questiona suas regras. O riso aqui não é inocente; é corrosivo.

Uma Volta pela Gália com Asterix talvez seja a história mais politicamente afiada do volume. A tentativa romana de isolar a aldeia com uma paliçada é uma imagem poderosa de controle territorial e cerceamento cultural. A resposta dos gauleses — atravessar o país celebrando comidas, sotaques e costumes — transforma a gastronomia em ato de resistência. É uma aventura simples na forma, mas sofisticada no discurso, exaltando a diversidade como antídoto contra a homogeneização forçada.

Já Asterix e Cleópatra brinca com vaidade, poder e ego nacional, usando o Egito como palco para uma sátira sobre líderes que confundem grandeza pessoal com grandeza histórica. Apesar do tom cômico, há aqui uma crítica direta à obsessão por monumentos, fama e legado, enquanto pessoas comuns lidam com as consequências dessas ambições.

Ainda assim, vale dizer: nem tudo envelheceu perfeitamente. Algumas piadas visuais e estereótipos refletem o contexto da época e podem soar datados para leitores mais atentos hoje. Isso não invalida a obra, mas convida à leitura crítica — algo que, ironicamente, combina muito com o espírito questionador da própria série.

No fim, Asterix Omnibus (Vol. 2) funciona menos como simples entretenimento infantil e mais como uma aula disfarçada de quadrinhos. Um clássico que diverte, sim, mas que também provoca, ironiza o poder e lembra que rir pode ser um ato profundamente político.

Resenha – Meninos Morrem de Medo expõe o fracasso social em lidar com a diferença

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Meninos Morrem de Medo: Contos de Flamígera é um livro que se constrói a partir da delicadeza, mas não se esconde atrás dela. Ao reunir histórias centradas em personagens que a sociedade insiste em marginalizar — pessoas autistas, indivíduos com síndrome de Down e sujeitos profundamente sensíveis — a obra assume uma postura crítica clara: a exclusão não é exceção, é regra. E o medo, longe de ser apenas sentimento individual, é produto de um sistema que pune quem foge da norma.

O tom aparentemente nostálgico que atravessa os contos — cartas perfumadas, códigos de cortesia, encontros mais lentos — funciona menos como saudade de um tempo idealizado e mais como recurso de contraste. Ao evocar um passado em que os gestos carregavam significado, o livro evidencia o empobrecimento das relações contemporâneas, marcadas por pressa, superficialidade e intolerância. Essa escolha narrativa revela um olhar crítico sobre o presente, ainda que sem recorrer ao discurso explícito.

O verdadeiro centro da obra está em seus personagens. Eles não aparecem para cumprir funções simbólicas nem para despertar piedade. Ao contrário, são construídos com complexidade e humanidade, expondo desejos, frustrações e contradições. O livro acerta ao recusar tanto a romantização da diferença quanto a sua exploração como instrumento moralizante. Aqui, o desconforto nasce justamente da normalidade dessas vidas — e da forma como são constantemente violentadas por olhares e expectativas alheias.

A violência retratada nos contos raramente é física. Ela se manifesta de maneira mais sutil e persistente: no silenciamento, no constrangimento, na tentativa constante de corrigir comportamentos considerados inadequados. Meninos Morrem de Medo é incisivo ao mostrar como a violência psicológica é naturalizada e, muitas vezes, invisível. O livro não oferece redenção fácil nem soluções narrativas confortáveis; ele expõe feridas e as deixa abertas.

O título da obra é revelador. O medo que atravessa os personagens não é covardia, mas resultado de um aprendizado social cruel. Aprender a temer o afeto, a exposição e o julgamento é uma forma de sobrevivência em um mundo que exige desempenho e normalização constantes. Nesse sentido, o livro também faz uma crítica direta às construções de masculinidade e à repressão emocional imposta desde a infância.

Do ponto de vista literário, a escrita é contida e consciente. Não há excessos nem ornamentalização do sofrimento. A escolha por uma linguagem limpa e econômica reforça a força do que é dito, evitando qualquer tentativa de espetacularizar a dor. Em alguns momentos, essa contenção pode soar fria, mas é justamente ela que impede o livro de escorregar para o sentimentalismo fácil.

Meninos Morrem de Medo: Contos de Flamígera não é uma leitura confortável, ainda que seja delicada. Sua crítica é silenciosa, mas persistente. Ao colocar no centro da narrativa personagens que costumam ser empurrados para as margens, o livro obriga o leitor a confrontar seus próprios preconceitos e limites de empatia.

Resenha – Ao Meu Redor transforma o sobrenatural em espelho da culpa humana

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Em Ao Meu Redor, André Vianco retorna ao horror com uma proposta clara: usar o sobrenatural não como espetáculo, mas como consequência direta de escolhas morais extremas. O livro parte de uma pergunta provocadora — até onde alguém iria para escapar do próprio inferno? — e responde de forma cruel: sempre existe algo pior à espera.

A protagonista, Teodora, é uma policial corrupta que já surge no limite da queda. Não há tentativa de torná-la simpática ou justificável, e esse é um dos acertos do romance. Sua relação com Raoni, chefe do tráfico, é baseada em conveniência e violência, e a traição que sofre apenas acelera um colapso que já estava em curso. Quando Teodora mata Raoni e inicia uma corrida desesperada atrás do dinheiro do crime, a narrativa assume um ritmo sufocante, marcado por paranoia, culpa e impulsos destrutivos.

O ponto de virada da história acontece com a entrada de Jéssica, a irmã afastada, uma cientista brilhante e emocionalmente instável. A criação da Iboga-7 — uma droga capaz de abrir um canal entre vivos e mortos — desloca o livro do thriller criminal para o horror metafísico. Vianco acerta ao tratar essa transição não como ruptura, mas como aprofundamento: o sobrenatural surge como extensão do caos psicológico e moral das personagens.

A relação entre as duas irmãs é um dos pilares mais interessantes da narrativa. Não há afeto idealizado, apenas ressentimento, dependência e feridas antigas nunca cicatrizadas. O terror que se desenrola no “outro lado” é constantemente atravessado por traumas familiares, tornando difícil separar o que é manifestação do além e o que é projeção da culpa. Ao Meu Redor deixa claro que atravessar mundos não significa escapar de si mesmo.

O horror aqui não se constrói apenas com monstros ou visões perturbadoras, mas com a sensação constante de aprisionamento. O além apresentado por Vianco é hostil, opressor e profundamente psicológico. A experiência é menos sobre o medo do desconhecido e mais sobre o reconhecimento de que certas condenações são autoimpostas. Nesse sentido, o livro se aproxima mais do horror existencial do que do terror clássico.

Narrativamente, Vianco aposta em uma escrita direta, agressiva e sem concessões. O ritmo é intenso, por vezes quase exaustivo, o que reforça a sensação de desespero que acompanha as protagonistas. Em alguns momentos, o excesso de brutalidade pode afastar leitores mais sensíveis, mas essa escolha parece consciente: Ao Meu Redor não quer ser confortável.

O maior mérito do livro está em sua coerência temática. O sobrenatural nunca surge como solução, apenas como ampliação da tragédia. Não há redenção fácil, nem punições simplistas. O horror verdadeiro não está apenas no mundo dos mortos, mas na soma de escolhas feitas em vida — e nas consequências que continuam ecoando depois dela.

Resenha – Os Quadros de Elisa usa o suspense para expor o que a sociedade ainda prefere não enxergar

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Os Quadros de Elisa é um daqueles livros que começam com a promessa de entretenimento, mas rapidamente deixam claro que não estão interessados apenas em distrair. Embora se apresente como um suspense investigativo, a obra aposta em algo mais incômodo: usar o mistério como espelho de um problema estrutural que segue sendo relativizado, ignorado ou mal interpretado — a violência contra a mulher.

O crime que atravessa a vida das irmãs Alice e Elisa funciona menos como um quebra-cabeça policial e mais como um ponto de ruptura. A partir dele, o livro constrói uma narrativa que questiona diretamente a forma como julgamos vítimas, suspeitos e histórias mal contadas. Não há conforto aqui. O leitor é constantemente empurrado para fora da posição passiva, sendo convidado a rever suas próprias certezas e desconfianças.

Elisa, como protagonista, carrega uma complexidade que fortalece a proposta do livro. Ela não é uma investigadora infalível nem uma vítima idealizada. Sua busca por respostas é atravessada por confusão emocional, culpa, medo e contradições — elementos que muitas narrativas insistem em apagar quando falam sobre violência. Essa escolha é acertada e politicamente relevante: o livro entende que a experiência feminina raramente é linear ou facilmente explicável.

Os personagens masculinos que orbitam a trama não existem apenas para preencher a lista de suspeitos. Um ex-namorado abusivo, um relacionamento recente, um homem em situação de rua e um assediador formam um conjunto de figuras que expõem diferentes faces de uma mesma estrutura de poder. O mérito do livro está em não transformar nenhum deles em vilão óbvio demais, mas também em não relativizar comportamentos abusivos. Essa ambiguidade gera desconforto — e esse desconforto é necessário.

Narrativamente, Os Quadros de Elisa provoca ao brincar com estereótipos. O leitor é levado a desconfiar de quem parece perigoso e a minimizar atitudes que socialmente costumam ser normalizadas. Quando essas expectativas são quebradas, o impacto não está apenas na surpresa do enredo, mas na constatação de como somos treinados a enxergar determinadas situações de forma enviesada. O suspense, aqui, funciona como armadilha ética.

O cenário turístico do Sudeste brasileiro é uma escolha particularmente eficaz. Ao deslocar a violência para espaços associados ao lazer, à beleza e à segurança, o livro desmonta a ideia de que esse tipo de crime está restrito a lugares marginalizados. A mensagem é clara: a violência não escolhe paisagem, classe social ou contexto idealizado. Ela acontece onde preferimos não olhar.

Do ponto de vista literário, a escrita é direta e funcional, sem excessos estilísticos. Em alguns momentos, a narrativa poderia arriscar mais formalmente, aprofundando certas passagens emocionais, mas essa contenção também contribui para a fluidez e para o alcance do livro. A prioridade está menos na sofisticação da linguagem e mais na clareza da mensagem — uma escolha que faz sentido dentro da proposta.

O maior mérito de Os Quadros de Elisa está em sua recusa em ser apenas um suspense de consumo rápido. O livro incomoda porque não oferece respostas fáceis nem vilões confortáveis. Ele questiona, provoca e aponta para uma realidade que ainda encontra resistência em ser debatida com a seriedade necessária. Ao final, o mistério se resolve, mas o incômodo permanece — e essa é, sem dúvida, a sua maior vitória.

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