Alguns romances conseguem transportar o leitor para outro lugar com tanta facilidade que a leitura passa a funcionar quase como uma pequena viagem. É exatamente essa sensação que surge ao abrir as páginas de O Amor Come Espaguete, uma história que combina romance, humor e identidade secreta em meio ao cenário vibrante da Itália. O livro aposta em um clima leve e envolvente, daqueles que fazem o leitor avançar capítulo após capítulo sem perceber o tempo passar.
A narrativa encontra grande parte de sua força na forma como utiliza o cenário italiano. As ruas estreitas, os cafés movimentados, os restaurantes cheios de vida e as paisagens que parecem saídas de um cartão-postal ajudam a construir uma atmosfera calorosa. A Itália não aparece apenas como pano de fundo. Ela influencia o ritmo da história, os encontros entre os personagens e até o clima emocional de muitas cenas. Há uma sensação constante de movimento, como se cada esquina escondesse uma nova surpresa.
No centro dessa história está Ottavia, uma protagonista que foge de certos estereótipos comuns ao romance contemporâneo. Ela é inteligente, observadora e acostumada a resolver problemas longe dos holofotes. Sua vida profissional sempre funcionou melhor nos bastidores, organizando situações e mantendo tudo sob controle sem chamar muita atenção. Porém, quando uma situação inesperada a coloca no meio de uma farsa que precisa ser sustentada, Ottavia é obrigada a assumir um papel que nunca imaginou ocupar.
Esse deslocamento cria um interessante arco de transformação para a personagem. Ao longo da história, ela passa a lidar com situações que exigem improviso, coragem e até um certo talento para esconder a verdade. A cada novo capítulo, a personagem se vê envolvida em uma rede de pequenas mentiras que acabam gerando momentos divertidos, mas também carregados de tensão. O leitor acompanha esse processo com curiosidade, sempre esperando o momento em que tudo pode sair do controle.
Do outro lado da trama está Dominic, um CEO que parece ter sua vida perfeitamente organizada. Ele é metódico, reservado e acostumado a manter distância emocional das pessoas ao seu redor. A primeira impressão é a de alguém que construiu uma espécie de armadura profissional, na qual sentimentos e impulsos não têm muito espaço. Esse perfil mais contido contrasta diretamente com a espontaneidade de Ottavia.
É justamente dessa diferença que nasce a química entre os dois personagens. O encontro entre alguém que vive improvisando e outro que precisa manter tudo sob controle cria situações interessantes. Os diálogos carregam uma mistura de ironia, curiosidade e tensão que mantém o leitor atento ao desenvolvimento da relação. Aos poucos, pequenas rachaduras começam a surgir na postura rígida de Dominic, revelando camadas que inicialmente estavam escondidas.
O romance se desenvolve de forma gradual, sem pressa em chegar às conclusões mais óbvias. Em vez de apostar apenas em grandes reviravoltas, o livro encontra força nos detalhes. Olhares demorados, conversas aparentemente simples e momentos compartilhados em restaurantes ou cafés ajudam a construir a proximidade entre os personagens. Esses instantes funcionam quase como pausas na narrativa, permitindo que o leitor observe a evolução da relação com mais cuidado.
A gastronomia também tem um papel curioso dentro da história. A presença constante de pratos italianos, especialmente massas e vinhos, ajuda a reforçar o clima acolhedor da narrativa. Muitas das conversas importantes acontecem à mesa, em momentos que misturam sabor, intimidade e descobertas pessoais. O próprio título do livro funciona como uma espécie de convite para esse universo em que comida e sentimentos acabam se cruzando com frequência.
Mesmo com tantos pontos positivos, o livro não escapa completamente de alguns elementos tradicionais do gênero. Certos caminhos da trama podem parecer previsíveis para leitores que já estão acostumados a romances contemporâneos. Algumas situações seguem estruturas narrativas bastante conhecidas, especialmente quando se trata de segredos que inevitavelmente acabam sendo revelados.
Ainda assim, o charme da história consegue compensar essa familiaridade. A autora demonstra habilidade ao construir um ambiente que convida o leitor a permanecer ali por mais tempo. Existe uma sensação constante de conforto ao acompanhar a trajetória de Ottavia e Dominic, como se o livro oferecesse uma pausa agradável na rotina.
Outro aspecto interessante é a forma como os personagens vão revelando suas vulnerabilidades ao longo da narrativa. O que começa como um encontro marcado por circunstâncias improváveis acaba se transformando em algo mais profundo. A relação evolui à medida que ambos percebem que suas certezas sobre a própria vida talvez não sejam tão sólidas quanto imaginavam.
Ottavia descobre que pode ocupar espaços que antes pareciam impossíveis para ela. Dominic, por sua vez, começa a perceber que viver apenas dentro de regras rígidas talvez não seja suficiente para construir relações verdadeiras. Esse equilíbrio entre transformação pessoal e romance ajuda a dar mais consistência à história.
No fim das contas, O Amor Come Espaguete se mostra uma leitura que aposta mais na experiência do que na surpresa. Não se trata de um livro que tenta reinventar o romance contemporâneo, mas de uma história que entende bem o tipo de emoção que quer provocar no leitor. Há leveza, humor, tensão romântica e uma ambientação capaz de despertar vontade de viajar.
Para quem procura um romance que combine escapismo, paisagens encantadoras e personagens que se aproximam aos poucos, a obra oferece exatamente esse tipo de jornada. A leitura deixa uma sensação agradável de ter acompanhado uma história calorosa, cheia de pequenos momentos que fazem diferença.
Manaus se prepara para viver dias de arte, emoção e reencontros com grandes histórias brasileiras. Nos dias 9, 10, 16 e 17 de agosto, a capital do Amazonas será palco da 1ª Mostra de Teatro Águas de Manaus, um evento cultural gratuito que promete reunir nomes consagrados e talentos locais em uma celebração cênica diversa e afetiva. E nada melhor para dar o tom da abertura do que uma figura que misturava rebeldia, poesia, música e liberdade como ninguém: Rita Lee.
A estreia da mostra acontece no dia 9 de agosto, às 20h, no anfiteatro da praia da Ponta Negra, zona oeste da cidade. E o espetáculo escolhido para abrir o evento é “Rita Lee – Uma Autobiografia Musical”, estrelado pela atriz Mel Lisboa, que mergulha de corpo e alma na história da rainha do rock brasileiro.
Trata-se de uma produção que já emocionou mais de 90 mil pessoas pelo país e que agora chega a Manaus como uma ode viva à mulher, artista e fenômeno cultural que foi — e continua sendo — Rita Lee.
Uma história cantada e sentida
A peça é uma adaptação livre da autobiografia lançada por Rita em 2016, que se tornou um dos livros mais vendidos da década no Brasil. Mas não espere uma simples leitura dramatizada. O que o público verá no palco da Ponta Negra é um espetáculo que mistura música, teatro e emoção em uma narrativa envolvente e generosa, conduzida com humor, afeto e sem medo de encarar os fantasmas — como a própria Rita sempre fez.
Mel Lisboa dá vida a Rita com uma entrega admirável. Ela não apenas interpreta: ela incorpora o espírito da artista, caminhando com desenvoltura entre os episódios mais marcantes da sua vida. Desde a infância em uma família paulistana de classe média alta, passando pelas primeiras bandas, como Os Mutantes e Tutti-Frutti, o período de repressão e prisão durante a ditadura militar, até o reencontro com o amor ao lado de Roberto de Carvalho, os filhos, o ativismo animal e os momentos mais íntimos de vulnerabilidade e glória.
O texto costura a narrativa com canções que marcaram gerações e ainda hoje ressoam com força. Estão no repertório sucessos como “Saúde”, “Mania de Você”, “Doce Vampiro”, “Reza”, “Desculpe o Auê” e, claro, “Ovelha Negra”, uma espécie de hino libertador que embala gerações de pessoas que, como Rita, nunca se sentiram completamente encaixadas.
Mel Lisboa: a atriz que encontrou Rita dentro de si
Mel Lisboa não é uma novata quando o assunto é interpretar Rita Lee. Seu encontro com a artista começou anos atrás, quando protagonizou a peça “Rita Lee Mora ao Lado”, inspirada na biografia homônima escrita por Henrique Bartsch. Desde então, um vínculo quase espiritual se formou entre atriz e personagem. Um elo que se aprofunda neste espetáculo que mistura memória e música com emoção genuína.
Por sua atuação, Mel foi reconhecida com o Prêmio Shell de Teatro, uma das maiores honrarias da cena teatral brasileira. Mas mais do que prêmios, o que a atriz transmite em cena é o sentimento de alguém que compreendeu Rita não apenas como mito, mas como ser humano: frágil, ousada, amorosa, contraditória e absolutamente autêntica.
“Não se trata de imitar. É sobre captar a alma, a vibração, o olhar que ela lançava sobre o mundo. Rita era muitas coisas, às vezes tudo ao mesmo tempo. E é essa complexidade que a torna tão fascinante de representar”, afirmou Mel em entrevistas anteriores.
Um presente para Manaus — e um convite à memória afetiva
A escolha de abrir a Mostra de Teatro Águas de Manaus com esse espetáculo não é apenas um acerto artístico — é também uma decisão simbólica. Rita Lee representa a força da arte que dialoga com todas as gerações. Sua história se mistura com a história recente do Brasil e convida o público a olhar para si mesmo, para os próprios sonhos e rupturas.
Segundo Aline Mohamad, do Instituto Brasileiro de Teatro (iBT), a curadoria da mostra buscou obras que dialogassem com a memória coletiva e com temas universais.
“A Rita é símbolo de liberdade, irreverência, criatividade e coragem. Ela foi — e é — inspiração para artistas, mulheres, ativistas, sonhadores. Começar com esse espetáculo é também uma forma de dizer: estamos aqui para falar de arte que transforma, emociona e resgata histórias que não podem ser esquecidas”, explica Aline.
A atriz e o espetáculo são produzidos pela Turbilhão de Ideias, companhia reconhecida por apostar em narrativas biográficas que cruzam arte e identidade brasileira.
Teatro para todos: uma cidade em cena
A Mostra de Teatro Águas de Manaus vai muito além da abertura estrelada. O projeto contempla apresentações em diversos bairros da capital, com peças que abordam desde temas históricos até reflexões do cotidiano manauara. A proposta é descentralizar a produção teatral e aproximar o público de diferentes territórios à arte.
As apresentações serão realizadas nos dias 9, 10, 16 e 17 de agosto, sempre com acesso gratuito. Além do espetáculo de Mel Lisboa, a mostra contará com companhias locais, trazendo vozes potentes da cena teatral amazônica.
Simony Dias, gerente de Relações Institucionais da Águas de Manaus — empresa responsável pelo apoio à mostra — destaca a importância da democratização do acesso à cultura:
“É uma honra participar de um projeto que leva teatro para todos os cantos da cidade. Cultura é direito, é pertencimento. E com essa mostra queremos oferecer à população de Manaus a chance de assistir espetáculos de altíssima qualidade, tanto locais quanto nacionais, como é o caso da peça da Rita Lee.”
A programação completa será divulgada nos próximos dias pelas redes sociais da Águas de Manaus e do Instituto Brasileiro de Teatro.
Rita além da música
A vida de Rita Lee foi — e continua sendo — um exemplo de como arte e atitude podem caminhar juntas. Durante mais de cinco décadas de carreira, ela rompeu barreiras de gênero, desafiou padrões, lutou contra o machismo na indústria musical e usou sua voz para causas sociais, ambientais e políticas.
Mesmo depois de sua partida, em 2023, aos 75 anos, Rita deixou um legado que não se apaga. Ela segue viva nas letras que escreveu, nos discos que gravou, nas entrevistas ácidas, nas roupas coloridas, nas causas que abraçou e, agora, também nos palcos que levam sua história adiante.
Para quem cresceu ouvindo Rita ou está conhecendo sua obra agora, o espetáculo é uma oportunidade rara de vê-la sob uma nova luz — sem filtros, sem censura, com a dose certa de ironia, poesia e humanidade.
Uma chance de reencontro
Num tempo em que a pressa consome e o excesso de informação distrai, parar para ouvir uma história pode ser um gesto revolucionário. Ainda mais quando essa história é a de uma mulher que fez da própria vida uma trilha sonora de coragem e originalidade.
“Rita Lee – Uma Autobiografia Musical” é mais do que teatro. É um reencontro com o que somos, fomos e ainda podemos ser. Em Manaus, diante do pôr do sol da Ponta Negra, ao som de “Ovelha Negra”, talvez você se descubra, entre lágrimas e sorrisos, dizendo: “essa história também é um pouco minha”.
O Domingo Maior de hoje, 28 de dezembro, aposta em um suspense intenso e atmosférico com a exibição de Aqueles Que Me Desejam a Morte, produção que coloca o espectador no centro de uma caçada implacável em meio à natureza selvagem. Estrelado por Angelina Jolie (Malévola, Sr. & Sra. Smith), o filme combina ação, drama psicológico e elementos de neo-western em uma história marcada pela sobrevivência, culpa e redenção.
De acordo com a sinopse do AdoroCinema, a trama acompanha um adolescente que se torna a única testemunha de um assassinato envolvendo interesses poderosos. A partir daí, ele passa a ser perseguido por assassinos profissionais dispostos a tudo para silenciá-lo. Para protegê-lo, surge Hannah, uma experiente especialista em sobrevivência que vive isolada em uma torre de observação florestal. Assombrada por erros do passado, ela vê nessa missão uma chance de se redimir — mesmo sabendo que o perigo é maior do que qualquer coisa que já enfrentou.
Enquanto a perseguição avança, um incêndio florestal de grandes proporções se espalha rapidamente, transformando a floresta de Montana em um labirinto mortal. O fogo deixa de ser apenas pano de fundo e passa a atuar como uma força narrativa constante, aumentando a sensação de urgência e claustrofobia, mesmo em um cenário aberto.
Dirigido por Taylor Sheridan (A Qualquer Custo, Yellowstone), o longa se destaca por tratar seus personagens com profundidade emocional. Hannah está longe de ser uma heroína tradicional: suas fragilidades e medos são expostos em cada decisão, tornando sua jornada mais humana e crível. Sheridan aposta menos em explosões gratuitas e mais em tensão contínua, construída a partir do silêncio, da paisagem e das escolhas morais.
O elenco de apoio reforça o peso dramático da história. Nicholas Hoult (Mad Max: Estrada da Fúria, X-Men) interpreta um dos antagonistas com frieza calculada, enquanto Jon Bernthal (The Walking Dead, O Justiceiro) traz intensidade a um personagem marcado por conflitos internos. Aidan Gillen (Game of Thrones, Peaky Blinders) completa o time com uma presença ameaçadora, e Finn Little (Yellowstone) entrega uma atuação sensível como o jovem em fuga, equilibrando vulnerabilidade e coragem.
Baseado no romance homônimo de Michael Koryta, o filme teve sua produção anunciada em 2019 e foi rodado no Novo México, cenário escolhido para potencializar a aridez e a sensação de isolamento da narrativa. A trilha sonora composta por Brian Tyler (Velozes e Furiosos, Os Mercenários) intensifica o suspense e acompanha de forma precisa os momentos mais críticos da trama.
Se havia alguma dúvida sobre o apelo da amizade entre um jovem viking e um dragão mal-humorado, ela foi enterrada sob uma avalanche de ingressos vendidos. O remake live-action de Como Treinar o Seu Dragão ultrapassou a marca de US$ 454,5 milhões nas bilheteiras mundiais, confirmando que a magia da história original continua mais viva do que nunca — agora com carne, osso e muitos efeitos visuais.
Nos Estados Unidos, o filme já soma US$ 200,5 milhões, depois de conquistar mais US$ 19,4 milhões no último fim de semana. O desempenho mantém o longa firme entre os primeiros colocados do ranking americano — e mostra fôlego de blockbuster em um verão disputadíssimo nos cinemas.
Um voo mais alto do que o esperado
A estreia norte-americana rendeu US$ 83 milhões logo de cara, superando até as previsões mais otimistas, que apostavam entre US$ 70 e US$ 80 milhões. Parte desse impulso veio das sessões antecipadas de quinta-feira, que renderam US$ 8 milhões — e ajudaram a empurrar as expectativas para o alto.
Fora dos EUA, o filme já arrecadou US$ 114 milhões, com destaques para o México (US$ 14 mi), Reino Unido e Irlanda (US$ 11,2 mi) e China, que também marcou US$ 11,2 milhões — um número expressivo para um título ocidental em solo asiático.
O resultado coloca a nova adaptação de Como Treinar o Seu Dragão muito além da linha de segurança dos estúdios — que projetavam entre US$ 175 e 185 milhões para a janela inicial. Ou seja: com pouco tempo de exibição, o longa já ultrapassou sua própria projeção-base.Um clássico com nova pele — mas mesma alma
Dirigido por Dean DeBlois, o mesmo nome por trás da trilogia animada da DreamWorks, o novo Como Treinar o Seu Dragão aposta na nostalgia com responsabilidade: entrega um visual mais realista, sem perder o coração da história.
Mason Thames dá vida ao jovem Soluço, um viking franzino, teimoso e idealista que quer provar seu valor em uma sociedade onde o heroísmo é medido pela força. Ao derrubar um lendário Fúria da Noite, ele encontra o que ninguém esperava: um dragão ferido, assustado — e extremamente parecido com ele. Em vez de acabar com a criatura, ele decide compreendê-la.
Essa escolha muda tudo.
Com Gerard Butler reprisando o papel de Stoico, o pai durão que não sabe lidar com um filho tão diferente, e Nico Parker como a corajosa Astrid, o live-action mergulha em temas como coragem, empatia e quebra de tradições — com peso emocional e momentos épicos.Um herói improvável em tempos de guerra
Soluço não é o guerreiro típico. Ele lidera com sensibilidade, observa antes de atacar e escuta antes de julgar. Em uma era de histórias barulhentas, Como Treinar o Seu Dragão se destaca por valorizar a escuta e a transformação. Quando uma ameaça ancestral surge e coloca dragões e humanos em rota de colisão, é o elo entre um garoto e seu dragão — agora chamado Banguela — que pode impedir a destruição total.A nova era dos dragões está apenas começando?
Com a bilheteira voando mais alto a cada semana e o retorno caloroso do público, fica difícil não imaginar que a DreamWorks e a Universal já estejam de olho em futuras sequências. Afinal, se o primeiro voo foi esse sucesso, quem não gostaria de ver mais capítulos nessa jornada entre céu, fogo e amizade?
A Netflix anunciou sua mais nova aposta no universo dos k-dramas: “Kin and Sin”, uma produção que promete envolver o público com uma trama densa de intrigas familiares, ambições desenfreadas e disputas de poder. Com um elenco de peso e ambientada na icônica ilha de Jeju, a série traz uma narrativa que mistura drama, suspense e toques de noir, explorando as complexidades das relações humanas em situações extremas.
Situada em Jeju, conhecida por suas paisagens paradisíacas e importância cultural, a história acompanha o embate de três famílias poderosas pelo controle da ilha. Cada clã atua em setores distintos e possui interesses que muitas vezes se chocam, criando um terreno fértil para conflitos, alianças frágeis e traições inesperadas. A narrativa promete mergulhar não apenas na disputa pelo poder, mas também nos dilemas pessoais e éticos que surgem quando legado, ambição e família se cruzam.
A família Bu é liderada por Han Suk-kyu, Yoon Kye-sang e Choo Ja-hyun. Han Suk-kyu, renomado por seu papel em Dr. Romântico, traz à tela toda a intensidade emocional e a habilidade de equilibrar nuances dramáticas. Ao lado dele, Yoon Kye-sang (Jogada da Vitória) e Choo Ja-hyun (A Fada e o Pastor) completam o trio que representa a tradição, o trabalho duro e as rivalidades internas da família, cuja fortuna vem da criação de porcos e cavalos de corrida.
Os Yang, interpretados por Yoo Jae-myung (Polaris), representam o lado mais urbano e estratégico da disputa, atuando no mercado imobiliário. O patriarca, com seu equilíbrio entre charme e rigidez, reflete a lógica fria dos negócios e a ambição calculista, adicionando uma camada de sofisticação e tensão à trama.
Por fim, os Go trazem o elemento mais ousado do conflito, com atuação de Kim Jong-soo (Vida Imoral) no setor de cassinos, equilibrando presença intimidadora e vulnerabilidade sutil. Ao lado dele, Go Doo-shim (Uma Família Inusitada) oferece profundidade emocional, retratando de forma sensível os laços familiares e as complexidades das relações interpessoais.
A direção fica por conta de Choi Jung-yeol, conhecido pelo suspense visual e atmosfera tensa de Vigilante. Seu estilo promete intensificar o clima noir da série, combinando drama familiar com suspense psicológico, mantendo o público preso a cada episódio.
Além da trama central, “Kin and Sin” explora a dimensão cultural de Jeju, utilizando a ilha não apenas como cenário, mas como símbolo de prosperidade e vulnerabilidade. Elementos locais, como a economia turística e a criação de animais, enriquecem a narrativa com autenticidade, transformando o espaço em um personagem silencioso, mas poderoso.
O roteiro, segundo fontes próximas à produção, investe em diálogos intensos e cenas carregadas de tensão, refletindo a complexidade das relações humanas. A disputa pelo controle de Jeju atua como catalisador de conflitos internos, revelando dilemas morais, lealdades testadas e segredos antigos que moldam cada personagem.
O anúncio já gerou grande expectativa entre fãs de k-dramas e do público da Netflix, que acompanha o crescimento global do gênero. “Kin and Sin” se insere na linha de produções que unem entretenimento e reflexão, abordando temas como poder, ética e identidade, com fotografia cuidadosa, trilha sonora marcante e personagens memoráveis.
Embora a data de estreia ainda não tenha sido divulgada, a produção promete seguir o padrão de excelência das séries coreanas recentes, garantindo uma experiência envolvente e emocionalmente impactante para os espectadores.
A peça “A Baleia” desembarca em São Paulo em uma nova e aguardada montagem teatral, reforçando a força de um texto que atravessou fronteiras entre palco e cinema e segue provocando reflexões profundas sobre dor, culpa e afeto. O espetáculo estreia nesta sexta-feira, 23 de janeiro de 2026, no Teatro Sabesp Frei Caneca, localizado no Shopping Frei Caneca, onde permanece em cartaz até 1º de março.
Escrita pelo dramaturgo norte-americano Samuel D. Hunter, a obra acompanha a trajetória de Charlie, um professor de inglês recluso, que vive com obesidade severa e enfrenta os limites físicos e emocionais impostos por sua condição. Isolado do mundo e consumido pela culpa, ele tenta, nos últimos momentos de sua vida, reconstruir a relação com a filha adolescente, de quem se afastou anos antes.
Nesta nova montagem, a direção e a tradução ficam a cargo de Luís Artur Nunes, que assume o desafio de conduzir um texto sensível, fragmentado e emocionalmente intenso. O papel principal passa a ser interpretado por Emílio de Mello, que assume o personagem após a marcante interpretação de José de Abreu em montagem anterior. A mudança de elenco traz um novo olhar para Charlie, sem perder a essência dolorosa e humana que define o personagem.
O elenco conta ainda com Luisa Thiré, Gabriela Freire, Eduardo Speroni e a participação especial de Alice Borges, formando um conjunto que sustenta a densidade emocional da narrativa. Cada personagem que orbita a vida de Charlie carrega suas próprias frustrações, crenças e feridas, contribuindo para um retrato complexo das relações humanas.
No palco, A Baleia não se limita a retratar a condição física do protagonista. A obesidade surge como um elemento central da dramaturgia, mas funciona também como metáfora para o isolamento emocional, a dificuldade de comunicação e a incapacidade de lidar com perdas profundas. A peça aborda temas como intolerância religiosa, abandono, luto e a busca desesperada por redenção, sempre com uma abordagem direta e sem concessões fáceis ao público.
Segundo o diretor Luís Artur Nunes, o texto de Samuel D. Hunter se destaca pela forma como constrói seus conflitos. A narrativa fragmentada, quase claustrofóbica, reflete o próprio estado emocional de Charlie, criando uma atmosfera intensa e desconfortável, que exige atenção constante do espectador. É uma obra que não oferece respostas prontas, mas convida à escuta e à empatia.
Para Emílio de Mello, assumir o papel de Charlie representa um dos maiores desafios de sua carreira. A composição do personagem envolve o uso de próteses e enchimentos, além de uma preparação corporal e vocal específica, que impacta diretamente a respiração, os movimentos e o ritmo da atuação. Mais do que a transformação física, o ator precisa acessar camadas emocionais profundas para dar vida a um homem marcado por escolhas passadas e pelo desejo tardio de reconciliação.
A chegada da nova montagem a São Paulo acontece em um momento em que A Baleia ainda reverbera fortemente na memória do público por conta de sua adaptação cinematográfica. Em 2022, a história ganhou uma versão para o cinema dirigida por Darren Aronofsky, cineasta conhecido por obras intensas e psicológicas. O filme, estrelado por Brendan Fraser, teve estreia no Festival Internacional de Cinema de Veneza, em setembro daquele ano, e chegou aos cinemas dos Estados Unidos em dezembro, com distribuição da A24.
A atuação de Fraser foi amplamente celebrada e rendeu ao ator o Oscar de Melhor Ator em 2023, além de consolidar o filme como um dos dramas mais comentados da década. A produção também venceu o prêmio de Melhor Cabelo e Maquiagem, reconhecimento importante diante da complexa caracterização do personagem.
No cinema, a história acompanha Charlie, um homem de meia-idade que pesa cerca de 272 quilos e tenta se reconectar com a filha de 17 anos após anos de afastamento. A separação ocorreu quando ele abandonou a família para viver um relacionamento com outro homem, que mais tarde morreu. Consumido pela dor e pela culpa, Charlie passou a comer compulsivamente, aprofundando ainda mais seu isolamento.
Apesar das diferenças entre palco e tela, a essência da obra permanece a mesma. Tanto no teatro quanto no cinema, A Baleia se constrói como um retrato íntimo de um homem em seus últimos dias, confrontado por erros, afetos mal resolvidos e pela urgência de dizer o que nunca foi dito. É uma história desconfortável, mas necessária, que desafia julgamentos fáceis e convida o público a enxergar humanidade onde muitas vezes só há estigmas.
As sessões da peça acontecem de quinta a sábado, às 20h, e aos domingos, às 19h. Os ingressos variam entre R$ 25 e R$ 160, com opções de meia-entrada, tornando a produção acessível a diferentes públicos.
Em uma noite que une continentes, histórias e melodias, o “Conversa com Bial” desta sexta-feira, 25 de julho, se transforma num documentário íntimo e emocionante, conduzido por dois nomes que dispensam apresentações: Pedro Bial e Zeca Pagodinho. Mas desta vez, a roda de samba não é em Xerém, muito menos em um estúdio carioca. O cenário é um karaokê em Osaka, no Japão — uma cidade que pulsa entre luzes de néon e memórias silenciosas — onde o samba encontrou um novo lar, ao menos por uma noite.
No ar logo após o Jornal da Globo e às 23h45 no GNT, o programa especial joga luz sobre um encontro raro: o Brasil profundo e leve de Zeca e o olhar curioso e generoso de Bial, unidos em um canto improvável do mundo. Entre goles de cerveja, canções eternas e memórias costuradas pelo tempo, a edição vai muito além de uma entrevista — é um abraço cultural em quem assiste.
Um boteco de alma brasileira no coração de Osaka
Há algo de mágico quando culturas aparentemente distantes se encontram por afinidades invisíveis. Foi assim que o karaokê, símbolo pop da convivência japonesa, virou palco para um samba sincero. O microfone, geralmente usado por locais em interpretações de hits dos anos 80, agora estava nas mãos de Zeca Pagodinho, com seu chapéu panamá e aquela presença que enche qualquer espaço com afeto e verdade.
Ali, entre mesas apertadas, um telão exibindo letras e um público misto de brasileiros expatriados e japoneses curiosos, Zeca cantou “Conflito”, uma de suas pérolas afetivas. Ao lado de Pedro Bial, o clima era de roda de samba improvisada. Mas quem conhece Zeca sabe: o improviso é, muitas vezes, o ponto mais autêntico da arte.
“Não importa onde eu esteja. Se tiver cerveja gelada e alguém pra cantar comigo, tamo em casa”, brinca o cantor durante o papo, enquanto o público local batuca com as mãos na mesa, tentando acompanhar o ritmo que vem do coração.
De Irajá para o mundo: o Zeca que não precisa de palco
Nascido em Irajá, zona norte do Rio, Zeca viu a vida mudar quando a música deixou de ser passatempo e virou destino. Mas a fama nunca o distanciou das raízes. Ao contrário: ele sempre levou consigo o subúrbio, a rua, a conversa de bar, a sabedoria do povo. É isso que Pedro Bial, com sua escuta afiada, ajuda a revelar na conversa — não o Zeca artista, mas o Zeca homem, pai, amigo, brasileiro comum com dons extraordinários.
Durante a entrevista, Zeca revisita episódios marcantes da vida. Conta do dia em que Beth Carvalho o chamou para gravar pela primeira vez. Lembra dos tempos em que trabalhava como apontador de bicho e cantava em rodas de samba por prazer. E ri ao se lembrar do susto que a mãe levou quando ouviu sua voz no rádio pela primeira vez: “Achou que fosse outra pessoa. Falou: ‘Esse não é o Jessé!’”.
É essa autenticidade que fez com que Zeca se tornasse um dos sambistas mais amados do país — e agora, também, um embaixador informal da cultura brasileira na Ásia.
A Expo 2025 e o Brasil que canta além das fronteiras
O programa acontece no contexto da Expo 2025, que ocorre em Osaka e conta com participação do Brasil em uma série de eventos culturais. Além de Zeca, artistas como Mãeana, Lisa Ono e Bem Gil integram a programação. Mas, entre todos, é Zeca quem mais conecta com o público. Não por ter o maior palco ou a produção mais grandiosa — mas por carregar, na simplicidade de cada verso, uma parte da alma brasileira.
No evento, Zeca fez show para um público misto e entusiasmado. “Ver japonês cantando ‘Deixa a Vida Me Levar’ foi uma das coisas mais emocionantes que já vi”, revela Bial, ainda impactado. E realmente: a cena de centenas de vozes estrangeiras entoando em coro uma canção que nasceu nas ladeiras cariocas é uma prova de que a música atravessa fronteiras invisíveis.
O samba como memória afetiva de um país
Zeca é mais que um cantor. É cronista de um Brasil que resiste com leveza. Suas músicas falam de amor, de perdas, de esperanças e de saudades com uma linguagem que todo mundo entende. “Vai Vadiar”, “Maneiras”, “Verdade”, “Deixa a Vida Me Levar” — essas não são apenas faixas: são trilhas de vida. São hinos de momentos que cada brasileiro guarda como lembrança.
No programa, ele comenta que nunca planejou ser ídolo. “Eu só queria cantar, ué. Fazer um samba pra galera sorrir, pra aliviar o peso da vida”. E talvez por isso mesmo ele tenha se tornado tão essencial.
Um Brasil que não precisa de legenda
A presença de Zeca na televisão japonesa é discreta, mas significativa. Câmeras o seguem enquanto ele anda por Osaka, experimenta pratos locais, conversa com brasileiros que moram na cidade. “No Japão, o tempo é diferente. Tudo tem pausa. E samba também precisa de pausa, senão vira só batida”, filosofa.
Em uma cena belíssima, capturada pelas lentes da equipe do programa, ele ensina um grupo de japoneses a bater palma no ritmo do samba. Começa devagar, ajusta o compasso, até que o batuque coletivo se forma. Riem, erram, recomeçam. Não entendem o idioma, mas compreendem o espírito. E é isso que a música faz: comunica o que a linguagem formal não dá conta.
O jornalista que também se permite emocionar
Pedro, por sua vez, conduz o programa como quem guia uma visita ao próprio passado. Em diversos momentos, deixa transparecer a emoção — seja ao ouvir “O Sol Nascerá”, seja ao rever imagens da infância de Zeca. “Conversar com o Zeca é como ouvir o Brasil falar por meio de um samba. Ele transforma o cotidiano em poesia. É um dom raro”, diz o jornalista.
Ao longo da entrevista, Bial também reflete sobre o papel da cultura brasileira fora do país. “Ver um japonês cantar samba me dá a esperança de que nossa arte é maior do que pensamos. E de que ela pode, sim, salvar dias difíceis”.
De volta para casa, mas com o coração no Japão
A edição termina com Zeca caminhando pelas ruas iluminadas de Osaka. O olhar é curioso, mas sereno. “Aqui é diferente, mas também é parecido. Tem gente, tem silêncio, tem respeito. A gente acha que tá longe, mas a música aproxima”, diz ele, já com saudade no tom.
Ao fundo, ouve-se “Uma Prova de Amor”, em versão instrumental, enquanto a câmera se afasta. É o tipo de final que deixa um nó na garganta — não pela despedida, mas pela certeza de que encontros como esse deixam marcas que o tempo não apaga.
A Sessão da Tarde desta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, exibe na TV Globo o filme A Vida É Agora, comédia dramática sensível e bem-humorada que aborda temas como amizade, solidão, envelhecimento e conexões inesperadas. Lançado em 2021, o longa tem direção e roteiro assinados por Billy Crystal, que também atua como protagonista, ao lado de Tiffany Haddish e Penn Badgley.
Na trama, Billy Crystal interpreta Charlie Burnz, um renomado e veterano escritor de comédias que construiu uma carreira sólida no entretenimento, mas que vive um momento de isolamento pessoal. Sua rotina muda quando ele conhece Emma Payge (Tiffany Haddish), uma cantora nova-iorquina expansiva, espontânea e cheia de energia, que ganha inesperadamente um almoço com a lenda da comédia após vencer um concurso de rádio.
O primeiro encontro entre os dois, no entanto, está longe de ser perfeito. Uma sequência de eventos caóticos — incluindo uma grave reação alérgica a frutos do mar, uma corrida ao hospital e o uso de epinefrina — marca o início turbulento da relação. O episódio, que poderia ter encerrado qualquer possibilidade de convivência, acaba funcionando como ponto de partida para uma amizade improvável, repleta de atritos, ironias e momentos comoventes.
Apesar da grande diferença de idade e de estilos de vida completamente distintos, Charlie e Emma passam a reconhecer um no outro algo raro: uma espécie de alma gêmea emocional. A convivência entre eles evolui para um vínculo profundo, capaz de redefinir os significados de amizade, amor e confiança. O filme constrói essa relação com leveza, alternando humor afiado com momentos de introspecção e sensibilidade.
Além de Billy Crystal e Tiffany Haddish, o elenco conta com Penn Badgley, Alex Brightman, Laura Benanti e Anna Deavere Smith, que complementam a narrativa com personagens que orbitam a vida do protagonista e ajudam a revelar suas fragilidades, medos e memórias. A presença de Penn Badgley adiciona um contraponto geracional à história, reforçando o debate sobre diferentes formas de lidar com o tempo e os afetos.
O projeto começou a tomar forma em setembro de 2019, quando foi anunciado que Billy Crystal e Tiffany Haddish estrelaram o filme e também atuariam como produtores. Crystal assumiu ainda a direção, a partir de um roteiro coescrito com Alan Zweibel, parceiro frequente do ator e comediante. As filmagens ocorreram em Nova York, entre outubro e novembro de 2019, sendo concluídas pouco antes do Dia de Ação de Graças.
Lançado comercialmente em 7 de maio de 2021, após a Stage 6 Films adquirir os direitos de distribuição, A Vida É Agora teve desempenho modesto nas bilheterias. O filme arrecadou cerca de 2,8 milhões de dólares nos Estados Unidos e Canadá, além de aproximadamente 64 mil dólares em outros mercados, totalizando pouco menos de 3 milhões de dólares mundialmente. Ainda assim, chegou a ocupar a sétima posição no ranking nacional e permaneceu por duas semanas não consecutivas no Top 10.
Nesta segunda-feira, 4 de agosto, a TV Globo exibe um dos dramas mais emocionantes dos últimos anos na Sessão da Tarde: Paternidade (Fatherhood), estrelado por Kevin Hart, em um papel que foge totalmente da comédia escrachada que costuma marcar sua carreira. O filme, dirigido por Paul Weitz, mergulha fundo nos desafios da paternidade solo e no luto, e promete arrancar lágrimas e sorrisos do público brasileiro.
Baseado em uma história real, o longa traz à tona a jornada de Matthew Logelin, interpretado por Hart, um homem comum que se vê diante da missão extraordinária de criar sua filha recém-nascida sozinho, após a morte súbita de sua esposa — que falece um dia depois do parto. A narrativa é adaptada do livro de memórias “Two Kisses for Maddy: A Memoir of Loss and Love”, escrito pelo próprio Logelin, e traz uma perspectiva honesta, dolorosa e ao mesmo tempo reconfortante sobre como é perder tudo e, ainda assim, encontrar motivos para seguir em frente.
Drama com alma e coração
Engana-se quem pensa que Kevin Hart só sabe fazer rir. Em Paternidade, o ator mostra uma faceta mais contida, vulnerável e, acima de tudo, humana. Seu personagem não é um super-herói, nem um pai perfeito. Matthew é um homem que chora escondido no banheiro, que tropeça em fraldas, que se perde na rotina e que sente medo de não ser suficiente. E é exatamente por isso que o filme funciona tão bem: ele retrata o cotidiano de um pai real, falho, mas incrivelmente dedicado.
Ao lado de Hart, o elenco conta com Melody Hurd, no papel da pequena Maddy Logelin, que brilha em tela com uma presença encantadora e natural. Alfre Woodard, como a sogra Marian, adiciona uma camada de conflito e afeto, representando o lado da família que não confia totalmente na capacidade de Matthew como pai solo. Lil Rel Howery, DeWanda Wise, Paul Reiser e Anthony Carrigan completam o time, equilibrando momentos de leveza com toques de reflexão.
Dublagem brasileira ajuda a dar ainda mais emoção
Para o público que acompanhará o longa, a versão dublada promete reforçar ainda mais o impacto emocional da história. As vozes de Marcelo Garcia, Carina Eiras, Rodrigo Oliveira, Telma da Costa, Mário Cardoso e Manuela Mota emprestam carisma e emoção aos personagens, mantendo a essência da performance original sem perder a fluidez que os brasileiros já esperam das produções dubladas da TV Globo.
Nesta terça, 5 de agosto, a sua tarde traz uma comédia romântica cheia de emoção, conflitos familiares e representatividade latina. A Globo exibe o filme “O Pai da Noiva” (Father of the Bride, 2022), uma releitura moderna do clássico de mesmo nome, estrelado agora por Andy García e Gloria Estefan. Dirigido por Gaz Alazraki, o longa foi originalmente lançado pela HBO Max e é a terceira adaptação cinematográfica do romance de Edward Streeter — sim, aquela história que atravessa gerações.
Diferente das versões anteriores, esta nova edição abraça a diversidade cultural ao retratar uma família cubano-americana de Miami enfrentando as típicas turbulências emocionais que um casamento pode provocar — principalmente quando envolve tradições diferentes, segredos familiares e pais com dificuldade de deixar os filhos alçarem voo.
Um casamento, dois pais e muitas confusões
A trama gira em torno de Billy Herrera (Andy García), um renomado arquiteto que vê seu mundo desmoronar quando a esposa Ingrid (Gloria Estefan) anuncia que quer o divórcio. O casamento está por um fio, mas antes que o casal possa contar a novidade às filhas, a mais velha, Sofia (Adria Arjona), chega com uma bomba ainda maior: está noiva e quer se casar em apenas um mês.
Para evitar atritos durante os preparativos, Billy e Ingrid decidem esconder o pedido de divórcio. Mas a situação vai ficando cada vez mais tensa quando Billy descobre que a cerimônia não será nada tradicional. Sofia e o noivo Adan (Diego Boneta) querem um casamento simples, longe dos padrões luxuosos que Billy sonhava — e pior: querem se mudar para o México para trabalhar em uma ONG. O conservador pai da noiva não gosta da ideia, tampouco do genro, e tenta controlar tudo como sempre fez.
Como se não bastasse, entra em cena Hernan (Pedro Damián), o milionário e extravagante pai de Adan. Disposto a bancar a festa, Hernan irrita Billy ao tentar “comprar” o controle do casamento. Os dois pais travam um duelo silencioso — com direito a festas em iates, mansões em ilhas e muito ego ferido no caminho.
Amor, crise e reconciliação
Entre desentendimentos, vestidos sob medida e tradições confrontadas, a história vai ganhando profundidade. Sofia tenta conciliar os desejos de todos, enquanto a irmã mais nova, Cora (Isabela Merced), luta para se firmar como estilista e deixar sua marca no grande dia. Há espaço também para reconciliações, como a de Billy com sua própria vulnerabilidade e o reencontro emocional com Ingrid, sua companheira de tantos anos.
A tempestade literal que atinge a cidade na véspera do casamento funciona como metáfora dos conflitos familiares — e também como gatilho para uma união mais sincera entre os Herrera e os Castillo. Quando a ponte que leva ao local da cerimônia desmorona, todos precisam trabalhar juntos para salvar o grande dia, que acaba sendo celebrado de forma improvisada e cheia de carinho na casa da família.
Elenco afinado e diversidade em foco
O elenco é um dos grandes trunfos da produção. Andy García entrega um pai orgulhoso, cabeça-dura, mas cheio de camadas. Gloria Estefan, em uma rara atuação dramática, dá vida a uma mulher cansada das imposições do marido, mas ainda aberta ao recomeço. Adria Arjona, Isabela Merced e Diego Boneta completam o time com atuações carismáticas, representando uma nova geração que desafia os moldes tradicionais sem abrir mão da empatia e do respeito.
Com direção do mexicano Gaz Alazraki (Club de Cuervos), o filme aposta no humor leve, no calor humano e na representatividade latina. A ambientação em Miami, os diálogos bilíngues e os conflitos geracionais dão um frescor ao enredo já conhecido — e mostram que, mesmo depois de tantas versões, a história de um pai aprendendo a deixar a filha partir ainda encontra eco em muitas famílias.
Na quarta (6), a TV aberta traz um respiro de leveza com Imagine Só! (2009), uma comédia familiar recheada de fantasia, ternura e boas risadas. Estrelado por Eddie Murphy, o longa acompanha um pai workaholic que redescobre o valor da imaginação — e da paternidade — ao lado da filha de 8 anos.
Murphy interpreta Evan Danielson, um executivo do mercado financeiro que está em plena crise profissional e pessoal. Divorciado e desconectado da própria filha, ele vive pressionado por resultados e à sombra do rival excêntrico Johnny Pena Branca (Thomas Haden Church). É então que sua filha Olivia (vivida pela jovem Yara Shahidi, que mais tarde se tornaria estrela da série Black-ish) o convida para entrar em seu universo secreto, onde princesas imaginárias e um cobertor mágico chamado “betoa” guiam decisões importantes.
Entre um toque de ternura e outro de nonsense, Evan passa a ouvir os conselhos do mundo encantado da filha — e, para surpresa geral, começa a se dar muito bem no trabalho. Mas o que começa como uma estratégia desesperada logo se transforma numa reconexão verdadeira entre pai e filha.
Bastidores curiosos e trilha sonora nostálgica
Imagine That (título original) é uma coprodução entre a Paramount Pictures e a Nickelodeon Movies, e marca uma fase em que Eddie Murphy buscava se reinventar em comédias voltadas ao público infantil. Dirigido por Karey Kirkpatrick, o filme também conta com participações de Martin Sheen, Nicole Ari Parker e aparições dos jogadores da NBA Allen Iverson e Carmelo Anthony.
Apesar do carisma do elenco, o longa não teve boa performance nas bilheteiras: arrecadou pouco mais de 22 milhões de dólares no mundo todo, bem abaixo das expectativas. No Brasil, ele nem chegou aos cinemas — foi lançado diretamente em DVD com o título Imagine Só! (antes disso, chegou a ser anunciado como Minha Filha é um Sonho).
A trilha sonora é outro destaque: assinada por Mark Mancina, inclui releituras de clássicos dos Beatles, como “Here Comes the Sun”, “Nowhere Man” e “All You Need Is Love” — que, aliás, não poderia combinar melhor com a mensagem do filme.
A quinta-feira, 7, promete altas doses de adrenalina com Tomb Raider: A Origem (2018), filme que marca o retorno da icônica heroína dos games às telonas — agora em uma versão mais realista e pé no chão, estrelada por Alicia Vikander. O longa é um reboot da franquia e acompanha os primeiros passos de Lara Croft, antes de se tornar a lendária caçadora de tesouros.
Na trama, Lara é uma jovem independente que ganha a vida fazendo entregas de bicicleta pelas ruas de Londres. Seu passado está marcado pelo desaparecimento do pai, o milionário e arqueólogo Lord Richard Croft (vivido por Dominic West). Quando descobre pistas sobre o último paradeiro dele, Lara decide ir até uma ilha misteriosa no mar do Japão — e o que começa como uma tentativa de reencontro familiar se transforma numa missão de sobrevivência cheia de armadilhas, inimigos sombrios e segredos milenares.
O vilão da vez é Mathias Vogel (interpretado por Walton Goggins), membro de uma organização secreta chamada Trinity, que está na ilha com seus próprios objetivos. Lara, ao lado do capitão de barco Lu Ren (Daniel Wu), precisa correr contra o tempo para impedir que algo perigoso seja libertado.
Uma Lara Croft menos “super-heroína”, mais humana
Diferente da versão explosiva interpretada por Angelina Jolie nos anos 2000, esta nova Lara é mais vulnerável e cheia de falhas — e é justamente isso que a torna interessante. Alicia Vikander, vencedora do Oscar, entrega uma personagem determinada, atlética, mas sem perder a humanidade. Ao longo do filme, ela apanha, cai, sangra e, ainda assim, se levanta.
O filme é inspirado diretamente no game homônimo lançado em 2013, que também foi um reboot da franquia original, atualizando a personagem para um público mais exigente e contemporâneo. A direção é de Roar Uthaug, cineasta norueguês com experiência em filmes de ação e desastre.
Bastidores e recepção
O filme foi filmado em locações diversas, como a Cidade do Cabo, na África do Sul, e o interior da Inglaterra, trazendo visuais que reforçam o clima de aventura. Lançado em 2018, o filme arrecadou cerca de US$ 273 milhões no mundo todo, superando o segundo longa da era Angelina Jolie. A crítica, porém, foi dividida: enquanto alguns elogiaram o realismo e a performance de Vikander, outros apontaram problemas no ritmo e no desenvolvimento da trama.
Na sexta, 8 de agosto, a emissora reapresenta um dos maiores sucessos do cinema nacional na Sessão da Tarde: 2 Filhos de Francisco. Muito mais do que um drama musical ou uma biografia de uma das duplas sertanejas mais famosas do país, o filme é uma poderosa ode à persistência familiar, à fé inabalável de um pai e ao Brasil profundo que ainda pulsa em cada esquina do sertão.
Com direção sensível de Breno Silveira (1964–2022), o longa foi lançado em 2005 e conquistou plateias por todo o país, tornando-se um marco não apenas na bilheteria — ultrapassando 5 milhões de espectadores — mas também no imaginário emocional do povo brasileiro.
Na pequena Capela do Rio do Peixe, interior de Goiás, começa a jornada de Francisco Camargo, vivido com imensa sensibilidade por Ângelo Antônio. Lavrador humilde, Francisco carrega no peito uma certeza teimosa: de que dois de seus nove filhos se tornarão músicos famosos. Não é só ambição — é a convicção de que a arte pode ser o caminho da salvação.
É nesse chão vermelho, marcado por dificuldades e um cotidiano simples, que nasce o primeiro embrião da dupla Zezé Di Camargo & Luciano. Antes de serem nomes conhecidos nos palcos e rádios, eram apenas Mirosmar e Emival, dois garotos com um acordeão, um violão e uma esperança costurada pelo olhar insistente do pai.
A trajetória da dupla infantil ganha impulso com o apoio do empresário Miranda (interpretado por José Dumont), até que um acidente trágico interrompe abruptamente os planos: Emival morre, e Mirosmar mergulha no luto.
Esse é um dos momentos mais comoventes do longa — não apenas pela dor real retratada, mas pela maneira com que o filme respeita o silêncio do trauma, sem precisar de melodrama excessivo. A ausência do irmão vira cicatriz, mas também combustível.
Depois da perda, Mirosmar (interpretado por Márcio Kieling e depois por Dáblio Moreira, na infância) tenta, falha, insiste. Casado, pai de duas meninas e às voltas com dificuldades financeiras, ele vê sua carreira estagnar — até surgir Welson, o irmão mais novo, futuro Luciano (interpretado por Thiago Mendonça e Wigor Lima na infância). É com ele que finalmente nasce a dupla que conquistaria o Brasil.
Amor de pai, fé que move montanhas
Muito antes de estarem em capas de revistas ou em palcos iluminados, Zezé e Luciano foram dois garotos carregados pelo amor obstinado de um homem simples, que não media esforços para ver os filhos brilharem.
O retrato de Francisco — com sua dureza às vezes ríspida, mas sempre amorosa — foi tão marcante que rendeu a Ângelo Antônio o prêmio de Melhor Ator no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. Dira Paes, como a mãe, Helena, também oferece um contraponto de sensibilidade e acolhimento, vencendo como Melhor Atriz Coadjuvante. Thiago Mendonça, no papel de Luciano adulto, também foi premiado por sua atuação.
O universo de World Trigger ganhará uma nova adaptação em anime. O anúncio foi feito durante a Jump Festa 2026 e confirmou que a série retornará à televisão com uma proposta clara: adaptar a história do mangá desde o volume 1, apresentando novamente os acontecimentos que deram origem à Agência de Defesa Border e ao conflito entre a humanidade e as criaturas vindas de outra dimensão. A decisão reforça o interesse em consolidar a obra como uma das narrativas de ficção científica mais estratégicas do mangá contemporâneo.
Criado por Daisuke Ashihara, World Trigger se diferencia dentro do gênero shōnen por priorizar raciocínio tático, planejamento coletivo e desenvolvimento psicológico dos personagens, em vez de depender exclusivamente de confrontos baseados em força física. A nova adaptação surge em um contexto de amadurecimento do público e de valorização de histórias com estruturas mais complexas, o que amplia a relevância do anúncio.
A trama se inicia quando um portal interdimensional se abre na Cidade de Mikado, localizada no Japão. A partir desse fenômeno, criaturas desconhecidas começam a invadir o mundo humano. Essas entidades, posteriormente chamadas de Neighbors, possuem resistência total às tecnologias convencionais da Terra, o que provoca um colapso imediato na capacidade de defesa da cidade. Em pouco tempo, Mikado se transforma no epicentro de uma crise que ameaça não apenas a região, mas toda a humanidade.
Diante da incapacidade das forças tradicionais de conter a invasão, um grupo até então desconhecido surge e passa a enfrentar os Neighbors utilizando armamentos específicos baseados na tecnologia dos próprios invasores. Esse grupo se apresenta como a Agência de Defesa Border, uma organização criada com o objetivo exclusivo de proteger a Terra contra ameaças provenientes de outros mundos. Com a implementação de um sistema de defesa eficiente, a Border consegue estabilizar a situação em Mikado e impedir que a invasão se espalhe para outras áreas.
Com o passar do tempo, mesmo com o surgimento ocasional de novos portais, a cidade passa a conviver com uma sensação de normalidade. A presença da Border se torna parte do cotidiano da população, funcionando como uma força de contenção constante e organizada. A história principal se desenvolve quatro anos e meio após a abertura do primeiro portal, período em que a estrutura da organização já está consolidada e dividida em diferentes níveis hierárquicos.
É nesse cenário que o leitor acompanha Osamu Mikumo, um jovem recruta da Border que foge dos arquétipos tradicionais de protagonistas do gênero. Sem habilidades físicas excepcionais ou talentos naturais em combate, Osamu se destaca por sua capacidade analítica, senso de responsabilidade e disposição para aprender. Sua trajetória representa um dos pilares narrativos da obra, ao abordar crescimento pessoal, tomada de decisões sob pressão e o peso das consequências em um ambiente de risco constante.
Ao seu lado está Yūma Kuga, um personagem que carrega uma ligação direta com o mundo dos Neighbors. Dotado de habilidades avançadas e experiência em combate, Yūma introduz uma perspectiva diferente sobre o conflito entre mundos, ampliando o debate sobre moralidade, sobrevivência e identidade. A relação entre os dois personagens é construída de forma gradual e fundamentada na cooperação, elemento central da narrativa de World Trigger.
Outro aspecto que consolidou a reputação da obra é a estrutura de seus combates. As batalhas não se baseiam apenas em confrontos diretos, mas em estratégias elaboradas, leitura do ambiente e coordenação entre equipes. Os chamados Rank Wars exemplificam esse conceito ao apresentar disputas organizadas entre esquadrões da Border, nas quais planejamento e execução têm peso decisivo. Esse formato contribui para uma progressão narrativa consistente e evita soluções simplistas.
O mangá World Trigger, conhecido no Japão como ワールドトリガー, é publicado pela Shueisha e conta atualmente com 29 volumes tankōbon lançados até dezembro de 2025. Mesmo com pausas ocasionais na serialização, a obra manteve estabilidade editorial e uma base de leitores sólida, resultado direto da construção cuidadosa de seu universo e da coerência interna de suas regras.