O universo de Ryan Murphy está prestes a ganhar mais um daqueles capítulos que deixam o público inquieto — no melhor sentido possível. O perfil oficial de American Horror Story divulgou o primeiro pôster de Beauty, nova série dramática criada por Murphy em parceria com Matt Hodgson, e que será exibida pelo Hulu e pelo Disney+. A imagem viralizou em poucos minutos: sombria, sedutora e desconfortável na medida certa, carregando aquela assinatura visual que qualquer fã reconhece de longe. E, claro, reacendeu de vez a expectativa para a estreia, marcada para janeiro de 2026. Abaixo, confira a imagem:
Inspirada na HQ The Beauty, de Jeremy Haun e Jason A. Hurley, a série parte de uma premissa tão curiosa quanto perturbadora. Em um mundo muito parecido com o nosso, uma infecção sexualmente transmissível começa a se espalhar — só que, ao invés de debilitar o corpo, ela deixa as pessoas mais belas a cada dia. É quase um “milagre” moderno… até que as consequências entram em cena. A tal beleza vem acompanhada de riscos, metamorfoses corporais e uma inquietação coletiva crescente. Beauty mergulha fundo na vulnerabilidade que existe por trás da obsessão pela aparência perfeita, tocando em temas como vaidade, moralidade e o jeito como o corpo vira produto em uma sociedade que não sabe viver sem filtros.
Murphy e Hodgson estão envolvidos em tudo: criação, roteiro e produção executiva. E isso já diz muito sobre o tom da série. Quando ele pega um projeto, a combinação de estética forte, narrativa intensa e temas espinhosos é quase garantida. Desde seu anúncio lá em 2024, Beauty já era vista como uma das apostas mais ambiciosas da FX — a escolha de levar o título para o streaming reforça ainda mais a intenção de apostar em histórias adultas, sombrias e carregadas de tensão social.
A construção do universo de Beauty
Nos bastidores, a equipe comenta que Murphy e Hodgson decidiram ir além da HQ original, apostando em uma abordagem mais visceral e emocional. A base continua a mesma — o famigerado “vírus da beleza” —, mas a série dedica tempo aos impactos psicológicos, éticos e até existenciais da transformação. A pergunta ali não é só “o que essa doença faz?”, mas “o que ela revela sobre nós?”. Como uma aparência em mutação muda relações, carreiras, identidades?
O desenvolvimento oficial começou em setembro de 2024, e tudo andou rápido dali em diante. Entre novembro de 2024 e junho de 2025, as filmagens transformaram o set em um grande exercício de experimentação visual e sensorial. Para levar à tela as mudanças corporais — algumas belas, outras desconfortáveis — a produção contou com especialistas em efeitos práticos e próteses, algo que deve ser uma das marcas registradas da série. Se tem algo que Ryan Murphy sabe fazer, é fazer o público desviar o olhar… e, logo em seguida, querer olhar de novo.
O elenco de Beauty reúne alguns dos nomes mais versáteis e interessantes do audiovisual atual. Evan Peters, parceiro frequente de Murphy e conhecido tanto por Dahmer quanto por seus anos em American Horror Story, interpreta o misterioso Detetive Madsen. Ele divide o protagonismo com Rebecca Hall (O Beco do Pesadelo, Christine), que dá vida à Detetive Bennett, trazendo sua sensibilidade habitual para papéis emocionalmente complexos. O time também conta com Ashton Kutcher (Two and a Half Men, Jobs), Anthony Ramos (Em um Bairro de Nova York, Transformers: O Despertar das Feras) e Jeremy Pope (Hollywood, The Inspection), ampliando o alcance emocional e estilístico da equipe. Isabella Rossellini (Blue Velvet, Death Becomes Her) adiciona elegância e presença, enquanto Bella Hadid retorna ao audiovisual após ter surpreendido positivamente em Ramy.
A lista segue com nomes que dão ainda mais textura ao conjunto. Billy Eichner (Bros, Billy on the Street) e Ben Platt (Dear Evan Hansen, The Politician) equilibram drama e humor, ao lado da energia jovem de Amelia Gray Hamlin, que vem despontando no audiovisual, e Daryl Sabara, eterno conhecido por Pequenos Espiões. Meghan Trainor — sim, a cantora — amplia sua presença na TV depois da experiência em The Voice. E, para completar, Vincent D’Onofrio (Demolidor, Law & Order: Criminal Intent) traz aquele peso dramático que ele domina tão bem. Ainda fazem parte do elenco John Carroll Lynch (Fargo, The Americans), Eddie Kaye Thomas (American Pie, Scorpion), Emma Halleen (The Peripheral), Julie Halston (And Just Like That…) e Maggie Rose Tyma, fechando um time diverso e cheio de personalidade.
Nesta semana, Selton Mello deu aquele presente que os fãs adoram: um vídeo íntimo, descontraído e cheio de momentos engraçados dos bastidores de Anaconda, o novo reboot da franquia que marcou gerações e agora renasce em Hollywood com uma mistura improvável de humor, terror e ação. O ator brasileiro, que estrela o longa ao lado de Jack Black, Paul Rudd, Steve Zahn, Thandiwe Newton e Daniela Melchior, mostrou o clima de irreverência que tomou conta da produção desde o início das filmagens.
“Meu momento favorito: mostrar o que acontece por trás das câmeras. Com Anaconda, não foi diferente”, escreveu Selton na legenda. O vídeo, claro, viralizou em minutos. Não só pela curiosidade natural em torno de uma superprodução hollywoodiana, mas pelo carisma e pelo olhar genuíno que Selton imprime ao gravar esse tipo de conteúdo. Ele não mostra apenas o set — mostra a energia das pessoas que constroem aquele universo.
Um reboot que não tenta ser sério — e é justamente aí que mora o charme
Dirigido por Tom Gormican e escrito por ele ao lado de Kevin Etten, o novo filme já nasce com uma proposta assumida: é uma comédia de terror escrachada, que abraça o exagero do original de 1997 e se diverte com isso. Esqueça o suspense sombrio ou a tensão constante. Aqui, o espírito é outro, quase como se o filme desse uma piscada para o público o tempo todo, lembrando que ninguém precisa levar nada tão a sério.
O enredo gira em torno de Doug (Jack Black) e Griff (Paul Rudd), dois amigos que, enfrentando crises típicas da meia-idade, decidem viajar até a Amazônia para recriar o longa que marcou a juventude deles. A ideia já seria absurda por si só, mas fica ainda mais caótica quando uma anaconda gigantesca — dessa vez real — aparece, transformando o sonho de fazer cinema num pesadelo hilário.
O próprio trailer, lançado pela Sony no fim de setembro de 2025, já mostrava o tom: piadas autorreferenciais, escorregões, sustos inesperados e uma cobra gigante que parece tão interessada em devorar quanto em provocar reações cômicas. É autossátira na veia, um tipo de humor que só funciona quando todos os envolvidos estão no mesmo espírito. E, pelo vídeo de Selton, estão.
Nos bastidores, Selton vira o “elo de ligação” entre caos e camaradagem
No vídeo postado nas redes, Selton aparece totalmente integrado à equipe e, principalmente, ao elenco. A troca dele com Paul Rudd chama atenção: os dois riem de improvisos, conversam como se fossem amigos de longa data e parecem ter encontrado um ritmo próprio. Rudd, com seu humor leve e eterno ar de surpresa, funciona quase como uma dupla de comédia com Selton, que responde com uma naturalidade impressionante para quem está filmando seu maior projeto internacional.
Com Jack Black, o clima é ainda mais escrachado. Em vários trechos, Jack brinca com Selton, tenta fazer o brasileiro repetir palavras e frases gringas com sotaque perfeito e, claro, esbarra em expressões cariocas que ele não consegue pronunciar por nada. Selton, por sua vez, tenta ensinar — mas desiste rápido ao perceber que a gargalhada é mais eficiente do que a aula.
O vídeo também mostra momentos técnicos que sempre fascinam o público: a gigante cabeça animatrônica da cobra descansando ao lado de uma mesa de almoço, ensaios com tela verde, operadores de efeitos especiais manipulando estruturas enormes e cenas caóticas gravadas no meio de uma “Amazônia hollywoodiana”. Selton observa tudo com aquele humor fino que o público brasileiro conhece bem — e isso dá ao material um toque de brasilidade no meio do caos.
Um brasileiro no centro da ação — e sem perder a essência
A escalação de Selton Mello sempre chamou atenção, principalmente por ser algo raro na carreira dele, que é marcada por escolhas cuidadosas e personagens densos. No filme, ele interpreta Santiago Braga, um guia local que tenta conduzir Doug, Griff e seus amigos com alguma sensatez, mas rapidamente percebe que está lidando com um grupo que atrai confusão como ninguém.
Santiago é um personagem que permite a Selton explorar tanto o humor quanto a emoção — e o ator parece confortável demais nessa mistura. Ele transita entre a ironia fina e momentos de vulnerabilidade, dando um toque humano a um filme que, na maior parte do tempo, flerta com o absurdo planejado.
Para os brasileiros, ver Selton nesse contexto é mais que representatividade. É uma confirmação de que seu talento atravessa fronteiras sem perder identidade. Ele fala português nos bastidores, brinca com a equipe, improvisa e mantém um tom que só ele tem. É o Brasil dentro da floresta hollywoodiana — e isso dá ao reboot uma camada inesperada de autenticidade.
A equipe abraça o absurdo e o transforma em virtude
Produzido pela Columbia Pictures e pela Fully Formed Entertainment, o reboot foi pensado como uma grande carta de amor — e de zoeira — ao original. Brad Fuller e Andrew Form, responsáveis por franquias clássicas do terror, mergulharam fundo no tom de comédia metalinguística que Gormican queria.
Nos bastidores, Fuller chegou a comentar que a intenção jamais foi competir com o filme de 1997, mas “rir com ele, não dele”. E isso se reflete em tudo: da atuação exagerada ao design da anaconda, que mistura terror e humor de forma quase caricata.
Parte desse charme também vem dos efeitos práticos. Mesmo com CGI de ponta, o filme usa bonecos gigantescos que exigem cinco, seis operadores ao mesmo tempo. No vídeo de Selton, há um momento tão espontâneo quanto revelador: a equipe tentando ajustar uma das presas da anaconda mecânica enquanto o ator comenta, rindo, que “o glamour de Hollywood é muito superestimado”.
Primeiras imagens e trailer só aumentaram a expectativa
Quando a revista People publicou as primeiras fotos oficiais em 16 de setembro de 2025, o público mergulhou na nostalgia. Ver Jack Black coberto de lama, Paul Rudd fugindo de uma câmera que parece ter vontade própria e Selton Mello com expressão de quem perdeu a paciência antes do café da manhã criou um imediatismo raro: todos já queriam assistir ao filme.
No dia seguinte, a Sony divulgou o trailer. A recepção foi explosiva. O público entendeu imediatamente a proposta — não é terror puro, não é apenas comédia, e definitivamente não é algo que precise ser levado a sério. É entretenimento puro. É exagero com propósito.
E no meio de tudo isso, Selton aparece firme, divertido e totalmente encaixado naquele universo caótico.
Um lançamento para fechar 2025 com leveza e risadas
O filme estreia no Brasil em 25 de dezembro de 2025, chegando como uma opção divertida para o fim de ano — exatamente quando o público busca leveza, humor e aquela sensação de “vamos aproveitar o momento”. A Sony aposta alto no projeto e deve investir em campanhas globais, entrevistas conjuntas e, claro, mais vídeos de bastidores que mostram a alma da produção.
Se depender do que Selton Mello mostrou — e da sintonia evidente entre o elenco — o longa-metragme tem tudo para ser um dos títulos mais comentados do período. Não apenas pelo absurdo calculado, mas pela forma carinhosa como a equipe parece abraçar esse absurdo.
A Sony deu um passo daqueles que balançam o mercado: segundo o The Hollywood Reporter, o estúdio acabou de garantir os direitos da marca chinesa de brinquedos Labubu, um fenômeno absoluto entre colecionadores nos últimos anos. A notícia ainda está fresca, mas já acende o radar de quem acompanha o universo do entretenimento, especialmente porque Labubu é hoje uma das marcas mais comentadas no mundo dos designer toys.
Por enquanto, ninguém dentro da Sony confirma se o longa será live-action ou animação. O que sabemos é: a adaptação está acontecendo, mesmo que o estúdio ainda mantenha portas fechadas quando o assunto é enredo, direção ou cronograma. Mesmo assim, conversas internas já apontam um caminho mais óbvio — e quase inevitável: transformar Labubu em uma animação. Afinal, seu universo fantástico, suas criaturas fofas (mas cheias de personalidade) e o estilo visual inconfundível parecem feitos sob medida para isso.
O monstrinho fofo — e um pouco travesso — que conquistou o mundo
A história de Labubu é curiosa justamente porque ele não nasceu com a pretensão de ser um fenômeno global. Seu criador, o artista Kasing Lung, é nascido em Hong Kong, cresceu na Holanda e sempre buscou inspiração em lendas do folclore nórdico, histórias que ouviu na infância e elementos que misturam inocência, fantasia e aquele toque leve de estranhamento que faz tudo ficar mais interessante.
Labubu apareceu pela primeira vez em 2015, como parte da série The Monsters. Mas o grande salto veio com a parceria entre Lung e a gigante dos colecionáveis Pop Mart, em 2019. Com os blind boxes — aquelas caixinhas que escondem surpresas e fazem qualquer colecionador entrar em modo caça ao tesouro — o personagem ganhou o mundo. Se antes era um nicho, de repente Labubu virou assunto, virou coleção, virou flerte com a cultura pop global.
Entre janeiro e maio de 2025, o monstrinho chegou ao seu pico. Lojas lotadas, filas gigantes, lançamentos esgotados em minutos… e claro, uma enxurrada de vídeos, fotos e disputas amigáveis (e nem tão amigáveis assim) entre colecionadores nas redes sociais.
O segredo do design: fofura, esquisitice e muito carisma
Se você já viu um Labubu, sabe bem: não tem como confundir. Ele é fofinho, é travesso, é expressivo — e carrega uma estética que parece brincar com os limites entre o adorável e o estranho.
O jeitinho clássico da criatura inclui corpo pequeno e felpudo, olhos gigantes, orelhas pontudas e um sorriso cheio de dentes afiados que não chega a assustar, mas deixa claro que ele tem personalidade. Esse equilíbrio entre “aww” e “opa, que isso?” é exatamente o que fisga o público. Ele parece vir de um conto de fadas místico, mas com uma pegada moderna que conversa com todas as gerações.
Com o tempo, a família de Labubu cresceu. Hoje, nomes como Zimomo, Mokoko, Tycoco, Spooky e até o Pato já viraram queridinhos dos fãs — sempre em coleções temáticas que transformam cada lançamento em um evento.
E claro: tem o fator surpresa. Os blind boxes tornaram tudo mais emocionante. Você nunca sabe qual personagem vai tirar, o que cria aquela ansiedade gostosa e alimenta a troca de peças entre colecionadores que buscam completar séries inteiras.
E o filme? O que podemos esperar dessa adaptação?
Ainda não há detalhes sobre roteiro, personagens, tom ou direção. Mas algumas possibilidades surgem naturalmente quando pensamos no estilo de Labubu e no que seu universo permite explorar.
Uma delas é uma fantasia infantojuvenil cheia de imaginação. O mundo criado por Kasing Lung sempre flertou com elementos de sonho, natureza, magia e mistério. É fácil imaginar Labubu liderando uma aventura encantada, daquelas que misturam humor, emoção e descobertas.
Outra possibilidade é apostar em uma história sobre amizade, pertencimento e o processo de crescer — temas universais que sempre encontram espaço nas animações.
Há também espaço para uma abordagem mais artística e autoral, já que Lung é um artista com visão muito própria. Essa versão traria um visual fortíssimo, ambientações oníricas e um tom mais sensível e contemplativo.
Claro, não dá para descartar uma aventura cômica, considerando o carisma e a variedade de criaturas desse universo. Uma história leve, divertida e com bastante personalidade seria uma escolha natural.
A volta a Wakanda finalmente ganhou um sinal oficial. O diretor Ryan Coogler, que assinou os dois primeiros filmes da franquia, confirmou publicamente que Pantera Negra 3 será seu próximo projeto. A revelação aconteceu neste sábado, durante o evento Contenders Film: Los Angeles, organizado pelo Deadline, e imediatamente movimentou fãs, sites especializados e todo o ecossistema do Universo Cinematográfico da Marvel (UCM).
Com o anúncio, Coogler deixa claro que pretende continuar expandindo o legado de Wakanda — um universo já consolidado, emocionalmente forte e marcado por uma carga cultural que extrapola o entretenimento. Ainda não há data de estreia, nem detalhes sobre elenco ou enredo, mas o simples fato de sabermos que o filme está em desenvolvimento já acende aquele sentimento coletivo: Wakanda Forever, de novo.
Por que esse anúncio importa tanto?
Entre todas as produções da Marvel, Pantera Negra ocupa um lugar especial. Não apenas pelas bilheterias astronômicas ou pelos recordes quebrados, mas pela força simbólica que carrega: cultura africana celebrada, afro-futurismo em destaque e representatividade que alcançou milhões de pessoas ao redor do mundo.
E é impossível falar de Pantera Negra 3 sem revisitar a trajetória do segundo filme, que marcou profundamente o público.
Relembrando Wakanda Forever
Lançado em 2022, Pantera Negra: Wakanda Forever foi um desafio gigantesco para todo o time. A produção teve início logo após a morte de Chadwick Boseman, intérprete do rei T’Challa, que faleceu em agosto de 2020 vítima de câncer colorretal. Em respeito ao ator, a Marvel tomou a decisão de não reescalar o personagem — uma escolha ousada, sensível e historicamente rara em franquias desse tamanho.
Ryan, junto com o roteirista Joe Robert Cole, teve que redesenhar toda a narrativa. E o filme se tornou, ao mesmo tempo, um épico de ação e uma homenagem emocionante ao legado de Boseman.
Como o segundo filme nasceu: entre homenagens, ressignificações e uma produção turbulenta
As conversas sobre uma sequência começaram ainda em 2018, logo após o lançamento do primeiro filme. Coogler já negociava seu retorno como diretor quando tudo mudou com a notícia da morte do protagonista.
Ainda assim, a Marvel seguiu em frente com a produção. Diversos nomes importantes do elenco original — Letitia Wright, Lupita Nyong’o, Danai Gurira, Winston Duke e Angela Bassett — foram confirmados de volta em novembro de 2020. O título Wakanda Forever foi revelado em maio de 2021.
As filmagens começaram em junho de 2021, passando por Atlanta, Brunswick (Geórgia), Massachusetts e, já no final, Porto Rico. A produção precisou pausar por meses para que Letitia Wright se recuperasse de uma lesão sofrida no set. O trabalho só foi retomado em janeiro de 2022, concluindo no fim de março.
Apesar de todos os obstáculos, o resultado chegou aos cinemas em novembro de 2022 como o último filme da Fase 4 da Marvel — e trouxe um impacto emocional poucas vezes visto no estúdio.
Wakanda Forever emocionou o mundo
O filme foi elogiado por críticos e espectadores, especialmente pelas atuações de Letitia Wright, Tenoch Huerta e Angela Bassett (que chegou a ser indicada ao Oscar). A direção de Coogler, a trilha sonora marcante, as sequências de ação e, claro, a homenagem a Boseman foram alguns dos pontos mais exaltados.
Foi um filme que segurou o peso do luto, celebrou a força das mulheres de Wakanda e introduziu um novo grande personagem ao UCM: Namor, interpretado por Tenoch Huerta, junto de todo o seu reino subaquático, Talokan.
Resumo do enredo
O enredo de Wakanda Forever gira em torno da morte repentina de T’Challa, enquanto Shuri se culpa por não ter conseguido recriar a “erva coração” a tempo de salvá-lo. A nação wakandana entra em luto, mas também se vê pressionada internacionalmente por seu vibranium — cobiçado, desejado e alvo de ataques externos.
Quando uma máquina da CIA detecta vibranium no oceano, Namor e o povo de Talokan atacam a equipe em segredo, criando tensão global e levando a CIA a culpar Wakanda. Namor, sentindo-se ameaçado, confronta Ramonda e Shuri, oferecendo um ultimato: entregar a cientista responsável pela máquina ou enfrentar guerra.
Entra em cena Riri Williams, jovem estudante do MIT que se torna peça-chave do conflito. Shuri e Okoye tentam protegê-la, mas acabam capturadas por Namor, que apresenta Talokan e tenta convencer Shuri a se unir a ele contra o resto do mundo.
A narrativa ganha força quando Ramonda morre tentando salvar Riri, o que leva Shuri a mergulhar profundamente no desejo de vingança. Após recriar sinteticamente a erva coração, Shuri se torna a nova Pantera Negra — mas é ao enfrentar Namor cara a cara, já no clímax, que ela finalmente escolhe o caminho da paz.
A decisão evita a guerra e abre espaço para uma nova era entre Wakanda e Talokan.
Um final emocionante e uma revelação que mudou tudo
Na cena pós-créditos, Shuri viaja ao Haiti e descobre que T’Challa deixou um filho: Toussaint, criado em segredo por Nakia. O garoto também carrega um nome wakandano: Príncipe T’Challa. A revelação emocionou o público e abriu portas para o futuro da dinastia em Wakanda.
E agora: o que esperar de Pantera Negra 3?
Com a confirmação de Coogler, muitas perguntas surgem — e todas são deliciosas de acompanhar.
Quem assume o protagonismo? Shuri seguirá como Pantera Negra? Veremos uma expansão maior de Talokan? O jovem Príncipe T’Challa terá um papel mais significativo? A nova fase do UCM abrirá espaço para novas alianças, vilões ou conflitos globais envolvendo vibranium?
O diretor não revelou nenhum detalhe. Mas, conhecendo o trabalho dele, dá pra sentir que essa continuação será grande, emocional e cheia de novas camadas — exatamente como Wakanda merece
As últimas semanas foram marcantes para fãs de cultura pop, videogames e grandes produções hollywoodianas. Depois de mais de três décadas tentando encontrar o equilíbrio certo entre fidelidade ao material original e ambição cinematográfica, Street Fighter finalmente encerrou suas filmagens principais. O novo longa, produzido pela Legendary Entertainment em parceria direta com a Capcom, promete não apenas resgatar a essência da franquia, mas também reinventá-la para uma nova geração — agora com tecnologia, elenco e visão criativa que nunca estiveram disponíveis nas adaptações anteriores.
O encerramento das filmagens foi celebrado com entusiasmo pelo diretor Kitao Sakurai, que publicou uma foto dos bastidores em suas redes sociais, marcando o fim da etapa mais desafiadora do projeto. E se o entusiasmo da equipe é um indicador do que está por vir, o público pode esperar um filme que faz jus ao legado de um dos jogos de luta mais influentes de todos os tempos.
A produção, que começou em agosto de 2025 na Austrália, encerra um ciclo que passou por trocas de direção, longas negociações e expectativas altíssimas desde sua concepção, em 2023. Agora, com o longa oficialmente em fase de pós-produção, o próximo capítulo dessa história se aproxima: o lançamento, previsto nos Estados Unidos para 16 de outubro de 2026, pela Paramount Pictures.
A história por trás da nova adaptação
Em abril de 2023, quando a Legendary Entertainment adquiriu os direitos de adaptação cinematográfica de Street Fighter, a notícia tomou conta das redes sociais. A ideia de uma nova versão live-action sempre provocou curiosidade — e preocupação — entre os fãs. Afinal, as adaptações anteriores deixaram memórias conflitantes: o filme de 1994 virou cult, mas não exatamente pelas razões que seus produtores imaginavam. Já A Lenda de Chun-Li (2009) se tornou sinônimo de decepção, quase um alerta permanente de como a franquia deveria ser tratada com mais cuidado.
A Legendary, porém, parecia determinada a mudar essa narrativa. Desde o início, decidiu construir o reboot ao lado da Capcom, envolvida como co-produtora. A estratégia era clara: respeitar o DNA dos jogos. Não apenas em termos visuais, mas principalmente na essência dos personagens e na filosofia por trás do Torneio Mundial de Guerreiros.
Originalmente, o projeto seria dirigido pelos irmãos Danny e Michael Philippou, conhecidos pelo terror criativo Talk to Me. A escolha surpreendeu, mas também empolgou, principalmente pela estética crua e visceral que os diretores poderiam trazer ao universo de Street Fighter. Entretanto, em junho de 2024, ambos deixaram o projeto, priorizando o filme Bring Her Back. A saída gerou incertezas — até que, em fevereiro de 2025, uma nova peça se encaixou no tabuleiro.
Kitao Sakurai, conhecido pela direção do irreverente Bad Trip e por sua habilidade em mesclar humor, ação e narrativa visual inventiva, assumiu o comando. A escolha trouxe um frescor inesperado: Sakurai tem olhar artístico singular e habilidade para dar vida a personagens excêntricos, elementos essenciais em um universo tão estilizado quanto o de Street Fighter. E, acima de tudo, trazia consigo uma postura colaborativa que facilitou a sintonia entre direção, elenco e consultores da Capcom.
De volta a 1993, ao espírito do arcade
Uma das maiores surpresas reveladas pela Paramount foi a ambientação do longa em 1993, bem no auge da febre dos fliperamas. Ao situar a história no início dos anos 90, o filme busca capturar a estética e a energia da época que fez Street Fighter se tornar um fenômeno mundial. Não é apenas nostalgia: essa ambientação é fundamental para criar um choque dramático entre tradição, honra, rivalidade e os dilemas pessoais dos protagonistas.
Na narrativa, acompanhamos Ryu (vivido por Andrew Koji, conhecido por Warrior) e Ken Masters (interpretado por Noah Centineo, que aqui mergulha em sua versão mais madura e física). A dupla, afastada dos ringues por motivos ainda mantidos em segredo, é surpreendida pela misteriosa Chun-Li (Callina Liang), que os traz de volta ao cenário das lutas ao convocá-los para o lendário Torneio Mundial de Guerreiros.
O torneio, inicialmente apresentado como um espetáculo brutal de disputa, honra e redenção, revela-se apenas a superfície de uma conspiração muito maior. O trio descobre que forças ocultas manipulam os rumos da competição — e que o destino do mundo pode estar mais entrelaçado ao torneio do que eles imaginam. Entre intrigas, segredos enterrados e lutas explosivas, Ryu e Ken serão obrigados não apenas a enfrentar inimigos formidáveis, mas a revisitar seus próprios demônios internos.
A frase usada pelo estúdio na divulgação é clara: “E se eles não fizerem isso… é FIM DE JOGO!”
Um mosaico de talentos, presença física e carisma
A escalação do elenco foi um dos pontos mais comentados pelos fãs desde o início de 2025. E com razão: o filme reúne uma mistura ousada de atores consagrados, estrelas de ação, humoristas, lutadores profissionais e talentos emergentes. Tudo isso para trazer à vida personagens que marcaram gerações.
Em um dos papéis centrais, Noah Centineo encara o desafio de interpretar Ken Masters, um personagem que exige equilíbrio perfeito entre arrogância charmosa, habilidade marcial e camaradagem intensa com Ryu. Centineo, que vem expandindo sua carreira para papéis mais físicos, surge aqui com seu trabalho mais exigente e transformador.
Já Andrew Koji, amplamente respeitado por sua performance corporal e precisão marcial, parece ter nascido para viver Ryu. Koji tem a rara habilidade de transmitir conflito interno mesmo em cenas silenciosas, algo essencial para o protagonista mais introspectivo da franquia.
Jason Momoa, numa jogada ousada e surpreendente, assume o papel de Blanka. A curiosidade dos fãs é enorme — principalmente sobre como o visual do personagem será tratado, considerando sua mistura entre humanidade e ferocidade selvagem. Momoa já adiantou, em entrevistas, que representa “uma versão emocionalmente complexa e inesperada” do ícone brasileiro.
Outro destaque é Roman Reigns, astro da WWE, escalado como o temido Akuma. Sua presença física promete dar vida a um dos vilões mais imponentes da franquia, com um toque mais sombrio, fiel à lore dos jogos.
A chegada de Callina Liang como Chun-Li também foi celebrada. A personagem sempre exigiu um equilíbrio delicado entre força, elegância e determinação — e Liang parece ter abraçado esse espírito com profundidade emocional e desempenho atlético impressionante.
A lista continua com nomes de peso como Curtis “50 Cent” Jackson, interpretando o boxeador brutal Balrog, e David Dastmalchian, ator de versatilidade incomparável, no papel do icônico vilão M. Bison. Dastmalchian, acostumado a personagens sombrios e perturbadores, promete entregar uma versão mais calculada e assustadora do ditador psíquico.
Além deles, Cody Rhodes surge como Guile, trazendo sua experiência no ringue para um dos personagens mais patrióticos dos videogames. O lutador e ator indiano Vidyut Jammwal, especialista em artes marciais, encarna Dhalsim, enquanto Eric André dá vida ao exótico Dom Sauvage, em uma escolha que deve adicionar humor e imprevisibilidade ao elenco.
A produção ainda conta com Orville Peck como o misterioso Vega, Olivier Richters como o gigante Zangief, Hirooki Goto como E. Honda, Mel Jarnson como Cammy, Rayna Vallandingham como Juli, Alexander Volkanovski como Joe e Kyle Mooney como Marvin — reforçando a diversidade estilística e estética necessária para representar o universo plural de Street Fighter.
Desafios, trocas e um renascimento criativo
Produzir um reboot de um dos maiores fenômenos dos videogames não é tarefa simples. Mas o caminho até aqui revela uma produção determinada a acertar onde as adaptações anteriores falharam.
A parceria entre a Legendary e a Capcom foi essencial. Criadores originais da saga, roteiristas, consultores de combate e artistas visuais trabalharam lado a lado com o diretor Kitao Sakurai e o roteirista Dalan Musson. Os campos de treinamento dos atores envolveram diferentes disciplinas: muay thai, karatê, boxe, capoeira, grappling e movimentos inspirados nas animações clássicas do jogo. A preparação física foi tão intensa que alguns atores até compartilharam hematomas e rotinas exaustivas nas redes sociais.
Sakurai também enfrentou o desafio de traduzir os elementos exagerados e fantásticos do jogo para um formato live-action sem perder credibilidade. A equipe utilizou captura de movimento, efeitos práticos e CGI de última geração para criar movimentos icônicos como o Hadouken, o Sonic Boom e o Psycho Crusher. Mas a prioridade sempre foi a fisicalidade dos atores, evitando depender exclusivamente da pós-produção.
As filmagens na Austrália trouxeram cenários naturais grandiosos, ao mesmo tempo em que estúdios locais foram transformados em arenas de combate, templos místicos e laboratórios secretos. A produção ainda utilizou locações urbanas para criar uma estética suja e caótica, remetendo às fases clássicas dos jogos.
As expectativas dos fãs e o espírito do arcade
É impossível ignorar a enorme responsabilidade emocional que o filme carrega. Street Fighter não é apenas um jogo — é uma parte da história de milhares de pessoas. Crescer nos fliperamas dos anos 90 envolvia duelos improvisados, desafios entre desconhecidos, movimentos secretos descobertos entre amigos e rivalidades eternas criadas com controle em mãos.
O filme, ao se ambientar em 1993, não quer apenas contar uma história de luta. Quer reacender o espírito competitivo, a estética neon, o suor das batalhas improvisadas e o calor de uma época em que vencer uma partida significava deixar seu nome com três iniciais brilhando em uma máquina arcade.
E essa conexão emocional pode ser a chave para o sucesso.
O longa-metragem chega aos cinemas norte-americanos em 16 de outubro de 2026. Até lá, resta aos fãs preparar seus controles, revisitar golpes clássicos e torcer para que, dessa vez, o cinema faça justiça ao legado do Hadouken.
O novo Universo DC criado por James Gunn e Peter Safran ainda está tomando forma, mas as peças começam a se alinhar de maneira inesperada — e uma delas envolve um dos personagens mais poderosos da mitologia da DC: o Senhor Destino. Em entrevista recente à GQ, o ator Pierce Brosnan, que interpretou Kent Nelson em Adão Negro (2022), revelou que ouviu rumores animadores sobre seu futuro na franquia.
“Eu ouvi que o Senhor Destino teria sua própria série ou filme”, afirmou Brosnan. “Também ouvi que ele vai estar no próximo filme do Superman”, completou o ator, deixando os fãs em alerta. Segundo ele, a experiência de interpretar o místico da DC foi profunda e filosófica, e ele estaria “totalmente aberto a retornar”.
Embora Adão Negro não faça parte do novo DCU — considerado oficialmente uma linha paralela — nada impede que o Senhor Destino seja reinterpretado, reintroduzido ou até mesmo mantido, já que Gunn tem demonstrado flexibilidade ao equilibrar novos atores com talentos retornando de versões anteriores.
E a possível conexão com Superman: O Homem do Amanhã, estrelado por David Corenswet, abre espaço para uma discussão maior: qual é a importância do personagem nesse universo? E como isso dialoga com o filme animado de 2020, que estabeleceu uma nova origem para o herói?
A base da nova mitologia: o que é Superman: O Homem do Amanhã?
Antes de especular sobre a aparição do Senhor Destino no novo longa, vale revisitar a história que inspira o título O Homem do Amanhã — em especial o filme animado lançado em 2020, que marcou o início da “segunda fase” do Universo Animado da DC.
Dirigido por Chris Palmer e escrito por Tim Sheridan, o longa acompanha os primeiros passos de Clark Kent como Superman, destacando sua inexperiência, sua busca por identidade e os desafios éticos que surgem quando seu poder encontra o olhar desconfiado da humanidade.
Com as vozes de Darren Criss (Superman) e Zachary Quinto (Lex Luthor), o filme funciona como um renascimento criativo de um mito conhecido, mas com enfoque emocional mais moderno.
Uma nova origem para um herói que ainda não sabe ser herói
A trama começa com a destruição de Krypton e com o bebê Kal-El sendo enviado à Terra, onde é criado por Jonathan e Martha Kent. Já adulto, Clark trabalha como estagiário no Planeta Diário e só é reconhecido pelo público como o misterioso “Homem Voador”.
Quando um telescópio orbital da LexCorp é lançado, Clark comparece esperando encontrar vida além da Terra — mas o evento termina na prisão de Lex Luthor, após Lois Lane revelar que o equipamento apresentava falhas graves capazes de destruir Metrópolis.
Nesse mesmo período, Clark faz amizade com Rudy Jones, zelador dos Laboratórios STAR, cuja vida será completamente transformada ao cruzar o caminho do herói.
Lobo, J’onn J’onzz e a ameaça que desperta o Parasita
A chegada de um OVNI a Metrópolis coloca Clark frente a frente com Lobo, o caçador de recompensas intergaláctico que revela a existência de uma recompensa pela cabeça do “último kryptoniano”. Durante a luta, Rudy acaba exposto a uma misteriosa substância alienígena que se funde ao seu DNA, desencadeando sua transformação futura.
Quando Clark está à beira da derrota, surge a figura misteriosa que o observava: J’onn J’onzz, o Caçador de Marte. O encontro muda tudo, pois é J’onn quem explica a Clark sua verdadeira origem kryptoniana — e quem o alerta sobre o medo que a humanidade pode nutrir por seres diferentes.
Enquanto isso, Rudy renasce como uma criatura capaz de drenar energia vital, desencadeando destruição por onde passa.
A construção simbólica do Superman
Com o surgimento do Parasita, Metrópolis exige a presença de um herói. E é Martha Kent quem, num gesto simples e afetuoso, entrega a Clark o traje que inclui o icônico “S” no peito. A partir dali, o “Homem Voador” ganha um nome, um símbolo e uma responsabilidade.
Superman e J’onn tentam deter o Parasita, mas o vilão absorve seus poderes e usa as informações obtidas para crescer ainda mais. J’onn é supostamente morto em batalha, e Clark, enfraquecido, precisa recorrer a quem menos confia: Lex Luthor, preso após o incidente do telescópio.
O sacrifício do Parasita e o nascimento de um novo herói
Com a ajuda de Lobo e Luthor, Superman arma um plano para derrotar o Parasita — mas o confronto final toma um rumo inesperado. Após absorver energia demais, a criatura percebe que está prestes a causar uma destruição irreversível e decide se sacrificar para impedir a sobrecarga na usina de energia.
É um momento que redefine Clark: não mais apenas um jovem tentando se encaixar no mundo, mas um símbolo de esperança que acredita na humanidade — até mesmo nos seus monstros.
J’onn revela ter fingido a morte e parte em busca de outros marcianos. Lobo, regenerado, joga a provocação: talvez existam outros kryptonianos por aí.
E Superman, agora seguro de quem é, se apresenta ao mundo como Kal-El.
Quase quatro décadas após sua estreia silenciosa e enigmática no Japão, o cultuado Angel’s Egg, dirigido por Mamoru Oshii com direção de arte e conceitos visuais de Yoshitaka Amano, finalmente chega aos cinemas brasileiros como sempre deveria ter sido visto: em uma restauração impecável em 4K HDR, realizada a partir dos negativos originais em 35mm. O lançamento nacional acontece nesta quinta-feira, 20 de novembro, sob distribuição da Sato Company, marcando um momento significativo para fãs de animação, colecionadores e amantes do cinema autoral.
A nova versão do longa foi exibida neste ano no Festival de Cannes, dentro da seção Cinéma de la Plage, como parte da seleção oficial de clássicos — um reconhecimento que reafirma a importância estética e histórica de uma obra que, durante muito tempo, permaneceu restrita a círculos específicos de cinéfilos.
Em São Paulo, a chegada do filme será celebrada com uma pré-estreia especial no dia 19 de novembro, às 19h30, no Cinesystem Belas Artes Frei Caneca, com mediação da jornalista e influenciadora de cultura pop asiática Miriam Castro (Mikannn).
Um filme que desafiou seu próprio tempo
Quando Angel’s Egg foi lançado, em 1985, a recepção não poderia ter sido mais ambígua. O público acostumado à explosão criativa do anime comercial — repleto de ação, diálogos rápidos e narrativas acessíveis — encontrou em Oshii algo muito diferente. Era um filme contemplativo, quase silencioso, movido por símbolos religiosos, imagens de ruínas e criaturas fantasmagóricas que pareciam existir apenas na fronteira entre sonho, fé e esquecimento.
O resultado, na época, foi um estranhamento profundo. A bilheteria foi tímida, a crítica não sabia como definir o longa e muitos espectadores deixaram a sessão com mais perguntas do que respostas. Mas foi justamente essa estranheza que transformou Angel’s Egg na obra que ele é hoje: um marco cult inclassificável, estudado por acadêmicos, adorado por artistas visuais e reverenciado como uma das animações mais ousadas já produzidas. O tempo — sempre ele — tratou de colocar o filme no lugar certo. De obscuro, Angel’s Egg tornou-se essencial.
A poética do silêncio
O enredo do filme é simples apenas na superfície. A trama acompanha uma menina solitária que protege um misterioso ovo enquanto vaga por um mundo em ruínas. Ela é observada por um viajante, cuja presença desperta dúvidas, conflitos e um sentimento constante de incerteza.
Não há pressa. Não há explicação. O filme se constrói na pausa, no gesto, na textura da luz, na sombra que recorta os cenários decadentes. Cada quadro parece uma pintura animada por algo mais profundo do que técnica — talvez fé, talvez melancolia, talvez o desejo de compreender o que resta quando tudo já se perdeu.
É justamente essa densidade que transformou o longa em objeto de culto. Angel’s Egg não se limita a ser visto: ele precisa ser sentido.
Um marco para a animação no Brasil
O lançamento nacional da animação é, em muitos sentidos, uma reparação histórica. Durante décadas, o longa permaneceu inacessível ao grande público, circulando apenas entre colecionadores, críticos especializados e fãs obstinados.
A exibição nos cinemas brasileiros não é apenas um evento de nostalgia: é a chance de apresentar o filme para uma nova geração, em sua forma definitiva. E fazê-lo no momento em que o interesse por animação japonesa está em seu auge torna esta estreia ainda mais simbólica.
A Sato Company, responsável pelo lançamento, reforça a importância de trazer ao País obras que marcaram o imaginário de criadores do mundo inteiro. Angel’s Egg não é apenas um filme — é um capítulo fundamental da história da animação autoral.
O universo de Star Trek sempre foi, antes de tudo, um convite. Um chamado para olhar o futuro com coragem, curiosidade e serenidade — três elementos que sustentaram a franquia por quase seis décadas. Agora, esse chamado retorna com uma força renovada com o lançamento do novo trailer de Star Trek: Academia da Frota Estelar, série que chega ao Paramount+ no próximo 15 de janeiro e promete uma experiência que mistura emoção, juventude e um profundo respeito pelo legado da saga.
Diferente das últimas produções da franquia, que exploraram guerras intergalácticas, dilemas temporais e discussões filosóficas complexas, a nova série escolhe outro território: o da formação. Ela apresenta o universo não pelos olhos de comandantes experientes, mas pelos de cadetes que ainda tropeçam, ainda sonham, ainda buscam entender quem são e qual papel podem desempenhar em uma galáxia tão vasta e imprevisível. Essa decisão narrativa, tão simples quanto poderosa, dá à série um frescor raro e ao mesmo tempo uma forte conexão com a essência de Star Trek — a de acreditar no potencial humano.
Uma nova geração no centro da narrativa
O trailer recém-lançado deixa muito claro que o coração da série será o grupo de jovens cadetes que ingressam na Academia da Frota Estelar movidos por um ideal comum: a esperança de participar de algo maior do que eles mesmos. Esses personagens — interpretados por Sandro Rosta, Holly Hunter, Karim Diane, Kerrice Brooks, George Hawkins, Bella Shepard e Zoë Steiner — representam a diversidade de experiências, origens, temperamentos e expectativas que compõem o universo da Federação.
Desde a primeira cena, percebe-se que cada um deles chega com uma história que deixou marcas. Há os confiantes demais, os inseguros demais, os que carregam um senso de responsabilidade que os sufoca e aqueles que mal entendem o peso da farda que vestem. Mas todos, de alguma forma, são guiados pela mesma força: a ideia de que suas ações podem transformar mundos, culturas e o próprio destino da humanidade.
A presença de Robert Picardo e Tig Notaro, rostos já queridos pelos fãs da franquia, reforça a ponte entre o passado e o presente. Eles aparecem como figuras de referência, instrutores experientes que conhecem a dureza da vida na Frota Estelar e compreendem o quanto cada decisão pode moldar o futuro de um cadete — para o bem ou para o mal.
O impacto emocional de uma formação rigorosa
A Academia da Frota Estelar nunca foi um ambiente simples. É ali que mentes brilhantes são lapidadas. É ali que futuros comandantes, engenheiros, diplomatas e exploradores descobrem seus limites — e aprendem a ultrapassá-los. E é justamente nessa atmosfera de pressão e descoberta que a nova série se aprofunda.
O trailer revela cenas de treinamentos intensos, simulações perigosas e aulas que exigem foco absoluto. Mas, ao mesmo tempo, mostra momentos de carinho, de empatia e de vulnerabilidade. Nos corredores da Academia, os cadetes não enfrentam apenas provas técnicas, mas também batalhas internas: a sensação de não pertencimento, o medo de fracassar, a culpa de um erro que poderia ter custado vidas.
Esses elementos aproximam Academia da Frota Estelar de um drama de amadurecimento mais sensível e emocional. Não se trata apenas de ver jovens aprendendo a operar naves estelares, mas de observá-los lidando com a vida, com as próprias escolhas e com a responsabilidade de representar valores que, dentro da Federação, são quase sagrados.
Entre amizades, rivalidades e primeiros amores
Para além dos conflitos acadêmicos, a série se compromete a explorar a dimensão mais íntima e humana da experiência de cada cadete. E o trailer evidencia isso de forma clara: amizades surgem nos momentos mais improváveis; rivalidades nascem por orgulho, insegurança ou competição; e os primeiros amores despontam com aquela mistura de intensidade e fragilidade tão característicos da juventude.
A maneira como os cadetes se relacionam parece ser uma das forças centrais da narrativa. As conversas sussurradas no refeitório, as confissões trocadas entre as luzes de alerta da nave de treinamento, os confrontos impulsivos seguidos de arrependimento silencioso — tudo isso aparece no trailer como parte essencial da formação desses personagens.
Essas conexões humanas são fundamentais para que o público se identifique com a trama. Não importa quão futurista seja a estética da série ou quão grandiosas sejam as ameaças enfrentadas: no fundo, os espectadores também já foram jovens tentando encontrar seu lugar no mundo.
Uma nova ameaça paira sobre a Federação
Apesar de focar no amadurecimento dos cadetes, Academia da Frota Estelar não se afasta do elemento de aventura e perigo que sempre caracterizou Star Trek. O trailer revela que um novo inimigo misterioso surge no horizonte, ameaçando não apenas a Academia, mas a própria Federação.
Pouco se sabe sobre ele até agora. Não há pistas óbvias sobre sua origem, intenções ou método de ataque. E talvez seja justamente essa ausência de informações que torne a ameaça mais intrigante. A escolha narrativa cria uma tensão que deve acompanhar toda a primeira temporada, servindo como pano de fundo para as mudanças internas que cada cadete enfrentará.
A presença de um inimigo externo obriga esses jovens a amadurecer rapidamente. Não há tempo para hesitações, e a fronteira entre um erro acadêmico e uma catástrofe real é muito mais tênue do que eles imaginam. Assim, a nova série não apenas constrói um arco emocional, mas também mantém a tradição de Star Trek de explorar conflitos complexos que colocam à prova a estabilidade da galáxia.]
Star Trek e sua vocação para o otimismo
Um dos pilares mais antigos de Star Trek é o otimismo. Desde 1966, quando Gene Roddenberry criou a Série Clássica, a franquia imaginou um futuro em que diferentes culturas, espécies e ideologias conseguem coexistir com respeito e colaboração. A Federação é uma metáfora sobre o melhor que a humanidade pode ser — e nunca um retrato de um mundo perfeito, mas de um mundo sempre em construção.
Academia da Frota Estelar honra essa tradição. A série mostra que esperança não é um sentimento vazio, mas uma decisão diária. Uma escolha que exige esforço, disciplina e, acima de tudo, coragem. Ao acompanhar cadetes em formação, a produção reafirma algo essencial: ninguém nasce pronto. Heróis são moldados, não criados.
E isso é o que torna esta nova série tão importante dentro do catálogo do Paramount+: ela oferece uma narrativa capaz de inspirar, especialmente num momento em que o público busca histórias que falem sobre superação, propósito e comunidade.
A influência do legado recente: Discovery e Strange New Worlds
Para compreender o momento atual da franquia, é impossível ignorar o impacto das séries mais recentes, em especial Star Trek: Discovery e Star Trek: Strange New Worlds.
Discovery, que estreou em 2017, abriu caminho para a nova fase do universo expandido idealizado por Alex Kurtzman, trazendo uma abordagem mais séria, emocional e cinematográfica para Star Trek. Foi também a série que introduziu novos atores em papéis clássicos — como Ethan Peck como Spock — reacendendo o interesse do público em personagens da Série Clássica.
O sucesso dessa iniciativa abriu as portas para Strange New Worlds, criada por Akiva Goldsman, Alex Kurtzman e Jenny Lumet. A série estreou em 2022 com Anson Mount, Rebecca Romijn e Ethan Peck reprisando seus papéis como Pike, Número Um e Spock, mergulhando novamente na proposta de episódios independentes, com forte apelo visual e narrativo.
Essa combinação de nostalgia e originalidade fez de Strange New Worlds uma das produções mais celebradas do universo Star Trek moderno. Suas temporadas lançadas em 2022, 2023 e 2025 consolidaram uma identidade própria e revitalizaram o formato episódico clássico. Uma quarta temporada já está confirmada para 2026, e uma quinta — anunciada como a última — está em produção.
O clima de renascimento e expansão que essas séries criaram abre espaço para que Academia da Frota Estelar possa se desenvolver com segurança, sabendo que o público está aberto a novas abordagens, novos personagens e novas formas de explorar o legado da franquia.
Em uma iniciativa que transforma a música em ponte, horizonte e território, 77 jovens do Norte do Brasil e da Guiana Francesa se reúnem para dar vida à Orquestra Amazônica de Jovens – Ecos da Amazônia. O projeto, inédito e de alcance continental, integra a programação oficial da Temporada França–Brasil 2025 e nasce como um gesto de cooperação cultural que atravessa fronteiras para reafirmar a Amazônia como espaço de criação, diversidade e memória viva.
Idealizado pelo Ministério da Cultura, pelo Banco da Amazônia e pelo Conservatoire de Musique, Danse et Théâtre de Guyane, e produzido pela Academia Paraense de Música, o projeto conta ainda com o apoio do Institut Français, do Comitê de Patrocinadores da Temporada França–Brasil 2025 e, no Brasil, da CNP Seguradora, por meio da Lei Rouanet.
Uma Amazônia que se reconhece na música
Para Serge Long Him Nam, presidente do Conservatoire de Musique, Danse et Théâtre de Guyane, o projeto materializa uma nova forma de enxergar o território amazônico — não apenas como espaço geográfico, mas como pulsação cultural compartilhada. “O projeto Ecos da Amazônia permite ouvir, ver e viver uma Amazônia solidária, plural e criativa. Eles serão, amanhã, a expressão de um engajamento coletivo, artístico e cidadão em favor de um mundo mais justo, mais sensível e mais sustentável. Ao integrar a Temporada França–Brasil 2025, este projeto evidencia o alcance e o protagonismo de nossos territórios na Amazônia e além dela.”
Jovens artistas no centro da criação
A orquestra reúne meninas e meninos de 14 a 25 anos, formados em escolas musicais de Saint-Laurent du Maroni, Kourou e, no lado brasileiro, na Escola de Música da Universidade Federal do Pará (EMUFPA) e na Fundação Carlos Gomes, ambas em Belém.
Eles chegam ao projeto trazendo sotaques musicais distintos, histórias próprias e um desejo comum: mostrar ao mundo que a Amazônia não é apenas cenário, mas criadora de linguagem. Ao longo do processo, eles recebem orientação de pedagogos, maestros e artistas convidados, mergulhando em repertórios que dialogam tanto com tradições locais quanto com novas sonoridades.
Para esses jovens, participar da Orquestra Amazônica representa mais que uma etapa de formação: é a possibilidade de se enxergar como parte ativa de um território que se reinventa pela arte.
Criações inéditas que traduzem a floresta
Quatro compositores formam o núcleo criativo que dá vida ao repertório original da Orquestra Amazônica de Jovens. Cada um deles chega ao projeto trazendo não apenas sua técnica e trajetória, mas também uma escuta sensível das múltiplas Amazônias que habitam suas obras. De Belém, a compositora Cibelle Donza contribui com sua escrita marcada por memórias ribeirinhas e pelo diálogo íntimo com as paisagens sonoras do Norte do Brasil.
Da Guiana Francesa, chegam Denis Lapassion e Fabrice Pierrat, dois artistas que traduzem, em música, a relação viva com as tradições locais, as influências afro-caribenhas e os sons que atravessam a fronteira invisível entre florestas, rios e cidades. Completa o grupo o compositor francês Pierre Thilloy, cuja pesquisa musical sempre se aproximou de expressões culturais de diversos territórios, permitindo-lhe construir pontes poéticas entre a Europa e a Amazônia.
Ao reunir essas vozes criadoras, o projeto consolida um repertório que combina composições inéditas, arranjos originais e obras já consagradas. As peças evocam desde o murmúrio das águas amazônicas até o rugido vibrante das cidades ribeirinhas, compondo um mosaico sonoro que traduz, em orquestração, as muitas Amazônias que coexistem no imaginário e no cotidiano dos povos da região.
Ensaios entre Belém e Caiena
A primeira parada acontece em Belém, nos dias 3 e 4 de dezembro, no histórico Theatro da Paz. Ali, jovens do Brasil e da Guiana Francesa se encontram pela primeira vez no mesmo palco, criando conexões que vão além das partituras. É nesse ambiente que surgem os primeiros acordes de integração, onde sotaques musicais diferentes começam a se reconhecer e se complementar.
A segunda etapa será realizada em Caiena, culminando no concerto oficial marcado para 29 de janeiro. Depois de uma nova rodada de ensaios e imersão artística, os jovens músicos apresentam o resultado desse intercâmbio criativo ao público da capital guianense. O espetáculo sela o encerramento da primeira fase do projeto e celebra, de forma vibrante, a força da criação artística amazônica como expressão de união cultural entre países vizinhos.
Acesso gratuito ao público
O concerto terá entrada gratuita, com distribuição de ingressos exclusivamente na bilheteria física no dia da apresentação. Uma oportunidade rara para que o público acompanhe a estreia de uma orquestra que já nasce histórica, não apenas pela grandiosidade, mas pelo gesto de união que representa.
Nesta quinta, 27 de novembro de 2025, a Globo escolhe uma história marcada pela delicadeza e pela força das relações humanas para a Sessão da Tarde. O público vai acompanhar Mr. Church, filme lançado originalmente em 2016 e dirigido por Bruce Beresford, que reúne performances emocionantes e uma narrativa inspirada em fatos reais. A produção se destaca por apresentar Eddie Murphy em um de seus trabalhos mais contidos e sensíveis, marcando seu retorno ao drama após um longo intervalo na carreira cinematográfica.
De acordo com a sinopse do AdoroCinema, o longa nasceu a partir do conto The Cook Who Came to Live with Us, escrito por Susan McMartin, que se baseou em experiências pessoais para construir a relação de afeto entre um cozinheiro reservado e uma família fragmentada pelas circunstâncias. Essa precisão emocional está presente em cada gesto do personagem e em cada transformação vivida pelos protagonistas ao longo de décadas. O elenco conta ainda com Britt Robertson, Natascha McElhone, Xavier Samuel, Lucy Fry e Christian Madsen, que reforçam a densidade íntima da trama.
Mr. Church não é um filme que busca grandes reviravoltas ou acontecimentos espetaculares. Seu impacto surge a partir da simplicidade, do cotidiano e das relações nutridas em silêncio. A obra explora o valor do cuidado, a força dos vínculos não biológicos e a capacidade que algumas pessoas têm de entrar na vida de outras justamente quando o mundo parece prestes a ruir. É essa combinação de elementos que faz da exibição de hoje um convite à sensibilidade.
Um estranho na cozinha e o início de uma transformação profunda
A história começa em Los Angeles, nos anos 1970, quando a pequena Charlie acorda certa manhã sentindo o cheiro de café da manhã sendo preparado. Ao descer as escadas, depara-se com um homem desconhecido cozinhando em sua casa. Trata-se de Henry Church, interpretado por Eddie Murphy, contratado para ser o cozinheiro da família durante um período específico.
A mãe de Charlie, Marie, recebe o cozinheiro com naturalidade, mas a presença dele representa para a menina um lembrete de que algo grave está acontecendo. Marie foi diagnosticada com câncer de mama em estágio avançado e tem poucos meses de vida. O cozinheiro foi contratado, sem que Charlie soubesse, pelo antigo namorado da mãe, um homem casado que deixou dinheiro em testamento para que ela tivesse algum conforto em seus últimos dias. Mr. Church tem como função preparar refeições, mas acaba assumindo uma missão muito maior.
A partir desse ponto, o filme constrói sua força ao mostrar como pessoas desconhecidas podem se tornar fundamentais nas nossas vivências. Charlie não aceita facilmente a presença do cozinheiro. Ela o evita, o observa à distância e resiste à ideia de dividir o mesmo espaço com alguém por quem não sente confiança. No entanto, dia após dia, Mr. Church mantém a mesma postura discreta e acolhedora, sempre atento ao bem-estar da mãe e da filha.
O fato mais surpreendente é que os meses previstos para a doença de Marie se estendem. Ela vive anos além da estimativa médica, e enquanto a vida segue, a figura de Mr. Church se torna uma presença sólida e constante. A família ampliada que se forma ali era algo que nenhuma das três esperava, mas que transforma completamente o futuro de Charlie.
Anos passando, vínculos crescendo e uma história que se aprofunda
Quando Charlie atinge a adolescência, a relação com Mr. Church já está marcada por uma série de pequenos rituais silenciosos que só quem convive de perto consegue compreender. O cozinheiro, antes um intruso desconfortável, passa a ocupar um lugar de acolhimento. Ele cozinha, ajuda com tarefas escolares, sugere leituras, ensina sobre responsabilidade e oferece apoio emocional nos momentos em que mãe e filha enfrentam crises.
Marie, mesmo adoecida, tenta preparar a filha para o futuro e trabalha para que Charlie continue estudando, criando expectativas para além da dor que atravessa a casa. Mr. Church, mesmo sem verbalizar, passa a ser parte fundamental desse futuro. Quando Marie falece, a ausência é profunda, mas a casa não se esvazia por completo, porque o cozinheiro permanece ali, zelando para que Charlie continue em frente.
O filme então avança no tempo com suavidade. Charlie se forma no ensino médio, ingressa na Universidade de Boston e vê sua vida tomar novos rumos. O apoio financeiro e emocional de Mr. Church é decisivo para que ela consiga enfrentar a realidade fora de casa. Os dois constroem um vínculo que dispensa definições formais. Não são pai e filha, tampouco amigos comuns. São duas pessoas que se escolheram pela vivência, pelo respeito e pela maneira como aprenderam a cuidar uma da outra.
Quando Charlie retorna anos depois, grávida e fragilizada, é Mr. Church quem oferece abrigo mais uma vez. A convivência entre eles é marcada por segredos, limites e, ocasionalmente, conflitos. O cozinheiro mantém seu mundo interior protegido, e a necessidade de privacidade é quase uma regra sagrada. Ainda assim, ele permite que a filha de Charlie, Izzy, cresça sob seu apoio e receba parte da educação silenciosa que ele oferece.
A vida que Mr. Church escondia e o legado que ele deixa
Uma das grandes potências do filme está na revelação tardia da vida privada do cozinheiro. Ao longo de toda a narrativa, o personagem mantém distância de perguntas pessoais e evita qualquer abertura emocional que o exponha. Essa postura provoca curiosidade tanto na protagonista quanto no público.
Somente após a morte do cozinheiro, Charlie descobre que ele não era apenas um homem dedicado à cozinha. Mr. Church tocava piano em um clube de jazz havia décadas. Levava uma vida dupla, aparentemente simples, mas cheia de camadas e segredos. Pessoas que conviveram com ele em outro contexto desconheciam completamente suas habilidades culinárias ou sua relação com Charlie e Izzy. A descoberta reforça a ideia de que todos carregam universos internos que muitas vezes não são compartilhados com ninguém.
Essa revelação aprofunda o impacto da despedida final. Charlie compreende que, apesar da proximidade, nunca conheceu Mr. Church por completo. Ainda assim, ele foi uma das pessoas mais importantes em sua vida. A presença dele moldou seu caráter, seu senso de responsabilidade e seu modo de amar. É nesse ponto que o filme constrói uma mensagem de valorização do cotidiano. A verdadeira herança deixada pelo cozinheiro não está em bens materiais, mas nos gestos, rituais, livros compartilhados e refeições preparadas com cuidado.
A cena final, com Izzy preparando o café da manhã, simboliza a continuidade desse legado. A criança reproduz os gestos que aprendeu observando Mr. Church na cozinha, um ato simples que carrega a essência de tudo o que ele representou para aquela família.
A força da atuação de Eddie Murphy e o mérito do filme
Embora Mr. Church tenha recebido críticas divididas na época de seu lançamento, existe um consenso sobre o desempenho de Eddie Murphy. O ator entrega uma interpretação intimista, marcada por sutilezas, olhares silenciosos e expressões que revelam emoções reprimidas. Essa combinação cria um personagem que se impõe pela delicadeza, e não pelo excesso.
A direção de Bruce Beresford reforça esse estilo ao investir em uma narrativa que valoriza ambientes domésticos, luz natural, ritmo suave e personagens que crescem em silêncio. A fotografia acompanha as transformações da vida de Charlie e espelha o amadurecimento emocional da trama.
O filme funciona como um lembrete de que nem todas as histórias precisam ser grandiosas para serem significativas. Muitas vezes, as relações mais profundas são aquelas construídas em ambientes simples, por meio de gestos repetidos e afetos que não pedem reconhecimento.