Depois de acompanhar diferentes fases da infância ao longo de quase três décadas, a franquia Toy Story prepara uma nova discussão para seu próximo capítulo. Desta vez, os brinquedos terão que lidar com um concorrente que não existia quando Woody e Buzz Lightyear chegaram aos cinemas pela primeira vez: as telas.
Durante um evento realizado em Londres para promover Toy Story 5, Tom Hanks (À Espera de um Milagre, O Pior Vizinho do Mundo, O Resgate do Soldado Ryan) conversou com o The Hollywood Reporter e comentou um dos temas centrais da nova animação da Pixar. Segundo o ator, que dubla Woody desde 1995, o filme trará uma reflexão sobre a relação das crianças com a tecnologia e sobre os impactos emocionais que esse contato pode provocar.
Ao falar sobre a história, o ator revelou que existe uma sequência que o marcou profundamente durante a produção. A cena acompanha uma garota que fica abalada após receber mensagens negativas e não consegue entender a razão por trás da rejeição. “Aquela garotinha fica magoada com as mensagens que as pessoas mandam sobre ela. Ela não entende o porquê. Ela não sabe o que fez de errado, mas aquilo dói”, afirmou o ator.
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A fala ajuda a entender a direção que a Pixar pretende seguir no novo longa. Em vez de tratar a tecnologia apenas como um elemento de fundo, o estúdio parece interessado em discutir como celulares, aplicativos e redes digitais passaram a influenciar experiências que antes aconteciam quase exclusivamente fora das telas.
A própria trama aponta nessa direção. Após os acontecimentos do quarto filme, Jessie assume uma posição de liderança no quarto de Bonnie, enquanto Buzz Lightyear continua como um de seus principais aliados. No entanto, a rotina dos brinquedos muda quando Bonnie, agora com oito anos, desenvolve uma forte ligação com um novo dispositivo chamado Lilypad, um tablet em forma de sapo.
Essa mudança cria um cenário diferente de tudo o que a franquia apresentou até agora. Nos filmes anteriores, os brinquedos temiam ser esquecidos, doados ou substituídos por novidades. Agora, eles enfrentam algo mais complexo: a atenção de uma criança disputada por dispositivos capazes de oferecer vídeos, jogos, mensagens e entretenimento praticamente ilimitado.
O tema conversa diretamente com uma realidade vivida por muitas famílias. Nos últimos anos, tablets e smartphones passaram a ocupar uma parte significativa do cotidiano infantil, alterando hábitos de lazer e formas de interação. Ao levar essa discussão para o universo de Toy Story, a Pixar encontra uma maneira de abordar um assunto contemporâneo sem abandonar os elementos emocionais que marcaram a série desde o início.
O elenco principal retorna praticamente completo. Tom volta como Woody, Tim Allen reprisa o papel de Buzz Lightyear e Joan Cusack retorna como Jessie, personagem que deve ocupar uma posição ainda mais importante nesta nova fase da história. Também estão de volta nomes conhecidos do público, como Annie Potts, Wallace Shawn, John Ratzenberger, Bonnie Hunt, Tony Hale, Kristen Schaal, Keanu Reeves e Ally Maki.
A produção também adiciona novos integrantes ao elenco. Entre eles estão Greta Lee, Conan O’Brien, Craig Robinson, Bad Bunny, Alan Cumming e Mykal-Michelle Harris. Embora os detalhes sobre seus personagens ainda estejam sendo mantidos em segredo, a expectativa é que eles tenham participação importante nos conflitos apresentados pela nova trama.
Nos bastidores, o quinto longa-metragem será dirigido por Andrew Stanton, cineasta responsável por produções como Procurando Nemo e WALL-E. O roteiro foi desenvolvido em parceria com McKenna Harris, enquanto Randy Newman retorna para compor a trilha sonora, mantendo uma das marcas registradas da franquia.
Outro detalhe relevante é que este será o primeiro filme principal da série produzido sem o envolvimento de John Lasseter, um dos criadores de Toy Story e figura fundamental nos capítulos anteriores.
As declarações de Hanks sugerem que a Pixar continuará utilizando brinquedos para falar sobre experiências humanas reconhecíveis pelo público. Desta vez, o estúdio parece mirar em questões ligadas à comunicação digital, à autoestima e ao impacto que palavras enviadas por uma tela podem causar em crianças que ainda estão aprendendo a lidar com o mundo ao seu redor.



























