Crítica | Faça Ela Voltar é um terror devastador sobre luto, obsessão e amor doentio

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Quando descobri que Traga Ela de Volta era dirigido pelos irmãos Philippou — os mesmos responsáveis pelo impactante Fale Comigo (Talk to Me) — e vi as críticas extremamente positivas, soube imediatamente que precisava assistir ao filme assim que fosse lançado. E posso afirmar com segurança: foi uma das decisões mais certeiras que já tomei como fã de terror.

Sou apaixonado pelo gênero há anos, embora reconheça suas inconsistências. É comum ver produções que se apoiam em sustos fáceis e clichês visuais, esvaziando a verdadeira essência do horror. Justamente por isso, encontrar uma obra realmente bem executada é raro — e, quando acontece, é simplesmente eletrizante. Traga Ela de Volta é um exemplo excepcional: assustador, impactante, emocionalmente denso e perverso. Vai além do que se espera de um filme de terror. É tenso, visceral e, acima de tudo, real — dolorosamente real.

Ao final da sessão, uma certeza se impôs: os irmãos Philippou não apenas evitaram a temida “maldição do segundo filme”, como superaram todas as expectativas com uma obra mais ousada, brutal e emocionalmente devastadora. Se Fale Comigo já havia sido uma estreia marcante, o filme é um salto criativo em todos os sentidos. É mais ambicioso, mais maduro e infinitamente mais angustiante — não só pelo que acontece em tela, mas pelo que exige emocionalmente de quem assiste. E o mais surpreendente: essa brutalidade nunca soa gratuita. Cada momento de dor e violência nasce de um lugar profundamente humano, de um amor distorcido pela perda, de uma dor tão sufocante que se torna monstruosa.

Terror com propósito: trauma, luto e consequências

O filme não se esquiva de temas delicados — como abuso infantil, capacitismo e negligência social — e os aborda com uma honestidade desconcertante. Alguns momentos são genuinamente difíceis de assistir, mas é exatamente essa coragem que confere força e autenticidade à narrativa. O diferencial do terror americano está na maneira como representa o trauma: não apenas como uma lembrança do passado, mas como algo ativo, presente, corrosivo.

A trama é, em essência, sobre luto. Sobre o desejo desesperado de consertar o que não pode mais ser consertado. Sobre como esse desejo pode se transformar em obsessão, e essa obsessão, em algo monstruoso. O filme mergulha na dor de quem perdeu e de quem não consegue seguir em frente. Esse luto não é romântico, nem redentor: é destrutivo. Ele seca tudo ao redor, até restar apenas um eco vazio — e é exatamente aí que mora o verdadeiro terror.

Sally Hawkins: entrega visceral e memorável

Sally Hawkins está simplesmente brilhante. Sua atuação como a mãe adotiva é uma das mais potentes de sua carreira. Ela mistura fragilidade e ameaça com uma naturalidade desconcertante. Em certos momentos, sentimos pena de sua personagem, comovidos pela dor que carrega. Em outros, ficamos horrorizados com as medidas extremas que toma para realizar seu desejo. É um desempenho visceral, que comprova a amplitude de uma atriz capaz de transitar do charme leve de Paddington para as profundezas sombrias do desespero absoluto.

Um amadurecimento dos irmãos Philippou

É nítido o quanto os irmãos Philippou cresceram como cineastas. Há mais controle de cena, mais segurança na direção e uma clareza artística admirável. O filme não se perde em firulas visuais, nem em reviravoltas baratas: é direto, duro e consciente de sua proposta. Traga Ela de Volta não é perfeito — há quem possa considerá-lo excessivo ou difícil de digerir — mas isso jamais compromete sua potência. É um terror que entra na pele, não apenas pelo que mostra, mas pelo que sugere, pelo que deixa implícito, e principalmente pelo que compreende sobre a natureza humana.

Porque, no fim, este não é apenas um filme de terror. É um estudo sobre o luto, sobre a culpa, sobre o amor distorcido pelo sofrimento e até onde uma pessoa é capaz de ir quando não encontra mais saídas para a dor.

Obrigatório e inesquecível

Se você gostou de Fale Comigo, ou se simplesmente é apaixonado pelo gênero de terror em sua forma mais crua e emocional, o longa-metragem é obrigatório. É o tipo de filme que te prende, te desmonta e te deixa pensando muito tempo depois que os créditos sobem. Eu senti medo. Eu chorei. Eu fiquei em choque.

Resenha – Fios de Ferro e Sal narra a mitologia, resistência e o Brasil que (quase) esqueceram

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Foto: Reprodução/ Almanaque Geek

Fios de Ferro e Sal não é só um livro de fantasia histórica. É um mergulho profundo nas feridas abertas da nossa história, um convite para escutar as vozes que o tempo, o poder e o silêncio tentaram apagar. Escrito com lirismo e coragem, o livro resgata o Brasil do século XIX — mas não aquele que aparece nos livros didáticos, cheio de imperadores, corte e progresso. Aqui, a história é contada a partir das margens, das senzalas, das jangadas, dos terreiros e dos navios negreiros. É um Brasil de ferro, sal, suor e resistência.

A narrativa começa com Kayin, um homem negro cativo, acorrentado em um navio negreiro. Ele carrega em si o peso da dor, mas também a força de Ogum, o orixá da guerra e da tecnologia. Quando quebra suas correntes usando os dons aprendidos com o deus do ferro, não está apenas se libertando — está dando início a uma rebelião que desafia o sistema escravista com sangue, coragem e espiritualidade. É impossível não se arrepiar com esse começo. Kayin não é herói de capa, é herói de carne, cicatriz e alma.

Do outro lado da costa, nas areias do Aracati, no Ceará, vive Ekundayo, um griô — ou seja, um guardião da memória ancestral. Velho, sábio e ainda lutando por justiça, ele tenta conter o tráfico negreiro que continua devastando vidas naquela região. Um dia, ele recebe uma missão direta de Yemanjá: resgatar um grupo de pessoas à deriva no mar. Para isso, precisará reunir um grupo improvável: Tia Nanci, uma entidade em forma de aranha que se diz senhora de todas as histórias (e que transita entre o cômico, o assustador e o sábio com uma naturalidade impressionante); Afogado, um homem misterioso com um passado enterrado nas águas; e os jovens Iracema e Valentim, dois jangadeiros corajosos e sonhadores.

A viagem deles a bordo de uma jangada em mar aberto não é só física — é espiritual, política, mítica. Cada personagem carrega consigo não apenas um destino, mas uma ancestralidade. E o mar, tão presente e tão simbólico, deixa de ser apenas cenário e vira personagem também: ora mãe, ora inimigo, ora tumba, ora caminho para o renascimento.

O mais bonito do livro talvez seja como ele costura mitologia, fantasia e realidade de forma orgânica. Não se trata de “colocar orixás na história do Brasil”, mas de reconhecer que essas histórias já estavam aqui, antes mesmo de o Brasil ter nome. A fantasia aqui não foge da dor, ela a confronta — e, com isso, também cura.

Fios de Ferro e Sal é sobre resistência, sim, mas também sobre afeto, sobre escuta, sobre o poder das palavras e das memórias que resistem mesmo quando tudo parece querer apagá-las. Não é uma leitura leve — mas é necessária, urgente, transformadora. É um desses livros que deixam marcas. Que fazem a gente querer aprender mais, ouvir mais, contar mais. E que lembram que às vezes, contar uma história é um ato de salvação.

Se você procura uma fantasia verdadeiramente brasileira, cheia de alma, com personagens complexos e uma trama que pulsa com vida e ancestralidade, esse livro é pra você. E mesmo que não esteja procurando, talvez você precise dele. Porque algumas histórias precisam ser ouvidas. Porque algumas dores precisam virar mar.

Universal Pictures divulga bastidores de “Michael”, cinebiografia do Rei do Pop com estreia em abril

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Jaafar Jackson as Michael Jackson in Maven. Photo Credit: Glen Wilson

A Universal Pictures divulgou um vídeo inédito mostrando os bastidores de Michael, cinebiografia que promete retratar de forma aprofundada a vida e o legado de Michael Jackson, um dos artistas mais influentes da história da música. O longa chegará aos cinemas brasileiros em 23 de abril, em versões convencionais e IMAX, e já desperta grande expectativa entre fãs e críticos.

No material, o ator Jaafar Jackson, sobrinho de Michael, compartilha detalhes de sua intensa preparação para interpretar o cantor. O vídeo evidencia o processo de imersão do jovem, que estudou gestos, trejeitos e movimentos icônicos do artista para transmitir autenticidade em cada cena. Diretores e produtores participam do conteúdo, reforçando a dedicação do ator e a complexidade de dar vida a um ícone mundial.

A narrativa acompanha a trajetória do astro desde a infância, quando despontou como líder do Jackson Five, até o auge de sua carreira solo, marcada por performances inovadoras e impacto cultural global. O longa também investiga a vida pessoal de Jackson, mostrando seus desafios, conquistas e decisões que moldaram sua trajetória artística.

A direção é assinada por Antoine Fuqua, conhecido por títulos como Dia de Treinamento e Invasão à Casa Branca. A produção é conduzida por Graham King, vencedor do Oscar por Bohemian Rhapsody, que buscou equilibrar a narrativa entre carreira e vida privada do artista, incluindo episódios polêmicos sem suavizar os fatos. O roteiro aborda inclusive as acusações de abuso sexual enfrentadas por Jackson, apresentando uma visão imparcial e humana da história.

Foto: Glen Wilson/Lionsgate

O elenco combina talentos emergentes e nomes consagrados. Jaafar Jackson interpreta Michael na fase adulta, enquanto Juliano Valdi retrata o cantor na infância. Também estão no filme Colman Domingo, duas vezes indicado ao Oscar, Nia Long, de Empire, Laura Harrier, de Infiltrado na Klan, e Miles Teller, de Top Gun: Maverick. A seleção dos atores visa transmitir de maneira realista a complexidade do artista, tanto nos palcos quanto na vida pessoal.

As filmagens ocorreram entre janeiro e maio de 2024, em Santa Bárbara, Califórnia, com orçamento estimado em 155 milhões de dólares. Dion Beebe foi o diretor de fotografia, Barbara Ling cuidou da direção de arte e Marci Rodgers da criação de figurinos, garantindo que cenários e visuais fossem recriados com precisão histórica e estética.

O longa pretende explorar não apenas a carreira musical de Jackson, mas também seu lado humano. Segundo Graham King, a intenção é mostrar o artista de maneira envolvente, equilibrando suas realizações com seus desafios e vulnerabilidades. “Queremos humanizar, sem suavizar”, declarou o produtor.

Além da trajetória pessoal, Michael trará ao público algumas das apresentações mais icônicas do cantor, destacando seu talento inovador, influência cultural e impacto duradouro no entretenimento global. O filme reforça que a cinebiografia vai muito além da música, proporcionando uma visão completa do homem que se tornou um verdadeiro ícone.

“Predador: Terras Selvagens” ganha pôster inédito na Comic-Con 2025 e promete reinventar a franquia com protagonista inesperado

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Durante o aguardado painel da saga “Predador” na San Diego Comic-Con 2025, os fãs foram presenteados com mais do que apenas nostalgia: um pôster inédito e impactante de Predador: Terras Selvagens (título original Predator: Badlands) marcou o anúncio oficial do longa que promete reinventar completamente o universo dos icônicos caçadores alienígenas. A estreia está programada para 6 de novembro nos cinemas brasileiros e, segundo os criadores, o projeto representa uma virada de chave para a franquia — em tom, narrativa e protagonismo.

Dirigido por Dan Trachtenberg, conhecido por revitalizar a série com o elogiado Prey (2022), o novo filme aposta em uma perspectiva inédita: em vez de acompanhar a humanidade sendo ameaçada, o foco será no próprio Predador — ou melhor, em um jovem da espécie Yautja que se recusa a seguir o caminho tradicional da caça. O longa mergulha profundamente na mitologia da raça, propõe uma ambientação fora da Terra e constrói uma jornada de redenção em meio a um cenário selvagem e hostil.

Um Predador em crise: o novo protagonista

Ao centro da trama está Dek, um jovem Predador renegado interpretado por Dimitrius Schuster-Koloamatangi. Rejeitado pelo próprio clã por não corresponder ao ideal guerreiro de sua sociedade, Dek é forçado a sobreviver sozinho no planeta natal dos Yautja. Essa inversão de perspectiva já demonstra o grau de ousadia da produção: em vez de vilão, o caçador se torna figura trágica, heróica e, acima de tudo, profundamente humana.

É durante sua jornada errante que Dek encontra Thia, uma andróide da corporação Weyland-Yutani — nome conhecido por fãs do universo Alien, com o qual Predador compartilha conexões. Thia, vivida por Elle Fanning, está em missão de reconhecimento, mas acaba presa no planeta após um acidente orbital. Unidos pela necessidade de sobrevivência, os dois formam uma aliança inesperada. Não apenas para escapar dos perigos locais, mas para enfrentar dilemas existenciais — sobre pertencimento, propósito e transformação.

Thia: androide, sobrevivente, protagonista

Elle Fanning traz à personagem Thia um ar de complexidade emocional rara em figuras robóticas da ficção científica. Longe de ser apenas uma máquina de combate, Thia carrega memórias fragmentadas de humanos que a programaram e sente, de forma quase espiritual, a necessidade de entender o que é empatia. Ela não luta por sobrevivência apenas — luta por significado.

A relação entre Thia e Dek é o cerne emocional do filme. Juntos, eles atravessam territórios devastados, enfrentam bestas colossais e desvendam ruínas de uma civilização ancestral. Mas, acima de tudo, é a cumplicidade entre eles que carrega a narrativa. O filme não se resume a batalhas espetaculares, mas a silenciosas trocas de olhares, rituais simbólicos e sacrifícios mútuos — ingredientes que conferem profundidade rara à franquia.

Um mergulho inédito na cultura Yautja

Diferente dos filmes anteriores, que mostravam os Predadores apenas como inimigos enigmáticos, Terras Selvagens dedica-se a explorar a fundo a civilização dos Yautja. A equipe de produção contratou especialistas em linguística para criar um sistema completo de linguagem — oral e escrita — exclusivo da espécie. Esse cuidado com o detalhe se reflete em diálogos inteiros realizados em Yautja, com legendas em tela, reforçando a ambientação alienígena.

Os trajes e adereços foram desenvolvidos pelo Studio Gillis, responsável por boa parte dos efeitos práticos de Prey. A face de Dek, por sua vez, foi recriada digitalmente com técnicas de captura de performance, permitindo que suas expressões transmitam nuance emocional sem perder a brutalidade visual característica do personagem.

Influências cinematográficas e ambições autorais

Durante o painel da Comic-Con, Dan Trachtenberg compartilhou suas influências para o novo filme — e surpreendeu ao citar nomes fora do campo da ficção científica convencional. Entre as inspirações, estão os quadros épicos e violentos de Frank Frazetta, a espiritualidade melancólica de Terrence Malick, o silêncio simbólico de Shadow of the Colossus e os westerns solitários de Clint Eastwood.

Essa combinação de referências se reflete na estética do longa, que mistura cenários desérticos com luz difusa, ruínas góticas com vegetação alienígena e um design de som minimalista, que valoriza o silêncio tanto quanto a explosão. O diretor deixou claro: Predador: Terras Selvagens não quer apenas ser mais um filme da saga — quer ser arte, reflexão e revolução dentro do gênero.

Bastidores: produção técnica e efeitos visuais

As filmagens aconteceram entre agosto e outubro de 2024, nas paisagens remotas da Nova Zelândia. Sob o codinome Backpack, a produção mobilizou locações naturais exuberantes, cavernas vulcânicas e desertos de sal que, com o uso de VFX, foram transformados em superfícies alienígenas.

Na pós-produção, estúdios como Wētā FX, ILM, Framestore e Rising Sun Pictures contribuíram para dar vida ao mundo de Dek e Thia. Todos os cenários foram amplificados digitalmente, e criaturas exóticas foram inseridas para enriquecer o ecossistema do planeta. O resultado promete ser um espetáculo visual de grande escala, com equilíbrio entre efeitos práticos e digitais.

Universo compartilhado e sementes de crossover

A presença da corporação Weyland-Yutani no roteiro não é mero fan service. Segundo os roteiristas, há planos de expandir o universo Predador em alinhamento com Alien, talvez até mesmo pavimentando o caminho para um crossover mais estruturado no futuro. A ligação entre Thia e a tecnologia humana da franquia Alien é explícita, mas há também sutis menções a eventos ocorridos em outros títulos do mesmo universo — o que pode deixar os fãs atentos em alerta.

Críticas iniciais e expectativas

Críticos especializados e insiders que assistiram a trechos exclusivos do longa durante a convenção destacaram o tom maduro da produção. Muitos apontaram que Predador: Terras Selvagens pode fazer pelo universo Yautja o que Rogue One fez por Star Wars: expandir o mito, dar profundidade emocional e humanizar figuras antes vistas apenas como antagonistas.

A aposta em um protagonista não humano, o afastamento da fórmula clássica de ação e o mergulho no lore da franquia são riscos calculados — e, segundo as primeiras reações, altamente promissores.

Herança de Narcisa | Drama com Paolla Oliveira atravessa fronteiras e chega a festival de cinema nos Estados Unidos

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O cinema brasileiro segue conquistando espaço fora do país e reafirmando sua capacidade de contar histórias profundas e universais. Um dos exemplos mais recentes desse movimento é o filme Herança de Narcisa, protagonizado por Paolla Oliveira. A produção brasileira foi selecionada para exibição no prestigiado Cinequest Film & Creativity Festival, realizado na cidade de San Jose. A presença do longa no evento reforça o interesse internacional por narrativas brasileiras que exploram temas humanos e emocionais com sensibilidade e identidade própria.

Dirigido por Clarissa Appelt e Daniel Dias, o filme constrói um drama intenso que mistura suspense psicológico e investigação emocional. A história acompanha Ana, personagem interpretada por Paolla Oliveira, que retorna à casa onde passou a infância no Rio de Janeiro após a morte de sua mãe, Narcisa, uma antiga vedete marcada por uma vida cheia de contrastes e silêncios. O retorno à residência familiar não é apenas um gesto de despedida, mas o início de um mergulho profundo em memórias, conflitos e sentimentos que permaneceram escondidos por muitos anos.

Ao lado do irmão Diego, vivido por Pedro Henrique Müller, Ana começa a reorganizar a antiga casa. Entre móveis antigos, fotografias e objetos esquecidos pelo tempo, surgem lembranças que revelam muito mais do que simples recordações de infância. A cada descoberta, a personagem se vê confrontada com aspectos da relação complicada que mantinha com a mãe. O que parecia apenas um reencontro com o passado passa a se transformar em uma experiência emocional intensa, na qual sentimentos reprimidos começam a ganhar forma.

A narrativa trabalha com uma atmosfera de mistério que cresce gradualmente. O suspense não está ligado a eventos sobrenaturais ou acontecimentos fantásticos, mas sim às tensões psicológicas que envolvem a história da família. Cada detalhe encontrado dentro da casa funciona como uma peça de um quebra-cabeça emocional que precisa ser montado para que Ana compreenda de fato quem foi sua mãe e qual é o legado que ficou para trás.

Os próprios diretores descrevem a obra como uma reflexão sobre aquilo que herdamos de nossas famílias sem perceber. Nem todas as heranças são feitas de bens materiais. Muitas vezes, aquilo que carregamos são sentimentos, comportamentos e memórias que acabam moldando nossa forma de enxergar o mundo. O filme parte justamente dessa ideia para construir sua narrativa, propondo uma pergunta que atravessa toda a trama: o que realmente herdamos daqueles que vieram antes de nós?

Essa reflexão ganha ainda mais força quando a protagonista percebe que algumas características que sempre criticou na mãe podem estar presentes dentro dela mesma. O reconhecimento desse espelho emocional provoca medo, resistência e também um profundo desejo de compreender melhor sua própria história. Ao longo do filme, o espectador acompanha esse processo interno da personagem, que tenta encontrar respostas para questões que nunca foram discutidas abertamente dentro da família.

Embora possua elementos de suspense, “Herança de Narcisa” se distancia das fórmulas tradicionais do gênero. Em vez de apostar em sustos ou em forças sobrenaturais, o filme constrói tensão a partir da relação entre mãe e filha. A ideia de “possessão” aparece de forma simbólica, ligada aos sentimentos não resolvidos que continuam presentes mesmo após a morte. Nesse sentido, o longa propõe uma interpretação mais íntima e psicológica sobre o conceito de assombração. Os fantasmas que aparecem na história são, na verdade, as lembranças e os conflitos que permanecem vivos dentro da memória.

A diretora Clarissa Appelt explica que o filme dialoga com elementos do sincretismo religioso brasileiro, que muitas vezes trabalha com a ideia de libertação espiritual através do reconhecimento das próprias histórias. No contexto da narrativa, a libertação emocional só acontece quando mãe e filha conseguem finalmente encarar suas dores e compreender os sentimentos que nunca foram expressos. Esse processo simbólico se transforma em uma espécie de exorcismo emocional, no qual ambas precisam se reconhecer para que o ciclo de sofrimento possa ser encerrado.

Além de abordar conflitos familiares, o filme também apresenta uma reflexão sobre ancestralidade feminina. A relação entre mulheres de diferentes gerações aparece como um dos pilares da narrativa. A figura de Narcisa, embora ausente fisicamente, permanece presente em cada detalhe da casa e em cada lembrança da protagonista. A personagem representa uma mulher que viveu intensamente sua própria história, mas que também carregava suas próprias fragilidades e contradições.

Clarissa Appelt já declarou que o projeto tem um significado pessoal importante em sua trajetória como cineasta. Segundo ela, o filme também funciona como uma homenagem à sua própria mãe e às histórias de mulheres que muitas vezes permanecem ocultas dentro das narrativas familiares. Ao trazer essas experiências para o centro da trama, o longa abre espaço para discussões sobre expectativas sociais, afetos complexos e os desafios enfrentados por diferentes gerações de mulheres.

Antes de chegar ao público internacional, “Herança de Narcisa” já havia conquistado reconhecimento dentro do Brasil. O filme foi exibido em importantes eventos do circuito nacional, incluindo o tradicional Festival do Rio, onde recebeu o prêmio de Melhor Filme pelo Júri Popular. O reconhecimento demonstra o impacto da obra entre os espectadores, que se identificaram com a sensibilidade da narrativa e com a força emocional das interpretações.

A produção também marcou presença na Mostra de Cinema de Tiradentes, um dos festivais mais respeitados do país quando se trata de cinema autoral e produções independentes. Nesse espaço, o filme encontrou um público interessado em novas formas de contar histórias e em narrativas que exploram as complexidades das relações humanas.

A seleção para o Cinequest Film & Creativity Festival representa um novo capítulo nessa trajetória. O evento realizado na Califórnia é conhecido por valorizar projetos inovadores e por reunir cineastas de diversas partes do mundo. A presença de um filme brasileiro nesse contexto amplia as possibilidades de circulação internacional da obra e fortalece o diálogo entre diferentes culturas cinematográficas.

A primeira exibição do longa no festival aconteceu no dia 11 de março, com uma nova sessão programada para o dia 19. Os diretores Clarissa Appelt e Daniel Dias confirmaram presença no evento, participando das atividades e conversando com o público sobre o processo de criação do filme. Esse tipo de encontro costuma ser um momento importante dentro dos festivais, pois permite que os espectadores conheçam mais profundamente as ideias e inspirações por trás das obras exibidas.

Resumo da novela Cruel Istambul de terça (21/10) – Cemre e Nedim vivem momento de ternura enquanto Seniz prepara armadilha

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No capítulo da novela Cruel Istambul que vai ao ar nesta terça-feira, 21 de outubro, Cemre e Nedim se aproximam ainda mais, fortalecendo o laço de confiança e carinho que nasce entre eles. Unidos pela dor e pela esperança, compartilham confidências e emoções que os tornam cada vez mais cúmplices. Agah, dominado pela frustração e pelo remorso, visita o túmulo do irmão para desabafar sua dor e refletir sobre tudo o que aconteceu, tentando encontrar algum sentido em meio às perdas.

Enquanto isso, na mansão, Neriman humilha Seher ao relembrar a fuga de Cemre, reabrindo feridas antigas e ampliando o sofrimento da mãe. Cenk busca amparo junto ao pai e recebe de Agah palavras de incentivo, que o motivam a repensar suas atitudes. Ceren, profundamente abalada com a situação de Seher, enfrenta um turbilhão de sentimentos — entre a culpa e a vontade de reparar seus erros.

Damla revela a Civan seus sentimentos e intenções, intensificando o clima de tensão e desejo que paira sobre a família. À noite, sob o som das ondas, Cemre canta para Nedim na praia, num instante de pura ternura e conexão. No entanto, sem imaginar o que se aproxima, ela mal percebe que Seniz já prepara uma nova armadilha — um plano cruel que pode destruir sua paz e mudar o rumo de todos.

Saiba o que vem por aí nos próximos capítulos de Cruel Istambul

Cemre decide abrir seu coração a Nedim, compartilhando lembranças dolorosas e revelações sobre o passado conturbado de seu pai. Emocionado, Nedim se sente abalado com tudo o que ouve, e Cemre passa a se culpar por envolvê-lo em tamanha dor. Enquanto isso, Neriman revela a Ceren que toda a fortuna da família pertence ao sobrinho de Agah, notícia que desperta ambição e acirra as disputas dentro da casa.

Determinada a seguir sozinha, Cemre consegue emprego em um hotel, tentando se reerguer e construir um futuro independente. Ao mesmo tempo, Damla manipula a imprensa para favorecer seus próprios interesses, e Seher faz um apelo público pelo retorno da filha, expondo ainda mais o drama familiar. Agindo em segredo, Cenk se aproxima de Cemre, tentando ajudá-la sem o conhecimento de Seniz, enquanto Nedim insiste para que ela volte à mansão — o que coloca o casal entre o amor e o dever.

A tensão aumenta quando Cemre passa a temer ser localizada pelas autoridades. Agah acusa Civan de ter colaborado na fuga da jovem, provocando uma grave crise entre os dois. Durante os depoimentos à polícia, Ceren mente e responsabiliza Seher pelo suposto sequestro, o que aprofunda o sofrimento da mãe. Damla, por sua vez, tenta amenizar o escândalo ao defender Civan diante da família.

O clima de incerteza atinge o auge quando Nedim é reconhecido pelo dono do hotel onde estão hospedados, obrigando Cemre a agir rapidamente para evitar que sejam denunciados. Em meio à confusão, Nedim é roubado, o que agrava a vulnerabilidade do casal e os deixa sem recursos. Enquanto isso, Ceren, tomada pelo arrependimento por suas mentiras, entra em colapso emocional e se recusa a se alimentar, dominada pela culpa e pela sensação de que sua família está desmoronando.

Netflix anuncia Kaguya: A Princesa Espacial, novo anime com estreia marcada para janeiro de 2026

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A Netflix acaba de surpreender os fãs de anime ao anunciar Kaguya: A Princesa Espacial, um novo filme ambientado no universo da popular franquia Kaguya-sama: Love is War. O longa chega ao catálogo do streaming no dia 22 de janeiro de 2026, e já ganhou um trailer que destaca seu visual arrebatador e uma trilha sonora estrelada por grandes nomes da música japonesa. As informações são do Crunchyroll.

A direção fica por conta de Shingo Yamashita, conhecido por seu trabalho em Pokémon: Twilight Wings. Esse será o primeiro longa-metragem do diretor, que promete unir o melhor da sensibilidade emocional japonesa com o impacto visual das produções modernas. A animação é uma parceria dos estúdios Chromato e Colorido, dois nomes bastante respeitados no cenário atual por seus projetos criativos e tecnicamente refinados.

O design dos personagens foi desenvolvido por Hechima (Gakuen iDOLM@STER) e Akihiro Nagae (Uma Casa à Deriva), e a trilha sonora chega como um espetáculo à parte. Entre os nomes confirmados estão Ryo (supercell), kz (livetune), 40mP, HoneyWorks, Aqu3ra e yuigot — artistas renomados por suas produções com VOCALOIDs, que mesclam emoção, tecnologia e melodia de um jeito inconfundível.

A história de Kaguya: A Princesa Espacial acompanha duas garotas que se conectam por meio da música em um universo onírico chamado Tsukuyomi. Nesse espaço virtual, repleto de brilho e mistério, elas embarcam em uma jornada sobre amizade, identidade e destino — tudo isso embalado por uma atmosfera poética e visualmente deslumbrante.

A produção marca uma expansão criativa do universo de Kaguya-sama: Love is War, mangá escrito por Aka Akasaka e publicado pela Shueisha desde 2015. A obra original conquistou o público com seu humor inteligente e a dinâmica entre Kaguya Shinomiya e Miyuki Shirogane, dois estudantes de elite que transformam o amor em um verdadeiro jogo de estratégia. O sucesso do mangá deu origem a animes, filmes live-action e, agora, uma nova interpretação cinematográfica com ares de ficção científica.

Sessão da Tarde: Globo exibe o musical “Annie” nesta quinta-feira (5), estrelado por Jamie Foxx e Cameron Diaz

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A programação da Sessão da Tarde desta quinta-feira, 5 de março de 2026, aposta em uma história emocionante, cheia de música, humor e esperança. O filme escolhido pela TV Globo é Annie, releitura moderna de um dos musicais mais conhecidos da cultura pop.

Lançado em 2014, o longa traz uma versão contemporânea da clássica história da pequena órfã que acredita que dias melhores estão por vir. Com direção de Will Gluck, o filme mistura comédia, drama e números musicais para contar uma história sobre família, amizade e esperança.

O elenco reúne nomes conhecidos de Hollywood, como Jamie Foxx, Cameron Diaz, Bobby Cannavale, David Zayas e a jovem estrela Quvenzhané Wallis, que interpreta a protagonista.

Uma história clássica reinventada

A trama acompanha Annie Bennett, uma garota órfã cheia de energia e otimismo que vive em um orfanato administrado pela rígida e pouco carinhosa Srta. Hannigan. Apesar das dificuldades do dia a dia, Annie mantém o espírito positivo e acredita que seus pais voltarão algum dia para buscá-la.

A vida da menina muda completamente quando ela cruza o caminho de Will Stacks, um empresário bilionário que decide entrar para a política e concorrer ao cargo de prefeito da cidade. Durante um incidente nas ruas, ele acaba salvando Annie de um acidente, gesto que chama a atenção da mídia.

Percebendo o potencial da situação para sua campanha eleitoral, Stacks decide levar Annie para passar alguns dias em sua luxuosa mansão. O que começa como uma estratégia de marketing político acaba se transformando em algo muito maior.

Ao chegar à casa do milionário, Annie passa a conviver com funcionários que rapidamente se afeiçoam a ela. Sua personalidade carismática e seu olhar otimista começam a transformar o ambiente — inclusive a forma como Will Stacks enxerga a própria vida.

Música, humor e emoção

Por se tratar de uma adaptação de um musical clássico, “Annie” traz diversas canções que ajudam a contar a história e reforçam o clima leve da produção. As músicas acompanham os momentos mais marcantes da jornada da protagonista, desde as dificuldades no orfanato até as descobertas em sua nova realidade.

O filme é inspirado no musical da Broadway de 1977, que por sua vez foi baseado na famosa história em quadrinhos Little Orphan Annie, criada por Harold Gray em 1924.

Essa versão de 2014 atualiza a narrativa para os tempos modernos e também trouxe mudanças importantes na representação dos personagens principais. Na nova adaptação, Annie e Will Stacks são interpretados por atores afro-americanos, reforçando a diversidade e oferecendo uma nova leitura da história para as novas gerações.

Produção e bastidores

A produção do filme contou com nomes de peso da indústria do entretenimento. Entre os produtores estão o rapper e empresário Jay-Z e o ator Will Smith, que ajudaram a trazer uma abordagem contemporânea para o projeto.

Com orçamento estimado em cerca de 65 milhões de dólares, “Annie” arrecadou mais de 130 milhões mundialmente, mostrando que a história ainda tem grande apelo junto ao público.

Nos cinemas da América do Norte, o longa chegou às telas em dezembro de 2014 e disputou espaço nas bilheterias com grandes produções da época, como O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos e Uma Noite no Museu 3.

Mesmo com a forte concorrência, o filme conseguiu conquistar seu público, especialmente entre famílias e fãs de musicais.

Um filme sobre esperança

No centro da narrativa está a ideia de que pequenos gestos podem transformar vidas. Annie representa o olhar inocente e otimista de quem acredita que sempre existe uma chance de recomeçar.

Ao mesmo tempo, o filme mostra a transformação de Will Stacks, que começa a história focado apenas em sua carreira política e termina descobrindo que existem coisas muito mais importantes do que fama e poder.

Essa combinação de humor, emoção e música faz de “Annie” um filme leve e inspirador — perfeito para a proposta da Sessão da Tarde, conhecida por exibir produções voltadas para toda a família.

Crítica | Os Caras Malvados 2 mantém o charme, refina a fórmula e entrega uma continuação afiada da DreamWorks

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Quando um estúdio de animação decide lançar uma continuação de um sucesso inesperado, inevitavelmente surge a pergunta: vale mesmo a pena revisitar aquele universo? No caso de Os Caras Malvados 2 , a resposta é um sonoro “sim”. Com ares de blockbuster animado, ritmo de comédia policial e um elenco vocal carismático, a nova produção da DreamWorks não só retoma o espírito irreverente do original como se aprofunda em suas próprias qualidades. O resultado é um filme ágil, estiloso e, acima de tudo, consciente de sua missão: entreter sem subestimar o público.

Lançado em 2022, o primeiro filme surpreendeu a todos — inclusive a própria DreamWorks — ao transformar uma modesta adaptação de livros infantis australianos em um fenômeno global. Com um orçamento de cerca de US$ 80 milhões, o filme arrecadou mais de US$ 250 milhões mundialmente, revelando um apetite do público por animações com linguagem pop, estética ousada e tramas que combinam ação, humor e um certo frescor narrativo. Foi um acerto difícil de ignorar — e que o estúdio, sabiamente, decidiu não deixar esfriar.

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Um retorno inteligente e bem planejado

Ao contrário de algumas continuações que parecem feitas às pressas ou motivadas exclusivamente por lucro, Os Caras Malvados 2 demonstra uma preocupação genuína em expandir o universo da história original. O roteiro, ainda que mantenha a leveza e o humor esperados, investe na complexidade das relações entre os personagens e cria novos desafios que evitam a simples repetição da fórmula.

Mr. Wolf, dublado com carisma irresistível por Sam Rockwell, retorna como o líder do grupo de ex-vilões reformados, agora enfrentando o dilema de manter seu novo estilo de vida longe do crime, mesmo quando o passado insiste em bater à porta. Rockwell, mais uma vez, comprova que sua voz tem tanto peso quanto sua presença física, conduzindo cenas com uma naturalidade que torna o personagem ainda mais encantador.

Já Awkwafina, como a hacker Srta. Tarântula, encontra aqui mais espaço para brilhar. Se no primeiro filme sua performance já era divertida, nesta sequência ela se mostra ainda mais afiada, equilibrando ironia e sensibilidade em doses muito bem dosadas. O grupo original continua funcionando com excelente química, e a introdução de novas personagens, como as vozes de Danielle Brooks, Maria Bakalova e Natasha Lyonne, adiciona dinamismo e diversidade à narrativa, sem parecer forçado ou desnecessário.

Estilo visual como identidade narrativa

Um dos grandes trunfos da franquia é, sem dúvida, sua estética. A animação mantém o estilo visual que mistura referências do film noir com quadrinhos modernos, em uma paleta de cores vibrante que garante apelo tanto para o público infantil quanto para adultos que apreciam uma direção de arte criativa. Os traços angulosos, o uso expressivo da luz e sombra, e a fluidez da animação tornam cada sequência visualmente estimulante.

A DreamWorks, aqui, parece determinada a criar um produto esteticamente distinto de seus concorrentes — algo que já havia começado em filmes como Os Croods e Capitão Cueca, mas que em Os Caras Malvados se consolidou como uma assinatura. A sequência abraça essa identidade com ainda mais convicção, utilizando o estilo gráfico para reforçar o tom de fábula urbana, com cenas de ação que remetem a perseguições de filmes policiais e momentos de comédia física dignos de desenhos animados clássicos.

Foto: Reprodução/ Internet

Narrativa ágil, mas com espaço para emoção

A estrutura da trama é bastante eficiente: o grupo de heróis reformados precisa lidar com uma nova ameaça — interna e externa — que coloca em risco não só sua liberdade, mas também a confiança que conquistaram junto à sociedade. Há uma camada de comentário sutil sobre segundas chances e o estigma da reputação, que embora nunca se torne moralizante, adiciona algum peso emocional à narrativa.

Diferente de muitas continuações que exageram no número de personagens ou subtramas, Os Caras Malvados 2 opta por manter o foco no essencial. A edição ágil e a trilha sonora energética garantem um ritmo constante, mas o roteiro permite pequenas pausas para que o espectador respire junto aos personagens — o que enriquece a experiência sem comprometer a diversão.

Um elenco vocal que é parte vital do sucesso

A escolha do elenco de voz é um dos elementos mais bem acertados da produção. Sam Rockwell está mais à vontade do que nunca como Mr. Wolf, e sua química com os demais integrantes da gangue continua afiada. Craig Robinson (Mr. Shark), Marc Maron (Mr. Snake) e Anthony Ramos (Piranha) oferecem, novamente, atuações vocais que mesclam comicidade e autenticidade.

As adições de Danielle Brooks, Maria Bakalova e Natasha Lyonne ampliam o repertório emocional da história. Bakalova, por exemplo, adiciona uma doçura agridoce à sua personagem, contrastando com a energia explosiva da personagem de Lyonne. Já Danielle Brooks traz uma força calma que funciona como âncora em momentos de conflito. O resultado é um elenco coeso, onde cada voz acrescenta nuance sem competir por atenção.

Trilha sonora e montagem: ritmo em sintonia

A trilha sonora de Daniel Pemberton — também responsável pelo primeiro filme — retorna como um elemento narrativo crucial. O compositor consegue traduzir em música a dualidade entre ação e leveza que define o universo da franquia. São faixas que remetem tanto a filmes de espionagem quanto a desenhos animados modernos, sempre pontuando a ação com precisão e ajudando a criar a atmosfera estilizada que é marca registrada da série.

A montagem segue o ritmo ditado pela trilha. A direção não tem medo de apostar em transições ousadas, cortes rápidos e movimentos de câmera animados que dão vida às sequências mais agitadas. E mesmo nos momentos mais calmos, a animação mantém uma expressividade notável, reforçada pela dublagem e pelo detalhamento nas expressões faciais dos personagens.

Uma sequência que acerta por saber quem é

A animação pode não ambicionar prêmios ou quebrar recordes, mas é exatamente essa sua força. Em vez de tentar reinventar a roda, a DreamWorks opta por polir a fórmula que deu certo — e faz isso com esmero. A continuação entrega uma animação estilosa, ritmada, espirituosa e tecnicamente impecável, que respeita seu público e mantém acesa a chama de um universo que ainda tem muito a oferecer.

Num mercado onde sequências animadas frequentemente soam genéricas ou desnecessárias, Os Caras Malvados 2 prova que é possível sim dar continuidade a uma história com inteligência, criatividade e charme. O resultado é um filme que diverte crianças e adultos, sem perder sua alma ou diluir seu impacto.

E talvez seja isso o mais importante: ao final da sessão, saímos do cinema com a certeza de que, mesmo sendo “caras malvados”, esses personagens conquistaram de vez o coração do público — e isso, convenhamos, é um baita feito para qualquer franquia.

Saiba tudo sobre os filmes de hoje (10) na Temperatura Máxima, Domingo Maior e Cinemaço da TV Globo

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Foto: Reprodução/ Internet

Domingo (10) é dia de relaxar e aproveitar aquele filme que faz o coração acelerar, a adrenalina subir e a gente se envolver de verdade com uma história emocionante. E a Temperatura Máxima da TV Globo preparou exatamente isso para você: Arranha-Céu: Coragem Sem Limite, um filme que vai fazer você prender a respiração do começo ao fim.

A trama gira em torno de Will Sawyer, vivido por Dwayne Johnson, um homem que já passou por muita coisa difícil na vida — ele é veterano de guerra e ex-líder de resgates do FBI. Mas o que Will enfrenta aqui é diferente: ele vai precisar usar toda sua força e inteligência para salvar a família que está presa no arranha-céu mais alto e seguro do mundo, um prédio futurista em Hong Kong.

Imagine só: um edifício que é uma verdadeira cidade nas alturas, com toda a tecnologia e segurança do mundo. Só que, do nada, ele vira palco de um incêndio devastador. E para piorar, o próprio Will é acusado de ter provocado tudo aquilo. A situação parece impossível, quase um pesadelo. Mas é aí que ele mostra o que significa ser um herói de verdade.

O filme não é só explosões e cenas de ação — tem muito coração também. A relação entre Will e sua esposa Sarah, interpretada por Neve Campbell, traz uma emoção real para a história. A gente entende que, no meio daquele caos todo, o que ele mais quer é proteger quem ama. É essa luta que torna tudo mais intenso e humano.

Além disso, o filme fala sobre coragem, justiça e o poder da determinação. Will não desiste, mesmo quando tudo está contra ele. A gente torce, vibra e sofre junto, porque aquela não é só uma aventura qualquer: é uma corrida contra o tempo para salvar vidas.

A produção do filme é incrível, com efeitos que deixam a gente quase sentindo o calor do fogo e a vertigem das alturas. As filmagens aconteceram em Vancouver, no Canadá, e o trabalho dos técnicos foi minucioso para que tudo parecesse real e impressionante.

Se você gosta de filmes que misturam ação de tirar o fôlego com uma história que mexe com o coração, Arranha-Céu: Coragem Sem Limite é para você. Dwayne Johnson, que já é conhecido por seus papéis cheios de energia, aqui entrega uma performance que mistura força física com sensibilidade, mostrando que heróis também sentem medo, mas escolhem seguir em frente.

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Domingo Maior exibe Planeta dos Macacos: O Confronto

A TV Globo traz para a sua tela o emocionante e aclamado filme Planeta dos Macacos: O Confronto, uma produção que vai além da ação e da ficção científica para falar sobre dilemas profundos da convivência, liderança e o futuro de duas espécies marcadas por conflitos históricos.

Dez anos depois de conquistar a liberdade, César, o chimpanzé líder da comunidade símia, vive em um refúgio tranquilo na floresta próxima a São Francisco, onde ele e sua espécie desenvolveram uma sociedade baseada no respeito e no apoio mútuo. Enquanto isso, os humanos enfrentam uma crise sem precedentes: um vírus criado em laboratório dizimou grande parte da população, deixando os sobreviventes isolados e desesperados.

Nesse cenário de tensão e incerteza, um grupo humano tenta reativar uma usina hidrelétrica dentro do território dos macacos, na esperança de restaurar a energia elétrica e salvar o que resta da civilização. Malcolm, o líder desse grupo e um dos poucos que conhece verdadeiramente César e sua comunidade, busca evitar a guerra e promover a paz entre as espécies. Mas nem todos compartilham dessa visão.

O filme conduz o espectador por uma narrativa rica em emoção, política e ética, onde lealdades são testadas e decisões difíceis precisam ser tomadas. A figura de César, interpretada magistralmente por Andy Serkis através de captura de movimento, representa a luta por coexistência pacífica, enquanto o bonobo Koba, seu ex-tenente e um sobrevivente de crueldades humanas, alimenta o ressentimento e a sede por vingança.

A tensão cresce à medida que desconfiança, medo e passado traumático ameaçam explodir em um conflito aberto. As cenas impressionantes que misturam tecnologia de ponta, efeitos visuais realistas e atuações intensas transportam o público para esse universo onde o futuro das espécies está em jogo.

Além do elenco principal, com nomes como Jason Clarke (Malcolm), Gary Oldman (Dreyfus) e Keri Russell (Ellie), a dublagem brasileira também se destaca, trazendo vozes marcantes que dão vida aos personagens e intensificam a experiência emocional do filme.

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Cinemaço exibe Clube da Luta

Na madrugada deste domingo, o Cinemaço traz um filme que é referência quando o assunto é cinema provocativo e cheio de camadas: Clube da Luta (Fight Club), dirigido por David Fincher. Mais do que uma história sobre violência, o filme é um retrato intenso da luta interna de um homem contra o vazio da vida moderna e as amarras do consumismo.

O protagonista, interpretado por Edward Norton, é um homem sem nome que vive uma existência sufocante — preso em um trabalho burocrático, sofrendo de insônia e buscando sentido em meio à monotonia. Para tentar aliviar sua angústia, ele começa a frequentar grupos de apoio para pessoas com doenças graves, mesmo sem realmente sofrer delas. É nesses encontros que encontra um alívio temporário, até cruzar o caminho de Marla Singer, personagem enigmática e tão perdida quanto ele.

Tudo muda quando ele conhece Tyler Durden, vivido por Brad Pitt — um homem carismático e subversivo, que o convida a participar de um clube secreto de luta. O clube nasce como uma forma crua de liberdade, onde homens comuns se enfrentam para sentir que estão vivos, quebrando a rotina anestesiante da sociedade consumista. Mas o que era para ser uma válvula de escape se transforma em algo muito maior e perigoso.

Clube da Luta é uma reflexão sobre a identidade, o poder e o desespero de uma geração que se sente desconectada do mundo à sua volta. A relação complexa entre o narrador e Tyler revela camadas profundas sobre dualidade e autoconhecimento, em um roteiro que surpreende e desafia o espectador a questionar a própria realidade.

A direção de David Fincher é precisa e intensa, utilizando a violência e o caos como metáforas para o conflito interno do protagonista e para uma crítica social mordaz. Helena Bonham Carter, no papel de Marla, traz uma presença única, representando tanto o desespero quanto a possibilidade de redenção.

Quando foi lançado, Clube da Luta dividiu opiniões, mas com o tempo se tornou um clássico cult, influenciando gerações e sendo constantemente revisitado por seu estilo inovador e mensagem profunda.

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